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MALÁRIA
A malária (paludismo) é uma doença infecciosa aguda ou crônica causada por protozoários parasitas do
gênero Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles.
A malária mata 3 milhões de pessoas por ano, uma taxa só comparável à da SIDA/AIDS, e afeta mais de
500 milhões de pessoas todos os anos.
É a principal parasitose tropical e uma das mais frequentes causas de morte em crianças nesses países:
(mata um milhão de crianças com menos de 5 anos a cada ano). Segundo a OMS, a malária mata uma
criança africana a cada 30 segundos, e muitas crianças que sobrevivem a casos severos sofrem
danos cerebrais graves e têm dificuldades de aprendizagem.
TRANSMISSÃO
A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles. A transmissão
geralmente ocorre em regiões rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em áreas urbanas, principalmente
em periferias. Em cidades situadas em locais cuja altitude seja superior a 1500 metros, no entanto, o
risco de aquisição de malária é pequeno. Os mosquitos têm maior atividade durante o período da noite,
do crepúsculo ao amanhecer. Contaminam-se ao picar os portadores da doença, tornando-se o principal
vetor de transmissão desta para outras pessoas. O risco maior de aquisição de malária é no interior das
habitações, embora a transmissão também possa ocorrer ao ar livre.
O mosquito da malária atinge números suficientes de indivíduos para a transmissão da doença em
regiões onde as temperaturas médias sejam cerca de 20 a 30°C e umidade alta. Só os mosquitos fêmeas
picam o homem e alimentam-se de sangue. Os machos vivem de seivas de plantas. As larvas se
desenvolvem em águas paradas, e a prevalência máxima ocorre durante as estações com chuva
abundante.
AGENTE VETOR
Anopheles é um gênero de mosquito com ampla distribuição
mundial, presente nas regiões tropicais e subtropicais,
incluindo Portugal, Brasil, China, Índia, continente africano.
Os anofelinos são hematófagos e várias espécies do gênero
são vetoras do Plasmodium, o protozoário causador
da malária. Dentre essas, destacam-se:
Anopheles maculipennis (Europa),
Anopheles culicifacies (Índia),
Anopheles minimus (de Assam até a China e Filipinas),
Anopheles gambiae e Anopheles funestus na África,
Anopheles albimanus (México),
Anopheles nuñeztovari (Venezuela e Colômbia),
Anopheles darlingi e Anopheles aquasalis (Brasil),
Outras espécies importantes na transmissão da malária no Brasil são A.
bellator e A. cruzii, os equivalentes ecológicos das duas últimas, no sul do país -
região atualmente livre da doença. Menos importante é Anopheles albitarsis.
Há cerca de 400 espécies, incluindo 40 que transmitem o plasmódio. A mais
comum das transmissoras é o Anopheles gambiae. Só a fêmea é que pica o homem e se alimenta de
sangue. Os machos alimentam-se dos sucos ricos em glicose de plantas.
O Anopheles prefere temperaturas de 20 a 30°C e altas taxas de umidade. Não sobrevive em grande
número se as temperaturas médias diárias caírem abaixo dos 15 ºC e não gosta de altitudes acima dos
1500 metros.
Os anofelinos distinguem-se dos outros mosquitos pelos seus palpos quase tão longos quanto
as probóscides, e pelas suas escamas brancas e pretas nas asas. Têm um comportamento típico,
descansando com o abdômen em angulo para cima.
O Anopheles passa por quatro estágios: ovo, larva, pupa, e
adulto. As fêmeas vivem de duas semanas a um mês. Têm
preferência pelo sangue humano, mas também picam
animais. Põem cerca de duzentos ovos de cada vez, em
água parada. Os ovos têm bóias naturais, demorando apenas 2 a 3 dias a maturar
(ou 1 a 2 semanas em climas mais frios), e não sobrevivem às baixas
temperaturas nem à desidratação.
As larvas alimentam-se por filtração de bactérias e outros microorganismos da água. Ao contrário de
outras espécies não têm sifão, absorvendo o ar da superfície com a boca. As larvas passam por quatro
estágios, sofrendo, posteriormente, metamorfose em pupas.
Enquanto se desenvolvem, as pupas vêm à superfície para respirar e, cerca de 10 a 15 dias após a
deposição dos ovos, transformam-se em mosquitos adultos, imediatamente ativos sexualmente. Os
machos vivem cerca de uma semana e alimentam-se de néctar. As fêmeas alimentam-se de sangue,
mais rico em nutrientes necessários para porem os ovos.
PARASITA
O 'Plasmodium' é um parasita unicelular protozoário, que infecta
os eritrócitos, causando a Malária. É espalhado em seres humanos
pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. São parasitas
esporozoides das células sanguineas. Têm diversas formas, de
acordo com a fase do ciclo de vida, e em média cerca de 1-2
micrômetros de diâmetro (a hemácia tem cerca de 7 micrômetros).
Têm duas fases de reprodução, assexual no ser humano e sexual no
mosquito.
Há quatro espécies que infectam humanos: P. falciparum, P.
vivax, P. ovale e P. malariae.
CICLO DE VIDA
O ciclo de vida do Plasmódio inicia-se com a picada de uma pessoa por um
mosquito fêmea do gênero Anopheles. Ele imediatamente antes de sugar
o sangue dos capilares injecta pequena quantidade de
saliva anticoagulante rica em Plasmódios na corrente sanguínea (só são
necessários 10 para causar a infecção).
CICLO ASSEXUADO
 Os plasmódios estão na fase de esporozoíto, e chegam em
menos de 30 min pela corrente sanguínea ao fígado, onde
invadem os hepatócitos.
 Os esporozóitos dentro dos hepatócitos então transformam-se
em esquizontes, maiores e multinucleares.
 Esses dividem-se por reprodução assexuada, gerando milhares
(mais se forem P. falciparum, menos se outras espécies)
de merozoítos, uma fase que dura seis dias (P.
falciparum) ou algumas semanas (outras espécies).
 São os merozóitos que invadem
os eritrócitos (=hemácias=glóbulos vermelhos). No caso
do P. falciparum todos os esquizontes se transformam em
multidões de merozóitos, mas nas outras espécies alguns
ficam dormentes no fígado, uma forma conhecida
como hipnozoite, e a infecção pode reaparecer, mesmo
se aparentemente curada, muitos anos depois (frequente
em Portugal nos retornados de África, ainda hoje).
 Os merozóitos dividem-se assexuadamente no interior dos eritrócitos, até os arrebentarem,
liberando seus descendentes e substâncias tóxicas para o sangue que vão infectar mais
eritrócitos.
CICLO SEXUADO
 Alguns merozóitos transformam-se em formas sexuais após meiose. As formas sexuais
(macrogametas e microgametas) são aspiradas por novo mosquito Anopheles quando este pica
a pele.
 No estômago do mosquito o microgameta sofre exflagelação e funde-se com o macrogameta,
gerando um zigoto.
 Este diferencia-se em
oocineto, uma forma
móvel, que atravessa a
parede do estômago e se
aloja na membrana basal,
quando diferencia-se em
oocisto, onde
desenvolvem-se e dividem-
se em milhares
de esporozoítos estourando o oocisto e migrado para as glândulas salivares do inseto, de onde
invadem um novo hóspede humano.
 Podem existir muitos oocistos no estômago do Anopheles, mas os danos causados à parede do
estômago quando os oocistos eclodem não parecem ter efeito negativo na longevidade do
mosquito.
SINTOMAS E PROGRESSÃO DA DOENÇA
A malária caracteriza-se inicialmente por sintomas inespecíficos, como dores de cabeça,
fadiga, febre e náuseas. Estes sintomas podem durar vários dias.
Mais tarde, caracterizam-se por acessos periódicos de calafrios e febre intensos que coincidem com a
destruição maciça de hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) e com a descarga de substâncias
imunogênicas tóxicas na corrente sanguínea ao fim de cada ciclo reprodutivo do parasita. Estas crises
paroxísticas, mais freqüentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida da temperatura de 39 a 40°C.
São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cerca de 15 minutos a uma hora. Depois
cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas de febre a 41°C, terminando em vermelhidão da pele
e suores abundantes. O doente sente-se perfeitamente bem depois, até a crise seguinte, dois a três dias
depois.
Se a infecção for de Plasmodium falciparum, denominada malária maligna, pode haver sintomas
adicionais mais graves como: choque circulatório, síncopes (desmaios), convulsões, delírios e crises
vaso-oclusivas. A morte pode ocorrer a cada crise de malária maligna.
Pode também ocorrer a chamada malária cerebral: a oclusão de vasos sanguíneos no cérebro pelos
eritrócitos infectados causa déficits mentais e coma, seguidos de morte (ou déficit mental irreversível).
Danos renais e hepáticos graves ocorrem pelas mesmas razões.
As formas causadas pelas outras espécies ("benignas") são geralmente apenas debilitantes, ocorrendo
raramente a morte.
Os intervalos entre as crises paroxísticas são diferentes de acordo com a espécie de plasmódio. Para as
espécies de P. falciparum, P. ovale e P. vivax, o ciclo da invasão de hemácias por uma geração,
multiplicação interna na célula, hemólise (rompimento da hemácia) e invasão pela nova geração de mais
hemácias dura 48 horas.
Normalmente há acessos de febre violenta e tremores no 1° dia e, passadas 48 horas, já no 3° dia, novo
acesso, sendo classificada de malária ternária. A detecção precoce de malária quaternária, em que o
novo acesso de febre ocorre no 4ª dia, é importante porque este tipo pode não ser devido a P.
falciparum, sendo, portanto, menos perigoso.
Se não diagnosticada e tratada, a malária maligna causada pelo P. falciparum pode evoluir rapidamente,
resultando em morte. A malária "benigna" das outras espécies pode resultar em debilitação crônica,
mas mais raramente em morte.
PROFILAXIA
Ainda não há uma vacina eficaz contra a malária, havendo apenas estudos de alcance reduzido sobre
testes de uma vacina sintética desenvolvida por Manuel Elkin Patarroyo em 1987.
O Centro de Investigação de Saúde de Manhiça (CISM), instalado na vila de mesmo nome, próximo
à Maputo, capital moçambicana, está envolvido na pesquisa para criação da vacina antimalária,
juntamente com outros 11 centros de estudos da África.
O CISM é o que está mais próximo de submeter às agências internacionais de medicamentos seus
resultados, cujas pesquisas avançam na terceira etapa - de quatro - iniciada em agosto de 2009. O CISM
desenvolve pesquisas de combate às chamadas doenças negligenciadas que afetam especialmente os
países pobres e em desenvolvimento.
A melhor medida, até o momento, é a erradicação do mosquito Anopheles que transmite o
parasita Plasmodium, que causa a doença. Ultimamente, o uso de inseticidas potentes mas tóxicos,
proibidos no ocidente, tem aumentado porque os riscos da malária são muito superiores aos do
inseticida.
O uso de redes contra mosquitos é eficaz na proteção durante o sono, quando ocorre a grande maioria
das infecções. Os cremes repelentes de insetos também são eficazes, mas mais caros que as redes. A
roupa deve cobrir a pele nua o mais completamente possível de dia.
O mosquito não tem tanta tendência para picar o rosto ou as mãos, onde os vasos sanguíneos são
menos acessíveis, enquanto as pernas, os braços ou o pescoço possuem vasos sanguíneos mais
acessíveis. A drenagem de pântanos e outras águas paradas é uma medida de saúde pública eficaz.
DIAGNÓSTICO
O elemento fundamental no diagnóstico clínico da malária, tanto nas áreas endêmicas como não-
endêmicas, é sempre pensar na possibilidade da doença. Como a distribuição geográfica da malária não
é homogênea, nem mesmo nos países onde a transmissão é elevada, torna-se importante, durante o
exame clínico, resgatar informações sobre a área de residência ou relato de viagens de exposição ao
parasita como nas áreas endêmicas (tropicais).
Além disso, informações sobre transfusão de sangue, compartilhamento de agulhas em usuários
de drogas injetáveis, transplante de órgãos podem sugerir a possibilidade de malária induzida.
O diagnóstico de certeza da infecção malárica só é possível pela demonstração do parasito, ou
de antígenos relacionados, no sangue periférico do paciente, através dos métodos diagnósticos
especificados a seguir:
Gota espessa - É o método adotado oficialmente no Brasil para o diagnóstico da malária. Mesmo após o
avanço de técnicas diagnósticas, este exame continua sendo um método simples, eficaz, de baixo custo
e fácil realização. Sua técnica baseia-se na visualização do parasito através de microscopia ótica, após
coloração com corante vital (azul de metileno e Giemsa), permitindo a diferenciação específica dos
parasitos a partir da análise da sua morfologia, e pelos estágios de desenvolvimento do parasito
encontrados no sangue periférico.
Esfregaço delgado - Possui baixa sensibilidade (estima-se que, a gota espessa é cerca de 30 vezes mais
eficiente que o esfregaço delgado na detecção da infecção malárica). Porém, o esfregaço delgado é o
único método que permite, com facilidade e segurança, a diferenciação específica dos parasitos, a partir
da análise da sua morfologia e das alterações provocadas no eritrócito infectado.
Testes rápidos para detecção de componentes antigênicos de plasmódio -
Testes imunocromatográficos representam novos métodos de diagnóstico rápido de malária. Realizados
em fitas de nitrocelulose contendo anticorpo monoclonal contra antígenos específicos do parasito.
Apresentam sensibilidade superior a 95% quando comparado à gota espessa, e com parasitemia
superior a 100 parasitos/µL.
TRATAMENTO
A malária maligna, causada pelo P. falciparum é uma emergência médica. As outras malárias são
doenças crônicas.
O tratamento farmacológico da malária baseia-se na suscetibilidade do parasita aos radicais livres e
substâncias oxidantes, morrendo em concentrações destes agentes inferiores às mortais para as células
humanas. Os fármacos usados aumentam essas concentrações.
A quinina (ou o seu isômero quinidina), um medicamento
antigamente extraído da casca da Cinchona, é ainda usada
no seu tratamento. No entanto, a maioria dos parasitas já é
resistente às suas ações. Foi suplantada por drogas
sintéticas mais eficientes, como quinacrina, cloroquina,
e primaquina. É frequente serem usados cocktails
(misturas) de vários destes fármacos, pois há parasitas
resistentes a qualquer um deles por si só. A resistência
torna a cura difícil e cara.
Ultimamente a artemisinina, extraída de uma
planta chinesa, tem dado resultados
encorajadores. Ela produz radicais livres em
contacto com ferro, que existe especialmente
na hemoglobina no interior das hemácias, onde se
localiza o parasita. É extremamente eficaz em
destruí-lo, causando efeitos adversos mínimos. No
entanto, as quantidades produzidas hoje são
insuficientes. No futuro, a cultura da planta
artemisina na África poderá reduzir
substancialmente os custos. É o único fármaco
antimalárico para o qual ainda não existem casos
descritos de resistência.
Em 2010 foi anunciado um fármaco que
apresentou resultados relevantes em animais. Trata-se do NITD609. Algumas vacinas estão em
desenvolvimento.
GLOSSÁRIO
PROTOZOÁRIO O Reino Protista agrupa organismos
eucariontes, unicelulares, autótrofos e heterótrofos.
Neste reino se colocam as algas inferiores:
euglenófitas, pirrófitas (dinoflagelados) e crisófitas (diatomáceas), que são Protistas autótrofos
(fotossintetizantes). Os protozoários são Protistas heterótrofos. Eles habitam a água e o solo. Este reino
é constituído por cerca de 65.000 espécies conhecidas, das quais 50% são fósseis e o restante ainda vive
hoje; destes, aproximadamente 25.000 são de vida livre, 10.000 espécies são parasitos dos mais
variados animais e apenas cerca de 30 espécies atingem o homem.
ESPOROZOÍTO é uma célula alongada, causadora da malária, surgida do oocisto do intestino
do Anopheles. Essas células parasitas vão para as glândulas salivares do mosquito-prego(Anopheles),
onde estarão preparadas para entrar na via sanguínea do humano quando o mosquito picar.
ESQUIZONTE Célula multinucleada em alguns esporozoários, formada pelo crescimento de um
trofozoíta numa célula do hospedeiro e que se segmenta diretamente em merozoítos.
TROFOZOÍTO É a forma ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e se reproduz, por diferentes
processos.
CISTO É a forma de resistência ou inativa. O protozoário secreta uma parede resistente (parede cística)
que o protegerá quando estiver em meio impróprio ou em fase de latência. Freqüentemente há divisão
nuclear interna durante a formação do cisto.
GAMETA É a forma sexuada, que aparece em algumas espécies. O gameta masculino é o microgameta,
e o feminino é o macrogameta.
ESQUIZOGONIA é uma fissão múltipla; o núcleo se divide múltiplas vezes antes da célula se dividir.
Após a formação de vários núcleos, uma pequena porção do citoplasma se concentra ao redor de cada
núcleo e então, uma única célula se separa em células-filhas.
HEPATÓCITOS são células encontradas no fígado capazes de sintetizar proteínas, usadas tanto para
exportação como para sua própria manutenção, por isso torna-se uma das células mais versáteis do
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Apostila 1o ano malária

  • 1. MALÁRIA A malária (paludismo) é uma doença infecciosa aguda ou crônica causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles. A malária mata 3 milhões de pessoas por ano, uma taxa só comparável à da SIDA/AIDS, e afeta mais de 500 milhões de pessoas todos os anos. É a principal parasitose tropical e uma das mais frequentes causas de morte em crianças nesses países: (mata um milhão de crianças com menos de 5 anos a cada ano). Segundo a OMS, a malária mata uma criança africana a cada 30 segundos, e muitas crianças que sobrevivem a casos severos sofrem danos cerebrais graves e têm dificuldades de aprendizagem. TRANSMISSÃO A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles. A transmissão geralmente ocorre em regiões rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em áreas urbanas, principalmente em periferias. Em cidades situadas em locais cuja altitude seja superior a 1500 metros, no entanto, o risco de aquisição de malária é pequeno. Os mosquitos têm maior atividade durante o período da noite, do crepúsculo ao amanhecer. Contaminam-se ao picar os portadores da doença, tornando-se o principal vetor de transmissão desta para outras pessoas. O risco maior de aquisição de malária é no interior das habitações, embora a transmissão também possa ocorrer ao ar livre. O mosquito da malária atinge números suficientes de indivíduos para a transmissão da doença em regiões onde as temperaturas médias sejam cerca de 20 a 30°C e umidade alta. Só os mosquitos fêmeas picam o homem e alimentam-se de sangue. Os machos vivem de seivas de plantas. As larvas se desenvolvem em águas paradas, e a prevalência máxima ocorre durante as estações com chuva abundante. AGENTE VETOR Anopheles é um gênero de mosquito com ampla distribuição mundial, presente nas regiões tropicais e subtropicais, incluindo Portugal, Brasil, China, Índia, continente africano. Os anofelinos são hematófagos e várias espécies do gênero são vetoras do Plasmodium, o protozoário causador da malária. Dentre essas, destacam-se: Anopheles maculipennis (Europa), Anopheles culicifacies (Índia), Anopheles minimus (de Assam até a China e Filipinas), Anopheles gambiae e Anopheles funestus na África, Anopheles albimanus (México), Anopheles nuñeztovari (Venezuela e Colômbia), Anopheles darlingi e Anopheles aquasalis (Brasil), Outras espécies importantes na transmissão da malária no Brasil são A. bellator e A. cruzii, os equivalentes ecológicos das duas últimas, no sul do país - região atualmente livre da doença. Menos importante é Anopheles albitarsis. Há cerca de 400 espécies, incluindo 40 que transmitem o plasmódio. A mais comum das transmissoras é o Anopheles gambiae. Só a fêmea é que pica o homem e se alimenta de sangue. Os machos alimentam-se dos sucos ricos em glicose de plantas. O Anopheles prefere temperaturas de 20 a 30°C e altas taxas de umidade. Não sobrevive em grande número se as temperaturas médias diárias caírem abaixo dos 15 ºC e não gosta de altitudes acima dos 1500 metros.
  • 2. Os anofelinos distinguem-se dos outros mosquitos pelos seus palpos quase tão longos quanto as probóscides, e pelas suas escamas brancas e pretas nas asas. Têm um comportamento típico, descansando com o abdômen em angulo para cima. O Anopheles passa por quatro estágios: ovo, larva, pupa, e adulto. As fêmeas vivem de duas semanas a um mês. Têm preferência pelo sangue humano, mas também picam animais. Põem cerca de duzentos ovos de cada vez, em água parada. Os ovos têm bóias naturais, demorando apenas 2 a 3 dias a maturar (ou 1 a 2 semanas em climas mais frios), e não sobrevivem às baixas temperaturas nem à desidratação. As larvas alimentam-se por filtração de bactérias e outros microorganismos da água. Ao contrário de outras espécies não têm sifão, absorvendo o ar da superfície com a boca. As larvas passam por quatro estágios, sofrendo, posteriormente, metamorfose em pupas. Enquanto se desenvolvem, as pupas vêm à superfície para respirar e, cerca de 10 a 15 dias após a deposição dos ovos, transformam-se em mosquitos adultos, imediatamente ativos sexualmente. Os machos vivem cerca de uma semana e alimentam-se de néctar. As fêmeas alimentam-se de sangue, mais rico em nutrientes necessários para porem os ovos. PARASITA O 'Plasmodium' é um parasita unicelular protozoário, que infecta os eritrócitos, causando a Malária. É espalhado em seres humanos pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. São parasitas esporozoides das células sanguineas. Têm diversas formas, de acordo com a fase do ciclo de vida, e em média cerca de 1-2 micrômetros de diâmetro (a hemácia tem cerca de 7 micrômetros). Têm duas fases de reprodução, assexual no ser humano e sexual no mosquito. Há quatro espécies que infectam humanos: P. falciparum, P. vivax, P. ovale e P. malariae. CICLO DE VIDA O ciclo de vida do Plasmódio inicia-se com a picada de uma pessoa por um mosquito fêmea do gênero Anopheles. Ele imediatamente antes de sugar o sangue dos capilares injecta pequena quantidade de saliva anticoagulante rica em Plasmódios na corrente sanguínea (só são necessários 10 para causar a infecção). CICLO ASSEXUADO  Os plasmódios estão na fase de esporozoíto, e chegam em menos de 30 min pela corrente sanguínea ao fígado, onde invadem os hepatócitos.  Os esporozóitos dentro dos hepatócitos então transformam-se em esquizontes, maiores e multinucleares.  Esses dividem-se por reprodução assexuada, gerando milhares (mais se forem P. falciparum, menos se outras espécies) de merozoítos, uma fase que dura seis dias (P. falciparum) ou algumas semanas (outras espécies).  São os merozóitos que invadem os eritrócitos (=hemácias=glóbulos vermelhos). No caso do P. falciparum todos os esquizontes se transformam em multidões de merozóitos, mas nas outras espécies alguns ficam dormentes no fígado, uma forma conhecida como hipnozoite, e a infecção pode reaparecer, mesmo se aparentemente curada, muitos anos depois (frequente em Portugal nos retornados de África, ainda hoje).
  • 3.  Os merozóitos dividem-se assexuadamente no interior dos eritrócitos, até os arrebentarem, liberando seus descendentes e substâncias tóxicas para o sangue que vão infectar mais eritrócitos. CICLO SEXUADO  Alguns merozóitos transformam-se em formas sexuais após meiose. As formas sexuais (macrogametas e microgametas) são aspiradas por novo mosquito Anopheles quando este pica a pele.  No estômago do mosquito o microgameta sofre exflagelação e funde-se com o macrogameta, gerando um zigoto.  Este diferencia-se em oocineto, uma forma móvel, que atravessa a parede do estômago e se aloja na membrana basal, quando diferencia-se em oocisto, onde desenvolvem-se e dividem- se em milhares de esporozoítos estourando o oocisto e migrado para as glândulas salivares do inseto, de onde invadem um novo hóspede humano.  Podem existir muitos oocistos no estômago do Anopheles, mas os danos causados à parede do estômago quando os oocistos eclodem não parecem ter efeito negativo na longevidade do mosquito. SINTOMAS E PROGRESSÃO DA DOENÇA A malária caracteriza-se inicialmente por sintomas inespecíficos, como dores de cabeça, fadiga, febre e náuseas. Estes sintomas podem durar vários dias. Mais tarde, caracterizam-se por acessos periódicos de calafrios e febre intensos que coincidem com a destruição maciça de hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) e com a descarga de substâncias
  • 4. imunogênicas tóxicas na corrente sanguínea ao fim de cada ciclo reprodutivo do parasita. Estas crises paroxísticas, mais freqüentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida da temperatura de 39 a 40°C. São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cerca de 15 minutos a uma hora. Depois cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas de febre a 41°C, terminando em vermelhidão da pele e suores abundantes. O doente sente-se perfeitamente bem depois, até a crise seguinte, dois a três dias depois. Se a infecção for de Plasmodium falciparum, denominada malária maligna, pode haver sintomas adicionais mais graves como: choque circulatório, síncopes (desmaios), convulsões, delírios e crises vaso-oclusivas. A morte pode ocorrer a cada crise de malária maligna. Pode também ocorrer a chamada malária cerebral: a oclusão de vasos sanguíneos no cérebro pelos eritrócitos infectados causa déficits mentais e coma, seguidos de morte (ou déficit mental irreversível). Danos renais e hepáticos graves ocorrem pelas mesmas razões. As formas causadas pelas outras espécies ("benignas") são geralmente apenas debilitantes, ocorrendo raramente a morte. Os intervalos entre as crises paroxísticas são diferentes de acordo com a espécie de plasmódio. Para as espécies de P. falciparum, P. ovale e P. vivax, o ciclo da invasão de hemácias por uma geração, multiplicação interna na célula, hemólise (rompimento da hemácia) e invasão pela nova geração de mais hemácias dura 48 horas. Normalmente há acessos de febre violenta e tremores no 1° dia e, passadas 48 horas, já no 3° dia, novo acesso, sendo classificada de malária ternária. A detecção precoce de malária quaternária, em que o novo acesso de febre ocorre no 4ª dia, é importante porque este tipo pode não ser devido a P. falciparum, sendo, portanto, menos perigoso. Se não diagnosticada e tratada, a malária maligna causada pelo P. falciparum pode evoluir rapidamente, resultando em morte. A malária "benigna" das outras espécies pode resultar em debilitação crônica, mas mais raramente em morte. PROFILAXIA Ainda não há uma vacina eficaz contra a malária, havendo apenas estudos de alcance reduzido sobre testes de uma vacina sintética desenvolvida por Manuel Elkin Patarroyo em 1987. O Centro de Investigação de Saúde de Manhiça (CISM), instalado na vila de mesmo nome, próximo à Maputo, capital moçambicana, está envolvido na pesquisa para criação da vacina antimalária, juntamente com outros 11 centros de estudos da África. O CISM é o que está mais próximo de submeter às agências internacionais de medicamentos seus resultados, cujas pesquisas avançam na terceira etapa - de quatro - iniciada em agosto de 2009. O CISM desenvolve pesquisas de combate às chamadas doenças negligenciadas que afetam especialmente os países pobres e em desenvolvimento. A melhor medida, até o momento, é a erradicação do mosquito Anopheles que transmite o parasita Plasmodium, que causa a doença. Ultimamente, o uso de inseticidas potentes mas tóxicos, proibidos no ocidente, tem aumentado porque os riscos da malária são muito superiores aos do inseticida. O uso de redes contra mosquitos é eficaz na proteção durante o sono, quando ocorre a grande maioria das infecções. Os cremes repelentes de insetos também são eficazes, mas mais caros que as redes. A roupa deve cobrir a pele nua o mais completamente possível de dia. O mosquito não tem tanta tendência para picar o rosto ou as mãos, onde os vasos sanguíneos são menos acessíveis, enquanto as pernas, os braços ou o pescoço possuem vasos sanguíneos mais acessíveis. A drenagem de pântanos e outras águas paradas é uma medida de saúde pública eficaz. DIAGNÓSTICO O elemento fundamental no diagnóstico clínico da malária, tanto nas áreas endêmicas como não- endêmicas, é sempre pensar na possibilidade da doença. Como a distribuição geográfica da malária não é homogênea, nem mesmo nos países onde a transmissão é elevada, torna-se importante, durante o exame clínico, resgatar informações sobre a área de residência ou relato de viagens de exposição ao parasita como nas áreas endêmicas (tropicais). Além disso, informações sobre transfusão de sangue, compartilhamento de agulhas em usuários de drogas injetáveis, transplante de órgãos podem sugerir a possibilidade de malária induzida.
  • 5. O diagnóstico de certeza da infecção malárica só é possível pela demonstração do parasito, ou de antígenos relacionados, no sangue periférico do paciente, através dos métodos diagnósticos especificados a seguir: Gota espessa - É o método adotado oficialmente no Brasil para o diagnóstico da malária. Mesmo após o avanço de técnicas diagnósticas, este exame continua sendo um método simples, eficaz, de baixo custo e fácil realização. Sua técnica baseia-se na visualização do parasito através de microscopia ótica, após coloração com corante vital (azul de metileno e Giemsa), permitindo a diferenciação específica dos parasitos a partir da análise da sua morfologia, e pelos estágios de desenvolvimento do parasito encontrados no sangue periférico. Esfregaço delgado - Possui baixa sensibilidade (estima-se que, a gota espessa é cerca de 30 vezes mais eficiente que o esfregaço delgado na detecção da infecção malárica). Porém, o esfregaço delgado é o único método que permite, com facilidade e segurança, a diferenciação específica dos parasitos, a partir da análise da sua morfologia e das alterações provocadas no eritrócito infectado. Testes rápidos para detecção de componentes antigênicos de plasmódio - Testes imunocromatográficos representam novos métodos de diagnóstico rápido de malária. Realizados em fitas de nitrocelulose contendo anticorpo monoclonal contra antígenos específicos do parasito. Apresentam sensibilidade superior a 95% quando comparado à gota espessa, e com parasitemia superior a 100 parasitos/µL. TRATAMENTO A malária maligna, causada pelo P. falciparum é uma emergência médica. As outras malárias são doenças crônicas. O tratamento farmacológico da malária baseia-se na suscetibilidade do parasita aos radicais livres e substâncias oxidantes, morrendo em concentrações destes agentes inferiores às mortais para as células humanas. Os fármacos usados aumentam essas concentrações. A quinina (ou o seu isômero quinidina), um medicamento antigamente extraído da casca da Cinchona, é ainda usada no seu tratamento. No entanto, a maioria dos parasitas já é resistente às suas ações. Foi suplantada por drogas sintéticas mais eficientes, como quinacrina, cloroquina, e primaquina. É frequente serem usados cocktails (misturas) de vários destes fármacos, pois há parasitas resistentes a qualquer um deles por si só. A resistência torna a cura difícil e cara. Ultimamente a artemisinina, extraída de uma planta chinesa, tem dado resultados encorajadores. Ela produz radicais livres em contacto com ferro, que existe especialmente na hemoglobina no interior das hemácias, onde se localiza o parasita. É extremamente eficaz em destruí-lo, causando efeitos adversos mínimos. No entanto, as quantidades produzidas hoje são insuficientes. No futuro, a cultura da planta artemisina na África poderá reduzir substancialmente os custos. É o único fármaco antimalárico para o qual ainda não existem casos descritos de resistência. Em 2010 foi anunciado um fármaco que apresentou resultados relevantes em animais. Trata-se do NITD609. Algumas vacinas estão em desenvolvimento. GLOSSÁRIO PROTOZOÁRIO O Reino Protista agrupa organismos eucariontes, unicelulares, autótrofos e heterótrofos. Neste reino se colocam as algas inferiores:
  • 6. euglenófitas, pirrófitas (dinoflagelados) e crisófitas (diatomáceas), que são Protistas autótrofos (fotossintetizantes). Os protozoários são Protistas heterótrofos. Eles habitam a água e o solo. Este reino é constituído por cerca de 65.000 espécies conhecidas, das quais 50% são fósseis e o restante ainda vive hoje; destes, aproximadamente 25.000 são de vida livre, 10.000 espécies são parasitos dos mais variados animais e apenas cerca de 30 espécies atingem o homem. ESPOROZOÍTO é uma célula alongada, causadora da malária, surgida do oocisto do intestino do Anopheles. Essas células parasitas vão para as glândulas salivares do mosquito-prego(Anopheles), onde estarão preparadas para entrar na via sanguínea do humano quando o mosquito picar. ESQUIZONTE Célula multinucleada em alguns esporozoários, formada pelo crescimento de um trofozoíta numa célula do hospedeiro e que se segmenta diretamente em merozoítos. TROFOZOÍTO É a forma ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e se reproduz, por diferentes processos. CISTO É a forma de resistência ou inativa. O protozoário secreta uma parede resistente (parede cística) que o protegerá quando estiver em meio impróprio ou em fase de latência. Freqüentemente há divisão nuclear interna durante a formação do cisto. GAMETA É a forma sexuada, que aparece em algumas espécies. O gameta masculino é o microgameta, e o feminino é o macrogameta. ESQUIZOGONIA é uma fissão múltipla; o núcleo se divide múltiplas vezes antes da célula se dividir. Após a formação de vários núcleos, uma pequena porção do citoplasma se concentra ao redor de cada núcleo e então, uma única célula se separa em células-filhas. HEPATÓCITOS são células encontradas no fígado capazes de sintetizar proteínas, usadas tanto para exportação como para sua própria manutenção, por isso torna-se uma das células mais versáteis do organismo. DISTRIBUIÇÃO DA MALÁRIA NO MUNDO