revisando estruturas dos
Gêneros narrativos
        Manoel Neves
A NOTÍCIA
                              estrutura do gênero
                                          título

                                          lead
  quem                o quê               quando              como          onde


                                          corpo
 detalhes        aprofunda o lead     cronologia           implicações   depoimento

                                solução            conseqüências

            o título pode apresentar verbo conjugado, mas não ponto final
                as personagens são superficiais; o tempo, cronológico
a notícia é a simples apresentação objetiva e distanciada de um evento relevante
     o locutor deve ser de terceira pessoa, objetivo, distanciado e imparcial
NOTÍCIA
    Menino com agulhas alojadas no corpo passa por terceira cirurgia na BA
O menino de dois anos que teve o corpo perfurado por agulhas passa nesta segunda-feira pela
terceira cirurgia no Hospital Ana Néri, em Salvador (BA).
A assessoria de imprensa da unidade informou que a operação começou por volta das 17h e que
os médicos esperam retirar quatro agulhas do corpo da criança: duas do pescoço e duas da
clavícula.
O menino está internado desde o dia 13 de dezembro. Ele já passou por duas cirurgias para
retirada de agulhas localizadas no intestino, bexiga, fígado, coração e pulmão. Ainda restam 13
agulhas pelo corpo, mas ainda não se sabe se todos os objetos serão retirados.
Três pessoas foram presas acusadas de envolvimento com o caso, investigado pela Polícia Civil
de Ibotirama (BA): o padrasto da vítima, Roberto Carlos Lopes, 30, que confessou ter
introduzido as agulhas no enteado em um ritual religioso, Angelina dos Santos, 47, amante dele,
e Maria Nascimento, que diz ser mãe de santo.
              Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u672084.shtml
NARRATIVA TRADICIONAL
                     estrutura do gênero
exposição ou ancoragem      ambienta história     apresenta personagens         início da ação



complicador ou detonador     início do conflito   obstáculo a ser superado   personagem ou ação



         clímax              ponto de tensão              conflito            máximo de ação



  desfecho ou desenlace     solução do conflito       repouso da ação          [triunfo do herói]



coda ou moral da história    moral da história          é facultativa              [fábulas]
NARRATIVA TRADICIONAL
                     Um homem de consciência, Monteiro Lobato
Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo,
com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de
menos importância no mundo era João Teodoro.
Nunca fora nada na vida, nem admira a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo
não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor. [...]
João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato
qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou
arranjo possível.
– É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale
mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxe e boto-me fora daqui.
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso
homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que na era
nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada…
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seriíssima. Não há cargo mais importante. É o
homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o
governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!…
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as
malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.
NARRATIVA TRADICIONAL
                      Um homem de consciência, Monteiro Lobato
– Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?
– Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
– Mas, como? Agora que você está delegado?
– Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus.
E sumiu.
    Disponível em: http://falabonito.wordpress.com/2007/02/05/narracao-%E2%80%93-teoria-e-exemplos/
A CRÔNICA
                              estrutura do gênero
          título                          resumo do texto          curto, sintético      pode ter verbo conjugado



     introdução                           ambienta história   tempo espaço personagem      apresenta o assunto



 desenvolvimento                             detonador        obstáculo a ser superado           clímax



      conclusão                              desenlace           solução do conflito         repouso da ação


                        locutor de primeira ou terceira pessoa
a crônica pode ser irônica, lírica, jornalística [esportiva, política, social] ou filosófica
         o objetivo discursivo é fazer uma reflexão sobre um fato relevante
espera-se o uso de uma linguagem mais próxima da conotação [figuras e/ou lirismo]
A CRÔNICA
                 O menino das meias vermelhas, Carlos Heitor Cony
Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas.
Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio ficava afastado dos
colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros guris zombavam dele,
implicavam com as meias vermelhas que ele usava.
Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.
Ele contou com simplicidade:
– No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas
meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por
causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e
quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela.
Os garotos retrucaram:
– Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora?
Mas o menino das meias vermelhas explicou:
- É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas
meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela.
DEPOIMENTO
                             estrutura do gênero
            título                    curto, de natureza nominal        facultativo           sem verbo conjugado



        introdução                       breve apresentação        personagem ou ação       assunto a ser comprovado



   micro-narrativas                            provas              atestam o que se fala    conferem verossimilhança



análises, consequências                       técnicas              [desenvolvimento]         caráter argumentativo



         conclusão                    exposição sutil e didática   do que levou o locutor   a construir o depoimento


                         locutor de primeira [elidido no verbo]
 o objetivo discursivo é convencer, levar a crer, influenciar o comportamento de outrem
                       o contexto de circulação é bastante amplo
O DEPOIMENTO
                      Depoimento de uma candidata a rinoplastia
Meu pai... também tinha um nariz grande e sofreu por causa disso... ele me deixou com esse
nariz de italiano... isso me deixa sentimentalmente magoada... meu irmão também tem um
nariz como o meu, mas ele é homem e não sofre tanto como eu... porque sou vítima da
sociedade.
Nossa família inteira tem histórias tristes para contar por causa do nariz... Vários nomes eu já
recebi por causa do nariz: nariz de papagaio, nariz de tucano, tucanão... Isso dói. Ou nariz de
Kubitscheck... Não é uma invenção da minha cabeça, é um problema mesmo... Ah! Na escolha
me chamavam de Narizinho, que era muito chato também... parece que sempre tem gente
analisando meu nariz, me olhando no nariz ou querendo fazer alguma piadinha dele... sempre
há um engraçadinho que acaba mesmo falando algo do meu nariz. Isso me faz sentir uma
pessoa defeituosa, eu sei que não sou, mas como é se eu fosse uma pessoa aleijada... é como se
eu não tivesse uma perna ou tivesse três pernas... parece que eu tenho, é assim que eu me
sinto, um olho vazado, alguma cosia muito ruim, mesmo! de verdade!
Sabe o que é sentir que tem um problema na pele?... E que todo mundo tem de se afastar de
você, porque parece que pode pegar?. É um problema da consciência, pelo menos para mim é
asim: um complexo mesmo!... Sabe que todo filho meu que nascia, a primeira coisa que eu
queria ver era o nariz dele... se ele tivesse esse ossinho aqui eu já ia chorar... já sabia o que o
meu filho ia passar e... também pensava em já ir guardando dinheiro para ele fazer plástica... aí
a palavra "plástica"nunca mais saiu da minha cabeça.
    http://www.scribd.com/doc/405318/Abertura-da-dissertacao-Depoimentos-de-uma-candidata-e-pessoal
DIÁRIO
                                estrutura do gênero
         local e data                       alinhado à direita        obrigatório         confere verossimilhança



           vocativo                            interlocutor           facultativo        costuma ser o próprio diário



    micro-narrativas                             provas          atestam o que se fala     fatos de ordem pessoal



           análises                           comentários           modalizações             debate de eventos



         assinatura                           identificação           facultativa         confere verossimilhança


                           locutor de primeira [elidido no verbo]
o objetivo discursivo é registrar fatos de foro íntimo, considerados relevantes para o locutor
        registro de eventos cotidianos a partir de ótica pessoal, subjetiva, intimista
O DIÁRIO
                                    Diário de um maluco
Querido diário,
Hoje foi uma loucura. As enfermeiras estavam brigando comigo só porque dei uns mergulhos no
colchão. Mas não foi no da cama, não, foi no da parede.
No café da manhã, bebi alguns e comi champagne à parmegiana. Meus amigos aqui me
disseram que hoje é meu aniversário, mas eu não acreditei, porque não faço aniversário.
Mesmo assim ganhei vários presentes. Afinal, eu sou maluco, mas não sou burro.
Ganhei, inclusive, aquele diamante de prata e o livro de alumínio que estava querendo e só não
comprei porque tinha dinheiro demais.
No almoço, comi o de sempre: arroz cru, feijão assado e bife queimado com farofa à milanesa. E
de sobremesa o resto do bolo que fizeram para o meu aniversário do ano passado.
Estou no sanatório, sim, mas porque quero. Eu não sou doido. Eles acham que sou, mas não
sou. Só fico aqui no meu canto, não faço mal a ninguém.
Tem gente com bombas capazes de destruir o mundo inteiro, tem gente fazendo guerra por
causa de religião, tem gente roubando dinheiro do povo. E parece que ninguém se importa. E
ainda dizem que o maluco sou eu.
                http://www.diariosoubados.blogspot.com/2009/01dirio-de-um-maluco.html

Revisando os gêneros narrativos

  • 1.
    revisando estruturas dos Gênerosnarrativos Manoel Neves
  • 2.
    A NOTÍCIA estrutura do gênero título lead quem o quê quando como onde corpo detalhes aprofunda o lead cronologia implicações depoimento solução conseqüências o título pode apresentar verbo conjugado, mas não ponto final as personagens são superficiais; o tempo, cronológico a notícia é a simples apresentação objetiva e distanciada de um evento relevante o locutor deve ser de terceira pessoa, objetivo, distanciado e imparcial
  • 3.
    NOTÍCIA Menino com agulhas alojadas no corpo passa por terceira cirurgia na BA O menino de dois anos que teve o corpo perfurado por agulhas passa nesta segunda-feira pela terceira cirurgia no Hospital Ana Néri, em Salvador (BA). A assessoria de imprensa da unidade informou que a operação começou por volta das 17h e que os médicos esperam retirar quatro agulhas do corpo da criança: duas do pescoço e duas da clavícula. O menino está internado desde o dia 13 de dezembro. Ele já passou por duas cirurgias para retirada de agulhas localizadas no intestino, bexiga, fígado, coração e pulmão. Ainda restam 13 agulhas pelo corpo, mas ainda não se sabe se todos os objetos serão retirados. Três pessoas foram presas acusadas de envolvimento com o caso, investigado pela Polícia Civil de Ibotirama (BA): o padrasto da vítima, Roberto Carlos Lopes, 30, que confessou ter introduzido as agulhas no enteado em um ritual religioso, Angelina dos Santos, 47, amante dele, e Maria Nascimento, que diz ser mãe de santo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u672084.shtml
  • 4.
    NARRATIVA TRADICIONAL estrutura do gênero exposição ou ancoragem ambienta história apresenta personagens início da ação complicador ou detonador início do conflito obstáculo a ser superado personagem ou ação clímax ponto de tensão conflito máximo de ação desfecho ou desenlace solução do conflito repouso da ação [triunfo do herói] coda ou moral da história moral da história é facultativa [fábulas]
  • 5.
    NARRATIVA TRADICIONAL Um homem de consciência, Monteiro Lobato Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro. Nunca fora nada na vida, nem admira a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor. [...] João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível. – É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxe e boto-me fora daqui. Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que na era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada… Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seriíssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!… João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.
  • 6.
    NARRATIVA TRADICIONAL Um homem de consciência, Monteiro Lobato – Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens? – Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim. – Mas, como? Agora que você está delegado? – Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus. E sumiu. Disponível em: http://falabonito.wordpress.com/2007/02/05/narracao-%E2%80%93-teoria-e-exemplos/
  • 7.
    A CRÔNICA estrutura do gênero título resumo do texto curto, sintético pode ter verbo conjugado introdução ambienta história tempo espaço personagem apresenta o assunto desenvolvimento detonador obstáculo a ser superado clímax conclusão desenlace solução do conflito repouso da ação locutor de primeira ou terceira pessoa a crônica pode ser irônica, lírica, jornalística [esportiva, política, social] ou filosófica o objetivo discursivo é fazer uma reflexão sobre um fato relevante espera-se o uso de uma linguagem mais próxima da conotação [figuras e/ou lirismo]
  • 8.
    A CRÔNICA O menino das meias vermelhas, Carlos Heitor Cony Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas. Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava. Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas. Ele contou com simplicidade: – No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela. Os garotos retrucaram: – Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora? Mas o menino das meias vermelhas explicou: - É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela.
  • 9.
    DEPOIMENTO estrutura do gênero título curto, de natureza nominal facultativo sem verbo conjugado introdução breve apresentação personagem ou ação assunto a ser comprovado micro-narrativas provas atestam o que se fala conferem verossimilhança análises, consequências técnicas [desenvolvimento] caráter argumentativo conclusão exposição sutil e didática do que levou o locutor a construir o depoimento locutor de primeira [elidido no verbo] o objetivo discursivo é convencer, levar a crer, influenciar o comportamento de outrem o contexto de circulação é bastante amplo
  • 10.
    O DEPOIMENTO Depoimento de uma candidata a rinoplastia Meu pai... também tinha um nariz grande e sofreu por causa disso... ele me deixou com esse nariz de italiano... isso me deixa sentimentalmente magoada... meu irmão também tem um nariz como o meu, mas ele é homem e não sofre tanto como eu... porque sou vítima da sociedade. Nossa família inteira tem histórias tristes para contar por causa do nariz... Vários nomes eu já recebi por causa do nariz: nariz de papagaio, nariz de tucano, tucanão... Isso dói. Ou nariz de Kubitscheck... Não é uma invenção da minha cabeça, é um problema mesmo... Ah! Na escolha me chamavam de Narizinho, que era muito chato também... parece que sempre tem gente analisando meu nariz, me olhando no nariz ou querendo fazer alguma piadinha dele... sempre há um engraçadinho que acaba mesmo falando algo do meu nariz. Isso me faz sentir uma pessoa defeituosa, eu sei que não sou, mas como é se eu fosse uma pessoa aleijada... é como se eu não tivesse uma perna ou tivesse três pernas... parece que eu tenho, é assim que eu me sinto, um olho vazado, alguma cosia muito ruim, mesmo! de verdade! Sabe o que é sentir que tem um problema na pele?... E que todo mundo tem de se afastar de você, porque parece que pode pegar?. É um problema da consciência, pelo menos para mim é asim: um complexo mesmo!... Sabe que todo filho meu que nascia, a primeira coisa que eu queria ver era o nariz dele... se ele tivesse esse ossinho aqui eu já ia chorar... já sabia o que o meu filho ia passar e... também pensava em já ir guardando dinheiro para ele fazer plástica... aí a palavra "plástica"nunca mais saiu da minha cabeça. http://www.scribd.com/doc/405318/Abertura-da-dissertacao-Depoimentos-de-uma-candidata-e-pessoal
  • 11.
    DIÁRIO estrutura do gênero local e data alinhado à direita obrigatório confere verossimilhança vocativo interlocutor facultativo costuma ser o próprio diário micro-narrativas provas atestam o que se fala fatos de ordem pessoal análises comentários modalizações debate de eventos assinatura identificação facultativa confere verossimilhança locutor de primeira [elidido no verbo] o objetivo discursivo é registrar fatos de foro íntimo, considerados relevantes para o locutor registro de eventos cotidianos a partir de ótica pessoal, subjetiva, intimista
  • 12.
    O DIÁRIO Diário de um maluco Querido diário, Hoje foi uma loucura. As enfermeiras estavam brigando comigo só porque dei uns mergulhos no colchão. Mas não foi no da cama, não, foi no da parede. No café da manhã, bebi alguns e comi champagne à parmegiana. Meus amigos aqui me disseram que hoje é meu aniversário, mas eu não acreditei, porque não faço aniversário. Mesmo assim ganhei vários presentes. Afinal, eu sou maluco, mas não sou burro. Ganhei, inclusive, aquele diamante de prata e o livro de alumínio que estava querendo e só não comprei porque tinha dinheiro demais. No almoço, comi o de sempre: arroz cru, feijão assado e bife queimado com farofa à milanesa. E de sobremesa o resto do bolo que fizeram para o meu aniversário do ano passado. Estou no sanatório, sim, mas porque quero. Eu não sou doido. Eles acham que sou, mas não sou. Só fico aqui no meu canto, não faço mal a ninguém. Tem gente com bombas capazes de destruir o mundo inteiro, tem gente fazendo guerra por causa de religião, tem gente roubando dinheiro do povo. E parece que ninguém se importa. E ainda dizem que o maluco sou eu. http://www.diariosoubados.blogspot.com/2009/01dirio-de-um-maluco.html