Sonegação de impostos e corrupção: você
sabe a relação entre elas?
O que é sonegação fiscal?
Em termos simples, a sonegação fiscal consiste no ato deliberado
de omitir informações para não pagar os impostos previstos pela
legislação, o que é crime.
É a partir da arrecadação de impostos e taxas que os governos
federais, estaduais e municipais aplicam suas políticas públicas,
prestando serviços e oferecendo bens públicos, como escolas, hospitais,
segurança e saneamento básico.
Sonegação de impostos é 7 vezes maior que a corrupção
Nenhum assunto rivaliza com as notícias sobre corrupção na
cobertura e no destaque dados pela mídia, um sinal da importância
devidamente atribuída ao problema pelos cidadãos.
Males de proporções maiores, porém, continuam na sombra. A
sonegação de impostos, por exemplo, tem sete vezes o tamanho da
corrupção, mas recebe atenção mínima da sociedade e do noticiário.
Leia abaixo a reportagem da Agência Brasil EBC.
Brasil perde R$ 417 bi por ano com sonegação de impostos, diz
estudo
O Brasil deixa de arrecadar mais de R$ 417 bilhões por ano com
impostos, devido às sonegações de empresas.
Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e
Tributação (IBPT) mostra que o faturamento não declarado pelas
empresas é de R$ 2,33 trilhões por ano.
As cifras foram calculadas com base nos autos de infrações emitidos
pelos fiscos federal, estaduais e municipais.
Segundo o levantamento, o Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) foi o imposto mais sonegado em 2018.
Já em 2019, a sonegação do imposto de renda superou o ICMS.
O IBPT descobriu que 47% das empresas de pequeno porte
sonegam imposto. Já a taxa entre as empresas médias é de 31% e entre
as de grande porte é de 16%.
Ao mesmo tempo, os valores sonegados são maiores no setor
industrial, seguido pelas empresas de serviços financeiros e pelas
empresas de prestação de serviços.
O comércio ocupa a quarta posição. Mas se for considerarmos
apenas o ICMS, o setor do comércio é o que mais sonega, seguido das
empresas industriais e das prestadoras de serviços.
O mês de novembro concentra a maior quantidade de autos de
infração. Isso porque é o mês da Black Friday, quando há aumento no
volume de vendas, tanto por ocasião da promoção quanto pelas vendas
de fim de ano.
Esses valores, no entanto, são uma estimativa. A sonegação total
pode maior do que a calculada. Isso porque os fiscos não conseguem
autuar todos que sonegam.
Existe ainda o outro lado da moeda, dos autos de infração extintos
ao longo do processo. Segundo o levantamento, 65,49% do que foi
sonegado foi efetivamente autuado.
“Para que seja possível chegarmos ao Índice de Sonegação Fiscal,
temos que considerar os contribuintes que sonegaram, mas não foram
autuados, assim como o grau de aderência dos autos de infração, ou
seja, qual a quantidade de autos de infração que permaneceu hígida
após a exclusão dos autos de infração que foram extintos”, diz o
levantamento.
Queda na sonegação
Apesar dos números na casa dos bilhões, a prática de sonegação
está em queda no país. Em 2002, o índice de sonegação foi de 32% e
em 2004 atingiu o pico de 39%.
Esse número foi caindo ano após ano, e chegou a 15% em 2019. De
acordo com João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT, os
mecanismos usados pelo fisco dificultaram a sonegação.
“Devido aos cruzamentos eletrônicos de dados e à melhoria da
qualidade da fiscalização, pode-se afirmar que já foi bem mais fácil
[sonegar], mas a cada ano isso fica mais difícil, tendo como reflexo do
percentual de sonegação fiscal cair de 32% sobre o valor total
arrecadado com tributos, para 15% em 2019.”
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-12/brasil-perde-r-417-bi-por-ano-com-sonegacao-de-
impostos-diz-
estudo#:~:text=O%20Brasil%20deixa%20de%20arrecadar,2%2C33%20trilh%C3%B5es%20por%20ano.

Sonegação de impostos e corrupção

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    Sonegação de impostose corrupção: você sabe a relação entre elas? O que é sonegação fiscal? Em termos simples, a sonegação fiscal consiste no ato deliberado de omitir informações para não pagar os impostos previstos pela legislação, o que é crime. É a partir da arrecadação de impostos e taxas que os governos federais, estaduais e municipais aplicam suas políticas públicas, prestando serviços e oferecendo bens públicos, como escolas, hospitais, segurança e saneamento básico.
  • 2.
    Sonegação de impostosé 7 vezes maior que a corrupção Nenhum assunto rivaliza com as notícias sobre corrupção na cobertura e no destaque dados pela mídia, um sinal da importância devidamente atribuída ao problema pelos cidadãos. Males de proporções maiores, porém, continuam na sombra. A sonegação de impostos, por exemplo, tem sete vezes o tamanho da corrupção, mas recebe atenção mínima da sociedade e do noticiário. Leia abaixo a reportagem da Agência Brasil EBC. Brasil perde R$ 417 bi por ano com sonegação de impostos, diz estudo O Brasil deixa de arrecadar mais de R$ 417 bilhões por ano com impostos, devido às sonegações de empresas. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que o faturamento não declarado pelas empresas é de R$ 2,33 trilhões por ano.
  • 3.
    As cifras foramcalculadas com base nos autos de infrações emitidos pelos fiscos federal, estaduais e municipais. Segundo o levantamento, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi o imposto mais sonegado em 2018. Já em 2019, a sonegação do imposto de renda superou o ICMS. O IBPT descobriu que 47% das empresas de pequeno porte sonegam imposto. Já a taxa entre as empresas médias é de 31% e entre as de grande porte é de 16%. Ao mesmo tempo, os valores sonegados são maiores no setor industrial, seguido pelas empresas de serviços financeiros e pelas empresas de prestação de serviços. O comércio ocupa a quarta posição. Mas se for considerarmos apenas o ICMS, o setor do comércio é o que mais sonega, seguido das empresas industriais e das prestadoras de serviços. O mês de novembro concentra a maior quantidade de autos de infração. Isso porque é o mês da Black Friday, quando há aumento no
  • 4.
    volume de vendas,tanto por ocasião da promoção quanto pelas vendas de fim de ano. Esses valores, no entanto, são uma estimativa. A sonegação total pode maior do que a calculada. Isso porque os fiscos não conseguem autuar todos que sonegam. Existe ainda o outro lado da moeda, dos autos de infração extintos ao longo do processo. Segundo o levantamento, 65,49% do que foi sonegado foi efetivamente autuado. “Para que seja possível chegarmos ao Índice de Sonegação Fiscal, temos que considerar os contribuintes que sonegaram, mas não foram autuados, assim como o grau de aderência dos autos de infração, ou seja, qual a quantidade de autos de infração que permaneceu hígida após a exclusão dos autos de infração que foram extintos”, diz o levantamento.
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    Queda na sonegação Apesardos números na casa dos bilhões, a prática de sonegação está em queda no país. Em 2002, o índice de sonegação foi de 32% e em 2004 atingiu o pico de 39%. Esse número foi caindo ano após ano, e chegou a 15% em 2019. De acordo com João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT, os mecanismos usados pelo fisco dificultaram a sonegação. “Devido aos cruzamentos eletrônicos de dados e à melhoria da qualidade da fiscalização, pode-se afirmar que já foi bem mais fácil [sonegar], mas a cada ano isso fica mais difícil, tendo como reflexo do percentual de sonegação fiscal cair de 32% sobre o valor total arrecadado com tributos, para 15% em 2019.” https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-12/brasil-perde-r-417-bi-por-ano-com-sonegacao-de- impostos-diz- estudo#:~:text=O%20Brasil%20deixa%20de%20arrecadar,2%2C33%20trilh%C3%B5es%20por%20ano.