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Cidades Históricas
Minas Gerais
A Estrada Real
As principais cidades históricas mineiras situam-se ao longo da Estrada Real. Esta dividi-se em 4 caminhos com
mais de 1.400 quilômetros: Caminho Velho, Caminho Novo, Caminho dos Diamantes e Caminho do Sabarabuçu.
Por serem durante longo tempo as únicas vias autorizadas de acesso à região das reservas de ouro e diamantes
da Capitania das Minas Gerais, os caminhos reais adquiriram, já a partir da sua abertura, natureza oficial.
A circulação de pessoas e mercadorias era obrigatoriamente feita por eles, constituindo crime de lesa-majestade
a abertura de novos caminhos.
Ao longo dos caminhos reais espalharam-se os antigos registros, postos fiscais de controle, alguns dos quais
ainda podem ser vistos na atualidade. Eram de diversos tipos: registros do ouro, que fiscalizavam o transporte do
metal e cobravam o quinto; registros de entradas, que cobravam pelo tráfego de pessoas, mercadorias e
animais; registros da Demarcação Diamantina, responsáveis pelo severo policiamento do contrabando e pela
cobrança dos direitos de entrada na zona de exploração dos diamantes; e contagens, que tributavam o trânsito
de animais. Os prédios dos registros eram instalados em locais estratégicos dos caminhos: passagens entre
serras, desfiladeiros, margens de cursos de água. No seu interior se colocava o pessoal empregado:
um administrador, um contador, um fiel e dois ou quatro soldados. Um portão com cadeado fechava a estrada.
O nome “Estrada Real” passou a aludir, assim, àquelas vias que pela sua antiguidade, importância e natureza
oficial, eram propriedade da Coroa Portuguesa. Durante todo o século XVIII, e também em parte do XIX, quando
a era mineradora já havia terminado e os caminhos se tornaram livres e empobrecidos, as estradas reais foram
os troncos viários principais do centro-sul do território colonial, expandindo-se em outras direções em
movimentos de apropriação do interior brasileiro e de sua integração com a faixa litorânea. Ampliando a base
territorial da América portuguesa, as vias hoje reunidas sob o nome de Estrada Real foram, assim, fundamentais
na história do povoamento e da colonização de vastas regiões do território brasileiro.
Existiram quatro caminhos principais: o Caminho de São Paulo (São Paulo – Minas Gerais), Caminho da Bahia
(Bahia – Minas Gerais), o Caminho do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro – Minas Gerais) e Caminho dos Diamantes
(extensão do Caminho do Rio de Janeiro, ligando Vila Rica à cidade do Serro, ao qual se uniu as picadas para
Goiás e Mato Grosso).
A Estrada Real aqui citada é resultado de um projeto turístico criado em 2001 que une o Caminho do Rio de
Janeiro e o trecho principal do Caminho dos Diamantes. No auge da utilização desta estrada, erguiam-se às suas
margens 178 povoações, sendo 163 em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo.
Mariana
População:
54.179 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
1.193 Km2
Mariana faz parte da história do nascimento de Minas Gerais. Foi sua primeira vila, primeira cidade,
primeira capital, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais.
Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça
encontraram ouro em um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens nasceu o
Arraial de Nossa Senhora do Carmo. O local se transformou em um dos principais fornecedores de ouro
para Portugal no século XVII. Em 8 de abril de 1711 o arraial foi elevado à Vila de Nossa Senhora do
Ribeirão do Carmo, confirmada por Carta Régia de 14 de abril de 1712 com o nome mudado para Vila
Real de Nossa Senhora, tornando-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de
Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital da capitania, ao participar de uma disputa onde a vila
que arrecadasse a maior quantidade de ouro seria elevada a capital da então Capitania de Minas Gerais.
Em 23 de abril de 1745 muda o nome para Cidade Mariana, homenagem à rainha D. Maria Ana de
Áustria, esposa do rei de Portugal, D. João V. Nesta mesma época a cidade passou a ser sede do
primeiro bispado mineiro, se transformando no centro religioso de Minas Gerais. Para isso, foi enviado do
Maranhão o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória, realizada por terra, durou um ano e dois meses
e foi considerada um feito bastante representativo no Brasil Colônia. Um projeto urbanístico se fez
necessário, sendo elaborado pelo engenheiro militar José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta
e praças retangulares são características da primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras do
Brasil.
Em 1945 foi tombada como Monumento Nacional pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional.
Principais atrações turísticas:
Praça Minas Gerais (onde se encontram a antiga Casa da Câmara e Cadeia, Igreja de São Francisco de
Assis e Igreja de Nossa Senhora do Carmo), Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, Museu da Música
de Mariana, Mina da Passagem, Igreja Catedral Basílica da Sé, Igreja de São Pedro dos Clérigos,
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Seminário Maior São José, Cachoeira do Brumado,
Estação Ferroviária de Mariana e passeio de trem.
Praça Minas Gerais
Igreja de São Francisco de Assis
Casa da Câmara e Cadeia
Rua Direita
Igreja de São Pedro dos Clérigos
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Pelourinho
Ouro Preto
População:
70.227 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
1.245 Km2
Em 1698, o paulista Antônio Dias de Oliveira alcança a região do Itacolomi e, descobrindo um riquíssimo veio de ouro,
resolve se estabelecer, mandado buscar amigos e parentes em Taubaté. A partir daí, aumenta o número de bandeiras que se
dirigem à região. O metal é abundante, encontrado no leito e às margens dos rios e na encosta dos morros. A atividade
mineradora torna-se a mais importante e a inexistência de trabalho agrícola provoca fome e faz com que muitos aventureiros
retornem às suas terras de origem, retardando a efetiva ocupação do local. Apesar dos problemas de alimentação, novos
aventureiros continuam a chegar à região. Entre 1708 e 1709, paulistas se revoltam contra os forasteiros, em sua maioria
portugueses, baianos e pernambucanos. A rivalidade entre os dois grupos e o domínio administrativo dos paulistas, que
faziam a distribuição de veios de ouro, culmina na Guerra dos Emboabas. Após o conflito, a derrota dos paulistas incrementa
o desenvolvimento de arraiais mineradores: Padre Faria, Antônio Dias, Paulistas, Bom Sucesso, Taquaral, Sant' Ana,
São João, Ouro Podre, Piedade, Ouro Preto e Caquende. Os pequenos arruamentos ganham novas edificações e o comércio
surge com certa intensidade, dando configuração urbana à primitiva região mineradora. Os arraiais crescem e a distância que
os separa diminui. Ouro Preto e Antônio Dias se unem no Morro de Santa Quitéria, onde hoje está a Praça Tiradentes,
levando o governador da capitania, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, a criar Vila Rica em 1711. O arraial do Ouro
Podre é o que mais prospera, ocorrendo neste uma rebelião com a cobrança de impostos, que exigia o recolhimento da
quinta parte do ouro extraído aos cofres da Coroa Portuguesa. Para pôr fim ao movimento, o governador Conde de Assumar
mata os líderes do movimento e incendeia o Arraial do Ouro Podre, conhecido ainda hoje como Morro da Queimada.
No início do século XIX, a principal atividade do país é a agricultura, com a introdução da lavoura de café em São Paulo.
Vila Rica deixa de ser a referência econômica do país, mas continua politicamente ativa. Em 1823 é elevada a capital da
Província de Minas Gerais, passando a se chamar Imperial Cidade de Ouro Preto. "Ouro Preto" vem do ouro escuro,
recoberto com uma camada de óxido de ferro, encontrado na cidade. Com a proclamação da República, em 1889,
Ouro Preto permanece como capital de Minas Gerais até 1897, quando é inaugurada Belo Horizonte. A partir daí, a cidade
esvazia-se por completo. Além dos setores administrativos e econômicos, famílias inteiras transferem-se para a nova capital.
A perda do papel administrativo de sede do estado será fato de grande importância para a conservação das feições
urbanas da antiga Vila Rica, que, sem a necessidade do acelerado crescimento imposto às capitais brasileiras no
século XX, mantém praticamente inalterado seu conjunto arquitetônico, artístico e natural. Em 1938, Ouro Preto é decretada
Monumento Nacional pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1980, a UNESCO declara a cidade
como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Principais atrações turísticas:
Praça Tiradentes, Museu da Inconfidência, Museu de Ciência e Técnica (antigo Palácio dos Governadores), Casa dos
Contos, Museu do Aleijadinho, Museu de Arte Sacra, Museu das Reduções, Casa dos Inconfidentes, Teatro Municipal,
Mina do Chico Rei, Mina Velha, Chafariz e Ponte de Marília, Igreja de São Francisco de Assis, Igreja Matriz de Nossa
Senhora da Conceição, Igreja Matriz de Santa Efigênia, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Brancos, Igreja de Nossa
Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, Parque Horto dos
Contos, Cachoeira das Andorinhas, Parque Estadual do Itacolomi, Estação Ferroviária de Ouro Preto e passeio de trem.
Semana Santa
Teatro Municipal de Ouro Preto
(Teatro mais antigo em funcionamento na América Latina)
Igreja de São Francisco de Assis
Museu da Inconfidência
Praça Tiradentes
Museu de Ciência e Técnica
(antigo Palácio dos Governadores)
Casa de Tiradentes
(com as bandeiras)
Após a Conjuração Mineira, a casa onde viveu Tiradentes foi demolida por ordem de D. Maria I. O terreno foi
salgado e nada mais deveria ser construído no local. Em 1928 foi construída esta casa no local da antiga casa
de Tiradentes para ser a atual sede da Associação Comercial de Ouro Preto.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Sabará
População:
126.219 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
303 Km2
Em 1674, chegou à região então conhecida como Sabarabuçu a bandeira de Fernão Dias Paes, que iniciou o processo de
organização urbana dos núcleos mineradores já existentes, fundados por baianos que chegaram ao local em 1555, antes
dos bandeirantes paulistas. O princípio da história de Sabará está ligado à descoberta de ouro na região em finais do
século XVII e à presença do bandeirante Manoel de Borba Gato, que após a morte de Fernão Dias, permaneceu no
Arraial da Barra do Sabará e veio a ser o seu primeiro guarda-mor. O povoado cresceu e foi criada a freguesia em 1707.
O arraial se tornou centro comercial estratégico, inicialmente como ponto de pousada para a travessia do sertão e depois
ligado à Estrada Real. Em 1711, logo após o fim da Guerra dos Emboabas, foi elevado à condição de Vila Real de Nossa
Senhora da Conceição do Sabará, também conhecida por Vila do Sabará, juntamente com as vilas de Vila Rica e
Ribeirão do Carmo.
Em 1714 tornou-se sede da extensa Comarca do Rio das Velhas, uma das quatro primeiras a serem criadas na Capitania
das Gerais, que englobava as regiões de Paracatu e do Triângulo Mineiro, alcançando os limites com Goiás, Pernambuco e
Bahia. Posteriormente a Comarca do Rio da Velhas foi dividida em duas: a Comarca de Sabará e a Comarca de Paracatu.
Como sede de comarca de uma importante região de mineração de ouro, a vila possuía a sua Casa de Fundição para onde
deveria ser levado todo o ouro extraído na região para ser fundido em barras e devidamente taxado. Sabará foi um dos
núcleos de mineração da província que mais ouro encaminhou à Coroa Portuguesa. Seus rios e lavras eram ricos do
precioso mineral, e houve época em que os trabalhos de garimpagem ocupavam milhares de escravos.
Em 1822, Sabará contribui com uma significativa importância em dinheiro e com voluntários para a luta pela independência
do Brasil com a Coroa Portuguesa. É cidade desde 1838.
Em 1894, o Arraial de Curral del Rei foi desmembrado do município de Sabará para se tornar a capital de Minas Gerais
com o nome modificado para Belo Horizonte.
Em Sabará morreu um dos delatores da Inconfidência Mineira, o coronel do regimento de auxiliares de Paracatu, Basílio de
Brito Malheiro. Morreu temendo ser emboscado em algum beco escuro, punido pelo povo de Sabará pela delação.
Da cidade também saiu um dos mais implacáveis devassantes da inconfidência, o desembargador César Manitti, ouvidor
da Comarca e escrivão do tribunal que condenou os inconfidentes.
A origem do nome é controvertida. O nome Sabarabuçu é de origem indígena. Aceita-se, como um de seus significados, a
tradução do tupi-guarani de "grande braço de pai", referindo-se ao Rio Sabará (o "braço"), que deságua no Rio das Velhas
(o “pai"). Outra versão é a de que o nome Sabará se origina da corruptela da expressão “Itaberabussu”, que quer dizer na
linguagem indígena "pedra grande reluzente", numa alusão à Serra da Piedade que domina toda a região.
Principais atrações turísticas:
Conjunto arquitetônico da Rua Dom Pedro II, Museu do Ouro, Museu de Arte Sacra, Chafariz do Kaquende, Chafariz do
Rosário, Teatro Municipal, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de
Nossa Senhora do Ó, Igreja de São Francisco de Assis e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Museu do Ouro
(Antiga Casa de Intendência e Fundição)
Capela no interior da Igreja Nossa Senhora do Rosário
Chafariz do Rosário Chafariz do Kaquende
Teatro Municipal de Sabará
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Rua Dom Pedro II
Igreja de Nossa Senhora do Ó
Congonhas
População:
48.550 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
305 Km2
O arraial de Congonhas do Campo surgiu em 1734 com a descoberta de ouro no leito do Rio Maranhão e proximidades.
O nome dado ao lugar tem origem nas palavras tupi-guarani "Kõ" e "Gõi" e refere-se a uma erva-mate muito comum na
região, significando "o que sustenta e alimenta".
Inicialmente, a população foi se organizando no lado direito do rio Maranhão e levantando suas igrejas. A mais antiga delas
é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída por escravos no final do século XVII, antes dos mineradores chegarem
à região. Em 1749, começa a ser erguida a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. A construção do Santuário do Senhor
Bom Jesus de Matosinhos teve início em 1757, numa colina de nome Alto Maranhão, e deflagrou a ocupação da margem
esquerda do rio. A iniciativa partiu do português Feliciano Mendes, devoto do Bom Jesus, que ergueu a igreja em
pagamento a uma promessa. Os artistas mais destacados da época, como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e
Manoel da Costa Ataíde, emprestaram sua genialidade às obras. Além da igreja, 12 profetas em pedra sabão e
64 esculturas esculpidas em cedro com tamanho natural, representando os Passos da Paixão de Cristo, foram esculpidas
por Aleijadinho e policromadas pelo mestre Ataíde. Em 1985, o conjunto arquitetônico e escultórico do Santuário foi elevado
pela UNESCO a Monumento Mundial e Patrimônio Cultural da Humanidade. A construção do Santuário só foi possível com
doações da população, que prosperava com a extração do ouro. Em 1746, uma lista secreta com as maiores fortunas da
capitania, incluía dez moradores do Arraial de Congonhas do Campo, todos mineradores. Entre as lavras mais ricas, estava
a do Batateiro, chamada assim pelo tamanho de suas pepitas de ouro.
Até fins da década de 1930, Congonhas do Campo era dividida pelo Rio Maranhão. A margem direita pertencia a
Ouro Preto e o lado direito era subordinado a Queluz de Minas (atual Conselheiro Lafaiete). Em 1923, a população
consegue a unificação dos dois distritos, graças às negociação que levaram Ouro Preto a ceder sua parte para Queluz.
Era o primeiro passo para a emancipação do município, estabelecida pelo decreto de 17 de dezembro de 1938.
O esgotamento das minas de ouro marcou o início da decadência econômica do lugar. Depois da Segunda Guerra Mundial,
a exploração do minério de ferro de alto teor renova a economia local. Grandes empresas mineradoras colocam hoje a
cidade entre as maiores arrecadações do estado de Minas Gerais. Congonhas foi e ainda é um grande centro de
peregrinação. Todo ano a cidade reúne milhares de fiéis em busca de cura das suas aflições entre 7 e 14 de setembro,
período em que é comemorado no município o Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos. Trata-se do maior programa de
peregrinação religiosa de Minas Gerais, realizado há mais de 200 anos.
Principais atrações turísticas:
Museu da Imagem e Memória, Complexo do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, Romaria, Ladeira do
Bom Jesus, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Parque da Cachoeira.
Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos
Rua Bom Jesus
(Ladeira do Bom Jesus)
Museu da Imagem e Memória
(Casa laranja à esquerda)
Romaria
Serro
População:
20.833 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
1.217 Km2
Em 1701 teve início o arraial que daria origem à atual cidade do Serro, centro da exploração de ouro na região.
O primeiro nome de que se tem notícias foi “Arraial do Ribeirão das Minas de Santo Antônio do Bom Retiro do
Serro do Frio”, dado em 1702, no ato de descoberta oficial. O nome da região, dado pelos índios na língua
tupi-guarani, era Ivituruí (ivi = vento, turi = morro, huí = frio). Dai derivou “Serro Frio” ou “Serro do Frio”. Em 1714,
a povoação é elevada a vila e município com o nome de “Vila do Príncipe”. Segundo relatos, a vila não possuía
nenhum chafariz e o abastecimento de água era feito por escravos que traziam barris de água do vale. Não havia
estabelecimentos de lazer e a diversão ficava a cargo da caça ao veado, prática comum na região. Em 17 de
fevereiro de 1720 torna-se sede da Comarca do Serro Frio, abrangendo uma grande área da qual fazia parte
todo o norte e nordeste da capitania. Foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Serro, por lei
provincial de 6 de março de 1838.
Em 1714, além do ouro, os mineradores descobrem lavras de diamante na região onde hoje estão Diamantina,
Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras. Para defender os interesses do império, em 1720 é criada a
Comarca do Serro Frio. Muitas foram as restrições impostas à exploração de ouro na comarca, após o
descobrimento dos diamantes. Em 1725 é determinada a criação de uma Casa de Fundição, para onde toda a
produção de ouro da região passaria a ser encaminhada.
As minas foram exploradas exaustivamente durante quase cem anos. No início do século XIX, com a decadência
da mineração, somente alguns mineradores, encorajados pelo governo, conseguiam arcar com os altos custos
de produção. A grande maioria da população passou a se dedicar à pecuária e à agricultura de subsistência,
atividades dificultadas pela localização geográfica da vila.
A falta de modernização e de novas alternativas econômicas faz com que a cidade perca, pouco a pouco,
capacidade para competir, frente às mudanças ocorridas no país. Na época da proclamação da república, o
Serro não consegue se incorporar às redes de ferrovias e se isola dos novos padrões de transporte e
desenvolvimento. A estagnação toma conta do município. O isolamento forçado ajudou na conservação do
patrimônio histórico de Serro. Em 1938, todo seu acervo urbano-paisagístico é tombado pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ao longo do século XX, o desenvolvimento se dá através da criação de
gado, base econômica da cidade. Grande parte do leite é usado na fabricação do conceituado Queijo do Serro.
Principais atrações turísticas:
Museu Regional (casa da família Ottoni), Chácara do Barão do Serro, Igreja de Santa Rita, Igreja Matriz de
Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos.
Igreja de Santa Rita
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Chácara do Barão do Serro
Diamantina
População:
45.884 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
3.869 Km2
Os índios botocudos guiaram os primeiros exploradores pela região, em busca de ouro. Em 1714, foram encontrados
diamantes na região do Arraial do Tijuco. Raros e preciosos. O diamante até então só era encontrado nas Índias. Daí se
compreende a importância da descoberta na época. Por volta de 1722 começou o desenvolvimento do povoado, sempre
seguindo as margens dos rios que eram garimpados. A partir de 1730, ainda com uma população flutuante, por meio da
expansão de pequenos arraiais ao longo dos cursos d’água em direção ao núcleo administrativo do Tijuco, foi se formando
o conjunto urbano.
Devido à necessidade de controlar a extração de algo tão raro e precioso, o Arraial do Tijuco tornou-se o centro do Distrito
Diamantino em 1730. Isso quer dizer que, apesar de estar subordinado à Comarca do Serro Frio, era governado sob um
regime especial e isolado do restante das Minas Gerais. A Coroa portuguesa extinguiu a livre extração em 1740. Nasce a
figura do contratador, a quem a realeza concedia o direito de explorar as lavras. Estes poucos homens tinham um enorme
poder e influência. O contratador e comerciante de diamantes João Fernandes de Oliveira se envolveu em um lendário
romance com a escrava Chica da Silva, uma negra muito bonita que fascinou o homem mais rico do Arraial do Tijuco. Para
ela o contratador mandou construir uma casa de 21 cômodos, onde viveram provavelmente de 1755 a 1770 e tiveram
13 filhos. Anexa à mansão de Chica foi construída uma capela para seu uso privativo dedicada à Santa Quitéria.
Ao contrário do Ciclo do Ouro, que declinou no final do século XVIII, o Ciclo do Diamante manteve-se por mais tempo.
Em 1831, o Arraial do Tijuco foi elevado à vila, emancipando-se do município do Serro, recebendo por resolução da
Assembléia Geral em 13 de outubro de 1831 a denominação de Diamantina por causa do grande volume de diamantes
encontrados na região. Em 4 de julho de 1832 foi instalada a primeira Câmara Municipal. Sua elevação à cidade ocorreu
em 6 de março de 1838. Diamantina foi a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no século XVIII.
Foram aproximadamente três milhões de quilates, uma fortuna. Em 1860, com a descoberta de fabulosas jazidas de
diamante na África do Sul, o preço do diamante despencou. Começava um período de decadência, coincidindo com a
diminuição das reservas diamantíferas.
Em 1938, o conjunto arquitetônico do Centro Histórico da cidade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, recebendo o título de Patrimônio Histórico Nacional, e, no ano de 1999, recebe da UNESCO o título de
Patrimônio Cultural da Humanidade. A cidade é conhecida também por ser terra natal de Juscelino Kubitschek, que cresceu
nas ladeiras e na simplicidade da rotina do local, além das serestas e da Vesperata, que é um evento em que os músicos
se apresentam à noite, das janelas e sacadas de velhos casarões, enquanto o público assiste das ruas.
Principais atrações turísticas:
Museu do Diamante, Casa da Glória (com seu passadiço sobre a rua), Casa de Juscelino Kubitschek, Casa de Chica da
Silva, Mercado Velho, Catedral Metropolitana, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja de Nossa Senhora do
Bonfim dos Militares, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de São Francisco de Assis, Caminho dos Escravos,
Gruta do Salitre, Sítio de Pinturas Rupestres, Cachoeira do Sentinela e Cachoeira dos Cristais.
Passadiço da Casa da Glória
Casa de Juscelino kubitschek
Casa de Chica da Silva
Catedral Metropolitana
Igreja de Nossa Senhora do Bonfim dos Militares
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Gruta do Salitre
Caminho dos Escravos
Cachoeira dos Cristais
São João del-Rei
População:
84.404 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
1.463 Km2
O antigo Arraial Novo do Rio das Mortes deu origem à cidade de São João del-Rei. Na região do atual centro da cidade,
os primeiros sinais de ocupação do arraial remontam a 1704, quando o paulista Lourenço Costa descobre ouro no Ribeirão de
São Francisco Xavier, ao norte da encosta da Serra do Lenheiro. Como outros arraiais mineradores, o povoado surge a partir
de uma capela erguida, neste caso em devoção à Nossa Senhora do Pilar, ao redor da qual vão se fixando bandeirantes e
aventureiros, que chegam à região atraídos pelo ouro. As casas de taipa são edificadas e, aos poucos, novas capelas e
moradias vão formando outros aglomerados urbanos.
Já próspera em 1713, a localidade é elevada a vila e recebe o nome de São João del-Rei em homenagem a Dom João V, rei
de Portugal. Em 1714 é nomeada sede da Comarca do Rio das Mortes. Desde os tempos de sua formação, desenvolveu uma
grande produção mercantil e de gêneros alimentícios, resultantes tanto da atividade agrícola, quanto da pecuária.
Essa característica vai possibilitar o contínuo crescimento da localidade, que não sofre grandes perdas com o declínio da
extração do ouro, verificado em toda a Capitania das Minas Gerais a partir de 1750. Nessa época a crise do sistema colonial
agrava-se. A exploração do ouro entra em franca decadência e a Coroa Portuguesa continua a exigir pesados impostos da
população. Essa situação leva padres, militares, estudantes, intelectuais e funcionários das principais vilas mineiras, como
São João del-Rei, São José del-Rei (atual Tiradentes) e Vila Rica (atual Ouro Preto), a conspirar contra a metrópole, formando
estas três localidades o núcleo da Inconfidência Mineira. Caso a independência de Minas Gerais tivesse sido alcançada,
São João del-Rei seria a capital na nova república.
Em 06 de março de 1838 a Vila de São João del-Rei torna-se cidade. Nessa época, possuía cerca de 1.600 casas, distribuídas
em 24 ruas e 10 praças. Ainda no século XIX, contava com casa bancária, hospital, biblioteca, teatro, cemitério público
construído fora do núcleo urbano, além de serviços de correio e iluminação pública a querosene.
Desenvolve-se ainda mais com a inauguração em 1881 da primeira seção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava as
cidades da região a outros importantes ramais da Estrada de Ferro Dom Pedro II. Em 1893 a instalação da Companhia
Industrial São Joanense de Fiação e Tecelagem traz novo impulso à economia local, a tal ponto que a cidade é indicada para
sediar a capital de Minas Gerais. Em junho do mesmo ano, o Congresso Mineiro Constituinte aprova, em primeira discussão, a
mudança da capital para a região da Várzea do Marçal, subúrbio de São João del-Rei, mas, numa segunda discussão, o
projeto inclui Barbacena e também a possibilidade da construção de Belo Horizonte em um planalto localizado no Vale do Rio
das Velhas, onde existia o antigo Arraial do Curral del-Rei. Com a escolha de Belo Horizonte para capital de Minas Gerais, em
dezembro de 1893, a importância econômica de São João del-Rei diminui gradativamente. Em 1943 seu acervo arquitetônico
e artístico é tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Principais atrações turísticas:
Complexo Ferroviário (museu, rotunda, oficinas, armazém, auditório e estação), Museu Regional, Memorial Tancredo Neves,
Museu de Arte Sacra, Museu dos Ex-Combatentes da FEB, Museu do Estanho John Somers, Teatro Municipal, Casa de
Bárbara Heliodora, Catedral de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de São Francisco de Assis,
Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Gruta da Casa de Pedra e passeio de trem.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Rotunda
Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Igreja de
São Francisco de Assis
Tiradentes
População:
7.002 habitantes (IBGE 2010)
Tamanho do município:
83 Km2
A cidade de Tiradentes originou-se do Arraial da Ponta do Morro, formado em inícios do século XVIII. Desde os últimos
anos do século XVII, o paulista Tomé Portes del-Rei explorava o direito de passagem às margens do Rio das Mortes, num
ponto conhecido como Porto Real da Passagem. Em 1702, João de Siqueira Ponte chega à região e, em companhia de
Tomé Portes, descobre ouro nos córregos da redondeza. O local, denominado Ponta do Morro, logo se transforma em
arraial com o afluxo crescente de garimpeiros. Pouco tempo depois, passa a se chamar Arraial da Ponta do Morro de Santo
Antônio, em louvor ao santo de devoção dos moradores que aí se reuniram e ergueram uma capela. Graças à abundância
do ouro encontrado, o arraial desenvolve-se rapidamente, sendo elevado à categoria de vila em 1718, quando recebe a
denominação de São José del-Rei, em homenagem ao então príncipe de Portugal, Dom José I.
Nas primeiras décadas do século XVIII, foi construída a maior parte de seu casario e de suas edificações religiosas, como
a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em 1708, e a Matriz de Santo Antônio, em 1710. Ao redor das igrejas e capelas,
localizadas em pontos elevados da cidade, as casas foram se firmando numa configuração que permanece até hoje. A
decadência da mineração, que já se manifestava em toda a Capitania das Minas Gerais desde 1750, só viria a ter reflexos
no crescimento da vila no início do século XIX, quando as minas de ouro se esgotam.
Em 1789, a denúncia do coronel Joaquim Silvério dos Reis coloca São José del-Rei entre as vilas mineiras envolvidas na
Inconfidência Mineira. Entre os integrantes está o padre Carlos Correa de Toledo e Mello, vigário da então Freguesia de
Santo Antônio, considerado um dos maiores propagadores do movimento. No século XIX, os moradores da Vila de
São José del-Rei voltam-se para a agricultura e a pecuária, vendendo carne de porco, boi e carneiro para algumas
localidades de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Em 1831 a participação da mão-de-obra feminina na economia local é
expressiva, especialmente no ramo da fiação e tecelagem.
São José del-Rei é elevada à categoria de cidade em 1860, mas pouco se modifica por falta de alternativas econômicas.
Sua integridade patrimonial e paisagística assegura-lhe um dos perfis coloniais mais autênticos do Brasil.
Em 1889 recebe nova denominação, passando a se chamar Tiradentes, em homenagem ao herói da Inconfidência Mineira,
Joaquim José da Silva Xavier. Dessa época em diante, a cidade experimenta certo ritmo de expansão comercial com a
implementação do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Oeste de Minas e, mais tarde, do sistema rodoviário.
A cidade foi tombada como Patrimônio Histórico Nacional em 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, resguardando-se não só seu conjunto arquitetônico como também áreas de seu entorno paisagístico,
especialmente a imponente Serra de São José com agradáveis cachoeiras e vegetação remanescente da Mata Atlântica.
Principais atrações turísticas:
Museu Padre Toledo, Museu da Arte Sacra, Chafariz de São José, Largo das Forras, Igreja Matriz de Santo Antônio,
Igreja de São Francisco de Paula, Santuário da Santíssima Trindade, Capela de Nossa Senhora do Rosário, Cachoeira do
Mangue e passeio de trem.
Igreja Matriz de Santo Antônio
Museu Padre Toledo
Chafariz de São José
Estátua do
Alferes Tiradentes
Panteão da Inconfidência Mineira
Museu da Inconfidência (Ouro Preto)
Música:
Oh! Minas Gerais
(Interpretação de Renato Teixeira)
Formatação:
Sylvio Bazote
Maio de 2011

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Cidades históricas de Minas Gerais

  • 2. A Estrada Real As principais cidades históricas mineiras situam-se ao longo da Estrada Real. Esta dividi-se em 4 caminhos com mais de 1.400 quilômetros: Caminho Velho, Caminho Novo, Caminho dos Diamantes e Caminho do Sabarabuçu. Por serem durante longo tempo as únicas vias autorizadas de acesso à região das reservas de ouro e diamantes da Capitania das Minas Gerais, os caminhos reais adquiriram, já a partir da sua abertura, natureza oficial. A circulação de pessoas e mercadorias era obrigatoriamente feita por eles, constituindo crime de lesa-majestade a abertura de novos caminhos. Ao longo dos caminhos reais espalharam-se os antigos registros, postos fiscais de controle, alguns dos quais ainda podem ser vistos na atualidade. Eram de diversos tipos: registros do ouro, que fiscalizavam o transporte do metal e cobravam o quinto; registros de entradas, que cobravam pelo tráfego de pessoas, mercadorias e animais; registros da Demarcação Diamantina, responsáveis pelo severo policiamento do contrabando e pela cobrança dos direitos de entrada na zona de exploração dos diamantes; e contagens, que tributavam o trânsito de animais. Os prédios dos registros eram instalados em locais estratégicos dos caminhos: passagens entre serras, desfiladeiros, margens de cursos de água. No seu interior se colocava o pessoal empregado: um administrador, um contador, um fiel e dois ou quatro soldados. Um portão com cadeado fechava a estrada. O nome “Estrada Real” passou a aludir, assim, àquelas vias que pela sua antiguidade, importância e natureza oficial, eram propriedade da Coroa Portuguesa. Durante todo o século XVIII, e também em parte do XIX, quando a era mineradora já havia terminado e os caminhos se tornaram livres e empobrecidos, as estradas reais foram os troncos viários principais do centro-sul do território colonial, expandindo-se em outras direções em movimentos de apropriação do interior brasileiro e de sua integração com a faixa litorânea. Ampliando a base territorial da América portuguesa, as vias hoje reunidas sob o nome de Estrada Real foram, assim, fundamentais na história do povoamento e da colonização de vastas regiões do território brasileiro. Existiram quatro caminhos principais: o Caminho de São Paulo (São Paulo – Minas Gerais), Caminho da Bahia (Bahia – Minas Gerais), o Caminho do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro – Minas Gerais) e Caminho dos Diamantes (extensão do Caminho do Rio de Janeiro, ligando Vila Rica à cidade do Serro, ao qual se uniu as picadas para Goiás e Mato Grosso). A Estrada Real aqui citada é resultado de um projeto turístico criado em 2001 que une o Caminho do Rio de Janeiro e o trecho principal do Caminho dos Diamantes. No auge da utilização desta estrada, erguiam-se às suas margens 178 povoações, sendo 163 em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo.
  • 3.
  • 4. Mariana População: 54.179 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 1.193 Km2
  • 5. Mariana faz parte da história do nascimento de Minas Gerais. Foi sua primeira vila, primeira cidade, primeira capital, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens nasceu o Arraial de Nossa Senhora do Carmo. O local se transformou em um dos principais fornecedores de ouro para Portugal no século XVII. Em 8 de abril de 1711 o arraial foi elevado à Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, confirmada por Carta Régia de 14 de abril de 1712 com o nome mudado para Vila Real de Nossa Senhora, tornando-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital da capitania, ao participar de uma disputa onde a vila que arrecadasse a maior quantidade de ouro seria elevada a capital da então Capitania de Minas Gerais. Em 23 de abril de 1745 muda o nome para Cidade Mariana, homenagem à rainha D. Maria Ana de Áustria, esposa do rei de Portugal, D. João V. Nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro, se transformando no centro religioso de Minas Gerais. Para isso, foi enviado do Maranhão o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória, realizada por terra, durou um ano e dois meses e foi considerada um feito bastante representativo no Brasil Colônia. Um projeto urbanístico se fez necessário, sendo elaborado pelo engenheiro militar José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta e praças retangulares são características da primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras do Brasil. Em 1945 foi tombada como Monumento Nacional pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Principais atrações turísticas: Praça Minas Gerais (onde se encontram a antiga Casa da Câmara e Cadeia, Igreja de São Francisco de Assis e Igreja de Nossa Senhora do Carmo), Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, Museu da Música de Mariana, Mina da Passagem, Igreja Catedral Basílica da Sé, Igreja de São Pedro dos Clérigos, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Seminário Maior São José, Cachoeira do Brumado, Estação Ferroviária de Mariana e passeio de trem.
  • 7. Igreja de São Francisco de Assis
  • 8.
  • 9.
  • 10. Casa da Câmara e Cadeia
  • 12. Igreja de São Pedro dos Clérigos
  • 13.
  • 14.
  • 15. Igreja de Nossa Senhora do Carmo
  • 16.
  • 18. Ouro Preto População: 70.227 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 1.245 Km2
  • 19. Em 1698, o paulista Antônio Dias de Oliveira alcança a região do Itacolomi e, descobrindo um riquíssimo veio de ouro, resolve se estabelecer, mandado buscar amigos e parentes em Taubaté. A partir daí, aumenta o número de bandeiras que se dirigem à região. O metal é abundante, encontrado no leito e às margens dos rios e na encosta dos morros. A atividade mineradora torna-se a mais importante e a inexistência de trabalho agrícola provoca fome e faz com que muitos aventureiros retornem às suas terras de origem, retardando a efetiva ocupação do local. Apesar dos problemas de alimentação, novos aventureiros continuam a chegar à região. Entre 1708 e 1709, paulistas se revoltam contra os forasteiros, em sua maioria portugueses, baianos e pernambucanos. A rivalidade entre os dois grupos e o domínio administrativo dos paulistas, que faziam a distribuição de veios de ouro, culmina na Guerra dos Emboabas. Após o conflito, a derrota dos paulistas incrementa o desenvolvimento de arraiais mineradores: Padre Faria, Antônio Dias, Paulistas, Bom Sucesso, Taquaral, Sant' Ana, São João, Ouro Podre, Piedade, Ouro Preto e Caquende. Os pequenos arruamentos ganham novas edificações e o comércio surge com certa intensidade, dando configuração urbana à primitiva região mineradora. Os arraiais crescem e a distância que os separa diminui. Ouro Preto e Antônio Dias se unem no Morro de Santa Quitéria, onde hoje está a Praça Tiradentes, levando o governador da capitania, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, a criar Vila Rica em 1711. O arraial do Ouro Podre é o que mais prospera, ocorrendo neste uma rebelião com a cobrança de impostos, que exigia o recolhimento da quinta parte do ouro extraído aos cofres da Coroa Portuguesa. Para pôr fim ao movimento, o governador Conde de Assumar mata os líderes do movimento e incendeia o Arraial do Ouro Podre, conhecido ainda hoje como Morro da Queimada. No início do século XIX, a principal atividade do país é a agricultura, com a introdução da lavoura de café em São Paulo. Vila Rica deixa de ser a referência econômica do país, mas continua politicamente ativa. Em 1823 é elevada a capital da Província de Minas Gerais, passando a se chamar Imperial Cidade de Ouro Preto. "Ouro Preto" vem do ouro escuro, recoberto com uma camada de óxido de ferro, encontrado na cidade. Com a proclamação da República, em 1889, Ouro Preto permanece como capital de Minas Gerais até 1897, quando é inaugurada Belo Horizonte. A partir daí, a cidade esvazia-se por completo. Além dos setores administrativos e econômicos, famílias inteiras transferem-se para a nova capital. A perda do papel administrativo de sede do estado será fato de grande importância para a conservação das feições urbanas da antiga Vila Rica, que, sem a necessidade do acelerado crescimento imposto às capitais brasileiras no século XX, mantém praticamente inalterado seu conjunto arquitetônico, artístico e natural. Em 1938, Ouro Preto é decretada Monumento Nacional pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1980, a UNESCO declara a cidade como Patrimônio Cultural da Humanidade. Principais atrações turísticas: Praça Tiradentes, Museu da Inconfidência, Museu de Ciência e Técnica (antigo Palácio dos Governadores), Casa dos Contos, Museu do Aleijadinho, Museu de Arte Sacra, Museu das Reduções, Casa dos Inconfidentes, Teatro Municipal, Mina do Chico Rei, Mina Velha, Chafariz e Ponte de Marília, Igreja de São Francisco de Assis, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja Matriz de Santa Efigênia, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Brancos, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, Parque Horto dos Contos, Cachoeira das Andorinhas, Parque Estadual do Itacolomi, Estação Ferroviária de Ouro Preto e passeio de trem.
  • 20.
  • 22. Teatro Municipal de Ouro Preto (Teatro mais antigo em funcionamento na América Latina)
  • 23. Igreja de São Francisco de Assis
  • 25.
  • 27.
  • 28. Museu de Ciência e Técnica (antigo Palácio dos Governadores)
  • 29. Casa de Tiradentes (com as bandeiras) Após a Conjuração Mineira, a casa onde viveu Tiradentes foi demolida por ordem de D. Maria I. O terreno foi salgado e nada mais deveria ser construído no local. Em 1928 foi construída esta casa no local da antiga casa de Tiradentes para ser a atual sede da Associação Comercial de Ouro Preto.
  • 30. Igreja de Nossa Senhora do Carmo
  • 31.
  • 32.
  • 33.
  • 34.
  • 35.
  • 36. Sabará População: 126.219 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 303 Km2
  • 37. Em 1674, chegou à região então conhecida como Sabarabuçu a bandeira de Fernão Dias Paes, que iniciou o processo de organização urbana dos núcleos mineradores já existentes, fundados por baianos que chegaram ao local em 1555, antes dos bandeirantes paulistas. O princípio da história de Sabará está ligado à descoberta de ouro na região em finais do século XVII e à presença do bandeirante Manoel de Borba Gato, que após a morte de Fernão Dias, permaneceu no Arraial da Barra do Sabará e veio a ser o seu primeiro guarda-mor. O povoado cresceu e foi criada a freguesia em 1707. O arraial se tornou centro comercial estratégico, inicialmente como ponto de pousada para a travessia do sertão e depois ligado à Estrada Real. Em 1711, logo após o fim da Guerra dos Emboabas, foi elevado à condição de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, também conhecida por Vila do Sabará, juntamente com as vilas de Vila Rica e Ribeirão do Carmo. Em 1714 tornou-se sede da extensa Comarca do Rio das Velhas, uma das quatro primeiras a serem criadas na Capitania das Gerais, que englobava as regiões de Paracatu e do Triângulo Mineiro, alcançando os limites com Goiás, Pernambuco e Bahia. Posteriormente a Comarca do Rio da Velhas foi dividida em duas: a Comarca de Sabará e a Comarca de Paracatu. Como sede de comarca de uma importante região de mineração de ouro, a vila possuía a sua Casa de Fundição para onde deveria ser levado todo o ouro extraído na região para ser fundido em barras e devidamente taxado. Sabará foi um dos núcleos de mineração da província que mais ouro encaminhou à Coroa Portuguesa. Seus rios e lavras eram ricos do precioso mineral, e houve época em que os trabalhos de garimpagem ocupavam milhares de escravos. Em 1822, Sabará contribui com uma significativa importância em dinheiro e com voluntários para a luta pela independência do Brasil com a Coroa Portuguesa. É cidade desde 1838. Em 1894, o Arraial de Curral del Rei foi desmembrado do município de Sabará para se tornar a capital de Minas Gerais com o nome modificado para Belo Horizonte. Em Sabará morreu um dos delatores da Inconfidência Mineira, o coronel do regimento de auxiliares de Paracatu, Basílio de Brito Malheiro. Morreu temendo ser emboscado em algum beco escuro, punido pelo povo de Sabará pela delação. Da cidade também saiu um dos mais implacáveis devassantes da inconfidência, o desembargador César Manitti, ouvidor da Comarca e escrivão do tribunal que condenou os inconfidentes. A origem do nome é controvertida. O nome Sabarabuçu é de origem indígena. Aceita-se, como um de seus significados, a tradução do tupi-guarani de "grande braço de pai", referindo-se ao Rio Sabará (o "braço"), que deságua no Rio das Velhas (o “pai"). Outra versão é a de que o nome Sabará se origina da corruptela da expressão “Itaberabussu”, que quer dizer na linguagem indígena "pedra grande reluzente", numa alusão à Serra da Piedade que domina toda a região. Principais atrações turísticas: Conjunto arquitetônico da Rua Dom Pedro II, Museu do Ouro, Museu de Arte Sacra, Chafariz do Kaquende, Chafariz do Rosário, Teatro Municipal, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Nossa Senhora do Ó, Igreja de São Francisco de Assis e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
  • 38. Igreja de Nossa Senhora do Rosário
  • 39. Museu do Ouro (Antiga Casa de Intendência e Fundição) Capela no interior da Igreja Nossa Senhora do Rosário
  • 40. Chafariz do Rosário Chafariz do Kaquende
  • 42. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
  • 44. Igreja de Nossa Senhora do Ó
  • 45.
  • 46.
  • 47. Congonhas População: 48.550 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 305 Km2
  • 48. O arraial de Congonhas do Campo surgiu em 1734 com a descoberta de ouro no leito do Rio Maranhão e proximidades. O nome dado ao lugar tem origem nas palavras tupi-guarani "Kõ" e "Gõi" e refere-se a uma erva-mate muito comum na região, significando "o que sustenta e alimenta". Inicialmente, a população foi se organizando no lado direito do rio Maranhão e levantando suas igrejas. A mais antiga delas é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída por escravos no final do século XVII, antes dos mineradores chegarem à região. Em 1749, começa a ser erguida a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. A construção do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos teve início em 1757, numa colina de nome Alto Maranhão, e deflagrou a ocupação da margem esquerda do rio. A iniciativa partiu do português Feliciano Mendes, devoto do Bom Jesus, que ergueu a igreja em pagamento a uma promessa. Os artistas mais destacados da época, como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manoel da Costa Ataíde, emprestaram sua genialidade às obras. Além da igreja, 12 profetas em pedra sabão e 64 esculturas esculpidas em cedro com tamanho natural, representando os Passos da Paixão de Cristo, foram esculpidas por Aleijadinho e policromadas pelo mestre Ataíde. Em 1985, o conjunto arquitetônico e escultórico do Santuário foi elevado pela UNESCO a Monumento Mundial e Patrimônio Cultural da Humanidade. A construção do Santuário só foi possível com doações da população, que prosperava com a extração do ouro. Em 1746, uma lista secreta com as maiores fortunas da capitania, incluía dez moradores do Arraial de Congonhas do Campo, todos mineradores. Entre as lavras mais ricas, estava a do Batateiro, chamada assim pelo tamanho de suas pepitas de ouro. Até fins da década de 1930, Congonhas do Campo era dividida pelo Rio Maranhão. A margem direita pertencia a Ouro Preto e o lado direito era subordinado a Queluz de Minas (atual Conselheiro Lafaiete). Em 1923, a população consegue a unificação dos dois distritos, graças às negociação que levaram Ouro Preto a ceder sua parte para Queluz. Era o primeiro passo para a emancipação do município, estabelecida pelo decreto de 17 de dezembro de 1938. O esgotamento das minas de ouro marcou o início da decadência econômica do lugar. Depois da Segunda Guerra Mundial, a exploração do minério de ferro de alto teor renova a economia local. Grandes empresas mineradoras colocam hoje a cidade entre as maiores arrecadações do estado de Minas Gerais. Congonhas foi e ainda é um grande centro de peregrinação. Todo ano a cidade reúne milhares de fiéis em busca de cura das suas aflições entre 7 e 14 de setembro, período em que é comemorado no município o Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos. Trata-se do maior programa de peregrinação religiosa de Minas Gerais, realizado há mais de 200 anos. Principais atrações turísticas: Museu da Imagem e Memória, Complexo do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, Romaria, Ladeira do Bom Jesus, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Parque da Cachoeira.
  • 49.
  • 50. Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos
  • 51. Rua Bom Jesus (Ladeira do Bom Jesus)
  • 52. Museu da Imagem e Memória (Casa laranja à esquerda)
  • 54.
  • 55.
  • 56.
  • 57.
  • 58.
  • 59. Serro População: 20.833 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 1.217 Km2
  • 60. Em 1701 teve início o arraial que daria origem à atual cidade do Serro, centro da exploração de ouro na região. O primeiro nome de que se tem notícias foi “Arraial do Ribeirão das Minas de Santo Antônio do Bom Retiro do Serro do Frio”, dado em 1702, no ato de descoberta oficial. O nome da região, dado pelos índios na língua tupi-guarani, era Ivituruí (ivi = vento, turi = morro, huí = frio). Dai derivou “Serro Frio” ou “Serro do Frio”. Em 1714, a povoação é elevada a vila e município com o nome de “Vila do Príncipe”. Segundo relatos, a vila não possuía nenhum chafariz e o abastecimento de água era feito por escravos que traziam barris de água do vale. Não havia estabelecimentos de lazer e a diversão ficava a cargo da caça ao veado, prática comum na região. Em 17 de fevereiro de 1720 torna-se sede da Comarca do Serro Frio, abrangendo uma grande área da qual fazia parte todo o norte e nordeste da capitania. Foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Serro, por lei provincial de 6 de março de 1838. Em 1714, além do ouro, os mineradores descobrem lavras de diamante na região onde hoje estão Diamantina, Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras. Para defender os interesses do império, em 1720 é criada a Comarca do Serro Frio. Muitas foram as restrições impostas à exploração de ouro na comarca, após o descobrimento dos diamantes. Em 1725 é determinada a criação de uma Casa de Fundição, para onde toda a produção de ouro da região passaria a ser encaminhada. As minas foram exploradas exaustivamente durante quase cem anos. No início do século XIX, com a decadência da mineração, somente alguns mineradores, encorajados pelo governo, conseguiam arcar com os altos custos de produção. A grande maioria da população passou a se dedicar à pecuária e à agricultura de subsistência, atividades dificultadas pela localização geográfica da vila. A falta de modernização e de novas alternativas econômicas faz com que a cidade perca, pouco a pouco, capacidade para competir, frente às mudanças ocorridas no país. Na época da proclamação da república, o Serro não consegue se incorporar às redes de ferrovias e se isola dos novos padrões de transporte e desenvolvimento. A estagnação toma conta do município. O isolamento forçado ajudou na conservação do patrimônio histórico de Serro. Em 1938, todo seu acervo urbano-paisagístico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ao longo do século XX, o desenvolvimento se dá através da criação de gado, base econômica da cidade. Grande parte do leite é usado na fabricação do conceituado Queijo do Serro. Principais atrações turísticas: Museu Regional (casa da família Ottoni), Chácara do Barão do Serro, Igreja de Santa Rita, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos.
  • 62.
  • 63.
  • 64.
  • 65. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
  • 66. Chácara do Barão do Serro
  • 67.
  • 68. Diamantina População: 45.884 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 3.869 Km2
  • 69. Os índios botocudos guiaram os primeiros exploradores pela região, em busca de ouro. Em 1714, foram encontrados diamantes na região do Arraial do Tijuco. Raros e preciosos. O diamante até então só era encontrado nas Índias. Daí se compreende a importância da descoberta na época. Por volta de 1722 começou o desenvolvimento do povoado, sempre seguindo as margens dos rios que eram garimpados. A partir de 1730, ainda com uma população flutuante, por meio da expansão de pequenos arraiais ao longo dos cursos d’água em direção ao núcleo administrativo do Tijuco, foi se formando o conjunto urbano. Devido à necessidade de controlar a extração de algo tão raro e precioso, o Arraial do Tijuco tornou-se o centro do Distrito Diamantino em 1730. Isso quer dizer que, apesar de estar subordinado à Comarca do Serro Frio, era governado sob um regime especial e isolado do restante das Minas Gerais. A Coroa portuguesa extinguiu a livre extração em 1740. Nasce a figura do contratador, a quem a realeza concedia o direito de explorar as lavras. Estes poucos homens tinham um enorme poder e influência. O contratador e comerciante de diamantes João Fernandes de Oliveira se envolveu em um lendário romance com a escrava Chica da Silva, uma negra muito bonita que fascinou o homem mais rico do Arraial do Tijuco. Para ela o contratador mandou construir uma casa de 21 cômodos, onde viveram provavelmente de 1755 a 1770 e tiveram 13 filhos. Anexa à mansão de Chica foi construída uma capela para seu uso privativo dedicada à Santa Quitéria. Ao contrário do Ciclo do Ouro, que declinou no final do século XVIII, o Ciclo do Diamante manteve-se por mais tempo. Em 1831, o Arraial do Tijuco foi elevado à vila, emancipando-se do município do Serro, recebendo por resolução da Assembléia Geral em 13 de outubro de 1831 a denominação de Diamantina por causa do grande volume de diamantes encontrados na região. Em 4 de julho de 1832 foi instalada a primeira Câmara Municipal. Sua elevação à cidade ocorreu em 6 de março de 1838. Diamantina foi a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no século XVIII. Foram aproximadamente três milhões de quilates, uma fortuna. Em 1860, com a descoberta de fabulosas jazidas de diamante na África do Sul, o preço do diamante despencou. Começava um período de decadência, coincidindo com a diminuição das reservas diamantíferas. Em 1938, o conjunto arquitetônico do Centro Histórico da cidade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, recebendo o título de Patrimônio Histórico Nacional, e, no ano de 1999, recebe da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. A cidade é conhecida também por ser terra natal de Juscelino Kubitschek, que cresceu nas ladeiras e na simplicidade da rotina do local, além das serestas e da Vesperata, que é um evento em que os músicos se apresentam à noite, das janelas e sacadas de velhos casarões, enquanto o público assiste das ruas. Principais atrações turísticas: Museu do Diamante, Casa da Glória (com seu passadiço sobre a rua), Casa de Juscelino Kubitschek, Casa de Chica da Silva, Mercado Velho, Catedral Metropolitana, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja de Nossa Senhora do Bonfim dos Militares, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de São Francisco de Assis, Caminho dos Escravos, Gruta do Salitre, Sítio de Pinturas Rupestres, Cachoeira do Sentinela e Cachoeira dos Cristais.
  • 70.
  • 71.
  • 72. Passadiço da Casa da Glória
  • 73. Casa de Juscelino kubitschek
  • 74. Casa de Chica da Silva
  • 76. Igreja de Nossa Senhora do Bonfim dos Militares
  • 77. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
  • 81.
  • 82. São João del-Rei População: 84.404 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 1.463 Km2
  • 83. O antigo Arraial Novo do Rio das Mortes deu origem à cidade de São João del-Rei. Na região do atual centro da cidade, os primeiros sinais de ocupação do arraial remontam a 1704, quando o paulista Lourenço Costa descobre ouro no Ribeirão de São Francisco Xavier, ao norte da encosta da Serra do Lenheiro. Como outros arraiais mineradores, o povoado surge a partir de uma capela erguida, neste caso em devoção à Nossa Senhora do Pilar, ao redor da qual vão se fixando bandeirantes e aventureiros, que chegam à região atraídos pelo ouro. As casas de taipa são edificadas e, aos poucos, novas capelas e moradias vão formando outros aglomerados urbanos. Já próspera em 1713, a localidade é elevada a vila e recebe o nome de São João del-Rei em homenagem a Dom João V, rei de Portugal. Em 1714 é nomeada sede da Comarca do Rio das Mortes. Desde os tempos de sua formação, desenvolveu uma grande produção mercantil e de gêneros alimentícios, resultantes tanto da atividade agrícola, quanto da pecuária. Essa característica vai possibilitar o contínuo crescimento da localidade, que não sofre grandes perdas com o declínio da extração do ouro, verificado em toda a Capitania das Minas Gerais a partir de 1750. Nessa época a crise do sistema colonial agrava-se. A exploração do ouro entra em franca decadência e a Coroa Portuguesa continua a exigir pesados impostos da população. Essa situação leva padres, militares, estudantes, intelectuais e funcionários das principais vilas mineiras, como São João del-Rei, São José del-Rei (atual Tiradentes) e Vila Rica (atual Ouro Preto), a conspirar contra a metrópole, formando estas três localidades o núcleo da Inconfidência Mineira. Caso a independência de Minas Gerais tivesse sido alcançada, São João del-Rei seria a capital na nova república. Em 06 de março de 1838 a Vila de São João del-Rei torna-se cidade. Nessa época, possuía cerca de 1.600 casas, distribuídas em 24 ruas e 10 praças. Ainda no século XIX, contava com casa bancária, hospital, biblioteca, teatro, cemitério público construído fora do núcleo urbano, além de serviços de correio e iluminação pública a querosene. Desenvolve-se ainda mais com a inauguração em 1881 da primeira seção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, que ligava as cidades da região a outros importantes ramais da Estrada de Ferro Dom Pedro II. Em 1893 a instalação da Companhia Industrial São Joanense de Fiação e Tecelagem traz novo impulso à economia local, a tal ponto que a cidade é indicada para sediar a capital de Minas Gerais. Em junho do mesmo ano, o Congresso Mineiro Constituinte aprova, em primeira discussão, a mudança da capital para a região da Várzea do Marçal, subúrbio de São João del-Rei, mas, numa segunda discussão, o projeto inclui Barbacena e também a possibilidade da construção de Belo Horizonte em um planalto localizado no Vale do Rio das Velhas, onde existia o antigo Arraial do Curral del-Rei. Com a escolha de Belo Horizonte para capital de Minas Gerais, em dezembro de 1893, a importância econômica de São João del-Rei diminui gradativamente. Em 1943 seu acervo arquitetônico e artístico é tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Principais atrações turísticas: Complexo Ferroviário (museu, rotunda, oficinas, armazém, auditório e estação), Museu Regional, Memorial Tancredo Neves, Museu de Arte Sacra, Museu dos Ex-Combatentes da FEB, Museu do Estanho John Somers, Teatro Municipal, Casa de Bárbara Heliodora, Catedral de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de São Francisco de Assis, Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Gruta da Casa de Pedra e passeio de trem.
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  • 86. Igreja de Nossa Senhora do Rosário
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  • 89. Igreja de Nossa Senhora das Mercês
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  • 94. Tiradentes População: 7.002 habitantes (IBGE 2010) Tamanho do município: 83 Km2
  • 95. A cidade de Tiradentes originou-se do Arraial da Ponta do Morro, formado em inícios do século XVIII. Desde os últimos anos do século XVII, o paulista Tomé Portes del-Rei explorava o direito de passagem às margens do Rio das Mortes, num ponto conhecido como Porto Real da Passagem. Em 1702, João de Siqueira Ponte chega à região e, em companhia de Tomé Portes, descobre ouro nos córregos da redondeza. O local, denominado Ponta do Morro, logo se transforma em arraial com o afluxo crescente de garimpeiros. Pouco tempo depois, passa a se chamar Arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio, em louvor ao santo de devoção dos moradores que aí se reuniram e ergueram uma capela. Graças à abundância do ouro encontrado, o arraial desenvolve-se rapidamente, sendo elevado à categoria de vila em 1718, quando recebe a denominação de São José del-Rei, em homenagem ao então príncipe de Portugal, Dom José I. Nas primeiras décadas do século XVIII, foi construída a maior parte de seu casario e de suas edificações religiosas, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em 1708, e a Matriz de Santo Antônio, em 1710. Ao redor das igrejas e capelas, localizadas em pontos elevados da cidade, as casas foram se firmando numa configuração que permanece até hoje. A decadência da mineração, que já se manifestava em toda a Capitania das Minas Gerais desde 1750, só viria a ter reflexos no crescimento da vila no início do século XIX, quando as minas de ouro se esgotam. Em 1789, a denúncia do coronel Joaquim Silvério dos Reis coloca São José del-Rei entre as vilas mineiras envolvidas na Inconfidência Mineira. Entre os integrantes está o padre Carlos Correa de Toledo e Mello, vigário da então Freguesia de Santo Antônio, considerado um dos maiores propagadores do movimento. No século XIX, os moradores da Vila de São José del-Rei voltam-se para a agricultura e a pecuária, vendendo carne de porco, boi e carneiro para algumas localidades de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Em 1831 a participação da mão-de-obra feminina na economia local é expressiva, especialmente no ramo da fiação e tecelagem. São José del-Rei é elevada à categoria de cidade em 1860, mas pouco se modifica por falta de alternativas econômicas. Sua integridade patrimonial e paisagística assegura-lhe um dos perfis coloniais mais autênticos do Brasil. Em 1889 recebe nova denominação, passando a se chamar Tiradentes, em homenagem ao herói da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier. Dessa época em diante, a cidade experimenta certo ritmo de expansão comercial com a implementação do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Oeste de Minas e, mais tarde, do sistema rodoviário. A cidade foi tombada como Patrimônio Histórico Nacional em 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, resguardando-se não só seu conjunto arquitetônico como também áreas de seu entorno paisagístico, especialmente a imponente Serra de São José com agradáveis cachoeiras e vegetação remanescente da Mata Atlântica. Principais atrações turísticas: Museu Padre Toledo, Museu da Arte Sacra, Chafariz de São José, Largo das Forras, Igreja Matriz de Santo Antônio, Igreja de São Francisco de Paula, Santuário da Santíssima Trindade, Capela de Nossa Senhora do Rosário, Cachoeira do Mangue e passeio de trem.
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  • 97. Igreja Matriz de Santo Antônio
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  • 108. Panteão da Inconfidência Mineira Museu da Inconfidência (Ouro Preto)
  • 109. Música: Oh! Minas Gerais (Interpretação de Renato Teixeira) Formatação: Sylvio Bazote Maio de 2011