Relatório Econômico
Semestral
Setembro 2011




                      Por Bruno Prado
                           Economista
ECONOMIA 2011 – 4º TRIMESTRE
    POR BRUNO PRADO – ECONOMISTA




           SETEMBRO – 2011



      Poupador Consultoria - 2011
RELATÓRIO ECONÔMICO DA POUPADOR CONSULTORIA




        O presente relatório tem por objetivo identificar e conjecturar sobre o atual cenário
econômico mundial e através dessa análise expor gargalos e entraves à economia brasileira que
está sujeita a possíveis desdobramentos resultantes das economias internacionais. O projeto de
estudo abaixo exemplifica os possíveis rumos que a economia brasileira pode seguir com base em
estudos feitos pelos economistas da Consultoria Poupador.
        A importância do estudo abaixo se faz necessário para que o setor privado, o empresário
por assim dizer, de base nessas conjecturas, possa elaborar ações cabíveis para seu setor de
atividade, evitando desta forma perdas financeiras1.
        A Poupador Consultoria acredita que através de uma profunda análise da economia atual,
atrelado a vasta experiência no mercado em que o empresário está inserido faz com que os vieses
da economia, tais como crises e diminuições no ritmo de crescimento dos países podem ser
contornados com decisões econômicas prudenciais que podemos orientar.




1
 “É importante frisar que cada segmento da econômica pode ter reações diferentes conforme a situação
econômica mundial se altere. Por isso é preciso que seja feito um estudo particular com cada empresa”



                                     Poupador Consultoria - 2011
INTRODUÇÃO

       Frente ao atual quadro econômico mundial elaboramos o trabalho de estudo da
economia brasileira e internacional para identificarmos os possíveis desdobramentos da crise que
se aproxima e as atuais medidas tomadas do governo recentemente e o que essas podem resultar
para economia nacional. Analisamos as modificações na taxa básica de juros e o avanço da
inflação no período e finalizamos esboçando o quadro atual em que a economia se encontra e as
perspectivas para o futuro.




                                  Poupador Consultoria - 2011
TAXAS DE JUROS

SELIC


        Em sua última reunião o Comitê de Política Monetária (COPOM) alterou a tendência de
elevação na SELIC (taxa básica de juros) que vinha aumentando desde o mês de janeiro desse ano.
Os juros brasileiros chegaram a 12.50% e sofreram redução de 0.5% em uma única redução.
        A decisão tomada foi um tanto quanto surpreendente, em vista que o Governo e o Banco
Central utilizam a política monetária (tx de juros) para o efetivo controle dos índices de inflação,
que apresentaram em seus últimos resultados elevações que extrapolam o centro da meta
estipulada para esse ano (7.23% últimos 12 meses). Muitos analistas consideraram que haveria
uma redução, porém, apenas na próxima reunião e não nesse momento e tão pouco nessa
proporção.
        Levaremos em consideração os dados que dispomos:


    1. Inflação de 7.23% nos últimos 12 meses;
    2. Política Fiscal mais rígida do governo (redução nos gastos de cerca de 10 bilhões);
    3. Moeda fortalecida internacionalmente (mais importação, menos exportação);
    4. Cenário internacional com fortes turbulências e riscos.


        O COPOM tomou sua decisão em vista dos fatores acima mencionados, pelo menos em
parte deles. A redução nos gastos do governo e a baixa na taxa de juros indicam uma mudança da
preocupação do governo. Diminuir a sua dívida reduzindo os gastos e com uma taxa de juros
menor, a dívida diminuirá como conseqüência. Ao fazer isso, quando diminui seus gastos, ele
também deixa de gerar renda. Entretanto, a redução na taxa de juros incentiva o mercado interno
para que haja investimentos produtivos. Se isso ocorrer, o incentivo interno na economia se
manteria e até aumentaria fazendo com que haja aumento na renda e a demanda se mantenha
aquecida, possivelmente fazendo com que os preços dos bens se mantenham em alta.
        Com a redução nos juros é possível que um dos resultados seja uma menor entrada de
dólares na economia, e até mesmo uma fuga de capital externo, o que faria com que o real se
desvalorizasse, as exportações ficassem mais lucrativas e a competitividade com produtos
importados se tornaria menor. Porém é pouco provável que isso aconteça em vista que as taxas
de juros no Brasil, mesmo com a redução de 0.5% ainda é o país que possui a taxa mais cara, o




                                   Poupador Consultoria - 2011
que garante ao investidor um maior retorno do que outros países como EUA que mantém a taxa
em 0.5% e a região do EURO com taxa de 1.5%.
       Então, o dolar vai continuar desvalorizado, o mercado interno sofrerá pressão dos
produtos importados e a inflação continuará a aumentar até o fim do ano podendo estourar o
teto da meta de 6.5%. O Banco Central acredita ter tomado a decisão correta uma vez que está
apostando na deterioração do cenário internacional. Caso as economias da Europa e os EUA não
encontrem uma solução para alavancar e incentivar os seus mercados a economia mundial
caminhará para uma recessão, dessa forma, o desincentivo mundial seria tão grande, que não
haveria pressão nos preços.
       Em resumo, o Banco Central com receio dessa possível recessão pretende incentivar o
mercado interno antes que a situação se deteriore. Portanto, acreditamos que para as próximas
reuniões (18/10 e 29/11) e se o cenário continuar a piorar, o COPOM manterá o corte em 0.25% e
0.25% chegando a 11.5% ao final do ano.




                                 Poupador Consultoria - 2011
INFLAÇÃO


METAS DE INFLAÇÃO

       Segundo a resolução Nº003748 do Banco Central, fica estabelecido que a meta de inflação
para o ano de 2011 é de 4.5% podendo oscilar 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Apesar dos esforços do Banco Central e do Governo Brasileiro os números apontam para um
escape do centro da meta da inflação desse ano. O IPCA divulgado essa semana aponta uma
elevação nos preços ficando o acumulado dos últimos 12 meses em 7.23%, valor acima do teto da
meta de inflação (6.5%). Abaixo a relação dos principais pontos do relatório do IPCA divulgado
recentemente pelo IBGE que são importantes para identificarmos como a inflação caminha
atualmente.


IPCA – AGO/2011

       O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA sofreu uma variação positiva
na coleta de dados do mês de agosto apresentando 0.37% e ficando 0.21% maior que a última
verificação do IPCA feita em julho. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice atingiu sua maior
cotação desde junho de 2005, situando-se em 7.23%.
       Dentre os bens que incidiram maior peso no índice, destacam-se as carnes que
aumentaram 1.84%. Existem muitos outros itens que influenciaram o índice, como a cenoura
(4.24%) o açúcar (3.90%) e o frango (2.74%).
       Apesar do aumento no nível de preços do setor de alimentação, há itens que ajudaram a
diminuição do índice, tais como a batata (-16.09%), o alho (-8.96) e a cebola (-7.40). Somando
todos os grupos coletados, alimentação sofreu uma maior variação, chegando a 0.72%, seguido
por Habitação (0.32%), artigos de residência (0.57%) e vestuário (0.67%). Em outras palavras,
não somente a Alimentação influenciou o aumento nos preços, os preços com Habitação
aumentaram influenciados pela inflação dos aluguéis residenciais que sofreram reajuste de
1.06%. Produtos como refrigerador e maquina de lavar influenciaram os preços com variações de
3.29% e 3.18%.
       O índice que mede a variação dos preços dos transportes sofreu variação negativa de
0.11%. Essa queda foi caracterizada pela redução da tarifas aéreas (-5.95%), preço dos
automóveis novos (-0.37%) e velhos (-0.61%) e seguro dos veículos com redução de -0.88%.




                                  Poupador Consultoria - 2011
PROJEÇÃO DA INFLAÇÃO

       Ainda é muito cedo para defender um ponto de vista em relação a inflação para o ano de
2011. Há muitas variáveis que podem influenciar o movimento do mercado, como por exemplo,
as atuais ações tomadas pelo Governo e pelo COPOM e o cenário econômico mundial.
        Caso o mercado internacional mantenha-se como está hoje, sem mais variações
negativas (o que pode ser pouco provável) a inflação estará sujeita apenas a estímulos internos,
como aumento de crédito, diminuição dos juros e aumento de investimentos e empregos que
geram renda para a economia. Caso o mercado não se altere a inflação poderá ficar acima do
centro da meta, em torno de 6.38 % e 6.77%. Contudo há desdobramentos que podem ocorrer no
cenário internacional que serão considerados mais adiante nesse relatório e que podem
desestimular a economia.




                                  Poupador Consultoria - 2011
CENÁRIO ATUAL MUNDIAL

           A crise deflagrada em 2008 no sistema financeiro nacional foi contida pela ação mundial
de vários bancos centrais. A questão é que essas ações atreladas a altos endividamentos dos
governos e com a recessão mundial das economias culminaram em uma nova crise, com aspectos
diferentes da anterior. A crise atual é caracterizada por altos níveis de endividamento das
economias desenvolvidas e falta de “munição” para frear uma nova recessão mundial. Países
como a Grécia, Irlanda, Portugal, Itália e Espanha estão na lista dos países que estão com
problemas econômicos.
           A Grécia é o caso mais específico e o mais preocupante até o momento. O país já recebeu
ajuda financeira do Banco Europeu e FMI, porém é provável que não haja solução a longo prazo.
Se essa tendência se confirmar e a Grécia “quebrar” poderemos ter nas economias um efeito
dominó começando com países da Europa, alastrando-se aos grandes países como Alemanha e
França e desses para o resto do mundo. A atividade econômica entraria em mais um mergulho
econômico, gerando uma segunda recessão mundial.
           O resultado de todos esses “achismos” que poderão ou não ocorrer se traduzem nas
economias atuais na forma de especulações. Como o cenário macroeconômico mundial caminha
para um desastre sem precedentes, o nível de atividade econômica e as expectativas dos agentes
econômicos vão se tornando negativos. O capital que antes seria investido em novos negócios,
criando emprego e renda é transformado em bens de liquidez imediata ou acabam migrando para
paraísos econômicos onde se possa garantir mais estabilidade da moeda2.
           Portanto, as especulações causam tanto mal para a economia quanto a própria crise,
causando oscilações constantes no mercado, como alta volatilidade do cambio e quedas abruptas
nas bolsas do mundo.




2
    “Vide a atual fuga de capital do Brasil, que tem como resultado desvalorização do Real”



                                        Poupador Consultoria - 2011
CONCLUSÃO

        De posse dos dados que dispomos e analisamos acima, podemos concluir que a economia
mundial caminha para uma recessão que pode durar anos. O desanimo e a queda nas
expectativas com relação ao que pode acontecer nos próximos meses tornam-se armas letais que
aprofundam ainda mais a economia para o “buraco”. O que vivemos hoje no Brasil é reflexo das
ações tomadas pelo Governo Brasileiro no final do ano de 2010 com o intuito de frear o crédito e
segurar a evolução da inflação. As alterações feitas macroeconomicamente levam meses para
serem sentidas na economia, que é o período que estamos enfrentando. Período esse
caracterizado por baixo investimento industrial, inflação amenizada (não controlada) e taxas de
juros altas.
        Com o cenário ruim do mercado mundial se aproximando, o governo agiu em agosto com
o intuito de prever um colapso nas economias nos próximos meses e evitar que um quadro de
recessão se instaure no país. Para tanto, o Governo mudou o foco de seu paradigma, trocando o
controle da inflação por diminuição na taxa básica de juros para ter como resultado um aumento
de investimentos do setor privado, aumento do crédito e conseqüentemente manter a economia
aquecida.
        O problema começa pelo fato de que ainda há indícios de forte aceleração da inflação no
período, resultado da forte demanda nacional. Quando passamos a incentivar a economia com
baixos juros enfrentamos vários desafios, tais como:


         1. FUGA DE CAPITAL
         2. MAIS INVESTIMENTOS – MAIS RENDA – MAIS GASTO – MAIS INFLAÇÃO
         3. NÃO HÁ GARANTIAS QUE A ECONOMIA AQUECERÁ


        A FUGA DE CAPITAL (1) pode valorizar o Dólar, resultando em encarecimento das
importações, que influenciariam a inflação. Em contrapartida, a valorização do Dólar beneficiaria
os exportadores.
        Com MAIS INVESTIMENTOS (2) geraríamos mais renda e essa renda extra poderia ser
transformada em gastos e mais renda para outras pessoas. O aumento da renda geraria uma
demanda maior que pressionaria a inflação positivamente.
        O principal dilema seria o fato de que NÃO HÁ GARANTIAS DE QUE A ECONOMIA
AQUECERÁ (3). Apesar do incentivo que o governo está proporcionando no mercado nacional, os
agentes envolvidos podem não querer se arriscar em novos investimentos e preferem esperar o
período de turbulência terminar.



                                   Poupador Consultoria - 2011
O governo pode ter se apressado em diminuir a taxa de juros. Os riscos envolvidos
atualmente podem ser excessivamente prejudiciais em longo prazo, tornando a inflação um
desafio para os consumidores. Porém, devemos considerar que os efeitos das decisões tomadas
hoje na SELIC irão repercutir na economia em até seis meses, ou seja, a evolução desses
incentivos irão se desenvolver no desenrolar dos próximos meses. Ao que tudo indica, se a crise
do EURO for confirmada, será melhor conviver com uma inflação acima da média e manter o
consumo aquecido do que uma recessão e paralisação da economia nacional. Os riscos estão
pertos e a deflagração do que pode ocorrer também. Podemos afundar junto com outros países e
cair no pessimismo mundial ou nos sobressair sobre os demais como uma forte economia de
mercado.




                                 Poupador Consultoria - 2011

Relatório economia 2011

  • 1.
  • 2.
    ECONOMIA 2011 –4º TRIMESTRE POR BRUNO PRADO – ECONOMISTA SETEMBRO – 2011 Poupador Consultoria - 2011
  • 3.
    RELATÓRIO ECONÔMICO DAPOUPADOR CONSULTORIA O presente relatório tem por objetivo identificar e conjecturar sobre o atual cenário econômico mundial e através dessa análise expor gargalos e entraves à economia brasileira que está sujeita a possíveis desdobramentos resultantes das economias internacionais. O projeto de estudo abaixo exemplifica os possíveis rumos que a economia brasileira pode seguir com base em estudos feitos pelos economistas da Consultoria Poupador. A importância do estudo abaixo se faz necessário para que o setor privado, o empresário por assim dizer, de base nessas conjecturas, possa elaborar ações cabíveis para seu setor de atividade, evitando desta forma perdas financeiras1. A Poupador Consultoria acredita que através de uma profunda análise da economia atual, atrelado a vasta experiência no mercado em que o empresário está inserido faz com que os vieses da economia, tais como crises e diminuições no ritmo de crescimento dos países podem ser contornados com decisões econômicas prudenciais que podemos orientar. 1 “É importante frisar que cada segmento da econômica pode ter reações diferentes conforme a situação econômica mundial se altere. Por isso é preciso que seja feito um estudo particular com cada empresa” Poupador Consultoria - 2011
  • 4.
    INTRODUÇÃO Frente ao atual quadro econômico mundial elaboramos o trabalho de estudo da economia brasileira e internacional para identificarmos os possíveis desdobramentos da crise que se aproxima e as atuais medidas tomadas do governo recentemente e o que essas podem resultar para economia nacional. Analisamos as modificações na taxa básica de juros e o avanço da inflação no período e finalizamos esboçando o quadro atual em que a economia se encontra e as perspectivas para o futuro. Poupador Consultoria - 2011
  • 5.
    TAXAS DE JUROS SELIC Em sua última reunião o Comitê de Política Monetária (COPOM) alterou a tendência de elevação na SELIC (taxa básica de juros) que vinha aumentando desde o mês de janeiro desse ano. Os juros brasileiros chegaram a 12.50% e sofreram redução de 0.5% em uma única redução. A decisão tomada foi um tanto quanto surpreendente, em vista que o Governo e o Banco Central utilizam a política monetária (tx de juros) para o efetivo controle dos índices de inflação, que apresentaram em seus últimos resultados elevações que extrapolam o centro da meta estipulada para esse ano (7.23% últimos 12 meses). Muitos analistas consideraram que haveria uma redução, porém, apenas na próxima reunião e não nesse momento e tão pouco nessa proporção. Levaremos em consideração os dados que dispomos: 1. Inflação de 7.23% nos últimos 12 meses; 2. Política Fiscal mais rígida do governo (redução nos gastos de cerca de 10 bilhões); 3. Moeda fortalecida internacionalmente (mais importação, menos exportação); 4. Cenário internacional com fortes turbulências e riscos. O COPOM tomou sua decisão em vista dos fatores acima mencionados, pelo menos em parte deles. A redução nos gastos do governo e a baixa na taxa de juros indicam uma mudança da preocupação do governo. Diminuir a sua dívida reduzindo os gastos e com uma taxa de juros menor, a dívida diminuirá como conseqüência. Ao fazer isso, quando diminui seus gastos, ele também deixa de gerar renda. Entretanto, a redução na taxa de juros incentiva o mercado interno para que haja investimentos produtivos. Se isso ocorrer, o incentivo interno na economia se manteria e até aumentaria fazendo com que haja aumento na renda e a demanda se mantenha aquecida, possivelmente fazendo com que os preços dos bens se mantenham em alta. Com a redução nos juros é possível que um dos resultados seja uma menor entrada de dólares na economia, e até mesmo uma fuga de capital externo, o que faria com que o real se desvalorizasse, as exportações ficassem mais lucrativas e a competitividade com produtos importados se tornaria menor. Porém é pouco provável que isso aconteça em vista que as taxas de juros no Brasil, mesmo com a redução de 0.5% ainda é o país que possui a taxa mais cara, o Poupador Consultoria - 2011
  • 6.
    que garante aoinvestidor um maior retorno do que outros países como EUA que mantém a taxa em 0.5% e a região do EURO com taxa de 1.5%. Então, o dolar vai continuar desvalorizado, o mercado interno sofrerá pressão dos produtos importados e a inflação continuará a aumentar até o fim do ano podendo estourar o teto da meta de 6.5%. O Banco Central acredita ter tomado a decisão correta uma vez que está apostando na deterioração do cenário internacional. Caso as economias da Europa e os EUA não encontrem uma solução para alavancar e incentivar os seus mercados a economia mundial caminhará para uma recessão, dessa forma, o desincentivo mundial seria tão grande, que não haveria pressão nos preços. Em resumo, o Banco Central com receio dessa possível recessão pretende incentivar o mercado interno antes que a situação se deteriore. Portanto, acreditamos que para as próximas reuniões (18/10 e 29/11) e se o cenário continuar a piorar, o COPOM manterá o corte em 0.25% e 0.25% chegando a 11.5% ao final do ano. Poupador Consultoria - 2011
  • 7.
    INFLAÇÃO METAS DE INFLAÇÃO Segundo a resolução Nº003748 do Banco Central, fica estabelecido que a meta de inflação para o ano de 2011 é de 4.5% podendo oscilar 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Apesar dos esforços do Banco Central e do Governo Brasileiro os números apontam para um escape do centro da meta da inflação desse ano. O IPCA divulgado essa semana aponta uma elevação nos preços ficando o acumulado dos últimos 12 meses em 7.23%, valor acima do teto da meta de inflação (6.5%). Abaixo a relação dos principais pontos do relatório do IPCA divulgado recentemente pelo IBGE que são importantes para identificarmos como a inflação caminha atualmente. IPCA – AGO/2011 O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA sofreu uma variação positiva na coleta de dados do mês de agosto apresentando 0.37% e ficando 0.21% maior que a última verificação do IPCA feita em julho. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice atingiu sua maior cotação desde junho de 2005, situando-se em 7.23%. Dentre os bens que incidiram maior peso no índice, destacam-se as carnes que aumentaram 1.84%. Existem muitos outros itens que influenciaram o índice, como a cenoura (4.24%) o açúcar (3.90%) e o frango (2.74%). Apesar do aumento no nível de preços do setor de alimentação, há itens que ajudaram a diminuição do índice, tais como a batata (-16.09%), o alho (-8.96) e a cebola (-7.40). Somando todos os grupos coletados, alimentação sofreu uma maior variação, chegando a 0.72%, seguido por Habitação (0.32%), artigos de residência (0.57%) e vestuário (0.67%). Em outras palavras, não somente a Alimentação influenciou o aumento nos preços, os preços com Habitação aumentaram influenciados pela inflação dos aluguéis residenciais que sofreram reajuste de 1.06%. Produtos como refrigerador e maquina de lavar influenciaram os preços com variações de 3.29% e 3.18%. O índice que mede a variação dos preços dos transportes sofreu variação negativa de 0.11%. Essa queda foi caracterizada pela redução da tarifas aéreas (-5.95%), preço dos automóveis novos (-0.37%) e velhos (-0.61%) e seguro dos veículos com redução de -0.88%. Poupador Consultoria - 2011
  • 8.
    PROJEÇÃO DA INFLAÇÃO Ainda é muito cedo para defender um ponto de vista em relação a inflação para o ano de 2011. Há muitas variáveis que podem influenciar o movimento do mercado, como por exemplo, as atuais ações tomadas pelo Governo e pelo COPOM e o cenário econômico mundial. Caso o mercado internacional mantenha-se como está hoje, sem mais variações negativas (o que pode ser pouco provável) a inflação estará sujeita apenas a estímulos internos, como aumento de crédito, diminuição dos juros e aumento de investimentos e empregos que geram renda para a economia. Caso o mercado não se altere a inflação poderá ficar acima do centro da meta, em torno de 6.38 % e 6.77%. Contudo há desdobramentos que podem ocorrer no cenário internacional que serão considerados mais adiante nesse relatório e que podem desestimular a economia. Poupador Consultoria - 2011
  • 9.
    CENÁRIO ATUAL MUNDIAL A crise deflagrada em 2008 no sistema financeiro nacional foi contida pela ação mundial de vários bancos centrais. A questão é que essas ações atreladas a altos endividamentos dos governos e com a recessão mundial das economias culminaram em uma nova crise, com aspectos diferentes da anterior. A crise atual é caracterizada por altos níveis de endividamento das economias desenvolvidas e falta de “munição” para frear uma nova recessão mundial. Países como a Grécia, Irlanda, Portugal, Itália e Espanha estão na lista dos países que estão com problemas econômicos. A Grécia é o caso mais específico e o mais preocupante até o momento. O país já recebeu ajuda financeira do Banco Europeu e FMI, porém é provável que não haja solução a longo prazo. Se essa tendência se confirmar e a Grécia “quebrar” poderemos ter nas economias um efeito dominó começando com países da Europa, alastrando-se aos grandes países como Alemanha e França e desses para o resto do mundo. A atividade econômica entraria em mais um mergulho econômico, gerando uma segunda recessão mundial. O resultado de todos esses “achismos” que poderão ou não ocorrer se traduzem nas economias atuais na forma de especulações. Como o cenário macroeconômico mundial caminha para um desastre sem precedentes, o nível de atividade econômica e as expectativas dos agentes econômicos vão se tornando negativos. O capital que antes seria investido em novos negócios, criando emprego e renda é transformado em bens de liquidez imediata ou acabam migrando para paraísos econômicos onde se possa garantir mais estabilidade da moeda2. Portanto, as especulações causam tanto mal para a economia quanto a própria crise, causando oscilações constantes no mercado, como alta volatilidade do cambio e quedas abruptas nas bolsas do mundo. 2 “Vide a atual fuga de capital do Brasil, que tem como resultado desvalorização do Real” Poupador Consultoria - 2011
  • 10.
    CONCLUSÃO De posse dos dados que dispomos e analisamos acima, podemos concluir que a economia mundial caminha para uma recessão que pode durar anos. O desanimo e a queda nas expectativas com relação ao que pode acontecer nos próximos meses tornam-se armas letais que aprofundam ainda mais a economia para o “buraco”. O que vivemos hoje no Brasil é reflexo das ações tomadas pelo Governo Brasileiro no final do ano de 2010 com o intuito de frear o crédito e segurar a evolução da inflação. As alterações feitas macroeconomicamente levam meses para serem sentidas na economia, que é o período que estamos enfrentando. Período esse caracterizado por baixo investimento industrial, inflação amenizada (não controlada) e taxas de juros altas. Com o cenário ruim do mercado mundial se aproximando, o governo agiu em agosto com o intuito de prever um colapso nas economias nos próximos meses e evitar que um quadro de recessão se instaure no país. Para tanto, o Governo mudou o foco de seu paradigma, trocando o controle da inflação por diminuição na taxa básica de juros para ter como resultado um aumento de investimentos do setor privado, aumento do crédito e conseqüentemente manter a economia aquecida. O problema começa pelo fato de que ainda há indícios de forte aceleração da inflação no período, resultado da forte demanda nacional. Quando passamos a incentivar a economia com baixos juros enfrentamos vários desafios, tais como: 1. FUGA DE CAPITAL 2. MAIS INVESTIMENTOS – MAIS RENDA – MAIS GASTO – MAIS INFLAÇÃO 3. NÃO HÁ GARANTIAS QUE A ECONOMIA AQUECERÁ A FUGA DE CAPITAL (1) pode valorizar o Dólar, resultando em encarecimento das importações, que influenciariam a inflação. Em contrapartida, a valorização do Dólar beneficiaria os exportadores. Com MAIS INVESTIMENTOS (2) geraríamos mais renda e essa renda extra poderia ser transformada em gastos e mais renda para outras pessoas. O aumento da renda geraria uma demanda maior que pressionaria a inflação positivamente. O principal dilema seria o fato de que NÃO HÁ GARANTIAS DE QUE A ECONOMIA AQUECERÁ (3). Apesar do incentivo que o governo está proporcionando no mercado nacional, os agentes envolvidos podem não querer se arriscar em novos investimentos e preferem esperar o período de turbulência terminar. Poupador Consultoria - 2011
  • 11.
    O governo podeter se apressado em diminuir a taxa de juros. Os riscos envolvidos atualmente podem ser excessivamente prejudiciais em longo prazo, tornando a inflação um desafio para os consumidores. Porém, devemos considerar que os efeitos das decisões tomadas hoje na SELIC irão repercutir na economia em até seis meses, ou seja, a evolução desses incentivos irão se desenvolver no desenrolar dos próximos meses. Ao que tudo indica, se a crise do EURO for confirmada, será melhor conviver com uma inflação acima da média e manter o consumo aquecido do que uma recessão e paralisação da economia nacional. Os riscos estão pertos e a deflagração do que pode ocorrer também. Podemos afundar junto com outros países e cair no pessimismo mundial ou nos sobressair sobre os demais como uma forte economia de mercado. Poupador Consultoria - 2011