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Relação Família-Escola: Uma Parceria Educativa na
           Orientação da Sexualidade




             PROJETO DE PESQUISA




               Lisliê Lúcia Lima Pereira Ribeiro
                            2010
Trabalho exigido como avaliação da Disciplina
Métodos de Investigação e Escrita Científica, sob
orientação da Profa. Dra. Suely Galli da Pós-
Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de
Formadores com acesso ao Mestrado Europeu em
Ciências da Educação.
Título do trabalho: Relação Família–Escola: Uma Parceria Educativa na Orientação da
Sexualidade.
Autor: Lisliê Lúcia Lima Pereira Ribeiro
Instituição: Faculdade Mário Schenberg – Grupo Lusófona Brasil - Cotia SP - 2010
Pós-Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores com acesso ao
Mestrado Europeu em Ciências da Educação
Docente Responsável: Dra. Suely Galli Soares




                                Projeto de Pesquisa

INTRODUÇÃO
       Abordar a sexualidade enquanto orientação educativa no âmbito escolar requer
que a formação e atualização a seu respeito seja contínua e possibilite um trabalho
progressivo com os sujeitos em questão e não apenas palestras e/ou debates no decorrer
do ano letivo.
       Buscando um entendimento mais preciso sobre a formação, encontraremos nos
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de Orientação Sexual, o seguinte:



       “O professor deve então entrar em contato com questões teóricas, leituras e discussões sobre as
       temáticas especificas de sexualidade e suas diferentes abordagens; preparar-se para a intervenção
       prática junto dos alunos e ter acesso a um espaço grupal de supervisão prática, o qual deve ocorrer
       de forma continuada e sistemática...”(PCN, 1997 p 84)



       Percebemos que é necessário o educador ter uma formação específica e
continuada para conduzir o trabalho de orientação sexual. Cabe ao educador, ética, para
não transmitir seus valores, crenças e opiniões, uma vez que é papel do mesmo
possibilitar ao educando práticas reflexivas, que o levem a desenvolver sua autonomia e
assim, ele próprio, eleger seus valores.
       No entanto, não basta ao educador ter uma formação específica e continuada,
essa formação precisa ser transformadora, como afirma Boaventura:
“o objetivo último de uma educação transformadora é transformar a educação, convertendo-a no
       processo de aquisição daquilo que se aprende, mas não se ensina, o senso comum. O
       conhecimento só suscita o inconformismo na medida em que se torna senso comum, o saber
       evidente que não existe separado das práticas que o confirmam”. (Santos, 1991)



       Para uma educação ser transformadora, ela precisa ser emancipadora, ou seja,
levar o indivíduo a transformar o conhecimento que possui, por meio da reflexão,
questionamentos, além de dialogar com os conflitos existenciais e sociais em que está
inserido, para tornar-se autônomo na construção do seu conhecimento.
       Desta forma, ao dedicar-se à pesquisa neste campo é importante considerar os
estudos de Michel Foucault, em especial a sua obra “História da Sexualidade”. Tal
referência implica assumir, nas palavras do filósofo que “(...)a sexualidade é o nome que
se pode dar a um dispositivo histórico... não se deve concebê-la como uma espécie de
dado da natureza que o poder é tentado a pôr em xeque, ou como um domínio obscuro
que o saber tentaria, pouco a pouco desvelar” (FOUCAULT, 1988 p 100).
       Entendemos que a sexualidade não é um conhecimento desconhecido e sim, um
conhecimento produzido na cultura, que sofre instabilidade, multiplicidade e se expressa
singularmente em cada indivíduo.
       Mesmo sabendo-se que a sexualidade se desenvolve desde os primeiros dias de
vida e é inerente à vida e à saúde, pois é a busca do prazer, e, esta busca faz parte do
processo de desenvolvimento do ser humano; ela se constitui num tema polêmico,
sobretudo, quando é discutido com crianças.
       Assim, a presente pesquisa abordará de modo particular o tema orientação da
sexualidade na Escola Municipal Isabel Ribeiro Leal Leite, localizada no bairro Jd. Nova
Cotia (Lava-pés – bairro periférico) em Cotia, região metropolitana de São Paulo, que
conta com mais de 300 alunos, entre 5 a 12 anos de idade, faixa etária que corresponde
do 1º ao 5º ano do ensino fundamental I. Os alunos encontram-se na faixa de etária de
curiosidade e descoberta sexual, além da “explosão de hormônios”, muitas vezes
ignoradas, tanto pelos pais, quanto pelos educadores, os quais possivelmente tiveram
uma orientação sexual rígida ou nem tiveram, o que normalmente dificulta a abordagem
do assunto em questão. Para realizar um trabalho educativo na escola sobre sexualidade é
necessário e importante que o educador tenha uma formação apropriada, que lhe
permita expor o assunto sem receio, favorecendo um desenvolvimento saudável para o
educando.
       Entretanto, para que isso ocorra é necessário que a orientação da sexualidade, seja
aceita pela escola como um todo, pelos pais e alunos. A escola não pode pensar que
sexualidade é um assunto para os pais e vice-versa. Um trabalho conjunto com enfoque
educativo e preventivo de ambos pode contribuir com a diminuição dos índices de
gravidez precoce e indesejada, o aborto, as DSTs e a AIDS.
       O tema sexualidade é abrangente e apesar de muito se falar a respeito nos meios
de comunicação de massa e no cotidiano, essas informações nem sempre são
“verdadeiras” ou adequadas ao meio educativo. A mídia de certo modo, deturpa o sentido
amplo da sexualidade ao enfatizar o aspecto da sensualidade, erotismo sexual do
indivíduo na sociedade contemporânea, num duplo movimento de informação e
desinformação. Isso fica evidente no contexto escolar, pois os alunos chegam com várias
informações e não sabem como lidar com elas. Em contra partida, a maioria dos
professores, preferem não abordar o assunto por receio de não corresponder às
expectativas do educando ou por sentir-se despreparado para tal, além da insegurança
diante da reação da família.
       Apesar da complexidade presente neste âmbito, consideramos a família como o
primeiro ambiente onde a sexualidade é abordada e, cada família tem seus valores e suas
crenças que marcam as crianças. Para Morin:



       “(...) o imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento, primeiro com o selo da cultura
       familiar, da escolar em seguida, depois prossegue na universidade ou na vida profissional. Assim, a
       seleção sociológica e cultural das idéias raramente obedece à sua verdade; pode, ao contrário, ser
       implacável na busca da verdade.” (MORIN, 2000 p 28).



       Nessa perspectiva, cabe à escola possibilitar ao aluno discussão reflexiva sobre os
diversos valores relacionados à sexualidade, favorecendo-os ressignificar os valores
recebidos e vividos. Assim, a escola vem completar a educação sexual dada pela família e,
o diálogo entre as duas instituições precisará ocorrer de maneira a contribuir com essa
relação.
       É importante ressaltar que os educandos têm acesso a muitas informações, o que
leva a ilusão de saberem tudo sobre sexualidade. Eles têm acesso às informações sobre o
assunto, mas não é uma informação educativa, pois para ser educativa o educador tem
que conhecer o educando, onde e com que vive, se ele é uma criança ou um adolescente,
professa alguma fé religiosa, como são seus pais e quais as suas influencias. Por fim como
o educando vê o educador? Ele confia? Sente liberdade para perguntar? Conversar? Essas
questões interferem na transmissão de uma informação educativa.


JUSTIFICATIVA
       Há uma diversidade de entendimentos e conceituações a serem adotadas, mas,
aparentemente, a maioria dos estudiosos considera que a sexualidade supõe ou implica
mais do que corpos, nela está envolvido fantasias, valores, linguagens, rituais,
comportamentos, representações mobilizados ou postos em ação para expressar desejos
e prazeres.
       Assim, buscar formas de desenvolver a orientação da sexualidade, amparados pela
lei nº 9.394/96, Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB, juntamente com os
PCN’s, em seus temas transversais, exige estudos e investigações cujos resultados podem
trazer contribuições para a escola, para a família, sobretudo para a criança, jovem,
adolescente.
       Desta forma, este projeto de pesquisa prevê tais contribuições para a escola –
campo da pesquisa- além de trazer conhecimento em nossa formação para gestão
escolar.


OBJETIVOS
       - Compreender a relação família – escola na E.M. Isabel Ribeiro Leal Leite, na
perspectiva da orientação da sexualidade;
- Identificar junto aos educadores as dificuldades relacionadas ao tema
sexualidade;
       - Desenvolver junto aos educadores momentos educativos sobre o tema,
possibilitando-lhes conhecimento para abordar a sexualidade no cotidiano escolar.


METODOLOGIA
       Visando atingir os objetivos propostos, o tema em questão será abordado sob
enfoque da pesquisa qualitativa, que segundo Minayo:



       “(...) se preocupa, nas ciências sociais, com o nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou
       seja, trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o
       que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não
       podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.”(MINAYO, 1994 p21-22)



       A pesquisa qualitativa pressupõe conhecer o fenômeno, nesse sentido, nossa
pesquisa valorizará a busca aprofundada no conhecimento do objeto de pesquisa: a
orientação educativa da sexualidade.
       A pesquisa também apresentará estudo de caso, com educandos e educadores da
E.M. Isabel Ribeiro Leal Leite, da rede municipal de ensino de Cotia-SP. Para esse estudo
recorreremos à pesquisa quantitativa, no sentido de investigar as principais dificuldades
encontradas pelos educadores ao tratarem do tema sexualidade com seus alunos. Desse
modo, a pesquisa utilizará: questionários, entrevistas semi-estruturadas e observação
participante nas reuniões de H.T.P.C. ( Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo), de pais e
mestres (APM) e de planejamento pedagógico.
       Por nossa pesquisa pertencer às ciências humanas, nosso método é compreensivo-
interpretativo, pois, busca conhecer o sentido que o homem produz nas instituições.
(Chauí, 2000)
       Vale ressaltar os quatros traços que são comuns aos diferentes métodos
filosóficos, definidos por Chauí como:
“(...) reflexivo – parte da auto-análise ou do autoconhecimento do pensamento; crítico – investiga
       os fundamentos e as condições necessárias da possibilidade do conhecimento verdadeiro, da ação
       ética, da criação artística e da objetividade política; descritivo – descreve as estruturas internas ou
       essências de cada campo de objetos do conhecimento e das formas de ação humana; interpretativo
       – busca as formas da linguagem e as significações ou os sentidos dos objetos, dos fatos, das práticas
       e das instituições, suas origens e transformações.” (CHAUÍ, 2000 p 160)


       Estes elementos do método adotado em nossa pesquisa serão norteadores do
processo investigativo, no intuito de garantir maior cientificidade e veracidade do
conhecimento apropriado, neste estudo de caso.



RESULTADOS ESPERADOS
       A partir da análise dos dados esperam-se proporcionar a família e a escola novos
elementos para a reflexão sobre educação e sexualidade, apontando as necessidades de
adequação no Projeto Político Pedagógico, em sua transdisciplinaridade escolar e
participação da família no trabalho realizado pela escola, apoiando e dando continuidade
em casa.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:
Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 7ª ed. São Paulo: Ática, 1996.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. A vontade de saber. Trad. M. Thereza
Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social, Teoria, método e criatividade, Rio
de Janeiro, Vozes, 1993.

MORIN, Edgar. Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro 2a. ed. São Paulo:
Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Porto:
Afrontamento, 1989. (também publicado por Graal, São Paulo, 2ª ed em 1991)
SAVIANI, Dermeval. A nova lei da educação: Trajetória, limites e perspectivas. São Paulo:
Autores Associados, 1997.

BIBLIOGRAFIA

BARROS, Aidil de Jesus Paes de. (org.) Projeto de Pesquisa: propostas metodológicas. 14ª
ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1990.

DEMO, Pedro. Metodologia Científica em Ciências Sociais. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.

DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1991.

FAZENDA, Ivani. (org.) Metodologia da Pesquisa Educacional. 3ª ed. São Paulo: Cortez,
1989.

FAZENDA, Ivani. Novos Enfoques da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 1999.

GAJARDO, Marcela. Trad. PELLEGRINI, Tânia. Pesquisa Participante na América Latina. São
Paulo: Brasiliense S.A., 1986.

LÖWY, Michael. Ideologias e Ciência Social: elementos para uma análise marxista. 5ª ed.
São Paulo: Cortez, 1989.

LUNA, Sérgio Vasconcelos de. Planejamento de Pesquisa: uma introdução. São Paulo,
EDUC, 2000.

MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: A prática de fichamentos, resumos, resenhas.
4ª ed.São Paulo: Atlas, 2002.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social, Teoria, método e criatividade, Rio
de Janeiro, Vozes, 1993.

PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da Pesquisa: Abordagem teórico-
prática. 4ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1997.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22ª ed. São Paulo:
Cortez, 2002.

SOARES, Suelly Galli. Arquitetura da identidade sobre educação, ensino e aprendizagem.
São Paulo: Cortez, 2001.

SOARES, Suelly Galli. Educação e Interação Social. Campinas, SP: Alínea, 2003.

SOARES, Suely Galli. (org.) Cultura do Desafio: gestão de tecnologias de informação e
comunicação no ensino superior. Campinas, SP: Alínea, 2006.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: A pesquisa
qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 2008.

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Pré projeto

  • 1. Relação Família-Escola: Uma Parceria Educativa na Orientação da Sexualidade PROJETO DE PESQUISA Lisliê Lúcia Lima Pereira Ribeiro 2010
  • 2. Trabalho exigido como avaliação da Disciplina Métodos de Investigação e Escrita Científica, sob orientação da Profa. Dra. Suely Galli da Pós- Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores com acesso ao Mestrado Europeu em Ciências da Educação.
  • 3. Título do trabalho: Relação Família–Escola: Uma Parceria Educativa na Orientação da Sexualidade. Autor: Lisliê Lúcia Lima Pereira Ribeiro Instituição: Faculdade Mário Schenberg – Grupo Lusófona Brasil - Cotia SP - 2010 Pós-Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores com acesso ao Mestrado Europeu em Ciências da Educação Docente Responsável: Dra. Suely Galli Soares Projeto de Pesquisa INTRODUÇÃO Abordar a sexualidade enquanto orientação educativa no âmbito escolar requer que a formação e atualização a seu respeito seja contínua e possibilite um trabalho progressivo com os sujeitos em questão e não apenas palestras e/ou debates no decorrer do ano letivo. Buscando um entendimento mais preciso sobre a formação, encontraremos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de Orientação Sexual, o seguinte: “O professor deve então entrar em contato com questões teóricas, leituras e discussões sobre as temáticas especificas de sexualidade e suas diferentes abordagens; preparar-se para a intervenção prática junto dos alunos e ter acesso a um espaço grupal de supervisão prática, o qual deve ocorrer de forma continuada e sistemática...”(PCN, 1997 p 84) Percebemos que é necessário o educador ter uma formação específica e continuada para conduzir o trabalho de orientação sexual. Cabe ao educador, ética, para não transmitir seus valores, crenças e opiniões, uma vez que é papel do mesmo possibilitar ao educando práticas reflexivas, que o levem a desenvolver sua autonomia e assim, ele próprio, eleger seus valores. No entanto, não basta ao educador ter uma formação específica e continuada, essa formação precisa ser transformadora, como afirma Boaventura:
  • 4. “o objetivo último de uma educação transformadora é transformar a educação, convertendo-a no processo de aquisição daquilo que se aprende, mas não se ensina, o senso comum. O conhecimento só suscita o inconformismo na medida em que se torna senso comum, o saber evidente que não existe separado das práticas que o confirmam”. (Santos, 1991) Para uma educação ser transformadora, ela precisa ser emancipadora, ou seja, levar o indivíduo a transformar o conhecimento que possui, por meio da reflexão, questionamentos, além de dialogar com os conflitos existenciais e sociais em que está inserido, para tornar-se autônomo na construção do seu conhecimento. Desta forma, ao dedicar-se à pesquisa neste campo é importante considerar os estudos de Michel Foucault, em especial a sua obra “História da Sexualidade”. Tal referência implica assumir, nas palavras do filósofo que “(...)a sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico... não se deve concebê-la como uma espécie de dado da natureza que o poder é tentado a pôr em xeque, ou como um domínio obscuro que o saber tentaria, pouco a pouco desvelar” (FOUCAULT, 1988 p 100). Entendemos que a sexualidade não é um conhecimento desconhecido e sim, um conhecimento produzido na cultura, que sofre instabilidade, multiplicidade e se expressa singularmente em cada indivíduo. Mesmo sabendo-se que a sexualidade se desenvolve desde os primeiros dias de vida e é inerente à vida e à saúde, pois é a busca do prazer, e, esta busca faz parte do processo de desenvolvimento do ser humano; ela se constitui num tema polêmico, sobretudo, quando é discutido com crianças. Assim, a presente pesquisa abordará de modo particular o tema orientação da sexualidade na Escola Municipal Isabel Ribeiro Leal Leite, localizada no bairro Jd. Nova Cotia (Lava-pés – bairro periférico) em Cotia, região metropolitana de São Paulo, que conta com mais de 300 alunos, entre 5 a 12 anos de idade, faixa etária que corresponde do 1º ao 5º ano do ensino fundamental I. Os alunos encontram-se na faixa de etária de curiosidade e descoberta sexual, além da “explosão de hormônios”, muitas vezes ignoradas, tanto pelos pais, quanto pelos educadores, os quais possivelmente tiveram uma orientação sexual rígida ou nem tiveram, o que normalmente dificulta a abordagem
  • 5. do assunto em questão. Para realizar um trabalho educativo na escola sobre sexualidade é necessário e importante que o educador tenha uma formação apropriada, que lhe permita expor o assunto sem receio, favorecendo um desenvolvimento saudável para o educando. Entretanto, para que isso ocorra é necessário que a orientação da sexualidade, seja aceita pela escola como um todo, pelos pais e alunos. A escola não pode pensar que sexualidade é um assunto para os pais e vice-versa. Um trabalho conjunto com enfoque educativo e preventivo de ambos pode contribuir com a diminuição dos índices de gravidez precoce e indesejada, o aborto, as DSTs e a AIDS. O tema sexualidade é abrangente e apesar de muito se falar a respeito nos meios de comunicação de massa e no cotidiano, essas informações nem sempre são “verdadeiras” ou adequadas ao meio educativo. A mídia de certo modo, deturpa o sentido amplo da sexualidade ao enfatizar o aspecto da sensualidade, erotismo sexual do indivíduo na sociedade contemporânea, num duplo movimento de informação e desinformação. Isso fica evidente no contexto escolar, pois os alunos chegam com várias informações e não sabem como lidar com elas. Em contra partida, a maioria dos professores, preferem não abordar o assunto por receio de não corresponder às expectativas do educando ou por sentir-se despreparado para tal, além da insegurança diante da reação da família. Apesar da complexidade presente neste âmbito, consideramos a família como o primeiro ambiente onde a sexualidade é abordada e, cada família tem seus valores e suas crenças que marcam as crianças. Para Morin: “(...) o imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento, primeiro com o selo da cultura familiar, da escolar em seguida, depois prossegue na universidade ou na vida profissional. Assim, a seleção sociológica e cultural das idéias raramente obedece à sua verdade; pode, ao contrário, ser implacável na busca da verdade.” (MORIN, 2000 p 28). Nessa perspectiva, cabe à escola possibilitar ao aluno discussão reflexiva sobre os diversos valores relacionados à sexualidade, favorecendo-os ressignificar os valores recebidos e vividos. Assim, a escola vem completar a educação sexual dada pela família e,
  • 6. o diálogo entre as duas instituições precisará ocorrer de maneira a contribuir com essa relação. É importante ressaltar que os educandos têm acesso a muitas informações, o que leva a ilusão de saberem tudo sobre sexualidade. Eles têm acesso às informações sobre o assunto, mas não é uma informação educativa, pois para ser educativa o educador tem que conhecer o educando, onde e com que vive, se ele é uma criança ou um adolescente, professa alguma fé religiosa, como são seus pais e quais as suas influencias. Por fim como o educando vê o educador? Ele confia? Sente liberdade para perguntar? Conversar? Essas questões interferem na transmissão de uma informação educativa. JUSTIFICATIVA Há uma diversidade de entendimentos e conceituações a serem adotadas, mas, aparentemente, a maioria dos estudiosos considera que a sexualidade supõe ou implica mais do que corpos, nela está envolvido fantasias, valores, linguagens, rituais, comportamentos, representações mobilizados ou postos em ação para expressar desejos e prazeres. Assim, buscar formas de desenvolver a orientação da sexualidade, amparados pela lei nº 9.394/96, Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB, juntamente com os PCN’s, em seus temas transversais, exige estudos e investigações cujos resultados podem trazer contribuições para a escola, para a família, sobretudo para a criança, jovem, adolescente. Desta forma, este projeto de pesquisa prevê tais contribuições para a escola – campo da pesquisa- além de trazer conhecimento em nossa formação para gestão escolar. OBJETIVOS - Compreender a relação família – escola na E.M. Isabel Ribeiro Leal Leite, na perspectiva da orientação da sexualidade;
  • 7. - Identificar junto aos educadores as dificuldades relacionadas ao tema sexualidade; - Desenvolver junto aos educadores momentos educativos sobre o tema, possibilitando-lhes conhecimento para abordar a sexualidade no cotidiano escolar. METODOLOGIA Visando atingir os objetivos propostos, o tema em questão será abordado sob enfoque da pesquisa qualitativa, que segundo Minayo: “(...) se preocupa, nas ciências sociais, com o nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.”(MINAYO, 1994 p21-22) A pesquisa qualitativa pressupõe conhecer o fenômeno, nesse sentido, nossa pesquisa valorizará a busca aprofundada no conhecimento do objeto de pesquisa: a orientação educativa da sexualidade. A pesquisa também apresentará estudo de caso, com educandos e educadores da E.M. Isabel Ribeiro Leal Leite, da rede municipal de ensino de Cotia-SP. Para esse estudo recorreremos à pesquisa quantitativa, no sentido de investigar as principais dificuldades encontradas pelos educadores ao tratarem do tema sexualidade com seus alunos. Desse modo, a pesquisa utilizará: questionários, entrevistas semi-estruturadas e observação participante nas reuniões de H.T.P.C. ( Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo), de pais e mestres (APM) e de planejamento pedagógico. Por nossa pesquisa pertencer às ciências humanas, nosso método é compreensivo- interpretativo, pois, busca conhecer o sentido que o homem produz nas instituições. (Chauí, 2000) Vale ressaltar os quatros traços que são comuns aos diferentes métodos filosóficos, definidos por Chauí como:
  • 8. “(...) reflexivo – parte da auto-análise ou do autoconhecimento do pensamento; crítico – investiga os fundamentos e as condições necessárias da possibilidade do conhecimento verdadeiro, da ação ética, da criação artística e da objetividade política; descritivo – descreve as estruturas internas ou essências de cada campo de objetos do conhecimento e das formas de ação humana; interpretativo – busca as formas da linguagem e as significações ou os sentidos dos objetos, dos fatos, das práticas e das instituições, suas origens e transformações.” (CHAUÍ, 2000 p 160) Estes elementos do método adotado em nossa pesquisa serão norteadores do processo investigativo, no intuito de garantir maior cientificidade e veracidade do conhecimento apropriado, neste estudo de caso. RESULTADOS ESPERADOS A partir da análise dos dados esperam-se proporcionar a família e a escola novos elementos para a reflexão sobre educação e sexualidade, apontando as necessidades de adequação no Projeto Político Pedagógico, em sua transdisciplinaridade escolar e participação da família no trabalho realizado pela escola, apoiando e dando continuidade em casa. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. – Brasília: MEC/SEF, 1997. CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 7ª ed. São Paulo: Ática, 1996. FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. A vontade de saber. Trad. M. Thereza Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988. MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social, Teoria, método e criatividade, Rio de Janeiro, Vozes, 1993. MORIN, Edgar. Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro 2a. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000. SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Porto: Afrontamento, 1989. (também publicado por Graal, São Paulo, 2ª ed em 1991)
  • 9. SAVIANI, Dermeval. A nova lei da educação: Trajetória, limites e perspectivas. São Paulo: Autores Associados, 1997. BIBLIOGRAFIA BARROS, Aidil de Jesus Paes de. (org.) Projeto de Pesquisa: propostas metodológicas. 14ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1990. DEMO, Pedro. Metodologia Científica em Ciências Sociais. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1991. FAZENDA, Ivani. (org.) Metodologia da Pesquisa Educacional. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1989. FAZENDA, Ivani. Novos Enfoques da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 1999. GAJARDO, Marcela. Trad. PELLEGRINI, Tânia. Pesquisa Participante na América Latina. São Paulo: Brasiliense S.A., 1986. LÖWY, Michael. Ideologias e Ciência Social: elementos para uma análise marxista. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 1989. LUNA, Sérgio Vasconcelos de. Planejamento de Pesquisa: uma introdução. São Paulo, EDUC, 2000. MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: A prática de fichamentos, resumos, resenhas. 4ª ed.São Paulo: Atlas, 2002. MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social, Teoria, método e criatividade, Rio de Janeiro, Vozes, 1993. PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da Pesquisa: Abordagem teórico- prática. 4ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1997. SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22ª ed. São Paulo: Cortez, 2002. SOARES, Suelly Galli. Arquitetura da identidade sobre educação, ensino e aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2001. SOARES, Suelly Galli. Educação e Interação Social. Campinas, SP: Alínea, 2003. SOARES, Suely Galli. (org.) Cultura do Desafio: gestão de tecnologias de informação e comunicação no ensino superior. Campinas, SP: Alínea, 2006.
  • 10. TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: A pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 2008.