revisando estruturas dos
Gêneros argumentativos
          Manoel Neves
PARAGRAFAÇÃO LONGA
                             estrutura do gênero

       frase tópico                     apresenta assunto     segue diretriz do comando    funciona como introdução



2, 3 ou 4 frases seguintes              diretriz do comando     exposição, ampliação      exemplo [provem o q se diz]



       fechamento                       retomada resumida       fixa assunto abordado             facultativa


                  locutor de terceira pessoa, objetivo e distanciado

             [o que interessa é o assunto não a opinião que se tem sobre ele]

              é essencial seguir o comando fornecido na pergunta-tema

                                 NÃO POSSUI TÍTULO
PARAGRAFAÇÃO LONGA
                                      um exemplo
“Verde lagarto amarelo”, “Helga”e “O moço do saxofone” são narrativas em primeira pessoa nas
quais se conta uma experiência traumatizante que aterroriza o protagonista e o leva à reflexão
existencial.
Em “Verde lagarto amarelo”, a visita de Eduardo angustia Rodolfo que põe o passado em revista,
conversa com seu irmão e se recorda de ter sido preterido pela mãe e do fato de ela nunca o
haver tocado com amor e carinho. Tal lembrança explica o comportamento arredio, arisco e
distante do protagonista e o porquê de o escritor tratar seu irmão com reserva, parecendo
sentir inveja.
O protagonista de “Helga”, Paulo Silva, cometeu um terrível erro no passado – roubou a perna
mecânica da jovem alemã na noite de núpcias. Por isso, no presente na enunciação, constrói seu
discurso, visando a se redimir da ação cometida no passado. Os elogios, o amor que diz sentir
pela jovem e a prática de boas ações são desdobramentos desse ato cometido na Alemanha,
que o lança num conflito de identidade que o faz renegar sua origem alemã e procurar auxílio
psicológico.
O conto “O moço do saxofone” é narrado por um caminhoneiro que vivenciou uma experiência
trágica numa pensãozinha barata. Tal evento se resume na angústia na tristeza em que
mergulhava o locutor ao ouvir a música do "moço do saxofone", que tocava seu instrumento
toda vez que a mulher ficava sozinha no quarto com um amante. A identificação do narrador-
protagonista com a angústia e a dor vindas da música do saxofone é tamanha que, ao final da
narrativa, ele não consegue concretizar o ato sexual com a esposa do jovem saxofonista.
A DISSERTAÇÃO TRADICIONAL
                            estrutura do gênero
      título                              resumo do texto         curto, sintético              não é frase!



  introdução                                tema + tese       o locutor já se posiciona   [em um parágrafo apenas]



desenvolvimento                         exposição-ampliação    discute-se o problema      [dois ou mais parágrafos]



   conclusão                             retomada resumida     peroração [facultativa]    [em apenas um parágrafo]


                   locutor de terceira pessoa, objetivo e distanciado

     [o que interessa é a capacidade de discutir o assunto e se posicionar sobre ele]

       alguns tipos de introdução: frase tópico, citação, interrogação, subdivisão

        tipos de desenvolvimento: causa e consequência, confronto, subdivisão

               tipos de conclusão: advertência, questionamento, sugestão

  [explicite articuladores; não copie trechos da coletânea; procure usar a terceira pessoa]
DISSERTAÇÃO TRADICIONAL
                        A ditadura do pensamento único
Parte considerável da mídia brasileira revela-se, por vezes, pouco confiável, na medida em que
se vale do “mito da neutralidade” para impor idéias, comportamentos e costumes e se pôr a
serviço de interesses que não representam o pensamento da maioria da população.
Sabe-se que a neutralidade é uma utopia, pois quem fala sempre o faz de um lugar
extremamente específico. Ao arrogar para si a ideia de que é neutra, de que está acima do bem
e do mal, a mídia acaba por perniciosamente camuflar opiniões, comprometer o nível das
informações a serem transmitidas e, por fim, enganar o leitor.
Nem sempre é fácil perceber, entretanto, com um pouco de acuidade, entrevê-se que a mídia
quase sempre deixa algumas personalidades ou valores em franca exposição, visando a
promovê-los. Isso fica evidente no grande volume de merchandising não só de produtos e
serviços, mas de ideias e, ainda, na exposição maciça que alguns políticos conseguem em alguns
telejornais e na imprensa escrita, tal como ocorreu com o jovem governador de Alagoas em
1989.
Conforme visto anteriormente, apesar de não ser desejável, percebe-se que nem sempre a
mídia se põe a serviço dos interesses do povo, mas é movida pelo desejo de atender a alguns
grupos que, através do poder econômico, acabam por instalar uma ditadura do pensamento
único.
A CARTA ARGUMENTATIVA
                              estrutura do gênero
     local e data                        lugar referido na coletânea   ou onde se faz a prova         alinhado à direita



       vocativo                             cargo do interlocutor         [Caros colunistas]        vírgula ou dois pontos



     introdução                              apresenta assunto         contextualiza a proposta   o que deu origem ao texto?



   desenvolvimento                             expõe-amplia             discute-se o problema     semelhante à dissertação



      conclusão                             retomada resumida           peroração [facultativa]   semelhante à dissertação



despedida e assinatura                   despedida, 1 linha isolada        não se assina!             pode-se usar sigla


                é inevitável o locutor de primeira pessoa [singular ou plural]

      atende a inúmeros objetivos: reclamar, solicitar, cumprimentar, comentar, informar...

              ao leitor [público alvo genérico] x do leitor [público alvo específico]
A CARTA ARGUMENTATIVA
                                          um exemplo
Caro Leitor,
Eu disse no mês passado que as novidades que marcam nosso aniversário de 15 anos não
tinham se encerrado na edição extra de setembro — capa “Diabete” — e na caixa de CDS com a
coleção completa da SUPER — dois produtaços que estão nas bancas. E é verdade. Tem muita
coisa bacana vindo por aí. Livros, DVDS, um almanaque maravilhoso. Mais a possibilidade de
assinar já as 12 edições mensais de Mundo estranho e seis edições especiais da SUPER para
2003. Enfim: prepare o seu coração para tudo que a gente está aprontando para você.
Diretor de Redação
       Adaptado de: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622004000200006
A CARTA ABERTA
                            estrutura do gênero
        título                        nome do gênero textual        destinatário da carta      pode apresentar assunto



     introdução                          apresenta assunto         contextualiza a proposta   o que deu origem ao texto?



   desenvolvimento                         expõe-amplia             discute-se o problema     semelhante à dissertação



      conclusão                         retomada resumida           peroração [facultativa]   semelhante à dissertação



despedida e assinatura               despedida, palavra d ordem           assina-se            representa-se um grupo



     local e data                    lugar referido na coletânea   ou onde se faz a prova         alinhado à direita



                        é inevitável o locutor de primeira pessoa

             visa a denunciar problemas e cobrar uma solução das autoridades

        chama-se aberta pq normalmente é publicada em jornais, revistas ou internet
Disponível em: http://www.contee.org.br/coordenacao/geral/materia_28.htm
MANIFESTO
                                estrutura do gênero
           título                          nome do gênero textual        apresenta o assunto             curto, sintético



      introdução                              apresenta assunto         contextualiza a proposta   o que deu origem ao texto?



   desenvolvimento                              expõe-amplia             discute-se o problema        análise do problema



       conclusão                          p q solucionar o problema?       palavra de ordem           em um só parágrafo



     local e data                         lugar referido na coletânea   ou onde se faz a prova             uma linha



despedida e assinatura                    despedida, palavra d ordem           assina-se            representa-se um grupo



                            é inevitável o locutor de primeira pessoa

                o objetivo discursivo é tornar de conhecimento público um assunto

    é esperado o uso de estratégias q visem a sensibilizar o leitor e torná-lo cúmplice do locutor
MANIFESTO
    Manifesto à nação em defesa do jornalismo, da sociedade e da democracia no Brasil
A sociedade brasileira está ameaçada numa de suas mais expressivas conquistas: o direito à
informação independente e plural, condição indispensável para a verdadeira democracia.
O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar o Recurso Extraordinário (RE) 511961
que, se aprovado, vai desregulamentar a profissão de jornalista, porque elimina um dos seus
pilares: a obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício. Vai
tornar possível que qualquer pessoa, mesmo a que não tenha concluído nem o ensino
fundamental, exerça as atividades jornalísticas.
A exigência da formação superior é uma conquista histórica dos jornalistas e da sociedade, que
modificou profundamente a qualidade do Jornalismo brasileiro.
Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de
Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em
que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses
outros que não o do real compromisso com a função social da mídia. [...]
É falacioso o argumento de que a obrigatoriedade do diploma ameaça as liberdades de
expressão e de imprensa, como apregoam os que tentam derrubá-la. A profissão regulamentada
não é impedimento para que pessoas – especialistas, notáveis ou anônimos – se expressem por
meio dos veículos de comunicação. O exercício profissional do Jornalismo é, na verdade, a
garantia de que a diversidade de pensamento e opinião presentes na sociedade esteja também
presente na mídia.
MANIFESTO
    Manifesto à nação em defesa do jornalismo, da sociedade e da democracia no Brasil
A manutenção da exigência de formação de nível superior específica para o exercício da
profissão, portanto, representa um avanço no difícil equilíbrio entre interesses privados e o
direito da sociedade à informação livre, plural e democrática.
Não apenas a categoria dos jornalistas, mas toda a Nação perderá se o poder de decidir quem
pode ou não exercer a profissão no país ficar nas mãos destes interesses particulares. Os
brasileiros e, neste momento específico, os Ministros do STF, não podem permitir que se volte a
um período obscuro em que existiam donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas
e, por conseqüência, de todos os cidadãos!
FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas
Sindicatos de Jornalistas de todo o Brasil
                       Disponível em: http://www.fenaj.org.br/diploma/manifesto.doc
O ARTIGO DE OPINIÃO
                           estrutura do gênero
      título                            resumo do texto        curto, sintético             não é frase!



  introdução                                 tema               breve notícia           apresenta o assunto



desenvolvimento                       exposição-ampliação   discute-se o problema     [dois ou mais parágrafos]



   conclusão                           retomada resumida    peroração [facultativa]   [em apenas um parágrafo]


   locutor de primeira pessoa [elidido no verbo]; não use: eu, nós, eu acho, eu penso

   o objetivo discursivo é expor o ponto de vista do autor sobre um assunto relevante

   o que o artigo faz é uma análise da notícia de assuntos relevantes para a sociedade

            lembre-se de que é proibido assinar a prova de redação em MG!
ARTIGO DE OPINIÃO
               Desinformação ajuda Serra, Gilberto Dimenstein
Se alguém quiser saber a relação entre eleições e escolaridade, basta ler o artigo publicado por
Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Segundo seu artigo, se os eleitores fossem mais informados, a eleição presidencial já estaria
empatada – com Dilma e Serra em torno de 37%.
Chega-se a essa conclusão a partir de uma informação: o número de eleitores que votariam,
com certeza, num candidato indicado por Lula. Ocorre que uma percentagem deles não sabe
que Dilma é candidata de Lula --isso depois de tantas imagens dos dois juntos, bombardeadas
há tanto tempo.
Daí se vê como é difícil, devido à baixa escolaridade, ter debates mais profundos. Se uma parte
do eleitorado nem sabe que Dilma é a candidata do Lula (outros, aliás, nem sabem que ela é
candidata), imagine quantos estarão informados para entender e acompanhar os debates sobre
o futuro do país.
Isso ajuda a fazer das campanhas basicamente shows, com poucos debates --e cada candidato
tenta tirar maior proveito da desinformação.
      Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u670425.shtml
A PROPAGANDA
                         estrutura do gênero
    título                           apresenta o produto          curto, sintético              chamativo



  introdução                                 tema             apresentação do assunto       parágrafo ou frase



desenvolvimento                     estratégias persuasivas    linguagem chamativa        apresentação criativa



   conclusão                           não é necessária        reforça características   fixa a imagem do produto


              o locutor pode ser de terceira ou de primeira pessoa

                          o objetivo é persuadir, influenciar

                   [política, moral, ideologica ou comercialmente]

                     pode-se representar a figura do interlocutor

    a propaganda costuma se apropriar de outras linguagens, tais quais a literária

          normalmente apresenta desenhos e o nome da marca registrada
Papel e tinta. Uma das formas mais simples e populares de se comunicar. No entanto, não é a
mais rápida e eficiente. Por isso, você precisa de um telefone celular Ericsson. O único que lhe
oferece a tecnologia mais avançada em comunicação celular, com uma linha de telefones fácil e
prática de usar.Tão fácil como usar o telefone de sua casa. Tão prática que facilita o uso com
somente uma das mãos. Porque na hora de falar, você quer simplesmente se expressar.
O EDITORIAL
                            estrutura do gênero
      título                              resumo do texto          curto, sintético    pode ter verbo conjugado



  introdução                           contextualiza a questão      fato noticioso           comentário



desenvolvimento                             argumentos           sustentam a análise   refutam ideias contrárias



   conclusão                              define a opinião       fim da interlocução     posicionamento final


                               locutor de terceira pessoa

         é enfático, equilibrado e argumentativo [aproxima-se do artigo de opinião]

 o objetivo discursivo é manifestar a opinião de um órgão da imprensa sobre fato relevante
O EDITORIAL
                          Limites a Chávez, Folha de S.Paulo
A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra
Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas
extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu
copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.
Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de
instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia
naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.
O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a
inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível.
Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma
queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.
Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo
Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.

Revisando os gêneros argumentativos

  • 1.
    revisando estruturas dos Gênerosargumentativos Manoel Neves
  • 2.
    PARAGRAFAÇÃO LONGA estrutura do gênero frase tópico apresenta assunto segue diretriz do comando funciona como introdução 2, 3 ou 4 frases seguintes diretriz do comando exposição, ampliação exemplo [provem o q se diz] fechamento retomada resumida fixa assunto abordado facultativa locutor de terceira pessoa, objetivo e distanciado [o que interessa é o assunto não a opinião que se tem sobre ele] é essencial seguir o comando fornecido na pergunta-tema NÃO POSSUI TÍTULO
  • 3.
    PARAGRAFAÇÃO LONGA um exemplo “Verde lagarto amarelo”, “Helga”e “O moço do saxofone” são narrativas em primeira pessoa nas quais se conta uma experiência traumatizante que aterroriza o protagonista e o leva à reflexão existencial. Em “Verde lagarto amarelo”, a visita de Eduardo angustia Rodolfo que põe o passado em revista, conversa com seu irmão e se recorda de ter sido preterido pela mãe e do fato de ela nunca o haver tocado com amor e carinho. Tal lembrança explica o comportamento arredio, arisco e distante do protagonista e o porquê de o escritor tratar seu irmão com reserva, parecendo sentir inveja. O protagonista de “Helga”, Paulo Silva, cometeu um terrível erro no passado – roubou a perna mecânica da jovem alemã na noite de núpcias. Por isso, no presente na enunciação, constrói seu discurso, visando a se redimir da ação cometida no passado. Os elogios, o amor que diz sentir pela jovem e a prática de boas ações são desdobramentos desse ato cometido na Alemanha, que o lança num conflito de identidade que o faz renegar sua origem alemã e procurar auxílio psicológico. O conto “O moço do saxofone” é narrado por um caminhoneiro que vivenciou uma experiência trágica numa pensãozinha barata. Tal evento se resume na angústia na tristeza em que mergulhava o locutor ao ouvir a música do "moço do saxofone", que tocava seu instrumento toda vez que a mulher ficava sozinha no quarto com um amante. A identificação do narrador- protagonista com a angústia e a dor vindas da música do saxofone é tamanha que, ao final da narrativa, ele não consegue concretizar o ato sexual com a esposa do jovem saxofonista.
  • 4.
    A DISSERTAÇÃO TRADICIONAL estrutura do gênero título resumo do texto curto, sintético não é frase! introdução tema + tese o locutor já se posiciona [em um parágrafo apenas] desenvolvimento exposição-ampliação discute-se o problema [dois ou mais parágrafos] conclusão retomada resumida peroração [facultativa] [em apenas um parágrafo] locutor de terceira pessoa, objetivo e distanciado [o que interessa é a capacidade de discutir o assunto e se posicionar sobre ele] alguns tipos de introdução: frase tópico, citação, interrogação, subdivisão tipos de desenvolvimento: causa e consequência, confronto, subdivisão tipos de conclusão: advertência, questionamento, sugestão [explicite articuladores; não copie trechos da coletânea; procure usar a terceira pessoa]
  • 5.
    DISSERTAÇÃO TRADICIONAL A ditadura do pensamento único Parte considerável da mídia brasileira revela-se, por vezes, pouco confiável, na medida em que se vale do “mito da neutralidade” para impor idéias, comportamentos e costumes e se pôr a serviço de interesses que não representam o pensamento da maioria da população. Sabe-se que a neutralidade é uma utopia, pois quem fala sempre o faz de um lugar extremamente específico. Ao arrogar para si a ideia de que é neutra, de que está acima do bem e do mal, a mídia acaba por perniciosamente camuflar opiniões, comprometer o nível das informações a serem transmitidas e, por fim, enganar o leitor. Nem sempre é fácil perceber, entretanto, com um pouco de acuidade, entrevê-se que a mídia quase sempre deixa algumas personalidades ou valores em franca exposição, visando a promovê-los. Isso fica evidente no grande volume de merchandising não só de produtos e serviços, mas de ideias e, ainda, na exposição maciça que alguns políticos conseguem em alguns telejornais e na imprensa escrita, tal como ocorreu com o jovem governador de Alagoas em 1989. Conforme visto anteriormente, apesar de não ser desejável, percebe-se que nem sempre a mídia se põe a serviço dos interesses do povo, mas é movida pelo desejo de atender a alguns grupos que, através do poder econômico, acabam por instalar uma ditadura do pensamento único.
  • 6.
    A CARTA ARGUMENTATIVA estrutura do gênero local e data lugar referido na coletânea ou onde se faz a prova alinhado à direita vocativo cargo do interlocutor [Caros colunistas] vírgula ou dois pontos introdução apresenta assunto contextualiza a proposta o que deu origem ao texto? desenvolvimento expõe-amplia discute-se o problema semelhante à dissertação conclusão retomada resumida peroração [facultativa] semelhante à dissertação despedida e assinatura despedida, 1 linha isolada não se assina! pode-se usar sigla é inevitável o locutor de primeira pessoa [singular ou plural] atende a inúmeros objetivos: reclamar, solicitar, cumprimentar, comentar, informar... ao leitor [público alvo genérico] x do leitor [público alvo específico]
  • 7.
    A CARTA ARGUMENTATIVA um exemplo Caro Leitor, Eu disse no mês passado que as novidades que marcam nosso aniversário de 15 anos não tinham se encerrado na edição extra de setembro — capa “Diabete” — e na caixa de CDS com a coleção completa da SUPER — dois produtaços que estão nas bancas. E é verdade. Tem muita coisa bacana vindo por aí. Livros, DVDS, um almanaque maravilhoso. Mais a possibilidade de assinar já as 12 edições mensais de Mundo estranho e seis edições especiais da SUPER para 2003. Enfim: prepare o seu coração para tudo que a gente está aprontando para você. Diretor de Redação Adaptado de: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622004000200006
  • 8.
    A CARTA ABERTA estrutura do gênero título nome do gênero textual destinatário da carta pode apresentar assunto introdução apresenta assunto contextualiza a proposta o que deu origem ao texto? desenvolvimento expõe-amplia discute-se o problema semelhante à dissertação conclusão retomada resumida peroração [facultativa] semelhante à dissertação despedida e assinatura despedida, palavra d ordem assina-se representa-se um grupo local e data lugar referido na coletânea ou onde se faz a prova alinhado à direita é inevitável o locutor de primeira pessoa visa a denunciar problemas e cobrar uma solução das autoridades chama-se aberta pq normalmente é publicada em jornais, revistas ou internet
  • 9.
  • 10.
    MANIFESTO estrutura do gênero título nome do gênero textual apresenta o assunto curto, sintético introdução apresenta assunto contextualiza a proposta o que deu origem ao texto? desenvolvimento expõe-amplia discute-se o problema análise do problema conclusão p q solucionar o problema? palavra de ordem em um só parágrafo local e data lugar referido na coletânea ou onde se faz a prova uma linha despedida e assinatura despedida, palavra d ordem assina-se representa-se um grupo é inevitável o locutor de primeira pessoa o objetivo discursivo é tornar de conhecimento público um assunto é esperado o uso de estratégias q visem a sensibilizar o leitor e torná-lo cúmplice do locutor
  • 11.
    MANIFESTO Manifesto à nação em defesa do jornalismo, da sociedade e da democracia no Brasil A sociedade brasileira está ameaçada numa de suas mais expressivas conquistas: o direito à informação independente e plural, condição indispensável para a verdadeira democracia. O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar o Recurso Extraordinário (RE) 511961 que, se aprovado, vai desregulamentar a profissão de jornalista, porque elimina um dos seus pilares: a obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício. Vai tornar possível que qualquer pessoa, mesmo a que não tenha concluído nem o ensino fundamental, exerça as atividades jornalísticas. A exigência da formação superior é uma conquista histórica dos jornalistas e da sociedade, que modificou profundamente a qualidade do Jornalismo brasileiro. Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia. [...] É falacioso o argumento de que a obrigatoriedade do diploma ameaça as liberdades de expressão e de imprensa, como apregoam os que tentam derrubá-la. A profissão regulamentada não é impedimento para que pessoas – especialistas, notáveis ou anônimos – se expressem por meio dos veículos de comunicação. O exercício profissional do Jornalismo é, na verdade, a garantia de que a diversidade de pensamento e opinião presentes na sociedade esteja também presente na mídia.
  • 12.
    MANIFESTO Manifesto à nação em defesa do jornalismo, da sociedade e da democracia no Brasil A manutenção da exigência de formação de nível superior específica para o exercício da profissão, portanto, representa um avanço no difícil equilíbrio entre interesses privados e o direito da sociedade à informação livre, plural e democrática. Não apenas a categoria dos jornalistas, mas toda a Nação perderá se o poder de decidir quem pode ou não exercer a profissão no país ficar nas mãos destes interesses particulares. Os brasileiros e, neste momento específico, os Ministros do STF, não podem permitir que se volte a um período obscuro em que existiam donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, de todos os cidadãos! FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas Sindicatos de Jornalistas de todo o Brasil Disponível em: http://www.fenaj.org.br/diploma/manifesto.doc
  • 13.
    O ARTIGO DEOPINIÃO estrutura do gênero título resumo do texto curto, sintético não é frase! introdução tema breve notícia apresenta o assunto desenvolvimento exposição-ampliação discute-se o problema [dois ou mais parágrafos] conclusão retomada resumida peroração [facultativa] [em apenas um parágrafo] locutor de primeira pessoa [elidido no verbo]; não use: eu, nós, eu acho, eu penso o objetivo discursivo é expor o ponto de vista do autor sobre um assunto relevante o que o artigo faz é uma análise da notícia de assuntos relevantes para a sociedade lembre-se de que é proibido assinar a prova de redação em MG!
  • 14.
    ARTIGO DE OPINIÃO Desinformação ajuda Serra, Gilberto Dimenstein Se alguém quiser saber a relação entre eleições e escolaridade, basta ler o artigo publicado por Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. Segundo seu artigo, se os eleitores fossem mais informados, a eleição presidencial já estaria empatada – com Dilma e Serra em torno de 37%. Chega-se a essa conclusão a partir de uma informação: o número de eleitores que votariam, com certeza, num candidato indicado por Lula. Ocorre que uma percentagem deles não sabe que Dilma é candidata de Lula --isso depois de tantas imagens dos dois juntos, bombardeadas há tanto tempo. Daí se vê como é difícil, devido à baixa escolaridade, ter debates mais profundos. Se uma parte do eleitorado nem sabe que Dilma é a candidata do Lula (outros, aliás, nem sabem que ela é candidata), imagine quantos estarão informados para entender e acompanhar os debates sobre o futuro do país. Isso ajuda a fazer das campanhas basicamente shows, com poucos debates --e cada candidato tenta tirar maior proveito da desinformação. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u670425.shtml
  • 15.
    A PROPAGANDA estrutura do gênero título apresenta o produto curto, sintético chamativo introdução tema apresentação do assunto parágrafo ou frase desenvolvimento estratégias persuasivas linguagem chamativa apresentação criativa conclusão não é necessária reforça características fixa a imagem do produto o locutor pode ser de terceira ou de primeira pessoa o objetivo é persuadir, influenciar [política, moral, ideologica ou comercialmente] pode-se representar a figura do interlocutor a propaganda costuma se apropriar de outras linguagens, tais quais a literária normalmente apresenta desenhos e o nome da marca registrada
  • 17.
    Papel e tinta.Uma das formas mais simples e populares de se comunicar. No entanto, não é a mais rápida e eficiente. Por isso, você precisa de um telefone celular Ericsson. O único que lhe oferece a tecnologia mais avançada em comunicação celular, com uma linha de telefones fácil e prática de usar.Tão fácil como usar o telefone de sua casa. Tão prática que facilita o uso com somente uma das mãos. Porque na hora de falar, você quer simplesmente se expressar.
  • 18.
    O EDITORIAL estrutura do gênero título resumo do texto curto, sintético pode ter verbo conjugado introdução contextualiza a questão fato noticioso comentário desenvolvimento argumentos sustentam a análise refutam ideias contrárias conclusão define a opinião fim da interlocução posicionamento final locutor de terceira pessoa é enfático, equilibrado e argumentativo [aproxima-se do artigo de opinião] o objetivo discursivo é manifestar a opinião de um órgão da imprensa sobre fato relevante
  • 19.
    O EDITORIAL Limites a Chávez, Folha de S.Paulo A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação. Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo. O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos. Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.