Monografia Eleneide Pedagogia Itiúba 2012

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Pedagogia Itiúba 2012

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Monografia Eleneide Pedagogia Itiúba 2012

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIADEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS VII PROGRAMA REDE UNEB - 2000 ELENEIDE DA SILVA GÓES GILMAR JOSÉ DA SILVA JANE BATISTA DOS SANTOS MARISTELA PEREIRA GOMES O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL ANTONIO SIMÕES VALADARES ITIÚBA - BAHIA 2012
  2. 2. ELENEIDE DA SILVA GÓES GILMAR JOSÉ DA SILVA JANE BATISTA DOS SANTOS MARISTELA PEREIRA GOMESO BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL ANTONIO SIMÕES VALADARES Monografia apresentada ao Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das exigências para a conclusão do curso de graduação em Pedagogia, sob a orientação do Prof. Dr. Gilberto Lima dos Santos. ITIÚBA - BAHIA 2012
  3. 3. FOLHA DE APROVAÇÃO ELENEIDE DA SILVA GÓES GILMAR JOSÉ DA SILVA JANE BATISTA DOS SANTOS MARISTELA PEREIRA GOMES O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL ANTONIO SIMÕES VALADARES Monografia apresentada ao Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das exigências para a conclusão do curso de graduação em Pedagogia.Aprovada em _________ de ______________de 2012. Componentes da banca examinadora: ____________________________________ Prof. Dr. (orientador) Gilberto Lima dos Santos UNEB – Universidade Estadual da Bahia ___________________________ ___________________________ ITIÚBA - BAHIA 2012
  4. 4. AGRADECIMENTOS Além de Deus, o Grande Arquiteto do universo, que nos acompanha, dando-nos força e fazendo com que surjam momentos únicos em nossas vidas, temosmuitas pessoas a agradecer em razão da ajuda, da acolhida, do incentivo, dascríticas e das sugestões que nos deram. Algumas dessas, em especial: Ao professor Dr. Gilberto Lima dos Santos (orientador), pela confiança e pelasorientações baseadas na crítica, na exigência, no rigor metodológico e na amizade,visando ao crescimento e ao nosso progresso. A todos os professores do Projeto Rede UNEB 2000(Itiúba), que, com seuspreciosos conhecimentos e experiências, contribuíram para nossa formaçãoprofissional. Aos professores e alunos pesquisados, que prontamente nos auxiliaram nestapesquisa. À Prefeitura Municipal de Itiúba e a UNEB - Universidade do Estado da Bahia,que juntas, com a implantação do curso de licenciatura em Pedagogiaprincipalmente, muito têm contribuído para a boa formação profissional, para odesenvolvimento de competências dos professores deste município. A todos os nossos familiares, colegas de turma, amigos e amigas,companheiros e companheira (esposos e esposa), que nos momentos mais difíceis,nos incentivaram, enfim, alimentaram a crença, a perseverança, a confiança,requisitos que nos foram imprescindíveis, para chegarmos à vitória, à concretizaçãodeste objetivo.
  5. 5. “Enquanto a sociedade feliz nãochega, que haja pelo menosfragmentos de futuro em que a alegriaé servida como sacramento, para queas crianças aprendam que o mundopode ser diferente. Que a escola, elamesma, seja um fragmento dofuturo...” (Rubem Alves)
  6. 6. LISTA DE QUADROS E GRÁFICOSQUADROSQuadro 1 – Dificuldades causadas pelo bullying .................................................. 35Quadro 2 – Formas de reação do professor ao bullying ...................................... 36Quadro 3 – Atitudes atitudes que podem estimular o bullying ............................. 37Quadro 4 – Auto caracterização dos alunos ........................................................ 40Quadro 5 – Manifestações de bullying sofridas pelos sujeitos ............................. 42GRÁFICOSGráfico 1 – Alunos que já brigaram na escola ..................................................... 41Gráfico 2 – Alunos sentem-se intimidados na escola .......................................... 42Gráfico 3 – Saber o significado de bullying .......................................................... 45
  7. 7. RESUMOEste trabalho teve como finalidade verificar a existência do bullying no GinásioAntonio Simões Valadares. Para tanto, o referido estudo fundamentou-se nospressupostos teóricos de muitos estudiosos, quando foram abordados conceitos,causas e consequências do bullying, a importância da participação da família, dasociedade e da escola na promoção de atitudes preventivas e combativas, dentreoutros enfoques. Quanto à metodologia utilizada, foi essa norteada pela pesquisaqualitativa, desenvolvida através de um estudo de campo, seguindo-se dainterpretação de dados. Como técnica de coleta de dados, foram utilizadosquestionários. O espaço físico onde foi realizada a pesquisa foi a sala de aula e tevecomo participantes cinco professoras e cinco alunos do 6º Ano. Os resultadosrevelaram a existência do bullying na referida unidade de ensino e comprovaram queo comportamento agressivo de alguns alunos gera insegurança e apreensãonaqueles que são vitimizados, chamando a atenção dos docentes para anecessidade de mudança de posturas frente a essa realidade.PALAVRAS-CHAVE: Bullying. Escola. Família. Prevenção. Combate.
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 7 CAPÍTULO I 9 1. O BULLYING E SUAS IMPLICAÇÕES ......................................................... 91.1 CONCEITOS: VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA NA ESCOLA E BULLYING .............. 91.2 O CONHECIMENTO SOBRE O BULLYING .................................................... 101.3 OS ENVOLVIDOS NO BULLYING ................................................................... 121.4 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING .............................................. 151.5 RELAÇÃO ENTRE GÊNERO E BULLYING ..................................................... 161.6 AMPAROS LEGAIS FRENTE AO BULLYING ................................................. 171.7 PREVENÇÃO E COMBATE AO BULLYING .................................................... 191.7.1 Responsabilização da família ....................................................................... 211.7.2 Responsabilização da sociedade ................................................................. 221.7.3 Responsabilização da escola ....................................................................... 231.7.3.1 O bullying e a gestão escolar .................................................................... 241.7.3.2 A postura dos professores frente ao bullying ......................................... 26 CAPÍTULO II 2. MÉTODO ....................................................................................................... 312.1 TIPO DE PESQUISA ......................................................................................... 312.2 PARTICIPANTES .............................................................................................. 312.3 LOCAL ............................................................................................................... 312.4 INSTRUMENTOS .............................................................................................. 322.5 PROCEDIMENTOS ........................................................................................... 322.6 ANÁLISE ............................................................................................................ 32 CAPÍTULO III3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ............................................................. 333.1 QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS PROFESSORAS (QUESTÕES DE 1 A 5) ... 333.1.1. Questão 1....................................................................................................... 333.1.2. Questão 2....................................................................................................... 343.1.3. Questão 3....................................................................................................... 363.1.4. Questão 4....................................................................................................... 373.1.5. Questão 5....................................................................................................... 383.2 QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS (QUESTÕES DE 1 A 7) ............. 393.2.1 Questão 1....................................................................................................... 403.2.2 Questão 2....................................................................................................... 413.2.3 Questão 3....................................................................................................... 423.2.4 Questão 4....................................................................................................... 423.2.5 Questão 5....................................................................................................... 433.2.6 Questão 6....................................................................................................... 443.2.7 Questão 7....................................................................................................... 45CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 47REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 49
  9. 9. 7 INTRODUÇÃO O bullying, no mundo atual, é concebido como um grave problema e estápresente nos mais diversos setores da sociedade, principalmente no contextoescolar. Na escola, é visto como uma forma de violência caracterizada poragressões físicas ou morais entre alunos, sejam crianças, sejam adolescentes. O presente trabalho, com isso, propõe-se a um estudo sobre o bullying noGinásio Antônio Simões Valadares. Questão essa que tem provocado preocupaçõese, para tanto, através desta monografia, procuraremos chamar a atenção de váriossegmentos da sociedade itiubense. Vale ressaltar que a escolha do tema em pauta foi devido a, antes de tudo,sermos professores, atuando em sala de aula, fato que nos aproxima ainda maisdessa realidade que pede “um olhar” mais detido, principalmente dos educadores.Além disso, estamos concluindo o curso de graduação em Pedagogia, o queaumenta ainda mais a nossa responsabilidade, não só de cuidar das questõespedagógicas, mas também de focalizarmos a escola como um todo. Apesar de termos ciência de que o bullying, em se tratando deste município,também envolve a família e outros setores competentes, no que se refere a tomadasde providências, procuraremos, sem desprezar a participação desses segmentos,centrar essa pesquisa no corpo docente deste estabelecimento de ensino, pois sesabe que a busca de solução para tal questão está mais na escola, que, comcerteza, é a mais visada e é quem tem, por sua vez, um papel mais definido,implicando, com isso, sobretudo na preparação de seus profissionais para enfrentaresse tipo de agressão. Sabe-se, por outro lado, que esse é um dos assuntos mais comentados e quetem deixado muitos professores apreensivos, tanto pela divulgação na mídia,através da televisão, rádios, jornais e revistas, que constantemente estão expondoos mais diversos casos assombrosos de bullying, quanto pelo alerta documental epróprio para estudos, com a extensa lista de trabalhos acadêmicos publicados. É preciso também destacar o modo como esses educadores encaram essarealidade em suas escolas: mostram-se passivos, ou seja, “não dão muitaimportância”. Daí surge o seguinte questionamento: estão esses educadores bemorientados e, consequentemente, preparados para enfrentar esse tipo de violência?
  10. 10. 8 Desse modo, torna-se importante saber se essa equipe escolar estárealmente preparada para lidar com esse fenômeno, fator que nos possibilitará -mesmo que esses já tenham alguma preparação - por meio deste trabalhomonográfico, estimular reflexões e outras formas de atuação, para que os mesmospossam assumir novas posturas e, assim, tomar medidas mais eficazes diante destaquestão. Assim, tem este trabalho de pesquisa os seguintes objetivos:Objetivo geral: Avaliar a ocorrência do bullying no Ginásio Municipal Antonio SimõesValadares, bem como as ações dos professores voltadas para esse fenômeno.Objetivos específicos: verificar se há registro de ocorrência de bullying no citadoestabelecimento de ensino e detectar se as ações dos professores estão voltadaspara a prevenção e combate ao bullying. Esta monografia, por conseguinte, foi dividida em três capítulos, descritos daseguinte forma: No primeiro capítulo, consta a Fundamentação Teórica, amparada pelasconcepções dos teóricos, focalizando as conceituações de violência, violência naescola e bullying, como ele é encarado, quais as suas causas e consequências e deque modo a família, a sociedade e a escola podem lidar com esse problema, dentreoutros enfoques. A exposição no segundo capítulo está voltada à Metodologia. Quando foramdescritos: o tipo da pesquisa, participantes, local da pesquisa, instrumentos,procedimentos e análise. No terceiro capítulo encontram-se os Resultados apresentados. Foramanalisadas as respostas dadas pelos professores e alunos, comprovando-se, porfim, a existência do bullying na unidade de ensino pesquisada. Nas Considerações Finais foram ressaltados a importância desta pesquisa,os objetivos alcançados e recomendações direcionadas ao gestor escolar edocentes do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares sobre a necessidade dese colocar em práticas ações não só preventivas, mas também combativas contra obullying, citou-se inclusive a necessidade de participação de outros segmentos dasociedade.
  11. 11. 9 CAPÍTULO I 1. O BULLYING E SUAS IMPLICAÇÕES 1.1. CONCEITOS DE VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA NA ESCOLA E BULLYING Antes de se conceituar bullying, serão apresentadas as definições de violência emseu sentido mais amplo, depois o que é a violência na escola. A violência, numavisão mais geral, segundo Aulete (2004, p.814): “Consiste na utilização por alguémda força bruta em suas relações com outras pessoas, com animais, plantas e coisas,para se obter algo”. Para Olweus (1999, p.12): A violência é "o comportamentoagressivo em que o autor ou perpetrador utiliza o seu próprio corpo ou um objeto(incluindo uma arma) para provocar danos (relativamente graves) ou desconfortonoutra pessoa". Conforme a Organização Mundial de Saúde -OMS (KRUG et al,2002), violência é a utilização intencional de força ou poder físico, por ameaça ou defato, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade queresulta em ou tem alta probabilidade de resultar em ferimentos, morte, danopsicológico, mau desenvolvimento ou privação. Verifica-se, assim, que dos conceitos apresentados, para Caldas Aulete, aviolência se caracteriza da forma mais ampla possível, inclusive direcionando “essaforça bruta” contra os elementos da natureza(animais, plantas e coisas); enquantoque os conceitos de Dan Olweus e da OMS possuem quase uma equivalência, poistratam a violência como danos provocados contra outrem, só que o da OMS vai maisalém ao citar “os danos psicológicos”. Ao falarmos de violência na escola, o termo bullying ou o seu equivalente noutraslínguas é habitualmente utilizado (Finlandês: "koulukiusaaminen", Dinamarquês:"mobbe", Alemão: "Mobbing", Português: "maus-tratos entre iguais"). Olweus (1993,p. 9) estabelece a seguinte definição geral de maus-tratos entre iguais: “Umestudante é agredido ou vitimizado quando é exposto repetida e frequentemente aações negativas por parte de um ou mais colegas seus". Desse modo, o bullying, apoiando-se no conceito de Fante (2005) é toda forma deagressão, física ou verbal sem um motivo aparente, trazendo às suas vítimasconsequências que vão desde o âmbito emocional até consequências naaprendizagem.
  12. 12. 10 Portanto, percebe-se que enquanto a violência, em seu sentido mais geral,reúne características mais diversas e está presente nos mais variados contextos, obullying caracteriza-se como um tipo de violência mais específica, ocorrendo nasuniversidades, nas famílias, entre os vizinhos, no trabalho, dentre outros contextos,mas a sua maior incidência é nas escolas. 1.2. CONHECIMENTO SOBRE O BULLYINGNos últimos tempos, muito tem sido noticiado, nos mais diversos meios decomunicação, sobre as ocorrências de bullying, o qual é considerado uma dasviolências que mais tem crescido no mundo, sendo a escola o lugar principal ondeele ocorre. O trecho a seguir reforça essa afirmação: O bullying é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING entre seus alunos, ou 1 desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.1 O bullying apresenta-se, a princípio, como uma brincadeira, e pode atéparecer, no entanto traz efeitos sérios às suas vítimas, tanto fisicamente quantopsicologicamente. No contexto escolar, pode afetar a criança ou o adolescente,causando graves prejuízos principalmente no rendimento escolar. Manifesta-se,assim, nas mais variadas formas. A respeito disso, Fante (2005) afirma: Por definição universal, bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying. (FANTE, 2005. p.28-29). Em meados da década de 1990, essas chamadas “brincadeiras” passaram ase denominar como bullying, quando Dan Olweus, pesquisador e educador dauniversidade de Bergen, na Noruega, mais precisamente em 1980, incomodado como número de suicídios que vinha ocorrendo entre estudantes, fez uma pesquisa e1 Portal MINE WEB EDUCAÇÃO, criado pela Profa. Arlete Embacher, p. 1 - Site: www.miniweb.com.br/educadores/artigos/bullying.htm l - Acessado em09/09/2011.
  13. 13. 11detectou as consequências que o mesmo pode causar. Fante (2005), com referênciaa essa afirmação, faz a abordagem que se segue: O fenômeno bullying começou a ser estudado na década de 1970 na Suécia e na Dinamarca. A partir de 1980 foi desenvolvida, na Noruega, uma pesquisa sobre o tema. Dan Olweus, da Universidade de Bergen, estabeleceu critérios para identificação das condutas de bullying e distinção destas com brincadeiras que são próprias do ambiente. Os critérios estabelecidos foram: ações repetitivas contra a mesma vítima num período prolongado de tempo, desequilíbrio de poder, dificultando a defesa da vítima e a ausência de motivos que justifiquem o ataque (FANTE, 2005, p.49). O bullying, no Brasil, passou a ser conhecido e estudado pela ABRAPIA(Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência).Essa pesquisa foi desenvolvida, através de um projeto, em onze escolas do Estadodo Rio de Janeiro, cujo objetivo era, sobretudo, combater e prevenir a ocorrência debullying. A referida pesquisa foi realizada no período de janeiro de 2002 a março de2003, com alunos de 5ª a 8ª série dessas escolas, e apontou alguns dadossignificativos (SILVA, 2010, p.113): 1º) 40,5% dos alunos admitiram ter tido algumtipo de envolvimento direto na prática de bullying; 2º) As agressões ocorremprincipalmente na sala de aula (60%); 3º) 50% das vítimas admitem que nãorelataram os fatos aos professores; 4º) 80% dos alunos manifestaram sentimentoscontrários aos atos de bullying e 5º) Entre os autores de bullying, 51% afirmaramque não receberam nenhum tipo de orientação ou advertência quanto à incorreçãode seus atos. É um problema que vem se intensificando no mundo inteiro. Alguns casospodem ser destacados, inclusive envolvendo assassinatos e suicídios das vítimas,citados por Fante (2005, p. 21-22): O que antes ocorria de forma esporádica, após a década de 1990 transformou-se numa sequência de trágicos assassinatos e suicídios no interior das escolas. Em 1997, na cidade de West Paducah, Kentucky, um adolescente de 14 anos matou a tiros três companheiros de escola, após a oração matinal, deixando mais cinco feridos. Em 1998, em Jonesboro, Arkansas, dois estudantes, de 11 e 13 anos, atiraram contra sua escola, matando quatro meninos e uma professora. Também em 1998, em Springfield, Oregon, um adolescente de 17 anos matou a tiros dois colegas e feriu mais vinte. Em 1999, dois adolescentes, de 17 e 18 anos, provocaram a tragédia de Columbine, em Littleton, Colorado. Com explosivos e armas de fogo, assassinaram doze companheiros, um professor e deixaram dezenas de feridos. Em seguida suicidaram-se. Ainda em 1999, uma semana após o massacre de Columbine, em Taber, Canadá, um adolescente de 14 anos disparou ao seu redor, matando um colega de escola. Outros massacres ainda foram praticados na década de 1990, na Escócia, no Japão e em vários países africanos. Em novembro de 1999, na Alemanha, um estudante de 15 anos matou a facadas uma professora. Em março de 2000, um aluno de 16 anos matou a tiros o diretor da escola e depois tentou o suicídio. Em fevereiro de 2001, um jovem de 22 anos matou a tiros o chefe de sua empresa; depois se dirigiu a sua ex-escola, matou o diretor e suicidou-se com explosivos. Na Alemanha, em abril de 2002, na
  14. 14. 12 cidade de Erfurt, um jovem de 19 anos chacinou 16 pessoas: duas garotas, 13 professores, uma secretária, e um policial que atendeu ao chamado de emergência; em seguida, suicidou-se (FANTE, 2005, p. 21-22). No Brasil, uma pesquisa do IBGE, feita em 2009, revelou os seguintes dados:quase um terço, 30,8% dos estudantes brasileiros já passou por essa experiência debullying, sendo as maiores vítimas do sexo masculino. As maiores ocorrências foramregistradas em escolas privadas, 35,9%, e nas públicas, os casos atingiram 29,5%dos estudantes. Outra pesquisa, feita pelo IBGE, em 2009, apontou Brasília e BeloHorizonte, como as capitais brasileiras onde há maiores incidência de assédioescolar, apresentando respectivamente os seguintes índices: 35,6% e 35,3%.Merece destaque alguns casos de bullying ocorridos em várias cidades brasileiras: Em janeiro de 2003, Edimar Aparecido Freitas, de 18 anos, invadiu a escola onde havia estudado, no município de Taiúva, em São Paulo, com um revólver na mão. Ele feriu gravemente cinco alunos e, em seguida, matou- se. Obeso na infância e adolescência, ele era motivo de piada entre 2 colegas. Na Bahia, em fevereiro de 2004, um adolescente de 17 anos, armado com um revólver, matou um colega e a secretária da escola de informática onde estudou. O adolescente foi preso. O delegado que investigou o caso disse que o menino sofria algumas brincadeiras que 3 ocasionavam certo rebaixamento de sua personalidade. Em 2010, em um colégio da Zona Sul de Belo Horizonte, uma menina de 13 anos foi vítima de agressões verbais por um colega de sala, de 14 anos, que se dirigia a ela com apelidos pejorativos e ainda levantava dúvidas sobre sua sexualidade em público. Os pais da menina chegaram a procurar a escola, que nada fez para coibir as agressões. Até que resolveram levar o caso a um advogado, que propôs uma ação de indenização na 27ª Vara Cível. Após o julgamento, o juiz determinou que os pais do agressor pagassem 4 indenização de R$8 mil reais aos pais da vítima. Em 7 de dezembro de 2010, o estudante Matheus Abvragov Dalvit, 15 anos, foi morto com um tiro nas costas na noite de terça-feira quando descia de um ônibus na zona norte de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, ele era vítima de piadas dos 5 colegas de escola. Outro caso, ocorrido, recentemente, que chocou o país, em 7 de abril de 2011, doze adolescentes da Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro de Realengo, na zona Oeste do Rio de Janeiro, foram mortos pelo ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que 2 depois cometeu suicídio. Diante do exposto, verifica-se o triste quadro apresentado, o que nos convidaa uma reflexão sobre o quanto esse tipo de violência tem se disseminado econsequentemente provocado preocupações, não só na sociedade como um todo,mas também da escola, que é, mais particularmente, o palco onde acontecem essesatentados violentos. 1.3. OS ENVOLVIDOS NO BULLYINGO bullying envolve mais, a princípio, o agressor, a vítima e testemunha. O autor ouagressor é quem pratica o bullying, e quase sempre, quer mostrar domínio_________________________ 2 Portal da revista Veja, p. 1- blog Reinaldo Azevedo- site - veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/tragedia-no-rio/ - acessado em 10/09/2011.
  15. 15. 13 e força perante os outros, por isso, escolhe o seu alvo dentre os mais fracos,ou aqueles que têm alguma diferença em relação aos demais. Quase sempremantém em sua volta auxiliares para seus atentados, os quais se comportam comocativos, pela vaidade de pertencerem ao grupo dominante. Não usam seus colegassomente para promover “diversão”, como também é importante ressaltar como osusam como “escadas” para alcançar um determinado status, “respeito” e admiraçãodos seus colegas. Cabe, dessa forma, destacar a afirmação de Chalita (2008, p.86):“os autores do bullying, normalmente são alunos populares que precisam de plateiapara agir. Reconhecidos como valentões, oprimem e ameaçam suas vítimas pormotivos banais, apenas para impor autoridade”. O agressor, dentre outros perfis, adota uma variedade de comportamentosanti-sociais, bem como a agressividade é vista como uma qualidade. Desfere contrasuas vítimas nos banheiros, corredores, cantina, no pátio, reservando suas açõesdurante a ausência dos adultos. Esses jovens correm um risco muito grande devirem a se transformar em criminosos. Segundo Neto (2004), o autor de bullying étipicamente popular, tende a envolver-se em uma variedade de comportamentosnegativos, pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos, vê a sua atividadecomo uma qualidade. Há casos em que a agressão vai além das paredes do colégio,passando a ser telefônico e inclusive pelo correio eletrônico, chamado cyberbullying. Esse agressor não deixa de ser vítima das circunstâncias, dos exemplos quepossui em casa, das situações vivenciadas no meio social e principalmente familiar.Com isso, a criança ou adolescente, que age dessa forma, necessita de ajuda. As vítimas, no ambiente escolar, são alunos que possuem perfis oudiferenças físicas, intelectuais, culturais, étnicas ou religiosas, com referência aogrupo. Os fundamentos do bullying, para Nogueira (2003), são o preconceito e adiscriminação, a discriminação social (aos pobres), racial (aos negros, japoneses),de gênero (os meninos em relação às meninas) e aos que se distanciam dospadrões colocados pelo grupo de pares, ou seja, aos bons alunos, aos maus alunos,aos novatos na escola, aos gordos, aos feios, enfim, aqueles que têm alguma“deficiência”,e essas diferenças vão se construindo como estigma. Com referência a tal afirmação Fante (2005, p.62-63) apresenta, no trecho aseguir, o seguinte posicionamento: O bullying começa frequentemente pela recusa de aceitação de uma diferença, seja ela qual for, mas sempre notória e abrangente, envolvendo religião, raça, estatura física, peso, cor dos cabelos, deficiências visuais,
  16. 16. 14 auditivas e vocais; ou é uma diferença de ordem psicológica, social, sexual e física; ou está relacionada a aspectos como força, coragem e habilidades desportivas e intelectuais. (FANTE, 2005, p.62-63). Devido ao comportamento das vítimas ser marcado por baixa estima, têmmedo e evitam reagir às agressões. Apresentam reações e temperamentos, muitasvezes, que demonstram introspecção, atitudes de temor, comportam-se de umaforma que fica fácil identificar se tal ou tal aluno está sendo vítima do bullying.Conforme Olweus (1993), as vítimas de bullying, normalmente, são passivas,mostram-se isoladas (excluídas), introvertidas e/ou inibidas; firmando-se numapercepção negativa de si mesmas e da situação em si, uma vez que não veemalternativas para mudar a situação. Conforme Salmivalli, Lagerspetz e Karin (1996), as vítimas podem serdivididas em três tipos, levando-se em consideração a sua reação frente à agressão:vítimas-agressoras, vítimas que pedem ajuda e vítimas que ocultam ser agredidas.O primeiro caso se dá mais em garotos, o segundo, mais em garotas e o terceiro sedivide por igual entre garotos e garotas. Assim como os agressores que precisam de acompanhamento e ajuda, acriança ou adolescente, vítimas dos bullies, necessitam também desses mesmoscuidados. Os expectadores ou testemunhas são aqueles(as) que indiretamenteparticipam do bullying, isto é, assistem a todos os acontecimentos. Face à “lei dosilêncio” que, quase sempre, impera no próprio meio escolar, os expectadores nãotomam partido, veem tudo, mas nada falam, nada afirmam e assim não denunciamos agressores, isso ocorre por medo de sofrerem agressões ou serem coagidospelos mesmos. Sabem que as vítimas sofrem humilhações, discriminações,exclusões, porém, têm medo de denunciar e receberam esses mesmos maus-tratos. Menesini et al (1997, p.23), no excerto que se segue, comenta essasafirmações: As testemunhas de bullying não se envolvem diretamente nas agressões com seus pares. Muitas vezes, simpatizam com os colegas vitimizados e condenam o comportamento dos jovens que agridem. Entretanto, essas crianças ou adolescentes têm medo de se tornarem alvos das agressões e, por essa razão, não intervêm e esperam que um professor ou algum pai faça isso. (MENESINI et al., 1997, p.23). Pressupõe-se, desse modo, que há uma importância por parte dosexpectadores ou dos alunos que testemunham “não-envolvidos”, no que tange aofato de que esses poderiam fazer suas denúncias, entretanto ora se mostram
  17. 17. 15omissos para com as vítimas, ora são coniventes com os agressores, colaborando,com isso, para a manutenção e, consequentemente, a continuação dos casos debullying. 1.4. CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING Conforme estudos e pesquisas feitas por especialistas, as causas desse tipode comportamento abusivo são muitas e diversificadas, podendo ser pessoais,familiares e escolares. Cabe aqui citar que uma das causas, talvez a maisdestacada, é a que reside no fato de que o bullie já passou por situação de servítima, assim, a relação de dominador a dominado e de dominado a dominador vaisempre se repetindo. Há, por outro lado, aquelas que se originam das influênciaspresentes no meio familiar - principalmente nos rapazes - além de outras, são asque vão desde a ausência de um pai, de outro modo, da presença de um paiviolento, há também a influência que advém dos conflitos de pais, bem como dasituação socioeconômica do lar. O trecho que se segue, amplia essas afirmações: Em resumo, as causas do bullying podem residir nos modelos educativos a que são expostas as crianças, na ausência de valores, de limites, de regras de convivência; em receber punição ou castigo através de violência ou intimidação e a aprender a resolver os problemas e as dificuldades com a violência. Quando uma criança está exposta constantemente a essas situações, acaba registrando automaticamente tudo em sua memória, passando a exteriorizá-las quando encontra oportunidade. Para a criança que pratica o bullying, a violência é apenas um instrumento de intimidação. Para ele, sua atuação é correta e, portanto, não se autocondena, o que não quer dizer que não sofra por isso3. Em se tratando das consequências para o agressor, verifica-se que essesagressores, no decorrer dos anos, vão adquirindo tendências que são denominadascomo comportamento de risco, dentre outros, podendo ser destacados: 1º) oconsumo de álcool e de estupefacientes; fraco envolvimento escolar e familiar; 2º)absentismo e/ou abandono escolar; 3º) comportamentos que coloquem a suaintegridade física em risco e a dos outros, como são o caso da condução comexcesso de velocidade ou manobras consideradas perigosas e atividadesdesportivas de risco e 4º) suicídio. (ABRAPIA, 2006). No que refere às consequências para a vítima, serão enumeradas asprincipais, visto que são elas encontradas em grande quantidade: baixa autoestima;medo; angústia; pesadelos; falta de vontade de ir à escola e rejeição da mesma;ansiedade; dificuldades de relacionamento interpessoal; dificuldade de
  18. 18. 16concentração; diminuição do rendimento escolar; dores de cabeça; dores deestômago e dores não especificadas; mudanças de humor súbitas; vômitos; urinarna cama; falta de apetite ou apetite voraz; choro; insônias; medo do escuro; ataquesde pânico sem motivo; sensação de aperto no coração; aumento do pedido dedinheiro aos pais e familiares; furto de objetos em casa; surgimento de materialescolar e pessoal danificado; desaparecimento de material escolar; abuso de álcoole/ou estupefacientes; automutilação; stress e suicídio. (VENTURA, 2006). Além das consequências para os agressores e vítimas, é importante tambémapresentar as principais consequências do bullying no meio escolar, são elas: 1ª)ansiedade e medo; 2º) níveis elevados de evasão escolar; 3ª) alta rotatividade doquadro de pessoal; 4ª) desrespeito pelos professores (e agressões); 5ª) grandenúmero de faltas por motivos menores; 6ª) porte de arma por parte dos alunosvisando proteção pessoal; 6ª) ações judiciais contra a escola ou outro responsável(professor, auxiliar de ação educativa, entre outros), assim como contra a família doagressor. (ABRAPIA, 2006). Pode, dessa forma, ser comprovado que as consequências deste fenômenono meio escolar não só afetam os alunos e as vítimas, mas todos os atorespresentes nestes locais, desde os professores até os encarregados de educação,passando pelos auxiliares de ação educativa e afins. (ABRAPIA, 2006). 1.5. RELAÇÕES ENTRE GÊNERO E BULLYING Os agressores não apenas são os meninos, mas também as meninas, queutilizam, para esse fim, de diversas táticas que vão das agressões diretas àsindiretas. Os meninos usam mais das agressões diretas, enquanto as meninas, asindiretas. Os homens aprendem desde a idade de criança e são educados assimpor uma cultura “machista”, nela prevalecendo que para se adquirir status e serreconhecido na sociedade como alguém com “potencial”, necessário se faz tersuperioridade física, habilidades atléticas, ser líder, forte, não demonstrar fraqueza,não demonstrar sentimentos, enfim, ter poder para dominar e serem dominadores.(SIMMONS, 2004; PIPHER, 1998). Logo, para os meninos as suas ações, em meio a outras, partem dasseguintes atitudes, como: bater, falar mal, gritar, empurrar, já as meninas fazemboatos, fofocas, demonstram, através de olhares, nojo, horror, repugnância, práticasque caracterizam as agressões indiretas, firmadas na ausência de confronto direto
  19. 19. 17com a sua vítima. As meninas tiveram uma educação diferenciada da dos meninos,o que influencia as práticas agressivas mais indiretas. Se os homens são criadospara serem “durões”, as mulheres, ao contrário, são educadas para serem “bemcomportadas.” A respeito da agressão e dos papéis masculinos e femininos,Simmons (2004, p.27) afirma: A agressão é um poderoso barômetro de nossos valores sociais. Segundo a socióloga Anne Campbell, as atitudes relacionadas com a agressão cristalizam papéis sexuais, ou a ideia de que esperamos que certas responsabilidades sejam assumidas por homens e mulheres por causa do seu sexo. Não obstante o excesso de times femininos de futebol, a sociedade ocidental ainda espera que os meninos se tornem os provedores e protetores da família, e as meninas sejam nutrizes e mães. A agressão é marca registrada da masculinidade; ela permite aos homens controlar o ambiente em que vivem e a sua subsistência. Para o que der e vier, os meninos gozam de total acesso às brigas. O vínculo começa desde cedo: a popularidade dos meninos é em grande parte determinada por sua disposição de jogar duro. Eles conseguem o respeito dos colegas pelas proezas atléticas, pela resistência a autoridade pelas atitudes firmes, impertinentes, dominadoras, frias e confiantes. Dentro desse contexto, cabe destacar, dentre outros, alguns tipos de bullying,que ora são praticados através do contato mais direto, ora, no contato mais indireto:VERBAL: chamar nomes, ser sarcástico, lançar calúnias ou gozar com algumacaracterística particular do outro (“gordo”, “caixa de óculos”, etc.); FÍSICO: puxar,pontapear, bater, beliscar ou outro tipo de violência física; EMOCIONAL: excluir,atormentar, ameaçar, manipular, amedrontar, chantagear, ridicularizar, ignorar;RACISTA: toda a ofensa que resulte da cor da pele, de diferenças culturais, étnicasou religiosas; CYBERBULLYING: utilizar tecnologias de informação e comunicação(internet ou telemóvel) para hostilizar, deliberada e repetidamente, uma pessoa, como intuito de magoá-la. 1.6. AMPAROS LEGAIS FRENTE AO BULLYING É de grande importância destacar mecanismos legais, dentre outros, queresguardam alguns direitos e estão presentes em documentos oficiais, como: naConstituição Federal do Brasil 1988, na Declaração Universal dos Direitos Humanos,no Código Penal Brasileiro, no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como noCódigo de Defesa do Consumidor.8 A Constituição Federal Brasileira de 198813 prevê que pode ser consideradocomo direito fundamental, devendo, portanto ser respeitado, a preservação doprincípio da dignidade da pessoa humana que se constitui um dos fundamentos,
  20. 20. 18relacionado ao Estado Democrático de Direito, nos termos do art. 1º, inciso III,passando as crianças e adolescentes a serem considerados sujeitos de direitos, nãomais figurando como propriedade da família ou objeto de tutela do Estado. Além dodispositivo que garante os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana,considera os que asseguram o direito subjetivo de desenvolvimento físico, mental,moral, espiritual e social dos infanto-juvenis. O primeiro artigo, da Declaração Universal dos Direitos Humanos cita: “Todosos seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados derazão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito defraternidade”. Dessa forma, essa Declaração aponta para os seguintes aspectos: agarantia da proteção pelo Estado de Direito, o gozo de direitos e liberdadesestabelecidos neste documento, além de não aprovar a discriminação, seja dequalquer forma. Para o Código Penal Brasileiro, o bullying se origina de um desrespeito emrelação ao outro, onde se percebe atos de intimidação, humilhação, discriminação,ocasionando, muitas vezes, mortes de vítimas. Assim, considera a referida lei que agravidade do bullying pode ser concebida através da descrição dos seus atos, e, poressa razão, quase todos os casos são considerados à luz do Direito penal comocrimes. Segundo o referido Código, o fenômeno ultrapassa os limites da percepçãoisolada da ação que pode receber um tratamento penal, como é o caso da lesãocorporal, da injúria e do dano. No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) há dispositivos que asseguramgarantias, em observância tanto ao comportamento discriminatório e agressivo dosbullies, quanto à forma como atentam acintosamente contra o respeito e a dignidadede suas vítimas. Esse documento resguarda os direitos de participação na vidafamiliar, sem discriminação; a salvaguarda de qualquer tratamento desumano,violentos, vexatório e constrangedor; apontando, inclusive, o pagamento de multaspara algumas instituições, escolas e creches, bem como professores e médicos,dentre outros, que deixarem de informar ao Conselho Tutelar sobre os maus-tratospraticados contra a criança e o adolescente. O Código de Defesa do Consumidor, por sua vez, por considerar a escola comoprestadora de serviços, é mais taxativo e responsabiliza essa como responsável
  21. 21. 19pelos atos de violência que aconteçam com os alunos, justificando, para tanto, ser amesma responsável pela preservação da integridade física e psíquica do aluno3.2 1.7. PREVENÇÃO E COMBATE AO BULLYING Quando se procura apontar a responsabilidade pela prevenção e o combate àprática do bullying, costuma-se, impensadamente, direcionar o problema, em umprimeiro momento, somente à escola, que por ser uma instituição voltada àinstrução, aos aprendizados e ascensão social e conviver com os grandes conflitos,sobretudo atualmente, subentende-se ser ela a grande responsável e a mais visada.Mas, ao se verificar mais racionalmente, comprova-se que a família e a sociedadesão também responsáveis e muito, pois se sabe que a violência, quase sempre, temvestígios anteriores, ou seja, começa muito antes de chegar aos espaços escolares.Assim, essa exposição abordará, primeiramente, a responsabilidade da família,depois da sociedade e, por último, da escola. 1.7.1. Responsabilização da família A família é inegavelmente uma das responsáveis, cabendo a essa umreconhecimento do seu papel e o compromisso de se mobilizar em busca desoluções, porque o que pode ser verificado, em qualquer época, é que uma dassuas funções, ou dos pais mais particularmente, é cuidar da educação dos seusfilhos. Para que se possa ter uma comprovação da afirmação anterior, necessário sefaz arrolar alguns conceitos sobre a família, destacando-se como isso ocorreu emalguns períodos históricos. Primeiramente, se tomarmos o Antigo Regime, observaremos que a criançanão tinha infância, por isso era vista como um “adulto jovem”, o que é corroboradopor Ariès (1998, p. 10 -11): “a criança, de muito pequena a adulto jovem, ou seja,passando de uma fase para outra, não vivenciava a juventude, etapa conhecida naIdade Média e que se configurou como o aspecto essencial das sociedades dos diasatuais”. As crianças, no modelo de família em alusão, logo cedo se envolvia com osadultos, ajudando os pais. Enquanto as meninas se encarregavam de tarefas no lar,23 O Fenômeno bullying no ambiente escolar”, por Letícia Gabriel Ramos Leão. Aspectos legais, p. 129 a 133. Disponível em:http://www.facevv.edu.br/Revista/04/O%20FEN%C3%94MENO%20BULLYING%20NO%20AMBIENTE%20ESCOLAR%20-%20leticia%20gabriela.pdf -Acessado em 03/10/2011
  22. 22. 20os meninos cuidavam da conservação dos bens e negócios familiares. Assim, eracomo adquiriam tanto os conhecimentos quanto os valores essenciais à suaformação. Não havia demonstração de afetividade, apesar de a família se fazerpresente. No período denominado de Estado Novo, cabia à esposa a tarefa pelaeducação dos filhos e o pai se encarregava pelo sustento da família, Gameiro (1989,p.359-360) afirma: “O pai surge como o único angariador pelo sustento da família(...) se ele desaparece, não há dinheiro para comprar o necessário”. No entanto, houve alterações sociais, no decorrer dos tempos: o casamentotornou-se mais instável, surge um número crescente de divórcios, as mulherespassaram a exercer atividades profissionais e a estudarem até mais tarde,conquistando, com isso, a sua independência econômica, deixando para segundoplano a maternidade. Cabe citar o registro no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacionalsobre Educação para o Século XXI (1996, p.95): “A família constitui o primeiro lugarde toda e qualquer educação e assegura, por isso, a ligação entre o afetivo e ocognitivo, assim como a transmissão dos valores e normas”. A educação do jovem, no século XXI, tem se tornado algo muito difícil, devidoà ausência de modelos e de referenciais educacionais. Os pais de ontem, mostram-se perdidos na educação das crianças de hoje. Estão cada vez mais ocupados como trabalho e pouco tempo dispõem para dedicarem-se à educação dos filhos. Esta,por sua vez, é delegada a outros, ou em caso de famílias de menor poder aquisitivo,os filhos são entregues à própria sorte. Os pais não conseguem educar seus filhosemocionalmente e, tampouco, sentem-se habilitados a resolverem conflitos por meiodo diálogo e da negociação de regras. Optam muitas vezes pela arbitrariedade donão ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial deconvivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e noafeto4.3 É verificada também a influência que tem as novas tecnologias, seduzindo ascrianças, despertando-as para novos saberes, progredindo, desse modo, os seusconhecimentos, em parte na família, em parte na escola e em parte no meio social.Por outro lado, o lazer e o convívio com os colegas têm uma importância grande no4 Bullying no ambiente escolar: o que é?”, por Márcio Balbino Cavalcante, p. 1 site - meuartigo.brasilescola.com/.../bullying-no-ambiente-escolar-que-e.htmrecortado do Google - Acessado 19/01/2012.
  23. 23. 21processo de socialização e formação. Machado Pais (1993) cita que as culturasjuvenis são direcionadas mais para o lazer, de certa forma, em oposição ao sabertradicional dado na escola e na família, que só objetivam a ordem e a certeza, bemcomo o ensino e a transmissão de conhecimentos. Portanto, ainda que exista certa continuidade na transmissão de valores depais para filhos, é comprovado que os jovens de hoje adquirem a sua identidadetanto na família quanto fora dela. Entretanto, vale ressaltar que a família não podedeixar de cumprir com o seu papel e transferir a responsabilidade a outros agenteseducativos no que tange à educação e formação dos seus filhos. Muito pelocontrário, deve assumir a responsabilidade de formadora de cidadãos, devendoabandonar a postura superprotetora, pautada em crença de que amor é a aceitaçãode toda e qualquer atitude dos seus filhos, bem como continuar a satisfazer todos osseus desejos, evitando criticá-los e a responsabilizá-los. A família, assim, deve teruma responsabilidade maior, que se resume na afirmação ética de seus filhos,incutindo nesses a não aceitarem o desrespeito aos velhos e aos mais fracosprincipalmente. Cabe à família exercer a crítica perante o que deve ser criticado,propondo a justiça e a compreensão, sem jamais se esquecer de ajudar o seu filho,estando ele na posição de vítima, de agressor ou de testemunha 5.4 Segundo Moreno (2002, p. 251), os valores “são um dos traços maisimportantes do aprendizado no seio familiar”. Por isso, é importante a manutençãodo diálogo e o desenvolvimento afetivo no meio familiar. Para Pedra (2008, p.123):“é o começo de toda educação estruturada, o desenvolvimento do afeto entre osmembros de uma família, para tanto, é de grande importância reservar-se um tempopara a convivência saudável, principalmente com os filhos, quando o diálogo deveser a tônica constante”. Esse aprendizado é imprescindível no lar, cabendo aqui oregistro de Chalita (2008, p. 168): Quando a família abre mão desse aprendizado, abre também espaço para a violência, para as atitudes que enfraquecem e isolam atrás de grades, muralhas e guaritas. A violência que invade ou nasce no espaço familiar se expande para todos os outros segmentos da sociedade como uma teia de relações destrutivas que se reproduz e contamina os ambientes e as pessoas.5 Blog Associação dos Pais da Escola, “Bullying, Provocadores, vítimas”, Boletim “Entre Pais”, de 14/01/2006. sitehttp://apeedpedroiv.bloguepessoal.com/25330/BULLYING. Acessado em 19/01/2012
  24. 24. 22 Logo, é no ambiente familiar, alicerçado em valores sólidos, que a criançadeve criar não só relacionamentos significativos e duradouros, mas tambémdesenvolver valores humanos, sobretudo no que diz respeito a aceitar as diferençasde cada indivíduo, aprendendo a lidar com seus sentimentos e emoções, o que,certamente, suprirá suas necessidades de amor e de valorização. Porém, éimportante destacar que sem o envolvimento dos pais, auxiliando-os,acompanhando-os, orientando-os, enfim, dando o afeto necessário, estarão os seusfilhos mais expostos e vulneráveis ao envolvimento em atentados violentos, como éo caso do bullying. 1.7.2. Responsabilização da sociedade Quando se evidencia a responsabilidade da sociedade na prevenção e nocombate ao bullying, não se está querendo, com isso, excluir dela a família e aescola como segmentos sociais, mas ressaltar que, conjuntamente com a escola e afamília, deve-se também contar com os setores competentes, com as ações dosgovernos (em todas as suas esferas), os poderes legislativo e judiciário e dosdemais órgãos e instituições envolvidas com essa questão, não deixando de citar,desde a participação do aparelho de policiamento até os tratamentos de saúde,sobretudo os oferecidos pelos psicólogos. É preciso o entendimento de que aviolência tanto perpassa pelas relações de classes quanto entre grupos culturais,isso na sociedade como um todo, Tavares dos Santos (2001, p.105) aprova essaafirmação, quando cita “As relações entre a escola e as práticas da violênciapassam pela construção da complexidade das relações sociais”. Cabe, assim, aos governos o desenvolvimento e execução de políticaspúblicas, implementando programas ou apresentando propostas que objetivem aprevenção e o combate ao bullying. A respeito disso, vários estados já estão semobilizando, ainda que de uma forma tímida, podendo ser citado, como exemplo,uma matéria, sobre o 1º Fórum realizado no Rio Grande do Sul, cujo tema foi “OGoverno Escuta debate bullying e aponta ações de combate à violência escolar” Buscar soluções para evitar o crescimento das agressões nas instituições de ensino. Este foi o principal eixo do primeiro fórum O Governo Escuta, realizado na manhã desta quarta-feira, dia 04/05/2011, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, sob o tema "Violência no Ambiente Escolar, Bullying e seus Desdobramentos (...)." Com a presença de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, o palestrante Marcos Rolim, membro
  25. 25. 23 fundador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Brasileiro de Justiça Restaurativa, apresentou uma ampla definição da forma como se apresenta o bullying nas escolas, ressaltando que "esta é uma agressão invisível e que, infelizmente, alunos de todas as escolas do mundo sofrem desta humilhação". Conforme Rolim, o auge da prática do bullying ocorre entre a 5ª a 8ª séries, sendo que as crianças que mais sofrem têm, em média, 13 anos. Para ele, a principal ação, no sentido de evitar o crescimento destas agressões, ocorre por meio de políticas públicas. "É preciso que fiquem claras as noções de disciplina em relação aos direitos e deveres de alunos e professores, além da criação de um Plano de Emergência e Ação, como as instalações de alarmes em todas as escolas diretamente ligados à polícia, para que haja resposta rápida em situação de risco e casos graves de agressão", destacou Rolim6. 5 Dessa forma, junto às ações dos governantes podem ser citadas as açõesdos juristas e do legislativo, comprometendo-se com o que lhes cabe diante daprevenção e combate ao bullying. Vale afirmar da necessidade de a escola, poroutro lado, encaminhar aos especialistas na área os alunos envolvidos que sofremde distúrbios psicológicos, por fim, não deixando de se considerar que o suportepolicial é de vital necessidade, sobretudo para aqueles casos vistos comogravíssimos, além, evidentemente, da ação de muitos órgãos e instituições, aexemplo da atuação do Ministério Público e do Conselho Tutelar, que no caso deuma maior necessidade, podem ser acionados. A respeito da importância doenvolvimento desses segmentos, vale ressaltar a afirmação de Ortega e Delrey(2002, p. 22): "a abordagem da prevenção dos conflitos associados à violência deveser interdisciplinar; desde os serviços de saúde mental às instituições de proteçãosocial e os centros de educação formal deveriam se envolver na prevenção”. 1.7.3. Responsabilização da escola Ao se analisar a responsabilidade da escola diante da prevenção e docombate ao bullying, forçosamente há que se admitir, por outro lado, a influência doprocesso histórico-social e suas transformações, no decorrer dos tempos,vivenciadas necessariamente pela escola. É evidente que esta instituição nuncaperderá o seu sinônimo, dentre outros, como o lugar de amizades, de encontros econstrução de saberes, mas vale também destacar a educação como propulsora dodesenvolvimento da condição humana como um todo, em consonância com anatureza e a sociedade. Isso pode ser confirmado com a afirmação que segue:6 Portal da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, “O Governo Escuta debate bullying e aponta ações de combate à violência escolar”,p. 1,publicado em 04/05/11. site - http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/noticias_det.jsp?PAG=84&ID=6385. Acessado em 21/09/2011.
  26. 26. 24 A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana, com todos os seus poderes funcionando com harmonia e completa, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, se elevando do plano animal e continuaria a se desenvolver até sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal (FROEBEL, 2001). Esse conceito amplia o sentido da educação e mostra a escola também comoum organismo sociológico, como um espaço próprio para a mostra decomportamentos e influências múltiplas advindas do meio externo. Nesse contexto,há que se considerar que estamos vivendo uma época de muitos conflitos ou“complexidades,” que invadem as instituições de ensino e, dentre outros, destaca-sea violência que cada vez mais se faz presente em todas as instituições de ensino. Diante do exposto, há que se destacar a afirmação de Fante (2005, p.20): “aviolência escolar nas últimas décadas adquiriu crescente dimensão em todas associedades, o que a torna questão preocupante devido à grande incidência de suamanifestação em todos os níveis de escolaridade”. Importa afirmar que este é o novo século de modificações marcantes, com amundialização, mudanças econômicas, o avanço das tecnologias, a massificaçãodos sistemas de educação, a diversidade cultural e tantas outras transformações(CHRISPINO e CHRISPINO, 2002). A escola, por sua vez, presente nesse contextode “avanços” e com um papel primordial direcionado à construção de uma sociedademais justa e igualitária, cobra de todos os seus atores, sobretudo dos gestores edocentes mais um aprendizado: o de saber lidar com a heterogeneidade, com osatentados violentos que a cada dia se elevam gradativamente no ambiente escolar. 1.8. O BULLYING E A GESTÃO ESCOLAR É da responsabilidade não só dos professores como também da GestãoEscolar, formada geralmente pelo diretor, vice-diretor, coordenadores eorientadores, acompanhar de perto as ações educativas no cotidiano da escola e,assim, resolver os problemas que existem neste ambiente. O novo século vemtrazendo modificações marcantes como a mundialização, mudanças econômicas, oavanço da tecnologia, a massificação dos sistemas de educação, a diversidadecultural e tantas outras. O perfil dos educadores e dos gestores pede umatransformação reflexiva que acompanhe as necessidades de nossa época.(CHRISPINO e CHRISPINO, 2002).
  27. 27. 25 Entretanto, o que se observa, não procurando generalizar, é que quasesempre há o despreparo dos gestores envolvidos. As medidas repressivas são asmais usadas, ficando às claras a falta de conhecimento sobre o assunto. Tais açõessó atingem o fenômeno de forma superficial e têm efeitos aparentes. Guimarães(1996) faz uma afirmação que, ao lidar-se com questões de violências e darrespostas com violências ainda maiores, só se está adiando a questão e camuflandoseus efeitos, uma vez que mais tarde tudo pode voltar à tona. Não se pode, com isso, esquecer-se da responsabilidade do diretor, por serator importante dentro do cenário escolar, estando ao seu cargo à complexa tarefade administrar a escola, buscando sempre a qualidade da educação em meio a umcontexto que deve ser democrático e pacífico. A escola atual suscita novosposicionamentos. Nesse sentido, cabe registrar a afirmação de Chrispino eChrispino (2002, p. 39): “A escola de massa e do futuro será a escola dos“diferentes” e da diversidade, o que pede uma gestão escolar apropriada, a partir davisão do futuro que nos aguarda.” Ampliando essa discussão, vale observar que a conduta e as ações dosgestores hão de surgir principalmente da criatividade em confluência com umapostura reflexiva, neste mundo onde as mudanças ocorrem de forma acelerada. Aesse respeito, o modelo de gestão democrática parece dar espaço às expectativas enecessidades educacionais dos tempos hodiernos. A Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional (LDB) nº 9394/96, em seu artigo 14, assegura que o ensinopúblico deverá ser regido pela gestão democrática. Tal prescrição só reforça a ideiade que não existe mais espaço para uma visão centralizadora de gestão. Capanema(1996), nesse aspecto, afirma que a tendência de descentralização que se verificaem sistemas, começa a se estender ao nível da unidade escolar. Logo, um trabalho coletivo e uma postura de corresponsabilidade, juntamentecom uma perspectiva de união e solidariedade, centrada principalmente no diálogo,devem nortear as ações do gestor. É importante também, para a boa administraçãode conflitos externos e internos, que sejam estabelecidos a mediação, a negociaçãoe principalmente o respeito às individualidades. Guimarães (1996) afirma que quantomais a escola resiste a aceitar a heterogeneidade do seu campo e reforçar apenas oprocesso de uniformização, maiores e mais violentos serão os sobressaltos. Outro aspecto de grande relevância para o gestor escolar refere-se a suaconsideração dada ao espaço cultural como um fator primordial, tanto da cultura
  28. 28. 26institucional, ou seja, a que se volta ao respeito das pessoas e suas diferentesescolhas, sem obscurecer a missão da instituição, definida, por sua vez, pelosamparos legais, quanto à cultura instituinte, que representa os valores, crenças,histórias, experiências, em suma, tudo aquilo que perpassa pela experiência ecriação humana. Nesse sentido, no que tange às instituições, suas normas e regras,cabe destacar o pensamento expresso nos PCN dos Temas Transversais: A colocação das regras de funcionamento e das normas de conduta, de forma clara e explícita, é necessária ao convívio social da escola. Por outro lado, o esclarecimento da sua função é essencial para que os alunos percebam o significado de segui-las e não as tomem como questão de mera obediência aos adultos. Entretanto, é preciso considerar que essa compreensão não acontece espontaneamente e, portanto, deve ser objeto de ensino organizado e sistemático. Uma das maneiras de favorecer a compreensão da natureza social das normas e regras é aprender a formulá- las no convívio escolar, dentro dos limites da instituição, enfatizando-as como organização coletiva (BRASIL, 1997, p 60). Dessa forma, verifica-se que é imprescindível considerar, antes de tudo, aatuação dos gestores escolares, principalmente porque é o espaço educativo umlocal em que as ações nele ocorridas são centralizadas nas relações entre aspessoas, professores e alunos, estando mais do que nunca em jogo suas escalas devalores frente às normas e às regras estabelecidas. 1.9. A POSTURA DOS PROFESSORES FRENTE AO BULLYING Fazer uma abordagem sobre as providências que devem ser tomadas emfavor da prevenção e combate ao bullying pelos professores, é citar inúmeras, já queos atentados violentos se manifestam nas mais diversas maneiras e, por isso,exigem medidas cautelares também diversas. Porém, aqui, a discussão serácentrada em casos mais conhecidos e publicados na literatura acadêmica. Dessaforma, serão citadas algumas dessas medidas, iniciando-se por aquelasrelacionadas à aplicação do conteúdo programático na sala de aula e, depois,chegando-se às que se referem à questão em pauta de uma forma mais frontal. Em meio a tantos outros conteúdos aplicados em classe, é de extremarelevância, promover mais práticas didático-pedagógicas voltadas ao ensino dosvalores morais, principalmente sobre os assuntos que enalteçam a importância davida, da paz, bem como as atividades que se referem ao desenvolvimento daafetividade e da socialização dos alunos. A respeito dessa questão, Os
  29. 29. 27PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: APRESENTAÇÃO DOS TEMASTRANSVERSAIS E ÉTICA (BRASIL 1997), registram alguns assuntos que podemser consultados pelos professores nesse opúsculo e aplicados conjuntamente comos conteúdos de outras disciplinas nas salas de aula. Frente a isso, será feito umbreve relato acerca de conteúdos, como: respeito mútuo, justiça, diálogo esolidariedade, que também são comentados nos PCNs citados. Ao trabalhar o tema respeito mútuo, estará o professor mostrando ao aluno aimportância de se considerar a diferença entre as pessoas, bem como o respeitopelo ser humano, o que independe de sua origem social, etnia, religião, sexo ecultura. Estará assim expondo a importância do respeito para o fortalecimento doconvívio social democrático. Como ressalta os PCNs: O sentimento de que as diversas origens sociais não se traduzem por discriminações de todo tipo tenderá a fazer com que os alunos também ajam de acordo com o valor da dignidade humana. Porém, é inevitável acontecer que, inspirados por preconceitos expressos aqui e ali, alguns alunos se mostrem agressivos e desrespeitosos com colegas diferentes deles. Aqui, deve ser feito um destaque para preconceitos e desrespeitos frequentes entre alunos: aqueles que estigmatizam deficientes físicos ou simplesmente os gordos, os feios, os baixinhos, etc., em geral traduzidos por apelidos pejorativos. Nesses casos, o professor não deve admitir tais atitudes. Não se trata de punir os alunos; trata-se de explicar-lhes com clareza o que significa dignidade do ser humano, demonstrar a total impossibilidade de se deduzir que alguma raça é melhor que outra, que um sexo é superior ao outro, que determinada cultura é a única válida, que atributos físicos determinam personalidades, e assim por diante (BRASIL, 1997, p. 120) O professor, ao trabalhar o tema justiça, possibilitará aos seus alunos odespertar da consciência crítica sobre seus direitos e deveres como cidadãos,fortalecendo, dessa forma, a convivência, podendo ressaltar também a demarcaçãodos limites dos alunos diante de determinadas atitudes principalmente. Sobre isso osPCNs salientam ainda: As normas referentes às condutas dos alunos e ao que deles se exigem em termos de aprendizagem devem ser claras e conhecidas dos alunos; e devem apresentar os deveres e os direitos desses alunos. Devem ser claras porque normas ambíguas impedem as pessoas de saber exatamente o que delas se espera e se cobra; e devem ser conhecidas pelos mesmos motivos: é injusto cobrar alguém pelo que ignora ser seu dever. Todavia, é preciso lembrar que a simples exposição verbal (oral ou escrita) não é suficiente para que as normas sejam conhecidas e compreendidas: explicá- las e discuti-las com os alunos é condição necessária à sua boa assimilação. As normas de condutas não devem apenas falar dos deveres dos alunos, devem também esclarecê-los sobre seus direitos. Tal fato é essencial para que os alunos saibam exatamente quando estão sendo injustiçados e possam defender seus direitos (BRASIL, 1997, p. 127).
  30. 30. 28 O tema diálogo, ao ser abordado em sala de aula, dentre outrosaprendizados, possibilitará aos alunos agressores uma reflexão sobre suas açõesagressivas bem como as consequências que podem ocorrer nos alunos agredidos.Quando pode ser focada, sobretudo, a importância de uma escola onde todospossam se sentir felizes, seguros e respeitados. No que tange ao tema diálogo, valeo registro do excerto que se segue: Quanto ao desenvolvimento da atitude de valorização do diálogo para procurar esclarecer e, se possível, superar conflitos, é necessário que, cada vez que um conflito apareça, se empregue o diálogo para equacioná-lo e resolvê-lo. O valor atribuído ao diálogo está intimamente relacionado com os demais valores já abordados. Qualquer pessoa é digna de ser ouvida e de ouvir, portanto, de ser eleita como interlocutor, mesmo que suas opiniões sejam diferentes daquelas da maioria. O diálogo somente é possível quando as pessoas envolvidas se respeitam mutuamente. O objetivo do diálogo, em situações de conflito, é encontrar a solução justa, ou seja, evitar que se imponha a lei do mais forte, fazer com que os direitos de cada um sejam respeitados. Nesse sentido, ele será um instrumento importante não apenas para que o aluno consiga esclarecer os conflitos e resolvê-los, mas também para que possa interagir com o professor e com os colegas e realizar aprendizagens.16 Por fim, o tema solidariedade possibilitará ao professor a exposição deconteúdos direcionadas a atitudes que valorizem a prática da tolerância, do estímuloà amizade, da cooperação e do companheirismo entre os alunos. No que diz respeito ao convívio escolar, as orientações didáticas gerais também são as mesmas para a solidariedade e para os demais valores: a prática e a reflexão são essenciais. Portanto, em se tratando de solidariedade, deve-se levar os alunos a praticá-la e a pensar sobre ela em conjunto com os outros valores. Oportunidades não faltam, na escola e fora dela, para tal prática. Em sala de aula, por exemplo, ao invés de incentivar a competição entre os alunos ou a sistemática comparação entre seus diversos desempenhos, é preferível fazer com que eles se ajudem mutuamente a ter sucesso nas suas aprendizagens: aquele que já sabe pode explicar àquele que ainda não sabe, aquele que não sabe deve poder sentir-se à vontade para pedir ajuda, para perguntar, sem temer a vergonha de ser sistematicamente comparado com os outros e colocado em posição de inferioridade. O aluno que apresenta dificuldades não deve ser zombado ou humilhado; antes, deve ser incentivado por todos (BRASIL, 1997, p. 130). É possível ainda, em se tratando de conteúdo e práticas didático-pedagógicas, que o professor trabalhe em sala de aula, apoiando-se na utilização defilmes, letras de música e dramatizações, por exemplo, a contação de histórias ou defábulas também é de grande valia. Além disso, de acordo com Pedra (2008), asatividades em sala de aula em forma de redação, quando os alunos são estimuladosa falar no anonimato sobre a sua vida na escola, isto é, sobre seu relacionamento
  31. 31. 29com os colegas ajudam a romper o silêncio e possibilitam a expressão de emoçõese sentimentos. Direcionando-se agora mais as atitudes frontais dos professores frente àprevenção e ao combate ao bullying, cabe, antes de tudo, considerar que, no mundoatual, grande parte dos professores, já massacrados pelo sistema, não tendo oapoio necessário das instituições educacionais, com remunerações aquém do queeles merecem, devem, além da sala de aula, articular-se com os problemas dacomunidade. O sistema educacional coloca no professor a responsabilidade decobrir as lacunas da instituição que, com frequência, institui mecanismos severos eredundantes de avaliação. (GASPARINI; BARRETO e ASSUNÇÃO, 2005). Mas, mesmo reconhecendo o que foi abordado no parágrafo anterior sobre osprofessores - o que não deixa de ser verdadeiro - não se pode negar que eles sãoos principais atores, os que convivem frente a frente com os casos de bullying. Deve-se frisar, inicialmente, que a Escola deve, além de oferecer aqualificação dos seus professores de um modo geral, capacitá-los para aobservação, a fim de que eles possam identificar, diagnosticar, enfim, saber intervirnas situações de bullying. A respeito disso, Fante (2005, p.68) afirma: Acredita-se que a prevenção começa pelo conhecimento. É preciso que as escolas reconheçam a existência do bullying e, sobretudo, esteja consciente de seus prejuízos para a personalidade e o desenvolvimento socioeducacional dos alunos. Ainda há um grande número de profissionais da educação que não sabem distinguir entre condutas de bullying ou outros tipos de violência, por não ter um preparo para identificar e desenvolver estratégias pedagógicas para enfrentar os problemas no ambiente escolar. O despreparo dos professores ocorre porque, tradicionalmente, nos cursos de formação acadêmica e nos cursos de capacitação, são treinados com técnicas que unicamente os habilitam para o ensino de suas disciplinas, não sendo valorizada a necessidade de lidarem com o afeto e muito menos com os conflitos e com os sentimentos dos alunos. Para tanto, segundo Pedra (2008), deve-se levar em consideração não só oesforço da equipe escolar, mas também é preciso contar com a ajuda dosconsultores externos, como especialistas no tema, psicólogos e assistentes sociais,dentre outros. Chalita (2008) alerta para a tomada de atitudes simples, como desde oprimeiro dia de aula, que sejam feitos esclarecimentos, em sala de aula, sobre o queé o bullying, afirmando-se que não serão toleradas condutas do mesmo nasdependências da escola. Convocando os alunos a se comprometerem em nãopraticar e, se ocorrer algum caso, que seja imediatamente comunicado à direção da
  32. 32. 30escola. É essencial que os professores promovam debates sobre o bullying nassalas de aulas, a fim de que o assunto seja bem divulgado e assimilado pelosalunos. Cabe também estimular os alunos a fazerem pesquisas sobre o tema naescola, principalmente objetivando como o assunto deve ser encarado pelosprofessores e os demais funcionários. É de grande importância iniciativas preventivas, como o aumento dasupervisão na hora do recreio e intervalo, bem como evitar em sala de aula omenosprezo, apelidos ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo,principalmente aquelas atitudes que partem dos professores para os alunos. Denada adianta prever o combater o bullying, se os próprios professores usam de atosagressivos, verbais ou não, contra os seus alunos. A respeito disso, vale comentar oposicionamento de Marriel et al (2006), quando afirma que a relação professor-alunoé de extrema importância na atuação sobre a violência e no desenvolvimento decaracterísticas individuais. Atitudes relativamente simples de respeito e afeto porparte do professor podem ser muito positivas, o que pode colaborar para diminuir aviolência no espaço educativo. Diante do exposto, verifica-se que é de grande importância reafirmar que obullying é um problema de saúde pública, e com tal requer, para sua prevenção econtenção, atitudes de vários segmentos sociais. Depende sim das mudanças deposturas dos seus gestores e professores e de novas atitudes, mas a essas devemser somadas a outras, que estão fora do ambiente escolar.
  33. 33. 31 CAPÍTULO II 2. MÉTODO Neste capítulo, são abordados os itens do método utilizado nesta pesquisa decampo, tais como: Tipo de pesquisa, participantes, local da pesquisa, instrumentosutilizados, procedimentos e análise de dados. 2.1. TIPO DE PESQUISA Optou-se, para esse trabalho, pela pesquisa qualitativa, porque proporcionauma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, ou seja, possibilita oestabelecimento de um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e asubjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em número. Esse tipo depesquisa, além de propiciar um contato direto com o objeto pesquisado, é capaz deestimular a interpretação e o entendimento sobre as questões em estudo. para Gil(1999, p.42), a proposta de pesquisa em referência “tem um caráter pragmático, éum processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. oobjetivo fundamental dessa pesquisa é descobrir respostas para problemasmediante o emprego de procedimentos científicos”. 2.2. PARTICIPANTES Foram escolhidos como sujeitos dessa pesquisa 5 professoras, na faixa etáriaentre 25 e 45 anos, sendo grande parte concluinte de ensino superior. Foramselecionados também 5 alunos, na faixa etária entre 11 a 13 anos, todos do 6º anodo Ensino Fundamental. 2.3. LOCAL DA PESQUISA O local da pesquisa foi o Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares,localizado na Rua Ademir Simões de Freitas, nº 172, Bairro do Alto, Itiúba-Bahia. Aescolha deste estabelecimento de ensino foi em virtude de ser o maior da redemunicipal de ensino, onde há um universo bem mais amplo para as indagações queserão propostas, funcionando com 15 salas, nos turnos matutino, vespertino e
  34. 34. 32noturno, atendendo ao Nível Fundamental de Ensino, do 6º ao 9º Ano. Essa unidadede ensino possui 857 alunos e o seu corpo docente é composto por 36 professores. 2.4. INSTRUMENTOS Os instrumentos de pesquisa utilizados foram 2 questionários, sendo um com5 questões(três de múltipla escolha e duas abertas) aplicado às professoras e outroaplicado aos alunos, contendo 07 questões(05 de múltipla escolha e duas abertas). Acoleta de dados foi realizada no período de 15/11/2011 a 30/11/2011. 2.5. PROCEDIMENTOS Muitas visitas foram feitas ao Ginásio Antônio Simões Valadares, durante operíodo da coleta de dados. A princípio, foi feito um encontro com o Diretor destaunidade de ensino, quando foram apresentados o tema e os objetivos destapesquisa, seguindo da assinatura de um Termo de Consentimento pelo referidogestor, documento que, dentre outros aspectos, assegura a guarda do sigilo dasinformações prestadas, bem como a garantia de que os nomes das pessoasabordadas não serão mencionados neste trabalho. Nos outros encontros, forammantidos contatos mais diretos com os sujeitos da pesquisa (professores e alunosescolhidos pela coordenação pedagógica desta unidade de ensino), quando foi citadaa finalidade desta pesquisa, sendo o citado Termo também assinado pelospesquisados. Por conseguinte, após uma conversação feita pela Equipe deprofessores da monografia com os professores (pesquisados), procedeu-se opreenchimento dos questionários. 2.5. ANÁLISE A análise foi realizada, observando-se os dados coletados dos questionáriosrespondidos pelos professores e alunos, partindo-se da interpretação degráficos/tabelas/quadros, elaborados com as respostas das questões apresentadas,confrontando-se com muitas das afirmações dos teóricos, presentes no Capítulo I. Ainterpretação desses dados tanto pôde trazer uma resposta à hipótese levantada econsequentemente confirmar o problema apontado, quanto permitiu a certificação seos objetivos, indicados na Introdução deste trabalho monográfico, foram plenamenteatingidos.
  35. 35. 33 CAPÍTULO III 3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Primeiramente, foi realizada a verificação do questionário aplicado àsprofessoras, depois, o aplicado aos alunos. 3.1. QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS PROFESSORAS (QUESTÕES DE 1 A 5) Devido ao sigilo, que deve ser assegurado, as professoras entrevistadasreceberam os seguintes códigos: A, B, C, D e E. Nas questões 1(primeira) e5(última), por se tratarem de questões abertas, foram transcritas as respostas naíntegra, isto é, sem nenhuma correção gramatical. 3.1.1 . Questão 1 – Ocorreram ou ocorrem, na sua sala de aula, casos debullying? Se sim, quando e como aconteceram ou acontecem?Resposta da professora A: “Sim. Há poucos meses atrás, no 6º Ano C, tinha uma aluna de estatura alta emagra. Então, observei que, de vez em quando, faziam chacota quanto a suamagreza. Mas, eu simplesmente achava que era brincadeira de mau gosto. Daí foi seestendendo a ponto dela desistir de estudar, pois ficou complexada. Por mais que aescola e os pais tentassem ajudar, ela não permitiu.” Resposta da professora B: “Um aluno, no início do ano letivo, chamou o colega de jegue preto, istoporque ele queria copiar as respostas do colega ofendido. No dia seguinte, elerepetiu a ofensa, mas o colega falou que se ele era jegue preto, o outro deveria serjegue branco. O caso foi resolvido através do diálogo entre direção, coordenação,pais e alunos, onde foi esclarecido que o colega usou o termo jegue branco pororientação da mãe.” Resposta da professora C: “É notório o comportamento de alguns alunos dessa unidade de ensino. Talcomportamento reflete-se nas ironias com colegas, como por exemplo: “você é daroça”, “seu gordo”, “seu africano”, “cara de jegue”, “fedor de algo”, etc..”
  36. 36. 34 Resposta da professora D: “Sim, os alunos praticam pequenas e grandes perversões. Debocham uns dosoutros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas imperfeições e nãoperdoam nada. O agressor intimida as pessoas através de agressões verbais efísicas, do tipo: “gordo”, “baleia”, “rolha de poço”, “cabeça de vaca”, “vara de pau”,“gigante”. E muita humilhação que deixa a pessoa com problemas de socialização,angústia e até mesmo depressão.” Resposta da professora E: “Sim. O bullying ocorre em situações corriqueiras no Ginásio. E é manifestado,na sala de aula em que leciono, de diversas formas: através de preconceito social,étnico e até mesmo intelectual, quando se rotula o colega de “burro” e o preconceitoracial “nego preto” e etc.”. Todas as cinco professoras afirmaram que ocorreram/ocorrem casos debullying na sala de aula. Pôde-se verificar que somente uma professora, a “B”, tomouuma providência mais contundente, levando o caso a uma resolução. A professora“A” cita: (...) “e por mais que a escola e os pais tentassem ajudar, ela não permitiu”,em seguida afirma: (...) “eu simplesmente achava que era brincadeira de mau gosto”,demonstrando, com isso, certa acomodação no que diz respeito a uma tomada deprovidência. As demais professoras apresentaram somente os comentários, nãorevelando nenhuma atitude de contenção ou prevenção. Foi observado também que o bullying continua ocorrendo de uma formaaparentemente mais branda, voltado para as provocações, “com os apelidos”,“insultos”, mas isso não significa que os professores não devam estar atentos, porqueesses casos podem - se continuados - ser prenúncios para agressões maiores. Cabe,assim, um comentário sobre a afirmação de Fante (2005), feita no Capítulo I, queconfirma tal situação, quando assegura que o bullying apresenta-se, inicialmente,com brincadeiras, podendo, entretanto, trazer as mais trágicas consequências tantopara agressores quanto vítimas. Assim, verifica-se que é preciso o professor ter ciência dessa realidade, a fimde que possa atuar com mais eficácia. 3.1.2. Questão 2 – Depois das reflexões sobre bullying neste estabelecimentode ensino – feitas por nossa equipe e professores dessa escola – qual ou quais das
  37. 37. 35consequências no quadro a seguir, para você, professor(a), pode(m) sercomprovada(s) na vida dos alunos? Soma das RESPOSTAS Profª A Profª B Profª C Profª D Profª E respostas1- Dificuldade na aprendizagem. x x x x 042- Queda de rendimento escolar. x x x x 043-Problemas somáticos e psicológicos x x x x 04(ansiedade, tédio e depressão). Quadro 01 – Dificuldades causadas pelo bullying Fonte: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2012) Percebeu-se, com a análise do Quadro 01, acima, que as três dificuldadesapontadas tiveram a mesma pontuação no cômputo geral. A “1- Dificuldade naaprendizagem” foi apontada pelas professoras B, C, D e E; a “2 - Queda derendimento escolar” foi citada pelas mesmas professoras B, C, D e E, por fim, a “3 -Problemas somáticos e psicológicos (ansiedade, tédio e depressão)” foi escolhidapelas professoras A, B, D e E. Pôde, também, ser observado que as dificuldades em alusão estão presentesentre as elencadas pela ABRAPIA (2006), na Fundamentação Teórica, quando foramcitadas as “Consequências para agressores e vítimas”, o que só faz corroborar aafirmação das professoras na questão 1 sobre a existência do bullying nesteestabelecimento de ensino. Diante disso, não se pode deixar de ressaltar a necessidade de o professorestar preparado para identificar os sintomas, ou seja, as consequências, que podemse apresentar nas formas mais diversas e gerar trauma, que dependendo daestrutura familiar e psicológica da pessoa, pode nunca ser superado. Quando avítima é criança pode crescer e levar para sua vida adulta a insegurança, a baixaautoestima, os sentimentos negativos, a ansiedade. Pereira (2002) definiu o efeitoem dois grupos, efeito imediato e o efeito à longo prazo: no efeito imediato a criançatem autoestima baixa, possui poucos amigos ou nenhum, não consegue partilhar enem ajudar os outros, ocorre falta de concentração na escola, tornando-a refém deansiedade e de emoções de medo, de angústia e de raiva reprimida. Os efeitos alongo prazo são a depressão, não confiar nos outros e ainda continuar com aautoestima baixa, ter problema de se socializar com os outros, viver uma vida infeliz,
  38. 38. 36sob a sombra do medo, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornospsicológicos, podendo chegar ao suicídio. 3.1.3. Questão 3 - Frente à ocorrência do bullying, como você acha que deve reagir o professor?Pergunta-Frente à ocorrência do bullying, como você acha que deve reagir o professor? Soma das RESPOSTAS Prof A Profª B Profª C Profª D Profª E respostas1- Ter consciência que esse fenômeno existe. X X X 32- Oportunizar aos educandos o acesso a essasinformações para que possam refletir sobre o X X X X 4bullying bem como suas consequências.3- Ensinar seus alunos a respeitar às X X X X X 5diferenças.4- Não ensinar apenas os conteúdosprogramáticos, mas também educar crianças e X 1adolescentes para a prática de sua cidadania. Quadro 02 – Formas de reação do professor ao bullyng Fonte: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2012) O Quadro 02, acima demonstra que a alternativa mais apontada foi a “3 -Ensinar seus alunos a respeitar as diferenças”, assinalada por todas as professoras,isso demonstra ser primordial, em suas compreensões, o respeito frente a qualquertipo de diferença, o que sem dúvida, já é um dos passos para se evitar adiscriminação. Seguiu-se também com boa pontuação a resposta “2 - Oportunizaraos educandos o acesso a essas informações para que possam refletir sobre obullying bem como suas consequências”, escolhida pelas professoras B, C, D e E(comprovando a necessidade de também se manter os alunos informados). Depois, aresposta “1-Ter consciência que esse fenômeno existe.”, apontada pelas professorasB, D e E (evidenciando que os professores precisam estar mais atentos) e,finalmente, a resposta “4 - Não ensinar apenas os conteúdos programáticos, mastambém educar crianças e adolescentes para a prática de sua cidadania”, escolhidapela professora B, (mesmo que essa resposta tenha sido apontada por umaprofessora somente, não deixa de ser de grande importância, pois a educação nãosó deve estar voltada aos conhecimentos livrescos, aos conteúdos programáticos,mas também à formação da cidadania de todos os alunos). As quatro atitudes em referências foram enfocadas no Capítulo I, ao seremabordados os seguintes assuntos: Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo e Solidariedade,que fazem parte dos PCNS - Apresentação dos Temas Transversais e Ética (Brasil,

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