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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS VII
      PROGRAMA REDE UNEB - 2000




       ELENEIDE DA SILVA GÓES
        GILMAR JOSÉ DA SILVA
      JANE BATISTA DOS SANTOS
      MARISTELA PEREIRA GOMES




   O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL
      ANTONIO SIMÕES VALADARES




            ITIÚBA - BAHIA
                2012
ELENEIDE DA SILVA GÓES
     GILMAR JOSÉ DA SILVA
   JANE BATISTA DOS SANTOS
   MARISTELA PEREIRA GOMES




O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL
   ANTONIO SIMÕES VALADARES




             Monografia apresentada ao Departamento de
             Educação – Campus VII da Universidade do Estado da
             Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das exigências
             para a conclusão do curso de graduação em
             Pedagogia, sob a orientação do Prof. Dr. Gilberto Lima
             dos Santos.




         ITIÚBA - BAHIA
              2012
FOLHA DE APROVAÇÃO


          ELENEIDE DA SILVA GÓES
           GILMAR JOSÉ DA SILVA
         JANE BATISTA DOS SANTOS
         MARISTELA PEREIRA GOMES



      O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL
         ANTONIO SIMÕES VALADARES




                       Monografia apresentada ao Departamento de
                       Educação – Campus VII da Universidade do Estado
                       da Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das
                       exigências para a conclusão do curso de graduação
                       em Pedagogia.




Aprovada em _________ de ______________de 2012.




       Componentes da banca examinadora:


   ____________________________________
   Prof. Dr. (orientador) Gilberto Lima dos Santos
     UNEB – Universidade Estadual da Bahia


         ___________________________



         ___________________________



                  ITIÚBA - BAHIA
                       2012
AGRADECIMENTOS


       Além de Deus, o Grande Arquiteto do universo, que nos acompanha, dando-
nos força e fazendo com que surjam momentos únicos em nossas vidas, temos
muitas pessoas a agradecer em razão da ajuda, da acolhida, do incentivo, das
críticas e das sugestões que nos deram. Algumas dessas, em especial:


       Ao professor Dr. Gilberto Lima dos Santos (orientador), pela confiança e pelas
orientações baseadas na crítica, na exigência, no rigor metodológico e na amizade,
visando ao crescimento e ao nosso progresso.


       A todos os professores do Projeto Rede UNEB 2000(Itiúba), que, com seus
preciosos conhecimentos e experiências, contribuíram para nossa formação
profissional.


       Aos professores e alunos pesquisados, que prontamente nos auxiliaram nesta
pesquisa.


       À Prefeitura Municipal de Itiúba e a UNEB - Universidade do Estado da Bahia,
que juntas, com a implantação do curso de licenciatura em Pedagogia
principalmente, muito têm contribuído para a boa formação profissional, para o
desenvolvimento de competências dos professores deste município.


       A todos os nossos familiares, colegas de turma, amigos e amigas,
companheiros e companheira (esposos e esposa), que nos momentos mais difíceis,
nos incentivaram, enfim, alimentaram a crença, a perseverança, a confiança,
requisitos que nos foram imprescindíveis, para chegarmos à vitória, à concretização
deste objetivo.
“Enquanto a sociedade feliz não
chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria
é servida como sacramento, para que
as crianças aprendam que o mundo
pode ser diferente. Que a escola, ela
mesma, seja um fragmento do
futuro...”
                      (Rubem Alves)
LISTA DE QUADROS E GRÁFICOS


QUADROS
Quadro 1 – Dificuldades causadas pelo bullying .................................................. 35
Quadro 2 – Formas de reação do professor ao bullying ......................................              36
Quadro 3 – Atitudes atitudes que podem estimular o bullying .............................                37
Quadro 4 – Auto caracterização dos alunos ........................................................       40
Quadro 5 – Manifestações de bullying sofridas pelos sujeitos ............................. 42

GRÁFICOS
Gráfico 1 – Alunos que já brigaram na escola .....................................................       41
Gráfico 2 – Alunos sentem-se intimidados na escola ..........................................            42
Gráfico 3 – Saber o significado de bullying ..........................................................   45
RESUMO


Este trabalho teve como finalidade verificar a existência do bullying no Ginásio
Antonio Simões Valadares. Para tanto, o referido estudo fundamentou-se nos
pressupostos teóricos de muitos estudiosos, quando foram abordados conceitos,
causas e consequências do bullying, a importância da participação da família, da
sociedade e da escola na promoção de atitudes preventivas e combativas, dentre
outros enfoques. Quanto à metodologia utilizada, foi essa norteada pela pesquisa
qualitativa, desenvolvida através de um estudo de campo, seguindo-se da
interpretação de dados. Como técnica de coleta de dados, foram utilizados
questionários. O espaço físico onde foi realizada a pesquisa foi a sala de aula e teve
como participantes cinco professoras e cinco alunos do 6º Ano. Os resultados
revelaram a existência do bullying na referida unidade de ensino e comprovaram que
o comportamento agressivo de alguns alunos gera insegurança e apreensão
naqueles que são vitimizados, chamando a atenção dos docentes para a
necessidade de mudança de posturas frente a essa realidade.

PALAVRAS-CHAVE: Bullying. Escola. Família. Prevenção. Combate.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .........................................................................................................         7
                                         CAPÍTULO I                                                                          9
   1. O BULLYING E SUAS IMPLICAÇÕES .........................................................                                9
1.1 CONCEITOS: VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA NA ESCOLA E BULLYING ..............                                                      9
1.2 O CONHECIMENTO SOBRE O BULLYING ....................................................                                    10
1.3 OS ENVOLVIDOS NO BULLYING ...................................................................                           12
1.4 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING ..............................................                                       15
1.5 RELAÇÃO ENTRE GÊNERO E BULLYING .....................................................                                   16
1.6 AMPAROS LEGAIS FRENTE AO BULLYING .................................................                                     17
1.7 PREVENÇÃO E COMBATE AO BULLYING ....................................................                                    19
1.7.1 Responsabilização da família .......................................................................                  21
1.7.2 Responsabilização da sociedade .................................................................                      22
1.7.3 Responsabilização da escola .......................................................................                   23
1.7.3.1 O bullying e a gestão escolar ....................................................................                  24
1.7.3.2 A postura dos professores frente ao bullying .........................................                              26
                                             CAPÍTULO II
   2. MÉTODO .......................................................................................................        31
2.1 TIPO DE PESQUISA .........................................................................................              31
2.2 PARTICIPANTES ..............................................................................................            31
2.3 LOCAL ...............................................................................................................   31
2.4 INSTRUMENTOS ..............................................................................................             32
2.5 PROCEDIMENTOS ...........................................................................................               32
2.6 ANÁLISE ............................................................................................................    32
                                             CAPÍTULO III
3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS .............................................................                                33
3.1 QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS PROFESSORAS (QUESTÕES DE 1 A 5) ...                                                            33
3.1.1. Questão 1.......................................................................................................     33
3.1.2. Questão 2.......................................................................................................     34
3.1.3. Questão 3.......................................................................................................     36
3.1.4. Questão 4.......................................................................................................     37
3.1.5. Questão 5.......................................................................................................     38

3.2 QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS (QUESTÕES DE 1 A 7) .............                                                      39
3.2.1 Questão 1.......................................................................................................      40
3.2.2 Questão 2.......................................................................................................      41
3.2.3 Questão 3.......................................................................................................      42
3.2.4 Questão 4.......................................................................................................      42
3.2.5 Questão 5.......................................................................................................      43
3.2.6 Questão 6.......................................................................................................      44
3.2.7 Questão 7.......................................................................................................      45
CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................                  47

REFERÊNCIAS ........................................................................................................        49
7



                                  INTRODUÇÃO


      O bullying, no mundo atual, é concebido como um grave problema e está
presente nos mais diversos setores da sociedade, principalmente no contexto
escolar. Na escola, é visto como uma forma de violência caracterizada por
agressões físicas ou morais entre alunos, sejam crianças, sejam adolescentes.
      O presente trabalho, com isso, propõe-se a um estudo sobre o bullying no
Ginásio Antônio Simões Valadares. Questão essa que tem provocado preocupações
e, para tanto, através desta monografia, procuraremos chamar a atenção de vários
segmentos da sociedade itiubense.
      Vale ressaltar que a escolha do tema em pauta foi devido a, antes de tudo,
sermos professores, atuando em sala de aula, fato que nos aproxima ainda mais
dessa realidade que pede “um olhar” mais detido, principalmente dos educadores.
Além disso, estamos concluindo o curso de graduação em Pedagogia, o que
aumenta ainda mais a nossa responsabilidade, não só de cuidar das questões
pedagógicas, mas também de focalizarmos a escola como um todo.
      Apesar de termos ciência de que o bullying, em se tratando deste município,
também envolve a família e outros setores competentes, no que se refere a tomadas
de providências, procuraremos, sem desprezar a participação desses segmentos,
centrar essa pesquisa no corpo docente deste estabelecimento de ensino, pois se
sabe que a busca de solução para tal questão está mais na escola, que, com
certeza, é a mais visada e é quem tem, por sua vez, um papel mais definido,
implicando, com isso, sobretudo na preparação de seus profissionais para enfrentar
esse tipo de agressão.
      Sabe-se, por outro lado, que esse é um dos assuntos mais comentados e que
tem deixado muitos professores apreensivos, tanto pela divulgação na mídia,
através da televisão, rádios, jornais e revistas, que constantemente estão expondo
os mais diversos casos assombrosos de bullying, quanto pelo alerta documental e
próprio para estudos, com a extensa lista de trabalhos acadêmicos publicados.
      É preciso também destacar o modo como esses educadores encaram essa
realidade em suas escolas: mostram-se passivos, ou seja, “não dão muita
importância”. Daí surge o seguinte questionamento: estão esses educadores bem
orientados e, consequentemente, preparados para enfrentar esse tipo de violência?
8



      Desse modo, torna-se importante saber se essa equipe escolar está
realmente preparada para lidar com esse fenômeno, fator que nos possibilitará -
mesmo que esses já tenham alguma preparação - por meio deste trabalho
monográfico, estimular reflexões e outras formas de atuação, para que os mesmos
possam assumir novas posturas e, assim, tomar medidas mais eficazes diante desta
questão.
      Assim, tem este trabalho de pesquisa os seguintes objetivos:
Objetivo geral:
      Avaliar a ocorrência do bullying no Ginásio Municipal Antonio Simões
Valadares, bem como as ações dos professores voltadas para esse fenômeno.
Objetivos específicos: verificar se há registro de ocorrência de bullying no citado
estabelecimento de ensino e detectar se as ações dos professores estão voltadas
para a prevenção e combate ao bullying.
      Esta monografia, por conseguinte, foi dividida em três capítulos, descritos da
seguinte forma:
      No primeiro capítulo, consta a Fundamentação Teórica, amparada pelas
concepções dos teóricos, focalizando as conceituações de violência, violência na
escola e bullying, como ele é encarado, quais as suas causas e consequências e de
que modo a família, a sociedade e a escola podem lidar com esse problema, dentre
outros enfoques.
      A exposição no segundo capítulo está voltada à Metodologia. Quando foram
descritos: o tipo da pesquisa, participantes, local da pesquisa, instrumentos,
procedimentos e análise.
      No terceiro capítulo encontram-se os Resultados apresentados. Foram
analisadas as respostas dadas pelos professores e alunos, comprovando-se, por
fim, a existência do bullying na unidade de ensino pesquisada.
      Nas Considerações Finais foram ressaltados a importância desta pesquisa,
os objetivos alcançados e recomendações direcionadas ao gestor escolar e
docentes do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares sobre a necessidade de
se colocar em práticas ações não só preventivas, mas também combativas contra o
bullying, citou-se inclusive a necessidade de participação de outros segmentos da
sociedade.
9



                                    CAPÍTULO I


                       1. O BULLYING E SUAS IMPLICAÇÕES


    1.1.   CONCEITOS DE VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA NA ESCOLA E BULLYING
  Antes de se conceituar bullying, serão apresentadas as definições de violência em
seu sentido mais amplo, depois o que é a violência na escola. A violência, numa
visão mais geral, segundo Aulete (2004, p.814): “Consiste na utilização por alguém
da força bruta em suas relações com outras pessoas, com animais, plantas e coisas,
para se obter algo”. Para Olweus (1999, p.12): A violência é "o comportamento
agressivo em que o autor ou perpetrador utiliza o seu próprio corpo ou um objeto
(incluindo uma arma) para provocar danos (relativamente graves) ou desconforto
noutra pessoa". Conforme a Organização Mundial de Saúde -OMS (KRUG et al,
2002), violência é a utilização intencional de força ou poder físico, por ameaça ou de
fato, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que
resulta em ou tem alta probabilidade de resultar em ferimentos, morte, dano
psicológico, mau desenvolvimento ou privação.
  Verifica-se, assim, que dos conceitos apresentados, para Caldas Aulete, a
violência se caracteriza da forma mais ampla possível, inclusive direcionando “essa
força bruta” contra os elementos da natureza(animais, plantas e coisas); enquanto
que os conceitos de Dan Olweus e da OMS possuem quase uma equivalência, pois
tratam a violência como danos provocados contra outrem, só que o da OMS vai mais
além ao citar “os danos psicológicos”.
  Ao falarmos de violência na escola, o termo bullying ou o seu equivalente noutras
línguas é habitualmente utilizado (Finlandês: "koulukiusaaminen", Dinamarquês:
"mobbe", Alemão: "Mobbing", Português: "maus-tratos entre iguais"). Olweus (1993,
p. 9) estabelece a seguinte definição geral de maus-tratos entre iguais: “Um
estudante é agredido ou vitimizado quando é exposto repetida e frequentemente a
ações negativas por parte de um ou mais colegas seus".
  Desse modo, o bullying, apoiando-se no conceito de Fante (2005) é toda forma de
agressão, física ou verbal sem um motivo aparente, trazendo às suas vítimas
consequências que vão desde o âmbito emocional até consequências na
aprendizagem.
10



              Portanto, percebe-se que enquanto a violência, em seu sentido mais geral,
reúne características mais diversas e está presente nos mais variados contextos, o
bullying caracteriza-se como um tipo de violência mais específica, ocorrendo nas
universidades, nas famílias, entre os vizinhos, no trabalho, dentre outros contextos,
mas a sua maior incidência é nas escolas.


         1.2.       CONHECIMENTO SOBRE O BULLYING


Nos últimos tempos, muito tem sido noticiado, nos mais diversos meios de
comunicação, sobre as ocorrências de bullying, o qual é considerado uma das
violências que mais tem crescido no mundo, sendo a escola o lugar principal onde
ele ocorre.
              O trecho a seguir reforça essa afirmação:

                                      O bullying é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer
                                      escola não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária
                                      ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que as
                                      escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING entre seus alunos, ou
                                                                                            1
                                      desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.1

              O bullying apresenta-se, a princípio, como uma brincadeira, e pode até
parecer, no entanto traz efeitos sérios às suas vítimas, tanto fisicamente quanto
psicologicamente. No contexto escolar, pode afetar a criança ou o adolescente,
causando graves prejuízos principalmente no rendimento escolar. Manifesta-se,
assim, nas mais variadas formas. A respeito disso, Fante (2005) afirma:

                                      Por definição universal, bullying é um conjunto de atitudes agressivas,
                                      intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por
                                      um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento.
                                      Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam
                                      profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam,
                                      ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão,
                                      além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações
                                      do comportamento bullying. (FANTE, 2005. p.28-29).

              Em meados da década de 1990, essas chamadas “brincadeiras” passaram a
se denominar como bullying, quando Dan Olweus, pesquisador e educador da
universidade de Bergen, na Noruega, mais precisamente em 1980, incomodado com
o número de suicídios que vinha ocorrendo entre estudantes, fez uma pesquisa e


1
    Portal MINE WEB EDUCAÇÃO, criado pela Profa. Arlete Embacher, p. 1 - Site: www.miniweb.com.br/educadores/artigos/bullying.htm l - Acessado em
09/09/2011.
11



detectou as consequências que o mesmo pode causar. Fante (2005), com referência
a essa afirmação, faz a abordagem que se segue:

                     O fenômeno bullying começou a ser estudado na década de 1970 na Suécia
                     e na Dinamarca. A partir de 1980 foi desenvolvida, na Noruega, uma
                     pesquisa sobre o tema. Dan Olweus, da Universidade de Bergen,
                     estabeleceu critérios para identificação das condutas de bullying e distinção
                     destas com brincadeiras que são próprias do ambiente. Os critérios
                     estabelecidos foram: ações repetitivas contra a mesma vítima num período
                     prolongado de tempo, desequilíbrio de poder, dificultando a defesa da vítima
                     e a ausência de motivos que justifiquem o ataque (FANTE, 2005, p.49).

      O bullying, no Brasil, passou a ser conhecido e estudado pela ABRAPIA
(Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência).
Essa pesquisa foi desenvolvida, através de um projeto, em onze escolas do Estado
do Rio de Janeiro, cujo objetivo era, sobretudo, combater e prevenir a ocorrência de
bullying. A referida pesquisa foi realizada no período de janeiro de 2002 a março de
2003, com alunos de 5ª a 8ª série dessas escolas, e apontou alguns dados
significativos (SILVA, 2010, p.113): 1º) 40,5% dos alunos admitiram ter tido algum
tipo de envolvimento direto na prática de bullying; 2º) As agressões ocorrem
principalmente na sala de aula (60%); 3º) 50% das vítimas admitem que não
relataram os fatos aos professores; 4º) 80% dos alunos manifestaram sentimentos
contrários aos atos de bullying e 5º) Entre os autores de bullying, 51% afirmaram
que não receberam nenhum tipo de orientação ou advertência quanto à incorreção
de seus atos.
      É um problema que vem se intensificando no mundo inteiro. Alguns casos
podem ser destacados, inclusive envolvendo assassinatos e suicídios das vítimas,
citados por Fante (2005, p. 21-22):

                     O que antes ocorria de forma esporádica, após a década de 1990
                     transformou-se numa sequência de trágicos assassinatos e suicídios no
                     interior das escolas. Em 1997, na cidade de West Paducah, Kentucky, um
                     adolescente de 14 anos matou a tiros três companheiros de escola, após a
                     oração matinal, deixando mais cinco feridos. Em 1998, em Jonesboro,
                     Arkansas, dois estudantes, de 11 e 13 anos, atiraram contra sua escola,
                     matando quatro meninos e uma professora. Também em 1998, em
                     Springfield, Oregon, um adolescente de 17 anos matou a tiros dois colegas
                     e feriu mais vinte. Em 1999, dois adolescentes, de 17 e 18 anos,
                     provocaram a tragédia de Columbine, em Littleton, Colorado. Com
                     explosivos e armas de fogo, assassinaram doze companheiros, um
                     professor e deixaram dezenas de feridos. Em seguida suicidaram-se. Ainda
                     em 1999, uma semana após o massacre de Columbine, em Taber, Canadá,
                     um adolescente de 14 anos disparou ao seu redor, matando um colega de
                     escola. Outros massacres ainda foram praticados na década de 1990, na
                     Escócia, no Japão e em vários países africanos. Em novembro de 1999, na
                     Alemanha, um estudante de 15 anos matou a facadas uma professora. Em
                     março de 2000, um aluno de 16 anos matou a tiros o diretor da escola e
                     depois tentou o suicídio. Em fevereiro de 2001, um jovem de 22 anos matou
                     a tiros o chefe de sua empresa; depois se dirigiu a sua ex-escola, matou o
                     diretor e suicidou-se com explosivos. Na Alemanha, em abril de 2002, na
12



                                      cidade de Erfurt, um jovem de 19 anos chacinou 16 pessoas: duas garotas,
                                      13 professores, uma secretária, e um policial que atendeu ao chamado de
                                      emergência; em seguida, suicidou-se (FANTE, 2005, p. 21-22).

       No Brasil, uma pesquisa do IBGE, feita em 2009, revelou os seguintes dados:
quase um terço, 30,8% dos estudantes brasileiros já passou por essa experiência de
bullying, sendo as maiores vítimas do sexo masculino. As maiores ocorrências foram
registradas em escolas privadas, 35,9%, e nas públicas, os casos atingiram 29,5%
dos estudantes. Outra pesquisa, feita pelo IBGE, em 2009, apontou Brasília e Belo
Horizonte, como as capitais brasileiras onde há maiores incidência de assédio
escolar, apresentando respectivamente os seguintes índices: 35,6% e 35,3%.
Merece destaque alguns casos de bullying ocorridos em várias cidades brasileiras:

                                      Em janeiro de 2003, Edimar Aparecido Freitas, de 18 anos, invadiu a escola
                                      onde havia estudado, no município de Taiúva, em São Paulo, com um
                                      revólver na mão. Ele feriu gravemente cinco alunos e, em seguida, matou-
                                      se. Obeso na infância e adolescência, ele era motivo de piada entre
                                               2
                                      colegas. Na Bahia, em fevereiro de 2004, um adolescente de 17 anos,
                                      armado com um revólver, matou um colega e a secretária da escola de
                                      informática onde estudou. O adolescente foi preso. O delegado que
                                      investigou o caso disse que o menino sofria algumas brincadeiras que
                                                                                                3
                                      ocasionavam certo rebaixamento de sua personalidade. Em 2010, em um
                                      colégio da Zona Sul de Belo Horizonte, uma menina de 13 anos foi vítima
                                      de agressões verbais por um colega de sala, de 14 anos, que se dirigia a
                                      ela com apelidos pejorativos e ainda levantava dúvidas sobre sua
                                      sexualidade em público. Os pais da menina chegaram a procurar a escola,
                                      que nada fez para coibir as agressões. Até que resolveram levar o caso a
                                      um advogado, que propôs uma ação de indenização na 27ª Vara Cível.
                                      Após o julgamento, o juiz determinou que os pais do agressor pagassem
                                                                                         4
                                      indenização de R$8 mil reais aos pais da vítima. Em 7 de dezembro de
                                      2010, o estudante Matheus Abvragov Dalvit, 15 anos, foi morto com um tiro
                                      nas costas na noite de terça-feira quando descia de um ônibus na zona
                                      norte de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, ele era vítima de piadas dos
                                                         5
                                      colegas de escola. Outro caso, ocorrido, recentemente, que chocou o país,
                                      em 7 de abril de 2011, doze adolescentes da Escola Municipal Tasso da
                                      Silveira no bairro de Realengo, na zona Oeste do Rio de Janeiro, foram
                                      mortos pelo ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que
                                                               2
                                      depois cometeu suicídio.

           Diante do exposto, verifica-se o triste quadro apresentado, o que nos convida
a uma reflexão sobre o quanto esse tipo de violência tem se disseminado e
consequentemente provocado preocupações, não só na sociedade como um todo,
mas também da escola, que é, mais particularmente, o palco onde acontecem esses
atentados violentos.

    1.3.           OS ENVOLVIDOS NO BULLYING
O bullying envolve mais, a princípio, o agressor, a vítima e testemunha. O autor ou
agressor é quem pratica o bullying, e quase sempre, quer mostrar domínio
_________________________
   2
       Portal da revista Veja, p. 1- blog Reinaldo Azevedo- site - veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/tragedia-no-rio/ - acessado em 10/09/2011.
13



      e força perante os outros, por isso, escolhe o seu alvo dentre os mais fracos,
ou aqueles que têm alguma diferença em relação aos demais.                     Quase sempre
mantém em sua volta auxiliares para seus atentados, os quais se comportam como
cativos, pela vaidade de pertencerem ao grupo dominante. Não usam seus colegas
somente para promover “diversão”, como também é importante ressaltar como os
usam como “escadas” para alcançar um determinado status, “respeito” e admiração
dos seus colegas. Cabe, dessa forma, destacar a afirmação de Chalita (2008, p.86):
“os autores do bullying, normalmente são alunos populares que precisam de plateia
para agir. Reconhecidos como valentões, oprimem e ameaçam suas vítimas por
motivos banais, apenas para impor autoridade”.
      O agressor, dentre outros perfis, adota uma variedade de comportamentos
anti-sociais, bem como a agressividade é vista como uma qualidade. Desfere contra
suas vítimas nos banheiros, corredores, cantina, no pátio, reservando suas ações
durante a ausência dos adultos. Esses jovens correm um risco muito grande de
virem a se transformar em criminosos. Segundo Neto (2004), o autor de bullying é
tipicamente popular, tende a envolver-se em uma variedade de comportamentos
negativos, pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos, vê a sua atividade
como uma qualidade. Há casos em que a agressão vai além das paredes do colégio,
passando a ser telefônico e inclusive pelo correio eletrônico, chamado cyberbullying.
      Esse agressor não deixa de ser vítima das circunstâncias, dos exemplos que
possui em casa, das situações vivenciadas no meio social e principalmente familiar.
Com isso, a criança ou adolescente, que age dessa forma, necessita de ajuda.
      As vítimas, no ambiente escolar, são alunos que possuem perfis ou
diferenças físicas, intelectuais, culturais, étnicas ou religiosas, com referência ao
grupo. Os fundamentos do bullying, para Nogueira (2003), são o preconceito e a
discriminação, a discriminação social (aos pobres), racial (aos negros, japoneses),
de gênero (os meninos em relação às meninas) e aos que se distanciam dos
padrões colocados pelo grupo de pares, ou seja, aos bons alunos, aos maus alunos,
aos novatos na escola, aos gordos, aos feios, enfim, aqueles que têm alguma
“deficiência”,e essas diferenças vão se construindo como estigma.
     Com referência a tal afirmação Fante (2005, p.62-63) apresenta, no trecho a
seguir, o seguinte posicionamento:
                     O bullying começa frequentemente pela recusa de aceitação de uma
                     diferença, seja ela qual for, mas sempre notória e abrangente, envolvendo
                     religião, raça, estatura física, peso, cor dos cabelos, deficiências visuais,
14



                      auditivas e vocais; ou é uma diferença de ordem psicológica, social, sexual
                      e física; ou está relacionada a aspectos como força, coragem e habilidades
                      desportivas e intelectuais. (FANTE, 2005, p.62-63).

      Devido ao comportamento das vítimas ser marcado por baixa estima, têm
medo e evitam reagir às agressões. Apresentam reações e temperamentos, muitas
vezes, que demonstram introspecção, atitudes de temor, comportam-se de uma
forma que fica fácil identificar se tal ou tal aluno está sendo vítima do bullying.
Conforme Olweus (1993), as vítimas de bullying, normalmente, são passivas,
mostram-se isoladas (excluídas), introvertidas e/ou inibidas; firmando-se numa
percepção negativa de si mesmas e da situação em si, uma vez que não veem
alternativas para mudar a situação.
      Conforme Salmivalli, Lagerspetz e Karin (1996), as vítimas podem ser
divididas em três tipos, levando-se em consideração a sua reação frente à agressão:
vítimas-agressoras, vítimas que pedem ajuda e vítimas que ocultam ser agredidas.
O primeiro caso se dá mais em garotos, o segundo, mais em garotas e o terceiro se
divide por igual entre garotos e garotas.
      Assim como os agressores que precisam de acompanhamento e ajuda, a
criança ou adolescente, vítimas dos bullies, necessitam também desses mesmos
cuidados.
      Os expectadores ou testemunhas são aqueles(as) que indiretamente
participam do bullying, isto é, assistem a todos os acontecimentos. Face à “lei do
silêncio” que, quase sempre, impera no próprio meio escolar, os expectadores não
tomam partido, veem tudo, mas nada falam, nada afirmam e assim não denunciam
os agressores, isso ocorre por medo de sofrerem agressões ou serem coagidos
pelos mesmos. Sabem que as vítimas sofrem humilhações, discriminações,
exclusões, porém, têm medo de denunciar e receberam esses mesmos maus-tratos.
        Menesini et al (1997, p.23), no excerto que se segue, comenta essas
afirmações:

                      As testemunhas de bullying não se envolvem diretamente nas agressões
                      com seus pares. Muitas vezes, simpatizam com os colegas vitimizados e
                      condenam o comportamento dos jovens que agridem. Entretanto, essas
                      crianças ou adolescentes têm medo de se tornarem alvos das agressões e,
                      por essa razão, não intervêm e esperam que um professor ou algum pai
                      faça isso. (MENESINI et al., 1997, p.23).

      Pressupõe-se, desse modo, que há uma importância por parte dos
expectadores ou dos alunos que testemunham “não-envolvidos”, no que tange ao
fato de que esses poderiam fazer suas denúncias, entretanto ora se mostram
15



omissos para com as vítimas, ora são coniventes com os agressores, colaborando,
com isso, para a manutenção e, consequentemente, a continuação dos casos de
bullying.

    1.4.    CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING

       Conforme estudos e pesquisas feitas por especialistas, as causas desse tipo
de comportamento abusivo são muitas e diversificadas, podendo ser pessoais,
familiares e escolares. Cabe aqui citar que uma das causas, talvez a mais
destacada, é a que reside no fato de que o bullie já passou por situação de ser
vítima, assim, a relação de dominador a dominado e de dominado a dominador vai
sempre se repetindo. Há, por outro lado, aquelas que se originam das influências
presentes no meio familiar - principalmente nos rapazes - além de outras, são as
que vão desde a ausência de um pai, de outro modo, da presença de um pai
violento, há também a influência que advém dos conflitos de pais, bem como da
situação socioeconômica do lar. O trecho que se segue, amplia essas afirmações:

                     Em resumo, as causas do bullying podem residir nos modelos educativos a
                     que são expostas as crianças, na ausência de valores, de limites, de regras
                     de convivência; em receber punição ou castigo através de violência ou
                     intimidação e a aprender a resolver os problemas e as dificuldades com a
                     violência. Quando uma criança está exposta constantemente a essas
                     situações, acaba registrando automaticamente tudo em sua memória,
                     passando a exteriorizá-las quando encontra oportunidade. Para a criança
                     que pratica o bullying, a violência é apenas um instrumento de intimidação.
                     Para ele, sua atuação é correta e, portanto, não se autocondena, o que não
                     quer dizer que não sofra por isso3.

       Em se tratando das consequências para o agressor, verifica-se que esses
agressores, no decorrer dos anos, vão adquirindo tendências que são denominadas
como comportamento de risco, dentre outros, podendo ser destacados: 1º) o
consumo de álcool e de estupefacientes; fraco envolvimento escolar e familiar; 2º)
absentismo e/ou abandono escolar; 3º) comportamentos que coloquem a sua
integridade física em risco e a dos outros, como são o caso da condução com
excesso de velocidade ou manobras consideradas perigosas e atividades
desportivas de risco e 4º) suicídio. (ABRAPIA, 2006).
       No que refere às consequências para a vítima, serão enumeradas as
principais, visto que são elas encontradas em grande quantidade: baixa autoestima;
medo; angústia; pesadelos; falta de vontade de ir à escola e rejeição da mesma;
ansiedade;    dificuldades    de    relacionamento        interpessoal;     dificuldade     de
16



concentração; diminuição do rendimento escolar; dores de cabeça; dores de
estômago e dores não especificadas; mudanças de humor súbitas; vômitos; urinar
na cama; falta de apetite ou apetite voraz; choro; insônias; medo do escuro; ataques
de pânico sem motivo; sensação de aperto no coração; aumento do pedido de
dinheiro aos pais e familiares; furto de objetos em casa; surgimento de material
escolar e pessoal danificado; desaparecimento de material escolar; abuso de álcool
e/ou estupefacientes; automutilação; stress e suicídio. (VENTURA, 2006).
      Além das consequências para os agressores e vítimas, é importante também
apresentar as principais consequências do bullying no meio escolar, são elas: 1ª)
ansiedade e medo; 2º) níveis elevados de evasão escolar; 3ª) alta rotatividade do
quadro de pessoal; 4ª) desrespeito pelos professores (e agressões); 5ª) grande
número de faltas por motivos menores; 6ª) porte de arma por parte dos alunos
visando proteção pessoal; 6ª) ações judiciais contra a escola ou outro responsável
(professor, auxiliar de ação educativa, entre outros), assim como contra a família do
agressor. (ABRAPIA, 2006).
      Pode, dessa forma, ser comprovado que as consequências deste fenômeno
no meio escolar não só afetam os alunos e as vítimas, mas todos os atores
presentes nestes locais, desde os professores até os encarregados de educação,
passando pelos auxiliares de ação educativa e afins. (ABRAPIA, 2006).

    1.5.   RELAÇÕES ENTRE GÊNERO E BULLYING

      Os agressores não apenas são os meninos, mas também as meninas, que
utilizam, para esse fim, de diversas táticas que vão das agressões diretas às
indiretas. Os meninos usam mais das agressões diretas, enquanto as meninas, as
indiretas. Os homens aprendem desde a idade de criança e são educados assim
por uma cultura “machista”, nela prevalecendo que para se adquirir status e ser
reconhecido na sociedade como alguém com “potencial”, necessário se faz ter
superioridade física, habilidades atléticas, ser líder, forte, não demonstrar fraqueza,
não demonstrar sentimentos, enfim, ter poder para dominar e serem dominadores.
(SIMMONS, 2004; PIPHER, 1998).
      Logo, para os meninos as suas ações, em meio a outras, partem das
seguintes atitudes, como: bater, falar mal, gritar, empurrar, já as meninas fazem
boatos, fofocas, demonstram, através de olhares, nojo, horror, repugnância, práticas
que caracterizam as agressões indiretas, firmadas na ausência de confronto direto
17



com a sua vítima. As meninas tiveram uma educação diferenciada da dos meninos,
o que influencia as práticas agressivas mais indiretas. Se os homens são criados
para serem “durões”, as mulheres, ao contrário, são educadas para serem “bem
comportadas.” A respeito da agressão e dos papéis masculinos e femininos,
Simmons (2004, p.27) afirma:

                     A agressão é um poderoso barômetro de nossos valores sociais. Segundo a
                     socióloga Anne Campbell, as atitudes relacionadas com a agressão
                     cristalizam papéis sexuais, ou a ideia de que esperamos que certas
                     responsabilidades sejam assumidas por homens e mulheres por causa do
                     seu sexo. Não obstante o excesso de times femininos de futebol, a
                     sociedade ocidental ainda espera que os meninos se tornem os provedores
                     e protetores da família, e as meninas sejam nutrizes e mães. A agressão é
                     marca registrada da masculinidade; ela permite aos homens controlar o
                     ambiente em que vivem e a sua subsistência. Para o que der e vier, os
                     meninos gozam de total acesso às brigas. O vínculo começa desde cedo: a
                     popularidade dos meninos é em grande parte determinada por sua
                     disposição de jogar duro. Eles conseguem o respeito dos colegas pelas
                     proezas atléticas, pela resistência a autoridade pelas atitudes firmes,
                     impertinentes, dominadoras, frias e confiantes.

      Dentro desse contexto, cabe destacar, dentre outros, alguns tipos de bullying,
que ora são praticados através do contato mais direto, ora, no contato mais indireto:
VERBAL: chamar nomes, ser sarcástico, lançar calúnias ou gozar com alguma
característica particular do outro (“gordo”, “caixa de óculos”, etc.); FÍSICO: puxar,
pontapear, bater, beliscar ou outro tipo de violência física; EMOCIONAL: excluir,
atormentar, ameaçar, manipular, amedrontar, chantagear, ridicularizar, ignorar;
RACISTA: toda a ofensa que resulte da cor da pele, de diferenças culturais, étnicas
ou religiosas; CYBERBULLYING: utilizar tecnologias de informação e comunicação
(internet ou telemóvel) para hostilizar, deliberada e repetidamente, uma pessoa, com
o intuito de magoá-la.

    1.6.   AMPAROS LEGAIS FRENTE AO BULLYING

      É de grande importância destacar mecanismos legais, dentre outros, que
resguardam alguns direitos e estão presentes em documentos oficiais, como: na
Constituição Federal do Brasil 1988, na Declaração Universal dos Direitos Humanos,
no Código Penal Brasileiro, no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como no
Código de Defesa do Consumidor.8
       A Constituição Federal Brasileira de 198813 prevê que pode ser considerado
como direito fundamental, devendo, portanto ser respeitado, a preservação do
princípio da dignidade da pessoa humana que se constitui um dos fundamentos,
18



relacionado ao Estado Democrático de Direito, nos termos do art. 1º, inciso III,
passando as crianças e adolescentes a serem considerados sujeitos de direitos, não
mais figurando como propriedade da família ou objeto de tutela do Estado. Além do
dispositivo que garante os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana,
considera os que asseguram o direito subjetivo de desenvolvimento físico, mental,
moral, espiritual e social dos infanto-juvenis.
     O primeiro artigo, da Declaração Universal dos Direitos Humanos cita: “Todos
os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de
razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de
fraternidade”. Dessa forma, essa Declaração aponta para os seguintes aspectos: a
garantia da proteção pelo Estado de Direito, o gozo de direitos e liberdades
estabelecidos neste documento, além de não aprovar a discriminação, seja de
qualquer forma.
       Para o Código Penal Brasileiro, o bullying se origina de um desrespeito em
relação ao outro, onde se percebe atos de intimidação, humilhação, discriminação,
ocasionando, muitas vezes, mortes de vítimas. Assim, considera a referida lei que a
gravidade do bullying pode ser concebida através da descrição dos seus atos, e, por
essa razão, quase todos os casos são considerados à luz do Direito penal como
crimes. Segundo o referido Código, o fenômeno ultrapassa os limites da percepção
isolada da ação que pode receber um tratamento penal, como é o caso da lesão
corporal, da injúria e do dano.
    No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) há dispositivos que asseguram
garantias, em observância tanto ao comportamento discriminatório e agressivo dos
bullies, quanto à forma como atentam acintosamente contra o respeito e a dignidade
de suas vítimas. Esse documento resguarda os direitos de participação na vida
familiar, sem discriminação; a salvaguarda de qualquer tratamento desumano,
violentos, vexatório e constrangedor; apontando, inclusive, o pagamento de multas
para algumas instituições, escolas e creches, bem como professores e médicos,
dentre outros, que deixarem de informar ao Conselho Tutelar sobre os maus-tratos
praticados contra a criança e o adolescente.
    O Código de Defesa do Consumidor, por sua vez, por considerar a escola como
prestadora de serviços, é mais taxativo e responsabiliza essa como responsável
19



pelos atos de violência que aconteçam com os alunos, justificando, para tanto, ser a
mesma responsável pela preservação da integridade física e psíquica do aluno3.2

       1.7.       PREVENÇÃO E COMBATE AO BULLYING

     Quando se procura apontar a responsabilidade pela prevenção e o combate à
prática do bullying, costuma-se, impensadamente, direcionar o problema, em um
primeiro momento, somente à escola, que por ser uma instituição voltada à
instrução, aos aprendizados e ascensão social e conviver com os grandes conflitos,
sobretudo atualmente, subentende-se ser ela a grande responsável e a mais visada.
Mas, ao se verificar mais racionalmente, comprova-se que a família e a sociedade
são também responsáveis e muito, pois se sabe que a violência, quase sempre, tem
vestígios anteriores, ou seja, começa muito antes de chegar aos espaços escolares.
Assim, essa exposição abordará, primeiramente, a responsabilidade da família,
depois da sociedade e, por último, da escola.

      1.7.1. Responsabilização da família

          A família é inegavelmente uma das responsáveis, cabendo a essa um
reconhecimento do seu papel e o compromisso de se mobilizar em busca de
soluções, porque o que pode ser verificado, em qualquer época, é que uma das
suas funções, ou dos pais mais particularmente, é cuidar da educação dos seus
filhos. Para que se possa ter uma comprovação da afirmação anterior, necessário se
faz arrolar alguns conceitos sobre a família, destacando-se como isso ocorreu em
alguns períodos históricos.
          Primeiramente, se tomarmos o Antigo Regime, observaremos que a criança
não tinha infância, por isso era vista como um “adulto jovem”, o que é corroborado
por Ariès (1998, p. 10 -11): “a criança, de muito pequena a adulto jovem, ou seja,
passando de uma fase para outra, não vivenciava a juventude, etapa conhecida na
Idade Média e que se configurou como o aspecto essencial das sociedades dos dias
atuais”.
          As crianças, no modelo de família em alusão, logo cedo se envolvia com os
adultos, ajudando os pais. Enquanto as meninas se encarregavam de tarefas no lar,

23
     O Fenômeno bullying no ambiente escolar”, por Letícia Gabriel Ramos Leão.   Aspectos legais, p. 129 a 133. Disponível   em
:http://www.facevv.edu.br/Revista/04/O%20FEN%C3%94MENO%20BULLYING%20NO%20AMBIENTE%20ESCOLAR%20-%20leticia%20gabriela.pdf      -
Acessado em 03/10/2011
20



os meninos cuidavam da conservação dos bens e negócios familiares. Assim, era
como adquiriam tanto os conhecimentos quanto os valores essenciais à sua
formação. Não havia demonstração de afetividade, apesar de a família se fazer
presente.
              No período denominado de Estado Novo, cabia à esposa a tarefa pela
educação dos filhos e o pai se encarregava pelo sustento da família, Gameiro (1989,
p.359-360) afirma: “O pai surge como o único angariador pelo sustento da família
(...) se ele desaparece, não há dinheiro para comprar o necessário”.
              No entanto, houve alterações sociais, no decorrer dos tempos: o casamento
tornou-se mais instável, surge um número crescente de divórcios, as mulheres
passaram a exercer atividades profissionais e a estudarem até mais tarde,
conquistando, com isso, a sua independência econômica, deixando para segundo
plano a maternidade.
              Cabe citar o registro no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional
sobre Educação para o Século XXI (1996, p.95): “A família constitui o primeiro lugar
de toda e qualquer educação e assegura, por isso, a ligação entre o afetivo e o
cognitivo, assim como a transmissão dos valores e normas”.
              A educação do jovem, no século XXI, tem se tornado algo muito difícil, devido
à ausência de modelos e de referenciais educacionais. Os pais de ontem, mostram-
se perdidos na educação das crianças de hoje. Estão cada vez mais ocupados com
o trabalho e pouco tempo dispõem para dedicarem-se à educação dos filhos. Esta,
por sua vez, é delegada a outros, ou em caso de famílias de menor poder aquisitivo,
os filhos são entregues à própria sorte. Os pais não conseguem educar seus filhos
emocionalmente e, tampouco, sentem-se habilitados a resolverem conflitos por meio
do diálogo e da negociação de regras. Optam muitas vezes pela arbitrariedade do
não ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial de
convivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e no
afeto4.3
              É verificada também a influência que tem as novas tecnologias, seduzindo as
crianças, despertando-as para novos saberes, progredindo, desse modo, os seus
conhecimentos, em parte na família, em parte na escola e em parte no meio social.
Por outro lado, o lazer e o convívio com os colegas têm uma importância grande no

4
    Bullying no ambiente escolar: o que é?”, por Márcio Balbino Cavalcante, p. 1 site - meuartigo.brasilescola.com/.../bullying-no-ambiente-escolar-que-e.htm
recortado do Google - Acessado 19/01/2012.
21



processo de socialização e formação. Machado Pais (1993) cita que as culturas
juvenis são direcionadas mais para o lazer, de certa forma, em oposição ao saber
tradicional dado na escola e na família, que só objetivam a ordem e a certeza, bem
como o ensino e a transmissão de conhecimentos.
              Portanto, ainda que exista certa continuidade na transmissão de valores de
pais para filhos, é comprovado que os jovens de hoje adquirem a sua identidade
tanto na família quanto fora dela. Entretanto, vale ressaltar que a família não pode
deixar de cumprir com o seu papel e transferir a responsabilidade a outros agentes
educativos no que tange à educação e formação dos seus filhos. Muito pelo
contrário, deve assumir a responsabilidade de formadora de cidadãos, devendo
abandonar a postura superprotetora, pautada em crença de que amor é a aceitação
de toda e qualquer atitude dos seus filhos, bem como continuar a satisfazer todos os
seus desejos, evitando criticá-los e a responsabilizá-los. A família, assim, deve ter
uma responsabilidade maior, que se resume na afirmação ética de seus filhos,
incutindo nesses a não aceitarem o desrespeito aos velhos e aos mais fracos
principalmente. Cabe à família exercer a crítica perante o que deve ser criticado,
propondo a justiça e a compreensão, sem jamais se esquecer de ajudar o seu filho,
estando ele na posição de vítima, de agressor ou de testemunha 5.4
              Segundo Moreno (2002, p. 251), os valores “são um dos traços mais
importantes do aprendizado no seio familiar”. Por isso, é importante a manutenção
do diálogo e o desenvolvimento afetivo no meio familiar. Para Pedra (2008, p.123):
“é o começo de toda educação estruturada, o desenvolvimento do afeto entre os
membros de uma família, para tanto, é de grande importância reservar-se um tempo
para a convivência saudável, principalmente com os filhos, quando o diálogo deve
ser a tônica constante”. Esse aprendizado é imprescindível no lar, cabendo aqui o
registro de Chalita (2008, p. 168):

                                         Quando a família abre mão desse aprendizado, abre também espaço para a
                                         violência, para as atitudes que enfraquecem e isolam atrás de grades,
                                         muralhas e guaritas. A violência que invade ou nasce no espaço familiar se
                                         expande para todos os outros segmentos da sociedade como uma teia de
                                         relações destrutivas que se reproduz e contamina os ambientes e as
                                         pessoas.



5
    Blog Associação dos Pais da Escola, “Bullying, Provocadores, vítimas”, Boletim “Entre Pais”, de 14/01/2006. site
http://apeedpedroiv.bloguepessoal.com/25330/BULLYING. Acessado em 19/01/2012
22



      Logo, é no ambiente familiar, alicerçado em valores sólidos, que a criança
deve criar não só relacionamentos significativos e duradouros, mas também
desenvolver valores humanos, sobretudo no que diz respeito a aceitar as diferenças
de cada indivíduo, aprendendo a lidar com seus sentimentos e emoções, o que,
certamente, suprirá suas necessidades de amor e de valorização. Porém, é
importante   destacar    que     sem     o   envolvimento       dos    pais,    auxiliando-os,
acompanhando-os, orientando-os, enfim, dando o afeto necessário, estarão os seus
filhos mais expostos e vulneráveis ao envolvimento em atentados violentos, como é
o caso do bullying.

   1.7.2. Responsabilização da sociedade

      Quando se evidencia a responsabilidade da sociedade na prevenção e no
combate ao bullying, não se está querendo, com isso, excluir dela a família e a
escola como segmentos sociais, mas ressaltar que, conjuntamente com a escola e a
família, deve-se também contar com os setores competentes, com as ações dos
governos (em todas as suas esferas), os poderes legislativo e judiciário e dos
demais órgãos e instituições envolvidas com essa questão, não deixando de citar,
desde a participação do aparelho de policiamento até os tratamentos de saúde,
sobretudo os oferecidos pelos psicólogos. É preciso o entendimento de que a
violência tanto perpassa pelas relações de classes quanto entre grupos culturais,
isso na sociedade como um todo, Tavares dos Santos (2001, p.105) aprova essa
afirmação, quando cita “As relações entre a escola e as práticas da violência
passam pela construção da complexidade das relações sociais”.
      Cabe, assim, aos governos o desenvolvimento e execução de políticas
públicas, implementando programas ou apresentando propostas que objetivem a
prevenção e o combate ao bullying. A respeito disso, vários estados já estão se
mobilizando, ainda que de uma forma tímida, podendo ser citado, como exemplo,
uma matéria, sobre o 1º Fórum realizado no Rio Grande do Sul, cujo tema foi “O
Governo Escuta debate bullying e aponta ações de combate à violência escolar”


                      Buscar soluções para evitar o crescimento das agressões nas instituições
                      de ensino. Este foi o principal eixo do primeiro fórum O Governo Escuta,
                      realizado na manhã desta quarta-feira, dia 04/05/2011, no Palácio Piratini,
                      em Porto Alegre, sob o tema "Violência no Ambiente Escolar, Bullying e
                      seus Desdobramentos (...)." Com a presença de representantes do
                      Executivo, Legislativo e Judiciário, o palestrante Marcos Rolim, membro
23



                                       fundador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Brasileiro
                                       de Justiça Restaurativa, apresentou uma ampla definição da forma como se
                                       apresenta o bullying nas escolas, ressaltando que "esta é uma agressão
                                       invisível e que, infelizmente, alunos de todas as escolas do mundo sofrem
                                       desta humilhação". Conforme Rolim, o auge da prática do bullying ocorre
                                       entre a 5ª a 8ª séries, sendo que as crianças que mais sofrem têm, em
                                       média, 13 anos. Para ele, a principal ação, no sentido de evitar o
                                       crescimento destas agressões, ocorre por meio de políticas públicas. "É
                                       preciso que fiquem claras as noções de disciplina em relação aos direitos e
                                       deveres de alunos e professores, além da criação de um Plano de
                                       Emergência e Ação, como as instalações de alarmes em todas as escolas
                                       diretamente ligados à polícia, para que haja resposta rápida em situação de
                                       risco e casos graves de agressão", destacou Rolim6.
                                       5

             Dessa forma, junto às ações dos governantes podem ser citadas as ações
dos juristas e do legislativo, comprometendo-se com o que lhes cabe diante da
prevenção e combate ao bullying. Vale afirmar da necessidade de a escola, por
outro lado, encaminhar aos especialistas na área os alunos envolvidos que sofrem
de distúrbios psicológicos, por fim, não deixando de se considerar que o suporte
policial é de vital necessidade, sobretudo para aqueles casos vistos como
gravíssimos, além, evidentemente, da ação de muitos órgãos e instituições, a
exemplo da atuação do Ministério Público e do Conselho Tutelar, que no caso de
uma maior necessidade, podem ser acionados. A respeito da importância do
envolvimento desses segmentos, vale ressaltar a afirmação de Ortega e Delrey
(2002, p. 22): "a abordagem da prevenção dos conflitos associados à violência deve
ser interdisciplinar; desde os serviços de saúde mental às instituições de proteção
social e os centros de educação formal deveriam se envolver na prevenção”.


       1.7.3. Responsabilização da escola

             Ao se analisar a responsabilidade da escola diante da prevenção e do
combate ao bullying, forçosamente há que se admitir, por outro lado, a influência do
processo histórico-social e suas transformações, no decorrer dos tempos,
vivenciadas necessariamente pela escola. É evidente que esta instituição nunca
perderá o seu sinônimo, dentre outros, como o lugar de amizades, de encontros e
construção de saberes, mas vale também destacar a educação como propulsora do
desenvolvimento da condição humana como um todo, em consonância com a
natureza e a sociedade. Isso pode ser confirmado com a afirmação que segue:

6
    Portal da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, “O Governo Escuta debate bullying e aponta ações de combate à violência escolar”,p. 1,
publicado em 04/05/11. site - http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/noticias_det.jsp?PAG=84&ID=6385. Acessado em 21/09/2011.
24



                     A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição
                     humana, com todos os seus poderes funcionando com harmonia e
                     completa, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o
                     mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, se elevando do
                     plano animal e continuaria a se desenvolver até sua condição atual. Implica
                     tanto a evolução individual quanto a universal (FROEBEL, 2001).

      Esse conceito amplia o sentido da educação e mostra a escola também como
um organismo sociológico, como um espaço próprio para a mostra de
comportamentos e influências múltiplas advindas do meio externo. Nesse contexto,
há que se considerar que estamos vivendo uma época de muitos conflitos ou
“complexidades,” que invadem as instituições de ensino e, dentre outros, destaca-se
a violência que cada vez mais se faz presente em todas as instituições de ensino.
      Diante do exposto, há que se destacar a afirmação de Fante (2005, p.20): “a
violência escolar nas últimas décadas adquiriu crescente dimensão em todas as
sociedades, o que a torna questão preocupante devido à grande incidência de sua
manifestação em todos os níveis de escolaridade”.
      Importa afirmar que este é o novo século de modificações marcantes, com a
mundialização, mudanças econômicas, o avanço das tecnologias, a massificação
dos sistemas de educação, a diversidade cultural e tantas outras transformações
(CHRISPINO e CHRISPINO, 2002). A escola, por sua vez, presente nesse contexto
de “avanços” e com um papel primordial direcionado à construção de uma sociedade
mais justa e igualitária, cobra de todos os seus atores, sobretudo dos gestores e
docentes mais um aprendizado: o de saber lidar com a heterogeneidade, com os
atentados violentos que a cada dia se elevam gradativamente no ambiente escolar.

   1.8.    O BULLYING E A GESTÃO ESCOLAR

      É da responsabilidade não só dos professores como também da Gestão
Escolar,   formada   geralmente      pelo    diretor,   vice-diretor,    coordenadores        e
orientadores, acompanhar de perto as ações educativas no cotidiano da escola e,
assim, resolver os problemas que existem neste ambiente. O novo século vem
trazendo modificações marcantes como a mundialização, mudanças econômicas, o
avanço da tecnologia, a massificação dos sistemas de educação, a diversidade
cultural e tantas outras. O perfil dos educadores e dos gestores pede uma
transformação reflexiva que acompanhe as necessidades de nossa época.
(CHRISPINO e CHRISPINO, 2002).
25



      Entretanto, o que se observa, não procurando generalizar, é que quase
sempre há o despreparo dos gestores envolvidos. As medidas repressivas são as
mais usadas, ficando às claras a falta de conhecimento sobre o assunto. Tais ações
só atingem o fenômeno de forma superficial e têm efeitos aparentes. Guimarães
(1996) faz uma afirmação que, ao lidar-se com questões de violências e dar
respostas com violências ainda maiores, só se está adiando a questão e camuflando
seus efeitos, uma vez que mais tarde tudo pode voltar à tona.
      Não se pode, com isso, esquecer-se da responsabilidade do diretor, por ser
ator importante dentro do cenário escolar, estando ao seu cargo à complexa tarefa
de administrar a escola, buscando sempre a qualidade da educação em meio a um
contexto que deve ser democrático e pacífico. A escola atual suscita novos
posicionamentos. Nesse sentido, cabe registrar a afirmação de Chrispino e
Chrispino (2002, p. 39): “A escola de massa e do futuro será a escola dos
“diferentes” e da diversidade, o que pede uma gestão escolar apropriada, a partir da
visão do futuro que nos aguarda.”
      Ampliando essa discussão, vale observar que a conduta e as ações dos
gestores hão de surgir principalmente da criatividade em confluência com uma
postura reflexiva, neste mundo onde as mudanças ocorrem de forma acelerada. A
esse respeito, o modelo de gestão democrática parece dar espaço às expectativas e
necessidades educacionais dos tempos hodiernos. A Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) nº 9394/96, em seu artigo 14, assegura que o ensino
público deverá ser regido pela gestão democrática. Tal prescrição só reforça a ideia
de que não existe mais espaço para uma visão centralizadora de gestão. Capanema
(1996), nesse aspecto, afirma que a tendência de descentralização que se verifica
em sistemas, começa a se estender ao nível da unidade escolar.
      Logo, um trabalho coletivo e uma postura de corresponsabilidade, juntamente
com uma perspectiva de união e solidariedade, centrada principalmente no diálogo,
devem nortear as ações do gestor. É importante também, para a boa administração
de conflitos externos e internos, que sejam estabelecidos a mediação, a negociação
e principalmente o respeito às individualidades. Guimarães (1996) afirma que quanto
mais a escola resiste a aceitar a heterogeneidade do seu campo e reforçar apenas o
processo de uniformização, maiores e mais violentos serão os sobressaltos.
      Outro aspecto de grande relevância para o gestor escolar refere-se a sua
consideração dada ao espaço cultural como um fator primordial, tanto da cultura
26



institucional, ou seja, a que se volta ao respeito das pessoas e suas diferentes
escolhas, sem obscurecer a missão da instituição, definida, por sua vez, pelos
amparos legais, quanto à cultura instituinte, que representa os valores, crenças,
histórias, experiências, em suma, tudo aquilo que perpassa pela experiência e
criação humana. Nesse sentido, no que tange às instituições, suas normas e regras,
cabe destacar o pensamento expresso nos PCN dos Temas Transversais:

                      A colocação das regras de funcionamento e das normas de conduta, de
                      forma clara e explícita, é necessária ao convívio social da escola. Por outro
                      lado, o esclarecimento da sua função é essencial para que os alunos
                      percebam o significado de segui-las e não as tomem como questão de mera
                      obediência aos adultos. Entretanto, é preciso considerar que essa
                      compreensão não acontece espontaneamente e, portanto, deve ser objeto
                      de ensino organizado e sistemático. Uma das maneiras de favorecer a
                      compreensão da natureza social das normas e regras é aprender a formulá-
                      las no convívio escolar, dentro dos limites da instituição, enfatizando-as
                      como organização coletiva (BRASIL, 1997, p 60).

         Dessa forma, verifica-se que é imprescindível considerar, antes de tudo, a
atuação dos gestores escolares, principalmente porque é o espaço educativo um
local em que as ações nele ocorridas são centralizadas nas relações entre as
pessoas, professores e alunos, estando mais do que nunca em jogo suas escalas de
valores frente às normas e às regras estabelecidas.

   1.9.      A POSTURA DOS PROFESSORES FRENTE AO BULLYING

         Fazer uma abordagem sobre as providências que devem ser tomadas em
favor da prevenção e combate ao bullying pelos professores, é citar inúmeras, já que
os atentados violentos se manifestam nas mais diversas maneiras e, por isso,
exigem medidas cautelares também diversas. Porém, aqui, a discussão será
centrada em casos mais conhecidos e publicados na literatura acadêmica. Dessa
forma,    serão citadas    algumas dessas          medidas,      iniciando-se     por    aquelas
relacionadas à aplicação do conteúdo programático na sala de aula e, depois,
chegando-se às que se referem à questão em pauta de uma forma mais frontal.


         Em meio a tantos outros conteúdos aplicados em classe, é de extrema
relevância, promover mais práticas didático-pedagógicas voltadas ao ensino dos
valores morais, principalmente sobre os assuntos que enalteçam a importância da
vida, da paz, bem como as atividades que se referem ao desenvolvimento da
afetividade e da socialização dos alunos.                A respeito dessa questão, Os
27



PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: APRESENTAÇÃO DOS TEMAS
TRANSVERSAIS E ÉTICA (BRASIL 1997), registram alguns assuntos que podem
ser consultados pelos professores nesse opúsculo e aplicados conjuntamente com
os conteúdos de outras disciplinas nas salas de aula. Frente a isso, será feito um
breve relato acerca de conteúdos, como: respeito mútuo, justiça, diálogo e
solidariedade, que também são comentados nos PCNs citados.
      Ao trabalhar o tema respeito mútuo, estará o professor mostrando ao aluno a
importância de se considerar a diferença entre as pessoas, bem como o respeito
pelo ser humano, o que independe de sua origem social, etnia, religião, sexo e
cultura. Estará assim expondo a importância do respeito para o fortalecimento do
convívio social democrático. Como ressalta os PCNs:
                     O sentimento de que as diversas origens sociais não se traduzem por
                     discriminações de todo tipo tenderá a fazer com que os alunos também
                     ajam de acordo com o valor da dignidade humana. Porém, é inevitável
                     acontecer que, inspirados por preconceitos expressos aqui e ali, alguns
                     alunos se mostrem agressivos e desrespeitosos com colegas diferentes
                     deles. Aqui, deve ser feito um destaque para preconceitos e desrespeitos
                     frequentes entre alunos: aqueles que estigmatizam deficientes físicos ou
                     simplesmente os gordos, os feios, os baixinhos, etc., em geral traduzidos
                     por apelidos pejorativos. Nesses casos, o professor não deve admitir tais
                     atitudes. Não se trata de punir os alunos; trata-se de explicar-lhes com
                     clareza o que significa dignidade do ser humano, demonstrar a total
                     impossibilidade de se deduzir que alguma raça é melhor que outra, que um
                     sexo é superior ao outro, que determinada cultura é a única válida, que
                     atributos físicos determinam personalidades, e assim por diante (BRASIL,
                     1997, p. 120)

      O professor, ao trabalhar o tema justiça, possibilitará aos seus alunos o
despertar da consciência crítica sobre seus direitos e deveres como cidadãos,
fortalecendo, dessa forma, a convivência, podendo ressaltar também a demarcação
dos limites dos alunos diante de determinadas atitudes principalmente. Sobre isso os
PCNs salientam ainda:

                     As normas referentes às condutas dos alunos e ao que deles se exigem em
                     termos de aprendizagem devem ser claras e conhecidas dos alunos; e
                     devem apresentar os deveres e os direitos desses alunos. Devem ser claras
                     porque normas ambíguas impedem as pessoas de saber exatamente o que
                     delas se espera e se cobra; e devem ser conhecidas pelos mesmos
                     motivos: é injusto cobrar alguém pelo que ignora ser seu dever. Todavia, é
                     preciso lembrar que a simples exposição verbal (oral ou escrita) não é
                     suficiente para que as normas sejam conhecidas e compreendidas: explicá-
                     las e discuti-las com os alunos é condição necessária à sua boa
                     assimilação. As normas de condutas não devem apenas falar dos deveres
                     dos alunos, devem também esclarecê-los sobre seus direitos. Tal fato é
                     essencial para que os alunos saibam exatamente quando estão sendo
                     injustiçados e possam defender seus direitos (BRASIL, 1997, p. 127).
28



      O tema diálogo, ao ser abordado em sala de aula, dentre outros
aprendizados, possibilitará aos alunos agressores uma reflexão sobre suas ações
agressivas bem como as consequências que podem ocorrer nos alunos agredidos.
Quando pode ser focada, sobretudo, a importância de uma escola onde todos
possam se sentir felizes, seguros e respeitados. No que tange ao tema diálogo, vale
o registro do excerto que se segue:
                     Quanto ao desenvolvimento da atitude de valorização do diálogo para
                     procurar esclarecer e, se possível, superar conflitos, é necessário que, cada
                     vez que um conflito apareça, se empregue o diálogo para equacioná-lo e
                     resolvê-lo. O valor atribuído ao diálogo está intimamente relacionado com
                     os demais valores já abordados. Qualquer pessoa é digna de ser ouvida e
                     de ouvir, portanto, de ser eleita como interlocutor, mesmo que suas opiniões
                     sejam diferentes daquelas da maioria. O diálogo somente é possível quando
                     as pessoas envolvidas se respeitam mutuamente. O objetivo do diálogo, em
                     situações de conflito, é encontrar a solução justa, ou seja, evitar que se
                     imponha a lei do mais forte, fazer com que os direitos de cada um sejam
                     respeitados. Nesse sentido, ele será um instrumento importante não apenas
                     para que o aluno consiga esclarecer os conflitos e resolvê-los, mas também
                     para que possa interagir com o professor e com os colegas e realizar
                     aprendizagens.16

      Por fim, o tema solidariedade possibilitará ao professor a exposição de
conteúdos direcionadas a atitudes que valorizem a prática da tolerância, do estímulo
à amizade, da cooperação e do companheirismo entre os alunos.
                     No que diz respeito ao convívio escolar, as orientações didáticas gerais
                     também são as mesmas para a solidariedade e para os demais valores: a
                     prática e a reflexão são essenciais. Portanto, em se tratando de
                     solidariedade, deve-se levar os alunos a praticá-la e a pensar sobre ela em
                     conjunto com os outros valores. Oportunidades não faltam, na escola e fora
                     dela, para tal prática. Em sala de aula, por exemplo, ao invés de incentivar a
                     competição entre os alunos ou a sistemática comparação entre seus
                     diversos desempenhos, é preferível fazer com que eles se ajudem
                     mutuamente a ter sucesso nas suas aprendizagens: aquele que já sabe
                     pode explicar àquele que ainda não sabe, aquele que não sabe deve poder
                     sentir-se à vontade para pedir ajuda, para perguntar, sem temer a vergonha
                     de ser sistematicamente comparado com os outros e colocado em posição
                     de inferioridade. O aluno que apresenta dificuldades não deve ser zombado
                     ou humilhado; antes, deve ser incentivado por todos (BRASIL, 1997, p.
                     130).

      É possível ainda, em se tratando de conteúdo e práticas didático-
pedagógicas, que o professor trabalhe em sala de aula, apoiando-se na utilização de
filmes, letras de música e dramatizações, por exemplo, a contação de histórias ou de
fábulas também é de grande valia. Além disso, de acordo com Pedra (2008), as
atividades em sala de aula em forma de redação, quando os alunos são estimulados
a falar no anonimato sobre a sua vida na escola, isto é, sobre seu relacionamento
29



com os colegas ajudam a romper o silêncio e possibilitam a expressão de emoções
e sentimentos.
      Direcionando-se agora mais as atitudes frontais dos professores frente à
prevenção e ao combate ao bullying, cabe, antes de tudo, considerar que, no mundo
atual, grande parte dos professores, já massacrados pelo sistema, não tendo o
apoio necessário das instituições educacionais, com remunerações aquém do que
eles merecem, devem, além da sala de aula, articular-se com os problemas da
comunidade. O sistema educacional coloca no professor a responsabilidade de
cobrir as lacunas da instituição que, com frequência, institui mecanismos severos e
redundantes de avaliação. (GASPARINI; BARRETO e ASSUNÇÃO, 2005).
      Mas, mesmo reconhecendo o que foi abordado no parágrafo anterior sobre os
professores - o que não deixa de ser verdadeiro - não se pode negar que eles são
os principais atores, os que convivem frente a frente com os casos de bullying.
      Deve-se frisar, inicialmente, que a Escola deve, além de oferecer a
qualificação dos seus professores de um modo geral, capacitá-los para a
observação, a fim de que eles possam identificar, diagnosticar, enfim, saber intervir
nas situações de bullying. A respeito disso, Fante (2005, p.68) afirma:

                     Acredita-se que a prevenção começa pelo conhecimento. É preciso que as
                     escolas reconheçam a existência do bullying e, sobretudo, esteja consciente
                     de seus prejuízos para a personalidade e o desenvolvimento
                     socioeducacional dos alunos. Ainda há um grande número de profissionais
                     da educação que não sabem distinguir entre condutas de bullying ou outros
                     tipos de violência, por não ter um preparo para identificar e desenvolver
                     estratégias pedagógicas para enfrentar os problemas no ambiente escolar.
                     O despreparo dos professores ocorre porque, tradicionalmente, nos cursos
                     de formação acadêmica e nos cursos de capacitação, são treinados com
                     técnicas que unicamente os habilitam para o ensino de suas disciplinas, não
                     sendo valorizada a necessidade de lidarem com o afeto e muito menos com
                     os conflitos e com os sentimentos dos alunos.

      Para tanto, segundo Pedra (2008), deve-se levar em consideração não só o
esforço da equipe escolar, mas também é preciso contar com a ajuda dos
consultores externos, como especialistas no tema, psicólogos e assistentes sociais,
dentre outros.
      Chalita (2008) alerta para a tomada de atitudes simples, como desde o
primeiro dia de aula, que sejam feitos esclarecimentos, em sala de aula, sobre o que
é o bullying, afirmando-se que não serão toleradas condutas do mesmo nas
dependências da escola. Convocando os alunos a se comprometerem em não
praticar e, se ocorrer algum caso, que seja imediatamente comunicado à direção da
30



escola. É essencial que os professores promovam debates sobre o bullying nas
salas de aulas, a fim de que o assunto seja bem divulgado e assimilado pelos
alunos. Cabe também estimular os alunos a fazerem pesquisas sobre o tema na
escola, principalmente objetivando como o assunto deve ser encarado pelos
professores e os demais funcionários.
      É de grande importância iniciativas preventivas, como o aumento da
supervisão na hora do recreio e intervalo, bem como evitar em sala de aula o
menosprezo, apelidos ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo,
principalmente aquelas atitudes que partem dos professores para os alunos. De
nada adianta prever o combater o bullying, se os próprios professores usam de atos
agressivos, verbais ou não, contra os seus alunos. A respeito disso, vale comentar o
posicionamento de Marriel et al (2006), quando afirma que a relação professor-aluno
é de extrema importância na atuação sobre a violência e no desenvolvimento de
características individuais. Atitudes relativamente simples de respeito e afeto por
parte do professor podem ser muito positivas, o que pode colaborar para diminuir a
violência no espaço educativo.
      Diante do exposto, verifica-se que é de grande importância reafirmar que o
bullying é um problema de saúde pública, e com tal requer, para sua prevenção e
contenção, atitudes de vários segmentos sociais. Depende sim das mudanças de
posturas dos seus gestores e professores e de novas atitudes, mas a essas devem
ser somadas a outras, que estão fora do ambiente escolar.
31



                                     CAPÍTULO II

                                     2. MÉTODO


      Neste capítulo, são abordados os itens do método utilizado nesta pesquisa de
campo, tais como: Tipo de pesquisa, participantes, local da pesquisa, instrumentos
utilizados, procedimentos e análise de dados.

   2.1.    TIPO DE PESQUISA

      Optou-se, para esse trabalho, pela pesquisa qualitativa, porque proporciona
uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, ou seja, possibilita o
estabelecimento de um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em número. Esse tipo de
pesquisa, além de propiciar um contato direto com o objeto pesquisado, é capaz de
estimular a interpretação e o entendimento sobre as questões em estudo. para Gil
(1999, p.42), a proposta de pesquisa em referência “tem um caráter pragmático, é
um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. o
objetivo fundamental dessa pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.

   2.2.    PARTICIPANTES


      Foram escolhidos como sujeitos dessa pesquisa 5 professoras, na faixa etária
entre 25 e 45 anos, sendo grande parte concluinte de ensino superior. Foram
selecionados também 5 alunos, na faixa etária entre 11 a 13 anos, todos do 6º ano
do Ensino Fundamental.

   2.3.   LOCAL DA PESQUISA

      O local da pesquisa foi o Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares,
localizado na Rua Ademir Simões de Freitas, nº 172, Bairro do Alto, Itiúba-Bahia. A
escolha deste estabelecimento de ensino foi em virtude de ser o maior da rede
municipal de ensino, onde há um universo bem mais amplo para as indagações que
serão propostas, funcionando com 15 salas, nos turnos matutino, vespertino e
32



noturno, atendendo ao Nível Fundamental de Ensino, do 6º ao 9º Ano. Essa unidade
de ensino possui 857 alunos e o seu corpo docente é composto por 36 professores.

    2.4.     INSTRUMENTOS

      Os instrumentos de pesquisa utilizados foram 2 questionários, sendo um com
5 questões(três de múltipla escolha e duas abertas) aplicado às professoras e outro
aplicado aos alunos, contendo 07 questões(05 de múltipla escolha e duas abertas). A
coleta de dados foi realizada no período de 15/11/2011 a 30/11/2011.

  2.5. PROCEDIMENTOS

      Muitas visitas foram feitas ao Ginásio Antônio Simões Valadares, durante o
período da coleta de dados. A princípio, foi feito um encontro com o Diretor desta
unidade de ensino, quando foram apresentados o tema e os objetivos desta
pesquisa, seguindo da assinatura de um Termo de Consentimento pelo referido
gestor, documento que, dentre outros aspectos, assegura a guarda do sigilo das
informações prestadas, bem como a garantia de que os nomes das pessoas
abordadas não serão mencionados neste trabalho. Nos outros encontros, foram
mantidos contatos mais diretos com os sujeitos da pesquisa (professores e alunos
escolhidos pela coordenação pedagógica desta unidade de ensino), quando foi citada
a finalidade desta pesquisa, sendo o citado Termo também assinado pelos
pesquisados. Por conseguinte, após uma conversação feita pela Equipe de
professores da monografia com os professores (pesquisados), procedeu-se o
preenchimento dos questionários.

    2.5.     ANÁLISE

      A análise foi realizada, observando-se os dados coletados dos questionários
respondidos    pelos   professores   e   alunos,   partindo-se   da   interpretação   de
gráficos/tabelas/quadros, elaborados com as respostas das questões apresentadas,
confrontando-se com muitas das afirmações dos teóricos, presentes no Capítulo I. A
interpretação desses dados tanto pôde trazer uma resposta à hipótese levantada e
consequentemente confirmar o problema apontado, quanto permitiu a certificação se
os objetivos, indicados na Introdução deste trabalho monográfico, foram plenamente
atingidos.
33



                                     CAPÍTULO III


                        3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS


           Primeiramente, foi realizada a verificação do questionário aplicado às
professoras, depois, o aplicado aos alunos.

    3.1.     QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS PROFESSORAS (QUESTÕES DE 1 A 5)

           Devido ao sigilo, que deve ser assegurado, as professoras entrevistadas
receberam os seguintes códigos: A, B, C, D e E. Nas questões 1(primeira) e
5(última), por se tratarem de questões abertas, foram transcritas as respostas na
íntegra, isto é, sem nenhuma correção gramatical.


           3.1.1 . Questão 1 – Ocorreram ou ocorrem, na sua sala de aula, casos de
bullying? Se sim, quando e como aconteceram ou acontecem?

Resposta da professora A:
       “Sim. Há poucos meses atrás, no 6º Ano C, tinha uma aluna de estatura alta e
magra. Então, observei que, de vez em quando, faziam chacota quanto a sua
magreza. Mas, eu simplesmente achava que era brincadeira de mau gosto. Daí foi se
estendendo a ponto dela desistir de estudar, pois ficou complexada. Por mais que a
escola e os pais tentassem ajudar, ela não permitiu.”
       Resposta da professora B:
       “Um aluno, no início do ano letivo, chamou o colega de jegue preto, isto
porque ele queria copiar as respostas do colega ofendido. No dia seguinte, ele
repetiu a ofensa, mas o colega falou que se ele era jegue preto, o outro deveria ser
jegue branco. O caso foi resolvido através do diálogo entre direção, coordenação,
pais e alunos, onde foi esclarecido que o colega usou o termo jegue branco por
orientação da mãe.”
       Resposta da professora C:
       “É notório o comportamento de alguns alunos dessa unidade de ensino. Tal
comportamento reflete-se nas ironias com colegas, como por exemplo: “você é da
roça”, “seu gordo”, “seu africano”, “cara de jegue”, “fedor de algo”, etc..”
34



       Resposta da professora D:
       “Sim, os alunos praticam pequenas e grandes perversões. Debocham uns dos
outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas imperfeições e não
perdoam nada. O agressor intimida as pessoas através de agressões verbais e
físicas, do tipo: “gordo”, “baleia”, “rolha de poço”, “cabeça de vaca”, “vara de pau”,
“gigante”. E muita humilhação que deixa a pessoa com problemas de socialização,
angústia e até mesmo depressão.”
       Resposta da professora E:
       “Sim. O bullying ocorre em situações corriqueiras no Ginásio. E é manifestado,
na sala de aula em que leciono, de diversas formas: através de preconceito social,
étnico e até mesmo intelectual, quando se rotula o colega de “burro” e o preconceito
racial “nego preto” e etc.”.
       Todas as cinco professoras afirmaram que ocorreram/ocorrem casos de
bullying na sala de aula. Pôde-se verificar que somente uma professora, a “B”, tomou
uma providência mais contundente, levando o caso a uma resolução. A professora
“A” cita: (...) “e por mais que a escola e os pais tentassem ajudar, ela não permitiu”,
em seguida afirma: (...) “eu simplesmente achava que era brincadeira de mau gosto”,
demonstrando, com isso, certa acomodação no que diz respeito a uma tomada de
providência. As demais professoras apresentaram somente os comentários, não
revelando nenhuma atitude de contenção ou prevenção.
       Foi observado também que o bullying continua ocorrendo de uma forma
aparentemente mais branda, voltado para as provocações, “com os apelidos”,
“insultos”, mas isso não significa que os professores não devam estar atentos, porque
esses casos podem - se continuados - ser prenúncios para agressões maiores. Cabe,
assim, um comentário sobre a afirmação de Fante (2005), feita no Capítulo I, que
confirma tal situação, quando assegura que o bullying apresenta-se, inicialmente,
com brincadeiras, podendo, entretanto, trazer as mais trágicas consequências tanto
para agressores quanto vítimas.
       Assim, verifica-se que é preciso o professor ter ciência dessa realidade, a fim
de que possa atuar com mais eficácia.


       3.1.2. Questão 2 – Depois das reflexões sobre bullying neste estabelecimento
de ensino – feitas por nossa equipe e professores dessa escola – qual ou quais das
35



consequências no quadro a seguir, para você, professor(a), pode(m) ser
comprovada(s) na vida dos alunos?
                                                                                     Soma das
            RESPOSTAS                  Profª A   Profª B Profª C Profª D   Profª E
                                                                                     respostas
1- Dificuldade na aprendizagem.                     x         x     x        x          04
2- Queda de rendimento escolar.                     x         x     x        x          04
3-Problemas somáticos e psicológicos
                                          x         x               x        x          04
(ansiedade, tédio e depressão).

       Quadro 01 – Dificuldades causadas pelo bullying
       Fonte: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2012)

       Percebeu-se, com a análise do Quadro 01, acima, que as três dificuldades
apontadas tiveram a mesma pontuação no cômputo geral. A “1- Dificuldade na
aprendizagem” foi apontada pelas professoras B, C, D e E; a “2 - Queda de
rendimento escolar” foi citada pelas mesmas professoras B, C, D e E, por fim, a “3 -
Problemas somáticos e psicológicos (ansiedade, tédio e depressão)” foi escolhida
pelas professoras A, B, D e E.

       Pôde, também, ser observado que as dificuldades em alusão estão presentes
entre as elencadas pela ABRAPIA (2006), na Fundamentação Teórica, quando foram
citadas as “Consequências para agressores e vítimas”, o que só faz corroborar a
afirmação das professoras na questão 1 sobre a existência do bullying neste
estabelecimento de ensino.
       Diante disso, não se pode deixar de ressaltar a necessidade de o professor
estar preparado para identificar os sintomas, ou seja, as consequências, que podem
se apresentar nas formas mais diversas e gerar trauma, que dependendo da
estrutura familiar e psicológica da pessoa, pode nunca ser superado. Quando a
vítima é criança pode crescer e levar para sua vida adulta a insegurança, a baixa
autoestima, os sentimentos negativos, a ansiedade. Pereira (2002) definiu o efeito
em dois grupos, efeito imediato e o efeito à longo prazo: no efeito imediato a criança
tem autoestima baixa, possui poucos amigos ou nenhum, não consegue partilhar e
nem ajudar os outros, ocorre falta de concentração na escola, tornando-a refém de
ansiedade e de emoções de medo, de angústia e de raiva reprimida. Os efeitos a
longo prazo são a depressão, não confiar nos outros e ainda continuar com a
autoestima baixa, ter problema de se socializar com os outros, viver uma vida infeliz,
36



sob a sombra do medo, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornos
psicológicos, podendo chegar ao suicídio.

   3.1.3. Questão 3 - Frente à ocorrência do bullying, como você acha que deve reagir o
           professor?

Pergunta-Frente à ocorrência do bullying, como você acha que deve reagir o professor?
                                                                                         Soma das
                RESPOSTAS                       Prof A Profª B Profª C Profª D Profª E
                                                                                         respostas
1- Ter consciência que esse fenômeno existe.              X              X       X           3
2- Oportunizar aos educandos o acesso a essas
informações para que possam refletir sobre o              X         X    X       X          4
bullying bem como suas consequências.
3- Ensinar seus alunos a respeitar às
                                                   X      X         X    X       X          5
diferenças.
4- Não ensinar apenas os conteúdos
programáticos, mas também educar crianças e               X                                 1
adolescentes para a prática de sua cidadania.

       Quadro 02 – Formas de reação do professor ao bullyng
       Fonte: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2012)


       O Quadro 02, acima demonstra que a alternativa mais apontada foi a “3 -
Ensinar seus alunos a respeitar as diferenças”, assinalada por todas as professoras,
isso demonstra ser primordial, em suas compreensões, o respeito frente a qualquer
tipo de diferença, o que sem dúvida, já é um dos passos para se evitar a
discriminação. Seguiu-se também com boa pontuação a resposta “2 - Oportunizar
aos educandos o acesso a essas informações para que possam refletir sobre o
bullying bem como suas consequências”, escolhida pelas professoras B, C, D e E
(comprovando a necessidade de também se manter os alunos informados). Depois, a
resposta “1-Ter consciência que esse fenômeno existe.”, apontada pelas professoras
B, D e E (evidenciando que os professores precisam estar mais atentos) e,
finalmente, a resposta “4 - Não ensinar apenas os conteúdos programáticos, mas
também educar crianças e adolescentes para a prática de sua cidadania”, escolhida
pela professora B, (mesmo que essa resposta tenha sido apontada por uma
professora somente, não deixa de ser de grande importância, pois a educação não
só deve estar voltada aos conhecimentos livrescos, aos conteúdos programáticos,
mas também à formação da cidadania de todos os alunos).
       As quatro atitudes em referências foram enfocadas no Capítulo I, ao serem
abordados os seguintes assuntos: Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo e Solidariedade,
que fazem parte dos PCNS - Apresentação dos Temas Transversais e Ética (Brasil,
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Monografia Eleneide Pedagogia Itiúba 2012

  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS VII PROGRAMA REDE UNEB - 2000 ELENEIDE DA SILVA GÓES GILMAR JOSÉ DA SILVA JANE BATISTA DOS SANTOS MARISTELA PEREIRA GOMES O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL ANTONIO SIMÕES VALADARES ITIÚBA - BAHIA 2012
  • 2. ELENEIDE DA SILVA GÓES GILMAR JOSÉ DA SILVA JANE BATISTA DOS SANTOS MARISTELA PEREIRA GOMES O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL ANTONIO SIMÕES VALADARES Monografia apresentada ao Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das exigências para a conclusão do curso de graduação em Pedagogia, sob a orientação do Prof. Dr. Gilberto Lima dos Santos. ITIÚBA - BAHIA 2012
  • 3. FOLHA DE APROVAÇÃO ELENEIDE DA SILVA GÓES GILMAR JOSÉ DA SILVA JANE BATISTA DOS SANTOS MARISTELA PEREIRA GOMES O BULLYING NO GINÁSIO MUNICIPAL ANTONIO SIMÕES VALADARES Monografia apresentada ao Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das exigências para a conclusão do curso de graduação em Pedagogia. Aprovada em _________ de ______________de 2012. Componentes da banca examinadora: ____________________________________ Prof. Dr. (orientador) Gilberto Lima dos Santos UNEB – Universidade Estadual da Bahia ___________________________ ___________________________ ITIÚBA - BAHIA 2012
  • 4. AGRADECIMENTOS Além de Deus, o Grande Arquiteto do universo, que nos acompanha, dando- nos força e fazendo com que surjam momentos únicos em nossas vidas, temos muitas pessoas a agradecer em razão da ajuda, da acolhida, do incentivo, das críticas e das sugestões que nos deram. Algumas dessas, em especial: Ao professor Dr. Gilberto Lima dos Santos (orientador), pela confiança e pelas orientações baseadas na crítica, na exigência, no rigor metodológico e na amizade, visando ao crescimento e ao nosso progresso. A todos os professores do Projeto Rede UNEB 2000(Itiúba), que, com seus preciosos conhecimentos e experiências, contribuíram para nossa formação profissional. Aos professores e alunos pesquisados, que prontamente nos auxiliaram nesta pesquisa. À Prefeitura Municipal de Itiúba e a UNEB - Universidade do Estado da Bahia, que juntas, com a implantação do curso de licenciatura em Pedagogia principalmente, muito têm contribuído para a boa formação profissional, para o desenvolvimento de competências dos professores deste município. A todos os nossos familiares, colegas de turma, amigos e amigas, companheiros e companheira (esposos e esposa), que nos momentos mais difíceis, nos incentivaram, enfim, alimentaram a crença, a perseverança, a confiança, requisitos que nos foram imprescindíveis, para chegarmos à vitória, à concretização deste objetivo.
  • 5. “Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro...” (Rubem Alves)
  • 6. LISTA DE QUADROS E GRÁFICOS QUADROS Quadro 1 – Dificuldades causadas pelo bullying .................................................. 35 Quadro 2 – Formas de reação do professor ao bullying ...................................... 36 Quadro 3 – Atitudes atitudes que podem estimular o bullying ............................. 37 Quadro 4 – Auto caracterização dos alunos ........................................................ 40 Quadro 5 – Manifestações de bullying sofridas pelos sujeitos ............................. 42 GRÁFICOS Gráfico 1 – Alunos que já brigaram na escola ..................................................... 41 Gráfico 2 – Alunos sentem-se intimidados na escola .......................................... 42 Gráfico 3 – Saber o significado de bullying .......................................................... 45
  • 7. RESUMO Este trabalho teve como finalidade verificar a existência do bullying no Ginásio Antonio Simões Valadares. Para tanto, o referido estudo fundamentou-se nos pressupostos teóricos de muitos estudiosos, quando foram abordados conceitos, causas e consequências do bullying, a importância da participação da família, da sociedade e da escola na promoção de atitudes preventivas e combativas, dentre outros enfoques. Quanto à metodologia utilizada, foi essa norteada pela pesquisa qualitativa, desenvolvida através de um estudo de campo, seguindo-se da interpretação de dados. Como técnica de coleta de dados, foram utilizados questionários. O espaço físico onde foi realizada a pesquisa foi a sala de aula e teve como participantes cinco professoras e cinco alunos do 6º Ano. Os resultados revelaram a existência do bullying na referida unidade de ensino e comprovaram que o comportamento agressivo de alguns alunos gera insegurança e apreensão naqueles que são vitimizados, chamando a atenção dos docentes para a necessidade de mudança de posturas frente a essa realidade. PALAVRAS-CHAVE: Bullying. Escola. Família. Prevenção. Combate.
  • 8. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 7 CAPÍTULO I 9 1. O BULLYING E SUAS IMPLICAÇÕES ......................................................... 9 1.1 CONCEITOS: VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA NA ESCOLA E BULLYING .............. 9 1.2 O CONHECIMENTO SOBRE O BULLYING .................................................... 10 1.3 OS ENVOLVIDOS NO BULLYING ................................................................... 12 1.4 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING .............................................. 15 1.5 RELAÇÃO ENTRE GÊNERO E BULLYING ..................................................... 16 1.6 AMPAROS LEGAIS FRENTE AO BULLYING ................................................. 17 1.7 PREVENÇÃO E COMBATE AO BULLYING .................................................... 19 1.7.1 Responsabilização da família ....................................................................... 21 1.7.2 Responsabilização da sociedade ................................................................. 22 1.7.3 Responsabilização da escola ....................................................................... 23 1.7.3.1 O bullying e a gestão escolar .................................................................... 24 1.7.3.2 A postura dos professores frente ao bullying ......................................... 26 CAPÍTULO II 2. MÉTODO ....................................................................................................... 31 2.1 TIPO DE PESQUISA ......................................................................................... 31 2.2 PARTICIPANTES .............................................................................................. 31 2.3 LOCAL ............................................................................................................... 31 2.4 INSTRUMENTOS .............................................................................................. 32 2.5 PROCEDIMENTOS ........................................................................................... 32 2.6 ANÁLISE ............................................................................................................ 32 CAPÍTULO III 3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ............................................................. 33 3.1 QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS PROFESSORAS (QUESTÕES DE 1 A 5) ... 33 3.1.1. Questão 1....................................................................................................... 33 3.1.2. Questão 2....................................................................................................... 34 3.1.3. Questão 3....................................................................................................... 36 3.1.4. Questão 4....................................................................................................... 37 3.1.5. Questão 5....................................................................................................... 38 3.2 QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS (QUESTÕES DE 1 A 7) ............. 39 3.2.1 Questão 1....................................................................................................... 40 3.2.2 Questão 2....................................................................................................... 41 3.2.3 Questão 3....................................................................................................... 42 3.2.4 Questão 4....................................................................................................... 42 3.2.5 Questão 5....................................................................................................... 43 3.2.6 Questão 6....................................................................................................... 44 3.2.7 Questão 7....................................................................................................... 45 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 47 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 49
  • 9. 7 INTRODUÇÃO O bullying, no mundo atual, é concebido como um grave problema e está presente nos mais diversos setores da sociedade, principalmente no contexto escolar. Na escola, é visto como uma forma de violência caracterizada por agressões físicas ou morais entre alunos, sejam crianças, sejam adolescentes. O presente trabalho, com isso, propõe-se a um estudo sobre o bullying no Ginásio Antônio Simões Valadares. Questão essa que tem provocado preocupações e, para tanto, através desta monografia, procuraremos chamar a atenção de vários segmentos da sociedade itiubense. Vale ressaltar que a escolha do tema em pauta foi devido a, antes de tudo, sermos professores, atuando em sala de aula, fato que nos aproxima ainda mais dessa realidade que pede “um olhar” mais detido, principalmente dos educadores. Além disso, estamos concluindo o curso de graduação em Pedagogia, o que aumenta ainda mais a nossa responsabilidade, não só de cuidar das questões pedagógicas, mas também de focalizarmos a escola como um todo. Apesar de termos ciência de que o bullying, em se tratando deste município, também envolve a família e outros setores competentes, no que se refere a tomadas de providências, procuraremos, sem desprezar a participação desses segmentos, centrar essa pesquisa no corpo docente deste estabelecimento de ensino, pois se sabe que a busca de solução para tal questão está mais na escola, que, com certeza, é a mais visada e é quem tem, por sua vez, um papel mais definido, implicando, com isso, sobretudo na preparação de seus profissionais para enfrentar esse tipo de agressão. Sabe-se, por outro lado, que esse é um dos assuntos mais comentados e que tem deixado muitos professores apreensivos, tanto pela divulgação na mídia, através da televisão, rádios, jornais e revistas, que constantemente estão expondo os mais diversos casos assombrosos de bullying, quanto pelo alerta documental e próprio para estudos, com a extensa lista de trabalhos acadêmicos publicados. É preciso também destacar o modo como esses educadores encaram essa realidade em suas escolas: mostram-se passivos, ou seja, “não dão muita importância”. Daí surge o seguinte questionamento: estão esses educadores bem orientados e, consequentemente, preparados para enfrentar esse tipo de violência?
  • 10. 8 Desse modo, torna-se importante saber se essa equipe escolar está realmente preparada para lidar com esse fenômeno, fator que nos possibilitará - mesmo que esses já tenham alguma preparação - por meio deste trabalho monográfico, estimular reflexões e outras formas de atuação, para que os mesmos possam assumir novas posturas e, assim, tomar medidas mais eficazes diante desta questão. Assim, tem este trabalho de pesquisa os seguintes objetivos: Objetivo geral: Avaliar a ocorrência do bullying no Ginásio Municipal Antonio Simões Valadares, bem como as ações dos professores voltadas para esse fenômeno. Objetivos específicos: verificar se há registro de ocorrência de bullying no citado estabelecimento de ensino e detectar se as ações dos professores estão voltadas para a prevenção e combate ao bullying. Esta monografia, por conseguinte, foi dividida em três capítulos, descritos da seguinte forma: No primeiro capítulo, consta a Fundamentação Teórica, amparada pelas concepções dos teóricos, focalizando as conceituações de violência, violência na escola e bullying, como ele é encarado, quais as suas causas e consequências e de que modo a família, a sociedade e a escola podem lidar com esse problema, dentre outros enfoques. A exposição no segundo capítulo está voltada à Metodologia. Quando foram descritos: o tipo da pesquisa, participantes, local da pesquisa, instrumentos, procedimentos e análise. No terceiro capítulo encontram-se os Resultados apresentados. Foram analisadas as respostas dadas pelos professores e alunos, comprovando-se, por fim, a existência do bullying na unidade de ensino pesquisada. Nas Considerações Finais foram ressaltados a importância desta pesquisa, os objetivos alcançados e recomendações direcionadas ao gestor escolar e docentes do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares sobre a necessidade de se colocar em práticas ações não só preventivas, mas também combativas contra o bullying, citou-se inclusive a necessidade de participação de outros segmentos da sociedade.
  • 11. 9 CAPÍTULO I 1. O BULLYING E SUAS IMPLICAÇÕES 1.1. CONCEITOS DE VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA NA ESCOLA E BULLYING Antes de se conceituar bullying, serão apresentadas as definições de violência em seu sentido mais amplo, depois o que é a violência na escola. A violência, numa visão mais geral, segundo Aulete (2004, p.814): “Consiste na utilização por alguém da força bruta em suas relações com outras pessoas, com animais, plantas e coisas, para se obter algo”. Para Olweus (1999, p.12): A violência é "o comportamento agressivo em que o autor ou perpetrador utiliza o seu próprio corpo ou um objeto (incluindo uma arma) para provocar danos (relativamente graves) ou desconforto noutra pessoa". Conforme a Organização Mundial de Saúde -OMS (KRUG et al, 2002), violência é a utilização intencional de força ou poder físico, por ameaça ou de fato, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulta em ou tem alta probabilidade de resultar em ferimentos, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação. Verifica-se, assim, que dos conceitos apresentados, para Caldas Aulete, a violência se caracteriza da forma mais ampla possível, inclusive direcionando “essa força bruta” contra os elementos da natureza(animais, plantas e coisas); enquanto que os conceitos de Dan Olweus e da OMS possuem quase uma equivalência, pois tratam a violência como danos provocados contra outrem, só que o da OMS vai mais além ao citar “os danos psicológicos”. Ao falarmos de violência na escola, o termo bullying ou o seu equivalente noutras línguas é habitualmente utilizado (Finlandês: "koulukiusaaminen", Dinamarquês: "mobbe", Alemão: "Mobbing", Português: "maus-tratos entre iguais"). Olweus (1993, p. 9) estabelece a seguinte definição geral de maus-tratos entre iguais: “Um estudante é agredido ou vitimizado quando é exposto repetida e frequentemente a ações negativas por parte de um ou mais colegas seus". Desse modo, o bullying, apoiando-se no conceito de Fante (2005) é toda forma de agressão, física ou verbal sem um motivo aparente, trazendo às suas vítimas consequências que vão desde o âmbito emocional até consequências na aprendizagem.
  • 12. 10 Portanto, percebe-se que enquanto a violência, em seu sentido mais geral, reúne características mais diversas e está presente nos mais variados contextos, o bullying caracteriza-se como um tipo de violência mais específica, ocorrendo nas universidades, nas famílias, entre os vizinhos, no trabalho, dentre outros contextos, mas a sua maior incidência é nas escolas. 1.2. CONHECIMENTO SOBRE O BULLYING Nos últimos tempos, muito tem sido noticiado, nos mais diversos meios de comunicação, sobre as ocorrências de bullying, o qual é considerado uma das violências que mais tem crescido no mundo, sendo a escola o lugar principal onde ele ocorre. O trecho a seguir reforça essa afirmação: O bullying é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING entre seus alunos, ou 1 desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.1 O bullying apresenta-se, a princípio, como uma brincadeira, e pode até parecer, no entanto traz efeitos sérios às suas vítimas, tanto fisicamente quanto psicologicamente. No contexto escolar, pode afetar a criança ou o adolescente, causando graves prejuízos principalmente no rendimento escolar. Manifesta-se, assim, nas mais variadas formas. A respeito disso, Fante (2005) afirma: Por definição universal, bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying. (FANTE, 2005. p.28-29). Em meados da década de 1990, essas chamadas “brincadeiras” passaram a se denominar como bullying, quando Dan Olweus, pesquisador e educador da universidade de Bergen, na Noruega, mais precisamente em 1980, incomodado com o número de suicídios que vinha ocorrendo entre estudantes, fez uma pesquisa e 1 Portal MINE WEB EDUCAÇÃO, criado pela Profa. Arlete Embacher, p. 1 - Site: www.miniweb.com.br/educadores/artigos/bullying.htm l - Acessado em 09/09/2011.
  • 13. 11 detectou as consequências que o mesmo pode causar. Fante (2005), com referência a essa afirmação, faz a abordagem que se segue: O fenômeno bullying começou a ser estudado na década de 1970 na Suécia e na Dinamarca. A partir de 1980 foi desenvolvida, na Noruega, uma pesquisa sobre o tema. Dan Olweus, da Universidade de Bergen, estabeleceu critérios para identificação das condutas de bullying e distinção destas com brincadeiras que são próprias do ambiente. Os critérios estabelecidos foram: ações repetitivas contra a mesma vítima num período prolongado de tempo, desequilíbrio de poder, dificultando a defesa da vítima e a ausência de motivos que justifiquem o ataque (FANTE, 2005, p.49). O bullying, no Brasil, passou a ser conhecido e estudado pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência). Essa pesquisa foi desenvolvida, através de um projeto, em onze escolas do Estado do Rio de Janeiro, cujo objetivo era, sobretudo, combater e prevenir a ocorrência de bullying. A referida pesquisa foi realizada no período de janeiro de 2002 a março de 2003, com alunos de 5ª a 8ª série dessas escolas, e apontou alguns dados significativos (SILVA, 2010, p.113): 1º) 40,5% dos alunos admitiram ter tido algum tipo de envolvimento direto na prática de bullying; 2º) As agressões ocorrem principalmente na sala de aula (60%); 3º) 50% das vítimas admitem que não relataram os fatos aos professores; 4º) 80% dos alunos manifestaram sentimentos contrários aos atos de bullying e 5º) Entre os autores de bullying, 51% afirmaram que não receberam nenhum tipo de orientação ou advertência quanto à incorreção de seus atos. É um problema que vem se intensificando no mundo inteiro. Alguns casos podem ser destacados, inclusive envolvendo assassinatos e suicídios das vítimas, citados por Fante (2005, p. 21-22): O que antes ocorria de forma esporádica, após a década de 1990 transformou-se numa sequência de trágicos assassinatos e suicídios no interior das escolas. Em 1997, na cidade de West Paducah, Kentucky, um adolescente de 14 anos matou a tiros três companheiros de escola, após a oração matinal, deixando mais cinco feridos. Em 1998, em Jonesboro, Arkansas, dois estudantes, de 11 e 13 anos, atiraram contra sua escola, matando quatro meninos e uma professora. Também em 1998, em Springfield, Oregon, um adolescente de 17 anos matou a tiros dois colegas e feriu mais vinte. Em 1999, dois adolescentes, de 17 e 18 anos, provocaram a tragédia de Columbine, em Littleton, Colorado. Com explosivos e armas de fogo, assassinaram doze companheiros, um professor e deixaram dezenas de feridos. Em seguida suicidaram-se. Ainda em 1999, uma semana após o massacre de Columbine, em Taber, Canadá, um adolescente de 14 anos disparou ao seu redor, matando um colega de escola. Outros massacres ainda foram praticados na década de 1990, na Escócia, no Japão e em vários países africanos. Em novembro de 1999, na Alemanha, um estudante de 15 anos matou a facadas uma professora. Em março de 2000, um aluno de 16 anos matou a tiros o diretor da escola e depois tentou o suicídio. Em fevereiro de 2001, um jovem de 22 anos matou a tiros o chefe de sua empresa; depois se dirigiu a sua ex-escola, matou o diretor e suicidou-se com explosivos. Na Alemanha, em abril de 2002, na
  • 14. 12 cidade de Erfurt, um jovem de 19 anos chacinou 16 pessoas: duas garotas, 13 professores, uma secretária, e um policial que atendeu ao chamado de emergência; em seguida, suicidou-se (FANTE, 2005, p. 21-22). No Brasil, uma pesquisa do IBGE, feita em 2009, revelou os seguintes dados: quase um terço, 30,8% dos estudantes brasileiros já passou por essa experiência de bullying, sendo as maiores vítimas do sexo masculino. As maiores ocorrências foram registradas em escolas privadas, 35,9%, e nas públicas, os casos atingiram 29,5% dos estudantes. Outra pesquisa, feita pelo IBGE, em 2009, apontou Brasília e Belo Horizonte, como as capitais brasileiras onde há maiores incidência de assédio escolar, apresentando respectivamente os seguintes índices: 35,6% e 35,3%. Merece destaque alguns casos de bullying ocorridos em várias cidades brasileiras: Em janeiro de 2003, Edimar Aparecido Freitas, de 18 anos, invadiu a escola onde havia estudado, no município de Taiúva, em São Paulo, com um revólver na mão. Ele feriu gravemente cinco alunos e, em seguida, matou- se. Obeso na infância e adolescência, ele era motivo de piada entre 2 colegas. Na Bahia, em fevereiro de 2004, um adolescente de 17 anos, armado com um revólver, matou um colega e a secretária da escola de informática onde estudou. O adolescente foi preso. O delegado que investigou o caso disse que o menino sofria algumas brincadeiras que 3 ocasionavam certo rebaixamento de sua personalidade. Em 2010, em um colégio da Zona Sul de Belo Horizonte, uma menina de 13 anos foi vítima de agressões verbais por um colega de sala, de 14 anos, que se dirigia a ela com apelidos pejorativos e ainda levantava dúvidas sobre sua sexualidade em público. Os pais da menina chegaram a procurar a escola, que nada fez para coibir as agressões. Até que resolveram levar o caso a um advogado, que propôs uma ação de indenização na 27ª Vara Cível. Após o julgamento, o juiz determinou que os pais do agressor pagassem 4 indenização de R$8 mil reais aos pais da vítima. Em 7 de dezembro de 2010, o estudante Matheus Abvragov Dalvit, 15 anos, foi morto com um tiro nas costas na noite de terça-feira quando descia de um ônibus na zona norte de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, ele era vítima de piadas dos 5 colegas de escola. Outro caso, ocorrido, recentemente, que chocou o país, em 7 de abril de 2011, doze adolescentes da Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro de Realengo, na zona Oeste do Rio de Janeiro, foram mortos pelo ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que 2 depois cometeu suicídio. Diante do exposto, verifica-se o triste quadro apresentado, o que nos convida a uma reflexão sobre o quanto esse tipo de violência tem se disseminado e consequentemente provocado preocupações, não só na sociedade como um todo, mas também da escola, que é, mais particularmente, o palco onde acontecem esses atentados violentos. 1.3. OS ENVOLVIDOS NO BULLYING O bullying envolve mais, a princípio, o agressor, a vítima e testemunha. O autor ou agressor é quem pratica o bullying, e quase sempre, quer mostrar domínio _________________________ 2 Portal da revista Veja, p. 1- blog Reinaldo Azevedo- site - veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/tragedia-no-rio/ - acessado em 10/09/2011.
  • 15. 13 e força perante os outros, por isso, escolhe o seu alvo dentre os mais fracos, ou aqueles que têm alguma diferença em relação aos demais. Quase sempre mantém em sua volta auxiliares para seus atentados, os quais se comportam como cativos, pela vaidade de pertencerem ao grupo dominante. Não usam seus colegas somente para promover “diversão”, como também é importante ressaltar como os usam como “escadas” para alcançar um determinado status, “respeito” e admiração dos seus colegas. Cabe, dessa forma, destacar a afirmação de Chalita (2008, p.86): “os autores do bullying, normalmente são alunos populares que precisam de plateia para agir. Reconhecidos como valentões, oprimem e ameaçam suas vítimas por motivos banais, apenas para impor autoridade”. O agressor, dentre outros perfis, adota uma variedade de comportamentos anti-sociais, bem como a agressividade é vista como uma qualidade. Desfere contra suas vítimas nos banheiros, corredores, cantina, no pátio, reservando suas ações durante a ausência dos adultos. Esses jovens correm um risco muito grande de virem a se transformar em criminosos. Segundo Neto (2004), o autor de bullying é tipicamente popular, tende a envolver-se em uma variedade de comportamentos negativos, pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos, vê a sua atividade como uma qualidade. Há casos em que a agressão vai além das paredes do colégio, passando a ser telefônico e inclusive pelo correio eletrônico, chamado cyberbullying. Esse agressor não deixa de ser vítima das circunstâncias, dos exemplos que possui em casa, das situações vivenciadas no meio social e principalmente familiar. Com isso, a criança ou adolescente, que age dessa forma, necessita de ajuda. As vítimas, no ambiente escolar, são alunos que possuem perfis ou diferenças físicas, intelectuais, culturais, étnicas ou religiosas, com referência ao grupo. Os fundamentos do bullying, para Nogueira (2003), são o preconceito e a discriminação, a discriminação social (aos pobres), racial (aos negros, japoneses), de gênero (os meninos em relação às meninas) e aos que se distanciam dos padrões colocados pelo grupo de pares, ou seja, aos bons alunos, aos maus alunos, aos novatos na escola, aos gordos, aos feios, enfim, aqueles que têm alguma “deficiência”,e essas diferenças vão se construindo como estigma. Com referência a tal afirmação Fante (2005, p.62-63) apresenta, no trecho a seguir, o seguinte posicionamento: O bullying começa frequentemente pela recusa de aceitação de uma diferença, seja ela qual for, mas sempre notória e abrangente, envolvendo religião, raça, estatura física, peso, cor dos cabelos, deficiências visuais,
  • 16. 14 auditivas e vocais; ou é uma diferença de ordem psicológica, social, sexual e física; ou está relacionada a aspectos como força, coragem e habilidades desportivas e intelectuais. (FANTE, 2005, p.62-63). Devido ao comportamento das vítimas ser marcado por baixa estima, têm medo e evitam reagir às agressões. Apresentam reações e temperamentos, muitas vezes, que demonstram introspecção, atitudes de temor, comportam-se de uma forma que fica fácil identificar se tal ou tal aluno está sendo vítima do bullying. Conforme Olweus (1993), as vítimas de bullying, normalmente, são passivas, mostram-se isoladas (excluídas), introvertidas e/ou inibidas; firmando-se numa percepção negativa de si mesmas e da situação em si, uma vez que não veem alternativas para mudar a situação. Conforme Salmivalli, Lagerspetz e Karin (1996), as vítimas podem ser divididas em três tipos, levando-se em consideração a sua reação frente à agressão: vítimas-agressoras, vítimas que pedem ajuda e vítimas que ocultam ser agredidas. O primeiro caso se dá mais em garotos, o segundo, mais em garotas e o terceiro se divide por igual entre garotos e garotas. Assim como os agressores que precisam de acompanhamento e ajuda, a criança ou adolescente, vítimas dos bullies, necessitam também desses mesmos cuidados. Os expectadores ou testemunhas são aqueles(as) que indiretamente participam do bullying, isto é, assistem a todos os acontecimentos. Face à “lei do silêncio” que, quase sempre, impera no próprio meio escolar, os expectadores não tomam partido, veem tudo, mas nada falam, nada afirmam e assim não denunciam os agressores, isso ocorre por medo de sofrerem agressões ou serem coagidos pelos mesmos. Sabem que as vítimas sofrem humilhações, discriminações, exclusões, porém, têm medo de denunciar e receberam esses mesmos maus-tratos. Menesini et al (1997, p.23), no excerto que se segue, comenta essas afirmações: As testemunhas de bullying não se envolvem diretamente nas agressões com seus pares. Muitas vezes, simpatizam com os colegas vitimizados e condenam o comportamento dos jovens que agridem. Entretanto, essas crianças ou adolescentes têm medo de se tornarem alvos das agressões e, por essa razão, não intervêm e esperam que um professor ou algum pai faça isso. (MENESINI et al., 1997, p.23). Pressupõe-se, desse modo, que há uma importância por parte dos expectadores ou dos alunos que testemunham “não-envolvidos”, no que tange ao fato de que esses poderiam fazer suas denúncias, entretanto ora se mostram
  • 17. 15 omissos para com as vítimas, ora são coniventes com os agressores, colaborando, com isso, para a manutenção e, consequentemente, a continuação dos casos de bullying. 1.4. CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING Conforme estudos e pesquisas feitas por especialistas, as causas desse tipo de comportamento abusivo são muitas e diversificadas, podendo ser pessoais, familiares e escolares. Cabe aqui citar que uma das causas, talvez a mais destacada, é a que reside no fato de que o bullie já passou por situação de ser vítima, assim, a relação de dominador a dominado e de dominado a dominador vai sempre se repetindo. Há, por outro lado, aquelas que se originam das influências presentes no meio familiar - principalmente nos rapazes - além de outras, são as que vão desde a ausência de um pai, de outro modo, da presença de um pai violento, há também a influência que advém dos conflitos de pais, bem como da situação socioeconômica do lar. O trecho que se segue, amplia essas afirmações: Em resumo, as causas do bullying podem residir nos modelos educativos a que são expostas as crianças, na ausência de valores, de limites, de regras de convivência; em receber punição ou castigo através de violência ou intimidação e a aprender a resolver os problemas e as dificuldades com a violência. Quando uma criança está exposta constantemente a essas situações, acaba registrando automaticamente tudo em sua memória, passando a exteriorizá-las quando encontra oportunidade. Para a criança que pratica o bullying, a violência é apenas um instrumento de intimidação. Para ele, sua atuação é correta e, portanto, não se autocondena, o que não quer dizer que não sofra por isso3. Em se tratando das consequências para o agressor, verifica-se que esses agressores, no decorrer dos anos, vão adquirindo tendências que são denominadas como comportamento de risco, dentre outros, podendo ser destacados: 1º) o consumo de álcool e de estupefacientes; fraco envolvimento escolar e familiar; 2º) absentismo e/ou abandono escolar; 3º) comportamentos que coloquem a sua integridade física em risco e a dos outros, como são o caso da condução com excesso de velocidade ou manobras consideradas perigosas e atividades desportivas de risco e 4º) suicídio. (ABRAPIA, 2006). No que refere às consequências para a vítima, serão enumeradas as principais, visto que são elas encontradas em grande quantidade: baixa autoestima; medo; angústia; pesadelos; falta de vontade de ir à escola e rejeição da mesma; ansiedade; dificuldades de relacionamento interpessoal; dificuldade de
  • 18. 16 concentração; diminuição do rendimento escolar; dores de cabeça; dores de estômago e dores não especificadas; mudanças de humor súbitas; vômitos; urinar na cama; falta de apetite ou apetite voraz; choro; insônias; medo do escuro; ataques de pânico sem motivo; sensação de aperto no coração; aumento do pedido de dinheiro aos pais e familiares; furto de objetos em casa; surgimento de material escolar e pessoal danificado; desaparecimento de material escolar; abuso de álcool e/ou estupefacientes; automutilação; stress e suicídio. (VENTURA, 2006). Além das consequências para os agressores e vítimas, é importante também apresentar as principais consequências do bullying no meio escolar, são elas: 1ª) ansiedade e medo; 2º) níveis elevados de evasão escolar; 3ª) alta rotatividade do quadro de pessoal; 4ª) desrespeito pelos professores (e agressões); 5ª) grande número de faltas por motivos menores; 6ª) porte de arma por parte dos alunos visando proteção pessoal; 6ª) ações judiciais contra a escola ou outro responsável (professor, auxiliar de ação educativa, entre outros), assim como contra a família do agressor. (ABRAPIA, 2006). Pode, dessa forma, ser comprovado que as consequências deste fenômeno no meio escolar não só afetam os alunos e as vítimas, mas todos os atores presentes nestes locais, desde os professores até os encarregados de educação, passando pelos auxiliares de ação educativa e afins. (ABRAPIA, 2006). 1.5. RELAÇÕES ENTRE GÊNERO E BULLYING Os agressores não apenas são os meninos, mas também as meninas, que utilizam, para esse fim, de diversas táticas que vão das agressões diretas às indiretas. Os meninos usam mais das agressões diretas, enquanto as meninas, as indiretas. Os homens aprendem desde a idade de criança e são educados assim por uma cultura “machista”, nela prevalecendo que para se adquirir status e ser reconhecido na sociedade como alguém com “potencial”, necessário se faz ter superioridade física, habilidades atléticas, ser líder, forte, não demonstrar fraqueza, não demonstrar sentimentos, enfim, ter poder para dominar e serem dominadores. (SIMMONS, 2004; PIPHER, 1998). Logo, para os meninos as suas ações, em meio a outras, partem das seguintes atitudes, como: bater, falar mal, gritar, empurrar, já as meninas fazem boatos, fofocas, demonstram, através de olhares, nojo, horror, repugnância, práticas que caracterizam as agressões indiretas, firmadas na ausência de confronto direto
  • 19. 17 com a sua vítima. As meninas tiveram uma educação diferenciada da dos meninos, o que influencia as práticas agressivas mais indiretas. Se os homens são criados para serem “durões”, as mulheres, ao contrário, são educadas para serem “bem comportadas.” A respeito da agressão e dos papéis masculinos e femininos, Simmons (2004, p.27) afirma: A agressão é um poderoso barômetro de nossos valores sociais. Segundo a socióloga Anne Campbell, as atitudes relacionadas com a agressão cristalizam papéis sexuais, ou a ideia de que esperamos que certas responsabilidades sejam assumidas por homens e mulheres por causa do seu sexo. Não obstante o excesso de times femininos de futebol, a sociedade ocidental ainda espera que os meninos se tornem os provedores e protetores da família, e as meninas sejam nutrizes e mães. A agressão é marca registrada da masculinidade; ela permite aos homens controlar o ambiente em que vivem e a sua subsistência. Para o que der e vier, os meninos gozam de total acesso às brigas. O vínculo começa desde cedo: a popularidade dos meninos é em grande parte determinada por sua disposição de jogar duro. Eles conseguem o respeito dos colegas pelas proezas atléticas, pela resistência a autoridade pelas atitudes firmes, impertinentes, dominadoras, frias e confiantes. Dentro desse contexto, cabe destacar, dentre outros, alguns tipos de bullying, que ora são praticados através do contato mais direto, ora, no contato mais indireto: VERBAL: chamar nomes, ser sarcástico, lançar calúnias ou gozar com alguma característica particular do outro (“gordo”, “caixa de óculos”, etc.); FÍSICO: puxar, pontapear, bater, beliscar ou outro tipo de violência física; EMOCIONAL: excluir, atormentar, ameaçar, manipular, amedrontar, chantagear, ridicularizar, ignorar; RACISTA: toda a ofensa que resulte da cor da pele, de diferenças culturais, étnicas ou religiosas; CYBERBULLYING: utilizar tecnologias de informação e comunicação (internet ou telemóvel) para hostilizar, deliberada e repetidamente, uma pessoa, com o intuito de magoá-la. 1.6. AMPAROS LEGAIS FRENTE AO BULLYING É de grande importância destacar mecanismos legais, dentre outros, que resguardam alguns direitos e estão presentes em documentos oficiais, como: na Constituição Federal do Brasil 1988, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Código Penal Brasileiro, no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como no Código de Defesa do Consumidor.8 A Constituição Federal Brasileira de 198813 prevê que pode ser considerado como direito fundamental, devendo, portanto ser respeitado, a preservação do princípio da dignidade da pessoa humana que se constitui um dos fundamentos,
  • 20. 18 relacionado ao Estado Democrático de Direito, nos termos do art. 1º, inciso III, passando as crianças e adolescentes a serem considerados sujeitos de direitos, não mais figurando como propriedade da família ou objeto de tutela do Estado. Além do dispositivo que garante os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, considera os que asseguram o direito subjetivo de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social dos infanto-juvenis. O primeiro artigo, da Declaração Universal dos Direitos Humanos cita: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Dessa forma, essa Declaração aponta para os seguintes aspectos: a garantia da proteção pelo Estado de Direito, o gozo de direitos e liberdades estabelecidos neste documento, além de não aprovar a discriminação, seja de qualquer forma. Para o Código Penal Brasileiro, o bullying se origina de um desrespeito em relação ao outro, onde se percebe atos de intimidação, humilhação, discriminação, ocasionando, muitas vezes, mortes de vítimas. Assim, considera a referida lei que a gravidade do bullying pode ser concebida através da descrição dos seus atos, e, por essa razão, quase todos os casos são considerados à luz do Direito penal como crimes. Segundo o referido Código, o fenômeno ultrapassa os limites da percepção isolada da ação que pode receber um tratamento penal, como é o caso da lesão corporal, da injúria e do dano. No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) há dispositivos que asseguram garantias, em observância tanto ao comportamento discriminatório e agressivo dos bullies, quanto à forma como atentam acintosamente contra o respeito e a dignidade de suas vítimas. Esse documento resguarda os direitos de participação na vida familiar, sem discriminação; a salvaguarda de qualquer tratamento desumano, violentos, vexatório e constrangedor; apontando, inclusive, o pagamento de multas para algumas instituições, escolas e creches, bem como professores e médicos, dentre outros, que deixarem de informar ao Conselho Tutelar sobre os maus-tratos praticados contra a criança e o adolescente. O Código de Defesa do Consumidor, por sua vez, por considerar a escola como prestadora de serviços, é mais taxativo e responsabiliza essa como responsável
  • 21. 19 pelos atos de violência que aconteçam com os alunos, justificando, para tanto, ser a mesma responsável pela preservação da integridade física e psíquica do aluno3.2 1.7. PREVENÇÃO E COMBATE AO BULLYING Quando se procura apontar a responsabilidade pela prevenção e o combate à prática do bullying, costuma-se, impensadamente, direcionar o problema, em um primeiro momento, somente à escola, que por ser uma instituição voltada à instrução, aos aprendizados e ascensão social e conviver com os grandes conflitos, sobretudo atualmente, subentende-se ser ela a grande responsável e a mais visada. Mas, ao se verificar mais racionalmente, comprova-se que a família e a sociedade são também responsáveis e muito, pois se sabe que a violência, quase sempre, tem vestígios anteriores, ou seja, começa muito antes de chegar aos espaços escolares. Assim, essa exposição abordará, primeiramente, a responsabilidade da família, depois da sociedade e, por último, da escola. 1.7.1. Responsabilização da família A família é inegavelmente uma das responsáveis, cabendo a essa um reconhecimento do seu papel e o compromisso de se mobilizar em busca de soluções, porque o que pode ser verificado, em qualquer época, é que uma das suas funções, ou dos pais mais particularmente, é cuidar da educação dos seus filhos. Para que se possa ter uma comprovação da afirmação anterior, necessário se faz arrolar alguns conceitos sobre a família, destacando-se como isso ocorreu em alguns períodos históricos. Primeiramente, se tomarmos o Antigo Regime, observaremos que a criança não tinha infância, por isso era vista como um “adulto jovem”, o que é corroborado por Ariès (1998, p. 10 -11): “a criança, de muito pequena a adulto jovem, ou seja, passando de uma fase para outra, não vivenciava a juventude, etapa conhecida na Idade Média e que se configurou como o aspecto essencial das sociedades dos dias atuais”. As crianças, no modelo de família em alusão, logo cedo se envolvia com os adultos, ajudando os pais. Enquanto as meninas se encarregavam de tarefas no lar, 23 O Fenômeno bullying no ambiente escolar”, por Letícia Gabriel Ramos Leão. Aspectos legais, p. 129 a 133. Disponível em :http://www.facevv.edu.br/Revista/04/O%20FEN%C3%94MENO%20BULLYING%20NO%20AMBIENTE%20ESCOLAR%20-%20leticia%20gabriela.pdf - Acessado em 03/10/2011
  • 22. 20 os meninos cuidavam da conservação dos bens e negócios familiares. Assim, era como adquiriam tanto os conhecimentos quanto os valores essenciais à sua formação. Não havia demonstração de afetividade, apesar de a família se fazer presente. No período denominado de Estado Novo, cabia à esposa a tarefa pela educação dos filhos e o pai se encarregava pelo sustento da família, Gameiro (1989, p.359-360) afirma: “O pai surge como o único angariador pelo sustento da família (...) se ele desaparece, não há dinheiro para comprar o necessário”. No entanto, houve alterações sociais, no decorrer dos tempos: o casamento tornou-se mais instável, surge um número crescente de divórcios, as mulheres passaram a exercer atividades profissionais e a estudarem até mais tarde, conquistando, com isso, a sua independência econômica, deixando para segundo plano a maternidade. Cabe citar o registro no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI (1996, p.95): “A família constitui o primeiro lugar de toda e qualquer educação e assegura, por isso, a ligação entre o afetivo e o cognitivo, assim como a transmissão dos valores e normas”. A educação do jovem, no século XXI, tem se tornado algo muito difícil, devido à ausência de modelos e de referenciais educacionais. Os pais de ontem, mostram- se perdidos na educação das crianças de hoje. Estão cada vez mais ocupados com o trabalho e pouco tempo dispõem para dedicarem-se à educação dos filhos. Esta, por sua vez, é delegada a outros, ou em caso de famílias de menor poder aquisitivo, os filhos são entregues à própria sorte. Os pais não conseguem educar seus filhos emocionalmente e, tampouco, sentem-se habilitados a resolverem conflitos por meio do diálogo e da negociação de regras. Optam muitas vezes pela arbitrariedade do não ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial de convivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e no afeto4.3 É verificada também a influência que tem as novas tecnologias, seduzindo as crianças, despertando-as para novos saberes, progredindo, desse modo, os seus conhecimentos, em parte na família, em parte na escola e em parte no meio social. Por outro lado, o lazer e o convívio com os colegas têm uma importância grande no 4 Bullying no ambiente escolar: o que é?”, por Márcio Balbino Cavalcante, p. 1 site - meuartigo.brasilescola.com/.../bullying-no-ambiente-escolar-que-e.htm recortado do Google - Acessado 19/01/2012.
  • 23. 21 processo de socialização e formação. Machado Pais (1993) cita que as culturas juvenis são direcionadas mais para o lazer, de certa forma, em oposição ao saber tradicional dado na escola e na família, que só objetivam a ordem e a certeza, bem como o ensino e a transmissão de conhecimentos. Portanto, ainda que exista certa continuidade na transmissão de valores de pais para filhos, é comprovado que os jovens de hoje adquirem a sua identidade tanto na família quanto fora dela. Entretanto, vale ressaltar que a família não pode deixar de cumprir com o seu papel e transferir a responsabilidade a outros agentes educativos no que tange à educação e formação dos seus filhos. Muito pelo contrário, deve assumir a responsabilidade de formadora de cidadãos, devendo abandonar a postura superprotetora, pautada em crença de que amor é a aceitação de toda e qualquer atitude dos seus filhos, bem como continuar a satisfazer todos os seus desejos, evitando criticá-los e a responsabilizá-los. A família, assim, deve ter uma responsabilidade maior, que se resume na afirmação ética de seus filhos, incutindo nesses a não aceitarem o desrespeito aos velhos e aos mais fracos principalmente. Cabe à família exercer a crítica perante o que deve ser criticado, propondo a justiça e a compreensão, sem jamais se esquecer de ajudar o seu filho, estando ele na posição de vítima, de agressor ou de testemunha 5.4 Segundo Moreno (2002, p. 251), os valores “são um dos traços mais importantes do aprendizado no seio familiar”. Por isso, é importante a manutenção do diálogo e o desenvolvimento afetivo no meio familiar. Para Pedra (2008, p.123): “é o começo de toda educação estruturada, o desenvolvimento do afeto entre os membros de uma família, para tanto, é de grande importância reservar-se um tempo para a convivência saudável, principalmente com os filhos, quando o diálogo deve ser a tônica constante”. Esse aprendizado é imprescindível no lar, cabendo aqui o registro de Chalita (2008, p. 168): Quando a família abre mão desse aprendizado, abre também espaço para a violência, para as atitudes que enfraquecem e isolam atrás de grades, muralhas e guaritas. A violência que invade ou nasce no espaço familiar se expande para todos os outros segmentos da sociedade como uma teia de relações destrutivas que se reproduz e contamina os ambientes e as pessoas. 5 Blog Associação dos Pais da Escola, “Bullying, Provocadores, vítimas”, Boletim “Entre Pais”, de 14/01/2006. site http://apeedpedroiv.bloguepessoal.com/25330/BULLYING. Acessado em 19/01/2012
  • 24. 22 Logo, é no ambiente familiar, alicerçado em valores sólidos, que a criança deve criar não só relacionamentos significativos e duradouros, mas também desenvolver valores humanos, sobretudo no que diz respeito a aceitar as diferenças de cada indivíduo, aprendendo a lidar com seus sentimentos e emoções, o que, certamente, suprirá suas necessidades de amor e de valorização. Porém, é importante destacar que sem o envolvimento dos pais, auxiliando-os, acompanhando-os, orientando-os, enfim, dando o afeto necessário, estarão os seus filhos mais expostos e vulneráveis ao envolvimento em atentados violentos, como é o caso do bullying. 1.7.2. Responsabilização da sociedade Quando se evidencia a responsabilidade da sociedade na prevenção e no combate ao bullying, não se está querendo, com isso, excluir dela a família e a escola como segmentos sociais, mas ressaltar que, conjuntamente com a escola e a família, deve-se também contar com os setores competentes, com as ações dos governos (em todas as suas esferas), os poderes legislativo e judiciário e dos demais órgãos e instituições envolvidas com essa questão, não deixando de citar, desde a participação do aparelho de policiamento até os tratamentos de saúde, sobretudo os oferecidos pelos psicólogos. É preciso o entendimento de que a violência tanto perpassa pelas relações de classes quanto entre grupos culturais, isso na sociedade como um todo, Tavares dos Santos (2001, p.105) aprova essa afirmação, quando cita “As relações entre a escola e as práticas da violência passam pela construção da complexidade das relações sociais”. Cabe, assim, aos governos o desenvolvimento e execução de políticas públicas, implementando programas ou apresentando propostas que objetivem a prevenção e o combate ao bullying. A respeito disso, vários estados já estão se mobilizando, ainda que de uma forma tímida, podendo ser citado, como exemplo, uma matéria, sobre o 1º Fórum realizado no Rio Grande do Sul, cujo tema foi “O Governo Escuta debate bullying e aponta ações de combate à violência escolar” Buscar soluções para evitar o crescimento das agressões nas instituições de ensino. Este foi o principal eixo do primeiro fórum O Governo Escuta, realizado na manhã desta quarta-feira, dia 04/05/2011, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, sob o tema "Violência no Ambiente Escolar, Bullying e seus Desdobramentos (...)." Com a presença de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, o palestrante Marcos Rolim, membro
  • 25. 23 fundador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Brasileiro de Justiça Restaurativa, apresentou uma ampla definição da forma como se apresenta o bullying nas escolas, ressaltando que "esta é uma agressão invisível e que, infelizmente, alunos de todas as escolas do mundo sofrem desta humilhação". Conforme Rolim, o auge da prática do bullying ocorre entre a 5ª a 8ª séries, sendo que as crianças que mais sofrem têm, em média, 13 anos. Para ele, a principal ação, no sentido de evitar o crescimento destas agressões, ocorre por meio de políticas públicas. "É preciso que fiquem claras as noções de disciplina em relação aos direitos e deveres de alunos e professores, além da criação de um Plano de Emergência e Ação, como as instalações de alarmes em todas as escolas diretamente ligados à polícia, para que haja resposta rápida em situação de risco e casos graves de agressão", destacou Rolim6. 5 Dessa forma, junto às ações dos governantes podem ser citadas as ações dos juristas e do legislativo, comprometendo-se com o que lhes cabe diante da prevenção e combate ao bullying. Vale afirmar da necessidade de a escola, por outro lado, encaminhar aos especialistas na área os alunos envolvidos que sofrem de distúrbios psicológicos, por fim, não deixando de se considerar que o suporte policial é de vital necessidade, sobretudo para aqueles casos vistos como gravíssimos, além, evidentemente, da ação de muitos órgãos e instituições, a exemplo da atuação do Ministério Público e do Conselho Tutelar, que no caso de uma maior necessidade, podem ser acionados. A respeito da importância do envolvimento desses segmentos, vale ressaltar a afirmação de Ortega e Delrey (2002, p. 22): "a abordagem da prevenção dos conflitos associados à violência deve ser interdisciplinar; desde os serviços de saúde mental às instituições de proteção social e os centros de educação formal deveriam se envolver na prevenção”. 1.7.3. Responsabilização da escola Ao se analisar a responsabilidade da escola diante da prevenção e do combate ao bullying, forçosamente há que se admitir, por outro lado, a influência do processo histórico-social e suas transformações, no decorrer dos tempos, vivenciadas necessariamente pela escola. É evidente que esta instituição nunca perderá o seu sinônimo, dentre outros, como o lugar de amizades, de encontros e construção de saberes, mas vale também destacar a educação como propulsora do desenvolvimento da condição humana como um todo, em consonância com a natureza e a sociedade. Isso pode ser confirmado com a afirmação que segue: 6 Portal da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, “O Governo Escuta debate bullying e aponta ações de combate à violência escolar”,p. 1, publicado em 04/05/11. site - http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/noticias_det.jsp?PAG=84&ID=6385. Acessado em 21/09/2011.
  • 26. 24 A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana, com todos os seus poderes funcionando com harmonia e completa, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, se elevando do plano animal e continuaria a se desenvolver até sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal (FROEBEL, 2001). Esse conceito amplia o sentido da educação e mostra a escola também como um organismo sociológico, como um espaço próprio para a mostra de comportamentos e influências múltiplas advindas do meio externo. Nesse contexto, há que se considerar que estamos vivendo uma época de muitos conflitos ou “complexidades,” que invadem as instituições de ensino e, dentre outros, destaca-se a violência que cada vez mais se faz presente em todas as instituições de ensino. Diante do exposto, há que se destacar a afirmação de Fante (2005, p.20): “a violência escolar nas últimas décadas adquiriu crescente dimensão em todas as sociedades, o que a torna questão preocupante devido à grande incidência de sua manifestação em todos os níveis de escolaridade”. Importa afirmar que este é o novo século de modificações marcantes, com a mundialização, mudanças econômicas, o avanço das tecnologias, a massificação dos sistemas de educação, a diversidade cultural e tantas outras transformações (CHRISPINO e CHRISPINO, 2002). A escola, por sua vez, presente nesse contexto de “avanços” e com um papel primordial direcionado à construção de uma sociedade mais justa e igualitária, cobra de todos os seus atores, sobretudo dos gestores e docentes mais um aprendizado: o de saber lidar com a heterogeneidade, com os atentados violentos que a cada dia se elevam gradativamente no ambiente escolar. 1.8. O BULLYING E A GESTÃO ESCOLAR É da responsabilidade não só dos professores como também da Gestão Escolar, formada geralmente pelo diretor, vice-diretor, coordenadores e orientadores, acompanhar de perto as ações educativas no cotidiano da escola e, assim, resolver os problemas que existem neste ambiente. O novo século vem trazendo modificações marcantes como a mundialização, mudanças econômicas, o avanço da tecnologia, a massificação dos sistemas de educação, a diversidade cultural e tantas outras. O perfil dos educadores e dos gestores pede uma transformação reflexiva que acompanhe as necessidades de nossa época. (CHRISPINO e CHRISPINO, 2002).
  • 27. 25 Entretanto, o que se observa, não procurando generalizar, é que quase sempre há o despreparo dos gestores envolvidos. As medidas repressivas são as mais usadas, ficando às claras a falta de conhecimento sobre o assunto. Tais ações só atingem o fenômeno de forma superficial e têm efeitos aparentes. Guimarães (1996) faz uma afirmação que, ao lidar-se com questões de violências e dar respostas com violências ainda maiores, só se está adiando a questão e camuflando seus efeitos, uma vez que mais tarde tudo pode voltar à tona. Não se pode, com isso, esquecer-se da responsabilidade do diretor, por ser ator importante dentro do cenário escolar, estando ao seu cargo à complexa tarefa de administrar a escola, buscando sempre a qualidade da educação em meio a um contexto que deve ser democrático e pacífico. A escola atual suscita novos posicionamentos. Nesse sentido, cabe registrar a afirmação de Chrispino e Chrispino (2002, p. 39): “A escola de massa e do futuro será a escola dos “diferentes” e da diversidade, o que pede uma gestão escolar apropriada, a partir da visão do futuro que nos aguarda.” Ampliando essa discussão, vale observar que a conduta e as ações dos gestores hão de surgir principalmente da criatividade em confluência com uma postura reflexiva, neste mundo onde as mudanças ocorrem de forma acelerada. A esse respeito, o modelo de gestão democrática parece dar espaço às expectativas e necessidades educacionais dos tempos hodiernos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9394/96, em seu artigo 14, assegura que o ensino público deverá ser regido pela gestão democrática. Tal prescrição só reforça a ideia de que não existe mais espaço para uma visão centralizadora de gestão. Capanema (1996), nesse aspecto, afirma que a tendência de descentralização que se verifica em sistemas, começa a se estender ao nível da unidade escolar. Logo, um trabalho coletivo e uma postura de corresponsabilidade, juntamente com uma perspectiva de união e solidariedade, centrada principalmente no diálogo, devem nortear as ações do gestor. É importante também, para a boa administração de conflitos externos e internos, que sejam estabelecidos a mediação, a negociação e principalmente o respeito às individualidades. Guimarães (1996) afirma que quanto mais a escola resiste a aceitar a heterogeneidade do seu campo e reforçar apenas o processo de uniformização, maiores e mais violentos serão os sobressaltos. Outro aspecto de grande relevância para o gestor escolar refere-se a sua consideração dada ao espaço cultural como um fator primordial, tanto da cultura
  • 28. 26 institucional, ou seja, a que se volta ao respeito das pessoas e suas diferentes escolhas, sem obscurecer a missão da instituição, definida, por sua vez, pelos amparos legais, quanto à cultura instituinte, que representa os valores, crenças, histórias, experiências, em suma, tudo aquilo que perpassa pela experiência e criação humana. Nesse sentido, no que tange às instituições, suas normas e regras, cabe destacar o pensamento expresso nos PCN dos Temas Transversais: A colocação das regras de funcionamento e das normas de conduta, de forma clara e explícita, é necessária ao convívio social da escola. Por outro lado, o esclarecimento da sua função é essencial para que os alunos percebam o significado de segui-las e não as tomem como questão de mera obediência aos adultos. Entretanto, é preciso considerar que essa compreensão não acontece espontaneamente e, portanto, deve ser objeto de ensino organizado e sistemático. Uma das maneiras de favorecer a compreensão da natureza social das normas e regras é aprender a formulá- las no convívio escolar, dentro dos limites da instituição, enfatizando-as como organização coletiva (BRASIL, 1997, p 60). Dessa forma, verifica-se que é imprescindível considerar, antes de tudo, a atuação dos gestores escolares, principalmente porque é o espaço educativo um local em que as ações nele ocorridas são centralizadas nas relações entre as pessoas, professores e alunos, estando mais do que nunca em jogo suas escalas de valores frente às normas e às regras estabelecidas. 1.9. A POSTURA DOS PROFESSORES FRENTE AO BULLYING Fazer uma abordagem sobre as providências que devem ser tomadas em favor da prevenção e combate ao bullying pelos professores, é citar inúmeras, já que os atentados violentos se manifestam nas mais diversas maneiras e, por isso, exigem medidas cautelares também diversas. Porém, aqui, a discussão será centrada em casos mais conhecidos e publicados na literatura acadêmica. Dessa forma, serão citadas algumas dessas medidas, iniciando-se por aquelas relacionadas à aplicação do conteúdo programático na sala de aula e, depois, chegando-se às que se referem à questão em pauta de uma forma mais frontal. Em meio a tantos outros conteúdos aplicados em classe, é de extrema relevância, promover mais práticas didático-pedagógicas voltadas ao ensino dos valores morais, principalmente sobre os assuntos que enalteçam a importância da vida, da paz, bem como as atividades que se referem ao desenvolvimento da afetividade e da socialização dos alunos. A respeito dessa questão, Os
  • 29. 27 PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: APRESENTAÇÃO DOS TEMAS TRANSVERSAIS E ÉTICA (BRASIL 1997), registram alguns assuntos que podem ser consultados pelos professores nesse opúsculo e aplicados conjuntamente com os conteúdos de outras disciplinas nas salas de aula. Frente a isso, será feito um breve relato acerca de conteúdos, como: respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade, que também são comentados nos PCNs citados. Ao trabalhar o tema respeito mútuo, estará o professor mostrando ao aluno a importância de se considerar a diferença entre as pessoas, bem como o respeito pelo ser humano, o que independe de sua origem social, etnia, religião, sexo e cultura. Estará assim expondo a importância do respeito para o fortalecimento do convívio social democrático. Como ressalta os PCNs: O sentimento de que as diversas origens sociais não se traduzem por discriminações de todo tipo tenderá a fazer com que os alunos também ajam de acordo com o valor da dignidade humana. Porém, é inevitável acontecer que, inspirados por preconceitos expressos aqui e ali, alguns alunos se mostrem agressivos e desrespeitosos com colegas diferentes deles. Aqui, deve ser feito um destaque para preconceitos e desrespeitos frequentes entre alunos: aqueles que estigmatizam deficientes físicos ou simplesmente os gordos, os feios, os baixinhos, etc., em geral traduzidos por apelidos pejorativos. Nesses casos, o professor não deve admitir tais atitudes. Não se trata de punir os alunos; trata-se de explicar-lhes com clareza o que significa dignidade do ser humano, demonstrar a total impossibilidade de se deduzir que alguma raça é melhor que outra, que um sexo é superior ao outro, que determinada cultura é a única válida, que atributos físicos determinam personalidades, e assim por diante (BRASIL, 1997, p. 120) O professor, ao trabalhar o tema justiça, possibilitará aos seus alunos o despertar da consciência crítica sobre seus direitos e deveres como cidadãos, fortalecendo, dessa forma, a convivência, podendo ressaltar também a demarcação dos limites dos alunos diante de determinadas atitudes principalmente. Sobre isso os PCNs salientam ainda: As normas referentes às condutas dos alunos e ao que deles se exigem em termos de aprendizagem devem ser claras e conhecidas dos alunos; e devem apresentar os deveres e os direitos desses alunos. Devem ser claras porque normas ambíguas impedem as pessoas de saber exatamente o que delas se espera e se cobra; e devem ser conhecidas pelos mesmos motivos: é injusto cobrar alguém pelo que ignora ser seu dever. Todavia, é preciso lembrar que a simples exposição verbal (oral ou escrita) não é suficiente para que as normas sejam conhecidas e compreendidas: explicá- las e discuti-las com os alunos é condição necessária à sua boa assimilação. As normas de condutas não devem apenas falar dos deveres dos alunos, devem também esclarecê-los sobre seus direitos. Tal fato é essencial para que os alunos saibam exatamente quando estão sendo injustiçados e possam defender seus direitos (BRASIL, 1997, p. 127).
  • 30. 28 O tema diálogo, ao ser abordado em sala de aula, dentre outros aprendizados, possibilitará aos alunos agressores uma reflexão sobre suas ações agressivas bem como as consequências que podem ocorrer nos alunos agredidos. Quando pode ser focada, sobretudo, a importância de uma escola onde todos possam se sentir felizes, seguros e respeitados. No que tange ao tema diálogo, vale o registro do excerto que se segue: Quanto ao desenvolvimento da atitude de valorização do diálogo para procurar esclarecer e, se possível, superar conflitos, é necessário que, cada vez que um conflito apareça, se empregue o diálogo para equacioná-lo e resolvê-lo. O valor atribuído ao diálogo está intimamente relacionado com os demais valores já abordados. Qualquer pessoa é digna de ser ouvida e de ouvir, portanto, de ser eleita como interlocutor, mesmo que suas opiniões sejam diferentes daquelas da maioria. O diálogo somente é possível quando as pessoas envolvidas se respeitam mutuamente. O objetivo do diálogo, em situações de conflito, é encontrar a solução justa, ou seja, evitar que se imponha a lei do mais forte, fazer com que os direitos de cada um sejam respeitados. Nesse sentido, ele será um instrumento importante não apenas para que o aluno consiga esclarecer os conflitos e resolvê-los, mas também para que possa interagir com o professor e com os colegas e realizar aprendizagens.16 Por fim, o tema solidariedade possibilitará ao professor a exposição de conteúdos direcionadas a atitudes que valorizem a prática da tolerância, do estímulo à amizade, da cooperação e do companheirismo entre os alunos. No que diz respeito ao convívio escolar, as orientações didáticas gerais também são as mesmas para a solidariedade e para os demais valores: a prática e a reflexão são essenciais. Portanto, em se tratando de solidariedade, deve-se levar os alunos a praticá-la e a pensar sobre ela em conjunto com os outros valores. Oportunidades não faltam, na escola e fora dela, para tal prática. Em sala de aula, por exemplo, ao invés de incentivar a competição entre os alunos ou a sistemática comparação entre seus diversos desempenhos, é preferível fazer com que eles se ajudem mutuamente a ter sucesso nas suas aprendizagens: aquele que já sabe pode explicar àquele que ainda não sabe, aquele que não sabe deve poder sentir-se à vontade para pedir ajuda, para perguntar, sem temer a vergonha de ser sistematicamente comparado com os outros e colocado em posição de inferioridade. O aluno que apresenta dificuldades não deve ser zombado ou humilhado; antes, deve ser incentivado por todos (BRASIL, 1997, p. 130). É possível ainda, em se tratando de conteúdo e práticas didático- pedagógicas, que o professor trabalhe em sala de aula, apoiando-se na utilização de filmes, letras de música e dramatizações, por exemplo, a contação de histórias ou de fábulas também é de grande valia. Além disso, de acordo com Pedra (2008), as atividades em sala de aula em forma de redação, quando os alunos são estimulados a falar no anonimato sobre a sua vida na escola, isto é, sobre seu relacionamento
  • 31. 29 com os colegas ajudam a romper o silêncio e possibilitam a expressão de emoções e sentimentos. Direcionando-se agora mais as atitudes frontais dos professores frente à prevenção e ao combate ao bullying, cabe, antes de tudo, considerar que, no mundo atual, grande parte dos professores, já massacrados pelo sistema, não tendo o apoio necessário das instituições educacionais, com remunerações aquém do que eles merecem, devem, além da sala de aula, articular-se com os problemas da comunidade. O sistema educacional coloca no professor a responsabilidade de cobrir as lacunas da instituição que, com frequência, institui mecanismos severos e redundantes de avaliação. (GASPARINI; BARRETO e ASSUNÇÃO, 2005). Mas, mesmo reconhecendo o que foi abordado no parágrafo anterior sobre os professores - o que não deixa de ser verdadeiro - não se pode negar que eles são os principais atores, os que convivem frente a frente com os casos de bullying. Deve-se frisar, inicialmente, que a Escola deve, além de oferecer a qualificação dos seus professores de um modo geral, capacitá-los para a observação, a fim de que eles possam identificar, diagnosticar, enfim, saber intervir nas situações de bullying. A respeito disso, Fante (2005, p.68) afirma: Acredita-se que a prevenção começa pelo conhecimento. É preciso que as escolas reconheçam a existência do bullying e, sobretudo, esteja consciente de seus prejuízos para a personalidade e o desenvolvimento socioeducacional dos alunos. Ainda há um grande número de profissionais da educação que não sabem distinguir entre condutas de bullying ou outros tipos de violência, por não ter um preparo para identificar e desenvolver estratégias pedagógicas para enfrentar os problemas no ambiente escolar. O despreparo dos professores ocorre porque, tradicionalmente, nos cursos de formação acadêmica e nos cursos de capacitação, são treinados com técnicas que unicamente os habilitam para o ensino de suas disciplinas, não sendo valorizada a necessidade de lidarem com o afeto e muito menos com os conflitos e com os sentimentos dos alunos. Para tanto, segundo Pedra (2008), deve-se levar em consideração não só o esforço da equipe escolar, mas também é preciso contar com a ajuda dos consultores externos, como especialistas no tema, psicólogos e assistentes sociais, dentre outros. Chalita (2008) alerta para a tomada de atitudes simples, como desde o primeiro dia de aula, que sejam feitos esclarecimentos, em sala de aula, sobre o que é o bullying, afirmando-se que não serão toleradas condutas do mesmo nas dependências da escola. Convocando os alunos a se comprometerem em não praticar e, se ocorrer algum caso, que seja imediatamente comunicado à direção da
  • 32. 30 escola. É essencial que os professores promovam debates sobre o bullying nas salas de aulas, a fim de que o assunto seja bem divulgado e assimilado pelos alunos. Cabe também estimular os alunos a fazerem pesquisas sobre o tema na escola, principalmente objetivando como o assunto deve ser encarado pelos professores e os demais funcionários. É de grande importância iniciativas preventivas, como o aumento da supervisão na hora do recreio e intervalo, bem como evitar em sala de aula o menosprezo, apelidos ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo, principalmente aquelas atitudes que partem dos professores para os alunos. De nada adianta prever o combater o bullying, se os próprios professores usam de atos agressivos, verbais ou não, contra os seus alunos. A respeito disso, vale comentar o posicionamento de Marriel et al (2006), quando afirma que a relação professor-aluno é de extrema importância na atuação sobre a violência e no desenvolvimento de características individuais. Atitudes relativamente simples de respeito e afeto por parte do professor podem ser muito positivas, o que pode colaborar para diminuir a violência no espaço educativo. Diante do exposto, verifica-se que é de grande importância reafirmar que o bullying é um problema de saúde pública, e com tal requer, para sua prevenção e contenção, atitudes de vários segmentos sociais. Depende sim das mudanças de posturas dos seus gestores e professores e de novas atitudes, mas a essas devem ser somadas a outras, que estão fora do ambiente escolar.
  • 33. 31 CAPÍTULO II 2. MÉTODO Neste capítulo, são abordados os itens do método utilizado nesta pesquisa de campo, tais como: Tipo de pesquisa, participantes, local da pesquisa, instrumentos utilizados, procedimentos e análise de dados. 2.1. TIPO DE PESQUISA Optou-se, para esse trabalho, pela pesquisa qualitativa, porque proporciona uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, ou seja, possibilita o estabelecimento de um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em número. Esse tipo de pesquisa, além de propiciar um contato direto com o objeto pesquisado, é capaz de estimular a interpretação e o entendimento sobre as questões em estudo. para Gil (1999, p.42), a proposta de pesquisa em referência “tem um caráter pragmático, é um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. o objetivo fundamental dessa pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. 2.2. PARTICIPANTES Foram escolhidos como sujeitos dessa pesquisa 5 professoras, na faixa etária entre 25 e 45 anos, sendo grande parte concluinte de ensino superior. Foram selecionados também 5 alunos, na faixa etária entre 11 a 13 anos, todos do 6º ano do Ensino Fundamental. 2.3. LOCAL DA PESQUISA O local da pesquisa foi o Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares, localizado na Rua Ademir Simões de Freitas, nº 172, Bairro do Alto, Itiúba-Bahia. A escolha deste estabelecimento de ensino foi em virtude de ser o maior da rede municipal de ensino, onde há um universo bem mais amplo para as indagações que serão propostas, funcionando com 15 salas, nos turnos matutino, vespertino e
  • 34. 32 noturno, atendendo ao Nível Fundamental de Ensino, do 6º ao 9º Ano. Essa unidade de ensino possui 857 alunos e o seu corpo docente é composto por 36 professores. 2.4. INSTRUMENTOS Os instrumentos de pesquisa utilizados foram 2 questionários, sendo um com 5 questões(três de múltipla escolha e duas abertas) aplicado às professoras e outro aplicado aos alunos, contendo 07 questões(05 de múltipla escolha e duas abertas). A coleta de dados foi realizada no período de 15/11/2011 a 30/11/2011. 2.5. PROCEDIMENTOS Muitas visitas foram feitas ao Ginásio Antônio Simões Valadares, durante o período da coleta de dados. A princípio, foi feito um encontro com o Diretor desta unidade de ensino, quando foram apresentados o tema e os objetivos desta pesquisa, seguindo da assinatura de um Termo de Consentimento pelo referido gestor, documento que, dentre outros aspectos, assegura a guarda do sigilo das informações prestadas, bem como a garantia de que os nomes das pessoas abordadas não serão mencionados neste trabalho. Nos outros encontros, foram mantidos contatos mais diretos com os sujeitos da pesquisa (professores e alunos escolhidos pela coordenação pedagógica desta unidade de ensino), quando foi citada a finalidade desta pesquisa, sendo o citado Termo também assinado pelos pesquisados. Por conseguinte, após uma conversação feita pela Equipe de professores da monografia com os professores (pesquisados), procedeu-se o preenchimento dos questionários. 2.5. ANÁLISE A análise foi realizada, observando-se os dados coletados dos questionários respondidos pelos professores e alunos, partindo-se da interpretação de gráficos/tabelas/quadros, elaborados com as respostas das questões apresentadas, confrontando-se com muitas das afirmações dos teóricos, presentes no Capítulo I. A interpretação desses dados tanto pôde trazer uma resposta à hipótese levantada e consequentemente confirmar o problema apontado, quanto permitiu a certificação se os objetivos, indicados na Introdução deste trabalho monográfico, foram plenamente atingidos.
  • 35. 33 CAPÍTULO III 3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Primeiramente, foi realizada a verificação do questionário aplicado às professoras, depois, o aplicado aos alunos. 3.1. QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS PROFESSORAS (QUESTÕES DE 1 A 5) Devido ao sigilo, que deve ser assegurado, as professoras entrevistadas receberam os seguintes códigos: A, B, C, D e E. Nas questões 1(primeira) e 5(última), por se tratarem de questões abertas, foram transcritas as respostas na íntegra, isto é, sem nenhuma correção gramatical. 3.1.1 . Questão 1 – Ocorreram ou ocorrem, na sua sala de aula, casos de bullying? Se sim, quando e como aconteceram ou acontecem? Resposta da professora A: “Sim. Há poucos meses atrás, no 6º Ano C, tinha uma aluna de estatura alta e magra. Então, observei que, de vez em quando, faziam chacota quanto a sua magreza. Mas, eu simplesmente achava que era brincadeira de mau gosto. Daí foi se estendendo a ponto dela desistir de estudar, pois ficou complexada. Por mais que a escola e os pais tentassem ajudar, ela não permitiu.” Resposta da professora B: “Um aluno, no início do ano letivo, chamou o colega de jegue preto, isto porque ele queria copiar as respostas do colega ofendido. No dia seguinte, ele repetiu a ofensa, mas o colega falou que se ele era jegue preto, o outro deveria ser jegue branco. O caso foi resolvido através do diálogo entre direção, coordenação, pais e alunos, onde foi esclarecido que o colega usou o termo jegue branco por orientação da mãe.” Resposta da professora C: “É notório o comportamento de alguns alunos dessa unidade de ensino. Tal comportamento reflete-se nas ironias com colegas, como por exemplo: “você é da roça”, “seu gordo”, “seu africano”, “cara de jegue”, “fedor de algo”, etc..”
  • 36. 34 Resposta da professora D: “Sim, os alunos praticam pequenas e grandes perversões. Debocham uns dos outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas imperfeições e não perdoam nada. O agressor intimida as pessoas através de agressões verbais e físicas, do tipo: “gordo”, “baleia”, “rolha de poço”, “cabeça de vaca”, “vara de pau”, “gigante”. E muita humilhação que deixa a pessoa com problemas de socialização, angústia e até mesmo depressão.” Resposta da professora E: “Sim. O bullying ocorre em situações corriqueiras no Ginásio. E é manifestado, na sala de aula em que leciono, de diversas formas: através de preconceito social, étnico e até mesmo intelectual, quando se rotula o colega de “burro” e o preconceito racial “nego preto” e etc.”. Todas as cinco professoras afirmaram que ocorreram/ocorrem casos de bullying na sala de aula. Pôde-se verificar que somente uma professora, a “B”, tomou uma providência mais contundente, levando o caso a uma resolução. A professora “A” cita: (...) “e por mais que a escola e os pais tentassem ajudar, ela não permitiu”, em seguida afirma: (...) “eu simplesmente achava que era brincadeira de mau gosto”, demonstrando, com isso, certa acomodação no que diz respeito a uma tomada de providência. As demais professoras apresentaram somente os comentários, não revelando nenhuma atitude de contenção ou prevenção. Foi observado também que o bullying continua ocorrendo de uma forma aparentemente mais branda, voltado para as provocações, “com os apelidos”, “insultos”, mas isso não significa que os professores não devam estar atentos, porque esses casos podem - se continuados - ser prenúncios para agressões maiores. Cabe, assim, um comentário sobre a afirmação de Fante (2005), feita no Capítulo I, que confirma tal situação, quando assegura que o bullying apresenta-se, inicialmente, com brincadeiras, podendo, entretanto, trazer as mais trágicas consequências tanto para agressores quanto vítimas. Assim, verifica-se que é preciso o professor ter ciência dessa realidade, a fim de que possa atuar com mais eficácia. 3.1.2. Questão 2 – Depois das reflexões sobre bullying neste estabelecimento de ensino – feitas por nossa equipe e professores dessa escola – qual ou quais das
  • 37. 35 consequências no quadro a seguir, para você, professor(a), pode(m) ser comprovada(s) na vida dos alunos? Soma das RESPOSTAS Profª A Profª B Profª C Profª D Profª E respostas 1- Dificuldade na aprendizagem. x x x x 04 2- Queda de rendimento escolar. x x x x 04 3-Problemas somáticos e psicológicos x x x x 04 (ansiedade, tédio e depressão). Quadro 01 – Dificuldades causadas pelo bullying Fonte: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2012) Percebeu-se, com a análise do Quadro 01, acima, que as três dificuldades apontadas tiveram a mesma pontuação no cômputo geral. A “1- Dificuldade na aprendizagem” foi apontada pelas professoras B, C, D e E; a “2 - Queda de rendimento escolar” foi citada pelas mesmas professoras B, C, D e E, por fim, a “3 - Problemas somáticos e psicológicos (ansiedade, tédio e depressão)” foi escolhida pelas professoras A, B, D e E. Pôde, também, ser observado que as dificuldades em alusão estão presentes entre as elencadas pela ABRAPIA (2006), na Fundamentação Teórica, quando foram citadas as “Consequências para agressores e vítimas”, o que só faz corroborar a afirmação das professoras na questão 1 sobre a existência do bullying neste estabelecimento de ensino. Diante disso, não se pode deixar de ressaltar a necessidade de o professor estar preparado para identificar os sintomas, ou seja, as consequências, que podem se apresentar nas formas mais diversas e gerar trauma, que dependendo da estrutura familiar e psicológica da pessoa, pode nunca ser superado. Quando a vítima é criança pode crescer e levar para sua vida adulta a insegurança, a baixa autoestima, os sentimentos negativos, a ansiedade. Pereira (2002) definiu o efeito em dois grupos, efeito imediato e o efeito à longo prazo: no efeito imediato a criança tem autoestima baixa, possui poucos amigos ou nenhum, não consegue partilhar e nem ajudar os outros, ocorre falta de concentração na escola, tornando-a refém de ansiedade e de emoções de medo, de angústia e de raiva reprimida. Os efeitos a longo prazo são a depressão, não confiar nos outros e ainda continuar com a autoestima baixa, ter problema de se socializar com os outros, viver uma vida infeliz,
  • 38. 36 sob a sombra do medo, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, podendo chegar ao suicídio. 3.1.3. Questão 3 - Frente à ocorrência do bullying, como você acha que deve reagir o professor? Pergunta-Frente à ocorrência do bullying, como você acha que deve reagir o professor? Soma das RESPOSTAS Prof A Profª B Profª C Profª D Profª E respostas 1- Ter consciência que esse fenômeno existe. X X X 3 2- Oportunizar aos educandos o acesso a essas informações para que possam refletir sobre o X X X X 4 bullying bem como suas consequências. 3- Ensinar seus alunos a respeitar às X X X X X 5 diferenças. 4- Não ensinar apenas os conteúdos programáticos, mas também educar crianças e X 1 adolescentes para a prática de sua cidadania. Quadro 02 – Formas de reação do professor ao bullyng Fonte: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2012) O Quadro 02, acima demonstra que a alternativa mais apontada foi a “3 - Ensinar seus alunos a respeitar as diferenças”, assinalada por todas as professoras, isso demonstra ser primordial, em suas compreensões, o respeito frente a qualquer tipo de diferença, o que sem dúvida, já é um dos passos para se evitar a discriminação. Seguiu-se também com boa pontuação a resposta “2 - Oportunizar aos educandos o acesso a essas informações para que possam refletir sobre o bullying bem como suas consequências”, escolhida pelas professoras B, C, D e E (comprovando a necessidade de também se manter os alunos informados). Depois, a resposta “1-Ter consciência que esse fenômeno existe.”, apontada pelas professoras B, D e E (evidenciando que os professores precisam estar mais atentos) e, finalmente, a resposta “4 - Não ensinar apenas os conteúdos programáticos, mas também educar crianças e adolescentes para a prática de sua cidadania”, escolhida pela professora B, (mesmo que essa resposta tenha sido apontada por uma professora somente, não deixa de ser de grande importância, pois a educação não só deve estar voltada aos conhecimentos livrescos, aos conteúdos programáticos, mas também à formação da cidadania de todos os alunos). As quatro atitudes em referências foram enfocadas no Capítulo I, ao serem abordados os seguintes assuntos: Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo e Solidariedade, que fazem parte dos PCNS - Apresentação dos Temas Transversais e Ética (Brasil,