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Celeste Duque 2003-2004 Gravidez & Puerpério Distúrbios Psicológicos Escola Superior de Saúde de Faro Universidade do Algarve
Índice Aspectos psicológicos Costumes, mitos e superstições Epidemiologia Etiologia Definição de conceitos psicológicos Ansiedade Depressão Psicose Psicopatologia Gravidez & Puerpério
Aspectos Psicológicos
Aspectos Psicológicos Nem todos os aspectos são vividos por todas as mulheres ou casais da mesma forma, tal como a intensidade com que são sentidos é também ela variável.
Aspectos Psicológicos  [cont.] Existe:  alguma  uniformidade  de  vivências  e  temas  expressos nos grupos e a     diferenças  mais  quantitativas  (que qualitativas) entre as  vivências  presentes na gravidez normal e na patológica:
Aspectos Psicológicos  [cont.] em que patologia tanto se refere a uma gravidez medicamente normal de uma mulher de personalidade neurótica, quanto a uma gravidez medicamente anormal numa mulher razoavelmente bem ajustada.
Aspectos Psicológicos  [cont.] Se são reconhecidos, pela grande maioria de autores, a existência de estados emocionais peculiares na gravidez,  já o seu aparecimento e origem é muito discutida.
Aspectos Psicológicos  [cont.] Face às grandes adaptações provocadas pela gravidez, é fácil supor que todas as mudanças emocionais se devem à existência de conflitos normalmente presentes neste período.
Aspectos Psicológicos  [cont.] É possível que outros factores físicos influam decisivamente na etiologia dos estados emocionais da gravidez.
Aspectos Psicológicos  [cont.] Benedeck & Rubinstein, 1942 procederam a investigações feitas com animais e seres humanos e chegaram à conclusão que Hormonas sexuais      comportamento Grandes alterações do  nível  de  estrogénio   e  progesterona      estado psicológico da gravidez
Aspectos Psicológicos  [cont.] Bibring (1961) e Caplan (1964) sugerem que as oscilações entre as relações do  Id  e do  Ego  na crise da gravidez são responsáveis pelas mudanças emocionais pela maior acessibilidade de material do processo primário;
Aspectos Psicológicos  [cont.] Colman (1969) afirma que, nesse período (gravidez) é impossível discriminar as complexas inter-relações entre os factores hormonais e psicológicos de forma separada.
Aspectos Psicológicos  [cont.] As perturbações afectivas que acompanha as mulheres grávidas relacionam-se com alterações corporais e psicológicas próprias da gravidez e puerpério.
Aspectos Psicológicos  [cont.] A maternidade, principalmente uma primeira maternidade, provoca uma crise de identidade que pode, contudo, ser reforçadora do papel feminino.
Aspectos Psicológicos  [cont.] A gravidez nem sempre tem um cunho de felicidade e bem-aventurança, e a patologia psiquiátrica existente nesta fase testemunha-o.
Aspectos Psicológicos  [cont.] Para se poder proceder à prevenção de um gravidez de risco, é necessário detectar, tão precocemente, quanto possível, os factores indicadores:
Aspectos Psicológicos  [cont.] História pessoal Terreno  biológico Organização de personalidade  prévia Factores situacionais  presentes nas relações da mulher com  o seu  ambiente Família Meio social  e  cultural Têm sem dúvida um elevado peso no despoletar das situações patológicas.
Costumes Mitos e Superstições
Costumes, Mitos e Superstições Dias Cordeiro (1986) refere que os estudos transculturais dos costumes, mitos e superstições ajudam à compreensão da psicodinâmica da gravidez.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Povos primitivos É praticada a frugalidade: A mulher grávida como pouco e são contrariados os desejos alimentares.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Povos ocidentais Existe a ideia generalizada de uma boa alimentação: Essencial para o bom desenvolvimento do fetos e os apetites da grávida são satisfeitos ou mesmo incentivados.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Curiosamente, nos povos primitivos em que a  regressão oral  é contrariada, são raras as náuseas e vómitos. Enquanto que nos povos em que a oralidade é estimulada as náuseas e vómitos são muito frequentes e a sua ausência é objecto de estranheza por parte dos outros.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Na esfera genital sucede precisamente o oposto: Nos culturas primitivas existe a ideia de que as relações sexuais durante a gravidez são benéficas para fortalecer o feto através do sémen.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Nos culturas ocidentais pensa-se que podem prejudicá-lo. Considera-se que o que é importante não é a genitalidade mas a alimentação da grávida Esta postura é, não raras vezes, geradora de conflitos conjugais algo perturbadores.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Em relação aos tabus estes abundam nas culturas primitivas. Uma das fantasias, em relação à gravidez, é a reivindicação pelo homem não apenas da fecundação mas também da gestação ao longo de todo o processo. Existe a convicção que se o marido não mantiver a actividade sexual com a mulher grávida o seu papel de pai daquela criança fica comprometido, por não ter participado com o seu sémen na alimentação da criança.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Outra fantasia corresponde a que o parto difícil é sinónimo de adultério da mulher com um antepassado. O trabalho de parto prolongado corresponderia  à presença no canal vaginal de um antepassado que obstruiria  o nascimento Seria uma tentativa de um antepassado impor o seu nome à criança.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Existe também a crença muito divulgada em muitos povos que o feto é a reincarnação do avô. Estas crenças estão ligadas a conteúdos de carácter erótico, nomeadamente fantasias de adultério e incesto.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Nas sociedades ocidentais existe grande relutância em abordar estes temas, logo é mais difícil a sua análise. Sendo algumas fantasias como fecundação por via oral ou na banheira após utilização desta por algum familiar, manifesta referência a fantasia de incesto e adultério.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] As explicações prendem-se com: Nas culturas primitivas os  tabus , ou seja, o que a grávida deve evitar, são muito mais intensos, o que corresponderia, segundo alguns autores, à necessidade de criar um “ Super-Eu cultural ”:
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] Esta instância supra-psicológica permitiria controlar o risco de  adultério  e  incesto  reactivado pelo aumento das fantasias na gravidez, associado ao encorajamento da vida sexual na grávida.
Costumes, Mitos e Superstições  [cont.] O menor recurso a tabus nas culturas ocidentais dever-se-ia ao reforço cultural da  regressão oral  e  desinvestimento da genitalidade , na gravidez.
Epidemiologia
Epidemiologia As  modificações  psicológicas  e  comportamentais , tais como Labilidade emocional,  Disforia, Irritabilidade e  Somatizações são habitualmente transitórias e breves.
Epidemiologia  [cont.] Devem ser distinguidos das “ perturbações psicopatológicas ” persistentes com eventuais repercussões na evolução da gravidez e parto.
Epidemiologia  [cont.] A incidência de hospitalizações é pouco elevada durante a gravidez. Alguns autores consideram que a gravidez tem uma influência protectora relativamente a distúrbios mentais graves.
Epidemiologia  [cont.] A frequência de distúrbios psíquicos ligados ao puerpério foi durante muito tempo sub-estimada.
Epidemiologia  [cont.] As formas graves, geralmente psicóticas, que necessitam de internamento, são relativamente raras Com uma incidência de  1  ou  2  por  mil partos  (segundo alguns estudos americanos e ingleses). Enquanto que  estados neuróticos  ou  ansiogénico-depressivos , de ansiedade moderada, são relativamente frequentes.
Epidemiologia  [cont.] De referir ainda que os estados ansiogénico-depressivos escapam na maior parte à observação médica, ao serem encarados como  componentes das “ contrariedades ” da gravidez.
Epidemiologia  [cont.] 1  não sendo reconhecida a natureza depressiva pode alterar o funcionamento da mulher em várias áreas e quando se prolonga no tempo, pode comprometer o desenvolvimento harmonioso das primeiras relações mãe-bebé 50% Natureza depressiva 1 ,  formas moderadas 10% Natureza depressiva,  formas graves 1  ou  2  por mil partos Estados psicóticos
Epidemiologia  [cont.] Os dados disponíveis apontam para um maior número de hospitalizações nos primeiros meses do pós-parto, particularmente dos primeiros dois meses, sendo a distribuição mais irregular nos meses seguintes.
Epidemiologia  [cont.] H. Kaplan refere que Das puérperes hospitalizadas: 50%  - são-no na  1ª semana  pós-parto; 25%  - entre a  2ª  e a  4ª   semana 25 %  - durante os restantes  11   meses .
Etiologia
Etiologia Segundo Henry Ey, são múltiplos os factores etiológicos dos distúrbios psíquicos na gravidez e pós-parto e dividi-os em: Factores hereditários e constitucionais Factores psicossociais Factores endócrinos Infecção
Etiologia  [cont.] A situação da mulher relativamente à gravidez e ao parto tem de ser analisada como a confluência de: todo o seu  passado  (biológico, psicológico e social),  presente  (com todas as vivências actuais pessoais, familiares e profissionais),  situações ocorridas especificamente no decurso da gravidez  e  puerpério  e, finalmente,  com as  perspectivas abertas  diante dela  pela maternidade .
Etiologia  [cont.] H. Kaplan refere que independentemente dos investigadores  se basearem em conceitos psicanalíticos, eixo hipotálamo-pituitário-gonadal, neurotransmissores, genética, stress e teorias de suporte social, todos concordam que, por exemplo,
Etiologia  [cont.] A psicose puerperal é duas vezes mais comum em primíparas que em multíparas; O risco de desenvolverem  um distúrbio  pós-parto está aumentado se a mãe teve um distúrbio pós-parto ou se há história familiar de distúrbio de humor. Mulheres com história conhecida de distúrbio bipolar e que tiveram uma doença psiquiátrica no pós-parto são as que possuem um risco mais elevado de recorrência noutra gravidez.
Etiologia  [cont.] Estudos feitos com mulheres primíparas e multíparas, para correlacionar níveis hormonais e humor, em que se controlaram os factores sociais de stress verificou-se que: Um nível elevado de estrogéneos ante e pós-parto está associado a grande irritabilidade;
Etiologia  [cont.] Quanto maior a queda do nível de progesterona, mais deprimidas estavam as doentes ao 10ª dia; Quanto mais baixo estiver o nível de estrogéneos pós-parto mais frequentes os distúrbios de sono;
Etiologia  [cont.] Quanto aos factores psicossociais formulações psicanalíticas postularam que: O ante e pós-parto são stressantes para a mulher;
Etiologia  [cont.] Esse stress leva a regressões que evocam conflitos antigos, especialmente quando há uma história de  modelos maternos   inadequados  ou de  rejeição; Igualmente importante é a  separação  ou o  conflito  com o  pai ;
Etiologia  [cont.] A  depressão  pode resultar de conflitos não resolvidos relativamente à maternidade ou papel feminino.
Etiologia  [cont.] Alguns autores referem que mulheres que se classificaram em autoavaliação como mais masculinas tiveram menos sintomas psiquiátricos durante a gravidez, mas mais no pós-parto.
Etiologia  [cont.] Os autores concordam em que a ambivalência em relação: à manutenção da gravidez e os conflitos conjugais  estão associados com um aumento de incidência das perturbações pós-parto;
Etiologia  [cont.] Não há acordo relativamente ao papel da depressão e ansiedade pré-parto nas perturbações do pós-parto;
Etiologia  [cont.] Gotlib, em 1989, verificou que quanto mais baixa for a idade, o estatuto socio-económico e o número de crianças pequenas em casa, maior é o risco de desenvolver depressão durante a gravidez, mas não influencia a depressão no pós-parto.
Etiologia  [cont.] A perda de suporte afectivo é o factor  major  do aumento das perturbações pós-parto. Suporte afectivo  é a variável que a maioria dos autores identifica com maior frequência, e que surge como moderadora dos efeitos de stress no período peri-natal.
Etiologia  [cont.] A percepção da existência do suporte afectivo é mais importante que a real existência do mesmo. Outros factores de stress podem relacionar-se com um  nível socioeconómico baixo  e a  legitimidade da gravidez .
Conceitos psicológicos
Ansiedade
Ansiedade Ansiedade é a mais universal de todas as emoções. Não se pode observar directamente pelo que tem que ser inferida através do comportamento.
Ansiedade  [cont.] É percebida como um sentimento negativo, extremamente comunicável, não pode ser diferenciado do medo pela pessoa que a vivencia e ocorre em graus variados.
Ansiedade  [cont.] É uma expressão abreviada para um padrão de reacções bastante complexo, que se caracteriza por sentimentos subjectivos de apreensão e tensão associados a um estado de activação fisiológica que envolve o ramo simpático do sistema autónomo (SNA)
Ansiedade  [cont.] Catell e Scheier (1958) diferenciam dois tipos de ansiedade: Ansiedade traço – referindo-se a características estáveis e relativamente permanentes da personalidade Ansiedade situacional – referindo-se a estados temporários de ansiedade.
Ansiedade  [cont.] Dentro de certos limites,  a  ansiedade  preenche a importante função de alertar e mobilizar a pessoa  para enfrentar o agente responsável pela tensão , seja ele uma perda de objecto, uma tarefa de aprendizagem ou uma gravidez.
Ansiedade  [cont.] a  ansiedade  flutuante – por ser muito intensa ou crónica – ultrapassa as capacidades adaptativas da pessoa Resulta em problemas de ajustamento, com consequências graves, Especialmente no que se refere ao funcionamento do sistema endócrino.
Ansiedade  [cont.] A  ansiedade  e os  receios  relacionados com o  parto  ou com o novo  papel de mãe ,   têm sido considerados como factores contribuintes importantes no parto prolongado ou distócico, em que não se verificam causas mecânicas ou médicas.
Depressão
Depressão A depressão é uma perturbação do humor. É a elaboração patológica da tristeza. Ao contrário da tristeza a Depressão não é auto-limitada e não melhora sem o auxílio profissional.
Psicose
Psicose Diagnóstico emocional grave, caracterizado por Uma perturbação da personalidade; Perda da capacidade para interferir na realidade; Mas sem evidência de relacionamento entre o transtorno e os processos físicos do cérebro.
Psicose   [cont.] Apresenta ainda os seguintes sintomas: Delírio – o mais frequente, associado às distorções do conteúdo do pensamento. O delírio são falsas crenças não condizentes com o nível de conhecimento do indivíduo ou com o seu grupo de pertença cultural A crença é mantida contra a argumentação lógica e apesar das evidências objectivas em contrário.
Psicopatologia Gravidez & Puerpério
Psicopatologia Vómitos e náuseas : Surgem em 70% das mulheres grávidas (funcionais) Após eliminar a causa orgânica a origem psicológica (psicogénica) é a mais frequente
Psicopatologia   [cont.] A sua persistência pode levar à desidratação, problemas metabólicos e digestivos, com consequências para a gravidez e feto; Tratamento: Reposição hidroelectrolítica e intervenção psicoterapeutica.
Psicopatologia   [cont.] Perturbações Depressivas : Maioria das Depressões nas grávidas, são de intensidade ligeira ou mediana – isto é,  Depressões neuróticas Caracterizadas por:  Sentimentos de incapacidade; Auto-desvalorização; Astenia Alterações do sono.
Psicopatologia   [cont.] Síndromas Depressivos Graves observam-se em menor grau – cerca de 10% dos casos. Oates é de opinião que: Uma  Depressão  de características  major  pode ser determinada, exclusivamente, pela: Existência de privações afectivas e materiais, durante a gravidez.
Psicopatologia   [cont.] Síndromas depressivos  do  1º Trimestre  apresentam um prognóstico favorável,  regredindo no 2º Trimestre
Psicopatologia   [cont.] 3º Trimestre  podem perdurar para depois do parto Em 389 mulheres deprimidas no 3º Trim. Verificou-se uma correlação positiva entre a Intensidade dos sintomas depressivos e Um risco mais elevado de restrição do crescimento fetal e da prematuridade.
Psicopatologia   [cont.] Perturbações da ansiedade A gravidez é um período de ansiedade para a maioria das mulheres, a ser distinguida das “ perturbações de ansiedade ” propriamente ditas. Os estados ansiosos gravídicos isolados, surgem com maior frequência no 1º e 3º trimestre, em  < 15%   dos casos .
Psicopatologia   [cont.] Factores predisponentes Mau ambiente social, Problemas profissionais ou familiares. Sintomatologia Estados de ansiedade permanentes, associados a insónias iniciais e a somatizações várias que interferem nas actividades quotidianas.
Psicopatologia   [cont.] Aumentam as taxas de  partos prematuros Complicações do TP por falta de colaboração materna. HTA/pré-eclampsia Recém nascido de baixo peso.
Psicopatologia  [cont.] Alguns epidemiologistas referem que a mulher durante o primeiro mês após o parto encontra-se em maior risco de hospitalização psiquiátrica do que durante toda a sua vida.
Psicopatologia  [cont.] Para os estudos epidemiológicos o período pós-parto foi definido como o período decorrente entre as duas semanas após parto e um ano, embora para os ingleses este se inicie logo após o parto.
Psicopatologia  [cont.] Pós-Parto  Blues  ou  Síndroma do 3º dia Alguns dias após o parto surgem, em  30  a  80%  das mulheres,  manifestações neuropsíquicas , geralmente leves, mas, algumas vezes, intensas. São episódios benignos, na maioria das vezes, breves – podem durar apenas 1 dia. Incluiem: Diversos  graus de astenia, queixas somáticas, perturbações do sono, crises de choro , e  ruminações pessimistas , ligadas ao “como cuidar” do recém-nascido
Psicopatologia  [cont.] Sensibilidade exacerbada  – torna-se susceptível e irritável. Regra geral o  Blues  não necessita tratamento específico.
Psicopatologia  [cont.] Depressão pós-parto A sua  probabilidade  de ocorrência apresenta Um pico nos  primeiros meses Um (segundo) pico entre o  9º  e o  15º  mês
Psicopatologia  [cont.] A sua  incidência  situa-se entre os  5%  e os  10% Correspondendo a uma depressão já existente; Ao prolongamento de um  Blues .
Psicopatologia  [cont.] A puerpera apresenta:  frequentes crises de choro,  sensação de abatimento, Incapacidade e impotência Irritabilidade a pequenos eventos (e.g., choro do bebé)
Psicopatologia  [cont.] Sente que está mudada,  tem dificuldade em compreender as suas reacções e  Sente-se incapaz de cuidar do filho. O desinteresse sexual é evidente e tem pesadelos.
Psicopatologia  [cont.] Podem ainda surgir  fobias de impulsão  – i.e., infligir maus tratos ao bebé Para reduzir a angústia evita (todo) o contacto com ele.
Psicopatologia  [cont.] Maioria dos casos evolui espontaneamente para a recuperação em semanas ou meses; Tratamento: É essencial a dimensão psicoterapêutica apoiada na relação mãe-bebé, terapia familiar.  Terapêutica antidepressiva é, por vezes, útil e necessária
Psicopatologia  [cont.] Psicose Pós-Parto  (Puerperal) Quadro grave, por risco de suicídio e /ou infanticídio, raro; Início brutal, geralmente, entre os  8  e os  15  primeiros dias após o parto.
Psicopatologia  [cont.] Sintomatologia :  polimorfa  e  lábil  caracterizada por passar da agitação ao estupor,  da agressividade às condutas lúdicas, Humor instável, depressivo e irritável.
Psicopatologia  [cont.] Delírios – usualmente centrados no nascimento e relação com a criança (e.g., negação da gravidez e do nascimento); Atitudes de agressividade com o recém-nascido – manifestas ou mascaradas por indiferença. Apresenta, no entanto, evolução favorável, após hospitalização prolongada.
Psicopatologia vivência Paterna
Psicopatologia  [cont.] Vivência Paterna : Raramente o homem admite, abertamente, que está a atravessar um período de profunda experiência emocional, durante a gravidez da mulher. A resposta de um homem prestes a ser pai não é, nunca, neutra.
Psicopatologia  [cont.] Vários investigadores encontraram uma incidência, estatisticamente significativa (mais elevada) de sintomas físicos entre os homens com esposas/companheiras grávidas do que no grupo de controlo; Aumento do peso, vómitos, desconforto gástrico, aumento abdominal, são as perturbações mais comuns.
Psicopatologia  [cont.] Estes sintomas alternam com períodos de estabilidade emocional e sensação de bem-estar, desaparecendo com o nascimento da criança. Síndroma de Couvade
Bibliografia
Santos, M. B. (1998). Perturbações psíquicas na gravidez e puerpério.  Psiquiatria Clínica, 19 (1), 61-69. Dias Cordeiro, J. C. (1986).  Manual de Psiquiatria Clínica . Lisboa: Calouste Gulbenkian. Kaplan, H. (1989).  Comprehensive Textbook of Psychiatry.  Baltimore: Williams & Wilkins. Ey, H. (1985).  Manual de Psiquiatria.  Paris: Masson.

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Disturbios Psíquicos: Gravidez e Puerpério

  • 1. Celeste Duque 2003-2004 Gravidez & Puerpério Distúrbios Psicológicos Escola Superior de Saúde de Faro Universidade do Algarve
  • 2. Índice Aspectos psicológicos Costumes, mitos e superstições Epidemiologia Etiologia Definição de conceitos psicológicos Ansiedade Depressão Psicose Psicopatologia Gravidez & Puerpério
  • 4. Aspectos Psicológicos Nem todos os aspectos são vividos por todas as mulheres ou casais da mesma forma, tal como a intensidade com que são sentidos é também ela variável.
  • 5. Aspectos Psicológicos [cont.] Existe:  alguma uniformidade de vivências e temas expressos nos grupos e a  diferenças mais quantitativas (que qualitativas) entre as vivências presentes na gravidez normal e na patológica:
  • 6. Aspectos Psicológicos [cont.] em que patologia tanto se refere a uma gravidez medicamente normal de uma mulher de personalidade neurótica, quanto a uma gravidez medicamente anormal numa mulher razoavelmente bem ajustada.
  • 7. Aspectos Psicológicos [cont.] Se são reconhecidos, pela grande maioria de autores, a existência de estados emocionais peculiares na gravidez, já o seu aparecimento e origem é muito discutida.
  • 8. Aspectos Psicológicos [cont.] Face às grandes adaptações provocadas pela gravidez, é fácil supor que todas as mudanças emocionais se devem à existência de conflitos normalmente presentes neste período.
  • 9. Aspectos Psicológicos [cont.] É possível que outros factores físicos influam decisivamente na etiologia dos estados emocionais da gravidez.
  • 10. Aspectos Psicológicos [cont.] Benedeck & Rubinstein, 1942 procederam a investigações feitas com animais e seres humanos e chegaram à conclusão que Hormonas sexuais  comportamento Grandes alterações do nível de estrogénio e progesterona  estado psicológico da gravidez
  • 11. Aspectos Psicológicos [cont.] Bibring (1961) e Caplan (1964) sugerem que as oscilações entre as relações do Id e do Ego na crise da gravidez são responsáveis pelas mudanças emocionais pela maior acessibilidade de material do processo primário;
  • 12. Aspectos Psicológicos [cont.] Colman (1969) afirma que, nesse período (gravidez) é impossível discriminar as complexas inter-relações entre os factores hormonais e psicológicos de forma separada.
  • 13. Aspectos Psicológicos [cont.] As perturbações afectivas que acompanha as mulheres grávidas relacionam-se com alterações corporais e psicológicas próprias da gravidez e puerpério.
  • 14. Aspectos Psicológicos [cont.] A maternidade, principalmente uma primeira maternidade, provoca uma crise de identidade que pode, contudo, ser reforçadora do papel feminino.
  • 15. Aspectos Psicológicos [cont.] A gravidez nem sempre tem um cunho de felicidade e bem-aventurança, e a patologia psiquiátrica existente nesta fase testemunha-o.
  • 16. Aspectos Psicológicos [cont.] Para se poder proceder à prevenção de um gravidez de risco, é necessário detectar, tão precocemente, quanto possível, os factores indicadores:
  • 17. Aspectos Psicológicos [cont.] História pessoal Terreno biológico Organização de personalidade prévia Factores situacionais presentes nas relações da mulher com o seu ambiente Família Meio social e cultural Têm sem dúvida um elevado peso no despoletar das situações patológicas.
  • 18. Costumes Mitos e Superstições
  • 19. Costumes, Mitos e Superstições Dias Cordeiro (1986) refere que os estudos transculturais dos costumes, mitos e superstições ajudam à compreensão da psicodinâmica da gravidez.
  • 20. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Povos primitivos É praticada a frugalidade: A mulher grávida como pouco e são contrariados os desejos alimentares.
  • 21. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Povos ocidentais Existe a ideia generalizada de uma boa alimentação: Essencial para o bom desenvolvimento do fetos e os apetites da grávida são satisfeitos ou mesmo incentivados.
  • 22. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Curiosamente, nos povos primitivos em que a regressão oral é contrariada, são raras as náuseas e vómitos. Enquanto que nos povos em que a oralidade é estimulada as náuseas e vómitos são muito frequentes e a sua ausência é objecto de estranheza por parte dos outros.
  • 23. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Na esfera genital sucede precisamente o oposto: Nos culturas primitivas existe a ideia de que as relações sexuais durante a gravidez são benéficas para fortalecer o feto através do sémen.
  • 24. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Nos culturas ocidentais pensa-se que podem prejudicá-lo. Considera-se que o que é importante não é a genitalidade mas a alimentação da grávida Esta postura é, não raras vezes, geradora de conflitos conjugais algo perturbadores.
  • 25. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Em relação aos tabus estes abundam nas culturas primitivas. Uma das fantasias, em relação à gravidez, é a reivindicação pelo homem não apenas da fecundação mas também da gestação ao longo de todo o processo. Existe a convicção que se o marido não mantiver a actividade sexual com a mulher grávida o seu papel de pai daquela criança fica comprometido, por não ter participado com o seu sémen na alimentação da criança.
  • 26. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Outra fantasia corresponde a que o parto difícil é sinónimo de adultério da mulher com um antepassado. O trabalho de parto prolongado corresponderia à presença no canal vaginal de um antepassado que obstruiria o nascimento Seria uma tentativa de um antepassado impor o seu nome à criança.
  • 27. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Existe também a crença muito divulgada em muitos povos que o feto é a reincarnação do avô. Estas crenças estão ligadas a conteúdos de carácter erótico, nomeadamente fantasias de adultério e incesto.
  • 28. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Nas sociedades ocidentais existe grande relutância em abordar estes temas, logo é mais difícil a sua análise. Sendo algumas fantasias como fecundação por via oral ou na banheira após utilização desta por algum familiar, manifesta referência a fantasia de incesto e adultério.
  • 29. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] As explicações prendem-se com: Nas culturas primitivas os tabus , ou seja, o que a grávida deve evitar, são muito mais intensos, o que corresponderia, segundo alguns autores, à necessidade de criar um “ Super-Eu cultural ”:
  • 30. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] Esta instância supra-psicológica permitiria controlar o risco de adultério e incesto reactivado pelo aumento das fantasias na gravidez, associado ao encorajamento da vida sexual na grávida.
  • 31. Costumes, Mitos e Superstições [cont.] O menor recurso a tabus nas culturas ocidentais dever-se-ia ao reforço cultural da regressão oral e desinvestimento da genitalidade , na gravidez.
  • 33. Epidemiologia As modificações psicológicas e comportamentais , tais como Labilidade emocional, Disforia, Irritabilidade e Somatizações são habitualmente transitórias e breves.
  • 34. Epidemiologia [cont.] Devem ser distinguidos das “ perturbações psicopatológicas ” persistentes com eventuais repercussões na evolução da gravidez e parto.
  • 35. Epidemiologia [cont.] A incidência de hospitalizações é pouco elevada durante a gravidez. Alguns autores consideram que a gravidez tem uma influência protectora relativamente a distúrbios mentais graves.
  • 36. Epidemiologia [cont.] A frequência de distúrbios psíquicos ligados ao puerpério foi durante muito tempo sub-estimada.
  • 37. Epidemiologia [cont.] As formas graves, geralmente psicóticas, que necessitam de internamento, são relativamente raras Com uma incidência de 1 ou 2 por mil partos (segundo alguns estudos americanos e ingleses). Enquanto que estados neuróticos ou ansiogénico-depressivos , de ansiedade moderada, são relativamente frequentes.
  • 38. Epidemiologia [cont.] De referir ainda que os estados ansiogénico-depressivos escapam na maior parte à observação médica, ao serem encarados como componentes das “ contrariedades ” da gravidez.
  • 39. Epidemiologia [cont.] 1 não sendo reconhecida a natureza depressiva pode alterar o funcionamento da mulher em várias áreas e quando se prolonga no tempo, pode comprometer o desenvolvimento harmonioso das primeiras relações mãe-bebé 50% Natureza depressiva 1 , formas moderadas 10% Natureza depressiva, formas graves 1 ou 2 por mil partos Estados psicóticos
  • 40. Epidemiologia [cont.] Os dados disponíveis apontam para um maior número de hospitalizações nos primeiros meses do pós-parto, particularmente dos primeiros dois meses, sendo a distribuição mais irregular nos meses seguintes.
  • 41. Epidemiologia [cont.] H. Kaplan refere que Das puérperes hospitalizadas: 50% - são-no na 1ª semana pós-parto; 25% - entre a 2ª e a 4ª semana 25 % - durante os restantes 11 meses .
  • 43. Etiologia Segundo Henry Ey, são múltiplos os factores etiológicos dos distúrbios psíquicos na gravidez e pós-parto e dividi-os em: Factores hereditários e constitucionais Factores psicossociais Factores endócrinos Infecção
  • 44. Etiologia [cont.] A situação da mulher relativamente à gravidez e ao parto tem de ser analisada como a confluência de: todo o seu passado (biológico, psicológico e social), presente (com todas as vivências actuais pessoais, familiares e profissionais), situações ocorridas especificamente no decurso da gravidez e puerpério e, finalmente, com as perspectivas abertas diante dela pela maternidade .
  • 45. Etiologia [cont.] H. Kaplan refere que independentemente dos investigadores se basearem em conceitos psicanalíticos, eixo hipotálamo-pituitário-gonadal, neurotransmissores, genética, stress e teorias de suporte social, todos concordam que, por exemplo,
  • 46. Etiologia [cont.] A psicose puerperal é duas vezes mais comum em primíparas que em multíparas; O risco de desenvolverem um distúrbio pós-parto está aumentado se a mãe teve um distúrbio pós-parto ou se há história familiar de distúrbio de humor. Mulheres com história conhecida de distúrbio bipolar e que tiveram uma doença psiquiátrica no pós-parto são as que possuem um risco mais elevado de recorrência noutra gravidez.
  • 47. Etiologia [cont.] Estudos feitos com mulheres primíparas e multíparas, para correlacionar níveis hormonais e humor, em que se controlaram os factores sociais de stress verificou-se que: Um nível elevado de estrogéneos ante e pós-parto está associado a grande irritabilidade;
  • 48. Etiologia [cont.] Quanto maior a queda do nível de progesterona, mais deprimidas estavam as doentes ao 10ª dia; Quanto mais baixo estiver o nível de estrogéneos pós-parto mais frequentes os distúrbios de sono;
  • 49. Etiologia [cont.] Quanto aos factores psicossociais formulações psicanalíticas postularam que: O ante e pós-parto são stressantes para a mulher;
  • 50. Etiologia [cont.] Esse stress leva a regressões que evocam conflitos antigos, especialmente quando há uma história de modelos maternos inadequados ou de rejeição; Igualmente importante é a separação ou o conflito com o pai ;
  • 51. Etiologia [cont.] A depressão pode resultar de conflitos não resolvidos relativamente à maternidade ou papel feminino.
  • 52. Etiologia [cont.] Alguns autores referem que mulheres que se classificaram em autoavaliação como mais masculinas tiveram menos sintomas psiquiátricos durante a gravidez, mas mais no pós-parto.
  • 53. Etiologia [cont.] Os autores concordam em que a ambivalência em relação: à manutenção da gravidez e os conflitos conjugais estão associados com um aumento de incidência das perturbações pós-parto;
  • 54. Etiologia [cont.] Não há acordo relativamente ao papel da depressão e ansiedade pré-parto nas perturbações do pós-parto;
  • 55. Etiologia [cont.] Gotlib, em 1989, verificou que quanto mais baixa for a idade, o estatuto socio-económico e o número de crianças pequenas em casa, maior é o risco de desenvolver depressão durante a gravidez, mas não influencia a depressão no pós-parto.
  • 56. Etiologia [cont.] A perda de suporte afectivo é o factor major do aumento das perturbações pós-parto. Suporte afectivo é a variável que a maioria dos autores identifica com maior frequência, e que surge como moderadora dos efeitos de stress no período peri-natal.
  • 57. Etiologia [cont.] A percepção da existência do suporte afectivo é mais importante que a real existência do mesmo. Outros factores de stress podem relacionar-se com um nível socioeconómico baixo e a legitimidade da gravidez .
  • 60. Ansiedade Ansiedade é a mais universal de todas as emoções. Não se pode observar directamente pelo que tem que ser inferida através do comportamento.
  • 61. Ansiedade [cont.] É percebida como um sentimento negativo, extremamente comunicável, não pode ser diferenciado do medo pela pessoa que a vivencia e ocorre em graus variados.
  • 62. Ansiedade [cont.] É uma expressão abreviada para um padrão de reacções bastante complexo, que se caracteriza por sentimentos subjectivos de apreensão e tensão associados a um estado de activação fisiológica que envolve o ramo simpático do sistema autónomo (SNA)
  • 63. Ansiedade [cont.] Catell e Scheier (1958) diferenciam dois tipos de ansiedade: Ansiedade traço – referindo-se a características estáveis e relativamente permanentes da personalidade Ansiedade situacional – referindo-se a estados temporários de ansiedade.
  • 64. Ansiedade [cont.] Dentro de certos limites, a ansiedade preenche a importante função de alertar e mobilizar a pessoa para enfrentar o agente responsável pela tensão , seja ele uma perda de objecto, uma tarefa de aprendizagem ou uma gravidez.
  • 65. Ansiedade [cont.] a ansiedade flutuante – por ser muito intensa ou crónica – ultrapassa as capacidades adaptativas da pessoa Resulta em problemas de ajustamento, com consequências graves, Especialmente no que se refere ao funcionamento do sistema endócrino.
  • 66. Ansiedade [cont.] A ansiedade e os receios relacionados com o parto ou com o novo papel de mãe , têm sido considerados como factores contribuintes importantes no parto prolongado ou distócico, em que não se verificam causas mecânicas ou médicas.
  • 68. Depressão A depressão é uma perturbação do humor. É a elaboração patológica da tristeza. Ao contrário da tristeza a Depressão não é auto-limitada e não melhora sem o auxílio profissional.
  • 70. Psicose Diagnóstico emocional grave, caracterizado por Uma perturbação da personalidade; Perda da capacidade para interferir na realidade; Mas sem evidência de relacionamento entre o transtorno e os processos físicos do cérebro.
  • 71. Psicose [cont.] Apresenta ainda os seguintes sintomas: Delírio – o mais frequente, associado às distorções do conteúdo do pensamento. O delírio são falsas crenças não condizentes com o nível de conhecimento do indivíduo ou com o seu grupo de pertença cultural A crença é mantida contra a argumentação lógica e apesar das evidências objectivas em contrário.
  • 73. Psicopatologia Vómitos e náuseas : Surgem em 70% das mulheres grávidas (funcionais) Após eliminar a causa orgânica a origem psicológica (psicogénica) é a mais frequente
  • 74. Psicopatologia [cont.] A sua persistência pode levar à desidratação, problemas metabólicos e digestivos, com consequências para a gravidez e feto; Tratamento: Reposição hidroelectrolítica e intervenção psicoterapeutica.
  • 75. Psicopatologia [cont.] Perturbações Depressivas : Maioria das Depressões nas grávidas, são de intensidade ligeira ou mediana – isto é, Depressões neuróticas Caracterizadas por: Sentimentos de incapacidade; Auto-desvalorização; Astenia Alterações do sono.
  • 76. Psicopatologia [cont.] Síndromas Depressivos Graves observam-se em menor grau – cerca de 10% dos casos. Oates é de opinião que: Uma Depressão de características major pode ser determinada, exclusivamente, pela: Existência de privações afectivas e materiais, durante a gravidez.
  • 77. Psicopatologia [cont.] Síndromas depressivos do 1º Trimestre apresentam um prognóstico favorável, regredindo no 2º Trimestre
  • 78. Psicopatologia [cont.] 3º Trimestre podem perdurar para depois do parto Em 389 mulheres deprimidas no 3º Trim. Verificou-se uma correlação positiva entre a Intensidade dos sintomas depressivos e Um risco mais elevado de restrição do crescimento fetal e da prematuridade.
  • 79. Psicopatologia [cont.] Perturbações da ansiedade A gravidez é um período de ansiedade para a maioria das mulheres, a ser distinguida das “ perturbações de ansiedade ” propriamente ditas. Os estados ansiosos gravídicos isolados, surgem com maior frequência no 1º e 3º trimestre, em < 15% dos casos .
  • 80. Psicopatologia [cont.] Factores predisponentes Mau ambiente social, Problemas profissionais ou familiares. Sintomatologia Estados de ansiedade permanentes, associados a insónias iniciais e a somatizações várias que interferem nas actividades quotidianas.
  • 81. Psicopatologia [cont.] Aumentam as taxas de partos prematuros Complicações do TP por falta de colaboração materna. HTA/pré-eclampsia Recém nascido de baixo peso.
  • 82. Psicopatologia [cont.] Alguns epidemiologistas referem que a mulher durante o primeiro mês após o parto encontra-se em maior risco de hospitalização psiquiátrica do que durante toda a sua vida.
  • 83. Psicopatologia [cont.] Para os estudos epidemiológicos o período pós-parto foi definido como o período decorrente entre as duas semanas após parto e um ano, embora para os ingleses este se inicie logo após o parto.
  • 84. Psicopatologia [cont.] Pós-Parto Blues ou Síndroma do 3º dia Alguns dias após o parto surgem, em 30 a 80% das mulheres, manifestações neuropsíquicas , geralmente leves, mas, algumas vezes, intensas. São episódios benignos, na maioria das vezes, breves – podem durar apenas 1 dia. Incluiem: Diversos graus de astenia, queixas somáticas, perturbações do sono, crises de choro , e ruminações pessimistas , ligadas ao “como cuidar” do recém-nascido
  • 85. Psicopatologia [cont.] Sensibilidade exacerbada – torna-se susceptível e irritável. Regra geral o Blues não necessita tratamento específico.
  • 86. Psicopatologia [cont.] Depressão pós-parto A sua probabilidade de ocorrência apresenta Um pico nos primeiros meses Um (segundo) pico entre o 9º e o 15º mês
  • 87. Psicopatologia [cont.] A sua incidência situa-se entre os 5% e os 10% Correspondendo a uma depressão já existente; Ao prolongamento de um Blues .
  • 88. Psicopatologia [cont.] A puerpera apresenta: frequentes crises de choro, sensação de abatimento, Incapacidade e impotência Irritabilidade a pequenos eventos (e.g., choro do bebé)
  • 89. Psicopatologia [cont.] Sente que está mudada, tem dificuldade em compreender as suas reacções e Sente-se incapaz de cuidar do filho. O desinteresse sexual é evidente e tem pesadelos.
  • 90. Psicopatologia [cont.] Podem ainda surgir fobias de impulsão – i.e., infligir maus tratos ao bebé Para reduzir a angústia evita (todo) o contacto com ele.
  • 91. Psicopatologia [cont.] Maioria dos casos evolui espontaneamente para a recuperação em semanas ou meses; Tratamento: É essencial a dimensão psicoterapêutica apoiada na relação mãe-bebé, terapia familiar. Terapêutica antidepressiva é, por vezes, útil e necessária
  • 92. Psicopatologia [cont.] Psicose Pós-Parto (Puerperal) Quadro grave, por risco de suicídio e /ou infanticídio, raro; Início brutal, geralmente, entre os 8 e os 15 primeiros dias após o parto.
  • 93. Psicopatologia [cont.] Sintomatologia : polimorfa e lábil caracterizada por passar da agitação ao estupor, da agressividade às condutas lúdicas, Humor instável, depressivo e irritável.
  • 94. Psicopatologia [cont.] Delírios – usualmente centrados no nascimento e relação com a criança (e.g., negação da gravidez e do nascimento); Atitudes de agressividade com o recém-nascido – manifestas ou mascaradas por indiferença. Apresenta, no entanto, evolução favorável, após hospitalização prolongada.
  • 96. Psicopatologia [cont.] Vivência Paterna : Raramente o homem admite, abertamente, que está a atravessar um período de profunda experiência emocional, durante a gravidez da mulher. A resposta de um homem prestes a ser pai não é, nunca, neutra.
  • 97. Psicopatologia [cont.] Vários investigadores encontraram uma incidência, estatisticamente significativa (mais elevada) de sintomas físicos entre os homens com esposas/companheiras grávidas do que no grupo de controlo; Aumento do peso, vómitos, desconforto gástrico, aumento abdominal, são as perturbações mais comuns.
  • 98. Psicopatologia [cont.] Estes sintomas alternam com períodos de estabilidade emocional e sensação de bem-estar, desaparecendo com o nascimento da criança. Síndroma de Couvade
  • 100. Santos, M. B. (1998). Perturbações psíquicas na gravidez e puerpério. Psiquiatria Clínica, 19 (1), 61-69. Dias Cordeiro, J. C. (1986). Manual de Psiquiatria Clínica . Lisboa: Calouste Gulbenkian. Kaplan, H. (1989). Comprehensive Textbook of Psychiatry. Baltimore: Williams & Wilkins. Ey, H. (1985). Manual de Psiquiatria. Paris: Masson.