Os problemas da taxa de juros para a economia brasileira

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Juntada Srª MARIA DE LOURDES MOLLO - Apresentação CPI - Os problemas da taxa de juros para a economia brasileira

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Os problemas da taxa de juros para a economia brasileira

  1. 1. Maria de Lourdes Rollemberg Mollo Departamento de Economia – Universidade de Brasília [email_address]
  2. 2. <ul><li>Objetivos </li></ul><ul><li>1. Detalhar os problemas relacionados às altas taxas de juros brasileiras e suas conseqüências para a dívida e para o crescimento econômico e a redução das desigualdades </li></ul><ul><li>2. Confrontar teoricamente os argumentos neoliberais de defesa dessas taxas com as críticas dos economistas anti-liberais </li></ul>
  3. 3. 1. 1. Elevação da Dívida Pública de forma absoluta e como proporção do PIB <ul><ul><ul><li>Posição dos economistas ortodoxos neoliberais : Acham que a taxa de juros é alta como conseqüência da dívida pública ao invés de ser causa dela. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Argumento: O aumento da dívida pública reduz a credibilidade do Governo e para sua rolagem o mercado passa a requerer taxas de juros maiores. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Solução: Aumentar o superávit primário para, aumentando a credibilidade do Governo reduzir a taxa de juros. </li></ul></ul></ul>
  4. 4. 1 . Elevação da dívida pública de forma absoluta e com relação ao PIB <ul><ul><ul><li>A posição crítica anti-liberal </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Taxas de juros altas aumentam diretamente a dívida pública em função de um serviço da dívida maior. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A mera redução das taxas de juros reduzindo a dívida ampliaria a credibilidade na capacidade de pagamento do Governo. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Testes usando modelo VAR (M. L. Lopes – Tese de Doutorado, UnB, 2009) indicam que as taxas de juros são afetadas pelo risco país (EMBI), mas não são afetadas pelo superavit primário, tornando discutíveis as prescrições e receitas de aumento do superavit para reduzir as taxas de juros e então o déficit primário. </li></ul></ul></ul>
  5. 5. 1 . Elevação da dívida pública de forma absoluta e com relação ao PIB <ul><li>A posição crítica anti-liberal </li></ul><ul><li>Taxas de juros altas elevam a relação </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>Dívida / PIB </li></ul></ul></ul></ul></ul><ul><li>Ao inibir o investimento e o crescimento do produto as taxas elevadas de juros não apenas aumentam o numerador , com aumento do serviço da dívida, mas reduzem o denominador ou o crescimento dele. </li></ul>
  6. 6. 2. Inibição do investimento e do desenvolvimento sustentável do mercado financeiro doméstico <ul><li>Posição dos neoliberais: </li></ul><ul><li>Taxas altas de juros estimulam poupança que financia investimentos mais rentáveis. </li></ul><ul><li>Posição dos críticos anti-liberais: </li></ul><ul><li>Taxas de juros altas dos títulos públicos estimulam a preferência pela liquidez e inibem os empréstimos a médio e longo prazo para financiar investimentos. </li></ul>
  7. 7. 2. Inibição do investimento e do desenvolvimento sustentável do mercado financeiro doméstico Tx.de Juros longo prazo = Tx. de Juros curto prazo + Prêmio de Liquidez
  8. 8. 2. Inibição do investimento e do desenvolvimento sustentável do mercado financeiro doméstico (Gráfico elaborado por T. R. Leitão, 2009 – monografia de conclusão de curso)
  9. 9. 2. Inibição do investimento e do desenvolvimento sustentável do mercado financeiro doméstico <ul><li>Problema para o desenvolvimento do mercado financeiro doméstico: falta de poupanças disponíveis para comprar títulos de médio e longo prazo para financiar investimentos de média e longa maturação. </li></ul><ul><li>Daí grande parcela auto financiada e dependente do BNDES e de recursos externos. </li></ul>
  10. 10. 3.Estímulo à especulação e vulnerabilidade aos ciclos de liquidez internacional <ul><li>Posição neoliberal : Taxa de Juros altas atraem poupanças para financiar investimento e crescimento </li></ul><ul><li>Posição crítica anti-liberal : Taxas altas de juros atraem investimentos de curto prazo especulativos. </li></ul><ul><li>Qualquer instabilidade leva à fuga de capitais para países desenvolvidos com taxas de juros mais baixas. </li></ul>
  11. 11. 3.Estímulo à especulação e vulnerabilidade aos ciclos de liquidez internacional <ul><li>Problemas : </li></ul><ul><ul><ul><li>a. Instabilidade é grande com liberalização generalizada dos câmbios e dos movimentos de capitais </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>b. Independentemente da nossa taxa de juros, as entradas e saídas de capitais tendem a responder a disponibilidade externa de liquidez </li></ul></ul></ul>
  12. 12. 3.Estímulo à especulação e vulnerabilidade aos ciclos de liquidez internacional (Gráfico obtido em Amado e Resende, Liquidez Internacional e Ciclo Reflexo: algumas observações para a América Latina, REP, vol. 27 n. 1 (105), 2007)
  13. 13. 4. Apreciação cambial e maior dependência do exterior <ul><li>Com taxas de juros altas cresce a entrada de dólares e cai o valor do dólar e o real se valoriza. </li></ul><ul><li>O real valorizado reduz a nossa competitividade, desestimula exportações e estimula importações. </li></ul><ul><li>Isso cria problemas para o Balanço de Pagamentos e para o emprego, que se reduz nas empresas exportadoras e nas empresas que concorrem com importações. </li></ul>
  14. 14. 4. Apreciação cambial e maior dependência do exterior ao deteriorar o saldo comercial quantitativamente e qualitativamente <ul><li>Em particular, a redução da competitividade amplia a parcela exportada de produtos básicos e commodities com baixo valor agregado. </li></ul><ul><li>Diminui também a parcela exportada de bens com mais elevada tecnologia e aumenta a parcela importada destes, deteriorando a qualidade do nosso saldo comercial. </li></ul>
  15. 15. 4. Apreciação cambial e maior dependência do exterior (Gráfico elaborado por T. R. Leitão, 2009 – monografia de conclusão de curso)
  16. 16. 4. Apreciação cambial e maior dependência do exterior (Gráfico elaborado por T. R. Leitão, 2009 – monografia de conclusão de curso)
  17. 17. 4.Apreciação cambial e maior dependência do exterior <ul><li>Posição neoliberal : </li></ul><ul><li>A especialização dos países na produção e exportação de produtos primários proporciona aos países vantagens comparativas . </li></ul><ul><li>Na crise a maior participação de produtos básicos de baixa elasticidade renda tende a tornar as exportações mais resistentes a queda, diminuindo os problemas para esses países. </li></ul>
  18. 18. 5. Contribuição para o aumento da desigualdade e da pobreza <ul><li>Posição neoliberal: </li></ul><ul><li>A queda do crescimento não é problemática porque crescimento não garante redução desigualdade e pobreza. </li></ul><ul><li>Posição crítica anti-liberal: </li></ul><ul><li>Crescimento não garante redução de pobreza e desigualdade mas falta de crescimento certamente amplia desigualdade e pobreza ou dificulta sua redução. Por que? </li></ul><ul><ul><ul><li>Desemprego </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Queda de salários </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Queda da arrecadação e dos gastos e amplitude das políticas sociais de garantia de emprego e renda. </li></ul></ul></ul>
  19. 19. 5. Contribuição para o aumento da desigualdade e da pobreza <ul><li>A pobreza e a desigualdade no Brasil foram muito reduzidas (2/3 da redução ) com o aumento do salário mínimo nas contribuições da Previdência e o Bolsa Família (Soares et al. -UNDP, WP 21, june/2006). </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>Indice de Gini </li></ul></ul></ul></ul>2001 0,59 2007 0,53
  20. 20. 5.Contribuição para o aumento da desigualdade e da pobreza <ul><li>Mas o baixo crescimento impediu que fizéssemos maiores progressos . </li></ul><ul><li>De fato, o nosso baixo crescimento é visível quando comparado com o resto do mundo. </li></ul><ul><li> Taxa de Crescimento do Produto – 1990 -2008 </li></ul>Brasil 2,97 % a. a. Mundo 3,62 % a. a.
  21. 21. 5.Contribuição para o aumento da desigualdade e da pobreza <ul><li>Com isso nossa taxa de desemprego é maior do que nos anos 1980, considerada a “década perdida”. </li></ul><ul><ul><ul><li>Taxa de Desemprego - % </li></ul></ul></ul>1980-1989 1984-1989 1990-2002 1990-2008 Reg Metrop. IBGE/PME 5,9 6,4 São Paulo SEAD/PED 6,82 10,18
  22. 22. Conclusões <ul><li>Divergências teóricas entre economistas neoliberais e anti-liberais explicam prescrições tão distintas de política monetária. </li></ul><ul><li>Neoliberais - A inflação é vista como de demanda e a taxa de juros alta inibe essa demanda. </li></ul><ul><li>Anti-Liberais - A taxa de juros alta inibe a demanda mas também o investimento e, ao inibir o crescimento da capacidade produtiva e da oferta (moeda não neutra), atrapalha até o controle a médio prazo da inflação . </li></ul>
  23. 23. Regra de Taylor : Taxa de juros sobe sempre que cresce a taxa de inflação esperada com relação à meta e/ou quando o hiato de produto cresce . onde, i t = taxa básica de juros nominais; r* = taxa real de juros de equilíbrio;  = taxa média da inflação dos últimos quatro trimestres (deflator do PIB);  * = meta da taxa de inflação; e = Hiato de produto em termos percentuais

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