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Diocese de São José dos Campos - SP - Informativo das CEBs - Ano XI - Abril/Maio/Junho de 2015 - Nº 94
FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO PARA ANIMADORES
Lá vem o Trem das
2:: Palavra do Assessor
3:: Páscoa
4:: Formação
6:: Mensagem das CEBs
7:: Política
8:: Aconteceu
e muito mais...
23 de maio
Beatificação de Dom
Oscar Romero
2
:: Palavra do Assessor
Formação e Informação
para Animadores
Publicação trimestral das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Diocese de São José dos Campos.
Diretor: Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB
Diretor Técnico: Pe. Alexandre Aparecido Rodolfo da Costa
Jornalista Responsável: Ana Lúcia Zombardi - Mtb 28.496.
Realização da Equipe de Formação/Assessores das CEBs
Revisão Redacional: Diácono José Aparecido de Oliveira (Cido)
Diagramação: Fabrício Gustavo Flausino
Impressão: Katú Editora Gráfica. CNPJ: 56.333.347/0001-00
Tiragem: 4.000 exemplares.
“As matérias assinadas e opiniões expressas são de responsabilidade de seus autores”.
Sugestões, críticas, artigos, envie para: tremdascebs.sjc@gmail.com
EXPEDIENTE
Queridos irmãos e irmãs das Comu-
nidades Eclesiais de Base.
Neste informativo, por ocasião do
Dia do Índio,19 de abril, quero fazer
memória do nosso irmão, o índio Gal-
dino Jesus dos Santos, que morreu de-
pois que cinco jovens da classe média
alta jogaram gasolina em seu corpo e
atearam fogo, enquanto ele dormia,
na madrugada de 20 de Abril de 1997.
Galdino foi um líder indígena da etnia
pataxó-hã-hã-hãe. Tinha ido a Brasília,
em razão das comemorações do dia do
índio, com outras sete lideranças indí-
genas, para levar suas reivindicações
acerca da recuperação da Terra Indíge-
na Caramuru-Paraguaçu, em conflito
fundiário com fazendeiros. Participou
de reuniões com o ex-presidente bra-
19 de abril – Dia do Índio
Papa Francisco aponta leigos como “Apóstolos dos Bairros”
sileiro Fer-
nando Henri-
que Cardoso
e com outras
autoridades,
j u nta m e nte
com represen-
tantes do Mo-
vimento dos
Trabalhadores
Rurais Sem
Terra. Como
chegou tarde
das reuniões,
não pôde entrar na pensão onde estava
hospedado e resolveu dormir num abri-
go de ponto de ônibus na Quadra 704
Sul. Uma das principais causas da vio-
lência contra o índio é a cobiça de suas
O Papa Francisco recebeu em audi-
ência no último sábado, 7, os partici-
pantes da Plenária do Pontifício Conse-
lho para os Leigos, que se conclui hoje,
sobre o tema “Encontrar Deus no cora-
ção das cidades”.
Em seu discurso, o Pontífice fez uma
análise do fenômeno urbano, que as-
sumiu dimensões globais, já que que a
metade da população do planeta vive
nas cidades.
Para Francisco, o contexto urbano
tem um forte impacto na mentalidade,
na cultura, nos estilos de vida, nas re-
lações interpessoais e na religiosidade
das pessoas. Sendo a Igreja não mais a
única “promotora de sentido”, os cris-
tãos são influenciados por valores que
podem contrastar com o Evangelho.
De fato, averigua o Papa, as cidades
apresentam grandes oportunidades e
grandes riscos: “Podem ser magníficos
espaços de liberdade e realização hu-
mana, mas também terríveis espaços
de desumanização e de infelicidade. Pa-
rece que toda cidade tem a capacidade
de gerar dentro de si uma ‘anti-cidade’,
onde cidadãos convivem com os não
cidadãos: pessoas invisíveis, pobres de
recursos e calor humano, a quem nin-
guém dirige um olhar, uma atenção e
um interesse. Não são só anônimos,
mas são ‘anti-homens’. Isso é terrível”.
Francisco recorda que Deus não
abandona a cidade, mas habita nela;
Ele continua presente mesmo em meio
ao ritmo frenético e dispersivo. Eis, en-
tão, que os fiéis leigos são chamados a
sair sem temor para ir ao encontro dos
homens urbanos. “Trata-se de encon-
trar a coragem de fazer o primeiro pas-
so de aproximação ao outro, para ser
apóstolos do bairro”, acrescenta.
Diante desta missão, o Papa adver-
te os participantes da Plenária para a
importância da formação dos leigos:
educá-los para que saibam ver a cida-
de com os olhos de Deus; encorajá-los
a viver o Evangelho, sabendo que toda
vida vivida de maneira cristã tem sem-
pre um forte impacto social.
Ao mesmo tempo, é necessário
alimentar neles o desejo do testemu-
nho, para que possam doar aos outros
o dom da fé. “Em uma palavra, os lei-
gos são chamados a viver um humilde
protagonismo na Igreja e se tornar fer-
mento de vida cristã para toda a cida-
de”, concluiu Francisco.
07 de fevereiro de 2015.
Fonte: Radio Vaticano
terras. Pode-se
afirmar que
85% das ter-
ras indígenas
(incluindo as
demarcadas)
são objeto dos
mais diversos
tipos de inva-
são, tais como
a presença
de posseiros,
garimpeiros,
projetos de
colonização, abertura de estradas, hi-
drelétricas, linhas de transmissão, hi-
drovias, ferrovias, gasodutos, oleodu-
tos, minerodutos, criação de unidades
de conservação ambiental etc. (http://
www.dhnet.org.br/direitos/sos/indios/
cf_2002.html)
A quem é dado o poder de tirar a
vida de outra pessoa? Com certeza a
ninguém. Precisamos descobrir a nos-
sa irmandade, independentemente da
nossa raça, cor, credo ou classe social.
Vidas pelas vidas. Vidas pelo Reino,
Vidas pelo Reino. Todas as nossas Vi-
das, Tais quais à sua Vida, Iguais à Vida
Dele. Oh! Mártir Jesus!
“Se calarem a voz dos profetas, as
pedras falarão”
Forte abraço! Amém! Axé! Awere!
Aleluia!
Pe. Alexandre Rodolfo Ap. Costa
Assessor Diocesano das CEBs
3
:: CEBs
O trem das CEBs prossegue adian-
te. É a Igreja presente e viva na Base
da sociedade.
A partir das comunidades em nos-
sa Diocese, vamos percebendo os
desafios que temos à frente. Na con-
juntura atual, na renovação da Igreja,
na transformação de nossas comuni-
dades eclesiais de base, a partir de
dentro, influenciando, consideravel-
mente, o mundo e a sociedade.
Nossa primeira consciência, é de
que somos Igreja, não por vontade
própria apenas, mas primordialmen-
te, pela convocação do próprio Cristo,
em sua missão, em seu martírio, em
sua Páscoa. Isso muda substancial-
mente nossa categoria de cristãos e
nossas atitudes no agir: é responsa-
bilidade, é compromisso, é desafio, é
conflito, é esperança, é perseverança,
é vida nova, sempre.
Para compreender essa convoca-
ção, temos que conhecer, cada vez
mais, quem nos convoca. Conhecer a
Jesus de Nazaré, que nos deixou seu
testamento, pela sua vida, sua histó-
ria, seus gestos, suas palavras.
Levantamos Sete de seus Traços
mais marcantes, a partir de uma re-
flexão feita por nosso companheiro
Pedro Casaldáliga:
1. Encarnação. É Deus-conosco.
Em nosso meio. Em nossas lutas.
Inseriu-se na História de um povo,
dentro de um tempo, uma terra, num
contexto bem definido. Gente como a
gente, gente com a gente.
2. Fidelidade no serviço. Viveu
a serviço do Pai e dos irmãos. Viveu
a serviço da vida, para todos. É este
serviço foi fiel, até o fim, até à mor-
te de cruz, uma sentença política da
época, com a solicitação das autori-
dades religiosas.
3. Comunhão com o Pai. Ciente de
sua missão, manteve firme e franca
relação com o Pai. E compreendeu
que o Pai se expressa em cada pessoa
humana, nos pobres, nas crianças,
nas mulheres, nos marginalizados.
Para alimentar esta relação, a oração,
a misericórdia, o amor.
4. Liberdade de pobre. Livre de
todo o poder, livre de toda riqueza,
livre de todo interesse mesquinho.
Livre para falar e agir como seria ne-
cessário. Livre de qualquer amarra.
Sendo pobre, comunicou-se com os
pobres, viveu com os pobres, agiu
com os pobres. Sendo pobre, fez-se
evangelho a todos.
5. Novidade. Irredutível até o fim.
Firme em suas convicções, em sua
missão, em suas palavras. Na liber-
dade verdadeira, deu novo sentido
à vida e a tudo à sua volta. Renovou
todas as coisas. Um outro olhar, um
outro amor, uma outra utopia, que
supera a tudo até então: o Reino de
Deus está próximo!
6. Conflitividade. Por onde pas-
sou, tornou tudo mais transparente.
Os que estavam à sua volta, tiveram
que se posicionar. E tomar posição
causa conflito. Tira da escuridão e
levá à luta. Por isso, sua vida foi Cruz
constante. É sempre com astúcia. Exi-
ge sabedoria e discernimento.
7. Força no Espírito. A última pa-
lavra é a Vitória. Na força do Espíri-
to, avança sempre. É certeza de que
tudo é semente, que germina, brota,
cresce e produz frutos. Na força do
Espírito, também aceitamos o chama-
do e teimamos na vitória. Na força do
Espírito, não temos medo. Coragem!
Somos Páscoa sempre! Na Páscoa do
Ressuscitado!
Um grande abraço,
Mauro Kano.
Páscoa, sempre Páscoa na Páscoa do Ressuscitado!
1 - Um dia uma criança me parou
Olhou-me nos meus olhos a sorrir
Caneta e papel na sua mão
Tarefa escolar para cumprir
E perguntou no meio de um sorriso
O que é preciso para ser feliz?
Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Amar como Jesus amou - Pe. Zezinho
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria muito mais feliz
2 - Ouvindo o que eu falei ela me olhou
E disse que era lindo o que eu falei
Pediu que eu repetisse, por favor
Mas não dissesse tudo de uma vez
E perguntou de novo num sorriso
O que é preciso para ser feliz?
3 - Depois que eu terminei de repetir
Seus olhos não saíram do papel
Toquei no seu rostinho e a sorrir
Pedi que ao transmitir fosse fiel
E ela deu-me um beijo demorado
E ao meu lado foi dizendo assim
4
“O camponês de Nazaré, nessa luta nos reuniu.
Vem conosco caminhar, pela Terra Livre Brasil...”
(Hino do 3º Congresso da PJR)
“Jovem da roça também tem valor!” (Grito da
PJR desde 1985.)
1 - A partir da roça, do campo.
Nasci na roça, no campo. Fiz muitos calos nas
mãos no cabo da enxada tocando roça à meia ao
lado do papai José Moreira. Na hora da colheita,
quando via o fazendeiro levar no caminhão a me-
tade da nossa safra e quase toda a outra metade
também, porque contraíamos dívida na sede da
fazenda onde comprávamos, do plantio à colheita,
açúcar, café, sal, remédios etc, dentro de mim, ain-
da criança, gritava uma voz: “Deus não quer isso.
Isso não é justo.” Trago na minha memória essa in-
dignação diante da opressão do latifúndio e dos lati-
fundiários. Saí da roça, mas a roça não saiu de mim.
Meu sacerdócio e meu jeito de ser frade carmelita
estão intimamente conectados com a luta dos cam-
poneses por terra, pão e dignidade.
2 - Juventude camponesa em Recife.
O III Congresso da Pastoral da Juventude Rural
(PJR – www.pjr.org.br), em Recife, PE, de 14 a 19 de
janeiro de 2014, reuniu mais de 1.500 jovens cam-
poneses de todo o Brasil. Além das reflexões, troca
de experiência, convivência, noites culturais etc, foi
momento propício também para beber da herança
espiritual profética de frei Caneca, padre Ibiapina,
Padre Cícero, beato Zé Lourenço, padre Henrique,
frei Jessé, Dom Hélder Câmara, Francisco Julião,
cacique Chicão Xucuru, dentre tantos outros luta-
dores do povo. Frei Jessé e padre Henrique foram
homenageados. Frei Cícero dos Santos Jessé (1954
a 1995), uma vida a serviço da Juventude Campone-
sa. Frei Jessé foi assessor da PJR por vários anos. Ao
adoecer dizia: “Não deixem de fazer nada porque
estou ausente.” Padre Antonio Henrique Pereira
Neto (1940 a 1969), mártir da juventude que ousa
viver a sua fé no mundo. Chamado por dom Hél-
der, padre Henrique, além de secretário do Dom,
foi também assessor da Juventude. Chamado de
subversivo, em 26 de maio de 1969, foi torturado e
assassinado pela ditadura civil-empresarial-militar.
Antes de completar 29 anos tombou por sua opção
pelos pobres e pelos jovens, mas frei Jessé e padre
Henrique, assim como todos os mártires da cami-
nhada, continuam conosco, presente, presente,
presente.
A cidade de Recife nos convida a recordar: a)
frei Caneca, o carmelita da Confederação do Equa-
dor, fuzilado dia 13 de janeiro de 1824, após ter sido
preso em 1817 e ter ficado vários anos no cárcere,
em Salvador, Bahia. Frei Caneca, ao lado de outros
50 padres, esteve à frente da Confederação do
Equador que lutava pela independência do Pernam-
buco, contra a violência da monarquia. Lutava por
vida e liberdade para todos; b) Dom Hélder Câmara,
o dom do amor, da paz e da justiça; d) Pernambuco
também foi palco das Ligas Camponesas que, sob
a liderança de tantos como o advogado Francisco
Julião, se espalharam pelo país, com mais de 2.000
já organizadas quando se instaurou a ditadura. As
Ligas camponesas lutando por reforma agrária na
lei ou na marra.
3 – Deus na história, o divino no humano.
Jesus de Nazaré: jovem camponês da periferia, mártir e portador de uma pedagogia emancipatória.
Gilvander Luís Moreira
O Deus do cristianismo é um Deus da história,
quer dizer, age nas entranhas dos fatos e dos acon-
tecimentos. O Deus da vida, mistério de infinito
amor, não faz mágica. Desde que Deus, por infinito
amor à humanidade, encarnou-se, o divino está no
humano.
O Concílio de Calcedônia, no ano de 451, re-
conheceu Jesus Cristo com “natureza” divina e
humana. O apóstolo Paulo reconhece que Jesus é
o Cristo, filho de Deus, mas “nascido de mulher”
(Gal 4,4), ou seja, humano como nós desenvolveu
seu infinito potencial de humanidade. “Jesus, de tão
humano, se tornou divino,” dizia o papa João XXIII.
“Não é ele o filho de Maria e José, o carpin-
teiro (Mt 13,55)?”. Progressivamente, na Galileia,
Samaria e Judéia, Jesus se revela, à primeira vista,
em aparentes contradições, mas, no fundo, com tal
equilíbrio que chama a atenção de todos. Assim, ele
testemunha que Deus é mais interior a nós do que
imaginamos. A mística “encarnatória” revela a pes-
soa humanamente divina e divinamente humana.
“Quem me vê, vê o Pai(Jo 14,9)”.
Jesus, antes de se tornar mestre, foi discípulo,
mas como mestre continuou aprendendo. Antes de
ensinar, aprendeu muito com muitos: com Maria
e José, com o povo da sinagoga, com os vizinhos,
amigos, com os acontecimentos históricos, com a
natureza etc.
Somos discípulos/as de um jovem camponês,
da periferia, que foi condenado à pena de morte
pelos podres poderes da política, da economia e da
religião. Somos discípulos de um mártir. Feliz quem
não esquece a vida, o testemunho e o ensinamento
dos mártires.
Jesus compreende a mulher acusada de adulté-
rio, mas ferve o sangue de ira santa contra os ven-
dilhões do templo.
4 – Jesus, a Juventude Camponesa e a PJR.
Em sintonia com a Campanha da Fraternidade
de 2013 - Fraternidade e Juventude -, como instru-
mento inspirador para a Juventude Camponesa e
para a Pastoral da Juventude Rural, apresentamos
Jesus de Nazaré, o jovem de Nazaré que se tornou
Cristo, messias, filho de Deus. Jovem, camponês, da
periferia, Jesus, no meio de muitos jovens, apresen-
ta uma Pedagogia que emancipa e liberta. Hoje, os/
as jovens estão sendo marginalizados, violentados
em sua dignidade, milhares assassinados anual-
mente. As prisões estão abarrotadas de jovens das
periferias. Os modelos de educação hegemônicos
mais fazem adestramento, capacitação profissional
para encaixar os jovens na máquina mortífera que
é o mercado endeusado. No meio dessa realidade
conflituosa, faz bem nos inspirar na pedagogia de
Jesus, um jovem camponês da periferia, que huma-
niza pelo seu ensinamento e testemunho.
5 – Treze características da pedagogia emanci-
patória de Jesus de Nazaré.
Jesus não nos salva automaticamente, mas
testemunha um jeito de viver, melhor dizendo, um
jeito de conviver que é libertador e salvador. Vital é
prestarmos atenção no jeito e como Jesus ensina e
atua. Faz bem prestarmos atenção no processo pe-
dagógico efetivado por Jesus. Trata-se de uma Pe-
dagogia emancipatória com muitas características,
entre as quais, destacamos treze.
5.1) A partir da periferia. O Evangelho de Lucas
interpreta a vida, ações e ensinamentos de Jesus ao
longo de uma grande caminhada da Galileia até Je-
rusalém, ou seja, da periferia geográfica e social ao
centro econômico, político, cultural e religioso da
Palestina. A Palavra, em Lucas, é a palavra de um
leigo, de um camponês galileu, “alguém de Nazaré”,
pessoa simples, pequena, alguém que vem da gran-
de tribulação. Não é palavra de sumo sacerdote,
nem do poder.
5.2) Prioriza a formação. Nessa grande viagem,
subida para Jerusalém, Jesus prioriza a formação
dos discípulos e discípulas. Ele percebe que não tem
mais aquela adesão incondicional da primeira hora.
Jesus descobriu que para consolar os aflitos era
necessário também incomodar os acomodados e
denunciar pessoas e estruturas injustas e corruptas.
Assim, o jovem de Nazaré começou a perder apoio
popular. Era necessário caprichar na formação de
um grupo menor que pudesse garantir os enfrenta-
mentos que se avolumavam. Jesus sabia muito bem
que em Jerusalém estava o centro dos poderes re-
ligioso, econômico, político e judiciário. Lá travaria
o maior embate.
5.3) Não foge do combate. O Evangelho de Lu-
cas diz: Jesus, cheio do Espírito, em uma proposta
periférica alternativa, vai, em uma caminhada, de
Nazaré a Jerusalém; ou seja, vai da periferia para
o centro, caminhando no Espírito. Em Jerusalém
acontece um confronto entre o projeto de Jesus e o
projeto oficial. Este tenta matar o projeto de Jesus
(e de seu movimento) condenando-o à morte na
cruz. Mas o Espírito é mais forte que a morte. Jesus
ressuscita. No final do Evangelho de Lucas, Jesus diz
aos discípulos: “Permaneçam em Jerusalém até a
vinda do Espírito Santo” (Lc 24,49).
5.4) Sempre em movimento. Seguir Jesus exige
uma dinâmica de permanente movimento. A socie-
dade capitalista leva-nos a buscar segurança, o que
é uma farsa. É hora de aprendermos a seguir Jesus
de forma humilde e vulnerável, porém mais autên-
tica e real. Isso não quer dizer distrair com costu-
mes e obrigações que provêm do passado, mas não
ajudam a construir uma sociedade justa, solidária e
sustentável ecologicamente.
5.5) Anda na contramão. Seguir Jesus implica
andar na contramão, remar contra a correnteza de
tantos fundamentalismos e da idolatria do consu-
mismo. Exige também rebeldia, coragem, audácia
diante de costumes que entortam o queixo e de
modas que aniquilam o infinito potencial humano
existente em nós.
5.6) Sabe a hora de conviver e a hora de lutar. O
Evangelho de Lucas apresenta dois envios de discí-
pulos para a missão. No primeiro envio (Lc 10,1-11),
Jesus indicou aos discípulos que fossem despoja-
dos e desarmados para o campo de missão. Assim
deve ser todo início de missão: conhecer, conviver,
estabelecer amizades, cativar, assumir a cultura do
outro, tornar-se um/a irmã/ão entre as/os irmã/ãos
para que seja reconhecido como “um dos nossos”.
No segundo envio (Lc 22,35-38), em hora de luta e
combate, Jesus sugere que os discípulos devem ir
preparados para a resistência. Por isso “pegar bolsa
e sacola, uma espada – duas no máximo.” (Lc 22,36-
38). Durante a evolução da missão, chega a hora em
que não basta esbanjar ternura, graciosidade e soli-
dariedade. É preciso partir para a luta, pois as injus-
tiças precisam ser denunciadas. Ao tomar partido
e “dar nomes aos bois” irrompem-se as divisões e
desigualdades existentes na realidade. Os incomo-
dados tendem naturalmente a querer calar quem
os está incomodando. É a hora das perseguições
que exigem resistência. Confira a trajetória de vida
dos/as mártires da caminhada: Padre Josimo, Padre
Ezequial Ramin, Chico Mendes, Margarida Alves,
Sem Terra de Eldorado dos Carajás, Irmã Dorothy,
Santo Dias, Chicao Xucuru, Padre Gabriel, padre
Henrique etc.
5.7) Resiste, o que não é violência, mas legíti-
ma defesa. Diante de qualquer tirania e de um Es-
tado violentador, vassalo do sistema capitalista que
sempre tritura vidas e pratica injustiças, é dever das
pessoas cristãs resistirem contras as opressões per-
petradas contra os empobrecidos, os preferidos de
Jesus. Lucas, em Lc 22,35-38, sugere desobediência
civil – econômica, política e religiosa. Em uma socie-
dade desigual, esse é “outro caminho” a ser seguido
(cf. Mt 2,12) por nós, discípulos e discípulas de Je-
sus, o rebelde de Nazaré.
5.8) Não trai sua origem. Jesus, o jovem de
Nazaré, se tornou Cristo, filho de Deus. Como cam-
ponês, deve ter feito muitos calos nas mãos, na
enxada e na carpintaria, ao lado de seu pai José.
Os evangelhos fazem questão de dizer que Jesus
nasceu em Belém, (em hebraico, “casa do pão” para
todos), cidade pequena do interior. “És tu Belém a
menor entre todas as cidades, mas é de ti que virá o
salvador”, diz o evangelho de Mateus (Mt 2,6), res-
gatando a profecia de Miquéias (Miq 5,1). Segundo
Lucas, Jesus inicia sua missão pública em Nazaré,
sua terra de origem, em uma sinagoga, onde apren-
deu muita coisa libertadora.Jesus se orgulhava de
ser jovem camponês. Valorizava a cultura campo-
nesa. Percebia que a cidade, muitas vezes, mata os
profetas, mata os jovens, como o jovem de Naim
(Lc 7,11-17).
5.9) Pedagogia da partilha de pães, que liberta
e emancipa. A fome era um problema tão sério na
vida dos primeiros cristãos e cristãs, que os qua-
tro evangelhos da Bíblia relatam Jesus partilhando
pães e saciando a fome do povo.[2] É óbvio que não
devemos historicizar os relatos de partilha de pães
como se tivessem acontecido tal como descrito. Os
evangelhos foram escritos de quarenta a setenta
anos depois. Logo, são interpretações teológicas
que querem ajudar as primeiras comunidades a
resgatar o ensinamento e a práxis original do jovem
galileu. Não podemos também restringir o sentido
espiritual da partilha dos pães a uma interpretação
eucarística, como se a fome de pão se saciasse pelo
pão partilhado na eucaristia. Isso seria espirituali-
zação do texto. Eucaristia, celebrada em profunda
sintonia com as agruras da vida, é uma das fontes
que sacia a fome de Deus, mas as narrativas das
partilhas de pães têm como finalidade inspirar so-
lução radical para um problema real e concreto: a
fome de pão.
A beleza espiritual das narrativas de partilha de
pães – o correto é partilha de pães e não multiplica-
ção de pães - está no processo seguido: uma série
de passos articulados e entrelaçados que consti-
tuem um processo libertador. O milagre não está
aqui ou ali, mas no processo todo. Ei-lo em várias
características:
:: Formação
5
5.10.1) Cidade, lugar de violência? O evangelho
de Mateus mostra que o povo faminto “vem das
cidades”. As cidades, ao invés de serem locais de
exercício da cidadania, se tornaram espaços de ex-
clusão e de violência sobre os corpos humanos. Faz
bem recordar que Deus criou – e continua criando
-, nas ondas da evolução, tudo “em seis dias e no
sétimo dia descansou.” Conta-se que alguém teria
perguntado a Deus porque ele resolveu descansar
após o sexto dia. Deus teria dito que já tinha criado
tudo com muito amor e para o bem da humanidade
e de toda a biodiversidade. Quando viu que faltava
criar a cidade, o Deus criador concluiu que era me-
lhor descansar.
5.10.2) Ir para o meio dos excluídos e injustiça-
dos. “Jesus atravessa para a outra margem do mar
da Galileia” (Jo 6,1), entra no mundo dos gentios,
dos pagãos, dos impuros, enfim, dos excluídos e in-
justiçados. Jesus não fica no mundo dos incluídos,
mas estabelece comunicação efetiva e afetiva entre
os dois mundos, o dos incluídos e o dos excluídos.
Assim, tabus e preconceitos desmoronam-se.
5.10.3) Nunca perder a capacidade de se co-
mover e de se indignar. Profundamente comovido,
porque “os pobres estão como ovelhas sem pastor”
(Mc 6,34), Jesus percebe que os governantes e líde-
res da sociedade não estavam sendo libertadores,
mas estavam colocando grandes fardos pesados
nas costas do povo. Com olhar altivo e penetran-
te, Jesus vê uma grande multidão de famintos que
vem ao seu encontro, só no Brasil são milhões de
pessoas que têm os corpos implodidos pela bomba
silenciosa da fome ou da má alimentação.
5.10.4) Postura crítica. Jesus não sentiu medo
dos pobres, encarou-os e procura superar a fome
que os golpeava e humilhava. Apareceram dois
projetos para resgatar a cidadania do povo famin-
to. O primeiro foi apresentado pelo discípulo Filipe:
“Onde vamos comprar pão para alimentar tanta
gente?” (Jo 6,5). No mesmo tom, outros discípulos
tentavam lavar as mãos: “Despede as multidões
para que possam ir aos povoados comprar alimen-
to.” (Mt 14,15). Filipe está dentro do mercado e
pensa a partir do mercado. Está pensando que o
mercado é um deus capaz de salvar as pessoas.
Cheio de boas intenções, Filipe não percebe que
está enjaulado na idolatria do mercado.
5.10.5) Postura criativa. O segundo projeto é
posto à baila por André, outro discípulo de Jesus,
que, mesmo se sentindo fraco, acaba revelando:
“Eis um menino com cinco pães e dois peixes” (Jo
6,9). Jesus acorda nos discípulos e discípulas a res-
ponsabilidade social, ao dizer: “Vocês mesmos de-
vem alimentar os famintos” (Mt 14,16). Jesus quer
mãos à obra. Nada de desculpas esfarrapadas e ra-
cionalizações que tranquilizam consciências. Jesus
pulou de alegria e, abraçando o projeto que vem de
André (em grego, andros = humano), anima o povo
a “sentar na grama” (Jo 6,10). Aqui aparecem duas
características fundamentais do processo protago-
nizado por Jesus para levar o povo da exclusão à ci-
dadania, da injustiça à justiça. Jesus convida o povo
para se sentar. Por quê? Na sociedade escravocrata
do império romano somente as pessoas livres, cida-
dãs, podiam comer sentadas. Os escravos deviam
comer de pé, pois não podiam perder tempo de
trabalho. Deviam engolir rápido e retomar o serviço
árduo. Um terço da população era escrava e outro
terço, semiescrava. Logo, quando Jesus inspira o
povo para sentar-se, ele está, em outros termos,
defendendo que os escravos têm direitos e devem
ser tratados como cidadãos.
5.10.6) Organização é o segredo da pedagogia
de Jesus. Jesus estimula a organização dos famin-
tos. “Sentem-se, em grupos de cem, de cinquenta,
...” (Mc 6,40). Assim, Jesus e os primeiros cristãos
e cristãs nos inspiram que o problema da fome e
todos os outros problemas sociais só serão resolvi-
dos, de forma justa, quando o povo marginalizado e
injustiçado se organizar e partir para lutas coletivas.
5.10.7) Gratidão. “Jesus agradeceu a Deus...”
A dimensão da mística foi valorizada. A luz e a for-
ça divinas permeiam e perpassam os processos de
luta. Faz bem reconhecer isso. Vamos continuar
cantando com Manelão - cantor e compositor das
Comunidades Eclesiais de Base que já partilha vida
em plenitude - cantos revolucionários, tal como: É
madrugada, levanta povo! / A luz do dia vai nascer
de novo! / Rompe as cadeias, abre o coração,/ Va-
mos dar as mãos, já é o reino do povo! / O povo
agora é Senhor da história, /Somos rebentos desta
nova era. / A liberdade, a fraternidade. / São as ban-
deiras desta nova terra!
5.10.8) Não ser paternalista. Quem reparte o
pão não é Jesus, mas os discípulos. Jesus provoca a
solidariedade conclamando para a organização dos
marginalizados como meio para se chegar à cida-
dania de e para todos. Dar pão a quem tem fome
sem se perguntar por que tantos passam fome é
ser cúmplice do capital que rouba o pão da boca
da maioria.
5.10.9) Reaproveitar. “Recolham os pedaços
que sobraram, para não se desperdiçar nada.” (Jo
6,12). Economia que evita o desperdício. Quase 1/3
da alimentação produzida é jogada no lixo, enquan-
to tantos passam fome. É hora de reduzir o con-
sumo. Reaproveitar, reciclar. Nada deve se perder,
mas ser tudo transformado. Em uma casa ecológica
tudo é reaproveitado, inclusive as fezes são conside-
radas recursos, pois viram adubo fértil e orgânico.
Envolvidos pela crise ecológica, com aquecimento
e escurecimento global é hora de reduzir, reutilizar,
reciclar reaproveitar, recusar, recuperar e repensar.
5.11) Participar da vida pública transformando
a sociedade (Lc 10,38-42).
Seguindo para Jerusalém, Jesus entra na casa
de duas mulheres, Marta e Maria (Lc 10,38-42). Tra-
dicionalmente, a narrativa de Lc 10,38-42 tem sido
interpretada como uma oposição entre vida ativa e
vida contemplativa. Ao longo dos séculos e ainda
hoje, muitos usam e abusam de Lc 10,38-42 para
justificar a vida contemplativa em detrimento da
vida ativa, mas essa interpretação não tem consis-
tência exegético-bíblica. Não há nenhuma referên-
cia no texto que diga que Jesus estivesse rezando ou
orando com Maria. Para entender bem Lc 10,38-42
é preciso considerar algumas coisas.
Primeiro, nas duas perícopes anteriores, Lucas
revelou uma oposição, um contraste: humildes X
entendidos (Lc 10,21-24) e samaritano X sacerdote
e levita (Lc 10,29-37). Em Lc 10,38-42 também há
uma oposição, um contraste: Maria X Marta. A pos-
tura de Maria é elogiada por Jesus e a postura de
Marta é censurada: “Marta, Marta! ... uma só coisa
é necessária...” (Lc 10,41-42).
Segundo, precisamos considerar a situação das
mulheres na época de Jesus e do evangelho de Lu-
cas (anos 80/90 do 1º século). As mulheres eram
- não todas, é óbvio - propriedades do pai e, depois
de casadas, dos maridos; não participavam da vida
pública, deviam ficar restritas ao lar; não aprendiam
a ler e a escrever; não recebiam os ensinamentos
da Torá, a Lei. Encontra-se escrito no Talmud dos
Judeus (Escritura não-sagrada): “Que as palavras
da Torá sejam queimadas, mas não transmitidas às
mulheres”. A oração que muitos judeus piedosos
rezavam dizia: “Louvado sejas Deus por não ter-me
feito mulher!” O machismo e o patriarcalismo cam-
peavam.
Ao sentar-se aos pés de Jesus, para ouvir-lhe
os ensinamentos, Maria reivindica para si o direito
de ser discípula. Ela reclama para si o direito de ser
cidadã no sentido pleno. “Sentar-se aos pés” era a
atitude dos discípulos dos rabis, os mestres.
Em Lc 10,38-42, Maria faz desobediência civil
e religiosa, pois fica aos pés de Jesus ouvindo-o.
Somente os homens judeus podiam ficar aos pés
de um mestre e se tornarem discípulos. Maria ouve
Jesus e, provavelmente, dialoga com Jesus e o inter-
roga. Assim Maria se torna discípula.
Um judeu entrar em uma casa onde só havia
mulheres também era algo censurável pela socie-
dade. Jesus desobedece a essa regra moral e entra
na casa de duas mulheres. Assim, Jesus vai forman-
do seus discípulos e discípulas enquanto caminha
para Jerusalém.
5.12) Ser simples como as pombas e esperto
como as serpentes.
Após uma longa marcha da Galileia a Jerusa-
lém, da periferia à capital (Lc 9,51-19,27), Jesus e
seu movimento estão às portas de Jerusalém. De
forma clandestina, não confessando os verdadeiros
motivos, Jesus e o seu grupo entram em Jerusa-
lém, narra o Evangelho de Lucas (Lc 19,29-40). De
alguma forma deve ter acontecido essa entrada de
Jesus em Jerusalém, provavelmente não tal como
narrado pelo evangelho, que tem também um tom
midráxico, ou seja, quer tornar presente e viva uma
profecia do passado.
Dois discípulos recebem a tarefa de viabilizar
a entrada na capital, de forma humilde, mas firme
e corajosa. Deviam arrumar um jumentinho – meio
de transporte dos pobres -, mas deviam fazer isso
disfarçadamente, de forma “clandestina”. O texto
repete o seguinte: “Se alguém lhes perguntar: “Por
que vocês estão desamarrando o jumentinho?”,
digam somente: ‘Porque o Senhor precisa dele’”.
A repetição indica a necessidade de se fazer a pre-
paração da entrada na capital de forma discreta,
clandestina, sutil, sem alarde. Se dissessem toda a
estratégia, a entrada em Jerusalém seria proibida
pelas forças de repressão.
Com os “próprios mantos” prepararam o ju-
mentinho para Jesus montar. Foi com o pouco de
cada um/a que a entrada em Jerusalém foi realiza-
da. A alegria era grande no coração dos discípulos
e discípulas. “Bendito o que vem como rei...” Viam
em Jesus outro modelo de exercer o poder, não
mais como dominação, mas como gerenciamento
do bem comum.
Ao ouvir o anúncio dos discípulos – um novo
jeito de exercício do poder – certo tipo de fariseu se
incomoda e tenta sufocar aquele evangelho. Hipo-
critamente chamam Jesus de mestre, mas querem
domesticá-lo, domá-lo. “Manda que teus discípulos
se calem.”, impunham os que se julgavam salvos e
os mais religiosos. “Manda...!” Dentro do paradig-
ma “mandar-obedecer”, eles são os que mandam.
Não sabem dialogar, mas só impor. “Que se calem!”,
gritam. Quem anuncia a paz como fruto da justiça
testemunha fraternidade e luta por justiça, o que
incomoda o status quo opressor. Mas Jesus, em alto
e bom som, com a autoridade de quem vive o que
ensina, profetisa: “Se meus discípulos (profetas) se
calarem, as pedras gritarão.” (Lc 19,40). Esse alerta
do galileu virou refrão de música das Comunidades
Eclesiais de Base: “Se calarem a voz dos profetas, as
pedras falarão. Se fecharem uns poucos caminhos,
mil trilhas nascerão... O poder tem raízes na areia,
o tempo faz cair. União é a rocha que o povo usou
pra construir...!”
Dia 10 de abril de 1996, milhares de trabalha-
dores rurais do MST, em marcha, estavam chegando
a 22 capitais do Brasil. Na chegada a Belo Horizonte,
após marcharem de Governador Valadares à capi-
tal mineira, 500 Sem Terra foram bloqueados pela
tropa de choque da polícia militar de Minas Gerais.
Vinte Sem Terra foram presos; outros vinte, hospita-
lizados. O governador de Minas havia dado ordens
para proibir a entrada do MST em Belo Horizonte,
porque três dias após, dia 13 de abril de 1996, a
Fiat faria o lançamento de um novo modelo de au-
tomóvel, o Fiat Pálio, na Av. Afonso Pena, em Belo
Horizonte. 700 jornalistas internacionais estariam
presentes. Os gritos do MST por reforma agrária
poderiam aparecer na imprensa internacional, o
que seria mosca na sopa. Mesmo reprimidos, con-
seguimos entrar em Belo Horizonte no dia seguinte
contando com o apoio do povo de BH. Um Sem Ter-
ra disse: “Quando os oprimidos hebreus tentaram
fugir da opressão do imperialismo egípcio tiveram
que enfrentar o Mar Vermelho. Na chegada de Belo
Horizonte, um Mar de policiais queria fazer um Mar
Vermelho com nosso sangue. Feriram-nos, mas
conseguimos entrar na capital. Assim foi com Jesus
de Nazaré também.”
5.13) Intransigência diante da opressão econô-
mica e política. Os quatro evangelhos da Bíblia (Mt
21,12-13; Mc 11,15-19; Lc 19,45-46 e Jo 2,13-17)
relatam que Jesus, próximo à maior festa judaico-
-cristã, a Páscoa, impulsionado por uma ira santa,
invadiu o templo de Jerusalém, lugar mais sagrado
do que os templos da idolatria do capital que mui-
tas vezes tem a cruz de Cristo pendurada em um
ponto de destaque. Furioso como todo profeta, ao
descobrir que a instituição tinha transformado o
templo em uma espécie de Banco Central do país +
sistema bancário + bolsa de valores, Jesus “fez um
chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem
como as ovelhas e bois, destinados aos sacrifícios.
Derramou pelo chão as moedas dos cambistas e vi-
rou suas mesas. Aos que vendiam pombas (eram os
que diretamente negociavam com os mais pobres
porque os pobres só conseguiam comprar pombos
e não bois), Jesus ordenou: “Tirem estas coisas da-
qui e não façam da casa do meu Pai uma casa de
negócio.” Essa ação de Jesus foi o estopim para sua
condenação à pena de morte, mas Jesus ressusci-
tou e vive também em milhões de pessoas que não
aceitam nenhuma opressão.
Enfim, jovens como Jesus de Nazaré, exercite-
mos pedagogias que libertam e emancipam.
Belo Horizonte, MG, Brasil, 24 de janeiro de
2014.
Frei Gilvander
www.freigilvander.blogspot.com.br – www.
gilvander.org.br
Do livro - CEBs: Raízes e Frutos, ontem e
hoje. Texto Apresentado na Reunião Ampliada de
24/03/2015.
6
As Comunidades Eclesiais de Base
são comunidades na base da Igreja e da
sociedade, seguidoras de Jesus e seu
projeto de transformação da sociedade
a partir dos pobres, jovens, mulheres e
operários.
Nós, reunidos no Tabor, vivemos a ex-
periência da Transfiguração do Senhor e
pudemos contemplar Moisés e Elias, Pe-
dro, Tiago e João, e Jesus de Nazaré. Vi-
mos, também, as Comunidades Eclesiais
de Base do passado e do presente, e que-
remos indicar as CEBs do futuro a cons-
truir. Com a contribuição de Dom Cesar,
Padre Mirim, Irmã Manoracy e Ranulfo,
repensamos a Igreja que queremos ser,
a partir da Base, vivendo intensamente a
Comunidade.
As CEBs são o jeito de ser Igreja,
Povo de Deus. Não por vontade própria
apenas, nem por necessidade pessoal,
mas por convocação de Jesus de Naza-
ré. Impulsionados pelo Espírito Santo,
estes cristãos e cristãs se tornam força
viva dentro da Diocese de São José dos
Campos e da Igreja universal, agindo na
realidade concreta e transformando a
sociedade, através da vida comunitária e
social.
As CEBs nasceram da partilha, do di-
álogo e da opção pelos pobres. Assim,
integram todas as ações da Igreja, de for-
ma organizada, dinâmica e persistente.
Vive a centralidade da Palavra de Deus,
o ardor evangelizador e missionário, na
força do Espírito, em Comunhão com a
Igreja Particular e universal. Seguidoras
de Jesus de Nazaré, vivem sua metodo-
logia, integrando fé e vida, construindo
uma base sólida de vida, participação e
organização. Sua missão é anunciar a Boa
Nova aos pobres, bebendo da fonte de
uma espiritualidade libertadora, partin-
do da realidade, com profetismo e espe-
rança. Sendo comunidades cuidadoras da
vida, comprometidas e organizadas, dão
seu testemunho militante, elevando sua
voz quando necessário, sendo próximas
dos injustiçados e rompendo o medo
pela Justiça.
Comunidades desde a Base, da Igreja
e da sociedade, reafirmam sua opção pe-
los pobres, para que os excluídos redes-
cubram seu protagonismo, se tornando
força viva na transformação da socieda-
de.
Para isso, é necessário denunciar os
sinais de morte, esta sociedade capita-
lista corrompida e injusta, que causa so-
frimentos, desigualdade e exclusão, que
leva as pessoas a perderem sua esperan-
ça e alegria, afastando-as da vida comu-
nitária, mergulhadas no individualismo
e no comodismo. São José dos Campos
é um exemplo desta situação: uma das
cidades mais ricas do Brasil que convi-
ve com a pobreza e a miséria. É preciso
ir além da denúncia. As CEBs estão pre-
sentes na luta e resistência contra esses
sinais de morte.
Ser CEBs é proclamar o Reino de Deus,
fazendo-o realidade, que é possível só
pela ação do Espírito. Essa proclamação
acontece no diálogo e na esperança, na
partilha e na solidariedade, na alegria e
no desafio. Impelidos a construir uma so-
ciedade baseada nos primeiros cristãos,
sua ação é libertadora: construindo o Rei-
no de Deus, reafirma o Projeto de Jesus
de Nazaré, a serviço da Vida, na acolhida
a todas as pessoas, na exigência do amor
verdadeiro, no encantamento pelo Rei-
no, pelo Outro e pela Vida, na Esperança
Pascal, na celebração criativa da liturgia e
na formação permanente, no verdadeiro
ecumenismo, na expressão da arte popu-
lar, com música, teatro, cartazes e poesia,
atuando na sociedade de forma compro-
metedora, transformando sua realidade
de injustiça, exploração e manipulação,
resgatando a dignidade dos filhos e filhas
de Deus. É o Reino de Justiça, Partilha e
Paz.
Na humildade, que nos torna servido-
res, e na ousadia evangélica dos cristãos
e cristãs que se arriscam, queremos, com
esta Mensagem, dar os primeiros novos
passos para a renovação da Igreja e da
Sociedade, a partir de onde estamos para
todo o mundo. Regados com o sangue
dos Mártires, sigamos em Romaria, sen-
do nossas Comunidades sementeiras do
Evangelho.
No Domingo Quaresmal da Transfigu-
ração do Senhor, ouvimos o que o Pai tem
a nos dizer, vivemos o Filho, que é a Pala-
vra, e nos enchemos do Espírito, que nos
leva a agir. Que esta Mensagem possa
ressoar, sendo levada a todas as direções.
Que ela se multiplique nas diversas Co-
munidades de nossa Diocese e que Deus
nos conduza, cada vez mais, à perfeição!
Amém! Axé! Awere!
Monte Tabor, 1º de março de 2015,
Domingo da Transfiguração do Senhor.
Participantes do 1º Seminário das
CEBs – Diocese de São José dos Campos.
Mensagem das Comunidades Eclesiais de Base da Diocese de São José dos Campos
Nos dias 27 e 28 de fevereiro e primeiro de março de 2015, realizamos em nossa Diocese de São José dos Campos, o primeiro Seminário Diocesano das CEBs.
Contamos com assessoria de nosso bispo diocesano Dom José Valmor Cesar Teixeira, A Mensagem da Igreja; Pe. Laudemiro Borges ( Pe. Mirim), A Mensagem das Comuni-
dades; Ir. Manoracy Vitar Medeiros ( Irmã Manô), A Mensagem de Jesus; e Ranulfo Peloso, Análise da Conjuntura.
Pastoral da Juventude
Mauro Kano, Grupo de Trabalho e
Pedro Luzivoto PASCOM
Equipe de Canto Dom Cesar
Equipe de Cozinha
Ir. Manô, Ranulfo, Pe. Mirim e Pe. Alexandre
Equipe de Canto
:: Mensagem das CEBs
7
:: Política
Nós, participantes do Seminário
Diocesano das Comunidades Eclesiais
de Base, ouvimos do nosso Bispo Cé-
sar a “Mensagem da Igreja”, visando
o relançamento das CEBs em nossa
Diocese. Nesta mensagem, nosso
pastor sinaliza que as CEBs devem
passar por profunda renovação, exi-
gência de novos tempos, e retomar
uma presença ativa na vida da Igreja
e da sociedade.
Além da mensagem de nosso Pas-
tor, recebemos e refletimos sobre
contribuições como a “Mensagem de
Jesus”, a “Mensagem das Comunida-
des” e sobre a “Conjuntura” atual do
Brasil.
Em meio às nossas reflexões, prin-
cipalmente quanto à conjuntura, todo
o grupo decidiu partilhar com o Bispo
sua preocupação com a cultura do
ódio e indiferença que já se instalou
na sociedade e que já contagia, inclu-
sive, membros de nossas comunida-
des, o que poderá implicar em sérias
consequências, como a possibilidade
da perda de conquistas históricas no
campo econômico e democrático.
Desta forma, aproveitando as re-
flexões dos encontros da Campanha
da Fraternidade, afirmamos que é
hora de nos manifestarmos, como
Igreja, pela defesa da Democracia,
cujo manifesto tem apoio aberto
da Conferência dos Bispos do Brasil
(CNBB).
Tal Manifesto, apoiado pela CNBB,
pela Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) e por inumeráveis organizações
e movimentos sociais integrantes da
sociedade civil, conclama o povo bra-
sileiro a acompanhar ativamente a
tramitação, no Congresso Nacional,
das proposições que tratam da Refor-
ma Política e a manter-se vigilante e
atento aos acontecimentos políticos
atuais para que não ocorra nenhum
retrocesso em nossa Democracia, tão
arduamente conquistada.
Para reforçar o seu compromisso
e ajudar na reflexão dos cristãos e
participação nesse processo, a CNBB
lançou a cartilha “Reforma política
democrática JÁ” e, em breve, a comu-
nidade estará coletando assinaturas
para aprovação da respectiva Lei de
iniciativa popular.
Tudo isso significa que nós cris-
tãos, não estaremos de braços cru-
zados diante de tantos desvios de
conduta e de recursos no mundo da
política. Com nossa participação, essa
luta terá grande significação porque
Moção de Apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular
“Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”
Notícias das Comunidades
visa inadiáveis mudanças como, entre
outras, a proibição de financiamento
empresarial de campanhas eleitorais
de candidatos e partidos políticos.
(Texto Base da CF nº 239).
Temos clareza que a participação
do cristão nesse processo, tem como
motivação a própria fé cristã. Pois,
como diz nosso Papa e irmão Francis-
co, “ser cidadão fiel é uma virtude, e
a participação na vida política é uma
obrigação moral” (EG 220).
Casa de Retiros Monte Tabor, no
Domingo Quaresmal da Transfigura-
ção do Senhor, 01 de março de 2015.
Participantes do 1º Seminário
Diocesano das CEBs
Paróquia Coração de Jesus
Dia Internacional das mulheres comemorado nas CEBs.
CEBs - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Paroquia Coração Eucarístico de Jesus
CEBs: Reflexão Martirial no Rebanho de Carnaval
CEBs - Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe
8
:: Aconteceu
Formação Diocesana das CEBs
22.03.2015
Formação Diocesana das CEBs, na
Comunidade São Judas Tadeu , Paro-
quia Santa Luzia , com o tema Mensa-
gem das CEBs e assessoria de Mauro
Kano.
17 de Maio de 2015
XV Romaria Estadual das CEBs
à Aparecida.
Passagens com a Coordenação
Paroquial das CEBs.
Tema: “Na casa da Mãe Maria,
resistimos na luta pelos direitos
humanos”.
23 de Maio
Beatificação do Mártir Dom
Oscar Romero em El Salvador
Mês de Junho
Formações das CEBs
nas Regiões Pastorais
27 de Junho de 2015
IV Romaria dos Mártires
Jacareí - SP
Acontecer!
Anote aí!
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Pe. Alex Pe. França

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Informativo das CEBs - Diocese de São José dos Campos - SP

  • 1. 1 Diocese de São José dos Campos - SP - Informativo das CEBs - Ano XI - Abril/Maio/Junho de 2015 - Nº 94 FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO PARA ANIMADORES Lá vem o Trem das 2:: Palavra do Assessor 3:: Páscoa 4:: Formação 6:: Mensagem das CEBs 7:: Política 8:: Aconteceu e muito mais... 23 de maio Beatificação de Dom Oscar Romero
  • 2. 2 :: Palavra do Assessor Formação e Informação para Animadores Publicação trimestral das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Diocese de São José dos Campos. Diretor: Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB Diretor Técnico: Pe. Alexandre Aparecido Rodolfo da Costa Jornalista Responsável: Ana Lúcia Zombardi - Mtb 28.496. Realização da Equipe de Formação/Assessores das CEBs Revisão Redacional: Diácono José Aparecido de Oliveira (Cido) Diagramação: Fabrício Gustavo Flausino Impressão: Katú Editora Gráfica. CNPJ: 56.333.347/0001-00 Tiragem: 4.000 exemplares. “As matérias assinadas e opiniões expressas são de responsabilidade de seus autores”. Sugestões, críticas, artigos, envie para: tremdascebs.sjc@gmail.com EXPEDIENTE Queridos irmãos e irmãs das Comu- nidades Eclesiais de Base. Neste informativo, por ocasião do Dia do Índio,19 de abril, quero fazer memória do nosso irmão, o índio Gal- dino Jesus dos Santos, que morreu de- pois que cinco jovens da classe média alta jogaram gasolina em seu corpo e atearam fogo, enquanto ele dormia, na madrugada de 20 de Abril de 1997. Galdino foi um líder indígena da etnia pataxó-hã-hã-hãe. Tinha ido a Brasília, em razão das comemorações do dia do índio, com outras sete lideranças indí- genas, para levar suas reivindicações acerca da recuperação da Terra Indíge- na Caramuru-Paraguaçu, em conflito fundiário com fazendeiros. Participou de reuniões com o ex-presidente bra- 19 de abril – Dia do Índio Papa Francisco aponta leigos como “Apóstolos dos Bairros” sileiro Fer- nando Henri- que Cardoso e com outras autoridades, j u nta m e nte com represen- tantes do Mo- vimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Como chegou tarde das reuniões, não pôde entrar na pensão onde estava hospedado e resolveu dormir num abri- go de ponto de ônibus na Quadra 704 Sul. Uma das principais causas da vio- lência contra o índio é a cobiça de suas O Papa Francisco recebeu em audi- ência no último sábado, 7, os partici- pantes da Plenária do Pontifício Conse- lho para os Leigos, que se conclui hoje, sobre o tema “Encontrar Deus no cora- ção das cidades”. Em seu discurso, o Pontífice fez uma análise do fenômeno urbano, que as- sumiu dimensões globais, já que que a metade da população do planeta vive nas cidades. Para Francisco, o contexto urbano tem um forte impacto na mentalidade, na cultura, nos estilos de vida, nas re- lações interpessoais e na religiosidade das pessoas. Sendo a Igreja não mais a única “promotora de sentido”, os cris- tãos são influenciados por valores que podem contrastar com o Evangelho. De fato, averigua o Papa, as cidades apresentam grandes oportunidades e grandes riscos: “Podem ser magníficos espaços de liberdade e realização hu- mana, mas também terríveis espaços de desumanização e de infelicidade. Pa- rece que toda cidade tem a capacidade de gerar dentro de si uma ‘anti-cidade’, onde cidadãos convivem com os não cidadãos: pessoas invisíveis, pobres de recursos e calor humano, a quem nin- guém dirige um olhar, uma atenção e um interesse. Não são só anônimos, mas são ‘anti-homens’. Isso é terrível”. Francisco recorda que Deus não abandona a cidade, mas habita nela; Ele continua presente mesmo em meio ao ritmo frenético e dispersivo. Eis, en- tão, que os fiéis leigos são chamados a sair sem temor para ir ao encontro dos homens urbanos. “Trata-se de encon- trar a coragem de fazer o primeiro pas- so de aproximação ao outro, para ser apóstolos do bairro”, acrescenta. Diante desta missão, o Papa adver- te os participantes da Plenária para a importância da formação dos leigos: educá-los para que saibam ver a cida- de com os olhos de Deus; encorajá-los a viver o Evangelho, sabendo que toda vida vivida de maneira cristã tem sem- pre um forte impacto social. Ao mesmo tempo, é necessário alimentar neles o desejo do testemu- nho, para que possam doar aos outros o dom da fé. “Em uma palavra, os lei- gos são chamados a viver um humilde protagonismo na Igreja e se tornar fer- mento de vida cristã para toda a cida- de”, concluiu Francisco. 07 de fevereiro de 2015. Fonte: Radio Vaticano terras. Pode-se afirmar que 85% das ter- ras indígenas (incluindo as demarcadas) são objeto dos mais diversos tipos de inva- são, tais como a presença de posseiros, garimpeiros, projetos de colonização, abertura de estradas, hi- drelétricas, linhas de transmissão, hi- drovias, ferrovias, gasodutos, oleodu- tos, minerodutos, criação de unidades de conservação ambiental etc. (http:// www.dhnet.org.br/direitos/sos/indios/ cf_2002.html) A quem é dado o poder de tirar a vida de outra pessoa? Com certeza a ninguém. Precisamos descobrir a nos- sa irmandade, independentemente da nossa raça, cor, credo ou classe social. Vidas pelas vidas. Vidas pelo Reino, Vidas pelo Reino. Todas as nossas Vi- das, Tais quais à sua Vida, Iguais à Vida Dele. Oh! Mártir Jesus! “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão” Forte abraço! Amém! Axé! Awere! Aleluia! Pe. Alexandre Rodolfo Ap. Costa Assessor Diocesano das CEBs
  • 3. 3 :: CEBs O trem das CEBs prossegue adian- te. É a Igreja presente e viva na Base da sociedade. A partir das comunidades em nos- sa Diocese, vamos percebendo os desafios que temos à frente. Na con- juntura atual, na renovação da Igreja, na transformação de nossas comuni- dades eclesiais de base, a partir de dentro, influenciando, consideravel- mente, o mundo e a sociedade. Nossa primeira consciência, é de que somos Igreja, não por vontade própria apenas, mas primordialmen- te, pela convocação do próprio Cristo, em sua missão, em seu martírio, em sua Páscoa. Isso muda substancial- mente nossa categoria de cristãos e nossas atitudes no agir: é responsa- bilidade, é compromisso, é desafio, é conflito, é esperança, é perseverança, é vida nova, sempre. Para compreender essa convoca- ção, temos que conhecer, cada vez mais, quem nos convoca. Conhecer a Jesus de Nazaré, que nos deixou seu testamento, pela sua vida, sua histó- ria, seus gestos, suas palavras. Levantamos Sete de seus Traços mais marcantes, a partir de uma re- flexão feita por nosso companheiro Pedro Casaldáliga: 1. Encarnação. É Deus-conosco. Em nosso meio. Em nossas lutas. Inseriu-se na História de um povo, dentro de um tempo, uma terra, num contexto bem definido. Gente como a gente, gente com a gente. 2. Fidelidade no serviço. Viveu a serviço do Pai e dos irmãos. Viveu a serviço da vida, para todos. É este serviço foi fiel, até o fim, até à mor- te de cruz, uma sentença política da época, com a solicitação das autori- dades religiosas. 3. Comunhão com o Pai. Ciente de sua missão, manteve firme e franca relação com o Pai. E compreendeu que o Pai se expressa em cada pessoa humana, nos pobres, nas crianças, nas mulheres, nos marginalizados. Para alimentar esta relação, a oração, a misericórdia, o amor. 4. Liberdade de pobre. Livre de todo o poder, livre de toda riqueza, livre de todo interesse mesquinho. Livre para falar e agir como seria ne- cessário. Livre de qualquer amarra. Sendo pobre, comunicou-se com os pobres, viveu com os pobres, agiu com os pobres. Sendo pobre, fez-se evangelho a todos. 5. Novidade. Irredutível até o fim. Firme em suas convicções, em sua missão, em suas palavras. Na liber- dade verdadeira, deu novo sentido à vida e a tudo à sua volta. Renovou todas as coisas. Um outro olhar, um outro amor, uma outra utopia, que supera a tudo até então: o Reino de Deus está próximo! 6. Conflitividade. Por onde pas- sou, tornou tudo mais transparente. Os que estavam à sua volta, tiveram que se posicionar. E tomar posição causa conflito. Tira da escuridão e levá à luta. Por isso, sua vida foi Cruz constante. É sempre com astúcia. Exi- ge sabedoria e discernimento. 7. Força no Espírito. A última pa- lavra é a Vitória. Na força do Espíri- to, avança sempre. É certeza de que tudo é semente, que germina, brota, cresce e produz frutos. Na força do Espírito, também aceitamos o chama- do e teimamos na vitória. Na força do Espírito, não temos medo. Coragem! Somos Páscoa sempre! Na Páscoa do Ressuscitado! Um grande abraço, Mauro Kano. Páscoa, sempre Páscoa na Páscoa do Ressuscitado! 1 - Um dia uma criança me parou Olhou-me nos meus olhos a sorrir Caneta e papel na sua mão Tarefa escolar para cumprir E perguntou no meio de um sorriso O que é preciso para ser feliz? Amar como Jesus amou Sonhar como Jesus sonhou Pensar como Jesus pensou Amar como Jesus amou - Pe. Zezinho Viver como Jesus viveu Sentir o que Jesus sentia Sorrir como Jesus sorria E ao chegar ao fim do dia Eu sei que dormiria muito mais feliz 2 - Ouvindo o que eu falei ela me olhou E disse que era lindo o que eu falei Pediu que eu repetisse, por favor Mas não dissesse tudo de uma vez E perguntou de novo num sorriso O que é preciso para ser feliz? 3 - Depois que eu terminei de repetir Seus olhos não saíram do papel Toquei no seu rostinho e a sorrir Pedi que ao transmitir fosse fiel E ela deu-me um beijo demorado E ao meu lado foi dizendo assim
  • 4. 4 “O camponês de Nazaré, nessa luta nos reuniu. Vem conosco caminhar, pela Terra Livre Brasil...” (Hino do 3º Congresso da PJR) “Jovem da roça também tem valor!” (Grito da PJR desde 1985.) 1 - A partir da roça, do campo. Nasci na roça, no campo. Fiz muitos calos nas mãos no cabo da enxada tocando roça à meia ao lado do papai José Moreira. Na hora da colheita, quando via o fazendeiro levar no caminhão a me- tade da nossa safra e quase toda a outra metade também, porque contraíamos dívida na sede da fazenda onde comprávamos, do plantio à colheita, açúcar, café, sal, remédios etc, dentro de mim, ain- da criança, gritava uma voz: “Deus não quer isso. Isso não é justo.” Trago na minha memória essa in- dignação diante da opressão do latifúndio e dos lati- fundiários. Saí da roça, mas a roça não saiu de mim. Meu sacerdócio e meu jeito de ser frade carmelita estão intimamente conectados com a luta dos cam- poneses por terra, pão e dignidade. 2 - Juventude camponesa em Recife. O III Congresso da Pastoral da Juventude Rural (PJR – www.pjr.org.br), em Recife, PE, de 14 a 19 de janeiro de 2014, reuniu mais de 1.500 jovens cam- poneses de todo o Brasil. Além das reflexões, troca de experiência, convivência, noites culturais etc, foi momento propício também para beber da herança espiritual profética de frei Caneca, padre Ibiapina, Padre Cícero, beato Zé Lourenço, padre Henrique, frei Jessé, Dom Hélder Câmara, Francisco Julião, cacique Chicão Xucuru, dentre tantos outros luta- dores do povo. Frei Jessé e padre Henrique foram homenageados. Frei Cícero dos Santos Jessé (1954 a 1995), uma vida a serviço da Juventude Campone- sa. Frei Jessé foi assessor da PJR por vários anos. Ao adoecer dizia: “Não deixem de fazer nada porque estou ausente.” Padre Antonio Henrique Pereira Neto (1940 a 1969), mártir da juventude que ousa viver a sua fé no mundo. Chamado por dom Hél- der, padre Henrique, além de secretário do Dom, foi também assessor da Juventude. Chamado de subversivo, em 26 de maio de 1969, foi torturado e assassinado pela ditadura civil-empresarial-militar. Antes de completar 29 anos tombou por sua opção pelos pobres e pelos jovens, mas frei Jessé e padre Henrique, assim como todos os mártires da cami- nhada, continuam conosco, presente, presente, presente. A cidade de Recife nos convida a recordar: a) frei Caneca, o carmelita da Confederação do Equa- dor, fuzilado dia 13 de janeiro de 1824, após ter sido preso em 1817 e ter ficado vários anos no cárcere, em Salvador, Bahia. Frei Caneca, ao lado de outros 50 padres, esteve à frente da Confederação do Equador que lutava pela independência do Pernam- buco, contra a violência da monarquia. Lutava por vida e liberdade para todos; b) Dom Hélder Câmara, o dom do amor, da paz e da justiça; d) Pernambuco também foi palco das Ligas Camponesas que, sob a liderança de tantos como o advogado Francisco Julião, se espalharam pelo país, com mais de 2.000 já organizadas quando se instaurou a ditadura. As Ligas camponesas lutando por reforma agrária na lei ou na marra. 3 – Deus na história, o divino no humano. Jesus de Nazaré: jovem camponês da periferia, mártir e portador de uma pedagogia emancipatória. Gilvander Luís Moreira O Deus do cristianismo é um Deus da história, quer dizer, age nas entranhas dos fatos e dos acon- tecimentos. O Deus da vida, mistério de infinito amor, não faz mágica. Desde que Deus, por infinito amor à humanidade, encarnou-se, o divino está no humano. O Concílio de Calcedônia, no ano de 451, re- conheceu Jesus Cristo com “natureza” divina e humana. O apóstolo Paulo reconhece que Jesus é o Cristo, filho de Deus, mas “nascido de mulher” (Gal 4,4), ou seja, humano como nós desenvolveu seu infinito potencial de humanidade. “Jesus, de tão humano, se tornou divino,” dizia o papa João XXIII. “Não é ele o filho de Maria e José, o carpin- teiro (Mt 13,55)?”. Progressivamente, na Galileia, Samaria e Judéia, Jesus se revela, à primeira vista, em aparentes contradições, mas, no fundo, com tal equilíbrio que chama a atenção de todos. Assim, ele testemunha que Deus é mais interior a nós do que imaginamos. A mística “encarnatória” revela a pes- soa humanamente divina e divinamente humana. “Quem me vê, vê o Pai(Jo 14,9)”. Jesus, antes de se tornar mestre, foi discípulo, mas como mestre continuou aprendendo. Antes de ensinar, aprendeu muito com muitos: com Maria e José, com o povo da sinagoga, com os vizinhos, amigos, com os acontecimentos históricos, com a natureza etc. Somos discípulos/as de um jovem camponês, da periferia, que foi condenado à pena de morte pelos podres poderes da política, da economia e da religião. Somos discípulos de um mártir. Feliz quem não esquece a vida, o testemunho e o ensinamento dos mártires. Jesus compreende a mulher acusada de adulté- rio, mas ferve o sangue de ira santa contra os ven- dilhões do templo. 4 – Jesus, a Juventude Camponesa e a PJR. Em sintonia com a Campanha da Fraternidade de 2013 - Fraternidade e Juventude -, como instru- mento inspirador para a Juventude Camponesa e para a Pastoral da Juventude Rural, apresentamos Jesus de Nazaré, o jovem de Nazaré que se tornou Cristo, messias, filho de Deus. Jovem, camponês, da periferia, Jesus, no meio de muitos jovens, apresen- ta uma Pedagogia que emancipa e liberta. Hoje, os/ as jovens estão sendo marginalizados, violentados em sua dignidade, milhares assassinados anual- mente. As prisões estão abarrotadas de jovens das periferias. Os modelos de educação hegemônicos mais fazem adestramento, capacitação profissional para encaixar os jovens na máquina mortífera que é o mercado endeusado. No meio dessa realidade conflituosa, faz bem nos inspirar na pedagogia de Jesus, um jovem camponês da periferia, que huma- niza pelo seu ensinamento e testemunho. 5 – Treze características da pedagogia emanci- patória de Jesus de Nazaré. Jesus não nos salva automaticamente, mas testemunha um jeito de viver, melhor dizendo, um jeito de conviver que é libertador e salvador. Vital é prestarmos atenção no jeito e como Jesus ensina e atua. Faz bem prestarmos atenção no processo pe- dagógico efetivado por Jesus. Trata-se de uma Pe- dagogia emancipatória com muitas características, entre as quais, destacamos treze. 5.1) A partir da periferia. O Evangelho de Lucas interpreta a vida, ações e ensinamentos de Jesus ao longo de uma grande caminhada da Galileia até Je- rusalém, ou seja, da periferia geográfica e social ao centro econômico, político, cultural e religioso da Palestina. A Palavra, em Lucas, é a palavra de um leigo, de um camponês galileu, “alguém de Nazaré”, pessoa simples, pequena, alguém que vem da gran- de tribulação. Não é palavra de sumo sacerdote, nem do poder. 5.2) Prioriza a formação. Nessa grande viagem, subida para Jerusalém, Jesus prioriza a formação dos discípulos e discípulas. Ele percebe que não tem mais aquela adesão incondicional da primeira hora. Jesus descobriu que para consolar os aflitos era necessário também incomodar os acomodados e denunciar pessoas e estruturas injustas e corruptas. Assim, o jovem de Nazaré começou a perder apoio popular. Era necessário caprichar na formação de um grupo menor que pudesse garantir os enfrenta- mentos que se avolumavam. Jesus sabia muito bem que em Jerusalém estava o centro dos poderes re- ligioso, econômico, político e judiciário. Lá travaria o maior embate. 5.3) Não foge do combate. O Evangelho de Lu- cas diz: Jesus, cheio do Espírito, em uma proposta periférica alternativa, vai, em uma caminhada, de Nazaré a Jerusalém; ou seja, vai da periferia para o centro, caminhando no Espírito. Em Jerusalém acontece um confronto entre o projeto de Jesus e o projeto oficial. Este tenta matar o projeto de Jesus (e de seu movimento) condenando-o à morte na cruz. Mas o Espírito é mais forte que a morte. Jesus ressuscita. No final do Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: “Permaneçam em Jerusalém até a vinda do Espírito Santo” (Lc 24,49). 5.4) Sempre em movimento. Seguir Jesus exige uma dinâmica de permanente movimento. A socie- dade capitalista leva-nos a buscar segurança, o que é uma farsa. É hora de aprendermos a seguir Jesus de forma humilde e vulnerável, porém mais autên- tica e real. Isso não quer dizer distrair com costu- mes e obrigações que provêm do passado, mas não ajudam a construir uma sociedade justa, solidária e sustentável ecologicamente. 5.5) Anda na contramão. Seguir Jesus implica andar na contramão, remar contra a correnteza de tantos fundamentalismos e da idolatria do consu- mismo. Exige também rebeldia, coragem, audácia diante de costumes que entortam o queixo e de modas que aniquilam o infinito potencial humano existente em nós. 5.6) Sabe a hora de conviver e a hora de lutar. O Evangelho de Lucas apresenta dois envios de discí- pulos para a missão. No primeiro envio (Lc 10,1-11), Jesus indicou aos discípulos que fossem despoja- dos e desarmados para o campo de missão. Assim deve ser todo início de missão: conhecer, conviver, estabelecer amizades, cativar, assumir a cultura do outro, tornar-se um/a irmã/ão entre as/os irmã/ãos para que seja reconhecido como “um dos nossos”. No segundo envio (Lc 22,35-38), em hora de luta e combate, Jesus sugere que os discípulos devem ir preparados para a resistência. Por isso “pegar bolsa e sacola, uma espada – duas no máximo.” (Lc 22,36- 38). Durante a evolução da missão, chega a hora em que não basta esbanjar ternura, graciosidade e soli- dariedade. É preciso partir para a luta, pois as injus- tiças precisam ser denunciadas. Ao tomar partido e “dar nomes aos bois” irrompem-se as divisões e desigualdades existentes na realidade. Os incomo- dados tendem naturalmente a querer calar quem os está incomodando. É a hora das perseguições que exigem resistência. Confira a trajetória de vida dos/as mártires da caminhada: Padre Josimo, Padre Ezequial Ramin, Chico Mendes, Margarida Alves, Sem Terra de Eldorado dos Carajás, Irmã Dorothy, Santo Dias, Chicao Xucuru, Padre Gabriel, padre Henrique etc. 5.7) Resiste, o que não é violência, mas legíti- ma defesa. Diante de qualquer tirania e de um Es- tado violentador, vassalo do sistema capitalista que sempre tritura vidas e pratica injustiças, é dever das pessoas cristãs resistirem contras as opressões per- petradas contra os empobrecidos, os preferidos de Jesus. Lucas, em Lc 22,35-38, sugere desobediência civil – econômica, política e religiosa. Em uma socie- dade desigual, esse é “outro caminho” a ser seguido (cf. Mt 2,12) por nós, discípulos e discípulas de Je- sus, o rebelde de Nazaré. 5.8) Não trai sua origem. Jesus, o jovem de Nazaré, se tornou Cristo, filho de Deus. Como cam- ponês, deve ter feito muitos calos nas mãos, na enxada e na carpintaria, ao lado de seu pai José. Os evangelhos fazem questão de dizer que Jesus nasceu em Belém, (em hebraico, “casa do pão” para todos), cidade pequena do interior. “És tu Belém a menor entre todas as cidades, mas é de ti que virá o salvador”, diz o evangelho de Mateus (Mt 2,6), res- gatando a profecia de Miquéias (Miq 5,1). Segundo Lucas, Jesus inicia sua missão pública em Nazaré, sua terra de origem, em uma sinagoga, onde apren- deu muita coisa libertadora.Jesus se orgulhava de ser jovem camponês. Valorizava a cultura campo- nesa. Percebia que a cidade, muitas vezes, mata os profetas, mata os jovens, como o jovem de Naim (Lc 7,11-17). 5.9) Pedagogia da partilha de pães, que liberta e emancipa. A fome era um problema tão sério na vida dos primeiros cristãos e cristãs, que os qua- tro evangelhos da Bíblia relatam Jesus partilhando pães e saciando a fome do povo.[2] É óbvio que não devemos historicizar os relatos de partilha de pães como se tivessem acontecido tal como descrito. Os evangelhos foram escritos de quarenta a setenta anos depois. Logo, são interpretações teológicas que querem ajudar as primeiras comunidades a resgatar o ensinamento e a práxis original do jovem galileu. Não podemos também restringir o sentido espiritual da partilha dos pães a uma interpretação eucarística, como se a fome de pão se saciasse pelo pão partilhado na eucaristia. Isso seria espirituali- zação do texto. Eucaristia, celebrada em profunda sintonia com as agruras da vida, é uma das fontes que sacia a fome de Deus, mas as narrativas das partilhas de pães têm como finalidade inspirar so- lução radical para um problema real e concreto: a fome de pão. A beleza espiritual das narrativas de partilha de pães – o correto é partilha de pães e não multiplica- ção de pães - está no processo seguido: uma série de passos articulados e entrelaçados que consti- tuem um processo libertador. O milagre não está aqui ou ali, mas no processo todo. Ei-lo em várias características: :: Formação
  • 5. 5 5.10.1) Cidade, lugar de violência? O evangelho de Mateus mostra que o povo faminto “vem das cidades”. As cidades, ao invés de serem locais de exercício da cidadania, se tornaram espaços de ex- clusão e de violência sobre os corpos humanos. Faz bem recordar que Deus criou – e continua criando -, nas ondas da evolução, tudo “em seis dias e no sétimo dia descansou.” Conta-se que alguém teria perguntado a Deus porque ele resolveu descansar após o sexto dia. Deus teria dito que já tinha criado tudo com muito amor e para o bem da humanidade e de toda a biodiversidade. Quando viu que faltava criar a cidade, o Deus criador concluiu que era me- lhor descansar. 5.10.2) Ir para o meio dos excluídos e injustiça- dos. “Jesus atravessa para a outra margem do mar da Galileia” (Jo 6,1), entra no mundo dos gentios, dos pagãos, dos impuros, enfim, dos excluídos e in- justiçados. Jesus não fica no mundo dos incluídos, mas estabelece comunicação efetiva e afetiva entre os dois mundos, o dos incluídos e o dos excluídos. Assim, tabus e preconceitos desmoronam-se. 5.10.3) Nunca perder a capacidade de se co- mover e de se indignar. Profundamente comovido, porque “os pobres estão como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34), Jesus percebe que os governantes e líde- res da sociedade não estavam sendo libertadores, mas estavam colocando grandes fardos pesados nas costas do povo. Com olhar altivo e penetran- te, Jesus vê uma grande multidão de famintos que vem ao seu encontro, só no Brasil são milhões de pessoas que têm os corpos implodidos pela bomba silenciosa da fome ou da má alimentação. 5.10.4) Postura crítica. Jesus não sentiu medo dos pobres, encarou-os e procura superar a fome que os golpeava e humilhava. Apareceram dois projetos para resgatar a cidadania do povo famin- to. O primeiro foi apresentado pelo discípulo Filipe: “Onde vamos comprar pão para alimentar tanta gente?” (Jo 6,5). No mesmo tom, outros discípulos tentavam lavar as mãos: “Despede as multidões para que possam ir aos povoados comprar alimen- to.” (Mt 14,15). Filipe está dentro do mercado e pensa a partir do mercado. Está pensando que o mercado é um deus capaz de salvar as pessoas. Cheio de boas intenções, Filipe não percebe que está enjaulado na idolatria do mercado. 5.10.5) Postura criativa. O segundo projeto é posto à baila por André, outro discípulo de Jesus, que, mesmo se sentindo fraco, acaba revelando: “Eis um menino com cinco pães e dois peixes” (Jo 6,9). Jesus acorda nos discípulos e discípulas a res- ponsabilidade social, ao dizer: “Vocês mesmos de- vem alimentar os famintos” (Mt 14,16). Jesus quer mãos à obra. Nada de desculpas esfarrapadas e ra- cionalizações que tranquilizam consciências. Jesus pulou de alegria e, abraçando o projeto que vem de André (em grego, andros = humano), anima o povo a “sentar na grama” (Jo 6,10). Aqui aparecem duas características fundamentais do processo protago- nizado por Jesus para levar o povo da exclusão à ci- dadania, da injustiça à justiça. Jesus convida o povo para se sentar. Por quê? Na sociedade escravocrata do império romano somente as pessoas livres, cida- dãs, podiam comer sentadas. Os escravos deviam comer de pé, pois não podiam perder tempo de trabalho. Deviam engolir rápido e retomar o serviço árduo. Um terço da população era escrava e outro terço, semiescrava. Logo, quando Jesus inspira o povo para sentar-se, ele está, em outros termos, defendendo que os escravos têm direitos e devem ser tratados como cidadãos. 5.10.6) Organização é o segredo da pedagogia de Jesus. Jesus estimula a organização dos famin- tos. “Sentem-se, em grupos de cem, de cinquenta, ...” (Mc 6,40). Assim, Jesus e os primeiros cristãos e cristãs nos inspiram que o problema da fome e todos os outros problemas sociais só serão resolvi- dos, de forma justa, quando o povo marginalizado e injustiçado se organizar e partir para lutas coletivas. 5.10.7) Gratidão. “Jesus agradeceu a Deus...” A dimensão da mística foi valorizada. A luz e a for- ça divinas permeiam e perpassam os processos de luta. Faz bem reconhecer isso. Vamos continuar cantando com Manelão - cantor e compositor das Comunidades Eclesiais de Base que já partilha vida em plenitude - cantos revolucionários, tal como: É madrugada, levanta povo! / A luz do dia vai nascer de novo! / Rompe as cadeias, abre o coração,/ Va- mos dar as mãos, já é o reino do povo! / O povo agora é Senhor da história, /Somos rebentos desta nova era. / A liberdade, a fraternidade. / São as ban- deiras desta nova terra! 5.10.8) Não ser paternalista. Quem reparte o pão não é Jesus, mas os discípulos. Jesus provoca a solidariedade conclamando para a organização dos marginalizados como meio para se chegar à cida- dania de e para todos. Dar pão a quem tem fome sem se perguntar por que tantos passam fome é ser cúmplice do capital que rouba o pão da boca da maioria. 5.10.9) Reaproveitar. “Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada.” (Jo 6,12). Economia que evita o desperdício. Quase 1/3 da alimentação produzida é jogada no lixo, enquan- to tantos passam fome. É hora de reduzir o con- sumo. Reaproveitar, reciclar. Nada deve se perder, mas ser tudo transformado. Em uma casa ecológica tudo é reaproveitado, inclusive as fezes são conside- radas recursos, pois viram adubo fértil e orgânico. Envolvidos pela crise ecológica, com aquecimento e escurecimento global é hora de reduzir, reutilizar, reciclar reaproveitar, recusar, recuperar e repensar. 5.11) Participar da vida pública transformando a sociedade (Lc 10,38-42). Seguindo para Jerusalém, Jesus entra na casa de duas mulheres, Marta e Maria (Lc 10,38-42). Tra- dicionalmente, a narrativa de Lc 10,38-42 tem sido interpretada como uma oposição entre vida ativa e vida contemplativa. Ao longo dos séculos e ainda hoje, muitos usam e abusam de Lc 10,38-42 para justificar a vida contemplativa em detrimento da vida ativa, mas essa interpretação não tem consis- tência exegético-bíblica. Não há nenhuma referên- cia no texto que diga que Jesus estivesse rezando ou orando com Maria. Para entender bem Lc 10,38-42 é preciso considerar algumas coisas. Primeiro, nas duas perícopes anteriores, Lucas revelou uma oposição, um contraste: humildes X entendidos (Lc 10,21-24) e samaritano X sacerdote e levita (Lc 10,29-37). Em Lc 10,38-42 também há uma oposição, um contraste: Maria X Marta. A pos- tura de Maria é elogiada por Jesus e a postura de Marta é censurada: “Marta, Marta! ... uma só coisa é necessária...” (Lc 10,41-42). Segundo, precisamos considerar a situação das mulheres na época de Jesus e do evangelho de Lu- cas (anos 80/90 do 1º século). As mulheres eram - não todas, é óbvio - propriedades do pai e, depois de casadas, dos maridos; não participavam da vida pública, deviam ficar restritas ao lar; não aprendiam a ler e a escrever; não recebiam os ensinamentos da Torá, a Lei. Encontra-se escrito no Talmud dos Judeus (Escritura não-sagrada): “Que as palavras da Torá sejam queimadas, mas não transmitidas às mulheres”. A oração que muitos judeus piedosos rezavam dizia: “Louvado sejas Deus por não ter-me feito mulher!” O machismo e o patriarcalismo cam- peavam. Ao sentar-se aos pés de Jesus, para ouvir-lhe os ensinamentos, Maria reivindica para si o direito de ser discípula. Ela reclama para si o direito de ser cidadã no sentido pleno. “Sentar-se aos pés” era a atitude dos discípulos dos rabis, os mestres. Em Lc 10,38-42, Maria faz desobediência civil e religiosa, pois fica aos pés de Jesus ouvindo-o. Somente os homens judeus podiam ficar aos pés de um mestre e se tornarem discípulos. Maria ouve Jesus e, provavelmente, dialoga com Jesus e o inter- roga. Assim Maria se torna discípula. Um judeu entrar em uma casa onde só havia mulheres também era algo censurável pela socie- dade. Jesus desobedece a essa regra moral e entra na casa de duas mulheres. Assim, Jesus vai forman- do seus discípulos e discípulas enquanto caminha para Jerusalém. 5.12) Ser simples como as pombas e esperto como as serpentes. Após uma longa marcha da Galileia a Jerusa- lém, da periferia à capital (Lc 9,51-19,27), Jesus e seu movimento estão às portas de Jerusalém. De forma clandestina, não confessando os verdadeiros motivos, Jesus e o seu grupo entram em Jerusa- lém, narra o Evangelho de Lucas (Lc 19,29-40). De alguma forma deve ter acontecido essa entrada de Jesus em Jerusalém, provavelmente não tal como narrado pelo evangelho, que tem também um tom midráxico, ou seja, quer tornar presente e viva uma profecia do passado. Dois discípulos recebem a tarefa de viabilizar a entrada na capital, de forma humilde, mas firme e corajosa. Deviam arrumar um jumentinho – meio de transporte dos pobres -, mas deviam fazer isso disfarçadamente, de forma “clandestina”. O texto repete o seguinte: “Se alguém lhes perguntar: “Por que vocês estão desamarrando o jumentinho?”, digam somente: ‘Porque o Senhor precisa dele’”. A repetição indica a necessidade de se fazer a pre- paração da entrada na capital de forma discreta, clandestina, sutil, sem alarde. Se dissessem toda a estratégia, a entrada em Jerusalém seria proibida pelas forças de repressão. Com os “próprios mantos” prepararam o ju- mentinho para Jesus montar. Foi com o pouco de cada um/a que a entrada em Jerusalém foi realiza- da. A alegria era grande no coração dos discípulos e discípulas. “Bendito o que vem como rei...” Viam em Jesus outro modelo de exercer o poder, não mais como dominação, mas como gerenciamento do bem comum. Ao ouvir o anúncio dos discípulos – um novo jeito de exercício do poder – certo tipo de fariseu se incomoda e tenta sufocar aquele evangelho. Hipo- critamente chamam Jesus de mestre, mas querem domesticá-lo, domá-lo. “Manda que teus discípulos se calem.”, impunham os que se julgavam salvos e os mais religiosos. “Manda...!” Dentro do paradig- ma “mandar-obedecer”, eles são os que mandam. Não sabem dialogar, mas só impor. “Que se calem!”, gritam. Quem anuncia a paz como fruto da justiça testemunha fraternidade e luta por justiça, o que incomoda o status quo opressor. Mas Jesus, em alto e bom som, com a autoridade de quem vive o que ensina, profetisa: “Se meus discípulos (profetas) se calarem, as pedras gritarão.” (Lc 19,40). Esse alerta do galileu virou refrão de música das Comunidades Eclesiais de Base: “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão. Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão... O poder tem raízes na areia, o tempo faz cair. União é a rocha que o povo usou pra construir...!” Dia 10 de abril de 1996, milhares de trabalha- dores rurais do MST, em marcha, estavam chegando a 22 capitais do Brasil. Na chegada a Belo Horizonte, após marcharem de Governador Valadares à capi- tal mineira, 500 Sem Terra foram bloqueados pela tropa de choque da polícia militar de Minas Gerais. Vinte Sem Terra foram presos; outros vinte, hospita- lizados. O governador de Minas havia dado ordens para proibir a entrada do MST em Belo Horizonte, porque três dias após, dia 13 de abril de 1996, a Fiat faria o lançamento de um novo modelo de au- tomóvel, o Fiat Pálio, na Av. Afonso Pena, em Belo Horizonte. 700 jornalistas internacionais estariam presentes. Os gritos do MST por reforma agrária poderiam aparecer na imprensa internacional, o que seria mosca na sopa. Mesmo reprimidos, con- seguimos entrar em Belo Horizonte no dia seguinte contando com o apoio do povo de BH. Um Sem Ter- ra disse: “Quando os oprimidos hebreus tentaram fugir da opressão do imperialismo egípcio tiveram que enfrentar o Mar Vermelho. Na chegada de Belo Horizonte, um Mar de policiais queria fazer um Mar Vermelho com nosso sangue. Feriram-nos, mas conseguimos entrar na capital. Assim foi com Jesus de Nazaré também.” 5.13) Intransigência diante da opressão econô- mica e política. Os quatro evangelhos da Bíblia (Mt 21,12-13; Mc 11,15-19; Lc 19,45-46 e Jo 2,13-17) relatam que Jesus, próximo à maior festa judaico- -cristã, a Páscoa, impulsionado por uma ira santa, invadiu o templo de Jerusalém, lugar mais sagrado do que os templos da idolatria do capital que mui- tas vezes tem a cruz de Cristo pendurada em um ponto de destaque. Furioso como todo profeta, ao descobrir que a instituição tinha transformado o templo em uma espécie de Banco Central do país + sistema bancário + bolsa de valores, Jesus “fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e bois, destinados aos sacrifícios. Derramou pelo chão as moedas dos cambistas e vi- rou suas mesas. Aos que vendiam pombas (eram os que diretamente negociavam com os mais pobres porque os pobres só conseguiam comprar pombos e não bois), Jesus ordenou: “Tirem estas coisas da- qui e não façam da casa do meu Pai uma casa de negócio.” Essa ação de Jesus foi o estopim para sua condenação à pena de morte, mas Jesus ressusci- tou e vive também em milhões de pessoas que não aceitam nenhuma opressão. Enfim, jovens como Jesus de Nazaré, exercite- mos pedagogias que libertam e emancipam. Belo Horizonte, MG, Brasil, 24 de janeiro de 2014. Frei Gilvander www.freigilvander.blogspot.com.br – www. gilvander.org.br Do livro - CEBs: Raízes e Frutos, ontem e hoje. Texto Apresentado na Reunião Ampliada de 24/03/2015.
  • 6. 6 As Comunidades Eclesiais de Base são comunidades na base da Igreja e da sociedade, seguidoras de Jesus e seu projeto de transformação da sociedade a partir dos pobres, jovens, mulheres e operários. Nós, reunidos no Tabor, vivemos a ex- periência da Transfiguração do Senhor e pudemos contemplar Moisés e Elias, Pe- dro, Tiago e João, e Jesus de Nazaré. Vi- mos, também, as Comunidades Eclesiais de Base do passado e do presente, e que- remos indicar as CEBs do futuro a cons- truir. Com a contribuição de Dom Cesar, Padre Mirim, Irmã Manoracy e Ranulfo, repensamos a Igreja que queremos ser, a partir da Base, vivendo intensamente a Comunidade. As CEBs são o jeito de ser Igreja, Povo de Deus. Não por vontade própria apenas, nem por necessidade pessoal, mas por convocação de Jesus de Naza- ré. Impulsionados pelo Espírito Santo, estes cristãos e cristãs se tornam força viva dentro da Diocese de São José dos Campos e da Igreja universal, agindo na realidade concreta e transformando a sociedade, através da vida comunitária e social. As CEBs nasceram da partilha, do di- álogo e da opção pelos pobres. Assim, integram todas as ações da Igreja, de for- ma organizada, dinâmica e persistente. Vive a centralidade da Palavra de Deus, o ardor evangelizador e missionário, na força do Espírito, em Comunhão com a Igreja Particular e universal. Seguidoras de Jesus de Nazaré, vivem sua metodo- logia, integrando fé e vida, construindo uma base sólida de vida, participação e organização. Sua missão é anunciar a Boa Nova aos pobres, bebendo da fonte de uma espiritualidade libertadora, partin- do da realidade, com profetismo e espe- rança. Sendo comunidades cuidadoras da vida, comprometidas e organizadas, dão seu testemunho militante, elevando sua voz quando necessário, sendo próximas dos injustiçados e rompendo o medo pela Justiça. Comunidades desde a Base, da Igreja e da sociedade, reafirmam sua opção pe- los pobres, para que os excluídos redes- cubram seu protagonismo, se tornando força viva na transformação da socieda- de. Para isso, é necessário denunciar os sinais de morte, esta sociedade capita- lista corrompida e injusta, que causa so- frimentos, desigualdade e exclusão, que leva as pessoas a perderem sua esperan- ça e alegria, afastando-as da vida comu- nitária, mergulhadas no individualismo e no comodismo. São José dos Campos é um exemplo desta situação: uma das cidades mais ricas do Brasil que convi- ve com a pobreza e a miséria. É preciso ir além da denúncia. As CEBs estão pre- sentes na luta e resistência contra esses sinais de morte. Ser CEBs é proclamar o Reino de Deus, fazendo-o realidade, que é possível só pela ação do Espírito. Essa proclamação acontece no diálogo e na esperança, na partilha e na solidariedade, na alegria e no desafio. Impelidos a construir uma so- ciedade baseada nos primeiros cristãos, sua ação é libertadora: construindo o Rei- no de Deus, reafirma o Projeto de Jesus de Nazaré, a serviço da Vida, na acolhida a todas as pessoas, na exigência do amor verdadeiro, no encantamento pelo Rei- no, pelo Outro e pela Vida, na Esperança Pascal, na celebração criativa da liturgia e na formação permanente, no verdadeiro ecumenismo, na expressão da arte popu- lar, com música, teatro, cartazes e poesia, atuando na sociedade de forma compro- metedora, transformando sua realidade de injustiça, exploração e manipulação, resgatando a dignidade dos filhos e filhas de Deus. É o Reino de Justiça, Partilha e Paz. Na humildade, que nos torna servido- res, e na ousadia evangélica dos cristãos e cristãs que se arriscam, queremos, com esta Mensagem, dar os primeiros novos passos para a renovação da Igreja e da Sociedade, a partir de onde estamos para todo o mundo. Regados com o sangue dos Mártires, sigamos em Romaria, sen- do nossas Comunidades sementeiras do Evangelho. No Domingo Quaresmal da Transfigu- ração do Senhor, ouvimos o que o Pai tem a nos dizer, vivemos o Filho, que é a Pala- vra, e nos enchemos do Espírito, que nos leva a agir. Que esta Mensagem possa ressoar, sendo levada a todas as direções. Que ela se multiplique nas diversas Co- munidades de nossa Diocese e que Deus nos conduza, cada vez mais, à perfeição! Amém! Axé! Awere! Monte Tabor, 1º de março de 2015, Domingo da Transfiguração do Senhor. Participantes do 1º Seminário das CEBs – Diocese de São José dos Campos. Mensagem das Comunidades Eclesiais de Base da Diocese de São José dos Campos Nos dias 27 e 28 de fevereiro e primeiro de março de 2015, realizamos em nossa Diocese de São José dos Campos, o primeiro Seminário Diocesano das CEBs. Contamos com assessoria de nosso bispo diocesano Dom José Valmor Cesar Teixeira, A Mensagem da Igreja; Pe. Laudemiro Borges ( Pe. Mirim), A Mensagem das Comuni- dades; Ir. Manoracy Vitar Medeiros ( Irmã Manô), A Mensagem de Jesus; e Ranulfo Peloso, Análise da Conjuntura. Pastoral da Juventude Mauro Kano, Grupo de Trabalho e Pedro Luzivoto PASCOM Equipe de Canto Dom Cesar Equipe de Cozinha Ir. Manô, Ranulfo, Pe. Mirim e Pe. Alexandre Equipe de Canto :: Mensagem das CEBs
  • 7. 7 :: Política Nós, participantes do Seminário Diocesano das Comunidades Eclesiais de Base, ouvimos do nosso Bispo Cé- sar a “Mensagem da Igreja”, visando o relançamento das CEBs em nossa Diocese. Nesta mensagem, nosso pastor sinaliza que as CEBs devem passar por profunda renovação, exi- gência de novos tempos, e retomar uma presença ativa na vida da Igreja e da sociedade. Além da mensagem de nosso Pas- tor, recebemos e refletimos sobre contribuições como a “Mensagem de Jesus”, a “Mensagem das Comunida- des” e sobre a “Conjuntura” atual do Brasil. Em meio às nossas reflexões, prin- cipalmente quanto à conjuntura, todo o grupo decidiu partilhar com o Bispo sua preocupação com a cultura do ódio e indiferença que já se instalou na sociedade e que já contagia, inclu- sive, membros de nossas comunida- des, o que poderá implicar em sérias consequências, como a possibilidade da perda de conquistas históricas no campo econômico e democrático. Desta forma, aproveitando as re- flexões dos encontros da Campanha da Fraternidade, afirmamos que é hora de nos manifestarmos, como Igreja, pela defesa da Democracia, cujo manifesto tem apoio aberto da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB). Tal Manifesto, apoiado pela CNBB, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e por inumeráveis organizações e movimentos sociais integrantes da sociedade civil, conclama o povo bra- sileiro a acompanhar ativamente a tramitação, no Congresso Nacional, das proposições que tratam da Refor- ma Política e a manter-se vigilante e atento aos acontecimentos políticos atuais para que não ocorra nenhum retrocesso em nossa Democracia, tão arduamente conquistada. Para reforçar o seu compromisso e ajudar na reflexão dos cristãos e participação nesse processo, a CNBB lançou a cartilha “Reforma política democrática JÁ” e, em breve, a comu- nidade estará coletando assinaturas para aprovação da respectiva Lei de iniciativa popular. Tudo isso significa que nós cris- tãos, não estaremos de braços cru- zados diante de tantos desvios de conduta e de recursos no mundo da política. Com nossa participação, essa luta terá grande significação porque Moção de Apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular “Reforma Política Democrática e Eleições Limpas” Notícias das Comunidades visa inadiáveis mudanças como, entre outras, a proibição de financiamento empresarial de campanhas eleitorais de candidatos e partidos políticos. (Texto Base da CF nº 239). Temos clareza que a participação do cristão nesse processo, tem como motivação a própria fé cristã. Pois, como diz nosso Papa e irmão Francis- co, “ser cidadão fiel é uma virtude, e a participação na vida política é uma obrigação moral” (EG 220). Casa de Retiros Monte Tabor, no Domingo Quaresmal da Transfigura- ção do Senhor, 01 de março de 2015. Participantes do 1º Seminário Diocesano das CEBs Paróquia Coração de Jesus Dia Internacional das mulheres comemorado nas CEBs. CEBs - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Paroquia Coração Eucarístico de Jesus CEBs: Reflexão Martirial no Rebanho de Carnaval CEBs - Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe
  • 8. 8 :: Aconteceu Formação Diocesana das CEBs 22.03.2015 Formação Diocesana das CEBs, na Comunidade São Judas Tadeu , Paro- quia Santa Luzia , com o tema Mensa- gem das CEBs e assessoria de Mauro Kano. 17 de Maio de 2015 XV Romaria Estadual das CEBs à Aparecida. Passagens com a Coordenação Paroquial das CEBs. Tema: “Na casa da Mãe Maria, resistimos na luta pelos direitos humanos”. 23 de Maio Beatificação do Mártir Dom Oscar Romero em El Salvador Mês de Junho Formações das CEBs nas Regiões Pastorais 27 de Junho de 2015 IV Romaria dos Mártires Jacareí - SP Acontecer! Anote aí! Irá Pe. Paduan Equipe do Subsídio Pe. Alex Pe. França