Fundamentos epistemol ógicos e metodológicos da  Pesquisa-aç ão. Disciplina:  M étodos e Técnicas de Pesquisa Professor: D ácio Guimarães de Moura Mestrado em Educaç ão Tecnológica Valeria Bolognini F. Machado
A Pesquisa-ação é um método qualitativo. Mestrado em Educaç ão Tecnológica Enquanto os métodos quantitativos sugerem a possibilidade de comparação, os métodos qualitativos enfatizam especificidades, em termos de origens e sentidos, dos fenômenos sociais.   Mas porque usar um método qualitativo ao invés de um método quantitativo? Situações onde podemos observar o uso de métodos qualitativos: situações nas quais as evidências qualitativas substitui as informações estatísticas relacionadas  à  épocas passadas;  situações nas quais a intenção do pesquisador é captar dados psicológicos reprimidos ou não;  situações de observação do funcionamento complexo de estruturas e organizações.
Pesquisa-ação, Pesquisa-participante ou Pesquisa-intervenção? Mestrado em Educaç ão Tecnológica Os termos Pesquisa-ação e Pesquisa-participante tem origem na psicologia social de Kurt Lewin. Seus trabalhos se orientavam para a solução de problemas sociais e a partir desses estudos, o conceito de  intervenção  na vida social com o objetivo de transformá-la ganha corpo metodológico.   No Brasil encontra-se uma polêmica entre as diversas tendências que envolvem o conceito de pesquisa e participação. Na literatura estrangeira a preocupação dos pesquisadores não está ligada ao uso deste ou daquele termo, mas sim, se de fato as pesquisas se apresentam de forma participativa ou não.  Como um dispositivo de intervenção,  a pesquisa participativa  deve afirmar-se  como um ato político , uma  proposta de atuação transformadora , propondo uma intervenção de ordem micropolítica na experiência social.
Pressupostos epistemológicos e metodológicos da Pesquisa-ação. Mestrado em Educaç ão Tecnológica A Pesquisa-ação é uma metodologia coletiva, que favorece as discussões e a produção cooperativa de conhecimentos específicos sobre a realidade vivida, a partir da perspectiva do esmorecimento das estruturas hierárquicas e das divisões em especialidades, que fragmentam o cotidiano. Se constituiu enquanto pratica desnaturalizadora e tem como foco principal de análise as redes de poder e o caráter desarticulador dos discursos e das práticas instituídas no convívio social. DEMANDA:   inserção do pesquisador no meio pesquisado participação efetiva da população pesquisada na pesquisa  transformação da realidade busca do sentido e das representações nova concepção de sujeito e de grupo  autonomia e práticas da liberdade  princípio ético - os resultados devem ser socializados.
A PESQUISA-AÇÃO DEMANDA ENGAJAMENTO PESSOAL DOS PESQUISADORES Ser ão  estes os responsáveis pela construção de pontes de interação entre pesquisadores e pesquisados, assumindo   distintos papéis: moderadores, facilitadores, analisadores, intérpretes e,  tamb é m, pesquisadores. Essa implicação do pesquisador ocorre em três níveis distintos: (Ren è  Barbier) o nível psicoafetivo;  o nível histórico-existencial e  o nível estrutural-profissional.
Tipos de Pesquisa-ação: 1. Pesquisa-ação de diagnóstico,  na qual pesquisadores em contato com a situação existente estabelecem o diagnóstico e recomendam medidas para sanar o problema; 2. Pesquisa-ação participante,  que envolve em todas as etapas do projeto de pesquisa, os membros da comunidade em questão;   3. Pesquisa-ação empírica,  na qual se busca o acúmulo de dados sobre experiências de trabalho diário em grupos sociais semelhantes, na tentativa de desenvolver princípios gerais; e 4. Pesquisa-ação experimental,  através de um estudo controlado de uso de técnicas diferentes em situações sociais praticamente idênticas.
A Pesquisa-ação na pesquisa social. Mestrado em Educaç ão Tecnológica A Pesquisa-ação se presta tanto as ações integradoras que levam à auto-regulamentação do objeto de estudo – seja ele um grupo, instituição, movimento social ou indivíduo – quando às mudanças radicais, como a contestação das estruturas. Nessa tradição se insere o método de conscientização de Paulo Freire. Enquanto na  França  a Pesquisa-ação se direcionou às instituições sociais (principalmente a partir da análise da  violência simbólica ) e para movimentos sociais de libertação; na  América Latina , dirigiu-se aos oprimidos ou dominados, a partir de princípios humanistas – religiosos ou marxistas – voltados para a ação político-partidária.
A Pesquisa-ação na pesquisa social. É também importante destacar que o estilo participativo de pesquisa também foi utilizado por governos autoritários, sendo que estes, ao incorporarem as populações, visavam somente ações paliativas e assistencialistas, para a manutenção e permanência do  status quo .  Mas, a principal motivação para a realização de uma pesquisa-ação deve ser o desvelamento dos mecanismos de exploração, da consciência libertadora e da luta pela transformação, ou seja,   UM REAL DESEJO DE MUDANÇA.
BIBLIOGRAFIA: BRANDÃO, Carlos R.  A pesquisa participante na docência: a busca do diálogo  na construção do saber.   Curitiba: CELEPAR, s/data. Disponível em  http://200.189.113.123/portals/portal/pde/texto_pesquisa.pdf CUNHA, Charles; BOLOGNINI, Valéria; CUNHA, Daisy.  Conexões de Saberes sobre Trabalho : a experiência do setor mineral em foco. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Sociologia, 2007. Disponível em  http://www. sbsociologia .com. br HAGUETTE, Teresa M.F..  Metodologias Qualitativas na Sociologia . 7º ed. Petrópolis: Vozes, 2000.  ROCHA , Eliza Emília R. B..  A Pesquisa Participante e seus Desdobramentos - Experiências em Organizações Populares . Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. Belo Horizonte, 2004. Disponível em  http://www.ufmg.br/congrext/Direitos/Direitos8.pdf ROCHA, Marisa L.; AGUIAR, Kátia F..  Pesquisa-intervenção e a produção de novas análises.  Revista de Psicologia Ciência e Profissão, n. 4, ano 23. 2003. THIOLLENT, Michel.  Metodologia da Pesquisa-ação . São Paulo: Cortez, 1985. _______  Notas para o debate sobre pesquisa-ação  In Brandão, C.R. (org.), Repensando a pesquisa participante. 3º ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.

A Pesquisa Acao

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    Fundamentos epistemol ógicose metodológicos da Pesquisa-aç ão. Disciplina: M étodos e Técnicas de Pesquisa Professor: D ácio Guimarães de Moura Mestrado em Educaç ão Tecnológica Valeria Bolognini F. Machado
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    A Pesquisa-ação éum método qualitativo. Mestrado em Educaç ão Tecnológica Enquanto os métodos quantitativos sugerem a possibilidade de comparação, os métodos qualitativos enfatizam especificidades, em termos de origens e sentidos, dos fenômenos sociais. Mas porque usar um método qualitativo ao invés de um método quantitativo? Situações onde podemos observar o uso de métodos qualitativos: situações nas quais as evidências qualitativas substitui as informações estatísticas relacionadas à épocas passadas; situações nas quais a intenção do pesquisador é captar dados psicológicos reprimidos ou não; situações de observação do funcionamento complexo de estruturas e organizações.
  • 3.
    Pesquisa-ação, Pesquisa-participante ouPesquisa-intervenção? Mestrado em Educaç ão Tecnológica Os termos Pesquisa-ação e Pesquisa-participante tem origem na psicologia social de Kurt Lewin. Seus trabalhos se orientavam para a solução de problemas sociais e a partir desses estudos, o conceito de intervenção na vida social com o objetivo de transformá-la ganha corpo metodológico. No Brasil encontra-se uma polêmica entre as diversas tendências que envolvem o conceito de pesquisa e participação. Na literatura estrangeira a preocupação dos pesquisadores não está ligada ao uso deste ou daquele termo, mas sim, se de fato as pesquisas se apresentam de forma participativa ou não. Como um dispositivo de intervenção, a pesquisa participativa deve afirmar-se como um ato político , uma proposta de atuação transformadora , propondo uma intervenção de ordem micropolítica na experiência social.
  • 4.
    Pressupostos epistemológicos emetodológicos da Pesquisa-ação. Mestrado em Educaç ão Tecnológica A Pesquisa-ação é uma metodologia coletiva, que favorece as discussões e a produção cooperativa de conhecimentos específicos sobre a realidade vivida, a partir da perspectiva do esmorecimento das estruturas hierárquicas e das divisões em especialidades, que fragmentam o cotidiano. Se constituiu enquanto pratica desnaturalizadora e tem como foco principal de análise as redes de poder e o caráter desarticulador dos discursos e das práticas instituídas no convívio social. DEMANDA: inserção do pesquisador no meio pesquisado participação efetiva da população pesquisada na pesquisa transformação da realidade busca do sentido e das representações nova concepção de sujeito e de grupo autonomia e práticas da liberdade princípio ético - os resultados devem ser socializados.
  • 5.
    A PESQUISA-AÇÃO DEMANDAENGAJAMENTO PESSOAL DOS PESQUISADORES Ser ão estes os responsáveis pela construção de pontes de interação entre pesquisadores e pesquisados, assumindo distintos papéis: moderadores, facilitadores, analisadores, intérpretes e, tamb é m, pesquisadores. Essa implicação do pesquisador ocorre em três níveis distintos: (Ren è Barbier) o nível psicoafetivo; o nível histórico-existencial e o nível estrutural-profissional.
  • 6.
    Tipos de Pesquisa-ação:1. Pesquisa-ação de diagnóstico, na qual pesquisadores em contato com a situação existente estabelecem o diagnóstico e recomendam medidas para sanar o problema; 2. Pesquisa-ação participante, que envolve em todas as etapas do projeto de pesquisa, os membros da comunidade em questão; 3. Pesquisa-ação empírica, na qual se busca o acúmulo de dados sobre experiências de trabalho diário em grupos sociais semelhantes, na tentativa de desenvolver princípios gerais; e 4. Pesquisa-ação experimental, através de um estudo controlado de uso de técnicas diferentes em situações sociais praticamente idênticas.
  • 7.
    A Pesquisa-ação napesquisa social. Mestrado em Educaç ão Tecnológica A Pesquisa-ação se presta tanto as ações integradoras que levam à auto-regulamentação do objeto de estudo – seja ele um grupo, instituição, movimento social ou indivíduo – quando às mudanças radicais, como a contestação das estruturas. Nessa tradição se insere o método de conscientização de Paulo Freire. Enquanto na França a Pesquisa-ação se direcionou às instituições sociais (principalmente a partir da análise da violência simbólica ) e para movimentos sociais de libertação; na América Latina , dirigiu-se aos oprimidos ou dominados, a partir de princípios humanistas – religiosos ou marxistas – voltados para a ação político-partidária.
  • 8.
    A Pesquisa-ação napesquisa social. É também importante destacar que o estilo participativo de pesquisa também foi utilizado por governos autoritários, sendo que estes, ao incorporarem as populações, visavam somente ações paliativas e assistencialistas, para a manutenção e permanência do status quo . Mas, a principal motivação para a realização de uma pesquisa-ação deve ser o desvelamento dos mecanismos de exploração, da consciência libertadora e da luta pela transformação, ou seja, UM REAL DESEJO DE MUDANÇA.
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    BIBLIOGRAFIA: BRANDÃO, CarlosR. A pesquisa participante na docência: a busca do diálogo na construção do saber. Curitiba: CELEPAR, s/data. Disponível em http://200.189.113.123/portals/portal/pde/texto_pesquisa.pdf CUNHA, Charles; BOLOGNINI, Valéria; CUNHA, Daisy. Conexões de Saberes sobre Trabalho : a experiência do setor mineral em foco. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Sociologia, 2007. Disponível em http://www. sbsociologia .com. br HAGUETTE, Teresa M.F.. Metodologias Qualitativas na Sociologia . 7º ed. Petrópolis: Vozes, 2000. ROCHA , Eliza Emília R. B.. A Pesquisa Participante e seus Desdobramentos - Experiências em Organizações Populares . Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. Belo Horizonte, 2004. Disponível em http://www.ufmg.br/congrext/Direitos/Direitos8.pdf ROCHA, Marisa L.; AGUIAR, Kátia F.. Pesquisa-intervenção e a produção de novas análises. Revista de Psicologia Ciência e Profissão, n. 4, ano 23. 2003. THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-ação . São Paulo: Cortez, 1985. _______ Notas para o debate sobre pesquisa-ação In Brandão, C.R. (org.), Repensando a pesquisa participante. 3º ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.