Capítulo um

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Capítulo um

  1. 1. Capitulo um O sol começava a se erguer, e em torno de meia hora iluminava completamente o quarto de Alexia, uma garota de pele pálida, cabelos ruivos, olhos verdes e um sorriso extremamente branco e alinhado. Ela rolou pela cama, uma, duas, três vezes, recém acordara de mais um pesadelo, que sempre envolviam incêndios e chamas por todo o lado. Alex resmungou alguma coisa sobre a cama parecer mais um instrumento de tortura e balançou a cabeça para espantar os pensamentos ruins que ficaram do sonho. Permaneceu deitada por mais cinco minutos, quando ouviu o celular tocar, ela passou as mãos em volta do travesseiro, tateando em busca do celular que tocava alto e vibrava. Há dias acordava antes de o celular tocar, as vezes muito antes disso, até mais de uma vez por noite. Aproveitando que estava sentada e desperta por completo, Alex saltou para fora da cama ficando de pé com graciosidade que poucas pessoas tem ao acordar. Vestiu-se depressa, desceu as escadas correndo e tomou o café da manhã que a mãe deixara na mesa. Ela estava pronta e saiu pela rua com a mochila nas costas, olhando para os lados a procura de Sam, sentou na frente de casa e esperou, quando viu que iria se atrasar, começou a andar. – Espera! – era a voz de Sam ao longe, ela olhou para trás e logo o viu. Samuel tinha a pele pálida, a estatura era um pouco maior do que a de Alex, olhos azuis e cabelo liso, preto e um pouco comprido. Ele era lindo, mas não para Alex, ela sempre o tratou como um amigo, e nunca pensou em algo mais do que isso. Alex começou a pensar sobre como todas suas amigas eram completamente apaixonadas por ele, contou que eram cerca de cinco, conferiu e teve certeza, ela não tinha muitas amigas, e com certeza das cinco ela poderia contar com duas ou menos quando precisasse, mas quem sempre estava realmente do lado dela era Sam. – Planeta terra chamando... – disse Sam, imitando uma voz de robô – Está pensando em que? Alex riu, estava com as mãos no bolso do moletom, não sentia frio. Gostava de enrolar a pluma do tecido nos dedos, fazendo bolinhas e depois largando no chão, qualquer coisa a distraía. – Estava pensando nas minhas notas. – mentiu. – Conheço você há tanto tempo, e você ainda não aprendeu que não pode mentir para mim. – ele riu e passou o braço sobre os ombros dela. – É segredo. – Então tá. – foi só o que ele disse, e repousou o braço de volta ao lado do corpo. Os dois não se falaram mais, raramente se falavam a caminho da escola. Alex sempre colocava seus fones de ouvido e resmungava baixinho a letra da música – que geralmente era folk – enquanto Sam olhava ao redor, com a expressão serena, gostava do ar da manhã e como as ruas eram tranquilas, silenciosas.
  2. 2. Eles chegaram e se despediram um do outro. A aula passou rápido para Alex, que não prestou atenção em nada, apenas rabiscava numa folha em branco enquanto ouvia música, com os fones escondidos pelo capuz. – Não se esqueçam de fazer a lição, podem sair – o professor anunciou, logo depois de uma campainha tocar, anunciando o final da aula. Ela levantou jogando a mochila nas costas e a segurando apenas em um dos ombros, caminhou até as primeiras classes quando ouviu alguém a chamar. – Alex, espere. – Alex se virou. – Você está melhor? – Ah, sim, muito melhor, obrigada pela preocupação. – Você pareceu chocada, faltou aula ontem também... – Chloe, é sério, não é nada com que deva se preocupar, são uns sonhos estranhos que eu tenho e sempre acordo assustada, mas vou cuidar disso... Devo estar perturbada. As duas andaram até a porta, parando um pouco antes de sair para o corredor. Há alguns dias atrás, Alex dormiu na casa de Chloe e acordou berrando, desesperada, tinha despertado de mais um dos pesadelos constantes, daquela vez parecia que estava em combustão, desde aí Chloe ligava para saber se Alex estava melhor, ela se preocupava muito fácil com tudo. – Então tudo bem, nos vemos segunda-feira, não deixe de manter contato comigo, o que for que precise ok? Ainda acho que você precisa visitar aquele cartomante maravilhoso! Ele acerta tudo. – Chloe deu uma risadinha, logo Alex riu também e se apoiou com o ombro na parede. – Eu não acredito nisso. – Deveria começar a acreditar, é incrível. – Chloe piscou e se virou. Alex foi a ultima a sair da sala, logo após de Chloe. Quando estava no corredor outra voz a chamou, vinha de trás dela, uma voz masculina e gentil. Ela se virou e viu um homem que aparentava ter vinte anos de idade, talvez menos, ele era da altura de Samuel, o cabelo tão escuro quanto os olhos, ele usava roupas despojadas e era incrivelmente bonito. – Alexia O’Connor. – ele abriu um sorriso, como se esperasse que ela o reconhecesse. – Sim? – Posso conversar com você um... – Qual o assunto? – Sam o interrompeu, passando o braço por cima dos ombros de Alexia. – É feio se intrometer na conversa dos outros. – retrucou o homem, sem a gentileza anterior da voz. – Sem querer ser rude, eu quero conversar com a Alexia, por favor. O silêncio se estendeu por alguns segundos, até Alex se soltar do braço de Samuel e fazer que sim com a cabeça. Ela seguiu o homem até uma sala fria – o ar-condicionado estava ligado, ela percebera – e ele fez um gesto para que sentasse. Quando ela sentou, viu Samuel parado na porta, assim que ele abriu a boca para protestar sobre alguma coisa, a porta bateu. Toda a conversa formal fez com que ele parecesse mais velho do que aparentava, e Alex se sentiu desconfortável.
  3. 3. – Seu namorado é insistente. – ele riu. – Ele não é meu namorado. – ela manteve a seriedade. – Você sabe que é isso que ele quer, não sabe? – Você me chamou aqui para discutir sobre a minha vida amorosa? Sério? – a voz dela tinha se elevado, em tom de irritação. – Quem é você? Ele só se sentou à mesa a frente, puxou um bloco de notas e começou a escrever, as vezes olhava para Alex, que se colocou para frente e viu o que ele estava escrevendo, – ou melhor, desenhando – coraçõezinhos. – Você só pode estar brincando! – ela se levantou. – por acaso é algum professor? Alguém que eu deva escutar? Ele também se levantou, e direcionou o olhar direto para ela que enrubesceu. – Meu nome é Sebastian, e se quer saber o que está acontecendo com você, é melhor ficar e escutar. Ela não pode deixar de se interessar pelo o que ele estava falando, e essa foi a única coisa que a manteve na sala, ele poderia ser alguém mandado pelo colégio para ajudar. – Estou aqui, a uns dez minutos, e até agora, você não falou nada com nada. – Ela sustentou o olhar dele, era profundo como um oceano escuro, percebendo cada detalhe, viu que os olhos dele não eram negros, mas sim azul escuro. Ele não desviou o olhar, e ela sentiu um arrepio eriçar os pelos do braço, agora ele parecia mais jovem, como se tivesse sua idade, e talvez até mais vulnerável, atingível. – Sei que têm acontecido coisas estranhas com você, Alex. Ela pensou antes de responder, tinha sim, coisas estranhas acontecendo, mas não queria falar sobre isso com um estranho. – Você é um psicólogo da escola? Mandaram você para falar comigo? Ele riu, e isso fez com que ela sentisse o coração bater mais rápido. – Claro que não, meu trabalho é independente. – ele abriu um sorriso, mostrando os dentes perfeitamente alinhados, distraindo Alex por algum tempo. – Me conte o que tem acontecido com você, seja o que eu for, posso ajudar. – Se você não faz nada na escola e eu não estou correndo o risco de pegar detenção, não sou obrigada a ficar ouvindo suas perguntas, muito menos respondê-las. – Mas na verdade, ela queria saber o que estava acontecendo com ela, ele certamente saberia. – Você é uma menina difícil. – Eu sei, posso ir? Ele riu, dando aquela risada que a deixava totalmente irritada e ao mesmo tempo encantada. – Não. – Não? E o que me impede? – Você está claramente interessada no assunto... Quando a cicatriz apareceu no seu braço? – Como que sabe disso? – ela se assustou, arrumou a mochila no ombro pronta para sair.
  4. 4. Alex deu um passo em direção a porta, quando ele disse: – E seus sonhos? Não quer mesmo conversar sobre isso? A cicatriz no braço... – Alex virou imediatamente. – Me deixa em paz! – gritou, ouvindo o barulho da porta se abrir. Samuel entrou na sala, inconformado, parou no lado de Alex. – Como pode saber sobre a vida dela? Ela nem te conhece! – o tom de Sam era alto e seguro. – Acho que podemos evitar uma briga aqui. – Sebastian riu, e Alex viu o peito de Sam subir e descer rápido, claramente irritado. – É isso que eu ganho quando tento ajudar alguém? – Ajudar? Você está vasculhando na vida pessoal dela, e diz que está tentando ajudar! Ótimo argumento. – Sam arfou e se virou, puxando Alex consigo. – Vocês vão descobrir por si mesmos. – Alex virou para vê-lo, enquanto Samuel a empurrava devagar para fora da sala. – Eu vou ver vocês novamente, e não vai demorar. Alex virou para frente, e agora ela e Samuel estavam no corredor da escola, caminhando para fora dali. – Esse cara... Ele é maluco! – e extremamente lindo, Alex pensou. – É, eu sei. – Você já o conhecia? – Não! Claro que não, – ele sorriu. – eu ouvi a conversa por trás da porta. – Isso explica bastante coisa. – Acredito que sim. – É. A conversa parou por aí, para ela, Sam parecia distraído, pensativo, Alex não queria interromper aquilo. Ela começou a pensar no que Sebastian sabia, e como sabia, estava perdida nos pensamentos quando Samuel quebrou o silêncio. – Posso ir para sua casa? – Mas por que... Não, quer dizer, sim, claro que pode, vou avisar minha mãe. Alex pegou o celular do bolso e mandou uma mensagem para mãe, recebeu um “ok” de resposta. – Sebastian disse que não é nada da escola, não disse? Alex só fez que sim com a cabeça, estava preocupada com outras coisas que ele disse, não se ele era da escola ou não. – Como ele entrou na escola? Ele não tem idade nem aparência de ser pai de alguém, mas também não poderia ser aluno... E se ele não está envolvido na parte administrativa da escola, nem mesmo professor, é estranho que tenha conseguido entrar. – Você tem razão... Eu nem tinha pensado nisso antes. – Eu não deveria nem ter te deixado conversar com ele, vai que ele é um maníaco, querendo saber o que você sonha... Sendo que nem te conhece. – Eu tenho um pressentimento ruim sobre Sebastian, ele parece familiar...
  5. 5. Sam não disse mais nada, ele percebeu que ela não prestava atenção em muita coisa do que falava, tinha tirado suas próprias conclusões e não discordaria, seja lá o que ela estivesse pensando. Os dois chegaram à casa de Alex, ele se jogou no sofá que era tão familiar quanto o sofá da própria casa enquanto ela levava a mochila dos dois até o quarto. Alex chegou à sala e se jogou ao lado de Sam, encolhendo as pernas para cima do sofá. – Alex, – ele fez uma pausa, suspirou e continuou. – você tem realmente a cicatriz que ele disse? Ela o observou, e por um momento ele achou que não deveria ter feito aquela pergunta. – Tenho. – Posso ver? – Claro... – ela estendeu o braço esquerdo, e puxou a manga até os cotovelos. A cicatriz estava no antebraço dela, era em formato de chama, uma cicatriz escura vermelha, com um círculo em volta. – Não é nada importante, é uma queimadura, sei que tem um formato estranho... – Olhe, – Sam a interrompeu – eu preciso te mostrar uma coisa. – de repente a expressão de Sam ficou preocupada, uma expressão que Alex conhecia a muito tempo, ele puxou a manga do braço esquerdo até o cotovelo, assim como Alex. No mesmo local da cicatriz dela, ele também tinha uma cicatriz, só que a dele era clara, e tinha o formato de duas linhas em formato de ondas horizontais, uma acima da outra. – Eu estava na piscina, e senti meu braço formigar, ai quando eu olhei... – ele chegou mais perto, e Alex passou a mão por cima da cicatriz dele. – Já estava aqui. – Comigo aconteceu enquanto eu fazia almoço com a minha mãe, eu me queimei, e aconteceu a mesma coisa, meu braço começou a formigar... Há quanto tempo foi isso? – Já faz meses, – ele fez uma pausa, olhando para ela, até ela retribuir o olhar. – no braço de Sebastian, eu vi uma cicatriz também. – agora os dois estavam tão próximos que mesmo com a televisão ligada, um podia ouvir a respiração do outro. – Isso tudo é muito estranho para mim, Alex... Alexia sustentava o olhar de Samuel, ela estendeu o braço de novo e encostou-o ao braço dele. Quando os braços se tocaram, a cicatriz de cada um emanou uma luz, a de Alex era vermelha, a de Sam era azul. Os dois se espantaram, mas nenhum quis tirar o braço de perto um do outro, aquilo trouxe uma sensação boa para os dois. – Isso é incrível! – disse Alex, e Sam concordou com a cabeça. – Eu já sei o que fazer! Ele estava tão perto dela, a oportunidade era a melhor que ele já tivera, podia beijar ela ali, podia falar o que sentia, mas demorou demais para pensar. – Eu sei o que temos que fazer, – Alex continuou. – Precisamos ir atrás de Sebastian! É obvio, ele sabia da cicatriz, ele deve saber do que está acontecendo. Ela saltou do sofá eufórica, calçou o all star branco e vestiu o moletom azul marinho que tinha jogado na cadeira quando chegara em casa.
  6. 6. – Alex, dá para pensar melhor? A gente nem sabe onde encontrar esse cara, ele disse que ia encontrar ele de novo, vamos esperar e ele vai aparecer! – De jeito nenhum! O que está acontecendo aqui é grave, não é brincadeira, a gente precisa descobrir. Alex se apressou e saiu na rua, Sam vinha cambaleando atrás. Os dois observaram o movimento dos carros, o vento balançando as árvores, o sol entre as nuvens, tudo normal. – Eu realmente achei que teria algo diferente aqui fora... – disse Alex, visivelmente desamparada. – Eu acho que me lembro do símbolo de Sebastian. – Alex virou para ele na mesma hora, agora olhava em seus olhos. – Era parecida com a minha... A marca era clara também, ondulada. – Bom, a minha parece sobre fogo, e a sua, água, mas eu realmente não tenho ideia do que isso significa, – ela fez uma pausa, e apontou para o antebraço dele. – Você já teve sonhos? Com... Você sabe, a água e tudo mais. – Sonho todo dia com isso, às vezes eu respiro em baixo da agua, as vezes que eu estou a deriva no mar... As vezes são bons e as vezes são ruins, a maioria é ruim. – ele balançou a cabeça em afirmação. – Eu também, com fogo. Isso tem que significar alguma coisa, Sam, seja lá o que for... Não sei, é estranho demais para mim. – ela olhou de volta para frente, analisando a rua, casas e árvores. – Desde que eu recebi a cicatriz desconfiei que fosse algo conectado com meus sonhos, agora tenho certeza, você sabe do que eu estou falando, sabe tanto quanto eu. – É, acho que temos que esperar mesmo, ele vai aparecer alguma hora. – ela respondeu, e virou para ele, desviando os olhos da rua e sorriu. – Se lembra de quando eu tinha treze anos, meu cabelo era castanho e de repente começou a aparecer umas mechas ruivas? – E você ficou muito feliz porque sempre quis ser ruiva, não tem como esquecer – ele sorriu. – E sabe que há pouco tempo meu cabelo mudou novamente, e agora está parecendo que eu o pintei de vermelho? – Sim. – Sam, – ela sorriu. – acho que seu cabelo vai ficar azul. – Como é que é? Mas meu cabelo nunca mudou de cor! – Sinto lhe informar, mas está mudando. – Alex olhou para o cabelo dele atrás da orelha, que já estava azul. – E acho que não vai ser aos poucos, é melhor entrarmos antes de alguém gritar “CABELO MUTANTE!”. Os dois riram e entraram em casa novamente, Alex decepcionada por não ter ido atrás de Sebastian, e Sam feliz pelo cabelo ter o salvado de uma caminhada desnecessária. A casa de Alex era grande, seu quarto ficava no andar de cima, mas outro quarto ficava no andar de baixo, ela o usava várias vezes, era lá que ficava a estante com seus livros e o computador. Um espelho enorme servia de porta para o armário que ocupava uma parede
  7. 7. toda, Alex sentou na cama enquanto Sam estava parado diante do espelho, examinando o cabelo. – Vai ficar muito feio? – ele olhou para ela. – Sinceramente. – Não é azul claro, se fosse azul claro seria bem pior. Ele balançou a cabeça, quando ia dizer mais alguma coisa, ouviram barulhos na porta. – Espere aqui, pode ser minha mãe, e ela não precisa saber que ser cabelo está ficando azul por conta própria. Alex correu pelo corredor, atravessou a sala e alcançou a maçaneta, quando abriu a porta, ela viu o mesmo rosto anguloso e olhos profundos que vira mais cedo, Sebastian. – Eu sabia que iriam descobrir mais cedo ou mais tarde, pintando o cabelo, Sam? – ele disse alto para que Sam ouvisse, e riu. – Vai se... – Sam gritou, mas foi interrompido antes de terminar a frase. – Pode sair – disse Alex. *** Samuel estava agora no sofá, passando as mãos na franja e puxando-a para frente dos olhos, numa tentativa de ver se o cabelo já tinha ficado azul, ao lado dele estava Alex, sentada sobre as pernas. Sebastian estava numa poltrona e atrás dele um garoto que se chamava Damon. O garoto não tinha falado nada, entrou quieto e deixou que Sebastian o apresentasse. Alex nunca tinha visto ninguém igual, o tom de pele era quase branco, o cabelo reluzia o branco que destacava-se na sala escuta, os olhos cinzentos examinavam todos, varrendo a sala como se quisesse guardar todos os cantos dali. – Acho que alguém se arrependeu de não ter me escutado hoje de manhã. – Sebastian sorriu. – Agora só falta um... Ou uma. – É um prazer conhecer vocês, – Damon falou, pela primeira vez. – mas tenho certeza que há muitas coisas que devem ser explicadas. Os olhos de Damon pousaram em Alex, que desviou. Assim que Sam percebeu, passou o braço por cima dos ombros de Alex. – Concordo Damon. – Samuel mostrou um sorriso falso que Alex conhecia bem. – Por favor, Sam, eu vejo tudo, esse ciúmes só vai despertar o interesse dele por Alexia. – Sebastian passou os olhos por Damon, e os pousou em Alex. – Para que esse silêncio? Você sabia que Samuel era, ou melhor, é apaixonado por você. Desculpe, mas foi inevitável. A não ser por Sebastian, – que não calava a boca, tagarelava sem parar. – Alex, Sam e Damon estavam com os olhos vidrados, apavorados. – Você Alex... – disse Sebastian, que parecia mais alegre do que o normal. – Eu sempre soube que haveria uma mulher dominadora, nem acreditei quando te vi. Ninguém disse nada. – Desmanchem essa cara de quem viu um fantasma, – continuou. – e comecem as perguntas. Sebastian esperou, Damon foi o menos afetado no showzinho dele, mas Sam não conseguia olhar para ninguém, Alex procurava alguma forma de falar, mas temia que Sebastian também soubesse que ela tinha uma queda por ele.
  8. 8. – Já que ninguém vai falar... – começou Sebastian, mas Alex interrompeu. – Espera aí... Minha mãe vai chegar daqui a alguns minutos, e eu tenho três pessoas com cabelo colorido na sala. Ela vai achar que é uma reunião punk! – Relaxa bebê, sua mãe está numa reunião que não vai acabar tão cedo. – Respondeu com um sorriso. – Um cafezinho? Talvez biscoitos? Eu aceitaria. Caramba! Vocês não tem senso de humor mesmo. – Desnecessário. – comentou Damon. – Bom, então eu vou falar o que eu sou, e o que vocês são. – Sebastian fez uma pausa, esperando perguntas, mas todos permaneceram em silêncio. – Há tempos eu tenho observado cada um, eu sei de suas vidas porque o dom da visão foi dado a mim. Damon eu descobri primeiro, ele já sabe do que é capaz. Vocês têm sonhado com o elemento que dominam, tem feito coisas que não sabiam que conseguiam... – Sebastian foi até Damon, e levantou a manga do braço esquerdo, e lá estava: Uma cicatriz totalmente branca, parecia com a de Sam, mas representava o ar. – Ele domina o ar, assim como Alex domina o fogo, e Sam, a agua. Acho que vocês já sabiam disso, mas não custa reforçar. “Eu fui um antigo dominador de água, mas agora sou o tutor de vocês, o resto é... bem, mais pessoal. – Quando ele terminou de falar, Sam e Alex o encaravam, pasmos. – Hoje, mais cedo, – Alex mal conseguia falar, respirou fundo e continuou – eu segurei a mão de Sam, e as cicatrizes começaram a brilhar... – Sim, isso acontece porque, quando vocês estão juntos são mais fortes. – Você não domina mais a água? – Infelizmente não, só uma pessoa pode dominar um elemento de cada vez, quando um dominador morre, uma outra pessoa se torna dominadora. – Mas você não morreu... – Eu abri mão do domínio. Todos na sala trocavam olhares, Alex estava nervosa e espantada, assim como Sam, e o cabelo dele, ela percebera, estava totalmente azul. Sebastian tirou um papel do bolso e disse: – Se quer me encontrar, conversar pessoalmente ou treinar... já sabe onde. – ele entregou o papel a Alex, em seguida se levantou em silêncio e saiu pela porta. Alex não disse nada, olhava para um Sam ainda constrangido, mas ele não a olhava de volta. – Sam... – O que foi? – ele levantou a cabeça, encarou Alex por algum tempo, mas desviou o olhar. – é verdade. – O que, exatamente, é verdade? – Tudo o que ele disse, sobre mim, sobre você, é verdade. Alex não tinha nada a dizer, o silêncio pairava no ar e era quase doloroso, ela podia escutar o tique-taque do relógio. – É melhor eu ir – Sam se levantou em direção a porta, e saiu.

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