UFMG 2001
   Manoel Neves
O IDIOMA: VIVO OU MORTO?
O grande problema da língua pátria é que ela é viva e se renova a
cada dia. Problema não para a própria língua, mas para os puristas,
aqueles que fiscalizam o uso e o desuso do idioma. Quando Chico           LÍNGUA PORTUGUESA
Buarque de Hollanda criou na letra de “Pedro Pedreiro” o
neologismo “penseiro”, teve gente que chiou. Afinal, que palavra é       [viva, renova-se, coloquial]
essa? Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu
                                                                       locutor defende língua coloquial
dicionário. Isso mostra o vigor da língua portuguesa. Nas próximas
edições dos melhores dicionários, não duvidem: provavelmente virá        locutor defende língua culta
pelo menos uma definição para a expressão “segura o tcham”. Enfim,
as gírias e expressões populares, por mais erradas ou absurdas que        presença de contradição
possam parecer, ajudam a manter a atualidade dos idiomas que se
prezam.
O papel de renovar e atualizar a língua cabe muito mais aos poetas e
ao povo do que propriamente aos gramáticos e dicionaristas de          RENOVADORES DA LÍNGUA
plantão. Nesse sentido, é no mínimo um absurdo ficar patrulhando os
criadores. Claro que os erros devem ser denunciados. Mas há uma                [poetas e povo]
diferença entre o “erro” propriamente dito e a renovação. O poeta é,          erro X renovação
portanto, aquele que provoca as grandes mudanças na língua.
Pena que o Brasil seja um país de analfabetos. E deve-se entender O “ERRO” E OS ANALFABETOS
como tal não apenas aqueles 60 milhões de “desletrados” que o censo
identifica, mas também aqueles que, mesmo sabendo o abecedário,         [defesa da língua culta]
raramente fazem uso desse conhecimento. Por isso, é comum ver nas crítica ao uso da língua coloquial
placas a expressão “vende-se à praso” em vez de “vende-se a prazo”;
ou “meio-dia e meio”, em vez de como é mesmo?                          presença de contradição

O português de Portugal nunca será como o nosso. No Brasil, o
idioma foi enriquecido por expressões de origem indígena e pelas      O PORTUGUÊS DO BRASIL
contribuições dos negros, europeus e orientais que para cá vieram.
Mesmo que documentalmente se utilize a mesma língua, no dia-a-dia [diferente do português de Portugal]
o idioma falado aqui nunca será completamente igual ao que se fala    defende renovação da língua
em Angola ou Macau, por exemplo.
Voltando à questão inicial, não é só o cidadão comum que atenta           locutor critica língua coloquial
contra a língua pátria. Os intelectuais também o fazem, por querer ou
                                                                         locutor defende língua coloquial
por mera ignorância. E também nós outros, jornalistas, afinal, herrar
é umano, ops, errare humanum est. Ou será oeste?                            presença de contradição

  SANTOS, Jorge Fernando dos. Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 jun. 1996. (Texto adaptado)
UFMG-2001
                                  Compreensão Textual

                                           tema
qual o assunto abordado [um bloco de natureza nominal q designe especificamente de que trata o texto]?
                                        Língua Portuguesa

                                            tese
                   qual O intencionalidade usolocutor [por que ele escreveu texto]?
                        a locutor defende o do coloquial da Língua Portuguesa

                                        locutor
                      primeira ou terceira [maior ou menorterceira pessoa
                             focalização predominante em grau de objetividade]?

                                   linguagem
          Técnicas de exposição e ampliação;linguísticos utilizados no texto involuntamente
                         registros e efeitos o locutor incorre em contradição

                               tipo e gênero
                       tipo [expositivo-argumentativo] e gêneroe gênero textual
                         sequências textuais mais utilizadas [artigo de opinião]
QUESTÃO 01
                                  Compreensão Textual
Em todas as seguintes passagens, o autor deixa transparecer idéias que ele mesmo considera puristas,
EXCETO em
Claro que os erros devem ser denunciados. Mas há uma diferença entre o “erro” propriamente dito e
a renovação.
Não é só o cidadão comum que atenta contra a língua pátria.
Nesse sentido, é no mínimo um absurdo ficar patrulhando os criadores.
Pena que o Brasil seja um país de analfabetos. Por isso, é comum ver nas placas a expressão “vende-
se à praso”.
QUESTÃO 01
                                       Solução comentada
A noção de erro é típica da visão purista; se há erro, há uma língua pura que deve ser resguardada.
Atentar contra a língua pátria é errar, cometer uma infração contra aquilo que se considera correto,
padrão.
Os criadores são aqueles que renovam; defender a renovação é opor-se a um padrão formal, culto.
O fato de se achar uma pena q nem todos tenham acesso à língua culta, padrão, é purismo.
Assinale-se, pois a alternativa “c”.
QUESTÃO 02
                                   Compreensão Textual
Assinale a alternativa em que o autor, ao defender o dinamismo da língua, incorre em uma
contradição.
Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu dicionário.
Enfim, as gírias e expressões populares [...] ajudam a manter a atualidade dos idiomas...
O papel de renovar e atualizar a língua cabe muito mais aos poetas e ao povo...
O poeta é, portanto, aquele que provoca as grandes mudanças na língua.
QUESTÃO 02
                                   Solução comentada
A contradição encontra-se na alternativa “d”, pois no segundo parágrafo afirma-se, de início, que o
poeta e povo renovam a língua; entretanto, ao final do parágrafo, enuncia-se que apenas o poeta
provoca mudanças na língua]
QUESTÃO 03
                                    Aspectos gramaticais
Assinale a alternativa em que o trecho destacado apresenta uma forma que é consagrada na oralidade
e que NÃO é aceita pelas regras da norma escrita culta.
E deve-se entender como tal não apenas aqueles 60 milhões de “desletrados” que o censo identifica...
E também nós outros, jornalistas, afinal, herrar é umano, ops, errare humanum est.
No Brasil, o idioma foi enriquecido [...] pelas contribuições dos negros, europeus e orientais que para
cá vieram.
Quando Chico Buarque de Hollanda criou [...] o neologismo .penseiro., teve gente que chiou.
QUESTÃO 03
                                   Solução comentada
Na alternativa “d”, o fragmento teve gente que chiou apresenta um desvio do padrão culto, na medida
em que o verbo ter significa possuir e foi usado no sentido existencial [equivalente a haver].
ERRAR É DIVINO
Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da            LÍNGUA PORTUGUESA
gramática? Essa é uma das principais questões levantadas pelo poeta
português Fernando Pessoa em A Língua Portuguesa.                   [polemiza-se uso do padrão coloquial

A língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo, pensa
o poeta. Sendo uma aventura intelectual, o ato de grafar não deveria         PADRÕES LINGÜÍSTICOS
submeter-se à vontade unificadora do Estado, assim como uma                [locutor defende o uso coloquial]
pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu
espírito recusasse. Esse tipo de postura gerou um impasse. De um                [por parte dos artistas]
lado, ficam os gramáticos, impondo normas. De outro, os artistas,
                                                                                artistas X gramáticos
clamando por liberdade.
A resposta à questão inicial é simples. Os artistas da língua não
passam para a posteridade porque rompem com a norma, mas                   A RUPTURA BEM-SUCEDIDA
porque sabem tirar proveito da ruptura. A transgressão, para ser bem-      [locutor defende o uso coloquial]
sucedida, deve possuir função estrutural. Tanto no texto como no
comportamento. Ela pode dar impressão de firmeza, de precisão, de               [por parte dos artistas]
ambigüidade, de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo.
                                                                             a ruptura deve ser estrutural
Na maioria dos casos, indica novas propostas para o futuro.
Pela perspectiva dos artistas, os gramáticos não passam de meros          GRAMÁTICOS X ARTISTAS
guardiães de uma inutilidade consagrada pelo poder constituído. Para
eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o                [gramáticos X artistas]
conhecimento do código de trânsito, por natureza convencional e [para os artistas, os gramáticos]
efêmero: num dia, certa rua dá mão; no outro, não dá; e, na próxima
semana, pode ser que a mesma rua não exista. Observa-se o mesmo [defendem uma regra q pode mudar]
nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais
                                                                             [a qualquer momento]
de cada época. Acontece que os artistas pretendem escrever para as
gerações futuras.                                                    artistas escrevem p gerações futuras

          TEIXEIRA, Ivan. VEJA, São Paulo, p.148-149, 21 abr. 1999. (Texto adaptado)
UFMG-2001
                                   Compreensão Textual

                                            tema
qual o assunto abordado [um bloco de natureza nominal q designe especificamente de que trata o texto]?
                                        Língua Portuguesa

                                             tese
               O locutor defende o erro [uso coloquial da[por queque tenha função estética
                    qual a intencionalidade do locutor língua] ele escreveu texto]?

                                         locutor
                      primeira ou terceira [maior ou menorterceira pessoa
                             focalização predominante em grau de objetividade]?

                                    linguagem
                  Técnicas de exposição e ampliação; citação; confronto; texto
                         registros e efeitos linguísticos utilizados no fato-exemplo.

                                tipo e gênero
                       tipo [expositivo-argumentativo] e gêneroe gênero textual
                         sequências textuais mais utilizadas [artigo de opinião]
QUESTÃO 04
                                   Compreensão Textual
De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:
a língua não oprime os artistas quando os submete à vontade do Estado.
os artistas revelam o caráter transitório da norma culta ao infringirem-na.
os escritores contrariam as regras gramaticais porque as desconhecem.
os gramáticos impõem normas para os artistas não as transgredirem.
QUESTÃO 04
                                        Solução comentada
A língua oprime sim, porque os artistas são obrigados a seguir uma regra imposta por outrem
arbitrariamente [segundo parágrafo].
Se as alterações ocorrem a partir das mudanças feitas pelos artistas, a norma culta revela-se
transitória, de acordo com o texto.
Não se fala do desconhecimento que os artistas têm da norma culta.
Não se fala que os gramáticos impõem normas para que os artistas não as transgridam.
Assinale-se, pois, a alternativa “b”.
QUESTÃO 05
                                    Compreensão Textual
De acordo com o texto, para Fernando Pessoa, a língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-
lo. Todas as alternativas seguintes justificam esse pensamento do poeta, EXCETO:
Essa idéia aponta para a valorização do rompimento bem-sucedido com a norma culta.
Essa idéia exalta a liberdade de criação do escritor em sua aventura intelectual.
Essa idéia gera um impasse entre os gramáticos, de um lado, e os artistas, de outro.
Essa idéia promove a norma culta como essência da transgressão gramatical.
QUESTÃO 05
                                     Solução comentada
Esta alternativa refere-se apenas ao rompimento com a norma. Não se afirma se o rompimento é
“bom” ou “ruim”.
Se a língua deve servir o artista, há, certamente, liberdade de criação para o escritor.
O impasse se deve ao fato de os gramáticos defenderem a norma culta o tempo todo
A norma culta não pode ser considerada a essencia da transgressao, pois ela e a norma. A
transgressao esta associada a lingua coloquial. Marque-se, pois, a alternativa “d”.
QUESTÃO 06
                                     Coerência e coesão
Em todas as alternativas, o emprego do termo, ou expressão, destacado está corretamente explicado
pela frase entre parênteses, EXCETO em
Assim como uma pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse.
(INTRODUZ UMA COMPARAÇÃO).
Ela pode dar impressão de firmeza, [...] de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo. (REFERE-SE À
TRANSGRESSÃO DE FUNÇÃO ESTRUTURAL).
Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o conhecimento do código de trânsito...
(REFERE-SE AOS GRAMÁTICOS, GUARDIÃES DA LÍNGUA).
Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais de cada época.
(REMETE À EFEMERIDADE DO CONHECIMENTO DO CÓDIGO DE TRÂNSITO).
QUESTÃO 06
                                        Solução comentada
Articulador de natureza comparativa.
Pronome anafórico que realmente se refere à transgressão de função estrutural.
O pronome anafórico eles se refere aos artistas e não aos gramáticos.
Pronome anafórico que retoma a efemeridade do conhecimento do código de trânsito.
Assinale-se, pois, a alternativa “c”.
QUESTÃO 07
                                   Compreensão Textual
Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática? Assinale a alternativa em que o
ponto de vista defendido no Texto 1 serve de argumento para se responder a essa questão, levantada
no Texto 2.

Pode, porque há cidadãos “alfabetizados” que não fazem uso das normas gramaticais.
Pode, porque há uma diferença entre o “erro” propriamente dito e a renovação.
Pode, porque os puristas fiscalizam o uso do idioma e o poeta provoca mudanças.
Pode, porque os que atentam contra o idioma o fazem intencionalmente ou por ignorância.
QUESTÃO 07
                                   Solução comentada
Assinale-se a alternativa “b”, pois nela encontra-se uma ideia que responde à pergunta formulada no
texto 01.

Ufmg 2001

  • 1.
    UFMG 2001 Manoel Neves
  • 2.
    O IDIOMA: VIVOOU MORTO? O grande problema da língua pátria é que ela é viva e se renova a cada dia. Problema não para a própria língua, mas para os puristas, aqueles que fiscalizam o uso e o desuso do idioma. Quando Chico LÍNGUA PORTUGUESA Buarque de Hollanda criou na letra de “Pedro Pedreiro” o neologismo “penseiro”, teve gente que chiou. Afinal, que palavra é [viva, renova-se, coloquial] essa? Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu locutor defende língua coloquial dicionário. Isso mostra o vigor da língua portuguesa. Nas próximas edições dos melhores dicionários, não duvidem: provavelmente virá locutor defende língua culta pelo menos uma definição para a expressão “segura o tcham”. Enfim, as gírias e expressões populares, por mais erradas ou absurdas que presença de contradição possam parecer, ajudam a manter a atualidade dos idiomas que se prezam. O papel de renovar e atualizar a língua cabe muito mais aos poetas e ao povo do que propriamente aos gramáticos e dicionaristas de RENOVADORES DA LÍNGUA plantão. Nesse sentido, é no mínimo um absurdo ficar patrulhando os criadores. Claro que os erros devem ser denunciados. Mas há uma [poetas e povo] diferença entre o “erro” propriamente dito e a renovação. O poeta é, erro X renovação portanto, aquele que provoca as grandes mudanças na língua.
  • 3.
    Pena que oBrasil seja um país de analfabetos. E deve-se entender O “ERRO” E OS ANALFABETOS como tal não apenas aqueles 60 milhões de “desletrados” que o censo identifica, mas também aqueles que, mesmo sabendo o abecedário, [defesa da língua culta] raramente fazem uso desse conhecimento. Por isso, é comum ver nas crítica ao uso da língua coloquial placas a expressão “vende-se à praso” em vez de “vende-se a prazo”; ou “meio-dia e meio”, em vez de como é mesmo? presença de contradição O português de Portugal nunca será como o nosso. No Brasil, o idioma foi enriquecido por expressões de origem indígena e pelas O PORTUGUÊS DO BRASIL contribuições dos negros, europeus e orientais que para cá vieram. Mesmo que documentalmente se utilize a mesma língua, no dia-a-dia [diferente do português de Portugal] o idioma falado aqui nunca será completamente igual ao que se fala defende renovação da língua em Angola ou Macau, por exemplo. Voltando à questão inicial, não é só o cidadão comum que atenta locutor critica língua coloquial contra a língua pátria. Os intelectuais também o fazem, por querer ou locutor defende língua coloquial por mera ignorância. E também nós outros, jornalistas, afinal, herrar é umano, ops, errare humanum est. Ou será oeste? presença de contradição SANTOS, Jorge Fernando dos. Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 jun. 1996. (Texto adaptado)
  • 4.
    UFMG-2001 Compreensão Textual tema qual o assunto abordado [um bloco de natureza nominal q designe especificamente de que trata o texto]? Língua Portuguesa tese qual O intencionalidade usolocutor [por que ele escreveu texto]? a locutor defende o do coloquial da Língua Portuguesa locutor primeira ou terceira [maior ou menorterceira pessoa focalização predominante em grau de objetividade]? linguagem Técnicas de exposição e ampliação;linguísticos utilizados no texto involuntamente registros e efeitos o locutor incorre em contradição tipo e gênero tipo [expositivo-argumentativo] e gêneroe gênero textual sequências textuais mais utilizadas [artigo de opinião]
  • 5.
    QUESTÃO 01 Compreensão Textual Em todas as seguintes passagens, o autor deixa transparecer idéias que ele mesmo considera puristas, EXCETO em Claro que os erros devem ser denunciados. Mas há uma diferença entre o “erro” propriamente dito e a renovação. Não é só o cidadão comum que atenta contra a língua pátria. Nesse sentido, é no mínimo um absurdo ficar patrulhando os criadores. Pena que o Brasil seja um país de analfabetos. Por isso, é comum ver nas placas a expressão “vende- se à praso”.
  • 6.
    QUESTÃO 01 Solução comentada A noção de erro é típica da visão purista; se há erro, há uma língua pura que deve ser resguardada. Atentar contra a língua pátria é errar, cometer uma infração contra aquilo que se considera correto, padrão. Os criadores são aqueles que renovam; defender a renovação é opor-se a um padrão formal, culto. O fato de se achar uma pena q nem todos tenham acesso à língua culta, padrão, é purismo. Assinale-se, pois a alternativa “c”.
  • 7.
    QUESTÃO 02 Compreensão Textual Assinale a alternativa em que o autor, ao defender o dinamismo da língua, incorre em uma contradição. Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu dicionário. Enfim, as gírias e expressões populares [...] ajudam a manter a atualidade dos idiomas... O papel de renovar e atualizar a língua cabe muito mais aos poetas e ao povo... O poeta é, portanto, aquele que provoca as grandes mudanças na língua.
  • 8.
    QUESTÃO 02 Solução comentada A contradição encontra-se na alternativa “d”, pois no segundo parágrafo afirma-se, de início, que o poeta e povo renovam a língua; entretanto, ao final do parágrafo, enuncia-se que apenas o poeta provoca mudanças na língua]
  • 9.
    QUESTÃO 03 Aspectos gramaticais Assinale a alternativa em que o trecho destacado apresenta uma forma que é consagrada na oralidade e que NÃO é aceita pelas regras da norma escrita culta. E deve-se entender como tal não apenas aqueles 60 milhões de “desletrados” que o censo identifica... E também nós outros, jornalistas, afinal, herrar é umano, ops, errare humanum est. No Brasil, o idioma foi enriquecido [...] pelas contribuições dos negros, europeus e orientais que para cá vieram. Quando Chico Buarque de Hollanda criou [...] o neologismo .penseiro., teve gente que chiou.
  • 10.
    QUESTÃO 03 Solução comentada Na alternativa “d”, o fragmento teve gente que chiou apresenta um desvio do padrão culto, na medida em que o verbo ter significa possuir e foi usado no sentido existencial [equivalente a haver].
  • 11.
    ERRAR É DIVINO Podeum escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da LÍNGUA PORTUGUESA gramática? Essa é uma das principais questões levantadas pelo poeta português Fernando Pessoa em A Língua Portuguesa. [polemiza-se uso do padrão coloquial A língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo, pensa o poeta. Sendo uma aventura intelectual, o ato de grafar não deveria PADRÕES LINGÜÍSTICOS submeter-se à vontade unificadora do Estado, assim como uma [locutor defende o uso coloquial] pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse. Esse tipo de postura gerou um impasse. De um [por parte dos artistas] lado, ficam os gramáticos, impondo normas. De outro, os artistas, artistas X gramáticos clamando por liberdade. A resposta à questão inicial é simples. Os artistas da língua não passam para a posteridade porque rompem com a norma, mas A RUPTURA BEM-SUCEDIDA porque sabem tirar proveito da ruptura. A transgressão, para ser bem- [locutor defende o uso coloquial] sucedida, deve possuir função estrutural. Tanto no texto como no comportamento. Ela pode dar impressão de firmeza, de precisão, de [por parte dos artistas] ambigüidade, de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo. a ruptura deve ser estrutural Na maioria dos casos, indica novas propostas para o futuro.
  • 12.
    Pela perspectiva dosartistas, os gramáticos não passam de meros GRAMÁTICOS X ARTISTAS guardiães de uma inutilidade consagrada pelo poder constituído. Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o [gramáticos X artistas] conhecimento do código de trânsito, por natureza convencional e [para os artistas, os gramáticos] efêmero: num dia, certa rua dá mão; no outro, não dá; e, na próxima semana, pode ser que a mesma rua não exista. Observa-se o mesmo [defendem uma regra q pode mudar] nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais [a qualquer momento] de cada época. Acontece que os artistas pretendem escrever para as gerações futuras. artistas escrevem p gerações futuras TEIXEIRA, Ivan. VEJA, São Paulo, p.148-149, 21 abr. 1999. (Texto adaptado)
  • 13.
    UFMG-2001 Compreensão Textual tema qual o assunto abordado [um bloco de natureza nominal q designe especificamente de que trata o texto]? Língua Portuguesa tese O locutor defende o erro [uso coloquial da[por queque tenha função estética qual a intencionalidade do locutor língua] ele escreveu texto]? locutor primeira ou terceira [maior ou menorterceira pessoa focalização predominante em grau de objetividade]? linguagem Técnicas de exposição e ampliação; citação; confronto; texto registros e efeitos linguísticos utilizados no fato-exemplo. tipo e gênero tipo [expositivo-argumentativo] e gêneroe gênero textual sequências textuais mais utilizadas [artigo de opinião]
  • 14.
    QUESTÃO 04 Compreensão Textual De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que: a língua não oprime os artistas quando os submete à vontade do Estado. os artistas revelam o caráter transitório da norma culta ao infringirem-na. os escritores contrariam as regras gramaticais porque as desconhecem. os gramáticos impõem normas para os artistas não as transgredirem.
  • 15.
    QUESTÃO 04 Solução comentada A língua oprime sim, porque os artistas são obrigados a seguir uma regra imposta por outrem arbitrariamente [segundo parágrafo]. Se as alterações ocorrem a partir das mudanças feitas pelos artistas, a norma culta revela-se transitória, de acordo com o texto. Não se fala do desconhecimento que os artistas têm da norma culta. Não se fala que os gramáticos impõem normas para que os artistas não as transgridam. Assinale-se, pois, a alternativa “b”.
  • 16.
    QUESTÃO 05 Compreensão Textual De acordo com o texto, para Fernando Pessoa, a língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá- lo. Todas as alternativas seguintes justificam esse pensamento do poeta, EXCETO: Essa idéia aponta para a valorização do rompimento bem-sucedido com a norma culta. Essa idéia exalta a liberdade de criação do escritor em sua aventura intelectual. Essa idéia gera um impasse entre os gramáticos, de um lado, e os artistas, de outro. Essa idéia promove a norma culta como essência da transgressão gramatical.
  • 17.
    QUESTÃO 05 Solução comentada Esta alternativa refere-se apenas ao rompimento com a norma. Não se afirma se o rompimento é “bom” ou “ruim”. Se a língua deve servir o artista, há, certamente, liberdade de criação para o escritor. O impasse se deve ao fato de os gramáticos defenderem a norma culta o tempo todo A norma culta não pode ser considerada a essencia da transgressao, pois ela e a norma. A transgressao esta associada a lingua coloquial. Marque-se, pois, a alternativa “d”.
  • 18.
    QUESTÃO 06 Coerência e coesão Em todas as alternativas, o emprego do termo, ou expressão, destacado está corretamente explicado pela frase entre parênteses, EXCETO em Assim como uma pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse. (INTRODUZ UMA COMPARAÇÃO). Ela pode dar impressão de firmeza, [...] de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo. (REFERE-SE À TRANSGRESSÃO DE FUNÇÃO ESTRUTURAL). Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o conhecimento do código de trânsito... (REFERE-SE AOS GRAMÁTICOS, GUARDIÃES DA LÍNGUA). Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais de cada época. (REMETE À EFEMERIDADE DO CONHECIMENTO DO CÓDIGO DE TRÂNSITO).
  • 19.
    QUESTÃO 06 Solução comentada Articulador de natureza comparativa. Pronome anafórico que realmente se refere à transgressão de função estrutural. O pronome anafórico eles se refere aos artistas e não aos gramáticos. Pronome anafórico que retoma a efemeridade do conhecimento do código de trânsito. Assinale-se, pois, a alternativa “c”.
  • 20.
    QUESTÃO 07 Compreensão Textual Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática? Assinale a alternativa em que o ponto de vista defendido no Texto 1 serve de argumento para se responder a essa questão, levantada no Texto 2. Pode, porque há cidadãos “alfabetizados” que não fazem uso das normas gramaticais. Pode, porque há uma diferença entre o “erro” propriamente dito e a renovação. Pode, porque os puristas fiscalizam o uso do idioma e o poeta provoca mudanças. Pode, porque os que atentam contra o idioma o fazem intencionalmente ou por ignorância.
  • 21.
    QUESTÃO 07 Solução comentada Assinale-se a alternativa “b”, pois nela encontra-se uma ideia que responde à pergunta formulada no texto 01.