Penfigo
A proposito de um caso clinico
Serviço de Cirurgia Maxilofacial e Estomatologia
Hospital de Santo António
Centro Hospitalar do Porto
Rui Moreira
Porto, 25 de Maio de 2012
Caso Clínico
 39 anos
 Sexo feminino
 Saudavel
 Ulceras na mucosa oral
 Palato e língua
 Dolorosas
 Odinofagia intensa
Caso Clínico
 ORL
 Lesões ulceradas
 Oronasofaringe e esófago
 Episodio de “conjuntivite”(SIC) ligeira
 Nega lesões dérmicas
 Já experimentou varios Tx
 Rosilan > melhoria ligeira
 Habitos medicamentosos:
 ACO
Caso Clínico
 Exame Objectivo:
 Lesões ulceradas
 Palato mole
 Língua (bordos, predominantemente)
 Estudo analítico (anterior):
 Hipercolesterolemia e trigliceridemia ligeiras
 Plano:
 Estudo Imunológico
 Biópsia
 R/
 AmoxClav
 Ibuprofeno
Caso Clínico
 D5 (pós-1a consulta)
 Histologia
 Penfigo vulgar das mucosas
 “Retalhos de mucosa oral com bolhas suprabasais e infiltrado
inflamatório polimorfo moderado no córion da mucosa no qual
participam alguns eosinófilos”
 “A confirmar com estudos de imunofluorescência directa”
 R/
 Prednisolona 50mg id
 Azatioprina 50mg bid
 Decalcit id
 600 mg de hidrogenofosfato de cálcio
 500 UI de colecalciferol (vitamina D3)
 Omeprazol 20mg id
 Paracetamol 1g id
Caso Clínico
 D15
 Melhoria da sintomatologia
 já consegue falar
 Exame Objectivo:
 Lesões ulceradas nas regiões jugais
 Plano:
 Consulta de Oftalmologia e ORL
 Rx pulmonar
 Densitometria óssea
 Eco abdominopelvica
 R/ Azatioprina (Imuran ®) 100mg id
Caso Clínico
 D19
 Agravamento das lesões orais
 Plano:
 R/ Prednisolona 30mg bid
 D20-22
 Internamento por agravamento da sintomatologia e
lesões
Caso Clínico
 D30
 Melhoria sintomatologia
 Ulceras nas regiões jugais
 Estudo Imagiológico
 Negativo
 Densitometria óssea
 Eco Abdominopelvica
 Rx torax
 Estudo Imunológico
 Anti-nucleares (IF) +vo padrão mosqueado
 Negativo
 Anti-MB Epiderme
 Anti-Sub.intercelular Epiderme
 Anti-desmogleína 1 e 3
 Anti-BP180 e 230
PÊNFIGO
 Auto-imune
 4 doenças relacionadas
 1. Vulgar ++
 2. Vegetante
 raro
 variante do vulgar
 3. Eritematoso
 4. Foliáceo
Atingimento Oral
PÊNFIGO VULGAR
 ++
 incidencia: 1 a 5:1M
 Ø Tx => ┼ 60-80% (infeção, deseq HE)
 Lesões orais
 Local primário ++
 Tx mais dificil
 “as primeiras a aparecer e as últimas a
desaparecer”
PÊNFIGO VULGAR
 Bolhas
 1º ↑ Auto Ac anti-Desmogleína 1 e 3
 GP da superficie de epiteliócitos
 2º Θ desmosomas
 3º Ø aderência celular
 4º separação intra-epitelial
 5º bolha
PÊNFIGO VULGAR
 “outros pênfigos”
 Medicamentoso
 ex: penicilaminas, …
 Paraneoplásico
 ex: neoplasias malignas de linhagem linforeticular
 Benigno Familiar Crónico / D. Hailey-Hailey
 D. genética rara
 Lesões cutaneas erosivas
 Raro atingimento oral
PÊNFIGO VULGAR
 Diagnóstico Diferencial
PÊNFIGO VULGAR
 Clínica
 LESÕES ORAIS
 1ª manif (>50%) em adultos (± 50A)
 ++ judeus
 Dor oral
 Erosões + úlceras
 Superficiais, irregulares, distribuídas
ao acaso
 ++ palato, mucosa labial, ventre
lingual, gengiva
 Vesículas / bolhas
 Muito friáveis
 Muito raro
 Por x, com várias crises num ano
PÊNFIGO VULGAR
 Clínica
 LESÕES CUTÂNEAS
 1º vesículas e bolhas
 Rompem rapidamente em horas
 2º superficie erosiva eritematosa
 Sinal de Nikolsky +vo
 Pressão firme lateral na pele => Bolha
 LESÕES OCULARES
 Raras
 Conjuntivite bilateral
 Não produzem cicatrizes/simbléfaro (≠ Penfigoide cicatricial)
PÊNFIGO VULGAR
 Histopatologia
 Biopsia perilesão
 Interface epitelio/tec conj
 Transição infiltrado inflamatório inespecífico
 Microscopia Optica
 Separação intraepitelial acima da camada de
células basias epiteliais
 “carreira de pedras tumulares” (ás x,
descamação da camada superficial)
 Acantólise / Células de Tzank
 Células da camada espinhosa, separadas e
arredondadas
 Tecido conjuntivo
 Infiltrado inflamatório celular crónico leve a
moderado
PÊNFIGO VULGAR
 Exame de Imunofluorescencia
 Directa
 Biópsia congelada ou em solução de
Michel
 Ac (Ig G/M) + C´ (C3)
 Deposição nos espaços
intercelulares epiteliais (Dx)
 Indirecta
 +vo em 80-90% casos
 Auto Ac plasmaticos
PÊNFIGO VULGAR
 Tratamento e Prognóstico
 Dx precoce => controlo + fácil
 Corticóides sistémicos
 Prednisolona 1mg/Kg/dia
 1º doses elevadas (eliminar lesões)
 2º doses baixas (controlo)
 Efeitos laterais
 DM, supressão renal, ↑ peso, osteoporose, ulceras
pepticas, alt estado humor, infeções
 Imunossupressores
 Azatioprina 2mg/Kg/d
PÊNFIGO VULGAR
 Tratamento e Prognóstico
 Monitorização (IF indirecta)
 Mortalidade
 5 a 10%
 Complicação da corticoterapia sistemica crónica
Penfigo
Penfigo

Penfigo

  • 2.
    Penfigo A proposito deum caso clinico Serviço de Cirurgia Maxilofacial e Estomatologia Hospital de Santo António Centro Hospitalar do Porto Rui Moreira Porto, 25 de Maio de 2012
  • 3.
    Caso Clínico  39anos  Sexo feminino  Saudavel  Ulceras na mucosa oral  Palato e língua  Dolorosas  Odinofagia intensa
  • 4.
    Caso Clínico  ORL Lesões ulceradas  Oronasofaringe e esófago  Episodio de “conjuntivite”(SIC) ligeira  Nega lesões dérmicas  Já experimentou varios Tx  Rosilan > melhoria ligeira  Habitos medicamentosos:  ACO
  • 5.
    Caso Clínico  ExameObjectivo:  Lesões ulceradas  Palato mole  Língua (bordos, predominantemente)  Estudo analítico (anterior):  Hipercolesterolemia e trigliceridemia ligeiras  Plano:  Estudo Imunológico  Biópsia  R/  AmoxClav  Ibuprofeno
  • 6.
    Caso Clínico  D5(pós-1a consulta)  Histologia  Penfigo vulgar das mucosas  “Retalhos de mucosa oral com bolhas suprabasais e infiltrado inflamatório polimorfo moderado no córion da mucosa no qual participam alguns eosinófilos”  “A confirmar com estudos de imunofluorescência directa”  R/  Prednisolona 50mg id  Azatioprina 50mg bid  Decalcit id  600 mg de hidrogenofosfato de cálcio  500 UI de colecalciferol (vitamina D3)  Omeprazol 20mg id  Paracetamol 1g id
  • 7.
    Caso Clínico  D15 Melhoria da sintomatologia  já consegue falar  Exame Objectivo:  Lesões ulceradas nas regiões jugais  Plano:  Consulta de Oftalmologia e ORL  Rx pulmonar  Densitometria óssea  Eco abdominopelvica  R/ Azatioprina (Imuran ®) 100mg id
  • 8.
    Caso Clínico  D19 Agravamento das lesões orais  Plano:  R/ Prednisolona 30mg bid  D20-22  Internamento por agravamento da sintomatologia e lesões
  • 9.
    Caso Clínico  D30 Melhoria sintomatologia  Ulceras nas regiões jugais  Estudo Imagiológico  Negativo  Densitometria óssea  Eco Abdominopelvica  Rx torax  Estudo Imunológico  Anti-nucleares (IF) +vo padrão mosqueado  Negativo  Anti-MB Epiderme  Anti-Sub.intercelular Epiderme  Anti-desmogleína 1 e 3  Anti-BP180 e 230
  • 10.
    PÊNFIGO  Auto-imune  4doenças relacionadas  1. Vulgar ++  2. Vegetante  raro  variante do vulgar  3. Eritematoso  4. Foliáceo Atingimento Oral
  • 11.
    PÊNFIGO VULGAR  ++ incidencia: 1 a 5:1M  Ø Tx => ┼ 60-80% (infeção, deseq HE)  Lesões orais  Local primário ++  Tx mais dificil  “as primeiras a aparecer e as últimas a desaparecer”
  • 12.
    PÊNFIGO VULGAR  Bolhas 1º ↑ Auto Ac anti-Desmogleína 1 e 3  GP da superficie de epiteliócitos  2º Θ desmosomas  3º Ø aderência celular  4º separação intra-epitelial  5º bolha
  • 13.
    PÊNFIGO VULGAR  “outrospênfigos”  Medicamentoso  ex: penicilaminas, …  Paraneoplásico  ex: neoplasias malignas de linhagem linforeticular  Benigno Familiar Crónico / D. Hailey-Hailey  D. genética rara  Lesões cutaneas erosivas  Raro atingimento oral
  • 14.
  • 15.
    PÊNFIGO VULGAR  Clínica LESÕES ORAIS  1ª manif (>50%) em adultos (± 50A)  ++ judeus  Dor oral  Erosões + úlceras  Superficiais, irregulares, distribuídas ao acaso  ++ palato, mucosa labial, ventre lingual, gengiva  Vesículas / bolhas  Muito friáveis  Muito raro  Por x, com várias crises num ano
  • 16.
    PÊNFIGO VULGAR  Clínica LESÕES CUTÂNEAS  1º vesículas e bolhas  Rompem rapidamente em horas  2º superficie erosiva eritematosa  Sinal de Nikolsky +vo  Pressão firme lateral na pele => Bolha  LESÕES OCULARES  Raras  Conjuntivite bilateral  Não produzem cicatrizes/simbléfaro (≠ Penfigoide cicatricial)
  • 17.
    PÊNFIGO VULGAR  Histopatologia Biopsia perilesão  Interface epitelio/tec conj  Transição infiltrado inflamatório inespecífico  Microscopia Optica  Separação intraepitelial acima da camada de células basias epiteliais  “carreira de pedras tumulares” (ás x, descamação da camada superficial)  Acantólise / Células de Tzank  Células da camada espinhosa, separadas e arredondadas  Tecido conjuntivo  Infiltrado inflamatório celular crónico leve a moderado
  • 18.
    PÊNFIGO VULGAR  Examede Imunofluorescencia  Directa  Biópsia congelada ou em solução de Michel  Ac (Ig G/M) + C´ (C3)  Deposição nos espaços intercelulares epiteliais (Dx)  Indirecta  +vo em 80-90% casos  Auto Ac plasmaticos
  • 19.
    PÊNFIGO VULGAR  Tratamentoe Prognóstico  Dx precoce => controlo + fácil  Corticóides sistémicos  Prednisolona 1mg/Kg/dia  1º doses elevadas (eliminar lesões)  2º doses baixas (controlo)  Efeitos laterais  DM, supressão renal, ↑ peso, osteoporose, ulceras pepticas, alt estado humor, infeções  Imunossupressores  Azatioprina 2mg/Kg/d
  • 20.
    PÊNFIGO VULGAR  Tratamentoe Prognóstico  Monitorização (IF indirecta)  Mortalidade  5 a 10%  Complicação da corticoterapia sistemica crónica