ROMANTISMO NO BRASIL ALUNOS: ANDRÉ L. MELO EDUARDO BARBOSA LAURO BECHER NETO
INTRODUÇÃO: O romantismo é todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX; O berço do romantismo pode ser considerado três países: Itália, Alemanha e Inglaterra;  Porém, na França, o romantismo ganha força como em nenhum outro país e, através dos artistas franceses, os ideais românticos espalham-se pela Europa e pela América;
As características principais deste período são : valorização das emoções, liberdade de criação, amor platônico, temas religiosos, individualismo, nacionalismo e história.  Este período foi fortemente influenciado pelos ideais do iluminismo e pela liberdade conquis tada na Revolução Francesa; O objetivo deste trabalho foi uma pesquisa científica sobre o assunto abordado e suas vertentes.
Contribuir para a grandeza da nação através de uma literatura que fosse o espelho do novo mundo e de sua paisagem física e humana, eis o projeto ideológico da primeira geração romântica; Há um sentimento de missão: revelar todo o Brasil, criando uma literatura autônoma que nos expressasse.
ADAPTAÇÃO DE UM MOVIMENTO ARTÍSTICO EUROPEU: Os valores do Romantismo europeu adequavam-se às exigências ideológicas dos escritores brasileiros, O Romantismo se opunha à arte clássica, e Classicismo aqui significava dominação portuguesa; O Romantismo voltava-se para a natureza, para o exótico; e aqui havia uma natureza exuberante, etc. Tudo se ajustando para o desenvolvimento de uma literatura ufanista; O nacionalismo romântico encontrará a sua representação nos seguintes elementos:
INDIANISMO: No "bon sauvage" francês sedimenta-se o modelo de um herói que se deveria se tornar o passado e a tradição de um país desprovido de sagas exemplares; O nativo - ignorada toda a cultura indígena - converte-se no herói inteiriço, feito à imagem e semelhança de um cavaleiro medieval; Assume-se a imagem exótica que as metrópoles européias tinham dos trópicos, adaptando-a ao ufanismo;
Acima de tudo, o índio representa, na sua condição de primitivo habitante, o próprio símbolo da nacionalidade; Além disso, a imagem positiva do indígena fornece às elites o orgulho de uma ascendência nobre, que ajuda na legitimação de seu próprio poder no Brasil posterior à Independência.
SERTANISMO: Resultado da "consciência eufórica de um país novo", o sertanismo romântico (também discutivelmente chamado de regionalismo) procura afirmar as particularidades e a identidade das regiões e da vida rural, na ânsia de tornar literário todo o Brasil; Este registro do mundo não-urbano permanece na superfície com uma moldura, já que a intriga romanesca é citadina, ou seja, gira em torno dos esquemas românticos do folhetim; Além disso, os autores usam sempre a linguagem culta e literária das cidades e não a fala particular da região retratada.
NATUREZA: A terra é identificada como pátria. Assim, os fenômenos naturais tornam-se representativos da grandeza do país; A natureza jovem, vital, exuberante, serve de compensação para a pobreza social ao mesmo tempo que simboliza as potencialidades do Brasil.
PROCURA DA LÍNGUA BRASILEIRA: Os escritores românticos - José de Alencar, em especial - reivindicam uma língua brasileira; Em Iracema, o autor tenta criar esta língua através do estilo poético, da utilização de vocábulos indígenas, de um novo ritmo de frase. Mas não são os escritores que criam um idioma; Continuamos falando e escrevendo o português; Porém, graças ao esforço de Alencar e outros, começa a se estabelecer uma forma brasileira de escrever a língua portuguesa.
O SURGIMENTO DO ROMANTISMO: O passo decisivo para a deflagração do movimento é a publicação da revista Niterói, em Paris, 1836, que trazia como epígrafe: "Tudo pelo Brasil e para o Brasil"; A revista, elaborada por intelectuais que estudavam na Europa, propunha a investigação "das letras, artes e ciências brasilienses"; No grupo, destaca-se Gonçalves de Magalhães, que ainda em 1836 lançaria um livro de poemas: Suspiros poéticos e saudades; Esta obra introduziu o espírito romântico no Brasil.
O projeto de autonomia dos autores românticos não se realizou integralmente; Todos os princípios "nacionalistas" que defenderam estavam, em maior ou menor grau, comprometidos com uma visão européia de mundo; Além disso, o nacionalismo era feito de exterioridades, mais paisagem do que substância humana; Aquele "sentimento íntimo de brasilidade", de que falou Machado de Assis, não existe nas obras do período;
Por fim, o fato de todos os escritores da primeira geração viverem à sombra do poder (foram ministros, secretários, embaixadores, burocratas do alto escalão) comprometeu-os irremediavelmente com a classe dominante; Fugiram da escravidão e da pobreza, escamotearam a ferocidade das elites e a miséria das ruas, ignoraram a violência que se espalhava pelo cotidiano; Em troca, celebraram o idílio e a natureza, mitificaram as regiões, teatralizaram o índio, criando assim uma arte conservadora.
DIVISÕES DE GERAÇÕES: Na lírica romântica brasileira, podem ser delimitados, com algum rigor, três momentos que se caracterizam por apresentar temas e visões de mundo diferenciadas; Estes momentos coincidem com a formação de três gerações; Cada geração assume uma perspectiva própria, embora todas sejam marcada pelo caráter romântico; Contudo, os elementos que definem cada uma delas não são exclusivos. Interpenetrando-se de forma bastante acentuada.
A PRIMEIRA GERAÇÃO (GERAÇÃO NACIONALISTA): A contribuição dos teóricos europeus, o nacionalismo ufanista pós-1822 e as viagens para o exterior de uma jovem intelectualidade - nascendo daí o famoso sentimento do exílio - fornecem o quadro histórico onde aponta a primeira geração romântica; O apogeu da mesma ocorre entre 1836 e 1851, quando Gonçalves Dias publica Últimos cantos, encerrando o período mais fértil e criativo de sua carreira.
GONÇALVES DE MAGALHÃES (1811-1887) : Obras:   Suspiros poéticos e saudades  (1836);  A confederação dos tamoios  (1857); A Gonçalves de Magalhães coube a precedência cronológica na elaboração de versos românticos; Suspiros poéticos e saudades é a materialização lírica de algumas idéias do autor sobre o Romantismo, encarado como possibilidade de afirmação de uma literatura nacional, na medida em que destruía os artifícios neoclássicos e propunha a valorização da natureza, do índio e de uma religiosidade panteísta.
GONÇALVES DIAS (1823-1864): Obras:  Primeiros cantos  (1846);  Segundos cantos  (1848);  Sextilhas de frei Antão  (1848);  Últimos cantos  (1851);  Os timbiras  (1857); Gonçalves Dias consolidou o Romantismo no Brasil com uma produção poética de boa qualidade; . Entre os autores do período é o que melhor consegue equilibrar os temas sentimentais, patrióticos e saudosistas com uma linguagem harmoniosa e de relativa simplicidade, fugindo tanto da ênfase declamatória como da vulgaridade;
Pode-se dizer que o seu estilo romântico é temperado por uma certa formação clássica, o que evita os excessos verbais tão comuns aos poetas que lhe foram contemporâneos.
A SEGUNDA GERAÇÃO INDIVIDUALISTA, ULTRA-ROMÂNTICA OU GERAÇÃO DO MAL DO SÉCULO  Esta geração surgiu na década de 1850, quando o nacionalismo e o indianismo deixavam de fascinar a juventude e iniciava-se o longo processo de estabilidade do II Império; Por outro lado, o desenvolvimento urbano, o nascimento de uma vida acadêmica em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife e, até mesmo, uma relativa sofisticação dos estratos médios e superiores da estrutura social brasileira;
Possibilitaram a criação de uma lírica voltada quase que exclusivamente para a confissão e o extravasamento íntimo; A nova geração foi influenciada pelo inglês Byron e pelo francês Musset, autores ultra-românticos que haviam se tornado os modelos universais de rebeldia moral, de recusa à insipidez da vida cotidiana e de busca de novas formas de sensualidade e de afeto; De sua imitação, resultou, quase sempre, o pastiche. Até sociedades satânicas, a exemplo das existentes na Europa, foram fundadas;
Os adolescentes que as compunham viviam pretensas orgias e dissipações fantasiosas, que resultavam da leitura e das imaginações pervertidas; Na verdade, a pobreza do meio e a rigidez patriarcal impediam que este satanismo tivesse qualquer importância no contexto estético e ideológico brasileiro; Outro fato sempre lembrado desta geração é a dramática coincidência de quase todos os seus integrantes morrerem na faixa dos vinte e poucos anos;
Versos soltos e alguns poemas parecem alimentar a suspeita de que esses jovens cultivavam idéias suicidas; No entanto, todos eles - à parte o caso mais complexo de Álvares de Azevedo - foram vitimados por doenças então incuráveis e manifestaram grande horror perante a morte; Não se sustenta, portanto, a idéia de um suicídio coletivo geracional.
ÁLVARES DE AZEVEDO (1831-1852): Obras:   Lira dos vinte anos  (poemas - 1853),  Noite na taverna  (contos - 1855),  O conde Lopo  (poema - 1886),  Macário  (poema dramático – 1855); A obra de Álvares de Azevedo, fortemente autobiográfica, traz a marca da adolescência, mas de uma adolescência tão dilacerada e conflituosa que acaba por representar a experiência mais pungente do Romantismo brasileiro, tanto do ponto de vista pessoal quanto do ponto de vista poético.
CASIMIRO DE ABREU (1839-1860): Obra:   Primaveras  (1850); Subjetivista como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu substitui as conotações dolorosas que aquele confere à adolescência; Se, para o autor de  Lira dos vinte anos , a mocidade é um processo noturno de vigílias e tensões, se, para ele, "tristes são os destinos deste século", para Casimiro de Abreu a mesma mocidade é "a primavera da vida", processo diurno, sempre associado a namoricos, jardins com bananeiras, borboletas e salões de baile onde se flerta ao som de valsas langorosas.
FAGUNDES VARELA (1841-1875): Obras principais:   Noturnas  (1861);  Vozes da América  (1864);  Cantos e fantasias  (1865);  Cantos meridionais  (1869);  Anchieta ou o Evangelho nas selvas  (1875); O crítico Alfredo Bosi afirma que Fagundes Varela é o epígono* por excelência da poesia romântica; Isto é, um poeta que segue outros, sem alcançar uma temática e uma expressão próprias.
JUNQUEIRA FREIRE (1832-1855) : Obra:   Inspirações do claustro  (1855); A poesia de Junqueira Freire é totalmente autobiográfica e talvez seja isso o que mantenha o interesse pela mesma; Procurando num mosteiro a saída para os seus problemas pessoais (sobretudo uma espécie de atração pela morte que o angustiava), o poeta viu malograrem as suas ilusões.
A TERCEIRA GERAÇÃO: O fim da década de 60 assinalou o início de uma crise que atingiu a classe dominante, composta por senhores rurais e grupos de exportadores; As primeiras indústrias, o encarecimento do escravo como mão-de-obra e a utilização de imigrantes nas fazendas de café de São Paulo indicavam mudanças na ordem econômica; Por esta época, começaram a se manifestar as primeiras fraturas na até então sólida visão das elites dirigentes;
O nacionalismo ufanista começou a ser questionado. Estudantes de Direito, intelectuais da classe média urbana, escritores, jornalistas e militares se davam conta da existência de uma considerável distância entre os interesses escravocratas e monarquistas dos proprietários de terras e os interesses do resto da população; Foi então que a literatura assumiu uma função crítica.  Antônio de Castro Alves superou o extremado individualismo dos poetas anteriores, dando ao Romantismo um sentido social e revolucionário que o aproxima do Realismo;
O padrão poético já não é Chateaubriand ou Byron, mas sim o francês Vitor Hugo, burguês progressista, cantor da liberdade e do futuro.
CASTRO ALVES (1847-1871): Obras:   Espumas Flutuantes  (1870);  A cachoeira de Paulo Afonso  (1876);  Os escravos  (1883);  Gonzaga ou A Revolução de Minas  (drama - 1875); Sua obra se abre em duas direções:  Poesia social  - causas liberais e humanitárias;  Poesia lírica  - natureza e amor sensual.
SOUSÂNDRADE (1833-1902): Obras:   Obras poéticas  e  O Guesa   Considerado em sua época um escritor extravagante, Sousândrade acaba reabilitado pela vanguarda paulistana (os concretistas) como um caso de "antecipação genial" da livre expressão modernista; Criador de uma linguagem dominada pela elipse, por orações reduzidas e fusões vocabulares, foge do discurso derramado dos românticos.
CONCLUSÃO: Concluímos após a realização deste trabalho que, o romantismo significa a diferenciação da nossa com a literatura portuguesa, mediante a diferenciação temática e de linguagem; O romantismo quebrou a estreita de pendência lingüística que nos prendia à tradição literária portuguesa, pela incorporação de peculiaridades vocabulares e sintáticas e por procurar um ponto de vista nacional brasileiro;
Ao mesmo tempo, pelas contradições inerentes ao nosso país e pelas profundas diferenças entre o império brasileiro e a Europa burguesa, o romantismo impregnou-se de contradições que bem expressam a situação global de adaptação de uma profunda corrente cultural e artística, nascida no exterior, às condições do Brasil, país atrasado, dependente e preso à órbita da Europa.
REFERÊNCIAS: Romantismo no Brasil. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u7.jhtm> Acesso em: 17 de mai de 2008. Romantismo. Disponível em: <www.alunosonline.com.br/literatura/ romantismo -no- brasil / >  Acesso em: 17 de mai de 2008. Literatura. Disponível em: <www.moderna.com.br/moderna/didaticos/em/literatura/litbrasil/obra/lp_13_1.pdf> Acesso em: 17 de mai de 2008.

Romantismo No Brasil

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    ROMANTISMO NO BRASILALUNOS: ANDRÉ L. MELO EDUARDO BARBOSA LAURO BECHER NETO
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    INTRODUÇÃO: O romantismoé todo um período cultural, artístico e literário que se inicia na Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX; O berço do romantismo pode ser considerado três países: Itália, Alemanha e Inglaterra; Porém, na França, o romantismo ganha força como em nenhum outro país e, através dos artistas franceses, os ideais românticos espalham-se pela Europa e pela América;
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    As características principaisdeste período são : valorização das emoções, liberdade de criação, amor platônico, temas religiosos, individualismo, nacionalismo e história. Este período foi fortemente influenciado pelos ideais do iluminismo e pela liberdade conquis tada na Revolução Francesa; O objetivo deste trabalho foi uma pesquisa científica sobre o assunto abordado e suas vertentes.
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    Contribuir para agrandeza da nação através de uma literatura que fosse o espelho do novo mundo e de sua paisagem física e humana, eis o projeto ideológico da primeira geração romântica; Há um sentimento de missão: revelar todo o Brasil, criando uma literatura autônoma que nos expressasse.
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    ADAPTAÇÃO DE UMMOVIMENTO ARTÍSTICO EUROPEU: Os valores do Romantismo europeu adequavam-se às exigências ideológicas dos escritores brasileiros, O Romantismo se opunha à arte clássica, e Classicismo aqui significava dominação portuguesa; O Romantismo voltava-se para a natureza, para o exótico; e aqui havia uma natureza exuberante, etc. Tudo se ajustando para o desenvolvimento de uma literatura ufanista; O nacionalismo romântico encontrará a sua representação nos seguintes elementos:
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    INDIANISMO: No &quot;bonsauvage&quot; francês sedimenta-se o modelo de um herói que se deveria se tornar o passado e a tradição de um país desprovido de sagas exemplares; O nativo - ignorada toda a cultura indígena - converte-se no herói inteiriço, feito à imagem e semelhança de um cavaleiro medieval; Assume-se a imagem exótica que as metrópoles européias tinham dos trópicos, adaptando-a ao ufanismo;
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    Acima de tudo,o índio representa, na sua condição de primitivo habitante, o próprio símbolo da nacionalidade; Além disso, a imagem positiva do indígena fornece às elites o orgulho de uma ascendência nobre, que ajuda na legitimação de seu próprio poder no Brasil posterior à Independência.
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    SERTANISMO: Resultado da&quot;consciência eufórica de um país novo&quot;, o sertanismo romântico (também discutivelmente chamado de regionalismo) procura afirmar as particularidades e a identidade das regiões e da vida rural, na ânsia de tornar literário todo o Brasil; Este registro do mundo não-urbano permanece na superfície com uma moldura, já que a intriga romanesca é citadina, ou seja, gira em torno dos esquemas românticos do folhetim; Além disso, os autores usam sempre a linguagem culta e literária das cidades e não a fala particular da região retratada.
  • 9.
    NATUREZA: A terraé identificada como pátria. Assim, os fenômenos naturais tornam-se representativos da grandeza do país; A natureza jovem, vital, exuberante, serve de compensação para a pobreza social ao mesmo tempo que simboliza as potencialidades do Brasil.
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    PROCURA DA LÍNGUABRASILEIRA: Os escritores românticos - José de Alencar, em especial - reivindicam uma língua brasileira; Em Iracema, o autor tenta criar esta língua através do estilo poético, da utilização de vocábulos indígenas, de um novo ritmo de frase. Mas não são os escritores que criam um idioma; Continuamos falando e escrevendo o português; Porém, graças ao esforço de Alencar e outros, começa a se estabelecer uma forma brasileira de escrever a língua portuguesa.
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    O SURGIMENTO DOROMANTISMO: O passo decisivo para a deflagração do movimento é a publicação da revista Niterói, em Paris, 1836, que trazia como epígrafe: &quot;Tudo pelo Brasil e para o Brasil&quot;; A revista, elaborada por intelectuais que estudavam na Europa, propunha a investigação &quot;das letras, artes e ciências brasilienses&quot;; No grupo, destaca-se Gonçalves de Magalhães, que ainda em 1836 lançaria um livro de poemas: Suspiros poéticos e saudades; Esta obra introduziu o espírito romântico no Brasil.
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    O projeto deautonomia dos autores românticos não se realizou integralmente; Todos os princípios &quot;nacionalistas&quot; que defenderam estavam, em maior ou menor grau, comprometidos com uma visão européia de mundo; Além disso, o nacionalismo era feito de exterioridades, mais paisagem do que substância humana; Aquele &quot;sentimento íntimo de brasilidade&quot;, de que falou Machado de Assis, não existe nas obras do período;
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    Por fim, ofato de todos os escritores da primeira geração viverem à sombra do poder (foram ministros, secretários, embaixadores, burocratas do alto escalão) comprometeu-os irremediavelmente com a classe dominante; Fugiram da escravidão e da pobreza, escamotearam a ferocidade das elites e a miséria das ruas, ignoraram a violência que se espalhava pelo cotidiano; Em troca, celebraram o idílio e a natureza, mitificaram as regiões, teatralizaram o índio, criando assim uma arte conservadora.
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    DIVISÕES DE GERAÇÕES:Na lírica romântica brasileira, podem ser delimitados, com algum rigor, três momentos que se caracterizam por apresentar temas e visões de mundo diferenciadas; Estes momentos coincidem com a formação de três gerações; Cada geração assume uma perspectiva própria, embora todas sejam marcada pelo caráter romântico; Contudo, os elementos que definem cada uma delas não são exclusivos. Interpenetrando-se de forma bastante acentuada.
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    A PRIMEIRA GERAÇÃO(GERAÇÃO NACIONALISTA): A contribuição dos teóricos europeus, o nacionalismo ufanista pós-1822 e as viagens para o exterior de uma jovem intelectualidade - nascendo daí o famoso sentimento do exílio - fornecem o quadro histórico onde aponta a primeira geração romântica; O apogeu da mesma ocorre entre 1836 e 1851, quando Gonçalves Dias publica Últimos cantos, encerrando o período mais fértil e criativo de sua carreira.
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    GONÇALVES DE MAGALHÃES(1811-1887) : Obras: Suspiros poéticos e saudades (1836); A confederação dos tamoios (1857); A Gonçalves de Magalhães coube a precedência cronológica na elaboração de versos românticos; Suspiros poéticos e saudades é a materialização lírica de algumas idéias do autor sobre o Romantismo, encarado como possibilidade de afirmação de uma literatura nacional, na medida em que destruía os artifícios neoclássicos e propunha a valorização da natureza, do índio e de uma religiosidade panteísta.
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    GONÇALVES DIAS (1823-1864):Obras: Primeiros cantos (1846); Segundos cantos (1848); Sextilhas de frei Antão (1848); Últimos cantos (1851); Os timbiras (1857); Gonçalves Dias consolidou o Romantismo no Brasil com uma produção poética de boa qualidade; . Entre os autores do período é o que melhor consegue equilibrar os temas sentimentais, patrióticos e saudosistas com uma linguagem harmoniosa e de relativa simplicidade, fugindo tanto da ênfase declamatória como da vulgaridade;
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    Pode-se dizer queo seu estilo romântico é temperado por uma certa formação clássica, o que evita os excessos verbais tão comuns aos poetas que lhe foram contemporâneos.
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    A SEGUNDA GERAÇÃOINDIVIDUALISTA, ULTRA-ROMÂNTICA OU GERAÇÃO DO MAL DO SÉCULO Esta geração surgiu na década de 1850, quando o nacionalismo e o indianismo deixavam de fascinar a juventude e iniciava-se o longo processo de estabilidade do II Império; Por outro lado, o desenvolvimento urbano, o nascimento de uma vida acadêmica em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife e, até mesmo, uma relativa sofisticação dos estratos médios e superiores da estrutura social brasileira;
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    Possibilitaram a criaçãode uma lírica voltada quase que exclusivamente para a confissão e o extravasamento íntimo; A nova geração foi influenciada pelo inglês Byron e pelo francês Musset, autores ultra-românticos que haviam se tornado os modelos universais de rebeldia moral, de recusa à insipidez da vida cotidiana e de busca de novas formas de sensualidade e de afeto; De sua imitação, resultou, quase sempre, o pastiche. Até sociedades satânicas, a exemplo das existentes na Europa, foram fundadas;
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    Os adolescentes queas compunham viviam pretensas orgias e dissipações fantasiosas, que resultavam da leitura e das imaginações pervertidas; Na verdade, a pobreza do meio e a rigidez patriarcal impediam que este satanismo tivesse qualquer importância no contexto estético e ideológico brasileiro; Outro fato sempre lembrado desta geração é a dramática coincidência de quase todos os seus integrantes morrerem na faixa dos vinte e poucos anos;
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    Versos soltos ealguns poemas parecem alimentar a suspeita de que esses jovens cultivavam idéias suicidas; No entanto, todos eles - à parte o caso mais complexo de Álvares de Azevedo - foram vitimados por doenças então incuráveis e manifestaram grande horror perante a morte; Não se sustenta, portanto, a idéia de um suicídio coletivo geracional.
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    ÁLVARES DE AZEVEDO(1831-1852): Obras: Lira dos vinte anos (poemas - 1853), Noite na taverna (contos - 1855), O conde Lopo (poema - 1886), Macário (poema dramático – 1855); A obra de Álvares de Azevedo, fortemente autobiográfica, traz a marca da adolescência, mas de uma adolescência tão dilacerada e conflituosa que acaba por representar a experiência mais pungente do Romantismo brasileiro, tanto do ponto de vista pessoal quanto do ponto de vista poético.
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    CASIMIRO DE ABREU(1839-1860): Obra: Primaveras (1850); Subjetivista como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu substitui as conotações dolorosas que aquele confere à adolescência; Se, para o autor de Lira dos vinte anos , a mocidade é um processo noturno de vigílias e tensões, se, para ele, &quot;tristes são os destinos deste século&quot;, para Casimiro de Abreu a mesma mocidade é &quot;a primavera da vida&quot;, processo diurno, sempre associado a namoricos, jardins com bananeiras, borboletas e salões de baile onde se flerta ao som de valsas langorosas.
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    FAGUNDES VARELA (1841-1875):Obras principais: Noturnas (1861); Vozes da América (1864); Cantos e fantasias (1865); Cantos meridionais (1869); Anchieta ou o Evangelho nas selvas (1875); O crítico Alfredo Bosi afirma que Fagundes Varela é o epígono* por excelência da poesia romântica; Isto é, um poeta que segue outros, sem alcançar uma temática e uma expressão próprias.
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    JUNQUEIRA FREIRE (1832-1855): Obra: Inspirações do claustro (1855); A poesia de Junqueira Freire é totalmente autobiográfica e talvez seja isso o que mantenha o interesse pela mesma; Procurando num mosteiro a saída para os seus problemas pessoais (sobretudo uma espécie de atração pela morte que o angustiava), o poeta viu malograrem as suas ilusões.
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    A TERCEIRA GERAÇÃO:O fim da década de 60 assinalou o início de uma crise que atingiu a classe dominante, composta por senhores rurais e grupos de exportadores; As primeiras indústrias, o encarecimento do escravo como mão-de-obra e a utilização de imigrantes nas fazendas de café de São Paulo indicavam mudanças na ordem econômica; Por esta época, começaram a se manifestar as primeiras fraturas na até então sólida visão das elites dirigentes;
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    O nacionalismo ufanistacomeçou a ser questionado. Estudantes de Direito, intelectuais da classe média urbana, escritores, jornalistas e militares se davam conta da existência de uma considerável distância entre os interesses escravocratas e monarquistas dos proprietários de terras e os interesses do resto da população; Foi então que a literatura assumiu uma função crítica. Antônio de Castro Alves superou o extremado individualismo dos poetas anteriores, dando ao Romantismo um sentido social e revolucionário que o aproxima do Realismo;
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    O padrão poéticojá não é Chateaubriand ou Byron, mas sim o francês Vitor Hugo, burguês progressista, cantor da liberdade e do futuro.
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    CASTRO ALVES (1847-1871):Obras: Espumas Flutuantes (1870); A cachoeira de Paulo Afonso (1876); Os escravos (1883); Gonzaga ou A Revolução de Minas (drama - 1875); Sua obra se abre em duas direções: Poesia social - causas liberais e humanitárias; Poesia lírica - natureza e amor sensual.
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    SOUSÂNDRADE (1833-1902): Obras: Obras poéticas e O Guesa Considerado em sua época um escritor extravagante, Sousândrade acaba reabilitado pela vanguarda paulistana (os concretistas) como um caso de &quot;antecipação genial&quot; da livre expressão modernista; Criador de uma linguagem dominada pela elipse, por orações reduzidas e fusões vocabulares, foge do discurso derramado dos românticos.
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    CONCLUSÃO: Concluímos apósa realização deste trabalho que, o romantismo significa a diferenciação da nossa com a literatura portuguesa, mediante a diferenciação temática e de linguagem; O romantismo quebrou a estreita de pendência lingüística que nos prendia à tradição literária portuguesa, pela incorporação de peculiaridades vocabulares e sintáticas e por procurar um ponto de vista nacional brasileiro;
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    Ao mesmo tempo,pelas contradições inerentes ao nosso país e pelas profundas diferenças entre o império brasileiro e a Europa burguesa, o romantismo impregnou-se de contradições que bem expressam a situação global de adaptação de uma profunda corrente cultural e artística, nascida no exterior, às condições do Brasil, país atrasado, dependente e preso à órbita da Europa.
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    REFERÊNCIAS: Romantismo noBrasil. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u7.jhtm> Acesso em: 17 de mai de 2008. Romantismo. Disponível em: <www.alunosonline.com.br/literatura/ romantismo -no- brasil / > Acesso em: 17 de mai de 2008. Literatura. Disponível em: <www.moderna.com.br/moderna/didaticos/em/literatura/litbrasil/obra/lp_13_1.pdf> Acesso em: 17 de mai de 2008.