METODOLOGIA DA PESQUISA
CIENTÍFICA
Governo do Estado do Maranhão
Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia,
Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnológico
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet
METODOLOGIA DA PESQUISA
CIENTÍFICA
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior	
São Luís
2010
Governadora do Estado do Maranhão
Roseana Sarney Murad
Reitor da uema
Prof. José Augusto Silva Oliveira
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Pró-reitor de Administração
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Pró-reitor de Planejamento
Prof. José Gomes Pereira
Pró-reitor de Graduação
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Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação
Prof. Walter Canales Sant’ana
Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis
Profª. Vânia Lourdes Martins Ferreira
Assessor Chefe da Reitoria
Prof. Raimundo de Oliveira Rocha Filho
Diretora do Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais - CECEN
Profª. Andréa de Araújo
Edição:
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet
Coordenador do UemaNet
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Coordenadora Pedagógica:
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Coordenadora do Curso de Pedagogia, a distância:
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Responsável pela Produção de Material Didático UemaNet:
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Revisão:
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Luis Macartney Serejo dos Santos
Tonho Lemos Martins
Capa:
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O conteúdo deste fascículo foi cedido à Universidade
Estadual do Maranhão - UEMA pela Universidade Estadual
de Ponta Grossa - PR que autorizou sua reprodução
com atualizações: revisão de linguagem, capa, cores e
diagramação de uso exclusivo do Núcleo de Tecnologias
para Educação - UemaNet.
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fico/Ilustrador
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2010
Todos os direitos reservados ao NUTEAD - Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a
Distância - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, Brasil.
Ficha catalográfica elaborada pelo Setor de Processos Técnicos BICEN/UEPG.
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
PALAVRAS DOS PROFESSORES
UNIDADE 1
CIÊNCIA ..............................................................................................................................21
SEÇÃO 1 - A História da Ciência.....................................................................23
SEÇÃO 2 - Conceito de Ciência......................................................................41
SEÇÃO 3 - A Ciência e sua Classificação..................................................... 48
UNIDADE 2
CONHECIMENTO..............................................................................................................57
SEÇÃO 1 - Tipos de Conhecimentos .............................................................59
SEÇÃO 2 - O Processo de Conhecimentos...................................................67
SEÇAO 3 - O Conhecimento Científico......................................................... 69
SEÇÂO 4 - Metodologia Científica e Método Científico.........................71
UNIDADE 3
PESQUISA CIENTÍFICA....................................................................................................87
SEÇÃO 1 - Pesquisa Científica..........................................................................89
SEÇÃO 2 - Delineamento da Pesquisa.........................................................93
SEÇÃO 3 - Planejamento da Pesquisa.........................................................108
SEÇÃO 4 - Projeto da Pesquisa......................................................................113
SUMÁRIO
UNIDADE 4
DIRETRIZESPARAELABORAÇÃOEAPRESENTAÇÃODETRABALHO..............147
SEÇÃO 1 - Leitura...............................................................................................148
SEÇÃO 2 - Fichamento.....................................................................................157
SEÇÃO 3 - Resumo.............................................................................................162
SEÇÃO 4 - Resenhas..........................................................................................169
SEÇÃO 5 - Comunicação Científica..............................................................174
PALAVRAS FINAIS .............................................................................................184
REFERÊNCIAS.......................................................................................................187
NOTAS SOBRE OS AUTORES...........................................................................191
APRESENTAÇÃO
Caríssimo aluno,
Você está recebendo a disciplina Metodologia Científica, uma entre
as demais igualmente importantes no Curso de Pedagogia. Ela
tem a função de proporcionar possibilidades que se concretizarão
em atos relevantes na vida dos que escolhem a docência com o
objetivo de refletir sobre a construção de uma sociedade mais
consciente e mais humanizada, por isso, é dada a essa disciplina
uma deferência especial.
Como educador neste mundo pragmático você precisa conhecer as
abordagens técnicas e processos utilizados pela ciência, visando
a formulação e resolução de problemas. A disciplina Metodologia
Científica proporcionará o conhecimento dos métodos científicos
e os paradígmas positivistas e naturalista, bem como os aspectos
pertinentes à pesquisa científica.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UemaNet
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
Prezado estudante,
Inicialmente queremos dar-lhe as boas-vindas à nossa instituição e
ao curso que escolheu.
Agora, você é um acadêmico da Universidade Estadual de Ponta
Grossa (UEPG), uma renomada instituição de ensino superior que
tem mais de cinquenta anos de história no Estado do Paraná, e
participa de um amplo sistema de formação superior criado pelo-
Ministério da Educação (MEC) em 2005, denominado Universidade
Aberta do Brasil (UAB).
O Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB)
não propõe a criação de uma nova instituição
de ensino superior, mas sim, a articulação das
instituições públicas já existentes, possibilitando
levar ensino superior público de qualidade aos
municípios brasileiros que não possuem cursos de
formação superior ou cujos cursos ofertados não
são suficientes para atender a todos os cidadãos.
Sensível à necessidade de democratizar, com qualidade, os cursos
superiores em nosso país, a Universidade Estadual de Ponta Grossa
participou do 2º Edital de Seleção MEC/UAB (Edital nº 01/2006-
SEED/MEC/2006/2007) e foi contemplada para desenvolver dez
cursos de graduação e quatro cursos de pós-graduação na modali-
dade a distância.
Isso se tornou possível graças à parceria estabelecida entre o MEC,
a CAPES e as universidades brasileiras, bem como porque a UEPG,
ao longo de sua trajetória, vem acumulando uma rica tradição de
ensino, pesquisa e extensão e se destacando também na educação
a distância.
A UEPG é credenciada pelo MEC, conforme Portaria nº 652, de 16
de março de 2004, para ministrar cursos superiores (de graduação,
sequenciais, extensão e pós-graduação lato sensu) na modalidade
a distância.
Os nossos programas e cursos de EaD apresentam elevado padrão
de qualidade e têm contribuído, efetivamente, para a democra-
tização do saber universitário, destacando-se o trabalho que de-
senvolvemos na formação inicial e continuada de professores. Este
curso não será diferente dos demais, pois a qualidade é um com-
promisso da Instituição em todas as suas iniciativas.
Os cursos que ofertamos, no Sistema UAB, utilizam metodologias,
materiais e mídias próprios da educação a distância que, além de
facilitarem o aprendizado, permitirão constante interação entre
alunos, tutores, professores e coordenação.
Este curso foi elaborado pensando na formação de um professor
competente, no seu saber, no seu saber fazer e no seu fazer saber.
Também foram contemplados aspectos éticos e políticos essen-
ciais à formação dos profissionais da educação.
Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos
para facilitar o seu processo de aprendizagem e que tenha muito
sucesso na trajetória que ora inicia.
Mas, lembre-se: você não está sozinho nessa jornada, pois fará
parte de uma ampla rede colaborativa e poderá interagir conosco
sempre que desejar, acessando nossa Plataforma Virtual de Apren-
dizagem (MOODLE) ou utilizando as demais mídias disponíveis para
nossos alunos e professores.
Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois a sua apren-
dizagem é o nosso principal objetivo.
EQUIPE DA UAB/ UEPG
ESCLARECENDO...
Caro estudante,
Iniciamos mais uma etapa do seu curso na modalidade a distância.
No momento, o enfoque do nosso trabalho é a disciplina Metodologia
Científica.
O estudo dos temas apresentados neste fascículo será fundamental
para a ampliação dos seus conhecimentos, bem como a aplicação
desses conhecimentos na sua vida profissional.
Observe que o material que você tem em mãos foi elaborado pela
Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, que, assim como a
UEMA, é parceira da Universidade Aberta do Brasil-UAB.
Ao iniciar o estudo você vai perceber que alguns trechos, exemplos
e atividades aplicam-se ao curso de Educação Física. Não se
preocupe! Isto não atrapalhará em nada a sua aprendizagem.
O fato é que este material foi dirigido inicialmente a Educação
Física, mas o conteúdo abordado é perfeitamente apropriado para
a disciplina Metodologia Científica do seu curso.
Por isso, pedimos: ignore as atividades contidas no interior
do fascículo. Tais atividades foram reproduzidas, eliminando-
se a especificidade da educação física. Suas tarefas e os textos
complementares estarão disponíveis no Ambiente Virtual de
Aprendizagem – AVA. Para respondê-las pesquise neste fascículo.
Caso surjam dúvidas durante o desenvolvimento da disciplina,
você pode contar com a equipe UEMANET, professor e tutores para
ajudá-lo.
Sucesso e uma boa aprendizagem!
PALAVRAS DOS PROFESSORES
A estrutura organizacional das instituições, a partir da Revolução
Industrial, traz em seu contexto significativas marcas de
transformações. Os paradigmas conceituais de sociedade,
trabalho, educação e ciência passaram e continuam passando por
significativasmudançasemseutodo.Oavançonosprincípiosbásicos
da ciência aliados aos meios de comunicação e da informática tem
sido a alavanca desse processo.
As concepções advindas desse processo estão transformando o
homem e o seu habitat. Um novo homem está surgindo. A busca
constante por avanços na ciência, nos meios de comunicação, na
qualidade de vida, por momentos de lazer, passa a ser considerada
como fator primordial.
Os desafios nesse novo caminhar da sociedade são imensos, visto
que passamos por um processo de transformação. Transformação
do trabalho físico e mental feito por intermédio das máquinas
e computadores. Processo de suma importância no crescimento
econômico e social para uma nova era. Nova era que está se
contextualizando no seio da sociedade por base do capital
intelectual, o qual se insere na Sociedade do Conhecimento.
A Educação Física também faz parte desse contexto de mudanças,
quer seja no seu aspecto formal ou não formal. Entretanto,
para atender as novas necessidades dessa nova sociedade que
está emergindo é necessário que a formação desse profissional
acompanhe passo a passo esse processo evolutivo. Atento a esse
processo, a Universidade Estadual de Ponta Grossa – por intermédio
do Núcleo de Educação a Distância e do curso de Educação Física,
adiantam-se nessa caminhada com a oferta do Curso de Licenciatura
em Educação Física a Distância. Fator esse considerado como
significativo dentro dessa nova práxis de formação profissional,
pois vem atender às diversas comunidades distantes dos centros
de excelência acadêmica.
Para isso, a contribuição da disciplina Metodologia da Pesquisa
Científica é de fundamental importância nesse momento de
construção de novos saberes. O estudo voltado para as nuances
da Educação Física Escolar oportuniza a aquisição de um novo
conhecimento diferenciado, sobretudo pelo processo de pesquisa.
A coesão entre a pesquisa e a Educação Física Escolar é o núcleo
central de uma concepção realista, capaz de tornar compreensível
os avanços científicos advindos da ciência.
Essa disciplina pode contribuir em muito na consolidação de seus
conhecimentos na área da Educação Física Escolar. Os fundamentos
trabalhados vão ao encontro dos anseios e objetivos dessa nova
concepção de ensino.
Portanto, bem vindo ao mundo da pesquisa científica. Um mundo
cheio de nuances, de novas descobertas que você irá percorrer na
busca de novos conhecimentos.
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
OBJETIVOS E EMENTA
Objetivo Geral
Compreender os processos metodológicos de construção do saber
científico como meio de organização da ação metodológica na Edu-
cação Física.
Objetivos Específicos
•	 Entender os processos metodológicos de construção do conhe-
cimento científico na Educação Física;
•	 Articular o conhecimento científico de acordo com os princí-
pios científicos;
•	 Compreender a realidade da Educação Física voltada para a
área da produção acadêmica;
•	 Incorporar novas metodologias de estudos a sua prática coti-
diana.
Ementa
•	 A ciência, conhecimento científico. Método científico. Pesqui-
sa científica. Pesquisa bibliográfica. Uso da biblioteca. Diretri-
zes para a elaboração e apresentação de trabalhos. Projeto de
pesquisa. Comunicação científica. Aspetos técnicos e metodo-
lógicos da Monografia.
ÍCONES
Orientação para estudo
Ao longo desta apostila, serão encontrados alguns ícones utilizados
para facilitar a comunicação com você.
Saiba o que cada um significa.
SUGESTÃO DE
LEITURA
PENSE
DICA DE SITE
ATENÇÃO
ATIVIDADES
SUGESTÃO DE
FILMES
SAIBA MAIS
GLOSSÁRIO
Ciência
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
1
unidade
Objetivo dESTA unidade
Estabelecer reflexões
acerca das relações da
ciência com a sociedade
por intermédio de um
referencial pautado
na sua história, nos
seus conceitos e na sua
classificação.
ROTEIRO DE ESTUDOS
•	 SEÇÃO 1 – A hitória da ciência
•	 SEÇÃO 2 – Conceitos de ciência
•	 SEÇÃO 3 – A ciência e sua classificação
22
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Ao dar os primeiros passos na busca de sua formação profissional,
acredito que você está um pouco ansioso para descobrir o que esta
unidade de ensino pode lhe trazer ou ainda representar para a sua
vida profissional.
Desvendar o que é ciência e sua importância no seio da sociedade
desde a pré-história até os nossos dias, analisar os conceitos sobre
ciências, e principalmente a classificação e/ou divisão da ciência,
são as metas para esta unidade.
Por que refletir sobre o que é ciência? Qual a sua representativida-
de para o mundo em que vivemos? Estas são perguntas corriqueiras
que você já pode ter ouvido.
Veja as respostas para estas questões.
O entendimento dado aos aspectos primários da ciência é de fun-
damental importância para que você possa conhecer as nuances de
uma determinada área do conhecimento, como a Educação Física,
desde os princípios básicos de uma aula até as situações mais com-
plexas que envolvem o ser humano, como por exemplo, questões
de performances.
Ao desenvolver um olhar reflexivo sobre o que ela traz em seu
contexto, e principalmente da sua importância para o contexto
da sociedade, você vai descobrir o quanto os procedimentos cien-
tíficos têm colaborado na descoberta de novos encaminhamentos
econômicos, sociais, políticos, tecnológicos que, de uma maneira
ou outra, trazem benefícios para o homem.
Embora muitos manuais busquem explicar, de diversas maneiras, o
que é ciência, quais são as suas funções, como ela pode relacionar-
se com as diversas facetas da vida do homem, o mais importan-
te é você entendê-la em todo o seu contexto, e na sequência,
relacioná-la com a Educação Física. Por isso, o conhecimento sobre
ciência passará a ter um significado diferenciado na sua vida.
Bom estudo!
22
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 23
SEÇÃO 1
A hISTÓRIA DA CIÊNCIA
A historicidade da ciência enuncia o seu envolvimento com
os processos estruturais da sociedade desde os primórdios da
civilização. Essa não deve ser confundida simplesmente numa
ordem cronológica de determinados objetivos que emergem no
dia a dia, mas sim, pelos acontecimentos que ocorreram ao longo
da história. Conhecer a história da ciência é apaixonante.
Antes, porém, pense um pouco a respeito da presença da ciência
no contexto da sociedade atual.
Agora, escreva em cinco linhas, o que estas notícias
representam para sua vida.
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__________________________________________________
__________________________________________________
23
Você já ouviu estas notícias?
- O Superior Tribunal Federal vota a liberação de pesquisas
com células-tronco embrionárias.
- Satélites japoneses contestam dados do INPE sobre área des-
matada no norte de Mato Grosso.
- Sonda da NASA aterrissa em Marte.
- Descoberto peixe fóssil de 380 milhões de anos de idade.
- Casos de doping na volta da França geram revolta no ciclismo.
- A periodização é a formulação de um projeto detalhado de
preparação, embasado nos princípios científicos do treinamen-
to desportivo.
- Alimentos transformados geneticamente - soja transgênica.
1
2424
Você pode ter chegado à conclusão que estas notícias que foram
manchetes de jornais conduziriam para uma imprescindível
presença do processo científico em todos os quadrantes da
sociedade, quer seja na saúde, no meio ambiente, no esporte ou
ainda em qualquer outra atividade.
Isto porque a sociedade, nos dias atuais, é marcada pela tecnologia,
globalizaçãodemercados,alimentostransformadosgeneticamente,
engenharia genética, pelos avanços da física quântica, entre
outros tantos que ocorreram nos últimos tempos. Estes avanços
fizeram ocorrer uma transformação no conceito de sociedade.
Outro aspecto importante para você ficar atento é que, com as
frequentes transformações, as estruturas organizacionais da
sociedade foram agregando valores diferenciais em seu contexto.
As mudanças dos paradigmas conceituais presentes na sociedade
exigem que o homem e as organizações estejam cada vez mais
atentos aos processos	 científi	cos que se avolumam em cada
momento.
Para bem entender a história da ciência torna-se também
necessário você despir-se dos preconceitos existentes, bem como,
de considerar que a ciência não tem dogmas e tampouco verdades
absolutas, visto ser essas, consideradas como transitórias.
a busca pela
cientificidade tornou-se
uma prioridade para a
sobrevivência.
É de extrema valia
verificar onde começou
esta busca.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 2525
A CIÊNCIA NA PRÉ-hISTÓRIA
O saber construído pelo homem no período da Pré-História, a partir
de observações sobre os efeitos da natureza, pelo funcionamento
das coisas, pelo confronto direto com as suas necessidades, pode
ser considerado como o primórdio da ciência.
Há milhares de anos, a luta do homem pela sua sobrevivência estava
presente em todos os instantes de sua vida. A vida de nômade, a
necessidade de obtenção de alimentos, o confronto com outros
grupos fez este homem ater-se para novas descobertas, que
foram desde a construção de armas, utilizando paus e pedras, até
a conservação, de forma primária, de seus alimentos.
Posteriormente, com a passagem da vida de nômade para
a sedentária, novos padrões de comportamento surgiram. A
necessidade de plantar e armazenar os grãos, a construção de suas
moradias, a confecção de seu vestuário, o aperfeiçoamento de
suas armas e ferramentas, estabeleceu um novo ciclo na vida do
homem.
Por conta disso, vamos ao ponto central estabelecido nesse período:
O homem precisou construir o saber baseado em suas observações
e na experiência pessoal. Lembre que todos esses momentos têm
estreita relação com os aspectos de nossas vidas.
Esse modelo de conhecimento, denominado de empírico, foi
transmitido de pai para filho, de família para família, de geração
para geração que, mesmo sem provas metódicas ou científicas,
serve ainda, nos dias atuais, para extrair uma inteligibilidade
a respeito da constituição da sociedade nos seus mais diversos
aspectos.
Você pode constatar que essa forma de conhecimento, muitas
vezes útil para a condução da vida, não é contextualizada a partir
de experiências racionalizadas. Com isto, o homem sentiu que
esta forma de informações era frágil. Ele necessitava de dispor
de novos conhecimentos, construídos de forma segura e confiável.
Você sabia que...
O descobrimento do fogo
é uma das descobertas
mais citadas na história
da humanidade?
O conhecimento
empírico, caracterizado
como de senso comum é
adquirido no transcorrer
do dia. Normalmente é
feito por tentativas de
acertos e erros.
26
Esses conhecimentos não desapareceram ao longo dos tempos,
eles permanecem vivos nos dias atuais.
Pense num ensinamento que seu avô ensinou para o seu
pai. E este passou para você. Escreva em cinco linhas este
ensinamento.
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A CIÊNCIA NA GRÉCIA ANTIGA
A Grécia, neste período, considerada como o berço da civilização,
contava com uma plêiade de filósofos que desempenharam um
papel fundamental na trajetória do conhecimento científico.
A genialidade dos filósofos gregos pode ser considerada como
o principal responsável pelo crescimento da ciência nos mais
diversos setores.
Entre esses filósofos encontramos Platão e Aristóteles, os quais
tendo a lógica, aliada ao raciocínio dedutivo e indutivo, passaram
a estabelecer novos conceitos sobre o saber científico.
Outros aspectos importantes que aconteceram neste período teve
como personagem o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.). Foi ele
que separou a filosofia da ciência, criou o primeiro sistema de
lógica e foi considerado como um dos primeiros cientistas políticos
que se tem notícia.
No que diz respeito aos estudos relacionados à saúde, a civilização
grega teve vários destaques. Hipócrates, estudioso do corpo
humano, considerado como um dos maiores vultos da história da
medicina e Galeno, ao qual é atribuído o descobrimento das veias
e nervos.
Plêiade:
Reunião ou grupo de
homens ou poetas
célebres. Dicionário
aurélio
É importante você
saber que o raciocínio
dedutivo parte de uma
lei universal para o
particular. um exemplo
clássico deste refere-
se ao seguinte: Todo
homem é mortal, você
é mortal, logo todos os
homens são mortais.
O raciocínio indutivo
parte do particular para
uma lei universal. um
exemplo deste parte do
seguinte: O ferro conduz
eletricidade, o ouro
conduz eletricidade,
o cobre conduz
eletricidade, logo, todos
os metais conduzem
eletricidade.
1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 27
Mesmo considerando a forte presença dos filósofos, que até
nos dias atuais são citados por contextualizarem significativos
avanços para o processo científico neste período, é de extrema
valia você também conhecer outros fatos importantes legados
para toda a humanidade. Entre estes, você vai encontrar o
esporte, o qual era tido como um meio de transmissão cultural
e de culto aos deuses.
Aprofunde seus conhecimentos pesquisando sobre as
atividades esportivas (ginástica e jogos) praticadas na
Grécia Antiga e busque, em cinco linhas, relacioná-las com
os dias atuais.
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VOCÊ SABIA QUE...
Existia na Grécia Antiga um aparelho
chamado de Anticítera, que podia pre-
ver eclipses, além de prever as datas
das próximas Olimpíadas?
Ao lado fragmentos do Anticítera.
1
2828
A CIÊNCIA NA IDADE MÉDIA
A Idade Média, por muito tempo, foi considerada como a Idade das
Trevas. Razões para que historiadores assim a denominassem não
faltaram ao longo da história. O declínio nas atividades científicas,
artísticas, literárias e culturais, vinculados a um forte controle da
igreja, se fez presente.
O rígido controle que a igreja exercia em todas as atividades, cal-
cada nos princípios de legitimar, difundir o Reino de Deus e as
verdades expressas nas Sagradas Escrituras se fez presente prin-
cipalmente nas ciências e na produção do saber. Para a igreja, o
saber pagão era considerado como um fator de ultraje às teorias
dogmáticas e aos princípios morais do cristianismo.
Outros motivos também não faltaram para que este período fosse
assim considerado. A destruição de acervos bibliográficos, as lutas
entre os senhores feudais, a dificuldade de comunicação contri-
buíram de sobremaneira para que este período fosse considerado
como principal elemento prejudicial ao desenvolvimento da ciên-
cia, apesar da forte presença religiosa e do processo intelectual
ter se concentrado nos mosteiros, fazendo com que os estudos
voltados para a religião fossem priorizados em relação à ciência.
O NOME DA ROSA (1986)
sinOPse: eM 1327 WilliaM de basKerville (sean connery), uM MonGe
Franciscano, e adso von MelK (christian slater), uM noviço Que o
acoMpanha, cheGaM a uM reMoto Mosteiro no norte da itália. WilliaM de
basKerville pretende participar de uM conclave para decidir se a iGreJa
deve doar parte de suas riQueZas, Mas a atenção é desviada por vários
assassinatos Que aconteceM no Mosteiro. WilliaM de basKerville coMeça
a investiGar o caso, Que se Mostra bastante intrincado, aléM dos deMais
reliGiosos acreditareM Que é obra do deMÔnio. WilliaM de basKerville
não partilha desta opinião, Mas antes Que ele conclua as investiGaçÕes
bernardo Gui (F. Murray abrahaM), o Grão-inQuisidor, cheGa no local
e está pronto para torturar QualQuer suspeito de heresia Que tenha
coMetido assassinatos eM noMe do diabo. considerando Que ele não Gosta
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 2929
de basKerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos Que
são diabolicaMente inFluenciados. esta batalha, Junto coM uMa Guerra
ideolóGica entre Franciscanos e doMinicanos, é travada enQuanto o
Motivo dos assassinatos é lentaMente solucionado.
DiReÇÃO: Jean-JacQues annaud
GêneRO: suspense
eLenCO: sean connery, christian slater, helMut QualtinGer, elya basKin,
Michael lonsdale, volKer prechtel, Feodor chaliapin Jr., WilliaM
hicKey, Michael habecK, urs althaus, valentina varGas, ron perlMan,
leopoldo trieste, Franco valobra, vernon dobtcheFF, donald o’brien,
andreW birKin, F. Murray abrahaM.
Considerando o longo período que abrange a Idade Média, é
possível você observar que houve momentos em que a ciência se
fez presente, com a criação de novos instrumentos e métodos para
a agricultura, a utilização do moinho de vento, entre outras.
O mais interessante deste período, apesar de ser considerado como
o período das trevas, foi a criação e instalação de escolas, no século
XII, as quais foram posteriormente denominadas de universidades
e deram origem ao sistema universitário. Com o advento desse
sistema, ampliou-se o campo de estudos que vieram modificar os
paradigmas conceituais deste período da história, o qual a igreja já
não podia mais reprimir.
Com o despontar de uma nova cultura para a ciência, surge novos
pensadores, cientistas, filósofos que desvinculados do pragmatismo
exacerbado da igreja instituíram novos conceitos e estudos sobre
os processos científicos. A consolidação deste processo pode ser
considerada como o embrião da ciência moderna.
VOCÊ SABIA QUE...
Mesmo com a destruição dos acervos bibliográ-
ficos a Igreja mantinha em seus conventos um
esquema de cópia dos livros?
Esses eram feitos à mão e decorados com pin-
turas (iluminuras). Os monges que atuavam neste trabalho eram
chamados de monges copistas.
3030
Entre tantos cientistas reverenciados, destacam-se três: Centra-
do na observação da natureza e no processo experimental, ten-
do como suporte o conhecimento científico, temos Roger Bacon
(1214-1294). Tomás de Aquino (1227-1274), frade dominicano e
teólogo, buscou realizar uma integração entre escolástica e aristo-
telismo. Com a frase “a ciência não consiste em ratificar o que ou-
tros disseram, mas em buscar as causas dos fenômenos”, Alberto
Magno (1193-1280) defendeu a interação entre ciência e religião.
As reflexões emanadas por estes procedem ao surgimento de duas
linhas de discussão que se constituíram como suporte da produção
científica dos séculos seguintes: a filosofia da ciência e a epistemo-
logia. A primeira corrente, transformou-se no Positivismo, a segun-
da no Construtivismo.
Após esta passagem pela história da ciência na Idade Média, você
pode observar momentos diferenciados. Inicialmente calcada na
forte presença da religião e posteriormente com o advento de uma
plêiade de novos cientistas, pensadores e filósofos, os quais constru-
íram novos paradigmas científicos que perduram até os dias atuais.
Conheça mais sobre outros momentos vivenciados neste
período pesquisando sobre o entendimento dado ao culto
do corpo por intermédio da prática da atividade física
e escreva, em cinco linhas, como você considera este
momento.
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A CIÊNCIA NO SÉCULO XVII
O século XVII é distinguido por uma forte presença de filósofos e
cientistas nos mais diversos setores, que marcaram uma brilhante
presença neste período. Assinala também uma ruptura da maneira
de ver e entender a ciência.
É importante
você saber que o
Positivismo criado
por auguste Comte
é considerado como
uma linha teórica
da sociologia, o qual
consiste na observação
dos fenômenos,
subordinando
a imaginação à
observação. O
Construtivismo
constitui-se pela ação
do homem com o meio
social e físico.
1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 3131
Outro fato de suma importância, que você deve observar, refere-se
à construção do saber. O saber neste período passa a ser construído
a partir da realidade que se faz presente na vida do homem. Este
processo é denominado de empirismo. A explicação deste saber é
colocada à prova, a qual é designada como experimentação.
É inegável que o processo da experimentação foi um dos suportes
da ciência moderna que se instala a partir deste século. É interes-
sante você observar que a ciência moderna traz em seu contexto
um fator fundamental para o seu sucesso, representado pela asso-
ciação entre o método experimental e a ciência da matemática,
a qual possibilita diversas aplicações do conhecimento científico.
Nesse período, entre tantos cientistas que marcaram presença nes-
se século, você deve conhecer alguns destaques.
• Francis Bacon (1561 – 1626), filósofo inglês, organizou o método
experimental.
• René Descartes (1595 – 1650), francês, considerado como um
dos maiores pensadores deste período e criador da geometria
analítica.
• Johannes Kepler (1571-1628), cientista alemão que, utilizando
das formas matemáticas, reduziu as leis que tratavam do Sistema
Solar.
• Isaac Newton (1642 – 1727), inglês, formulou a lei da gravidade
e a decomposição da luz.
• Galileu Galilei (1564 – 1642), considerado como um dos maiores
gênios na história da ciência. Foi perseguido e humilhado por ter
afirmado que a terra se move em torno do sol.
• Louis Pasteur (1822 - 1895), cientista francês que, com suas
descobertas no campo da saúde, constitui-se como um marco no
avanço da microbiologia e da imunologia.
É importante você
saber que através da
aplicação do método
experimental, a
organização e as leis
do universo passaram
a ser conhecidas no
século XVII, bem como,
a rejeição à intervenção
religiosa pelos filósofos
que se fez presente.
3232
VOCÊ SABIA QUE...
A primeira contribuição dada por Galileu Galilei à
ciência aconteceu em Duomo de Pisa? Observan-
do o movimento pendular de uma lâmpada pen-
durada em uma corda que acabara de ser acesa,
percebeu que os movimentos pendulares desta
lâmpada eram iguais às batidas do seu coração.
A partir desta observação, onde os movimentos das oscilações eram
sempre idênticas, formulou a lei do isocronismo.
www.emack.com.br
Outro fato de destaque que ocorreu neste século foi a Revolução
Científi	ca. Essa Revolução veio modificar os paradigmas conceituais
da ciência, a qual passa a ser constituída dentro de um conhecimento
estruturado e prático, desvinculando-se assim dos ditames da filosofia.
É interessante você observar que essa Revolução não aconteceu de
forma isolada, ela foi um movimento muito complexo. A determina-
ção do seu período de abrangência ainda hoje não está estabeleci-
da, pois não há consenso sobre isto. A discussão sobre a sua impor-
tância é ampla e provoca uma série de diferentes pontos de vista.
Para entender as nuances deste processo em nossas vidas é interes-
sante você estudar os elementos que a precederam, os conceitos e
principalmente a sua interação com o processo científico e social
que se estabeleceu. Concomitantemente as descobertas científicas
de Galileu, Kepler, Newton, entre outros pensadores, ocorreram
outros fatos que, de uma forma ou outra, vieram marcar presença
neste processo de construção de um novo paradigma para a ciência.
Faça uma pesquisa livre na internet sobre a Revolução
Científica e transcreva, em cinco linhas, como você
contextualiza a ciência neste século.
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1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 3333
SÉCULO XVIII – SÉCULO DAS LUzES
Intitulado como o século das Luzes, este século foi marcado por
avanços na ciência e na forma de constituir o saber. A união entre
ciência e tecnologia começou-se fazer presente, trazendo junto de
si muitas descobertas: o surgimento das máquinas a vapor que mar-
ca o processo da Revolução Industrial, as primeiras teorias sobre
a origem do universo, além das teorias referentes à formação da
terra e dos planetas formuladas por Buffon e Kant.
Destaque deve ser dado a este século, pelo fato de que o renascen-
tismo se fazia presente em um estágio avançado e pode-se assim
dizer que o determinantismo científico se fazia presente.
Neste século destacamos a presença de cientistas como:
• Anders Celsius (1701 – 1744). Tendo a astronomia como seu
principal interesse, desenvolveu estudos que objetivavam a
estabelecer uma escala que visasse classificar a magnitude das
estrelas.
• Georges Buffon (1707 – 1788). Ateve-se ao campo das ciências
naturais, sendo considerado no meio acadêmico como um dos
3434
fundadores da história natural. É dele também a teoria sobre
a formação do nosso sistema solar.
• 	 Immanuel Kant (1724 – 1804). Traz em seu histórico de vida
uma ligação com a filosofia crítica. É reverenciado pela sua
obra a “Crítica da Razão Pura” publicada em 1781, elaborada
ao estudar sobre as questões do conhecimento.
A Revolução Industrial que se iniciou nos meados deste século pode
ser considerada como um marco conceitual no avanço tecnológico
e científico da humanidade. Pois, a partir do seu advento, novas
fórmulas e formas de ver, analisar e refletir sobre a humanidade
foram surgindo ao longo dos tempos com o surgimento das ciências
sociais e humanas.
Você pode constatar que o mundo, neste período, vivia cercado
pela mobilidade social que se instalou com a advento da Revolução
Industrial, a qual estabeleceu uma nova relação entre o trabalho e
o capital ocasionando um profundo impacto no processo produtivo,
social e econômico.
As condições precárias de trabalho, do ambiente no interior das
fábricas e pelo baixo salário vieram promover mudanças significa-
tivas no comportamento social do homem.
Aprofunde seus estudos pesquisando na internet sobre a
Revolução Industrial.
Além da Revolução Industrial, outros dois movimentos vieram cola-
borar para estas mudanças.
• 	 A Revolução Americana (1776), movimento com caracterís-
tica popular organizado pelas treze colonias inglesas para se
livrarem do jugo inglês. A ruptura política trazia junto de si o
desejo de construirem uma nova vida, dando origem aos Esta-
dos Unidos da América.
• 	 A Revolução Francesa (1789), cujo lema estava centrado na
Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Esta revolução ocorreu
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 3535
no reinado do rei Luiz XVI. Um dos principais marcos desta re-
volução é a Queda da Bastilha, símbolo do poder monárquico
da França.
Perceba como fica claro que os movimentos constituiram-se num
campo vastíssimo para a pesquisa, fornecendo contribuições ess-
senciais à reflexão sobre as incontestáveis questões sociais e huma-
nas na busca da compreensão do homem como um todo.
Pesquise na internet, e escreva em cinco linhas, o porquê
da Revolução Industrial ser considerada como um dos
acontecimentos que trouxe influência à ciência.
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SÉCULO XIX – O SÉCULO DA CIÊNCIA
A ciência neste século traz em seu bojo a euforia propagada pela
Revolução Industrial e avança a olhos vistos em diversas áreas do
conhecimento.
O progresso nos métodos matemáticos, a descoberta do mundo mi-
croscópio e a conexão entre as forças elétricas e magnéticas, as
radiações infravermelha e ultravioleta estavam entre os principais
momentos na área da ciência. Vários países criaram instituições
voltadas em desenvolver estudos científicos.
Outros aspectos considerados importantes que aconteceram neste sé-
culo relacionam-se a Darwin (1809 – 1892) e a Pasteur (1822 – 1895).
1
36
Darwin, com a publicação de seu livro em 1859, “On the Origin of
the Species by Means of Natural Selection” (A origem das espécies
pelo significado da seleção natural), provocou uma revolução na
estrutura social do mundo.
Pasteur juntamente com Robert Koch (1843 – 1910), ao estudarem
sobre os germes microscópios que causavam diversas enfermidades
na população, criaram as primeiras vacinas.
Como você está observando, o avanço na produção científica e te-
conológica marcaram este século. Observe mais alguns deles e re-
flita sobre a importância desses inventos em sua vida.
•	 Alexadre Grahman Bell (1847 – 1922) inventa o telefone.
•	 Auguste Lumière (1862 – 1954) e Louis Lumière (1864 – 1948)
aperfeiçoam o sistema de cinematografia.
•	 Thomas Edison (1847 – 1931) inventa o fonógrafo e o micro-
fone.
•	 Marconi (1874 – 1937) inventa o telégrafo sem fio.
Antes de aprofundar os seus conhecimentos sobre ciências no sécu-
lo XX, cabe ressaltar que a produção acadêmica neste século tem
avanços significativos. Lembre-se que o século XVIII foi marcado
por rupturas do processo social vigente, mudando os paradigmas
sociais e econômicos. Rompidos os laços entre os costumes e tra-
dições, houve uma instalação e consolidação de uma nova ordem
social e econômica, cujas implicações relacionam-se diretamente
com o homem que repercutiu no século XIX.
As ciências humanas, consideradas modernas, surgiram em mea-
dos da segunda metade do século XIX (1800-1899) inspiradas nos
ditames das ciências naturais. As ciências naturais e matemáticas
já se faziam presente com seus métodos e conhecimentos científi-
cos e tudo o que se referia ao homem tinha na filosofia o seu centro
de estudo.
Essa forma de envolvimento com a sociedade coloca em evidência
a espacialidade das ciências humanas, dando margem a diversas
interpretações, partindo de referências diferenciadas.
Você já pode perceber
que a compreensão
e a explicação de
fatos inerentes e
presentes no seio
da sociedade têm
o homem como seu
ponto de convergência
científico, quer seja
no mundo do trabalho,
das ruas ou sociais.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 37
Como você pode perceber, com o advento das ciências humanas, as
teorias científicas se transformam. O pesquisador volta sua aten-
ção para o mundo que está em sua volta, alargando desta manei-
ra o seu foco de atuação. As tendências que hoje apontam para
o entendimento das ciências humanas entre ciência e o mundo e
as ciências entre si são variadas, principalmente quando se busca
entender a especificidade do seu campo de atuação. Esta reflexão
deve ser feita para que se possa refletir sobre o modelo de ciência
que vem sendo desenvolvido.
A CIÊNCIA NO SÉCULO XX
Veja agora como a ciência se fez presente no século XX. A primeira
viagem do homem à lua foi, sem dúvida, um dos destaques dos
processos científicos, que se fez presente neste século.
Para essa incursão na lua, o homem investiu muitos anos de estudos
e de pesquisas sobre o processo que iriam desfraldar. É importan-
te lembrar que estas pesquisas asseguraram enormes progressos
científicos.
Antes desta primeira viagem à lua, a então União Soviética, no
dia 04 de outubro de 1957, já tinha colocado em órbita da Terra o
primeiro satélite fabricado pelo homem – O Sputnik, e no dia 12 de
abril de 1961, Yuri Gagarin deu a primeira volta em torno do nosso
planeta.
VOCÊ SABIA QUE...
Um dos refrigerantes mais consumidos no mundo foi inventado nes-
te século pelo farmacêutico Dr. John Styth Pemberton em 1886?
Pierre de Frédy, pedagogo e historiador francês, foi o idealizador
dos Jogos Olímpicos da Era Moderna e ficou mais conhecido pelo
seu título de Barão Pierre de Coubertin?
O homem pisou na Lua
no dia 20 de julho de
1969, às 23 horas, 56
minutos e 20 segundos,
de acordo com o horário
de Brasília, a bordo da
nave apolo XI.
3838
Evidentemente, não foi somente este fato que ocorreu. Outros pro-
jetos científicos se fizeram presentes neste século alcançado pela
ciência e pela tecnologia. O estudo da ciência nunca esteve tão
presente na sociedade como se encontra neste século. É notório o
avanço do conhecimento	científi	co.
Observe mais alguns momentos vivenciados pela sociedade, no
qual a ciência se fez presente. Comece por Alberto Santos Dumont
(1873 – 1932), que a bordo do 14-BIS realizou o primeiro voo em
um aparelho mais pesado do que o ar. Atribui-se também a ele a
invenção do relógio de pulso para substituir o de bolso.
Veja outros acontecimentos científicos que marcaram este século:
•	 os estudos da biologia molecular, com a clonagem da ovelha Dolly,
realizada por investigadores do Instituto Roslin – Escócia, após a
transferência nuclear de células;
•	 a teoria quântica de Max Planck (1858 – 1947);
•	 a teoria da relatividade de Albert Einstein (1979 – 1955);
•	 a descoberta do microscópio eletrônico;
•	 a descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1881 – 1955);
•	 os estudos sobre a estrutura do átomo, entre tantos outros grandes
avanços da ciência neste século.
VOCÊ SABIA QUE...
A ovelha Dolly foi o primeiro mamífero a ser
clonado com sucesso, em 05 de julho de 1996?
Leia mais sobre a ovelha Dolly acessando o site:
http://www.ufrgs.br/bioetica/dollyca.htm
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 3939
Além dessas descobertas, o século XX traz consigo grandes movimen-
tos sociais que, de uma forma ou outra, a presença da ciência se faz
presente, como a primeira guerra mundial (1914 – 1918) e a segunda
guerra mundial (1939 – 1945), onde a pesquisa e a tecnologia bélica
criaram armamentos capazes de destruir, tais como bombas nuclea-
res, radares, mísseis que foram cruciais para o ser humano.
Trouxe também movimentos sociais capitaneados pelo processo ca-
pitalista, implantados após a Revolução Industrial, tais como:
A teoria de Henry Ford (1863 – 1947), idealizador da linha de mon-
tagem, com o objetivo de produzir mais em menor tempo e custo.
A teoria de Frederick Winslow Taylor (1856 – 1915), que revolucio-
nava a organização da empresa, visando o aumento de produção.
TEMPOS MORDERNOS (1936)
sinOPse: o clássico do Genial charles chaplin, teMpos Modernos,
retrata a interliGação da vida coM uM relóGio. o teMpo Marca a vida
de operários de uMa Fábrica onde se desenvolve boa parte da ação. o
FilMe coMeça coM iMaGens de uM rebanho de ovelhas Que, na seQuência,
são substiuídas pela iMaGeM de uM Grupo de operários saindo da Fábrica.
pela cena inicial, nota-se a pressa eM Mostrar Que a responsabilidade de
MassiFicação do proletariado corresponde ao processo de desuManiZação
iMposto pela MáQuina. teMpos Modernos Mostra uM patrão eM Que ao
MesMo teMpo brinca de Quebra-cabeça e lê Gibi e paralelaMente controla,
de sua sala, através de uM circuíto Fechado de televisão o trabalho de
seus eMpreGados. eM teMpos Modernos, carlitos é uM trabalhador da
Fábrica, eM uMa lnha de MontaGeM. o seu serviço é aJustar os paraFusos
a uMa velocidade Que não conseGue neM se coçar, seM Que haJa Quebra
no ritMo de trabalho dos coMpanheiros.
DiReÇÃO: charles chaplin
GêneRO: coMédia
eLenCO: charles chaplin, paulette Goddard, 87 Min. preto e branco,
continental
4040
Em pequenos grupos analise a história da ciência.
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Ao encerrar este tópico, você teve a oportunidade de conhecer
uma parte da história da ciência. Temos a consciência que muitos
fatos e acontecimentos que marcaram presença foram deixados ao
longo desta retrospectiva histórica da ciência.
Mas, o mais importante neste momento, embora ainda possa ter
algumas dificuldades de compreender o que é ciência, é observar
como ela está inserida em nossas vidas, bem como, a humanidade
pode ver e compreender os processos científicos que foram se
contextualizando ao longo dos tempos.
Acredito que você pode observar que a ciência, a qual se
apresenta nos dias atuais, traz em seu contexto a continuidade
dos fenômenos que foram, ao longo dos tempos, aperfeiçoando,
ampliando, buscando a sua veracidade no seio da sociedade.
Essa evolução, desde os traços rudimentares instados na pré-
história, passando pela revolução científica ocorrida nos séculos
XVI e XVII com Bacon, Copérnico, entre outros tantos momentos
de significativa importância para a sua evolução até o surgimento
de novas configurações, traz um legado que será deixado para as
futuras gerações.
Pense! A cada momento de nossa vida surgem novas descobertas
na área da saúde, no avanço na informática, na educação física,
com novas abordagens pedagógicas que permitem refletir sobre as
formas pelas quais os futuros profissionais poderão agir no processo
educacional.Todos esses avanços fazem o homem ultrapassar os seus
limites, superando todos os paradigmas até então estabelecidos.
Torna-se emergente pensar a ciência como algo mais complexo,
para isto, vamos ver na próxima seção os conceitos sobre ciência.
1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 41
SEÇÃO 2
CONCEITOS DE CIÊNCIA
Agora que você se iniciou no universo da história da ciência, é impor-
tante conhecer alguns dos principais conceitos emitidos sobre ela.
Entender os conceitos de ciência é um processo de suma importân-
cia na contextualização do seu conhecimento. A apropriação deste
conhecimento é imprescindível no seu envolvimento com a pesqui-
sa científica. Assim, conhecer, analisar e refletir sobre os conceitos
de ciência, tendo como parâmetros o que ela é, o que faz, qual o
seu valor, os seus fundamentos, é o caminho para o processo de
consecução de um trabalho científico.
Com relação ao entendimento sobre conceitos e definições, de um
modo geral, torna-se relevante analisar o que Minayo (2007,p. 19
grifo do autor) referencia a este respeito:
Os termos mais importantes de um discurso cientí-
fico são os conceitos. Conceitos são vocábulos ou
expressões carregadas de sentido, em torno dos
quais existe muita história e muita ação social.
Os conceitos são centrados em uma estrutura verbal, lógica e psi-
cológica que trazem junto de si menções filosóficas, religiosas, ide-
ológicas entre outras tantas formas.
É preciso ressaltar que o conceito de ciência é passível de múltiplos
entendimentos, o qual estará atrelado ao olhar do pesquisador.
Atente, estutande, para o fato que a ciência é considerada como
um dos meios mais transcendentes do conhecimento científico.
Dada a esta sua especificidade, Gutierrez (2005) enfatiza que um
dos critérios fundamentais deste processo está relacionado com a
verdade, apesar destas serem consideradas como relativas, pois ao
longo dos tempos as mesmas são superadas.
Em relação a um conceito mais moderno, Gutierrez (2005, p.10)
demonstra que o mesmo está intimamente atrelado a “possibili-
42
dade de mensuração e repetição de um fenomeno empírico”, en-
fatizando que a interpretaçao dos dados científicos não pode ser
conduzida de forma radical, enquanto material imprescindível da
produção científica, pois isso viria de encontro aos ditames estabe-
lecidos para a área de ciências humanas, o que tornaria de certo
modo inaceitável.
Ao analisar a manifestação de Gutierrez, seria interessante obser-
var que a ciência não pode ser contemplada como um produto ro-
mântico, manifestado por aqueles que a colocam como uma obra
sublime ou ainda de forma arbitrária atrelada à fantasia do homem
e tampouco como forma especulativa por natureza. Esta deve sim
ser vista como uma das formas mais completas de integração e
ajustamento do modo de ser do homem com a realidade em que
vive.
E para você, a partir do conceito de ciência apresentado por
Gutierrez, como a ciência pode ser considerada? Escreva
este entendimento nas linhas abaixo.
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Outro autor que estabelece uma reflexão sobre os conceitos emi-
tidos para a ciência é Barros. Nos seus apontamentos, você vai
encontrar novos encaminhamentos para entender o conceito sobre
ciência. Barros (2007, p. 49) destaca que:
[...] a ciência é concebida por alguns estudiosos
da questão como um conjunto de conhecimentos
que se dá pela utilização adequada de métodos
rigorosos, capazes de controlar os fenômenos e
fatos estudados.
Vale ressaltar que para Barros este conceito, em todas as formas,
exclui alguns encaminhamentos dos processos da pesquisa prove-
nientes das ciências sociais e humanas.
1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 43
Tal reflexão se torna particularmente fundamental para o entendi-
mento a ser consignado para ciência. Apesar do homem na inces-
sante busca por novos horizontes científicos ampliar seus conheci-
mentos, não consegue resolver os problemas sociais, presentes no
dia a dia da sociedade.
É importante ressaltar também que Marconi (2008, p. 23) destaca
vários conceitos sobre ciência e concentra suas atenções sobre os
emitidos por Ander-Egg e Trujillo. Considera-os mais abrangentes
que os demais por apresentarem:
[...] a ciência como um pensamento racional, ob-
jetivo, lógico e confiável, ter como particularidade
o ser sistemático, exato e falível, ou seja, não final
e definitivo, pois deve ser verificável, isto é, sub-
metido à experimentação para a comprovação de
seus enunciados e hipóteses [...].
Em relação ao conceito emitido por Ander-Egg, Marconi(2008, p.
22) demonstra que:
[...] a ciência é um conjunto de conhecimentos
racionais, certos ou prováveis, obtidos metodica-
mente sistematizados e verificáveis, que fazem
referência a objetivos de uma mesma natureza.
A respeito do conceito emitido por Trujillo e Marconi ( 2008, p. 22)
destaca que:
[...] a ciência é todo um conjunto de atitudes
e atividades racionais, dirigidas ao sistemático
conhecimento com objetivo limitado, capaz de
ser submetido à verificação.
Ao mapear os conceitos emitidos/utilizados por Marconi, você
poderia inicialmente dizer que eles caminham numa mesma dire-
ção. A linguagem utilizada pelos autores em relação aos conceitos
emitidos exprimem metodologicamente a ideia de que a ciência
representa a forma mais elevada de engajamento, vinculada ao
pensamento racional, ao objetivo, ao lógico e de ser plenamente
confiável.
44
É de bom alvitre você também tomar ciência do conceito emitido
sobre as ciências humanas.
Gutierrez destaca a importância do processo científico tendo como
suporte as ciências humanas. A demonstração desta sua afeição pe-
las ciências humanas está explícita quando refere-se que a mesma
está atrelada com a história da humanidade, quer seja pelas ma-
nifestações religiosas, ao tipo de maneiras, ao desenvolvimento da
escrita, entre outros tantos momentos que foram sendo construí-
dos e que estão de certa forma vinculados com a cultura dos povos.
A fim de explicitar melhor o envolvimento das ciências humanas no
contexto da sociedade, Gutierrez (2005, p. 10) demostra que:
[...] a produção em ciências humanas caracteriza-
se por ser rigorosa ao apresentar modelos teóricos
que atendam às exigências metodológicas e que
se fundamentam numa comprovação de validade
através da adequação à realidade concreta e pelo
debate entre os pares.
Observe que na conjunção desses fatores, Gutierrez (2005, p. 11)
demonstra que não é conveniente estabelecer comparações desta
com outras áreas de pesquisa. Enfatiza que é necessário observar a
“especificidade do campo de conhecimento em humanas”.
Evidentemente que é necessário entender que as reflexões, os de-
bates e as contribuições que advém das ciências humanas visam
estabelecer parâmetros iguais ou até mesmo superiores de outras
áreas científicas.
Há, assim, boas maneiras de entender a importância das ciências
humanas. Neste caso podemos distinguir perfeitamente a contri-
buição que esta traz para a melhoria da condição de vida do ho-
mem.
Ao criar este cenário enfatiza “que a produção teórica do campo
das ciências humanas se propaga, interfere e molda condutas no
seio da sociedade” (GUTIERREZ, 2005, p.13).
Gutierrez, ao contextualizar a importância das ciências humanas
as ciências humanas,
tendo como suporte
o seu acúmulo
histórico, dentro de
um processo reflexivo
e problematizador da
realidade social pode
ser um caminho para a
inserção da educação
física dentro do
processo científico?
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 45
para a sociedade, enfatiza que a sua função precípua está centrada
em contextualizar um registro sistematizado dos conhecimentos,
estabelecendo, desta maneira, uma integração ampla entre ciên-
cia e sociedade, moldando assim as condutas do ser humano.
Chaui (2000) considera a situação das ciências humanas como mui-
to especial e destaca que estas passaram por três momentos:
PRIMEIRO
A FENOMENOLOGIA, a qual traz
como princípio básico o estudo
dos fenômenos, buscando o en-
tendimento do mundo por in-
termédio das atividades do ser
humano, formulada dentro de-
suas próprias experiências.
SEGUNDO
O ESTRUTURALISMO, “o qual
veio permitir que as ciências
humanas criassem métodos es-
pecíficos para o estudo de seus
objetos, livrando-as das expli-
cações mecânicas de causa e
efeito, sem que por isso tives-
sem que abandonar a ideia de
lei científica” (Disponível em
http://br.geocities.com, unida-
de 7, capítulo 4).
TERCEIRO
A contribuição do MARXISMO, o
qual oportuniza uma flexibilida-
de maior a este método. Permi-
te que o pesquisador compreen-
da os fatos humanos envolvidos
nas estruturas sociais e históri-
cas e não somente pelo signifi-
cado pelo qual é construído.
46
Sobre a fenomenologia, estruturalismo e marxismo você poderá
aprofundar seus estudos nos estudos de Marilena Chauí. Pesquise
em http://br.geocities.com.
Assim, o estudo sobre CIÊNCIAS HUMANAS fornece uma compre-
ensão detalhada, a qual você pode considerar que um dos progres-
sos substanciais referendados para ela encontra-se no reconhe-
cimento mundial dos cientistas a respeito de sua aplicação. Por
mais avançada que seja a ciência, a principal virtude das ciências
humanas é a sua contribuição ao desenvolvimento social e cultural
da sociedade. O homem não é um ser abstrato, isolado, mas sim,
um ser que vive, pensa e interage nos meios sociais, econômicos,
culturais, entre outros. A sua historicidade revela um traço defini-
dor de seu significado, o qual se constitui na sua grandeza.
Lembre-se que a sociedade se caracteriza por movimentos sociais,
culturais, econômicos e políticos, denominados por capitalismo,
neo-capitalismo, globalização, era da informação, era do conhe-
cimento, entre outras tantas formas que se manifestam em nossas
vidas trazendo em seu bojo impactos consideráveis para o sistema
de vida do homem.
No que se trata sobre as CIÊNCIAS SOCIAIS é interessante você
conhecer o que diz Minayo (2007) ao analisar os encaminhamen-
tos referentes à ciência e cientificidade. Destaca que o campo
científico, apesar de sua normatividade e ser envolvido por con-
flitos e contradições, apresenta as diferenças existentes entre as
ciências da natureza e as ciências sociais. Diferenças estas que
segundo a autora se desdobram em diversas questões. Um dos
fatores mais relevantes aventados refere-se que a cientificidade
“tem que ser pensada com uma ideia reguladora de alta abstra-
ção e não como sinônimo de modelos e normas a serem seguidos”
Minayo (2007, p. 11).
Em relação às ciências sociais, Minayo (1994, p.13) demonstra que
o seu objeto é histórico, que busca o entendimento científico do
mundo social, ao afirmar que:
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 1 47
COMPREENDA
Encontramos nestas palavras de Minayo uma das chaves para bem
entender o avanço significativo que as ciências sociais tiveram para
a sua consolidação no seio da sociedade. Os pressupostos aventa-
dos para a compreensão do homem, quer seja de forma individual
ou em configurações sociais, os movimentos sociais, a composição
social, vieram consolidar uma visão científica, dentro de um con-
texto definido pela racionalidade e objetividade, visando entender
a sociedade como um todo.
Na presente abordagem sobre os conceitos de ciência explicita-se
que ela pode ser considerada como um conjunto de práticas que
têm como suporte princípios ordenados de forma metódica, no afã
de sistematizar ações para a busca de entendimentos da realidade
vivenciada no seio da sociedade.
Agora que você já conhece alguns dos principais conceitos
de ciência, que tal elaborar o seu?
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1
Sociedades humanas existem num determinado es-
paço cuja formação social e configuração são es-
pecíficas. Vivem o presente marcado pelo passado
e projetado para o futuro, num embate constante
entre o que está sendo contruído.
Minayo, ao referenciar os aspectos científicos das ciências sociais
como fator preponderante na busca pela objetivação social, traz
como escopo de sua posição, que o seu objeto é qualitativo, pois
trabalha com os seres humanos, atrelando, desta maneira, em seu
contexto visões de mundo construídos ao longo da história da hu-
manidade.
48
SEÇÃO 3
A CIÊNCIA E SUA CLASSIFICAÇÃO
Com o propósito de estabelecer parâmetros científicos bem defini-
dos, por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa, conhecer
as classifi	cações/divisões consignadas para a ciência se torna ne-
cessário.
As descobertas serão muitas, sobretudo no campo do conhecimen-
to e na condução dos entendimentos sobre os caminhos designados
para a ciência. As teorias referentes à classificação/divisão trazem
em seu contexto várias generalizações nas suas conclusões e inter-
pretações.
Os fi	lósofos	gregos foram os primeiros a elaborar uma classificação
para ciência. Isto se deu em função de que buscavam estabelecer
uma ordem para o estudo das ciências. Observe como Aristóteles
classificava a ciência:
CIÊNCIAS TEÓRICAS Consideradas como-
especulativas.
Física
Matemática
Metafísica
CIÊNCIAS PRÁTICAS Objetivam direcio-
nar as ações sobre as
atividades humanas.
Ética
Economia
Política
CIÊNCIAS POLÍTICAS Objetivam as produ-
ções exteriores.
Poética
Retórica
Fonte: adaptado pelos autores de BaRROS, aidil; LEHF ELD, Neid. Fundamentos da
Metodologia Científica. 2007. p.57.
As reflexões feitas por Thomas Hobbes, filósofo e cientista inglês,
no tocante a classificação da ciência, trazem em sua essência uma
abordagem centrada na natureza humana, governos e sociedade.
Tendo como pano de fundo a sua obra, Leviatã proporcionou um
estudo sobre o absolutismo político que sucedeu a supremacia da
Igreja medieval. Esta obra foi considerada por muitos críticos como
a sua obra prima. Ao ter a sociedade como centro de seus estudos
estabeleceu a seguinte classificação.
Você sabia que os
filósofos foram os
primeiros a classificar/
dividir a ciência? Pois
foram!
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 49
Ciência Histórica Trata dos fatos
Ciência Filosófica Trata dos antecedentes e consequentes
Outro filósofo que traz sua contribuição para a ciência é Francis
Bacon. Em seus apontamentos dedicou-se a estabelecer fundamen-
tos teóricos da nova ciência, que deveria trazer em seu contexto
o domínio da realidade pelo homem. Estabelece uma classificação
centrada em três momentos, assim expressos:
•	 Ciência da Memória;
•	 Ciência da Imaginação;
•	 Ciência da Razão.
É importante também você conhecer a classificação elaborada por
August Comte, considerado como um dos ícones do positivismo e
criador da sociologia. Os seus ensaios oportunizam uma reflexão
centrada em dois momentos:
1º
Estabelece um ponto de parti-
da sobre a evolução do nosso
desenvolvimento, centrado em
três momentos sucessivos: o te-
ológico, o metafísico e o posi-
tivo.
2º Trata-se da classificação pro-
posta para a ciência.
Pelo que você pôde constatar, a proposta elaborada por Comte,
baseada na complexidade crescente, estabelece a seguinte se-
quência: matemática, astronomia, física, química, biologia e so-
ciologia.
Fonte:Adaptado pelos autores de BARROS,Aidil; LEHF ELD, Neid. Fundamentos da Metodologia
Científica. 2007. p.57.
50
CIÊNCIAS
MATEMÁTICAS
Teorias Aritmética
Álgebra
Geometria
Aplicadas Mecânica racional
Astronomia
FÍSICO-QUÍMI-
CAS
Física Química
Minerologia
Geologia
Geografia Física
BIOLÓGICAS Botânica
Zoologia
Antropologia
MORAIS
Sociais e Políti-
cas
Psicologia
Estética
Lógica
Moral
Psicológicas História
Geografia Humana
Arqueologia
Históricas
Sociologia
Direito
Economia
Política
METAFÍSICAS Cosmologia
Psicologia Racional
Teologia racional
Agora que você viu a classificação elaborada por Comte, a qual
vários outros autores utilizaram para estabelecer novos parâmetros
conceituais e classificatórios sobre ciência, dê uma olhada na clas-
sificação elaborada por Mario Bunge.
Bunge, preocupado com a crise que se instaurou sobre ciência,
apresenta o seu conceito declarando ser este um estilo de pen-
samento. A teorização proposta por Bunge, exposta no quadro a
seguir, auxilia a compreensão de seus estudos, no qual levou em
consideração a diferença da natureza dos objetos, dos enunciados
e da metodologia aplicada.
Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p.25/6.
O lema “Ordem e
Progresso”, da nossa
bandeira nacional, foi
inspirado na doutrina
positivista do filósofo
francês august Comte.
Fonte: www.coqueteclando.
wordpress.com
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 51
CIÊNCIAS
FORMAL
Lógica
Matemática
Naturais
Física
Química
Biologia
FACTUAL
Psicologia individual
Culturais
Psicologia social
Sociologia
Economia
Ciências Políticas
História Material
História das Ideias
Visto esta classificação, é importante agora que você conheça a
classificação contextualizada por Marconi e Lakatos (2008, p.28).
Estas autoras baseiam-se na classificação adotada por Bunge e
destacam as diferenças entre as ciências formais e factuais. Esta
classificação centrada nas ciências formais e factuais traz em seu
contexto o que há de mais representativo dentro deste processo.
CIÊNCIAS
FORMAIS
Lógica
Matemática
Natural
Física
Química
Biologia
FACTUAIS
Outras
Cultural
Antropologia Cultural
Direito
Economia
Política
Psicologia Social
Sociologia
Como você já viu as diversas formas de classificação da ciência,
observe outro aspecto que é importante. Trata-se das diferenças
existentes entre a ciência formal e factual apresentadas por Barros
(2007, p.59), no tocante às ciências formais e factuais.
Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p. 27.
Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p.28.
52
Ciências formais Ciências factuais
Características
Possuem objetos
de estudo deter-
minados por um
sistema de defi-
nição de axiomas
mais ou menos
explícito nos sis-
temas operatórios
que os originaram.
Possuem objetos de
estudo suscetíveis
de ser vinculados se-
gundo procedimentos
regulados por cons-
tatações sensíveis e
sensitivas.
Esquematização atra-
vés de explicação
a) esquema casu-
al: supõe-se uma
dependência de
causa e efeito en-
tre os fenômenos;
b) Esquema de
mensuração e de
probabilidade.
a) Esquema casual;
b) Esquema funcional;
c) Esquema estrutural;
d) Esquema dialético;
e) Esquema fenome-
nológico.
Completando a visão sobre a classificação: divisão de ciência serve
para situá-lo dentro do contexto científico como um todo dentro de
seus aspectos metodológicos, ideológicos e conceituais.
Conforme você viu, não há uma única forma de classificar e/ou
dividir a ciência. Cada olhar, reflexão, entendimento, com os avan-
ços constantes dos processos científicos, faz surgir novas formas
classificatórias.
Converse com seus amigos contextualizando sobre a
classificação da ciência.
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Fonte: Quadro adaptado de Barros, 2007, p. 59
1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 53
Síntese
Nesta unidade você estudou sobre ciência, de maneira que no fu-
turo possa entender e relacionar o conhecimento científico e os
processos sistematizados sobre pesquisa que serão apresentados
posteriormente.
Na primeira seção você viu a história da ciência desde os primór-
dios da humanidade, quando o homem utilizava de observações
sobre a natureza, as quais tinham uma estreita ligação com o seu
modo de viver. Posteriormente, foi para a Grécia antiga onde a
presença dos filósofos foi fundamental para os avanços do proces-
so científico para a humanidade. A magia e as superstições deram
lugar à ciência. Na sequência, viu no século XVII o surgimento do
processo científico denominado de empirismo e da experimenta-
ção. No século XVIII, foi possível identificar um grande avanço da
ciência.
A tecnologia começou a se fazer presente nos processos científicos
trazendo inúmeras descobertas. A Revolução Industrial veio modifi-
car a relação entre o trabalho e o capital, o qual oportunizou uma
série de mudanças na sociedade.
Dando sequência nesta história, viu que o século XIX foi recheado
de descobertas e avanços nos processos científicos e, no século XX,
os avanços nos estudos da biologia molecular, na clonagem da ove-
lha Dolly, nas células-tronco e o sequenciamento do genoma huma-
no foram os grandes momentos científicos vivenciados até então.
Na segunda seção você viu os conceitos emitidos sobre ciência. O
conhecimento desses conceitos traz em sua essência a contextuali-
zação do seu conhecimento a respeito de ciência dentro de princí-
pios educacionais, os quais consideramos como imprescindível para
o seu envolvimento com a pesquisa científica.
Na terceira seção, a abordagem foi em relação à classificação da
ciência. Nesta seção, o objetivo centrou em apresentar a classifica-
ção da ciência com o intuito de estabelecer parâmetros científicos,
bem definidos, por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa.
54
Lembre-se, mais uma vez, que os conhecimentos adquiridos nesta
unidade vão servir de base para futuros encaminhamentos que se
apresentarão na sua caminhada no ensino superior. Esperamos que
você tenha aproveitado bem esta unidade, pois entendemos que
ela é de suma importância na sua formação acadêmica. O conheci-
mento não pode mais estar desvinculado dos processos científicos.
Escolha um tema relacionado com a educação física
que considere importante para ser estudado na escola
(exemplo: as olimpíadas, jogo, esporte e os problemas
da juventude, as mudanças de hábitos e costumes por
intermédio da atividade física). Procure relacioná-lo com
os conhecimentos adquiridos nesta unidade.
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Descreva alguns fatos relacionando ciência e Educação
Física que, na sua opinião, considera importante para ser
estudado na escola.
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Sobre as várias interpretações sobre o conceito de ciência,
apresentado na terceira seção, responda:
a) qual o conceito possível para nosso tempo?
b) o que eles têm em comum?
Em relação à classificação da ciência, apresentado na
quarta seção, responda.
a) qual classificação você considera como a ideal para
a Pedagogia? Por quê?
b) o que as classificações têm em comum? Relacione-as.
Elabore uma linha do tempo, com os acontecimentos que
você considera como os mais significativos desde a Grécia
antiga até o século XX.
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1
2
3
4
5
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 1 55
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Anotações
Conhecimento
2
unidade
ObjetivoS dESTA unidade:
Diferenciar os tipos
de conhecimentos;
Conhecer os principais
métodos que
constroem as bases
lógicas da produção
do conhecimento ;
Diferenciar método de
metodologia científica.
ROTEIRO DE ESTUDOS
•	 SEÇÃO 1 – Tipos de conhecimentos
•	 SEÇÃO 2 – O processo de conhecimentos
•	 SEÇÃO 3 – O conhecimento científico
•	 SEÇÃO 4 – Metodologia científica e método científico
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
58
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Até hoje, você construiu formas de compreender o mundo, a
sociedade, a família, a amizade, via a vivência em ambientes
diversos. Seja em casa, na igreja, na escola, no momento de
lazer, você construiu formas de conhecimentos que passam pelo
processo de comunicação.
Discutir sobre essas formas de aquisição de conhecimentos será
um dos objetivos dessa segunda unidade. Mais ainda, aprofundar
os tipos de conhecimentos num processo de construção do
mesmo. Qual seria o caminho a percorrer para construir um
conhecimento novo? Como estabelecer formas de construir e
verificar determinados tipos de conhecimentos ?
As perguntas apresentadas acima direcionam você a uma reflexão
sobre as formas de se conhecer. Essas formas servirão para que
você adentre ao universo do conhecimento científico. Como
exemplo, Marconi e Lakatos (2000) apresentaram em sua obra
formas de conhecimentos. Entre essas formas, surge a relação
entre o conhecimento e a ciência. Essa relação entre ciência e
conhecimento científico é apresentada nas cinco subdivisões do
livro. Na primeira, discute-se o conhecimento científico e outros
tipos de conhecimentos; na segunda, o conceito de ciência; na
terceira, a classificação e divisão da Ciência; na quarta, ciências
formais e factuais; e na quinta, parte do capítulo apresenta-se
as características das ciências factuais. Por essas subdivisões,
você pode perceber que não é simples discutir o conhecimento
e os meios pelos quais eles são produzidos.
Portanto, nessa segunda unidade, você centrará a atenção
sobre os tipos de conhecimentos, tendo como foco a articulação
desses tipos com a construção do seu conhecimento, sobretudo
o conhecimento científico.
Você verá que o conhecimento pode vir de diversas fontes. Viegas
(2007, p. 11) atenta ao fato de diferenciá-los, compreendê-los,
para que você não caia em uma de duas armadilhas conhecidas
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 59
que ocorrem quando você inicia a busca por novos conhecimentos.
Seria “frustrar-se na busca utópica de uma certeza impossível
na ciência ou enredar-se no subjetivismo ideológico igualmente
incompatível com ela”.
Veja as possibilidades do conhecer para não cair nessas
armadilhas.
SEÇÃO 1
TIPOS DE CONhECIMENTOS
Com o intuito de diferenciar os tipos de conhecimentos, Marconi e
Lakatos (2000) apresentam uma situação histórica relacionada à
agricultura, desde a Antiguidade, em que se diferenciam tipos de
conhecimentos.
Nessa evolução, tanto pessoas iletradas quanto pessoas que se
aperfeiçoaram no processo de plantio possuem conhecimentos pro-
venientes de locais diferentes. Os conhecimentos a que as autoras
se referem seriam:
[...] vulgar ou popular, geralmente típico do cam-
ponês, transmitido de geração para geração por
meio da educação informal e baseado em imi-
tação e experiência pessoal; portanto empírico e
desprovido de conhecimento sobre a composição
de solo, das causas do desenvolvimento das plan-
tas [...]; o segundo, científico, é transmitido por
intermédio de treinamento apropriado, sendo um
conhecimento obtido de modo racional, conduzido
por meio de procedimentos científicos.
Visa explicar ‘por que’ e ‘como’ os fenômenos ocor-
rem, na tentativa de evidenciar os fatos que estão
correlacionados, numa visão mais globalizante do
que relacionada como um simples fato [...] (MAR-
CONI; LAKATOS, 2000, p. 16).
a ideia foi a de
mostrar a evolução dos
conhecimentos relativos
ao período de plantio,
de colheita, de manuseio
de grão, a inclusão de
maquinários, a utilização
de fertilizantes etc.
60
Não seria necessário retomar exemplos desde a Antiguidade. Basta
refletir sobre a realidade cotidiana. Dois aspectos sobre os conhe-
cimentos apresentados acima chamam a atenção:
O primeiro seria a ideia do conhecimento popular, também conheci-
do como senso comum, adquirido empiricamente no meio informal.
Seria a mesma situação em que qualquer indivíduo
adquire o conhecimento sobre jogos e esportes por
meio do convívio com a família, os amigos, no am-
biente familiar ou na rua. Quem não aprendeu a
jogar “bolinhas de gude”? Quais as variações deste
jogo? “Linha”, “triângulo”, “buraco” seriam alguns
exemplos. Os conhecimentos referentes à técnica,
as regras são transmitidas de geração para geração
e normalmente jogava-se na rua, ambiente infor-
mal. Não se poderia pensar a mesma situação para
o “bete ombro”?
Ou seja, o empírico a que o texto se refere estaria relacionado
às experiências vivenciadas no cotidiano. Quem não teve acesso
a informações referentes a análises sobre os jogos de futebol efe-
tuados em ambientes como o do clube, do bar, ou em conversas
com amigos? Discussões acaloradas de torcedores apaixonados que
tendem a explorar conhecimentos repassados pelos colegas, pelas
suas experiências, pela mídia etc.
O segundo aspecto seria o conhecimento científico, transmitido
via treinamento, e sua obtenção por meio racional, via procedi-
mentos científicos. Via de regra, este conhecimento é transmitido
pelo ambiente formal. Este conhecimento é produzido, armazena-
do e transmitido no meio universitário.
Por mais que a questão levantada acima possa ser genérica, a sua res-
posta não se concretiza pela experiência no meio informal. Seria ne-
cessária uma investigação metódica, via procedimentos técnicos, que
permita recolher informações a respeito do que são procedimentos
pedagógicos, tanto na teoria quanto na prática. Também necessitaria
de instrumentos de coletas de dados para que os mesmos sejam ana-
lisados para somente após serem transformados em documentos com
informações confiáveis. Nesses dois exemplos são determinadas dife-
renciações entre o conhecimento popular e conhecimento científico.
Quais os procedimentos
pedagógicos mais
utilizados atualmente
pelos profissionais da
Educação Física nas
escolas brasileiras? Não
se discute isto no senso
comum. Esta seria uma
pergunta que necessita
aprofundamento.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 61
QUAIS SERIAM?
Porém, existem outras características que permitem articular a di-
ferenciação entre os conhecimentos.
Basicamente pela “forma, o modo ou o método e instrumentos do
“conhecer” (MARCONI; LAKATOS, 2000, p. 16). Trazendo os exem-
plos para a Educação Física, nos jogos citados acima (bolinha de
gude e o bateombro) existem pessoas que sabem como jogar, sa-
bem que existe diversão em torno dos jogos e em função dessa
diversão surge a demonstração de prazer quando da participação.
Esses saberes podem ser considerados um conhecimento verdadei-
ro e comprovável, porém não científico.
No exemplo dado por Marconi e Lakatos, para um estudo ser cien-
tífico seria necessário conhecer categorias como a natureza, com-
posição, ciclo de desenvolvimento e as particularidades de uma
determinada espécie. A utilização de categorias é marcante no
exemplo. Lembre que os autores se referem a plantação de deter-
minadas safras. Você deve pensar em categorias a serem usadas
nos exemplos sobre a Educação Física.
Qual a natureza do jogo e das brincadeiras para
o ser humano? Todas as pessoas independentes da
idade jogam e brincam da mesma forma e intensi-
dade? Os jogos são os mesmos em todas as regiões?
Qual o método mais adequado a ser empregado
numa pesquisa com essas preocupações? Quais os
instrumentos pelos quais você poderá recolher in-
formações a respeito do assunto?
Diante do exposto, via Marconi; Lakatos (2000,p. 16), o que fica
explícito é que:
[...] a ciência não é o único caminho de acesso ao
conhecimento e à verdade; um mesmo objeto ou
fenômeno [...] pode ser matéria de observação
tanto para cientista quanto para o homem comum;
o que leva um ao conhecimento e outro ao vulgar
ou popular é a forma de observação.
62
Em relação à diferenciação desses dois tipos de conhecimentos, as
autoras apresentam a interpretação de que ambos buscam a racio-
nalidade. Ou seja, ambos os conhecimentos procuram a lógica.
Porém, o conhecimento científico baseia-se em teorias, pelas quais
se busca a “construção de imagens da realidade, verdadeiras e im-
pessoais” que transcendem a vivência particular. Busca-se um co-
nhecimento por intermédio de construção de hipóteses (respostas
provisórias a um problema) que são submetidas “à verificação pla-
nejada e interpretada com o auxílio de teorias”(MARCONI; LAKA-
TOS, 2000, p.17).
Como diferenciar um conhecimento do outro?
Existem detalhes que nos auxiliam a entender melhor
esta divisão para compreender a ciência?
Marconi e Lakatos abordam o bom senso como uma forma espon-
tânea de conhecer, sendo, no entanto, um conhecimento limitado,
obtido de forma direta nas experiências com os fenômenos e seres
humanos. Esta limitação tem como parâmetro a busca pela racio-
nalidade e objetividade.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 63
Utilizando-se de Ander-Egg (1978, p.13-14), as autoras caracteri-
zam o conhecimento popular como superficial, sensitivo, subjeti-
vo, assimétrico e acrítico. Veja:
SUPERFICIAL
pelo fato de conformar-se
com a aparência, não se apro-
funda para explicar os fenô-
menos; sensitivo pelo fato de
relacionar o conhecimento
com as emoções vivenciadas.
SUBJETIVO
por considerar a organiza-
ção do conhecimento pela
experiência do sujeito.
ASSIMÉTRICO
por não existir uma preo-
cupação em organizar as
ideias.
ACRÍTICO
por não haver um tratamen-
to crítico para verificar a
veracidade dos fatos viven-
ciados.
Para melhor compreender as diferenças de conhecimentos Vie-
gas(2007, p.23) apresenta uma Tipologia do Conhecimento. Nessa
Tipologia existe um plano cartesiano sobre o conhecimento.
Marconi e Lakatos entendem:
Racionalidade como uma sistematização coerente de
enunciados fundamentados e passíveis de verificação.
Objetividade seria o ideal da objetividade, é apresen-
tado pelas autoras como uma procura de adaptação
aos fatos ao invés de especulações em controle.
64
Marconi e Lakatos também apresentam quatro tipos.
Para Viegas, uma das diferenciações possíveis seria dividir aqueles
conhecimentos em função do plano do sentimento e da razão. Tanto
o conhecimento religioso quanto o ideológico estariam próximos ao
plano do sentimento enquanto o científico e religioso estariam próxi-
mos ao plano da razão. Para Marconi e Lakatos o que diferencia o co-
nhecimento científico dos demais seria seu contexto metodológico.
As autoras recorrem a Trujillo (1974, p.11) para apresentar as carac-
terísticas de cada tipo de conhecimento. O conhecimento popular
é caracterizado como um conhecimento valorativo, reflexivo, as-
sistemático, verificável, falível e inexato. Vejam as especificações:
Valorativo no sentido de que o sujeito que conhece algo deixa
este conhecimento ser influenciado pelo sistema de valores que
ele possui. Fazendo isto, toda compreensão de um novo fenômeno
é mediado pelo estado de humor, sentimento que o sujeito possui
no momento, contaminando este fenômeno;
O que mais diferencia
estes conhecimentos?
Quais seriam as
características de cada
tipo?
Seriam os conhecimentos “religioso, ideológico, cien-
tífico e filosófico”.
Seriam “o conhecimento popular, o conhecimento
científico, o conhecimento filosófico e o conhecimen-
to religioso”.
Fenômeno pode ser entendido por qualquer objeto de
conhecimento contextualizado no tempo e no espaço.
Poderia ser um novo jogo, as relações interpessoais que
ocorrem num evento, como em um jogo. Ou seja, pode-
ria ser qualquer acontecimento em que o sujeito vivencia
em um determinado lugar e em determinado momento.
Para aprofundar esta discussão, verifique a diferença en-
tre fenômeno e tema proposto por Richardson (1999).
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 65
Refl	exivo, um conhecimento que não pode ser formulado para ex-
plicações gerais, pois a limitação dessa reflexão é feita pela fami-
liaridade do sujeito com o objeto;
Assistemático pelo fato da organização do conhecimento se limi-
tar ao plano da experiência do indivíduo e não das ideias que per-
mitam uma explicação mais abrangente;
Verifi	cável em relação a experiência vivenciada pelo sujeito;
Falível e Inexato pelo fato de ser superficial.
Vamos compreender
estas características.
Por que valorativo e
racional?
SÍNTESE
O sujeito contenta-se com a aparência, acredita em situações ape-
nas contadas por outras pessoas. O conhecimento popular poderia
ser caracterizado como aquele em que o indivíduo adquire pela
vivência de situações nas quais a interação é direta e sua apre-
ensão se dá de forma automática, sem maiores reflexões sobre o
fenômeno ou objeto vivenciado.
Outro conhecimento apresentado por Marconi e Lakatos seria o
fi	losófi	co. As características deste conhecimento seriam: valorati-
vo, racional, sistemático, não verificável, infalível e exato.
Valorativo pelo fato de que este tipo de conhecimento parte de
experiências que criam hipóteses (respostas provisórias) não ve-
rificáveis. Quer-se dizer que as hipóteses não são aplicáveis à ob-
servação. A racionalidade deste conhecimento deve-se ao fato de
que existe uma correlação lógica aos enunciados; sistemático pelo
fato de existir uma representação coerente da realidade, por meio
das hipóteses e enunciados; não	verifi	cável,	infalível e exato pelo
fato de que as hipóteses não podem ser confirmadas, nem refuta-
das, pois não são passíveis de observação.
O terceiro tipo de conhecimento seria o religioso. Suas caracterís-
ticas? Valorativo, inspiracional, sistemático, não verificável, infa-
lível e exato. Quando há referência a este tipo de conhecimento
teológico, diz-se que é um conhecimento que contém dogmas.
66
Marconi e Lakatos, apoiando-se em Trujillo, demonstram que é
inspiracional pelo fato de ser um conhecimento que é obtido por
revelações que vieram do sobrenatural. Por isso mesmo, são infa-
líveis e indiscutíveis. Salienta-se que a característica de sistema-
tização refere-se ao fato de que o mundo é organizado e explicado
pela noção de origem, significado, finalidade e destino. Por último,
os argumentos apresentados para o conhecimento não	ser	verifi	cá-
vel está justamente no fato de que as verdades são reveladas via o
sobrenatural e a fé é que sustenta sua aceitação.
O quarto e último conhecimento apresentado seria o científi	co.
Suas características?
Real, contingente, sistemático, verificável, falível,
aproximadamente exato.
Quando existe a referência ao conhecimento real, associa-se o termo
factual para reforçar esta característica. Por quê? Por lidar com fatos,
acontecimentos, fenômenos observáveis. Contingente pelo fato de
utilizar de experimento para falsear ou dar veracidade as proposições
e/ou hipóteses. Sistemático, pelo fato de ordenar as ideias de tal for-
ma que se constroem teorias. Verifi	cável, caso o conhecimento não
seja passível de observação e confirmação não se enquadra no conhe-
cimento científico. Falível e aproximadamente exato por considerar
que o conhecimento não é definitivo. Sempre poderá ser modificado.
Dialogue com seus colegas de sala sobre os tipos de
conhecimentos apresentados.
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Viegas (2007, p12)
referencia alguns
autores que fazem
uma discussão
aprofundada entre
cada um dos tipos
de conhecimentos.
alguns contrapondo um
conhecimento a outro.
1
Dogmas de fé que são sagrados, por isso, valorativo.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 2 67
SEÇÃO 2
O PROCESSO DE CONHECIMENTO
O processo de conhecimento depende de múltiplos fatores. Desde
o nascimento até a entrada na universidade, vários foram os am-
bientes vividos que estimularam você a adquirir informações pelas
quais você optou armazenar de uma forma ou outra.
Entre estes ambientes temos o ambiente familiar, o
ambiente escolar, algum ambiente religioso, o meio
formal de ensino, o ambiente da rua ou os campinhos
de futebol (local em que você pode ter conhecido vários
amigos). Em vários destes ambientes o tipo de convivência
proporcionou experiências que pode tê-lo levado a um
dos tipos de conhecimentos relacionados anteriormente.
No entanto, como ocorre o processo de conhecimento?
Viegas (2007) apresenta o processo pelo qual surgiram formas de
conhecimento. Para ele, o ser humano conhece via um processo
intelectual pelo qual ele consegue pensar e processar conceitos e
ideias. Estes conceitos e ideias são filtrados, por assim dizer, pelos
sentimentos e pela razão. Em função da multiplicidade de compre-
ensões que surgem via este filtro é que se teria um tipo de conhe-
cimento específico.
Em função desta explicação é que foram apresentados
o conhecimentos religioso e ideológico - mais próximos
do sentimento - e o conhecimento científico e filosófico
mais próximos da razão.
68
Em todo o processo de aprendizagem existem formas pelas quais
as informações são absorvidas pelo ser humano. Viegas apresenta
duas correntes históricas provenientes da Grécia antiga para expli-
car a formação das ideias por meio das sensações:
“O idealismo platônico e o realismo aristotélico”.
Nessa linha de raciocínio, desde Aristóteles a “sensação seria um
processo pelo qual se forma o conhecimento” (VIEGAS, 2007 p. 18).
Esta interpretação começa a mudar com Descartes, que aponta
para a sensação como uma captação dos movimentos que provêm
às coisas, sendo a unidade elementar do conhecimento.
Viegas apresenta mais uma interpretação com base em Kant para a
sensação, demonstrando a evolução na forma de conhecer e a multi-
plicidade de formas de conhecer. Para Kant, a sensação seria “o efei-
to de um objeto sobre a faculdade de representação, tão logo somos
afetados por ele”(VIEGAS, 2007, p.18). O que torna interessante este
processo para seu estudo é verificar que no processo de construção
de ideias as sensações são os meios pelos quais se percebe um objeto
e esta percepção chega ao intelecto. O sabor depende da análise do
indivíduo. Existem quatro sensações elementares (doce, amargo, sal
e ácido). Cabe ao indivíduo processar a percepção sobre estes ele-
mentos. Ou seja, o indivíduo é central no processo.
E a razão fica onde neste processo?
Basicamente, Viegas faz uma introdução ao processo do conheci-
mento que toma como foco o mix razão-sentimento como os dois
caminhos pelos quais os quatro tipos de conhecimento são cons-
truídos. Ou seja, um dos conhecimentos pode maximizar a razão e
minimizar o sentimento, ou vice-versa.
Converse com seus amigos, contextualizando o processo de
aquisição de conhecimentos.
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METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 2 69
SEÇÃO 3
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Neste momento, cabe a você enfocar o conhecimento científico. A
razão para isto seria o foco que se pretende traçar. Pode-se apro-
fundar nos processos de aprendizagem para compreender todo o
processo. No entanto, seu foco agora é buscar subsídios para com-
preensão do conhecimento científico e iniciar nos caminhos pelos
quais pode-se construir os novos conhecimentos.
Navegue inicialmente por Viegas (2007). Para este autor o conhe-
cimento científico é aquele em que se busca a maximização da
racionalidade e da sensibilidade para apreender um objeto. Esta
apreensão seria a forma de representação de um determinado fe-
nômeno. Viegas apega-se a Cuvillier (1961, p. 22) para demonstrar
que este conhecimento seria empírico: “parte da experiência e da
verificação para, então, buscar a sistematização, vale dizer, pro-
cura descobrir as relações constantes entre os fenômenos, isto é,
suas leis, ou em outras palavras, suas causas”.
Complementando as características deste tipo de conhecimento,
Viegas apresenta critérios de cientificidade interna e externa, com
base em Demo (1980). Estes critérios garantiriam a verificação das
características de um conhecimento falível, quase exato e não va-
lorativo.
Os critérios internos seriam a coerência, a consistência, a origina-
lidade e a objetividade.
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COERÊNCIA
Enquanto ausência de contra-
dições.
CONSISTÊNCIA
Para resistir a argumentações
contrárias.
ORIGINALIDADE
Não produzir conhecimentos e
sim acrescentar contribuição.
OBJETIVIDADE
Retratar a realidade como ela é e
não como se gostaria que fosse.
Fonte: Adaptado de Demo in Viegas (2007, p. 34).
Os critérios externos tendem a integrar o cientista em sua comu-
nidade. As palavras chave apresentadas por Viegas seriam inter-
subjetividade, divulgação, comparação crítica, reprodutibilidade e
reconhecimento.
Tendo em vista o foco de se pensar os caminhos pelos quais você
poderá se apossar dos conhecimentos existentes e construir novos
conhecimentos, seu próximo passo será adentrar ao universo do
método científico e da metodologia científica.
Como compreender os critérios externos de cientificidade?
Uma dica interessante é resgatar o trabalho de Silva
(2001) intitulado “Metodologia da pesquisa e elabo-
ração de dissertação”. Sobretudo o capítulo sobre o
pesquisado e a Comunicação Científica que trata dos
canais formais e informais de comunicação.
O que significa cada um?
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 2 71
SEÇÃO 4
METODOLOGIA CIENTÍFICA E MÉTODO
Vimos na seção anterior que o conhecimento é produzido pelo ser
humano. A produção do conhecimento se realiza por intermédio
do intelecto, pelas vias da razão e do sentimento. No entanto, a
maximização de um ou o equilíbrio de ambos definem o tipo de
conhecimento que se está construindo.
Você também viu que existem quatro tipos de conhecimentos.
Entre eles o conhecimento científico é o foco de seu estudo. Em
função disso, nesta seção, você adentrará a um universo de in-
formações que pretendem possibilitar que você identifique quais
são os caminhos pelos quais se pode construir um conhecimento
científico. Porém, para se construir conhecimentos é necessário se
apropriar dos já existentes.
A primeira situação a pensar é que você adentrou em uma uni-
versidade. O conhecimento é adquirido por meio de atividades de
ensino, pesquisa e extensão. No caso da pesquisa, é essencial que
se adote uma atitude investigativa. Esta é uma ideia que pode ser
aprofundada via Luna (2002, p.15). Na proposta deste autor, o co-
nhecimento é produzido pela pesquisa. E para ele, pesquisa “visa a
produção de conhecimento novo, relevante teórica e socialmente
fidedigno”. Sobre este conceito complementa-se que a pesquisa
deve compreender “um conhecimento que preenche uma lacuna
importante no conhecimento disponível em uma determinada área
do conhecimento”.
ESPERE UM POUCO:
Qual seria o caminho para se apoderar destes conheci-
mentos? Como proceder para construir novos conheci-
mentos?
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Luna (2002, p. 15-16) trabalha com a ideia de objetivos de pesquisa
e não um tipo particular. Entre os objetivos de pesquisa estariam a:
[...] demonstração da existência (ou ausência) de
relações entre diferentes fenômenos; estabeleci-
mento da consistência interna entre conceitos den-
tro de uma dada teoria; desenvolvimento de novas
tecnologias ou demonstração de novas aplicações
de tecnologias conhecidas. Aumento da generali-
dade do conhecimento; descrição das condições
sob as quais um fenômeno ocorre.
Esses objetivos dariam o rumo para se adentrar no universo da
pesquisa.
Porém, Demo (1995) apresenta algumas formas de entender o que
é pesquisa. Ele apresenta uma síntese de autores que possuem
diferentes formas complementares de entendê-la. Uns entendem
como pesquisa coletar e sistematizar dados, permitindo uma des-
crição do pesquisado, ou seja, da realidade. Veja que a ênfase
aqui é a descrição. Este tipo de pesquisa irá adotar uma forma de
construção lógica do pensamento que você verá à frente.
Esse mesmo autor apresenta ainda entendimentos diferentes que
levam a realização de pesquisas para explicação. Neste tipo de
pesquisa o estudo e a produção de quadros teóricos de referência
constatariam o que existe sobre uma determinada área. A ênfase é
no desvendar por que existe.
Por último, existem pesquisas que tentam mesclar teoria e prática.
Este tipo de pesquisa visa compreender a realidade e nela intervir.
COMO SABER SE O CONHECIMENTO É RELEVANTE?
Para Luna, “o julgamento último da novidade e da impor-
tância do conhecimento produzido é feito pela comunidade
de pesquisadores que estudam aquela área” (2002, p. 15).
No seu caso a área da Educação Física.
Para aprofundar sobre critérios de relevância, consultar
Salomon (1999).
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 73
Entendimentos sobre pesquisa que levam a descrição, explica-
ção ou a intervenção na realidade.
Pois bem, você adentrou em um universo no qual a pesquisa é uma
das formas de adquirir e produzir o conhecimento. Então, o que
seria a Metodologia Científica?
Demo (1995, p. 11) aborda Metodologia como:
[...] o estudo dos caminhos, dos instrumentos usa-
dos para se fazer ciência. É uma disciplina instru-
mental a serviço da pesquisa. Ao mesmo tempo em
que visa conhecer caminhos do processo científico,
também problematiza criticamente, no sentido de
indagar os limites da ciência, seja com referência
à capacidade de conhecer, seja com referência à
capacidade de intervir na realidade.
Para sua melhor compreensão, recorra a Mattos, Rossetto Jr; Ble-
cher (2004). Eles apresentam a Metodologia Científica como a for-
ma de estudar ou conhecer os métodos utilizados para a realização
de pesquisas científicas ou acadêmicas. A Metodologia, segundo os
autores, ocupa espaço nas grades curriculares dos cursos de forma-
ção superior enquanto uma disciplina acadêmica. Essa disciplina
serve para facilitar a produção do conhecimento (MATTOS; ROS-
SETTO; BLECHER, 2004, p. 13) “como uma ferramenta capaz de
auxiliar e entender os processos de buscas e respostas”.
E AGORA?
Adotando essa entrada sobre a metodologia, cabe a você
questionar: se a metodologia constitui uma disciplina que
visa auxiliar o entendimento dos meios pelos quais se produz
o conhecimento, o instrumental para se fazer ciência, qual
seria o papel do método?
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Em termos de classificação, os métodos podem ser abordados por
dois grandes grupos: “o dos que proporcionam as bases lógicas da
investigação científica e o dos que esclarecem acerca dos procedi-
mentos técnicos que poderão ser utilizados” (GIL, 1999, p 27).
O primeiro grupo (bases lógicas
da investigação científica)
Podem ser elencados como os
que buscam abstrações dos fe-
nômenos naturais e sociais. Pos-
sibilitam decidir o alcance da
investigação, das regras de ex-
plicação dos fatos e da valida-
de de generalizações. Cada um
dos métodos a ser apresentado
vincula-se a “uma das corren-
tes filosóficas que se propõem a
explicar como se processa o co-
nhecimento da realidade” Gil
(2008, p.9).
Gil (2008, p. 8) aponta para a necessidade de que uma
pesquisa científica seja pautada por operações mentais e
técnicas que possibilitem a verificação do conhecimento
que se gera, ou seja, o método para se chegar ao conhe-
cimento. Dito de outra forma, o método seria entendido
como o “caminho para se chegar a um determinado fim”
e o Método Científico “ o conjunto de procedimentos in-
telectuais e técnicos adotados para se atingir o conhe-
cimento”.
Neste sentido, o autor fala sobre uma diversidade de
métodos que são determinados pelo tipo de objeto a in-
vestigar e pela classe de proposições a descobrir.
Para conceituar método é importante salientar duas portas de entrada.
Aquela em que o objetivo da ciência é o de chegar a veracidade dos
fatos via a verificabilidade e a de que a ciência substituiu a busca da
verdade pela tentativa de aumentar o poder explicativo das teorias.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 75
As bases lógicas da investigação científica, apresentadas por Gil
(2008), seriam os métodos: dedutivo, relacionado à corrente filo-
sófica do racionalismo; indutivo, relacionado à corrente filosófica
do empirismo; hipotético-dedutivo, relacionado à corrente filosó-
fica do neopositivismo; dialético, relacionado ao materialismo dia-
lético; e o fenomenológico, relacionado à fenomenologia.
Os procedimentos técnicos enfocando as ciências sociais seriam o
método experimental, o método observacional, o método compara-
tivo, o método estatístico, o método clínico e o método monográfico.
E na Educação Física?
Esses métodos são utilizados?
A Educação Física é uma área que permite a abordagem de diversos
fenômenos. Sejam eles vinculados às Ciências da Saúde, às Ciências
Sociais, Ciências Biológicas etc. Nesse sentido, tanto as bases ló-
gicas quanto os procedimentos técnicos são aplicáveis nessa área.
Sobre alternativas de métodos, você pode optar pela consulta a Mat-
tos, Rossetto Jr; Blecher (2004). Você encontrará o método descritivo
e experimental. O primeiro possui como característica a observação
dos registro, análise, descrição e correlação de fatos ou fenômenos.
Entre os tipos de pesquisas encontrados neste método estão o estudo
exploratório, estudos descritivos, survey e estudo de caso. Fenôme-
nos, de tal forma que o ritual da pesquisa obedece a sequência de
registro, análise, descrição e correlação de fatos ou fenômenos. En-
tre os tipos de pesquisas encontrados neste método estão o estudo
exploratório, estudos descritivos, survey e estudo de caso.
Cada	um	desses	estudos	será	abordado	na	unidade	3.	Você	po-
derá	 se	 aprofundar	 consultando	 Mattos,	 Rossetto	 Jr;	 Blecher	
(2004),	bem	como	Silva	(1999).
O segundo grupo (procedimen-
tos técnicos)
Garantem a objetividade e pre-
cisão no estudo de fatos sociais.
Geralmente são combinados
métodos para se chegar ao co-
nhecimento fidedigno.
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O segundo (método experimental), apresentado por Mattos,
Rossetto Jr. e Blecher (2004), é aplicável em estudos em que você
irá manipular variáveis (enquanto fatores que interferem em um
determinado objeto de estudo) proporcionando relações de causa
e efeito, bem como o modo pelo qual o fenômeno é produzido. Os
meios técnicos mais utilizados são a testagem, os questionários e
medidas para verificar relações entre variáveis.
Esses dois métodos estão relacionados à pesquisa direta que pode
ser dividida em pesquisa de campo ou de laboratório.
A pesquisa direta subdivide-se em pesquisa documental e pesqui-
sa bibliográfica e ambas usam o método bibliográfico. Esse método
busca a explicação de problemas propostos segundo as “referências
teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos que se re-
lacionam com o tema” (MATTOS, ROSSETO Jr; BLECHER, 2004, p.18).
E quanto as bases lógicas e as técnicas apresentadas
acima com referência a GIL?
Retorne às bases lógicas na construção do conhecimento. Para que
você se forme em Educação Física é necessária uma compreensão
de conceitos e de uma linguagem própria do profissional da área.
Isto garante a comunicação com os pares. Em função disto, tanto
para construir o conhecimento quanto para se apropriar dele, essas
bases lógicas são usadas.
Em que medida e com quais características?
O método dedutivo é o raciocínio que parte do geral para o es-
pecífico. Marconi e Lakatos (2000, p.63), apoiando-se em Salomon
(1978, p. 30-31), apontam para duas características básicas desse
método: “I- Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão
deve ser verdadeira; II – Toda informação ou conteúdo fatual da
conclusão já estava, pelo menos implicitamente, nas premissas.”
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 77
Sobre as bases do método dedutivo você poderá
consultar as obras de Richardson (1999) e a de Alves-
Mazzoti e Gewandsznajder (2002).
As conclusões proporcionadas por esse método são frutos de uma
maneira formal em função da lógica.
Os racionalistas propuseram esse método sendo a razão a única
forma de chegar ao conhecimento verdadeiro.
Guardadas as limitações, veja o exemplo:
Todo brasileiro gosta de jogar futebol.
João é brasileiro. Logo, João gosta de jogador de futebol.
No exemplo acima pode-se visualizar o silogismo, que segundo Gil
(2008) é uma construção lógica que, a partir de duas proposições
(premissas) retira uma terceira, nelas logicamente implicadas, de-
nominada conclusão.
Gil (2008, p. 10) argumenta que nas ciências sociais esse método é
pouco utilizado pela “dificuldade de obtenção de argumentos ge-
rais, cuja veracidade não possa ser colocada em dúvida”.
O método indutivo parte de dados ou observações particulares
para generalizações. Dito de outra forma, por meio de observações
empíricas constatadas, chega-se a conclusões que tendem a gene-
ralizar os dados.
Para Gil (1999, p. 28) “sua origem advém do movimento empirista,
cujo movimento crê que o conhecimento é fundamentado unica-
mente pela experiência, sem considerações a princípios preesta-
belecidos”.
Marconi e Lakatos (2000, p. 63), apoiando-se em Salomon (1978, p.
30-31), apresentam como características desse método o seguinte:
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“I- Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavel-
mente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira; II – A con-
clusão encerra informação que não estava, nem implicitamente,
nas premissas”.
A lógica do método indutivo está na observação de fatos e fenô-
menos, na comparação dessa observação para descobrir relações
entre elas, partindo para as generalizações “com base na relação
verificada entre os fatos ou fenômenos” (GIL, 1999, p. 29)
Guardadas as limitações, veja o exemplo:
Pedro joga futebol.
João joga futebol.
Pedro e João são brasileiros.
Todo brasileiro joga futebol.
As conclusões apresentadas no exemplo acima são prováveis e não
verdadeiras. A grande colaboração desse método foi o abandono
de posições especulativas para assumir a observação como proce-
dimento indispensável para o conhecimento científico. Gil (2000)
reforça que esse método permitiu a definição de técnicas de coleta
de dados, bem como instrumentos de mensuração de fenômenos
sociais. Entre as críticas a este método ressalta-se a David Hume
(1711-1776) a impossibilidade da certeza e a evidência. Não é pelo
fato de que certo fenômeno venha se repetindo que não possa ser
alterado. Podem existir novos fatores que alterem os dados de uma
observação, o que não permitiria a generalização. Com a teoria da
probabilidade (indica graus de força de um argumento indutivo)
esta crítica foi amenizada, porém retomada posteriormente em
função do método hipotético-dedutivo.
O método hipotético-dedutivo é apresentado como elaboração de
Karl Popper (1902-1994). A ideia mestra, como demonstrada por
Sobre as bases do método indutivo você poderá consul-
tar as obras de Richardson (1999) e a de Alves-Mazzoti
e Gewandsznajder (2002), Marconi e Lakatos (2000).
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 79
Viegas, seria a falseabilidade. Esta falseabilidade estaria ligada ao
fato de tornar falsa a hipótese do trabalho, tentando desacreditá-
la. Porém, busca-se ao final a corroboração da afirmação cientí-
fica. Esse método possui este nome em função da necessidade da
hipótese.
Classicamente, a metáfora de cisne é usada para exemplificar esse
método. No entanto, para você melhor entender a proposta de Po-
pper, Viegas (2007, p.106) apresenta a síntese do método com dize-
res de Popper da seguinte forma: pelo método hipotético-dedutivo
“que a ciência não é um sistema de conceitos, mas, ao contrário,
um sistema de enunciados”. Transcrevendo o exemplo jornalístico
de Assis, Viegas apresenta a ideia de que quanto mais se tenta
falsear o enunciado e com isso não se consegue derrubá-lo é sinal
de que a teoria possui qualidades. Como apresenta Gil (1999, p.
21) “quando não se consegue demonstrar qualquer caso concreto
capaz de falsear a hipótese, tem-se a sua corroboração, que não
excede o nível do provisório”.
Veja o exemplo de Assis (apud VIEGAS, 2007, p. 106):
[...] as teorias científicas não são sugeridas pelos
fatos, não vêm deles. São produtos da livre imagi-
nação humana. Depois de formuladas, devem pas-
sar por testes que visem refutá-las. O sucesso em
testes sucessivos marca a qualidade da teoria, o
que não quer dizer que ela seja verdadeira, mas
apenas melhor que as concorrentes.
Pode-se entender o método via quatro procedimentos propostos
por Popper e relatados por Viegas:
a) comparar logicamente as conclusões entre si
para testar a consistência interna do sistema; b)
investigar a forma lógica da teoria para determinar
se ela tem caráter de uma nova teoria empírica ou
científica ou se é apenas tautológica; c) comparar
teoria com outras para verificar se ela representa
um avanço de ordem científica; d) testar a teoria
por meio das aplicações empíricas das conclusões
que dela se possam deduzir.
HIPÓTESE
Partindo do princípio
de que uma pesquisa
surge com a elaboração
de um problema (divida
questionamento), a
respeito de um fenômeno
(contextualizado no
tempo e no espaço), a
HIPÓTESE seria resposta
provável e provisória à
indagação proposta.
TauTOLOGIa
Repetição da mesma
teoria com palavras
diferentes.
80
Esse método é bem aceito nas ciências naturais, mas pouco ade-
quado para as ciências sociais, uma vez que muitas hipóteses são
difíceis de serem falseadas.
O método dialético, no sentido moderno surge com Hegel. Ante-
riormente a isto dialética foi usada no sentido da “arte do diálogo”
(Platão) e na Idade Média como “lógica”.
Gil (1999, p.31) relata que a trajetória da vida humana apre-
sentada por Hegel, foi uma trajetória dialética no sentido de
que “as contradições se transcendem, mas dão origem a no-
vas contradições que passam a requerer solução”. Uma das
características dessa dialética é o posicionamento de Hegel
de que a ideia possui hegemonia sobre a matéria, tornando-se
idealista. Esta concepção foi mudada pelas obras de Karl Marx
e Frederick Engels. Inverte-se a proposta idealista para uma
materialista, na qual a matéria tem hegemonia sobre a ideia.
Marconi e Lakatos (2000, p. 83) exemplificam a dialética ma-
terialista:
[...] o pensamento e o universo estão em perpé-
tua mudança, mas não são as mudanças das ideias
que determinam as das coisas. São pelo contrário,
estas que nos dão aquelas, e as ideias modificam-
se porque as coisas se modificam (POLITIZER apud
MARCONI; LAKATOS, 2000, p. 83).
Ainda Marconi e Lakatos (2000, p. 83) apresentam as quatro leis
fundamentais:
a) Ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”;
b) 	 Mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”;
c) Passagem da quantidade à qualidade ou mudança quantitativa;
d) 	 Interpretação dos contrários, contradição ou luta dos contrários.
Sobre a ação recíproca, Marconi e Lakatos (2000, p. 83-85) expli-
cam que “a dialética compreende o mundo como um conjunto de
processos”. Nesse sentido, as “coisas não são analisadas na quali-
dade de objetos fixos, mas em movimento”. Isto quer dizer que “o
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 2 81
fim de um processo é sempre o começo de outro”. A ideia é a de
que “todos os aspectos da realidade prendem-se por laços neces-
sários e recíprocos”.
A mudança dialética parte da concepção de processo, de tal forma
que todas as coisas implicam em processo. Como? Todas as coisas,
tanto reais “quanto para seus reflexos no cérebro (ideias) estão sob
esta regra”. “Todas as coisas e ideias movem-se, transformam-se,
desenvolvem-se”. Neste processo a extinção das coisas é relativa,
limitada. No entanto, o movimento, transformação ou desenvolvi-
mento é absoluto. Esses movimentos e transformações operam por
contradições ou mediante a negação de uma coisa. “A negação de
uma coisa é o ponto de transformação das coisas” (MARCONI; LAKA-
TOS, 2000, p. 85). Por isso, a negação da negação.
Passagem da quantidade à qualidade refere-se a mudanças ocorri-
das em relação a um fenômeno. Digamos que um indivíduo persista
numa atividade física diária. Ao mesmo tempo em que ele acumu-
lará quantidade de atividade física no decorrer do tempo, também
terá uma mudança qualitativa em relação a sua saúde. Como todas
as coisas estão interligadas, uma saúde melhor proporciona condi-
ções de melhor socialização e de qualidade de vida. Este exemplo
foi alterado em relação aos referenciais utilizados até aqui. Porém,
exemplifica o foco central de que as mudanças passam de meras
repetições quantitativas para mudanças de estados, o que caracte-
riza a qualidade.
Por fim, a interpretação dos contrários. Veja; o foco de partida de
Marconi e Lakatos (2000, p. 87) para exemplificar este fundamento
seria:
[...] toda a realidade é movimento [...] movimento
sendo universal assume as formas quantitativa e
qualitativa [...] ligadas entre si e que se transfor-
mam uma na outra.[...] qual o motor da mudança
e, em particular, da transformação da quantidade
em qualidade ou de uma qualidade para outra
nova?
A ideia é a de que os fenômenos possuem contradições internas.
E essas contradições entram em luta num processo de desenvolvi-
mento. Nesse sentido, a contradição como princípio do desenvolvi-
82
mento apresenta as principais características como: a contradição
é interna, é inovadora a unidade dos contrários.
Didaticamente, essa teoria é apresentada como consistindo de tese
[posição] que produz sua antítese [oposição]. A união dessas duas
produz a síntese [composição] que é uma nova tese que produzirá
sua antítese. Assim, ocorrerá a negação da negação, produzindo
transformações quantitativas (síntese).
A proposição do método fenomenológico visa descrever a realida-
de, o fenômeno, a coisa (como é tratado) como ela é. Marconi e
Lakatos descrevem a fenomenologia como a que concebe a ideia
de que o mundo é criado pela consciência. Nesse sentido, reconhe-
ce a importância do sujeito no processo de construção do conhe-
cimento. A realidade emerge da intencionalidade da consciência.
Desse modo,	a	realidade	é	o	compreendido,	o	interpretado,	o	
comunicado. O método mostra o que é dado e no esclarecimento
desse dado. Aquilo que é aparente à consciência. A descrição do
fenômeno é central.
Até aqui, você trabalhou com as bases lógicas para a construção do
conhecimento.
Entre os procedimentos técnicos elencados, buscam-se mecanis-
mos para você abordar sua pesquisa com certa objetividade e pre-
cisão. O foco está na coleta de informações, sobretudo na orien-
tação da “obtenção, processamento e validação dos dados”(GIL,
2000, p. 33).
O método experimental é usado para recriar determinadas situ-
ações em que o objeto de estudo é colocado frente a variáveis
controladas e conhecidas pelo pesquisador para verificar quais são
os resultados provenientes desse experimento. É um método ge-
ralmente utilizado em laboratórios e necessita aprovação de um
comitê de ética em pesquisa. Normalmente é pouco utilizado nas
ciências sociais. Em Educação Física este método pode ser utilizado
para determinar desempenho físico que um indivíduo apresenta no
momento.
Consulte a obras de
alves-Mazotti e Gewan-
dznajder (2002), sobre-
tudo o capítulo 6 – O
debate contemporâneo
sobre os paradigmas.
Leia sobre o construti-
vismo social que enfoca
a fenomenologia e o
relativismo.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 83
O método observacional é muito utilizado em pesquisas na área
social, sobretudo os estudos comportamentais. Estudos que usam o
método fenomenológico são os que mais ocupam o processo de ob-
servação. Este método possui características como a necessidade
de estabelecimento de uma pauta de observação, que servirão de
um roteiro para redação dos fenômenos observados.
O método comparativo busca apresentar as diferenças e simila-
ridades entre indivíduos, classes ou grupos. Possibilita comparar
“grandes grupos sociais” separados pelo espaço e pelo tempo. Os
resultados deste tipo de procedimento permitem ao estudo eleva-
do grau de generalização.
O método estatístico utiliza a teoria estatística da probabilida-
de e é muito usado em estudos quantitativos. Atualmente exis-
tem pesquisas complexas em que este método é associado a outros
métodos qualitativos para se conseguir resultados mais confiáveis
cientificamente. Sua característica principal seria de um método
com razoável grau de precisão.
O método clínico é usado em pesquisa na área de psicologia. O
método se apoia em casos individuais e pode levar o pesquisador
ao erro quando usa esses resultados para generalizações. Existe
intensa relação entre pesquisador e pesquisado.
O método	monográfi	co é compreendido como um estudo de caso
em profundidade. Gil elenca que estes casos podem ser feitos com
indivíduos, instituições, grupos, comunidades etc.
Conforme você viu, não há uma única forma de conhecimento ou
uma única forma de se apropriar dele. Ao mesmo tempo, não existe
um único método. Existem métodos e em muitas pesquisas a utili-
zação de dois ou mais métodos podem aumentar o grau de precisão
em uma pesquisa. Dependerá do tipo de pesquisa e do tipo de per-
gunta que será feita.
Consulte a obra de
Molina Neto; Triviños
(Org.). (1999), sobretu-
do o capítulo intitulado
instrumento de coleta
de informações na pes-
quisa qualitativa.
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Forme um grupo de cinco colegas e dialoguem sobre a
questão da metodologia científica e do método relacionados
a Educação Física Escolar.
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SÍNTESE
Nessa unidade, você teve contato com quatro seções. É importante
você contextualizar os conteúdos trabalhados até aqui.
Os tipos de conhecimentos apresentados são construídos cultural-
mente. Sua forma de apreensão depende do intelecto via os sen-
timentos e a razão. Dependendo da predominância de uma das
vias (sentimento X razão) você tenderá a um dos tipos de conheci-
mentos. Ao mesmo tempo, você viu que os conhecimentos popular,
religioso, filosófico ou científico dependem do ambiente em que
você se insere.
Da mesma forma, você verificou que existem características pró-
prias de cada conhecimento. Após apresentação dessas caracte-
rísticas, você viu o foco voltado para o conhecimento científico.
Sobretudo para caracterizar a nova etapa que você inicia na uni-
versidade.
Você trabalhou a metodologia científica enquanto uma disciplina
curricular que permite o estudo dos principais métodos e proce-
dimentos técnicos que subsidiam a realização de uma pesquisa.
O caminho que você percorreu foi o de constatar que a pesquisa
é um dos caminhos possíveis para que você se apodere de um rol
de conhecimentos próprios de uma determinada área, bem como
para que você construa novos conhecimentos. Por intermédio do
ato de pesquisar, você verificou a necessidade de buscar as bases
lógicas que ajudam a construir o conhecimento. Verificou que os
métodos dão condições de traçar uma “trilha” na construção do
conhecimento.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 2 85
Ao mesmo tempo, e para finalizar, você viu os procedimentos téc-
nicos que o ajudarão na coleta, tratamento e sistematização de
dados teóricos e empíricos para a discussão do objeto de estudo
escolhido por você.
Lembre-se, mais uma vez, que os conhecimentos adquiridos nessa
unidade servirão de base para futuros encaminhamentos que se
apresentarão na sua caminhada no ensino superior.
Descreva os quatro principais tipos de conhecimentos
e explique-os, relacionando-os com exemplos da sua
experiência.
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Relacione as principais características de cada tipo de
conhecimento.
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Qual é o papel do conhecimento e da razão na construção
dos tipos de conhecimentos?
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Explique com suas palavras os motivos pelos quais os
autores citados nessa unidade colocam como critérios de
cientificidade a coerência; consistência; originalidade;
objetividade!
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Como definir se uma temática é relevante?
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3
4
5
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Anotações
Pesquisa científica
3
unidade
Objetivo dESTA unidade:
Estabelecer reflexões
acerca da pesquisa
científica por
intermédio deste
roteiro.
ROTEIRO DE ESTUDOS
•	 SEÇÃO 1 – Pesquisa científica
•	 SEÇÃO 2 – Delineamento da pesquisa
•	 SEÇÃO 3 – Planejamento da pesquisa
•	 SEÇÃO 4 – Projeto de pesquisa
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
88
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Quando você ouve sobre o termo pesquisa vem à mente uma série
de preocupações e porque não dizer, de aflições. Recorda de um
número significativo de informações que foi passado pela mídia nos
últimos tempos, das frustrações, fracassos e êxitos de muitos pes-
quisadores que amealharam vitórias com as suas pesquisas.
Apesar das dúvidas, questionamentos e principalmente pela ansie-
dade que são perpassadas para você em relação à pesquisa, este
é um dos momentos mais significativos nas aulas de metodologia
da pesquisa. Esta significância é representada pelo momento de
iniciar a contextualização de um trabalho científico.
Por mais simples que ele seja será um trabalho que ficará registra-
do para sempre em sua vida acadêmica.
As pesquisas, nos dias atuais, não têm mais limites ou limítrofes,
elas avançam de maneira significativa em todos os setores de nos-
sas vidas. Quer seja nos laboratórios, nos esportes, na cultura, na
educação, na agricultura ou na economia, elas têm oportunizado
avanços considerados para o crescimento do homem.
A par disso, essa unidade estabelece uma sequência de entendi-
mentos sobre a pesquisa. Partimos da busca do entendimento do
que é pesquisa, sobre o seu delineamento, que servirá por ocasião
da elaboração do projeto de pesquisa e posteriormente do plane-
jamento e do projeto propriamente dito.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 89
SEÇÃO 1
PESQUISA CIENTÍFICA
Partimos da máxima popular de que o homem ao interagir com as
coisas e causas do mundo em que vive, atento aos pressupostos so-
ciais, culturais, políticos, educacionais, econômicos, entre outros,
precisa de instrumentos que venham dar-lhe o suporte técnico para
a sua ação.
A partir desta máxima é possível que você visualize que um dos ins-
trumentos disponíveis para atender esta necessidade do homem é
a investigação. A necessidade de investigar para estabelecer novos
paradigmas conceituais é premente no homem.
Por mais complexo que seja o entendimento que você tem sobre o
que é pesquisa	científi	ca, sua finalidade e objetivos, entende-se
que a busca por novos conhecimentos a respeito do que ela repre-
senta torna-se de suma importância neste processo.
Desde os primórdios da civilização, a busca pelo conhecimento
sempre esteve lado a lado com a pesquisa. Atente-se para o fato
de que a pesquisa científica permite a construção de novos conhe-
cimentos que se fazem presentes em todos os âmbitos de nossas
atividades que, de uma forma ou outra, ajudam a transformar a
realidade na qual estamos inseridos.
Como você pode perceber, esta busca se torna particularmente
fundamental para o entendimento a ser consignado por ocasião
da elaboração do projeto de pesquisa e posteriormente quando da
redação final do relatório referente ao fenômeno pesquisado.
Pesquisa científica e
conhecimento andam
juntos?
Observe como isto
acontece...
A maneira mais prática e eficaz de aprender a pes-
quisar é pesquisar.
Assim, atento a esta máxima, vamos pesquisar.
90
Porém, antes de prosseguir, registre abaixo qual o conceito e/ou
entendimento que você tem sobre pesquisa.
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Em virtude da complexidade que se avista para ter uma ideia clara
a respeito da pesquisa, você verá que existem diversas maneiras de
buscar sua melhor compreensão. Uma dessas formas seria iniciar
pelos conceitos emitidos a respeito do assunto.
Você verá que os conceitos aqui apresentados trazem, em sua to-
talidade, formas ou modelos que orientam pesquisadores iniciantes
ou mesmo experientes nesta busca do que é pesquisa em conjunto
com suas interfaces, por isso, a incursão no campo dos conceitos
é de extrema valia. Assim, conheça e reflita sobre os conceitos de
pesquisa aqui apresentados.
Nas palavras de Cervo (2007, p. 57) você vai encontrar um dos con-
ceitos sobre pesquisa que vem bem ilustrar o que ela é:
A pesquisa é uma atividade voltada para a investi-
gação de problemas teóricos ou práticos por meio
do emprego de processos científicos. Ela parte,
pois, de uma dúvida ou problema e, com o uso do
método científico, busca uma resposta ou solução.
De forma semelhante, você vai encontrar argumentos conceituais
sobre pesquisa em Barros (2007, p. 81) que a conceitua como um
momento ímpar para descobrir e conhecer algo dentro de um pro-
cesso ativo de questionamento ao afirmar que a pesquisa “consiste
na tentativa de desvelamento de determinados objetos. É a busca
de uma resposta significativa a uma dúvida ou problema”.
Acrescente também aos seus conhecimentos, o conceito elaborado
por Gil (2008, p.26). Ao contextualizar sobre o conceito de pes-
quisa enfatiza que a sua função precípua pode ser caracterizada
“como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do mé-
todo científico”.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 91
Outra autora, que traz uma preciosa contribuição para esta
análise é Minayo (1993, p.23). Ela vê a pesquisa por outro ân-
gulo - o filosófico. Ao assim fazê-lo, destaca a pesquisa como
uma “atividade básica das ciências na sua indagação e desco-
berta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de
constante busca que define um processo intrinsecamente in-
acabado e permanente”.
A essa altura, você pode perceber que todos os conceitos aqui
apresentados caminham para um entendimento. A pesquisa cien-
tífica é uma ação conjunturalmente estruturada e sistematizada
cientificamente cujo objetivo principal está voltado para encontrar
uma solução para os fenômenos ou problemas aventados.
Após conhecer e refletir sobre os conceitos apresentados,
elabore um conceito sobre pesquisa científica.
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Agora que você conhece e já elaborou um conceito de pesquisa cien-
tífica avance nesse conhecimento respondendo a seguinte questão.
1
Para que pesquisamos?
Para encontrar resposta a este questionamento observe o que diz
Richardson (2008, p.16). Ele destaca que existem três objetivos
centrais “que esboçam todo o processo de uma pesquisa, além do
pressuposto principal que é o de adquirir conhecimentos”. Observe
como eles se constituem:
1º
O primeiro deles centra-se na pesquisa para resolver pro-
blemas. O pesquisador busca neste modelo centrar as suas
ações para encontrar soluções e ou respostas para problemas
específicos ou fenômenos que se avistam.
2º
O segundo atém-se para formular teorias. Neste processo, o
pesquisador utiliza da pesquisa para estudar “um problema
cujos pressupostos teóricos não estão claros ou são difíceis
de encontrar.” Richardson (2008, p.17).
92
3º
E o terceiro volta-se para testar as teorias. Este modelo visa
atender o seguinte quadro: “quando as teorias claramente
formuladas são testadas e confirmadas por repetidas vezes
e se se dispõe de informação empírica consistente, pode-
se iniciar nova etapa na formulação de teorias.” Richardson
(2008, p.17).
VOCÊ	SABIA	QUE...
A pesquisa não é um fenômeno recente e que a cada
momento ela ganha novas interfaces?
Ao contextualizar os objetivos centrais de uma pesquisa, Richard-
son (2008, p.15) destaca também que não há uma única forma de
realizar uma pesquisa ideal e que dificilmente existirá uma pesqui-
sa considerada como perfeita, em virtude que “a investigação é um
produto humano, e seus produtores são seres falíveis”.
Como você pode perceber, o entendimento sobre pesquisa mere-
ce uma discussão mais aprofundada. Fica a solicitação que você
busque mais informações a respeito do assunto, pesquisando na
internet sobre pesquisa científica.
Na próxima seção será abordado o delineamento da pesquisa. Você
verá a importância de se conhecer como a pesquisa pode ser deli-
neada para a consecução das ações que virão por ocasião da elabo-
ração do projeto e posteriormente do relatório final da pesquisa.
Não esqueça que o sucesso de uma pesquisa está vinculado com a
habilidade de bem escolher os procedimentos a serem seguidos.
Dialogue com seus colegas de sala sobre pesquisa e pesquisa
científica.
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1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 93
SEÇÃO 2
DELINEAMENTO DA PESQUISA
O delineamento da pesquisa é considerado pelos pesquisadores
como um fator de suma importância na elaboração de um projeto
de pesquisa. Para tanto, você deve conhecer como é consignado
este delineamento.
Em sua maioria, as formas estruturais de uma pesquisa científica
podem ser delineadas e/ou classificadas atendendo os pressupostos
teóricos determinados. Esse ato visa facilitar a vida do pesquisa-
dor. Esse conhecimento será muito útil quando você elaborar o seu
projeto de pesquisa.
Observe que o delineamento formal não pode ser arbitrário. Ele
deve estar em plena conexão com as hipóteses que se almeja dis-
cutir (ou comprovar) e principalmente encontrar-se vinculado dire-
tamente com o problema a ser pesquisado.
Perceba que isto significa que toda classificação apresentada pe-
los diversos autores que abordam sobre esta questão deve ser
respeitada.
Assim, ao mapear os diversos delineamentos existentes sobre a
pesquisa científica e principalmente o que cada um desses deli-
neamentos representa para o processo científico, entendeu-se
que seria interessante apresentar a você uma classificação clássi-
ca. O saber construído em torno dessa classificação está dividido
em quatro partes: do ponto de vista da sua natureza, da forma
de abordagem do problema, de seus objetivos e dos procedimen-
tos técnicos.
1ª - DO PONTO DE VISTA DA SUA NATUREZA
Do ponto de vista da sua natureza a pesquisa pode ser classificada
em:
Saiba que embora
ainda existam diversas
formas e modelos
desse delineamento,
apresentados em
manuais e livros de
pesquisa, elas não
são excludentes. Não
existe um ferramental
único e universal que
venha estabelecer
tais paradigmas com
precisão.
94 FILOSOFIA
Pesquisa básica - A pesquisa básica traz em seu contexto o ob-
jetivo de gerar novos conhecimentos, visando o avanço da ci-
ência. Outro aspecto importante é que neste tipo de pesquisa
o pesquisador tem como meta o saber. O saber constituído, por
intermédio da pesquisa básica, irá saciar a necessidade intelec-
tual do pesquisador.
Com relação ao entendimento sobre a pesquisa básica, torna-se re-
levante conhecer o que Gil (2008, p.26) referencia a este respeito:
A pesquisa pura busca o progresso da ciência,
procura desenvolver os conhecimentos científicos
sem a preocupação direta com suas aplicações
e consequências práticas. Seu desenvolvimento
tende a ser bastante formalizado e objetiva a
generalização, com vistas na construção de teo-
rias e leis.
Para entender bem as suas nuances atenha-se ao fato de que esse
modelo não solicita uma ação de intervenção e tampouco de trans-
formação da realidade social que se faz presente.
VOCÊ SABIA QUE...
Apesquisa básica é conhecida também como pesquisa pura?
Pesquisa aplicada - A pesquisa aplicada traz em seu contexto o
objetivo de produzir conhecimentos para uma aplicação prática
voltada para a solução de problemas específicos, envolvendo ver-
dades e interesses locais.
Nesta práxis investigativa o pesquisador é movido a contribuir para
fins mais ou menos imediatos, buscando soluções para problemas
concretos, operacionalizando os resultados de seus estudos.
Você vai encontrar nas palavras de Gil (2008, p. 27) uma das chaves
para bem entender as nuances da pesquisa aplicada. Ele destaca
que a pesquisa aplicada:
FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DA GEOGRAFIA | UNIDADE 3 95
[...] tem como característica fundamental o in-
teresse na aplicação, utilização e consequências
práticas dos conhecimentos. Sua preocupação está
menos voltada para o desenvolvimento de teorias
de valor universal que para a aplicação imediata
numa realidade circunstancial.
Apesar de estar mais voltada para a resolução de problemas via
aplicação imediata, a pesquisa básica e a aplicada não se excluem
e são indispensáveis para o progresso das ciências e do homem. En-
quanto uma busca a atualização de conhecimentos para uma nova
tomada de posição, a outra pretende, além disso, transformar con-
cretamente os resultados de seu trabalho.
Veja a ilustração da forma de delineamento no quadro abaixo:
PESQUISA CIENTÍFICA
QUANTO A NATUREZA
Pesquisa Básica
ou Fundamental
Pesquisa Aplicada
ou Tecnológica
Gera conhecimentos sem finalidades
imediatas; os conhecimentos são utili-
zados em Pesquisas aplicadas ou tecno-
lógicas
Gera produtos, processos + conheci-
mentos (resultantes das ações). Possui
finalidades imediatas
OBJETO
Fonte: Adaptado de Gil, 2008.
2ª - DO PONTO DE VISTA DA FORMA DE ABORDAGEM DO PROBLEMA
Em relação à forma de abordagem do problema a pesquisa recebe
a seguinte classificação:
Pesquisa Quantitativa
Dada a sua especificidade, a pesquisa quantitativa diferencia-se
das demais. Em seu contexto estrutural requer o uso de recursos e
de técnicas que preveem quantificação. Entre essas, se encontra a
96 FILOSOFIA
percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente
de correlação, análise de regressão, em outras formas para aten-
der os seus pressupostos.
Para efeito de um maior esclarecimento, o seu objetivo é mensu-
rar e permitir o teste de hipóteses, já que os resultados são mais
concretos e, consequentemente, menos passíveis de erros de in-
terpretação.
Os índices gerados por este modelo podem ser comparados ao
longo do tempo, permitindo traçar um histórico da informação.
Richardson (2008, p. 70) ilustra bem esse modelo de pesquisa cien-
tífica ao destacar que “é frequentemente aplicado nos estudos
descritivos, naqueles que procuram descobrir e classificar a rela-
ção entre variáveis, bem como nos que investigam a relação de
causalidade entre os fenômenos”.
Ao utilizar de instrumentos estruturados ela é considerada como
uma das formas mais adequadas de ser utilizada, mas, para isso,
você não pode esquecer sobre a forma de coletar os dados. Os
instrumentos para a coleta de dados devem ser adequadamente
escolhidos. Entre esses, você pode empregar questionários e testes
estandardizados.
Pesquisa Qualitativa
O saber construído em torno desse modelo traz como escopo prin-
cipal uma relação indissociável entre o real e o sujeito tendo como
base os hábitos, as tendências, as atitudes comportamentais do ser
humano. Nesse modelo não se prioriza o emprego de instrumento
estatístico. Significa que no tocante aos seus resultados não é uti-
lizado o fator de medir ou numerar as categorias.
Os estudos que utilizam a pesquisa qualitativa trazem em seu con-
texto uma organicidade estrutural dos fatos, o qual possibilita um
aprofundamento no entendimento do processo em análise.
FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DA GEOGRAFIA | UNIDADE 3 97
Observe que a pesquisa qualitativa tem como principal pressuposto
a forma descritiva. O pesquisador é central nesse processo, pois
participa, compreende e interpreta os dados pesquisados. Atente-
se para o entendimento dado por Richardson (2008, p. 90) sobre a
pesquisa qualitativa:
A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como
a tentativa de uma compreensão detalhada dos sig-
nificados e características situacionais apresenta-
das pelos entrevistados, em lugar da produção de
medidas quantitativas de características ou com-
portamentos.
Observe o quadro abaixo, que ilustra esta forma de delineamento.
Você	sabia	que...
A principal função da pesquisa qualitativa, mesmo
centrando a sua preocupação em analisar e interpretar
o comportamento do ser humano dentro dos aspectos
da mais alta complexidade, reside no fato de que a
mesma oportuniza um acesso fácil ao entendimento do
fenômeno pesquisado?
PONTO DE VISTA DA ABOR-
DAGEM DO PROBLEMA
QUANTITATIVA
QUALITATIVA
98 FILOSOFIA
Se você quiser saber qual é o nível de flexibilidade de
seus alunos de uma determinada série com o objetivo de
verificar a capacidade de mobilidade deles, deve prover-se
de instrumentos adequados que possam avaliar a condição
de flexibilidade de cada aluno.
Desta maneira, o seu trabalho de pesquisa teria
uma conotação vinculada a qual dos modelos acima
apresentados?
Respostas
Quanto à natureza _______________________________________
Quanto à forma __________________________________________
3ª - DO PONTO DE VISTA DE SEUS OBJETIVOS
Do ponto de vista de seus objetivos a pesquisa científica traz em
seu contexto a seguinte classificação:
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória traz como seu expoente uma maneira dife-
renciada de estudar e entender os fenômenos. O saber instado por
esse modelo traz em seu conjunto alguns aspectos significativos.
Vejam quais:
1º O primeiro por ver a forma de um fenômeno atual pouco
explorado.
2º O segundo centrado na familiaridade com o problema a
ser pesquisado.
3º E como terceiro, talvez o aspecto mais importante, por
apresentar o menor grau de rigidez no seu aspecto de
planejamento.
FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DA GEOGRAFIA | UNIDADE 3 99
Para tanto, ela traz consigo algumas características básicas que
você deve observar.
1ª A primeira centra-se na busca pelo entendimento das
razões e motivações para determinadas atitudes e com-
portamentos das pessoas.
2ª
A segunda refere-se que a mesma por não requerer a
elaboração de hipótese a serem testadas no trabalho
oportuniza a geração destas e consequentemente na
identificação de variáveis que serão incluídas na pes-
quisa.
3ª Como terceira característica, ela proporciona a forma-
ção de ideias para o entendimento do conjunto do pro-
blema.
4ª E como quarta característica, dentro de sua sistemática
estrutural, a utilização de amostragem e técnicas quan-
titativas não são de forma habitual utilizadas.
Por ela ser de manuseio
fácil faz desse modelo
o passo inicial no
contexto geral de um
processo de pesquisa.
Você	sabia	que...
Apesar de ser considerada no meio acadêmico como um
modelo aquém dos determinantes para uma pesquisa
científica, ela é um dos mais comuns no meio acadêmico?
Gil (2008, p. 27), ao estabelecer parâmetros conceituais sobre esse
modelo, destaca que:
[...] as pesquisas exploratórias têm como princi-
pal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar
conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de
problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis
para estudos posteriores.
100
Atente-se ao fato de que por ela ter uma característica acadêmica,
você vai encontrá-la na forma de pesquisa bibliográfica, documen-
tal ou de estudo de caso, envolvendo em seu aspecto organizacio-
nal o levantamento bibliográfico e entrevistas não padronizadas.
Pesquisa descritiva
Uma das características marcantes da pesquisa descritiva que deve
ser observada é o fato dela estar voltada para descrever as parti-
cularidades do fenômeno ou de determinada população ou ainda
no intuito de estabelecer relações entre as variáveis. Fique atento
que esses dados não podem ser manipulados pelo pesquisador.
Cervo (2007, p. 61-62), ao referenciar a importância da pesquisa
descritiva, destaca que a mesma:
[...] busca conhecer as diversas situações e relações
que ocorrem na vida social, política, econômica e
demais aspectos do comportamento humano, tanto
do indivíduo tomado isoladamente como de grupos
e comunidades mais complexas.
Você sabia que...
De uma maneira geral, os estudos caracterizados como
descritivos trazem como princípio básico em seu processo
estrutural a necessidade de que o pesquisador esteja
provido de uma série de informações sobre o assunto que
deseja pesquisar?
Acrescente em seus conhecimentos que, vinculado a isso, encon-
tra-se a necessidade de estabelecer uma delimitação precisa das
técnicas, dos modelos e das teorias que orientarão a coleta e a
interpretação dos dados.
Outro tópico que também merece uma atenção especial nesta prá-
xis é o fator delimitativo. Nesse fator encontram-se a população, a
amostra, os objetivos, as hipóteses e as questões da pesquisa.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 101
Pesquisa Explicativa
Este forma de práxis científica é considerada como modelo comple-
xo. A pesquisa explicativa visa analisar e interpretar a ocorrência
dos fenômenos pesquisados.
Gil (2008, p. 28) ao considerar a pesquisa explicativa como um dos
modelos mais complexo destaca:
[...] este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda
o conhecimento da realidade, porque explica a
razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é o tipo
de pesquisa mais complexo e delicado, já que o ris-
co de cometer erros aumenta consideravelmente.
Você	sabia	que...
Dentro desta premissa, você pode buscar a razão e o
porquê das causas e dos fatos?
Ao buscar estabelecer e compreender a causa e efeito do proble-
ma aventado, este modelo de pesquisa contribui em muito com a
fundamentação do conhecimento científico, estabelecendo novos
paradigmas conceituais para os fenômenos estudados.
Observe o quadro abaixo que ilustra esta forma de delineamento.
DO PONTO DE VISTA
DE SEUS OBJETIVOS
PESQUISA
EXPLORATÓRIA
PESQUISA
DESCRITIVA
PESQUISA
EXPLICATIVA
102
Atento ao que foi mostrado até aqui e relacionando com
o estudo sobre a flexibilidade dos alunos, como você
classificaria a sua pesquisa?
Quanto aos objetivos__________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
4ª - DO PONTO DE VISTA DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Pesquisa	Bibliográfi	ca
Desenvolvida a partir da utilização de livros, artigos científicos,
dissertações, teses e de material disponibilizado na internet, a
pesquisa bibliográfica traz em seu escopo uma característica sui-
generis. Ela pode se apresentar como um processo totalmente in-
dependente ou fazer parte da pesquisa experimental ou descritiva.
1
Você	sabia	que...
A pesquisa bibliográfica é indispensável quando se trata
de estudos históricos?
É interessante entender que uma das vantagens da pesquisa biblio-
gráfica reside no fato de permitir ao pesquisador obter uma gama de
informações com grande eficácia. Isso oportuniza conhecer teorica-
mente o que já foi produzido sobre o assunto que se pretende abordar.
Pesquisa Documental
As principais fontes nesse modelo de pesquisa são os documentos.
Entretanto, você deve saber que o primeiro aspecto fundamental
nesse tipo de pesquisa é distinguir quais são os tipos de documentos
que se encaixam dentro desta categoria.
Você pode distinguir diversas formas de documentos nesse modelo
de pesquisa, desde as publicações oficiais (leis, decretos, atas), ar-
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 103
tigos de jornais, cartas, fotografias, revistas, documentos pessoais
e dossiês, os quais podem ser de forma impressa, sonora ou visual.
Você sabia que...
Mesmo sabendo que esses documentos já podem ter recebido
um tratamento analítico por outro pesquisador, nada impede
que sejam reelaboradas novas análises que venham ao
encontro dos objetivos propostos na sua pesquisa?
Uma das principais características desse modelo de pesquisa que
você deve observar é a sua semelhança com a pesquisa bibliográ-
fica. A diferença entre ambas está circunscrita na natureza das
fontes pesquisadas.
Pesquisa Experimental
A práxis da pesquisa experimental representa no mundo científico
um modelo bastante valorizado. Adota o critério de manipulação
das suas variáveis, representada pela interferência do pesquisador
no fato ou situação estudada, que proporcionará mudanças nas
causas e efeitos do objeto em estudo.
Observe que para o pesquisador atingir os resultados, ele deve uti-
lizar de procedimentos adequados ou de aparelhos e instrumentos
que possam tornar perceptíveis as relações existentes entre os ob-
jetos estudados.
Você sabia que...
Os dados obtidos com esse processo podem ser
apresentados em sua forma mais simplificada, por
intermédio de tabelas e gráficos?
104
Outro aspecto importante para você ficar atento nesse modelo de
pesquisa refere-se ao delineamento experimental dado nos dias
atuais. A possibilidade de estudar um fato com várias variáveis já
se faz presente nesse modelo de pesquisa, buscando a sua inter-
relação, graus de intensidade e as suas influências.
Levantamento	/	Survey
O modelo de pesquisa centrada no método de levantamento/sur-
vey traz como fator estruturante aspectos particulares na sua for-
ma de levantamento de dados, pois envolve a interrogação direta
das pessoas, cujo comportamento e/ou opinião se deseja conhecer
em um momento específico.
Você já deve ter visto ou mesmo participado de uma pesquisa
centrada neste modelo, quando foi questionado por meio de
questionários e/ou entrevistas pessoais para informar a sua
opinião sobre determinado assunto.
Tendo como suporte uma análise quantitativa, ela é muito usada
por agências de pesquisa para saber a opinião da população sobre
um tema estabelecido. Entre essas formas utilizadas, você pode
encontrar pesquisas de opinião pública, estudos acadêmicos sobre
um determinado assunto, censos demográficos, pesquisa de mer-
cado, entre outras.
As unidades de análise estão assim centradas:
UNIDADES DE ANÁLISEUNIDADES DE ANÁLISE
CLUBES AGÊNCIAS GOVERNAMENTAIS INDÚSTRIAS
NAÇÕES
INDIVÍDUOS CIDADES FAMÍLIA
ESTADOS
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 105
Estudo de caso
Se a sua proposta de pesquisa caracterizar-se por um estudo pro-
fundo e exaustivo sobre determinado assunto, cujos resultados ve-
nham proporcionar amplo e detalhado conhecimento, você poderia
fazer uso desse modelo de pesquisa.
Com uma análise centrada de forma detalhada em um caso in-
dividual, o qual torna inteligível a sua dinâmica, observe que o
delineamento dado ao aplicar o estudo de caso enquanto forma
metodológica de investigação é realizado em torno de poucas per-
guntas que trazem como escopo o “como” e o “porquê” do assunto
a ser pesquisado. Supõe-se dessa maneira que a aquisição de co-
nhecimentos será plena.
Tendo em vista a sua importância cada vez mais crescente, Yin
(2005, p.32), ao conceituar estudo de caso, demonstra que o mes-
mo trata-se de:
[...] uma investigação empírica que investiga um
fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto
da vida real, especialmente quando os limites en-
tre o fenômeno e o contexto não estão claramente
definidos.
Você sabia que...
O estudo de caso traz em seu contexto um cunho
descritivo?
O pesquisador não tem a possibilidade de intervir sobre a situação
estudada, mas sim proporcionar o conhecimento tal qual ela lhe
surge.
Além disso, esta situação ajuda a gerar novas teorias e questões
visando uma futura investigação.
106
Pesquisa ex-post-facto
Ao perquirir um fenômeno já ocorrido no contexto em que vivemos
e buscar explicações e entendimento para o ocorrido, você estará
usando de uma classificação de pesquisa ex-post-facto.
A pesquisa ex-post-facto traz como particularidade a abordagem
do fenômeno após a consecução dos fatos em seu meio natural.
Busca assim verificar quais foram os elementos gerados pelo acon-
tecimento ou ainda quais os caminhos que provavelmente surgirão
em decorrência do acontecido.
Gil (2008, p. 58) define a pesquisa ex-post-facto como:
[...] uma investigação sistemática e empírica na
qual o pesquisador não tem controle direto sobre
as variáveis independentes, porque já ocorreram
suas manifestações ou porque são intrinseca-
mente não manipuláveis.
Ou seja, os fatos já ocorreram e com base nesses fatos é que o
pesquisador procura compreender o ocorrido.
Pesquisa-ação
Como o próprio nome indica, a pesquisa-ação ocorre quando o pes-
quisador e os participantes representativos do objeto a ser pes-
quisado estão envolvidos com o fenômeno em si, atuam juntos na
perspectiva de um resultado almejado. Barros (2007, p. 92) desta-
ca que:
[...] neste tipo de pesquisa, os pesquisadores
desempenham um papel ativo no equacionamen-
to dos problemas encontrados. O pesquisador não
permanece só levantando problemas, mas procura
desencadear ações e avaliá-las em conjunto com a
população envolvida.
a interferência
do pesquisador é
totalmente nula? Pois,
não existe nenhuma
perspectiva que este
consiga alterar qualquer
situação proveniente do
ocorrido. Elas chegam ao
pesquisador após a sua
ocorrência e efeitos.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 107
Ao ser contextualizada essa forma de pesquisa enseja uma res-
ponsabilidade e co-responsabilidade sobre os dados levantados aos
seus participantes, em razão de que ambos atuam e refletem sobre
o fenômeno pesquisado, priorizando problemas e soluções para o
mesmo.
Pesquisa Participante
A pesquisa participante traz em seu bojo uma interação entre pes-
quisadores e interlocutores dos fenômenos investigados cuja finali-
dade precípua é a de obter dados e assim entender o contexto da
pesquisa. É uma forma de pesquisa orientada para a ação, na qual
a comunidade participa para a análise de sua realidade.
Em relação à interação entre pesquisador e interlocutores, Minayo
(2007, p. 70-71) ilustra bem esta questão, declarando que:
Na medida em que convive com o grupo, o obser-
vador pode retirar de seu roteiro questões que
percebe serem irrelevantes do ponto de vista dos
interlocutores; consegue também compreender
aspectos que vão aflorando aos poucos, situação
impossível para um pesquisador que trabalha com
questionários fechados e antecipadamente pa-
dronizados.
Uma das suas características básicas centra no fato de não necessi-
tar de um planejamento prévio. Esse será construído junto aos par-
ticipantes do processo investigativo. Essa práxis investigativa tem
como objetivo compreender, intervir e transformar a realidade da
qual os agentes investigativos fazem parte.
Você sabia que...
A pesquisa-ação tem sido muito utilizada, passando a
compor um campo de interesse no sistema de abordagem
teórico metodológica da práxis investigativa?
108
Observe o quadro abaixo, que ilustra esta forma de delineamento.
BIBLIOGRÁFICA DOCUMENTAL EXPERIMENTAL
PESQUISA PARTICIPANTE
DO PONTO DE VISTA
DA ABORDAGEM DO
PROBLEMA
ESTUDO DE CASO
LEVANTAMENTO SURVERY PESQUISA EX-POST-FACTO PESQUISA-AÇÃO
PESQUISA PARTICIPANTE
DO PONTO DE VISTA
Atento ao que foi mostrado até aqui como você classificaria
a sua pesquisa em relação à flexibilidade de seus alunos?
Quantoaosprocedimentostécnicos_____________________
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Forme grupos de três colegas e comentem sobre os
caminhos a serem seguidos em suas pesquisas, no tocante
ao seu delineamento.
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SEÇÃO 3
PLANEJAMENTO DA PESQUISA
Agora que você viu o delineamento de uma pesquisa, atenha-se na
questão do seu planejamento. Esse momento é considerado como
significativo, pois ele antecede ao projeto propriamente dito.
Para conhecer o significado da palavra planejamento, faça uso de
um dicionário, ou ainda, aprofunde-se em leituras no intuito de
1
2
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 109
buscar um entendimento real sobre o mesmo. Mas, atento às diver-
sas matrizes que você poderia encontrar, neste momento, exponha
o seu entendimento sobre o termo, vinculado com a sua ação na
pesquisa.
Planejar uma pesquisa não significa aventurar-se em construir algo
sem nexo. Consiste sim, em construir um caminho seguro entre a
proposta inicial e o relatório final. Esse ato, de bem planejar, virá
proporcionar uma sustentabilidade aos objetivos propostos.
Imagine-se como um pesquisador novato que começa a dar os
primeiros passos no meio científico e solicitam para você um
trabalho acadêmico sobre uma determinada ação. Possivelmen-
te você ficaria atordoado e acabaria sem saber para onde ir e
seria excluído do processo.
Esse exemplo permite que você entenda a importância de ela-
borar um planejamento consistente para atender a solicitação
feita. Assim, é de grande valia você saber que o planejamento
inicial de um trabalho acadêmico ajuda a evitar os possíveis
vieses que poderão ocorrer por ocasião da consecução do pro-
jeto em si.
Para bem contextualizar esse entendimento é interessante sa-
ber que a execução de uma pesquisa centra-se em três momen-
tos que se inter-relacionam:
1ª O primeiro seria o planejamento da pesquisa, o qual é
considerado como de suma importância dentro deste pro-
cesso.
2ª O segundo é a execução da pesquisa.
3ª E o terceiro é a divulgação dos dados pesquisados.
Planejamento é um
processo de preparação
técnica, composto por
um conjunto de ações
integradas, o qual
possibilita traçar metas,
objetivos e caminhos
para a consecução de um
trabalho acadêmico.
110
Ainda existem muitos pesquisadores que não acham
interessante a ideia de elaborar um planejamento prévio
paraasuapesquisa.Acreditamestesqueéperdadetempo
e enquanto elaboram um planejamento já estariam com
um bom caminho percorrido em seu trabalho.
Veja que um projeto de pesquisa bem planejado ganha espaço nos
meios acadêmicos. Esta ação oportunizará um melhor aproveita-
mento dos recursos empregados por ocasião da pesquisa propria-
mente dita.
Então vem a seguinte pergunta: Devemos planejar?
Sim, para você saber para onde caminhar com a intenção de pes-
quisa.
Hoje em dia, em virtude das mudanças que ocorrem a cada momen-
to no seio da sociedade, estabelecendo novos paradigmas concei-
tuais, planejar as nossas atividades de pesquisa tornou-se um fator
significativo para todos. O resultado de um bom planejamento, de
certa forma, levará a uma eficaz aplicação dos recursos destinados
e permitirá que os resultados obtidos pela pesquisa sejam utiliza-
dos da melhor maneira possível pela sociedade. Pesquisadores bem
sucedidos alcançam sucesso em suas pesquisas em razão de um
planejamento exequível de suas ações.
Esse é o espírito que você deve pautar ao realizar uma pesquisa.
Para você atender ao que preceitua um bom planejamento deve-se
ater ao primeiro problema que surge que é a definição do tema a
ser pesquisado, considerado por muitos como um fator angustiante
no processo como um todo.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 111
Frases como as expostas abaixo são comuns quando se inicia o pro-
cesso de formulação de um planejamento de pesquisa.
“Não sei o que pesquisar”.
“Não faço a mínima ideia do que quero”.
“Será que dou conta?”.
“Será que dá para pesquisar sobre [...]”.
Portanto, para superar esse problema inicial, atente-se que a cor-
reta definição do tema visa fornecer ao pesquisador o dimensiona-
mento adequado do que se pretende estudar (entendido por alguns
autores como o “fenômeno”). Esse momento virá facilitar os passos
seguintes da pesquisa.
Outro fator preponderante na consecução de um planejamento de
pesquisa é apresentado por Quivy e Campenhoudt (1992, p. 25)
como a ruptura, que deve ser feita em relação aos conceitos e
preconceitos acumulados por longo tempo sobre o fenômeno a ser
pesquisado. Isso representa um novo caminhar em busca de solu-
ções adequadas para o problema aventado.
Além dessa questão central, outras podem ser
respondidas. Entre elas: por que, para que, como,
quando e por quem pesquisar? Ou ainda, se o objeto
de estudo é significativo para você e para o contexto
acadêmico em que você está inserido.
São questões que um bom planejamento ajudará a
responder.
112
Como você pode observar, a estratégia de elaborar um planeja-
mento de pesquisa compreende a explicitação de outros momentos
além do tema. Eles também são considerados importantes dentro
do processo da consecução do planejamento e posteriormente da
pesquisa em si. É o momento da integração entre os elementos
teóricos e os aspectos metodológicos a serem utilizados.
Atente-se para o fato que o planejamento não precisa conter uma
interpretação acurada do fenômeno a ser pesquisado. Seu propósi-
to é estabelecer a estrutura básica que ensejará a pesquisa. Como
também não existe um protocolo pronto e acabado, nem tampou-
co, considerado como o melhor para ser seguido.
A escolha, elaboração e a organização do planejamento alteram-se
de uma investigação para outra. Cada uma requer pontos de refe-
rência metodológica que podem ser diferenciados em função dos
objetivos que se pretende alcançar.
Em geral, o que existe são etapas e critérios a serem seguidos. Mais
importante de tudo é você ficar atento para o fato de que quanto
mais amplo for o detalhamento do planejamento, melhor será para
o pesquisador no tocante ao desenvolvimento da pesquisa.
VOCÊ SABIA QUE...
O planejamento de uma pesquisa não pode ser estanque? Ele
pode ser modificado para atender possíveis exigências que
forem surgindo ao longo do desenvolvimento da pesquisa.
Observe que o planejamento só pode desempenhar sua função como
suporte metodológico se for bem concebido. A importância do pla-
nejamento para o pesquisador centra-se no fato de que o mesmo
possa constituir um instrumento ordenador de suas ações. Desse
modo, o pesquisador chegará com pleno conhecimento do fenôme-
no a ser estudado.
Agora que você viu sobre a importância de elaborar um planejamen-
to para a consecução de uma pesquisa, deve estar perguntando:
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 113
A resposta para a sua pergunta recai sobre o projeto de pesquisa
propriamente dito. O projeto de pesquisa é o instrumento pelo
qual você vai concretizar a ação do planejamento. Ele vai funcio-
nar como um roteiro para as suas ações na consecução da pesquisa.
Assim, uma vez consolidados os ditames teóricos sobre o que é pes-
quisa científica, a sua classificação, e principalmente a importância
de elaborar um planejamento, responda uma pergunta:
Qual é o instrumento que devo utilizar para isso?
Você já pensou no tema que pretende abordar?
Não se preocupe, é um momento de muitas dúvidas e ansiedades,
pois surge um turbilhão de temas, assuntos e problemas que gosta-
ríamos de abordar.
Na próxima seção, você tomará conhecimento de como elaborar
um projeto de pesquisa. Serão abordados quais são os componentes
básicos que compõem a sua estrutura organizacional, os quais vão
ajudá-lo a contextualizar o seu objeto de estudo.
Em pequenos grupos, discutam sobre a necessidade de
estabelecer um bom planejamento para a pesquisa.
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SEÇÃO 4
PROJETO DE PESQUISA
Você deve ter observado que essa unidade de ensino tem uma ca-
racterística especial. Desde o início, você está recebendo informa-
1
114
ções sobre quais os caminhos a serem seguidos para que obtenha
sucesso por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa.
Nas seções anteriores, você tomou conhecimento sobre o que é
pesquisa, seu delineamento, suas etapas e, por último, da impor-
tância de realizar um planejamento. Agora, nesta seção verá como
é constituída a estrutura organizacional de um projeto de pesquisa.
Porém, lembre que o projeto é um processo dinâmico e que pode
ser refeito inúmeras vezes para poder atingir um possível grau de
precisão para a execução da pesquisa.
Veja as funções de um projeto:
Lembre-se! A redação de um projeto de pesquisa tem tudo a ver
com os aspectos de sua vida acadêmica. Esta relação está circuns-
crita em três momentos:
1ª
Refere-se à busca pelo entendimento sobre o que
você pretende pesquisar, não esquecendo que suas
ideias serão ampliadas, analisadas, desenvolvidas e,
consequentemente, questionadas pela comunidade
acadêmica.
DEFINE E PLANEJA
O CAMINHO A SER
SEGUIDO
PERMITE QUE OS
ORIENTATORES EN-
TENDAM MELHOR
O SENTIDO GERAL
DO TRABALHO
SERVE DE
BASE PARA A
SOLICITAÇÃO DE
BOLSA DE ESTUDOS
ATENDE AS
EXIGÊNCIAS
ACADÊMICAS DA
INSTITUIÇÃO
PATROCINADORA
SUBSIDIA A AVA-
LIAÇÃO DA BANCA
EXAMINADORA DO
EXAME DE QUALIFI-
CAÇÃO
SERVE DE BASE
PARAAACEITAÇÃO
DE CANDITATOS
A CURSOS
ACADÊMICOS
O PROJETO
DE PESQUISA
DESEMPENHA VÁRIAS
FUNÇÔES
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 115
2ª
Relaciona-se com a ruptura dos conhecimentos acu-
mulados por você ao longo dos anos. Esta ruptura
objetiva estabelecer uma nova reflexão sobre o sig-
nificado do fenômeno a ser perquirido.
3ª Refere-se à constituição do marco teórico concei-
tual.
Esses momentos são considerados como fundamentais para todo o
processo que virá pela frente.
Assim, é de extrema valia você entender a necessidade de elaborar
um projeto de pesquisa dentro de parâmetros conceituais consis-
tentes. Isso evita que surjam improvisações, perda de tempo e de
recursos por ocasião da elaboração da pesquisa e posteriormente
de seu relatório.
Inicie o seu projeto de pesquisa. Escreva nas linhas abaixo
um assunto que você gostaria de pesquisar. Ao escolher o
assunto você está definindo o tema.
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__________________________________________________
__________________________________________________
Para a incursão no campo do projeto de pesquisa utilizamos os
conhecimentos advindos de Barros e Lehfeld, Minayo, Luna e
Vasconcelos, os quais estabelecem um conjunto de ações que
devem ser priorizadas por ocasião da elaboração de um projeto de
pesquisa. Tal iniciativa tem como respaldo as possíveis interfaces
que são apresentadas na constituição deste projeto.
Barros e Lehfeld (2007, p. 94) apresentam oito questões a serem
inicialmente respondidas pelo pesquisador, as quais estabelecem
uma relação muito próxima com os principais pontos a serem tra-
balhados na elaboração do projeto.
1
116
Aproveite e comece a responder essas questões. Isso se torna um
bom exercício. Ao responder corretamente estas questões, você já
passa a ter o discernimento se está no caminho correto ou ainda
necessita rever alguns pontos em sua intenção de pesquisa.
Compreenda que é neste momento que se começa a estabelecer
os pressupostos teóricos e metodológicos. A busca por esse dis-
cernimento se torna importante na operacionalização do projeto
de pesquisa. Acrescente-se a isso que, quanto maior for o conhe-
cimento e o planejamento do projeto, o maior beneficiado será o
pesquisador.
Você sabia que...
Ao iniciar a elaboração de um projeto de pesquisa, é de
extrema valia você ver como é constituída a sua estrutura
organizacional?
Na sequência você conhecerá a estrutura de parte textual do pro-
jeto de pesquisa. É aqui que se concentra a principal e mais impor-
tante parte do projeto. É onde as ideias e as propostas de pesquisa
são formalizadas. Ela não é uma estrutura fixa, pois existem outros
modelos ou formas de elaborar um projeto de pesquisa.
O que fazer? - definição do tema do problema
Por que fazer? - justificativa da escolha do problema
Para que fazer? - propósitos do estudo – objetivos
Quando fazer? - cronograma de execução
Onde fazer? - local: campo de pesquisa
Com que fazer? - recursos: custeio
Como fazer? - metodologia
Feito por quem? - pesquisadores
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 117
TÍTULO DO PROJETO
TEMA
OBJETIVOS
INTRODUÇÃO
PROBLEMA
JUSTIFICATIVA
HIPÓTESE (S)
REFERENCIAL TEÓRICO
METODOLOGIA
CRONOGRAMA
EXECUTORES
ORÇAMENTO
Agora conheça essa estrutura e cada tópico a interagir, começando
a escrever o seu projeto.
Título do Projeto
O título de um projeto de pesquisa é caracterizado como o primei-
ro contato que o leitor terá em relação ao seu objeto de estudo.
Poderia também ser entendido como o “cartão de visita”, ou ainda,
como um resumo do tema a ser pesquisado. É importante saber que
ele deve expressar os aspectos essenciais da pesquisa, representa-
dos pelos objetivos da pesquisa, tendo como referencial a delimita-
ção e a abrangência temporal do que se pretende pesquisar.
Ao expressar o propósito maior do projeto ele necessita ser claro,
conciso e abrangente para permitir uma adequada compreensão
do que se pretende pesquisar, não ultrapassando o limite de duas
linhas. Outra questão importante a ser observada refere-se a não
utilização de palavras supérfluas, tais como, abreviaturas, introdu-
ção, fórmulas, entre outras tantas.
Ela é dividida em sete momentos assim determinados:
118
É também essencial saber que o título, em algumas vezes, virá
acompanhado de um sub-título. Isto ocorre quando se busca tornar
o título mais específico. Neste caso, recomenda-se a utilização de
dois pontos entre ambos.
Agora elabore o seu título baseado na sua intenção de
pesquisa.
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Veja a próxima etapa.
INTRODUÇÃO
Observe que a Introdução é considerada como o primeiro diálogo
entre você e o leitor. Ela é composta por uma infinidade de vozes
advindas de seus interlocutores, tanto quanto as de uma biblio-
teca. Também ocorre nesse momento a contextualização da pes-
quisa, pela qual você vai demonstrar a sua inserção no contexto
científico.
Para isso, ela deve ser capaz de proporcionar ao leitor uma visão
global do pretendido, ressaltando o real motivo da origem da pes-
quisa e indicando as razões que o levaram a pesquisar este fenô-
meno.
Duas perguntas básicas devem permear a Introdução, as quais, de
certo modo irão ajudar a delinear o fenômeno a ser pesquisado.
1
O título de um projeto
de pesquisa pode ser
considerado como o
xeque-mate em um jogo
de xadrez. Ele é um
referencial importante na
contextualização do que se
pretende pesquisar.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 119
Ao responder as questões acima, você traçará os primeiros deline-
amentos da sua pesquisa. Em linhas gerais, ela deve conter uma
breve contextualização do tema, como esse se encontra em re-
lação a área pesquisada (estudo da arte), com a apresentação do
problema e hipótese(s), dos objetivos e da justifi	cativa a serem
alcançados. Tópicos esses que você verá a seguir.
TEMA
Em razão de ser o primeiro momento de um trabalho científico, a
contextualização do tema no processo de uma pesquisa se torna
muito importante.
Cervo (2007, p.73) ao contextualizar o seu entendimento sobre
tema declara que “o tema de uma pesquisa é qualquer assunto
que necessite melhores definições, melhor precisão e clareza do
que já existe sobre ele”, o qual pode surgir de interesses particu-
lares ou profissionais. Tome alguns cuidados na escolha do tema.
Observe-os:
1. Leve em conta o material bibliográfico que se encontra disponível a
respeito do tema a ser pesquisado;
2. Evite temas que já estão exaustivamente estudados;
3. Fixe a sua extensão, limitando o assunto a ser focalizado;
4. Indique sobre que ponto de vista vai focalizá-lo.
Não esqueça que neste instante você deve apresentar uma expli-
citação a respeito da pertinência e da relevância social e acadê-
mica, em razão dos interesses pessoais que se fazem presentes
na pesquisa, quer sejam de ordem técnica, financeira, social ou
institucional.
Lembre-se que, independentemente de sua origem, a apresenta-
ção do tema é de fundamental importância no processo da conse-
cução de um projeto de pesquisa. É considerada como o ponto de
partida do processo investigativo.
O QUE SE VAI FAZER? POR QUÊ ?
120
PROBLEMA
QUAL? QUÊ? COMO? QUANDO?
Você já definiu o tema. Agora avançará mais um pouco, verá so-
bre o problema, também conhecido como “questão de pesquisa”.
Independente da maneira como é conhecido, ele é considerado
como fundamental em qualquer projeto. Sem um problema bem
delineado, dificilmente você terá uma pesquisa de qualidade. Cer-
vo (2007, p.75) ao referenciar sobre problema entende que: “pro-
blema é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade
teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma solução”.
Na elaboração de um problema atente-se ao fato de que o mes-
mo deve ser formulado de uma maneira clara, exata e objetiva.
Deve-se também evitar termos inexpressivos que possam provo-
car uma diversidade de entendimento.
Neste sentido, atente-se para o seguinte: Não	há	regras	específi	-
cas	para	a	elaboração	de	um	problema.	Sugere-se	que	ele	seja	
elaborado em forma de pergunta.
Saiba que o problema não vem pronto. Quem o contextualiza é o
próprio autor, baseado em questionamentos feitos a partir de um
assunto a ser estudado. Ele pode ser extraído da revisão da litera-
tura ou da sua experiência.
No entanto, a revisão de literatura é outro momento considerado
como importante na consecução de um problema. Essa afirmativa
baseia-se no fato da necessidade de conhecer para poder investigar.
Gil (2008, p. 35) ao abordar sobre a relevância do problema des-
taca que:
Um problema será relevante em termos científicos
à medida que conduzir à obtenção de novos con-
hecimentos. Para se assegurar disso, o pesquisador
necessita fazer um levantamento bibliográfico da
área, entretanto em contato com as pesquisas já
realizadas, verificando quais os problemas que não
foram pesquisados, quais os que não o foram ad-
equadamente e quais os que vêm recebendo res-
postas contraditórias.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 121
Para atender esse aspecto aventado por Gil, a revisão de literatura
mostra as contribuições já existentes sobre o que se pretende pes-
quisar e, assim, estabelecer a delimitação do problema. Ninguém
consegue investigar algo que não tem um prévio conhecimento.
Outras questões devem ser respondidas por você com o objetivo
de ter um problema bem elaborado. Rudio (2000) destaca algumas
destas questões.
Trata-se de um problema original e relevante?
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Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim?
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Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo?
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Existem recursos financeiros para o estudo?
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Há tempo suficiente para investigar tal questão?
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Escreva um problema de pesquisa!
HIPÓTESE (S)
A hipótese, ou pressupostos, tem um papel significativo no projeto
de pesquisa. Elaborada após o problema, busca encontrar uma pos-
sível solução para o problema aventado.
Outra questão importante em relação à hipótese está vinculada ao
fato dela, na tentativa de responder ao problema, levantar e ofere-
1
2
3
4
5
122
cer outras informações pertinentes ao fenômeno estudado, servindo
também como uma base na definição da metodologia a ser aplicada.
Cervo (2007, p 79) ao tratar das nuances da hipótese destaca que a
mesma “orienta a execução da pesquisa. Por isso, os termos emprega-
dos na hipótese devem esclarecer, com o máximo de precisão, o que
eles significam no contexto concreto e objetivo da pesquisa a ser feita”.
Como nos outros tópicos, torna-se necessário que o pesquisador ao
elaborar a hipótese o faça de forma clara, objetiva e específica.
Assim, você pode observar que o processo de sua elaboração é de
natureza criativa. Desta maneira, não é possível estabelecer regras
para a sua construção. Atente-se que é preferível ter uma hipótese
simples a uma mais complexa. O importante é a articulação dessa
resposta para o problema formulado por você.
Outro fato interessante a respeito da construção de hipótese está re-
lacionado com aquelas palavras que envolvem julgamentos de valor.
Essas não podem ser adequadamente testadas. Seria o exemplo das
palavras a seguir: bom, mau, deve, deveria.
HIPÓTESES NÃO são perguntas,
mas SIM AFIRMAÇÕES.
RESPOSTAS provisórias a perguntas realizadas.
Mesmo considerando a sua relevância ao enfocar os possíveis resul-
tados que se espera encontrar, a hipótese não é obrigatória. Muitos
orientadores refutam a ideia de que a mesma se faça presente.
Outra questão significativa em relação à hipótese é que ela pode
ser analisada entre suas variáveis. Para isso, é preciso que pelo
menos uma delas já tenha sido fruto de conhecimento científico.
Escreva a sua hipótese de pesquisa!
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1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 123
Objetivos
PARA QUÊ?
Outro tópico considerado muito importante em um projeto de pes-
quisa refere-se à elaboração dos objetivos. Sua importância está
circunscrita na função precípua de nortear as ações de um pesqui-
sador. Eles devem ser construídos em relação direta com o proble-
ma aventado.
A definição de um objetivo de pesquisa é considerada como um
fator de suma importância neste contexto. Sem ele, não é viável a
realização de um trabalho científico. Pode-se até afirmar que a sua
clara definição colabora em muito na tomada de decisões.
Os maiores cuidados que você deve ter na elaboração dos objetivos
referem-se na aplicabilidade dos verbos, pois eles indicam ação.
Lembre-se que os objetivos estabelecem as metas a serem atin-
gidas num determinado espaço de tempo. A sua redação deve ser
clara e exequível. Quando ele é bem formulado, oferece uma base
sólida para a seleção do método a ser aplicado.
No que diz respeito às formulações dos objetivos, Richardson (2008,
p.63-4) destaca três momentos como importantes:
1ª) O objetivo deve ser claro, preciso e conciso;
2ª) O objetivo deve expressar apenas uma ideia.
Em termos gramaticais, deve incluir apenas um su-
jeito e um complemento;
3ª) O objetivo deve se referir apenas à pesquisa
que se pretende realizar […].
A seguir você conhecerá uma série de verbos que podem ser utili-
zados quando a pesquisa tem por objetivo:
124
CONHECER
apontar
citar
classificar
conhecer
definir
descrever
identificar
reconhecer
relatar
COMPREENDER
compreender
concluir
deduzir
demonstrar
determinar
diferenciar
discutir
interpretar
localizar
reafirmar
ANALISAR
comparar
criticar
debater
diferenciar
discriminar
examinar
investigar
provar
ensaiar
medir
testar
APLICAR
desenvolver
empregar
estruturar
operar
organizar
praticar
selecionar
traçar
otimizar
melhorar
SINTETIZAR
compor
construir
documentar
especificar
esquematizar
formular
produzir
propor
reunir
sintetizar
AVALIAR
argumentar
avaliar
contrastar
decidir
escolher
estimar
julgar
medir
selecionar
Fonte: Adaptado da taxionomia de Bloom. Disponível em http://www.faculdadesdombosco.
edu.br
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 125
Saiba que os objetivos de uma pesquisa são divididos em dois mo-
mentos: Geral e Específicos.
OBJETIVO GERAL
Normalmente redigido em uma única frase e utilizando o verbo no
infinitivo, o objetivo geral deve ser alinhado diretamente com o
problema aventado na proposta de pesquisa.
Como ponto de partida, visando instituir um objetivo geral
consistente, é necessário estabelecer metas mais específicas
dentro do trabalho. São elas que conduzirão ao desfecho do
objetivo geral. Usualmente, um projeto é trabalhado com
um único objetivo geral.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Considerados como estratégias para atingir e aprofundar as inten-
ções determinadas pelo objetivo geral. Devem ser escritos numa
ordem lógica de ação, pois definem os diferentes pontos a serem
abordados.
Cuidados especiais terão que ser tomados por ocasião da elabora-
ção dos objetivos específicos:
1º 	 O número de objetivos. Recomenda-se a utilização de três a
cinco objetivos específicos;
2º 	 O cuidado de que os mesmos não sejam novos objetivos gerais;
3º	 A vinculação com a(s) hipótese(s). No tocante a esta recomen-
dação lembre-se sempre que para cada hipótese aventada é
necessário um objetivo específico. Portanto, quanto mais hi-
póteses, mais complexa é a pesquisa.
126
Você deve ter notado a importância de bem contextualizar os ob-
jetivos. Mas não esqueça que por ocasião da sua elaboração, sejam
eles classificados como gerais ou específicos, devem ter uma carac-
terística comum: serem modestos e plausíveis, pois são mais fáceis
de serem alcançados.
Nesta altura você já está pensando em como elaborar os objetivos
de seu objeto de estudo. Então vamos lá.
Elabore um objetivo geral e quatro objetivos específicos
relacionados ao seu tema!
Objetivo Geral: ____________________________________
__________________________________________________
Objetivos Específicos: _______________________________
__________________________________________________
Justificativa: _______________________________________
__________________________________________________
1
POR QUÊ?
Neste momento é que você vai apresentar para a comunidade cien-
tífica quais os motivos pelos quais o levaram a propor esta pesquisa
e principalmente demonstrar a relevância que esta tem no contex-
to social e acadêmico. A justificativa deve exultar a importância
social, teórica e científica do tema a ser pesquisado. Poderia ser
entendida aqui como o convencimento a ser consignado sobre a
importância da real efetivação da pesquisa.
Observe que a elaboração da justificativa centra-se em alguns
questionamentos. Esses devem conduzir para a exposição dos re-
ais motivos que o levaram a decidir pelo tema e da finalidade da
pesquisa.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 127
O tema é relevante? Por quê?
O trabalho é inédito?
Qual o vínculo do autor com o tema a ser pesquisado?
Que motivos a justificam? Quais as contribuições que a
mesma trará para a ciência e para a sociedade?
Quais são os pontos positivos que ela apresenta?
Quais pontos positivos você percebe na abordagem da
proposta?
A partir das respostas destas questões, o leitor vai ser cativado para
avançar na leitura do seu projeto e consequentemente demonstrar
o interesse pelo que você está escrevendo.
Tome cuidado em não responder o que vai ser buscado no trabalho
de pesquisa. Isso ocorre quando pesquisadores não têm argumentos
suficientes para mostrar a importância de seu objeto de estudo.
No que diz respeito à redação da justificativa, saiba que a mesma
deve ser pessoal, com uma linguagem clara, concisa e coerente.
Saliente os motivos pelos quais a sua pesquisa é relevante e opor-
tuna. Relevante para quem? Por que oportuna?
Baseado nas questões acima, elabore a justificativa do seu
tema.
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
Encerra-se aqui a parte referente à introdução. Agora você passará
para outra parte do projeto que aborda sobre o referencial teórico.
1
128
O QUE JÁ FOI ESCRITO SOBRE O ASSUNTO ?
REFERENCIAL TEÓRICO
Neste tópico você verá considerações sobre o referencial teórico.
Ele é considerado fundamental na contextualização de uma pes-
quisa. Para isto, ele traz como escopo em sua estrutura as fontes
necessárias para o aprofundamento da discussão sobre o tema es-
colhido por você.
O referencial teórico também recebe as seguintes
denominações no meio acadêmico: revisão bibliográfica,
marco referencial, marco teórico referencial, revisão
teórica, fundamentação bibliográfica, entre outras.
Mesmo com todas essas denominações, ele tem sempre o ob-
jetivo de proporcionar uma fundamentação teórica, histórica,
do estado da arte ou metodológica consistente sobre o objeto
contextualizado.
Luna (2002, p. 80) ao tratar sobre os objetivos da revisão de litera-
tura enfatiza a sua importância para o contexto da sistematização
do projeto ao destacar que “uma revisão de literatura é uma peça
importante no trabalho científico e pode, por ela mesma, consti-
tuir um trabalho de pesquisa”.
Assim, Luna ao referenciar a revisão de literatura como um fator
intrínseco para o projeto de pesquisa destaca que esta deve rece-
ber um dos seguintes tratamentos.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 129
Estado da Arte
Corresponde “descrever o esta-
do atual de uma área de pes-
quisa: o que já se sabe, quais as
principais lacunas, onde se en-
contram os principais entraves
teóricos e/ou metodológicos”
Luna (2002, p. 82).
Revisão Teórica
Traz como objetivo “circuns-
crever um dado problema de
pesquisa dentro de um quadro
de referência teórico que pre-
tende explicá-lo” Luna (2002,
p. 83). Destaca também que
“neste caso específico, o pro-
blema tem origem num quadro
teórico que lhe dá, suposta-
mente, coerência, consistência
e validade” Luna (2002, p. 83).
Revisão de Pesquisa Empírica
Neste tópico enfatiza que
“uma das funções mais impor-
tantes desse tipo de revisão é
a explicação de como o pro-
blema em questão vem sendo
pesquisado, especialmente do
ponto de vista metodológico”
Luna (2002, p. 85).
Revisão Histórica
Demonstra que essas “são ex-
tremamente importantes, mas,
infelizmente, raras. Seu princi-
pal objetivo é a recuperação da
evolução de um conceito, área,
tema etc. [...]” Luna (2002, p.
87).
Tenha em mente a importância que esta revisão de literatura pos-
sui na elaboração do projeto de pesquisa. Pois, ela favorecerá a
definição de contornos mais precisos por ocasião de estabelecer o
que se sabe sobre o objeto, provendo o pesquisador de um emba-
samento teórico e metodológico consistente quando da discussão
do objeto de estudo.
Nessa fase, recomenda-se que o pesquisador responda algumas
questões, que de certo modo ajudará na elaboração do referido
material.
130
Silva e Menezes (2001, p.30) destacam as seguintes questões:
1ª Quem já escreveu sobre o assunto?
2ª O que já foi publicado sobre o assunto?
3ª Que aspectos já foram abordados?
4ª Quais as lacunas existentes na literatura?
Atente-se para o fato de que uma revisão da literatura mal elabo-
rada, incompleta ou feita de afogadilho, pode ocasionar um des-
perdício de tempo e consequentemente de recursos.
Gil (2008, p. 60) ao referenciar o uso da biblioteca destaca:
Parte considerável do trabalho de pesquisa con-
siste na utilização de recursos fornecidos pelas
bibliotecas. Isso é verdadeiro não apenas para as
pesquisas caracterizadas como bibliográficas, mas
também para os demais delineamentos. Qualquer
que seja a pesquisa, a necessidade de se consultar
material publicado é imperativa. [...] também se
torna necessária a consulta ao material já publi-
cado tendo em vista identificar o estágio em que se
encontram os conhecimentos acerca do tema que
está sendo investigado.
Onde localizar o material para elaborar o referencial teórico
Uma boa técnica para você executar quando estiver nessa etapa
é utilizar-se de fichamentos/apontamentos, juntamente com co-
mentários pessoais, objetivando acumular e organizar as ideias
relevantes já produzidas pela ciência. Tópico que você verá na
unidade quatro.
Nos dias atuais, a facilidade de encontrar um material bibliográfico
condizente para dar uma sustentação teórica de um projeto de
pesquisa tornou-se muito fácil.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 131
Entre outros tantos meios você vai encontrar:
LIVROS
Os livros proporcionam um bom refe-
rencial para iniciar um projeto de pes-
quisa. Deve-se dar preferência para as
obras científicas.
REVISTAS	/	PERIÓDICOS
Nos dias atuais, existe um número sig-
nificativo de revistas/periódicos cien-
tíficos que abordam os mais diversos
temas. São publicações editadas com
uma frequência regular.
TESES E DISSERTAÇÕES
São consideradas como uma fonte de
excelência. Fáceis de serem localiza-
das e até mesmo de obtê-las por meio
de consultas em sites (ex.: http://
www.diaadiaeducacao.pr.gov.br), em
sites das universidades que oferecem
cursos de pós-graduação ou no da CA-
PES (http://www.capes.gov.br).
BASE DE DADOS
Outro espaço considerado como uma
fonte de informação prioritária para a
obtenção de dados referentes ao tema
a ser pesquisado.
Agora que você já tomou ciência da importância do referencial
teórico, comece a levantar o material relacionado ao seu tema.
METODOLOGIA
Como? Com quê? Onde?
Essas são as perguntas básicas que compõem a metodologia, as
quais devem ser respondidas por ocasião da elaboração da metodo-
logia. Nessa etapa é que se esquematizará a execução da pesquisa
e o desenho metodológico que se pretende adotar. Para isso, será
necessário relacionar os procedimentos e pressupostos técnicos a
serem utilizados. No entanto, esses procedimentos e pressupostos
132
não deverão se tornar uma amarra cujos ditames sejam considera-
dos como um empecilho a criatividade do pesquisador.
A metodologia é considerada uma das partes mais intensas de um
projeto, juntamente com a revisão de literatura, pois ela deve
apresentar, a um só tempo, um conjunto de itens e de instrumentos
de forma detalhada e sequencial, de técnicas e métodos a serem
utilizados ao longo da pesquisa.
Minayo (2007, p. 47) ao abordar sobre os aspectos metodológicos
de uma pesquisa declara que:
A seção de metodologia contempla a descrição da
fase de exploração de campo (escolha do espaço
da pesquisa, critérios e estratégias para escolha do
grupo/sujeitos de pesquisa, a definição de méto-
dos, técnicas e instrumentos para a construção de
dados e os mecanismos para entrada em campo),
as etapas do trabalho de campo e os procedimen-
tos para análise.
Um aspecto considerado importante seria a definição das etapas
anteriores para melhor formular os instrumentos metodológicos.
Ou seja, a revisão da literatura, o problema, a(s) hipótese(s), os
objetivos e a justificativa. Pois, só assim será possível estabelecer
com fidedignidade os caminhos a serem utilizados.
Observe que nesse tópico você deverá informar as seguintes
questões:
MÉTODO EMPREGADO
Dedutivo - Indutivo - Hipotético -
Dedutivo - Dialético - Fenomenológico
NATUREZA DOS DADOS
Básica - Aplicada
ABORDAGEM DO PROBLEMA
Qualitativa - Quantitativa
OBJETIVOS
Expositiva - Descritiva - Experimental
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Bibliografia - Documental - Experimental -
Levantamento - Estudo de Caso
Você também poderá
encontrar na bibliogra-
fia sobre projetos as
seguintes terminologias:
Procedimentos Meto-
dológicos ou Materiais
e Métodos. aqui não
importa a denominação,
mas sim o conteúdo.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 133
Além desses momentos já vistos em delineamento da pesquisa,
existem outros que também deverão ser inseridos no capítulo refe-
rente à metodologia. Entre esses temos:
Coleta de dados
Ao se indagar a realidade, com o objetivo de obter dados, faz-se
com que a coleta de dados seja considerada por muitos pesquisa-
dores como um dos momentos mais importantes de todo o processo
científico. A qualidade da informação que se deseja obter junto à
população pesquisada é considerada como o suporte científico para
a contextualização da produção intelectual.
Para que a sua coleta de dados atinja um patamar aceitável cien-
tificamente é necessário estar atento para alguns quesitos, assim
elencados:
1º 	 Quem deve ser entrevistado? Tamanho da amostra, características
que serão pesquisadas.
2º 	 Qual é o melhor instrumento de coleta de dados a ser utilizado para
o grupo escolhido?
3º Formular as questões, quando for o caso, com clareza.
4º Assegurar a privacidade dos entrevistados.
5º Não direcionar as respostas.
6º Evitar perguntas com duplo sentido.
7º Evitar perguntas com jargões, terminologia técnica ou gírias.
8º Evitar perguntas emocionais ou negativas.
9º Realizar um pré-teste do material a ser utilizado.
Ao lançar mão dos instrumentos para a coleta de dados é interes-
sante que os registros obtidos sejam organizados e sistematizados
para que você possa utilizá-los de uma maneira adequada.
Características da População
Nesse item é interessante caracterizar a população que será estu-
dada. Atente-se que a população represente um conjunto de obje-
tos ou de indivíduos, os quais apresentam determinadas caracterís-
ticas que podem ser representadas por uma unidade física ou por
indivíduos. Por exemplo, se você vai estudar o comportamento dos
134
alunos do curso de Licenciatura em Educação Física a distância
nas aulas práticas a população seria todos os alunos daquele curso.
E a amostra poderia ser uma parcela destes alunos.
Importante ressaltar o que Minayo (2007, p. 47) declara a este res-
peito. “O campo de observação precisa ser definido, entendendo-
o como os locais e sujeitos que serão incluídos, o porquê destas
inclusões (critérios de seleção) e em qual proporção serão feitas”
(destaques da autora).
Amostra da População
Considerando que nem sempre é possível analisar a população
como um todo, a amostra configura-se como elemento essencial
nestes casos. Minayo (2007, p. 48) ilustra bem esse argumento ao
demonstrar que existem dois tipos de amostra:
As probabilísticas (quando todos os elementos de
uma população possuem probabilidade conhecida
e não-nula de participarem da amostra escolhida)
e as não probabilísticas.
Atente-se para o fato de que na sua pesquisa você precisa definir a
amostra que será usada para coletar informações sobre sua temá-
tica. Este procedimento garante uma delimitação necessária para
a pesquisa.
Instrumentos de coleta de dados
Os instrumentos de coleta de dados mais comumente utilizados
em pesquisas são: questionário, entrevista, observação e recursos
documentais. Entende-se que ao utilizar um desses instrumentos o
sujeito pesquisado pode informar ou demonstrar de forma direta as
suas ações e entendimento sobre o assunto a ser pesquisado.
Em relação à escolha dos instrumentos, Vasconcelos (2002, p. 209)
diz que:
[...] a escolha dos instrumentos e das fontes de
informação e dados não deve ser aleatória ou
apenas fruto do desejo ou das competências téc-
nicas especificadas do pesquisador ou consultor.
Ela deve ser criteriosa e levar em conta algumas
regras básicas.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 135
Em relação a estas regras básicas, Vasconcelos (2002, p. 209) apre-
senta o seguinte quadro:
a) Ser coerente com a estrutura teórico-técnica do
projeto [...];
b) Levar em conta a disponibilidade e acessibili-
dade aos dados sob investigação;
c) Levar em conta e se adequar às características
específicas dos indivíduos, da população, do ambi-
ente ou organização sob investigação, inclusive ao
tamanho da amostra necessária e as condições do
contato para coleta de informação;
d) Levar em consideração os recursos humanos, fi-
nanceiros, técnicos de análise [...]
e) Ser coerente com a estratégia institucional e
com as questões éticas definidas no planejamento
do projeto.
A decisão de qual instrumento você deve utilizar vai depender em
muito do porte e/ou da abrangência que vai ser dada à pesquisa em
si. Atente-se ao fato de que qualquer um dos instrumentos utiliza-
dos para o registro e medição dos dados é necessário preencher os
seguintes requisitos: validez, confiabilidade e precisão.
Em relação aos instrumentos de coleta de dados observe o se-
guinte:
Questionário
Constitui-se de uma série ordenada de perguntas que devem ser
respondidas por escrito, sem a interferência do pesquisador. A sua
linguagem deve ser simples, direta, clara e limitada. É considera-
do, juntamente com a entrevista, como um dos instrumentos mais
utilizados pela comunidade de pesquisadores.
Vasconcelos (2002, p. 222) demonstra que:
[...] a confecção de questionários, que a primeira
vista parece ser simples, exige um treinamento
prévio e uma cuidadosa avaliação das característi-
cas do tema, da cultura da população amostrada e
da linguagem envolvida no fenômeno.
136
De acordo com a categoria das perguntas o questionário pode ser
classificado desta maneira:
Questões Fechadas
Apresentam respostas fixas - sim/não ou
falso/verdadeiro.
Questões abertas
Modelo no qual o pesquisador esta interes-
sado na opinião mais elaborada do infor-
mante sobre o assunto.
Questões mistas
O pesquisador pode obter informações e
opiniões mais elaboradas.
Ao aplicar um questionário recomenda-se que o tempo necessário
para seu preenchimento não ultrapasse uma hora.
ENTREVISTA
Por fornecer uma quantidade considerável de informações, a entre-
vista é considerada como um instrumento flexível para a obtenção
de dados. A sua forma estrutural centra-se em quatro momentos a
seguir especificados: entrevistador, entrevistado, local da entrevis-
ta e roteiro. Vasconcelos (2002, p. 220) destaca que a entrevista:
[...] é especialmente adequada para obter infor-
mações sobre o que as pessoas e grupos sabem,
acreditam, esperam, sentem e desejam fazer,
fazem ou fizeram, bem como suas justificativas ou
representações a respeito desses temas.
Ela pode ser contextualizada da seguinte maneira:
Estruturada Onde o pesquisador elabora uma série de
questões que visam obter dados uniformes
para uma eventual comparação entre os mes-
mos.
Semiestruturada Onde o pesquisador parte de um roteiro bási-
co, mas permite que a entrevista aborde ou-
tros assuntos que vão surgindo em relação ao
tema principal.
De livre narrativa Onde não há questões formuladas previa-
mente e o entrevistado fala livremente sobre
o assunto.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 137
Atente-se para o fato que a entrevista oportuniza uma estreita re-
lação com o entrevistado.
Observação
É uma técnica que consiste em examinar, presencialmente, de for-
ma criteriosa e seletiva a realidade a ser estudada, observando a
descrição dos sujeitos e das atividades, os diálogos e os comporta-
mentos individuais.
Vasconcelos (2002, p. 219) ao referenciar a coleta de dados com
ênfase na observação destaca que:
[...] é importante lembrar que em qualquer proc-
esso de observação a relação entre o observador e
o mundo observado é bastante crítica e precisa ser
cuidadosamente planejada e ter suas implicações
sistematizadas e incluídas na própria análise do
fenômeno.
Atente-se que esse modelo de coleta de dados pode ser contextu-
alizado de duas formas:
Observação
simples
Quando o pesquisador faz sua observação de uma
maneira informal, assume uma relação mais ex-
terna com o fenômeno a ser observado.
Observação
participante
Nesta categoria o pesquisador participa na situa-
ção pesquisada, assumindo papéis dentro do fenô-
meno estudado.
Em ambas as situações, todos os possíveis dados reveladores tais
como conflito, diálogos, problemas devem ser avaliados pelo pes-
quisador.
Registros documentais
O instrumento de coleta de dados centrado em registro documen-
tal é considerado como uma das primeiras formas a ser considerada
pelo pesquisador. Por ser estável, essa forma de coleta de dados
oportunizará a redução de tempo e custo para o pesquisador. Aqui
você pode utilizar a pesquisa bibliográfica e/ou documental.
138
CRONOGRAMA
QUANDO?
Tendo como base a pergunta “QUANDO”, o cronograma é o espaço
pelo qual você representa o tempo necessário para execução do
projeto. Nele são especificadas todas as etapas da pesquisa, bem
como, a duração de cada uma delas. As apresentações das etapas
devem ser feitas em ordem de execução.
Ao dimensionar cada fase da pesquisa atente-se sempre para o fato
de que a utilização do tempo deve ser a mais racional possível.
Ao delinear a sequência da investigação, o cronograma pode con-
ter uma série de etapas. É possível que duas etapas tenham que
ocorrer simultaneamente. Para uma boa visualização do cronogra-
ma, recomenda-se o uso de tabelas. Esta tabela pode ser dividida
em dias, semanas, meses, ou ainda por alguma outra forma que
venha contemplar os anseios do pesquisador.
No cronograma devem constar: planejamento, estudos explora-
tórios (se for o caso), aquisição de equipamentos, montagem do
laboratório, padronização das técnicas (se for o caso), coleta de
dados, organização dos dados, análise e interpretação, elaboração
de relatórios (parcial/final).
Veja exemplo montado para você:
ATIVIDADE ANO	-	2009 ANO-2010
MAR. ABR. MAL. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ. JAN. FEV. MAR. ABR. MAI.
Escolha do
tema
Elaboração
do Projeto
Revisão da
literatura
Fichamen-
to das lei-
turas
Redação da
metodolo-
gia
Coleta de
dados
Análise da
coleta de
dados
R e d a ç ã o
final
Apresenta-
ção
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 139
QUEM VAI FAZER ?
Esse tópico constitui-se como um elemento obrigatório. Deve fi-
gurar o nome do pesquisador, a sua filiação institucional, a linha
de pesquisa pretendida. Se for possível deve constar o nome do
Orientador e Co-orientador.
ORÇAMENTO
QUANTO CUSTA ?
O orçamento de um projeto de pesquisa deve ser elaborado de
forma detalhada em relação aos gastos para o desenvolvimento da
pesquisa.
EXECUTORES
Exemplo :
Material de Consumo
ITEM QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL
Papel A4 5000
CD 05
Cartucho para
impressora
02
SUBTOTAL
Material Permante
ITEM QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL
Mesa
Cadeira
SUBTOTAL XXX
140
As rubricas devem arrolar gastos de consumo, de terceiros,
de outros serviços e encargos e gastos com material
permanente. Os valores devem ser expressos em moeda
corrente.
Apesar de ser necessário somente em pesquisas que solicitam apoio
financeiro para a sua execução junto a Agências de Fomento à Pes-
quisa ou outros órgãos congêneres, entende-se que ele é de suma
importância. Por isso, não deve ser contextualizado simplesmente
por mera formalidade.
Serviços de Terceiros
ITEM QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL
Digitação X
Correção de Português X
Correção das Normas
ABNT
X
Fotocópias
SUBTOTAL XXX
Quadro resumo do orçamento
RUBRICAS TOTAL
MATERIAL DE CONSUMO
MATERIAL PERMANENTE
SERVIÇOS DE TERCEIROS
TOTAL GERAL
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 141
1
REFERÊNCIAS
Esse tópico tem a finalidade de relacionar todas as referências uti-
lizadas na execução do projeto de acordo com as normas emanadas
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em especial
as Normas Brasileira (NBR) 6023:2005.
A finalidade de constar as referências seria a de permitir ao leitor
do projeto verificar as fontes de informações usadas na sua elabo-
ração, permitindo recuperar e confrontar dados.
Um cuidado especial deve ser tomado com relação às fontes ele-
trônicas, especialmente as provenientes da Internet. Todas elas
devem ser referenciadas com a data da consulta e impressas para
documentação, pois são feitas muitas modificações nesse tipo de
meio.
Acrescente a isso que a redação em um projeto de pesquisa deve
utilizar o verbo no tempo futuro, bem como, a apresentação deve
ser na mesma ordem em que será desenvolvida.
Formem grupos de quatro colegas e apresentem seus
projetos de pesquisa. Seria interessante que após a
apresentação seus colegas fizessem comentários a respeito
de sua proposta.
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__________________________________________________
142
SÍNTESE
Nesta unidade procuramos mostrar a você a contextualização de
uma pesquisa científica. Por mais complexo que seja o seu entendi-
mento, na primeira seção você tomou conhecimento da premência
que o homem tem em prover-se de instrumentos adequados para
interagir no seio da sociedade desde os primórdios da civilização,
em razão da necessidade de obter novos conhecimentos.
Vimos também a classificação da pesquisa. O delineamento apre-
sentado centrou-se em pressupostos teóricos entendidos como
clássicos dentro deste processo. Você viu como a pesquisa pode ser
classificada dentro de seus diversos aspectos: quanto à natureza;
do ponto de vista da abordagem do problema; dos seus objetivos e
dos seus procedimentos técnicos. Lembramos que o delineamento
da pesquisa é considerado pelos pesquisadores como um fator de
suma importância na elaboração de um projeto de pesquisa. Outro
fator importante a ser lembrado é que este deve atender aos pres-
supostos teóricos determinados e de estar em plena conexão com
o problema e hipóteses que se almeja discutir.
Após a caracterização de cada etapa deste delineamento, você
viu o foco voltado para o planejamento da pesquisa. Com o avan-
ço sistemático da ciência e de novos paradigmas instados a todo
o momento em nossas vidas, buscou-se mostrar a importância de
bem planejar as ações voltadas para a pesquisa científica. Ao bem
planejar a sua pesquisa científica, com o intuito de construir um
caminho seguro entre a proposta inicial e o relatório final, com
certeza, você evitará uma série de transtornos e contratempos.
Esse ato, de bem planejar, virá proporcionar uma sustentabilidade
acadêmica aos objetivos propostos.
Você deve ter observado que desde o início desta unidade foi rece-
bendo informações sobre os caminhos a serem seguidos para que
obtenha sucesso por ocasião da elaboração do projeto de pesqui-
sa. Tomou conhecimento sobre o que é pesquisa, seu delineamen-
to, suas etapas, e por último, da contextualização de um projeto
de pesquisa.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 3 143
Essa caminhada traz em seu contexto um objetivo principal: de-
monstrar a você que o projeto é um processo dinâmico e que deve
atingir um possível grau de precisão para a execução da pesquisa.
Sequencialmente, você trabalhou com a parte textual do projeto re-
presentado pela Introdução - tema, objetivos, problema, hipótese, jus-
tificativa, considerada como o primeiro diálogo entre você e o leitor.
Após esta primeira etapa, você trabalhou com o referencial teórico
cujo objetivo é o de proporcionar uma fundamentação teórica, his-
tórica, do estado da arte ou metodológica consistente sobre o obje-
to contextualizado. Na sequência, empregou esforços para estabe-
lecer a metodologia a ser seguida em seu trabalho. Outro momento
significativo na elaboração do projeto, pois é aqui se esquematiza
a execução da pesquisa e o desenho metodológico que se pretende
adotar. Posteriormente determinou o cronograma, os executores e
o orçamento, fechando desta maneira o ciclo de um projeto.
Desse modo, você, nesta unidade, teve a oportunidade de come-
çar a esboçar o seu projeto de pesquisa. Agora convido você para
juntos irmos para a próxima unidade onde você conhecerá as dire-
trizes para a elaboração e apresentação de trabalhos acadêmicos.
Releia a seção 01 e re-elabore o seu conceito de pesquisa
científica.
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Descreva os motivos pelos quais você irá pesquisar!
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Releia a seção 02 e descreva as principais diferenças entre
uma pesquisa qualitativa e quantitativa, relacionando com
as demais classificações.
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1
2
3
144
Lendo a seção 03 você ficou sabendo a importância de
realizar um planejamento. Explique qual a importância do
planejamento na sua pesquisa.
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	 __________________________________________________
	 __________________________________________________
Tendo como referência a seção 4, pesquise em livros sobre
metodologia e explique como poderão ser elaborados os
seguintes tópicos: a. Tema; b. Problema; c. Hipótese;
d. Objetivos; e. Justificativa; f. Referencial Teórico; g.
Metodologia; h. Cronograma.
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4
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METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 3 145
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Anotações
unidade
ObjetivoS dESTA unidade:
Realizar a leitura
metódica de textos
referentes à sua área de
formação;
Usar e construir
fichamentos das
leituras de diversas
obras, principalmente
de resumo, bem como
promover uma análise
crítica das leituras
por intermédio da
elaboração de resenhas.
4
Diretrizes para elaboração e
apresentação de trabalhos
ROTEIRO DE ESTUDOS
•	 SEÇÃO 1 – Leitura
•	 SEÇÃO 2 – Fichamento
•	 SEÇÃO 3 – Resumos
•	 SEÇÃO 4 – Resenhas
•	 SEÇÃO 5 – Comunicação científica
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
148
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Você estudou na unidade três a pesquisa científica. Nesta seção,
você identificará formas de organizar a leitura de textos da sua
área. Para tanto, você terá como roteiro as obras de Medeiros
(2005), Marconi e Lakatos (1987) Quivy e Campenhoudt (1992).
Nesta unidade, você centrará a atenção nos tipos de leitura, como
forma de obtenção de conhecimentos, tendo como foco a articu-
lação da construção do seu conhecimento, via o conhecimento
científico, realizando os registros em formas de fichamentos. Além
disso, você verá critérios para realizar o resumo dessas obras, bem
como terá informações para a confecção de resenhas. No quinto
momento, você vai ver como se elabora a comunicação científica.
SEÇÃO 1
LEITURA
Medeiros (2005) apresenta a prática de leitura como um processo
de interação entre o leitor e o autor do texto escolhido. Sobretudo
pelo fato de estabelecer uma compreensão da sociedade via o pro-
cesso de linguagem em contextos históricos e sociais. Você obser-
vará neste autor que a leitura é seletiva. Sobretudo, questões são
elaboradas para que você possa realizar uma leitura atenta.
Com as questões acima, Medeiros (2005, p. 68) apresenta modos
de realizar a leitura. Você deve se preparar para responder aquelas
O que o a autor quis dizer?
Qual a relação do texto que você leu com outros textos?
Qual a relevância do texto?
O que você entendeu da leitura?
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 149
questões, uma vez que o importante é saber que um texto “é uma
unidade que organiza suas partes; e o contexto é a situação do
discurso, ou conjunto de circunstâncias entre as quais se dá um ato
de enunciação”.
A questão central é você identificar o contexto dentro do enuncia-
do; o conjunto de elementos que precedem e seguem o enunciado.
Dito de outra forma, se não identificar a situação em que ocorre
um enunciado, o leitor perde o sentido global do texto. Para isso, é
necessário identificar o jogo que se estabelece entre o escritor e o
leitor. O jogo de ideias enfrentado no processo de leitura.
Antes de você adentrar as estratégias de leitura, visualize três ti-
pos de leitor proposto por Mary Kato (apud MEDEIROS, p. 73):
Leitor que privilegia o processamento descendente:
apreende facilmente as ideias gerais e principais
do texto, é fluente e veloz. Ponto negativo: tenta
excessivamente adivinhar ideias sem confirmá-las
com o texto;
Leitor que privilegia o processamento ascendente:
constrói o significado com base nas informações do
texto.
Ponto negativo: dedica-se pouco à leitura das en-
trelinhas e tem dificuldades em sintetizar ideias e
em separar ideias principais das secundárias.
Leitor maduro: utiliza ambos os processos [...]
complementarmente.
Ponto forte: tem controle consciente e ativo de
seu comportamento.
Medeiros apresenta níveis de leitura que um bom leitor deveria
praticar. Sobretudo, o texto desse autor aponta para que você se
conscientize de que numa boa leitura você deverá ser capaz de
identificar a incompletude de um discurso, identificá-lo como um
lugar de confronto ideológico, e como tal, deve ser desvendado, de
forma que pressupostos, contexto situacional e histórico, meca-
nismos de produção de sentido, a intertextualidade, entre outros
aspectos que possam ser privilegiados.
150
Apoiando-se em Molina (1992), Medeiros apresenta os níveis de lei-
tura que tendem a um comprometimento com o resultado de sua
leitura. São eles:
Importante ressaltar que os níveis acima são cumulativos. Existem
diferentes leituras que permitem uma interação entre leitor e tex-
to com a identificação de múltiplos significados.
Medeiros apresenta mais duas práticas de leitura. Uma apoiada em
Morgan e Deese, e outra em Molina. Na primeira, a técnica é co-
nhecida como SQ3R (MEDEIROS, 2005, p.80) a segunda sugere a
você uma série de passo:
1. Survey (levantamento);
2. Question (pergunta);
3. Read (leitura);
4. Recite (repetição);
5. Review (revisão).
Com a técnica acima você pode organizar sua leitura fazendo o
levantamento do que se pretende ler, levantar as questões centrais
do texto, realizar a leitura, repetir o processo reconstruindo as
ideias do autor e realizar a revisão de todo o processo.
Por sua vez, os passos apresentados por Molina (apud MEDEIROS,
2005, p. 80) são os seguintes:
NÍVEIS DE LEITURA:
1. 	 Leitura elementar: leitura básica ou inicial pela qual
se reconhece cada palavra de uma página.
2. Leitura inspecional: Arte de folhear sistematicamente;
3. 	 Leitura analítica: leitura minuciosa, completa [...]
tem em vista o entendimento;
4. 	 Leitura sintópica: leitura comparativa entre vários li-
vros correlacionando-os entre si.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 151
Visão geral do capítulo;
Questionamento despertado pelo texto;
Estudo do vocabulário;
Linguagem não verbal;
Essência do texto;
Síntese do texto;
Avaliação.
Veja cada um dos passos apresentados acima. Para que você obte-
nha uma visão geral do capítulo, você precisa realizar uma leitura
inspecional, de tal forma que você verá a estrutura do capítulo, os
títulos e subtítulos. Medeiros (2005, p. 80) salienta que as seguin-
tes questões deverão permear sua atenção:
1. Qual o assunto tratado no capítulo?
2. Qual a ordem das ideias expostas?
O questionamento despertado pelo texto será a segunda etapa que
você trilhará. Para isso, você deverá transformar títulos e subtítu-
los propostos pelo autor do texto que está lendo em perguntas. A
ênfase é saber fazer perguntas, e assim, proporcionar a você uma
expectativa crescente quanto à leitura.
O livro de Pessoa (2005), “Dissertação não é bicho-papão: desmis-
tificando monografias, teses e escritos acadêmicos”, inicia com o
tópico “Fazer ou não fazer a dissertação”.
Você pode transformar esse tópico na seguinte questão:
Por que fazer ou não uma dissertação?
O estudo do vocabulário refere-se ao emprego do dicionário no
sentido de empregar palavras novas e a análise das mesmas. A lei-
tura deve lhe proporcionar prazer, consolidando o hábito da leitu-
ra. Apoiado em Molina, Medeiros sugere que o uso do dicionário não
deve ser empregado de forma imediata. Você deve primeiro tentar
compreender a palavra pelo contexto em que foi empregada. Me-
deiros aponta algumas pistas para que você consiga visualizar esse
contexto.
152
As pistas seriam as expressões “isto é, ou seja, ou, aposto, ou ex-
pressões que aparecem entre parênteses” (MEDEIROS, 2005, p.
82). Não conseguindo dar esse contexto recorre-se ao dicionário.
Você deverá ler todo o verbete e localizar uma expressão que me-
lhor se encaixa no contexto. Outro procedimento seria recorrer à
etimologia da palavra.
Outro passo é a linguagem não verbal. Por meio dela, você buscará
o entendimento complementar no texto. Medeiros se refere a fo-
tos, mapas, quadros, gráficos, tabelas etc... A ideia é olhar atenta-
mente e desvelar qual a intenção daquela imagem complementar.
uSE uM DICIONÁRIO
5000
4500
4000
3500
3000
HOME THEATERS
Ompração entre 2004 e 2005
TOSHIBA SONY PHILIPS LG
DECIFRE OS
SIGNIFICADOS
DOS DADOS
QUANTIDADE
MARCA
Dia da Semana Frequência das ordenhas
Duas ordenhas to-
dos os dias da se-
mana
Somente uma ordenha
pela manhâ num dia
da semana
Vacas não ordenha-
das por um dia na
semana
Segunda-feira 10,45 +
0,34ª 11,24 +
0,34ª 11,47 +
0,36ª
Terça-feira 10,32 +
0,34ª 9,04 +
0,34b
7,20 +
0,36c
Quarta-feira 10,34 +
0,34ª 9,59 +
0,34b
10,08 +
0,36b
Quinta-feira 10,31 +
0,34ª 9,75 +
0,34b
10,25 +
0,36b
Sexta-feira 10,16 +
0,34ª 9,61 +
0,34b
10,12 +
0,36b
Sábado 9,87 +
0,34ª 9,38 +
0,34b
9,90 +
0,36c
Domingo 10,22 +
0,34ª 6,29 +
0,34c
0,00 +
0,00ª
A essência do texto é alcançada por meio da complementaridade-
dos passos anteriores. Chega-se a esse passo com a preocupação de
identificar as ideias principais, situando você no contexto ideológi-
co. Exigências Desse Estágio de Leitura:
• Apreender as principais proposições do autor;
• Conhecer os argumentos do autor;
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 153
• Identificar a tese do autor;
• Avaliar a ideias propostas.
Essencial para você seria a preocupação em localizar a ideia de
cada parágrafo. Para isso, você deve sublinhar o texto. Você deve
destacar as questões relevantes de tal forma que você adquira um
método de marcação. As formas mais usuais, apresentadas por Aze-
vedo (1993), seriam riscar o livro ou anotar numa ficha separada. O
que importa é você escolher uma forma e segui-la até o final.
Medeiros (2005, p. 86) propõe como foco de análise do texto “a
validade das ideias, completude delas, correção de argumentos,
coerência do argumento e suficiência das provas, consecução dos
objetivos prometidos”.
A síntese do texto é realizada por intermédio do resumo. Entenda
por resumo a recriação do texto original. A ideia é a de que você
chegou até aqui com a incorporação de conhecimentos e, portan-
to, em condições de avaliá-lo. Molina (1999) apresenta duas formas
para realizar a síntese (resumo). Uma seria oral. Meio pelo qual
você irá apresentar o que reteve sobre o texto estudado e treina-
rá a linguagem oral. Outra seria por escrito. Uma complementa a
outra. Você deverá enfatizar o pensamento lógico-abstrato. Você
dará conta de apresentar as ideias dentro de uma organização,
hierarquização.
SÍNTESE: oral e escrita
Entre os passos apresentados, a avaliação entra como passo final.
A ideia é focalizar você para o exercício da capacidade crítica, per-
mitindo a autonomia no seu estudo. A ideia é que você responda as
questões que elaborou com os títulos e subtítulos, como também
questões que o próprio texto levantou.
Questões a serem respondidas:
1. Que perguntas permanecem sem respostas?
SUBLINHE OS DADOS
RELEVANTES
154
2. Como o autor transmitiu suas ideias?
3. A linguagem é direta ou indireta?
A crítica faz parte do processo. Ler um texto é compreendê-lo.
Seguindo os passos dados até aqui, você estará a caminho para se
transformar no que Medeiros chama de leitor competente. E como
tal, você poderá ser:
•	 Autônomo na busca de novos conhecimentos;
•	 Ser interessado em aprender;
•	 Ter prazer em estudar.
Entre os vários tipos de leituras elencadas por Salomon (1999) e
Medeiros (2005) você pode centrar-se na leitura informativa. Você
deve dar ênfase a ela pelo fato de ser este tipo de leitura que o re-
mete a informações, dados e fundamentações que servem de base
para trabalhos científicos.
Medeiros subdivide a leitura informativa em reconhecimento, sele-
tiva, crítica e interpretativa.
Essas subdivisões, segundo Medeiros (2005, p. 88), servirão para você
obter as seguintes informações:
[...] dar uma visão geral da obra; se encontrará a
informação que necessita; selecionar informações
necessárias; maiores preocupações quanto aos
significados e esforço reflexivo e relacionar afir-
mações do autor com os problemas para os quais se
busca uma resposta.
Para que você consiga realizar a leitura interpretativa, você deve-
rá dominar a leitura informativa. Medeiros (2005, p.103) aponta
para algumas capacidades de conhecimentos necessárias para isso.
Seriam: “a compreensão, a análise, a síntese, a avaliação, a apli-
cação”.
Para cada uma dessas capacidades existe uma mensagem para você
decodificar. Por exemplo, a compreensão refere-se ao entendimen-
to global do texto de acordo com a visão do autor.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 155
Questões Base:
1. Que tese o autor do texto defende?
2. De que trata o texto?
A análise permite a você identificar os nexos lógicos das ideias e
sua organização. Ou seja, como as partes do texto estão construí-
das e amarradas.
Questões Chave:
Quais são as partes que constituem o texto?
A síntese refere-se à captação das ideias principais do texto. Você
eliminará o que é secundário.
Questões Chave:
Quais são as ideias principais do texto?
Como elas se inter-relacionam?
A avaliação refere-se ao fato de você emitir um parecer de valor
sobre o texto.
Questões Chave:
O texto é passível de crítica?
Há pontos fracos?
Há falhas na argumentação?
Quanto à aplicação, Medeiros argumenta que serve para você ten-
tar aplicar esses conhecimentos para resolver situações semelhan-
tes. A ideia central é você perceber, compreender o texto e com
base nele projetar novas ideias e obter novos resultados ou conhe-
cimentos.
156
QuestÃO Chave:
As ideias expostas no texto são passíveis de ser aplicadas em que
contexto?
CONTEXTO PESSOAL
CONTEXTO FÍSICO
CONTEXTO
SOCIOCULTURAL
EXPERIÊNCIA MUSEOLÓGICA
EXPERIÊNCIA INTERATIVA
Quanto à leitura crítica, você deverá ter um conhecimento pré-
vio sobre o assunto, pois você terá que “diferenciar ideias, saber
hierarquizá-las, analisar a pertinência delas, bem como o nexo que
as une”(MEDEIROS, 2005, p. 104).
Dessa seção, fica a mensagem e as questões que você terá que se
ater para realização de uma boa leitura. No entanto, muitos desses
procedimentos são realizados em momentos de estudos diversos.
Pois bem, por isso você dará sequência nessa unidade ao conheci-
mento sobre o fichamento, resumo e resenha.
O objetivo estará vinculado ao fato de você perceber em que mo-
mento e em qual documento você deverá registrar o que foi apre-
endido na leitura.
Dialogue com seus colegas de sala a respeito das técnicas
de leitura.
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1
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 157
SEÇÃO 2
FIChAMENTO
Nesta seção você verá os tipos de fichamentos que poderá realizar.
O objetivo central é permitir que você visualize a necessidade de
documentar e armazenar suas leituras. Sobretudo para que você
possa futuramente pesquisar dados sobre o que foi lido, com o
intuito de fazer análises críticas de obras que tratam de uma mes-
ma temática. Mais. Serve para construir uma revisão bibliográfica
sobre um tema de seu interesse.
Cabe aqui salientar que com o advento das inovações tecnológicas
e com o uso dos híbridos na produção do conhecimento, a maneira
mais usual de armazenar informações, sobretudo de leituras reali-
zadas, tem sido nos arquivos dos computadores.
Pois bem, para Marconi e Lakatos (1987) a ficha é um instrumento
de trabalho imprescindível para o pesquisador. As fichas permitem
a organização de informações que levam o leitor a:
FICHAS
Identificar as obras;
Conhecer seu conteúdo;
Fazer citações;
Analisar o material;
Elaborar críticas.
Recorra a Marconi e
Lakatos (1987) para ve-
rificar a classificação das
fichas de leitura. Nessa
obra, as fichas são tra-
tadas num capítulo que
discute sobre a pesquisa
bibliográfica. A apresen-
tação das fichas passa
pelo aspecto físico, que
engloba a composição
das mesmas, o conteúdo,
exemplos e fichários.
158
Quanto ao aspecto físico, cabe salientar que as fichas utilizadas
para indicações bibliográficas ou para resumo eram apresentadas
em três tamanhos (pequenas 7,5cm X 12,5 cm, médias 10,5 cm X
15,5 cm e grandes 12,5 cm X 20,5 cm). No entanto, cabe relembrar
que a utilização dos modelos encontrados nos computadores tem
proporcionado a opção da supressão da compra dessas fichas.
Quanto à composição das fichas, importante você perceber a utili-
zação de três partes:
PARTES DA FICHA:
a) Cabeçalho.
b) Referências
c) Corpo ou texto.
Cabeçalho Título genérico (remoto e próximo);
título específico; número de classifi-
cação e letra indicativa da sequência.
Referências Bibliográficas
Segue as Normas da Associação Brasi-
leira de Normas Técnicas;
Consulta a Ficha Catalográfica da
obra;
Em artigos, os elementos essenciais
encontram-se na lombada.
Jornais: a primeira página possui os
elementos essenciais.
Corpo ou texto Vai ser definida de acordo com a uti-
lização da ficha.
Exemplo de cabeçalho:
Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola
Título Genérico Próximo: Apresentação
Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola
Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida
Nos dois exemplos acima vale ressaltar que você segue o sumário
do que está lendo. Assim, você terá o cabeçalho de cada parte
trabalhada.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 159
Escolha um texto relacionado com o seu objeto de estudo e dê iní-
cio ao fichamento elaborando o cabeçalho.
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Exemplos de Referências:
Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola
Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida
Referências
VENÂNCIO, Silvana; FREIRE,
João Baptista. O jogo den-
tro e fora da escola. Cam-
pinas: Autores Associados:
apoio: UNICAMP, 2005.
Agora faça as referências seguindo como exemplo o texto acima.
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160
Exemplo de Corpo ou texto, indicação da obra e local:
Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola
Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida
Referências VENÂNCIO, Silvana; FR EIRE, João Baptista. O jogo den-
tro e fora da escola. Campinas: Autores Associados: apoio: UNICAMP,
2005.
Corpo ou Texto
a) Bibliográfica da obra inteira ou de
parte dela;
Abordagem, procedimento etc [...].
b) Citações que você ache pertinente;
Reprodução fiel de frases ou sentenças
c) Resumo ou de Conteúdo;
Síntese bem clara e concisa da ideias
principais do autor ou resumo dos as-
pectos essenciais da obra.
d) Esboço;
Semelhante ao resumo, porém de for-
ma mais detalhada, quase de página
a página, indicando do lado esquer-
do as páginas que constam as ideias
apresentadas.
e) Comentário ou Analítica.
Interpretação crítica pessoal sobre as
ideias do autor.
Indicação da obra Obra indicada para discentes de Li-
cenciatura em Educação Física.
Local (onde a obra está dis-
ponível?)
Biblioteca da Universidade Estadual
de Campinas
Voce já fez o cabelhaço e a referência que tal agora dar se-
quência no fichamento elaborando o corpo do texto?
Cada um dos itens apresentados no corpo do texto pode ser uma
ficha diferente. Medeiros (2005) propõe os mesmos elementos
estruturais de uma ficha que os apresentados por Marconi e Laka-
tos (1987).
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 161
Citando Umberto Eco (1989), Marconi (2005, p. 114) apresenta algu-
mas regras para o fichamento. Entre elas, ele chama atenção para
o fato das fichas substituírem a posse em caso de todos os livros ne-
cessários para uma pesquisa. Salienta que o armazenamento pode
ser feito em fichas ou arquivos (no caso de utilização dos computa-
dores). A novidade aqui seria a designação e objetivo desses arqui-
vos. Você poderá abrir arquivos “de leitura, de ideias, de citações”.
Os arquivos de leitura seriam os que proporcionariam “o registro de
resumos, opiniões, citações, [...] ou ideias a defender por ocasião
da redação do texto que tem em vista” (MEDEIROS, op. cit.). Além
dessas situações, Medeiros recomenda a você a prática contínua de
fichamentos. Somente por meio dessa constância você conseguirá
tornar habitual um procedimento que respeitará as normas téc-
nicas que regulamentam a atividade científica, além de ajudá-lo
a superar a sensação de dificuldade e demora na confecção das
fichas ou arquivos.
Você poderá usar as fichas ou arquivos para diversos objetivos. En-
tre eles, fichar:
a) Assunto;
b) Título de uma obra;
c) Transcrições (utilizar NBR 10520);
d) Resumo;
e) Comentário.
Entre os fichamentos elencados acima, você possivelmente traba-
lhará mais com o fichamento de resumo e de transcrição. Enquanto
o fichamento de resumo se preocupa com a síntese das ideias do
autor, não fazendo uso de citações, o fichamento de transcrições
permite a você elencar partes do texto que enfatizam as ideias
principais da obra que você leu.
Reúnam-se em grupos de três alunos e dialoguem sobre as
técnicas de fichamento apresentadas nesta unidade.
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1
162
SEÇÃO 3
RESUMOS
Nesta seção você terá como objetivo verificar como deve ser o pro-
cedimento para resumir o que se leu. No entanto, você verá alguns
critérios que estão relacionados com o procedimento de leitura.
Vale à pena repetir que o processo de construção do conhecimento
é interligado.
Ao mesmo tempo em que você lê, existem procedimentos que pre-
param ao passo seguinte.
Considerando o processo como ações interligadas, pense numa se-
quência de ações para você chegar ao resumo. O primeiro deles
seria a escolha da leitura a ser feita.
Para isso, Quivy e Campenhoudt (1992) apresentam critérios para
você escolher o que ler. Para eles, você deve atentar para esco-
lher textos que tenham ligação com a pergunta que você formulou.
Essa pergunta faz parte do item “problema” no seu projeto. Quivy
e Campenhoudt relacionam essa pergunta num tópico conhecido
como pergunta de partida.
Encontrando os textos relacionados com suas perguntas (relaciona-
das ao seu tema de pesquisa), você deverá possuir uma dimensão
razoável de textos para organizar um programa de leitura. Quivy e
Campenhoudt (1992) recomendam uma leva de três livros ou tex-
tos. Você deverá dar preferência a textos que possuam elemen-
tos de análise e interpretação por parte dos autores. Ou seja, que
a temática apresentada seja analisada e interpretada pelo autor
do texto. Outra preocupação seria você buscar textos que tenham
abordagens diversificadas. Isso garante a você uma visão ampla do
fenômeno pesquisado. Por fim, você deverá ler e ter espaços para
discutir e refletir sobre as leituras.
ESCOLHa a LEITuRa.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 163
Atento ao exposto acima escolha um artigo para dar início ao seu
resumo.
Feita a escolha, você terá que reler o item sobre leitura para pro-
videnciar os passos indicados na seção 1. Ou seja, você deverá
elencar uma série de perguntas que deverão ser respondidas na sua
leitura por meio da compreensão do texto.
Passos Necessários para a leitura
agora seria o momento
de você elencar as
perguntas a serem
respondidas.
Pois bem, você verá agora a lógica de construção de um resumo
proposto por Quivy e Campenhoudt (1992). Para eles, resumo con-
siste num processo pelo qual se destacam as ideias principais e
suas articulações, de tal forma que o pensamento do autor aparece
de forma una. Dito de outra forma:
Os autores destacam que a capacidade de redação de bons resu-
mos passa obrigatoriamente pela sua formação e pelo seu traba-
lho, pois depende da qualidade da leitura que o precedeu.
Resumo seria o
destaque das ideias
principais e de suas
articulações para
que a unidade do
pensamento do autor
apareça de forma
clara.
Qual é o método proposto por Quivy e Campenhoudt?
CRITÉRIOS DE ESCOLHA
1. Ligações com a pergunta (dê partida no exemplo
de Quivy e Campenhodt);
2. Dimensão razoável de leitura;
3. Elementos de análise e interpretação;
4. Abordagens diversificadas;
5. Intervalos de tempo para reflexão pessoal e trocas
de pontos de vista.
Fonte: Quivy e Campenhoudt (1992, p.52)
164
Quivy e Campenhoudt (1992) propõem a utilização da “Grelha de
Leitura”, que você pode entender como um fichamento. O objetivo
é diferenciar no texto as ideias principais das secundárias e dos
dados ilustrativos ou desenvolvimentos da argumentação.
A GRELHA DE LEITURA
Sobre a grelha de leitura, Quivy e Campenhoudt propõem que você
destaque parágrafo por parágrafo que você leu. Em cada parágrafo
você destacará a ideia central e os dados complementares. Numa
grelha, você transcreverá essas ideias de tal forma que possa colo-
cá-las em ordem. Ao lado, você terá espaço para extrair os tópicos
para estruturar o texto. Esses tópicos referem-se ao projeto, aos
fatos estabelecidos e as explicações dadas. A grelha será feita da
seguinte forma:
GRELHA DE LEITURA
IDEIAS-CONTEÚDO Tópicos para a estrutura do
texto
1. Ideia conteúdo de cada pa-
rágrafo.
Qual é o projeto da obra?
2.
3.
Você elaborou as perguntas, agora, baseado nos conhecimentos
adquiridos, dê sequência em seu resumo.
Depois de preenchida essa ficha, você poderá determinar o que
é central, o que é secundário e o que é explicação. Tendo essa
divisão clara, ajudado pelo que foi preenchido do lado direito da
tabela, você reconstruirá o texto dando as articulações necessárias
para manter a unidade do pensamento do autor. Além disso, você
proporcionará para outro leitor a oportunidade de conhecer o ra-
ciocínio de um autor que ele ainda não tenha lido. Por isso, o texto
deverá ser claro e compreensível.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 165
Esse resumo serve também como um caminho para que você possa
construir, mais tarde, resenhas e revisão de bibliografia. Permite
que você compare obras com critérios mais rígidos.
Medeiros (2005) apresenta outros elementos que contribuem para
que você possa realizar seu resumo. Ele inicia sua argumentação
sobre o tema no fichamento do resumo. Você verá essas argumen-
tações aqui, por conta da ideia de que as ações são integradas.
Para ele, o resumo permite a você reduzir um texto a suas ideias
principais. O resumo engloba duas ações. A compreensão de um
texto e a elaboração de outro. Para isso, apresenta dois métodos.
MÉTODO ANALÍTICO MÉTODO COMPARATIVO
Preocupa-se com a inter-
relação das ideias; articulação
do texto; resumo parágrafo por
parágrafo.
Preocupa-se com a estrutura
geral do texto para responder
a expectativa que o texto criou
no leitor.
Adaptação de Medeiros (2005, p.126)
Entre as ações sugeridas por Medeiros, estaria a indicação de trans-
formar passagens ou tópicos em perguntas. A síntese, etapa que
Quivy e Campenhoudt apresentaram como a reconstituição das
ideias principais do texto, é apresentada com regras a serem se-
guidas.
Para elaboração da síntese você poderá lançar mão das seguintes
regras:
1. supressão;
2. generalização;
3. seleção;
4. construção.
Na supressão, você eliminará palavras secundárias do texto. Medei-
ros (2005, p. 126) apresenta como palavras secundárias os “advér-
bios, adjetivos, preposições, conjunções, desde que não compro-
metam a compreensão do texto”.
166
Exemplo:
Resumindo de maneira clara e direta, poderíamos dizer que o ca-
ráter de linguagem está intrínseco no “jogo de regras” e no “jogo
simbólico”. No jogo de “exercício”, pelo seu caráter funcional, no
qual o prazer é conseguido através da pura ação sem a presença
da intenção explícita, o caráter de linguagem não é identificado
(BRUHNS, 1993, p. 55).
Supressão:
Resumindo, o caráter de linguagem está intrínseco no “jogo de
regras” e no “jogo simbólico”. No jogo de “exercício”, pelo seu
caráter funcional, o caráter de linguagem não é identificado.
A generalização diz respeito ao processo de substituição de várias
palavras por uma que as generalize.
Exemplo:
As crianças pularam cordas, saltaram amarelinhas, apostaram cor-
ridas durante todo o dia na praça do bairro.
Generalizando:
As crianças brincaram durante o dia na praça.
A seleção suprime as ideias secundárias:
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 167
Exemplo:
Desvendar os olhos para olhar atentamente o fenô-
meno corporeidade é adentrar o domínio do impre-
ciso, do complexo, das imperfeições e da desordem
do mundo real, razão pela qual este texto não pre-
tende iluminar o visível, mas apenas e tão-somente
excitar o invisível, ou melhor, revelar as possibili-
dades do sensível, que normalmente está no outro
lado do corpo (MOREIRA, 1995, p. 17).
Seleção:
Desvendar os olhos para olhar o fenômeno corporei-
dade é adentrar o domínio do impreciso, do com-
plexo, das imperfeições e da desordem do mundo
real, razão pela qual este texto pretende revelar as
possibilidades do sensível, que normalmente está
no outro lado do corpo (MOREIRA, 1995, p. 17).
Por fim, a construção. Respeitam-se as ideias do texto original e
constrói-se uma nova frase, conhecida como paráfrase.
Aprofundando as informações sobre o resumo, Medeiros propõe
como conceito de texto para que você possa identificar elementos
necessários para realização de um resumo. Baseado em Orlandi
(MEDEIROS, 2005, p. 138) o texto seria “uma unidade complexa de
significação”, pelo qual se apresentam ideias inter-relacionadas.
Existe uma coerência entre as afirmações iniciais e finais.
Além do texto, existe o contexto e o intertexto. O contexto possui
duas dimensões que apresentam a superfície e a profundidade que o
texto foi produzido. A superfície trata do sentido produzido pelas ora-
ções e a profundidade desvela a visão de mundo que informa o texto.
Como um texto refere-se a símbolos num processo de comunicação,
você deve visualizar a situação em que o mesmo foi criado. Trata-se
das circunstâncias e do ambiente que motivaram sua construção.
Resultado da citação de Moreira (1995):
Olhar a corporeidade significa ver o impreciso, o complexo,
as imperfeições e a desordem do mundo real, razão que
remete este texto a revelar as possibilidades do sensível.
168
O intertexto seria a relação existente entre a produção de um tex-
to com outros. Apresenta a paráfrase, a paródia e a estilização
como procedimentos intertextuais.
1. Paráfrase
Recriação das ideias sem alterar a ideia do au-
tor. Trocam-se palavras por sinônimos.
Pode-se apresentar em graus:
a. Primeiro grau > substituição de palavras por
outras equivalentes;
b. Segundo grau -> resumo;
c. Terceiro grau -> comentários;
d. Quarto grau -> juízo de valor.
2. Paródia Apresenta outras ideias que o texto não apre-
sentou.
3. Estilização Recriação do texto. Desvio do texto original é
maior que na paráfrase.
Adaptação de Medeiros (2005, p.126)
No quadro acima, percebe-se que o resumo entra como um se-
gundo grau na utilização de paráfrases. Você poderá avaliar que a
construção de conhecimentos passa por etapas e o resumo é uma
delas.
Outros elementos são apresentados para que você possa ampliar
seu conhecimento sobre o que será observado na confecção do re-
sumo. Seriam os elementos estruturais. Entre eles:
1.	 saber partilhado;
2.	 informação nova;
3.	 as provas;
4.	 a conclusão.
O saber partilhado seria a informação antiga. Normalmente, apare-
ce no início do texto. Seria um conhecimento do autor que é com-
partilhado com o leitor. Você pode até associar com informações
particulares que o autor compartilha com você.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 169
A informação nova é central no texto. Apresenta-se um olhar sobre
o fenômeno que, em tese, o leitor não tinha esse conhecimento.
Seria o olhar particular do autor. Serve para desenvolver o texto.
As provas definem a fundamentação das afirmações expostas. Se-
riam os fatos empíricos que são apresentados para ilustrar o que o
autor afirmou.
Por fim, as conclusões são relacionadas às respostas dos objetivos
do autor. Outros dois elementos são destacados por Medeiros (2005,
p.142). Seriam a referência e o tema. Você deve desvelar “do que
trata o texto?” e “sob que perspectiva o texto foi construído?”.
Neste momento convido-o a concluir o resumo. Porém fique
atento às Normas Brasileira da ABNT.
Para finalizar, a construção de um resumo deve estar vinculada às
normas técnicas ligadas a Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Sobretudo em relação as NBR 14724; a NBR 10520 e a NBR 6023. Essas
normas estão ligadas a apresentações de trabalhos, formas de utili-
zação de citação, no caso de fichamentos de citações e referências.
Apresente aos seus colegas um resumo feito e aproveitem
para dialogar sobre as técnicas empregadas.
__________________________________________________
__________________________________________________
SEÇÃO 4
RESENhAS
Nesta seção você verá os objetivos de uma resenha, bem como
identificar as partes necessárias para sua construção.
Inicialmente, lembre que o resumo é utilizado por você para com-
pletar um processo de leitura atenta e criteriosa. Você irá docu-
mentar os conhecimentos adquiridos nessa leitura por meio de um
arquivo ou ficha.
1
170
E a resenha?
Pois bem, lembre-se que no resumo você não fará juízo de valor.
Na resenha você fará isso e mais. Azevedo (1993) apresenta a re-
senha como um resumo crítico de uma obra. Seria uma apreciação
sobre determinada obra, feita de tal forma que a intenção é a de
divulgá-la em revistas especializadas para incentivar outros leito-
res a buscarem essa referência após lerem a discussão que você
travou com o autor da obra no processo de construção da resenha.
Azevedo trabalha com um texto direcionado para procedimentos
necessários para a confecção da resenha. Alerta que em média uma
resenha possui de duas a dez laudas.
Conceitos
Medeiros (2005) apresenta os conceitos de resenha vinculados ao
conhecimento de quem irá construí-la. Essa associação refere-se à
necessidade de que o autor da resenha tenha conhecimento sobre
o assunto, justamente pelo fato de que precisa realizar uma aná-
lise crítica da obra lida. Apresenta a resenha como resumo crítico
mais abrangente que o resumo que você viu na seção anterior.
Entre os conceitos apresentados, você encontrará em Medeiros
(2005, p. 158) as referências de que uma resenha apresenta “va-
riadas modalidades de textos: descrição, narração e dissertação”.
Quanto à estrutura, descreve:
1. Propriedades da obra (descrição física);
2. Relata as credenciais do autor;
3. Resume a obra;
4. Apresenta suas conclusões e metodologia empre-
gada;
5. Expõe o quadro de referências (narração das
obras que serviram de suporte);
6. Apresenta uma avaliação da obra e diz a quem a
obra se destina.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 171
RESENHA
1. ESTRUTURA
GERAL
1.1.Introdução:
1.1.1. Objetivos:
a. Contextualizar o autor e sua obra no universo cultural, mostrando a ori-
gem da obra;
b. Interessar o leitor pela resenha e pela obra.
1.1.2. Extensão: 10 a 20% da extensão total da resenha.
1.1.3. Estrutura interna:
a. Parágrafo de interesse;
b. Contextualização do autor e da obra;
c. Parágrafo de transição para o resumo.
1.2. Desenvolvimento:
1.2.3. Objetivos:
a. Resumir (re-escrever sinteticamente) o conteúdo da obra;
b. Destacar as linhas centrais do pensamento do autor;
1.2.4. Extensão: 60 a 70 % da extensão
total da resenha.
1.2.5. Estrutura interna:
a. Introdução – resumo do resumo, para mostrar as partes constitutivas
básicas da obra;
b. Resumo – síntese do pensamento do autor;
c. Conclusão – fecho do resumo;
d. Parágrafo de transição para a crítica.
1.3. Crítica:
1.3.3. Objetivos:
a. Apreciar a obra, recomendando-a ou não ao leitor;
b. Fazer sugestões ao autor e;ou editor (editora) da obra.
1.3.4. Extensão: 20 a 30 % da extensão total da resenha.
1.3.5. Estrutura interna:
a. Juízo sintético sobre a obra;
b. Explicação do juízo;
c. Sugestões ao autor;
d. Apreciação final (recomendação de leitura).
1.3.6. Itens para a crítica:
Da edição:
a. Erros/acertos quanto à revisão textual;
b. In/existência (e atualidade) de índices, ilustrações etc.
c. Apresentação (capa, folhas-de-rosto, impressão, etc.)
Do conteúdo:
a. Erros/acertos quanto às informações veiculadas (datas, nomes, estatís-
ticas etc.)
b. Seriedade da documentação (extensão, qualidade e atualidade das refe-
rências bibliográficas intermediárias e finais; uso crítico dos autores; crite-
riosidade das citações etc.);
c. In/consistências (contradições);
d. Disposição do material (sequência lógica, organização equilibrada etc.).
Das ideias:
a. Diálogo com as ideias básicas do autor;
b. Desvelamento ideológico de suas propostas e análise das suas consequ-
ências;
c. Avaliação dos argumentos apresentados.
1.3.3. Objetivos:
a. Apreciar a obra, recomendando-a ou não ao leitor;
b. Fazer sugestões ao autor e;ou editor (editora) da obra.
1.3.4. Extensão: 20 a 30 % da extensão total da resenha.
1.3.5. Estrutura interna:
a. Juízo sintético sobre a obra;
b. Explicação do juízo;
c. Sugestões ao autor;
d. Apreciação final (recomendação de leitura).
172
1.3. Crítica:
1.3.6. Itens para a crítica:
Da edição:
a. Erros/acertos quanto à revisão textual;
b. In/existência (e atualidade) de índices, ilustrações etc.
c. Apresentação (capa, folhas-de-rosto, impressão etc.)
Do conteúdo:
a. Erros/acertos quanto às informações veiculadas (datas, nomes, estatísticas etc.)
b. Seriedade da documentação (extensão, qualidade e atualidade das referências
bibliográficas intermediárias e finais; uso crítico dos autores; criteriosidade das cita-
ções etc.);
c. In/consistências (contradições);
d. Disposição do material (sequência lógica, organização equilibrada etc.).
Das ideias:
a. Diálogo com as ideias básicas do autor;
b. Desvelamento ideológico de suas propostas e análise das suas consequências;
c. Avaliação dos argumentos apresentados.
2. GENERALI-
DADES:
Título (criati-
vo, diferente
do título da
obra conforme
as normas da
ABNT, ao alto,
à direita).
a. Redação direta entre títulos, com a divisão se evidenciando pela organização do
texto;
b. Citações formais indispensáveis (in loco: páginas indicadas entre parênteses);
c. Folha de rosto bem disposta, com título da resenha ao alto, autor da resenha
no centro, finalidade do trabalho no centro, abaixo; instituição, local e data bem
abaixo.
Fonte: Azevedo (1993, p. 34-35).
Existem alguns periódicos científicos que nas páginas finais são
elencadas regras para a apresentação de resenhas. Algumas re-
gras do ponto de vista da formatação podem ser diferentes das
demonstradas acima. No entanto, as dicas dadas a você permitirão
a estruturação de uma resenha bem articulada.
Medeiros apresenta outras informações sobre a resenha. Recomenda
a redação do texto em terceira pessoa, buscando certa neutralida-
de. No entanto, essa neutralidade é prejudicada pelo fato de que se
Você observou como Azevedo estabelece uma sequên-
cia para elaborar uma resenha. Agora escolha um tex-
to relacionado com a sua área de interesse e dê início
a sua resenha.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | UNIDADE 4 173
Fonte: Medeiros (2005, pp. 169-170)
espera do resenhista um posicionamento crítico, apoiado em “fatos,
em provas e em argumentos consistentes”, como afirma Medeiros.
Apoiado em Lakatos e Marconi (apud MEDEIROS, 2005, p. 169) Me-
deiros apresenta uma nova estrutura para a prática das resenhas
científicas. A estrutura seria a seguinte:
MODELO
1. Referência bibliográfica:
Autor; Título da obra; Elementos de imprensa (local de edição, editora,
data); número de páginas; formato.
2. Credenciais do autor:
Informações sobre o autor, nacionalidade, formação universitária, títulos,
livro ou artigo publicado.
3. Resumo da obra (digesto):
Resumo das ideias principais da obra. De que trata o texto? Qual sua ca-
racterística principal? Exige algum conhecimento prévio para entendê-la?
Descrição do conteúdo dos capítulos ou partes da obra.
4. Conclusão da autoria: Quais as conclusões a que o autor chegou?
5. Metodologia da autoria:
Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico?
Que técnicas utilizou? Entrevista? Questionário?
6. Quadro de referência do au-
tor:
Que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico
apresentado?
7. Crítica do resenhista (apre-
ciação):
Julgamento da obra. Qual a contribuição da obra? As ideias são originais?
Como é o estilo do autor:
conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista?
8. Indicações do resenhista:
A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a que disciplina? Pode ser
adotada em algum curso? Qual?
O primeiro quadro de Medeiros dá uma ideia sobre a estrutura de
resenha. Os dois últimos quadros acima são modelos para a reali-
zação de uma resenha. Seja pelo modelo de Azevedo ou de Marconi
e Lakatos, você possui dois roteiros com elementos concretos para
desenvolver resenhas.
O importante é você perceber que a resenha requer procedimentos
anteriores (leitura e resumo) feitos com critério.
Dialogue com seus colegas de sala sobre os tipos de resenha
e escolha a mais adequada para você.
1
174
SEÇÃO 5
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Nesta seção você verá a estrutura existente para a comunicação
científica. Os meios pelos quais você poderá realizar a comunica-
ção do seu trabalho de pesquisa, bem como a estrutura necessária
para apresentar seu trabalho de acordo com o meio.
Comunicação científica?
O que você irá comunicar?
Quando se fala em comunicação científica pensa-se num processo
pelo qual você poderá comunicar os resultados obtidos no desen-
volvimento de sua pesquisa aos pares de sua área. Esse processo
garantirá a disseminação do conhecimento por meio de apresenta-
ções e disponibilização dos resultados da sua pesquisa para que ou-
tros pesquisadores possam utilizar as suas informações para novas
pesquisas.
Antes de você adentrar ao universo da comunicação pergunte-se:
Como dito antes, você comunicará o resultado de sua pesquisa.
Você viu que a pesquisa divide-se em dois pontos: projeto e rela-
tório. Silva (2001) apresenta o planejamento de pesquisa em três
fases: a fase decisória, a fase construtiva e a fase redacional. Entre
essas fases, a redacional é a que se preocupará em colocar os dados
coletados e analisados na forma de relatório.
Esse relatório poderá obter a estrutura e normas preestabelecidas
de acordo com o momento e a finalidade em que foi redigido.
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 175
Medeiros (2005, p. 247) apresenta o termo “trabalhos científi-
cos” para designar um relatório. Entre as formas mais conhecidas
estariam:
1. A resenha;
2. O informe científico;
3. O artigo científico;
4. A monografia;
5. O paper.
Steffan (1999, p. 233) apresenta o relatório de pesquisa como um
informe que pode ser verbal, escrito ou eletrônico. O tipo do rela-
tório depende da “natureza do receptor do relatório (uma institui-
ção, uma pessoa, uma revista, rádio, televisão [...] um grupo de
interessados etc.)”.
Veja o quadro acima. Escolha agora a monografia. Ela é entendida
como “uma dissertação que trata de assunto particular, de forma
sistemática e completa” (MEDEIROS, 2005, p. 248). Entre os recep-
tores apontados por Stefan, adote as instituições superiores, que
exigem a confecção de uma monografia para que o discente receba
a titulação referente ao curso que está frequentando. A monografia
é apresentada por Medeiros como podendo ser de:
Quais as formas que um relatório pode assumir?
Graduação É suficiente a revisão bibliográfica, ou revisão
de literatura. É mais um trabalho de assimila-
ção de conteúdos, de confecção de fichamen-
tos e, sobretudo, de reflexão.
Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC)
Monografias apresentadas ao final de um curso
de pós-graduação.
Para obtenção de grau de
Mestre
Exige a revisão de literatura, o domínio sobre o
método de pesquisa e informar a metodologia
utilizada. Expõe novas formas de ver uma rea-
lidade já conhecida.
Para obtenção do grau de
Doutor
Exige revisão de literatura, a metodologia uti-
lizada, o rigor da argumentação e apresenta-
ção das provas, a profundidade das ideias, o
avanço dos estudos na área.
Fonte: Texto extraído de Medeiros (2005, pp. 249-250)
176
A monografia seria a designação para a expressão referente a
trabalhos escritos que “versam sobre um assunto”. E em relação
as instituições de ensino superior, os modelos apresentados no
quadro acima seriam as principais formas de relatório. Esses re-
latórios são apresentados de forma oral e escritos. Normalmen-
te, existe uma banca composta por professores titulados para
analisar o material escrito e a apresentação oral do candidato ao
título correspondente.
Entre os tipos de trabalhos científicos apresentados por Medeiros
você encontra o artigo. O que trataria o artigo?
Basicamente, o artigo aborda os resultados de uma pesquisa cientí-
fica, porém numa extensão pequena em relação as monografias. O
público a que se destina o artigo seriam leitores de revistas espe-
cializadas, jornais ou periódicos especializados.
Medeiros (2005, p.244) apresenta a estrutura de um artigo com as
seguintes partes:
Título do trabalho;
Autor;
Credenciais do autor;
Local das atividades;
Sinopse (resumo em português e em uma língua
estrangeira, de preferência, em Inglês);
Corpo do artigo (introdução, desenvolvimento e
conclusão);
Parte referencial (referências bibliográficas,
como notas de rodapé ou de final de capítulo,
bibliografia, que é a lista dos livros consultados
ou relativos ao assunto, apêndice, anexos, agra-
decimentos, data).
Além da estrutura, Medeiros apresenta uma classificação dos arti-
gos quanto ao seu conteúdo e o tipo. Quanto ao conteúdo, o artigo
apresenta abordagens atuais e temas novos. Quanto ao tipo de ar-
tigo, existem três classificações:
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 177
Analíticos:
Descrevem, classificam e definem o assunto e levam
em conta a forma e o objetivo que se tem em vista.
Estrutura:
Definem o assunto; apresentam aspectos relevantes
e irrelevantes, partes e relações existentes.
Classificatórios:
Ordenamento de aspectos de determinado assunto e
a explicação de suas partes.
Estrutura:
Definição do assunto, explicação da divisão, tabula-
ção dos tipos e definição de cada espécie.
Argumentativos:
Enfoque de um argumento e apresentação dos fatos
que provam ou refutam o fato.
Estrutura:
Exposição da teoria, apresentação dos fatos, síntese
dos fatos, conclusão.
Entre os motivos pelos quais você realiza um artigo, Medeiros
(2005, p. 244) salienta assuntos que não foram explorados suficien-
temente, “necessidade de esclarecimento de questão antiga; ine-
xistência de um livro sobre o assunto e aparecimento de um erro”.
Atualmente, muitos pesquisadores têm reproduzido partes de suas
monografias como artigos para discussões específicas com os pares
sobre a temática desenvolvida. Essa lógica colocaria o artigo como
uma nova etapa a ser vencida. Ou seja, após a apresentação do re-
latório para a instituição, o texto é encaminhado para uma editora
para se transformar em livro ou publicado em diversos eventos com
a divisão de suas partes.
Fonte: Medeiros (2005, p. 244)
Como irá comunicar?
Alguns aspectos de formatação são necessários, tanto para artigos
como para monografias. Você precisa ter sempre ao seu alcance o
livro de Normalização Bibliográfica (editado pela UEPG) e que re-
trata as Normas da ABNT.
178
Entre as normatizações, segue o exemplo de algumas ações exigidas
e normatizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT
– NBR 14.724 na confecção de um relatório (trabalho científico).
Como visto na seção três, a consulta às normas são de suma im-
portância.
Para responder a essa questão, recorra a Silva (2001) para com-
preender o processo de comunicação da pesquisa científica. Essa
autora descreve em sua obra, sobretudo na aula 1 – O pesquisador
e a Comunicação Científica - todo o processo que você vivenciará
no ato de comunicação de sua pesquisa.
Considerando a natureza do receptor das informações de seu
relatório, foi elencada uma série de possibilidades. Em relação
a essas possibilidades, Silva (2001, p. 14) apresenta os canais
formais e informais do conhecimento. O primeiro representaria
“a parte visível (pública) do sistema de comunicação científica,
representado pela informação publicada em forma de artigos
de periódicos, livros, comunicações escritas em encontros cien-
PAPEL
Cor - branco Tamanho -
folha A4
(21 cm x 29,7 cm)
LETRA
Times New Roman /
Arial.
TAMANHO
Texto normal - 12
Texto de citações longas
e notas de rodapé - 10
DIGITAÇÃO
somente no anverso da
folha
MARGENS
Esquerda e superior -
3cm.
Direita e inferior - 2cm.
ESPACEJAMENTO
Texto - 1,5 cm Referên-
cias, Citações longas e
notas de rodapé - simples
PAGINAÇÃO
Todas as folhas a partir da folha
de rosto devem ser contadas e
numeradas a partir da 1ª folha
textual
PAGINAÇÃO
Deve ser feita em
algarismos arábicos, no
canto superior direito
Aonde irá comunicar?
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 179
Canais formais e informais
tíficos etc.” Já os canais informais seriam caracterizados por
Silva como os contatos pessoais, conversas telefônicas, corres-
pondências etc.
Entre as características de cada um dos canais, Silva alerta para
o fato de que os canais informais atendem mais ao processo de
construção do conhecimento. Pois a circulação da informação
é mais ágil e seletivo. Nos canais formais, esse processo tende
a ser lento, porém, procura-se armazenar as informações e
trabalhos por período longo. Pois as instituições formais seriam
as universidades e as bibliotecas, instituições que garantem
a preservação da memória e a difusão de informações para o
público em geral.
Entre os passos apresentados anteriormente, surge o processo de
avaliação do trabalho científico. Silva recorre a Demo (1991) para
definir essa avaliação. Segundo ele, a qualidade política e quali-
dade formal seriam os dois aspectos pelos quais os relatórios são
avaliados. A qualidade política seria a referência aos conteúdos,
aos fins a que se destina o trabalho e substância do trabalho. Já a
qualidade formal refere-se aos meios e formas usados para a con-
fecção do trabalho.
Relacionado a esses critérios de qualidade, você poderá verificar
em Medeiros aspectos que reforçam o entendimento da comunica-
ção científica. Tratando-se de eventos científicos, a comunicação é
limitada em tempo, pois a exposição é oral (em alguns casos tam-
bém escrita em forma de painéis) e destina-se de 10 a 20 minutos
para essa exposição.
Medeiros apresenta alguns elementos que são considerados nesses
espaços de comunicação. Seriam:
180
Finalidade: Tornar os resultados da pesquisa conhecidos.
Informações: Devem ser originais e criativas.
Estrutura:
Engloba: Introdução - (formulação do tema, justificativa,
objetivos, metodologia, delimitação do problema, abor-
dagem e exposição exata da ideia central)
Desenvolvimento – Inclui exposição do que se disse na
introdução e fundamentação lógica das ideias apresen-
tadas.
Conclusão – síntese dos resultados.
Linguagem: Vocabulário rigoroso, preciso e claro.
Abordagem: Forma de abordagem do problema, posição do autor.
Observação importante: Requisitos básicos para divulgação científica: o
conhecimento daquilo que se comunica, a precisão terminológica, a aces-
sibilidade da linguagem, a adaptação à audiência.
Cada um dos elementos expostos acima deve ter uma atenção re-
dobrada para a preparação de uma comunicação. Utilizando esses
elementos você estará preparado para apresentar, debater e co-
municar os resultados de seu trabalho.
Reúna com seus colegas e analisem um artigo referente a
sua área de interesse, tendo como base os ensinamentos
transmitidos nesta unidade.
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1
Fonte: Medeiros (2005, p. 245)
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 181
SÍTESE
Nesta unidade você teve contato com a leitura, o fichamento, re-
sumos, resenhas e a comunicação científica. Entre esses pontos
ficou a mensagem de que o trabalho é integrado e a busca do co-
nhecimento deve ser balizada por um processo.
Você verificou que a leitura possui etapas e níveis, e dependendo
do comprometimento que você possuir com o ato da leitura poderá
adquirir as qualidades de um bom leitor.
Mais do que ler, você verificou na seção dois que existem formas
consagradas de se registrar o que se leu. Seja por intermédio do
fichamento em fichas próprias ou por meio dos arquivos no compu-
tador, você viu que o ato de ler e registrar torna-se essencial para
um bom aprendizado e para a busca do conhecimento. Vale lem-
brar que existem vários tipos de fichamentos, sendo o de citações
e o de resumo os destacados na seção.
Na seção três, você teve contato com o resumo. Foi enfatizada a
necessidade de você ter critérios para a escolha do que ler e resu-
mir. Ao mesmo tempo, destacou-se a necessidade de utilização da
grelha de leitura, entendida como uma forma de fichamento, para
que se possam reconstruir as ideias principais em forma de pará-
frase, que define um resumo.
Você foi além. Verificou que o resumo é apenas uma das formas
possíveis de trabalho. Visualizou que um resumo bem feito permite
avançar para análise crítica da obra lida. Esse procedimento coloca-
o frente ao desafio de construção de uma resenha. Essa resenha
permite comunicar a leitura de uma determinada obra, de tal forma
que você possa indicá-la para outros leitores. Para isso, você verifi-
cou dois modelos que servem de roteiro para construção da resenha.
Por fim, você verificou que a comunicação científica depende da
natureza do ouvinte. Dito de outra forma, dependendo para quem
você irá comunicar os resultados de sua pesquisa, você terá um
determinado formato. Se for para instituições de ensino você fará
uma monografia. Para eventos científicos, você privilegiará o ar-
182
tigo. Optou-se pela ênfase no artigo e monografia. Porém, foram
apresentadas outras formas de trabalhos científicos. Você também
verificou os tipos de apresentações oral e escrito. Visualizou regras
para ambos. Sobre os trabalhos escritos verificou a real necessi-
dade de iniciar nos estudos das Normas Técnicas para atender a
normalização.
Enfim, você verificou que as formas de se inserir no universo da
comunicação científica dependem de esforço e trabalho, para que
você possa comunicar-se com linguagem clara e inequívoca.
Releia a seção 1 e elenque todas as perguntas que uma
leitura deve responder!.
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Explique as etapas do SQ3R e os passos para leitura de um
texto!.
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Defina e apresente um código para sublinhar um texto..
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Quais são os tipos de fichamentos que podem ser realizados
em uma leitura? Exemplifique cada um deles.
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Quais são os elementos essenciais numa ficha ou arquivo de
leitura? Quais os passos para a realização de um fichamento?
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METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 183
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Anotações
184
PALAVRAS FINAIS
Não falaremos de despedida ou de encerramento ao finalizarmos
este livro, pois, temos a oportunidade de vivenciar um momento
especial que ficará marcado em nossas vidas. Momento esse
representado pela sua participação no Curso de Licenciatura em
Educação Física a Distância, ensejado pela Universidade Estadual
de Ponta Grossa, o qual representa o início de uma caminhada que
não se finda. O processo de construção de novos paradigmas para
a Educação Física sempre estará vivo em nossas ações.
Portanto, as nossas palavras finais são de agradecimentos, de
incentivo e de um até breve para você que nos acompanhou pari
passo nesta caminhada, na qual buscamos mostrar os melhores
meios para se alcançar o conhecimento científico. Um mundo
pluralizado com enfoque nos métodos, procedimentos e técnicas
foi apresentado para você, visando estabelecer parâmetros
conceituais da metodologia científica.
A construção desse material representa uma convergência e
culminância de focos na busca de sistematizar as ações necessárias
ao planejamento do trabalho científico para a Educação Física
formal, tendo como ponto de partida a Ciência, na qual destacamos
a sua retrospectiva histórica, os seus conceitos e principalmente
a sua classificação. Essa disciplina objetivou desenvolver um
olhar crítico de como a ciência se apresenta no contexto da nossa
sociedade.
Apresentamos as formas de aquisição do conhecimento e os
principais métodos que constroem as bases lógicas da produção
do conhecimento científico tendo como objetivo dar ênfase
mais procedimental, comprometida com os grandes desafios
apresentados pelo trabalho acadêmico da Educação Física. A
construção do entendimento do conhecimento científico e dos
métodos ajudará na ampliação da compreensão de suas práticas
acadêmicas voltada para a Educação Física formal, quer seja, pela
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA | unidade 4 185
generalização ou pela distinção que se apresentará ao longo da
sua caminhada.
Um dos eixos nessa disciplina centrou-se em evidenciar a pesquisa
científica, o seu delineamento da pesquisa, planejamento e a
construção do projeto de pesquisa. Esses representam um dos
momentos mais significativos deste nosso trabalho. Lembre-
se sempre que por mais simples que ele seja, sempre será um
trabalho que ficará registrado em sua vida acadêmica.
Por fim, evidenciamos um processo articulador de conhecimentos
em torno da ampliação das práticas de uma leitura metódica
de textos, usar e construir fichamentos das leituras de diversas
obras, promover uma análise crítica das leituras por intermédio
da elaboração de resenhas e de construir o relatório final de seu
projeto de pesquisa.
Esperamos que esse trabalho proporcione novos conhecimentos e
encaminhamentos a outros textos, pois entendemos que o mais
importante é não se perder de vista a sintonia entre o tempo
escolar e o tempo de construção de novos paradigmas na Educação
Física formal, pois você pode fazer a diferença.
Um abraço fraterno,
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Júnior
referências 187
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ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa.
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nota sobre os autores 191
NOTAS SOBRE OS AUTORES
Antonio Carlos Frasson
Possui graduação em Educação Física pela Escola de Educação
Física e Desportos do Paraná (1973), mestrado em Educação
pela Universidade Metodista de Piracicaba (1995) e doutorado
em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (2002)
cujo tema versou sobre o Ensino Superior em Ponta Grossa: o
tempo das faculdades. Foi professor da Universidade Estadual
de Ponta Grossa de 1976 a 2003. Atualmente é professor do
Centro de Ensino Superior Campos Gerais – CESCAGE, atuando na
área da Metodologia da Pesquisa Científica, professor do curso
de especialização da Universidade Estadual de Ponta Grossa e
integrante do quadro próprio do magistério do Governo do Estado
do Paraná. É autor de diversos artigos a respeito da Educação
Física e da Qualidade de Vida.
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
Possui graduação em Licenciatura em Educação Física pela Univer-
sidade Estadual de Ponta Grossa (1990), especialização em Teoria
e Prática do Futebol/Futsal pela Faculdade de Filosofia Ciências e
Letras de Arapongas (1991), especialização em Ciência da Educa-
ção Motora pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1993) ,
especialização em Pedagogia do Esporte pela Universidade Esta-
dual de Ponta Grossa (1994), mestrado em Educação pela Univer-
sidade Metodista de Piracicaba (1996) e doutorado em Educação
Física pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Atualmente
é Professor Adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa e do
Programa de Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas. Tem experi-
ência na área de Educação Física, com ênfase em Estudos do Lazer.
Atua principalmente nos seguintes temas: Trabalho, Lazer, Políticas
púbicas, Meninos de rua, Identidade.
UemaNet - Núcleo de Tecnologias para Educação
Informações para estudo
Central de Atendimento
0800-280-2731
Sites
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Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação – UemaNet
Caro Estudante,
No sentido de melhorar a qualidade do material didático, gostaríamos que você
respondesse às questões abaixo com presteza e discernimento. Após, destaque a
folha da apostila e entregue ao seu Tutor. Não é necessário assinar.
Município: _________________________________	Polo: _______________________
Turma: _________ 				 Data: _____/ _____/__________
Responda as questões abaixo de forma única e objetiva
[O] - ótimo, [B] – bom, [R] - regular, [I] - insuficiente
1	 Qualidade gráfica [O] [B] [R] [I]
1.1	 Encadernação gráfica
1.2	 Formatação da apostila
1.3	 Ícones apresentados são informativos
1.4	 Tamanho da fonte (letra)
1.5	 Tipo de fonte está visível (Arial, Times New Roman...)
1.6	 Qualidade de ilustração
2	 Conteúdo [O] [B] [R] [I]
2.1	 Coesão
2.2	 Coerência
2.3	 Contextualizado com a realidade e prática
2.4	 Organização
2.5	 Programa da disciplina (Ementa)
2.6	 Incentiva à pesquisa
3	 Atividades [O] [B] [R] [I]
3.1	 Atividades relacionadas com a proposta da disciplina
3.2	 Atividades relacionadas com a realidade e a prática
3.3	 Relacionadas ao conteúdo
3.4	 Contextualizadas com a prática
3.5	 Claras e de fácil entendimento
3.6	 Estão relacionadas com as questões das avaliações
3.7	 São problematizadoras e incentivam à reflexão
3.8	 Disponibilizam uma bibliografia complementar
O material chega em tempo hábil? sim ( ) não ( )

Metodologia cientifica

  • 1.
  • 3.
    Governo do Estadodo Maranhão Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnológico Universidade Estadual do Maranhão - UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA Antonio Carlos Frasson Constantino Ribeiro de Oliveira Junior São Luís 2010
  • 4.
    Governadora do Estadodo Maranhão Roseana Sarney Murad Reitor da uema Prof. José Augusto Silva Oliveira Vice-reitor da Uema Prof. Gustavo Pereira da Costa Pró-reitor de Administração Prof. José Bello Salgado Neto Pró-reitor de Planejamento Prof. José Gomes Pereira Pró-reitor de Graduação Prof. Porfírio Candanedo Guerra Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação Prof. Walter Canales Sant’ana Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis Profª. Vânia Lourdes Martins Ferreira Assessor Chefe da Reitoria Prof. Raimundo de Oliveira Rocha Filho Diretora do Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais - CECEN Profª. Andréa de Araújo Edição: Universidade Estadual do Maranhão - UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet Coordenador do UemaNet Prof. Antonio Roberto Coelho Serra Coordenadora Pedagógica: Maria de Fátima Serra Rios Coordenadora do Curso de Pedagogia, a distância: Profª. Heloisa Cardoso Varão Santos Coordenadora da Produção de Material Didático UemaNet: Camila Maria Silva Nascimento Responsável pela Produção de Material Didático UemaNet: Cristiane Costa Peixoto Revisão: Liliane Moreira Lima Lucirene Ferreira Lopes Diagramação: Josimar de Jesus Costa Almeida Luis Macartney Serejo dos Santos Tonho Lemos Martins Capa: Luciana Vasconcelos Universidade Estadual do Maranhão Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet Campus Universitário Paulo VI - São Luís - MA Fone-fax: (98) 3257-1195 http://www.uemanet.uema.br e-mail: comunicacao@uemanet.uema.br O conteúdo deste fascículo foi cedido à Universidade Estadual do Maranhão - UEMA pela Universidade Estadual de Ponta Grossa - PR que autorizou sua reprodução com atualizações: revisão de linguagem, capa, cores e diagramação de uso exclusivo do Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet.
  • 5.
    João Carlos Gomes Reitor CarlosLuciano Sant’ana Vargas Vice-reitor NUTEAD - UEPG Coodenação Geral Leide Mara Schmidt Coordenação Pedagógica Cleide Aparecida Faria Rodrigues Conselho Consultivo Pró-Reitor de Graduação - Graciette Tozetto Goes Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação - Benjamin de Melo Carvalho Pró-Reitor Extensão e Assuntos Culturais - Miguel Sanches Neto Colaboradores Financeiros Ariângelo Hauer Dias Luiz Antonio Martins Wosiack Colaboradores de Planejamento Carlos Roberto Ferreira Silviane Buss Tupich Colaboradores em Informática Carlos Alberto Volpi Carmen Silvia Simão Carneiro Colaboradores em EAD Dênia Falcão de Bittencourt Jucimara Roesler Colaboradores de Publicação Álvaro Franco da Fonseca - Ilustrador Anselmo Rodrigues de Andrade Júnior - Designer Grá- fico/Ilustrador Ceslau Tomczyk Neto – Ilustrador Ana Caroline Machado – Diagramação Márcia Zan Vieira – Revisora Rosecler Pistum Pasqualini - Revisora Vera Marilha Florenzano – Revisora Colaboradores Operacionais Edson Luis Marchinski Maria Clareth Siqueira UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - NUTEAD Av. Gal. Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - Ponta Grossa - PR Tel.: (42) 3220 3163 www.nutead.uepg.br 2010 Todos os direitos reservados ao NUTEAD - Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná, Brasil. Ficha catalográfica elaborada pelo Setor de Processos Técnicos BICEN/UEPG.
  • 7.
    APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL PALAVRAS DOSPROFESSORES UNIDADE 1 CIÊNCIA ..............................................................................................................................21 SEÇÃO 1 - A História da Ciência.....................................................................23 SEÇÃO 2 - Conceito de Ciência......................................................................41 SEÇÃO 3 - A Ciência e sua Classificação..................................................... 48 UNIDADE 2 CONHECIMENTO..............................................................................................................57 SEÇÃO 1 - Tipos de Conhecimentos .............................................................59 SEÇÃO 2 - O Processo de Conhecimentos...................................................67 SEÇAO 3 - O Conhecimento Científico......................................................... 69 SEÇÂO 4 - Metodologia Científica e Método Científico.........................71 UNIDADE 3 PESQUISA CIENTÍFICA....................................................................................................87 SEÇÃO 1 - Pesquisa Científica..........................................................................89 SEÇÃO 2 - Delineamento da Pesquisa.........................................................93 SEÇÃO 3 - Planejamento da Pesquisa.........................................................108 SEÇÃO 4 - Projeto da Pesquisa......................................................................113 SUMÁRIO
  • 8.
    UNIDADE 4 DIRETRIZESPARAELABORAÇÃOEAPRESENTAÇÃODETRABALHO..............147 SEÇÃO 1- Leitura...............................................................................................148 SEÇÃO 2 - Fichamento.....................................................................................157 SEÇÃO 3 - Resumo.............................................................................................162 SEÇÃO 4 - Resenhas..........................................................................................169 SEÇÃO 5 - Comunicação Científica..............................................................174 PALAVRAS FINAIS .............................................................................................184 REFERÊNCIAS.......................................................................................................187 NOTAS SOBRE OS AUTORES...........................................................................191
  • 9.
    APRESENTAÇÃO Caríssimo aluno, Você estárecebendo a disciplina Metodologia Científica, uma entre as demais igualmente importantes no Curso de Pedagogia. Ela tem a função de proporcionar possibilidades que se concretizarão em atos relevantes na vida dos que escolhem a docência com o objetivo de refletir sobre a construção de uma sociedade mais consciente e mais humanizada, por isso, é dada a essa disciplina uma deferência especial. Como educador neste mundo pragmático você precisa conhecer as abordagens técnicas e processos utilizados pela ciência, visando a formulação e resolução de problemas. A disciplina Metodologia Científica proporcionará o conhecimento dos métodos científicos e os paradígmas positivistas e naturalista, bem como os aspectos pertinentes à pesquisa científica. Bom estudo e sucesso! Equipe UemaNet
  • 11.
    APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL Prezado estudante, Inicialmentequeremos dar-lhe as boas-vindas à nossa instituição e ao curso que escolheu. Agora, você é um acadêmico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), uma renomada instituição de ensino superior que tem mais de cinquenta anos de história no Estado do Paraná, e participa de um amplo sistema de formação superior criado pelo- Ministério da Educação (MEC) em 2005, denominado Universidade Aberta do Brasil (UAB). O Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) não propõe a criação de uma nova instituição de ensino superior, mas sim, a articulação das instituições públicas já existentes, possibilitando levar ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos. Sensível à necessidade de democratizar, com qualidade, os cursos superiores em nosso país, a Universidade Estadual de Ponta Grossa participou do 2º Edital de Seleção MEC/UAB (Edital nº 01/2006- SEED/MEC/2006/2007) e foi contemplada para desenvolver dez cursos de graduação e quatro cursos de pós-graduação na modali- dade a distância. Isso se tornou possível graças à parceria estabelecida entre o MEC, a CAPES e as universidades brasileiras, bem como porque a UEPG, ao longo de sua trajetória, vem acumulando uma rica tradição de
  • 12.
    ensino, pesquisa eextensão e se destacando também na educação a distância. A UEPG é credenciada pelo MEC, conforme Portaria nº 652, de 16 de março de 2004, para ministrar cursos superiores (de graduação, sequenciais, extensão e pós-graduação lato sensu) na modalidade a distância. Os nossos programas e cursos de EaD apresentam elevado padrão de qualidade e têm contribuído, efetivamente, para a democra- tização do saber universitário, destacando-se o trabalho que de- senvolvemos na formação inicial e continuada de professores. Este curso não será diferente dos demais, pois a qualidade é um com- promisso da Instituição em todas as suas iniciativas. Os cursos que ofertamos, no Sistema UAB, utilizam metodologias, materiais e mídias próprios da educação a distância que, além de facilitarem o aprendizado, permitirão constante interação entre alunos, tutores, professores e coordenação. Este curso foi elaborado pensando na formação de um professor competente, no seu saber, no seu saber fazer e no seu fazer saber. Também foram contemplados aspectos éticos e políticos essen- ciais à formação dos profissionais da educação. Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos para facilitar o seu processo de aprendizagem e que tenha muito sucesso na trajetória que ora inicia. Mas, lembre-se: você não está sozinho nessa jornada, pois fará parte de uma ampla rede colaborativa e poderá interagir conosco sempre que desejar, acessando nossa Plataforma Virtual de Apren- dizagem (MOODLE) ou utilizando as demais mídias disponíveis para nossos alunos e professores. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois a sua apren- dizagem é o nosso principal objetivo. EQUIPE DA UAB/ UEPG
  • 13.
    ESCLARECENDO... Caro estudante, Iniciamos maisuma etapa do seu curso na modalidade a distância. No momento, o enfoque do nosso trabalho é a disciplina Metodologia Científica. O estudo dos temas apresentados neste fascículo será fundamental para a ampliação dos seus conhecimentos, bem como a aplicação desses conhecimentos na sua vida profissional. Observe que o material que você tem em mãos foi elaborado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, que, assim como a UEMA, é parceira da Universidade Aberta do Brasil-UAB. Ao iniciar o estudo você vai perceber que alguns trechos, exemplos e atividades aplicam-se ao curso de Educação Física. Não se preocupe! Isto não atrapalhará em nada a sua aprendizagem. O fato é que este material foi dirigido inicialmente a Educação Física, mas o conteúdo abordado é perfeitamente apropriado para a disciplina Metodologia Científica do seu curso. Por isso, pedimos: ignore as atividades contidas no interior do fascículo. Tais atividades foram reproduzidas, eliminando- se a especificidade da educação física. Suas tarefas e os textos complementares estarão disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Para respondê-las pesquise neste fascículo. Caso surjam dúvidas durante o desenvolvimento da disciplina, você pode contar com a equipe UEMANET, professor e tutores para ajudá-lo. Sucesso e uma boa aprendizagem!
  • 15.
    PALAVRAS DOS PROFESSORES Aestrutura organizacional das instituições, a partir da Revolução Industrial, traz em seu contexto significativas marcas de transformações. Os paradigmas conceituais de sociedade, trabalho, educação e ciência passaram e continuam passando por significativasmudançasemseutodo.Oavançonosprincípiosbásicos da ciência aliados aos meios de comunicação e da informática tem sido a alavanca desse processo. As concepções advindas desse processo estão transformando o homem e o seu habitat. Um novo homem está surgindo. A busca constante por avanços na ciência, nos meios de comunicação, na qualidade de vida, por momentos de lazer, passa a ser considerada como fator primordial. Os desafios nesse novo caminhar da sociedade são imensos, visto que passamos por um processo de transformação. Transformação do trabalho físico e mental feito por intermédio das máquinas e computadores. Processo de suma importância no crescimento econômico e social para uma nova era. Nova era que está se contextualizando no seio da sociedade por base do capital intelectual, o qual se insere na Sociedade do Conhecimento. A Educação Física também faz parte desse contexto de mudanças, quer seja no seu aspecto formal ou não formal. Entretanto, para atender as novas necessidades dessa nova sociedade que está emergindo é necessário que a formação desse profissional acompanhe passo a passo esse processo evolutivo. Atento a esse processo, a Universidade Estadual de Ponta Grossa – por intermédio do Núcleo de Educação a Distância e do curso de Educação Física,
  • 16.
    adiantam-se nessa caminhadacom a oferta do Curso de Licenciatura em Educação Física a Distância. Fator esse considerado como significativo dentro dessa nova práxis de formação profissional, pois vem atender às diversas comunidades distantes dos centros de excelência acadêmica. Para isso, a contribuição da disciplina Metodologia da Pesquisa Científica é de fundamental importância nesse momento de construção de novos saberes. O estudo voltado para as nuances da Educação Física Escolar oportuniza a aquisição de um novo conhecimento diferenciado, sobretudo pelo processo de pesquisa. A coesão entre a pesquisa e a Educação Física Escolar é o núcleo central de uma concepção realista, capaz de tornar compreensível os avanços científicos advindos da ciência. Essa disciplina pode contribuir em muito na consolidação de seus conhecimentos na área da Educação Física Escolar. Os fundamentos trabalhados vão ao encontro dos anseios e objetivos dessa nova concepção de ensino. Portanto, bem vindo ao mundo da pesquisa científica. Um mundo cheio de nuances, de novas descobertas que você irá percorrer na busca de novos conhecimentos. Antonio Carlos Frasson Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
  • 17.
    OBJETIVOS E EMENTA ObjetivoGeral Compreender os processos metodológicos de construção do saber científico como meio de organização da ação metodológica na Edu- cação Física. Objetivos Específicos • Entender os processos metodológicos de construção do conhe- cimento científico na Educação Física; • Articular o conhecimento científico de acordo com os princí- pios científicos; • Compreender a realidade da Educação Física voltada para a área da produção acadêmica; • Incorporar novas metodologias de estudos a sua prática coti- diana. Ementa • A ciência, conhecimento científico. Método científico. Pesqui- sa científica. Pesquisa bibliográfica. Uso da biblioteca. Diretri- zes para a elaboração e apresentação de trabalhos. Projeto de pesquisa. Comunicação científica. Aspetos técnicos e metodo- lógicos da Monografia.
  • 19.
    ÍCONES Orientação para estudo Aolongo desta apostila, serão encontrados alguns ícones utilizados para facilitar a comunicação com você. Saiba o que cada um significa. SUGESTÃO DE LEITURA PENSE DICA DE SITE ATENÇÃO ATIVIDADES SUGESTÃO DE FILMES SAIBA MAIS GLOSSÁRIO
  • 21.
    Ciência Antonio Carlos Frasson ConstantinoRibeiro de Oliveira Junior 1 unidade Objetivo dESTA unidade Estabelecer reflexões acerca das relações da ciência com a sociedade por intermédio de um referencial pautado na sua história, nos seus conceitos e na sua classificação. ROTEIRO DE ESTUDOS • SEÇÃO 1 – A hitória da ciência • SEÇÃO 2 – Conceitos de ciência • SEÇÃO 3 – A ciência e sua classificação
  • 22.
    22 PARA INÍCIO DECONVERSA Ao dar os primeiros passos na busca de sua formação profissional, acredito que você está um pouco ansioso para descobrir o que esta unidade de ensino pode lhe trazer ou ainda representar para a sua vida profissional. Desvendar o que é ciência e sua importância no seio da sociedade desde a pré-história até os nossos dias, analisar os conceitos sobre ciências, e principalmente a classificação e/ou divisão da ciência, são as metas para esta unidade. Por que refletir sobre o que é ciência? Qual a sua representativida- de para o mundo em que vivemos? Estas são perguntas corriqueiras que você já pode ter ouvido. Veja as respostas para estas questões. O entendimento dado aos aspectos primários da ciência é de fun- damental importância para que você possa conhecer as nuances de uma determinada área do conhecimento, como a Educação Física, desde os princípios básicos de uma aula até as situações mais com- plexas que envolvem o ser humano, como por exemplo, questões de performances. Ao desenvolver um olhar reflexivo sobre o que ela traz em seu contexto, e principalmente da sua importância para o contexto da sociedade, você vai descobrir o quanto os procedimentos cien- tíficos têm colaborado na descoberta de novos encaminhamentos econômicos, sociais, políticos, tecnológicos que, de uma maneira ou outra, trazem benefícios para o homem. Embora muitos manuais busquem explicar, de diversas maneiras, o que é ciência, quais são as suas funções, como ela pode relacionar- se com as diversas facetas da vida do homem, o mais importan- te é você entendê-la em todo o seu contexto, e na sequência, relacioná-la com a Educação Física. Por isso, o conhecimento sobre ciência passará a ter um significado diferenciado na sua vida. Bom estudo! 22
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 23 SEÇÃO 1 A hISTÓRIA DA CIÊNCIA A historicidade da ciência enuncia o seu envolvimento com os processos estruturais da sociedade desde os primórdios da civilização. Essa não deve ser confundida simplesmente numa ordem cronológica de determinados objetivos que emergem no dia a dia, mas sim, pelos acontecimentos que ocorreram ao longo da história. Conhecer a história da ciência é apaixonante. Antes, porém, pense um pouco a respeito da presença da ciência no contexto da sociedade atual. Agora, escreva em cinco linhas, o que estas notícias representam para sua vida. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 23 Você já ouviu estas notícias? - O Superior Tribunal Federal vota a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias. - Satélites japoneses contestam dados do INPE sobre área des- matada no norte de Mato Grosso. - Sonda da NASA aterrissa em Marte. - Descoberto peixe fóssil de 380 milhões de anos de idade. - Casos de doping na volta da França geram revolta no ciclismo. - A periodização é a formulação de um projeto detalhado de preparação, embasado nos princípios científicos do treinamen- to desportivo. - Alimentos transformados geneticamente - soja transgênica. 1
  • 24.
    2424 Você pode terchegado à conclusão que estas notícias que foram manchetes de jornais conduziriam para uma imprescindível presença do processo científico em todos os quadrantes da sociedade, quer seja na saúde, no meio ambiente, no esporte ou ainda em qualquer outra atividade. Isto porque a sociedade, nos dias atuais, é marcada pela tecnologia, globalizaçãodemercados,alimentostransformadosgeneticamente, engenharia genética, pelos avanços da física quântica, entre outros tantos que ocorreram nos últimos tempos. Estes avanços fizeram ocorrer uma transformação no conceito de sociedade. Outro aspecto importante para você ficar atento é que, com as frequentes transformações, as estruturas organizacionais da sociedade foram agregando valores diferenciais em seu contexto. As mudanças dos paradigmas conceituais presentes na sociedade exigem que o homem e as organizações estejam cada vez mais atentos aos processos científi cos que se avolumam em cada momento. Para bem entender a história da ciência torna-se também necessário você despir-se dos preconceitos existentes, bem como, de considerar que a ciência não tem dogmas e tampouco verdades absolutas, visto ser essas, consideradas como transitórias. a busca pela cientificidade tornou-se uma prioridade para a sobrevivência. É de extrema valia verificar onde começou esta busca.
  • 25.
    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 2525 A CIÊNCIA NA PRÉ-hISTÓRIA O saber construído pelo homem no período da Pré-História, a partir de observações sobre os efeitos da natureza, pelo funcionamento das coisas, pelo confronto direto com as suas necessidades, pode ser considerado como o primórdio da ciência. Há milhares de anos, a luta do homem pela sua sobrevivência estava presente em todos os instantes de sua vida. A vida de nômade, a necessidade de obtenção de alimentos, o confronto com outros grupos fez este homem ater-se para novas descobertas, que foram desde a construção de armas, utilizando paus e pedras, até a conservação, de forma primária, de seus alimentos. Posteriormente, com a passagem da vida de nômade para a sedentária, novos padrões de comportamento surgiram. A necessidade de plantar e armazenar os grãos, a construção de suas moradias, a confecção de seu vestuário, o aperfeiçoamento de suas armas e ferramentas, estabeleceu um novo ciclo na vida do homem. Por conta disso, vamos ao ponto central estabelecido nesse período: O homem precisou construir o saber baseado em suas observações e na experiência pessoal. Lembre que todos esses momentos têm estreita relação com os aspectos de nossas vidas. Esse modelo de conhecimento, denominado de empírico, foi transmitido de pai para filho, de família para família, de geração para geração que, mesmo sem provas metódicas ou científicas, serve ainda, nos dias atuais, para extrair uma inteligibilidade a respeito da constituição da sociedade nos seus mais diversos aspectos. Você pode constatar que essa forma de conhecimento, muitas vezes útil para a condução da vida, não é contextualizada a partir de experiências racionalizadas. Com isto, o homem sentiu que esta forma de informações era frágil. Ele necessitava de dispor de novos conhecimentos, construídos de forma segura e confiável. Você sabia que... O descobrimento do fogo é uma das descobertas mais citadas na história da humanidade? O conhecimento empírico, caracterizado como de senso comum é adquirido no transcorrer do dia. Normalmente é feito por tentativas de acertos e erros.
  • 26.
    26 Esses conhecimentos nãodesapareceram ao longo dos tempos, eles permanecem vivos nos dias atuais. Pense num ensinamento que seu avô ensinou para o seu pai. E este passou para você. Escreva em cinco linhas este ensinamento. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ A CIÊNCIA NA GRÉCIA ANTIGA A Grécia, neste período, considerada como o berço da civilização, contava com uma plêiade de filósofos que desempenharam um papel fundamental na trajetória do conhecimento científico. A genialidade dos filósofos gregos pode ser considerada como o principal responsável pelo crescimento da ciência nos mais diversos setores. Entre esses filósofos encontramos Platão e Aristóteles, os quais tendo a lógica, aliada ao raciocínio dedutivo e indutivo, passaram a estabelecer novos conceitos sobre o saber científico. Outros aspectos importantes que aconteceram neste período teve como personagem o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.). Foi ele que separou a filosofia da ciência, criou o primeiro sistema de lógica e foi considerado como um dos primeiros cientistas políticos que se tem notícia. No que diz respeito aos estudos relacionados à saúde, a civilização grega teve vários destaques. Hipócrates, estudioso do corpo humano, considerado como um dos maiores vultos da história da medicina e Galeno, ao qual é atribuído o descobrimento das veias e nervos. Plêiade: Reunião ou grupo de homens ou poetas célebres. Dicionário aurélio É importante você saber que o raciocínio dedutivo parte de uma lei universal para o particular. um exemplo clássico deste refere- se ao seguinte: Todo homem é mortal, você é mortal, logo todos os homens são mortais. O raciocínio indutivo parte do particular para uma lei universal. um exemplo deste parte do seguinte: O ferro conduz eletricidade, o ouro conduz eletricidade, o cobre conduz eletricidade, logo, todos os metais conduzem eletricidade. 1
  • 27.
    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 27 Mesmo considerando a forte presença dos filósofos, que até nos dias atuais são citados por contextualizarem significativos avanços para o processo científico neste período, é de extrema valia você também conhecer outros fatos importantes legados para toda a humanidade. Entre estes, você vai encontrar o esporte, o qual era tido como um meio de transmissão cultural e de culto aos deuses. Aprofunde seus conhecimentos pesquisando sobre as atividades esportivas (ginástica e jogos) praticadas na Grécia Antiga e busque, em cinco linhas, relacioná-las com os dias atuais. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ VOCÊ SABIA QUE... Existia na Grécia Antiga um aparelho chamado de Anticítera, que podia pre- ver eclipses, além de prever as datas das próximas Olimpíadas? Ao lado fragmentos do Anticítera. 1
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    2828 A CIÊNCIA NAIDADE MÉDIA A Idade Média, por muito tempo, foi considerada como a Idade das Trevas. Razões para que historiadores assim a denominassem não faltaram ao longo da história. O declínio nas atividades científicas, artísticas, literárias e culturais, vinculados a um forte controle da igreja, se fez presente. O rígido controle que a igreja exercia em todas as atividades, cal- cada nos princípios de legitimar, difundir o Reino de Deus e as verdades expressas nas Sagradas Escrituras se fez presente prin- cipalmente nas ciências e na produção do saber. Para a igreja, o saber pagão era considerado como um fator de ultraje às teorias dogmáticas e aos princípios morais do cristianismo. Outros motivos também não faltaram para que este período fosse assim considerado. A destruição de acervos bibliográficos, as lutas entre os senhores feudais, a dificuldade de comunicação contri- buíram de sobremaneira para que este período fosse considerado como principal elemento prejudicial ao desenvolvimento da ciên- cia, apesar da forte presença religiosa e do processo intelectual ter se concentrado nos mosteiros, fazendo com que os estudos voltados para a religião fossem priorizados em relação à ciência. O NOME DA ROSA (1986) sinOPse: eM 1327 WilliaM de basKerville (sean connery), uM MonGe Franciscano, e adso von MelK (christian slater), uM noviço Que o acoMpanha, cheGaM a uM reMoto Mosteiro no norte da itália. WilliaM de basKerville pretende participar de uM conclave para decidir se a iGreJa deve doar parte de suas riQueZas, Mas a atenção é desviada por vários assassinatos Que aconteceM no Mosteiro. WilliaM de basKerville coMeça a investiGar o caso, Que se Mostra bastante intrincado, aléM dos deMais reliGiosos acreditareM Que é obra do deMÔnio. WilliaM de basKerville não partilha desta opinião, Mas antes Que ele conclua as investiGaçÕes bernardo Gui (F. Murray abrahaM), o Grão-inQuisidor, cheGa no local e está pronto para torturar QualQuer suspeito de heresia Que tenha coMetido assassinatos eM noMe do diabo. considerando Que ele não Gosta
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 2929 de basKerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos Que são diabolicaMente inFluenciados. esta batalha, Junto coM uMa Guerra ideolóGica entre Franciscanos e doMinicanos, é travada enQuanto o Motivo dos assassinatos é lentaMente solucionado. DiReÇÃO: Jean-JacQues annaud GêneRO: suspense eLenCO: sean connery, christian slater, helMut QualtinGer, elya basKin, Michael lonsdale, volKer prechtel, Feodor chaliapin Jr., WilliaM hicKey, Michael habecK, urs althaus, valentina varGas, ron perlMan, leopoldo trieste, Franco valobra, vernon dobtcheFF, donald o’brien, andreW birKin, F. Murray abrahaM. Considerando o longo período que abrange a Idade Média, é possível você observar que houve momentos em que a ciência se fez presente, com a criação de novos instrumentos e métodos para a agricultura, a utilização do moinho de vento, entre outras. O mais interessante deste período, apesar de ser considerado como o período das trevas, foi a criação e instalação de escolas, no século XII, as quais foram posteriormente denominadas de universidades e deram origem ao sistema universitário. Com o advento desse sistema, ampliou-se o campo de estudos que vieram modificar os paradigmas conceituais deste período da história, o qual a igreja já não podia mais reprimir. Com o despontar de uma nova cultura para a ciência, surge novos pensadores, cientistas, filósofos que desvinculados do pragmatismo exacerbado da igreja instituíram novos conceitos e estudos sobre os processos científicos. A consolidação deste processo pode ser considerada como o embrião da ciência moderna. VOCÊ SABIA QUE... Mesmo com a destruição dos acervos bibliográ- ficos a Igreja mantinha em seus conventos um esquema de cópia dos livros? Esses eram feitos à mão e decorados com pin- turas (iluminuras). Os monges que atuavam neste trabalho eram chamados de monges copistas.
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    3030 Entre tantos cientistasreverenciados, destacam-se três: Centra- do na observação da natureza e no processo experimental, ten- do como suporte o conhecimento científico, temos Roger Bacon (1214-1294). Tomás de Aquino (1227-1274), frade dominicano e teólogo, buscou realizar uma integração entre escolástica e aristo- telismo. Com a frase “a ciência não consiste em ratificar o que ou- tros disseram, mas em buscar as causas dos fenômenos”, Alberto Magno (1193-1280) defendeu a interação entre ciência e religião. As reflexões emanadas por estes procedem ao surgimento de duas linhas de discussão que se constituíram como suporte da produção científica dos séculos seguintes: a filosofia da ciência e a epistemo- logia. A primeira corrente, transformou-se no Positivismo, a segun- da no Construtivismo. Após esta passagem pela história da ciência na Idade Média, você pode observar momentos diferenciados. Inicialmente calcada na forte presença da religião e posteriormente com o advento de uma plêiade de novos cientistas, pensadores e filósofos, os quais constru- íram novos paradigmas científicos que perduram até os dias atuais. Conheça mais sobre outros momentos vivenciados neste período pesquisando sobre o entendimento dado ao culto do corpo por intermédio da prática da atividade física e escreva, em cinco linhas, como você considera este momento. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ A CIÊNCIA NO SÉCULO XVII O século XVII é distinguido por uma forte presença de filósofos e cientistas nos mais diversos setores, que marcaram uma brilhante presença neste período. Assinala também uma ruptura da maneira de ver e entender a ciência. É importante você saber que o Positivismo criado por auguste Comte é considerado como uma linha teórica da sociologia, o qual consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação. O Construtivismo constitui-se pela ação do homem com o meio social e físico. 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 3131 Outro fato de suma importância, que você deve observar, refere-se à construção do saber. O saber neste período passa a ser construído a partir da realidade que se faz presente na vida do homem. Este processo é denominado de empirismo. A explicação deste saber é colocada à prova, a qual é designada como experimentação. É inegável que o processo da experimentação foi um dos suportes da ciência moderna que se instala a partir deste século. É interes- sante você observar que a ciência moderna traz em seu contexto um fator fundamental para o seu sucesso, representado pela asso- ciação entre o método experimental e a ciência da matemática, a qual possibilita diversas aplicações do conhecimento científico. Nesse período, entre tantos cientistas que marcaram presença nes- se século, você deve conhecer alguns destaques. • Francis Bacon (1561 – 1626), filósofo inglês, organizou o método experimental. • René Descartes (1595 – 1650), francês, considerado como um dos maiores pensadores deste período e criador da geometria analítica. • Johannes Kepler (1571-1628), cientista alemão que, utilizando das formas matemáticas, reduziu as leis que tratavam do Sistema Solar. • Isaac Newton (1642 – 1727), inglês, formulou a lei da gravidade e a decomposição da luz. • Galileu Galilei (1564 – 1642), considerado como um dos maiores gênios na história da ciência. Foi perseguido e humilhado por ter afirmado que a terra se move em torno do sol. • Louis Pasteur (1822 - 1895), cientista francês que, com suas descobertas no campo da saúde, constitui-se como um marco no avanço da microbiologia e da imunologia. É importante você saber que através da aplicação do método experimental, a organização e as leis do universo passaram a ser conhecidas no século XVII, bem como, a rejeição à intervenção religiosa pelos filósofos que se fez presente.
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    3232 VOCÊ SABIA QUE... Aprimeira contribuição dada por Galileu Galilei à ciência aconteceu em Duomo de Pisa? Observan- do o movimento pendular de uma lâmpada pen- durada em uma corda que acabara de ser acesa, percebeu que os movimentos pendulares desta lâmpada eram iguais às batidas do seu coração. A partir desta observação, onde os movimentos das oscilações eram sempre idênticas, formulou a lei do isocronismo. www.emack.com.br Outro fato de destaque que ocorreu neste século foi a Revolução Científi ca. Essa Revolução veio modificar os paradigmas conceituais da ciência, a qual passa a ser constituída dentro de um conhecimento estruturado e prático, desvinculando-se assim dos ditames da filosofia. É interessante você observar que essa Revolução não aconteceu de forma isolada, ela foi um movimento muito complexo. A determina- ção do seu período de abrangência ainda hoje não está estabeleci- da, pois não há consenso sobre isto. A discussão sobre a sua impor- tância é ampla e provoca uma série de diferentes pontos de vista. Para entender as nuances deste processo em nossas vidas é interes- sante você estudar os elementos que a precederam, os conceitos e principalmente a sua interação com o processo científico e social que se estabeleceu. Concomitantemente as descobertas científicas de Galileu, Kepler, Newton, entre outros pensadores, ocorreram outros fatos que, de uma forma ou outra, vieram marcar presença neste processo de construção de um novo paradigma para a ciência. Faça uma pesquisa livre na internet sobre a Revolução Científica e transcreva, em cinco linhas, como você contextualiza a ciência neste século. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 3333 SÉCULO XVIII – SÉCULO DAS LUzES Intitulado como o século das Luzes, este século foi marcado por avanços na ciência e na forma de constituir o saber. A união entre ciência e tecnologia começou-se fazer presente, trazendo junto de si muitas descobertas: o surgimento das máquinas a vapor que mar- ca o processo da Revolução Industrial, as primeiras teorias sobre a origem do universo, além das teorias referentes à formação da terra e dos planetas formuladas por Buffon e Kant. Destaque deve ser dado a este século, pelo fato de que o renascen- tismo se fazia presente em um estágio avançado e pode-se assim dizer que o determinantismo científico se fazia presente. Neste século destacamos a presença de cientistas como: • Anders Celsius (1701 – 1744). Tendo a astronomia como seu principal interesse, desenvolveu estudos que objetivavam a estabelecer uma escala que visasse classificar a magnitude das estrelas. • Georges Buffon (1707 – 1788). Ateve-se ao campo das ciências naturais, sendo considerado no meio acadêmico como um dos
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    3434 fundadores da histórianatural. É dele também a teoria sobre a formação do nosso sistema solar. • Immanuel Kant (1724 – 1804). Traz em seu histórico de vida uma ligação com a filosofia crítica. É reverenciado pela sua obra a “Crítica da Razão Pura” publicada em 1781, elaborada ao estudar sobre as questões do conhecimento. A Revolução Industrial que se iniciou nos meados deste século pode ser considerada como um marco conceitual no avanço tecnológico e científico da humanidade. Pois, a partir do seu advento, novas fórmulas e formas de ver, analisar e refletir sobre a humanidade foram surgindo ao longo dos tempos com o surgimento das ciências sociais e humanas. Você pode constatar que o mundo, neste período, vivia cercado pela mobilidade social que se instalou com a advento da Revolução Industrial, a qual estabeleceu uma nova relação entre o trabalho e o capital ocasionando um profundo impacto no processo produtivo, social e econômico. As condições precárias de trabalho, do ambiente no interior das fábricas e pelo baixo salário vieram promover mudanças significa- tivas no comportamento social do homem. Aprofunde seus estudos pesquisando na internet sobre a Revolução Industrial. Além da Revolução Industrial, outros dois movimentos vieram cola- borar para estas mudanças. • A Revolução Americana (1776), movimento com caracterís- tica popular organizado pelas treze colonias inglesas para se livrarem do jugo inglês. A ruptura política trazia junto de si o desejo de construirem uma nova vida, dando origem aos Esta- dos Unidos da América. • A Revolução Francesa (1789), cujo lema estava centrado na Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Esta revolução ocorreu
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 3535 no reinado do rei Luiz XVI. Um dos principais marcos desta re- volução é a Queda da Bastilha, símbolo do poder monárquico da França. Perceba como fica claro que os movimentos constituiram-se num campo vastíssimo para a pesquisa, fornecendo contribuições ess- senciais à reflexão sobre as incontestáveis questões sociais e huma- nas na busca da compreensão do homem como um todo. Pesquise na internet, e escreva em cinco linhas, o porquê da Revolução Industrial ser considerada como um dos acontecimentos que trouxe influência à ciência. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ SÉCULO XIX – O SÉCULO DA CIÊNCIA A ciência neste século traz em seu bojo a euforia propagada pela Revolução Industrial e avança a olhos vistos em diversas áreas do conhecimento. O progresso nos métodos matemáticos, a descoberta do mundo mi- croscópio e a conexão entre as forças elétricas e magnéticas, as radiações infravermelha e ultravioleta estavam entre os principais momentos na área da ciência. Vários países criaram instituições voltadas em desenvolver estudos científicos. Outros aspectos considerados importantes que aconteceram neste sé- culo relacionam-se a Darwin (1809 – 1892) e a Pasteur (1822 – 1895). 1
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    36 Darwin, com apublicação de seu livro em 1859, “On the Origin of the Species by Means of Natural Selection” (A origem das espécies pelo significado da seleção natural), provocou uma revolução na estrutura social do mundo. Pasteur juntamente com Robert Koch (1843 – 1910), ao estudarem sobre os germes microscópios que causavam diversas enfermidades na população, criaram as primeiras vacinas. Como você está observando, o avanço na produção científica e te- conológica marcaram este século. Observe mais alguns deles e re- flita sobre a importância desses inventos em sua vida. • Alexadre Grahman Bell (1847 – 1922) inventa o telefone. • Auguste Lumière (1862 – 1954) e Louis Lumière (1864 – 1948) aperfeiçoam o sistema de cinematografia. • Thomas Edison (1847 – 1931) inventa o fonógrafo e o micro- fone. • Marconi (1874 – 1937) inventa o telégrafo sem fio. Antes de aprofundar os seus conhecimentos sobre ciências no sécu- lo XX, cabe ressaltar que a produção acadêmica neste século tem avanços significativos. Lembre-se que o século XVIII foi marcado por rupturas do processo social vigente, mudando os paradigmas sociais e econômicos. Rompidos os laços entre os costumes e tra- dições, houve uma instalação e consolidação de uma nova ordem social e econômica, cujas implicações relacionam-se diretamente com o homem que repercutiu no século XIX. As ciências humanas, consideradas modernas, surgiram em mea- dos da segunda metade do século XIX (1800-1899) inspiradas nos ditames das ciências naturais. As ciências naturais e matemáticas já se faziam presente com seus métodos e conhecimentos científi- cos e tudo o que se referia ao homem tinha na filosofia o seu centro de estudo. Essa forma de envolvimento com a sociedade coloca em evidência a espacialidade das ciências humanas, dando margem a diversas interpretações, partindo de referências diferenciadas. Você já pode perceber que a compreensão e a explicação de fatos inerentes e presentes no seio da sociedade têm o homem como seu ponto de convergência científico, quer seja no mundo do trabalho, das ruas ou sociais.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 37 Como você pode perceber, com o advento das ciências humanas, as teorias científicas se transformam. O pesquisador volta sua aten- ção para o mundo que está em sua volta, alargando desta manei- ra o seu foco de atuação. As tendências que hoje apontam para o entendimento das ciências humanas entre ciência e o mundo e as ciências entre si são variadas, principalmente quando se busca entender a especificidade do seu campo de atuação. Esta reflexão deve ser feita para que se possa refletir sobre o modelo de ciência que vem sendo desenvolvido. A CIÊNCIA NO SÉCULO XX Veja agora como a ciência se fez presente no século XX. A primeira viagem do homem à lua foi, sem dúvida, um dos destaques dos processos científicos, que se fez presente neste século. Para essa incursão na lua, o homem investiu muitos anos de estudos e de pesquisas sobre o processo que iriam desfraldar. É importan- te lembrar que estas pesquisas asseguraram enormes progressos científicos. Antes desta primeira viagem à lua, a então União Soviética, no dia 04 de outubro de 1957, já tinha colocado em órbita da Terra o primeiro satélite fabricado pelo homem – O Sputnik, e no dia 12 de abril de 1961, Yuri Gagarin deu a primeira volta em torno do nosso planeta. VOCÊ SABIA QUE... Um dos refrigerantes mais consumidos no mundo foi inventado nes- te século pelo farmacêutico Dr. John Styth Pemberton em 1886? Pierre de Frédy, pedagogo e historiador francês, foi o idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna e ficou mais conhecido pelo seu título de Barão Pierre de Coubertin? O homem pisou na Lua no dia 20 de julho de 1969, às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos, de acordo com o horário de Brasília, a bordo da nave apolo XI.
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    3838 Evidentemente, não foisomente este fato que ocorreu. Outros pro- jetos científicos se fizeram presentes neste século alcançado pela ciência e pela tecnologia. O estudo da ciência nunca esteve tão presente na sociedade como se encontra neste século. É notório o avanço do conhecimento científi co. Observe mais alguns momentos vivenciados pela sociedade, no qual a ciência se fez presente. Comece por Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), que a bordo do 14-BIS realizou o primeiro voo em um aparelho mais pesado do que o ar. Atribui-se também a ele a invenção do relógio de pulso para substituir o de bolso. Veja outros acontecimentos científicos que marcaram este século: • os estudos da biologia molecular, com a clonagem da ovelha Dolly, realizada por investigadores do Instituto Roslin – Escócia, após a transferência nuclear de células; • a teoria quântica de Max Planck (1858 – 1947); • a teoria da relatividade de Albert Einstein (1979 – 1955); • a descoberta do microscópio eletrônico; • a descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1881 – 1955); • os estudos sobre a estrutura do átomo, entre tantos outros grandes avanços da ciência neste século. VOCÊ SABIA QUE... A ovelha Dolly foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso, em 05 de julho de 1996? Leia mais sobre a ovelha Dolly acessando o site: http://www.ufrgs.br/bioetica/dollyca.htm
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 3939 Além dessas descobertas, o século XX traz consigo grandes movimen- tos sociais que, de uma forma ou outra, a presença da ciência se faz presente, como a primeira guerra mundial (1914 – 1918) e a segunda guerra mundial (1939 – 1945), onde a pesquisa e a tecnologia bélica criaram armamentos capazes de destruir, tais como bombas nuclea- res, radares, mísseis que foram cruciais para o ser humano. Trouxe também movimentos sociais capitaneados pelo processo ca- pitalista, implantados após a Revolução Industrial, tais como: A teoria de Henry Ford (1863 – 1947), idealizador da linha de mon- tagem, com o objetivo de produzir mais em menor tempo e custo. A teoria de Frederick Winslow Taylor (1856 – 1915), que revolucio- nava a organização da empresa, visando o aumento de produção. TEMPOS MORDERNOS (1936) sinOPse: o clássico do Genial charles chaplin, teMpos Modernos, retrata a interliGação da vida coM uM relóGio. o teMpo Marca a vida de operários de uMa Fábrica onde se desenvolve boa parte da ação. o FilMe coMeça coM iMaGens de uM rebanho de ovelhas Que, na seQuência, são substiuídas pela iMaGeM de uM Grupo de operários saindo da Fábrica. pela cena inicial, nota-se a pressa eM Mostrar Que a responsabilidade de MassiFicação do proletariado corresponde ao processo de desuManiZação iMposto pela MáQuina. teMpos Modernos Mostra uM patrão eM Que ao MesMo teMpo brinca de Quebra-cabeça e lê Gibi e paralelaMente controla, de sua sala, através de uM circuíto Fechado de televisão o trabalho de seus eMpreGados. eM teMpos Modernos, carlitos é uM trabalhador da Fábrica, eM uMa lnha de MontaGeM. o seu serviço é aJustar os paraFusos a uMa velocidade Que não conseGue neM se coçar, seM Que haJa Quebra no ritMo de trabalho dos coMpanheiros. DiReÇÃO: charles chaplin GêneRO: coMédia eLenCO: charles chaplin, paulette Goddard, 87 Min. preto e branco, continental
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    4040 Em pequenos gruposanalise a história da ciência. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Ao encerrar este tópico, você teve a oportunidade de conhecer uma parte da história da ciência. Temos a consciência que muitos fatos e acontecimentos que marcaram presença foram deixados ao longo desta retrospectiva histórica da ciência. Mas, o mais importante neste momento, embora ainda possa ter algumas dificuldades de compreender o que é ciência, é observar como ela está inserida em nossas vidas, bem como, a humanidade pode ver e compreender os processos científicos que foram se contextualizando ao longo dos tempos. Acredito que você pode observar que a ciência, a qual se apresenta nos dias atuais, traz em seu contexto a continuidade dos fenômenos que foram, ao longo dos tempos, aperfeiçoando, ampliando, buscando a sua veracidade no seio da sociedade. Essa evolução, desde os traços rudimentares instados na pré- história, passando pela revolução científica ocorrida nos séculos XVI e XVII com Bacon, Copérnico, entre outros tantos momentos de significativa importância para a sua evolução até o surgimento de novas configurações, traz um legado que será deixado para as futuras gerações. Pense! A cada momento de nossa vida surgem novas descobertas na área da saúde, no avanço na informática, na educação física, com novas abordagens pedagógicas que permitem refletir sobre as formas pelas quais os futuros profissionais poderão agir no processo educacional.Todos esses avanços fazem o homem ultrapassar os seus limites, superando todos os paradigmas até então estabelecidos. Torna-se emergente pensar a ciência como algo mais complexo, para isto, vamos ver na próxima seção os conceitos sobre ciência. 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 41 SEÇÃO 2 CONCEITOS DE CIÊNCIA Agora que você se iniciou no universo da história da ciência, é impor- tante conhecer alguns dos principais conceitos emitidos sobre ela. Entender os conceitos de ciência é um processo de suma importân- cia na contextualização do seu conhecimento. A apropriação deste conhecimento é imprescindível no seu envolvimento com a pesqui- sa científica. Assim, conhecer, analisar e refletir sobre os conceitos de ciência, tendo como parâmetros o que ela é, o que faz, qual o seu valor, os seus fundamentos, é o caminho para o processo de consecução de um trabalho científico. Com relação ao entendimento sobre conceitos e definições, de um modo geral, torna-se relevante analisar o que Minayo (2007,p. 19 grifo do autor) referencia a este respeito: Os termos mais importantes de um discurso cientí- fico são os conceitos. Conceitos são vocábulos ou expressões carregadas de sentido, em torno dos quais existe muita história e muita ação social. Os conceitos são centrados em uma estrutura verbal, lógica e psi- cológica que trazem junto de si menções filosóficas, religiosas, ide- ológicas entre outras tantas formas. É preciso ressaltar que o conceito de ciência é passível de múltiplos entendimentos, o qual estará atrelado ao olhar do pesquisador. Atente, estutande, para o fato que a ciência é considerada como um dos meios mais transcendentes do conhecimento científico. Dada a esta sua especificidade, Gutierrez (2005) enfatiza que um dos critérios fundamentais deste processo está relacionado com a verdade, apesar destas serem consideradas como relativas, pois ao longo dos tempos as mesmas são superadas. Em relação a um conceito mais moderno, Gutierrez (2005, p.10) demonstra que o mesmo está intimamente atrelado a “possibili-
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    42 dade de mensuraçãoe repetição de um fenomeno empírico”, en- fatizando que a interpretaçao dos dados científicos não pode ser conduzida de forma radical, enquanto material imprescindível da produção científica, pois isso viria de encontro aos ditames estabe- lecidos para a área de ciências humanas, o que tornaria de certo modo inaceitável. Ao analisar a manifestação de Gutierrez, seria interessante obser- var que a ciência não pode ser contemplada como um produto ro- mântico, manifestado por aqueles que a colocam como uma obra sublime ou ainda de forma arbitrária atrelada à fantasia do homem e tampouco como forma especulativa por natureza. Esta deve sim ser vista como uma das formas mais completas de integração e ajustamento do modo de ser do homem com a realidade em que vive. E para você, a partir do conceito de ciência apresentado por Gutierrez, como a ciência pode ser considerada? Escreva este entendimento nas linhas abaixo. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Outro autor que estabelece uma reflexão sobre os conceitos emi- tidos para a ciência é Barros. Nos seus apontamentos, você vai encontrar novos encaminhamentos para entender o conceito sobre ciência. Barros (2007, p. 49) destaca que: [...] a ciência é concebida por alguns estudiosos da questão como um conjunto de conhecimentos que se dá pela utilização adequada de métodos rigorosos, capazes de controlar os fenômenos e fatos estudados. Vale ressaltar que para Barros este conceito, em todas as formas, exclui alguns encaminhamentos dos processos da pesquisa prove- nientes das ciências sociais e humanas. 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 43 Tal reflexão se torna particularmente fundamental para o entendi- mento a ser consignado para ciência. Apesar do homem na inces- sante busca por novos horizontes científicos ampliar seus conheci- mentos, não consegue resolver os problemas sociais, presentes no dia a dia da sociedade. É importante ressaltar também que Marconi (2008, p. 23) destaca vários conceitos sobre ciência e concentra suas atenções sobre os emitidos por Ander-Egg e Trujillo. Considera-os mais abrangentes que os demais por apresentarem: [...] a ciência como um pensamento racional, ob- jetivo, lógico e confiável, ter como particularidade o ser sistemático, exato e falível, ou seja, não final e definitivo, pois deve ser verificável, isto é, sub- metido à experimentação para a comprovação de seus enunciados e hipóteses [...]. Em relação ao conceito emitido por Ander-Egg, Marconi(2008, p. 22) demonstra que: [...] a ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodica- mente sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetivos de uma mesma natureza. A respeito do conceito emitido por Trujillo e Marconi ( 2008, p. 22) destaca que: [...] a ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser submetido à verificação. Ao mapear os conceitos emitidos/utilizados por Marconi, você poderia inicialmente dizer que eles caminham numa mesma dire- ção. A linguagem utilizada pelos autores em relação aos conceitos emitidos exprimem metodologicamente a ideia de que a ciência representa a forma mais elevada de engajamento, vinculada ao pensamento racional, ao objetivo, ao lógico e de ser plenamente confiável.
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    44 É de bomalvitre você também tomar ciência do conceito emitido sobre as ciências humanas. Gutierrez destaca a importância do processo científico tendo como suporte as ciências humanas. A demonstração desta sua afeição pe- las ciências humanas está explícita quando refere-se que a mesma está atrelada com a história da humanidade, quer seja pelas ma- nifestações religiosas, ao tipo de maneiras, ao desenvolvimento da escrita, entre outros tantos momentos que foram sendo construí- dos e que estão de certa forma vinculados com a cultura dos povos. A fim de explicitar melhor o envolvimento das ciências humanas no contexto da sociedade, Gutierrez (2005, p. 10) demostra que: [...] a produção em ciências humanas caracteriza- se por ser rigorosa ao apresentar modelos teóricos que atendam às exigências metodológicas e que se fundamentam numa comprovação de validade através da adequação à realidade concreta e pelo debate entre os pares. Observe que na conjunção desses fatores, Gutierrez (2005, p. 11) demonstra que não é conveniente estabelecer comparações desta com outras áreas de pesquisa. Enfatiza que é necessário observar a “especificidade do campo de conhecimento em humanas”. Evidentemente que é necessário entender que as reflexões, os de- bates e as contribuições que advém das ciências humanas visam estabelecer parâmetros iguais ou até mesmo superiores de outras áreas científicas. Há, assim, boas maneiras de entender a importância das ciências humanas. Neste caso podemos distinguir perfeitamente a contri- buição que esta traz para a melhoria da condição de vida do ho- mem. Ao criar este cenário enfatiza “que a produção teórica do campo das ciências humanas se propaga, interfere e molda condutas no seio da sociedade” (GUTIERREZ, 2005, p.13). Gutierrez, ao contextualizar a importância das ciências humanas as ciências humanas, tendo como suporte o seu acúmulo histórico, dentro de um processo reflexivo e problematizador da realidade social pode ser um caminho para a inserção da educação física dentro do processo científico?
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 45 para a sociedade, enfatiza que a sua função precípua está centrada em contextualizar um registro sistematizado dos conhecimentos, estabelecendo, desta maneira, uma integração ampla entre ciên- cia e sociedade, moldando assim as condutas do ser humano. Chaui (2000) considera a situação das ciências humanas como mui- to especial e destaca que estas passaram por três momentos: PRIMEIRO A FENOMENOLOGIA, a qual traz como princípio básico o estudo dos fenômenos, buscando o en- tendimento do mundo por in- termédio das atividades do ser humano, formulada dentro de- suas próprias experiências. SEGUNDO O ESTRUTURALISMO, “o qual veio permitir que as ciências humanas criassem métodos es- pecíficos para o estudo de seus objetos, livrando-as das expli- cações mecânicas de causa e efeito, sem que por isso tives- sem que abandonar a ideia de lei científica” (Disponível em http://br.geocities.com, unida- de 7, capítulo 4). TERCEIRO A contribuição do MARXISMO, o qual oportuniza uma flexibilida- de maior a este método. Permi- te que o pesquisador compreen- da os fatos humanos envolvidos nas estruturas sociais e históri- cas e não somente pelo signifi- cado pelo qual é construído.
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    46 Sobre a fenomenologia,estruturalismo e marxismo você poderá aprofundar seus estudos nos estudos de Marilena Chauí. Pesquise em http://br.geocities.com. Assim, o estudo sobre CIÊNCIAS HUMANAS fornece uma compre- ensão detalhada, a qual você pode considerar que um dos progres- sos substanciais referendados para ela encontra-se no reconhe- cimento mundial dos cientistas a respeito de sua aplicação. Por mais avançada que seja a ciência, a principal virtude das ciências humanas é a sua contribuição ao desenvolvimento social e cultural da sociedade. O homem não é um ser abstrato, isolado, mas sim, um ser que vive, pensa e interage nos meios sociais, econômicos, culturais, entre outros. A sua historicidade revela um traço defini- dor de seu significado, o qual se constitui na sua grandeza. Lembre-se que a sociedade se caracteriza por movimentos sociais, culturais, econômicos e políticos, denominados por capitalismo, neo-capitalismo, globalização, era da informação, era do conhe- cimento, entre outras tantas formas que se manifestam em nossas vidas trazendo em seu bojo impactos consideráveis para o sistema de vida do homem. No que se trata sobre as CIÊNCIAS SOCIAIS é interessante você conhecer o que diz Minayo (2007) ao analisar os encaminhamen- tos referentes à ciência e cientificidade. Destaca que o campo científico, apesar de sua normatividade e ser envolvido por con- flitos e contradições, apresenta as diferenças existentes entre as ciências da natureza e as ciências sociais. Diferenças estas que segundo a autora se desdobram em diversas questões. Um dos fatores mais relevantes aventados refere-se que a cientificidade “tem que ser pensada com uma ideia reguladora de alta abstra- ção e não como sinônimo de modelos e normas a serem seguidos” Minayo (2007, p. 11). Em relação às ciências sociais, Minayo (1994, p.13) demonstra que o seu objeto é histórico, que busca o entendimento científico do mundo social, ao afirmar que:
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 1 47 COMPREENDA Encontramos nestas palavras de Minayo uma das chaves para bem entender o avanço significativo que as ciências sociais tiveram para a sua consolidação no seio da sociedade. Os pressupostos aventa- dos para a compreensão do homem, quer seja de forma individual ou em configurações sociais, os movimentos sociais, a composição social, vieram consolidar uma visão científica, dentro de um con- texto definido pela racionalidade e objetividade, visando entender a sociedade como um todo. Na presente abordagem sobre os conceitos de ciência explicita-se que ela pode ser considerada como um conjunto de práticas que têm como suporte princípios ordenados de forma metódica, no afã de sistematizar ações para a busca de entendimentos da realidade vivenciada no seio da sociedade. Agora que você já conhece alguns dos principais conceitos de ciência, que tal elaborar o seu? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1 Sociedades humanas existem num determinado es- paço cuja formação social e configuração são es- pecíficas. Vivem o presente marcado pelo passado e projetado para o futuro, num embate constante entre o que está sendo contruído. Minayo, ao referenciar os aspectos científicos das ciências sociais como fator preponderante na busca pela objetivação social, traz como escopo de sua posição, que o seu objeto é qualitativo, pois trabalha com os seres humanos, atrelando, desta maneira, em seu contexto visões de mundo construídos ao longo da história da hu- manidade.
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    48 SEÇÃO 3 A CIÊNCIAE SUA CLASSIFICAÇÃO Com o propósito de estabelecer parâmetros científicos bem defini- dos, por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa, conhecer as classifi cações/divisões consignadas para a ciência se torna ne- cessário. As descobertas serão muitas, sobretudo no campo do conhecimen- to e na condução dos entendimentos sobre os caminhos designados para a ciência. As teorias referentes à classificação/divisão trazem em seu contexto várias generalizações nas suas conclusões e inter- pretações. Os fi lósofos gregos foram os primeiros a elaborar uma classificação para ciência. Isto se deu em função de que buscavam estabelecer uma ordem para o estudo das ciências. Observe como Aristóteles classificava a ciência: CIÊNCIAS TEÓRICAS Consideradas como- especulativas. Física Matemática Metafísica CIÊNCIAS PRÁTICAS Objetivam direcio- nar as ações sobre as atividades humanas. Ética Economia Política CIÊNCIAS POLÍTICAS Objetivam as produ- ções exteriores. Poética Retórica Fonte: adaptado pelos autores de BaRROS, aidil; LEHF ELD, Neid. Fundamentos da Metodologia Científica. 2007. p.57. As reflexões feitas por Thomas Hobbes, filósofo e cientista inglês, no tocante a classificação da ciência, trazem em sua essência uma abordagem centrada na natureza humana, governos e sociedade. Tendo como pano de fundo a sua obra, Leviatã proporcionou um estudo sobre o absolutismo político que sucedeu a supremacia da Igreja medieval. Esta obra foi considerada por muitos críticos como a sua obra prima. Ao ter a sociedade como centro de seus estudos estabeleceu a seguinte classificação. Você sabia que os filósofos foram os primeiros a classificar/ dividir a ciência? Pois foram!
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 49 Ciência Histórica Trata dos fatos Ciência Filosófica Trata dos antecedentes e consequentes Outro filósofo que traz sua contribuição para a ciência é Francis Bacon. Em seus apontamentos dedicou-se a estabelecer fundamen- tos teóricos da nova ciência, que deveria trazer em seu contexto o domínio da realidade pelo homem. Estabelece uma classificação centrada em três momentos, assim expressos: • Ciência da Memória; • Ciência da Imaginação; • Ciência da Razão. É importante também você conhecer a classificação elaborada por August Comte, considerado como um dos ícones do positivismo e criador da sociologia. Os seus ensaios oportunizam uma reflexão centrada em dois momentos: 1º Estabelece um ponto de parti- da sobre a evolução do nosso desenvolvimento, centrado em três momentos sucessivos: o te- ológico, o metafísico e o posi- tivo. 2º Trata-se da classificação pro- posta para a ciência. Pelo que você pôde constatar, a proposta elaborada por Comte, baseada na complexidade crescente, estabelece a seguinte se- quência: matemática, astronomia, física, química, biologia e so- ciologia. Fonte:Adaptado pelos autores de BARROS,Aidil; LEHF ELD, Neid. Fundamentos da Metodologia Científica. 2007. p.57.
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    50 CIÊNCIAS MATEMÁTICAS Teorias Aritmética Álgebra Geometria Aplicadas Mecânicaracional Astronomia FÍSICO-QUÍMI- CAS Física Química Minerologia Geologia Geografia Física BIOLÓGICAS Botânica Zoologia Antropologia MORAIS Sociais e Políti- cas Psicologia Estética Lógica Moral Psicológicas História Geografia Humana Arqueologia Históricas Sociologia Direito Economia Política METAFÍSICAS Cosmologia Psicologia Racional Teologia racional Agora que você viu a classificação elaborada por Comte, a qual vários outros autores utilizaram para estabelecer novos parâmetros conceituais e classificatórios sobre ciência, dê uma olhada na clas- sificação elaborada por Mario Bunge. Bunge, preocupado com a crise que se instaurou sobre ciência, apresenta o seu conceito declarando ser este um estilo de pen- samento. A teorização proposta por Bunge, exposta no quadro a seguir, auxilia a compreensão de seus estudos, no qual levou em consideração a diferença da natureza dos objetos, dos enunciados e da metodologia aplicada. Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p.25/6. O lema “Ordem e Progresso”, da nossa bandeira nacional, foi inspirado na doutrina positivista do filósofo francês august Comte. Fonte: www.coqueteclando. wordpress.com
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 51 CIÊNCIAS FORMAL Lógica Matemática Naturais Física Química Biologia FACTUAL Psicologia individual Culturais Psicologia social Sociologia Economia Ciências Políticas História Material História das Ideias Visto esta classificação, é importante agora que você conheça a classificação contextualizada por Marconi e Lakatos (2008, p.28). Estas autoras baseiam-se na classificação adotada por Bunge e destacam as diferenças entre as ciências formais e factuais. Esta classificação centrada nas ciências formais e factuais traz em seu contexto o que há de mais representativo dentro deste processo. CIÊNCIAS FORMAIS Lógica Matemática Natural Física Química Biologia FACTUAIS Outras Cultural Antropologia Cultural Direito Economia Política Psicologia Social Sociologia Como você já viu as diversas formas de classificação da ciência, observe outro aspecto que é importante. Trata-se das diferenças existentes entre a ciência formal e factual apresentadas por Barros (2007, p.59), no tocante às ciências formais e factuais. Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p. 27. Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p.28.
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    52 Ciências formais Ciênciasfactuais Características Possuem objetos de estudo deter- minados por um sistema de defi- nição de axiomas mais ou menos explícito nos sis- temas operatórios que os originaram. Possuem objetos de estudo suscetíveis de ser vinculados se- gundo procedimentos regulados por cons- tatações sensíveis e sensitivas. Esquematização atra- vés de explicação a) esquema casu- al: supõe-se uma dependência de causa e efeito en- tre os fenômenos; b) Esquema de mensuração e de probabilidade. a) Esquema casual; b) Esquema funcional; c) Esquema estrutural; d) Esquema dialético; e) Esquema fenome- nológico. Completando a visão sobre a classificação: divisão de ciência serve para situá-lo dentro do contexto científico como um todo dentro de seus aspectos metodológicos, ideológicos e conceituais. Conforme você viu, não há uma única forma de classificar e/ou dividir a ciência. Cada olhar, reflexão, entendimento, com os avan- ços constantes dos processos científicos, faz surgir novas formas classificatórias. Converse com seus amigos contextualizando sobre a classificação da ciência. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Fonte: Quadro adaptado de Barros, 2007, p. 59 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 53 Síntese Nesta unidade você estudou sobre ciência, de maneira que no fu- turo possa entender e relacionar o conhecimento científico e os processos sistematizados sobre pesquisa que serão apresentados posteriormente. Na primeira seção você viu a história da ciência desde os primór- dios da humanidade, quando o homem utilizava de observações sobre a natureza, as quais tinham uma estreita ligação com o seu modo de viver. Posteriormente, foi para a Grécia antiga onde a presença dos filósofos foi fundamental para os avanços do proces- so científico para a humanidade. A magia e as superstições deram lugar à ciência. Na sequência, viu no século XVII o surgimento do processo científico denominado de empirismo e da experimenta- ção. No século XVIII, foi possível identificar um grande avanço da ciência. A tecnologia começou a se fazer presente nos processos científicos trazendo inúmeras descobertas. A Revolução Industrial veio modifi- car a relação entre o trabalho e o capital, o qual oportunizou uma série de mudanças na sociedade. Dando sequência nesta história, viu que o século XIX foi recheado de descobertas e avanços nos processos científicos e, no século XX, os avanços nos estudos da biologia molecular, na clonagem da ove- lha Dolly, nas células-tronco e o sequenciamento do genoma huma- no foram os grandes momentos científicos vivenciados até então. Na segunda seção você viu os conceitos emitidos sobre ciência. O conhecimento desses conceitos traz em sua essência a contextuali- zação do seu conhecimento a respeito de ciência dentro de princí- pios educacionais, os quais consideramos como imprescindível para o seu envolvimento com a pesquisa científica. Na terceira seção, a abordagem foi em relação à classificação da ciência. Nesta seção, o objetivo centrou em apresentar a classifica- ção da ciência com o intuito de estabelecer parâmetros científicos, bem definidos, por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa.
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    54 Lembre-se, mais umavez, que os conhecimentos adquiridos nesta unidade vão servir de base para futuros encaminhamentos que se apresentarão na sua caminhada no ensino superior. Esperamos que você tenha aproveitado bem esta unidade, pois entendemos que ela é de suma importância na sua formação acadêmica. O conheci- mento não pode mais estar desvinculado dos processos científicos. Escolha um tema relacionado com a educação física que considere importante para ser estudado na escola (exemplo: as olimpíadas, jogo, esporte e os problemas da juventude, as mudanças de hábitos e costumes por intermédio da atividade física). Procure relacioná-lo com os conhecimentos adquiridos nesta unidade. __________________________________________________ __________________________________________________ Descreva alguns fatos relacionando ciência e Educação Física que, na sua opinião, considera importante para ser estudado na escola. __________________________________________________ __________________________________________________ Sobre as várias interpretações sobre o conceito de ciência, apresentado na terceira seção, responda: a) qual o conceito possível para nosso tempo? b) o que eles têm em comum? Em relação à classificação da ciência, apresentado na quarta seção, responda. a) qual classificação você considera como a ideal para a Pedagogia? Por quê? b) o que as classificações têm em comum? Relacione-as. Elabore uma linha do tempo, com os acontecimentos que você considera como os mais significativos desde a Grécia antiga até o século XX. __________________________________________________ __________________________________________________ 1 2 3 4 5
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 1 55 ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ Anotações
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    Conhecimento 2 unidade ObjetivoS dESTA unidade: Diferenciaros tipos de conhecimentos; Conhecer os principais métodos que constroem as bases lógicas da produção do conhecimento ; Diferenciar método de metodologia científica. ROTEIRO DE ESTUDOS • SEÇÃO 1 – Tipos de conhecimentos • SEÇÃO 2 – O processo de conhecimentos • SEÇÃO 3 – O conhecimento científico • SEÇÃO 4 – Metodologia científica e método científico Antonio Carlos Frasson Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
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    58 PARA INÍCIO DECONVERSA Até hoje, você construiu formas de compreender o mundo, a sociedade, a família, a amizade, via a vivência em ambientes diversos. Seja em casa, na igreja, na escola, no momento de lazer, você construiu formas de conhecimentos que passam pelo processo de comunicação. Discutir sobre essas formas de aquisição de conhecimentos será um dos objetivos dessa segunda unidade. Mais ainda, aprofundar os tipos de conhecimentos num processo de construção do mesmo. Qual seria o caminho a percorrer para construir um conhecimento novo? Como estabelecer formas de construir e verificar determinados tipos de conhecimentos ? As perguntas apresentadas acima direcionam você a uma reflexão sobre as formas de se conhecer. Essas formas servirão para que você adentre ao universo do conhecimento científico. Como exemplo, Marconi e Lakatos (2000) apresentaram em sua obra formas de conhecimentos. Entre essas formas, surge a relação entre o conhecimento e a ciência. Essa relação entre ciência e conhecimento científico é apresentada nas cinco subdivisões do livro. Na primeira, discute-se o conhecimento científico e outros tipos de conhecimentos; na segunda, o conceito de ciência; na terceira, a classificação e divisão da Ciência; na quarta, ciências formais e factuais; e na quinta, parte do capítulo apresenta-se as características das ciências factuais. Por essas subdivisões, você pode perceber que não é simples discutir o conhecimento e os meios pelos quais eles são produzidos. Portanto, nessa segunda unidade, você centrará a atenção sobre os tipos de conhecimentos, tendo como foco a articulação desses tipos com a construção do seu conhecimento, sobretudo o conhecimento científico. Você verá que o conhecimento pode vir de diversas fontes. Viegas (2007, p. 11) atenta ao fato de diferenciá-los, compreendê-los, para que você não caia em uma de duas armadilhas conhecidas
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 59 que ocorrem quando você inicia a busca por novos conhecimentos. Seria “frustrar-se na busca utópica de uma certeza impossível na ciência ou enredar-se no subjetivismo ideológico igualmente incompatível com ela”. Veja as possibilidades do conhecer para não cair nessas armadilhas. SEÇÃO 1 TIPOS DE CONhECIMENTOS Com o intuito de diferenciar os tipos de conhecimentos, Marconi e Lakatos (2000) apresentam uma situação histórica relacionada à agricultura, desde a Antiguidade, em que se diferenciam tipos de conhecimentos. Nessa evolução, tanto pessoas iletradas quanto pessoas que se aperfeiçoaram no processo de plantio possuem conhecimentos pro- venientes de locais diferentes. Os conhecimentos a que as autoras se referem seriam: [...] vulgar ou popular, geralmente típico do cam- ponês, transmitido de geração para geração por meio da educação informal e baseado em imi- tação e experiência pessoal; portanto empírico e desprovido de conhecimento sobre a composição de solo, das causas do desenvolvimento das plan- tas [...]; o segundo, científico, é transmitido por intermédio de treinamento apropriado, sendo um conhecimento obtido de modo racional, conduzido por meio de procedimentos científicos. Visa explicar ‘por que’ e ‘como’ os fenômenos ocor- rem, na tentativa de evidenciar os fatos que estão correlacionados, numa visão mais globalizante do que relacionada como um simples fato [...] (MAR- CONI; LAKATOS, 2000, p. 16). a ideia foi a de mostrar a evolução dos conhecimentos relativos ao período de plantio, de colheita, de manuseio de grão, a inclusão de maquinários, a utilização de fertilizantes etc.
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    60 Não seria necessárioretomar exemplos desde a Antiguidade. Basta refletir sobre a realidade cotidiana. Dois aspectos sobre os conhe- cimentos apresentados acima chamam a atenção: O primeiro seria a ideia do conhecimento popular, também conheci- do como senso comum, adquirido empiricamente no meio informal. Seria a mesma situação em que qualquer indivíduo adquire o conhecimento sobre jogos e esportes por meio do convívio com a família, os amigos, no am- biente familiar ou na rua. Quem não aprendeu a jogar “bolinhas de gude”? Quais as variações deste jogo? “Linha”, “triângulo”, “buraco” seriam alguns exemplos. Os conhecimentos referentes à técnica, as regras são transmitidas de geração para geração e normalmente jogava-se na rua, ambiente infor- mal. Não se poderia pensar a mesma situação para o “bete ombro”? Ou seja, o empírico a que o texto se refere estaria relacionado às experiências vivenciadas no cotidiano. Quem não teve acesso a informações referentes a análises sobre os jogos de futebol efe- tuados em ambientes como o do clube, do bar, ou em conversas com amigos? Discussões acaloradas de torcedores apaixonados que tendem a explorar conhecimentos repassados pelos colegas, pelas suas experiências, pela mídia etc. O segundo aspecto seria o conhecimento científico, transmitido via treinamento, e sua obtenção por meio racional, via procedi- mentos científicos. Via de regra, este conhecimento é transmitido pelo ambiente formal. Este conhecimento é produzido, armazena- do e transmitido no meio universitário. Por mais que a questão levantada acima possa ser genérica, a sua res- posta não se concretiza pela experiência no meio informal. Seria ne- cessária uma investigação metódica, via procedimentos técnicos, que permita recolher informações a respeito do que são procedimentos pedagógicos, tanto na teoria quanto na prática. Também necessitaria de instrumentos de coletas de dados para que os mesmos sejam ana- lisados para somente após serem transformados em documentos com informações confiáveis. Nesses dois exemplos são determinadas dife- renciações entre o conhecimento popular e conhecimento científico. Quais os procedimentos pedagógicos mais utilizados atualmente pelos profissionais da Educação Física nas escolas brasileiras? Não se discute isto no senso comum. Esta seria uma pergunta que necessita aprofundamento.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 61 QUAIS SERIAM? Porém, existem outras características que permitem articular a di- ferenciação entre os conhecimentos. Basicamente pela “forma, o modo ou o método e instrumentos do “conhecer” (MARCONI; LAKATOS, 2000, p. 16). Trazendo os exem- plos para a Educação Física, nos jogos citados acima (bolinha de gude e o bateombro) existem pessoas que sabem como jogar, sa- bem que existe diversão em torno dos jogos e em função dessa diversão surge a demonstração de prazer quando da participação. Esses saberes podem ser considerados um conhecimento verdadei- ro e comprovável, porém não científico. No exemplo dado por Marconi e Lakatos, para um estudo ser cien- tífico seria necessário conhecer categorias como a natureza, com- posição, ciclo de desenvolvimento e as particularidades de uma determinada espécie. A utilização de categorias é marcante no exemplo. Lembre que os autores se referem a plantação de deter- minadas safras. Você deve pensar em categorias a serem usadas nos exemplos sobre a Educação Física. Qual a natureza do jogo e das brincadeiras para o ser humano? Todas as pessoas independentes da idade jogam e brincam da mesma forma e intensi- dade? Os jogos são os mesmos em todas as regiões? Qual o método mais adequado a ser empregado numa pesquisa com essas preocupações? Quais os instrumentos pelos quais você poderá recolher in- formações a respeito do assunto? Diante do exposto, via Marconi; Lakatos (2000,p. 16), o que fica explícito é que: [...] a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade; um mesmo objeto ou fenômeno [...] pode ser matéria de observação tanto para cientista quanto para o homem comum; o que leva um ao conhecimento e outro ao vulgar ou popular é a forma de observação.
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    62 Em relação àdiferenciação desses dois tipos de conhecimentos, as autoras apresentam a interpretação de que ambos buscam a racio- nalidade. Ou seja, ambos os conhecimentos procuram a lógica. Porém, o conhecimento científico baseia-se em teorias, pelas quais se busca a “construção de imagens da realidade, verdadeiras e im- pessoais” que transcendem a vivência particular. Busca-se um co- nhecimento por intermédio de construção de hipóteses (respostas provisórias a um problema) que são submetidas “à verificação pla- nejada e interpretada com o auxílio de teorias”(MARCONI; LAKA- TOS, 2000, p.17). Como diferenciar um conhecimento do outro? Existem detalhes que nos auxiliam a entender melhor esta divisão para compreender a ciência? Marconi e Lakatos abordam o bom senso como uma forma espon- tânea de conhecer, sendo, no entanto, um conhecimento limitado, obtido de forma direta nas experiências com os fenômenos e seres humanos. Esta limitação tem como parâmetro a busca pela racio- nalidade e objetividade.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 63 Utilizando-se de Ander-Egg (1978, p.13-14), as autoras caracteri- zam o conhecimento popular como superficial, sensitivo, subjeti- vo, assimétrico e acrítico. Veja: SUPERFICIAL pelo fato de conformar-se com a aparência, não se apro- funda para explicar os fenô- menos; sensitivo pelo fato de relacionar o conhecimento com as emoções vivenciadas. SUBJETIVO por considerar a organiza- ção do conhecimento pela experiência do sujeito. ASSIMÉTRICO por não existir uma preo- cupação em organizar as ideias. ACRÍTICO por não haver um tratamen- to crítico para verificar a veracidade dos fatos viven- ciados. Para melhor compreender as diferenças de conhecimentos Vie- gas(2007, p.23) apresenta uma Tipologia do Conhecimento. Nessa Tipologia existe um plano cartesiano sobre o conhecimento. Marconi e Lakatos entendem: Racionalidade como uma sistematização coerente de enunciados fundamentados e passíveis de verificação. Objetividade seria o ideal da objetividade, é apresen- tado pelas autoras como uma procura de adaptação aos fatos ao invés de especulações em controle.
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    64 Marconi e Lakatostambém apresentam quatro tipos. Para Viegas, uma das diferenciações possíveis seria dividir aqueles conhecimentos em função do plano do sentimento e da razão. Tanto o conhecimento religioso quanto o ideológico estariam próximos ao plano do sentimento enquanto o científico e religioso estariam próxi- mos ao plano da razão. Para Marconi e Lakatos o que diferencia o co- nhecimento científico dos demais seria seu contexto metodológico. As autoras recorrem a Trujillo (1974, p.11) para apresentar as carac- terísticas de cada tipo de conhecimento. O conhecimento popular é caracterizado como um conhecimento valorativo, reflexivo, as- sistemático, verificável, falível e inexato. Vejam as especificações: Valorativo no sentido de que o sujeito que conhece algo deixa este conhecimento ser influenciado pelo sistema de valores que ele possui. Fazendo isto, toda compreensão de um novo fenômeno é mediado pelo estado de humor, sentimento que o sujeito possui no momento, contaminando este fenômeno; O que mais diferencia estes conhecimentos? Quais seriam as características de cada tipo? Seriam os conhecimentos “religioso, ideológico, cien- tífico e filosófico”. Seriam “o conhecimento popular, o conhecimento científico, o conhecimento filosófico e o conhecimen- to religioso”. Fenômeno pode ser entendido por qualquer objeto de conhecimento contextualizado no tempo e no espaço. Poderia ser um novo jogo, as relações interpessoais que ocorrem num evento, como em um jogo. Ou seja, pode- ria ser qualquer acontecimento em que o sujeito vivencia em um determinado lugar e em determinado momento. Para aprofundar esta discussão, verifique a diferença en- tre fenômeno e tema proposto por Richardson (1999).
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 65 Refl exivo, um conhecimento que não pode ser formulado para ex- plicações gerais, pois a limitação dessa reflexão é feita pela fami- liaridade do sujeito com o objeto; Assistemático pelo fato da organização do conhecimento se limi- tar ao plano da experiência do indivíduo e não das ideias que per- mitam uma explicação mais abrangente; Verifi cável em relação a experiência vivenciada pelo sujeito; Falível e Inexato pelo fato de ser superficial. Vamos compreender estas características. Por que valorativo e racional? SÍNTESE O sujeito contenta-se com a aparência, acredita em situações ape- nas contadas por outras pessoas. O conhecimento popular poderia ser caracterizado como aquele em que o indivíduo adquire pela vivência de situações nas quais a interação é direta e sua apre- ensão se dá de forma automática, sem maiores reflexões sobre o fenômeno ou objeto vivenciado. Outro conhecimento apresentado por Marconi e Lakatos seria o fi losófi co. As características deste conhecimento seriam: valorati- vo, racional, sistemático, não verificável, infalível e exato. Valorativo pelo fato de que este tipo de conhecimento parte de experiências que criam hipóteses (respostas provisórias) não ve- rificáveis. Quer-se dizer que as hipóteses não são aplicáveis à ob- servação. A racionalidade deste conhecimento deve-se ao fato de que existe uma correlação lógica aos enunciados; sistemático pelo fato de existir uma representação coerente da realidade, por meio das hipóteses e enunciados; não verifi cável, infalível e exato pelo fato de que as hipóteses não podem ser confirmadas, nem refuta- das, pois não são passíveis de observação. O terceiro tipo de conhecimento seria o religioso. Suas caracterís- ticas? Valorativo, inspiracional, sistemático, não verificável, infa- lível e exato. Quando há referência a este tipo de conhecimento teológico, diz-se que é um conhecimento que contém dogmas.
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    66 Marconi e Lakatos,apoiando-se em Trujillo, demonstram que é inspiracional pelo fato de ser um conhecimento que é obtido por revelações que vieram do sobrenatural. Por isso mesmo, são infa- líveis e indiscutíveis. Salienta-se que a característica de sistema- tização refere-se ao fato de que o mundo é organizado e explicado pela noção de origem, significado, finalidade e destino. Por último, os argumentos apresentados para o conhecimento não ser verifi cá- vel está justamente no fato de que as verdades são reveladas via o sobrenatural e a fé é que sustenta sua aceitação. O quarto e último conhecimento apresentado seria o científi co. Suas características? Real, contingente, sistemático, verificável, falível, aproximadamente exato. Quando existe a referência ao conhecimento real, associa-se o termo factual para reforçar esta característica. Por quê? Por lidar com fatos, acontecimentos, fenômenos observáveis. Contingente pelo fato de utilizar de experimento para falsear ou dar veracidade as proposições e/ou hipóteses. Sistemático, pelo fato de ordenar as ideias de tal for- ma que se constroem teorias. Verifi cável, caso o conhecimento não seja passível de observação e confirmação não se enquadra no conhe- cimento científico. Falível e aproximadamente exato por considerar que o conhecimento não é definitivo. Sempre poderá ser modificado. Dialogue com seus colegas de sala sobre os tipos de conhecimentos apresentados. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Viegas (2007, p12) referencia alguns autores que fazem uma discussão aprofundada entre cada um dos tipos de conhecimentos. alguns contrapondo um conhecimento a outro. 1 Dogmas de fé que são sagrados, por isso, valorativo.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 2 67 SEÇÃO 2 O PROCESSO DE CONHECIMENTO O processo de conhecimento depende de múltiplos fatores. Desde o nascimento até a entrada na universidade, vários foram os am- bientes vividos que estimularam você a adquirir informações pelas quais você optou armazenar de uma forma ou outra. Entre estes ambientes temos o ambiente familiar, o ambiente escolar, algum ambiente religioso, o meio formal de ensino, o ambiente da rua ou os campinhos de futebol (local em que você pode ter conhecido vários amigos). Em vários destes ambientes o tipo de convivência proporcionou experiências que pode tê-lo levado a um dos tipos de conhecimentos relacionados anteriormente. No entanto, como ocorre o processo de conhecimento? Viegas (2007) apresenta o processo pelo qual surgiram formas de conhecimento. Para ele, o ser humano conhece via um processo intelectual pelo qual ele consegue pensar e processar conceitos e ideias. Estes conceitos e ideias são filtrados, por assim dizer, pelos sentimentos e pela razão. Em função da multiplicidade de compre- ensões que surgem via este filtro é que se teria um tipo de conhe- cimento específico. Em função desta explicação é que foram apresentados o conhecimentos religioso e ideológico - mais próximos do sentimento - e o conhecimento científico e filosófico mais próximos da razão.
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    68 Em todo oprocesso de aprendizagem existem formas pelas quais as informações são absorvidas pelo ser humano. Viegas apresenta duas correntes históricas provenientes da Grécia antiga para expli- car a formação das ideias por meio das sensações: “O idealismo platônico e o realismo aristotélico”. Nessa linha de raciocínio, desde Aristóteles a “sensação seria um processo pelo qual se forma o conhecimento” (VIEGAS, 2007 p. 18). Esta interpretação começa a mudar com Descartes, que aponta para a sensação como uma captação dos movimentos que provêm às coisas, sendo a unidade elementar do conhecimento. Viegas apresenta mais uma interpretação com base em Kant para a sensação, demonstrando a evolução na forma de conhecer e a multi- plicidade de formas de conhecer. Para Kant, a sensação seria “o efei- to de um objeto sobre a faculdade de representação, tão logo somos afetados por ele”(VIEGAS, 2007, p.18). O que torna interessante este processo para seu estudo é verificar que no processo de construção de ideias as sensações são os meios pelos quais se percebe um objeto e esta percepção chega ao intelecto. O sabor depende da análise do indivíduo. Existem quatro sensações elementares (doce, amargo, sal e ácido). Cabe ao indivíduo processar a percepção sobre estes ele- mentos. Ou seja, o indivíduo é central no processo. E a razão fica onde neste processo? Basicamente, Viegas faz uma introdução ao processo do conheci- mento que toma como foco o mix razão-sentimento como os dois caminhos pelos quais os quatro tipos de conhecimento são cons- truídos. Ou seja, um dos conhecimentos pode maximizar a razão e minimizar o sentimento, ou vice-versa. Converse com seus amigos, contextualizando o processo de aquisição de conhecimentos. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 2 69 SEÇÃO 3 O CONHECIMENTO CIENTÍFICO Neste momento, cabe a você enfocar o conhecimento científico. A razão para isto seria o foco que se pretende traçar. Pode-se apro- fundar nos processos de aprendizagem para compreender todo o processo. No entanto, seu foco agora é buscar subsídios para com- preensão do conhecimento científico e iniciar nos caminhos pelos quais pode-se construir os novos conhecimentos. Navegue inicialmente por Viegas (2007). Para este autor o conhe- cimento científico é aquele em que se busca a maximização da racionalidade e da sensibilidade para apreender um objeto. Esta apreensão seria a forma de representação de um determinado fe- nômeno. Viegas apega-se a Cuvillier (1961, p. 22) para demonstrar que este conhecimento seria empírico: “parte da experiência e da verificação para, então, buscar a sistematização, vale dizer, pro- cura descobrir as relações constantes entre os fenômenos, isto é, suas leis, ou em outras palavras, suas causas”. Complementando as características deste tipo de conhecimento, Viegas apresenta critérios de cientificidade interna e externa, com base em Demo (1980). Estes critérios garantiriam a verificação das características de um conhecimento falível, quase exato e não va- lorativo. Os critérios internos seriam a coerência, a consistência, a origina- lidade e a objetividade.
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    70 COERÊNCIA Enquanto ausência decontra- dições. CONSISTÊNCIA Para resistir a argumentações contrárias. ORIGINALIDADE Não produzir conhecimentos e sim acrescentar contribuição. OBJETIVIDADE Retratar a realidade como ela é e não como se gostaria que fosse. Fonte: Adaptado de Demo in Viegas (2007, p. 34). Os critérios externos tendem a integrar o cientista em sua comu- nidade. As palavras chave apresentadas por Viegas seriam inter- subjetividade, divulgação, comparação crítica, reprodutibilidade e reconhecimento. Tendo em vista o foco de se pensar os caminhos pelos quais você poderá se apossar dos conhecimentos existentes e construir novos conhecimentos, seu próximo passo será adentrar ao universo do método científico e da metodologia científica. Como compreender os critérios externos de cientificidade? Uma dica interessante é resgatar o trabalho de Silva (2001) intitulado “Metodologia da pesquisa e elabo- ração de dissertação”. Sobretudo o capítulo sobre o pesquisado e a Comunicação Científica que trata dos canais formais e informais de comunicação. O que significa cada um?
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 2 71 SEÇÃO 4 METODOLOGIA CIENTÍFICA E MÉTODO Vimos na seção anterior que o conhecimento é produzido pelo ser humano. A produção do conhecimento se realiza por intermédio do intelecto, pelas vias da razão e do sentimento. No entanto, a maximização de um ou o equilíbrio de ambos definem o tipo de conhecimento que se está construindo. Você também viu que existem quatro tipos de conhecimentos. Entre eles o conhecimento científico é o foco de seu estudo. Em função disso, nesta seção, você adentrará a um universo de in- formações que pretendem possibilitar que você identifique quais são os caminhos pelos quais se pode construir um conhecimento científico. Porém, para se construir conhecimentos é necessário se apropriar dos já existentes. A primeira situação a pensar é que você adentrou em uma uni- versidade. O conhecimento é adquirido por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão. No caso da pesquisa, é essencial que se adote uma atitude investigativa. Esta é uma ideia que pode ser aprofundada via Luna (2002, p.15). Na proposta deste autor, o co- nhecimento é produzido pela pesquisa. E para ele, pesquisa “visa a produção de conhecimento novo, relevante teórica e socialmente fidedigno”. Sobre este conceito complementa-se que a pesquisa deve compreender “um conhecimento que preenche uma lacuna importante no conhecimento disponível em uma determinada área do conhecimento”. ESPERE UM POUCO: Qual seria o caminho para se apoderar destes conheci- mentos? Como proceder para construir novos conheci- mentos?
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    72 Luna (2002, p.15-16) trabalha com a ideia de objetivos de pesquisa e não um tipo particular. Entre os objetivos de pesquisa estariam a: [...] demonstração da existência (ou ausência) de relações entre diferentes fenômenos; estabeleci- mento da consistência interna entre conceitos den- tro de uma dada teoria; desenvolvimento de novas tecnologias ou demonstração de novas aplicações de tecnologias conhecidas. Aumento da generali- dade do conhecimento; descrição das condições sob as quais um fenômeno ocorre. Esses objetivos dariam o rumo para se adentrar no universo da pesquisa. Porém, Demo (1995) apresenta algumas formas de entender o que é pesquisa. Ele apresenta uma síntese de autores que possuem diferentes formas complementares de entendê-la. Uns entendem como pesquisa coletar e sistematizar dados, permitindo uma des- crição do pesquisado, ou seja, da realidade. Veja que a ênfase aqui é a descrição. Este tipo de pesquisa irá adotar uma forma de construção lógica do pensamento que você verá à frente. Esse mesmo autor apresenta ainda entendimentos diferentes que levam a realização de pesquisas para explicação. Neste tipo de pesquisa o estudo e a produção de quadros teóricos de referência constatariam o que existe sobre uma determinada área. A ênfase é no desvendar por que existe. Por último, existem pesquisas que tentam mesclar teoria e prática. Este tipo de pesquisa visa compreender a realidade e nela intervir. COMO SABER SE O CONHECIMENTO É RELEVANTE? Para Luna, “o julgamento último da novidade e da impor- tância do conhecimento produzido é feito pela comunidade de pesquisadores que estudam aquela área” (2002, p. 15). No seu caso a área da Educação Física. Para aprofundar sobre critérios de relevância, consultar Salomon (1999).
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 73 Entendimentos sobre pesquisa que levam a descrição, explica- ção ou a intervenção na realidade. Pois bem, você adentrou em um universo no qual a pesquisa é uma das formas de adquirir e produzir o conhecimento. Então, o que seria a Metodologia Científica? Demo (1995, p. 11) aborda Metodologia como: [...] o estudo dos caminhos, dos instrumentos usa- dos para se fazer ciência. É uma disciplina instru- mental a serviço da pesquisa. Ao mesmo tempo em que visa conhecer caminhos do processo científico, também problematiza criticamente, no sentido de indagar os limites da ciência, seja com referência à capacidade de conhecer, seja com referência à capacidade de intervir na realidade. Para sua melhor compreensão, recorra a Mattos, Rossetto Jr; Ble- cher (2004). Eles apresentam a Metodologia Científica como a for- ma de estudar ou conhecer os métodos utilizados para a realização de pesquisas científicas ou acadêmicas. A Metodologia, segundo os autores, ocupa espaço nas grades curriculares dos cursos de forma- ção superior enquanto uma disciplina acadêmica. Essa disciplina serve para facilitar a produção do conhecimento (MATTOS; ROS- SETTO; BLECHER, 2004, p. 13) “como uma ferramenta capaz de auxiliar e entender os processos de buscas e respostas”. E AGORA? Adotando essa entrada sobre a metodologia, cabe a você questionar: se a metodologia constitui uma disciplina que visa auxiliar o entendimento dos meios pelos quais se produz o conhecimento, o instrumental para se fazer ciência, qual seria o papel do método? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1
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    74 Em termos declassificação, os métodos podem ser abordados por dois grandes grupos: “o dos que proporcionam as bases lógicas da investigação científica e o dos que esclarecem acerca dos procedi- mentos técnicos que poderão ser utilizados” (GIL, 1999, p 27). O primeiro grupo (bases lógicas da investigação científica) Podem ser elencados como os que buscam abstrações dos fe- nômenos naturais e sociais. Pos- sibilitam decidir o alcance da investigação, das regras de ex- plicação dos fatos e da valida- de de generalizações. Cada um dos métodos a ser apresentado vincula-se a “uma das corren- tes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o co- nhecimento da realidade” Gil (2008, p.9). Gil (2008, p. 8) aponta para a necessidade de que uma pesquisa científica seja pautada por operações mentais e técnicas que possibilitem a verificação do conhecimento que se gera, ou seja, o método para se chegar ao conhe- cimento. Dito de outra forma, o método seria entendido como o “caminho para se chegar a um determinado fim” e o Método Científico “ o conjunto de procedimentos in- telectuais e técnicos adotados para se atingir o conhe- cimento”. Neste sentido, o autor fala sobre uma diversidade de métodos que são determinados pelo tipo de objeto a in- vestigar e pela classe de proposições a descobrir. Para conceituar método é importante salientar duas portas de entrada. Aquela em que o objetivo da ciência é o de chegar a veracidade dos fatos via a verificabilidade e a de que a ciência substituiu a busca da verdade pela tentativa de aumentar o poder explicativo das teorias.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 75 As bases lógicas da investigação científica, apresentadas por Gil (2008), seriam os métodos: dedutivo, relacionado à corrente filo- sófica do racionalismo; indutivo, relacionado à corrente filosófica do empirismo; hipotético-dedutivo, relacionado à corrente filosó- fica do neopositivismo; dialético, relacionado ao materialismo dia- lético; e o fenomenológico, relacionado à fenomenologia. Os procedimentos técnicos enfocando as ciências sociais seriam o método experimental, o método observacional, o método compara- tivo, o método estatístico, o método clínico e o método monográfico. E na Educação Física? Esses métodos são utilizados? A Educação Física é uma área que permite a abordagem de diversos fenômenos. Sejam eles vinculados às Ciências da Saúde, às Ciências Sociais, Ciências Biológicas etc. Nesse sentido, tanto as bases ló- gicas quanto os procedimentos técnicos são aplicáveis nessa área. Sobre alternativas de métodos, você pode optar pela consulta a Mat- tos, Rossetto Jr; Blecher (2004). Você encontrará o método descritivo e experimental. O primeiro possui como característica a observação dos registro, análise, descrição e correlação de fatos ou fenômenos. Entre os tipos de pesquisas encontrados neste método estão o estudo exploratório, estudos descritivos, survey e estudo de caso. Fenôme- nos, de tal forma que o ritual da pesquisa obedece a sequência de registro, análise, descrição e correlação de fatos ou fenômenos. En- tre os tipos de pesquisas encontrados neste método estão o estudo exploratório, estudos descritivos, survey e estudo de caso. Cada um desses estudos será abordado na unidade 3. Você po- derá se aprofundar consultando Mattos, Rossetto Jr; Blecher (2004), bem como Silva (1999). O segundo grupo (procedimen- tos técnicos) Garantem a objetividade e pre- cisão no estudo de fatos sociais. Geralmente são combinados métodos para se chegar ao co- nhecimento fidedigno.
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    76 O segundo (métodoexperimental), apresentado por Mattos, Rossetto Jr. e Blecher (2004), é aplicável em estudos em que você irá manipular variáveis (enquanto fatores que interferem em um determinado objeto de estudo) proporcionando relações de causa e efeito, bem como o modo pelo qual o fenômeno é produzido. Os meios técnicos mais utilizados são a testagem, os questionários e medidas para verificar relações entre variáveis. Esses dois métodos estão relacionados à pesquisa direta que pode ser dividida em pesquisa de campo ou de laboratório. A pesquisa direta subdivide-se em pesquisa documental e pesqui- sa bibliográfica e ambas usam o método bibliográfico. Esse método busca a explicação de problemas propostos segundo as “referências teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos que se re- lacionam com o tema” (MATTOS, ROSSETO Jr; BLECHER, 2004, p.18). E quanto as bases lógicas e as técnicas apresentadas acima com referência a GIL? Retorne às bases lógicas na construção do conhecimento. Para que você se forme em Educação Física é necessária uma compreensão de conceitos e de uma linguagem própria do profissional da área. Isto garante a comunicação com os pares. Em função disto, tanto para construir o conhecimento quanto para se apropriar dele, essas bases lógicas são usadas. Em que medida e com quais características? O método dedutivo é o raciocínio que parte do geral para o es- pecífico. Marconi e Lakatos (2000, p.63), apoiando-se em Salomon (1978, p. 30-31), apontam para duas características básicas desse método: “I- Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira; II – Toda informação ou conteúdo fatual da conclusão já estava, pelo menos implicitamente, nas premissas.”
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 77 Sobre as bases do método dedutivo você poderá consultar as obras de Richardson (1999) e a de Alves- Mazzoti e Gewandsznajder (2002). As conclusões proporcionadas por esse método são frutos de uma maneira formal em função da lógica. Os racionalistas propuseram esse método sendo a razão a única forma de chegar ao conhecimento verdadeiro. Guardadas as limitações, veja o exemplo: Todo brasileiro gosta de jogar futebol. João é brasileiro. Logo, João gosta de jogador de futebol. No exemplo acima pode-se visualizar o silogismo, que segundo Gil (2008) é uma construção lógica que, a partir de duas proposições (premissas) retira uma terceira, nelas logicamente implicadas, de- nominada conclusão. Gil (2008, p. 10) argumenta que nas ciências sociais esse método é pouco utilizado pela “dificuldade de obtenção de argumentos ge- rais, cuja veracidade não possa ser colocada em dúvida”. O método indutivo parte de dados ou observações particulares para generalizações. Dito de outra forma, por meio de observações empíricas constatadas, chega-se a conclusões que tendem a gene- ralizar os dados. Para Gil (1999, p. 28) “sua origem advém do movimento empirista, cujo movimento crê que o conhecimento é fundamentado unica- mente pela experiência, sem considerações a princípios preesta- belecidos”. Marconi e Lakatos (2000, p. 63), apoiando-se em Salomon (1978, p. 30-31), apresentam como características desse método o seguinte:
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    78 “I- Se todasas premissas são verdadeiras, a conclusão é provavel- mente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira; II – A con- clusão encerra informação que não estava, nem implicitamente, nas premissas”. A lógica do método indutivo está na observação de fatos e fenô- menos, na comparação dessa observação para descobrir relações entre elas, partindo para as generalizações “com base na relação verificada entre os fatos ou fenômenos” (GIL, 1999, p. 29) Guardadas as limitações, veja o exemplo: Pedro joga futebol. João joga futebol. Pedro e João são brasileiros. Todo brasileiro joga futebol. As conclusões apresentadas no exemplo acima são prováveis e não verdadeiras. A grande colaboração desse método foi o abandono de posições especulativas para assumir a observação como proce- dimento indispensável para o conhecimento científico. Gil (2000) reforça que esse método permitiu a definição de técnicas de coleta de dados, bem como instrumentos de mensuração de fenômenos sociais. Entre as críticas a este método ressalta-se a David Hume (1711-1776) a impossibilidade da certeza e a evidência. Não é pelo fato de que certo fenômeno venha se repetindo que não possa ser alterado. Podem existir novos fatores que alterem os dados de uma observação, o que não permitiria a generalização. Com a teoria da probabilidade (indica graus de força de um argumento indutivo) esta crítica foi amenizada, porém retomada posteriormente em função do método hipotético-dedutivo. O método hipotético-dedutivo é apresentado como elaboração de Karl Popper (1902-1994). A ideia mestra, como demonstrada por Sobre as bases do método indutivo você poderá consul- tar as obras de Richardson (1999) e a de Alves-Mazzoti e Gewandsznajder (2002), Marconi e Lakatos (2000).
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 79 Viegas, seria a falseabilidade. Esta falseabilidade estaria ligada ao fato de tornar falsa a hipótese do trabalho, tentando desacreditá- la. Porém, busca-se ao final a corroboração da afirmação cientí- fica. Esse método possui este nome em função da necessidade da hipótese. Classicamente, a metáfora de cisne é usada para exemplificar esse método. No entanto, para você melhor entender a proposta de Po- pper, Viegas (2007, p.106) apresenta a síntese do método com dize- res de Popper da seguinte forma: pelo método hipotético-dedutivo “que a ciência não é um sistema de conceitos, mas, ao contrário, um sistema de enunciados”. Transcrevendo o exemplo jornalístico de Assis, Viegas apresenta a ideia de que quanto mais se tenta falsear o enunciado e com isso não se consegue derrubá-lo é sinal de que a teoria possui qualidades. Como apresenta Gil (1999, p. 21) “quando não se consegue demonstrar qualquer caso concreto capaz de falsear a hipótese, tem-se a sua corroboração, que não excede o nível do provisório”. Veja o exemplo de Assis (apud VIEGAS, 2007, p. 106): [...] as teorias científicas não são sugeridas pelos fatos, não vêm deles. São produtos da livre imagi- nação humana. Depois de formuladas, devem pas- sar por testes que visem refutá-las. O sucesso em testes sucessivos marca a qualidade da teoria, o que não quer dizer que ela seja verdadeira, mas apenas melhor que as concorrentes. Pode-se entender o método via quatro procedimentos propostos por Popper e relatados por Viegas: a) comparar logicamente as conclusões entre si para testar a consistência interna do sistema; b) investigar a forma lógica da teoria para determinar se ela tem caráter de uma nova teoria empírica ou científica ou se é apenas tautológica; c) comparar teoria com outras para verificar se ela representa um avanço de ordem científica; d) testar a teoria por meio das aplicações empíricas das conclusões que dela se possam deduzir. HIPÓTESE Partindo do princípio de que uma pesquisa surge com a elaboração de um problema (divida questionamento), a respeito de um fenômeno (contextualizado no tempo e no espaço), a HIPÓTESE seria resposta provável e provisória à indagação proposta. TauTOLOGIa Repetição da mesma teoria com palavras diferentes.
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    80 Esse método ébem aceito nas ciências naturais, mas pouco ade- quado para as ciências sociais, uma vez que muitas hipóteses são difíceis de serem falseadas. O método dialético, no sentido moderno surge com Hegel. Ante- riormente a isto dialética foi usada no sentido da “arte do diálogo” (Platão) e na Idade Média como “lógica”. Gil (1999, p.31) relata que a trajetória da vida humana apre- sentada por Hegel, foi uma trajetória dialética no sentido de que “as contradições se transcendem, mas dão origem a no- vas contradições que passam a requerer solução”. Uma das características dessa dialética é o posicionamento de Hegel de que a ideia possui hegemonia sobre a matéria, tornando-se idealista. Esta concepção foi mudada pelas obras de Karl Marx e Frederick Engels. Inverte-se a proposta idealista para uma materialista, na qual a matéria tem hegemonia sobre a ideia. Marconi e Lakatos (2000, p. 83) exemplificam a dialética ma- terialista: [...] o pensamento e o universo estão em perpé- tua mudança, mas não são as mudanças das ideias que determinam as das coisas. São pelo contrário, estas que nos dão aquelas, e as ideias modificam- se porque as coisas se modificam (POLITIZER apud MARCONI; LAKATOS, 2000, p. 83). Ainda Marconi e Lakatos (2000, p. 83) apresentam as quatro leis fundamentais: a) Ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”; b) Mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”; c) Passagem da quantidade à qualidade ou mudança quantitativa; d) Interpretação dos contrários, contradição ou luta dos contrários. Sobre a ação recíproca, Marconi e Lakatos (2000, p. 83-85) expli- cam que “a dialética compreende o mundo como um conjunto de processos”. Nesse sentido, as “coisas não são analisadas na quali- dade de objetos fixos, mas em movimento”. Isto quer dizer que “o
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 2 81 fim de um processo é sempre o começo de outro”. A ideia é a de que “todos os aspectos da realidade prendem-se por laços neces- sários e recíprocos”. A mudança dialética parte da concepção de processo, de tal forma que todas as coisas implicam em processo. Como? Todas as coisas, tanto reais “quanto para seus reflexos no cérebro (ideias) estão sob esta regra”. “Todas as coisas e ideias movem-se, transformam-se, desenvolvem-se”. Neste processo a extinção das coisas é relativa, limitada. No entanto, o movimento, transformação ou desenvolvi- mento é absoluto. Esses movimentos e transformações operam por contradições ou mediante a negação de uma coisa. “A negação de uma coisa é o ponto de transformação das coisas” (MARCONI; LAKA- TOS, 2000, p. 85). Por isso, a negação da negação. Passagem da quantidade à qualidade refere-se a mudanças ocorri- das em relação a um fenômeno. Digamos que um indivíduo persista numa atividade física diária. Ao mesmo tempo em que ele acumu- lará quantidade de atividade física no decorrer do tempo, também terá uma mudança qualitativa em relação a sua saúde. Como todas as coisas estão interligadas, uma saúde melhor proporciona condi- ções de melhor socialização e de qualidade de vida. Este exemplo foi alterado em relação aos referenciais utilizados até aqui. Porém, exemplifica o foco central de que as mudanças passam de meras repetições quantitativas para mudanças de estados, o que caracte- riza a qualidade. Por fim, a interpretação dos contrários. Veja; o foco de partida de Marconi e Lakatos (2000, p. 87) para exemplificar este fundamento seria: [...] toda a realidade é movimento [...] movimento sendo universal assume as formas quantitativa e qualitativa [...] ligadas entre si e que se transfor- mam uma na outra.[...] qual o motor da mudança e, em particular, da transformação da quantidade em qualidade ou de uma qualidade para outra nova? A ideia é a de que os fenômenos possuem contradições internas. E essas contradições entram em luta num processo de desenvolvi- mento. Nesse sentido, a contradição como princípio do desenvolvi-
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    82 mento apresenta asprincipais características como: a contradição é interna, é inovadora a unidade dos contrários. Didaticamente, essa teoria é apresentada como consistindo de tese [posição] que produz sua antítese [oposição]. A união dessas duas produz a síntese [composição] que é uma nova tese que produzirá sua antítese. Assim, ocorrerá a negação da negação, produzindo transformações quantitativas (síntese). A proposição do método fenomenológico visa descrever a realida- de, o fenômeno, a coisa (como é tratado) como ela é. Marconi e Lakatos descrevem a fenomenologia como a que concebe a ideia de que o mundo é criado pela consciência. Nesse sentido, reconhe- ce a importância do sujeito no processo de construção do conhe- cimento. A realidade emerge da intencionalidade da consciência. Desse modo, a realidade é o compreendido, o interpretado, o comunicado. O método mostra o que é dado e no esclarecimento desse dado. Aquilo que é aparente à consciência. A descrição do fenômeno é central. Até aqui, você trabalhou com as bases lógicas para a construção do conhecimento. Entre os procedimentos técnicos elencados, buscam-se mecanis- mos para você abordar sua pesquisa com certa objetividade e pre- cisão. O foco está na coleta de informações, sobretudo na orien- tação da “obtenção, processamento e validação dos dados”(GIL, 2000, p. 33). O método experimental é usado para recriar determinadas situ- ações em que o objeto de estudo é colocado frente a variáveis controladas e conhecidas pelo pesquisador para verificar quais são os resultados provenientes desse experimento. É um método ge- ralmente utilizado em laboratórios e necessita aprovação de um comitê de ética em pesquisa. Normalmente é pouco utilizado nas ciências sociais. Em Educação Física este método pode ser utilizado para determinar desempenho físico que um indivíduo apresenta no momento. Consulte a obras de alves-Mazotti e Gewan- dznajder (2002), sobre- tudo o capítulo 6 – O debate contemporâneo sobre os paradigmas. Leia sobre o construti- vismo social que enfoca a fenomenologia e o relativismo.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 83 O método observacional é muito utilizado em pesquisas na área social, sobretudo os estudos comportamentais. Estudos que usam o método fenomenológico são os que mais ocupam o processo de ob- servação. Este método possui características como a necessidade de estabelecimento de uma pauta de observação, que servirão de um roteiro para redação dos fenômenos observados. O método comparativo busca apresentar as diferenças e simila- ridades entre indivíduos, classes ou grupos. Possibilita comparar “grandes grupos sociais” separados pelo espaço e pelo tempo. Os resultados deste tipo de procedimento permitem ao estudo eleva- do grau de generalização. O método estatístico utiliza a teoria estatística da probabilida- de e é muito usado em estudos quantitativos. Atualmente exis- tem pesquisas complexas em que este método é associado a outros métodos qualitativos para se conseguir resultados mais confiáveis cientificamente. Sua característica principal seria de um método com razoável grau de precisão. O método clínico é usado em pesquisa na área de psicologia. O método se apoia em casos individuais e pode levar o pesquisador ao erro quando usa esses resultados para generalizações. Existe intensa relação entre pesquisador e pesquisado. O método monográfi co é compreendido como um estudo de caso em profundidade. Gil elenca que estes casos podem ser feitos com indivíduos, instituições, grupos, comunidades etc. Conforme você viu, não há uma única forma de conhecimento ou uma única forma de se apropriar dele. Ao mesmo tempo, não existe um único método. Existem métodos e em muitas pesquisas a utili- zação de dois ou mais métodos podem aumentar o grau de precisão em uma pesquisa. Dependerá do tipo de pesquisa e do tipo de per- gunta que será feita. Consulte a obra de Molina Neto; Triviños (Org.). (1999), sobretu- do o capítulo intitulado instrumento de coleta de informações na pes- quisa qualitativa.
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    84 Forme um grupode cinco colegas e dialoguem sobre a questão da metodologia científica e do método relacionados a Educação Física Escolar. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1 SÍNTESE Nessa unidade, você teve contato com quatro seções. É importante você contextualizar os conteúdos trabalhados até aqui. Os tipos de conhecimentos apresentados são construídos cultural- mente. Sua forma de apreensão depende do intelecto via os sen- timentos e a razão. Dependendo da predominância de uma das vias (sentimento X razão) você tenderá a um dos tipos de conheci- mentos. Ao mesmo tempo, você viu que os conhecimentos popular, religioso, filosófico ou científico dependem do ambiente em que você se insere. Da mesma forma, você verificou que existem características pró- prias de cada conhecimento. Após apresentação dessas caracte- rísticas, você viu o foco voltado para o conhecimento científico. Sobretudo para caracterizar a nova etapa que você inicia na uni- versidade. Você trabalhou a metodologia científica enquanto uma disciplina curricular que permite o estudo dos principais métodos e proce- dimentos técnicos que subsidiam a realização de uma pesquisa. O caminho que você percorreu foi o de constatar que a pesquisa é um dos caminhos possíveis para que você se apodere de um rol de conhecimentos próprios de uma determinada área, bem como para que você construa novos conhecimentos. Por intermédio do ato de pesquisar, você verificou a necessidade de buscar as bases lógicas que ajudam a construir o conhecimento. Verificou que os métodos dão condições de traçar uma “trilha” na construção do conhecimento.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 2 85 Ao mesmo tempo, e para finalizar, você viu os procedimentos téc- nicos que o ajudarão na coleta, tratamento e sistematização de dados teóricos e empíricos para a discussão do objeto de estudo escolhido por você. Lembre-se, mais uma vez, que os conhecimentos adquiridos nessa unidade servirão de base para futuros encaminhamentos que se apresentarão na sua caminhada no ensino superior. Descreva os quatro principais tipos de conhecimentos e explique-os, relacionando-os com exemplos da sua experiência. __________________________________________________ __________________________________________________ Relacione as principais características de cada tipo de conhecimento. __________________________________________________ __________________________________________________ Qual é o papel do conhecimento e da razão na construção dos tipos de conhecimentos? __________________________________________________ __________________________________________________ Explique com suas palavras os motivos pelos quais os autores citados nessa unidade colocam como critérios de cientificidade a coerência; consistência; originalidade; objetividade! __________________________________________________ __________________________________________________ Como definir se uma temática é relevante? __________________________________________________ __________________________________________________ 2 1 3 4 5
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    Pesquisa científica 3 unidade Objetivo dESTAunidade: Estabelecer reflexões acerca da pesquisa científica por intermédio deste roteiro. ROTEIRO DE ESTUDOS • SEÇÃO 1 – Pesquisa científica • SEÇÃO 2 – Delineamento da pesquisa • SEÇÃO 3 – Planejamento da pesquisa • SEÇÃO 4 – Projeto de pesquisa Antonio Carlos Frasson Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
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    88 PARA INÍCIO DECONVERSA Quando você ouve sobre o termo pesquisa vem à mente uma série de preocupações e porque não dizer, de aflições. Recorda de um número significativo de informações que foi passado pela mídia nos últimos tempos, das frustrações, fracassos e êxitos de muitos pes- quisadores que amealharam vitórias com as suas pesquisas. Apesar das dúvidas, questionamentos e principalmente pela ansie- dade que são perpassadas para você em relação à pesquisa, este é um dos momentos mais significativos nas aulas de metodologia da pesquisa. Esta significância é representada pelo momento de iniciar a contextualização de um trabalho científico. Por mais simples que ele seja será um trabalho que ficará registra- do para sempre em sua vida acadêmica. As pesquisas, nos dias atuais, não têm mais limites ou limítrofes, elas avançam de maneira significativa em todos os setores de nos- sas vidas. Quer seja nos laboratórios, nos esportes, na cultura, na educação, na agricultura ou na economia, elas têm oportunizado avanços considerados para o crescimento do homem. A par disso, essa unidade estabelece uma sequência de entendi- mentos sobre a pesquisa. Partimos da busca do entendimento do que é pesquisa, sobre o seu delineamento, que servirá por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa e posteriormente do plane- jamento e do projeto propriamente dito.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 89 SEÇÃO 1 PESQUISA CIENTÍFICA Partimos da máxima popular de que o homem ao interagir com as coisas e causas do mundo em que vive, atento aos pressupostos so- ciais, culturais, políticos, educacionais, econômicos, entre outros, precisa de instrumentos que venham dar-lhe o suporte técnico para a sua ação. A partir desta máxima é possível que você visualize que um dos ins- trumentos disponíveis para atender esta necessidade do homem é a investigação. A necessidade de investigar para estabelecer novos paradigmas conceituais é premente no homem. Por mais complexo que seja o entendimento que você tem sobre o que é pesquisa científi ca, sua finalidade e objetivos, entende-se que a busca por novos conhecimentos a respeito do que ela repre- senta torna-se de suma importância neste processo. Desde os primórdios da civilização, a busca pelo conhecimento sempre esteve lado a lado com a pesquisa. Atente-se para o fato de que a pesquisa científica permite a construção de novos conhe- cimentos que se fazem presentes em todos os âmbitos de nossas atividades que, de uma forma ou outra, ajudam a transformar a realidade na qual estamos inseridos. Como você pode perceber, esta busca se torna particularmente fundamental para o entendimento a ser consignado por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa e posteriormente quando da redação final do relatório referente ao fenômeno pesquisado. Pesquisa científica e conhecimento andam juntos? Observe como isto acontece... A maneira mais prática e eficaz de aprender a pes- quisar é pesquisar. Assim, atento a esta máxima, vamos pesquisar.
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    90 Porém, antes deprosseguir, registre abaixo qual o conceito e/ou entendimento que você tem sobre pesquisa. ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ Em virtude da complexidade que se avista para ter uma ideia clara a respeito da pesquisa, você verá que existem diversas maneiras de buscar sua melhor compreensão. Uma dessas formas seria iniciar pelos conceitos emitidos a respeito do assunto. Você verá que os conceitos aqui apresentados trazem, em sua to- talidade, formas ou modelos que orientam pesquisadores iniciantes ou mesmo experientes nesta busca do que é pesquisa em conjunto com suas interfaces, por isso, a incursão no campo dos conceitos é de extrema valia. Assim, conheça e reflita sobre os conceitos de pesquisa aqui apresentados. Nas palavras de Cervo (2007, p. 57) você vai encontrar um dos con- ceitos sobre pesquisa que vem bem ilustrar o que ela é: A pesquisa é uma atividade voltada para a investi- gação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos. Ela parte, pois, de uma dúvida ou problema e, com o uso do método científico, busca uma resposta ou solução. De forma semelhante, você vai encontrar argumentos conceituais sobre pesquisa em Barros (2007, p. 81) que a conceitua como um momento ímpar para descobrir e conhecer algo dentro de um pro- cesso ativo de questionamento ao afirmar que a pesquisa “consiste na tentativa de desvelamento de determinados objetos. É a busca de uma resposta significativa a uma dúvida ou problema”. Acrescente também aos seus conhecimentos, o conceito elaborado por Gil (2008, p.26). Ao contextualizar sobre o conceito de pes- quisa enfatiza que a sua função precípua pode ser caracterizada “como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do mé- todo científico”.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 91 Outra autora, que traz uma preciosa contribuição para esta análise é Minayo (1993, p.23). Ela vê a pesquisa por outro ân- gulo - o filosófico. Ao assim fazê-lo, destaca a pesquisa como uma “atividade básica das ciências na sua indagação e desco- berta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente in- acabado e permanente”. A essa altura, você pode perceber que todos os conceitos aqui apresentados caminham para um entendimento. A pesquisa cien- tífica é uma ação conjunturalmente estruturada e sistematizada cientificamente cujo objetivo principal está voltado para encontrar uma solução para os fenômenos ou problemas aventados. Após conhecer e refletir sobre os conceitos apresentados, elabore um conceito sobre pesquisa científica. __________________________________________________ __________________________________________________ Agora que você conhece e já elaborou um conceito de pesquisa cien- tífica avance nesse conhecimento respondendo a seguinte questão. 1 Para que pesquisamos? Para encontrar resposta a este questionamento observe o que diz Richardson (2008, p.16). Ele destaca que existem três objetivos centrais “que esboçam todo o processo de uma pesquisa, além do pressuposto principal que é o de adquirir conhecimentos”. Observe como eles se constituem: 1º O primeiro deles centra-se na pesquisa para resolver pro- blemas. O pesquisador busca neste modelo centrar as suas ações para encontrar soluções e ou respostas para problemas específicos ou fenômenos que se avistam. 2º O segundo atém-se para formular teorias. Neste processo, o pesquisador utiliza da pesquisa para estudar “um problema cujos pressupostos teóricos não estão claros ou são difíceis de encontrar.” Richardson (2008, p.17).
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    92 3º E o terceirovolta-se para testar as teorias. Este modelo visa atender o seguinte quadro: “quando as teorias claramente formuladas são testadas e confirmadas por repetidas vezes e se se dispõe de informação empírica consistente, pode- se iniciar nova etapa na formulação de teorias.” Richardson (2008, p.17). VOCÊ SABIA QUE... A pesquisa não é um fenômeno recente e que a cada momento ela ganha novas interfaces? Ao contextualizar os objetivos centrais de uma pesquisa, Richard- son (2008, p.15) destaca também que não há uma única forma de realizar uma pesquisa ideal e que dificilmente existirá uma pesqui- sa considerada como perfeita, em virtude que “a investigação é um produto humano, e seus produtores são seres falíveis”. Como você pode perceber, o entendimento sobre pesquisa mere- ce uma discussão mais aprofundada. Fica a solicitação que você busque mais informações a respeito do assunto, pesquisando na internet sobre pesquisa científica. Na próxima seção será abordado o delineamento da pesquisa. Você verá a importância de se conhecer como a pesquisa pode ser deli- neada para a consecução das ações que virão por ocasião da elabo- ração do projeto e posteriormente do relatório final da pesquisa. Não esqueça que o sucesso de uma pesquisa está vinculado com a habilidade de bem escolher os procedimentos a serem seguidos. Dialogue com seus colegas de sala sobre pesquisa e pesquisa científica. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 93 SEÇÃO 2 DELINEAMENTO DA PESQUISA O delineamento da pesquisa é considerado pelos pesquisadores como um fator de suma importância na elaboração de um projeto de pesquisa. Para tanto, você deve conhecer como é consignado este delineamento. Em sua maioria, as formas estruturais de uma pesquisa científica podem ser delineadas e/ou classificadas atendendo os pressupostos teóricos determinados. Esse ato visa facilitar a vida do pesquisa- dor. Esse conhecimento será muito útil quando você elaborar o seu projeto de pesquisa. Observe que o delineamento formal não pode ser arbitrário. Ele deve estar em plena conexão com as hipóteses que se almeja dis- cutir (ou comprovar) e principalmente encontrar-se vinculado dire- tamente com o problema a ser pesquisado. Perceba que isto significa que toda classificação apresentada pe- los diversos autores que abordam sobre esta questão deve ser respeitada. Assim, ao mapear os diversos delineamentos existentes sobre a pesquisa científica e principalmente o que cada um desses deli- neamentos representa para o processo científico, entendeu-se que seria interessante apresentar a você uma classificação clássi- ca. O saber construído em torno dessa classificação está dividido em quatro partes: do ponto de vista da sua natureza, da forma de abordagem do problema, de seus objetivos e dos procedimen- tos técnicos. 1ª - DO PONTO DE VISTA DA SUA NATUREZA Do ponto de vista da sua natureza a pesquisa pode ser classificada em: Saiba que embora ainda existam diversas formas e modelos desse delineamento, apresentados em manuais e livros de pesquisa, elas não são excludentes. Não existe um ferramental único e universal que venha estabelecer tais paradigmas com precisão.
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    94 FILOSOFIA Pesquisa básica- A pesquisa básica traz em seu contexto o ob- jetivo de gerar novos conhecimentos, visando o avanço da ci- ência. Outro aspecto importante é que neste tipo de pesquisa o pesquisador tem como meta o saber. O saber constituído, por intermédio da pesquisa básica, irá saciar a necessidade intelec- tual do pesquisador. Com relação ao entendimento sobre a pesquisa básica, torna-se re- levante conhecer o que Gil (2008, p.26) referencia a este respeito: A pesquisa pura busca o progresso da ciência, procura desenvolver os conhecimentos científicos sem a preocupação direta com suas aplicações e consequências práticas. Seu desenvolvimento tende a ser bastante formalizado e objetiva a generalização, com vistas na construção de teo- rias e leis. Para entender bem as suas nuances atenha-se ao fato de que esse modelo não solicita uma ação de intervenção e tampouco de trans- formação da realidade social que se faz presente. VOCÊ SABIA QUE... Apesquisa básica é conhecida também como pesquisa pura? Pesquisa aplicada - A pesquisa aplicada traz em seu contexto o objetivo de produzir conhecimentos para uma aplicação prática voltada para a solução de problemas específicos, envolvendo ver- dades e interesses locais. Nesta práxis investigativa o pesquisador é movido a contribuir para fins mais ou menos imediatos, buscando soluções para problemas concretos, operacionalizando os resultados de seus estudos. Você vai encontrar nas palavras de Gil (2008, p. 27) uma das chaves para bem entender as nuances da pesquisa aplicada. Ele destaca que a pesquisa aplicada:
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    FUNDAMENTOS E METODOLOGIADA GEOGRAFIA | UNIDADE 3 95 [...] tem como característica fundamental o in- teresse na aplicação, utilização e consequências práticas dos conhecimentos. Sua preocupação está menos voltada para o desenvolvimento de teorias de valor universal que para a aplicação imediata numa realidade circunstancial. Apesar de estar mais voltada para a resolução de problemas via aplicação imediata, a pesquisa básica e a aplicada não se excluem e são indispensáveis para o progresso das ciências e do homem. En- quanto uma busca a atualização de conhecimentos para uma nova tomada de posição, a outra pretende, além disso, transformar con- cretamente os resultados de seu trabalho. Veja a ilustração da forma de delineamento no quadro abaixo: PESQUISA CIENTÍFICA QUANTO A NATUREZA Pesquisa Básica ou Fundamental Pesquisa Aplicada ou Tecnológica Gera conhecimentos sem finalidades imediatas; os conhecimentos são utili- zados em Pesquisas aplicadas ou tecno- lógicas Gera produtos, processos + conheci- mentos (resultantes das ações). Possui finalidades imediatas OBJETO Fonte: Adaptado de Gil, 2008. 2ª - DO PONTO DE VISTA DA FORMA DE ABORDAGEM DO PROBLEMA Em relação à forma de abordagem do problema a pesquisa recebe a seguinte classificação: Pesquisa Quantitativa Dada a sua especificidade, a pesquisa quantitativa diferencia-se das demais. Em seu contexto estrutural requer o uso de recursos e de técnicas que preveem quantificação. Entre essas, se encontra a
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    96 FILOSOFIA percentagem, média,moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, em outras formas para aten- der os seus pressupostos. Para efeito de um maior esclarecimento, o seu objetivo é mensu- rar e permitir o teste de hipóteses, já que os resultados são mais concretos e, consequentemente, menos passíveis de erros de in- terpretação. Os índices gerados por este modelo podem ser comparados ao longo do tempo, permitindo traçar um histórico da informação. Richardson (2008, p. 70) ilustra bem esse modelo de pesquisa cien- tífica ao destacar que “é frequentemente aplicado nos estudos descritivos, naqueles que procuram descobrir e classificar a rela- ção entre variáveis, bem como nos que investigam a relação de causalidade entre os fenômenos”. Ao utilizar de instrumentos estruturados ela é considerada como uma das formas mais adequadas de ser utilizada, mas, para isso, você não pode esquecer sobre a forma de coletar os dados. Os instrumentos para a coleta de dados devem ser adequadamente escolhidos. Entre esses, você pode empregar questionários e testes estandardizados. Pesquisa Qualitativa O saber construído em torno desse modelo traz como escopo prin- cipal uma relação indissociável entre o real e o sujeito tendo como base os hábitos, as tendências, as atitudes comportamentais do ser humano. Nesse modelo não se prioriza o emprego de instrumento estatístico. Significa que no tocante aos seus resultados não é uti- lizado o fator de medir ou numerar as categorias. Os estudos que utilizam a pesquisa qualitativa trazem em seu con- texto uma organicidade estrutural dos fatos, o qual possibilita um aprofundamento no entendimento do processo em análise.
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    FUNDAMENTOS E METODOLOGIADA GEOGRAFIA | UNIDADE 3 97 Observe que a pesquisa qualitativa tem como principal pressuposto a forma descritiva. O pesquisador é central nesse processo, pois participa, compreende e interpreta os dados pesquisados. Atente- se para o entendimento dado por Richardson (2008, p. 90) sobre a pesquisa qualitativa: A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como a tentativa de uma compreensão detalhada dos sig- nificados e características situacionais apresenta- das pelos entrevistados, em lugar da produção de medidas quantitativas de características ou com- portamentos. Observe o quadro abaixo, que ilustra esta forma de delineamento. Você sabia que... A principal função da pesquisa qualitativa, mesmo centrando a sua preocupação em analisar e interpretar o comportamento do ser humano dentro dos aspectos da mais alta complexidade, reside no fato de que a mesma oportuniza um acesso fácil ao entendimento do fenômeno pesquisado? PONTO DE VISTA DA ABOR- DAGEM DO PROBLEMA QUANTITATIVA QUALITATIVA
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    98 FILOSOFIA Se vocêquiser saber qual é o nível de flexibilidade de seus alunos de uma determinada série com o objetivo de verificar a capacidade de mobilidade deles, deve prover-se de instrumentos adequados que possam avaliar a condição de flexibilidade de cada aluno. Desta maneira, o seu trabalho de pesquisa teria uma conotação vinculada a qual dos modelos acima apresentados? Respostas Quanto à natureza _______________________________________ Quanto à forma __________________________________________ 3ª - DO PONTO DE VISTA DE SEUS OBJETIVOS Do ponto de vista de seus objetivos a pesquisa científica traz em seu contexto a seguinte classificação: Pesquisa exploratória A pesquisa exploratória traz como seu expoente uma maneira dife- renciada de estudar e entender os fenômenos. O saber instado por esse modelo traz em seu conjunto alguns aspectos significativos. Vejam quais: 1º O primeiro por ver a forma de um fenômeno atual pouco explorado. 2º O segundo centrado na familiaridade com o problema a ser pesquisado. 3º E como terceiro, talvez o aspecto mais importante, por apresentar o menor grau de rigidez no seu aspecto de planejamento.
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    FUNDAMENTOS E METODOLOGIADA GEOGRAFIA | UNIDADE 3 99 Para tanto, ela traz consigo algumas características básicas que você deve observar. 1ª A primeira centra-se na busca pelo entendimento das razões e motivações para determinadas atitudes e com- portamentos das pessoas. 2ª A segunda refere-se que a mesma por não requerer a elaboração de hipótese a serem testadas no trabalho oportuniza a geração destas e consequentemente na identificação de variáveis que serão incluídas na pes- quisa. 3ª Como terceira característica, ela proporciona a forma- ção de ideias para o entendimento do conjunto do pro- blema. 4ª E como quarta característica, dentro de sua sistemática estrutural, a utilização de amostragem e técnicas quan- titativas não são de forma habitual utilizadas. Por ela ser de manuseio fácil faz desse modelo o passo inicial no contexto geral de um processo de pesquisa. Você sabia que... Apesar de ser considerada no meio acadêmico como um modelo aquém dos determinantes para uma pesquisa científica, ela é um dos mais comuns no meio acadêmico? Gil (2008, p. 27), ao estabelecer parâmetros conceituais sobre esse modelo, destaca que: [...] as pesquisas exploratórias têm como princi- pal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores.
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    100 Atente-se ao fatode que por ela ter uma característica acadêmica, você vai encontrá-la na forma de pesquisa bibliográfica, documen- tal ou de estudo de caso, envolvendo em seu aspecto organizacio- nal o levantamento bibliográfico e entrevistas não padronizadas. Pesquisa descritiva Uma das características marcantes da pesquisa descritiva que deve ser observada é o fato dela estar voltada para descrever as parti- cularidades do fenômeno ou de determinada população ou ainda no intuito de estabelecer relações entre as variáveis. Fique atento que esses dados não podem ser manipulados pelo pesquisador. Cervo (2007, p. 61-62), ao referenciar a importância da pesquisa descritiva, destaca que a mesma: [...] busca conhecer as diversas situações e relações que ocorrem na vida social, política, econômica e demais aspectos do comportamento humano, tanto do indivíduo tomado isoladamente como de grupos e comunidades mais complexas. Você sabia que... De uma maneira geral, os estudos caracterizados como descritivos trazem como princípio básico em seu processo estrutural a necessidade de que o pesquisador esteja provido de uma série de informações sobre o assunto que deseja pesquisar? Acrescente em seus conhecimentos que, vinculado a isso, encon- tra-se a necessidade de estabelecer uma delimitação precisa das técnicas, dos modelos e das teorias que orientarão a coleta e a interpretação dos dados. Outro tópico que também merece uma atenção especial nesta prá- xis é o fator delimitativo. Nesse fator encontram-se a população, a amostra, os objetivos, as hipóteses e as questões da pesquisa.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 101 Pesquisa Explicativa Este forma de práxis científica é considerada como modelo comple- xo. A pesquisa explicativa visa analisar e interpretar a ocorrência dos fenômenos pesquisados. Gil (2008, p. 28) ao considerar a pesquisa explicativa como um dos modelos mais complexo destaca: [...] este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é o tipo de pesquisa mais complexo e delicado, já que o ris- co de cometer erros aumenta consideravelmente. Você sabia que... Dentro desta premissa, você pode buscar a razão e o porquê das causas e dos fatos? Ao buscar estabelecer e compreender a causa e efeito do proble- ma aventado, este modelo de pesquisa contribui em muito com a fundamentação do conhecimento científico, estabelecendo novos paradigmas conceituais para os fenômenos estudados. Observe o quadro abaixo que ilustra esta forma de delineamento. DO PONTO DE VISTA DE SEUS OBJETIVOS PESQUISA EXPLORATÓRIA PESQUISA DESCRITIVA PESQUISA EXPLICATIVA
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    102 Atento ao quefoi mostrado até aqui e relacionando com o estudo sobre a flexibilidade dos alunos, como você classificaria a sua pesquisa? Quanto aos objetivos__________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 4ª - DO PONTO DE VISTA DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS Pesquisa Bibliográfi ca Desenvolvida a partir da utilização de livros, artigos científicos, dissertações, teses e de material disponibilizado na internet, a pesquisa bibliográfica traz em seu escopo uma característica sui- generis. Ela pode se apresentar como um processo totalmente in- dependente ou fazer parte da pesquisa experimental ou descritiva. 1 Você sabia que... A pesquisa bibliográfica é indispensável quando se trata de estudos históricos? É interessante entender que uma das vantagens da pesquisa biblio- gráfica reside no fato de permitir ao pesquisador obter uma gama de informações com grande eficácia. Isso oportuniza conhecer teorica- mente o que já foi produzido sobre o assunto que se pretende abordar. Pesquisa Documental As principais fontes nesse modelo de pesquisa são os documentos. Entretanto, você deve saber que o primeiro aspecto fundamental nesse tipo de pesquisa é distinguir quais são os tipos de documentos que se encaixam dentro desta categoria. Você pode distinguir diversas formas de documentos nesse modelo de pesquisa, desde as publicações oficiais (leis, decretos, atas), ar-
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 103 tigos de jornais, cartas, fotografias, revistas, documentos pessoais e dossiês, os quais podem ser de forma impressa, sonora ou visual. Você sabia que... Mesmo sabendo que esses documentos já podem ter recebido um tratamento analítico por outro pesquisador, nada impede que sejam reelaboradas novas análises que venham ao encontro dos objetivos propostos na sua pesquisa? Uma das principais características desse modelo de pesquisa que você deve observar é a sua semelhança com a pesquisa bibliográ- fica. A diferença entre ambas está circunscrita na natureza das fontes pesquisadas. Pesquisa Experimental A práxis da pesquisa experimental representa no mundo científico um modelo bastante valorizado. Adota o critério de manipulação das suas variáveis, representada pela interferência do pesquisador no fato ou situação estudada, que proporcionará mudanças nas causas e efeitos do objeto em estudo. Observe que para o pesquisador atingir os resultados, ele deve uti- lizar de procedimentos adequados ou de aparelhos e instrumentos que possam tornar perceptíveis as relações existentes entre os ob- jetos estudados. Você sabia que... Os dados obtidos com esse processo podem ser apresentados em sua forma mais simplificada, por intermédio de tabelas e gráficos?
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    104 Outro aspecto importantepara você ficar atento nesse modelo de pesquisa refere-se ao delineamento experimental dado nos dias atuais. A possibilidade de estudar um fato com várias variáveis já se faz presente nesse modelo de pesquisa, buscando a sua inter- relação, graus de intensidade e as suas influências. Levantamento / Survey O modelo de pesquisa centrada no método de levantamento/sur- vey traz como fator estruturante aspectos particulares na sua for- ma de levantamento de dados, pois envolve a interrogação direta das pessoas, cujo comportamento e/ou opinião se deseja conhecer em um momento específico. Você já deve ter visto ou mesmo participado de uma pesquisa centrada neste modelo, quando foi questionado por meio de questionários e/ou entrevistas pessoais para informar a sua opinião sobre determinado assunto. Tendo como suporte uma análise quantitativa, ela é muito usada por agências de pesquisa para saber a opinião da população sobre um tema estabelecido. Entre essas formas utilizadas, você pode encontrar pesquisas de opinião pública, estudos acadêmicos sobre um determinado assunto, censos demográficos, pesquisa de mer- cado, entre outras. As unidades de análise estão assim centradas: UNIDADES DE ANÁLISEUNIDADES DE ANÁLISE CLUBES AGÊNCIAS GOVERNAMENTAIS INDÚSTRIAS NAÇÕES INDIVÍDUOS CIDADES FAMÍLIA ESTADOS
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 105 Estudo de caso Se a sua proposta de pesquisa caracterizar-se por um estudo pro- fundo e exaustivo sobre determinado assunto, cujos resultados ve- nham proporcionar amplo e detalhado conhecimento, você poderia fazer uso desse modelo de pesquisa. Com uma análise centrada de forma detalhada em um caso in- dividual, o qual torna inteligível a sua dinâmica, observe que o delineamento dado ao aplicar o estudo de caso enquanto forma metodológica de investigação é realizado em torno de poucas per- guntas que trazem como escopo o “como” e o “porquê” do assunto a ser pesquisado. Supõe-se dessa maneira que a aquisição de co- nhecimentos será plena. Tendo em vista a sua importância cada vez mais crescente, Yin (2005, p.32), ao conceituar estudo de caso, demonstra que o mes- mo trata-se de: [...] uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto da vida real, especialmente quando os limites en- tre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. Você sabia que... O estudo de caso traz em seu contexto um cunho descritivo? O pesquisador não tem a possibilidade de intervir sobre a situação estudada, mas sim proporcionar o conhecimento tal qual ela lhe surge. Além disso, esta situação ajuda a gerar novas teorias e questões visando uma futura investigação.
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    106 Pesquisa ex-post-facto Ao perquirirum fenômeno já ocorrido no contexto em que vivemos e buscar explicações e entendimento para o ocorrido, você estará usando de uma classificação de pesquisa ex-post-facto. A pesquisa ex-post-facto traz como particularidade a abordagem do fenômeno após a consecução dos fatos em seu meio natural. Busca assim verificar quais foram os elementos gerados pelo acon- tecimento ou ainda quais os caminhos que provavelmente surgirão em decorrência do acontecido. Gil (2008, p. 58) define a pesquisa ex-post-facto como: [...] uma investigação sistemática e empírica na qual o pesquisador não tem controle direto sobre as variáveis independentes, porque já ocorreram suas manifestações ou porque são intrinseca- mente não manipuláveis. Ou seja, os fatos já ocorreram e com base nesses fatos é que o pesquisador procura compreender o ocorrido. Pesquisa-ação Como o próprio nome indica, a pesquisa-ação ocorre quando o pes- quisador e os participantes representativos do objeto a ser pes- quisado estão envolvidos com o fenômeno em si, atuam juntos na perspectiva de um resultado almejado. Barros (2007, p. 92) desta- ca que: [...] neste tipo de pesquisa, os pesquisadores desempenham um papel ativo no equacionamen- to dos problemas encontrados. O pesquisador não permanece só levantando problemas, mas procura desencadear ações e avaliá-las em conjunto com a população envolvida. a interferência do pesquisador é totalmente nula? Pois, não existe nenhuma perspectiva que este consiga alterar qualquer situação proveniente do ocorrido. Elas chegam ao pesquisador após a sua ocorrência e efeitos.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 107 Ao ser contextualizada essa forma de pesquisa enseja uma res- ponsabilidade e co-responsabilidade sobre os dados levantados aos seus participantes, em razão de que ambos atuam e refletem sobre o fenômeno pesquisado, priorizando problemas e soluções para o mesmo. Pesquisa Participante A pesquisa participante traz em seu bojo uma interação entre pes- quisadores e interlocutores dos fenômenos investigados cuja finali- dade precípua é a de obter dados e assim entender o contexto da pesquisa. É uma forma de pesquisa orientada para a ação, na qual a comunidade participa para a análise de sua realidade. Em relação à interação entre pesquisador e interlocutores, Minayo (2007, p. 70-71) ilustra bem esta questão, declarando que: Na medida em que convive com o grupo, o obser- vador pode retirar de seu roteiro questões que percebe serem irrelevantes do ponto de vista dos interlocutores; consegue também compreender aspectos que vão aflorando aos poucos, situação impossível para um pesquisador que trabalha com questionários fechados e antecipadamente pa- dronizados. Uma das suas características básicas centra no fato de não necessi- tar de um planejamento prévio. Esse será construído junto aos par- ticipantes do processo investigativo. Essa práxis investigativa tem como objetivo compreender, intervir e transformar a realidade da qual os agentes investigativos fazem parte. Você sabia que... A pesquisa-ação tem sido muito utilizada, passando a compor um campo de interesse no sistema de abordagem teórico metodológica da práxis investigativa?
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    108 Observe o quadroabaixo, que ilustra esta forma de delineamento. BIBLIOGRÁFICA DOCUMENTAL EXPERIMENTAL PESQUISA PARTICIPANTE DO PONTO DE VISTA DA ABORDAGEM DO PROBLEMA ESTUDO DE CASO LEVANTAMENTO SURVERY PESQUISA EX-POST-FACTO PESQUISA-AÇÃO PESQUISA PARTICIPANTE DO PONTO DE VISTA Atento ao que foi mostrado até aqui como você classificaria a sua pesquisa em relação à flexibilidade de seus alunos? Quantoaosprocedimentostécnicos_____________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Forme grupos de três colegas e comentem sobre os caminhos a serem seguidos em suas pesquisas, no tocante ao seu delineamento. __________________________________________________ __________________________________________________ SEÇÃO 3 PLANEJAMENTO DA PESQUISA Agora que você viu o delineamento de uma pesquisa, atenha-se na questão do seu planejamento. Esse momento é considerado como significativo, pois ele antecede ao projeto propriamente dito. Para conhecer o significado da palavra planejamento, faça uso de um dicionário, ou ainda, aprofunde-se em leituras no intuito de 1 2
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 109 buscar um entendimento real sobre o mesmo. Mas, atento às diver- sas matrizes que você poderia encontrar, neste momento, exponha o seu entendimento sobre o termo, vinculado com a sua ação na pesquisa. Planejar uma pesquisa não significa aventurar-se em construir algo sem nexo. Consiste sim, em construir um caminho seguro entre a proposta inicial e o relatório final. Esse ato, de bem planejar, virá proporcionar uma sustentabilidade aos objetivos propostos. Imagine-se como um pesquisador novato que começa a dar os primeiros passos no meio científico e solicitam para você um trabalho acadêmico sobre uma determinada ação. Possivelmen- te você ficaria atordoado e acabaria sem saber para onde ir e seria excluído do processo. Esse exemplo permite que você entenda a importância de ela- borar um planejamento consistente para atender a solicitação feita. Assim, é de grande valia você saber que o planejamento inicial de um trabalho acadêmico ajuda a evitar os possíveis vieses que poderão ocorrer por ocasião da consecução do pro- jeto em si. Para bem contextualizar esse entendimento é interessante sa- ber que a execução de uma pesquisa centra-se em três momen- tos que se inter-relacionam: 1ª O primeiro seria o planejamento da pesquisa, o qual é considerado como de suma importância dentro deste pro- cesso. 2ª O segundo é a execução da pesquisa. 3ª E o terceiro é a divulgação dos dados pesquisados. Planejamento é um processo de preparação técnica, composto por um conjunto de ações integradas, o qual possibilita traçar metas, objetivos e caminhos para a consecução de um trabalho acadêmico.
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    110 Ainda existem muitospesquisadores que não acham interessante a ideia de elaborar um planejamento prévio paraasuapesquisa.Acreditamestesqueéperdadetempo e enquanto elaboram um planejamento já estariam com um bom caminho percorrido em seu trabalho. Veja que um projeto de pesquisa bem planejado ganha espaço nos meios acadêmicos. Esta ação oportunizará um melhor aproveita- mento dos recursos empregados por ocasião da pesquisa propria- mente dita. Então vem a seguinte pergunta: Devemos planejar? Sim, para você saber para onde caminhar com a intenção de pes- quisa. Hoje em dia, em virtude das mudanças que ocorrem a cada momen- to no seio da sociedade, estabelecendo novos paradigmas concei- tuais, planejar as nossas atividades de pesquisa tornou-se um fator significativo para todos. O resultado de um bom planejamento, de certa forma, levará a uma eficaz aplicação dos recursos destinados e permitirá que os resultados obtidos pela pesquisa sejam utiliza- dos da melhor maneira possível pela sociedade. Pesquisadores bem sucedidos alcançam sucesso em suas pesquisas em razão de um planejamento exequível de suas ações. Esse é o espírito que você deve pautar ao realizar uma pesquisa. Para você atender ao que preceitua um bom planejamento deve-se ater ao primeiro problema que surge que é a definição do tema a ser pesquisado, considerado por muitos como um fator angustiante no processo como um todo.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 111 Frases como as expostas abaixo são comuns quando se inicia o pro- cesso de formulação de um planejamento de pesquisa. “Não sei o que pesquisar”. “Não faço a mínima ideia do que quero”. “Será que dou conta?”. “Será que dá para pesquisar sobre [...]”. Portanto, para superar esse problema inicial, atente-se que a cor- reta definição do tema visa fornecer ao pesquisador o dimensiona- mento adequado do que se pretende estudar (entendido por alguns autores como o “fenômeno”). Esse momento virá facilitar os passos seguintes da pesquisa. Outro fator preponderante na consecução de um planejamento de pesquisa é apresentado por Quivy e Campenhoudt (1992, p. 25) como a ruptura, que deve ser feita em relação aos conceitos e preconceitos acumulados por longo tempo sobre o fenômeno a ser pesquisado. Isso representa um novo caminhar em busca de solu- ções adequadas para o problema aventado. Além dessa questão central, outras podem ser respondidas. Entre elas: por que, para que, como, quando e por quem pesquisar? Ou ainda, se o objeto de estudo é significativo para você e para o contexto acadêmico em que você está inserido. São questões que um bom planejamento ajudará a responder.
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    112 Como você podeobservar, a estratégia de elaborar um planeja- mento de pesquisa compreende a explicitação de outros momentos além do tema. Eles também são considerados importantes dentro do processo da consecução do planejamento e posteriormente da pesquisa em si. É o momento da integração entre os elementos teóricos e os aspectos metodológicos a serem utilizados. Atente-se para o fato que o planejamento não precisa conter uma interpretação acurada do fenômeno a ser pesquisado. Seu propósi- to é estabelecer a estrutura básica que ensejará a pesquisa. Como também não existe um protocolo pronto e acabado, nem tampou- co, considerado como o melhor para ser seguido. A escolha, elaboração e a organização do planejamento alteram-se de uma investigação para outra. Cada uma requer pontos de refe- rência metodológica que podem ser diferenciados em função dos objetivos que se pretende alcançar. Em geral, o que existe são etapas e critérios a serem seguidos. Mais importante de tudo é você ficar atento para o fato de que quanto mais amplo for o detalhamento do planejamento, melhor será para o pesquisador no tocante ao desenvolvimento da pesquisa. VOCÊ SABIA QUE... O planejamento de uma pesquisa não pode ser estanque? Ele pode ser modificado para atender possíveis exigências que forem surgindo ao longo do desenvolvimento da pesquisa. Observe que o planejamento só pode desempenhar sua função como suporte metodológico se for bem concebido. A importância do pla- nejamento para o pesquisador centra-se no fato de que o mesmo possa constituir um instrumento ordenador de suas ações. Desse modo, o pesquisador chegará com pleno conhecimento do fenôme- no a ser estudado. Agora que você viu sobre a importância de elaborar um planejamen- to para a consecução de uma pesquisa, deve estar perguntando:
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 113 A resposta para a sua pergunta recai sobre o projeto de pesquisa propriamente dito. O projeto de pesquisa é o instrumento pelo qual você vai concretizar a ação do planejamento. Ele vai funcio- nar como um roteiro para as suas ações na consecução da pesquisa. Assim, uma vez consolidados os ditames teóricos sobre o que é pes- quisa científica, a sua classificação, e principalmente a importância de elaborar um planejamento, responda uma pergunta: Qual é o instrumento que devo utilizar para isso? Você já pensou no tema que pretende abordar? Não se preocupe, é um momento de muitas dúvidas e ansiedades, pois surge um turbilhão de temas, assuntos e problemas que gosta- ríamos de abordar. Na próxima seção, você tomará conhecimento de como elaborar um projeto de pesquisa. Serão abordados quais são os componentes básicos que compõem a sua estrutura organizacional, os quais vão ajudá-lo a contextualizar o seu objeto de estudo. Em pequenos grupos, discutam sobre a necessidade de estabelecer um bom planejamento para a pesquisa. __________________________________________________ __________________________________________________ SEÇÃO 4 PROJETO DE PESQUISA Você deve ter observado que essa unidade de ensino tem uma ca- racterística especial. Desde o início, você está recebendo informa- 1
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    114 ções sobre quaisos caminhos a serem seguidos para que obtenha sucesso por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa. Nas seções anteriores, você tomou conhecimento sobre o que é pesquisa, seu delineamento, suas etapas e, por último, da impor- tância de realizar um planejamento. Agora, nesta seção verá como é constituída a estrutura organizacional de um projeto de pesquisa. Porém, lembre que o projeto é um processo dinâmico e que pode ser refeito inúmeras vezes para poder atingir um possível grau de precisão para a execução da pesquisa. Veja as funções de um projeto: Lembre-se! A redação de um projeto de pesquisa tem tudo a ver com os aspectos de sua vida acadêmica. Esta relação está circuns- crita em três momentos: 1ª Refere-se à busca pelo entendimento sobre o que você pretende pesquisar, não esquecendo que suas ideias serão ampliadas, analisadas, desenvolvidas e, consequentemente, questionadas pela comunidade acadêmica. DEFINE E PLANEJA O CAMINHO A SER SEGUIDO PERMITE QUE OS ORIENTATORES EN- TENDAM MELHOR O SENTIDO GERAL DO TRABALHO SERVE DE BASE PARA A SOLICITAÇÃO DE BOLSA DE ESTUDOS ATENDE AS EXIGÊNCIAS ACADÊMICAS DA INSTITUIÇÃO PATROCINADORA SUBSIDIA A AVA- LIAÇÃO DA BANCA EXAMINADORA DO EXAME DE QUALIFI- CAÇÃO SERVE DE BASE PARAAACEITAÇÃO DE CANDITATOS A CURSOS ACADÊMICOS O PROJETO DE PESQUISA DESEMPENHA VÁRIAS FUNÇÔES
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 115 2ª Relaciona-se com a ruptura dos conhecimentos acu- mulados por você ao longo dos anos. Esta ruptura objetiva estabelecer uma nova reflexão sobre o sig- nificado do fenômeno a ser perquirido. 3ª Refere-se à constituição do marco teórico concei- tual. Esses momentos são considerados como fundamentais para todo o processo que virá pela frente. Assim, é de extrema valia você entender a necessidade de elaborar um projeto de pesquisa dentro de parâmetros conceituais consis- tentes. Isso evita que surjam improvisações, perda de tempo e de recursos por ocasião da elaboração da pesquisa e posteriormente de seu relatório. Inicie o seu projeto de pesquisa. Escreva nas linhas abaixo um assunto que você gostaria de pesquisar. Ao escolher o assunto você está definindo o tema. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Para a incursão no campo do projeto de pesquisa utilizamos os conhecimentos advindos de Barros e Lehfeld, Minayo, Luna e Vasconcelos, os quais estabelecem um conjunto de ações que devem ser priorizadas por ocasião da elaboração de um projeto de pesquisa. Tal iniciativa tem como respaldo as possíveis interfaces que são apresentadas na constituição deste projeto. Barros e Lehfeld (2007, p. 94) apresentam oito questões a serem inicialmente respondidas pelo pesquisador, as quais estabelecem uma relação muito próxima com os principais pontos a serem tra- balhados na elaboração do projeto. 1
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    116 Aproveite e comecea responder essas questões. Isso se torna um bom exercício. Ao responder corretamente estas questões, você já passa a ter o discernimento se está no caminho correto ou ainda necessita rever alguns pontos em sua intenção de pesquisa. Compreenda que é neste momento que se começa a estabelecer os pressupostos teóricos e metodológicos. A busca por esse dis- cernimento se torna importante na operacionalização do projeto de pesquisa. Acrescente-se a isso que, quanto maior for o conhe- cimento e o planejamento do projeto, o maior beneficiado será o pesquisador. Você sabia que... Ao iniciar a elaboração de um projeto de pesquisa, é de extrema valia você ver como é constituída a sua estrutura organizacional? Na sequência você conhecerá a estrutura de parte textual do pro- jeto de pesquisa. É aqui que se concentra a principal e mais impor- tante parte do projeto. É onde as ideias e as propostas de pesquisa são formalizadas. Ela não é uma estrutura fixa, pois existem outros modelos ou formas de elaborar um projeto de pesquisa. O que fazer? - definição do tema do problema Por que fazer? - justificativa da escolha do problema Para que fazer? - propósitos do estudo – objetivos Quando fazer? - cronograma de execução Onde fazer? - local: campo de pesquisa Com que fazer? - recursos: custeio Como fazer? - metodologia Feito por quem? - pesquisadores
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 117 TÍTULO DO PROJETO TEMA OBJETIVOS INTRODUÇÃO PROBLEMA JUSTIFICATIVA HIPÓTESE (S) REFERENCIAL TEÓRICO METODOLOGIA CRONOGRAMA EXECUTORES ORÇAMENTO Agora conheça essa estrutura e cada tópico a interagir, começando a escrever o seu projeto. Título do Projeto O título de um projeto de pesquisa é caracterizado como o primei- ro contato que o leitor terá em relação ao seu objeto de estudo. Poderia também ser entendido como o “cartão de visita”, ou ainda, como um resumo do tema a ser pesquisado. É importante saber que ele deve expressar os aspectos essenciais da pesquisa, representa- dos pelos objetivos da pesquisa, tendo como referencial a delimita- ção e a abrangência temporal do que se pretende pesquisar. Ao expressar o propósito maior do projeto ele necessita ser claro, conciso e abrangente para permitir uma adequada compreensão do que se pretende pesquisar, não ultrapassando o limite de duas linhas. Outra questão importante a ser observada refere-se a não utilização de palavras supérfluas, tais como, abreviaturas, introdu- ção, fórmulas, entre outras tantas. Ela é dividida em sete momentos assim determinados:
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    118 É também essencialsaber que o título, em algumas vezes, virá acompanhado de um sub-título. Isto ocorre quando se busca tornar o título mais específico. Neste caso, recomenda-se a utilização de dois pontos entre ambos. Agora elabore o seu título baseado na sua intenção de pesquisa. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Veja a próxima etapa. INTRODUÇÃO Observe que a Introdução é considerada como o primeiro diálogo entre você e o leitor. Ela é composta por uma infinidade de vozes advindas de seus interlocutores, tanto quanto as de uma biblio- teca. Também ocorre nesse momento a contextualização da pes- quisa, pela qual você vai demonstrar a sua inserção no contexto científico. Para isso, ela deve ser capaz de proporcionar ao leitor uma visão global do pretendido, ressaltando o real motivo da origem da pes- quisa e indicando as razões que o levaram a pesquisar este fenô- meno. Duas perguntas básicas devem permear a Introdução, as quais, de certo modo irão ajudar a delinear o fenômeno a ser pesquisado. 1 O título de um projeto de pesquisa pode ser considerado como o xeque-mate em um jogo de xadrez. Ele é um referencial importante na contextualização do que se pretende pesquisar.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 119 Ao responder as questões acima, você traçará os primeiros deline- amentos da sua pesquisa. Em linhas gerais, ela deve conter uma breve contextualização do tema, como esse se encontra em re- lação a área pesquisada (estudo da arte), com a apresentação do problema e hipótese(s), dos objetivos e da justifi cativa a serem alcançados. Tópicos esses que você verá a seguir. TEMA Em razão de ser o primeiro momento de um trabalho científico, a contextualização do tema no processo de uma pesquisa se torna muito importante. Cervo (2007, p.73) ao contextualizar o seu entendimento sobre tema declara que “o tema de uma pesquisa é qualquer assunto que necessite melhores definições, melhor precisão e clareza do que já existe sobre ele”, o qual pode surgir de interesses particu- lares ou profissionais. Tome alguns cuidados na escolha do tema. Observe-os: 1. Leve em conta o material bibliográfico que se encontra disponível a respeito do tema a ser pesquisado; 2. Evite temas que já estão exaustivamente estudados; 3. Fixe a sua extensão, limitando o assunto a ser focalizado; 4. Indique sobre que ponto de vista vai focalizá-lo. Não esqueça que neste instante você deve apresentar uma expli- citação a respeito da pertinência e da relevância social e acadê- mica, em razão dos interesses pessoais que se fazem presentes na pesquisa, quer sejam de ordem técnica, financeira, social ou institucional. Lembre-se que, independentemente de sua origem, a apresenta- ção do tema é de fundamental importância no processo da conse- cução de um projeto de pesquisa. É considerada como o ponto de partida do processo investigativo. O QUE SE VAI FAZER? POR QUÊ ?
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    120 PROBLEMA QUAL? QUÊ? COMO?QUANDO? Você já definiu o tema. Agora avançará mais um pouco, verá so- bre o problema, também conhecido como “questão de pesquisa”. Independente da maneira como é conhecido, ele é considerado como fundamental em qualquer projeto. Sem um problema bem delineado, dificilmente você terá uma pesquisa de qualidade. Cer- vo (2007, p.75) ao referenciar sobre problema entende que: “pro- blema é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma solução”. Na elaboração de um problema atente-se ao fato de que o mes- mo deve ser formulado de uma maneira clara, exata e objetiva. Deve-se também evitar termos inexpressivos que possam provo- car uma diversidade de entendimento. Neste sentido, atente-se para o seguinte: Não há regras específi - cas para a elaboração de um problema. Sugere-se que ele seja elaborado em forma de pergunta. Saiba que o problema não vem pronto. Quem o contextualiza é o próprio autor, baseado em questionamentos feitos a partir de um assunto a ser estudado. Ele pode ser extraído da revisão da litera- tura ou da sua experiência. No entanto, a revisão de literatura é outro momento considerado como importante na consecução de um problema. Essa afirmativa baseia-se no fato da necessidade de conhecer para poder investigar. Gil (2008, p. 35) ao abordar sobre a relevância do problema des- taca que: Um problema será relevante em termos científicos à medida que conduzir à obtenção de novos con- hecimentos. Para se assegurar disso, o pesquisador necessita fazer um levantamento bibliográfico da área, entretanto em contato com as pesquisas já realizadas, verificando quais os problemas que não foram pesquisados, quais os que não o foram ad- equadamente e quais os que vêm recebendo res- postas contraditórias.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 121 Para atender esse aspecto aventado por Gil, a revisão de literatura mostra as contribuições já existentes sobre o que se pretende pes- quisar e, assim, estabelecer a delimitação do problema. Ninguém consegue investigar algo que não tem um prévio conhecimento. Outras questões devem ser respondidas por você com o objetivo de ter um problema bem elaborado. Rudio (2000) destaca algumas destas questões. Trata-se de um problema original e relevante? __________________________________________________ __________________________________________________ Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim? __________________________________________________ __________________________________________________ Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo? __________________________________________________ __________________________________________________ Existem recursos financeiros para o estudo? __________________________________________________ __________________________________________________ Há tempo suficiente para investigar tal questão? __________________________________________________ __________________________________________________ Escreva um problema de pesquisa! HIPÓTESE (S) A hipótese, ou pressupostos, tem um papel significativo no projeto de pesquisa. Elaborada após o problema, busca encontrar uma pos- sível solução para o problema aventado. Outra questão importante em relação à hipótese está vinculada ao fato dela, na tentativa de responder ao problema, levantar e ofere- 1 2 3 4 5
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    122 cer outras informaçõespertinentes ao fenômeno estudado, servindo também como uma base na definição da metodologia a ser aplicada. Cervo (2007, p 79) ao tratar das nuances da hipótese destaca que a mesma “orienta a execução da pesquisa. Por isso, os termos emprega- dos na hipótese devem esclarecer, com o máximo de precisão, o que eles significam no contexto concreto e objetivo da pesquisa a ser feita”. Como nos outros tópicos, torna-se necessário que o pesquisador ao elaborar a hipótese o faça de forma clara, objetiva e específica. Assim, você pode observar que o processo de sua elaboração é de natureza criativa. Desta maneira, não é possível estabelecer regras para a sua construção. Atente-se que é preferível ter uma hipótese simples a uma mais complexa. O importante é a articulação dessa resposta para o problema formulado por você. Outro fato interessante a respeito da construção de hipótese está re- lacionado com aquelas palavras que envolvem julgamentos de valor. Essas não podem ser adequadamente testadas. Seria o exemplo das palavras a seguir: bom, mau, deve, deveria. HIPÓTESES NÃO são perguntas, mas SIM AFIRMAÇÕES. RESPOSTAS provisórias a perguntas realizadas. Mesmo considerando a sua relevância ao enfocar os possíveis resul- tados que se espera encontrar, a hipótese não é obrigatória. Muitos orientadores refutam a ideia de que a mesma se faça presente. Outra questão significativa em relação à hipótese é que ela pode ser analisada entre suas variáveis. Para isso, é preciso que pelo menos uma delas já tenha sido fruto de conhecimento científico. Escreva a sua hipótese de pesquisa! __________________________________________________ __________________________________________________ 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 123 Objetivos PARA QUÊ? Outro tópico considerado muito importante em um projeto de pes- quisa refere-se à elaboração dos objetivos. Sua importância está circunscrita na função precípua de nortear as ações de um pesqui- sador. Eles devem ser construídos em relação direta com o proble- ma aventado. A definição de um objetivo de pesquisa é considerada como um fator de suma importância neste contexto. Sem ele, não é viável a realização de um trabalho científico. Pode-se até afirmar que a sua clara definição colabora em muito na tomada de decisões. Os maiores cuidados que você deve ter na elaboração dos objetivos referem-se na aplicabilidade dos verbos, pois eles indicam ação. Lembre-se que os objetivos estabelecem as metas a serem atin- gidas num determinado espaço de tempo. A sua redação deve ser clara e exequível. Quando ele é bem formulado, oferece uma base sólida para a seleção do método a ser aplicado. No que diz respeito às formulações dos objetivos, Richardson (2008, p.63-4) destaca três momentos como importantes: 1ª) O objetivo deve ser claro, preciso e conciso; 2ª) O objetivo deve expressar apenas uma ideia. Em termos gramaticais, deve incluir apenas um su- jeito e um complemento; 3ª) O objetivo deve se referir apenas à pesquisa que se pretende realizar […]. A seguir você conhecerá uma série de verbos que podem ser utili- zados quando a pesquisa tem por objetivo:
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 125 Saiba que os objetivos de uma pesquisa são divididos em dois mo- mentos: Geral e Específicos. OBJETIVO GERAL Normalmente redigido em uma única frase e utilizando o verbo no infinitivo, o objetivo geral deve ser alinhado diretamente com o problema aventado na proposta de pesquisa. Como ponto de partida, visando instituir um objetivo geral consistente, é necessário estabelecer metas mais específicas dentro do trabalho. São elas que conduzirão ao desfecho do objetivo geral. Usualmente, um projeto é trabalhado com um único objetivo geral. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Considerados como estratégias para atingir e aprofundar as inten- ções determinadas pelo objetivo geral. Devem ser escritos numa ordem lógica de ação, pois definem os diferentes pontos a serem abordados. Cuidados especiais terão que ser tomados por ocasião da elabora- ção dos objetivos específicos: 1º O número de objetivos. Recomenda-se a utilização de três a cinco objetivos específicos; 2º O cuidado de que os mesmos não sejam novos objetivos gerais; 3º A vinculação com a(s) hipótese(s). No tocante a esta recomen- dação lembre-se sempre que para cada hipótese aventada é necessário um objetivo específico. Portanto, quanto mais hi- póteses, mais complexa é a pesquisa.
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    126 Você deve ternotado a importância de bem contextualizar os ob- jetivos. Mas não esqueça que por ocasião da sua elaboração, sejam eles classificados como gerais ou específicos, devem ter uma carac- terística comum: serem modestos e plausíveis, pois são mais fáceis de serem alcançados. Nesta altura você já está pensando em como elaborar os objetivos de seu objeto de estudo. Então vamos lá. Elabore um objetivo geral e quatro objetivos específicos relacionados ao seu tema! Objetivo Geral: ____________________________________ __________________________________________________ Objetivos Específicos: _______________________________ __________________________________________________ Justificativa: _______________________________________ __________________________________________________ 1 POR QUÊ? Neste momento é que você vai apresentar para a comunidade cien- tífica quais os motivos pelos quais o levaram a propor esta pesquisa e principalmente demonstrar a relevância que esta tem no contex- to social e acadêmico. A justificativa deve exultar a importância social, teórica e científica do tema a ser pesquisado. Poderia ser entendida aqui como o convencimento a ser consignado sobre a importância da real efetivação da pesquisa. Observe que a elaboração da justificativa centra-se em alguns questionamentos. Esses devem conduzir para a exposição dos re- ais motivos que o levaram a decidir pelo tema e da finalidade da pesquisa.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 127 O tema é relevante? Por quê? O trabalho é inédito? Qual o vínculo do autor com o tema a ser pesquisado? Que motivos a justificam? Quais as contribuições que a mesma trará para a ciência e para a sociedade? Quais são os pontos positivos que ela apresenta? Quais pontos positivos você percebe na abordagem da proposta? A partir das respostas destas questões, o leitor vai ser cativado para avançar na leitura do seu projeto e consequentemente demonstrar o interesse pelo que você está escrevendo. Tome cuidado em não responder o que vai ser buscado no trabalho de pesquisa. Isso ocorre quando pesquisadores não têm argumentos suficientes para mostrar a importância de seu objeto de estudo. No que diz respeito à redação da justificativa, saiba que a mesma deve ser pessoal, com uma linguagem clara, concisa e coerente. Saliente os motivos pelos quais a sua pesquisa é relevante e opor- tuna. Relevante para quem? Por que oportuna? Baseado nas questões acima, elabore a justificativa do seu tema. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Encerra-se aqui a parte referente à introdução. Agora você passará para outra parte do projeto que aborda sobre o referencial teórico. 1
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    128 O QUE JÁFOI ESCRITO SOBRE O ASSUNTO ? REFERENCIAL TEÓRICO Neste tópico você verá considerações sobre o referencial teórico. Ele é considerado fundamental na contextualização de uma pes- quisa. Para isto, ele traz como escopo em sua estrutura as fontes necessárias para o aprofundamento da discussão sobre o tema es- colhido por você. O referencial teórico também recebe as seguintes denominações no meio acadêmico: revisão bibliográfica, marco referencial, marco teórico referencial, revisão teórica, fundamentação bibliográfica, entre outras. Mesmo com todas essas denominações, ele tem sempre o ob- jetivo de proporcionar uma fundamentação teórica, histórica, do estado da arte ou metodológica consistente sobre o objeto contextualizado. Luna (2002, p. 80) ao tratar sobre os objetivos da revisão de litera- tura enfatiza a sua importância para o contexto da sistematização do projeto ao destacar que “uma revisão de literatura é uma peça importante no trabalho científico e pode, por ela mesma, consti- tuir um trabalho de pesquisa”. Assim, Luna ao referenciar a revisão de literatura como um fator intrínseco para o projeto de pesquisa destaca que esta deve rece- ber um dos seguintes tratamentos.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 129 Estado da Arte Corresponde “descrever o esta- do atual de uma área de pes- quisa: o que já se sabe, quais as principais lacunas, onde se en- contram os principais entraves teóricos e/ou metodológicos” Luna (2002, p. 82). Revisão Teórica Traz como objetivo “circuns- crever um dado problema de pesquisa dentro de um quadro de referência teórico que pre- tende explicá-lo” Luna (2002, p. 83). Destaca também que “neste caso específico, o pro- blema tem origem num quadro teórico que lhe dá, suposta- mente, coerência, consistência e validade” Luna (2002, p. 83). Revisão de Pesquisa Empírica Neste tópico enfatiza que “uma das funções mais impor- tantes desse tipo de revisão é a explicação de como o pro- blema em questão vem sendo pesquisado, especialmente do ponto de vista metodológico” Luna (2002, p. 85). Revisão Histórica Demonstra que essas “são ex- tremamente importantes, mas, infelizmente, raras. Seu princi- pal objetivo é a recuperação da evolução de um conceito, área, tema etc. [...]” Luna (2002, p. 87). Tenha em mente a importância que esta revisão de literatura pos- sui na elaboração do projeto de pesquisa. Pois, ela favorecerá a definição de contornos mais precisos por ocasião de estabelecer o que se sabe sobre o objeto, provendo o pesquisador de um emba- samento teórico e metodológico consistente quando da discussão do objeto de estudo. Nessa fase, recomenda-se que o pesquisador responda algumas questões, que de certo modo ajudará na elaboração do referido material.
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    130 Silva e Menezes(2001, p.30) destacam as seguintes questões: 1ª Quem já escreveu sobre o assunto? 2ª O que já foi publicado sobre o assunto? 3ª Que aspectos já foram abordados? 4ª Quais as lacunas existentes na literatura? Atente-se para o fato de que uma revisão da literatura mal elabo- rada, incompleta ou feita de afogadilho, pode ocasionar um des- perdício de tempo e consequentemente de recursos. Gil (2008, p. 60) ao referenciar o uso da biblioteca destaca: Parte considerável do trabalho de pesquisa con- siste na utilização de recursos fornecidos pelas bibliotecas. Isso é verdadeiro não apenas para as pesquisas caracterizadas como bibliográficas, mas também para os demais delineamentos. Qualquer que seja a pesquisa, a necessidade de se consultar material publicado é imperativa. [...] também se torna necessária a consulta ao material já publi- cado tendo em vista identificar o estágio em que se encontram os conhecimentos acerca do tema que está sendo investigado. Onde localizar o material para elaborar o referencial teórico Uma boa técnica para você executar quando estiver nessa etapa é utilizar-se de fichamentos/apontamentos, juntamente com co- mentários pessoais, objetivando acumular e organizar as ideias relevantes já produzidas pela ciência. Tópico que você verá na unidade quatro. Nos dias atuais, a facilidade de encontrar um material bibliográfico condizente para dar uma sustentação teórica de um projeto de pesquisa tornou-se muito fácil.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 131 Entre outros tantos meios você vai encontrar: LIVROS Os livros proporcionam um bom refe- rencial para iniciar um projeto de pes- quisa. Deve-se dar preferência para as obras científicas. REVISTAS / PERIÓDICOS Nos dias atuais, existe um número sig- nificativo de revistas/periódicos cien- tíficos que abordam os mais diversos temas. São publicações editadas com uma frequência regular. TESES E DISSERTAÇÕES São consideradas como uma fonte de excelência. Fáceis de serem localiza- das e até mesmo de obtê-las por meio de consultas em sites (ex.: http:// www.diaadiaeducacao.pr.gov.br), em sites das universidades que oferecem cursos de pós-graduação ou no da CA- PES (http://www.capes.gov.br). BASE DE DADOS Outro espaço considerado como uma fonte de informação prioritária para a obtenção de dados referentes ao tema a ser pesquisado. Agora que você já tomou ciência da importância do referencial teórico, comece a levantar o material relacionado ao seu tema. METODOLOGIA Como? Com quê? Onde? Essas são as perguntas básicas que compõem a metodologia, as quais devem ser respondidas por ocasião da elaboração da metodo- logia. Nessa etapa é que se esquematizará a execução da pesquisa e o desenho metodológico que se pretende adotar. Para isso, será necessário relacionar os procedimentos e pressupostos técnicos a serem utilizados. No entanto, esses procedimentos e pressupostos
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    132 não deverão setornar uma amarra cujos ditames sejam considera- dos como um empecilho a criatividade do pesquisador. A metodologia é considerada uma das partes mais intensas de um projeto, juntamente com a revisão de literatura, pois ela deve apresentar, a um só tempo, um conjunto de itens e de instrumentos de forma detalhada e sequencial, de técnicas e métodos a serem utilizados ao longo da pesquisa. Minayo (2007, p. 47) ao abordar sobre os aspectos metodológicos de uma pesquisa declara que: A seção de metodologia contempla a descrição da fase de exploração de campo (escolha do espaço da pesquisa, critérios e estratégias para escolha do grupo/sujeitos de pesquisa, a definição de méto- dos, técnicas e instrumentos para a construção de dados e os mecanismos para entrada em campo), as etapas do trabalho de campo e os procedimen- tos para análise. Um aspecto considerado importante seria a definição das etapas anteriores para melhor formular os instrumentos metodológicos. Ou seja, a revisão da literatura, o problema, a(s) hipótese(s), os objetivos e a justificativa. Pois, só assim será possível estabelecer com fidedignidade os caminhos a serem utilizados. Observe que nesse tópico você deverá informar as seguintes questões: MÉTODO EMPREGADO Dedutivo - Indutivo - Hipotético - Dedutivo - Dialético - Fenomenológico NATUREZA DOS DADOS Básica - Aplicada ABORDAGEM DO PROBLEMA Qualitativa - Quantitativa OBJETIVOS Expositiva - Descritiva - Experimental PROCEDIMENTOS TÉCNICOS Bibliografia - Documental - Experimental - Levantamento - Estudo de Caso Você também poderá encontrar na bibliogra- fia sobre projetos as seguintes terminologias: Procedimentos Meto- dológicos ou Materiais e Métodos. aqui não importa a denominação, mas sim o conteúdo.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 133 Além desses momentos já vistos em delineamento da pesquisa, existem outros que também deverão ser inseridos no capítulo refe- rente à metodologia. Entre esses temos: Coleta de dados Ao se indagar a realidade, com o objetivo de obter dados, faz-se com que a coleta de dados seja considerada por muitos pesquisa- dores como um dos momentos mais importantes de todo o processo científico. A qualidade da informação que se deseja obter junto à população pesquisada é considerada como o suporte científico para a contextualização da produção intelectual. Para que a sua coleta de dados atinja um patamar aceitável cien- tificamente é necessário estar atento para alguns quesitos, assim elencados: 1º Quem deve ser entrevistado? Tamanho da amostra, características que serão pesquisadas. 2º Qual é o melhor instrumento de coleta de dados a ser utilizado para o grupo escolhido? 3º Formular as questões, quando for o caso, com clareza. 4º Assegurar a privacidade dos entrevistados. 5º Não direcionar as respostas. 6º Evitar perguntas com duplo sentido. 7º Evitar perguntas com jargões, terminologia técnica ou gírias. 8º Evitar perguntas emocionais ou negativas. 9º Realizar um pré-teste do material a ser utilizado. Ao lançar mão dos instrumentos para a coleta de dados é interes- sante que os registros obtidos sejam organizados e sistematizados para que você possa utilizá-los de uma maneira adequada. Características da População Nesse item é interessante caracterizar a população que será estu- dada. Atente-se que a população represente um conjunto de obje- tos ou de indivíduos, os quais apresentam determinadas caracterís- ticas que podem ser representadas por uma unidade física ou por indivíduos. Por exemplo, se você vai estudar o comportamento dos
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    134 alunos do cursode Licenciatura em Educação Física a distância nas aulas práticas a população seria todos os alunos daquele curso. E a amostra poderia ser uma parcela destes alunos. Importante ressaltar o que Minayo (2007, p. 47) declara a este res- peito. “O campo de observação precisa ser definido, entendendo- o como os locais e sujeitos que serão incluídos, o porquê destas inclusões (critérios de seleção) e em qual proporção serão feitas” (destaques da autora). Amostra da População Considerando que nem sempre é possível analisar a população como um todo, a amostra configura-se como elemento essencial nestes casos. Minayo (2007, p. 48) ilustra bem esse argumento ao demonstrar que existem dois tipos de amostra: As probabilísticas (quando todos os elementos de uma população possuem probabilidade conhecida e não-nula de participarem da amostra escolhida) e as não probabilísticas. Atente-se para o fato de que na sua pesquisa você precisa definir a amostra que será usada para coletar informações sobre sua temá- tica. Este procedimento garante uma delimitação necessária para a pesquisa. Instrumentos de coleta de dados Os instrumentos de coleta de dados mais comumente utilizados em pesquisas são: questionário, entrevista, observação e recursos documentais. Entende-se que ao utilizar um desses instrumentos o sujeito pesquisado pode informar ou demonstrar de forma direta as suas ações e entendimento sobre o assunto a ser pesquisado. Em relação à escolha dos instrumentos, Vasconcelos (2002, p. 209) diz que: [...] a escolha dos instrumentos e das fontes de informação e dados não deve ser aleatória ou apenas fruto do desejo ou das competências téc- nicas especificadas do pesquisador ou consultor. Ela deve ser criteriosa e levar em conta algumas regras básicas.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 135 Em relação a estas regras básicas, Vasconcelos (2002, p. 209) apre- senta o seguinte quadro: a) Ser coerente com a estrutura teórico-técnica do projeto [...]; b) Levar em conta a disponibilidade e acessibili- dade aos dados sob investigação; c) Levar em conta e se adequar às características específicas dos indivíduos, da população, do ambi- ente ou organização sob investigação, inclusive ao tamanho da amostra necessária e as condições do contato para coleta de informação; d) Levar em consideração os recursos humanos, fi- nanceiros, técnicos de análise [...] e) Ser coerente com a estratégia institucional e com as questões éticas definidas no planejamento do projeto. A decisão de qual instrumento você deve utilizar vai depender em muito do porte e/ou da abrangência que vai ser dada à pesquisa em si. Atente-se ao fato de que qualquer um dos instrumentos utiliza- dos para o registro e medição dos dados é necessário preencher os seguintes requisitos: validez, confiabilidade e precisão. Em relação aos instrumentos de coleta de dados observe o se- guinte: Questionário Constitui-se de uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito, sem a interferência do pesquisador. A sua linguagem deve ser simples, direta, clara e limitada. É considera- do, juntamente com a entrevista, como um dos instrumentos mais utilizados pela comunidade de pesquisadores. Vasconcelos (2002, p. 222) demonstra que: [...] a confecção de questionários, que a primeira vista parece ser simples, exige um treinamento prévio e uma cuidadosa avaliação das característi- cas do tema, da cultura da população amostrada e da linguagem envolvida no fenômeno.
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    136 De acordo coma categoria das perguntas o questionário pode ser classificado desta maneira: Questões Fechadas Apresentam respostas fixas - sim/não ou falso/verdadeiro. Questões abertas Modelo no qual o pesquisador esta interes- sado na opinião mais elaborada do infor- mante sobre o assunto. Questões mistas O pesquisador pode obter informações e opiniões mais elaboradas. Ao aplicar um questionário recomenda-se que o tempo necessário para seu preenchimento não ultrapasse uma hora. ENTREVISTA Por fornecer uma quantidade considerável de informações, a entre- vista é considerada como um instrumento flexível para a obtenção de dados. A sua forma estrutural centra-se em quatro momentos a seguir especificados: entrevistador, entrevistado, local da entrevis- ta e roteiro. Vasconcelos (2002, p. 220) destaca que a entrevista: [...] é especialmente adequada para obter infor- mações sobre o que as pessoas e grupos sabem, acreditam, esperam, sentem e desejam fazer, fazem ou fizeram, bem como suas justificativas ou representações a respeito desses temas. Ela pode ser contextualizada da seguinte maneira: Estruturada Onde o pesquisador elabora uma série de questões que visam obter dados uniformes para uma eventual comparação entre os mes- mos. Semiestruturada Onde o pesquisador parte de um roteiro bási- co, mas permite que a entrevista aborde ou- tros assuntos que vão surgindo em relação ao tema principal. De livre narrativa Onde não há questões formuladas previa- mente e o entrevistado fala livremente sobre o assunto.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 137 Atente-se para o fato que a entrevista oportuniza uma estreita re- lação com o entrevistado. Observação É uma técnica que consiste em examinar, presencialmente, de for- ma criteriosa e seletiva a realidade a ser estudada, observando a descrição dos sujeitos e das atividades, os diálogos e os comporta- mentos individuais. Vasconcelos (2002, p. 219) ao referenciar a coleta de dados com ênfase na observação destaca que: [...] é importante lembrar que em qualquer proc- esso de observação a relação entre o observador e o mundo observado é bastante crítica e precisa ser cuidadosamente planejada e ter suas implicações sistematizadas e incluídas na própria análise do fenômeno. Atente-se que esse modelo de coleta de dados pode ser contextu- alizado de duas formas: Observação simples Quando o pesquisador faz sua observação de uma maneira informal, assume uma relação mais ex- terna com o fenômeno a ser observado. Observação participante Nesta categoria o pesquisador participa na situa- ção pesquisada, assumindo papéis dentro do fenô- meno estudado. Em ambas as situações, todos os possíveis dados reveladores tais como conflito, diálogos, problemas devem ser avaliados pelo pes- quisador. Registros documentais O instrumento de coleta de dados centrado em registro documen- tal é considerado como uma das primeiras formas a ser considerada pelo pesquisador. Por ser estável, essa forma de coleta de dados oportunizará a redução de tempo e custo para o pesquisador. Aqui você pode utilizar a pesquisa bibliográfica e/ou documental.
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    138 CRONOGRAMA QUANDO? Tendo como basea pergunta “QUANDO”, o cronograma é o espaço pelo qual você representa o tempo necessário para execução do projeto. Nele são especificadas todas as etapas da pesquisa, bem como, a duração de cada uma delas. As apresentações das etapas devem ser feitas em ordem de execução. Ao dimensionar cada fase da pesquisa atente-se sempre para o fato de que a utilização do tempo deve ser a mais racional possível. Ao delinear a sequência da investigação, o cronograma pode con- ter uma série de etapas. É possível que duas etapas tenham que ocorrer simultaneamente. Para uma boa visualização do cronogra- ma, recomenda-se o uso de tabelas. Esta tabela pode ser dividida em dias, semanas, meses, ou ainda por alguma outra forma que venha contemplar os anseios do pesquisador. No cronograma devem constar: planejamento, estudos explora- tórios (se for o caso), aquisição de equipamentos, montagem do laboratório, padronização das técnicas (se for o caso), coleta de dados, organização dos dados, análise e interpretação, elaboração de relatórios (parcial/final). Veja exemplo montado para você: ATIVIDADE ANO - 2009 ANO-2010 MAR. ABR. MAL. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ. JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. Escolha do tema Elaboração do Projeto Revisão da literatura Fichamen- to das lei- turas Redação da metodolo- gia Coleta de dados Análise da coleta de dados R e d a ç ã o final Apresenta- ção
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 139 QUEM VAI FAZER ? Esse tópico constitui-se como um elemento obrigatório. Deve fi- gurar o nome do pesquisador, a sua filiação institucional, a linha de pesquisa pretendida. Se for possível deve constar o nome do Orientador e Co-orientador. ORÇAMENTO QUANTO CUSTA ? O orçamento de um projeto de pesquisa deve ser elaborado de forma detalhada em relação aos gastos para o desenvolvimento da pesquisa. EXECUTORES Exemplo : Material de Consumo ITEM QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL Papel A4 5000 CD 05 Cartucho para impressora 02 SUBTOTAL Material Permante ITEM QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL Mesa Cadeira SUBTOTAL XXX
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    140 As rubricas devemarrolar gastos de consumo, de terceiros, de outros serviços e encargos e gastos com material permanente. Os valores devem ser expressos em moeda corrente. Apesar de ser necessário somente em pesquisas que solicitam apoio financeiro para a sua execução junto a Agências de Fomento à Pes- quisa ou outros órgãos congêneres, entende-se que ele é de suma importância. Por isso, não deve ser contextualizado simplesmente por mera formalidade. Serviços de Terceiros ITEM QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL Digitação X Correção de Português X Correção das Normas ABNT X Fotocópias SUBTOTAL XXX Quadro resumo do orçamento RUBRICAS TOTAL MATERIAL DE CONSUMO MATERIAL PERMANENTE SERVIÇOS DE TERCEIROS TOTAL GERAL
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 141 1 REFERÊNCIAS Esse tópico tem a finalidade de relacionar todas as referências uti- lizadas na execução do projeto de acordo com as normas emanadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em especial as Normas Brasileira (NBR) 6023:2005. A finalidade de constar as referências seria a de permitir ao leitor do projeto verificar as fontes de informações usadas na sua elabo- ração, permitindo recuperar e confrontar dados. Um cuidado especial deve ser tomado com relação às fontes ele- trônicas, especialmente as provenientes da Internet. Todas elas devem ser referenciadas com a data da consulta e impressas para documentação, pois são feitas muitas modificações nesse tipo de meio. Acrescente a isso que a redação em um projeto de pesquisa deve utilizar o verbo no tempo futuro, bem como, a apresentação deve ser na mesma ordem em que será desenvolvida. Formem grupos de quatro colegas e apresentem seus projetos de pesquisa. Seria interessante que após a apresentação seus colegas fizessem comentários a respeito de sua proposta. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________
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    142 SÍNTESE Nesta unidade procuramosmostrar a você a contextualização de uma pesquisa científica. Por mais complexo que seja o seu entendi- mento, na primeira seção você tomou conhecimento da premência que o homem tem em prover-se de instrumentos adequados para interagir no seio da sociedade desde os primórdios da civilização, em razão da necessidade de obter novos conhecimentos. Vimos também a classificação da pesquisa. O delineamento apre- sentado centrou-se em pressupostos teóricos entendidos como clássicos dentro deste processo. Você viu como a pesquisa pode ser classificada dentro de seus diversos aspectos: quanto à natureza; do ponto de vista da abordagem do problema; dos seus objetivos e dos seus procedimentos técnicos. Lembramos que o delineamento da pesquisa é considerado pelos pesquisadores como um fator de suma importância na elaboração de um projeto de pesquisa. Outro fator importante a ser lembrado é que este deve atender aos pres- supostos teóricos determinados e de estar em plena conexão com o problema e hipóteses que se almeja discutir. Após a caracterização de cada etapa deste delineamento, você viu o foco voltado para o planejamento da pesquisa. Com o avan- ço sistemático da ciência e de novos paradigmas instados a todo o momento em nossas vidas, buscou-se mostrar a importância de bem planejar as ações voltadas para a pesquisa científica. Ao bem planejar a sua pesquisa científica, com o intuito de construir um caminho seguro entre a proposta inicial e o relatório final, com certeza, você evitará uma série de transtornos e contratempos. Esse ato, de bem planejar, virá proporcionar uma sustentabilidade acadêmica aos objetivos propostos. Você deve ter observado que desde o início desta unidade foi rece- bendo informações sobre os caminhos a serem seguidos para que obtenha sucesso por ocasião da elaboração do projeto de pesqui- sa. Tomou conhecimento sobre o que é pesquisa, seu delineamen- to, suas etapas, e por último, da contextualização de um projeto de pesquisa.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 3 143 Essa caminhada traz em seu contexto um objetivo principal: de- monstrar a você que o projeto é um processo dinâmico e que deve atingir um possível grau de precisão para a execução da pesquisa. Sequencialmente, você trabalhou com a parte textual do projeto re- presentado pela Introdução - tema, objetivos, problema, hipótese, jus- tificativa, considerada como o primeiro diálogo entre você e o leitor. Após esta primeira etapa, você trabalhou com o referencial teórico cujo objetivo é o de proporcionar uma fundamentação teórica, his- tórica, do estado da arte ou metodológica consistente sobre o obje- to contextualizado. Na sequência, empregou esforços para estabe- lecer a metodologia a ser seguida em seu trabalho. Outro momento significativo na elaboração do projeto, pois é aqui se esquematiza a execução da pesquisa e o desenho metodológico que se pretende adotar. Posteriormente determinou o cronograma, os executores e o orçamento, fechando desta maneira o ciclo de um projeto. Desse modo, você, nesta unidade, teve a oportunidade de come- çar a esboçar o seu projeto de pesquisa. Agora convido você para juntos irmos para a próxima unidade onde você conhecerá as dire- trizes para a elaboração e apresentação de trabalhos acadêmicos. Releia a seção 01 e re-elabore o seu conceito de pesquisa científica. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Descreva os motivos pelos quais você irá pesquisar! __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Releia a seção 02 e descreva as principais diferenças entre uma pesquisa qualitativa e quantitativa, relacionando com as demais classificações. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1 2 3
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    144 Lendo a seção03 você ficou sabendo a importância de realizar um planejamento. Explique qual a importância do planejamento na sua pesquisa. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Tendo como referência a seção 4, pesquise em livros sobre metodologia e explique como poderão ser elaborados os seguintes tópicos: a. Tema; b. Problema; c. Hipótese; d. Objetivos; e. Justificativa; f. Referencial Teórico; g. Metodologia; h. Cronograma. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 4 5
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 3 145 ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ Anotações
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    unidade ObjetivoS dESTA unidade: Realizara leitura metódica de textos referentes à sua área de formação; Usar e construir fichamentos das leituras de diversas obras, principalmente de resumo, bem como promover uma análise crítica das leituras por intermédio da elaboração de resenhas. 4 Diretrizes para elaboração e apresentação de trabalhos ROTEIRO DE ESTUDOS • SEÇÃO 1 – Leitura • SEÇÃO 2 – Fichamento • SEÇÃO 3 – Resumos • SEÇÃO 4 – Resenhas • SEÇÃO 5 – Comunicação científica Antonio Carlos Frasson Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
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    148 PARA INÍCIO DECONVERSA Você estudou na unidade três a pesquisa científica. Nesta seção, você identificará formas de organizar a leitura de textos da sua área. Para tanto, você terá como roteiro as obras de Medeiros (2005), Marconi e Lakatos (1987) Quivy e Campenhoudt (1992). Nesta unidade, você centrará a atenção nos tipos de leitura, como forma de obtenção de conhecimentos, tendo como foco a articu- lação da construção do seu conhecimento, via o conhecimento científico, realizando os registros em formas de fichamentos. Além disso, você verá critérios para realizar o resumo dessas obras, bem como terá informações para a confecção de resenhas. No quinto momento, você vai ver como se elabora a comunicação científica. SEÇÃO 1 LEITURA Medeiros (2005) apresenta a prática de leitura como um processo de interação entre o leitor e o autor do texto escolhido. Sobretudo pelo fato de estabelecer uma compreensão da sociedade via o pro- cesso de linguagem em contextos históricos e sociais. Você obser- vará neste autor que a leitura é seletiva. Sobretudo, questões são elaboradas para que você possa realizar uma leitura atenta. Com as questões acima, Medeiros (2005, p. 68) apresenta modos de realizar a leitura. Você deve se preparar para responder aquelas O que o a autor quis dizer? Qual a relação do texto que você leu com outros textos? Qual a relevância do texto? O que você entendeu da leitura?
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 149 questões, uma vez que o importante é saber que um texto “é uma unidade que organiza suas partes; e o contexto é a situação do discurso, ou conjunto de circunstâncias entre as quais se dá um ato de enunciação”. A questão central é você identificar o contexto dentro do enuncia- do; o conjunto de elementos que precedem e seguem o enunciado. Dito de outra forma, se não identificar a situação em que ocorre um enunciado, o leitor perde o sentido global do texto. Para isso, é necessário identificar o jogo que se estabelece entre o escritor e o leitor. O jogo de ideias enfrentado no processo de leitura. Antes de você adentrar as estratégias de leitura, visualize três ti- pos de leitor proposto por Mary Kato (apud MEDEIROS, p. 73): Leitor que privilegia o processamento descendente: apreende facilmente as ideias gerais e principais do texto, é fluente e veloz. Ponto negativo: tenta excessivamente adivinhar ideias sem confirmá-las com o texto; Leitor que privilegia o processamento ascendente: constrói o significado com base nas informações do texto. Ponto negativo: dedica-se pouco à leitura das en- trelinhas e tem dificuldades em sintetizar ideias e em separar ideias principais das secundárias. Leitor maduro: utiliza ambos os processos [...] complementarmente. Ponto forte: tem controle consciente e ativo de seu comportamento. Medeiros apresenta níveis de leitura que um bom leitor deveria praticar. Sobretudo, o texto desse autor aponta para que você se conscientize de que numa boa leitura você deverá ser capaz de identificar a incompletude de um discurso, identificá-lo como um lugar de confronto ideológico, e como tal, deve ser desvendado, de forma que pressupostos, contexto situacional e histórico, meca- nismos de produção de sentido, a intertextualidade, entre outros aspectos que possam ser privilegiados.
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    150 Apoiando-se em Molina(1992), Medeiros apresenta os níveis de lei- tura que tendem a um comprometimento com o resultado de sua leitura. São eles: Importante ressaltar que os níveis acima são cumulativos. Existem diferentes leituras que permitem uma interação entre leitor e tex- to com a identificação de múltiplos significados. Medeiros apresenta mais duas práticas de leitura. Uma apoiada em Morgan e Deese, e outra em Molina. Na primeira, a técnica é co- nhecida como SQ3R (MEDEIROS, 2005, p.80) a segunda sugere a você uma série de passo: 1. Survey (levantamento); 2. Question (pergunta); 3. Read (leitura); 4. Recite (repetição); 5. Review (revisão). Com a técnica acima você pode organizar sua leitura fazendo o levantamento do que se pretende ler, levantar as questões centrais do texto, realizar a leitura, repetir o processo reconstruindo as ideias do autor e realizar a revisão de todo o processo. Por sua vez, os passos apresentados por Molina (apud MEDEIROS, 2005, p. 80) são os seguintes: NÍVEIS DE LEITURA: 1. Leitura elementar: leitura básica ou inicial pela qual se reconhece cada palavra de uma página. 2. Leitura inspecional: Arte de folhear sistematicamente; 3. Leitura analítica: leitura minuciosa, completa [...] tem em vista o entendimento; 4. Leitura sintópica: leitura comparativa entre vários li- vros correlacionando-os entre si.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 151 Visão geral do capítulo; Questionamento despertado pelo texto; Estudo do vocabulário; Linguagem não verbal; Essência do texto; Síntese do texto; Avaliação. Veja cada um dos passos apresentados acima. Para que você obte- nha uma visão geral do capítulo, você precisa realizar uma leitura inspecional, de tal forma que você verá a estrutura do capítulo, os títulos e subtítulos. Medeiros (2005, p. 80) salienta que as seguin- tes questões deverão permear sua atenção: 1. Qual o assunto tratado no capítulo? 2. Qual a ordem das ideias expostas? O questionamento despertado pelo texto será a segunda etapa que você trilhará. Para isso, você deverá transformar títulos e subtítu- los propostos pelo autor do texto que está lendo em perguntas. A ênfase é saber fazer perguntas, e assim, proporcionar a você uma expectativa crescente quanto à leitura. O livro de Pessoa (2005), “Dissertação não é bicho-papão: desmis- tificando monografias, teses e escritos acadêmicos”, inicia com o tópico “Fazer ou não fazer a dissertação”. Você pode transformar esse tópico na seguinte questão: Por que fazer ou não uma dissertação? O estudo do vocabulário refere-se ao emprego do dicionário no sentido de empregar palavras novas e a análise das mesmas. A lei- tura deve lhe proporcionar prazer, consolidando o hábito da leitu- ra. Apoiado em Molina, Medeiros sugere que o uso do dicionário não deve ser empregado de forma imediata. Você deve primeiro tentar compreender a palavra pelo contexto em que foi empregada. Me- deiros aponta algumas pistas para que você consiga visualizar esse contexto.
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    152 As pistas seriamas expressões “isto é, ou seja, ou, aposto, ou ex- pressões que aparecem entre parênteses” (MEDEIROS, 2005, p. 82). Não conseguindo dar esse contexto recorre-se ao dicionário. Você deverá ler todo o verbete e localizar uma expressão que me- lhor se encaixa no contexto. Outro procedimento seria recorrer à etimologia da palavra. Outro passo é a linguagem não verbal. Por meio dela, você buscará o entendimento complementar no texto. Medeiros se refere a fo- tos, mapas, quadros, gráficos, tabelas etc... A ideia é olhar atenta- mente e desvelar qual a intenção daquela imagem complementar. uSE uM DICIONÁRIO 5000 4500 4000 3500 3000 HOME THEATERS Ompração entre 2004 e 2005 TOSHIBA SONY PHILIPS LG DECIFRE OS SIGNIFICADOS DOS DADOS QUANTIDADE MARCA Dia da Semana Frequência das ordenhas Duas ordenhas to- dos os dias da se- mana Somente uma ordenha pela manhâ num dia da semana Vacas não ordenha- das por um dia na semana Segunda-feira 10,45 + 0,34ª 11,24 + 0,34ª 11,47 + 0,36ª Terça-feira 10,32 + 0,34ª 9,04 + 0,34b 7,20 + 0,36c Quarta-feira 10,34 + 0,34ª 9,59 + 0,34b 10,08 + 0,36b Quinta-feira 10,31 + 0,34ª 9,75 + 0,34b 10,25 + 0,36b Sexta-feira 10,16 + 0,34ª 9,61 + 0,34b 10,12 + 0,36b Sábado 9,87 + 0,34ª 9,38 + 0,34b 9,90 + 0,36c Domingo 10,22 + 0,34ª 6,29 + 0,34c 0,00 + 0,00ª A essência do texto é alcançada por meio da complementaridade- dos passos anteriores. Chega-se a esse passo com a preocupação de identificar as ideias principais, situando você no contexto ideológi- co. Exigências Desse Estágio de Leitura: • Apreender as principais proposições do autor; • Conhecer os argumentos do autor;
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 153 • Identificar a tese do autor; • Avaliar a ideias propostas. Essencial para você seria a preocupação em localizar a ideia de cada parágrafo. Para isso, você deve sublinhar o texto. Você deve destacar as questões relevantes de tal forma que você adquira um método de marcação. As formas mais usuais, apresentadas por Aze- vedo (1993), seriam riscar o livro ou anotar numa ficha separada. O que importa é você escolher uma forma e segui-la até o final. Medeiros (2005, p. 86) propõe como foco de análise do texto “a validade das ideias, completude delas, correção de argumentos, coerência do argumento e suficiência das provas, consecução dos objetivos prometidos”. A síntese do texto é realizada por intermédio do resumo. Entenda por resumo a recriação do texto original. A ideia é a de que você chegou até aqui com a incorporação de conhecimentos e, portan- to, em condições de avaliá-lo. Molina (1999) apresenta duas formas para realizar a síntese (resumo). Uma seria oral. Meio pelo qual você irá apresentar o que reteve sobre o texto estudado e treina- rá a linguagem oral. Outra seria por escrito. Uma complementa a outra. Você deverá enfatizar o pensamento lógico-abstrato. Você dará conta de apresentar as ideias dentro de uma organização, hierarquização. SÍNTESE: oral e escrita Entre os passos apresentados, a avaliação entra como passo final. A ideia é focalizar você para o exercício da capacidade crítica, per- mitindo a autonomia no seu estudo. A ideia é que você responda as questões que elaborou com os títulos e subtítulos, como também questões que o próprio texto levantou. Questões a serem respondidas: 1. Que perguntas permanecem sem respostas? SUBLINHE OS DADOS RELEVANTES
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    154 2. Como oautor transmitiu suas ideias? 3. A linguagem é direta ou indireta? A crítica faz parte do processo. Ler um texto é compreendê-lo. Seguindo os passos dados até aqui, você estará a caminho para se transformar no que Medeiros chama de leitor competente. E como tal, você poderá ser: • Autônomo na busca de novos conhecimentos; • Ser interessado em aprender; • Ter prazer em estudar. Entre os vários tipos de leituras elencadas por Salomon (1999) e Medeiros (2005) você pode centrar-se na leitura informativa. Você deve dar ênfase a ela pelo fato de ser este tipo de leitura que o re- mete a informações, dados e fundamentações que servem de base para trabalhos científicos. Medeiros subdivide a leitura informativa em reconhecimento, sele- tiva, crítica e interpretativa. Essas subdivisões, segundo Medeiros (2005, p. 88), servirão para você obter as seguintes informações: [...] dar uma visão geral da obra; se encontrará a informação que necessita; selecionar informações necessárias; maiores preocupações quanto aos significados e esforço reflexivo e relacionar afir- mações do autor com os problemas para os quais se busca uma resposta. Para que você consiga realizar a leitura interpretativa, você deve- rá dominar a leitura informativa. Medeiros (2005, p.103) aponta para algumas capacidades de conhecimentos necessárias para isso. Seriam: “a compreensão, a análise, a síntese, a avaliação, a apli- cação”. Para cada uma dessas capacidades existe uma mensagem para você decodificar. Por exemplo, a compreensão refere-se ao entendimen- to global do texto de acordo com a visão do autor.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 155 Questões Base: 1. Que tese o autor do texto defende? 2. De que trata o texto? A análise permite a você identificar os nexos lógicos das ideias e sua organização. Ou seja, como as partes do texto estão construí- das e amarradas. Questões Chave: Quais são as partes que constituem o texto? A síntese refere-se à captação das ideias principais do texto. Você eliminará o que é secundário. Questões Chave: Quais são as ideias principais do texto? Como elas se inter-relacionam? A avaliação refere-se ao fato de você emitir um parecer de valor sobre o texto. Questões Chave: O texto é passível de crítica? Há pontos fracos? Há falhas na argumentação? Quanto à aplicação, Medeiros argumenta que serve para você ten- tar aplicar esses conhecimentos para resolver situações semelhan- tes. A ideia central é você perceber, compreender o texto e com base nele projetar novas ideias e obter novos resultados ou conhe- cimentos.
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    156 QuestÃO Chave: As ideiasexpostas no texto são passíveis de ser aplicadas em que contexto? CONTEXTO PESSOAL CONTEXTO FÍSICO CONTEXTO SOCIOCULTURAL EXPERIÊNCIA MUSEOLÓGICA EXPERIÊNCIA INTERATIVA Quanto à leitura crítica, você deverá ter um conhecimento pré- vio sobre o assunto, pois você terá que “diferenciar ideias, saber hierarquizá-las, analisar a pertinência delas, bem como o nexo que as une”(MEDEIROS, 2005, p. 104). Dessa seção, fica a mensagem e as questões que você terá que se ater para realização de uma boa leitura. No entanto, muitos desses procedimentos são realizados em momentos de estudos diversos. Pois bem, por isso você dará sequência nessa unidade ao conheci- mento sobre o fichamento, resumo e resenha. O objetivo estará vinculado ao fato de você perceber em que mo- mento e em qual documento você deverá registrar o que foi apre- endido na leitura. Dialogue com seus colegas de sala a respeito das técnicas de leitura. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 1
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 157 SEÇÃO 2 FIChAMENTO Nesta seção você verá os tipos de fichamentos que poderá realizar. O objetivo central é permitir que você visualize a necessidade de documentar e armazenar suas leituras. Sobretudo para que você possa futuramente pesquisar dados sobre o que foi lido, com o intuito de fazer análises críticas de obras que tratam de uma mes- ma temática. Mais. Serve para construir uma revisão bibliográfica sobre um tema de seu interesse. Cabe aqui salientar que com o advento das inovações tecnológicas e com o uso dos híbridos na produção do conhecimento, a maneira mais usual de armazenar informações, sobretudo de leituras reali- zadas, tem sido nos arquivos dos computadores. Pois bem, para Marconi e Lakatos (1987) a ficha é um instrumento de trabalho imprescindível para o pesquisador. As fichas permitem a organização de informações que levam o leitor a: FICHAS Identificar as obras; Conhecer seu conteúdo; Fazer citações; Analisar o material; Elaborar críticas. Recorra a Marconi e Lakatos (1987) para ve- rificar a classificação das fichas de leitura. Nessa obra, as fichas são tra- tadas num capítulo que discute sobre a pesquisa bibliográfica. A apresen- tação das fichas passa pelo aspecto físico, que engloba a composição das mesmas, o conteúdo, exemplos e fichários.
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    158 Quanto ao aspectofísico, cabe salientar que as fichas utilizadas para indicações bibliográficas ou para resumo eram apresentadas em três tamanhos (pequenas 7,5cm X 12,5 cm, médias 10,5 cm X 15,5 cm e grandes 12,5 cm X 20,5 cm). No entanto, cabe relembrar que a utilização dos modelos encontrados nos computadores tem proporcionado a opção da supressão da compra dessas fichas. Quanto à composição das fichas, importante você perceber a utili- zação de três partes: PARTES DA FICHA: a) Cabeçalho. b) Referências c) Corpo ou texto. Cabeçalho Título genérico (remoto e próximo); título específico; número de classifi- cação e letra indicativa da sequência. Referências Bibliográficas Segue as Normas da Associação Brasi- leira de Normas Técnicas; Consulta a Ficha Catalográfica da obra; Em artigos, os elementos essenciais encontram-se na lombada. Jornais: a primeira página possui os elementos essenciais. Corpo ou texto Vai ser definida de acordo com a uti- lização da ficha. Exemplo de cabeçalho: Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola Título Genérico Próximo: Apresentação Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida Nos dois exemplos acima vale ressaltar que você segue o sumário do que está lendo. Assim, você terá o cabeçalho de cada parte trabalhada.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 159 Escolha um texto relacionado com o seu objeto de estudo e dê iní- cio ao fichamento elaborando o cabeçalho. ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ _______________________________________________________ Exemplos de Referências: Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida Referências VENÂNCIO, Silvana; FREIRE, João Baptista. O jogo den- tro e fora da escola. Cam- pinas: Autores Associados: apoio: UNICAMP, 2005. Agora faça as referências seguindo como exemplo o texto acima. ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________
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    160 Exemplo de Corpoou texto, indicação da obra e local: Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida Referências VENÂNCIO, Silvana; FR EIRE, João Baptista. O jogo den- tro e fora da escola. Campinas: Autores Associados: apoio: UNICAMP, 2005. Corpo ou Texto a) Bibliográfica da obra inteira ou de parte dela; Abordagem, procedimento etc [...]. b) Citações que você ache pertinente; Reprodução fiel de frases ou sentenças c) Resumo ou de Conteúdo; Síntese bem clara e concisa da ideias principais do autor ou resumo dos as- pectos essenciais da obra. d) Esboço; Semelhante ao resumo, porém de for- ma mais detalhada, quase de página a página, indicando do lado esquer- do as páginas que constam as ideias apresentadas. e) Comentário ou Analítica. Interpretação crítica pessoal sobre as ideias do autor. Indicação da obra Obra indicada para discentes de Li- cenciatura em Educação Física. Local (onde a obra está dis- ponível?) Biblioteca da Universidade Estadual de Campinas Voce já fez o cabelhaço e a referência que tal agora dar se- quência no fichamento elaborando o corpo do texto? Cada um dos itens apresentados no corpo do texto pode ser uma ficha diferente. Medeiros (2005) propõe os mesmos elementos estruturais de uma ficha que os apresentados por Marconi e Laka- tos (1987).
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 161 Citando Umberto Eco (1989), Marconi (2005, p. 114) apresenta algu- mas regras para o fichamento. Entre elas, ele chama atenção para o fato das fichas substituírem a posse em caso de todos os livros ne- cessários para uma pesquisa. Salienta que o armazenamento pode ser feito em fichas ou arquivos (no caso de utilização dos computa- dores). A novidade aqui seria a designação e objetivo desses arqui- vos. Você poderá abrir arquivos “de leitura, de ideias, de citações”. Os arquivos de leitura seriam os que proporcionariam “o registro de resumos, opiniões, citações, [...] ou ideias a defender por ocasião da redação do texto que tem em vista” (MEDEIROS, op. cit.). Além dessas situações, Medeiros recomenda a você a prática contínua de fichamentos. Somente por meio dessa constância você conseguirá tornar habitual um procedimento que respeitará as normas téc- nicas que regulamentam a atividade científica, além de ajudá-lo a superar a sensação de dificuldade e demora na confecção das fichas ou arquivos. Você poderá usar as fichas ou arquivos para diversos objetivos. En- tre eles, fichar: a) Assunto; b) Título de uma obra; c) Transcrições (utilizar NBR 10520); d) Resumo; e) Comentário. Entre os fichamentos elencados acima, você possivelmente traba- lhará mais com o fichamento de resumo e de transcrição. Enquanto o fichamento de resumo se preocupa com a síntese das ideias do autor, não fazendo uso de citações, o fichamento de transcrições permite a você elencar partes do texto que enfatizam as ideias principais da obra que você leu. Reúnam-se em grupos de três alunos e dialoguem sobre as técnicas de fichamento apresentadas nesta unidade. __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ 1
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    162 SEÇÃO 3 RESUMOS Nesta seçãovocê terá como objetivo verificar como deve ser o pro- cedimento para resumir o que se leu. No entanto, você verá alguns critérios que estão relacionados com o procedimento de leitura. Vale à pena repetir que o processo de construção do conhecimento é interligado. Ao mesmo tempo em que você lê, existem procedimentos que pre- param ao passo seguinte. Considerando o processo como ações interligadas, pense numa se- quência de ações para você chegar ao resumo. O primeiro deles seria a escolha da leitura a ser feita. Para isso, Quivy e Campenhoudt (1992) apresentam critérios para você escolher o que ler. Para eles, você deve atentar para esco- lher textos que tenham ligação com a pergunta que você formulou. Essa pergunta faz parte do item “problema” no seu projeto. Quivy e Campenhoudt relacionam essa pergunta num tópico conhecido como pergunta de partida. Encontrando os textos relacionados com suas perguntas (relaciona- das ao seu tema de pesquisa), você deverá possuir uma dimensão razoável de textos para organizar um programa de leitura. Quivy e Campenhoudt (1992) recomendam uma leva de três livros ou tex- tos. Você deverá dar preferência a textos que possuam elemen- tos de análise e interpretação por parte dos autores. Ou seja, que a temática apresentada seja analisada e interpretada pelo autor do texto. Outra preocupação seria você buscar textos que tenham abordagens diversificadas. Isso garante a você uma visão ampla do fenômeno pesquisado. Por fim, você deverá ler e ter espaços para discutir e refletir sobre as leituras. ESCOLHa a LEITuRa.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 163 Atento ao exposto acima escolha um artigo para dar início ao seu resumo. Feita a escolha, você terá que reler o item sobre leitura para pro- videnciar os passos indicados na seção 1. Ou seja, você deverá elencar uma série de perguntas que deverão ser respondidas na sua leitura por meio da compreensão do texto. Passos Necessários para a leitura agora seria o momento de você elencar as perguntas a serem respondidas. Pois bem, você verá agora a lógica de construção de um resumo proposto por Quivy e Campenhoudt (1992). Para eles, resumo con- siste num processo pelo qual se destacam as ideias principais e suas articulações, de tal forma que o pensamento do autor aparece de forma una. Dito de outra forma: Os autores destacam que a capacidade de redação de bons resu- mos passa obrigatoriamente pela sua formação e pelo seu traba- lho, pois depende da qualidade da leitura que o precedeu. Resumo seria o destaque das ideias principais e de suas articulações para que a unidade do pensamento do autor apareça de forma clara. Qual é o método proposto por Quivy e Campenhoudt? CRITÉRIOS DE ESCOLHA 1. Ligações com a pergunta (dê partida no exemplo de Quivy e Campenhodt); 2. Dimensão razoável de leitura; 3. Elementos de análise e interpretação; 4. Abordagens diversificadas; 5. Intervalos de tempo para reflexão pessoal e trocas de pontos de vista. Fonte: Quivy e Campenhoudt (1992, p.52)
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    164 Quivy e Campenhoudt(1992) propõem a utilização da “Grelha de Leitura”, que você pode entender como um fichamento. O objetivo é diferenciar no texto as ideias principais das secundárias e dos dados ilustrativos ou desenvolvimentos da argumentação. A GRELHA DE LEITURA Sobre a grelha de leitura, Quivy e Campenhoudt propõem que você destaque parágrafo por parágrafo que você leu. Em cada parágrafo você destacará a ideia central e os dados complementares. Numa grelha, você transcreverá essas ideias de tal forma que possa colo- cá-las em ordem. Ao lado, você terá espaço para extrair os tópicos para estruturar o texto. Esses tópicos referem-se ao projeto, aos fatos estabelecidos e as explicações dadas. A grelha será feita da seguinte forma: GRELHA DE LEITURA IDEIAS-CONTEÚDO Tópicos para a estrutura do texto 1. Ideia conteúdo de cada pa- rágrafo. Qual é o projeto da obra? 2. 3. Você elaborou as perguntas, agora, baseado nos conhecimentos adquiridos, dê sequência em seu resumo. Depois de preenchida essa ficha, você poderá determinar o que é central, o que é secundário e o que é explicação. Tendo essa divisão clara, ajudado pelo que foi preenchido do lado direito da tabela, você reconstruirá o texto dando as articulações necessárias para manter a unidade do pensamento do autor. Além disso, você proporcionará para outro leitor a oportunidade de conhecer o ra- ciocínio de um autor que ele ainda não tenha lido. Por isso, o texto deverá ser claro e compreensível.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 165 Esse resumo serve também como um caminho para que você possa construir, mais tarde, resenhas e revisão de bibliografia. Permite que você compare obras com critérios mais rígidos. Medeiros (2005) apresenta outros elementos que contribuem para que você possa realizar seu resumo. Ele inicia sua argumentação sobre o tema no fichamento do resumo. Você verá essas argumen- tações aqui, por conta da ideia de que as ações são integradas. Para ele, o resumo permite a você reduzir um texto a suas ideias principais. O resumo engloba duas ações. A compreensão de um texto e a elaboração de outro. Para isso, apresenta dois métodos. MÉTODO ANALÍTICO MÉTODO COMPARATIVO Preocupa-se com a inter- relação das ideias; articulação do texto; resumo parágrafo por parágrafo. Preocupa-se com a estrutura geral do texto para responder a expectativa que o texto criou no leitor. Adaptação de Medeiros (2005, p.126) Entre as ações sugeridas por Medeiros, estaria a indicação de trans- formar passagens ou tópicos em perguntas. A síntese, etapa que Quivy e Campenhoudt apresentaram como a reconstituição das ideias principais do texto, é apresentada com regras a serem se- guidas. Para elaboração da síntese você poderá lançar mão das seguintes regras: 1. supressão; 2. generalização; 3. seleção; 4. construção. Na supressão, você eliminará palavras secundárias do texto. Medei- ros (2005, p. 126) apresenta como palavras secundárias os “advér- bios, adjetivos, preposições, conjunções, desde que não compro- metam a compreensão do texto”.
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    166 Exemplo: Resumindo de maneiraclara e direta, poderíamos dizer que o ca- ráter de linguagem está intrínseco no “jogo de regras” e no “jogo simbólico”. No jogo de “exercício”, pelo seu caráter funcional, no qual o prazer é conseguido através da pura ação sem a presença da intenção explícita, o caráter de linguagem não é identificado (BRUHNS, 1993, p. 55). Supressão: Resumindo, o caráter de linguagem está intrínseco no “jogo de regras” e no “jogo simbólico”. No jogo de “exercício”, pelo seu caráter funcional, o caráter de linguagem não é identificado. A generalização diz respeito ao processo de substituição de várias palavras por uma que as generalize. Exemplo: As crianças pularam cordas, saltaram amarelinhas, apostaram cor- ridas durante todo o dia na praça do bairro. Generalizando: As crianças brincaram durante o dia na praça. A seleção suprime as ideias secundárias:
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 167 Exemplo: Desvendar os olhos para olhar atentamente o fenô- meno corporeidade é adentrar o domínio do impre- ciso, do complexo, das imperfeições e da desordem do mundo real, razão pela qual este texto não pre- tende iluminar o visível, mas apenas e tão-somente excitar o invisível, ou melhor, revelar as possibili- dades do sensível, que normalmente está no outro lado do corpo (MOREIRA, 1995, p. 17). Seleção: Desvendar os olhos para olhar o fenômeno corporei- dade é adentrar o domínio do impreciso, do com- plexo, das imperfeições e da desordem do mundo real, razão pela qual este texto pretende revelar as possibilidades do sensível, que normalmente está no outro lado do corpo (MOREIRA, 1995, p. 17). Por fim, a construção. Respeitam-se as ideias do texto original e constrói-se uma nova frase, conhecida como paráfrase. Aprofundando as informações sobre o resumo, Medeiros propõe como conceito de texto para que você possa identificar elementos necessários para realização de um resumo. Baseado em Orlandi (MEDEIROS, 2005, p. 138) o texto seria “uma unidade complexa de significação”, pelo qual se apresentam ideias inter-relacionadas. Existe uma coerência entre as afirmações iniciais e finais. Além do texto, existe o contexto e o intertexto. O contexto possui duas dimensões que apresentam a superfície e a profundidade que o texto foi produzido. A superfície trata do sentido produzido pelas ora- ções e a profundidade desvela a visão de mundo que informa o texto. Como um texto refere-se a símbolos num processo de comunicação, você deve visualizar a situação em que o mesmo foi criado. Trata-se das circunstâncias e do ambiente que motivaram sua construção. Resultado da citação de Moreira (1995): Olhar a corporeidade significa ver o impreciso, o complexo, as imperfeições e a desordem do mundo real, razão que remete este texto a revelar as possibilidades do sensível.
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    168 O intertexto seriaa relação existente entre a produção de um tex- to com outros. Apresenta a paráfrase, a paródia e a estilização como procedimentos intertextuais. 1. Paráfrase Recriação das ideias sem alterar a ideia do au- tor. Trocam-se palavras por sinônimos. Pode-se apresentar em graus: a. Primeiro grau > substituição de palavras por outras equivalentes; b. Segundo grau -> resumo; c. Terceiro grau -> comentários; d. Quarto grau -> juízo de valor. 2. Paródia Apresenta outras ideias que o texto não apre- sentou. 3. Estilização Recriação do texto. Desvio do texto original é maior que na paráfrase. Adaptação de Medeiros (2005, p.126) No quadro acima, percebe-se que o resumo entra como um se- gundo grau na utilização de paráfrases. Você poderá avaliar que a construção de conhecimentos passa por etapas e o resumo é uma delas. Outros elementos são apresentados para que você possa ampliar seu conhecimento sobre o que será observado na confecção do re- sumo. Seriam os elementos estruturais. Entre eles: 1. saber partilhado; 2. informação nova; 3. as provas; 4. a conclusão. O saber partilhado seria a informação antiga. Normalmente, apare- ce no início do texto. Seria um conhecimento do autor que é com- partilhado com o leitor. Você pode até associar com informações particulares que o autor compartilha com você.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 169 A informação nova é central no texto. Apresenta-se um olhar sobre o fenômeno que, em tese, o leitor não tinha esse conhecimento. Seria o olhar particular do autor. Serve para desenvolver o texto. As provas definem a fundamentação das afirmações expostas. Se- riam os fatos empíricos que são apresentados para ilustrar o que o autor afirmou. Por fim, as conclusões são relacionadas às respostas dos objetivos do autor. Outros dois elementos são destacados por Medeiros (2005, p.142). Seriam a referência e o tema. Você deve desvelar “do que trata o texto?” e “sob que perspectiva o texto foi construído?”. Neste momento convido-o a concluir o resumo. Porém fique atento às Normas Brasileira da ABNT. Para finalizar, a construção de um resumo deve estar vinculada às normas técnicas ligadas a Associação Brasileira de Normas Técnicas. Sobretudo em relação as NBR 14724; a NBR 10520 e a NBR 6023. Essas normas estão ligadas a apresentações de trabalhos, formas de utili- zação de citação, no caso de fichamentos de citações e referências. Apresente aos seus colegas um resumo feito e aproveitem para dialogar sobre as técnicas empregadas. __________________________________________________ __________________________________________________ SEÇÃO 4 RESENhAS Nesta seção você verá os objetivos de uma resenha, bem como identificar as partes necessárias para sua construção. Inicialmente, lembre que o resumo é utilizado por você para com- pletar um processo de leitura atenta e criteriosa. Você irá docu- mentar os conhecimentos adquiridos nessa leitura por meio de um arquivo ou ficha. 1
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    170 E a resenha? Poisbem, lembre-se que no resumo você não fará juízo de valor. Na resenha você fará isso e mais. Azevedo (1993) apresenta a re- senha como um resumo crítico de uma obra. Seria uma apreciação sobre determinada obra, feita de tal forma que a intenção é a de divulgá-la em revistas especializadas para incentivar outros leito- res a buscarem essa referência após lerem a discussão que você travou com o autor da obra no processo de construção da resenha. Azevedo trabalha com um texto direcionado para procedimentos necessários para a confecção da resenha. Alerta que em média uma resenha possui de duas a dez laudas. Conceitos Medeiros (2005) apresenta os conceitos de resenha vinculados ao conhecimento de quem irá construí-la. Essa associação refere-se à necessidade de que o autor da resenha tenha conhecimento sobre o assunto, justamente pelo fato de que precisa realizar uma aná- lise crítica da obra lida. Apresenta a resenha como resumo crítico mais abrangente que o resumo que você viu na seção anterior. Entre os conceitos apresentados, você encontrará em Medeiros (2005, p. 158) as referências de que uma resenha apresenta “va- riadas modalidades de textos: descrição, narração e dissertação”. Quanto à estrutura, descreve: 1. Propriedades da obra (descrição física); 2. Relata as credenciais do autor; 3. Resume a obra; 4. Apresenta suas conclusões e metodologia empre- gada; 5. Expõe o quadro de referências (narração das obras que serviram de suporte); 6. Apresenta uma avaliação da obra e diz a quem a obra se destina.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 171 RESENHA 1. ESTRUTURA GERAL 1.1.Introdução: 1.1.1. Objetivos: a. Contextualizar o autor e sua obra no universo cultural, mostrando a ori- gem da obra; b. Interessar o leitor pela resenha e pela obra. 1.1.2. Extensão: 10 a 20% da extensão total da resenha. 1.1.3. Estrutura interna: a. Parágrafo de interesse; b. Contextualização do autor e da obra; c. Parágrafo de transição para o resumo. 1.2. Desenvolvimento: 1.2.3. Objetivos: a. Resumir (re-escrever sinteticamente) o conteúdo da obra; b. Destacar as linhas centrais do pensamento do autor; 1.2.4. Extensão: 60 a 70 % da extensão total da resenha. 1.2.5. Estrutura interna: a. Introdução – resumo do resumo, para mostrar as partes constitutivas básicas da obra; b. Resumo – síntese do pensamento do autor; c. Conclusão – fecho do resumo; d. Parágrafo de transição para a crítica. 1.3. Crítica: 1.3.3. Objetivos: a. Apreciar a obra, recomendando-a ou não ao leitor; b. Fazer sugestões ao autor e;ou editor (editora) da obra. 1.3.4. Extensão: 20 a 30 % da extensão total da resenha. 1.3.5. Estrutura interna: a. Juízo sintético sobre a obra; b. Explicação do juízo; c. Sugestões ao autor; d. Apreciação final (recomendação de leitura). 1.3.6. Itens para a crítica: Da edição: a. Erros/acertos quanto à revisão textual; b. In/existência (e atualidade) de índices, ilustrações etc. c. Apresentação (capa, folhas-de-rosto, impressão, etc.) Do conteúdo: a. Erros/acertos quanto às informações veiculadas (datas, nomes, estatís- ticas etc.) b. Seriedade da documentação (extensão, qualidade e atualidade das refe- rências bibliográficas intermediárias e finais; uso crítico dos autores; crite- riosidade das citações etc.); c. In/consistências (contradições); d. Disposição do material (sequência lógica, organização equilibrada etc.). Das ideias: a. Diálogo com as ideias básicas do autor; b. Desvelamento ideológico de suas propostas e análise das suas consequ- ências; c. Avaliação dos argumentos apresentados. 1.3.3. Objetivos: a. Apreciar a obra, recomendando-a ou não ao leitor; b. Fazer sugestões ao autor e;ou editor (editora) da obra. 1.3.4. Extensão: 20 a 30 % da extensão total da resenha. 1.3.5. Estrutura interna: a. Juízo sintético sobre a obra; b. Explicação do juízo; c. Sugestões ao autor; d. Apreciação final (recomendação de leitura).
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    172 1.3. Crítica: 1.3.6. Itenspara a crítica: Da edição: a. Erros/acertos quanto à revisão textual; b. In/existência (e atualidade) de índices, ilustrações etc. c. Apresentação (capa, folhas-de-rosto, impressão etc.) Do conteúdo: a. Erros/acertos quanto às informações veiculadas (datas, nomes, estatísticas etc.) b. Seriedade da documentação (extensão, qualidade e atualidade das referências bibliográficas intermediárias e finais; uso crítico dos autores; criteriosidade das cita- ções etc.); c. In/consistências (contradições); d. Disposição do material (sequência lógica, organização equilibrada etc.). Das ideias: a. Diálogo com as ideias básicas do autor; b. Desvelamento ideológico de suas propostas e análise das suas consequências; c. Avaliação dos argumentos apresentados. 2. GENERALI- DADES: Título (criati- vo, diferente do título da obra conforme as normas da ABNT, ao alto, à direita). a. Redação direta entre títulos, com a divisão se evidenciando pela organização do texto; b. Citações formais indispensáveis (in loco: páginas indicadas entre parênteses); c. Folha de rosto bem disposta, com título da resenha ao alto, autor da resenha no centro, finalidade do trabalho no centro, abaixo; instituição, local e data bem abaixo. Fonte: Azevedo (1993, p. 34-35). Existem alguns periódicos científicos que nas páginas finais são elencadas regras para a apresentação de resenhas. Algumas re- gras do ponto de vista da formatação podem ser diferentes das demonstradas acima. No entanto, as dicas dadas a você permitirão a estruturação de uma resenha bem articulada. Medeiros apresenta outras informações sobre a resenha. Recomenda a redação do texto em terceira pessoa, buscando certa neutralida- de. No entanto, essa neutralidade é prejudicada pelo fato de que se Você observou como Azevedo estabelece uma sequên- cia para elaborar uma resenha. Agora escolha um tex- to relacionado com a sua área de interesse e dê início a sua resenha.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | UNIDADE 4 173 Fonte: Medeiros (2005, pp. 169-170) espera do resenhista um posicionamento crítico, apoiado em “fatos, em provas e em argumentos consistentes”, como afirma Medeiros. Apoiado em Lakatos e Marconi (apud MEDEIROS, 2005, p. 169) Me- deiros apresenta uma nova estrutura para a prática das resenhas científicas. A estrutura seria a seguinte: MODELO 1. Referência bibliográfica: Autor; Título da obra; Elementos de imprensa (local de edição, editora, data); número de páginas; formato. 2. Credenciais do autor: Informações sobre o autor, nacionalidade, formação universitária, títulos, livro ou artigo publicado. 3. Resumo da obra (digesto): Resumo das ideias principais da obra. De que trata o texto? Qual sua ca- racterística principal? Exige algum conhecimento prévio para entendê-la? Descrição do conteúdo dos capítulos ou partes da obra. 4. Conclusão da autoria: Quais as conclusões a que o autor chegou? 5. Metodologia da autoria: Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico? Que técnicas utilizou? Entrevista? Questionário? 6. Quadro de referência do au- tor: Que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico apresentado? 7. Crítica do resenhista (apre- ciação): Julgamento da obra. Qual a contribuição da obra? As ideias são originais? Como é o estilo do autor: conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista? 8. Indicações do resenhista: A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a que disciplina? Pode ser adotada em algum curso? Qual? O primeiro quadro de Medeiros dá uma ideia sobre a estrutura de resenha. Os dois últimos quadros acima são modelos para a reali- zação de uma resenha. Seja pelo modelo de Azevedo ou de Marconi e Lakatos, você possui dois roteiros com elementos concretos para desenvolver resenhas. O importante é você perceber que a resenha requer procedimentos anteriores (leitura e resumo) feitos com critério. Dialogue com seus colegas de sala sobre os tipos de resenha e escolha a mais adequada para você. 1
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    174 SEÇÃO 5 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA Nestaseção você verá a estrutura existente para a comunicação científica. Os meios pelos quais você poderá realizar a comunica- ção do seu trabalho de pesquisa, bem como a estrutura necessária para apresentar seu trabalho de acordo com o meio. Comunicação científica? O que você irá comunicar? Quando se fala em comunicação científica pensa-se num processo pelo qual você poderá comunicar os resultados obtidos no desen- volvimento de sua pesquisa aos pares de sua área. Esse processo garantirá a disseminação do conhecimento por meio de apresenta- ções e disponibilização dos resultados da sua pesquisa para que ou- tros pesquisadores possam utilizar as suas informações para novas pesquisas. Antes de você adentrar ao universo da comunicação pergunte-se: Como dito antes, você comunicará o resultado de sua pesquisa. Você viu que a pesquisa divide-se em dois pontos: projeto e rela- tório. Silva (2001) apresenta o planejamento de pesquisa em três fases: a fase decisória, a fase construtiva e a fase redacional. Entre essas fases, a redacional é a que se preocupará em colocar os dados coletados e analisados na forma de relatório. Esse relatório poderá obter a estrutura e normas preestabelecidas de acordo com o momento e a finalidade em que foi redigido.
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 175 Medeiros (2005, p. 247) apresenta o termo “trabalhos científi- cos” para designar um relatório. Entre as formas mais conhecidas estariam: 1. A resenha; 2. O informe científico; 3. O artigo científico; 4. A monografia; 5. O paper. Steffan (1999, p. 233) apresenta o relatório de pesquisa como um informe que pode ser verbal, escrito ou eletrônico. O tipo do rela- tório depende da “natureza do receptor do relatório (uma institui- ção, uma pessoa, uma revista, rádio, televisão [...] um grupo de interessados etc.)”. Veja o quadro acima. Escolha agora a monografia. Ela é entendida como “uma dissertação que trata de assunto particular, de forma sistemática e completa” (MEDEIROS, 2005, p. 248). Entre os recep- tores apontados por Stefan, adote as instituições superiores, que exigem a confecção de uma monografia para que o discente receba a titulação referente ao curso que está frequentando. A monografia é apresentada por Medeiros como podendo ser de: Quais as formas que um relatório pode assumir? Graduação É suficiente a revisão bibliográfica, ou revisão de literatura. É mais um trabalho de assimila- ção de conteúdos, de confecção de fichamen- tos e, sobretudo, de reflexão. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) Monografias apresentadas ao final de um curso de pós-graduação. Para obtenção de grau de Mestre Exige a revisão de literatura, o domínio sobre o método de pesquisa e informar a metodologia utilizada. Expõe novas formas de ver uma rea- lidade já conhecida. Para obtenção do grau de Doutor Exige revisão de literatura, a metodologia uti- lizada, o rigor da argumentação e apresenta- ção das provas, a profundidade das ideias, o avanço dos estudos na área. Fonte: Texto extraído de Medeiros (2005, pp. 249-250)
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    176 A monografia seriaa designação para a expressão referente a trabalhos escritos que “versam sobre um assunto”. E em relação as instituições de ensino superior, os modelos apresentados no quadro acima seriam as principais formas de relatório. Esses re- latórios são apresentados de forma oral e escritos. Normalmen- te, existe uma banca composta por professores titulados para analisar o material escrito e a apresentação oral do candidato ao título correspondente. Entre os tipos de trabalhos científicos apresentados por Medeiros você encontra o artigo. O que trataria o artigo? Basicamente, o artigo aborda os resultados de uma pesquisa cientí- fica, porém numa extensão pequena em relação as monografias. O público a que se destina o artigo seriam leitores de revistas espe- cializadas, jornais ou periódicos especializados. Medeiros (2005, p.244) apresenta a estrutura de um artigo com as seguintes partes: Título do trabalho; Autor; Credenciais do autor; Local das atividades; Sinopse (resumo em português e em uma língua estrangeira, de preferência, em Inglês); Corpo do artigo (introdução, desenvolvimento e conclusão); Parte referencial (referências bibliográficas, como notas de rodapé ou de final de capítulo, bibliografia, que é a lista dos livros consultados ou relativos ao assunto, apêndice, anexos, agra- decimentos, data). Além da estrutura, Medeiros apresenta uma classificação dos arti- gos quanto ao seu conteúdo e o tipo. Quanto ao conteúdo, o artigo apresenta abordagens atuais e temas novos. Quanto ao tipo de ar- tigo, existem três classificações:
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 177 Analíticos: Descrevem, classificam e definem o assunto e levam em conta a forma e o objetivo que se tem em vista. Estrutura: Definem o assunto; apresentam aspectos relevantes e irrelevantes, partes e relações existentes. Classificatórios: Ordenamento de aspectos de determinado assunto e a explicação de suas partes. Estrutura: Definição do assunto, explicação da divisão, tabula- ção dos tipos e definição de cada espécie. Argumentativos: Enfoque de um argumento e apresentação dos fatos que provam ou refutam o fato. Estrutura: Exposição da teoria, apresentação dos fatos, síntese dos fatos, conclusão. Entre os motivos pelos quais você realiza um artigo, Medeiros (2005, p. 244) salienta assuntos que não foram explorados suficien- temente, “necessidade de esclarecimento de questão antiga; ine- xistência de um livro sobre o assunto e aparecimento de um erro”. Atualmente, muitos pesquisadores têm reproduzido partes de suas monografias como artigos para discussões específicas com os pares sobre a temática desenvolvida. Essa lógica colocaria o artigo como uma nova etapa a ser vencida. Ou seja, após a apresentação do re- latório para a instituição, o texto é encaminhado para uma editora para se transformar em livro ou publicado em diversos eventos com a divisão de suas partes. Fonte: Medeiros (2005, p. 244) Como irá comunicar? Alguns aspectos de formatação são necessários, tanto para artigos como para monografias. Você precisa ter sempre ao seu alcance o livro de Normalização Bibliográfica (editado pela UEPG) e que re- trata as Normas da ABNT.
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    178 Entre as normatizações,segue o exemplo de algumas ações exigidas e normatizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – NBR 14.724 na confecção de um relatório (trabalho científico). Como visto na seção três, a consulta às normas são de suma im- portância. Para responder a essa questão, recorra a Silva (2001) para com- preender o processo de comunicação da pesquisa científica. Essa autora descreve em sua obra, sobretudo na aula 1 – O pesquisador e a Comunicação Científica - todo o processo que você vivenciará no ato de comunicação de sua pesquisa. Considerando a natureza do receptor das informações de seu relatório, foi elencada uma série de possibilidades. Em relação a essas possibilidades, Silva (2001, p. 14) apresenta os canais formais e informais do conhecimento. O primeiro representaria “a parte visível (pública) do sistema de comunicação científica, representado pela informação publicada em forma de artigos de periódicos, livros, comunicações escritas em encontros cien- PAPEL Cor - branco Tamanho - folha A4 (21 cm x 29,7 cm) LETRA Times New Roman / Arial. TAMANHO Texto normal - 12 Texto de citações longas e notas de rodapé - 10 DIGITAÇÃO somente no anverso da folha MARGENS Esquerda e superior - 3cm. Direita e inferior - 2cm. ESPACEJAMENTO Texto - 1,5 cm Referên- cias, Citações longas e notas de rodapé - simples PAGINAÇÃO Todas as folhas a partir da folha de rosto devem ser contadas e numeradas a partir da 1ª folha textual PAGINAÇÃO Deve ser feita em algarismos arábicos, no canto superior direito Aonde irá comunicar?
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 179 Canais formais e informais tíficos etc.” Já os canais informais seriam caracterizados por Silva como os contatos pessoais, conversas telefônicas, corres- pondências etc. Entre as características de cada um dos canais, Silva alerta para o fato de que os canais informais atendem mais ao processo de construção do conhecimento. Pois a circulação da informação é mais ágil e seletivo. Nos canais formais, esse processo tende a ser lento, porém, procura-se armazenar as informações e trabalhos por período longo. Pois as instituições formais seriam as universidades e as bibliotecas, instituições que garantem a preservação da memória e a difusão de informações para o público em geral. Entre os passos apresentados anteriormente, surge o processo de avaliação do trabalho científico. Silva recorre a Demo (1991) para definir essa avaliação. Segundo ele, a qualidade política e quali- dade formal seriam os dois aspectos pelos quais os relatórios são avaliados. A qualidade política seria a referência aos conteúdos, aos fins a que se destina o trabalho e substância do trabalho. Já a qualidade formal refere-se aos meios e formas usados para a con- fecção do trabalho. Relacionado a esses critérios de qualidade, você poderá verificar em Medeiros aspectos que reforçam o entendimento da comunica- ção científica. Tratando-se de eventos científicos, a comunicação é limitada em tempo, pois a exposição é oral (em alguns casos tam- bém escrita em forma de painéis) e destina-se de 10 a 20 minutos para essa exposição. Medeiros apresenta alguns elementos que são considerados nesses espaços de comunicação. Seriam:
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    180 Finalidade: Tornar osresultados da pesquisa conhecidos. Informações: Devem ser originais e criativas. Estrutura: Engloba: Introdução - (formulação do tema, justificativa, objetivos, metodologia, delimitação do problema, abor- dagem e exposição exata da ideia central) Desenvolvimento – Inclui exposição do que se disse na introdução e fundamentação lógica das ideias apresen- tadas. Conclusão – síntese dos resultados. Linguagem: Vocabulário rigoroso, preciso e claro. Abordagem: Forma de abordagem do problema, posição do autor. Observação importante: Requisitos básicos para divulgação científica: o conhecimento daquilo que se comunica, a precisão terminológica, a aces- sibilidade da linguagem, a adaptação à audiência. Cada um dos elementos expostos acima deve ter uma atenção re- dobrada para a preparação de uma comunicação. Utilizando esses elementos você estará preparado para apresentar, debater e co- municar os resultados de seu trabalho. Reúna com seus colegas e analisem um artigo referente a sua área de interesse, tendo como base os ensinamentos transmitidos nesta unidade. __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ 1 Fonte: Medeiros (2005, p. 245)
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 181 SÍTESE Nesta unidade você teve contato com a leitura, o fichamento, re- sumos, resenhas e a comunicação científica. Entre esses pontos ficou a mensagem de que o trabalho é integrado e a busca do co- nhecimento deve ser balizada por um processo. Você verificou que a leitura possui etapas e níveis, e dependendo do comprometimento que você possuir com o ato da leitura poderá adquirir as qualidades de um bom leitor. Mais do que ler, você verificou na seção dois que existem formas consagradas de se registrar o que se leu. Seja por intermédio do fichamento em fichas próprias ou por meio dos arquivos no compu- tador, você viu que o ato de ler e registrar torna-se essencial para um bom aprendizado e para a busca do conhecimento. Vale lem- brar que existem vários tipos de fichamentos, sendo o de citações e o de resumo os destacados na seção. Na seção três, você teve contato com o resumo. Foi enfatizada a necessidade de você ter critérios para a escolha do que ler e resu- mir. Ao mesmo tempo, destacou-se a necessidade de utilização da grelha de leitura, entendida como uma forma de fichamento, para que se possam reconstruir as ideias principais em forma de pará- frase, que define um resumo. Você foi além. Verificou que o resumo é apenas uma das formas possíveis de trabalho. Visualizou que um resumo bem feito permite avançar para análise crítica da obra lida. Esse procedimento coloca- o frente ao desafio de construção de uma resenha. Essa resenha permite comunicar a leitura de uma determinada obra, de tal forma que você possa indicá-la para outros leitores. Para isso, você verifi- cou dois modelos que servem de roteiro para construção da resenha. Por fim, você verificou que a comunicação científica depende da natureza do ouvinte. Dito de outra forma, dependendo para quem você irá comunicar os resultados de sua pesquisa, você terá um determinado formato. Se for para instituições de ensino você fará uma monografia. Para eventos científicos, você privilegiará o ar-
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    182 tigo. Optou-se pelaênfase no artigo e monografia. Porém, foram apresentadas outras formas de trabalhos científicos. Você também verificou os tipos de apresentações oral e escrito. Visualizou regras para ambos. Sobre os trabalhos escritos verificou a real necessi- dade de iniciar nos estudos das Normas Técnicas para atender a normalização. Enfim, você verificou que as formas de se inserir no universo da comunicação científica dependem de esforço e trabalho, para que você possa comunicar-se com linguagem clara e inequívoca. Releia a seção 1 e elenque todas as perguntas que uma leitura deve responder!. __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ Explique as etapas do SQ3R e os passos para leitura de um texto!. __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ Defina e apresente um código para sublinhar um texto.. __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ Quais são os tipos de fichamentos que podem ser realizados em uma leitura? Exemplifique cada um deles. __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ Quais são os elementos essenciais numa ficha ou arquivo de leitura? Quais os passos para a realização de um fichamento? __________________________________________________ __________________________________________________ _________________________________________________ 1 2 3 4 5
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 183 ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ Anotações
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    184 PALAVRAS FINAIS Não falaremosde despedida ou de encerramento ao finalizarmos este livro, pois, temos a oportunidade de vivenciar um momento especial que ficará marcado em nossas vidas. Momento esse representado pela sua participação no Curso de Licenciatura em Educação Física a Distância, ensejado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, o qual representa o início de uma caminhada que não se finda. O processo de construção de novos paradigmas para a Educação Física sempre estará vivo em nossas ações. Portanto, as nossas palavras finais são de agradecimentos, de incentivo e de um até breve para você que nos acompanhou pari passo nesta caminhada, na qual buscamos mostrar os melhores meios para se alcançar o conhecimento científico. Um mundo pluralizado com enfoque nos métodos, procedimentos e técnicas foi apresentado para você, visando estabelecer parâmetros conceituais da metodologia científica. A construção desse material representa uma convergência e culminância de focos na busca de sistematizar as ações necessárias ao planejamento do trabalho científico para a Educação Física formal, tendo como ponto de partida a Ciência, na qual destacamos a sua retrospectiva histórica, os seus conceitos e principalmente a sua classificação. Essa disciplina objetivou desenvolver um olhar crítico de como a ciência se apresenta no contexto da nossa sociedade. Apresentamos as formas de aquisição do conhecimento e os principais métodos que constroem as bases lógicas da produção do conhecimento científico tendo como objetivo dar ênfase mais procedimental, comprometida com os grandes desafios apresentados pelo trabalho acadêmico da Educação Física. A construção do entendimento do conhecimento científico e dos métodos ajudará na ampliação da compreensão de suas práticas acadêmicas voltada para a Educação Física formal, quer seja, pela
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    METODOLOGIA DA PESQUISACIENTÍFICA | unidade 4 185 generalização ou pela distinção que se apresentará ao longo da sua caminhada. Um dos eixos nessa disciplina centrou-se em evidenciar a pesquisa científica, o seu delineamento da pesquisa, planejamento e a construção do projeto de pesquisa. Esses representam um dos momentos mais significativos deste nosso trabalho. Lembre- se sempre que por mais simples que ele seja, sempre será um trabalho que ficará registrado em sua vida acadêmica. Por fim, evidenciamos um processo articulador de conhecimentos em torno da ampliação das práticas de uma leitura metódica de textos, usar e construir fichamentos das leituras de diversas obras, promover uma análise crítica das leituras por intermédio da elaboração de resenhas e de construir o relatório final de seu projeto de pesquisa. Esperamos que esse trabalho proporcione novos conhecimentos e encaminhamentos a outros textos, pois entendemos que o mais importante é não se perder de vista a sintonia entre o tempo escolar e o tempo de construção de novos paradigmas na Educação Física formal, pois você pode fazer a diferença. Um abraço fraterno, Antonio Carlos Frasson Constantino Ribeiro de Oliveira Júnior
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    referências 187 ALVES-MAZZOTTI, A.J.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. AZEVEDO, Israel Belo. O prazer da produção científica: diretrizes para a elaboração de trabalhos acadêmicos. 5. ed. Piracicaba: Editora UNIMEP, 1997. BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHF ELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia Científica. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. BOOTH, Wayne C.; COLOMB, Gregory; WILLIANS, Joseph. A arte da pesquisa. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. BRUHNS, Heloisa Turini. O corpo parceiro e o corpo adversário. Campinas: Papirus, 1993. CERVO, Amado Luiz. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. CHASSOT, Attico. A ciência através dos tempos. 2. ed. reform. São Paulo: Moderna, 2004. CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática. 2000. CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2005. DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo: Atlas, 1995. REFERÊNCIAS
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    188 ______. Metodologia doconhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2008. FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 5. ed. São Paulo : Saraiva, 2006. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas 1999. ______. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas 2008. ______. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. GUTIERR EZ, Gustavo Luis. Alianças e grupos de referência na produção de conhecimento: novos desafios para a pesquisa em ciências humanas. Campinas: Autores Associados, 2005. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 5.ed. 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2008. LAVILLE, Cristian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999. LUNA, Sergio Vasconcelos de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2002. MARQUES, Osorio Mario. Escrever é preciso: o princípio da pesquisa. Ijuí: Ed. Unijuí, 2001. MATTOS, Mauro Gomes de.; ROSSETTO Jr, Adriano José; BLECHER, Shelly. Teoria e prática da metodologia da pesquisa em educação física: monografia, artigo científico e projeto de ação. São Paulo: Phorte, 2004. MAY, Tim. Pesquisa Social: questões, métodos e processos. 3. ed. Porto Alegre : Artemed, 2004. MEDEIROS, João Bosco.Redaçãocientífica: a prática de fichamentos, resumos e resenhas. São Paulo: Atlas, 2005.
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    REFERÊNCIAS 189 MINAYO, MariaCecília de Souza (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 26. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. MOLINA NETO, Vicente; TRIVÑOS, Augusto Nibaldo Silva. (Orgs.). A pesquisa qualitativa na educação física: alternativas metodológicas. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFR GS/Sulina, 1999. MOREIRA, Wagner Wey. Corpo pressente. Campinas: Papirus, 1995. PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. Campinas: Papirus, 1996. PESSOA, Simone. Dissertação não é bicho-papão: desmistificando monografias, teses e escritos acadêmicos. Rio de Janeiro: Rocco, 2005. PINTO, Álvaro Vieira. Ciência e existência: problemas filosóficos da pesquisa científica. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. QUIVY, Raymond; CAMPENHOUDT, Luc Van. Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa: Gradiva, 1992. RICHARDSON, Roberto Jarry; et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo : Atlas, 1999. RICHARDSON, Roberto Jarry; et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo : Atlas, 2008. SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, 1999. SILVA, Edna Lúcia da. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3. ed. Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distância da UFSC , 2001. STEFF AN, Heinz Dietrich. Novo guia para a pesquisa científica. Blumenau: Ed. Da FURB, 1999. THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 16. ed. São Paulo : Cortez, 2008. TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.
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    190 VASCONCELLOS, Eduardo Mourão.Complexidade e pesquisa interdisciplinar: epistemologia e metodologia operativa. 2. ed. Petrópolis : Vozes, 2002. VIEGAS, W. Fundamentos lógicos da metodologia científica. Brasília: DF, Editora Universidade de Brasília, 2007. VIEIRA, Raymundo Manno. A composição e a edição do trabalho científico. São Paulo : Editora Lovise, 1995. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre : Bookman, 2005.
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    nota sobre osautores 191 NOTAS SOBRE OS AUTORES Antonio Carlos Frasson Possui graduação em Educação Física pela Escola de Educação Física e Desportos do Paraná (1973), mestrado em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (1995) e doutorado em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (2002) cujo tema versou sobre o Ensino Superior em Ponta Grossa: o tempo das faculdades. Foi professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa de 1976 a 2003. Atualmente é professor do Centro de Ensino Superior Campos Gerais – CESCAGE, atuando na área da Metodologia da Pesquisa Científica, professor do curso de especialização da Universidade Estadual de Ponta Grossa e integrante do quadro próprio do magistério do Governo do Estado do Paraná. É autor de diversos artigos a respeito da Educação Física e da Qualidade de Vida. Constantino Ribeiro de Oliveira Junior Possui graduação em Licenciatura em Educação Física pela Univer- sidade Estadual de Ponta Grossa (1990), especialização em Teoria e Prática do Futebol/Futsal pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Arapongas (1991), especialização em Ciência da Educa- ção Motora pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1993) , especialização em Pedagogia do Esporte pela Universidade Esta- dual de Ponta Grossa (1994), mestrado em Educação pela Univer- sidade Metodista de Piracicaba (1996) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa e do Programa de Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas. Tem experi- ência na área de Educação Física, com ênfase em Estudos do Lazer. Atua principalmente nos seguintes temas: Trabalho, Lazer, Políticas púbicas, Meninos de rua, Identidade.
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    UemaNet - Núcleode Tecnologias para Educação Informações para estudo Central de Atendimento 0800-280-2731 Sites www.uema.br www.uemanet.uema.br http://ava.uemanet.uema.br
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    Universidade Estadual doMaranhão – UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação – UemaNet Caro Estudante, No sentido de melhorar a qualidade do material didático, gostaríamos que você respondesse às questões abaixo com presteza e discernimento. Após, destaque a folha da apostila e entregue ao seu Tutor. Não é necessário assinar. Município: _________________________________ Polo: _______________________ Turma: _________ Data: _____/ _____/__________ Responda as questões abaixo de forma única e objetiva [O] - ótimo, [B] – bom, [R] - regular, [I] - insuficiente 1 Qualidade gráfica [O] [B] [R] [I] 1.1 Encadernação gráfica 1.2 Formatação da apostila 1.3 Ícones apresentados são informativos 1.4 Tamanho da fonte (letra) 1.5 Tipo de fonte está visível (Arial, Times New Roman...) 1.6 Qualidade de ilustração 2 Conteúdo [O] [B] [R] [I] 2.1 Coesão 2.2 Coerência 2.3 Contextualizado com a realidade e prática 2.4 Organização 2.5 Programa da disciplina (Ementa) 2.6 Incentiva à pesquisa 3 Atividades [O] [B] [R] [I] 3.1 Atividades relacionadas com a proposta da disciplina 3.2 Atividades relacionadas com a realidade e a prática 3.3 Relacionadas ao conteúdo 3.4 Contextualizadas com a prática 3.5 Claras e de fácil entendimento 3.6 Estão relacionadas com as questões das avaliações 3.7 São problematizadoras e incentivam à reflexão 3.8 Disponibilizam uma bibliografia complementar O material chega em tempo hábil? sim ( ) não ( )