Monografia Rosângela Pedagogia 2008

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Pedagogia 2008

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Monografia Rosângela Pedagogia 2008

  1. 1. 1 Universidade do Estado da Bahia-UNEB Departamento de Educação Campus VII – Senhor do Bonfim Rosângela Pimentel Farias FORMAÇÃO CONTINUADA DAS PROFESSORAS DEEDUCAÇÃO INFANTIL: COMPREENSÕES E VIVÊNCIAS Senhor do Bonfim Junho 2008
  2. 2. 2 Rosângela Pimentel Farias FORMAÇÃO CONTINUADA DAS PROFESSORAS DEEDUCAÇÃO INFANTIL: COMPREENSÕES E VIVÊNCIAS Trabalho monográfico apresentado como pré- requisito para conclusão do curso de Licenciatura em Pedagogia, Habilitação nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, pelo Departamento de Educação do Campus VII. Senhor do Bonfim. Orientadora: Professora Suzzana Alice Lima Almeida Senhor do Bonfim Junho de 2008
  3. 3. 3 Rosângela Pimentel Farias FORMAÇÃO CONTINUADA DAS PROFESSORAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL: COMPREENSÕES E VIVÊNCIAS APROVADA____DE__________DE 2008 Orientadora: Suzzana Alice Lima Almeida_______________________ ______________________BANCA EXAMINADORA BANCA EXAMINADORA __________________________________ PROFª. SUZZANA ALICE LIMA ALMEIDA ORIENTADORA
  4. 4. 4A Deus, por tudo que tem feito na minha vida,por suas promessas, por tudo que és. E aosmeus familiares pelo grande apoio.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTO A Deus, criador e sustentador das nossas vidas. Reconhecemos que muitasvezes a vitória parece um ideal irrealizável, um sonho distante, entretanto, Deus nosmostra o contrário. A mãe, pai, irmão e irmãs pelo estímulo para continuar a luta sem fraquejar,pela firmeza nas orações e o encorajamento a prosseguir na caminhada. Muitoobrigado pela acolhida nesses anos todos da minha vida. Aos meus filhos, grandes companheiros; Raul, Gustavo e Mariana. Presentede Deus, parte de mim, razão da minha luta e vontade de vencer. A Marcon, por dividir comigo as angústias, sucessos e fracassos, nãopermitindo que eu fraquejasse diante das dificuldades e com todo seu apoio,contribuiu para que eu chegasse até aqui. A seu Ribeiro e Dalila, sempre presentes, preocupados, cuidadosos,carinhosos e atenciosos, que se esforçaram em todos os sentidos para que eupudesse passar estes momentos com tranqüilidade. As minhas colegas de trabalho em especial a Gianni e a Lucy porcompartilhar: angústias, vitórias, choros e inquietações pessoais e profissionais. As professoras de Educação Infantil do município de Campo Formoso, porpartilharem da experiência de formação em serviço. As minhas colegas, Alone, Josefa, Mácia, Marilene e Lucivânia, Todas juntassomos fortes e venceremos a caminhada. A Eginaldo pelo apoio cotidiano, na digitação deste trabalho. A Professora orientadora Suzzana Alice Lima Almeida,pelas intervenções,pelo debate que contribuíram nas minhas primeiras aproximações com a pesquisa.
  6. 6. 6Se fosse ensinar a uma criança a beleza damúsica não começaria com partituras, notas epautas. Ouviríamos juntos as melodias maisgostosas e lhe contaria sobre os instrumentosque fazem a música. Aí, encantada com abeleza da música, ela mesma me pediria quelhe ensinasse o mistério daquelas bolinhaspretas escritas sobre cinco linhas.Porque as bolinhas pretas e as cinco linhassão apenas ferramentas para a produção dabeleza musical. A experiência da beleza temde vir antes. (Rubem Alves)
  7. 7. 7 LISTA DE FIGURASFigura 4.1.1 – Percentual em relação ao sexo.Figura 4.1.2 – Percentual em relação à faixa etáriaFigura 4.1.3 – Percentual em relação ao nível de escolaridade.Figura 4.1.4 – Percentual em relação à instituição onde concluíram o ensino médioFigura 4.1.5 – Percentual em relação ao tempo de atuação no magistérioFigura 4.1.6 – Percentual em relação à renda familiar.Figura 4.1.7 – Percentual em relação ao vínculo empregatício.Figura 4.1.8 – Percentual em relação à área de atuação.Figura 4.1.9 – Percentual em relação onde costuma buscar informação.Figura 4.1.10 – Percentual em relação à participação em cursos de capacitação.Figura 4.1.11 – Percentual em relação ao custeamento dos cursos de formaçãocontinuada.
  8. 8. 8 RESUMOEsta pesquisa visou identificar e analisar as compreensões que os professores deEducação Infantil, da rede municipal de ensino de Campo Formoso têm sobre aformação continuada. Este estudo teve como suporte teórico: Tardif (2002);Coutinho (2002); Kramer (2006); Campos (2005); Kullok (2000); Machado (2005);Almeida (2003); Wanderley (2003); Alarcão (2005), dentre muitos outros, com ointuito de fundamentar epistemologicamente a pesquisa, contribuindo dessa forma,para uma reflexão crítica realizada neste estudo, discutindo sobre a formaçãocontinuada dos professores de educação infantil. Os procedimentos metodológicosseguiram um enfoque qualitativo, com os seguintes instrumentos de trabalho: umquestionário fechado para traçar o perfil do sujeito, como também um questionáriosemi-estruturado para identificar as compreensões dos sujeitos da investigação. Apartir da análise dos questionários, foi possível identificar que os professores deeducação infantil, possuem diferentes compreensões sobre a formação continuada,entendida em alguns momentos como forma de aperfeiçoamento e crescimento,como continuação de estudos, qualificação profissional e ainda como aquela queocorre concomitante à prática docente. Como considerações finais destacam-se aimportância de se pensar a formação continuada do professor de educação infantil,com base em suas compreensões a respeito da infância, e de sua própria funçãocomo educadora, contribuindo para sua formação profissional.Palavras-chave: compreensão, educação infantil, formação continuada.
  9. 9. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................. 111. PROBLEMATIZAÇÃO - FORMAÇÃO CONTINUADA: RELAÇÕESTEÓRICO-PRÁTICAS DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃOINFANTIL............................................................................................................... 132. QUADRO TEÓRICO................................................................................ 192.1. Compreensão........................................................................................ 192.2. Educação Infantil................................................................................... 212.2.1. Políticas Públicas para Educação Infantil........................................... 242.3. Formação Continuada de Professores da Educação Infantil................ 282.3.1. Docentes de Educação Infantil e Políticas de Formação................... 302.3.2. Formação Docente para Educação Infantil........................................ 343. METODOLOGIA...................................................................................... 363.1.Tipo de pesquisa................................................................................... 363.2. Instrumento de coleta de dados............................................................ 363.3. Local..................................................................................................... 373.4. Sujeito da pesquisa.............................................................................. 373.5. Etapas................................................................................................... 374. APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOSRESULTADOS............................................................................................. 394.1. Resultados do questionário fechado: O perfil do sujeito............... 394.1.1. Sexo................................................................................................... 394.1.2. Faixa etária........................................................................................ 404.1.3. Nível de escolaridade......................................................................... 404.1.4. Instituição onde concluiu o ensino médio.......................................... 414.1.5. Tempo de atuação no magistério....................................................... 424.1.6. Renda familiar.................................................................................... 434.1.7. Vínculo empregatício......................................................................... 434.1.8. Área de atuação................................................................................. 444.1.9. Onde costuma buscar informações................................................... 444.1.10. Participação das professoras em cursos de capacitação................ 454.1.11. Custeamento dos cursos de formação continuada.......................... 464.2. Resultados do questionário semi-estruturado................................. 474.2.1. Formação Continuada como busca de crescimento eaperfeiçoamento.......................................................................................... 474.2.2. Formação Continuada como seguimento dos estudos...................... 504.2.3. Formação Continuada para melhorar a prática na sala de aula........ 514.2.4. Formação Continuada concomitante à prática docente..................... 53CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 56REFERÊNCIAS........................................................................................... 58ANEXOS....................................................................................................... 61
  10. 10. 10 INTRODUÇÃO Identificar as compreensões que os professores de Educação Infantil, domunicípio de Campo Formoso-BA, têm sobre formação continuada é o fio condutordo presente trabalho. Essa identificação é de grande relevância numa sociedade marcada poravanços tecnológicos, que atribuem á escola, e principalmente aos professores aresponsabilidade maior de formar cidadãos críticos, reflexivos e participativos na suacidadania.
  11. 11. 11 A opção pela temática, Formação Continuada, está intimamente ligada àreal trajetória profissional como professora de Educação Infantil, atraída pela falta deestímulos e as mesmices encontradas nas práticas pedagógicas dos docentes quenão conseguem perceber que é através das vivências em sala de aula, que teoria ea prática se cruzam. Desta forma, com o objetivo de identificar as compreensões, apresentadasinicialmente nessa pesquisa sobre a importância da formação continuada para osprofissionais que trabalham com a infância, inicia-se o presente trabalho: No capítulo I, abordamos questões sobre a educação brasileira, visto que amesma está em contínuo processo de mudanças, gerando constantes indagações,incertezas e contradições. No capítulo II, apresentamos os conceitos-chave, discutindo com o amparode alguns teóricos a trajetória histórica da Educação Infantil e a formação dosprofissionais que trabalham nesta modalidade de ensino. No capítulo III, apresenta-se a metodologia, amparados em autores paraconcretização da pesquisa, buscou-se a utilização de metodologia adequada àapropriação dos objetivos pré-definidos. No capítulo IV, apresentamos a análise e interpretações dos resultados,utilizamos os questionários fechados no intuito de traçar o perfil das educadoras e osemi-estruturado para identificar as compreensões que as mesmas têm sobre aformação continuada. Nas considerações finais centramos nossas preocupações na formaçãocontinuada dos profissionais da educação infantil. Esperamos que essa pesquisapossa fornecer à todos que a ela tiverem acesso, informações preciosas quevenham a ajudar na prática docente, aliando teoria e prática e sirva também comosubsídios para futuras pesquisas na área que venham contribuir de forma eficazpara a melhoria da Educação Infantil, como um todo.
  12. 12. 12 CAPÍTULO I FORMAÇÃO CONTINUADA: RELAÇÕES TEÓRICO-PRÁTICAS DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL. A educação brasileira vem passando por várias transformações ao longo dotempo e sofre as influências do contexto econômico, político e cultural do país. Osinúmeros problemas educacionais e o verdadeiro papel da educação formal sãomotivos de ampla discussão na sociedade contemporânea. Há muito que mudar naeducação brasileira, a questão do ensino que está ligada a da fome, subnutrição, dasaúde do aluno; é uma questão política, os consertos feitos na verdade são apenasações para maquiar a realidade ficando tudo como sempre foi.
  13. 13. 13 É necessário um esforço coletivo para vencer as barreiras e os entravesque inviabilizam a construção de uma escola pública capaz de educar de fato para oexercício pleno da cidadania que seja realmente um instrumento de transformaçãosocial. O termo educação é muito abrangente, pois envolve todo o processo deconvivência do ser humano no seu contexto. A educação sempre existiuindependente da escola formal ou método de educação. Como afirma Brandão(1989): Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante. (p.9). Dessa forma, entende-se que, no ato de pensar somos levados a refletir, aquestionar a nos inquietar, acreditar em mudanças em mudanças transformadoras.Ir além dos muros da escola e trazer para dentro dela as experiências vividas nocotidiano. Precisamos acompanhar a evolução dos tempos e estabelecer novosolhares para o processo educacional. Como afirma Rocha (2004): A pesquisa em Educação Infantil tem revelado a exigência de uma abertura para campos teóricos que permitam captar diferentes aspectos envolvidos nas relações educativas nos âmbitos social, cultural, expressivo, estético, cognitivo, afetivo, psicológico, familiar, etc. (p.245). As várias pesquisas voltadas para a Educação Infantil ajudam a delinear aeducação das crianças de 0 a 6 anos e a intervenção dos adultos nos diversoscontextos educativos. Ao longo da história, a educação das crianças pequenas era apenasresponsabilidades da família, mas o tempo destinado a esses infantis era pouco esem nenhum significado que viessem a favorecer a construção das estruturascognitivas, sociais e afetivas das pessoas. Da necessidade de dar atenção aos filhos
  14. 14. 14pequenos, enquanto os pais trabalhavam fora de casa nasceu a educação infantilque segundo Abramovay e Kramer (1991) “surgem a partir do século XVIII, comcaráter meramente assistencialista, servindo apenas como guardiãs de criançasórfãs e filhos de trabalhadores”. Essas instituições tiveram como único objetivocuidar da higiene, alimentação e segurança da criança, negando-se assim oeducativo. A preocupação de propiciar à criança apenas uma função assistencialistana educação infantil trouxe a criança para o centro das discussões, e nos últimostempos esta modalidade de ensino vem granjeando reconhecimento público cadavez maior. A educação infantil que inicialmente tinha caráter exclusivamenteassistencialista, com o passar dos anos recebe a função de preparar o ingresso dacriança na vida escolar. A constituição de 1988 aponta algum avanço com relação à educaçãoinfantil e torna-se um ponto decisivo na firmação do direito da criança, incluindo pelaprimeira vez na história o direito de educação em creche e pré-escolas (art. 208, §IV), que prescreve: “[...] o dever do Estado com a educação será efetivado mediantea garantia de: [...] atendimento em creche e pré-escolas às crianças de 0 a 06 anosde idade.” Assim a educação infantil passa a ser um dever do Estado. Mas é a LDB,que vem reafirmar estas mudanças. A LDB – Lei de Diretrizes e Base, nº. 9394/96, estabelece o vínculo entre aeducação e a sociedade; ao longo do texto, faz referências específicas à educaçãoinfantil, de forma sucinta. Reafirma que a educação para criança com menos de 6anos é primeira etapa de educação básica, destaca a idéia de desenvolvimento odever do Estado com o atendimento gratuito em creches e escolas. Outro aspectoimportante dessa reforma foi exigência de formação prévia para professores eeducadores de crianças pequenas, preferencialmente em nível superior, masadmitindo-se ainda o curso de magistério em nível médio. Hoje a educação infantil esta nas prioridades sociais e educacionais pelopapel que cumpre na formação de base, na construção das estruturas cognitivas,
  15. 15. 15sociais e afetivas das pessoas, as quais acompanharam constituintes nas diversascircunstâncias da vida, na formação dos cidadãos. A criança passa a ser vista comoum sujeito e como tal merece respeito pelas idéias e concepções que cria acerca domundo em que vive. Na intenção de contribuir para a área na identificação das especificidadesda educação das crianças, Rocha (1999) propôs a contribuição da pedagogia dainfância, que tenha como: Objeto de preocupação a própria criança: seus processos de constituição como seres humanos em diferentes contextos sociais, sua cultura, suas capacidades intelectuais, criativas, estéticas, expressivas e emocionais. (p. 62) Segundo Kramer (1989), em todo processo histórico das sociedades, tem setentado elaborar concepções sobre a educação infantil, e cada vez mais cedocrianças ingressam nas instituições escolares e os pais, procuram escolas, quepossam dar aos seus filhos uma educação de qualidade. Infelizmente, ainda faltamuito para que as instituições públicas venham atender a todos de forma justa eigualitária. É um período de ajustes e adaptações, que ainda enfrenta grandesdificuldades para obter as desejadas melhorias e qualidade do ensino. A escola tempapel importante a desempenhar na concretização desse direito, contribuindo naconstrução que os educandos fazem sobre o mundo enquanto sujeitos que são. Ao se pensar nas ações cotidianas da escola de educação infantil énecessário observar o papel desempenhado pelo professor e resignificá-lo; suaformação, como são suas condições de trabalho, quais os princípios que norteiam asua prática pedagógica, pois em decorrência dos programas alternativos deatendimento à infância, difundiu-se no Brasil a idéia de que para lidar com criançapequena “qualquer pessoa serve”. No entanto, se considerar o direito da criança àeducação e a assistência que atendam a todas as suas necessidades dedesenvolvimento – físico, psíquico, social, moral, político, e considerarmos cada vezmaior a presença na escola de crianças de todas as origens sociais e culturais, bem
  16. 16. 16como a democratização do acesso, às mais variadas tecnologias de informação ecomunicação – será possível avaliar a importância da formação profissional. Pascal & Bertran (apud Rosemberg, 2003) afirmam que se quisermosmelhorar a qualidade da educação de crianças pequenas devemos nos preocuparcom a qualidade de seus professores. Esse é mais um dos grandes desafios daeducação infantil, a formação dos recursos humanos tem sido deficitária tanto porfalta de instituições preocupadas com a oferta de cursos específicos, quanto pelageneralizada desvalorização dos profissionais que atuam na área. Dessa forma a necessidade desse novo profissional coloca a formaçãocontinuada de professores da educação infantil no centro de acontecimentos domundo da educação apontando para necessidade de fazerem reformas na área. Osmotivos dessas reformas estão ligados, aos dos resultados negativos dodesempenho escolar, e à crescente necessidade de aproximação entre a teoria e aprática. Entretanto, não se trata de imputar a responsabilidade deste fracassounicamente aos docentes, pois os fracassos da escola são também decorrentes deuma série de fatores ligados a política educacional. A boa formação diz respeito aoportunidade de propiciar aos educadores, uma emancipação intelectual e política. Segundo afirma Arce (2001): Uma bagagem filosófica, histórica, social e política, além de uma sólida formação didático-metodológica, visando formar um profissional capaz de teorizar sobre as relações entre educação e sociedade e, ai sim, como parte dessa análise teórica refletir sobre sua prática, propor mudanças significativas na educação e contribuir para que os alunos tenham acesso à cultura resultante do processo de acumulação social-histórica pelo qual a humanidade tem passado. (p.9). As atuais propostas de formação continuada vêm sendo reformuladas paragarantir um profissional que atenda melhor as necessidades sociais e desenvolvauma atitude crítica e participativa na sociedade. Dentro dessas novas propostas aatuação teoria/prática ganha força na necessidade de se desenvolver umprofissional capaz de intervir em diversas situações com objetividade e coerência.
  17. 17. 17Os estudos feitos só terão valor prático se aplicados e orientados em situaçõesdiversas. Nessa perspectiva Ludke e Boing (2004), salientam que: O grande número de pessoas que exerce a função de professor com diferentes qualificações (e até mesmo sem nenhuma especificamente); o crescente número de mulheres na área, o que alguns autores consideram um traço das ocupações mais fracas, ou no máximo semi profissões; a falta de um código de ética próprio; a falta de organizações profissionais fortes, inclusive sindicatos e ainda a constatação de que a identidade “categorial” dos professores, nunca chegou a ser uma categoria comparável a de outros grupos ocupacionais (p. 5). O fato de que os profissionais de educação infantil originaram-se não deforma profissional, mais apenas como cuidadores, deixa essa lacuna nessacategoria profissional. O âmbito de tais discussões e a preocupação com a educação infantil comoum dos eixos básicos da educação em geral tem trazido inquietações emobilizações, nos motivando a pesquisar a prática pedagógica dos professoresdessa modalidade de ensino, à medida em que estudamos e refletimos sobre ainfância, a aprendizagem das crianças de 0 a 06 anos e a formação de professoresque trabalham com estes infantis, já que a perspectiva da relação pedagogia-educação infantil hoje traz a exigência de formação continuada dos professores paraeducação infantil, fortalecendo os processos de mudanças na perspectiva de umprofissional pedagogo, especialista nas questões da educação um pesquisador daprática educativa, como resposta aos desafios que a criança solicita em seudesenvolvimento. Ao pedi subsídio a Lins, (2004) ela afirma que: É importante incentivar a pesquisa da realidade do lugar onde vivemos fazendo do elo e conexões para compreender o mundo a partir da nossa casa, da nossa história, da história do bairro, cidade, país. Realizar projeto comunitário que se estendam para o planejamento de atividades que possam ser desenvolvidas na e com a escola, uma proposta de incentivo a pesquisa, exercitando o processo de conhecer, intervir e transformar (p.96).
  18. 18. 18 Baseado nessa realidade e buscando o enriquecimento de nossasexperiências profissionais pretendemos através desta pesquisa refletir algunsaspectos que norteiam a educação infantil do município de Campo Formoso,trazendo a seguinte questão: Quais as compreensões que os Professores deEducação Infantil têm sobre a Formação Continuada?. A presente pesquisa têm como objetivos: Identificar e analisar ascompreensões que os professores de Educação infantil da rede municipal de ensinode Campo Formoso têm sobre a formação continuada. Acreditamos que os resultados do presente trabalho poderão contribuir paracomunidade do município de Campo Formoso, pois a partir dos objetivos destetrabalho conduziremos para essa comunidade uma discussão que possibilite aosprofessores que atuam em Educação infantil refletirem sobre a sua práticapedagógica e construam um novo significado onde a sua formação seja percebidacomo um fator preponderante na busca da melhoria de sua qualidade profissional epor conseguinte uma melhoria da educação infantil pública no município. CAPÍTULO II QUADRO – TEÓRICO Diante do nosso problema que objetiva identificar as compreensões que osProfessores de Educação Infantil têm sobre a Formação continuada, surgiram osseguintes conceitos-chave; compreensão, educação infantil, formação continuada. Nesse sentido refletiremos inicialmente a palavra chave compreensão.2.1. Compreensão
  19. 19. 19 As últimas grandes transformações de natureza econômica, social e culturalque ocorreram na sociedade através das tecnologias da comunicação e outrosfatores, obrigam o professor a rever o seu papel, face às exigências dos novostempos, a compreender a complexidade da situação hoje presente nos espaçosescolares para melhor enfrentar os desafios. Segundo Nóvoa (1992), O professornão pode ser apenas um detentor do conhecimento, para transmitir a alguém, eleprecisa “compreender o conhecimento”. Essa compreensão é de fundamentalimportância nas competências práticas dos professores. Ainda segundo Alarcão (2005): Para que os cidadãos possam assumir este papel de actores críticos, situado, têm de desenvolver a grande competência da compreensão que assenta na capacidade de escutar,de observar e de pensar, mas também na capacidade de utilizar as várias linguagens que permitem ao ser humano estabelecer com os outros e com o mundo mecanismos de interação e de intercompreensão. (p.23). Sobre compreensão, Aurélio (2001): diz ser “ato ou efeito de compreender;faculdade de perceber; percepção; conjunto de características de um objeto que seunificam em um conceito ou significação; conotação” (p.169). Segundo Ximenes(2000) Compreensão é a forma particular de compreender um assunto. A tarefa de educar, exige do professor criatividade e, o mais importante,compreender a criança no seu modo de ser e ver o mundo. Nada mais é porque éou se faz porque tem que fazer. Dadas as novas exigências do ensino, o aluno deixade apenas receber os conteúdos e passa a experiência-los, buscando suasaplicações na prática e o professor passa a ser o mediador do conhecimento. Para Alarcão (2001): Para intervir, é preciso compreender a educação, como muitos outros sectores da vida em sociedade, está em crise. Importa analisar os contornos da crise, perceber os factores que estão na sua gênese, congregar esforços e intervir sistematicamente e coerentemente (p.15).
  20. 20. 20 O tempo é outro, logo o professor precisa refletir acerca de seu papel estaaberto a mudanças. Faz-se necessário que o professor tenha sensibilidade para compreenderaqueles com quem atua. Nesse sentido Tardif (2002), afirma que: “o saber que oeducador deve transmitir deixa de ser o centro de gravidade do ato pedagógico; é oeducando, a criança, essencialmente, que se torna o modelo e o principio daaprendizagem” (p. 45). Assim, o professor precisa ter uma compreensão mesmoque elementar do desenvolvimento da criança e da psicologia da aprendizagem; quepossibilitem conduzir à aprendizagem dos pequenos a realidade educativa docontexto social de cada um, compreendendo o seu modo de ser e ver o mundo,respeitando as diferenças uns dos outros. Para Burker (2003): O professor que precisamos é o professor que conhece bem sua matéria, que tem uma boa compreensão das inúmeras interdependências, e que, principalmente, conhece profundamente como as pessoas constroem seus conhecimentos, desenvolvem sua capacidade social e sua moralidade, e como, na prática, estimular e orientar esses processos.(p.96). Diante das crises e das mudanças que vêm acontecendo hoje no âmbitoeducacional os profissionais dessa área encontram-se confusos com a real situação,na qual se encontra a instituição escolar. Sobre isso Gandin (1991) diz que: Penso que há uma tarefa dos educadores além da sala de aula e além da própria escola, no sentido de compreender e de trabalhar para que as “autoridades educacionais” também compreendam a ilusão e os malefícios do que se chama “sistema de ensino” com suas estratificações e simulacros. (p.48). Compreender as crianças enquanto outros, enquanto diferente dosadultos, seguindo Coutinho (2002), seria o primeiro movimento para pensarmos asua educação de forma diferenciada, com espaços de educação e cuidado paratornar-se criança, espaços e tempos que oportunizem a elas protagonizar essaexperiência na sua heterogencidade. Entretanto, a diferença não pode ser entendidacomo o exótico e o não permeável, pois se assim o fosse estaríamos nos afastando
  21. 21. 21ainda mais da compreensão da infância vivida em creches e pré-escolas e dapossibilidade de garantir ás crianças vivências intensas nesses espaços. Tal compreensão contribui para que pensemos a formação continuadacomo um espaço que introduz elementos para construção de uma posturaprofissional de valorização de práticas como a observação a discussão e a reflexãosobre os diversos modos de expressão das crianças, instrumentos fundamentais daprática pedagógica em educação infantil. Discutiremos agora o segundo conceito-chave a educação infantil no Brasil.2.2. Educação Infantil Os debates sobre a qualidade da educação para crianças de zero a seisanos de idade oferecida nas instituições de educação infantil tem adquirido maiordestaque a partir da década de 90, acompanhando as mudanças sociais, políticas eeconômicas ocorridas no país. Segundo afirma Guimarães (In: Machado, 2005): Cresce a consciência no mundo inteiro, sobre a importância da educação das crianças de 0 a 6 anos, em estabelecimentos específicos como orientações e práticas pedagógicas apropriadas, como decorrência das transformações socioeconômicas verificadas nas últimas décadas, e também apoiada em fortes argumentos consistentes advindos das ciências que investigam o processo de desenvolvimento da criança. (p.44). Como podemos constatar a educação infantil tem uma trajetória muitorecente, sendo aplicada realmente no Brasil a partir dos anos 30, quando surge anecessidade de formar mão-de-obra qualificada para a industrialização do país. Não faz parte deste trabalho resgatar a história da educação infantil noBrasil; no entanto, alguns recortes desta história esclarecem e justificam paradigmase práticas pedagógicas existentes na atualidade que nos ajudam compreender nãoapenas de como se desenvolveu, mas sobretudo de como se desenvolve a históriado atendimento educacional da infância no Brasil.
  22. 22. 22 Considera-se como educação infantil o período de vida escolar em que seatende pedagogicamente, crianças com idade entre 0 e 6 anos (Brasil). A Lei deDiretrizes e Base da Educação Nacional chama o atendimento de crianças de 0 a 3anos de creche; de 4 a 6 anos se chama pré-escola. O atendimento a estas crianças ao longo da história tem demonstrado umacerta inferioridade da educação nessa faixa etária, já que, segundo afirmaAbramovay e Kramer (1991), as primeiras instituições de atendimento á infância,surgem a partir do século XVII com caráter meramente assistencialista. Em 1970 existiu uma crescente evasão escolar e repetência das criançasdas classes pobres no primeiro grau. Por esse motivo foi instituída a educação pré-escolar para crianças de 4 a 6 anos, objetivando suprir as carências culturais,deficiências lingüísticas oriundas na educação familiar da classe baixa. SegundoKramer (2006), este tipo de educação só contribui para colocar as crianças de zero aseis anos em situação de desigualdade e descriminação. Se as crianças são vistascomo carentes, deficientes, imaturas as políticas educacionais a atestam comoinválidas e incapazes de construir-se enquanto pessoa. Essas pré-escolas não possuíam um caráter formal; não havia contrataçãode professores qualificados e remuneração digna para a construção de umtrabalhador pedagógico sério. O ensino era muitas vezes feito por voluntários.Kishimoto (2002), identifica que: Princípios como a maternagem, que acompanharam a história da Educação Infantil, desde seus primórdios, segundo o qual bastava ser mulher para assumir a educação da criança pequena e a socialização, apenas no âmbito doméstico, impediram, a profissionalização da área. (p. 7). Assim sendo, ao longo da sua existência a pré-escola têm apresentadoalgumas tendências: a que pretende compensar as carências existentes nascrianças e acabam prejudicando a qualidade do trabalho educativo por ser vistoapenas como assistência aos pobres e carentes; e a educação que pretendepreparar para o ensino fundamental, em que o conhecimento é trabalhado de forma
  23. 23. 23mecânica e fragmentado. Portanto, uma mudança séria na educação se fazianecessário, pois independente da instituição que a criança está inserida, recebercontribuições na formação de sua personalidade. A Constituição Brasileira (1988) torna-se um ponto decisivo na afirmaçãodos direitos da criança incluindo pela primeira vez na história, o direito a educaçãoem creches e pré-escolas (art. 208, § IV). Conferindo assim, a educação infantil umacaracterística um pouco mais voltada para os interesses infantis, contrário a funçãoanterior, a de ser um espaço onde as crianças são apenas guardadas. Embora, Kuhlmann, (1991) afirme que até 1889 há muito pouco a seregistrar em termos de atendimento á criança pré-escolar. A partir da chamadaprimeira república, aparecem alguns programas mais vinculados aos aspectosmédicos, higienistas, jurídico-policial e religioso-assistencial do que propriamenteeducativos. Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente ECA, insere as criançasno mundo dos direitos humanos reconhecendo-as como pessoas em condiçõespeculiares de desenvolvimento como cidadão, com direitos ao afeto, a brincar, aquerer e não querer, a conhecer, a opinar e a sonhar. E neste contexto que oMinistério de Educação e Desporto (MEC) em 1994, assume o papel de propor aformulação de uma política Nacional de Educação Infantil. Fortalecendo estas mudanças a LDB, Lei de Diretrizes e Base, nº.9394/96,estabelece o vinculo entre a educação e a sociedade e, ao logo do texto fazreferências, específicas a educação infantil, de forma sucinta e genérica. Reafirmaque a educação para crianças com menos de seis anos é a primeira etapa daeducação básica, destaca a idéia de desenvolvimento integral e o dever do Estadocom o atendimento gratuito em creches e pré-escolas. Entretanto, apesar do discurso oficial afirmar o contrário, a criança tem sidoviolada no seu direito de acesso a educação de qualidade, com profissionais que
  24. 24. 24tenham uma formação que oportunizam um espaço de desenvolvimento,respeitando sua especificidade de ser humano em crescimento.2.2.1. Políticas Públicas para a Educação Infantil Observando a realidade pela qual vem passando a educação infantil,concordamos, com Campos (In: Machado, 2005) quando diz que: O divórcio entre a legislação e a realidade no Brasil, não é de hoje. Nossa tradição cultural e política sempre foram marcadas por esta distância e até mesmo, pela oposição entre aquilo que gostamos de colocar no papel e o que de fato fazemos na realidade. (p. 27) Ao longo da última década, a produção de pesquisa e estudo sobre aeducação infantil cresceu significativamente, inclusive sobre o financiamento daeducação que relevam os enormes obstáculos que se colocam para a ampliação emelhoria da qualidade da educação infantil. Como mostra Guimarães e Pinto (2001),a maioria dos municípios, principais responsáveis pelo atendimento a essa faixaetária, não conta com recursos suficientes para consolidar redes de educaçãoinfantil de qualidade. Segundo esses autores seria necessário o aporte de novosrecursos federais para que as metas de expansão definidas no PNE possam sair dopapel. De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE/2001), uma das metasa serem cumpridas nos próximos 10 anos pelas diferentes instâncias do poderpúblico é: Valorização dos profissionais da educação. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial continuada, em especial aos professores. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho, entre elas o tempo para estudo e preparação da aulas, salários dignos, com piso salarial e carreira de magistério. (p.6) Atualmente em nosso país poucas e inconstantes são as políticas definanciamento para educação infantil. É o caso do Fundo de Manutenção eDesenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
  25. 25. 25Educação (FUNDEB), projeto de lei apresentado pelo atual governo e aprovado pelacâmera de deputados no primeiro semestre do ano de 2007. Segundo Faria (2005): Trata-se, portanto, de propor educação de massa e elaborar um plano de Estado e não apenas um plano deste governo. Interromper urgentemente práticas maquiadoras de estatísticas e ofuscadoras de uma política de Estado, tais como: a) Transferir as crianças de 06 anos para o ensino fundamental – e, infelizmente, ainda por cima, não ter sequer a certeza de alcançar os 09 anos sob a responsabilidade do Estado, como prometido; b) As classes de alfabetização para as crianças de 06 anos pré classificadas com incapazes; c) O poder judiciário determinado colocar a criança na creche desrespeitando os critérios da fila de espera e considerando a instituição uma substituta materna e não um direito à educação – a determinação coloca-se como punição às mães, entendidas como impossibilitadas e desnaturadas; e d) Pena assistida para jovens infratores de trabalharem em creche, pois não são diplomados para executar tal cargo (p.7). Ainda a muito que fazer por essa modalidade de ensino, pois embora, tenhahavido pequenas mudanças, muitos problemas ainda permeiam essa educaçãocomo: grande número de crianças fora da escola, ambientes sem estrutura paraessa faixa etária, professores com mínima formação exigida; além do que colocaRosemberg, (2003), Ainda persistem as concepções restritivas quanto à melhoria da qualidade do atendimento, reforçadas muitas vezes por agencias internacionais que procuram incentivar serviços de baixo custo, desconsiderando história vivida no país, conhecimentos já acumulado sobre as conseqüências dessas experiências e os esforços desenvolvidos por muitos grupos e movimentos na busca de melhorias para a educação da criança pequena. (p.19) Os vários estudos e pesquisas feitas até o momento apontam importantesmudanças na última década, porém, muitos são os desafios à medida que despontaum novo paradigma de educação infantil, as concepções que permeiam necessitamser revistas e reformuladas. Os conceitos de crianças, profissional de educaçãoinfantil, conteúdos, ensino aprendizagem e a aplicabilidade destes carecem de novodirecionamento. Mesmo a educação infantil se posicionando hoje, entre as prioridadessociais e educacionais, pelo papel que cumpre na formação de base na construção
  26. 26. 26das estruturas cognitivas, sociais e afetivas da pessoa, as quais a acompanharãonas diversas circunstâncias de vida, é oportuno concordar com Kramer, (2006)quando pontua que: “ainda estamos longe de uma situação democrática”. Emtermos de estatísticas, estamos sempre defasados e lidando com informaçõesrestritas. Sabe-se que o número de crianças de 0 a 6 anos na escola aumentou,porém estamos muito distantes dos 100%. Para que essas crianças tenham o direitoque lhe foi assegurado pela constituição e explicitada na Lei de Diretrizes e Base daEducação Nacional de 1996, para ser de fato viabilizado é necessário haver umaoferta e cobertura de atendimento, especialmente da rede pública, que atende umaparcela bastante restrita da população infantil brasileira. Refletir sobre o lugar das instituições de educação infantil no contexto dasociedade contemporânea nos remete a um olhar para as transformações que têmatingido a família na atualidade. O aumento progressivo de mulheres com filhospequenos compondo o mercado de trabalho talvez seja uma das mudanças maisprofundas ocorridas nas últimas décadas nos países industrializados. Para Oliveira(In: Machado,2005): Nesta perspectiva, a maior ou menor importância dada a educação infantil depende da conjuntura política e econômica da correlação de forças existentes na sociedade. Se por um papel fundamental na definição de políticas para educação infantil, uma política nacional não pode ser definida sem levar em conta o papel e o envolvimento de cada esfera do governo nesse processo. (p. 37). A trajetória da educação infantil no Brasil é marcada de um caráter deassistência a saúde, preservação da vida, não se relacionando com o fatoreducacional. Em decorrência dos programas alternativos de atendimento pré-escolar, difundiu-se no Brasil a idéia de que para lidar com criança pequenaqualquer pessoa serve. No entanto, se considerar o direito da criança à educação eà assistência que atendam a todas as suas necessidades de desenvolvimento –físico, psíquico, social, moral, cultural, político, e que a presença na escola decrianças de todas as origens sociais e culturais, bem como à democratização doacesso as mais variadas tecnologias de informações e comunicação será possívelavaliar a importância da formação profissional.
  27. 27. 27 O papel da educação infantil deve ser, portanto, entender a infância comoum momento importante da história de cada ser humano, um momento a ser vivido,desenvolvido, conhecido e não uma fase a ser superada. A educação é um processo permanente de formação, que se dá nainteração do dia-a-dia. Porém, ela vem sendo, ao longo do tempo, negligenciadapelos poderes públicos e pela sociedade. Não basta apenas boa vontade parasuperar os desafios da prática educativa, são necessários investimentos naformação inicial e continuada dos docentes, bem como melhoria das condições detrabalho. Segundo Silva JR, (1990): O docente desloca-se de um estabelecimento de ensino para outro ou de um local de trabalho para outro, interrompendo suas atividades de preparação do seu trabalho educativo. Esta é uma realidade que provoca desgaste aos profissionais influenciando diretamente na sua prática docente. (p.6) Esse é mais um dos grandes desafios da educação infantil, a formação derecursos humanos tem sido deficitária tanto por falta de instituições preocupadascom a oferta de cursos específicos quanto pela generalizada desvalorização dosprofissionais que atuam na área. Portanto, a reflexão sobre a formação do professor de educação infantil setorna fundamental, no sentido de esclarecer as dificuldades encontradas nodesenvolvimento do trabalho educacional. Para Libâneo (2004): "o professor devecompreender seu próprio pensamento e a refletir de modo crítico sobre suaformação e prática docente.” (p.86). Neste sentido, iremos agora discutir o significado da formação continuadapara os professores da educação infantil, pois é central para nortear a nossapesquisa.2.3. Formação Continuada de Professores de Educação Infantil.
  28. 28. 28 Um dos principais aspectos que norteiam a educação infantil nacontemporaneidade é a preocupação com a formação continuada dos professoresdessa modalidade de ensino. Atualmente os docentes têm sido acusados de todofracasso na educação, mas como estes agentes de mudança e transformaçãopoderão oferecer um ensino de qualidade se sua formação não foi adequada arealidade desta sociedade, onde, o saber se renova a cada instante? Delizoicov (et al. 2002), afirmam que: Os desafios do mundo contemporâneo, particularmente os relativos às transformações pelas quais a educação escolar necessita passar, incidem diretamente sobre os cursos de formação inicial e continuada de professores, cujos saberes e práticas, tradicionalmente estabelecidos e disseminados, dão sinais inequívocos de esgotamento. Dentre os desafios, ele destaca: a superação do senso comum pedagógico; a socialização do saber científico ao alcance de todos, ou seja, ciências para todos; a inserção da ciência e tecnologia na escola como cultura; a incorporação dos conhecimentos contemporâneos em ciência e tecnologia em todo o sistema escolar, inclusive na formação dos professores a superação das insuficiências do livro didático; e a aproximação entre pesquisa e ensino.(p. 52). Diante de tantas transformações que a sociedade vem sofrendo énecessário que o professor esteja também em constante processo deaprendizagem. Como já afirma Nóvoa (apud Kullok, 2000) “não há ensino dequalidade nem reforma educativa, nem renovação pedagógica, sem uma adequadaformação de professores” (p. 12). Falar de formação de professores nos leva a definir o que é formação. ParaKullok (2000), significa “estar se formando” o que significa dizer que esta nunca estáconcluída totalmente. O autor ainda estabelece uma diferença entre Formação Iniciale Formação Continuada: a primeira segundo ele constitui-se apenas numa primeiraetapa a ser obtida e devendo investir nos saberes de que o professor é portador; asegunda deve servir de base para o repensar da formação inicial. Nos anos 90, surgiram diversas concepções a respeito da formaçãocontinuada de professores. O termo formação ou educação continuada traz umacrítica a termos anteriormente utilizados tais como: treinamento, capacitação,
  29. 29. 29reciclagem, que não priorizavam a construção da autonomia intelectual dosprofessores. Sobre a formação de profissionais da educação infantil, Kramer (In:Machado, 2005) afirma: Diversos são os termos que circulam nas creches, pré-escolas e escolas: formação permanente, nome mais antigo, formação continuada (consagrado pela lei) ou formação em serviço, denominação que prefiro apenas por sua clareza: trata-se de profissionais em formação no seu lugar de trabalho. Isso sem falar em termos comumente usados ainda, tais como capacitação, que traz a idéia de algo para aqueles que, do contrário, seriam incapazes, ou reciclagem, de todos a meu ver o pior por sugerir que os profissionais, professores e auxiliares, podem se descartar da história passada, da experiência vivida e começar tudo de novo. Toda proposta pedagógica tem uma história e, nela a formação dos profissionais envolvidos está presente de maneira central, sobretudo quando oferece possibilidades de lembrar a trajetória e de refletir sobre a prática (p.119). Complementando a definição de formação continuada recorremos ainda aoconceito definido por Nascimento(1998): [...] toda e qualquer atividade de formação de professor que está atuando nos estabelecimentos de ensino, posterior a sua formação inicial, incluindo- se aí os diversos cursos de especialização e extensão oferecidos pelas instituições de ensino superior e todas as atividades de formação propostas pelos diferentes sistemas de ensino.(p.70). Nessa perspectiva, faz-se necessário compreender que a formaçãocontinuada vem enriquecer as experiências e os saberes que os professores trazemconsigo diferentemente de alguns posicionamentos que parece acreditar haver umanecessidade de os profissionais jogar fora experiências passadas e começar tudo denovo. Essa formação ocorre em diferentes espaços como nos lembra Kramer (In:Machado, 2005): Acredito que a formação acontece em diferentes espaços de tempos: (I) formação prévia no ensino médio ou superior, em que circulam conhecimentos básicos em relação à língua, matemática, ciências, história e geografia, e conhecimentos científicos relativo a infância (dos campos da saúde, da psicologia, sociologia, antropologia, linguagem etc.) que oferece subsídios para atuação dos adultos com as crianças, em especial no que se refere ao brinquedo, à literatura infantil, a mídia, a cidade, e também aos valores, costumes, práticas sociais; (II) formação no movimento social, fóruns, associações, partidos, sindicatos, que podem ter uma orientação de
  30. 30. 30 cunho político, mais podem se voltar também à formação em temas gerais ou especificas; (III) formação em cada escola, creche e pré-escola que garanta estudo, leitura, debate; horário de estudo conjunto, em que se fortalece em cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia, com as crianças, com criança, com cada um de nós; (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral, a literatura, a música, o cinema, o teatro a pintura, os museus, as bibliotecas, e que é capaz de nos humanizar e fazer compreender o sentido da vida para além da dimensão de dados para além do cotidiano ou vendo o cotidiano como a história ao vivo ( p. 127-128).2.3.1. Docentes de Educação Infantil e Políticas de Formação. Ainda nos anos 90 além de mudanças econômicas, políticas e educacionaishouve também a consolidação da globalização; este fato trouxe, para o país, umasérie de mudanças, principalmente no tocante a educação que precisava avançar noconhecimento para acompanhar os grandes avanços tecnológicos e as demandasde uma sociedade digitalizada na qual as informações são transmitidas rapidamente.Assiste-se a ascensão de novo paradigma do capital, o neoliberalismo, o qualapresenta novos problemas e desafios para educação das crianças de 0 a 5 anos ea formação de professores. Dentre os acontecimentos educacionais ocorridos nesta época, destaca-sea Conferência Mundial de Educação para todos, realizada em Jomtiem1 na Tailândiaem março de 1990. nesta importante conferência financiada pela UNESCO(Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura), UNICEF(Fundo das Nações Unidas para Infância), PNDU (Fundo das Nações Unidas para o1Conferência Mundial de Educação para Todos – Ocorreu em março de 1990 em Jomtiem.Desenvolvimento), e o Banco Mundial, participaram representantes do mundointeiro: associações profissionais, organizações não governamentais,e diferentesórgãos instituições já com interesses economicistas e educacionais, agênciasinternacionais e governos que firmaram o compromisso de garantir educação dequalidade a crianças, jovens e adultos. Neste sentido convém aqui destacar o que nos afirma Almeida (2003): Assim cada país “beneficiado” tem direcionado suas políticas e prioridades no setor educacional na contemporaneidade. O Brasil, bom leitor da cartilha socializada pelo BM, mostra “competência” na efetivação das1
  31. 31. 31 “recomendações”: autonomia de gestores e professores, mais participação dos pais e da comunidade nos assuntos escolares, descentralização, PCNs (Parâmetros Curriculares Nacional) Temas Transversais, aumento dos dias letivos, livros didáticos, multireferências, pluralidade cultural...(p.13) Os professores passam por um período de grande ansiedade, decorrenteda pressão pública exercida sobre o resultado de seu trabalho nas escolas; com apolítica de avaliação de resultados do bom desempenho do aluno econseqüentemente da educação. Chega para os professores uma série de medidase pacotes, que devem servir de parâmetro para o desenvolvimento do seu trabalhodocente. Embora, a LDB de 1996, procure amenizar o déficit existente na formaçãodo professor de educação infantil, o que temos observado ao longo dos anos sãoapenas mudanças no intuito de atender as exigências das propostas internacionais.No que concerne a formação dos docentes, criou-se uma avalanche de cursoschamados emergenciais, em sua grande maioria pagos; nesses cursos, pouco ouquase nada acerca da especificidade da educação infantil têm sido contemplado. Aformação em serviço, quando é oferecida, é feita de forma descontínua esegmentada, segundo uma racionalidade técnica que não considera os saberesadvindos das vivências dos professores. Os referidos cursos visam apenas cumpriras metas fixadas por agências financeiras como o Banco Mundial. Conforme afirma Wanderley(2003): A partir das últimas décadas do século XX, constatou-se que a esfera econômica guia a sociedade por meio de instituições como o Banco Mundial, FMI, Organizações de Cooperações e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ditando as diretrizes que deverão ser adotadas pelos governos, sob pena de tornarem-se inimigos dos países industrializados e poderosos. (p.24). Portanto é necessário empreendermos uma leitura interpretativa dosprogramas que aí estão, já que é notório, que as exigências das propostasinternacionais, recaem fortemente sobre os ombros dos docentes. A eles, cabeformar e preparar os jovens adequadamente de modo que estes possam dominar osdesafios do mercado de trabalho, cada vez mais globalizado e competitivo.
  32. 32. 32 É oportuno contemplar o que nos alerta Almeida (2003): É evidente que a insatisfação com o reconhecimento financeiro ainda permanece neste cenário. Mas, “se todos estão convidados a assumir o compromisso com a educação de qualidade”, o professor “comprometido”, nesta perspectiva, deve ser “o primeiro a fazer a sua parte”. Além do mas, o que se ouve é que atualmente existe também “mais incentivos aos estudos dos professores em exercício da função”. Os programas de Formação Continuada são apreendidos como “mais atenção das políticas públicas educacionais com o corpo docente”. Afinal, para se “exigir mudanças, é necessário dar as ferramentas necessárias”. (p.15) Os programas voltados para a educação vem com a finalidade de mudançaspropostas verticalmente, ou seja, de cima para baixo, considerando os professorescomo meros executores de decisões alheias e portanto, responsáveis pelosresultados. Para Nóvoa, (1992): A formação pode estimular o desenvolvimento profissional dos professores no quadro de uma autonomia contextualizada da profissão docente. Importa valorizar paradigmas de formação que promovam a preparação de professores reflexivos, que assumam a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional e que participem como protagonista na implantação das políticas educativas. (p.27). Desta forma, uma boa formação deve possibilitar ao professor momentos dereflexão e compreensão das mudanças que são apresentadas em sua vidaprofissional. Quanto à formação continuada encontra-se embasada na Lei de Diretrizes eBase da Educação Nacional n.9394/96 que diz no artigo 63, parágrafo lll, que “Osinstitutos superiores de educação manterão: programas de educação continuadapara os profissionais da educação dos diversos níveis”; no artigo 67, parágrafo ll,que “os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais daeducação, assegurando-lhes (...): aperfeiçoamento profissional continuado (...).” A referida lei, que vem defender a educação infantil, preocupa-se tambémcom a formação dos professores desta modalidade. Porém, observa-se que, arealidade atual é bem contraditória ao transcrito na lei. As diretrizes legais nemsempre são respeitadas pelas autoridades competentes, e estas não disponibilizam
  33. 33. 33de forma adequada o financiamento público para a Educação Infantil e a formaçãode professores para essa modalidade de ensino. Percebe-se com isso que os governos têm a obrigatoriedade de ofereceraos profissionais da educação a apropriação do conhecimento. Christov (2001)argumenta que: A educação continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humano, como práticas que se transformam constantemente. A realidade muda, e o saber que construímos sobre ela precisa ser revisto e ampliado sempre. Dessa forma, um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos, principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática, bem como para atribuirmos direções esperadas a essa mudança. (p.9). Talvez as maiores dificuldades hoje encontradas existem exatamente porquesão poucos os núcleos de professores que acreditam ser necessário discutir sobre aprática. Ao longo dos anos as mudanças chegam, mas parece chegar muitolentamente na escola. A escola juntamente com seus professores reunidos eorganizados podem decidir quais sãos os melhores meios, os melhores métodos eas melhores formas de assegurar a formação continuada. Para Kramer (1992): O professor precisa avivar em si mesmo o compromisso de uma constante busca do conhecimento como alimento para o seu crescimento pessoal e profissional. Isto poderá gerar-lhe segurança e confiabilidade na realização do seu trabalho docente. Esta busca poderá instrumentalizá-lo para assumir seus créditos, seus ideais, suas verdades, contribuindo para referendar um corpo teórico que dê sustentação para realização de se fazer. (p.64). Para muitos profissionais, atender a Lei de Diretrizes e Base da Educação9394/96 pode significar mudanças não apenas nas suas práticas profissionais comoem sua condição de vida a medida que são convidados a voltar a estudar, a refletirsobre suas crenças e hábitos para atender as transformações e inovações da atualeducação.2.3.2. Formação Docente para Educação Infantil
  34. 34. 34 Quando falamos em formação docente para os professores de educaçãoinfantil, citamos Barreto (1994), quando pontua que essa formação é particularmenteimportante por ser um campo de trabalho que, pelas condições históricas de suaconstituição, muitas vezes, é assumida por leigos, dentro de uma visão deatendimento à criança pequena que prioriza proporcionar-lhe cuidados físicos maisdo que seu desenvolvimento global. Daí que esforços têm sido feitos para garantirformação docente adequada a todos que atuam na área, de modo a trazermudanças nas práticas dos educadores. Para muitos na sociedade, um dos principais critérios para melhorar aqualidade da educação passa pelo tipo de formação prévia e em serviço dosprofessores, ou seja, as escolas só mudarão com a mudança dos professores. Pesquisas realizadas por Nunes e Kramer (2007), revelam que: Nestecenário de conflitos, veio à tona uma questão que aflige os responsáveis pelaeducação infantil: “existem muitos professores novos, cheios de energia, mas semformação e informação. Os professores antigos que têm conhecimentos estãocansados,” diz uma supervisora. Por tudo isso, queremos destacar a necessidade da reflexão do professorsobre sua prática para apropriação de um ensino significativo e prazeroso. SegundoLibâneo, (2004): “Trata-se da formação do profissional crítico reflexivo, no qual oprofessor deve compreender seu próprio pensamento e a refletir de modo críticosobre sua formação e prática docente.” (p.86). Mesmo com pequenos avanços na Educação Infantil, é possível perceber aprecariedade da formação inicial que não prepara o professor para a realidade quevai enfrentar, assim como a insuficiência da formação continuada, que nãocorresponde às necessidades de qualificação que atenda de forma satisfatória aeducação das crianças de 0 a 06 anos e possibilite a integração entre teoria eprática.
  35. 35. 35 Nesse processo, compreender a teoria e a prática como indissociáveisconstitui-se uma das metas da formação em serviço. Segundo Ghendin (2002): A experiência docente é espaço gerador e produtor de conhecimentos, mas isso não é possível sem uma sistematização que passa por uma postura crítica do educador sobre as suas próprias experiências. Refletir sobre os conteúdos trabalhados, as maneiras como se trabalha, a postura frente aos educandos, frente ao sistema social, político, econômico, cultural é fundamental para se chegar à produção de um saber fundado na experiência. (p.65). Diante do exposto, fica evidente a ausência de políticas públicas e derecursos financeiros que assegurem as condições dignas para o trabalho com ascrianças, falta estratégias de formação continuada que permitam aos educadoresromper com as velhas compreensões, preconceitos provenientes de rotinas epráticas vindas de uma educação assistencialista. Para que ocorram mudanças efetivas nesse cenário, é necessário que osprofessores busquem repensar a sua formação, a partir da análise da realidade.Considerar a riqueza do cotidiano, examinado e refletindo constantemente sobre opapel que desempenha na Educação Infantil. Sobretudo na sua formaçãocontinuada, buscando torna-se um indivíduo emancipado. CAPÍTULO III 3. METODOLOGIA3.1. Tipo de Pesquisa A construção da pesquisa está alicerçada em bases qualitativas, através deinstrumentos que possibilitaram ao pesquisador uma compreensão sobre o objetivopesquisado: identificar e analisar as compreensões que os professores de EducaçãoInfantil têm sobre a formação continuada.
  36. 36. 36 Segundo Lakatos (1991), “pesquisa é um procedimento formal, com métodode pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui nocaminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. (p.1 55). Para realizar a pesquisa qualitativa deve-se levar em conta fatos reais,fundamentados em questões metodológicas com a finalidade de observar, analisar econstatar a fidelidade do que foi investigado e coletado junto aos sujeitosquestionados, sendo estes os geradores fundamentais da informação. Neste sentido Ludke e André (1986), ressaltam que a pesquisa qualitativa,na perspectiva adotada pelo presente estudo estabelece o contato direto prolongadodo pesquisador com o ambiente e a situação em que está sendo realizado. “Omaterial obtido nessa pesquisa é rico em descrições de pessoas, situações eacontecimentos” (p.12). Sendo todos os dados da pesquisa de extrema relevância,na qual o pesquisador deve ter uma atenção especial ao maior número deelementos presentes nas situações de estudo.3.2. Instrumentos de Coleta de Dados Foram utilizados para realização da pesquisa instrumentos de abordagemqualitativa destinados a obter informações especiais do significado dado pelosprofessores de Educação Infantil aos cursos de formação continuada. Utilizou-se emprimeira instância um questionário fechado, que oferecia um leque compacto deopções, buscando traçar o perfil de cada sujeito entrevistado. Andrade (1999) dizque “perguntas fechadas são aquelas que indicam três ou quatro opções deresposta ou se limitam à resposta afirmativa ou negativa e já trazem espaçosdestinados à marcação da escolha” (p.131). E também um questionário, semi-estruturado, composto de questões de relevância para o estudo proposto, buscandoa coleta dos dados gerais dos sujeitos e sobre suas compreensões a cerca do temaindicado.3.3. Local da Pesquisa
  37. 37. 37 A pesquisa foi realizada no município de Campo Formoso, Estado da Bahia,situada a 400 km da capital, Salvador, município este que têm uma populaçãoaproximadamente 61.905 habitantes (senso de 2001). O mesmo encontra-selocalizado ao norte do Estado, na micro-região de Senhor do Bonfim. Possui umaárea geográfica de 6.806km, tem uma altitude de 580m acima do nível do mar. Seuclima semi-árido, tendo suas atividades econômicas baseadas na agricultura,pecuária, mineração, atividades artesanais, entre outras. Dispõe de uma ampla redeescolar que abrange todos os níveis de ensino desde a Educação Infantil ao EnsinoSuperior. Atualmente possui cinqüenta e nove (59) escolas para atender a EducaçãoInfantil, sendo que dessas apenas cinco (5), estão na zona urbana.3.4. Sujeitos da Pesquisa Buscando conhecer as compreensões que os professores de EducaçãoInfantil, do município de Campo Formoso, tem sobre os cursos de formaçãocontinuada, elegeu-se como sujeitos vinte (20) professoras que atuam nestamodalidade de ensino, na zona urbana do referido município, fator que possibilitouum maior desenvolvimento desse estudo e o alcance do objetivo proposto.3.5. Etapas O desenvolvimento da pesquisa seguiu algumas etapas. Em um primeiromomento dirigiu-se à Secretaria de Educação do Município, com a finalidade deapresentar a pesquisa, seu objetivo, bem como coletar dados sobre as escolasmunicipais de Educação Infantil e a quantidade de professores que atuam nasmesmas. De posse desses dados manteve-se contato com os professores, dentro deum universo amostral – 20 sujeitos, entregando aos mesmos os questionáriospreviamente elaborados, tendo-se estipulado um prazo de oito dias úteis para adevolução dos mesmos. Apenas dozes dos sujeitos pesquisados devolveram osquestionários, procedendo-se aí a categorização, organizando os dados que sereferiam aos mesmos aspectos, diante de critérios pré-definidos.
  38. 38. 38 Segundo Franco(2003) Formular categorias, em análise de conteúdo, é, via de regra, um processo longo, difícil e desafiante. Mesmo quando o problema está claramente definido e as hipóteses (explicitas ou implícitas) satisfatoriamente delineadas, a criação das categorias de análise exige grande esforço por parte do pesquisador. (p. 51) A contribuição dos sujeitos foi de grande relevância, uma vez que asrespostas permitiram uma interpretação clara sobre as compreensões dasprofessoras de Educação Infantil. CAPÍTULO IV APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS. Diante da necessidade de entender um pouco mais sobre as professoras deEducação Infantil do município de Campo Formoso, sujeitos dessa pesquisa,apresenta-se agora, os resultados da investigação, mensurados a partir da análisedos instrumentos de coleta de dados utilizados, a saber, questionário fechado esemi-estruturado. Sabendo da importância da Formação Continuada dentro doprocesso de ensino aprendizagem para melhorar e modificar a ação educativa comoum todo, surgiu a iniciativa dessa pesquisa: Identificar e analisar as compreensõesque os professores de Educação Infantil da rede de ensino de Campo Formoso têmsobre a formação continuada.
  39. 39. 39 Apresentaremos agora o perfil dos sujeitos pesquisados, através doquestionário fechado.4.1. RESULTADO DO QUESTIONÁRIO FECHADO: O PERFIL DOS SUJEITOS Apresentação do perfil dos sujeitos através das informações coletadascom o questionário fechado.4.1.1. Sexo 0% 100% Homens MulheresFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Osparticipantes da pesquisa, em sua totalidade, são do sexo feminino reforçando idéiase concepções acerca da profissionalização da mulher como professora, que até hojepermanece inalteradas. Perdura a idéia de que lidar com crianças é serviço demulher, pois essa tem mais jeito, é carinhosa e amável e tal trabalho já é umaextensão do trabalho feito em casa com os filhos. Isso contribui para adesvalorização do profissional de Educação Infantil. Quanto a isso nos reportamos a Ludke e Boing (2004), quando falam dessarelação entre trabalho doméstico e o trabalho com a educação de crianças: O grande número de pessoas que exerce a função de professor com diferentes qualificações (e até mesmo sem nenhuma especificamente); o crescente número de mulheres na área, o que alguns autores consideram um traço das ocupações mais fracas, ou no máximo semi profissões. (p.5).
  40. 40. 404.1.2. Faixa Etária FAIXA ETÁRIA DOS PROFESSORES PESQUISADOS 25% 33% 42% 20 - 25 anos 31 - 35 anos acima de 36 anosFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. No que se refere à faixa etária e grau de escolaridade das professoras,conforme o gráfico acima, 25% estão entre 20 a 25 anos e as demais estão comidade de 30 a 40 anos. Chamou a atenção, a grande incidência de professores deEducação Infantil com idade acima de 30 anos. Conclui-se, portanto, que asprofessoras dessa modalidade de ensino, possuem um relativo grau deamadurecimento no que se refere à idade.4.1.3. Nível de Escolaridade NÍVE L D E E S C O L AR ID AD E D O S P R O F E S S O R E S P E S Q UIS AD O S 8% 34% 33% 25% Nível Médio S uperior Inc ompleto S uperior C ompleto E s pec ializ aç ãoFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Quanto ao grau ou nível de formação, constatou-se, que das 12 professoraspesquisadas, já existe um percentual significativo daquelas que possuem umaespecialização ou graduação, bem como daquelas que estão à busca de um nívelsuperior. Podemos considerar que o percentual de 34% de professoras do municípiode Campo Formoso-Ba, que possuem apenas nível médio, é expressivo diante do
  41. 41. 41surgimento de muitas instituições de ensino superior nos últimos anos.Demonstrando assim a necessidade de uma atenção e maior investimento nacontinuidade da formação. Os resultados, com relação ao nível de formação, demonstram um avançopara a Educação Infantil, já que os critérios de escolha de professoras, na trajetóriada história da educação no Brasil, sempre deixou a formação profissional emsegundo plano dando ênfase apenas se as professoras eram: amáveis, carinhosas emeigas. Aqui lembraremos do que afirma Kishimoto (2002) Princípios como a maternagem, que acompanharam a história da educação infantil, desde seus primórdios, segundo o qual bastava ser mulher para assumir a educação da criança pequena e a socialização, apenas no âmbito doméstico, impediram, a profissionalização da área. ( p.7) Pensar a formação das professoras de Educação Infantil, requer pensar osentido da educação, buscando com base na reflexão crítica, discutir ascompreensões que foram socialmente atribuídas a essa modalidade de ensino.4.1.4. Instituição onde concluíram o Ensino Médio TIPO DE INSTITUIÇÃO ONDE CONCLUIU O ENSINO MÉDIO 33% 67% Intituição Pública Instituição PrivadaFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos dapesquisa. Ao serem indagadas sobre a instituição onde concluíram o ensino médio67% das professoras afirmaram ter estudado em instituições públicas, e o restantefizeram a formação em magistério em instituição privadas.4.1.5. Tempo de Atuação no Magistério
  42. 42. 42Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos dapesquisa. A observação do gráfico nos leva a perceber que há uma experiênciaconsiderável na prática educativa, visto que a grande maioria já atua no magistério,em especial na Educação Infantil, a mais de cinco anos, possibilitando aos docentesum maior conhecimento sobre sua profissão e melhoria na prática em sala de aula. Nesse sentido nos reportamos a Ghendin (2002), ao afirmar que “Aexperiência docente é espaço gerador e produtor de conhecimentos, mas isso não épossível sem uma sistematização que passa por uma postura crítica do educadorsobre as suas próprias experiências.” (p.175). As experiências vivenciadas pelosprofessores no próprio local de trabalho, possibilita aos mesmos refletir sobre, suaspróprias ações pedagógicas fazendo-os sujeitos da sua própria formação.4.1.6. Renda Familiar 0% 0% 0% 100% 2 a 4 salários mínimos 4 a 6 salários mínimos 6 a 8 salários mínimos acima de 8 salários mínimosFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Apesar de ao professor da rede pública não ser fixado o salário mínimo, comobase de remuneração, este foi utilizado como medida para facilitar o processo de
  43. 43. 43analise, uma vez que se está considerando a renda familiar. Observa-se que todas as professoras pesquisadas têm a renda familiarsituada na faixa de 2 a 4 salários mínimos, confirmando-se a tendência brasileira damá e insatisfatória remuneração do professor.4.1.7. Vínculo empregatício TIPO DE VÍNCULO COM O MUNICÍPIO 25% 75% E fetivo C ontratadoFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. As professoras entrevistadas mantém um vínculo empregatício deefetividade em 75% e os demais, 25%, trabalham através de contrato de prestaçãode serviço, configurando haver na grande maioria uma estabilidade funcional.4.1.8. Área de Atuação 0% 100% Exerce apenas a função de professoras em 1 unidade de ensino Exerce a função de profesora em mais de 1 unidade de ensinoFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Em relação à área de atuação, verificou-se que todas as professoras, atuamapenas em uma escola. Realidade essa diferente da qual nos apresentou no quadro
  44. 44. 44teórico Silva Jr. (1990): O docente desloca-se de um estabelecimento de ensino para o outro ou de um local de trabalho para o outro, interrompendo suas atividades de preparação do seu trabalho educativo. Esta é uma realidade que provoca desgaste aos professores influenciando-os diretamente na sua prática docente. (p. 6) O exercício da função é dedicada apenas a uma unidade de ensino, comcarga horária semanal de vinte horas semanais. Esta carga horária favorece asprofessoras no sentido de que dispõem de mais tempo para planejar melhor as suasatuações, manter uma atenção focada em apenas uma turma e possibilitandomelhor rendimento do alunado.4.1.9. Onde Costuma Buscar InformaçãoFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. No mundocontemporâneo, não se deve mais parar de buscar a informação e está conscienteda realidade em que vivemos. Ler, aprimorar-se, está atento a notícias. Os sujeitospesquisados demonstram as diversas formas pelas quais buscam apropriar-se dasinformações acerca do mundo e das inovações da sua profissão. Ficou evidente nas respostas das professoras que a busca de informações,e a prática da pesquisa ainda é insuficiente para a maioria delas. Voltamos assim,ao que nos falou Nunes e Kramer (2007), "existem muitos professores novos, cheiosde energia, mas sem formação e informação". As professoras que trabalham naEducação Infantil precisam ser desafiadas a pesquisar, estudar, refletirconstantemente sobre o seu trabalho pedagógico, buscando subsídios nos muitosteóricos que hoje pesquisam sobre a educação para crianças de 0 a 6 anos.
  45. 45. 454.1.10. Participação das professoras em cursos de capacitação. PARTICIPAÇÃO EM CURSO DE CAPACITAÇÃO 15% 15% 31% 39% P artic ipou 1 vez P artic ipa c om F requênc ia P artic ipa uma vez por ano Quando tem O portunidadeFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Verifica-se no gráfico que a maioria das professoras de Educação Infantil domunicípio de Campo Formoso-Ba, participam com freqüência de cursos decapacitação. A necessidade de experiências formativas é essencial à profissão docente.No paradigma educacional emergente, ela se torna cada vez mais necessária. Asmudanças nas práticas pedagógicas dependem em parte da formação continuadade professores, e essa formação requer uma leitura da sociedade e da comunidadepara que seja possível a interação social ao meio. Citando mais uma vezChristov(2001), quando argumenta que: A educação continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humano, como práticas que se transformam constantemente. A realidade muda, e o saber que construímos sobre ela precisa ser revisto e ampliado sempre.(p. 9) Nesse sentido a formação continuada deve possibilitar a professora deEducação Infantil o pensar e o agir de maneira reflexiva, buscando esclarecimentossobre seu papel formador. CUSTEAMENTO DOS CURSOS 4.1.11. Custeamento 69% dos cursos de 6% 25% formação P artic ular E s tado Munic ípio
  46. 46. 46 continuadaFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Embora haja um financiamento dos entes públicos, e a maioria das professoras tenham seus cursos financiados pelo município, as carências na formação das professoras ainda é significativa. Basta observar que 25% das professoras financiam seus cursos em busca de crescimento profissional. A análise foi de grande relevância, pois possibilitou conhecer melhor a situação sócio-econômica das professoras, as suas características semelhantes, dificuldades no que tange ao nível de aperfeiçoamento, fornecendo informações e contribuições que revelam as condições das docentes que atuam na Educação Infantil das escolas públicas de Campo Formoso. 4.2. RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO SEMI-ESTRUTURADO A partir da análise do questionário semi-estruturado aplicado às professoras, conseguiu-se obter a compreensão acerca da formação continuada dentro da Educação Infantil no município de Campo Formoso. Sobre Formação Continuada pudemos identificar que as professoras têm a seguintes compreensões: 4.2.1. Formação Continuada como Busca de Crescimento e Aperfeiçoamento.
  47. 47. 47 Sobre essa temática pode-se perceber que 50% das professorascompreendem a formação continuada como momento de busca para novosconhecimentos e aperfeiçoamento. Sobre isso, o P12 enfatiza que: Formação continuada é a busca constante de novos conhecimentos e auto- aperfeiçoamento, no intuito de ampliar, melhorar e aplicar o saber construído. A professora pontua que essa formação traz para prática docente doprofessor de Educação Infantil, o entendimento acerca da realidade, tanto doeducando como do professor; possibilitando a pesquisa da sua própria ação na salade aula, com o objetivo de (re)construir sua práxis pedagógica. Ao fazer essas afirmações a professora reforça o que nos afirmou Kramer(1992): “O professor precisa avivar em si mesmo o compromisso de uma constantebusca do conhecimento como alimento para o seu crescimento pessoal eprofissional.” (p.64), a formação continuada é importante na prática pedagógica doprofessor, no sentido de promover uma emancipação intelectual e política tantodeste como do aluno. A compreensão do P1, demonstra ainda, que não basta apenas, transmitir eacumular informações diante da necessidade urgente de ações. O aprendizado deveservir de base para a formação de cidadãos críticos e reflexivos. A P6 afirma que a formação continuada é: Buscar constantemente informações para se manter atualizada. Fazer cursos de graduação especialização, entre outros. O P6 em suas palavras ressalta que a formação continuada não dever serentendida apenas como participar de cursos esporádicos, a cada período detempos. Na sua concepção essa formação além da busca constante de informações2 Termo utilizado para preservação da identidade dos sujeitos da pesquisa, utilizaremos a letra P,seguida dos numerais arábicos, para identificar os sujeitos pesquisados.
  48. 48. 48e atualizações, perpassa também pela busca da graduação, da especialização naárea, entre outros. Nesse sentido a professora concorda com a definição de Nascimento(1998), ao afirmar ser a formação continuada “[...] toda e qualquer atividade deformação de professor que está atuando nos estabelecimentos de ensino, posteriora sua formação inicial, incluindo-se aí os diversos cursos de especialização” (p.70) A compreensão da professora revela a importância da ligação entre teoria eprática para o bom desenvolvimento da ação educativa. Neste sentido, Nóvoa(2002) explica que: "O aprender contínuo é essencial e se concentra em dois pilares:a própria pessoa, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissionalpermanente" (p.23). A construção do saber se faz necessária, no processo deatuação profissional. Essas professoras, demonstram preocupação com a formação continuada,valoriza o embasamento teórico para uma educação de qualidade e uma melhorcompreensão do processo ensino-aprendizagem. Sobre a efetivação da formação continuada na prática docente, a P6 afirmaque a mesma traz: A reflexão-ação-reflexão. O professor tem a oportunidade de refletir a sua prática, agir sobre ela e refletir novamente sobre os resultados obtidos. Permite também o professor compreender o processo ensino- aprendizagem nesta fase e planejar dentro deste contexto. (P6). Nessa compreensão da professora, o conhecimento aparece comopossibilidade de compreender a realidade, de refletir sobre ela com o objetivo detransformá-la. Para a P3 a formação continuada é um curso de capacitação onde vocêesteja adquirindo mais conhecimentos além de melhorar a prática pedagógica.Aofazer essa afirmação a professora deixa claro que não busca na formação

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