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ROMANTISMO 
(1836-1881)
• O romantismo é todo um período cultural, 
artístico e literário que se inicia na Europa no 
final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo 
até o final do século XIX. 
• O berço do romantismo pode ser considerado 
três países: Itália, Alemanha e Inglaterra. Porém, 
na França, o romantismo ganha força como 
em nenhum outro país e, através dos artistas 
franceses, os ideais românticos espalham-se 
pela Europa e pela América.
Antecedentes Históricos 
• O Romantismo foi o primeiro movimento literário da era 
denominada romântica ou moderna. 
• Surgiu na Inglaterra e na Alemanha, na primeira metade 
do século XVIII. 
• As ideias românticas ganharam maior impulso a partir do 
advento da Revolução Francesa (1789) e se difundiram 
pela Europa e pelas Américas. 
• As transformações revolucionárias atingiram todos os 
segmentos: social, econômicos, político, filosófico e 
artístico-cultural. A humanidade acompanhava mudanças 
profundas e fundamentais para a formação de uma nova 
identidade mais idealista, o que possibilitou o 
desenvolvimento da estética romântica.
Fatores históricos decisivos para as 
transformações dos séculos XVIII e XIX 
• A queda dos sistemas de governo tirânicos. 
• Os ideais de liberdade e igualdade. 
• Formação de uma mentalidade nacionalista. 
• A consolidação do pensamento liberal. 
• A revolução Francesa. 
• A Revolução Industrial Inglesa. 
• A Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Romantismo: A Arte Burguesa
• A burguesia, vitoriosa na Revolução Francesa, 
experimentou franca ascensão e, afrontando os 
poderes da Monarquia, exigiram seu espaço na 
estrutura sociopolítica, bem como o cumprimento 
dos ideais de sua bandeira revolucionária, a utopia: 
Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Valorizaram o 
trabalho, o comércio, a indústria e todos os meios 
capazes de gerar lucro. 
• Os burgueses, ansiosos por adquirir cultura, passaram 
a ser mecenas, ou seja, patrocinaram a arte que 
correspondia aos seus interesses. Foi criado o drama 
para o público burguês, inventou-se a narrativa em 
forma de romance, para os leitores ansiosos por 
consumir cultura e arte burguesistas.
Características Românticas 
• Valorização de elementos populares - Surgiu de 
relação entre a burguesia e o Romantismo e 
objetivava retirar o privilégio da elite aristocrática. 
Intensificaram-se os temas ligados á vida urbana; 
incentivou-se público a participar de manifestações 
culturais. 
• Imaginação Criadora - Libertação da arte agora 
afastada das rígidas regras clássicas. Liberdade para 
a forma e para o conteúdo. Criação de mundos 
imaginários nos quais o romântico acreditava.
• Nacionalismo - louvor e exaltação de pátria, 
resgatava as origens de cada nação, valorizações 
dos elementos da terra natal, dos bens e das 
riquezas nacionais, das paisagens naturais. 
Exaltavam-se as personalidades e os heróis da 
história, os valores gloriosos da pátria. No Brasil, 
houve a valorização do passado colonial: o índio 
foi tomado como herói nacional repleto de glórias 
que só existiram nos ideários românticos. Outra 
forma de nacionalismo brasileiro foi conhecida na 
terceira fase do Romantismo, quando o escravo e 
os ideais de liberdade ocuparam os versos 
condoreiros.
• Subjetivismo - atitude individual e única. A poesia 
não assume mais os moldes clássicos e, sim, a 
vontade do Eu criador. 
• Egocentrismo - Houve o triunfo absoluto do EU; o 
reinado da poesia confessional na qual o sujeito 
lírico declarava seus sentimentos. 
• Sentimentalismo - analisa e expressa a realidade 
por meio de sentimentos; a emoção foi valorizada 
em detrimento do racionalismo.
• Supervalorização do amor - O amor foi 
considerado um valor supremo na vida. 
Entretanto, a conquista amorosa era difícil: 
havia o mito do amor impossível, o estigma da 
paixão desesperadora. A perda ou não 
realização amorosa levava o romântico ao 
desespero, à loucura ou à morte. 
• Idealização da Mulher - Mulher convertida em 
anjo, musa, deusa, criatura pura, poderosa, 
perfeita, inatingível, capaz de maravilhar a vida 
do homem se lhe correspondesse. A mulher, 
porém, tornava-se perversa, maligna, 
impiedosa, quando pela recusa arruinava a 
vida do galante que a cortejava.
• Byronismo (mal do século) - Na ânsia de plenitude 
impossível, o artista sentia-se desajustado e 
insatisfeito, além de decepcionado, devido á 
falência da utopia revolucionária: liberdade, 
igualdade, fraternidade. Assim, o romântico passou 
a ver o homem da época como um ser 
fragmentado, peça da engrenagem social, sem 
individualidade ou liberdade. Os desajustes e as 
insatisfações conduziram ao mal do século, 
definido como a aflição e a dor dos descontentes 
com o mundo. Era a influência do modo de vida 
byroniano do poeta inglês Lord George Byron, 
protótipo do herói romântico, sombrio, elegante e 
desajustado.
Aspecto Estilístico 
• Os românticos abandonam a forma fixa (raros os 
sonetos, odes, oitavas e etc.), abandonam o uso 
obrigatório da rima e acabam valorizando o verso 
branco, negam os gêneros literários em que 
abandonam o tradicional, fazendo com que 
alguns gêneros não fizessem mais parte como: a 
tragédia e a comédia, onde foram surgindo 
outros como: o drama, o romance de costumes 
entre outros.
Contribuições Culturais 
• O romantismo promoveu uma ruptura com as 
concepções clássicas da arte e permitiu uma 
revolução cultural. 
• Enriqueceu a Língua Portuguesa, com a 
incorporação de neologismos e a aproximação 
entre a Língua Literária e a Língua oral e coloquial.
Romantismo no Brasil 
(1836-1881) 
• Marco inicial: Publicação de "Suspiros Poéticos e 
Saudades", de Gonçalves de Magalhães , em 1836. 
• Marco final: Publicação de "Memórias Póstumas de 
Brás Cubas", de Machado de Assis , em 1881, que 
inaugura o realismo.
Contexto Histórico-cultural 
• A Independência é o principal fato político do 
século 19 e vai determinar os rumos políticos, 
econômicos e sociais do Brasil até a Proclamação 
da República (1889). Merece destaque também o 
Segundo reinado, em que o país conheceu um 
período de grande desenvolvimento em relação 
aos três séculos anteriores. Apesar disso tudo, o 
Brasil continuou um país fundamentalmente 
agrário, cuja economia se baseava no latifúndio, 
na monocultura e na mão de obra escrava .
• Recém independente, o país procura afirmar sua 
identidade, tentando desenvolver uma cultura 
própria, baseada em suas raízes indígenas ou 
sertanejas. No entanto, isso se faz a partir da 
reprodução dos modelos do romantismo europeu, 
o que reflete o caráter intrinsecamente 
contraditório do Romantismo brasileiro.
As gerações românticas 
Primeira geração romântica - primeiro 
grupo (1836-1840)- nacionalismo 
• O início do romantismo brasileiro caracterizou-se 
por religiosidade, misticismo, antilusitanismo, 
nacionalismo.
• O espírito nacionalista levou ao culto da natureza 
profundamente elogiada dentro do caráter 
ufanista, com elevação máxima das belezas 
naturais do paraíso tropical. A natureza surgiu 
estilizada para expressar intenções ideológicas de 
base nacionalista. 
• O gênero lírico era amplamente cultivado ao lado 
da ficção e do teatro, de influência inglesa e 
francesa. Os autores que se destacaram foram: 
Manuel de Araújo Porto Alegre, Antônio Teixeira e 
Souza e Domingos Gonçalves Magalhães.
Primeira geração romântica – segundo 
grupo (1840-1850)- indianismo 
• Surgiu o índio, um herói visto com espírito da 
civilização nacional e da luta contra a tradição 
lusitana. Contudo, o indígena que se pintou à 
moda romântica tinha seu próprio modelo 
importado da França. Os franceses Cooper e 
Chateaubriand, entusiasmados com o selvagem 
da América, levaram-no para a sua literatura e 
pintaram os aborígenes com as tintas heroicas, 
inspirados nos heróis de cavalaria medieval.
• Antônio Gonçalves Dias e José de Alencar, 
principalmente, escreveram dentro desse modelo 
de índio idealizado como bravo, gentil, valente, 
nobre, corajoso, puro, belo, bom por natureza e 
capaz de todas as proezas em nome da honra e 
da glória. Foi o herói improvisado para configurar 
ideologicamente o que deveria ter sido o primeiro 
habitante do Brasil. 
• Assim, o indígena passou a ser a mais autêntica 
ilustração para o Mito do Bom Selvagem, do 
filósofo francês Rosseau : O homem nasce puro, 
belo, bom e assim permanece enquanto estiver em 
contato com a natureza. 
• Os autores principais dessa fase foram Gonçalves 
Dias, José de Alencar, Joaquim Manoel de 
Macedo e Bernardo Guimarães.
Segunda geração romântica – byronismo ou 
ultrarromantismo (1850-1860) 
• A geração contaminada pelo “mal do século”: 
individualismo, negativismo, pessimismo, 
insatisfação com o mundo, angústia, desespero, 
crise existencial (herança do Barroco). Nessa fase, 
o sentimentalismo e a emoção romântica 
atingiram o auge absoluto. A influência satânica 
do poeta inglês Lord Byron tem seu maior exemplar 
brasileiro no poeta Álvares de Azevedo em sua 
obra.
• Enquanto a poesia segue a linha byroniana, a 
ficção consolida-se sobre a forma sertanista, 
urbana, indianista. Surge a narrativa histórica para 
delinear as origens do Brasil e o seu 
desenvolvimento. A utopia das idéias continuava a 
influenciar as visões românticas. 
• Os autores principais são: na poesia- Gonçalves 
Dias; Álvares de Azevedo; Casimiro de Abreu; 
Junqueira Freire; Fagundes Varela; Laurindo 
Rabelo; na prosa- José de Alencar, fiel 
representante da ideologia romântica; Manuel 
Antônio de Almeida, que se rebelou contra o 
romantismo burguês, escrevendo a obra Memórias 
de um Sargento de Milícias, que focaliza a 
sociedade suburbana e desmoraliza a corte 
amorosa.
Terceira geração romântica – condoreirismo 
(1860-1880) 
• Os condoreiros praticaram um nacionalismo de 
ordem diversa, pois não exaltavam as maravilhas 
da pátria, mas reivindicavam liberdade, igualdade 
das condições sociais e independência política; 
defendiam, enfim, a formação de uma 
consciência nacional. O tom lírico não se limitava a 
cantar amores impossíveis ou desgraças amorosas, 
porque se expandia para versejar sobre o erotismo 
do amor ou se coletivizava para expressar as 
paixões pelas causas sociopolíticas.
• Os assuntos centrais ligam-se à Guerra do 
Paraguai, à Abolição da Escravatura, à luta pela 
Proclamação da República. O homem negro 
transformou-se em personagem real e sofrida no 
canto eloquente dos condoreiros (condor é uma 
ave altaneira). 
• O grande condoreiro do Brasil chamava-se Antônio 
Frederico de Castro Alves, dono de uma poesia 
vibrante que evocava o liberalismo idealizado e 
repelia a vergonhosa escravidão, denunciando as 
condições desumanas em que os escravos viviam.
• A terceira fase do Romantismo foi uma transição 
para o Realismo, pois os condoreiros apoiavam-se 
numa filosofia de caráter humano-realístico. A 
influência de Vitor Hugo, as preocupações com a 
forma, o erotismo no lirismo amoroso demarcaram 
novos caminhos para a literatura porvindoura. 
• Os autores da terceira geração foram Joaquim de 
Sousa Andrade (Sousândrade), Tobias Barreto, 
Franklin Távora, Visconde de Taunay e Castro Alves.
Prosa no Romantismo 
• Antes do período artístico romântico, as 
composições em prosa eram menos frequentes. 
• A prosa literária desenvolveu-se no Romantismo. 
• A espécie preferida pelo público era o romance de 
temática sentimental. 
• Cultivava-se o gosto pelos folhetins, histórias de 
amor editadas em jornais com capítulos publicados 
em série.
• O primeiro romance romântico brasileiro, datado 
em 1843, é O Filho de Pescador, de Teixeira e 
Souza. 
• O romance que impulsionava o apego sentimental 
do publico foi A Moreninha, de Joaquim Manuel de 
Macedo, uma historia de amor convencional, 
publicada em 1844, que fixa os costumes da 
sociedade carioca da época, contaminada por 
francesismos.
Tipos de Romance 
• Romance Histórico-indianista 
• Romance regionalista 
• Romance urbano 
• Romance analítico
Principais autores e obras em prosa 
Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (1825-1884) 
• Obras principais: Lendas e Romances (histórico); Lendas e 
Tradições da Província de Minas Gerais; O Ermitão da Glória 
(regionalista); O Garimpeiro; O Seminarista; A Escrava Isaura. 
• O Seminarista é sua obra mais notável na qual se critica o 
celibato clerical e apresenta o apelo ao sexo, contrário à 
corte amorosa de Romantismo. 
• Temas característicos 
a) Romances basicamente regionalistas, com uma intriga 
amorosa indispensável, desenvolvida entre personagens 
boas ou más ao extremo. 
b) Paisagens minuciosamente descritas e hábitos regionais 
do povo mineiro.
Alfredo D'Escragnolle Taunay (1843-1899) 
• Visconde de Taunay é o autor de um dos melhores romances 
regionalistas do Romantismo. 
• Obras principais: Inocência; A Retirada de Laguna; O 
Encilhamento; Manuscritos de uma Mulher; Mocidade de 
Trajano. 
• Temas característicos: 
a) Em Inocência, uma das obras mais importantes de 
Visconde de Taumay, utilizou-se uma linguagem adequada 
para descrever a paisagem do sertão (sudeste do Mato Grosso) 
e ainda ficou a fala popular. 
b) A fim de envolver o leitor e de acordo com a mentalidade 
romântica, inventou em sentimento de amor impossível entre a 
bela Inocência e Cirilo. O caso amoroso tem um final trágico, 
pois o rapaz é assassinado, e a moça morre consumida pelo 
desespero da paixão.
José Martiniano de Alencar (1820-1877) 
• Foi o ficcionista que mais agradou o gosto do publico 
burguês, consolidando o romance nacional brasileiro 
• Retratou posturas políticas e burguesas em sintonia com a 
mentalidade de homem conservador em todos os parâmetros: 
monarquista, escravocrata, político (senador do império de 
Pedro II), proprietário de terras. 
• Era um nacionalista fiel que atacava as formas literárias 
importadas e a timidez verbal dos poetas que se propunham a 
cantar o Brasil, como escreveu a Carta sobre a Confederação 
dos Tamoios, em que criticou a obra épica de Gonçalves de 
Magalhães por sua falta de energia e de brasilidade. 
• Sempre com linguagem requintada, Alencar inventou um 
passado glorioso para o Brasil, com um índio herói fantástico. 
Retratou a vida urbana em meio às intrigas amorosas mais 
instigantes: conflitos sentimentais marcados por um final feliz 
(Senhora - Diva) ou interrompidos com uma morte trágica 
(Lucíola).
Manuel Antônio de Almeida (1830-1861) 
• Obra principal: Memórias de um Sargento de 
Milícias. 
• Temas característicos: O romance apresenta 
elementos que contradizem as convenções 
literárias da época; tem como cenário as ruas e os 
casebres do Rio de Janeiro. A linguagem revela 
absoluta “molecagem” (desmoraliza a corte 
amorosa, tratando satiricamente a intriga 
sentimental). Descreve cenas populares, com um 
toque de realismo. È um documentário mais real da 
sociedade do século XIX, aproxima-se do que 
seriam as narrativas do realistas / naturalistas.
Bernardo 
Guimarães 
Alfredo 
Taunay 
José de 
Alencar 
Manuel 
Antônio 
de 
Almeida
Poesia no Romantismo 
• A característica principal da Poesia Romântica é a 
expressão plena dos sentimentos pessoais, com 
os autores voltados para o seu mundo interior e 
fazendo da literatura um meio de desabafo e 
confissão. A vida passa a ser encarada de um 
ângulo pessoal, em que se sobressai um intenso 
desejo de liberdade. 
• O estilo romântico revela-se inicialmente idealista e 
sonhador, depois, crítico e retórico, mas sempre 
sentimental e nacionalista.
Antônio Gonçalves Dias 
• Foi ele quem consolidou o 
Romantismo brasileiro, com 
sua poesia de alta qualidade. 
• Obras principais: Primeiros 
Cantos; Segundos Cantos, 
Sextilhas do Frei Antão – Último 
Cantos. 
• Temas característicos: 
a) Lirismo Amoroso 
b) Indianismo 
c) Exílio
Romantismo1836 1881-121031124003-phpapp02
Manuel Antônio Álvares de 
Azevedo 
• É o poeta brasileiro que mais 
autenticamente representou 
o byronismo, sendo o mais 
individualista, subjetivo e 
sofrido poeta do Romantismo. 
Autor de uma poesia 
confessional que exprime 
sentimentos, dores e emoções 
do eu lírico ultrarromântico. 
Morreu aos 21 anos. 
• Obras principais: Pedro Ivo, 
Lira dos Vinte Anos, Conde 
Lopo.
Joaquim de Sousa Andrade 
• Obras principais: Guesa 
Errante; Obras Poéticas 
• Temas característicos: 
Sousândrade era adepto 
das causas republicanas e 
abolicionistas. Sua poesia é 
marcada por originalidade, 
inovadora e revolucionária, 
afastadas dos modelos 
românticos. A linguagem 
ousada aproxima da 
realidade. O vocabulário é 
diversificado com 
neologismos, palavras em 
inglês, expressões indígenas.
Antônio Frederico de Castro 
Alves 
• Nutria um grande amor patriótico, 
acreditava representar o espírito 
nacionalista do povo brasileiro, tendo 
escrito poemas de louvor para exaltar 
os feitos populares. É um dos mais 
expressivos talentos da poesia 
brasileira, apesar de ter morrido aos 24 
anos de tuberculose. Encarou a morte 
com realismo e amargura. 
• Obras principais: Espumas Flutuantes. 
Poemas mais famosos: Vozes d’África e Navio Negreiro. 
• Temas característicos: 
a) Poesia da Natureza: personificou a natureza que aparece em 
todos os enfoques 
b) Lirismo Amoroso 
c) Poesia Social Condoreira.

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Romantismo1836 1881-121031124003-phpapp02

  • 2. • O romantismo é todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX. • O berço do romantismo pode ser considerado três países: Itália, Alemanha e Inglaterra. Porém, na França, o romantismo ganha força como em nenhum outro país e, através dos artistas franceses, os ideais românticos espalham-se pela Europa e pela América.
  • 3. Antecedentes Históricos • O Romantismo foi o primeiro movimento literário da era denominada romântica ou moderna. • Surgiu na Inglaterra e na Alemanha, na primeira metade do século XVIII. • As ideias românticas ganharam maior impulso a partir do advento da Revolução Francesa (1789) e se difundiram pela Europa e pelas Américas. • As transformações revolucionárias atingiram todos os segmentos: social, econômicos, político, filosófico e artístico-cultural. A humanidade acompanhava mudanças profundas e fundamentais para a formação de uma nova identidade mais idealista, o que possibilitou o desenvolvimento da estética romântica.
  • 4. Fatores históricos decisivos para as transformações dos séculos XVIII e XIX • A queda dos sistemas de governo tirânicos. • Os ideais de liberdade e igualdade. • Formação de uma mentalidade nacionalista. • A consolidação do pensamento liberal. • A revolução Francesa. • A Revolução Industrial Inglesa. • A Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  • 6. • A burguesia, vitoriosa na Revolução Francesa, experimentou franca ascensão e, afrontando os poderes da Monarquia, exigiram seu espaço na estrutura sociopolítica, bem como o cumprimento dos ideais de sua bandeira revolucionária, a utopia: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Valorizaram o trabalho, o comércio, a indústria e todos os meios capazes de gerar lucro. • Os burgueses, ansiosos por adquirir cultura, passaram a ser mecenas, ou seja, patrocinaram a arte que correspondia aos seus interesses. Foi criado o drama para o público burguês, inventou-se a narrativa em forma de romance, para os leitores ansiosos por consumir cultura e arte burguesistas.
  • 7. Características Românticas • Valorização de elementos populares - Surgiu de relação entre a burguesia e o Romantismo e objetivava retirar o privilégio da elite aristocrática. Intensificaram-se os temas ligados á vida urbana; incentivou-se público a participar de manifestações culturais. • Imaginação Criadora - Libertação da arte agora afastada das rígidas regras clássicas. Liberdade para a forma e para o conteúdo. Criação de mundos imaginários nos quais o romântico acreditava.
  • 8. • Nacionalismo - louvor e exaltação de pátria, resgatava as origens de cada nação, valorizações dos elementos da terra natal, dos bens e das riquezas nacionais, das paisagens naturais. Exaltavam-se as personalidades e os heróis da história, os valores gloriosos da pátria. No Brasil, houve a valorização do passado colonial: o índio foi tomado como herói nacional repleto de glórias que só existiram nos ideários românticos. Outra forma de nacionalismo brasileiro foi conhecida na terceira fase do Romantismo, quando o escravo e os ideais de liberdade ocuparam os versos condoreiros.
  • 9. • Subjetivismo - atitude individual e única. A poesia não assume mais os moldes clássicos e, sim, a vontade do Eu criador. • Egocentrismo - Houve o triunfo absoluto do EU; o reinado da poesia confessional na qual o sujeito lírico declarava seus sentimentos. • Sentimentalismo - analisa e expressa a realidade por meio de sentimentos; a emoção foi valorizada em detrimento do racionalismo.
  • 10. • Supervalorização do amor - O amor foi considerado um valor supremo na vida. Entretanto, a conquista amorosa era difícil: havia o mito do amor impossível, o estigma da paixão desesperadora. A perda ou não realização amorosa levava o romântico ao desespero, à loucura ou à morte. • Idealização da Mulher - Mulher convertida em anjo, musa, deusa, criatura pura, poderosa, perfeita, inatingível, capaz de maravilhar a vida do homem se lhe correspondesse. A mulher, porém, tornava-se perversa, maligna, impiedosa, quando pela recusa arruinava a vida do galante que a cortejava.
  • 11. • Byronismo (mal do século) - Na ânsia de plenitude impossível, o artista sentia-se desajustado e insatisfeito, além de decepcionado, devido á falência da utopia revolucionária: liberdade, igualdade, fraternidade. Assim, o romântico passou a ver o homem da época como um ser fragmentado, peça da engrenagem social, sem individualidade ou liberdade. Os desajustes e as insatisfações conduziram ao mal do século, definido como a aflição e a dor dos descontentes com o mundo. Era a influência do modo de vida byroniano do poeta inglês Lord George Byron, protótipo do herói romântico, sombrio, elegante e desajustado.
  • 12. Aspecto Estilístico • Os românticos abandonam a forma fixa (raros os sonetos, odes, oitavas e etc.), abandonam o uso obrigatório da rima e acabam valorizando o verso branco, negam os gêneros literários em que abandonam o tradicional, fazendo com que alguns gêneros não fizessem mais parte como: a tragédia e a comédia, onde foram surgindo outros como: o drama, o romance de costumes entre outros.
  • 13. Contribuições Culturais • O romantismo promoveu uma ruptura com as concepções clássicas da arte e permitiu uma revolução cultural. • Enriqueceu a Língua Portuguesa, com a incorporação de neologismos e a aproximação entre a Língua Literária e a Língua oral e coloquial.
  • 14. Romantismo no Brasil (1836-1881) • Marco inicial: Publicação de "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães , em 1836. • Marco final: Publicação de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis , em 1881, que inaugura o realismo.
  • 15. Contexto Histórico-cultural • A Independência é o principal fato político do século 19 e vai determinar os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil até a Proclamação da República (1889). Merece destaque também o Segundo reinado, em que o país conheceu um período de grande desenvolvimento em relação aos três séculos anteriores. Apesar disso tudo, o Brasil continuou um país fundamentalmente agrário, cuja economia se baseava no latifúndio, na monocultura e na mão de obra escrava .
  • 16. • Recém independente, o país procura afirmar sua identidade, tentando desenvolver uma cultura própria, baseada em suas raízes indígenas ou sertanejas. No entanto, isso se faz a partir da reprodução dos modelos do romantismo europeu, o que reflete o caráter intrinsecamente contraditório do Romantismo brasileiro.
  • 17. As gerações românticas Primeira geração romântica - primeiro grupo (1836-1840)- nacionalismo • O início do romantismo brasileiro caracterizou-se por religiosidade, misticismo, antilusitanismo, nacionalismo.
  • 18. • O espírito nacionalista levou ao culto da natureza profundamente elogiada dentro do caráter ufanista, com elevação máxima das belezas naturais do paraíso tropical. A natureza surgiu estilizada para expressar intenções ideológicas de base nacionalista. • O gênero lírico era amplamente cultivado ao lado da ficção e do teatro, de influência inglesa e francesa. Os autores que se destacaram foram: Manuel de Araújo Porto Alegre, Antônio Teixeira e Souza e Domingos Gonçalves Magalhães.
  • 19. Primeira geração romântica – segundo grupo (1840-1850)- indianismo • Surgiu o índio, um herói visto com espírito da civilização nacional e da luta contra a tradição lusitana. Contudo, o indígena que se pintou à moda romântica tinha seu próprio modelo importado da França. Os franceses Cooper e Chateaubriand, entusiasmados com o selvagem da América, levaram-no para a sua literatura e pintaram os aborígenes com as tintas heroicas, inspirados nos heróis de cavalaria medieval.
  • 20. • Antônio Gonçalves Dias e José de Alencar, principalmente, escreveram dentro desse modelo de índio idealizado como bravo, gentil, valente, nobre, corajoso, puro, belo, bom por natureza e capaz de todas as proezas em nome da honra e da glória. Foi o herói improvisado para configurar ideologicamente o que deveria ter sido o primeiro habitante do Brasil. • Assim, o indígena passou a ser a mais autêntica ilustração para o Mito do Bom Selvagem, do filósofo francês Rosseau : O homem nasce puro, belo, bom e assim permanece enquanto estiver em contato com a natureza. • Os autores principais dessa fase foram Gonçalves Dias, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo e Bernardo Guimarães.
  • 21. Segunda geração romântica – byronismo ou ultrarromantismo (1850-1860) • A geração contaminada pelo “mal do século”: individualismo, negativismo, pessimismo, insatisfação com o mundo, angústia, desespero, crise existencial (herança do Barroco). Nessa fase, o sentimentalismo e a emoção romântica atingiram o auge absoluto. A influência satânica do poeta inglês Lord Byron tem seu maior exemplar brasileiro no poeta Álvares de Azevedo em sua obra.
  • 22. • Enquanto a poesia segue a linha byroniana, a ficção consolida-se sobre a forma sertanista, urbana, indianista. Surge a narrativa histórica para delinear as origens do Brasil e o seu desenvolvimento. A utopia das idéias continuava a influenciar as visões românticas. • Os autores principais são: na poesia- Gonçalves Dias; Álvares de Azevedo; Casimiro de Abreu; Junqueira Freire; Fagundes Varela; Laurindo Rabelo; na prosa- José de Alencar, fiel representante da ideologia romântica; Manuel Antônio de Almeida, que se rebelou contra o romantismo burguês, escrevendo a obra Memórias de um Sargento de Milícias, que focaliza a sociedade suburbana e desmoraliza a corte amorosa.
  • 23. Terceira geração romântica – condoreirismo (1860-1880) • Os condoreiros praticaram um nacionalismo de ordem diversa, pois não exaltavam as maravilhas da pátria, mas reivindicavam liberdade, igualdade das condições sociais e independência política; defendiam, enfim, a formação de uma consciência nacional. O tom lírico não se limitava a cantar amores impossíveis ou desgraças amorosas, porque se expandia para versejar sobre o erotismo do amor ou se coletivizava para expressar as paixões pelas causas sociopolíticas.
  • 24. • Os assuntos centrais ligam-se à Guerra do Paraguai, à Abolição da Escravatura, à luta pela Proclamação da República. O homem negro transformou-se em personagem real e sofrida no canto eloquente dos condoreiros (condor é uma ave altaneira). • O grande condoreiro do Brasil chamava-se Antônio Frederico de Castro Alves, dono de uma poesia vibrante que evocava o liberalismo idealizado e repelia a vergonhosa escravidão, denunciando as condições desumanas em que os escravos viviam.
  • 25. • A terceira fase do Romantismo foi uma transição para o Realismo, pois os condoreiros apoiavam-se numa filosofia de caráter humano-realístico. A influência de Vitor Hugo, as preocupações com a forma, o erotismo no lirismo amoroso demarcaram novos caminhos para a literatura porvindoura. • Os autores da terceira geração foram Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade), Tobias Barreto, Franklin Távora, Visconde de Taunay e Castro Alves.
  • 26. Prosa no Romantismo • Antes do período artístico romântico, as composições em prosa eram menos frequentes. • A prosa literária desenvolveu-se no Romantismo. • A espécie preferida pelo público era o romance de temática sentimental. • Cultivava-se o gosto pelos folhetins, histórias de amor editadas em jornais com capítulos publicados em série.
  • 27. • O primeiro romance romântico brasileiro, datado em 1843, é O Filho de Pescador, de Teixeira e Souza. • O romance que impulsionava o apego sentimental do publico foi A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, uma historia de amor convencional, publicada em 1844, que fixa os costumes da sociedade carioca da época, contaminada por francesismos.
  • 28. Tipos de Romance • Romance Histórico-indianista • Romance regionalista • Romance urbano • Romance analítico
  • 29. Principais autores e obras em prosa Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (1825-1884) • Obras principais: Lendas e Romances (histórico); Lendas e Tradições da Província de Minas Gerais; O Ermitão da Glória (regionalista); O Garimpeiro; O Seminarista; A Escrava Isaura. • O Seminarista é sua obra mais notável na qual se critica o celibato clerical e apresenta o apelo ao sexo, contrário à corte amorosa de Romantismo. • Temas característicos a) Romances basicamente regionalistas, com uma intriga amorosa indispensável, desenvolvida entre personagens boas ou más ao extremo. b) Paisagens minuciosamente descritas e hábitos regionais do povo mineiro.
  • 30. Alfredo D'Escragnolle Taunay (1843-1899) • Visconde de Taunay é o autor de um dos melhores romances regionalistas do Romantismo. • Obras principais: Inocência; A Retirada de Laguna; O Encilhamento; Manuscritos de uma Mulher; Mocidade de Trajano. • Temas característicos: a) Em Inocência, uma das obras mais importantes de Visconde de Taumay, utilizou-se uma linguagem adequada para descrever a paisagem do sertão (sudeste do Mato Grosso) e ainda ficou a fala popular. b) A fim de envolver o leitor e de acordo com a mentalidade romântica, inventou em sentimento de amor impossível entre a bela Inocência e Cirilo. O caso amoroso tem um final trágico, pois o rapaz é assassinado, e a moça morre consumida pelo desespero da paixão.
  • 31. José Martiniano de Alencar (1820-1877) • Foi o ficcionista que mais agradou o gosto do publico burguês, consolidando o romance nacional brasileiro • Retratou posturas políticas e burguesas em sintonia com a mentalidade de homem conservador em todos os parâmetros: monarquista, escravocrata, político (senador do império de Pedro II), proprietário de terras. • Era um nacionalista fiel que atacava as formas literárias importadas e a timidez verbal dos poetas que se propunham a cantar o Brasil, como escreveu a Carta sobre a Confederação dos Tamoios, em que criticou a obra épica de Gonçalves de Magalhães por sua falta de energia e de brasilidade. • Sempre com linguagem requintada, Alencar inventou um passado glorioso para o Brasil, com um índio herói fantástico. Retratou a vida urbana em meio às intrigas amorosas mais instigantes: conflitos sentimentais marcados por um final feliz (Senhora - Diva) ou interrompidos com uma morte trágica (Lucíola).
  • 32. Manuel Antônio de Almeida (1830-1861) • Obra principal: Memórias de um Sargento de Milícias. • Temas característicos: O romance apresenta elementos que contradizem as convenções literárias da época; tem como cenário as ruas e os casebres do Rio de Janeiro. A linguagem revela absoluta “molecagem” (desmoraliza a corte amorosa, tratando satiricamente a intriga sentimental). Descreve cenas populares, com um toque de realismo. È um documentário mais real da sociedade do século XIX, aproxima-se do que seriam as narrativas do realistas / naturalistas.
  • 33. Bernardo Guimarães Alfredo Taunay José de Alencar Manuel Antônio de Almeida
  • 34. Poesia no Romantismo • A característica principal da Poesia Romântica é a expressão plena dos sentimentos pessoais, com os autores voltados para o seu mundo interior e fazendo da literatura um meio de desabafo e confissão. A vida passa a ser encarada de um ângulo pessoal, em que se sobressai um intenso desejo de liberdade. • O estilo romântico revela-se inicialmente idealista e sonhador, depois, crítico e retórico, mas sempre sentimental e nacionalista.
  • 35. Antônio Gonçalves Dias • Foi ele quem consolidou o Romantismo brasileiro, com sua poesia de alta qualidade. • Obras principais: Primeiros Cantos; Segundos Cantos, Sextilhas do Frei Antão – Último Cantos. • Temas característicos: a) Lirismo Amoroso b) Indianismo c) Exílio
  • 37. Manuel Antônio Álvares de Azevedo • É o poeta brasileiro que mais autenticamente representou o byronismo, sendo o mais individualista, subjetivo e sofrido poeta do Romantismo. Autor de uma poesia confessional que exprime sentimentos, dores e emoções do eu lírico ultrarromântico. Morreu aos 21 anos. • Obras principais: Pedro Ivo, Lira dos Vinte Anos, Conde Lopo.
  • 38. Joaquim de Sousa Andrade • Obras principais: Guesa Errante; Obras Poéticas • Temas característicos: Sousândrade era adepto das causas republicanas e abolicionistas. Sua poesia é marcada por originalidade, inovadora e revolucionária, afastadas dos modelos românticos. A linguagem ousada aproxima da realidade. O vocabulário é diversificado com neologismos, palavras em inglês, expressões indígenas.
  • 39. Antônio Frederico de Castro Alves • Nutria um grande amor patriótico, acreditava representar o espírito nacionalista do povo brasileiro, tendo escrito poemas de louvor para exaltar os feitos populares. É um dos mais expressivos talentos da poesia brasileira, apesar de ter morrido aos 24 anos de tuberculose. Encarou a morte com realismo e amargura. • Obras principais: Espumas Flutuantes. Poemas mais famosos: Vozes d’África e Navio Negreiro. • Temas característicos: a) Poesia da Natureza: personificou a natureza que aparece em todos os enfoques b) Lirismo Amoroso c) Poesia Social Condoreira.