No Vale da Lua 2

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Continuação do conto "No Vale da Lua 1"

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No Vale da Lua 2

  1. 1. No Vale da Lua II Os gemidos se intensificaram. Max encarava-a angustiado. Se pudesse,tomaria o seu lugar, mas era impossível. Lágrimas rolavam pelo rosto dela,molhando o lençol da cama. Ela apertava sua mão com muita força e a cada gemido, seu rosto ficavavermelho intenso. Sua dor era latente. Era muito difícil estar ali naquele momentovendo-a sofrer tanto, mas era o dia mais esperado para eles. Com um grito longo e rouco, Surya sente seu esforço recompensado pelochoro de criança. Era seu bebê! Seu e de Max! No momento que fitou a filha,Surya sabia qual nome lhe daria: Valentina, em homenagem à avó de Max,Assunpción, que nascera em Valência, na Espanha. Surya sorriu. Só descobriu o verdadeiro nome de Max às vésperas docasamento, quando foram assinar os papéis no civil. Miguel Alejandro Navarronascera em Madrid, na Espanha e sua família era bastante conhecida. Foraestudar dois anos em Londres, onde era chamado de Michael e logo recebendo oapelido de Mike ou Max. Seus pensamentos foram interrompidos pelo beijo de Max em seu rosto.Suas mãos fizeram-lhe um carinho nos cabelos. - Ela é linda, obrigada meu amor! - Ela é perfeita! Viu a cor dos olhos dela? Verde e mel misturados, a cordos nossos olhos, sorriu ela feliz.
  2. 2. No outro dia, Max entra no quarto e vê a cena que seria a mais linda desua vida: sua esposa amamentando sua filha. Ela sorria feliz e acariciava oscabelos do bebê. Ele recostou na cama ao lado da esposa e falou, acariciando também ocabelo. - Estou louco pra voltarmos pra nossa casa e curtirmos nossa pequena. - Eu também! O Dr. César disse que podemos ir para casa amanhã, sóvamos ficar em observação por mais 24h. - Amor, ela é tão linda. Estou muito feliz. Nem acredito que isso estáacontecendo na nossa vida. Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo[ele disse dando um breve beijo nos lábios da esposa]. Acho que vou sentirsaudade da sua barriga amor. - Ah nem me fale! Já estava pesando rs - Você ficou linda grávida [ele falou acariciando sua barriga]. - E você é a pessoa mais carinhosa que já conheci na vida. Te amo meuamor. - Também te amo Vida! Agora acho melhor você descansar um pouco.Vou ficar aqui com vocês, fique tranqüila. Está bem amor, estou realmente cansada e com muito sono. [ela disseisso e entregou a filha ao marido, sorrindo, feliz].
  3. 3. Enquanto Surya dormia, Max voltou seus pensamentos aos dias em queconhecera a esposa. Um acidente os uniu. Ela o encontrou desacordado emachucado no Vale da Lua, onde ele escrevia uma matéria para o trabalho, e olevou pra sua casa, onde cuidou dele com todo zelo e carinho. Os dias se passaram e os dois se apaixonaram. Tudo ia muito bem atéJulia, sua ex-namorada, ligar para o seu celular e Surya atender. Ele estavadormindo depois de uma bela noite de amor a dois e quando acordou, Surya haviapartido. Ele ficou desesperado e mesmo com a perna ainda dolorida, conseguiuuma carona ao aeroporto, onde viajou a procura dela. No entanto, com a falta deconfiança dela, ele demorou alguns dias até se decidir por encontrá-la. Estava no hotel já há uma semana e andava de um lado para o outro feitoleão preso na jaula. Sentia a falta dela. Mal conseguia dormir e se alimentava mal.Por duas vezes chegou a ir até o endereço das filhas de Surya, onde eleimaginava que ela estava, mas não saiu do carro. Voltou para o hotel onde sejogou na cama com tremores pelo corpo. Era raiva! Raiva dela e raiva de simesmo. Ele se achava um covarde, mas o seu orgulho era maior que o amor quesentia por ela. Foi pensando nisso que num belo dia acordara suado. Tivera um pesadelocom Surya. Tomou um banho, pegou as chaves do carro alugado e partiunovamente, só que desta vez, disposto a conversar com ela. Assim que chegou em frente à casa dela, Max demorou a tocar acampainha e quando o fez, um cachorro da raça boxer veio recebê-lo, alegre.Tocou novamente e nada. Estava quase desistindo quando ouviu uma vozresmungando. Era Surya!
  4. 4. Ela estava linda. Vestia uma camisola branca e um roupão bordado àmão, jogado de qualquer jeito por cima. Ela não se dera conta que não o fecharadireito, deixando os bicos dos seios intumescidos de frio à mostra através da levetransparência do tecido. Ele deu um breve sorriso, lembrando de como a pele delaardia sob suas mãos e boca. Não! Não podia pensar naquilo, não enquanto nãoconversava com ela [pensou, fechando o sorriso]. Surya desceu as escadas, mal-humorada. As meninas saíram cedo para otrabalho. Quem poderia ser a essa hora? Era “madrugada” pra ela queultimamente mal pregara o olho quando o sol se despontava no horizonte. O solda manhã era intenso e ela mal abria os olhos. Assim que o viu, ela colocou uma mão na boca, surpresa. - Mas o que... ? - Surya... - Max! Os dois ficaram se olhando por um bom tempo. O rosto de Surya estavavermelho. Ela ficara nervosa, não sabia o que falar. Ela sentia tanta saudade deleque não cabia no peito. - Vim conversar com você! Disse ele. - Max... - Surya, eu preciso te explicar, por favor, me deixe entrar! Apertando o botão ao lado da porta, Surya abriu o portão pra Max. Elaestava tremendo. Ele parou a sua frente e segurou seus braços com as duasmãos.
  5. 5. - Surya, eu preciso te explicar. Porque você fugiu daquele jeito? - Eu não... - Você acha que eu não tinha o direito de pelo menos saber do que estavafugindo? Nós passamos uma noite maravilhosa juntos e de repente, você fogesem nem uma explicação. Você acha justo? Ouvindo um barulho, Surya nota o vizinho no portão ao lado, observando-os. - Max, por favor, entre. Aqui não é lugar pra gente conversar sobre isso. - Ok! - Ela foi andando na frente dele consciente dos olhos dele queimandosuas costas. Sentiu um arrepio na espinha e tentou fechar melhor o roupão. Levou-o até a sala. - Suas filhas... ? - Não. Elas estão no trabalho. Só chegam à noite! - Ótimo, assim podemos conversar sem interrupção. Ele andava de um lado pro outro, visivelmente nervoso, passando osdedos entre os cabelos. - Max, desculpe! - O que? [ele perguntou atônito]
  6. 6. - Desculpe. Eu não deveria ter saído daquele jeito... - Não, você não deveria! [ele falou nervoso, interrompendo o que elaestava falando]. Você não me deu uma única chance de poder me explicar. Tremendo, nervosa, ela respondeu: - Olha, me desculpe. Depois que esfriei a cabeça, me arrependi de não terfalado com você, mas depois, perdi a coragem [ela falou abaixando a cabeça] Max chegou perto dela e segurou seu queixo. - Você é uma boba, sabia? [ele falou com ternura e um leve sorriso noslábios] - É, eu sei... [ela estava com os olhos cheios de lágrimas] - Surya, a Julia não faz parte da minha vida. [ele observou seus lábiostremendo]. Chegamos a ficar juntos uma única vez, mas não deu certo. Ela é umamulher possessiva e ciumenta, além de ser insuportável. - Mas... então ela mentiu? [ela perguntou sem graça] - Claro que mentiu! Ela ficou louca de ciúmes quando você atendeu meucelular. Ela sabe como sou discreto! Ela fez aquilo de propósito e conseguiu o quequeria não é? - Eu... - Você não tem nada pra me dizer? - Eu...
  7. 7. - Surya... ?!!! ele falou com firmeza! Ela fitou seus olhos. Não conseguia mais se segurar. Era loucamenteapaixonada por ele e sentia sua falta terrivelmente. - Eu amo você Max [falou ela se atirando nos braços dele] - Eu também te amo Surya e preciso que você confie em mim. Não tenhonada a esconder de você, apenas não tivemos tempo de conversar sobre nossopassado. - É verdade, você tem toda razão... na hora cometi um erro... e não sei oque fazer agora quanto a isso.... - Sim, você sabe! [segurou em seu queixo] - Aceita se casar comigo? [Elepuxou-a para si, dando um beijo terno em sua boca] Surya abraçou-o com força. Nunca mais o deixaria ir. Ela o amava deverdade e o queria para si. - Sim amor, eu aceito me casar com você! [ela respondeu entre um beijo eoutro] Max tomou-a nos braços e ela fez um sinal com a cabeça indicando ocaminho até o seu quarto. Ela foi abrindo a camisa dele e dando pequenos beijosem seu peito. - Surya... Quando chegou ao quarto, ele fechou a porta com o pé. Colocou-a nacama e ficou encarando-a. A saudade não cabia no peito. Ele chegou perto dacama e ela se ajoelhou à sua frente, desabotoando-lhe a camisa com pressa. Ele
  8. 8. enterrou a mão em seus cabelos e puxou-a mais para si, fazendo-a sentir oquanto ele a queria. Sentindo o sexo dele enrijecer contra si, ela beija seu abdômen enquantodesabotoa-lhe o cinto. Ambos estavam com pressa, sedentos. - Quero que me possua Max... - Sim meu amor! Vou possuí-la de todas as formas. Ele tirou o roupão dela carinhosamente. Sua mão desceu até as alças desua camisola, puxando-as para baixo, expondo-lhe os seios intumescidos. Semparar para pensar, sua boca desceu até os bicos e sugou-os com força,arrancando dela um gemido rouco. Ele a empurrou contra a parede com força. Eladeu um pequeno grito, misto de surpresa e desejo. Com movimentos bruscos, Max arrancou-lhe a camisola, deixando-asomente de calcinha. Ele tinha urgência. Se ajoelhou à sua frente, abriu-lhe umpouco as pernas e passou a língua pelo sexo dela por cima da calcinha, fazendo-asegurar os cabelos dele com força e gemer mais alto. Em poucos segundos, Max sente o clitóris dela inchar sob sua língua epuxa-lhe a calcinha para o lado. A cena era perfeita: ela quase toda nua, em pé,somente de calcinha, encostada na parede e com as pernas levemente abertas eele, ajoelhado aos seus pés como um devoto, acariciando seu sexo com uma dasmãos e com a outra, puxando o bumbum dela bumbum. Seus dedos separaram os lábios do sexo dela, expondo-lhe mais ainda obotão intumescido. Ele ficou olhando antes de tocar-lhe com um dedo, deslizandoem movimentos giratórios, até que ela implorasse para que ele não parasse.
  9. 9. Brincando com ela, ele introduziu-lhe dois dedos de uma vez, fazendo-aarranhar-lhe os ombros com força. Suas respirações estavam aceleradas. Quandosentiu que ela estava a ponto de subir ao ponto mais alto do prazer, ele puxou-lhecom força e fê-la ficar de quatro para ele. Fez um carinho em seu bumbum. Introduziu novamente os dedos dentrodela, abrindo caminho para o seu sexo sedento. Posicionou-se atrás dela e comuma estocada forte, tomou-a para si, transformando-os em apenas um só. O movimento de vai-e-vem foi tornando-se mais forte até que os dois, nãoagüentando mais esperar, atingiram juntos, o que seria um dos maiores orgasmosde suas vidas. No entanto, ela não queria que ele parasse. Ele também não queria parar.Tirou seu membro de dentro dela e virou-a para si. Ela sentou-se em cima dele earranhou-lhe o peito. Com um movimento preciso, ela baixou o bumbum até senti-lo inteiramente dentro dela. O grito dos dois foi simultâneo. Ela cavalgou em cima dele até queexplodiram num segundo gozo maravilhoso. Deitou em cima dele pra descansar,enquanto ele acariciava seus cabelos. Ela enroscou a mão nos pelos do peito delee suspirou profundamente. Ambos estavam suados, porém felizes. Os dois riram. Eles se amavam.
  10. 10. Voltando ao presente, Max morde os lábios. As lembranças acendiam neleum desejo sem fim. Sua mulher era linda, até mesmo dormindo. Nunca sentirauma atração tão forte por outra mulher. Ela o preenchia de todas as formas. Lembrou, sorrindo, de quando tinham terminado o banho e ouviram obarulho do carro das filhas, estacionando na garagem. Eles desceram correndo asescadas e fingiram assistir um filme. As meninas chegaram e, surpresas, o cumprimentaram. Surya, muitoenvergonhada, pois jamais levara um homem que não fosse seu ex-marido paracasa – deu-lhe um sorriso sem graça e foi logo explicando: - Este é o Max... um amigo! - Amigo? Não! Sou o noivo dela e futuro padrasto de vocês. [Ele falou e foilongo estendendo a mão para as meninas, que acharam graça do rubor da mãe]. As meninas abraçaram-na: - Mãe, estamos muito felizes por você. Virando-se para Max, elasdisseram: - Eu sabia que tinha acontecido algo com a minha mãe. Ela chegou aquicalada, chateada e chorona. Tinha que ser por causa de alguém. - Olá pra vocês duas. Meu nome é Max e sou louco pela mãe de vocês.Espero que ela aceite se casar comigo em menos de um mês. - Uau, mas porque a pressa? - Tenho pressa de ser feliz, de fazê-la feliz e mais pressa ainda para nãodeixá-la fugir novamente.
  11. 11. - Ah mãe, que lindo! Você já aceitou? - Já sim filhas [ela respondeu rindo], mas não sei porque a pressa. - Sabe sim e em menos de um mês quero que se torne a Sra. SuryaNavarro! Sorrindo, os quatro continuaram conversando até tarde aquela noite. A partir daquela noite, Max nunca mais a deixara sozinha. Se casaram 20dias depois. Decidiram por uma cerimônia simples, somente para os familiares. Ospais de Max vieram da Espanha e se encantaram com a mulher que haviaconquistado o filho. Os pais de Max eram maravilhosos, alegres, educados, gentise muito carinhosos. Percebia-se porque Max era um homem especial. Os pais dela também eram divertidos. Todos se deram muitíssimo bem.Surya casou-se com o vestido da mãe, na cor champanhe. Era um vestidosimples, delicado, bordado com minúsculas pérolas e sem ombros, deixando-lhe àmostra o colo branco, salpicado de sardas, que Max achava um de seus maiorescharmes. Os longos cabelos loiros foram presos por uma trança raiz, rodeado pormini-margaridas. Sua maquiagem era suave, quase natural. Os olhos sombreadospor um tom rosa bem claro. Seus lábios com apenas um brilho cor de boca,ressaltando o lindo desenho natural. Logo após a festa de despedida, partiram para Madrid, onde passaram 15dias em lua-de-mel. Surya conhecera a casa que Max nascera e ele lhe mostrouos pontos turísticos da capital da Espanha. Ela conheceu o Museu do Prado e oMuseu Thyssen-Bornemisza, mas ficara mais encantada com o Museu Rainha
  12. 12. Sofie, de arte do século XX que conta com coleções de Pablo Picasso e SalvadorDali. Também havia no museu uma biblioteca de acesso livre especializada emarte com mais de 100.000 livros que a deixou fascinada. Os dias se passaram muito rápido para os dois e tiveram que voltar aoBrasil. Ambos precisavam colocar o trabalho em dia. Surya tinha um prazo curtopara entregar pronto o seu segundo livro de contos. E Max tinha que terminar areportagem que havia iniciado quando conheceu Surya. Em comum acordo, os dois foram morar juntos no Vale da Lua, onde tudocomeçou. Dois anos e meio se passaram até que um dia Surya acordara enjoada.Foram ao médico depois de uma semana e lá souberam que ela estava grávida. No início, ela se recusara a acreditar, ainda preocupada com a sua idade,mas após vários exames, o médico deixara-os tranqüilos. Surya tinha 43 anos,mas possuía excelente saúde. Os nove meses passaram-se rápidos. Os doisfaziam caminhadas diárias e se alimentavam bem. Max não saía do lado daesposa. O sexo entre eles não mudou, ao contrário, ficou mais intenso. Maxadorava fazer carinho na barriga da esposa. Muitas vezes ela dormia abraçada aele e ele ficava ali acariciando sua barriga e conversando com a filha. Enquanto isso, eles fizeram uma pequena reforma na casa. O escritóriodela fora ampliado para ser também o escritório dele. Era um prazer imensotrabalharem juntos. Transformaram o quarto de hóspedes no quarto do bebê. Asfilhas de Surya ficaram ansiosas pela vinda de mais um irmão e iam visitá-lostodos os meses. No final, Surya fora para a casa das filhas com Max, aguardar achegada da filha. E agora ali estavam eles com a princesa Valentina. Sua filha era linda.Tinha os olhos lindos. Seus cabelos eram levemente encaracolados nas pontas
  13. 13. como os da mãe. Sua pele era branca e suas bochechas eram rosadas. Suasmãos eram lindas como a de Surya e Max estava ali no momento segurando-as eanalisando o formato dos dedos e das unhas.
  14. 14. Surya acordou com os resmungos da filha. Fazia dois dias que estavamem casa. Ela virou o corpo na cama e viu Valentina nos braços do pai, que dormiacom a cabeça pendida para o lado, no sofá que ficava aos pés da cama. Ela sorriu. Ele era um pai maravilhoso e um marido perfeito. Jogou oedredom para o lado e levantou-se devagar, procurando não fazer barulho.Chegou perto do marido e pegou a filha do colo dele. Queria chamá-lo para ele irpra cama, mas ela o conhecia, se o chamasse, ele acordaria e não dormiria mais. Sentou-se na poltrona ao lado do berço, aconchegou a filha suavementeem seu colo, puxou a alça da camisola e ofereceu o seio a ela. Surya sorriu,observando a filha sugar seu seio com força, como se tivesse ficado sem comerum dia inteiro, afinal, ela ainda acordava bastante no meio da noite. Enquanto a filha mamava, ela ficou observando o marido. Como o amava! Ela se lembrava de como o conhecera e o trouxera da mata até em casacom dificuldade. Se lembrava principalmente da primeira vez que fizeram amor, decomo tudo foi como um conto de fadas. Ela se apaixonara por ele como homem,como ser humano. Max era uma das pessoas mais corretas que ela conhecera. Não seimportava de abrir mão de algo para ajudar o próximo. Ele amava trabalhar e issoa deixava feliz, afinal o seu ex não se importava muito com isso, era uma pessoaacomodada que queria tudo nas mãos, sem fazer um pingo de esforço. Voltando novamente há três anos antes, Surya se lembrou de como quaseo perdera. Não confiou na sua intuição, no sentimento que estava escrito nosolhos de Max e fugiu. Julia, uma moça que era apaixonada por Max, ligara em seu
  15. 15. celular e Surya atendeu. Trocaram algumas palavras e ela achou que Max mentirapra ela. Arrumou algumas roupas e fugiu para a casa das filhas. Somente quando chegara, se dera conta da besteira que havia feito. Ligoupara sua casa, tentou inúmeros números e não conseguiu localizar Max. Elapassava os dias andando de um lado para o outro. Entrou em contato com o Dr.Marcos para saber se havia notícias de Max e nada! Ligou para a Revista que ele trabalhava, mas ninguém quis passar-lhe oscontatos dele. Ela desligou o telefone com uma fúria incontrolável e começou achorar. Ela não tinha idéia que Max estava à sua procura. Ela passava as noites pensando, chorando, ouvindo música. Suas filhasnotaram que a mãe andava nervosa, mas não queriam se meter na vida dela,assim, decidiram por deixá-la à vontade caso quisesse conversar com elas. Um belo dia, Surya acordou com o som da campainha. Ela falou umpalavrão e enterrou a cabeça nos travesseiros. O som continuou aborrecendo-a.De má vontade, ela se levantou e jogou um roupão de qualquer jeito por cima dacamisola. Não tava nem aí para os vizinhos! Olhou-se no espelho e viu as olheiras profundas. Estava abatida eemagrecera bastante. Saiu descendo as escadas devagar, quem sabe ointrometido iria embora. Mas assim que abriu a porta, deu de cara com o reflexodo sol em seu rosto. Viu a silhueta de alguém no portão, mas não sabia quem era. Colocou as mãos nos olhos para protegê-la dos reflexos e só então viuMax. Ela sentiu a boca seca, achou que seu coração ia parar. Quase se beliscoupara ter certeza que não estava sonhando. Era Max! Seu Max! Abriu o portão semgraça. Não sabia o que dizer. Não sabia se ele a perdoaria, mas pelo menos iriatentar.
  16. 16. Voltando ao presente, ela solta um suspiro profundo. Fechou levementeos olhos e fez uma prece de agradecimento a Deus por possuir uma família tãolinda quanto a sua. Como os amava! Olhou para o rostinho da filha e tocou seu rosto com a ponta dos dedos,com medo de machucá-la. Ela era linda, perfeita. Não faltava mais nada em suavida. Estava feliz, satisfeita, plena e lembrou-se de uma frase que Max leu paraela logo depois que se casaram. “Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto”. [Dalai Lama] Ainda bem que o passado ficou para trás e ela podia usufruir o presentecom sabedoria e amor...

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