O reino da (in) felicidade

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Um reino onde tinha tudo para ser feliz...

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O reino da (in) felicidade

  1. 1. 1 O Reino da (in) Felicidade Parte I Em um reino bem distante vivia Ametista. Ela fora coroada rainha comapenas 14 anos de idade, após a morte de seus pais em um acidente de trem,a caminho da cidade de Pedra branca, quando iam buscá-la no colégio interno. Ela, assim como seus irmãos, Brilhante Jr., Ágata, Safira e Diamante –foram muito bem criados pelos pais, Brilhante e Esmeralda. Os dois eram reisde Água-Marinha, uma pequena província [o mesmo que estado, só que comoutro nome para indicar divisões territoriais nos países] de Granada. A educação dos filhos foi feita no colégio interno de Pedra Branca,onde reis, rainhas e afins eram educados para tomarem seus postos quandoassim o protocolo exigia. Os filhos não tinham a menor preocupação com o que fariam quandocrescessem, já que foram educados desde cedo, sabendo de suas obrigaçõespara com o seu reinado. Ametista era a filha mais velha da família. Seus pais escolheram cadanome em comum acordo antes de terem o primeiro filho, pois eramapaixonados por pedras preciosas, as quais eram cultivadas no reino, junto aopovo. Assim que seus pais a viram, ao nascer, ficaram encantados pela belagarotinha de cabelos castanhos claros. A filha fora muito desejada e nasceucom lindos olhos cor de violeta, algo muito raro no mundo. Ametista significa o símbolo do "terceiro olho" dos místicos. Segundo alenda, foi criada quando o deus grego do vinho, Dionísio, ficou irado com os
  2. 2. 2homens e jurou lançar tigres contra o primeiro ser humano que cruzasse a suafrente. Uma mulher chamada Ametista, que se dirigia ao templo da deusagrega Diana, surgiu e foi atacada pelos tigres. A deusa Diana teve piedade damulher e transformou-a em cristal, para que ela não sentisse mais dor.Arrependido, Dionísio derramou vinho sobre o cristal, tornando-o violeta. Seu irmão, Brilhante Jr. fora o segundo a nascer. Recebera o nome dopai por ser o primeiro filho homem. Seu nome não significava propriamenteuma pedra, mas um tipo de lapidação, que produz uma jóia de 57 faces. Seus pais acreditavam que, por seu significado, o menino seria capazde ser um Rei que saberia usar suas várias faces para saber lidar com o povodo reino, com bastante sabedoria. Ágata fora a terceira filha. Seu nome fora escolhido porque nasceracom uma variedade de cores avermelhadas em sua vasta cabeleira. Safira foi a quarta filha. Tinha a pele branca como flocos de algodão,porém, o que mais chamava sua atenção eram os olhos. De um azul escuro ebrilhante, eles pareciam duas safiras. Essas pedras podem ser encontradas nanatureza, sob a forma de gemas. Seu nome não fora escolhido apenas pela cor dos seus olhos, mas, porser uma das gemas mais valiosas, além de ser a cor que identifica asatividades criadoras, por meio das quais os homens demonstram suacapacidade de construir para o aumento de suas riquezas, tendo em vista suaspreocupações não serem especulativas. Diamante fora o quinto e último filho. Segundo a história, era a pedramais dura da natureza. Um diamante só pode ser cortado por outro diamante.Por este motivo, é utilizado na indústria como material cortante e perfurante. Damaior parte do diamante extraído da natureza, 80% era utilizado na indústria eapenas 20% era utilizado na confecção de jóias.
  3. 3. 3 Seus pais concordaram com o nome ao olhar a carinha do bebê, quefora o único filho que não sorriu ao nascer, além do mais, eles sabiam que nãopoderiam mais ter outros filhos por causa das suas idade e queriam um nomeque combinasse com o que eles queriam. Por isso, deu-lhe o nome de diamante, que simbolicamente, significavaa indestrutibilidade do amor, o amor que os dois sentiam um pelo outro, pelosfilhos e pelo reino.
  4. 4. 4 Parte II Por ocasião da morte dos pais, o reinado entrou em luto por setelongos dias. Todos amavam seu rei e rainha, pois eles tudo fizeram para que oreinado fosse próspero e feliz. Todos os filhos compareceram às diversas cerimônias realizadas até osétimo dia, o dia em que ambos seriam cremados numa cerimônia bonita,porém melancólica. O rei e a rainha foram colocados numa balsa de madeira pura, de corclara, ambos deitados de mãos dadas e com tecidos de seda branca cobrindo-lhes o corpo. Ao lado dos corpos, havia diversas flores coloridas e ervas dediferentes aromas, misturadas para que os corpos não entrassem emdecomposição antes do tempo da cremação. A cerimônia era realizada pelo poder maior do reino: o sacerdote,geralmente o mais velho de todos, nomeados pelo rei e seus chanceleres. Asorações eram feitas pelo sacerdote e pelos familiares, acompanhadas pelopovo do reino até a beira do mar, onde então, a balsa era colocada junto àsondas, com algumas tochas acesas ao lado dos corpos. Na beira do penhasco de Granada, que era chamado de Rocha doAdeus, oito arqueiros ficavam lado a lado, aguardando a balsa chegar após aprimeira onda, para então, lançarem suas flechas com a ponta molhada emsolução feita para manter o fogo aceso durante um dia inteiro. O número de arqueiros fazia parte da tradição da província deGranada. Para eles, o número oito representa o que permanece em equilíbrio:A Justiça. Na mitologia egípcia, Anubis é a representação máxima do númerooito. Anubis (ou saturno) faz o julgamento dos mortos através de uma enormebalança, onde, num dos pratos, é colocado o coração do iniciado, do outro,encontra-se uma pena.
  5. 5. 5 Este simbolismo indica, para o bom iniciado, que o coração não podepesar mais que uma pena, daí a importância da pureza em nossa evolução. Compreende-se que a evolução do homem (quadrado) se dá nomomento em que ele completa 28 anos (4×7=28). Observamos então omistério do número 28 (4×7) = 2 (polaridade-equilíbrio) e 8 (justiça-julgamento),que, curiosamente, é o ciclo de saturno. No aspecto da evolução da alma, o número 2 representa a polaridadeentre emoção e a mente (alma), e o 8, a consciência (espírito) que julga estesveículos. O 8 representa também o dia da ressurreição do Senhor e também afutura ressurreição de todos os santos . Daí que nas indicações junto ao título do salmo 6 consta: “Para ooitavo”. O número oito – ensina Agostinho – simboliza o mundo futuro. Pois ooito sucede o sete, número que representa o tempo. Após a mutabilidade destavida (simbolizada pelo sete), o oitavo dia é o do juízo. Mas a tradição do reinado de Água-marinha era utilizar o número 8 demaneira horizontal na veste dos mortos, que também é o símbolo do infinito eestá relacionado com as serpentes entrelaçadas do Caduceu de Mercúrio,símbolo da Ressurreição e da Eternidade. Logo após a cerimônia de cremação, os filhos voltaram ao palácio emsilêncio, cada um carregando sua dor no peito. Porém, Ametista, como a filhamais velha, se sentiu responsável pelos irmãos e escondia sua dor embaixo deuma máscara de frieza serena e calma. Seu coração queria gritar. Seus olhos ardiam. Ela queria chorar pelador da perda dos pais, mas agora ela seria coroada rainha e precisava mantera máscara para que todos a respeitassem e pudessem contar com ela. Os dias e meses foram se passando e Ametista cuidou dos irmãos comzelo. Soube comandar o castelo como sua mãe lhe ensinara, bem comoconduzir seus irmãos no caminho do bem e da educação, imposta pelos pais.
  6. 6. 6 Porém, Ametista esqueceu-se de cuidar de si mesma. Seus cabelosagora não eram mais penteados com esmero. Seu rosto parecia mais pálido doque o normal e o choro e falta de sono com as preocupações, lhe deram umpar de olheiras escuras abaixo de seus belos olhos. Sua boca parou de sorrir. Ela não mais encomendava vestidos novos,pois deixou de sair por causa dos irmãos. Assim, passara a usar trajes maissóbrios e somente nas cores negras, o que lhe conferia um ar de lutoconstante.
  7. 7. 7 Parte III Um ano após a morte dos pais, Ametista se casou com um homemescolhido pelos chanceleres, já que ela se recusava a encontrar alguém porconta própria. A cerimônia se realizara no salão mais discreto do Palácio,porém, não muito menor que os imensos salões que o castelo possuía. Somente os familiares, o sacerdote, os chanceleres e amigos dafamília compareceram à tradicional cerimônia. O povo só participaria desta,após a saída do casal para a lua-de-mel, que se realizaria ali mesmo nocastelo, a pedido de Ametista, preocupada em deixar seus irmãos sozinhos. Ametista ainda não conhecia seu noivo. Para ela, tanto importavaquem seria, desde que ele realizasse suas tarefas como o escolhido paraesposo da rainha. Ele seria o rei consorte, já que não descendia da família dorei. Assim que o viu, Ametista lançou-lhe um olhar frio deixando claro queele seria somente o “marido” da rainha, nada mais que isso. O homem, alto,magro, cabelos castanhos e olhos verdes, parecia seguro do que estavafazendo, porém, Ametista desconfiava que seria um belo desafio a ele. Ele segurou sua mão e Ametista notou-lhe-as tremendo, causando aela um sorriso sarcástico. Ela precisava de um marido forte, que lhetransmitisse segurança, bem como à sua família e ao povo do reino, mas esteparecia-lhe um homem sem muita certeza do que estava fazendo. Com certezaestava casando-se com ela somente por causa do título de nobreza e os dotesque lhe seriam entregues após o primeiro ano de casamento. Quando terminou a cerimônia, os noivos foram até a sacada do casteloe acenaram para o povo, fingindo uma felicidade que não sentiam. Ametistaentão levou-o direto ao quarto preparado para os dois, onde então, os doispudessem desfrutar da vida de casados.
  8. 8. 8 Assim que entraram no quarto, ele observou todos os detalhes aoredor, em silêncio. Ametista olhou para ele, e, meio nervosa e ansiosa, deu-lheas costas, para, em silêncio, esperar o marido ajudá-la a tirar suas vestimentas. Este, também visivelmente nervoso, dedicou-se a desamarrar osinúmeros laços que lhe cobriam as costas do vestido. Depois disso, com osdedos trêmulos, ele abriu dezenas de botões feitos de pequeninas pérolas, quea cobriam dos seios até o meio da cintura. Embaixo deste ainda tinha umsaiote armado e, por último, uma delicada camisola de seda branca, quelembrava a pureza da noiva. Gabriel, agora seu marido, deitou-a na cama e sem muito carinho,tirou-lhe a pureza. A princípio, Ametista detestou tudo aquilo. Com o tempo,porém, aprendeu a sentir prazer no sexo e acostumou-se a viver bem com omarido. Sua vida não era muito excitante, como um dia ela havia sonhado, masela jamais reclamava. Continuava cuidando dos irmãos e do povo, junto aomarido, continuando a trazer prosperidade ao reinado. Em 15 anos de casamento, Ametista não pudera ter filhos. Tivera doisabortos e acabara desistindo por causa da sua saúde. Seu marido, com otempo, parou de procurá-la na intimidade e já não lhe dava o mínimo carinho. Deixaram de sair juntos às festas e Gabriel passou a dormir em outroquarto, com a desculpa de deixar a esposa descansar, já que ele chegava tãotarde e poderia fazer barulho que poderia causar-lhe mal-estar. E assim, Ametista passou a viver uma vida sem vida. Se dedicavainteiramente aos irmãos e ao trabalho junto aos chanceleres e à corte, já queseu marido preferia viver ás voltas com as belas damas ou até mesmo asempregadas de outras damas, passando a chegar ao castelo ao amanhecer dodia e completamente bêbado.
  9. 9. 9 Parte IV Em seu aniversário de 30 anos, Ametista preferiu não comemorar. Elapreferia o aconchego do castelo e à companhia dos irmãos à companhia deoutras pessoas e festas muito barulhentas. Gabriel esqueceu-se da data e só voltou para casa no outro dia. Assimque acordou, Ametista ficou sabendo que ele saíra com amigos para caçar napropriedade que eles tinham em outra cidade e não se importou. Para ela, acompanhia do marido já não era mais necessária. Ela aprendera a viver por simesma e pelos irmãos. Dois dias depois, Ametista estava deitada na bela Chaise long detecido avermelhado, combinando com espessas cortinas de cetim vermelho,adornadas de dourado que enfeitavam as paredes da sala de descanso docastelo, com um livro de romance à mão. Ela já estava se levantando para ir para o seu quarto quando umempregado veio avisá-la que havia alguém que gostaria de vê-la com urgência.Estranhando o horário, Ametista foi ao encontro do visitante e deu de cara comRafael, irmão de seu marido, ou seja, seu cunhado. Este estava suando, com pequenas gostas a escorrer-lhe da fronte eestava muito tenso e pálido, com os lábios tremendo. Assim que viu a rainha,este fez-lhe uma mesura, segurou suas mãos e logo narrou-lhe a história. Ele estava caçando com seu irmão e alguns amigos, quando umincidente aconteceu. A arma de um amigo disparou acidentalmente, ferindomortalmente o peito do irmão. Com o susto, Ametista achou que fosse desmaiar. Sentiu-se mal e seucunhado a levou para um sofá na sala de descanso e chamou os empregadosdando-lhes a notícia. Todos ficaram preocupados com o estado da rainha ealguns deles foram chamar seus irmãos, que, a esta hora, já haviam serecolhido para dormir.
  10. 10. 10 Ametista acordou algum tempo depois com o médico do Castelo juntoà sua cama. Ele esfregava em seu nariz um tecido com um líquido que ela nãosaberia explicar o que era naquele momento, mas que a fez acordar. Seus irmãos estavam sentados ao lado da cama, preocupados com oseu estado de saúde. Em prantos, Ametista tentou-lhes transmitir serenidade,mas não conseguia. Ela se sentia culpada. De repente, achou que era a pioresposa do mundo e que fora péssima companheira do marido, por isso elepreferia a bebida e orgias com outras mulheres. Com este pensamento, Ametista entrou em profunda depressão.Comia o mínimo possível, emagrecendo bastante em pouco tempo. Sua peletornara-se sem viço e seus olhos não brilhavam mais. Mais uma vez, tornou a vestir o luto e durante seis meses, mal selevantava da cama. Ela não precisava mais se preocupar tanto com seusirmãos, já que todos haviam crescido, se tornando ótimos companheiros etrabalhadores incansáveis das causas do povo. Um ano após a morte do marido, Ametista pretendia narrar aos irmãossua decisão de deixar o reinado para Brilhante, pois ela não sentia maisvontade de ser rainha. Seu irmão poderia fazer melhor que ela, já que ela nãodeixara nenhuma lacuna na educação de todos, tornando-os pessoasmaravilhosas. Sempre que se aproximava dos irmãos, Ametista tentava falar, mas osom não saía de sua boca. Ela voltava para o quarto e preferia a companhiados livros. Numa bela noite de luar, ela sonhou com sua mãe. Ela lhe dizia parater paciência e ficar tranquila, que logo ela teria um desafio pela frente e quedeveria abrir seu coração para as coisas boas da vida.
  11. 11. 11 Parte V Quando ela acordou na manhã seguinte, sentia uma boa sensação epouco se lembrava do que sua mãe lhe dissera no sonho. Assim, ela resolveuse levantar e fazer uma caminhada. Vestiu um traje negro, simples, calçouluvas e botas também negras e partiu à cavalo para o campo de girassóis, olugar que ela mais amava no mundo, que lhe trazia paz. Sua figura era estranha. O negro misturado ao amarelo das folhas dosgirassóis e ao verde das folhas fazia um contraste encantador a quem pudessever. E alguém viu! Era Malaquias. Um homem que, curioso, saíra paraconhecer a propriedade vizinha a dos seus tios. Malaquias morava a centenas de km de Água-Marinha, mas já ouvirafalar da pobre rainha que vivia em luto desde a morte dos pais e depois, após amorte do marido. Ficara curioso em saber o quão inteligente ela era e tambémbem quista pelo povo do reino. Assim, resolvera sair para conhecer o Castelo,e, quem sabe, encontrar alguém que pudesse contar-lhe a história da rainha. Assim que se virou para pegar o cavalo e retornar ao castelo, Ametistatropeçou em uma pedra e caiu de joelhos. Quando ia se levantando, ela viuuma sombra cobrindo a sua e levantou o rosto assustada. Seus olhos se encontraram com os mais profundos e belos olhosverdes que ela já vira. A íris dos seus olhos possuíam pequenas pintascastanhas que lhe traziam um ar misterioso. Ele estendeu a mão e sorriu-lhe. E ela, sem demonstrar absolutamentequalquer tipo de sentimento, rapidamente tirou sua mão da mão daquelehomem. Até então, não havia notado que ele prendia sua mão há mais tempoque o necessário. - Meu nome é Malaquias. Por favor Senhora, desculpe aparecer dessejeito, mas quando levou uma queda, eu não pensei e corri para ampará-la.
  12. 12. 12 - Tu-tudo bem. Obrigada Senhor...... - Malaquias. Sou sobrinho dos Kenyon, seus vizinhos do lado Sudesteao castelo. - Malaquias? Interessante.... o seu nome lembra uma pedra preciosa.Como conhecia bastante sobre as pedras, Ametista conhecia bem a história daorigem do seu nome e comentou com ele. - Seu nome é de origem da Malaquita, sabia disso? Sorrindo, Malaquias lhe falou: - Sim, meus pais assim o quiseram. Malaquias vem de Malaquita comovocê falou, Ela é uma pedra de aparência rosada. Meus pais fizeram essa“brincadeira” comigo, pois desde o meu nascimento, possuo essa pele branca,quase rosada haha! Sorrindo, Ametista continuou: - A Malaquita é conhecida por suas propriedades de alegria, felicidadee telepatia. Essa pedra transmite sensação de conforto e renova o nossoestado emocional. Fisicamente, ela tem efeitos terapêuticos sobre osmúsculos, a coluna e o coração. Por fim, na antiguidade, era a pedra honradacomo pedra mágica. Terminando de falar, Ametista notou que ele fitava-lhe os lábios,embevecido com a sua inteligência e a maneira como ela sabia sobre história efalava com desenvoltura. Os olhos dela também eram lindos! Um pouco sem graça e se sentindo incomodada com aquele olhar, elaretirou uma das luvas e estendeu-lhe a mão. - O meu nome é Ametista. - Oh, oh... Ametista, a Rainha?! Fazendo-lhe uma mesura, Malaquias pediu desculpas pela falta deconsciência e educação.
  13. 13. 13 - Desculpe-me Senhora, eu não pude reconhecê-la, afinal, morobastante longe daqui. - Não tem problemas Sr. Malaquias. O que o Senhor faz aqui emminhas terras? - Eu estava cavalgando e de longe, o sol lançou raios diretos sobreeste lindo campo de girassóis, me deixando encantado. Sorrindo pela primeira vez em um ano, Ametista disse-lhe: - Não há problema algum Sr. Malaquias. Eu mesma venho semprecaminhar aqui, pois os girassóis são os meus preferidos. - Bom, muito bom. Agora eu preciso ir senhora e desculpe-me maisuma vez por assustá-la. Despedindo-se com outra mesura, Malaquias virou-lhe as costas e saiuem busca do cavalo que amarrara em árvore próxima. Montou-o, olhou paratrás lançando-lhe um último olhar, levantou o chapéu e deu adeus. Ametista ficou ali parada, sentindo a boca seca e as mãos trêmulas.Ela não sabia o que estava acontecendo, mas algo naquele homem mexeracom ela. Voltando ao castelo, ela não conseguia tirar da memória os olhos e oslábios daquele homem. Refrescou-se um pouco com um suco de frutas e foideitar-se em sua cama, com um romance nas mãos. Mas não conseguiu lermais do que uma página e já estava pensando em Malaquias novamente. Sentindo raiva de si mesma pelos novos sentimentos, virou-se eapagou a luz à cabeceira da cama, no entanto, sua noite foi longa e cheia desonhos com Malaquias, o que a fez acordar mal-humorada pela manhã.
  14. 14. 14 Decidiu não sair para caminhar e passou o dia no castelo, andando deum lado para o outro, ansiosa, sentindo que algo estava para acontecer,fazendo seu coração bater um tanto quanto rápido.
  15. 15. 15 Parte VI A noite chegou. Ametista se arrumou um pouco melhor e desceu parao jantar, pois sua criada avisara-lhe que haveria um convidado à mesa.Descendo distraída as longas escadarias que levavam até a sala de jantar,Ametista não havia visto o cavalheiro que estava reunido com os irmãos, atéque seus olhos se encontraram. O susto inicial deu lugar a um sorriso falsamente tranquilo e ela foi atéele cumprimentando-o. Malaquias segurou sua mão delicada e ali depositouum beijo, para em seguida levantar os olhos para ela. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz profunda do irmão,Brilhante Jr. - Minha irmã, que bom que você desceu para jantarmos todos juntoshoje. Quero apresentar-lhe o Senhor Malaquias, sobrinho dos Kenyon. Eu oconheci hoje á tarde em reunião com o Chanceler Malford e achei que seriauma boa companhia para o nosso jantar. - Ah sim! Senhor Malaquias, muito gosto em conhecê-lo. Franzindo o rosto, Malaquias entendeu que Ametista queria deixar oencontro dos dois em segredo e murmurou: - Muito obrigada Senhora Rainha. Fico muito feliz e honrado peloconvite e por estar em companhia de tão ilustre família. Caminhando para a mesa, Ametista sentia seus passos inseguros pelochão de mármore branco e preto e sentou-se à mesa, nervosa. Fez um sinalpara os empregados servirem o jantar e conversaram durante quase todo otempo. Malaquias não tirava os olhos da mulher que conhecera pela manhã.Agora à noite, sua beleza ainda era estonteante aos seus olhos. Seus belos
  16. 16. 16olhos violetas agora brilhavam com a luz das velas, conferindo-lhe um ar umtanto misterioso, que o fazia sentir arrepios. Por mais de duas horas, travaram uma conversa interessante e aomesmo tempo formal, onde Brilhante dissera a Malaquias que sua irmã estavaviúva há pouco mais de um ano e que logo deviam providenciar-lhe outromarido – falou isso sorrindo carinhoso para a irmã. Ametista sorriu-lhe um pouco nervosa e respondeu: - Meu irmão já não se sente feliz ao meu lado. Ele acha que preciso deum marido para tomar conta de mim para que ele não precise se tornar rei e tertanto trabalho não é mesmo meu irmão? [falou carinhosamente olhando paraseu irmão] - Você sabe minha irmã que eu só quero o seu bem e gostaria de ver-lhe feliz novamente. - Eu sei, eu sei – respondeu-lhe Ametista fazendo troça do seu olhar. Depois do jantar, foram para a sala de descanso e conversaram pormais uma hora e logo depois, Malaquias pediu licença e se despediu de todos,não deixando, porém, todos notarem que seu olhar pousava sempre emAmetista. Todos se recolheram indo dormir, mas Ametista passou a noite emclaro. Não conseguia tirar aquele homem da sua cabeça e um sorriso veiobrincar em seus lábios
  17. 17. 17 Parte VII Ainda faltava mais de 1 hora para o amanhecer e Ametista nãoconseguia dormir. Ela se levantou, inconscientemente se arrumou com esmeroe foi caminhar no campo de girassóis. Pouco tempo depois ela ouviu passos atrás de si e, sem nenhumasurpresa, viu que se tratava de Malaquias. Os dois se olharam durante muito tempo, como se o tempo não maisexistisse. Ametista foi a primeira a desviar o olhar para seus pés, evitandoencarar o moço e ele achar que ela estava tendo segundas intenções. Envergonhada, ela o cumprimentou baixinho, com a voz trêmula.Malaquias amarrou o cavalo à mesma árvore do dia anterior e parou ao seulado. - A senhora me desculpe, mas eu não consegui dormir pensando emseus belos olhos e em como o seu sorriso é lindo. Sem graça e sem saber o que falar, ela gaguejou: - Por favor, eu não.... - Por favor, me desculpe, não queria ofender-lhe. - Não me ofendeu, eu só.... - A senhora só o que ? A pergunta direta pegou-lhe de surpresa. Ela olhou para ele com osolhos muito abertos e respondeu: - Bem, na verdade – ela disse ainda olhando para o chão e sentindo orosto pegar fogo – eu também não dormi a noite toda e não via a hora de vircaminhar e.... - E.... ?
  18. 18. 18 - Pare! Estou confusa e você me deixa confusa! [Ela respondeu,dando-lhe as costas] - Ametista, não consigo tirar-lhe da cabeça. Seus olhos me vigiam paraonde quer que eu vá. Sua voz doce e macia ressoa em meus ouvidos. O seusorriso me deixa tonto e não sei o que fazer. [Ele falou, com o corpo quasecolado ao dela] - Eu... eu... eu..... - Shhh não fale nada – disse-lhe Malaquias, virando o corpo dela parasi e colocando-lhe um dedo nos lábios. – Apenas olhe para mim. Ametista levantou os olhos com receio. Tinha medo de entregar seussentimentos fitando aquele homem nos olhos. Seu coração batia forte. Nãosabia o que fazer. Decidiu fitar-lhe os olhos. Suas pálpebras tremeram. De repente, semsaber como, ela estava envolvida pelos braços de Malaquias. Seu beijo eraterno e profundo, cheio de carinho. Era como se Ametista estivesse beijandode verdade pela primeira vez. Suas mãos másculas afastaram o cabelo que caiu em sua testa e elesegurou seu rosto com ambas as mãos, trazendo seu rosto para mais perto edando-lhe outros beijos apaixonados. De repente, Ametista sentiu seu corpo sendo afastado por duas mãospoderosas. Malaquias estava muito atordoado, afastara-se um pouco e dera-lhe as costas. - Desculpe Ametista, eu não queria.... - Não !! Nós queríamos.... não é verdade? - Sim, sim, eu queria muito !! - Então....
  19. 19. 19 Virando-se novamente para Ametista, Malaquias gaguejou umadesculpa e saiu, saltando sobre o cavalo e saindo em disparada. Ametista, completamente sem ação, sentiu seu coração voltando aonormal e tocou seus lábios inchados pelos beijos de Malaquias. Sorriu consigomesma e voltou bem devagar para o castelo. Pediu para sua criada preparar-lhe um banho e deixá-la sozinha. Acriada saiu, fechando a porta atrás de si, aguardando o chamado do lado defora. Ametista não cabia em si de felicidade. Ela só pensava nos beijos deMalaquias e em como sua pele queimava ao menor toque dele. Enquanto seuspensamentos voavam, os cabelos de sua nuca se arrepiaram e seu corpoimplorava por mais. Seus olhos se fecharam e sua cabeça foi jogada para trás. Quando deupor si, suas mãos começaram a fazer o trabalho que ela gostaria queMalaquias houvesse feito em seu corpo.
  20. 20. 20 Parte VIII Nos próximos dias, Ametista e Malaquias eram sempre vistos juntospela família e criados. Seu riso cristalino, há muito esquecido, era ouvido delonge. Seus olhos voltaram a brilhar e sua pele retomara o viço. Estava semprearrumada e perfumada, aguardando o momento de encontrar com o seu amor. Sim, ela sabia que o amava desde o momento em que seus olhos seencontraram pela primeira vez. Seus olhos mergulhavam nos olhos do amadoquando trocavam carinhos. Suas mãos passeavam delicadas por seu rosto epescoço, indo parar atrás de sua nuca, puxando-lhe para mais um dosinúmeros beijos que trocavam a toda hora. Seis meses depois, Malaquias e Ametista avisaram à família quegostariam de jantar logo mais à noite com toda a família presente. Todos esperavam ansiosos pelo jantar. Os criados arrumaram a mesacom esmero e enfeitaram-na – a pedido de Ametista –com girassóis colhidosna hora. Estava tudo lindo quando todos se sentaram. Sorriram observando afelicidade da irmã e esperaram Malaquias falar. Olhando para Brilhante, comoirmão mais velho de Esmeralda, Malaquias a pediu em casamento, provocandolágrimas em todos, quando este falou que adoraria estar pedindo a mão deAmetista aos pais. Disse-lhes também que, se pudesse, diria aos seus pais o quanto eleera agradecido por colocar pessoa tão maravilhosa no mundo como Ametista;que ela era linda como uma flor; que ela tinha os olhos de feiticeira, queprendiam os deles como algemas delirantes. Disse-lhes ainda que não seimportava com títulos e dotes, pois tinha o suficiente para Ametista e todafamília.
  21. 21. 21 Todos se levantaram felizes, no brinde que fizeram ao aceno queBrilhante fez com a cabeça, aceitando o futuro cunhado como parte da família. Malaquias pegou as mãos de Ametista e beijou na frente de todos,colocando um lindo anel de ametista em seu dedo. Os tons violetas mudavamde mais escuro para o mais claro dependendo do movimento que ela fizessecom as mãos, fazendo todos ficarem mudos com o lindo presente. - Este anel combina com seus olhos meu amor! - Ah, muito obrigada Malaquias. Eu amo você! - Também amo você minha rainha. Todos sorriram e passaram boa parte da noite conversando sobre ocasamento. Nesse tipo de cerimônia o pai não pode entregar sua filha ao noivoantes que ela seja abençoada por um sacerdote. A noiva usa, geralmente, vestidos azuis, pois essa cor é associada àpureza; no entanto, essa não se trata de uma regra, podendo, a noiva, trajardiferentes cores. Para a decoração, a família opta pela flor de laranjeira, e para acomemoração são servidos banquetes com farta comida e bebida; tudo emmeio a muita diversão. Pouco depois, deixaram Ametista a sós com o seu amado e serecolheram, indo dormir. - Minha querida, eu sou muito feliz por ter aceitado o meu pedido. - Eu também meu amor. Você me faz muito feliz! - Você é minha rainha, minha deusa, minha flor, minha pedra preciosa,minha ametista, minha vida!
  22. 22. 22 Com lágrimas nos olhos, de felicidade, Ametista encostou o corpo node Malaquias e recostou a cabeça em seu peito. - Eu jamais recebi tantos elogios lindos vindo de alguém como vocêmeu amor. - E você os terá sempre! Eu a amo e tudo que eu mais quero no mundoé viver com você para sempre, acordar todas as manhãs com o seu sorriso,com os seus olhos me fitando, com o seu corpo encostado ao meu, com suaspernas entrelaçadas à minha. - Oh Malaquias! Você me diz tanta coisa linda! - Eu falo isso somente para você minha querida, porque você me fezdespertar para esse novo mundo. Eu vivi boa parte da minha vida preocupadocom outras pessoas e esqueci de mim mesmo. Eu passei por fases difíceis, tentando encontrar um sentido na minhavida e por algum acaso do destino, encontrei você. E você me deu tudo o queeu sempre quis: o amor e a vida! Chorando, Ametista beija seu amor e o abraça forte. Estava sempalavras. Sua voz não saía, tamanha emoção que sentia. - Meu amor, eu preciso ir. Tenho uma surpresa pra você logo pelamanhã. - Oh meu amor, então eu vou querer dormir rápido para acordar maisrápido ainda e vê-lo assim que acordar. - Não tenha pressa meu amor. Logo nos casaremos e dormiremos eacordaremos juntos todos os dias, eu prometo. - Você me ama mesmo? - Mais do que você imagina meu amor! Beijando-a, Malaquias acenou-lhe e saiu pela porta entreaberta por umcriado.
  23. 23. 23 Ametista subiu correndo as escadas e foi deitar-se, feliz, com o corpoem chamas. Mal via a hora de se casar com o homem de sua vida.
  24. 24. 24 Parte IX Ametista acordou com uma algazarra que vinha logo abaixo de suajanela. Olhou para o lado e viu suas irmãs Ágata e Safira, que ainda vestiamtrajes de dormir, acenando pela janela e o barulho que elas faziam era dealegria, entusiasmo e surpresa. - Venha minha irmã, veja o que Malaquias trouxe pra você! [falou Safirasorrindo] - Oh meu Deus, mas a esta hora? - Sim, sim, levante-se preguiçosa e venha logo até a janela. [falouÁgata] - Está bem, vocês me venceram, fiquei curiosa. [Falou Ametistalevantando-se da cama]. - Mas o que..... oh meu Deus!! O que é isso?? [Ela gritou espantada] - Minha irmã, não está vendo? [perguntou Safira] - Sim, sim, sim, mas... - Mas nada sua boba! Acene para ele e vamos nos trocar e descercorrendo para vermos seu presente mais de perto. As moças saíram correndo, deixando Ametista atordoada na janela.Não sabia se ria ou chorava, mas se apressou em se vestir e colocar um lindovestido lilás de tom bem claro, que combinava maravilhosamente bem comseus olhos e seu anel de noivado. Encontrou as irmãs na escada e todas desceram correndo, falando altocom alegria. Assim que as portas do castelo se abriram, Ametista arregalouainda mais seus olhos lilases para o presente.
  25. 25. 25 Procurou os olhos de Malaquias e, assim que o viu, saiu correndodireto para um beijo e um abraço apertado. - Meu amor, você é louco!! - Sim, por você meu amor! [falou Malaquias rindo] Ande, me diga o queachou do seu presente!! - Oh, mas é.... é perfeito! Lindo! Maravilhoso! O presente mais lindoque já ganhei na vida! - Então ande, mostre às suas irmãs e chegue mais perto dele[Malaquias sorrindo] Andando em círculos ao redor do presente, Ametista tocou com aponta dos dedos uma bela parelha de cavalos de cor castanho-dourado ecrinas imensas. Eram de pura raça. Logo atrás, atrelada aos cavalos, uma lindacarruagem negra com as iniciais A e M pintadas de dourado e o símbolo darealeza de Água-marinha logo abaixo. Abriu a portinhola da carruagem e passou as mãos pelos acentos decouro. Tudo era lindo! - Meu amor, eu nem sei o que dizer! - Então não diga! Mas... me dá um beijo? Malaquias disse isso rindo ecorreu para abraça-la e deu-lhe um beijo na boca com um certo mudo, já queas irmãs estavam por perto, bem como os empregados. Virando-se para sua amada e suas irmãs, Malaquias falou: - Então, que tal eu e você e sus irmãs darmos uma volta no seupresente? Todos subiram na carruagem, com a galante ajuda de Malaquias.Acomodaram-se e saíram para um passeio pelo campo. Logo a carruagemchegou perto do campo que ficava à beira-mar e todos desceram.
  26. 26. 26 Malaquias pegou a mão de Ametista e foram caminhar, com suas irmãslogo atrás. Todos estavam felizes, respirando a brisa que vinha do mar. O diaestava lindo, o céu azul claro, bem diferente dos olhos azuis escuros de Safira. Ágata corria dançando e fazia todos sorrirem com seus cabelosavermelhados esvoaçando pela brisa do mar. - Sabe amor... eu pensei bastante e queria te falar sobre uma decisãoque eu tomei. [falou Ametista] - É? Do que se trata meu amor? [Malaquias] - Eu tinha medo de ter filhos por causa dos abortos que eu tive com oGabriel, mas queria saber se você aceita me dar essa felicidade de tentarmoster um filho, o que acha? [Ametista falou isso com medo na voz]. - Meu amor! Essa é a melhor notícia que recebi hoje. Vamos sim! Euquero muito ter filhos e você será a mãe mais linda do mundo! - Oh meu amor! Ametista respondeu, beijando-o com ardor. Malaquias estava feliz em ver sua futura esposa e suas irmãs felizes. Oque ele mais queria nesse mundo era casar-se logo com ela e assim, fazeremplanos para todos os dias de suas vidas. Porém, uma nuvem negra fez os olhos de Malaquias cerrarem-se eeles os fechou por alguns instantes, o que foi notado por Ametista. - O que foi meu amor, não se sente bem? - Não querida, eu estou bem, fique tranquila. [Ele falou sorrindo, masseus olhos não sorriam] - Mas sinto seus olhos um tanto preocupados hoje meu amor. Querconversar a respeito?
  27. 27. 27 - Não, não é nada. Estou feliz porque estás feliz e isso me basta. [elerespondeu, apertando a sua mão, com carinho] - Então, vamos voltar para a casa, pois a modista irá levar o vestido decasamento para que eu prove hoje ainda. Amor, estou ansiosa. Em poucotempo estaremos casados, já pensou nisso? - Já sim meu bem. Penso nisso o tempo todo! - Meninas, vamos! Nossos vestidos nos esperam! [Ametista chamou asirmãs] As moças saíram correndo, felizes em poderem experimentar o vestidoque usariam no casamento da irmã. Malaquias se despediu de todos e partiu para a casa da Tia. Seucoração estava em pedaços. Pela primeira vez na vida, ele havia seapaixonado e queria viver esse amor com a mulher que roubara seu coração. Ele montou seu cavalo e saiu pensativo, com o semblante triste. Ametista e as irmãs nada notaram e subiram as escadas correndodireto aos seus quartos para experimentarem os vestidos e passaram a tardefazendo os últimos ajustes.
  28. 28. 28 Parte X Faltavam somente 15 dias para o casamento. E nesse meio tempo,Malaquias lhe dedicara total atenção. Seus irmãos estavam felizes em ver airmã tão feliz. Para eles, era a realização de um sonho, já que acreditavam queAmetista não havia sido feliz na ocasião do primeiro casamento. Durante todo tempo, Malaquias encheu Ametista e os irmãos depresentes lindos e caros. Todos estavam encantados com o carinho ededicação do moço. Quando faltavam somente dez dias para o casamento, Malaquiaschegou ao Castelo com ar de preocupação. - Meu amor, meu pai sofreu um acidente a cavalo e eu preciso partirpara ter certeza que ele está bem. - Claro meu amor! Vou aprontar tudo e partiremos ainda hoje. - Não Ametista. Eu já estou pronto. Vim só me despedir! - Mas, você acha que dá tempo de voltar para o nosso casamento? - Claro que sim! Confie em mim! - Está bem meu amor. Mas não se esqueça de mandar notícias. Digaaos seus pais que mando lembranças e todo meu amor. - Eu mando sim meu amor, sabe o quanto eles a amam. - Sim, mas eu não vejo a hora de conhecê-los pessoalmente. - Você logo os conhecerá, prometo. Eu preciso somente ter certezaque meu pai está fora de perigo e voltarei a tempo para o nosso casamento. - Está bem. Então vá, ande logo para voltar logo! [disse Ametista rindo]
  29. 29. 29 Ele já ia saindo quando parou à porta. Girou a cabeça e fitou os olhosde sua Ametista. Ela nunca estivera mais linda! Ele voltou e deu-lhe um forte abraço e beijou-lhe a boca parademonstrar todo amor que sentia por ela.
  30. 30. 30 Parte XI Sete dias haviam se passado. Faltavam somente três dias para ocasamento. Ametista estava inquieta. Seu coração batia diferente. Ela estavatentando esconder a preocupação dos irmãos, mas todos conheciam muitobem os olhos da irmã mais velha. Eles tentavam conversar com ela, mas ela seafastava, preocupada. Algo em seu coração dissera que havia algo errado, mas ela não quisdar ouvidos a nada. Só o amor que sentia por Malaquias bastava. Na sala, seus irmãos conversavam baixinho. Os dois saíram edeixaram suas irmãs preocupadas. Ao anoitecer, quando chegaram, osemblante dos dois estava fechado. Eles se encaminharam até a sala de descanso, onde eram esperadospor Safira e Ágata e lhes contaram o que haviam descoberto. Com os olhos cheios de lágrimas, Safira abraçou Ágata, não contendoos soluços. Brilhante e Diamante fechavam os punhos, agitados. - Não sabemos o que fazer. Como vamos contar isso para Ametista?[perguntou Brilhante] - Não sei! [ respondeu Ágata] - Também não sei meu irmão. [falou, baixinho, Safira] - Eu sei! Vamos contar a verdade. Ela precisa se preparar. Eu voumatá-lo! [falou Diamante, levantando-se com as feições furiosas] - Meu irmão, não foi isso que nossos pais nos ensinaram. Primeirovamos conversar com Ametista e só depois, tomaremos uma decisão. O queela preferir, devemos fazer, pois só a ela cabe tomar esta decisão difícil[Brilhante falou, com a mão no ombro do irmão]
  31. 31. 31 Com um leve movimento de cabeça, os irmãos assentiram, calados emuito tristes. Brilhante pediu que uma criada chamasse Ametista e todosficaram à sua espera. Ametista entrou correndo na sala, feliz, imaginando que seria notíciasde Malaquias. - O que houve? Sua voz morreu aos poucos, quando viu o semblante triste dos irmãos.Suas irmãs tentavam não chorar e os irmãos olhavam para baixo. - O que está acontecendo? Falou Ametista, segurando o braço deDiamante. - Pergunte ao Brilhante! Respondeu Diamante, com muita raiva na voz. - Minha irmã, por favor, sente-se. Temos uma notícia para lhe dar. - Não, por favor, não! Aconteceu alguma coisa com Malaquias? Ametista estava pálida e as lágrimas corriam por seu rosto. - Minha irmã, sinto muito, mas Malaquias não é quem nós imaginamos. - Como assim? Então ele está vivo? - Sim, vivo e bem longe daqui! - Como assim? Não estou entendendo o que está acontecendo! Seu coração batia forte. Ela pedia pra saber o que havia acontecido,mas algo em sua intuição lhe dizia que era melhor não ouvir. - Ametista, você tem que ser forte. Hoje pela manhã, eu e Diamantepartimos para a corte em busca de notícias sobre Malaquias. Antes disso,passamos pela casa dos Kenyon e eles disseram não ter sobrinhos e nuncaouviram falar no nome Malaquias.
  32. 32. 32 Tremendo muito, Ametista sentou-se, abaixou a cabeça e começou achorar. Era como se ela soubesse o que ele iria dizer. - Na corte, ficamos sabendo que Malaquias existia sim. Ele haviaaplicado vários golpes e prometera casamento a várias moças, como fez avocê. - Como.... ? E os presentes? - Tudo que ele nos deu, ele colocou em nossos nomes minha irmã. Adívida deverá ser paga por nós e não por ele. - Nãooooooooooooooooooooo !!! [ela gritou aterrorizada] - Sim minha irmã. Sinto muito estar lhe dando essa notícia, mas essa éa mais pura verdade. [Brilhante falou, com a voz desgastada] - Eu e Brilhante seguimos algumas pistas e enviamos uma pessoa atéo porto para saber mais notícias e o que ouvimos.... [falou Diamante] - O que? Falem logo! [Ametista estava com a voz desesperada] - Malaquias partiu para o outro lado do oceano. Ele já havia compradoos bilhetes há meses. Tudo foi uma armação minha irmã. Ele não só enganoua você, como nos enganou também. Nem sabemos se esse é o real nomedele. Ametista estava muda. Não conseguiu articular uma só palavra.Levantou-se, disposta a voltar para o quarto, mas de repente sua visão ficouturva e ela caiu desmaiada aos pés dos irmãos. - Corram! Chamem o médico. As irmãs se abraçaram, chorando e preocupadas, enquanto os irmãoslevavam Ametista ao seu quarto. Quando o médico chegou, demorou algumas horas fazendo unsexames. Ametista acordou e olhou para o rosto preocupado do médico emsilêncio.
  33. 33. 33 - Minha querida, dessa vez você demorou para acordar. - Doutor, onde estão os meus irmãos? - Eu vou mandar chamá-los. - Não Doutor. Eu não quero ver ninguém. Eu só quero ficar sozinha. Osenhor poderia me dar um remédio para que eu durma melhor? - Sim minha filha, lhe darei remédio para dormir, pois você precisadescansar. - Obrigada Dr. Diga aos meus irmãos que estou bem e que amanhãestarei melhor. Ametista esperou o médico sair e pegou o remédio. Ao invés da colherreceitada pelo médico, ela tomou várias. Tudo que ela queria era dormir prasempre. Não podia acreditar no que havia acontecido. Malaquias não mentira!Ela sabia que ele a amava. Ela sentia isso. Ela via nos seus olhos que osentimento era real. Se ele queria somente dinheiro, ele teria muito mais secasasse com ela, mas então, porque ele fugiu daquele jeito? Sem respostas, Ametista caiu num sono intranqüilo. Acordou dois diasmais tarde e viu os olhos dos irmãos, todos sentados ao lado de sua cama,encarando-a. - Por favor, não quero falar sobre Malaquias. [ela sussurrou virando orosto para o outro lado] - Não minha irmã, não falaremos mais dessa pessoa. Mas precisamosde você. Não conseguimos seguir nossas vidas sabendo o quanto estásofrendo. - Eu estou bem. Eu não vou mais chorar, eu prometo. Eu só querodescansar por alguns dias e logo depois, me levantarei e voltarei à vida desempre.
  34. 34. 34 - Então vamos sair e deixá-la descansar, falou Ágata, com os olhostristes. Brilhante olhou bem para o rosto da sua irmã mais velha, franziu assobrancelhas e saiu do quarto, acompanhado por seus irmãos. - Eu acho que a Ametista está escondendo algo. Ela não está bem. Elanão pode estar bem depois de tudo que ela passou. - Eu também acho meu irmão, mas o que faremos? [respondeu Safira] - Vamos dar tempo ao tempo. Enquanto isso, vamos deixá-ladescansar.
  35. 35. 35 Parte XII Quinze dias se passaram e Ametista não se levantava da cama. A faltade uma boa alimentação junto à tristeza, fizeram-na emagrecer e contrair umagripe muito forte. O médico estava preocupado com o seu estado de saúde e chamou osirmãos, pedindo-lhes que levassem Ametista para fora do castelo para tomarsol, de preferência em outra propriedade que eles tinham à beira-mar. Preocupados, os irmãos trataram de arrumar tudo para a partida detodos. Eles não iam deixá-la sozinha, doente. Ametista se negou a ir, mas estava tão fraca que mal conseguia falar. - E se ele.... voltar? [ela perguntou, fraca] - Minha irmã, ele não vai voltar. [ Safira] - Você agora precisa pensar em você! Vamos sair daqui por uns dias,tomar um sol e irmos caminhar na praia. [Ágata falou, abraçando a irmã] - Não, eu não quero sair daqui. Seu coração queria esperar Malaquias voltar. Uma parte de siacreditara no amor dele e tinha certeza que ele voltaria e acabaria com osboatos. Mas outra parte dizia para ela parar de sofrer por uma pessoa comoMalaquias, pois ele não prestava, era um oportunista, uma pessoa fria, semcoração e que destruíra os seus mais belos sonhos. Ametista pensou nisso e agarrou os lençóis, puxou-lhes pra cima dacabeça caindo em um choro que não podia conter. Chorava pela perda, pelador, pela amargura, por se sentir enganada.
  36. 36. 36 Chorava porque relembrava cada palavra cheia de amor que Malaquiaslhe dirigia. Chorava pela mentira. Chorava por ter acreditado nas juras de amor.E no final, sentia-se culpada como quando perdera o marido. Achava que oerro era dela. Os irmãos deram-lhe o remédio para dormir que o médico receitara ecolocaram-na na carruagem. Juntos, fizeram a viagem até o castelo da outracidade, ironicamente chamado de Castelo da Esperança. Assim que chegaram, deitaram-na em seu quarto, preparado pelascriadas e pelas irmãs e ela só acordou quando a noite caía. Assim que viu onde estava, ela fitou as paredes e voltou a chorar suaamargura e dor. Ela não queria mais acordar. Sempre que acordava, lembrava-se de como havia sido feliz com Malaquias e a tristeza tomava conta de si. No outro dia pela manhã, suas irmãs foram até o quarto e encontraramuma ametista sem cor e sem brilho. Via-se em seus olhos que não haviadormido e que havia chorado a noite inteira. - Minha irmã, viemos lhe buscar para passearmos à beira-mar. [Safirafalou, preocupada] - Não quero ir. - Por favor, faça isso por nós. Estamos muito preocupados com você.[Ágata implorou] - Nãooooooo! Eu não quero ir. Saiam daqui e me deixem sozinha! Ametista nunca havia gritado com os irmãos. Sua voz assustara asirmãs, que saíram correndo do quarto, chorando. Triste com toda situação, Ametista fitou o teto e viu os anjos que suamãe mandara pintar quando ela ainda tinha 12 anos. Sorriu, triste. Pensoubastante e tomou uma decisão.
  37. 37. 37 Á noite, após os irmãos passarem em seu quarto para desejar-lhe umaboa noite, ela levantou-se e colocou um vestido. Estava trêmula e se sentiafraca. Seu coração estava dolorido. As lágrimas pararam de cair. Saiu em silêncio do castelo e caminhou até o mar. Mesmo sentindomuito frio, tirou as roupas e colocou-as em cima de uma grande pedra. Olhoupara as mãos e, com tristeza, tirou o anel de ametista que ganhara deMalaquias e sussurrou para si: - Ele me fez perder tudo. O amor, a esperança, a vontade de viver. Nãotenho mais nada a perder. Meus irmãos são maiores e viverão melhores semmim. Já não sou uma boa companhia e sei que essa dor jamais sairá do meucoração. Colocou o anel junto às roupas em cima da pedra, soltou os cabelosque lhe caíam sedosos pelas costas e foi caminhando devagar para a água. Aágua não estava fria, mas sua alma sim. Seu corpo branco ia sendo banhado pela luz da lua, que beijava aságuas do mar como se estivesse chorando, misturando o reflexo da luz com aágua. Antes de sua cabeça sumir dentro da água, Ametista sentiu seucoração parando de bater aos poucos. Olhou para a lua, lembrou-se do seuamor, deixou as lágrimas correrem e afundou. Neste momento, uma nuvem cobriu a lua, como para escondê-la deassistir espetáculo tão triste. No outro dia pela manhã, a criada foi servir-lhe o desjejum e não a vira.Esperou algum tempo, imaginando que ela estava se banhando, porém,quando não a viu retornar, deixou a bandeja ao lado da cama e desceu asescadas. Brilhante encontrou-a ao pé da escada e perguntou:
  38. 38. 38 - Como ela está Azira? Ela comeu alguma coisa? - Senhor, eu deixei a bandeja ao lado da cama. Sua irmã não estava lá.Vim procura-la. Todos subiram correndo as escadas e viram que ela havia saído doquarto. Saíram desesperados à sua procura por todo o castelo e arredores. Na praia, acharam seu vestido junto ao anel Imaginando o que havia acontecido, os irmãos se abraçaram echoraram pela dor da irmã. Como na lenda, Ametista se dirigia ao templo da deusa grega Diana efora atacada pelos tigres. A deusa Diana teve piedade da mulher etransformou-a em cristal, para que ela não sentisse mais dor.
  39. 39. 39 Parte XIII [final] Algum tempo depois, bem longe dali, Malaquias soube da morte deAmetista e também perdeu a vontade de viver. Ele a amava, mas não tinhacoragem de dizer-lhe toda a verdade, que sempre fora um trapaceiro eenganava outras mulheres. Ele queria ter dito a ela que ela era especial e que ele jamais sentirapor outra mulher o que sentia por ela. Em poucos dias Malaquias chegou à praia que Ametista se afogou. Eleesperou anoitecer e não haver ninguém por perto e ficou fitando a água porbastante tempo. Ali ele chorou por Ametista, chorou por seu amor e chorou porele. Levantou-se, despiu-se de suas roupas e calçados e se encaminhoupara o mar. Ao sentir seu corpo afundando, olhou pela última vez para a lua eviu os olhos de sua amada sorrindo para ele. Ele estendeu a mão e tocou os dedos de Ametista ao mesmo tempoque seu corpo fora engolido pelas ondas. Alguns dias depois, alguns criados do Castelo entregaram as roupasaos patrões, Brilhante e Diamante e eles concluíram que fora de Malaquias.Um dos criados estendeu a mão e entregou uma pedra que estava ao lado dasroupas. Ela uma gota de cristal, em forma de lágrima, da cor da ametista... Ametista fora atacada por um tigre feroz, que levou seu coração e suaalma: Malaquias. A deusa Diana, sentindo piedade da moça, transformou-a emcristal, para que sua dor se acabasse. Arrependido por ter enviado os tigres, Dionísio derramou vinho sobre ocristal, tornando-o violeta.

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