Arquitetura em Tempo Integral - O Ambiente Escolar e sua Relação com a Aprendizagem

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Monografia apresentada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista, orientada pelo Professor Wanderson Garcia.

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Arquitetura em Tempo Integral - O Ambiente Escolar e sua Relação com a Aprendizagem

  1. 1. CENTRO UNIVERSITÁRIO DO LESTE DE MINAS GERAIS UNILESTE-MG RAISSA FIGUEIREDO CARMO ARQUITETURA EM TEMPO INTEGRAL: O Ambiente Escolar e sua Relação com a Aprendizagem Coronel Fabriciano, Dezembro de 2014 Monografia apresentada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista, orientada pelo Professor Wanderson Garcia.
  2. 2. “Nós não projetamos edifícios primordialmente como objetos físicos, mas como as imagens e os sentimentos das pessoas. Por isso, o efeito da arquitetura nasce de imagens mais ou menos comuns e de sentimentos básicos associados ao construir” (NESBITT 2006, p.485)
  3. 3. Sumário 1 Introdução ............................................................................................................................................................ 6 2 Desenvolvimento............................................................................................................................................... 10 2.1 A Escola Ontem e Hoje ............................................................................................................................. 10 2.2 Espaço e Paisagem ................................................................................................................................... 16 2.3 A Relação entre o Ensino, a Escola e o Indivíduo .................................................................................. 19 2.4 Desafios Contemporâneos no Brasil: Projeto Educação em Tempo Integral- PROETI ...................... 21 2.5 Caracterização da Escola Estadual “Leôncio de Araújo” ....................................................................... 25 3 Proposta TCC2.................................................................................................................................................. 27 3.2 Intenções de Projeto .................................................................................................................................. 30 3.3 Obras Análogas ......................................................................................................................................... 31 3.3.1 Museu Hergé ....................................................................................................................................... 31 3.3.2 Fuji Kindergarten ................................................................................................................................. 32 3.4 Programa de Necessidades ...................................................................................................................... 33 4 Conclusão ...................................................................................................................................................... 34 5 Referências Bibliográficas ................................................................................................................................ 36 6 Apêndices .......................................................................................................................................................... 38 6.1 Seminário TCC1 ......................................................................................................................................... 38 7 Anexos ............................................................................................................................................................... 39 7.1 ...................................................................................................................................................................... 39 7.2 Anexo 2 ....................................................................................................................................................... 40
  4. 4. RESUMO O presente trabalho tem como foco a relação do espaço arquitetônico escolar com a criança, buscando entender que benefícios uma boa arquitetura pode gerar nestes alunos de forma a valorizar sua identidade e despertar o senso crítico em perceber o contexto em que eles estão inseridos, começando na escola e se dissipando para toda a comunidade. O tema arquitetura aparece neste trabalho com a principal função de adequar os espaços disponíveis de uma escola de modo a tornar o ambiente escolar mais dinâmico, enquanto espaço social, colaborando para a formação do aluno. Visa também criar uma relação mútua de aprendizado entre aluno e professor, tendo a escola como a principal interface desta relação. Diante disso, propõe-se desenvolver uma readequação do espaço da Escola Estadual "Leôncio de Araújo", localizada no Bairro João XXIII, em Timóteo. Considerando as práticas de ensino contemporâneas, percebe-se que a estrutura arquitetônica escolar do espaço em questão não tem acompanhado esta evolução, inviabilizando sua utilização de forma adequada, favorecendo inclusive, o desinteresse por parte do alunos em desenvolver as atividades propostas.
  5. 5. 6 1 Introdução Toda criança é dotada de criatividade, improviso e fantasias. Elas vivem em um mundo lúdico, onde o espaço, com seus diferentes materiais e cores são evidentes em termo de sensações, o que abre infinitas possibilidades para que a efetiva aprendizagem aconteça. Assim, acredita-se que um ambiente escolar, muitas vezes com insuficiência de espaço para o desenvolvimento das atividades pertinentes à aula, ou mesmo, inflexível à adaptação de novos usos, podem levar a criança a uma limitação de sua criatividade, acabando por drenar o potencial existente nos métodos educacionais. A escolha do local se dá a partir da observação da Escola Estadual "Leôncio de Araújo" em Timóteo, MG, que oferece o Projeto "Educação em Tempo Integral" para grande parte do alunos. Apesar da escola possuir uma extensa área territorial, pouco espaço é destinado às atividades que fazem parte do Projeto, acabando por limitar, também, o potencial de aprendizagem das atividades. O presente trabalho busca compreender como a arquitetura pode trazer contribuições a este cenário educacional, considerando as novas problemáticas observadas na referida escola. “Deixada de lado pela maioria dos debates sobre a qualidade de ensino no Brasil, a arquitetura escolar tenta há anos ser reconhecida pelo papel que desempenha no aprendizado dos alunos”, afirma a arquiteta Doris Kowaltowski.
  6. 6. 7 No século XIX, a funcionalidade era a principal característica das construções arquitetônicas. Este aspecto, refletido na arquitetura escolar trouxe consigo séculos de tradição, conceitos, metodologias e questões espaciais condizentes com o período industrial – professor na frente dos alunos e carteiras enfileiradas; escola fechada por grades ou muros, sinais sonoros de fábricas, etc. - onde, naquele período, era a maneira encontrada para ensinar e transmitir o conhecimento nas escolas convencionais. A espacialidade da escola, típica do século XIX, se resumia basicamente na estrutura: um pátio e salas de aulas em volta deste. Meninos e meninas não dividiam o mesmo espaço, ficando em ambientes separados. Com o passar do tempo, os novos educadores vêm buscando cada vez mais refletir sobre uma nova visão do espaço escolar, uma nova visão de sociedade, sendo a escola um espaço de interações sociais e coletivas, onde o aluno possa se expressar. Lívia Branquinho em seu artigo “A prática pedagógica da educação atual” diz que, "a escola contemporânea sofre com o desenvolvimento acelerado que ocorre a sua volta, onde as informações são atualizadas em frações de segundos, ocasionando de certa forma, o desgaste e o comprometimento das ações voltadas para o aprimoramento do ensino, fazendo com que a sala de aula se torne um ambiente de pouca relevância para a consolidação do conhecimento, tornando a vivência social o requisito primordial para a busca de aprendizado."
  7. 7. 8 Diante disso, pretende-se abordar o seguinte tema: Arquitetura em Tempo Integral: A relação da criança com o ambiente escolar. Refletir e discutir sobre o espaço escolar enquanto local destinado a atender à demanda do Projeto "Educação em Tempo Integral" - programa desenvolvido pelo Governo Federal, que tem como foco a permanência dos alunos na escola durante o período matutino e vespertino para desenvolver as competências do ensino regular e também ampliar as habilidades sociais e culturais. Segundo Maria João Malho (p.49) em seu artigo A criança e a cidade: Independência de mobilidade e representações sobre o espaço urbano: "É através das experiências vivenciadas que a criança seleciona, modifica e cria percepções e representações sobre o que a rodeia. A imagem da cidade, a imagem ambiental, essencial para a possibilidade de vida, permitindo desenvolver a memória topográfica e, consequentemente, a mobilidade intencional, é a resultante da vivência de cada pessoa, da sua envolvência na vida urbana e na participação." Portanto, utilizar de tipologias arquitetônicas que transformem o espaço em que a criança passa grande parte da vida em um lugar agradável de viver e conviver, favorecedor a formação humana e intelectual, poderá desenvolver na criança o sentimento de pertencimento do espaço, e as convença a ficar simplesmente pelo desejo de querer estar. A partir da realização das observações e considerando as práticas de ensino contemporâneas, em que as metodologias aplicadas na escola buscam ampliar os horizontes intelectuais dos alunos acredita-se que a estrutura arquitetônica escolar possibilite acompanhar esta evolução, utilizando de forma adequada e bem distribuída o espaço existente.
  8. 8. 9 Propõe-se, então, elaborar um projeto arquitetônico de readequação da E. E. "Leôncio de Araújo", com foco no Projeto de Educação em Tempo Integral, com o objetivo de despertar na criança a percepção do espaço escolar, estimulando sua sensibilidade e senso crítico, bem como adequar a estrutura arquitetônica às metodologias de ensino atualmente aplicadas na escola como forma de entender a influência do espaço escolar nas manifestações da criança enquanto ser lúdico, sem vícios, e disposto a receber todo tipo de informação; viabilizar espaços não pré-determinados para que a criança exercite sua criatividade sentindo-se a todo tempo estimulada a propor novos usos ao local e estimular a criança a obter o senso crítico através da observação e interação com o ambiente arquitetônico escolar.
  9. 9. 10 2 Desenvolvimento 2.1 A Escola Ontem e Hoje Os primeiros indícios da arquitetura escolar no Brasil vieram com a Companhia de Jesus. O período da permanência dos jesuítas no Brasil, que vai de 1549 a 1749, foi o de implementação dos estudos e a fundação dos primeiros colégios. A primeira escola oficial no país foi fundada em 1550, o Colégio dos Meninos de Jesus, que deveria acompanhar os modelos educacionais de Lisboa, através do ensino da religião católica para os nativos (NASCIMENTO et al, 7). Fonte: http://www5.estadao.com.br/450/historia8.htm(20/10/2014)
  10. 10. 11 Após a primeira missa no Brasil, em 1554, foi criado pelo padre Manuel da Nóbrega juntamente com o então noviço José de Anchieta em São Paulo, o Pátio do Colégio que marcou a fundação do estado, e, inicialmente, consistia em um acampamento para os jesuítas e missionários com o intuito de catequização dos indígenas. Depois se tornou um colégio destinado a estudos, priorizando assim a atividade de ensino. (CARVALHO, 2009) Nesse período, "(...) a Igreja Católica não só assumia a hegemonia na sociedade civil, como penetrava de certa forma, na própria sociedade política através dessa arma pacífica, que era a educação" (FREITAG, 1986:41). Fonte: Pátio do Colégio, em ilustração de 1824 (Fonte: FERRAZ, 2009)
  11. 11. 12 As escolas que antecederam o período de desenvolvimento industrial, tinham a representação das elites dominantes como característica arquitetônica. Segundo Lima (1995:78), a escala, os volumes, os materiais, tudo concorria para identificar a escola com a cultura das elites. A arquitetura escolar visava atender às necessidades do programa vigente da época, que baseava-se na existência de um pátio central com a separação de alas para meninos e meninas e recintos administrativos. As fachadas eram simétricas, subdivididas em três corpos, demarcados pela diferenciação do número de pavimentos ou avanço ou recuo dos corpos laterais em relação ao central (AZEVEDO, 1995). A evolução histórica da arquitetura escolar acompanhou também todo o processo de industrialização, com o objetivo de atender às demandas e transformações da sociedade e da economia em um período que se exigia a implementação de novos equipamentos de ordem social, já que a funcionalidade era a principal característica das construções arquitetônicas da época. O período da industrialização trouxe vilas operárias para as cidades que sentiam então, a necessidade da construção de escolas. O estilo eclético predominava na arquitetura destas escolas, “(...) mantendo-se o clássico embasamento e os frontões, embora estes últimos simplificados pelo estilo noveau”. Os gradis e cúpulas de metal denunciam o início da "industrialização das construções" (DRAGO&PARAIZO, 1999). “(...) em determinado momento, políticos e educadores passaram a considerar indispensável a existência de casas escolares para a educação de crianças, isto é, passaram a advogar a necessidade de espaços edificados expressamente para o serviço escolar. Esse momento coincide com as décadas finais do século XIX e com os projetos republicanos de difusão da educação popular.” (SOUZA, 1998:122)
  12. 12. 13 É neste período que a arquitetura escolar adquire um caráter nacionalista, rompendo com as tradições arquitetônicas dos prédios escolares até então vigentes, valorizando a escola. Assim, os prédios escolares assumem o estilo neocolonial, "embora com tinturas hispânicas, sob a forma de missões- neocolonial" (SISSON, 1990:72), buscando uma identidade nacional que valorizasse as características e possibilidades do país. Para Souza (1998:123): A partir da instauração da República, ocorrida no final do século XIX no Brasil, que ainda não possuía uma política educacional pública bem estruturada, a escola passa a assumir a função de disseminar o progresso nacional, representando a possibilidade de transformação do indivíduo comum. "Do ponto de vista do urbanismo modernista, onde a combinação da técnica e da estética produz a função, a cidade desempenha as funções habitar, recriar, circular e trabalhar. A partir do fundamento de que o urbanismo se fundamenta no ar puro, no sol e na vegetação, a mais importante função é a da habitação. E em sua extensão, quanto à função de recriar ou da reprodução, que é de cultivar o corpo e o espírito, estão o jardim-de-infância e a escola primária que não deverão estar separadas e muito distantes da habitação por ruas de intenso tráfego" (RODRIGUES, 1997:90) "(...) o edifício escolar torna-se portador de uma identificação arquitetônica que o diferenciava dos demais edifícios públicos e civis ao mesmo tempo em que o identificava como um espaço próprio - lugar específico para as atividades de ensino e do trabalho docente. (...) O espaço passa a exercer uma ação educativa dentro e fora de seus contornos."
  13. 13. 14 Logo depois, a escola é marcada por uma fase de transformações pedagógicas no ensino quando a "escola nacionalista" adquire uma característica "(...) mais moderna, mais científica e progressiva, preocupada com uma abordagem mais realista do Brasil" (DRAGO & PARAIZO, 1999). A partir das décadas de 40 e 50 a escola começa a evidenciar as características da arquitetura modernista, com espaços apropriados para dar suporte às novas metodologias de educação, diferente daquela do século passado. A criança passa então a ser considerada um ser com formação própria e a escola passa a ter uma maior liberdade, permitindo novos arranjos de layout, refletindo assim, uma nova visão social, na qual a experiência de atividade coletiva vai auxiliar na formação do cidadão. Segundo Lima (1995:142): Foi a partir deste período que as tipologias arquitetônicas escolares começaram a adquirir novas possibilidades, onde a integração do indivíduo com o espaço se tornava mais evidente e prazerosa. Desde a escolha do local, até sua implantação e sua utilização a comunidade passa a criar um vínculo com aquele espaço, pois participa da evolução da elaboração e execução do projeto. "As escolas deixam de ser o lugar prisão e tendem a ser, crescentemente, um lugar de socialização, até perder a exclusividade como equipamento destinado à educação das crianças e se transformar no local de encontro da comunidade."
  14. 14. 15 Contudo, mesmo com estas novas possibilidades, ainda no século XXI as escolas públicas que possuem as características arquitetônicas baseadas nas escolas do início do século XX encontram dificuldades para adotar espaços diferenciados para executar as atividades pertinentes às aulas. Na maioria dos casos elas se constituem de pátios, salas de aula enfileiradas e o clássico sinal de fábrica para avisar o horário do recreio. Em meio a este contexto histórico da relação ensino-arquitetura, percebe-se que os espaços destinados às práticas educacionais acabavam por interpretar estes locais próprios do aprender para não muito além de um abrigo contra as intempéries, onde aí poderão ser desempenhadas as atividades educacionais, de conteúdo didático. Mesmo quando há algum refinamento maior nas características arquitetônicas percebe-se não avançar muito além de preocupações estilísticas, cuja distribuição dos espaços não parece interpretar a criança como o real protagonista, levando em consideração suas verdadeiras premissas, vinculadas ao processo de se aprender enquanto ser infantil, quando a vivência lúdica diária não deveria estar desvinculada do processo de aprendizagem. Desta forma, como se pensar em um espaço arquitetônico capaz de levar em consideração o aprendizado enquanto cotidiano, enquanto processo de aprendizagem vivencial, da experimentação, da experiência, da ação, como condições próprias da infância?
  15. 15. 16 2.2 Espaço e Paisagem A escola possui papel fundamental na construção da identidade de uma criança. E essa identidade só é adquirida quando ela se sente incluída naquele espaço, ou seja, quando a criança cria a sensação de pertencimento por determinado lugar. A representatividade que este espaço vai proporcionar à cada indivíduo está ligada, portanto, a construção de uma intimidade com o meio, uma afetividade que acredita-se estar vinculada a uma vivência intensa do lugar, em harmonia às condições do ser infantil. Neste sentido, o conceito de paisagem se revela como uma importante forma de se ampliar o entendimento desta problemática aqui estudada. Termo, que a arquitetura acompanha bem de perto, possuindo um significado abrangente e complexo, que acredita-se poder trazer contribuições a este estudo. No senso comum, paisagem se refere à percepção visual da distância, na qual o observador se sente fora do "objeto" contemplado, não o associando a outros fatores (SANDEVILLE JR., 2004). De acordo com Metzger, 2002, p.2: "Em todos os casos, há sempre uma noção de amplitude, de distanciamento. A paisagem nunca está no primeiro plano, pois ela é o que se vê de longe, de um ponto alto. Sempre precisamos nos distanciar para observá-la e, de certa forma, a paisagem é o lugar onde não estamos (pois observamos), podendo até ser um 'pano de fundo'". Tal qual o Dicionário Aurélio (FERREIRA s/d), principal fonte de significações do senso comum apresenta: paisagem é um "espaço de terreno que se abrange num lance de vista; pintura, gravura, desenho que representa uma paisagem natural ou urbana".
  16. 16. 17 Neste sentido, além de reconhecer a paisagem apenas como um 'pano de fundo', é interessante que também se possa reconhecer o conceito de paisagem como a formação de um novo olhar, bastando apreciá-la, percorrê-la e vivenciá-la. Ou seja, mais do que um espaço observado, a paisagem trata-se do espaço vivenciado pelo indivíduo, da relação de sensibilidade das pessoas com o seu entorno. Por essa razão, o entendimento da paisagem como espaço tende a estar muito mais relacionado com o indivíduo, sendo a paisagem uma consequência à estas ações provocadas a todo instante pelas diferentes formas de percepção e experimentação sensorial de cada um. Desta maneira, Simon Schama (1996) observa que a natureza não se designa, a si mesma, como tal, são os humanos que o fazem. Sendo que "Assim, uma árvore não se chama de árvore, nós o fazemos. Sem designação é um objeto ou coisa da natureza, como uma sala numa escola: caso desapareçam os humanos, deixará de ser sala para ser apenas um objeto físico. A designação da árvore como árvore e da sala como sala é cultura" (SANDEVILLE JR., 2004). "A paisagem, portanto, deve ser considerada como objeto de apropriação estética, sensorial. Consequentemente, não se pode negar que ela tenha uma natureza objetiva, que seja um objeto. É, sem dúvida, uma forma, mas não se define por esse caminho. É material, real, que se dá à percepção. Porém, considerá-la antes de mais nada como objeto (portanto um dado, a priori) é ainda permanecer num horizonte restrito, que não seria suficiente para dar conta de todas as dimensões do fenômeno. A coisa percebida e sua representação (conceitual, visual, verbal etc.) existem simultaneamente e simbioticamente." (MENEZES, 2002, p.32)
  17. 17. 18 Diante disso, abordar a paisagem como elemento essencial do cotidiano do ser humano leva o indivíduo a estar mais perto de entender e reconhecer o ambiente e o espaço que o cerca. Este reconhecimento espacial tem-se início nos primeiros anos escolares, onde a escola, sendo mais do que um espaço de ensino, é talvez o elemento primordial da paisagem de uma criança, por exercer um papel fundamental na construção da educação do ser humano, contribuindo assim, para a formação da identidade de um ser cidadão que se reconhece em sociedade.
  18. 18. 19 2.3 A Relação entre o Ensino, a Escola e o Indivíduo As relações que cada indivíduo adquire com o espaço em que está inserido se referem não apenas ao lugar em si, mas principalmente à suas experiências neste espaço, se aproximando da ideia de paisagem, termo tão precioso a esta abordagem. O grande desafio deste trabalho, assim, está em perceber como se dá a relação da criança com o espaço arquitetônico e que benefícios uma boa arquitetura pode gerar nestes alunos de forma a valorizar sua identidade e despertar o senso crítico em perceber o contexto em que estão inseridos, começando na escola e se dissipando para toda a comunidade. Indivíduos de faixas etárias diferentes e realidades diversas estão presentes em qualquer sociedade. Isso, consequentemente, é um gerador de conflitos ao passo que cada ser tem seus próprios interesses e desejos. Na escola este fator agrega uma potência muito maior, pois cada sala de aula acomoda em um mesmo espaço professores e alunos de diferentes culturas e saberes. Cada edifício ou obra relaciona-se com o usuário de uma maneira diferente, e essa relação é única partindo-se do princípio de que cada pessoa vai se sentir bem ou mal em certo espaço dependendo das experiências de vida que a foram proporcionadas.
  19. 19. 20 Segundo NESBITT: “A arquitetura é uma expressão direta da existência, da presença humana no mundo. É uma expressão direta no sentido de que se baseia em grande parte numa linguagem do corpo da qual nem o criador da obra nem a pessoa que a vivencia estão conscientes.” (NESBITT 2006, p.487). A arquitetura possui o poder de expressar a idealização de todo ser humano, pois nela é possível evidenciar seus desejos e vontades, despertando a capacidade de todo indivíduo em ampliar suas experiências, diversificando-as. “A experiência mais vasta e possivelmente mais importante que se pode ter da arquitetura é a sensação de estar em um lugar único [...] A qualidade da arquitetura não reside na sensação de realidade que expressa, mas, ao contrário, em sua capacidade de despertar nossa imaginação.” (NESBITT 2006, p.488). Sendo assim percebe-se que o real valor da arquitetura transcende qualquer jogo de volumes. Não são as formas que devem ditar os sentimentos das pessoas, mas os sentimentos devem compor as formas, para uma real experiência com significados. A arquitetura além de marcar a transição humana no mundo, deve propiciar que esta passagem seja agradável por meios de experiências sensíveis ao lugar, um lugar único, capaz de despertar sentimentos, emoções e significados, na busca de uma construção saudável e refinada do indivíduo enquanto parte de um todo social, a sociedade.
  20. 20. 21 2.4 Desafios Contemporâneos no Brasil: Projeto Educação em Tempo Integral- PROETI Em uma escola onde se encontram diversos tipos de pessoas, com histórias, memórias e desejos diferentes, propiciar experiências sensíveis com o espaço escolar de maneira agradável por meios de artifícios arquitetônicos se torna um grande desafio, pois o sentimento de cada ser envolvido possui grande influência para o êxito do projeto. Fonte: arquivo disponibilizado pela E. E. Leôncio de Araújo. Assim sendo, hoje, no Brasil, para suprir a necessidade de complementação da educação básica dos alunos do Ensino Fundamental, foi criado pelo Governo Federal, o projeto Educação em Tempo Integral. Trata-se da construção de uma ação entre as políticas públicas educacionais e sociais, contribuindo, desse modo, tanto para a diminuição das desigualdades educacionais, quanto para a valorização da diversidade cultural brasileira. "Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido." Rubem Alves Recreação e Aulas de Dança realizadas no Pátio da E. E. Leôncio de Araújo pelo Professor Alan junto com os alunos do Tempo Integral.
  21. 21. 22 Fonte: arquivo disponibilizado pela E. E. Leôncio de Araújo. Essa estratégia promove a ampliação de tempos, espaços, oportunidades educativas e o compartilhamento da tarefa de educar entre os profissionais da educação e de outras áreas, as famílias e os diferentes atores sociais, sob a coordenação da escola e dos professores. Isso porque a Educação Integral, associada ao processo de escolarização, pressupõe a aprendizagem conectada à vida e ao universo de interesses e de possibilidades em que se reconhecem as múltiplas dimensões do ser humano e a peculiaridade do desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens. 1. Apresentação de Teatro (E. E. Leôncio de Araújo); 2. Aula de Capoeira (Pirilampo); 3. Cantinho da Leitura (Pirilampo); 4. Ginástica Rítmica (Pirilampo); 5. Aula de Flauta Doce (Pirilampo); 6. Aula de Violão (Pirilampo); 7. Apresentação Roda de Capoeira (Pirilampo); 8. Projeto Aula de Trânsito (Pirilampo) 1 2 3 4 5 6 7 8
  22. 22. 23 De acordo com o Manual da Educação Integral (ver anexo 1), os princípios da Educação Integral são traduzidos pela compreensão do direito de aprender como inerente ao direito à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade e à convivência familiar e comunitária, e como condição para o próprio desenvolvimento de uma sociedade republicana e democrática. A Educação Integral está presente na legislação educacional brasileira e pode ser apreendida na Constituição Federal, nos artigos 205, 206 e 227; no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 9089/1990); na Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9394/1996), nos artigos 34 e 87; no Plano Nacional de Educação (Lei nº 10.179/01) e no Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico e de Valorização do Magistério (Lei nº 11.494/2007). Considera-se “educação básica em tempo integral a jornada escolar com duração igual ou superior a sete horas diárias, durante todo o período letivo, compreendendo o tempo total que um mesmo estudante permanece na escola ou em atividades escolares” (art. 4º do Decreto nº 6.253/07- Presidência da República). A Educação Integral também prevê que a formação do estudante seja feita, além da escola, com a participação da família e da comunidade. Este projeto consiste na oferta de atividades que auxiliem o aluno, no contra turno, com reforço escolar (leitura, escrita e interpretação); roda de leitura; cultura e arte (coral/banda-fanfarra/flauta doce/percussão/pintura/grafite/hip-hop/teatro/capoeira/dança/práticas circense, etc); informática e tecnologia da informação; jornal escolar; esporte e lazer (futebol/handbol/voleibol/judô/xadrez/tênis-de- mesa/ ginástica rítmica/recreação, etc); educação ambiental (horta escolar); complementando assim, o
  23. 23. 24 conhecimento cultural e social do aluno, além de evitar que estes fiquem ociosos correndo riscos, diante da vulnerabilidade social existente. Uma abordagem espacial que exige da arquitetura uma abrangência mais sensível a urgência do ensino contemporâneo no Brasil, que aspira por uma abordagem arquitetônica mais polivalente e dinâmica, se comparada a estrutura física das escolas tradicionais. Portanto, faz-se necessário adequar/ampliar os espaços da Escola Estadual Leôncio de Araújo a fim de que não seja mais necessário que as crianças se desloquem para outros espaços da vizinhança da escola, como o Instituto Virgínia Petit - Pirilampo; Projeto Ajudôu; sede da Associação São Vicente de Paula; para realizar as atividades inerentes à Educação em Tempo Integral (judô, capoeira, aulas de música, teatro, ginástica rítmica, dança, oficinas de pintura, artesanato entre outros). Mapa de Fluxo do Deslocamento dos Alunos para Realização das Atividades do PROETI E. E. "Leôncio de Araújo" Pirilampo Projeto Ajudôu Associação São Vicente de Paula Delimitação do Bairro João XXIII LEGENDA:
  24. 24. 25 2.5 Caracterização da Escola Estadual “Leôncio de Araújo” A Escola Estadual Leôncio de Araújo, hoje atende aos alunos do Ensino Fundamental e está situada à Rua Carmen Cotta, nº 86, Bairro João XXIII – Timóteo; de localização urbana e sob a direção de France- Jane Araújo Pereira. Trata-se de uma escola da Rede Pública Estadual. No que diz respeito ao aspecto físico, a escola se constitui de um prédio de três pavimentos, com dez salas de aula, em boas condições de uso (ver anexo 2). A escola é de Nível Fundamental de 9 anos, funcionando no turno matutino atendendo aos alunos do 6º ao 9º ano de escolaridade, e no turno vespertino atendendo aos alunos do 1º ao 5º ano de escolaridade. A clientela atendida pela escola é, na sua maioria, composta de alunos carentes, na faixa etária de 6 a 15 anos, procedentes do próprio bairro em que a escola está inserida e também de outros bairros da cidade. É uma escola inclusiva atendendo a vários alunos com Necessidades Educativas Especiais frequentando salas regulares. São 509 alunos distribuídos nos 2 turnos (Matutino e Vespertino), sendo que destes, 270 alunos participam do Projeto Escola em Tempo Integral. A escola possui além das salas de aula, outros espaços educativos como: biblioteca, laboratório de informática, quadra poliesportiva descoberta, cantina e refeitório. A escola utiliza os pequenos ambientes de circulação para recreação, pois, não possui espaço adequado para a realizá-las.
  25. 25. 26 1. Hall de Entrada; 2. Pátio da Escola; 3. Pátio da Escola; 4. Refeitório; 5. Bicicletário; 6. Acesso à Sala de Recursos e Biblioteca; 7. Escada de Acesso à Quadra. 1 2 3 4 5 6 7 Fonte: fotografias tiradas pela autora do trabalho.
  26. 26. 27 3 Proposta TCC2 A Escola Estadual Leôncio de Araújo, está situada à Rua Carmen Cotta, nº 86, Bairro João XXIII na cidade de Timóteo/ MG. De localização urbana no subúrbio da cidade, sendo bairro predominantemente residencial. A escola atende alunos de classe média-baixa, que muitas vezes se encontram em situações de vulnerabilidade social, por diversos fatores, que incluem: pais que trabalham fora durante todo o dia, famílias envolvidas com álcool e drogas, violência doméstica, pais em regime de cárcere, desajuste familiar constante (separação conjugal, irmãos de pais diferentes gerando instabilidade emocional). Brasil – Minas Gerais – Timóteo
  27. 27. 28 Assim, a família encontra na E. E. Leôncio de Araújo (Escola em Tempo Integral) a oportunidade de incentivar as crianças a ocuparem o tempo, no contra turno às aulas que compõem a estrutura curricular escolar obrigatória, com atividades lúdicas que possam desenvolver suas habilidades, contribuindo para o crescimento pessoal de cada aluno. Apesar da escola possuir uma extensa área territorial, a área construída atende apenas às atividades do currículo regular e não há espaço propício a ser destinado às atividades que fazem parte do Projeto de Tempo Integral, como salas adequadas às oficinas diferenciadas e atividades lúdicas, levando as crianças a ficarem limitadas frente ao potencial possível de ser oferecido a eles, acabando por favorecer o desinteresse por parte dos alunos em desenvolver as atividades propostas. A partir da realização das observações e considerando as práticas de ensino contemporâneas, em que as metodologias aplicadas na escola buscam inovar propondo atividades que envolvam a criança, percebe- se que a estrutura arquitetônica escolar precisa acompanhar esta evolução, utilizando de forma adequada e bem distribuída o espaço existente. Uma abordagem sensível às experiências humanas, mas que, enquanto arquitetura, possui grande parcela de soluções técnicas capazes de convergir tais intenções em meio viável, executável. Condição que se aproxima das sugestões do Arquiteto e Urbanista Lúcio Costa, em 1940, (ano e página da fonte a ser citada nas referencias bibliográficas): "Arquitetura é, antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção. E nesse processo fundamental de ordenar e
  28. 28. 29 expressar-se ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem final de opção entre os limites - máximo e mínimo - determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo programa, - cabendo então ao sentimento individual do arquiteto, no que ele tem de artista, portanto, escolher na escala dos valores contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada." Entende-se então, que a arquitetura possui grande contribuição para abrir o olhar do indivíduo, fazendo com que este experimente o espaço de diversas maneiras até que ele próprio se descubra ao desvendar o espaço em que habita, e que o arquiteto, como disse Lúcio Costa, precisa entender e compreender as relações de uso e apropriação de determinado espaço para propor da maneira mais adequada, um ambiente único. A criança está propícia a esta experimentação do espaço, pois seu lado sensível e receptivo está alerta a todo tempo. Este fator promove a oportunidade de contribuir para que a criança abra seu foco de visão para o mundo e suas alternativas de apropriação do meio, cabendo à arquitetura contemplar um amplo espectro de possibilidades, que envolve um determinado espaço e situação, assim como um povo, uma cultura. Diante disso, propõe-se desenvolver uma readequação do espaço da Escola Estadual "Leôncio de Araújo" de forma a proporcionar ambientes favoráveis à realização das atividades propostas para a Educação em Tempo Integral – PROETI, garantindo maior eficácia na absorção dos conhecimentos, além de despertar na criança sua criatividade e senso crítico, aguçar ainda mais sua sensibilidade através da percepção arquitetônica do espaço começando no ambiente escolar e se dissipando para a comunidade.
  29. 29. 30 3.2 Intenções de Projeto  Propor que o acesso à escola seja convidativo, estabelecendo um diálogo mais direto com a comunidade;  Valorizar a natureza que envolve a escola e a vizinhança;  Utilizar do espaço escolar como meio de aproximação entre alunos, pais e funcionários da escola (um ambiente familiar);  Estimular os alunos a identificarem a importância da arquitetura em todos os ambientes em que se vive, tendo como referência a arquitetura escolar.
  30. 30. 31 3.3 Obras Análogas 3.3.1 Museu Hergé O projeto do Museu Hergé, de Christian Potzamparc, se localiza na Bélgica, e foi criado com características baseadas nas Aventuras de Tintin, um dos personagens mais famosos das Revistas em Quadrinhos de Hergé. Este projeto traz conceitos essenciais para o trabalho em questão, devido ao fato de apresentar uma volumetria no interior do edifício que desperta a curiosidade e a experimentação do corpo no espaço. A passarela que funciona como acesso aos pavimentos do Museu se comunica de forma lúdica e sutil pelos volumes do edifício. A arquitetura é inovadora a ponto de se apropriar da paisagem e da iluminação natural para propor artifícios arquitetônicos que envolvam o usuário. Assim como tratado neste trabalho, a criança, em seu ambiente escolar está disposta à experimentação do espaço, e a arquitetura possui grande influência neste processo quando tratada de maneira que crie uma relação com as percepções sensoriais do indivíduo. Nesta obra, o arquiteto se apropria de elementos que remetem às HQ’s de forma sutil e não literal, a ponto de cada indivíduo viver suas próprias aventuras ao recordar de memórias trazidas pelas lembranças das cores e formas das aventuras de Tintin. Deste modo, cada indivíduo utiliza da sua maneira a arquitetura como experimentação do espaço e da paisagem que o rodeia.
  31. 31. 32 3.3.2 Fuji Kindergarten Fuji Kindergarten é um jardim de infância localizado em Tokyo, no Japão. Seu interior compreende um espaço integrado dividido apenas com mobiliário ajustável às mudanças de atividades pedagógicas. Algumas características deste projeto servem de referência para o trabalho em questão pois os ambientes estão segmentados por um mobiliário passível de ser rearranjado pelos próprios alunos, diversificando o layout das salas, possibilitando autonomia de movimento e a experimentação do espaço pelos estudantes. Além disso, as salas mais abertas integram os ambientes com a natureza e utilizam ao máximo da iluminação natural, que é uma das intenções de projeto deste trabalho. Desta forma, a natureza auxilia as aulas de forma lúdica, estimulando os sentidos visuais, táteis e sinestésicos do aluno, contribuindo para a sua percepção do ambiente em que está inserindo e estimulando-o ao uso da criatividade para o aprendizado escolar.
  32. 32. 33 3.4 Programa de Necessidades 1 Secretaria 1 Sala da Diretoria 1 Sala de Professores 1 Sala da Secretária 1 Almoxarifado para a Secretaria 1 Sala de Recepção para pais de Alunos 2 Banheiros para Funcionários 1 Refeitório 1 Pátio 10 Salas de Aula para o Ensino Regular 1 Sala de Informática 1 Biblioteca 1 Brinquedoteca 1 Sala de Recursos para atendimento dos Alunos com Necessidades Especiais 1 Almoxarifado para Brinquedos e Jogos do PROETI 4 Banheiros de Alunos 1 Quadra Poliesportiva 2 Vestiários (masculino e feminino) 5 Salas de Aula para Atividades do PROETI 1 Horta Comunitária 1 Cozinha e 1 Despensa
  33. 33. 34 4 Conclusão Diante do exposto percebe-se que em análise da contextualização histórica a arquitetura escolar não acompanhou a evolução do processo de atualização das novas propostas de ensino em escolas públicas. Isso se deve, talvez, à falta de reconhecimento de que a arquitetura pode vir a contribuir na formação humana e na aprendizagem dos alunos. Neste sentido, para se compreender a arquitetura, antes de mais nada é preciso compreender o espaço em que se está inserido, e este termo denomina-se Paisagem, referindo-se não apenas ao lugar em si, mas principalmente às experiências e às relações que cada indivíduo adquire durante sua trajetória de vida. Este reconhecimento espacial pode ser apropriado desde os primeiros anos escolares, em que a escola, sendo mais do que um espaço de ensino, é talvez o elemento primordial da paisagem de uma criança, por exercer um papel fundamental na formação do ser humano, contribuindo assim, para a construção da identidade de um ser cidadão. Deste modo, a arquitetura além de marcar a transição humana no mundo, deve propiciar que esta passagem seja agradável por meios de experiências sensíveis ao lugar, um lugar único, capaz de despertar sentimentos, emoções e significados, na busca de uma construção saudável e refinada do indivíduo enquanto parte de um todo social, a sociedade.
  34. 34. 35 Assim, o grande desafio deste trabalho, está em reconhecer os benefícios que a arquitetura pode gerar na relação da criança com o espaço escolar de forma a valorizar sua identidade e despertar o senso crítico e perceber o contexto em que estão inseridos, começando na escola e se dissipando para toda a comunidade. Paralelo à isso, com a implementação Projeto Educação em Tempo Integral, que visa promover a ampliação de tempos, espaços, oportunidades educativas e o compartilhamento da tarefa de educar entre os profissionais da educação e de outras áreas, as famílias e os diferentes atores sociais, sob a coordenação da escola e dos professores, a proposta da Arquitetura em Tempo Integral vem de encontro com a intenção de readequar a estrutura da E. E. Leôncio de Araújo a fim de promover ambientes onde os alunos possam experimentar o espaço, proporcionando maior envolvimento durante a participação das atividades do PROETI. Assim sendo, as questões aqui estabelecidas tem a intenção de melhoria da qualidade do espaço ofertado aos alunos, no que tange à Educação em Tempo Integral, visto que no momento a escola não os oferece, necessitando os alunos de se deslocarem para a vizinhança na busca de mais condições de espaço.
  35. 35. 36 5 Referências Bibliográficas CARVALHO, Marta M.C. A Escola e a República. São Paulo: Brasiliense, 1989. NASCIMENTO, Maria Isabel; LOMBARDI, José Claudinei; SAVIANI, Dermevale Moura (orgs.). A escola pública no Brasil: história e historiografia. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR, 2005. SOUZA, R. F. de. Templos de civilização: a implantação da escola primária graduada no Estado de São Paulo (1890-1910). São Paulo: Editora da UNESP, 1998. RODRIGUES, Sul Brasil Pinto. O Prédio Escolar como Expressão de Projeto Educacional na Cidade do Rio de Janeiro (1930-1990). Tese de Doutorado. Faculdade de Educação/UFRJ, Rio de Janeiro, 1997. BRANQUINHO, Lívia. A Prática Pedagógica da Educação Atual. Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.com/pedagogia/a-pratica-pedagogica-educacao-atual.htm KOWALTOWSKI, Doris. Arquitetura Escolar: o projeto do ambiente de ensino. Disponível em: http://www.educacionista.org.br/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=10777&Itemid=46 MALHO, Maria João. A criança e a cidade: Independência de mobilidade e representações sobre o espaço urbano. Disponível em: http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR4628ed529c42d_1.pdf
  36. 36. 37 FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade / 4. ed. Ver.- São Paulo: Moraes. 1980. LIMA, Mayumi Watanabe de Souza. Arquitetura e Educação. São Paulo: Studio Nobel, 1995. AZEVEDO, Giselle Arteiro Nielsen. As Escolas Públicas do Rio de Janeiro: Considerações sobre o Conforto Térmico das Edificações. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: FAU/UFRJ, 1995. DRAGO, Niuxa Dias & PARAIZO, Rodrigo Curi. Ideologia e Arquitetura nas Escolas. Disponível na Internet via http://www.fau.ufrj.br/prourb/cidades/tfg-cmc2000/estetica.html, julho 1999. MENEZES, Ulpiano Bezerra de. A paisagem como fato cultural. in YÁZIGI, Eduardo (org). Turismo e Paisagem. São Paulo: Contexto, 2002. SISSON, Raquel. "Escolas Públicas do Primeiro Grau. Inventário, Tipologia e História. Arquitetura Revista. Rio de Janeiro: FAU/RJ, n.8. p. 63-78, 1990. FRAGMENTO DO MANUAL DA EDUCAÇÃO INTEGRAL EM JORNADA AMPLIADA. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/cadfinal_educ_integral_2.pdf PALLASMAA, Juhani. "A geometria do sentimento: um olhar sobre a fenomenologia da arquitetura”. in: NESBITT, Kate (org). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965 – 1995). São Paulo: Cosac Naify, 2006, pp. 481-489.
  37. 37. 38 6 Apêndices 6.1 Seminário TCC1 Como contribuição para o trabalho em questão, foi realizado um Seminário com o tema: "A Interação do Indivíduo com o Espaço Arquitetônico Escolar", pela aluna Raissa Figueiredo, na Semana Integrada do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Unileste-MG, com o objetivo de apresentar a proposta de trabalho por meio da projeção do Documentário "Quando sinto que já sei", que discorre sobre questionamentos em relação à escola convencional, da percepção de que valores importantes da formação humana estavam sendo deixados fora da sala de aula. O documentário registra práticas educacionais inovadoras que estão ocorrendo pelo Brasil reunindo depoimentos de pais, alunos, educadores e profissionais de diversas áreas sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escola; e da palestra da Diretora de Projetos OI Futura, Samara Werner, que mostra em sua apresentação, no TEDx SP, como Formas de educar devem ser modificadas para estimular a criatividade de todos os jovens brasileiros. Após a apresentação dos documentários, foi aberto um momento para debates e discussões sobre o tema, de forma a abordar questionamentos de grande relevância para a construção deste trabalho.
  38. 38. 39 7 Anexos 7.1 Anexo 1 Programa Mais Educação instituído pela Portaria Interministerial nº 17/2007 e pelo Decreto n° 7.083, de 27 de janeiro de 2010. O Programa visa fomentar, por meio de sensibilização, incentivo e apoio, projetos ou ações de articulação de políticas sociais e implementação de ações sócio-educativas oferecidas gratuitamente a crianças, adolescentes e jovens, e que considerem as seguintes orientações: I. contemplar a ampliação do tempo e do espaço educativo de suas redes e escolas, pautada pela noção de formação integral e emancipadora; II. promover a articulação, em âmbito local, entre as diversas políticas públicas que compõem o Programa e outras que atendam às mesmas finalidades; III. integrar as atividades ao projeto político-pedagógico das redes de ensino e escolas participantes; IV. promover, em parceria com os Ministérios e Secretarias Federais participantes, a capacitação de gestores locais; V. contribuir para a formação e o protagonismo de crianças, adolescentes e jovens; VI. fomentar a participação das famílias e comunidades nas atividades desenvolvidas, bem como da sociedade civil, de organizações não-governamentais e esfera privada; VII. fomentar a geração de conhecimentos e tecnologias sociais, inclusive por meio de parceria com universidades, centros de estudos e pesquisas, dentre outros; VIII. desenvolver metodologias de planejamento das ações, que permitam a focalização da ação do Poder Público em territórios mais vulneráveis; e IX. estimular a cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
  39. 39. 40 7.2 Anexo 2 Planta Situação e Locação
  40. 40. 41 Planta 2º Pavimento Planta 1º Pavimento Planta Térreo

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