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TESTE DE SUSCEPTIBILIDADE AOS ANTIMICROBIANOS DE MICRORGANISMOS
PRODUTORES DE ÁCIDO LÁCTICO (Lactobacillus spp.) ISOLADOS DAS FEZES DE
SUÍNOS (Sus scrofa domesticus)
SUSCEPTIBILITY TEST TO ANTIMICROBIALS OF LACTIC ACID PRODUCING MICRO-ORGANISMS
(Lactobacillus spp.) ISOLATED FROM SWINE FEES (Sus scrofa domesticus)
FLÁVIO HENRIQUE FERREIRA BARBOSA1; FELIPE HENRIQUE SILVA BAMBIRRA2; LEANDRO
HENRIQUE SILVA BAMBIRRA3; RUBENS ALEX DE OLIVEIRA MENEZES4
RESUMO
A produção de alimentos saudáveis e nutritivos em grande quantidade tem se tornado um desafio para todos os
profissionais que trabalham com toda a cadeia produtiva alimentícia. A produção mundial de suínos cresceu e o Brasil
teve um aumento significativo nas exportações de carne suína. Para que a atividade de criação de suínos se mantenha
produtiva, com a geração de lucros, promotores de crescimento têm sido incorporados às rações, com objetivo de
melhorar o processo digestivo e o desempenho zootécnico dos animais, resultando em maior ganho de peso e redução
do número de doenças. Entretanto, nos últimos anos tem aumentado a conscientização sobre o uso excessivo destes
produtos, bem como se tornado evidente os possíveis transtornos à saúde destes animais e do homem, como
consequências desta suplementação. As alternativas disponíveis para substituição dos antimicrobianos na suinocultura
incluem a utilização de probióticos, prebióticos, simbióticos e agentes fitoterápicos. Seguindo esta linha de raciocínio, este
trabalho propôs realizar a prospecção de microrganismos probióticos e avaliar a susceptibilidade dos microrganismos
isolados a diferentes drogas antimicrobianas utilizadas em suinocultura visando utilizações futuras. De acordo com as
características probióticas estudadas, algumas amostras de microrganismos isolados do conteúdo fecal de suínos se
destacam quando o objetivo almejado é a utilização para a elaboração de produtos probióticos que poderão ser
administrados via oral para os animais, logo após o nascimento, durante o desmame (creche) e em outras fases da cadeia
produtiva. Todas as amostras isoladas dos animais terminados e pré-selecionadas em outras etapas (L. salivarius - 08 A;
L. reuteri - 11 A e L. acidophilus - 13 A) seriam selecionadas, pois apresentaram menores números de resistência às
drogas, oferecendo assim, menores probabilidades de transferência de genes de resistência às bactérias presentes no
TGI de suínos.
PALAVRAS-CHAVE: Lactobacillus, bactérias lácticas, suínos, probiótico.
ABSTRACT
The production of healthy and nutritious food in large quantities has become a challenge for all professionals who work
with the entire food production chain. World swine production grew and Brazil saw a significant increase in exports. In
order for the pig breeding activity to remain productive, with the generation of profits, growth promoters have been
incorporated into the rations, with the objective of improving the digestive process and the zootechnical performance of
the animals, resulting in greater weight gain and reduced number of diseases. However, in recent years there has been
an increase in awareness about the excessive use of these products, as well as the possible health disorders of these
animals and man, as consequences of this supplementation, have become evident. The alternatives available to replace
antimicrobials in pig farming include the use of probiotics, prebiotics, symbiotics and herbal agents. Following this line of
reasoning, this work proposed to prospect probiotic microorganisms and evaluate the susceptibility of isolated
microorganisms to different antimicrobial drugs used in swine for future use. According to the probiotic characteristics
studied, some samples of microorganisms isolated from the faecal content of pigs stand out when the aim is to use probiotic
products that can be administered orally to the animals, right after birth, during the weaning (day care) and at other stages
of the production chain. All samples isolated from finished animals and pre-selected in other stages (L. salivarius - 08 A;
L. reuteri - 11 A and L. acidophilus - 13 A) would be selected, as they presented lower numbers of drug resistance, thus
offering , lower probabilities of transferring genes resistant to bacteria present in pigs' TGI.
KEYWORDS: Lactobacillus, lactic bacteria, swine, probiotic.
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INTRODUÇÃO
A produção de alimentos saudáveis e
nutritivos em grande quantidade tem se
tornado um desafio para todos os profissionais
que trabalham com toda a cadeia produtiva
alimentícia. Estimativas indicam que o
suprimento de alimentos necessários para
atender aos requerimentos nutricionais da
população humana durante os próximos
quarenta anos equivale à quantidade
previamente produzida ao longo de toda a
história. Para atender a esta grande demanda
de alimentos de origem animal, os
pesquisadores têm se esforçado na busca de
novas tecnologias a fim de aumentar a
eficiência e a produtividade dos animais de
criação.
A suinocultura é um dos setores
agropecuários que mais tem crescido nas
últimas décadas. Segundo dados da
EMBRAPA, a produção de carne suína no
Brasil vem crescendo mais 5% ao ano desde
o ano de 2006. A produção mundial de suínos
cresceu sistematicamente nos últimos 30
anos e o Brasil teve um aumento significativo
nas exportações de carne suína, chegando à
quarta colocação mundial e, atualmente, esse
produto pode ser encontrado até na Rússia. A
este fato, associa-se um marcante aumento
no comércio e consumo de carne de suínos
em todo o mundo, sendo que sua produção
está rapidamente se expandindo em muitos
países em desenvolvimento, como o Brasil, o
que faz aumentar o rigor no manejo dos
animais e na produção da carne.
Para que a atividade de criação de
suínos se mantenha produtiva, com a geração
de lucros, muitos aditivos (incluindo
promotores de crescimento, como drogas
antimicrobianas) têm sido incorporados às
rações, com objetivo de melhorar o processo
digestivo e o desempenho zootécnico dos
animais, resultando em maior ganho de peso
e redução do número de doenças. Entretanto,
nos últimos anos tem aumentado a
conscientização sobre o uso excessivo destes
produtos, bem como se tornado evidente os
possíveis transtornos à saúde destes animais
e do homem, como consequências desta
suplementação.
Os antimicrobianos promotores de
crescimento podem alterar a microbiota do
trato digestivo e deprimir os mecanismos de
defesa dos animais, além de deixar resíduos
indesejáveis à saúde do homem na carne.
Além disso, a presença de concentrações
baixas de antimicrobianos pode ser
responsável pelo aumento dos fenômenos de
resistência bacteriana aos mesmos.
Recentemente, novos microrganismos
resistentes a uma ou várias drogas
antimicrobianas têm surgido e sido motivo de
preocupação para a saúde pública mundial.
Estes microrganismos modificados podem se
difundir pelo meio ambiente e estarem
presentes na carne dos animais.
Por causa destas evidências, a
ausência de microrganismos potencialmente
patogênicos e a ausência de resíduos de
produtos químicos têm se tornado os
principais indicadores de qualidade da carne
de suínos, bem como de outros alimentos.
Assim, a suinocultura brasileira precisará se
adaptar às futuras normas de comércio
internacional, pois alguns países
importadores, principalmente da União
Europeia, não mais aceitarão adquirir carne
de suínos oriunda de produtores que utilizam
antimicrobianos para aumentar os índices de
produtividade de seus plantéis.
Assim, tem gerado a necessidade de se
buscar alternativas que possam promover os
mesmos efeitos de produtividade
relacionados ao uso dos aditivos alimentares,
porém, sem causar as mesmas
consequências indesejáveis destes. Além
disto, ainda existem prejuízos relacionados ao
impacto econômico da retirada destas drogas
antimicrobianas da alimentação de suínos.
Isto representa aumento nos custos de
produção, sendo, principalmente, causados
por aumento no consumo de ração e no
período de ocupação dos galpões, menos
ciclos produtivos por ano, além de mais gastos
com a mão-de-obra.
As alternativas disponíveis para
substituição dos antimicrobianos na
suinocultura incluem a utilização de
probióticos, prebióticos, simbióticos e agentes
fitoterápicos. Dentre estas, a utilização dos
microrganismos probióticos constitui uma
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perspectiva extremamente interessante, pois
as próprias bactérias benéficas da microbiota
intestinal dos animais poderiam ser
empregadas em substituição aos
antimicrobianos. Nestes casos, estes
microrganismos poderiam favorecer o
equilíbrio do ecossistema gastrintestinal, o
que seria refletido em melhoria da saúde e
boa produtividade. Trabalhos científicos têm
sido conduzidos tentando avaliar a eficiência
da utilização dos probióticos, em substituição
aos produtos químicos, para modular a saúde
de suínos comerciais e proporcionar um
ganho de peso adequado. Bactérias do
gênero Lactobacillus são os principais
microrganismos desejáveis encontrados em
grandes quantidades por todo o trato
gastrintestinal (TGI) de suínos, mostrando ser
fortes candidatas como probióticos para estes
animais.
Seguindo esta linha de raciocínio, este
trabalho se propôs a realizar a prospecção de
microrganismos probióticos e avaliar a
susceptibilidade dos microrganismos isolados
a partir das fezes de suínos saudáveis a
diferentes drogas antimicrobianas utilizadas
em suinocultura visando utilizações futuras.
MATERIAL E MÉTODOS
1. Microrganismos
Características Morfo-tintoriais,
Bioquímicas e Fisiológicas dos
Microrganismos Isolados
Numa placa contendo em torno de 100
unidades formadoras de colônia (UFC), as
colônias morfologicamente diferentes e mais
significativas do ponto de vista populacional
foram repicadas, a partir do ágar MRS (Difco),
no mesmo meio. A partir de colônias, de cada
amostra, que apresentaram aspectos
morfológicos distintos foram feitos esfregaços
em lâminas para coloração pelo método de
Gram. Além disto, a partir dessas mesmas
colônias foram feitos testes de catalase em
lâmina, utilizando-se H2O2 (30%). Aqueles
que se apresentaram como Gram-positivo e
catalase negativa, sugestivos de pertencerem
ao gênero Lactobacillus, foram submetidos à
identificação, utilizando técnicas de biologia
molecular (PCR-ARDRA).
Purificação e Manutenção dos
Microrganismos Isolados
Os microrganismos isolados e
avaliados pelas características morfo-
tintoriais, bioquímicas e fisiológicas e pelo
teste respiratório foram inoculados em 5 mL
de caldo MRS (Difco), sendo em seguida
incubados em anaerobiose, à 37ºC durante 48
horas. Após o crescimento, uma alíquota de
500 µL de cada tubo foi transferida para tubo
eppendorf e adicionada de glicerol esterilizado
(50 µL), sendo, em seguida, congelados a -
18ºC e -86ºC, para posterior utilização,
quando necessário. O restante dos cultivos foi
destinado às análises baseadas em técnicas
de biologia molecular, com a finalidade de
identificação das espécies isoladas.
Ativação das culturas
Amostras de Lactobacillus spp.
isoladas a partir do TGI dos suínos (Sus scrofa
domesticus), oriundos de criação intensiva, e
pré-identificadas pelo perfil de fermentação de
carboidratos (kit API 50 CHL, BioMérieux,
Marcy l’Etoile, France), foram descongeladas
e inoculadas (200 µL) em caldo MRS (Difco).
O meio foi incubado, sob condições de
anaerobiose, a 37ºC, durante 48 horas. Após
cinco passagens em caldo, 50 µL de cada
amostra foram repicados em ágar MRS
(Difco), por três métodos diferentes: pour-
plate, espalhamento com auxílio da alça de
Drigalski e estria. Então, as placas foram
incubadas em anaerobiose, sendo mantidas a
37ºC, durante 48 horas.
Para a realização do teste a seguir,
foram escolhidos seis microrganismos entre o
grupo de doze os quais apresentaram
crescimento satisfatório em aerobiose dos
trinta e um isolados e identificados como
Lactobacillus, sendo três originados de
animais recém-desmamados (21 dias) e três
originados de animais jovens/terminados (140
dias). Estas linhagens alcançaram melhores
resultados nos testes anteriores de
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crescimento, viabilidade e manutenção
(estocagem) em função da atmosfera e do
meio de cultura a partir de vinhoto de cana-de-
açúcar suplementado com diferentes fontes
de carbono e nitrogênio. Dessa forma, os
microrganismos de interesse probiótico
escolhidos para os demais testes foram:
 06 J - Lactobacillus mucosae
 14 J - Lactobacillus ruminis
 18 J - Lactobacillus johnsonii
 08 A - Lactobacillus salivarius
 11 A - Lactobacillus reuteri
 13 A - Lactobacillus acidophilus
2. O Antibiograma
O antibiograma foi realizado em
duplicata para cada amostra avaliada, de
acordo com a técnica adaptada de
susceptibilidade a antimicrobianos, baseando-
se na difusão da droga, utilizando-se discos e
medindo-se o diâmetro dos halos de inibição,
como descrito por CHARTERIS (1998).
As amostras de microrganismos
isolados e selecionados foram cultivadas em
ágar MRS (Difco, Detroit, USA), sob
anaerobiose, a 37ºC, durante 24 a 48 horas.
Em seguida, partes das colônias foram
transferidas, com auxílio de uma alça de
níquel-cromo, para tubos contendo 3,5 mL de
salina 0,85%, para se obter concentração
correspondente a 0,5 na escala McFarland
(108 ufc/mL). Em seguida, foram feitos
inóculos, utilizando zaragatoa, sobre a
superfície de placas (14 cm de diâmetro),
contendo ágar MRS (Difco). Logo após, foram
distribuídos os discos (Oxoid, Basingstoke,
England) contendo os seguintes
antimicrobianos, com suas respectivas
concentrações: ceftrioxane - CTX (30 µg),
amoxicilina - AMO (10 µg), ácido nalidíxico -
ANL (30 µg), tetraciclina - TET (30 µg),
ampicilina - AMP (45 µg), vancomicina - VAN
(30 µg), oxacilina - OXA (1 µg), gentamicina -
GNT (10 µg), cloranfenicol - CLO (30 µg),
eritromicina - ERI (15 µg), amicacina - AMK
(30 µg) e penicilina - PEN (10 U). As placas
foram incubadas sob anaerobiose, durante 48
horas a 37oC.
Após a incubação, com auxílio do
paquímetro digital (Mitutoyo Digimatic Caliper,
Mitutoyo Sul Americana Ltda), foram feitas as
leituras dos diâmetros dos halos de inibição.
Neste caso, os resultados não foram
submetidos à análise estatística porque os
resultados expressos quantitativamente
servem para uma classificação qualitativa dos
microrganismos como sensíveis,
moderadamente sensíveis ou resistentes às
drogas antimicrobianas testadas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O antibiograma foi realizado em
duplicata para cada amostra avaliada, de
acordo com a técnica adaptada de
susceptibilidade a antimicrobianos, baseando-
se na difusão da droga, utilizando-se discos e
medindo-se o diâmetro dos halos de inibição.
Embora muitas pesquisas na área de
microbiologia médica utilizem como padrões
de comparação de resultados de
susceptibilidade a antimicrobianos os dados
propostos pelo CLSI (Clinical and Laboratory
Standards Institute), os resultados dos
antibiogramas deste trabalho foram
comparados com os níveis de sensibilidade
propostos por Charteris (1998). Os padrões
propostos pelo NCCLS não foram utilizados
porque são destinados a pesquisas que
utilizam amostras de microrganismos com
interesse clínico humano.
Os resultados referentes aos
antibiogramas dos microrganismos
(Lactobacillus) isolados do conteúdo fecal de
suínos sob o sistema de manejo intensivo
estão representados na tabela a seguir. Pode-
se verificar que todas as amostras
selecionadas foram sensíveis a ceftrioxane,
amoxicilina, ampicilina, oxacilina,
cloranfenicol e penicilina. Em relação ao perfil
de resistência, todas as amostras foram
resistentes à vancomicina, tetraciclina e ácido
nalidíxico. Quatro amostras (66,66%) foram
resistentes a gentamicina, eritromicina e
amicacina.
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Tabela 1. Perfil de sensibilidade a antimicrobianos de microrganismos produtores de ácido láctico (Lactobacillus)
isolados do conteúdo fecal de suínos sob o sistema de manejo intensivo, sem administração de promotores de
crescimento.
Alguns autores sugerem que, para que
um microrganismo fosse selecionado para
uso como probiótico, seria ideal que fosse
sensível a todos os antimicrobianos testados,
a fim de não introduzir elementos que
conferem este fenótipo em um ecossistema
novo. Outros, porém, defendem um perfil de
resistência podendo-se assim administrar o
microrganismo de modo concomitante ao
tratamento com promotores de crescimento
sem a eliminação dos mesmos. Neste sentido,
a amostra 08 A - Lactobacillus salivarius foi
aquela que apresentou resistência a menor
número de antimicrobianos (ácido nalidíxico,
tetraciclina, vancomicina e eritromicina).
Em uma avaliação geral, percebe-se
que as amostras de Lactobacillus spp.
apresentaram perfis de sensibilidade bem
semelhantes entre os animais estudados.
Apenas foram observadas poucas diferenças
em relação aos Lactobacillus spp. isolados
das fezes de animais jovens e adultos. Dentre
os Lactobacillus spp. isolados dos animais
pesquisados, independentemente da idade,
Lactobacillus johnsonii (18 J) e Lactobacillus
ruminis (14 J) foram aqueles que
apresentaram maior perfil de resistência
múltipla aos antimicrobianos testados. De
acordo com Charteris (1998), a resistência de
amostras de Lactobacillus reuteri a
eritromicina seria relacionada a genes
plasmidiais.
Em relação à presença de amostras de
Lactobacillus spp. resistentes ao
cloranfenicol, sabe-se que esta é
extremamente preocupante. A utilização
deste antimicrobiano em animais de produção
é proibida (BRASIL, 2003). Tal fato se deve
aos riscos da presença de seus resíduos em
alimentos de origem animal, pois estes podem
induzir o aparecimento de amostras de
microrganismos resistentes ao cloranfenicol e
causar efeitos hematotóxicos no homem,
incluindo reticulocitopenia, anemia e, em
alguns casos, leucopenia (granulocitopenia) e
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trombocitopenia (YUNIS & BLOOMBERG,
1994; Joint FAO/WHO, 2002). Nos
microrganismos selecionados para os testes
neste trabalho, não apresentaram resistência
a este fármaco, fazendo-nos pensar que os
mesmos têm sido pouco ou nada expostos ao
antimicrobiano citado, não ocorrendo nestes
casos, pressão seletiva resultando em grupos
com perfil preocupante.
Percebe-se que, quatro (66,66%) dos
isolados independentemente da idade, foram
resistentes a gentamicina e amicacina.
Kozlova et al. (1992) mostraram a resistência
aos antimicrobianos de 136 amostras de
Lactobacillus isolados de aves e 23
Lactobacillus isolados de humanos idosos. A
maioria das amostras de ambas as coleções
foram resistentes aos aminoglicosídeos.
Neste estudo, todas as amostras de
Lactobacillus spp. (100%) selecionados para
os testes se mostraram resistentes à
vancomicina. Estes resultados podem ser
somados às indicações de outros autores de
que a resistência à vancomicina seria
intrínseca deste gênero (KÓLAR et al., 2002;
DANIELSEN & WIND, 2003; WAGE, 2003). A
utilização destas amostras, principalmente do
ponto de vista comercial e industrial, deve se
proceder com bastante cautela e
responsabilidade, uma vez que, como dito
anteriormente, existe um receio em se utilizar
culturas com propriedades de resistência aos
antimicrobianos na elaboração de produtos
probióticos de uso animal, a fim de se prevenir
a transferência destes fatores de resistência a
outros microrganismos, principalmente
patogênicos.
A resistência de microrganismos
observada neste trabalho a alguns
antimicrobianos testados pode ter sido
mutacional ou transmitida de um
microrganismo para outro. A possibilidade
mais provável é o segundo exemplo, sendo
mais facilmente transmitida entre
microrganismos proximamente relacionados.
Entretanto, também pode ocorrer entre
bactérias menos relacionadas, pois este
fenômeno de passagem de genes que
codificam a resistência a antimicrobianos não
respeita os limites filogenéticos (Joint
WHO/FAO/OIE, 2003).
Se a resistência a antimicrobianos for
determinada por genes cromossômicos, mais
estável esta poderá ser. Entretanto, no caso
de a resistência estar associada com genes
localizados em plasmídeos, mais facilmente
ela será transmitida para microrganismos
presentes na mesma comunidade, e mais
rapidamente, um maior número de indivíduos
se tornará resistente, o que é altamente
prejudicial ao equilíbrio do ecossistema e do
hospedeiro. Por outro lado, a presença de
genes que codificam síntese de substâncias
ou compostos envolvidos nos mecanismos de
resistência aos antimicrobianos pode se
tornar uma desvantagem para o
microrganismo, que necessitará de mais
energia sempre que for duplicar seu material
genético. Por isto, muitos destes genes são
plasmidiais e muitas vezes estes são
eliminados da célula microbiana nos casos em
que não houver pressão seletiva (EDENS,
2003).
Devido a estes fatos, é possível que
muitos Lactobacillus spp., presentes no TGI
dos animais estudados, tenham se tornado
resistentes a antimicrobianos ao receberam
material genético de outros microrganismos.
Também pode ter havido a transmissão de
material genético entre espécies diferentes,
dentro do mesmo gênero ou ter ocorrido
resistência cruzada envolvendo
cefalosporinas (ceftrioxane), penicilinas,
aminoglicosídeos (amicacina e gentamicina) e
macrolídeos (eritromicina), como mostraram
estudos realizados pelo comitê Joint
WHO/FAO/OIE (2003). A presença de
plasmídeos relacionados à resistência aos
antimicrobianos em Lactobacillus acidophilus
foi descrita por Kumar et al. (1994). Portanto,
a amostras de Lactobacillus acidophilus
selecionada neste trabalho, que foi resistente
aos antimicrobianos testados, pode ter
apresentado tal resultado devido à presença
de plasmídeos. A resistência a eritromicina e
tetraciclina, pode ter sido causada porque
estas não são destruídas prontamente no TGI,
permanecendo intactas no ambiente por
determinado tempo, podendo eliminar
bactérias sensíveis ou induzirem a seleção de
amostras resistentes (Joint WHO/FAO/OIE,
2003).
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Pôde-se observar que os suínos
apresentaram amostras de microrganismos
resistentes aos antimicrobianos testados,
mesmo não recebendo promotores de
crescimento em suas dietas regulares. É
preocupante o índice de resistência aos
antimicrobianos dos microrganismos isolados
das fezes de suínos, o que indica a
possibilidade de estar havendo uma
disseminação de resíduos de antimicrobianos
ou de microrganismos resistentes no meio
ambiente. Esta possibilidade também foi
considerada como uma das principais formas
de disseminação de antimicrobianos na
natureza, de acordo com Joint FAO/WHO/OIE
(2003), o que tem causado uma preocupação
global, devendo ser considerada de uma
forma holística.
A presença de microrganismos
resistentes a antimicrobianos nos intestinos
destes animais mostra a necessidade de
maior controle da utilização dos mesmos,
mesmo quando empregados como
promotores de crescimento. Esta justificativa
precisa ser avaliada melhor, pois apesar de
causar um efeito benéfico em relação ao
desenvolvimento dos animais, seu uso
indiscriminado pode contribuir para a
disseminação de microrganismos resistentes
que passem esta resistência a outros
microrganismos. Como consequência poderá
ocorrer problemas ambientais graves, bem
como resultar em impactos na saúde humana,
como vem acontecendo com o aumento do
número de bactérias do TGI humano
resistentes a vários antimicrobianos,
causando infecções hospitalares quase
incuráveis (EDENS, 2003).
Desta forma, os resultados
encontrados no presente trabalho
demonstram a veracidade das preocupações
do Parlamento Europeu, da Comissão
Europeia, da Organização Mundial de Saúde
e da Organização Mundial de Saúde Animal
sobre a regulamentação do uso de
antimicrobianos como aditivos alimentares
(COUNCIL OF EUROPE, 2003). Vale à pena
ressaltar que a União Europeia decidiu proibir
completamente o uso de antimicrobianos
promotores de crescimento para animais de
produção a partir de janeiro de 2006
(COUNCIL OF THE EUROPEAN UNION,
2003). Adicionalmente, a partir dos dados
obtidos, e em consonância com as futuras
exigências do mercado internacional,
ressalta-se a necessidade de se buscar novas
alternativas em substituição aos
antimicrobianos promotores de crescimento.
CONCLUSÃO
De acordo com as características
probióticas estudadas, algumas amostras de
microrganismos isolados do conteúdo fecal de
suínos se destacam quando o objetivo
almejado é a utilização para a elaboração de
produtos probióticos que poderão ser
administrados via oral para os animais, logo
após o nascimento, durante o desmame
(creche) e em outras fases da cadeia
produtiva.
Em relação ao teste realizado
(sensibilidade aos antimicrobianos) temos que
as amostras isoladas dos animais terminados
e pré-selecionadas em outras etapas (L.
salivarius - 08 A; L. reuteri - 11 A e L.
acidophilus - 13 A) seriam selecionadas, pois
apresentaram menor número de resistência
às drogas, oferecendo assim, menores
probabilidades de transferência de genes de
resistência às bactérias presentes no TGI de
suínos.
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pathogenesis. Program Hematological, v. 4,
138-159, 1994.
________________________________________
1 - Graduação em Ciências Biológicas.
Professor Adjunto do Departamento de
Morfologia (DMO – CCBS) da Universidade
Federal de Sergipe - UFS, Brasil.
E-mail: flaviobarbosaufs@gmail.com
2 - Graduação em Fisioterapia. Mestrado em
Microbiogia. Departamento de Microbiologia
(ICB) da Universidade Federal de Minas
Gerais - UFMG, Brasil.
3 - Graduação em Medicina Veterinária.
Departamento de Microbiologia (ICB) da
Universidade Federal de Minas Gerais -
UFMG, Brasil.
4 - Graduação em Enfermagem. Professor
Adjunto do Curso de Enfermagem da
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP),
Brasil.

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Artigo abmba v3_n1_2015_01

  • 1. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 1 TESTE DE SUSCEPTIBILIDADE AOS ANTIMICROBIANOS DE MICRORGANISMOS PRODUTORES DE ÁCIDO LÁCTICO (Lactobacillus spp.) ISOLADOS DAS FEZES DE SUÍNOS (Sus scrofa domesticus) SUSCEPTIBILITY TEST TO ANTIMICROBIALS OF LACTIC ACID PRODUCING MICRO-ORGANISMS (Lactobacillus spp.) ISOLATED FROM SWINE FEES (Sus scrofa domesticus) FLÁVIO HENRIQUE FERREIRA BARBOSA1; FELIPE HENRIQUE SILVA BAMBIRRA2; LEANDRO HENRIQUE SILVA BAMBIRRA3; RUBENS ALEX DE OLIVEIRA MENEZES4 RESUMO A produção de alimentos saudáveis e nutritivos em grande quantidade tem se tornado um desafio para todos os profissionais que trabalham com toda a cadeia produtiva alimentícia. A produção mundial de suínos cresceu e o Brasil teve um aumento significativo nas exportações de carne suína. Para que a atividade de criação de suínos se mantenha produtiva, com a geração de lucros, promotores de crescimento têm sido incorporados às rações, com objetivo de melhorar o processo digestivo e o desempenho zootécnico dos animais, resultando em maior ganho de peso e redução do número de doenças. Entretanto, nos últimos anos tem aumentado a conscientização sobre o uso excessivo destes produtos, bem como se tornado evidente os possíveis transtornos à saúde destes animais e do homem, como consequências desta suplementação. As alternativas disponíveis para substituição dos antimicrobianos na suinocultura incluem a utilização de probióticos, prebióticos, simbióticos e agentes fitoterápicos. Seguindo esta linha de raciocínio, este trabalho propôs realizar a prospecção de microrganismos probióticos e avaliar a susceptibilidade dos microrganismos isolados a diferentes drogas antimicrobianas utilizadas em suinocultura visando utilizações futuras. De acordo com as características probióticas estudadas, algumas amostras de microrganismos isolados do conteúdo fecal de suínos se destacam quando o objetivo almejado é a utilização para a elaboração de produtos probióticos que poderão ser administrados via oral para os animais, logo após o nascimento, durante o desmame (creche) e em outras fases da cadeia produtiva. Todas as amostras isoladas dos animais terminados e pré-selecionadas em outras etapas (L. salivarius - 08 A; L. reuteri - 11 A e L. acidophilus - 13 A) seriam selecionadas, pois apresentaram menores números de resistência às drogas, oferecendo assim, menores probabilidades de transferência de genes de resistência às bactérias presentes no TGI de suínos. PALAVRAS-CHAVE: Lactobacillus, bactérias lácticas, suínos, probiótico. ABSTRACT The production of healthy and nutritious food in large quantities has become a challenge for all professionals who work with the entire food production chain. World swine production grew and Brazil saw a significant increase in exports. In order for the pig breeding activity to remain productive, with the generation of profits, growth promoters have been incorporated into the rations, with the objective of improving the digestive process and the zootechnical performance of the animals, resulting in greater weight gain and reduced number of diseases. However, in recent years there has been an increase in awareness about the excessive use of these products, as well as the possible health disorders of these animals and man, as consequences of this supplementation, have become evident. The alternatives available to replace antimicrobials in pig farming include the use of probiotics, prebiotics, symbiotics and herbal agents. Following this line of reasoning, this work proposed to prospect probiotic microorganisms and evaluate the susceptibility of isolated microorganisms to different antimicrobial drugs used in swine for future use. According to the probiotic characteristics studied, some samples of microorganisms isolated from the faecal content of pigs stand out when the aim is to use probiotic products that can be administered orally to the animals, right after birth, during the weaning (day care) and at other stages of the production chain. All samples isolated from finished animals and pre-selected in other stages (L. salivarius - 08 A; L. reuteri - 11 A and L. acidophilus - 13 A) would be selected, as they presented lower numbers of drug resistance, thus offering , lower probabilities of transferring genes resistant to bacteria present in pigs' TGI. KEYWORDS: Lactobacillus, lactic bacteria, swine, probiotic.
  • 2. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 2 INTRODUÇÃO A produção de alimentos saudáveis e nutritivos em grande quantidade tem se tornado um desafio para todos os profissionais que trabalham com toda a cadeia produtiva alimentícia. Estimativas indicam que o suprimento de alimentos necessários para atender aos requerimentos nutricionais da população humana durante os próximos quarenta anos equivale à quantidade previamente produzida ao longo de toda a história. Para atender a esta grande demanda de alimentos de origem animal, os pesquisadores têm se esforçado na busca de novas tecnologias a fim de aumentar a eficiência e a produtividade dos animais de criação. A suinocultura é um dos setores agropecuários que mais tem crescido nas últimas décadas. Segundo dados da EMBRAPA, a produção de carne suína no Brasil vem crescendo mais 5% ao ano desde o ano de 2006. A produção mundial de suínos cresceu sistematicamente nos últimos 30 anos e o Brasil teve um aumento significativo nas exportações de carne suína, chegando à quarta colocação mundial e, atualmente, esse produto pode ser encontrado até na Rússia. A este fato, associa-se um marcante aumento no comércio e consumo de carne de suínos em todo o mundo, sendo que sua produção está rapidamente se expandindo em muitos países em desenvolvimento, como o Brasil, o que faz aumentar o rigor no manejo dos animais e na produção da carne. Para que a atividade de criação de suínos se mantenha produtiva, com a geração de lucros, muitos aditivos (incluindo promotores de crescimento, como drogas antimicrobianas) têm sido incorporados às rações, com objetivo de melhorar o processo digestivo e o desempenho zootécnico dos animais, resultando em maior ganho de peso e redução do número de doenças. Entretanto, nos últimos anos tem aumentado a conscientização sobre o uso excessivo destes produtos, bem como se tornado evidente os possíveis transtornos à saúde destes animais e do homem, como consequências desta suplementação. Os antimicrobianos promotores de crescimento podem alterar a microbiota do trato digestivo e deprimir os mecanismos de defesa dos animais, além de deixar resíduos indesejáveis à saúde do homem na carne. Além disso, a presença de concentrações baixas de antimicrobianos pode ser responsável pelo aumento dos fenômenos de resistência bacteriana aos mesmos. Recentemente, novos microrganismos resistentes a uma ou várias drogas antimicrobianas têm surgido e sido motivo de preocupação para a saúde pública mundial. Estes microrganismos modificados podem se difundir pelo meio ambiente e estarem presentes na carne dos animais. Por causa destas evidências, a ausência de microrganismos potencialmente patogênicos e a ausência de resíduos de produtos químicos têm se tornado os principais indicadores de qualidade da carne de suínos, bem como de outros alimentos. Assim, a suinocultura brasileira precisará se adaptar às futuras normas de comércio internacional, pois alguns países importadores, principalmente da União Europeia, não mais aceitarão adquirir carne de suínos oriunda de produtores que utilizam antimicrobianos para aumentar os índices de produtividade de seus plantéis. Assim, tem gerado a necessidade de se buscar alternativas que possam promover os mesmos efeitos de produtividade relacionados ao uso dos aditivos alimentares, porém, sem causar as mesmas consequências indesejáveis destes. Além disto, ainda existem prejuízos relacionados ao impacto econômico da retirada destas drogas antimicrobianas da alimentação de suínos. Isto representa aumento nos custos de produção, sendo, principalmente, causados por aumento no consumo de ração e no período de ocupação dos galpões, menos ciclos produtivos por ano, além de mais gastos com a mão-de-obra. As alternativas disponíveis para substituição dos antimicrobianos na suinocultura incluem a utilização de probióticos, prebióticos, simbióticos e agentes fitoterápicos. Dentre estas, a utilização dos microrganismos probióticos constitui uma
  • 3. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 3 perspectiva extremamente interessante, pois as próprias bactérias benéficas da microbiota intestinal dos animais poderiam ser empregadas em substituição aos antimicrobianos. Nestes casos, estes microrganismos poderiam favorecer o equilíbrio do ecossistema gastrintestinal, o que seria refletido em melhoria da saúde e boa produtividade. Trabalhos científicos têm sido conduzidos tentando avaliar a eficiência da utilização dos probióticos, em substituição aos produtos químicos, para modular a saúde de suínos comerciais e proporcionar um ganho de peso adequado. Bactérias do gênero Lactobacillus são os principais microrganismos desejáveis encontrados em grandes quantidades por todo o trato gastrintestinal (TGI) de suínos, mostrando ser fortes candidatas como probióticos para estes animais. Seguindo esta linha de raciocínio, este trabalho se propôs a realizar a prospecção de microrganismos probióticos e avaliar a susceptibilidade dos microrganismos isolados a partir das fezes de suínos saudáveis a diferentes drogas antimicrobianas utilizadas em suinocultura visando utilizações futuras. MATERIAL E MÉTODOS 1. Microrganismos Características Morfo-tintoriais, Bioquímicas e Fisiológicas dos Microrganismos Isolados Numa placa contendo em torno de 100 unidades formadoras de colônia (UFC), as colônias morfologicamente diferentes e mais significativas do ponto de vista populacional foram repicadas, a partir do ágar MRS (Difco), no mesmo meio. A partir de colônias, de cada amostra, que apresentaram aspectos morfológicos distintos foram feitos esfregaços em lâminas para coloração pelo método de Gram. Além disto, a partir dessas mesmas colônias foram feitos testes de catalase em lâmina, utilizando-se H2O2 (30%). Aqueles que se apresentaram como Gram-positivo e catalase negativa, sugestivos de pertencerem ao gênero Lactobacillus, foram submetidos à identificação, utilizando técnicas de biologia molecular (PCR-ARDRA). Purificação e Manutenção dos Microrganismos Isolados Os microrganismos isolados e avaliados pelas características morfo- tintoriais, bioquímicas e fisiológicas e pelo teste respiratório foram inoculados em 5 mL de caldo MRS (Difco), sendo em seguida incubados em anaerobiose, à 37ºC durante 48 horas. Após o crescimento, uma alíquota de 500 µL de cada tubo foi transferida para tubo eppendorf e adicionada de glicerol esterilizado (50 µL), sendo, em seguida, congelados a - 18ºC e -86ºC, para posterior utilização, quando necessário. O restante dos cultivos foi destinado às análises baseadas em técnicas de biologia molecular, com a finalidade de identificação das espécies isoladas. Ativação das culturas Amostras de Lactobacillus spp. isoladas a partir do TGI dos suínos (Sus scrofa domesticus), oriundos de criação intensiva, e pré-identificadas pelo perfil de fermentação de carboidratos (kit API 50 CHL, BioMérieux, Marcy l’Etoile, France), foram descongeladas e inoculadas (200 µL) em caldo MRS (Difco). O meio foi incubado, sob condições de anaerobiose, a 37ºC, durante 48 horas. Após cinco passagens em caldo, 50 µL de cada amostra foram repicados em ágar MRS (Difco), por três métodos diferentes: pour- plate, espalhamento com auxílio da alça de Drigalski e estria. Então, as placas foram incubadas em anaerobiose, sendo mantidas a 37ºC, durante 48 horas. Para a realização do teste a seguir, foram escolhidos seis microrganismos entre o grupo de doze os quais apresentaram crescimento satisfatório em aerobiose dos trinta e um isolados e identificados como Lactobacillus, sendo três originados de animais recém-desmamados (21 dias) e três originados de animais jovens/terminados (140 dias). Estas linhagens alcançaram melhores resultados nos testes anteriores de
  • 4. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 4 crescimento, viabilidade e manutenção (estocagem) em função da atmosfera e do meio de cultura a partir de vinhoto de cana-de- açúcar suplementado com diferentes fontes de carbono e nitrogênio. Dessa forma, os microrganismos de interesse probiótico escolhidos para os demais testes foram:  06 J - Lactobacillus mucosae  14 J - Lactobacillus ruminis  18 J - Lactobacillus johnsonii  08 A - Lactobacillus salivarius  11 A - Lactobacillus reuteri  13 A - Lactobacillus acidophilus 2. O Antibiograma O antibiograma foi realizado em duplicata para cada amostra avaliada, de acordo com a técnica adaptada de susceptibilidade a antimicrobianos, baseando- se na difusão da droga, utilizando-se discos e medindo-se o diâmetro dos halos de inibição, como descrito por CHARTERIS (1998). As amostras de microrganismos isolados e selecionados foram cultivadas em ágar MRS (Difco, Detroit, USA), sob anaerobiose, a 37ºC, durante 24 a 48 horas. Em seguida, partes das colônias foram transferidas, com auxílio de uma alça de níquel-cromo, para tubos contendo 3,5 mL de salina 0,85%, para se obter concentração correspondente a 0,5 na escala McFarland (108 ufc/mL). Em seguida, foram feitos inóculos, utilizando zaragatoa, sobre a superfície de placas (14 cm de diâmetro), contendo ágar MRS (Difco). Logo após, foram distribuídos os discos (Oxoid, Basingstoke, England) contendo os seguintes antimicrobianos, com suas respectivas concentrações: ceftrioxane - CTX (30 µg), amoxicilina - AMO (10 µg), ácido nalidíxico - ANL (30 µg), tetraciclina - TET (30 µg), ampicilina - AMP (45 µg), vancomicina - VAN (30 µg), oxacilina - OXA (1 µg), gentamicina - GNT (10 µg), cloranfenicol - CLO (30 µg), eritromicina - ERI (15 µg), amicacina - AMK (30 µg) e penicilina - PEN (10 U). As placas foram incubadas sob anaerobiose, durante 48 horas a 37oC. Após a incubação, com auxílio do paquímetro digital (Mitutoyo Digimatic Caliper, Mitutoyo Sul Americana Ltda), foram feitas as leituras dos diâmetros dos halos de inibição. Neste caso, os resultados não foram submetidos à análise estatística porque os resultados expressos quantitativamente servem para uma classificação qualitativa dos microrganismos como sensíveis, moderadamente sensíveis ou resistentes às drogas antimicrobianas testadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO O antibiograma foi realizado em duplicata para cada amostra avaliada, de acordo com a técnica adaptada de susceptibilidade a antimicrobianos, baseando- se na difusão da droga, utilizando-se discos e medindo-se o diâmetro dos halos de inibição. Embora muitas pesquisas na área de microbiologia médica utilizem como padrões de comparação de resultados de susceptibilidade a antimicrobianos os dados propostos pelo CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute), os resultados dos antibiogramas deste trabalho foram comparados com os níveis de sensibilidade propostos por Charteris (1998). Os padrões propostos pelo NCCLS não foram utilizados porque são destinados a pesquisas que utilizam amostras de microrganismos com interesse clínico humano. Os resultados referentes aos antibiogramas dos microrganismos (Lactobacillus) isolados do conteúdo fecal de suínos sob o sistema de manejo intensivo estão representados na tabela a seguir. Pode- se verificar que todas as amostras selecionadas foram sensíveis a ceftrioxane, amoxicilina, ampicilina, oxacilina, cloranfenicol e penicilina. Em relação ao perfil de resistência, todas as amostras foram resistentes à vancomicina, tetraciclina e ácido nalidíxico. Quatro amostras (66,66%) foram resistentes a gentamicina, eritromicina e amicacina.
  • 5. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 5 Tabela 1. Perfil de sensibilidade a antimicrobianos de microrganismos produtores de ácido láctico (Lactobacillus) isolados do conteúdo fecal de suínos sob o sistema de manejo intensivo, sem administração de promotores de crescimento. Alguns autores sugerem que, para que um microrganismo fosse selecionado para uso como probiótico, seria ideal que fosse sensível a todos os antimicrobianos testados, a fim de não introduzir elementos que conferem este fenótipo em um ecossistema novo. Outros, porém, defendem um perfil de resistência podendo-se assim administrar o microrganismo de modo concomitante ao tratamento com promotores de crescimento sem a eliminação dos mesmos. Neste sentido, a amostra 08 A - Lactobacillus salivarius foi aquela que apresentou resistência a menor número de antimicrobianos (ácido nalidíxico, tetraciclina, vancomicina e eritromicina). Em uma avaliação geral, percebe-se que as amostras de Lactobacillus spp. apresentaram perfis de sensibilidade bem semelhantes entre os animais estudados. Apenas foram observadas poucas diferenças em relação aos Lactobacillus spp. isolados das fezes de animais jovens e adultos. Dentre os Lactobacillus spp. isolados dos animais pesquisados, independentemente da idade, Lactobacillus johnsonii (18 J) e Lactobacillus ruminis (14 J) foram aqueles que apresentaram maior perfil de resistência múltipla aos antimicrobianos testados. De acordo com Charteris (1998), a resistência de amostras de Lactobacillus reuteri a eritromicina seria relacionada a genes plasmidiais. Em relação à presença de amostras de Lactobacillus spp. resistentes ao cloranfenicol, sabe-se que esta é extremamente preocupante. A utilização deste antimicrobiano em animais de produção é proibida (BRASIL, 2003). Tal fato se deve aos riscos da presença de seus resíduos em alimentos de origem animal, pois estes podem induzir o aparecimento de amostras de microrganismos resistentes ao cloranfenicol e causar efeitos hematotóxicos no homem, incluindo reticulocitopenia, anemia e, em alguns casos, leucopenia (granulocitopenia) e
  • 6. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 6 trombocitopenia (YUNIS & BLOOMBERG, 1994; Joint FAO/WHO, 2002). Nos microrganismos selecionados para os testes neste trabalho, não apresentaram resistência a este fármaco, fazendo-nos pensar que os mesmos têm sido pouco ou nada expostos ao antimicrobiano citado, não ocorrendo nestes casos, pressão seletiva resultando em grupos com perfil preocupante. Percebe-se que, quatro (66,66%) dos isolados independentemente da idade, foram resistentes a gentamicina e amicacina. Kozlova et al. (1992) mostraram a resistência aos antimicrobianos de 136 amostras de Lactobacillus isolados de aves e 23 Lactobacillus isolados de humanos idosos. A maioria das amostras de ambas as coleções foram resistentes aos aminoglicosídeos. Neste estudo, todas as amostras de Lactobacillus spp. (100%) selecionados para os testes se mostraram resistentes à vancomicina. Estes resultados podem ser somados às indicações de outros autores de que a resistência à vancomicina seria intrínseca deste gênero (KÓLAR et al., 2002; DANIELSEN & WIND, 2003; WAGE, 2003). A utilização destas amostras, principalmente do ponto de vista comercial e industrial, deve se proceder com bastante cautela e responsabilidade, uma vez que, como dito anteriormente, existe um receio em se utilizar culturas com propriedades de resistência aos antimicrobianos na elaboração de produtos probióticos de uso animal, a fim de se prevenir a transferência destes fatores de resistência a outros microrganismos, principalmente patogênicos. A resistência de microrganismos observada neste trabalho a alguns antimicrobianos testados pode ter sido mutacional ou transmitida de um microrganismo para outro. A possibilidade mais provável é o segundo exemplo, sendo mais facilmente transmitida entre microrganismos proximamente relacionados. Entretanto, também pode ocorrer entre bactérias menos relacionadas, pois este fenômeno de passagem de genes que codificam a resistência a antimicrobianos não respeita os limites filogenéticos (Joint WHO/FAO/OIE, 2003). Se a resistência a antimicrobianos for determinada por genes cromossômicos, mais estável esta poderá ser. Entretanto, no caso de a resistência estar associada com genes localizados em plasmídeos, mais facilmente ela será transmitida para microrganismos presentes na mesma comunidade, e mais rapidamente, um maior número de indivíduos se tornará resistente, o que é altamente prejudicial ao equilíbrio do ecossistema e do hospedeiro. Por outro lado, a presença de genes que codificam síntese de substâncias ou compostos envolvidos nos mecanismos de resistência aos antimicrobianos pode se tornar uma desvantagem para o microrganismo, que necessitará de mais energia sempre que for duplicar seu material genético. Por isto, muitos destes genes são plasmidiais e muitas vezes estes são eliminados da célula microbiana nos casos em que não houver pressão seletiva (EDENS, 2003). Devido a estes fatos, é possível que muitos Lactobacillus spp., presentes no TGI dos animais estudados, tenham se tornado resistentes a antimicrobianos ao receberam material genético de outros microrganismos. Também pode ter havido a transmissão de material genético entre espécies diferentes, dentro do mesmo gênero ou ter ocorrido resistência cruzada envolvendo cefalosporinas (ceftrioxane), penicilinas, aminoglicosídeos (amicacina e gentamicina) e macrolídeos (eritromicina), como mostraram estudos realizados pelo comitê Joint WHO/FAO/OIE (2003). A presença de plasmídeos relacionados à resistência aos antimicrobianos em Lactobacillus acidophilus foi descrita por Kumar et al. (1994). Portanto, a amostras de Lactobacillus acidophilus selecionada neste trabalho, que foi resistente aos antimicrobianos testados, pode ter apresentado tal resultado devido à presença de plasmídeos. A resistência a eritromicina e tetraciclina, pode ter sido causada porque estas não são destruídas prontamente no TGI, permanecendo intactas no ambiente por determinado tempo, podendo eliminar bactérias sensíveis ou induzirem a seleção de amostras resistentes (Joint WHO/FAO/OIE, 2003).
  • 7. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 7 Pôde-se observar que os suínos apresentaram amostras de microrganismos resistentes aos antimicrobianos testados, mesmo não recebendo promotores de crescimento em suas dietas regulares. É preocupante o índice de resistência aos antimicrobianos dos microrganismos isolados das fezes de suínos, o que indica a possibilidade de estar havendo uma disseminação de resíduos de antimicrobianos ou de microrganismos resistentes no meio ambiente. Esta possibilidade também foi considerada como uma das principais formas de disseminação de antimicrobianos na natureza, de acordo com Joint FAO/WHO/OIE (2003), o que tem causado uma preocupação global, devendo ser considerada de uma forma holística. A presença de microrganismos resistentes a antimicrobianos nos intestinos destes animais mostra a necessidade de maior controle da utilização dos mesmos, mesmo quando empregados como promotores de crescimento. Esta justificativa precisa ser avaliada melhor, pois apesar de causar um efeito benéfico em relação ao desenvolvimento dos animais, seu uso indiscriminado pode contribuir para a disseminação de microrganismos resistentes que passem esta resistência a outros microrganismos. Como consequência poderá ocorrer problemas ambientais graves, bem como resultar em impactos na saúde humana, como vem acontecendo com o aumento do número de bactérias do TGI humano resistentes a vários antimicrobianos, causando infecções hospitalares quase incuráveis (EDENS, 2003). Desta forma, os resultados encontrados no presente trabalho demonstram a veracidade das preocupações do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, da Organização Mundial de Saúde e da Organização Mundial de Saúde Animal sobre a regulamentação do uso de antimicrobianos como aditivos alimentares (COUNCIL OF EUROPE, 2003). Vale à pena ressaltar que a União Europeia decidiu proibir completamente o uso de antimicrobianos promotores de crescimento para animais de produção a partir de janeiro de 2006 (COUNCIL OF THE EUROPEAN UNION, 2003). Adicionalmente, a partir dos dados obtidos, e em consonância com as futuras exigências do mercado internacional, ressalta-se a necessidade de se buscar novas alternativas em substituição aos antimicrobianos promotores de crescimento. CONCLUSÃO De acordo com as características probióticas estudadas, algumas amostras de microrganismos isolados do conteúdo fecal de suínos se destacam quando o objetivo almejado é a utilização para a elaboração de produtos probióticos que poderão ser administrados via oral para os animais, logo após o nascimento, durante o desmame (creche) e em outras fases da cadeia produtiva. Em relação ao teste realizado (sensibilidade aos antimicrobianos) temos que as amostras isoladas dos animais terminados e pré-selecionadas em outras etapas (L. salivarius - 08 A; L. reuteri - 11 A e L. acidophilus - 13 A) seriam selecionadas, pois apresentaram menor número de resistência às drogas, oferecendo assim, menores probabilidades de transferência de genes de resistência às bactérias presentes no TGI de suínos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHARTERIS, A. Antibiotic susceptibility of potentially probiotic Lactobacillus species. J. Food Protect., v. 61, n. 12, p. 1636-1643, 1998. CHARTERIS, W.P.; KELLY, P.M.; MORELLI, L.; COLLINS, J.K. Development and application of an in vitro methodology to determine the transit tolerance of potentially probiotic Lactobacillus and Bifidobacterium species in the upper human gastrointestinal tract. J. Appl. Microbiol., v. 84, p. 759-768, 1998.
  • 8. ISSN 2318-4752 – Volume 3, N1, 2015 8 COUNCIL OF EUROPE Ban on antibiotics in food production. Recommendation 1446. Acessado em 15 de fevereiro de 2006. Online. Disponível em http://register.consilium.eu.int/ COUNCIL OF THE EUROPE UNION Council regulation on the authorization of the additive avilamycin in feedingstuffs. Acessado em 12 de maio de 2006. Online. Disponível em http://register.consilium.eu.int/pdf/em/03/st06/ st06120en03.pdf. DANIELSEN, N.; WIND, A. Susceptibility of Lactobacillus spp. to antimicrobial agents. Intern. J. Food Microbiol., v. 82, p. 1-11, 2003. EDENS, F.W. An alternative for antibiotic use in poultry: probiotics. Rev. Bras. Ciência Avícola, v. 5, p. 1-40, 2003. FAO/WHO. Guidelines for the Evaluation of Probiotics in Food. London Ontario, Canada. April 30 and May 1, 2002. JOINT WHO/FAO/OIE Food and Agricultural Organization/World Health Organization Background document for the Joint WHO/FAO/OIE expert. In: Workshop on non- human antimicrobials usage and antimicrobials resistance scientific assessment. Geneva, Switzerland, December 1-5, 117 p., 2003. KÓLAR, M.; PANTÙÈEK, R.; BARDOÒ, J.; VÁGNEROVÁ, I.; TYPOVSKÁ, H.; DOSKAR, J.; VÁLKA, I. Occurrence of antibiotic-resistant bacterial strains isolated in poultry. Vet. Med. Czech, v. 47, p. 52-59, 2002. KOZLOVA, E.V.; MALINOVSKAIA, I.V.; AMINOV, R.I.; KOVALENKO, N.K.; VORONIN, A.M. Antibiotic resistance of Lactobacillus strains. Antibiot Khimioter. V. 37, p. 5-12, 1992. WAGE, S.W. The role of enteric antibiotics in livestock production. Camberra: Avcare Limited. 338 p., 2003. YUNIS A.A.; BLOOMBERG G.R. Chloramphenicol toxicity, clinical features and pathogenesis. Program Hematological, v. 4, 138-159, 1994. ________________________________________ 1 - Graduação em Ciências Biológicas. Professor Adjunto do Departamento de Morfologia (DMO – CCBS) da Universidade Federal de Sergipe - UFS, Brasil. E-mail: flaviobarbosaufs@gmail.com 2 - Graduação em Fisioterapia. Mestrado em Microbiogia. Departamento de Microbiologia (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Brasil. 3 - Graduação em Medicina Veterinária. Departamento de Microbiologia (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Brasil. 4 - Graduação em Enfermagem. Professor Adjunto do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Brasil.