PONTA GROSSA - PARANÁ
2010
Priscila Larocca
Desirée Salles Rosa
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
METODOLOGIA DO
TRABALHO ACADÊMICO
LICENCIATURA EM
Pedagogia
CRÉDITOS
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA
Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - NUTEAD
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2011
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	 Larocca, Priscila
L326m Metodologia do Trabalho Acadêmico / Priscila Larocca e 	
	Desirée Salles Rosa. Ponta Grossa : UEPG/ NUTEAD,2011.
	 127p. il.
	 Licenciatura em Pedagogia - Ensino à distância.
1. Trabalho Científico - modalidades. 2. Trabalhos Científicos –
	Normalização Técnica. 3. Divulgação e publicação científica.
	 4. Seminários. I. Rosa, Desirée Salles. II. T.
CDD : 001.42
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
AUniversidade Estadualde PontaGrossaéumainstituiçãode ensino
superior estadual, democrática, pública e gratuita, que tem por missão
responder aos desafios contemporâneos, articulando o global com o local,
a qualidade científica e tecnológica com a qualidade social e cumprindo,
assim, o seu compromisso com a produção e difusão do conhecimento,
com a educação dos cidadãos e com o progresso da coletividade.
No contexto do ensino superior brasileiro, a UEPG se destaca tanto
nas atividades de ensino, como na pesquisa e na extensão Seus cursos
de graduação presenciais primam pela qualidade, como comprovam os
resultados do ENADE, exame nacional que avalia o desempenho dos
acadêmicos e a situa entre as melhores instituições do país.
A trajetória de sucesso, iniciada há mais de 40 anos, permitiu que
a UEPG se aventurasse também na educação a distância, modalidade
implantada na instituição no ano de 2000 e que, crescendo rapidamente,
vem conquistando uma posição de destaque no cenário nacional.
Atualmente, a UEPG é parceira do MEC/CAPES/FNED na execução
do programas Pró-Licenciatura e do Sistema Universidade Aberta do
Brasil e atua em 38 polos de apoio presencial, ofertando, diversos cursos
de graduação, extensão e pós-graduação a distância nos estados do
Paraná, Santa Cantarina e São Paulo.
Desse modo, a UEPG se coloca numa posição de vanguarda,
assumindo uma proposta educacional democratizante e qualitativamente
diferenciada e se afirmando definitivamente no domínio e disseminação
das tecnologias da informação e da comunicação.
Os nossos cursos e programas a distância apresentam a mesma
carga horária e o mesmo currículo dos cursos presenciais, mas se utilizam
de metodologias, mídias e materiais próprios da EaD que, além de serem
mais flexíveis e facilitarem o aprendizado, permitem constante interação
entre alunos, tutores, professores e coordenação.
Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos
para promover a sua aprendizagem e que tenha muito sucesso no curso
que está realizando.
A Coordenação
SUMÁRIO
■■ PALAVRAS DAS PROFESSORAS 7
■■ OBJETIVOS E EMENTA 9
OTRABALHO CIENTÍFICO 11
■■ SEÇÃO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CIÊNCIA E DO TRABALHO CIENTÍFICO 13
■■ SEÇÃO 2 - A ESTRUTURA LÓGICA DO TRABALHO CIENTÍFICO 16
■■ SEÇÃO 3 - FORMAS DE RACIOCÍNIO E TRATAMENTO DO OBJETO DE ESTUDO NO TRABALHO
CIENTÍFICO 21
■■ SEÇÃO 4 - A ELABORAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS: DEMONSTRAÇÃO,
ARGUMENTAÇÃO, LINGUAGEM E NORMALIZAÇÃO TÉCNICA 24
MODALIDADES DE TRABALHOS CIENTÍFICOS 35
■■ SEÇÃO 1 - MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES E TESES 37
■■ SEÇÃO 2 - O RESUMO COMO TRABALHO ACADÊMICO  41
■■ SEÇÃO 3 - A ELABORAÇÃO DE RESENHAS 48
NORMALIZAÇÃO TÉCNICA DE TRABALHOS
CIENTÍFICOS 59
■■ SEÇÃO 1 - ASPECTOS TÉCNICOS E OPERACIONAIS DA REDAÇÃO DE TRABALHOS
CIENTÍFICOS 61
■■ SEÇÃO 2 - USO DE CITAÇÕES, SISTEMAS DE CHAMADA E NOTAS  65
■■ SEÇÃO 3 - A ELABORAÇÃO DAS REFERÊNCIAS 74
DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA 83
■■ SEÇÃO 1 - OS ESPAÇOS DE DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO 84
■■ SEÇÃO 2 - ARTIGOS CIENTÍFICOS, ENSAIOS E PAPERS 89
■■ SEÇÃO 3 - A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA 93
SEMINÁRIOS 109
■■ SEÇÃO 1 - A TÉCNICA DO SEMINÁRIO  110
■■ BIBLIOGRAFIA  117
■■ AUTO-AVALIAÇÃO 119
■■ NOTAS SOBRE OS AUTORES					 127
PALAVRAS DAS PROFESSORAS
Quando iniciamos uma graduação universitária, precisamos ter em
conta que uma das principais exigências desse nível de formação, não
importa sobre qual disciplina ou área de conhecimento estejamos nos
debruçando, refere-se à necessidade de elaborar trabalhos científicos.
Na escolaridade anterior é comum que trabalhos dos estudantes
apresentem cópias literais de trechos e afirmativas de autores que foram
retirados dos livros das bibliotecas, ou da Internet, sem que haja, por
parte de quem faz o trabalho, qualquer preocupação em dar-lhes o devido
crédito. Embora indevidas, práticas dessa natureza são relativamente
frequentes entre os estudantes, sendo muitas vezes toleradas pelos
professores, quando se trata de alunos crianças ou ainda muito jovens.
Uma vez que os estudantes universitários são adultos e têm em vista
a formação profissional, é preciso superar tais práticas, pois o trabalho
científico não admite a cópia e deve alcançar cada vez mais autonomia e
cientificidade, tanto no conteúdo, quanto na forma.
Neste livro, preocupamo-nos em trazer até você subsídios de
metodologia científica a fim de orientá-lo/a para a elaboração, divulgação
e publicação de diferentes tipos de trabalhos que você será solicitado/a
fazer na sua vida acadêmica.
O livro contém conteúdos e atividades relativas ao trabalho
científico, à sua elaboração, estrutura, raciocínio e modalidades
que o caracterizam. Com ele você aprenderá a elaborar resumos
e resenhas, compreenderá a importância da normalização técnica
dos trabalhos científicos e será solicitado a exercitá-la. O livro traz,
ainda, conhecimentos relativos a diferentes espaços de divulgação
e publicação científica, à redação de artigos, ensaios e papers,
tratando, finalmente, da comunicação científica e da realização de
seminários.
Estamos certas de que você terá um excelente aproveitamento e
esperamos que este livro contribua efetivamente para que a sua formação
acadêmica e profissional seja
Profas. Priscila Larocca e Desirée Salles Rosa.
OBJETIVOS E EMENTA
Objetivos
Ao término de seus estudos nesta disciplina, esperamos que você seja capaz
de:
■■ Caracterizar ciência e trabalho científico.
■■ Distinguir entre conhecimento do senso comum e conhecimento científico.
■■ Reconhecer que o trabalho científico é produzido com base em uma
metodologia científica.
■■ Analisar o processo lógico do trabalho científico.
■■ Refletir sobre a importância da demonstração e da argumentação no
trabalho científico.
■■ Utilizar linguagem adequada na elaboração de trabalhos científicos.
■■ Buscar o significado de vocábulos desconhecidos nos dicionários e obras
especializadas.
■■ Utilizar a normalização técnica para estruturar e redigir os textos de
trabalhos acadêmicos.
■■ Reconhecer a importância da normalização técnica para a padronização do
formato e da apresentação de citações e referenciais bibliográficos utilizados
nos trabalhos acadêmicos.
■■ Identificar as características das diferentes modalidades de trabalho
científico: monografia, dissertação, tese, resumo e resenha.
■■ Identificar os elementos que compõem o resumo.
■■ Analisar os tipos de resumo: descritivo, analítico, misto e crítico.
■■ Compreender o papel da resenha bibliográfica como trabalho acadêmico.
■■ Identificar os elementos necessários para a elaboração de resenhas.
■■ Compreender a divulgação do trabalho científico como instrumento de
correção e avanço do trabalho científico, bem como de sua socialização.
■■ Identificar objetivos e formatos de diferentes tipos de eventos científicos.
■■ Compreender a importância das revistas científicas na divulgação do
conhecimento.
■■ Compreender a importância das publicações científicas para o avanço da
ciência.
■■ Reconhecer as principais formas de publicação científica e suas
características.
■■ Observar as normas técnicas próprias de diferentes revistas científicas, no
tocante à submissão de trabalhos.
■■ Identificar as principais características dos artigos e ensaios.
■■ Compreender a importância da comunicação científica, sua finalidade,
estrutura e estágios.
■■ Reconhecer o seminário como estratégia formativa.
■■ Identificar o papel de cada componente na realização de seminários
acadêmicos.
■■ Utilizar o roteiro do seminário em situações práticas.
Ementa
■■ O trabalho científico. Modalidades de trabalhos científicos: monografias,
resenhas, resumos, dissertações e teses. Elaboração de trabalhos científicos.
Normalização técnica de trabalhos científicos. Publicações científicas (artigos,
comunicações de pesquisa, ensaios, papers). Seminários.
O TRABALHO CIENTÍFICO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
■■ Caracterizar ciência e trabalho científico.
■■ Distinguir conhecimento do senso comum de conhecimento
científico.
■■ Reconhecer que o trabalho científico é produzido com base em
uma metodologia científica.
■■ Analisar o processo lógico do trabalho científico.
■■ Refletir sobre a argumentação.
ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ SEÇÃO 1: Caracterização da ciência e do trabalho científico
■■ SEÇÃO 2: A estrutura lógica do trabalho científico	
■■ SEÇÃO 3: Formas de raciocínio e tratamento do objeto de
estudo no trabalho científico
■■ SEÇÃO 4: A elaboração de trabalhos científicos: demonstração,
argumentação, linguagem e normalização técnica
UNIDADEI
UniversidadeAbertadoBrasil
12
UNIDADE 1
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Nesta unidade, caracterizamos o pensamento e o trabalho científico,
pois na educação superior você será chamado constantemente a pensar de
maneiracientífica,aproduzireaanalisartrabalhosquedevemsesituardentro
dasprerrogativasdoconhecimentocientífico.Porisso,énecessárioquevocê
compreendabemasexposiçõesquefaremosnestaunidadesobreoqueéecomo
seapresentaumtrabalhocientífico,equepasseautilizar,aolongodasuavida
acadêmica, as contribuições que trazemos aqui para você.
Todos nós sabemos que o homem, como ser inteligente que é,
produz conhecimentos nas mais diversas situações da vida diária.
Contudo, é preciso compreender que os conhecimentos científicos
diferem substancialmente daqueles que são produzidos e divulgados no
cotidiano das relações sociais espontâneas, caracterizados habitualmente
como conhecimentos de senso comum.
A rigorosidade em sua produção, publicação e divulgação é
provavelmenteacaracterísticamaisdistintivaemarcantedoconhecimento
científico. Daí porque a questão metodológica se impõe como seu
alicerce, permitindo-nos afirmar que todo conhecimento científico deve
ser produzido a partir de uma metodologia científica.
Isto significa que, cada vez que você tiver que produzir um trabalho
científico em sua vida acadêmica, será essencial levar em conta que ele
exigirá a redação e apresentação de um texto portador de características
próprias. Tais características deverão ser atendidas ao lado de outras que
se referem aos conteúdos específicos das áreas de conhecimento sobre os
quais o seu trabalho também se fundamentará. Essas características se
referem:
•	 à estrutura dissertativa e articulada do texto do trabalho
científico;
•	 às formas de raciocínio e de tratamento que você deve utilizar
em relação ao seu objeto de estudo;
•	 aos modos de elaborar e fundamentar as demonstrações e
argumentações que você pretende realizar;
•	 ao uso adequado do vocabulário; e, finalmente,
•	 à obediência à normalização técnica para a redação e
apresentação do seu trabalho científico.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
13
Na vida cotidiana, o homem produz conhecimentos de acordo
com suas necessidades de resolver problemas práticos. A esse tipo de
conhecimento costumamos chamar senso-comum.
Osenso-comuméumconhecimentoformadoporinúmerastentativas
e erros; muitas vezes é atravessado pelas nossas intuições, por hábitos que
adquirimos ou por tradições e crenças veiculados de maneira espontânea
em nosso cotidiano social. O fato é que o conhecimento de senso comum
é também passado de geração para geração, por meio do aprendizado
que os mais novos vão acumulando através da orientação dos mais velhos
e experientes. Todavia, esse tipo de conhecimento não é suficiente para
atender às exigências de desenvolvimento da humanidade, pois, em sua
espontaneidade, o senso comum não é um conhecimento sistematizado,
organizado, além de ser atravessado por tradições, crenças e superstições
que fogem ao domínio da razão.
Embora originado nos problemas cotidianos, os homens
desenvolveram outro tipo de conhecimento mais sistemático, formal e
controlado,quediferesubstancialmentedosensocomum,poiséproduzido
de maneira não espontânea. A esse conhecimento denominamos
“conhecimento científico”, sendo sua produção denominada “trabalho
científico”.
O conhecimento de senso comum difere do conhecimento científico,
construído sobre as bases da ciência.
A ciência, segundo Bock (1989, p.19), “compõe-se de um conjunto
de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade (objeto de estudo),
expresso através de uma linguagem precisa e rigorosa.”
SEÇÃO 1
CARACTERIZAÇÃO DA CIÊNCIA E DO TRABALHO
CIENTÍFICO
As quatro seções que compõem esta primeira unidade de estudo
tratam, portanto, dessas características. Ao estudá-las, você observará
que cada uma delas comporta desdobramentos, explicações e reflexões
que você deve analisar e fixar, sem esquecer de realizar as atividades
previstas para esta unidade, ao final das quatro seções. Bom proveito na
leitura e vamos ao trabalho!
UniversidadeAbertadoBrasil
14
UNIDADE 1
Para ser científico, o conhecimento
deve ser obtido de modo programado,
sistemático e controlado, possibilitando
que a experiência que o produziu possa ser
reproduzida, checada em sua validade, e
até mesmo refutada. É dessa forma que o
saber científico poderá ser transmitido, verificado, negado, utilizado, e
até mesmo reconstruído, pois uma das mais importantes características
de um conhecimento científico está na possibilidade de sua continuidade.
Segundo Bock (1989), “um novoconhecimento é produzido sempre a partir
de algo anteriormente desenvolvido. Nega-se, reafirma-se, descobrem-se
novos aspectos e assim a ciência avança.” (p.19).
Observe, no quadro que se segue, as características próprias
do conhecimento científico e reflita sobre as diferenças entre essas
características e as do conhecimento de senso comum.
SENSO COMUM CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Todo ser humano, de qualquer nível cultural. Especialistas de áreas diferentes da ciência.
Ocasional, assistemático, ametódico. Programado, sistemático e metódico.
Noções são baseadas em especulação
e são raramente submetidas a qualquer
espécie de teste de exatidão.
Requer clareza e exatidão: definições
operacionais e verificações de possíveis
erros.
Suas explicações são superficiais e muitas
vezes sem comprovação.
É explicativo – (causas, consequências e
relações com outros fenômenos).
É superficial – conhece a realidade somente
em sua aparência – baseia-se em opiniões.
É mais profundo, atêm-se aos fatos e
também os transcende (busca relações com
outros fatos).
Não tem intenção de formular um conjunto
de conhecimento ordenado e comprovado.
Busca e aplica leis. Leis válidas para
os casos que ocorrerem nas mesmas
condições.
Não questiona, não analisa, aceita
passivamente, sem análise.
É crítico, rigoroso, objetivo, prova sua ideia,
demonstra – é verificável.
A comunicação é baseada em preferências,
opiniões, muitas vezes de forma persuasiva.
É comunicável – sua comunicação é
informativa e não expressiva. Seu propósito
é comunicar e não seduzir.
Não dá para prever eventos futuros da
mesma forma.
Pode fazer predições, prognósticos.
Sujeito a erro. Menor possibilidade de erro.
Quadro comparativo extraído de Di Domenico e Cassetari (2002, p. 58).
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
15
Podemos perceber, neste quadro, que uma das chaves para a
construção do conhecimento científico situa-se na questão metodológica.
Assim, não importa a área de conhecimentos de que estejamos tratando,
todo conhecimento, para ser científico, deve ser produzido sobre as
bases de uma metodologia científica.
Veja o que diz Bock sobre o
conhecimento científico:
Objeto específico, linguagem
rigorosa, métodos e técnicas
específicas, processo cumulativo do
conhecimento, objetividade fazem da
ciência uma forma de conhecimento
que supera em muito o conhecimento
espontâneo do senso comum. Esse conjunto de características é o que
permite que denominemos de científico a um conjunto de conhecimentos.
(BOCK, 1989, p.19, grifos da autora).
Os aspectos metodológicos do trabalho científico se tornam
gradativamente mais importantes, na medida em que os
estudantes se familiarizam com as convenções e regras da
comunidade científica e ganham experiência na produção do
conhecimento.
Veja, agora, como podemos conceituar o trabalho científico:
Para Severino (2002), do ponto de vista lógico, o trabalho científico é
um discurso que, em geral, assume a forma dissertativa e visa demonstrar,
mediante argumentos, uma tese, que é uma solução proposta para um
problema, relativo a determinado tema.
O objetivo de demonstrar uma tese ou uma ideia é, portanto, a razão
de ser do trabalho científico, e isso é feito por meio de argumentos, ou seja,
pela “articulação de ideias e fatos, portadores de razões que comprovem
aquilo que se quer demonstrar.” (SEVERINO, 2002, p.183).
Notamos, portanto, que o trabalho científico se funda sobre o
alicerce de um processo reflexivo lógico, o qual irá se materializar num
texto que deve ser portador de um discurso completo, cuja forma mais
usual é a dissertativa.
Assim, você não deve esquecer que:
“... o trabalho científico assume a forma dissertativa, pois seu
objetivo é demonstrar, mediante argumentos, uma tese, que é uma solução
UniversidadeAbertadoBrasil
16
UNIDADE 1
proposta para um problema, relativo a determinado tema.” (SEVERINO,
2002, p.183, grifos do autor).
Vimos que o trabalho científico deve apresentar-se como um discurso
completo e articulado. Isso impõe a necessidade de uma estrutura lógica
para a sua apresentação. Como a dissertação é o formato mais comum
do trabalho científico, vejamos o que diz Medeiros (1997, p. 199) a esse
respeito: “Denomina-se dissertativo todo texto que apresenta um juízo
valorativo sobre um fato, ou acontecimento, ou uma opinião sobre um
objeto ou ação, ou uma visão subjetiva sobre um assunto.”
Ao pretendermos produzir um trabalho científico, devemos prestar atenção em certos requisitos que
devem ser atendidos no processo de produção do nosso texto. Vejam agora, quais são eles:
REQUISITOS PARA A PRODUÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO
- a estrutura do trabalho
- o raciocínio e o tratamento do objeto
- a demonstração e a argumentação
- o vocabulário
- as normas técnicas da redação científica
Como você pode verificar, todos esses requisitos se referem unicamente ao aspecto metodológico
da produção do trabalho científico. Devemos lembrar que há, ainda, o aspecto dos conteúdos que
o trabalho abordará. Estes serão objeto dos seus estudos nas diferentes disciplinas do seu curso,
mediante a orientação dos seus professores.
Nas seções que se seguem, cada um desses requisitos será explicitado.
No conceito de texto dissertativo fica evidente que o trabalho a ser produzido deve expressar a
elaboração de um ou mais pontos de vista de quem o escreve acerca do objeto em estudo. Se não
for assim, podemos entender que o trabalho não trará contribuições efetivas ao estudo do problema
e da temática abordados, configurando-se, apenas, como um simples apanhado de informações ou
conclusões Nas seções que se seguem, cada um desses requisitos será explicitado.
SEÇÃO 2
A ESTRUTURA LÓGICA DO TRABALHO CIENTÍFICO
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
17
A estrutura lógica de uma dissertação comporta três elementos
articulados entre si: introdução, desenvolvimento e conclusão.
Veremos, na sequência, cada um dos elementos do texto dissertativo.
A introdução do trabalho científico
A introdução tem a função de
preparar o leitor para a problematização
que se vai desenvolver ao longo do
trabalho. Com a introdução, evitamos
entrar no problema de maneira abrupta,
pois contextualizamos o objeto em
estudo para o leitor, levando em conta elementos como a temática, sua
delimitação na forma de questões ou problematizações a serem estudadas,
os objetivos do trabalho, sua relevância, possíveis hipóteses que temos
sobre o problema, ideias, conceitos ou referenciais centrais da abordagem
que faremos e a metodologia de pesquisa utilizada.
A introdução poderá trazer uma rápida revisão da bibliografia
existente sobre o problema em questão, mas há quem prefira proceder à
revisão da literatura logo no início do desenvolvimento do trabalho.
No final da introdução, devemos sempre anunciar quais são as
partes ou subdivisões existentes no trabalho.
INTRODUÇÃO,
DESENVOLVIMENTO
E CONCLUSÃO: esses
elementos devem estar
presentes tanto em
trabalhos sob forma de
ensaio, como em trabalhos
de comunicação de
pesquisas. A diferença é
que os trabalhos científicos
na forma de ensaios não
comportam a descrição da
metodologia de pesquisa.
Leia com atenção o que diz Severino (2002, p. 82-83) sobre a introdução de um trabalho científico:
A introdução, quando for o caso, levanta o estado da questão,
mostrando o que já foi escrito a respeito do tema e assinalando a
relevância e o interesse do trabalho. Em todos os casos, manifesta as
intenções do autor e os objetivos do trabalho, enunciando seu tema,
seu problema, sua tese e os procedimentos que serão adotados para
o desenvolvimento do raciocínio. (...) Lendo a introdução, o leitor
deve sentir-se esclarecido a respeito do teor da problematização do
tema do trabalho, assim como a respeito da natureza do raciocínio a
ser desenvolvido. Evitem-se intermináveis retrospectos históricos, a
apresentação precipitada dos resultados, os discursos grandiloquentes.
Deve ser sintética e versar única e exclusivamente sobre a temática
intrínseca do trabalho. Note-se que é a última parte do trabalho a ser
escrita. (grifos do autor).
UniversidadeAbertadoBrasil
18
UNIDADE 1
A introdução possui certas características que devemos atender.
Uma delas é a brevidade, ou seja, na introdução não nos alongamos em
discussões ou análises, mas fazemos um panorama geral do trabalho,
utilizando uma linguagem objetiva e breve, pressupondo que haverá
um desenvolvimento das ideias mais adiante, ao longo do trabalho.
Sendo assim, a introdução exige capacidade de síntese, razão pela qual
é preferível escrever a introdução depois da redação definitiva das outras
partes do trabalho (desenvolvimento e conclusão).
Outra característica importante que uma boa introdução deve
apresentar é que ela deve ser motivadora, pois essa parte do trabalho,
além de permitir uma breve visão do seu todo, deve ainda despertar o
interesse de quem o vai ler.
Vejamos os componentes da estrutura interna de uma introdução:
•	 Introdução
•	 Proposição da temática e apresentação da problematização em
estudo;
•	 Apresentação do(s) objetivo(s) do trabalho;
•	 Apresentação da justificativa ou relevância do trabalho;
•	 Breveposicionamentodashipóteses(sehouver)edasideiascentrais
do trabalho;
•	 Breveelucidaçãosobreametodologiautilizada(emcasodetrabalhos
de pesquisa);
•	 Revisão de literatura (bibliografia existente sobre o tema);
•	 Anúncio das partes ou subdivisões que compõem o trabalho.
A ordem desses componentes internos não é fixa, tal como
propusemos aqui, mas é uma decisão de quem vai escrever o texto. O
importante é que todos os elementos necessários à compreensão global
do trabalho estejam presentes em sua introdução.
	
O desenvolvimento do trabalho científico
Comumente chamado de “corpo do trabalho”, nessa parte
desenvolvemos a(s) ideia(s) que anunciamos na introdução,
fundamentando-a(s) por meio de argumentos teóricos e empíricos.
Para Medeiros (1997, p. 202):
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
19
O desenvolvimento é um elemento da estrutura do texto
que busca examinar fatos extrínsecos e intrínsecos. (...) ao
desenvolver as idéias, parte-se da investigação de formas
externas para o exame de idéias internas. A argumentação
utilizada para ambos os exames inclui análises de prós e
contras, para que o leitor saia convencido da leitura. As
opiniões não bastam; é preciso examinar os fatos e interpretá-
los, bem como não deixar nada subentendido. Se possível,
apresente-se farta exemplificação.
Isso significa que o desenvolvimento de um trabalho científico
deve comportar argumentos lógicos, coerentes e bem estruturados, e
não se reduz a simples exposição de opiniões pessoais ou a um apanhado
de ideias acerca de determinado tema por parte de quem apresenta o
trabalho.
Mesmo as opiniões, no caso dos trabalhos científicos, precisam ser
fundamentadaslogicamente,comargumentosconvincenteserespaldados
por teorias e/ou fatos que possam ser comprovados.
Disso deriva que o trabalho científico deve ser fundamentado em
outros trabalhos igualmente científicos. Emerge daí a importância de o
estudante ter realizado uma boa revisão de literatura, pois quando esta é
bem feita, o desenvolvimento do tema é extremamente favorecido.
Vejamos o que diz Severino (2002, p.83) sobre o desenvolvimento
de um trabalho científico:
A fase de fundamentação lógica do tema deve ser exposta
e provada; a reconstrução racional tem por objetivo
explicar, discutir e demonstrar. Explicar é tornar evidente
o que estava implícito, obscuro ou complexo; é descrever,
classificar e definir. Discutir é comparar as várias posições
que se entrechocam dialeticamente. Demonstrar é aplicar a
argumentação apropriada à natureza do trabalho. É partir de
verdades garantidas para novas verdades.
Então, não podemos esquecer as três ações importantes no
desenvolvimento de um trabalho científico:
EXPLICAR Descrever, classificar e definir.
DISCUTIR Comparar as várias posições.
DEMONSTRAR Aplicaraargumentaçãoapropriada.
REVISÃO DE
LITERATURA: Busca
exaustiva de bibliografia
referente ao tema em
estudo. Em geral, faz-se
a busca por meio das
palavras-chave ou de
descritores relativos ao
tema.
UniversidadeAbertadoBrasil
20
UNIDADE 1
A estrutura do desenvolvimento deverá ser planejada antes que
comecemos a escrevê-lo. Essa estrutura poderá comportar subdivisões
em tópicos, itens, seções, capítulos, etc. É importante lembrar também
que os títulos e subtítulos utilizados no trabalho precisam ser portadores
de sentido, ou seja, retratem a ideia exata do conteúdo referente àquela
unidade do trabalho.
A conclusão do trabalho científico
Como é a última parte do trabalho, cabe à conclusão confirmar
ou não as hipóteses levantadas na introdução (quando essas existem),
e/ou retomar os objetivos traçados e as problematizações levantadas,
procurando respondê-los para o leitor. Assim, a conclusão é uma síntese
das considerações ou resultados mais relevantes obtidos através da
pesquisa realizada para o trabalho.
Em geral, é nessa parte do trabalho que aquele que escreve
manifesta seu ponto de vista, nunca, porém, como mera opinião, mas
como inferências que derivam das argumentações e demonstrações
efetuadas ao longo do trabalho.
A conclusão deverá compor-se de um texto breve e trazer uma
rápida recapitulação dos resultados obtidos na pesquisa. Para Severino
(2002, p.83):
Se o trabalho visar resolver uma tese-problema e se, para
tal, o autor desenvolver uma ou várias hipóteses, através
do raciocínio, a conclusão aparecerá como um balanço do
empreendimento. O autor manifestará seu ponto de vista
sobre os resultados obtidos, sobre o alcance dos mesmos. (...)
Quando o trabalho é essencialmente analítico e comporta
uma pesquisa positiva sobre o pensamento de outros autores,
esta conclusão pode ser fundamentalmente crítica. Quando,
porém a crítica é mais desenvolvida, entrará no corpo do
trabalho como um capítulo.
Atualmente, o termo “Conclusão”
vem sendo substituído por outras
expressões, como “Considerações
finais”, “Aprendizados da caminhada”,
“Últimas palavras”, etc. O que é
importante considerar é que, sendo
um texto finalizador do trabalho, os
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
21
resultados devem ser destacados em função dos objetivos traçados, num
sentido de síntese e de apreciação.
A conclusão poderá, ainda, apontar perspectivas em aberto, em
relação ao tema problematizado.
SEÇÃO 3
FORMAS DE RACIOCÍNIO E TRATAMENTO DO OBJETO DE
ESTUDO NO TRABALHO CIENTÍFICO
Quando redigimos um trabalho científico, valemo-nos de certas formas
de raciocínio e de determinados tratamentos ao objeto de estudo sobre o qual
nos debruçamos. Esse processo implica a demonstração das ideias por meio
de argumentos através dos quais buscaremos comprovar aquilo a que nos
propusemos. Como diz Demo (2005, p. 103), “na prática, ciência é a arte de
argumentar”.
Para demonstrar bem as ideias, as argumentações precisam ser
redigidas de modo simples, claro, preciso e conciso, pois o trabalho científico
não é uma obra poética ou literária. A principal finalidade do trabalho
científico é comunicar aos pares (professores e colegas da mesma área ou
áreas correlatas) uma pesquisa realizada.
Yoshida (2006) adverte que, na redação científica, “ao aplicar seu estilo
pessoal ao texto, os autores precisam tomar cuidado para não contaminá-lo
com excesso de verborragia, rebuscamento, erudição e gongorismo. Deve-se
evitar inversões de frases, trocadilhos e metáforas.”
Os raciocínios
Severino (2002) explica que, quando argumentamos, nos baseamos
nas conclusões dos nossos raciocínios. O processo de raciocinar, por sua vez,
implica operações mentais específicas, pois, durante o raciocínio, ordenamos
juízos e conceitos de modo a obter um novo conhecimento a partir de um
antigo. Raciocinar implica, portanto, passar de um conhecimento para outro.
Esse processo, segundo o autor, comporta duas fases: uma fase antecedente e
uma fase consequente, devendo existir entre elas um nexo lógico.
Notemos, então, que:
CONCISO: resumido,
exato, em poucas palavras.
GONGORISMO: A
expressão gongorismo
se refere ao excesso de
metáforas, antíteses,
trocadilhos e alusões
clássicas. A palavra provem
da escola espanhola de
poesia de Luís de Góngora
y Argote.
UniversidadeAbertadoBrasil
22
UNIDADE 1
O antecedente compõe-se de uma ou várias premissas e o
conseqüente constitui-se de uma conclusão. A afirmação da
conclusãoéfeitaàmedidaquedecorreoudependedaspremissas.
A relação lógica de conhecimentos prévios a conhecimentos até
entãonãoafirmadoséumarelaçãodeconseqüência.SEVERINO,
2002, p.192).
Vejamos, agora, as duas formas lógicas de raciocínio: o raciocínio
dedutivo e o raciocínio indutivo.
O raciocínio dedutivo parte de premissas, princípios ou fatos já aceitos
(chamados universais) para chegar a uma conclusão particular. Procede do
geral para o particular.
Exemplo de dedução:
Todos os homens são mortais. (premissa geral).
Paulo é homem.
Paulo é mortal. (conclusão particular).
O raciocínio indutivo parte de fatos ou premissas particulares para
chegar a uma conclusão mais universal, ou seja, procede de fatos particulares
para chegar a uma generalização.
Exemplo de indução:
João morreu, Maria morreu, Pedro morreu. (fatos particulares)
Os seres humanos são mortais. (conclusão geral).
RACIOCÍNIO DEDUTIVO RACIOCÍNIO INDUTIVO
GERAL PARTICULAR PARTICULAR GERAL
Essas são as formas de raciocínio que você utilizará para a realização dos seus trabalhos
científicos, as quais figurarão como elementos importantes do seu processo de argumentação. Então,
não esqueça:
“O raciocínio é um processo de pensamento pelo qual conhecimentos são logicamente encadeados
de maneira a produzirem novos conhecimentos.” (SEVERINO, 2002, p.183).
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
23
As formas de tratar o objeto de estudo
Uma vez compreendidas as formas de raciocínio que você utilizará
nos trabalhos científicos, podemos abordar as formas de tratar o objeto de
estudo.
O objeto de estudo a que nos referimos pode ser uma ideia, um
problema, um conceito ou um texto e as formas de tratá-lo são a análise e a
síntese.
A análise é um processo de decomposição do objeto em estudo em
suas partes constitutivas. Ao procedermos a uma análise nós tomamos o todo,
dividimos, discriminamos e isolamos cada parte que o compõe, de modo a
torná-lo mais simples. Como explica Severino (2002, p.193):
A análise é um pré-requisito para uma classificação. Esta se
baseia em caracteres que definem critérios para a distribuição
das partes em determinadas ordens. Não é outra coisa que se
manifesta quando um texto é esquematizado, estruturado: as
divisões seguem determinados critérios que não podem ser
mudados arbitrariamente. Para se descobrir tais caracteres
procede-se analiticamente.
Isso significa que ao analisarmos um texto, por exemplo, nós buscamos
conheceremseuconteúdooscritériosqueorientamassuaspossíveisdivisões.
A síntese é um processo que recompõe o todo a partir de suas partes.
Para Severino (2002, p.193), na síntese, “o objeto decomposto pela análise
é recomposto, reconstituindo-se a sua totalidade”. Como uma totalidade, a
síntese permite formar uma visão de conjunto, uma visão global das relações
existentes entre as partes, conferindo a essas relações um sentido unificador.
Tanto a análise como a síntese são processos lógicos da inteligência
humana, que se seguem a uma visão indiferenciada ou sincrética das coisas.
Veja abaixo o esquema explicativo:
VISÃO
SINCRÉTICA
DO TODO
DECOMPOSIÇÃO
EM PARTES
ANÁLISE
RECOMPOSIÇÃO
DO TODO
SÍNTESE
Agora que você já sabe o que são análise e síntese, preste
atenção às solicitações que seus professores farão quanto aos trabalhos
científicos: uma análise pressupõe decomposição em partes; uma síntese,
recomposição do todo.
UniversidadeAbertadoBrasil
24
UNIDADE 1
Já vimos que o trabalho acadêmico deverá assumir a forma dissertativa,
procedendo à demonstração de uma tese ou ideia, mediante argumentos
apropriados.	 Você já aprendeu que o conhecimento, para ser científico,
deve identificar-se com um conjunto de procedimentos lógicos e formais,
planejadosesistematizados,queseutilizadecritériosrigorososparaprocessar
asinformações.Sendoassim,adimensãometodológicadotrabalhocientífico,
seu formato e sua redação devem ser objetos de permanente interesse
acadêmico. Conforme nos diz Medeiros (1997, p. 33): “Será chamada
pesquisa científica se sua realização for objeto de investigação planejada,
desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela
ciência.”
Isto é importante porque um dos principais pressupostos da pesquisa
científica é a sua socialização, ou seja, sua divulgação primeiramente
nos meios acadêmicos e posteriormente nos não acadêmicos. Por isso, se
realizamos um trabalho que se pretende científico, devemos ter em mente a
elaboração do texto que relatará esse trabalho, uma vez que outras pessoas
terão acesso ao trabalho científico por meio do texto redigido pelo(s) seu(s)
autor(es).
Daí a necessidade de quem redige o trabalho científico empenhar-se
para garantir que o leitor compreenda, a partir da mediação do texto escrito,
todo o processo realizado no trabalho em discussão.
SEÇÃO 4
A ELABORAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS:
DEMONSTRAÇÃO, ARGUMENTAÇÃO, LINGUAGEM E
NORMALIZAÇÃO TÉCNICA
Entre os aspectos de significativa importância para que você realize um bom
trabalho científico destacam-se:
•	 	 a demonstração;
•	 	 a argumentação;
•	 	 a linguagem;
•	 	 a normalização técnica exigida para a sua redação.
Trataremos, a seguir, de cada um desses aspectos.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
25
1. A demonstração e a argumentação
A demonstração visa comprovar a tese ou a ideia problematizada
em seu trabalho e só pode ser realizada por meio do uso de argumentos. A
demonstração pressupõe etapas no tratamento do objeto de estudo. Segundo
Severino (2002, p.184): “A demonstração da tese é realizada mediante uma
sequência de argumentos, cada um provando uma etapa do discurso.”
Geralmente, os modos mais usuais de demonstração utilizam-se
de argumentações que seguem o raciocínio dedutivo. A demonstração
consiste, pois, em um processo reflexivo e articulado, pois liga ideias e fatos,
comprovando o que se quer demonstrar. (SEVERINO, 2002).
Por causa da frequente confusão que as pessoas fazem em torno dos
termos demonstração e argumentação, Severino (2002) procura distingui-los,
esclarecendo que a demonstração é, na verdade, o conjunto sequenciado de
operações lógicas que, de conclusão em conclusão, chega a uma conclusão
final procurada; enquanto isso, a argumentação é a própria operação ou
atividade executada durante a demonstração. Argumentar é, então, operar
com argumentos.
No trabalho científico as principais fontes de argumentação são duas:
a evidência racional e a evidência dos fatos.
A evidência racional funda-se na utilização da racionalidade lógica,
implicando desdobramentos racionais/lógicos nos raciocínios que são
trazidos no interior da argumentação.
A evidência factual, por sua vez, corresponde à apresentação dos fatos
propriamente ditos, que comprovam as ideias que estão em questão.
No trabalho científico, a evidência dos fatos é imprescindível.
Geralmente essa evidência é trazida com a denominação “dados empíricos”
e se refere, por exemplo, ao uso de estatísticas e dados resultantes de
levantamentos de campo, de laboratórios, etc.
Vejamos, a seguir, o que Severino (2002, p.186) define e recomenda em
relação à argumentação:
Argumentar consiste, pois, em apresentar uma tese, caracterizá-
la devidamente, apresentar provas ou razões que estão a seu
favor e concluir, se for o caso, pela sua validade. Para evitar que
fiquem abertas margens para dúvidas, devem ser examinadas
eventualmente as razões contrárias, tentando-se refutar a tese e
prevenindo-se de objeções.
Mediante o exposto, você poderá concluir que o discurso dissertativo,
RACIOCÍNIO DEDUTIVO:
Lembre-se de que o
raciocínio dedutivo parte
de princípios ou fatos já
aceitos para chegar a
uma conclusão particular.
Procede do geral para o
particular.
UniversidadeAbertadoBrasil
26
UNIDADE 1
característico do trabalho científico,
precisa ser redigido conforme o
encadeamento das argumentações
que compõem a demonstração. Esse
encadeamento se refere à apresentação,
defesa e/ou refutação de ideias ou fatos
pertinentes ao tema, compondo um
processo lógico, racional, que leva a conclusões válidas.
2. A linguagem e a normalização técnica na redação do
trabalho científico
A elaboração do trabalho científico está diretamente relacionada à
observânciadecertosprocedimentos,entreosquaissãobastanteimportantes:
o uso de um repertório linguístico adequado e a redação em obediência às
chamadas “normas técnicas”.
Segundo Oliveira (2006), cada vez mais se exige dos estudantes que
produzam seus trabalhos de acordo com as normas e a metodologia do
trabalho científico. Em virtude dessa exigência, muitos estudantes criam
expectativasemtornodemodelosoureceitasaseguir,julgandoque,seguindo
um modelo, obterão pleno sucesso na elaboração dos seus trabalhos.
Infelizmente, nem sempre os estudantes percebem que alguns
poucos modelos utilizados como exemplos não dão conta do universo de
possibilidades e/ou dificuldades que podem se apresentar no campo dos
trabalhos acadêmicos. Assim, será necessário que o estudante se disponha
a estar constantemente adequando os seus trabalhos, procurando utilizar
uma linguagem correta, um vocabulário mais rico e apropriado à área de
conhecimento em questão, bem como fazendo uso da normalização técnica
exigida para estruturar e redigir o texto.
Nesse sentido, você precisa dispor-se a praticar a redação e a busca
de vocábulos desconhecidos nos dicionários, nas obras indicadas por seus
professores, como também a consultar, a cada trabalho, as normas técnicas
nos manuais de normalização bibliográfica.
A importância da linguagem
Ao tratarmos da importância metodológica da linguagem, é útil lembrar
ainda que as formas de linguagem culta e técnica são as requeridas para a
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
27
redação do trabalho acadêmico, uma vez que este se caracteriza como um
ato de comunicação formal. Por causa disso, não é apropriada a utilização da
linguagem coloquial (linguagem tal como falada no cotidiano) nos trabalhos
acadêmicos.
Você já estudou que a linguagem culta é aquela que obedece padrões
e convenções da língua, respeita as regras gramaticais e é frequentemente
adquirida mediante as experiências de escolarização do sujeito e também
por meio das suas práticas de leitura.
Devemos considerar que a leitura é um fator dos mais relevantes para
melhorar o nosso vocabulário e a correção da nossa linguagem em geral.
Lembremos Medeiros (1997), que afirma que a ampliação do nosso
vocabulário caminha paralelamente ao nosso desempenho da leitura: quem
lê pouco, em geral, tem vocabulário reduzido.
A linguagem culta difere da linguagem coloquial que é utilizada nas
relações informais do dia a dia. A linguagem coloquial serve a propósitos
comunicativos bem diferentes daqueles que um trabalho acadêmico exige,
daí porque não se preocupa em seguir as normas da língua e admite,
inclusive, o uso de gírias, expressões populares e incorreções gramaticais.
(SARMENTO, 2000).
A utilização de uma linguagem técnica pressupõe a especialização
referente a cada área de conhecimento. Esta é a razão pela qual podemos
encontrar muitos dicionários especializados, os quais devemos procurar para
compreender o uso de uma ou mais palavras no contexto de determinada
área de conhecimento ou formação.
Como o vocabulário técnico corresponde à linguagem específica de
cada área de conhecimento, muitas vezes encontramos um mesmo vocábulo
com significados distintos, cada qual derivado de uma área de conhecimento
diferente. É importante, por isso, que o estudante esteja atento e perceba
essas variações de significado.
NÃO ESQUEÇA!
O desenvolvimento da
capacidade do estudante
de compreender e
interpretar textos passa
pela ampliação do seu
vocabulário.
LINGUAGEM CULTA: Não
é demais lembrar que a
norma culta da língua é
também a mais valorizada
do ponto de vista social.
UniversidadeAbertadoBrasil
28
UNIDADE 1
Além disso, como apresentamos tendência a escrever de maneira
coloquial, é importante proceder a uma ou mais revisões do texto antes
de entregá-lo ao professor. Essas revisões devem se tornar um hábito do
estudante, tendo em vista corrigir e melhorar a linguagem, procurando
aproximar-se mais e mais da linguagem culta.
Portanto, ao tratarmos da elaboração dos trabalhos acadêmicos, o bom
repertório vocabular é um requisito indispensável.
A importância da normalização técnica
A questão da normalização técnica é outro requisito indispensável à
elaboração dos trabalhos acadêmicos, pois, como diz Oliveira (2006, p. 11):
O estudante acadêmico que tiver oportunidade de elaborar seus
trabalhos escolares, mesmo que de pequeno porte, de acordo
com os critérios metodológicos mínimos exigidos ao trabalho
científico, terá a possibilidade de, paulatinamente, apropriar-se
dessa prática.
Nessa citação, vemos que a autora ressalta a importância de praticar
os critérios metodológicos do trabalho científico, mesmo nos trabalhos
acadêmicos de pequeno porte. Dentre tais critérios temos a utilização das
normas técnicas, as quais o estudante deverá se acostumar a usar. Por
isso, você deve ter, em sua biblioteca pessoal, um manual de normas para
consultar sempre que tiver alguma dúvida.
A procura de palavras desconhecidas no dicionário é, de fato, um hábito salutar e dos mais
importantes para a ampliação do vocabulário. Contudo, nem sempre é suficiente, pois o sentido de uma
palavra em um texto depende muito do contexto em que ela se insere. Assim, prestando atenção ao
contexto, também podemos chegar ao sentido da palavra.
Em alguns textos, palavras desconhecidas são esclarecidas pelo autor logo a seguir, por meio de
outra palavra com o mesmo sentido.
Outro aspecto importante a destacar na ampliação do vocabulário é a necessidade de o estudante
possuir referências históricas, geográficas e sociais para poder compreender o significado de certas
palavras, pois um bom “conhecimento de mundo” permite que interpretemos com maior facilidade os
diferentes contextos e, assim, cheguemos à interpretação das palavras. Para este conhecimento de
mundo é importante que o estudante desenvolva o hábito de consultar textos históricos, atlas, mapas,
enciclopédias, etc. A leitura de obras literárias é também um meio valioso para o desenvolvimento do
nosso vocabulário.
MANUAL DE NORMAS:
A UEPG – Universidade
Estadual de Ponta Grossa
tem o seu manual. Você
deverá conhecê-lo
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
29
Os manuais de normas técnicas funcionam à semelhança dos
dicionários, ou seja, você deverá consultá-los sistematicamente, sempre que
alguma dúvida se apresentar. Com o uso frequente do manual de normas,
certamente você passará a utilizá-las com naturalidade e autonomia na
redação dos seus trabalhos.
Nem todos percebem isso, mas a normalização técnica científica
é muito necessária na vida em sociedade. Exemplos de sua necessidade
estão na construção das casas e prédios, nos transportes que utilizamos, nas
estradas e nas pontes pelas quais passamos, em nossa alimentação, dentre
outras necessidades do cotidiano que requerem certos padrões a serem
seguidos.
Esse também é o caso dos trabalhos
científicos que se destinam à divulgação de
ideias e de achados de pesquisa. Desse modo,
você deverá concluir que a normalização
técnica dos trabalhos acadêmicos tem a sua
razão de ser porque deriva da necessidade
de padronizar o formato e a apresentação
das referências utilizadas pelos autores de
trabalhos científicos.
Segundo Oliveira (2006, p.1):
A uniformidade dos trabalhos acadêmicos permite uma fácil
identificação, tanto desses trabalhos, enquanto característica
da produção intelectual de uma instituição de ensino superior
– IES, quanto dos elementos necessários à referenciação dessas
obras como fonte bibliográfica para pesquisas futuras.
Por referência entende-se: “... o conjunto padronizado de elementos
descritivos, retirados de um documento, que permite a sua identificação
individual.” (ABNT/NBR 6023/2002 apud OLIVEIRA. 2006, p. 9).
A normalização de trabalhos científicos é feita pela ABNT - Associação
Brasileira de Normas Técnicas, que é o órgão nacional responsável pela
normalização técnica e científica.
UniversidadeAbertadoBrasil
30
UNIDADE 1
Nesta unidade, você estudou a respeito do trabalho científico. Observou que devemos distinguir entre
o conhecimento produzido pelo senso comum e o conhecimento produzido pela ciência, reconhecendo
este último como fruto do trabalho científico que é produzido a partir de uma metodologia científica.
Do ponto de vista da forma, o trabalho científico assume a estrutura dissertativa, e tem o objetivo de
demonstrar, mediante argumentos, uma tese ou uma ideia.
Em função de sua forma dissertativa, o trabalho científico constitui-se como um texto articulado
com introdução, desenvolvimento e conclusão. Fazem parte da estrutura lógica do trabalho científico as
formas de raciocínio e de tratamento do objeto em estudo.
O raciocínio é o processo de pensamento pelo qual encadeamos logicamente conhecimentos, de
modo a produzir novos conhecimentos. As formas de raciocínio são duas: a dedutiva, que parte de
premissas ou fatos já aceitos (gerais), chegando a uma conclusão particular; e a indutiva, que parte de
premissas particulares para chegar a uma generalização.
Como formas de abordar o objeto de estudo temos a análise e a síntese. Por meio da análise
decompomos o objeto de estudo em suas partes constitutivas; por meio da síntese recompomos o todo
do objeto em estudo a partir de suas partes constitutivas.
O conhecimento científico deve fundamentar-se em um conjunto de procedimentos lógicos, formais,
planejados e sistematizados. Sendo, assim, em sua elaboração ganham importância os seguintes
aspectos, que todo estudante deve observar: a demonstração e a argumentação, o vocabulário e as
normas técnicas de apresentação, e a redação do trabalho científico.
A demonstração pressupõe um conjunto de operações lógicas seqüenciadas, que vão de conclusão
em conclusão, para chegar a uma conclusão final. A argumentação se refere às operações executadas
na demonstração. Toda argumentação deve se fundamentar em evidências lógicas ou em evidências
empíricas.
Ao elaborar um trabalho científico, você deverá observar, ainda, a utilização de uma linguagem
adequada, sem rebuscamentos, porém correta, valendo-se da linguagem culta e técnica. Deverá, enfim,
redigir e apresentar o seu trabalho obedecendo as normas técnicas da ABNT – Associação Brasileira
de Normas Técnicas –, em virtude da necessidade de padronização do formato e da apresentação das
referências utilizadas pelos autores.
Uma vez que a revisão de literatura é um procedimento indispensável para que você
escreva um bom desenvolvimento nos seus trabalhos científicos, você precisa saber como procurar
bibliografias em web sites. A referência a seguir é de um pequeno texto, acessível pelo Scielo, que foi
publicado na Revista Psicologia Escolar Educacional. Você deve fazer uma leitura atenta dele.
BARIANI, Isabel Cristina Dib et al. Orientações para busca bibliográfica on-line. Psicologia escolar
educacional, dez. 2007, vol.11, no. 2, p. 427-429. ISSN 1413-8557.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
UNIDADE 1
31
Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão
responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento
tecnológico brasileiro.
É uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como único Foro Nacional de
Normalização, através da Resolução n.º 07, do CONMETRO, de 24.08.1992.
É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), da COPANT
(Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização).
A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil das seguintes entidades internacionais:
ISO (International Organization for Standardization), IEC (International Electrotechnical Comission); e
das entidades de normalização regional COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e a
AMN (Associação Mercosul de Normalização).
FONTE: www.abnt.org.br
Faça a leitura de um artigo escrito por uma bibliotecária sobre a normalização nas publicações
científicas. O artigo aborda a importância das normas técnicas e da linguagem no trabalho científico.
ROTHER, Edna T. O papel da normalização nas publicações científicas. Revista brasileira
de oftalmologia. Rio de Janeiro: 2007. Vol. 66 n. 4. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0034-72802007000400001script=sci_arttext Acesso em: 15/04/2009.
Procure também:
CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO DE SANTA MARIA. Manual de Normas do
Centro Universitário Franciscano. Santa Maria: 2005. Disponível em: http://www.unifra.br/cursos/
economia/downloads/Normas_UNIFRA_versao1.pdf
Acesso em: 15/04/2009.
HAMMES, Érico J. - Orientações e normas para trabalhos científicos. Faculdade de Teologia da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: 2009. Disponível em http://www.
pucrs.br/fateo/normas.pdf Acesso em 13/04/2009.
1. Faça a distinção entre o conhecimento produzido pelo senso comum e o conhecimento produzido
pela ciência, preenchendo o quadro que se segue, a partir das solicitações feitas na 1ª. coluna.
UniversidadeAbertadoBrasil
32
UNIDADE 1
Solicitações Senso comum Conhecimentocientífico
Como se apresenta
quantoàcomunicação?
Quaisascaracterísticas
do conhecimento
produzido?
Quem produz?
Como é produzido?
Como se apresenta
quanto ao erro?
2. Quais os requisitos necessários à produção do trabalho científico? Escreva nas linhas:
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
3. Explique, com as suas palavras, o conceito de trabalho científico.
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
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UNIDADE 1
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4. Estude a seção 2 – A estrutura lógica do trabalho científico. A seguir, coloque no quadro que se segue
as características recomendadas para cada um dos elementos do texto dissertativo.
INTRODUÇÃO
DESENVOLVIMENTO
CONCLUSÃO
5. Escreva um pequeno texto sobre a importância da demonstração, da argumentação, do vocabulário
e das normas técnicas na redação do trabalho científico.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
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UNIDADE 1
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UNIDADE 2
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
ROTEIRO DE ESTUDOS
UNIDADEII
MODALIDADES DE
TRABALHOS CIENTÍFICOS
■■ identificar as características das diferentes modalidades de
trabalho científico: monografia, dissertação, tese, resumo e resenha.
repercussões na prática pedagógica.
■■ SEÇÃO 1: Monografias, dissertações e teses
■■ SEÇÃO 2: O resumo como trabalho acadêmico
■■ SEÇÃO 3: A elaboração de resenhas
UniversidadeAbertadoBrasil
36
UNIDADE 2
PARA INÍCIO DE CONVERSA
As orientações metodológicas que apresentamos a você nesta
unidade possuem um caráter prático e diferenciam-se (umas das outras)
em função do tipo de trabalho científico que temos em vista.
Você já estudou, na unidade I, que o trabalho científico se caracteriza
como um discurso materializado na forma de um texto dissertativo (com
introdução, desenvolvimento e conclusão), que deve retratar um processo
reflexivo lógico. O objetivo de todo trabalho científico é demonstrar uma
tese, com o uso de argumentos, sendo que essa tese corresponde à solução
para um problema, incluso em determinada temática. (SEVERINO, 2002).
Todas essas afirmações sobre o trabalho científico continuam
valendo aqui. Todavia, nesta unidade, você aprenderá as diferentes
modalidades de trabalhos científicos.
A seção 1 trata das monografias, dissertações e teses. Embora
suas nomenclaturas sejam diferenciadas, essas três formas de trabalho
científico são monográfico, porque fazem a abordagem de um único
assunto ou tema problematizado. Sendo assim, o que as diferencia é
apenas o nível acadêmico em que o autor do trabalho se encontra.
A seção 2 aborda o resumo, tratando-o tanto do ponto de vista de
um trabalho acadêmico solicitado sobre um texto, por exemplo, como
do ponto de vista técnico-científico, quando se trata da redação de um
resumo contido em trabalhos de comunicação científica, seja em artigos,
seja em eventos científicos.
A seção 3 desenvolve orientações sobre a elaboração de resenhas,
distinguindo o tipo descritivo do tipo crítico e trazendo possibilidades de
roteiros que você poderá seguir.
Desejamos a você um ótimo aproveitamento desta unidade, e
que encontre as orientações que necessita para elaborar seus trabalhos
acadêmicos.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
37
UNIDADE 2
SEÇÃO 1
MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES E TESES
Os trabalhos acadêmicos científicos distinguem-se pelos objetivos
que pretendemos atingir, pela natureza do objeto de estudo, e pelas
especificidades das áreas do conhecimento humano que os presidem.
Estudiosos de metodologia científica, como Medeiros (1997) e Severino
(2002), apontam como principais tipos de trabalhos científicos: os resumos,
as resenhas e as monografias, incluindo nessas últimas as dissertações e as
teses.
Apesar da grande utilização do termo “monografia” no meio
acadêmico, percebemos facilmente que há uma grande confusão quanto ao
seu uso correto. Muitos utilizam a palavra monografia para fazer referência
ao chamado TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, que é solicitado ao final
de grande parte dos cursos de graduação.
Outros utilizam a expressã
o monografia fazendo referência,
exclusivamente, ao trabalho de iniciação
à pesquisa exigido na finalização de
um curso de pós-graduação lato sensu
(especialização). Mas, quando se trata
da pós-graduação stricto sensu, utilizam
amplamente os termos “dissertação” para
o trabalho de pesquisa, exigido para obtenção do título de mestre, e “tese”
para o trabalho de pesquisa exigido para obter o título de doutor.
Todavia, em todos os casos exemplificados temos trabalhos
monográficos, o que significa que do TCC à tese de doutorado estamos
tratando de monografias. Veja o que diz Medeiros (1997, p.183) sobre isso:
... não há razão para se falar em três níveis: monografia,
dissertaçãoetese.Otrabalhodegraduaçãodevesermonográfico,
assim como o apresentado para a obtenção dos títulos de mestre
e doutor. Os três tipos de trabalhos são dissertativos, bem como
pode aparecer em todos eles a defesa de uma tese.
Vejamos essa questão de modo mais detalhado:
O que define a característica monográfica do trabalho, na verdade,
não é o nível acadêmico em que o sujeito autor do trabalho se encontra.
UniversidadeAbertadoBrasil
38
UNIDADE 2
A definição do caráter monográfico
do trabalho científico está vinculada à
abordagem de um único assunto, ou
tema problematizado, o qual deve ter
um tratamento apropriado. É isto que
Severino caracteriza como “exigência
da especificação”, típica dos trabalhos
monográficos, pois, para ele: “Os
trabalhos científicos serão monográficos na medida em que satisfizerem
à exigência da especificação, ou seja, na razão direta de um tratamento
estruturado de um único tema, devidamente especificado e delimitado.”
(SEVERINO, 2002, p.129, grifos nossos).
Assim, a delimitação temática, a profundidade do estudo sobre esse
tema, o seu tratamento metodológico são questões que caracterizam o
trabalho monográfico.
Medeiros (1997, p.183) traz uma definição semelhante, dizendo que:
“Monografia é uma dissertação que trata de um assunto particular, de forma
sistemática e completa. Esta é a sua característica essencial.”
Diante dessas considerações, podemos então afirmar que um trabalho
será monográfico quando apresentar:
•	 o estudo de um tema específico, com problemática bem delimitada;
•	 o tratamento do tema/problema com profundidade;
•	 a adequação metodológica;
•	 a estrutura dissertativa (estrutura tripartida: introdução,
desenvolvimento e conclusão).
Como, mesmo nos diferentes casos, estamos tratando de monografias,
Medeiros (1997) esclarece que muitos autores da área metodológica
costumam fazer distinção entre duas tipologias básicas, a fim de evitar
confusões quando tratamos dos tipos de monografias: as monografias
escolares e as monografias científicas.
Por monografia escolar, o autor entende o trabalho cuja função é
apenas a de iniciação à pesquisa; enquanto o termo monografia científica
seria restrito aos trabalhos que trazem resultados de estudo original de um
tema delimitado e de conformidade com a metodologia da ciência.
Em face dessa distinção, as monografias efetivadas durante o período
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
39
UNIDADE 2
Veja o que Severino (2002, p. 130) afirma a respeito desses trabalhos:
Essestrabalhossãoexigíveiseexigidosduranteoscursosdegraduação,
como parte do próprio processo didático, ao contrário das dissertações,
teses e ensaios que, embora possam ser trabalhos acadêmicos, são
resultados de uma pesquisa ampla, profunda, rigorosa, autônoma e
pessoal.	
de graduação universitária teriam a prerrogativa de monografia escolar
porque, para estas, não se exigem a profundidade e a originalidade que são
exigidas na dissertação de mestrado e na tese de doutorado. Isto porque as
monografias realizadas durante a graduação constituem parte do próprio
processo pedagógico e formativo do curso e se integram às atividades
acadêmicas das diferentes disciplinas.
Para as monografias realizadas na graduação, Severino prefere utilizar o
termo “trabalho didático”. Para o autor, esses trabalhos são inerentes à formação
técnico-científica do estudante universitário, uma vez que conduzem o aluno à
busca de elementos complementares à formação, em fontes adequadas e diversas,
sem que seja exigido o critério da originalidade.
Assim, esses trabalhos, em geral, possuem caráter recapitulativo,
podendo o estudante, através do estudo, proceder a sínteses de conclusões de
autores, encontrados em fontes já conhecidas. Para Severino (2002, p. 130): “O
que qualifica este tipo de trabalho é o uso correto do material preexistente, a
maneira adequada de tratá-lo para que traga alguma contribuição inteligente à
aprendizagem.” (grifos nossos).
As dissertações de mestrado e teses de doutorado, como tipos especiais de
monografias (científicas) também possuem suas características próprias. Vamos
conhecê-las.
Segundo Severino (2002), a tese de doutorado é o tipo mais
representativo de trabalho científico monográfico, uma vez que aborda
um único tema, exige a pesquisa cientificamente concebida, com
instrumentos metodológicos específicos e adequação à(s) área(s) de
UniversidadeAbertadoBrasil
40
UNIDADE 2
Veja o que diz Medeiros (1997, p. 184) sobre as características e a estrutura da monografia científica.
São características da monografia, a sistematicidade e completude, a unidade temática, a
investigação pormenorizada e exaustiva dos fatos, a profundidade, a metodologia, a originalidade
e a contribuição da pesquisa para a ciência. Embora alguns autores considerem a extensão, sua
característica essencial, seu princípio regulador básico é a delimitação do assunto e o nível da pesquisa.
conhecimento em que o tema/problema se situa. Além disso, na tese de
doutorado exige-se a colocação e a solução de problemas, havendo, em
seu desenvolvimento, a demonstração de hipóteses e o convencimento do
leitor por meio da fundamentação nas evidências dos fatos e da coerência
do raciocínio.	
A pesquisa realizada para a tese de doutorado, sempre abordando
um tema/problema bem delimitado, pode utilizar diferentes fontes e
formas de tratamento.
Por exemplo, pode ser documental ou de campo, experimental
ou histórica. Independentemente disto, e em todos os casos, a tese de
doutorado deverá trazer contribuições relevantes e significativas para
a(s) área(s) de conhecimento em que seu tema se situa, ou seja, deverá
gerar conhecimento novo a respeito daquele tema/problema, fazendo
progredir a ciência.
A dissertação de mestrado, por sua vez, cumprindo as mesmas
exigências da monografia científica, e elaborada segundo as diretrizes
metodológicas e técnicas do trabalho científico, diferencia-se da tese
de doutorado pelo caráter de originalidade do trabalho. Veja o que diz
Severino sobre a dissertação:
Tratando-se de um trabalho ainda vinculado a uma fase de
iniciação à ciência, de um exercício diretamente orientado,
primeira manifestação de um trabalho pessoal de pesquisa,
não se pode exigir da dissertação de mestrado o mesmo
nível de originalidade e o mesmo alcance de contribuições
ao progresso e desenvolvimento da ciência em questão.
(SEVERINO, 2002, p.151).
Portanto, a dissertação de mestrado não precisa, necessariamente,
ser um trabalho original, mas deve constituir-se em trabalho científico
rigoroso.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
41
UNIDADE 2
SEÇÃO 2
O RESUMO COMO TRABALHO ACADÊMICO
A elaboração do resumo de um texto, como trabalho comumente
solicitado no ensino superior, é de grande valia do ponto de vista do
processo de aprendizagem dos estudantes, tanto no ensino, quanto na
pesquisa científica.
Ao elaborar o resumo, o estudante deverá extrair as ideias nele
contidas, permanecendo fiel a essas ideias, porém apresentando-as de
maneira própria, sintetizada, seletiva e articulada.
Vejamos algumas conceituações de resumo:
Resumo é, (...), uma apresentação concisa de elementos relevantes
de um texto; um procedimento de reduzir um texto sem destruir-lhe
o conteúdo. Constitui-se em forma prática de estudo que participa
ativamente da aprendizagem, uma vez que favorece a retenção das
informações básicas. (MEDEIROS, 1997, p. 120).
O resumo do texto é, na realidade, uma síntese das idéias e não das
palavras do texto. Não se trata de uma “miniaturização” do texto.
Resumindo um texto com as próprias palavras, o estudante mantém-
se fiel às idéias do autor sintetizado. (SEVERINO, 2002, p.131).
O resumo é a apresentação concisa e frequentemente seletiva do
texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância,
isto é, as principais idéias do autor da obra.	
A finalidade do resumo consiste na difusão das informações contidas
em livros, artigos, teses, etc, permitindo a quem o ler resolver sobre
a conveniência ou não de consultar o texto completo. (MARCONI e
LAKATOS, 2001, p.72).
Neste último caso, o resultado depende dos objetivos previamente fixados.
A estrutura da monografia compreende introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução,
o pesquisador formula claramente o objeto da investigação. Apresenta sinteticamente a questão a
ser solucionada. Portanto, há necessidade de problematizar a realidade para se buscar uma solução.
Se não há problemas para resolver, não há por que iniciar a pesquisa e a redação da monografia.
Na introdução, ainda, apresentam-se a justificativa do trabalho e a metodologia utilizada na pesquisa
(levantamento bibliográfico, pesquisa de campo, uso de questionários, pesquisa de laboratório) e faz-se
referência à literatura relativa ao assunto, anteriormente publicada.
Escrita a introdução, o pesquisador passa para nova etapa da monografia: o desenvolvimento, que
compreende explicação, discussão e demonstração. Portanto, etapa de exposição dos fundamentos
lógicos do trabalho realizado; etapa de explicitação, de esclarecimento, de análise, de supressão do
ambíguo, de exame e demonstração do raciocínio, de apresentação de provas, de argumentação.
Finalmente, a conclusão retoma as pré-conclusões anteriormente expostas em variadas partes
do texto, e reforça a linha de pensamento que dá sustentação à monografia. Nesse momento, o
pesquisador procura firmar a unidade temática, as ideias contidas na exposição. Trata-se de um resumo
das conclusões espalhadas pela monografia, uma síntese das ideias defendidas na obra.
UniversidadeAbertadoBrasil
42
UNIDADE 2
Uma vez que você já entendeu que o resumo é um texto novo, feito
com as palavras próprias do estudante sobre outro texto (livro, capítulo,
artigo, dissertação, tese ou outro), fiel, todavia, às ideias do autor,
passemos, agora, a observar aspectos referentes à técnica de elaboração
de resumos.
a) Elementos que não podem faltar
no resumo
Quatro elementos devem estar
presentes no resumo que você elaborar
sobre o trabalho de um autor ou pesquisador
(seja livro, capítulo, artigo, dissertação, tese
ou outro). Esses elementos são os seguintes:
O assunto.
O assunto refere-se à temática ou problemática delimitada pelo
autor do texto que você vai resumir. Para encontrá-lo, responda à seguinte
pergunta: De que trata o texto?
O(s) objetivo(s).
O(s) objetivo(s) corresponde(m) às pretensões, intenções ou metas
que o autor do texto pretende atingir com seu trabalho. Ao captar os
objetivos do autor ou pesquisador, você apontará para a natureza do
trabalho realizado por ele. Em geral, os objetivos estão relacionados com
o tema ou problemática(s) delimitadas(s) pelo autor. Mas, nem sempre
os objetivos aparecem redigidos de maneira clara e direta. Muitas vezes,
você terá que inferir as intenções do autor do trabalho, a partir das
problemáticas que ele anuncia, das justificativas que permeiam o trabalho
ou, ainda, daquilo que o autor aponta como relevância do seu estudo.
Ao apontarmos ou redigirmos um ou mais objetivos, devemos tomar
cuidado na escolha do verbo mais adequado para caracterizar a ação
pretendida. Essa recomendação tanto serve para ajudar você a observar
e captar objetivos já redigidos no trabalho de alguém, como serve para
ajudá-lo a traçar os objetivos dos trabalhos científicos que você vai
redigir, como por exemplo, na redação de um artigo científico ou um
ensaio.
Santos (1999, p. 61- 62) traz uma significativa contribuição a esse
ARTIGO CIENTÍFICO
OU ENSAIO: Essas são
modalidades de trabalhos
científicos que são
utilizados para proceder a
publicações científicas.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
43
UNIDADE 2
respeito, pois ele procede a uma classificação de verbos de conformidade
com estágios cognitivos que expressam ações pretendidas.
Verifique os estágios e os verbos que o autor indica:
•	 Estágio de conhecimento – Se expressa em verbos como
apontar, citar, classificar, conhecer, definir, descrever,
identificar, reconhecer, relatar.
•	 Estágio de compreensão – Em verbos como compreender,
concluir, deduzir, demonstrar, determinar, diferenciar, discutir,
interpretar, localizar, reafirmar.
•	 Estágio de aplicação – Em verbos como aplicar, desenvolver,
empregar, estruturar, operar, organizar, praticar, selecionar,
traçar.
•	 Estágio de análise – Em verbos como analisar, comparar,
criticar, debater, diferenciar, discriminar, examinar, investigar,
provar.
•	 Estágio de síntese – Em verbos como compor, construir,
documentar, especificar, esquematizar, formular, produzir,
propor, reunir, sintetizar.
•	 Estágio de avaliação – Em verbos como argumentar, avaliar,
contrastar, decidir, escolher, estimar, julgar, medir, selecionar.
A articulação das ideias
A articulação das ideias é o elemento correspondente ao processo
de desenvolvimento do texto ou obra em questão, e diz respeito aos
seguintes aspectos que o leitor deverá captar no resumo: - Quais são as
partes fundamentais do trabalho? O que é tratado em cada uma? - Como
se dá a progressão das ideias do autor? - Qual é a correlação entre as
partes do texto?
As conclusões do autor da obra resumida
A parte conclusiva deverá ser redigida na finalização do resumo
e se refere exclusivamente às conclusões (ainda que provisórias)
retiradas pelo autor do trabalho. Aqui é importante observar que não
se trata de o leitor colocar suas próprias conclusões, nem de emitir
juízos de valor sobre o texto do autor, mas, sim, de apresentar ao leitor as
reflexões, as descobertas, e os juízos que o autor traz como resultado do
desenvolvimento do seu trabalho.
b) Recomendações para a redação do resumo
No que diz respeito ao aspecto da forma de redação do resumo,
você deverá prestar atenção às seguintes recomendações:
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44
UNIDADE 2
Utilizar linguagem objetiva, ou seja, evitar floreios, rebuscamentos,
metáforas, analogias, etc, procurando sempre tratar do assunto de modo
direto.
Não fazer juízo crítico. O resumo não comporta juízo crítico ou
interpretação subjetiva de quem o redige. Se esse caso for desejável,
deve-se fazer uma resenha crítica e não um resumo. Por isso, é
importante lembrar que a característica essencial do resumo, como
trabalho acadêmico, é sintetizar as ideias de um autor ou um pesquisador
para apresentá-lo numa comunicação posterior, ou, simplesmente para
apreender suas ideias principais.
O resumo deve ser autossuficiente, de modo que não seja necessária
a consulta do texto original. Isso significa que entre as características do
resumo estão a de que deve ser inteligível por si mesmo e, ainda, visar
economia de tempo para quem o lê. Assim, o leitor do resumo somente
buscará o trabalho original se tiver em vista algum interesse especial. É
lendo o resumo que o leitor avalia se o texto ou obra em questão (um livro,
um capítulo, um artigo, uma dissertação ou tese) serve ou não aos seus
interesses acadêmicos ou merece ser lido na íntegra.
Não plagiar.
A repetição ou cópia de frases inteiras, tal qual aparecem no texto
original, é chamada de plágio. O plágio é crime que está previsto em lei.
(Lei nº. 9.610, de 19/02/1998). Para não incorrer no plágio, você deve
dar atenção especial à redação dos resumos e das paráfrases, ou fazer
citações. Contudo, sempre deverá referenciar o autor ou autores que lhe
serviram de fundamento.
Respeitar a ordem em que ideias e fatos são apresentados pelo autor.
Ao elaborar o resumo, você deverá respeitar a subordinação das
ideias e fatos tal como colocada pelo autor. Todavia, fará isso de forma
condensada e com suas próprias palavras. É importante lembrar, ainda,
que o resumo não é um amontoado de trechos retirados do texto original,
como também não é um fragmento deste.
Evitar o uso de parágrafos no interior do texto do resumo.
PLÁGIO: Assinar ou tomar
como seu, o trabalho
literário ou científico de
outrem.
CITAÇÕES: As citações de
autores e as referências
são normalizadas pela
ABNT. Veja as regras para
fazê-las no Manual de
Normalização da UEPG.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
45
UNIDADE 2
Medeiros (1997) aponta que esta orientação é dada pela ABNT e
significa que o texto do resumo é escrito em um único parágrafo.
c) Tipos de resumo
Marconi e Lakatos (2001) reconhecem três tipos de resumos:
indicativo ou descritivo; informativo ou analítico; e resumo crítico.
Medeiros (1997) acrescenta a esses, um tipo misto de resumo, que
denomina informativo-indicativo. Veja, em seguida, as características de
cada tipo.
1. O resumo do tipo indicativo ou descritivo
Esse tipo de resumo destina-se a apresentar ao leitor apenas as
partes ou componentes mais importantes do texto (ou obra), como se
fosse uma espécie de sumário narrativo. Em geral, a maioria das frases
desse tipo de resumo é curta. Veja o exemplo que Medeiros (1997, p. 119)
oferece desse tipo de resumo:
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação
no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981, 184 p.
Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST.
Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos
da linguagem, que buscam erigir uma gramática do texto, uma
teoria do texto. São objeto de seu estudo a coesão, o clichê,
a frase feita, o “não-texto” e o discurso indefinido. Parte de
conjecturas e indagações, apresenta os critérios para a análise,
o candidato, o texto e farta exemplificação.
Nesse exemplo, você pode notar que se trata de uma narração
simples, que não apresenta dados quantitativos e qualitativos. Dá, apenas,
uma visão bem geral do texto em questão.
2. O resumo do tipo informativo ou analítico
O tipo informativo ou analítico se detém mais na exploração do
conteúdo e dos componentes ou ideias principais da obra. É o tipo que
dispensa a consulta à obra original. Em virtude da sua inteligibilidade, ou
autossuficiência, podemos qualificá-lo como um “bom” resumo. Marconi
UniversidadeAbertadoBrasil
46
UNIDADE 2
Note o que dizem as autoras sobre esse tipo de resumo:
Sendo uma apresentação condensada do texto, esse tipo de resumo
não deve conter comentários pessoais ou julgamentos de valor, da
mesma maneira que não deve formular críticas. Deve ser seletivo
e não mera repetição de todas as idéias do autor. Utilizam-se, de
preferência, as próprias palavras de quem fez o resumo; quando cita
as do autor, apresenta-as entre aspas. Não sendo uma enumeração de
tópicos, o resumo informativo ou analítico deve ser composto de uma
seqüência corrente de frases concisas. Ao final do resumo, indicam-
se as palavras-chave do texto. (...) Deve-se dar preferência à forma
impessoal. (MARCONI e LAKATOS, 2001, p.74, ênfases na fonte).
e Lakatos (2001) salientam os seguintes elementos, que não podem faltar
no resumo do tipo informativo ou analítico:
•	 o assunto de que trata o texto e os seus objetivos;
•	 métodos e técnicas utilizados no estudo;
•	 resultados e conclusões.
Na sequência, apresentamos a você o exemplo de Medeiros (1997,
p. 119). Observe que o exemplo que se segue se refere à mesma obra
analisada para o resumo do tipo indicativo. Compare as duas formas e
observe bem as diferenças.
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a
redação no vestibular. São Paulo; Mestre Jou, 1981. 184 p.
Examina 1500 redações de candidatos a vestibulares (1978),
obtidas da FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento
apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva caracterizar a
linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na
linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu
redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de
um corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é a da existência de
uma possível crise na linguagem e, através do estudo, estabelecer
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
47
UNIDADE 2
3. O resumo do tipo informativo/indicativo
Medeiros (1997) explica que esse é um tipo misto que contém
características dos dois tipo de resumo já vistos. O autor salienta que esse
tipo misto pode dispensar a leitura do texto original no que se refere às
conclusões, mas não em relação aos demais aspectos. Isso significa que o
tipo misto se detém mais em explicações sobre as conclusões do texto e é
mais econômico nas demais partes.
4. O resumo do tipo crítico
	 O resumo crítico é aquele que traz comentários a respeito do texto
original. Também é chamado de resenha ou recensão. Normalmente é
redigido por especialistas, podendo corresponder a diferentes tipos
de interpretações e/ou análises: da forma, do conteúdo, da lógica, da
argumentação, etc. O estudo da resenha será feito em uma seção a
parte, que lhe é especialmente destinada em virtude da frequência das
solicitações de resenha pelos professores no ensino superior. Desse modo,
na seção 3 – A elaboração de resenhas – você terá a oportunidade de se
aprofundar nesse tipo de trabalho acadêmico.
relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus
produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência de nexos,
de continuidade e quantidade de informações, ausência de
originalidade. Também foram objeto de análise condições externas
como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um
dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de
coesão. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva,
com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o
nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que
34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos
termos relacionais; 16,9% apresentam problemas de contradições
lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O
uso excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69% dos textos.
Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem
criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas,
pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas
de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho
e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio.
UniversidadeAbertadoBrasil
48
UNIDADE 2
SEÇÃO 3
A ELABORAÇÃO DE RESENHAS
Comotrabalhoacadêmico,aelaboraçãodeumaresenhabibliográfica
tem um grande valor pedagógico, pois, para fazê-la, o estudante deverá
sintetizar e selecionar os conteúdos de um artigo científico ou de um
livro recentemente publicado.
Na vivência científica dos pesquisadores, a resenha tem o papel de
funcionar como uma primeira tomada de conhecimento sobre o conteúdo
de obras recém- colocadas no mercado, ou mesmo de artigos publicados
nos últimos números das revistas científicas. É através da resenha que o
leitor toma conhecimento prévio do conteúdo de um texto, podendo, por
meio dela, avaliar se vale a pena utilizá-lo na bibliografia de um dado
trabalho científico, ou, simplesmente, adquiri-lo para a sua leitura.
Embora tratemos aqui especificamente da resenha cujos objetos
podem ser livros e artigos – também denominada de análise bibliográfica
ou resenha bibliográfica - é interessante que você saiba que também
podem ser objetos de uma resenha um filme, uma peça de teatro, uma
obra cultural, etc. (MEDEIROS, 1007, p.136). Todavia, tais casos fogem
ao escopo do presente texto.
a) Tipos de resenha
Medeiros (1997) e Severino (2002) admitem dois tipos de resenha:
a resenha descritiva ou informativa, caracterizada pela mera exposição
do conteúdo da obra analisada; e a resenha crítica, caracterizada por uma
apreciação do resenhista acerca da obra em questão, ou de certos aspectos
dela.
Marconi e Lakatos (2001) entendem a resenha como sendo sempre,
e necessariamente, “crítica”. Estas autoras não mencionam outro tipo de
resenha que não seja a crítica. Veja, a seguir, o que as autoras afirmam
sobre o conceito e a finalidade da resenha, e note o aspecto crítico que as
autoras ressaltam:
Vejamos, a seguir, como você poderá estruturar a sua resenha crítica.RESENHISTA é quem
escreve a resenha. Se é
você que vai fazê-lo, você
será o resenhista.
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49
UNIDADE 2
b) A estrutura da resenha crítica
A seguir você terá dois roteiros de diferentes autores de metodologia
científica, que podem ser utilizados quando você precisar fazer uma
resenha. Note, com bastante atenção, os itens que cada autor sugere
como elementos que devem compô-la.
Entretanto, quando você for escrever suas resenhas, você deve
compreender ainda que o texto não deve ser repartido em tópicos e
subdivisões, tais como os que nós trouxemos nos roteiros que servem de
exemplos. Esses roteiros têm apenas uma finalidade didática, e servem
para levá-lo a compreender quais são os elementos a serem abordados.
Na verdade, a única separação visível das partes da resenha será entre a
referência bibliográfica e o restante do texto.
Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a
apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de
um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista.
A resenha, em geral, é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto,
tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um
exercício de compreensão e crítica.
A finalidade de uma resenha é informar ao leitor, de maneira objetiva e cortês, sobre o assunto
tratado no livro, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas
teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese das idéias fundamentais da obra.
O resenhista deve resumir o assunto e apontar as falhas e os erros de informação encontrados,
sem entrar em muitos pormenores e, ao mesmo tempo, tecer elogios aos méritos da obra, desde que
sinceros e ponderados. (MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 90).
Ao analisarmos os dois casos (resenha descritiva e resenha crítica), logo percebemos que
ambos comportam o resumo da obra, a apresentação dos objetivos do autor, o destaque à temática
ou problemática delimitada, bem como o devido destaque às suas partes ou ideias principais, mas
é apenas na resenha crítica que acrescentamos o item de apreciação ou comentário crítico que o
resenhista faz do texto que leu.
Arespeito do(s) comentário(s) crítico(s) que o resenhista fará sobre a obra, é importante lembrar
que este(s) se refere(m) tanto aos aspectos positivos como aos negativos. Severino (2002) sugere que
o comentário crítico seja a última parte do texto da resenha, após a exposição de todo o conteúdo.
Todavia, dependendo da habilidade de escrita e da competência do resenhista, as críticas podem ser
feitas de modo difuso; à medida que ele vai expondo, vai também tecendo os comentários críticos.
Outro aspecto valioso que deve ser lembrado a respeito da crítica na elaboração de uma
resenha é que esta deve se destinar única e exclusivamente às ideias e posições do autor, jamais à
sua pessoa. Ou seja, as críticas são dirigidas às ideias, e não ao autor.
Também é importante deixar claro que o resenhista deve assumir responsavelmente as críticas
que fizer, trazendo ao seu texto argumentos e fundamentações consistentes, baseadas no seu estudo
de outras teorias e/ou outros autores. Deve evitar, também, a crítica que expressa simplesmente um
gosto pessoal, no estilo “gostei”, “não gostei”, “acho que...”.
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UNIDADE 2
1º. Exemplo de roteiro de resenha, sugerido por Marconi e Lakatos
(2001, p. 91-92):
1. Referência bibliográfica:
Autor(es)
Título (subtítulo)
Imprensa (local de edição, editora, data)
Número de páginas
Ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc.)
2. Credenciais do autor:
Informações gerais sobre o autor
Autoridade no campo científico
Quem fez o estudo?
Quando? Por quê? Onde?
3. Conhecimento:
Resumo detalhado das ideias principais
De que trata a obra? O que diz?
Possui alguma característica especial?
Como foi abordado o assunto?
Exige conhecimentos prévios para entendê-la?
4. Conclusão do autor:
O autor traz conclusões?
Onde foram colocadas? (final do livro ou dos capítulos?)
Quais foram?
5. Quadro de referências do autor:
Modelo teórico
Que teoria serviu de embasamento?
Qual o método utilizado?
6. Apreciação:
a) Julgamento da obra:
Como se situa o autor em relação:
- às escolas ou correntes científicas, filosóficas, culturais?
- às circunstâncias culturais, sociais, econômicas, históricas, etc.?
b) Mérito da obra:
Qual a contribuição dada?
Ideias verdadeiras, originais, criativas?
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
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UNIDADE 2
Conhecimentos novos amplos, abordagem diferente?
c) Estilo:
Conciso, objetivo, simples?
Claro, preciso, coerente?
Linguagem correta?
Ou o contrário?
d) Forma:
Lógica, sistematizada?
Há originalidade e equilíbrio na disposição das partes?
e) Indicação da obra:
A quem é dirigida: grande público, especialistas, estudantes?
2º. Exemplo de roteiro de resenha, sugerido por Medeiros (1997, p. 136-
137):
Referência bibliográfica:
- Autor
- Título da obra
- Elementos de imprenta (local da edição, editora, data)
- Número de páginas.
- Formato
Exemplo:
GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna: aprenda a
escrever, aprendendo a pensar. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 1980.
522 p. 14 x 21 cm.
1. Credenciais do autor:
- Informações sobre o autor, nacionalidade, formação universitária,
títulos, livro ou artigo publicado.
2. Resumo da obra (digesto):
- Resumo das ideias principais da obra. De que trata o texto? Qual é sua
característica principal? Exige algum conhecimento prévio para entendê-
la? Descrição do conteúdo dos capítulos ou partes da obra.
3. Conclusões da autoria:
- Quais as conclusões a que o autor chegou?
4. Metodologia da autoria:
- Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo?
Estatístico?
- Que técnicas utilizou? Entrevista? Questionários?
UniversidadeAbertadoBrasil
52
UNIDADE 2
5. Quadro de referência do autor:
- Que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico
utilizado?
6. Crítica do resenhista (apreciação):
- Julgamento da obra. Qual a contribuição da obra? As ideias são originais?
Como é o estilo do autor: conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista?
7. Indicações do resenhista:
- A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a que disciplina? Pode
ser adotada em algum curso? Qual?
Você deve ter observado que os dois exemplos de roteiros que acabou
de ler são muito semelhantes. Diferem apenas na forma de abordagem
dos seus autores. Se você prestar atenção a cada item do roteiro, verá que
um complementa o outro.
	 Outro detalhe importante diz respeito à frequente confusão que
muitos estudantes fazem entre resenha e resumo. Se você analisar todos
os itens que compõem uma resenha, você notará que o resumo é apenas
um elemento estrutural da resenha, ou seja, resumo e resenha não se
confundem, pois o primeiro (resumo) está incluso no segundo (resenha).
	 É bom lembrar também que o resumo não comporta juízo crítico
ou valorativo, enquanto a resenha admite abordagens na forma de
apreciação crítica que o resenhista fará sobre certos elementos da obra.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
53
UNIDADE 2
Como você já viu, nesta unidade caracterizamos as modalidades de trabalhos acadêmicos
científicos, considerando que estes se diferenciam em função dos objetivos a atingir, da natureza do
objeto de estudo e das especificidades das áreas de conhecimento.
Você estudou que, embora a nomenclatura “monografia” seja utilizada para trabalhos de final de
graduação e pós-graduação lato sensu, também as dissertações e teses, que são trabalhos de pós-
graduação stricto sensu, são monografias.
Para Severino (2002), chamamos monografia o trabalho científico que recebe tratamento estruturado
de um único tema problematizado e delimitado. Medeiros (1997) considera a monografia como uma
dissertação que trata de um tema ou assunto particular, de forma sistemática e completa. Desse modo,
podemos considerar que todo trabalho monográfico deve apresentar:
•	 o estudo de um tema ou problema bem delimitado;
•	 o tratamento desse tema ou problema de modo profundo;
•	 a adequação metodológica (sistemática e completa);
•	 a estrutura dissertativa (que impõe a estrutura tripartida: introdução, desenvolvimento e
conclusão).
As dissertações e teses são tipos especiais de monografias que exigem maior rigorosidade teórica
e metodológica no estudo da problematização em pauta. Enquanto a dissertação de mestrado possui
um caráter de primeira manifestação pessoal de pesquisa, a tese deve ser original, ou seja, deve gerar
conhecimento novo a respeito do tema ou problema em foco, de modo a contribuir para o avanço da
ciência.
O resumo e a resenha são tipos de trabalhos acadêmicos científicos comumente solicitados no
ensino superior.
O resumo é um texto conciso, a ser escrito com palavras próprias, que contenha a síntese das
ideias do seu autor. Ao escrever um resumo, você deverá extrair as ideias do texto lido, sendo-lhes
fiel, porém apresentando-as de modo próprio, sintetizado, articulado e seletivo. Não podem faltar no
resumo: o assunto, os objetivos do autor, a articulação das ideias, e as conclusões a que o autor
chegou. Algumas recomendações são importantes para a elaboração do seu resumo: usar linguagem
objetiva; não fazer juízo crítico, nem interpretação subjetiva; buscar a autossuficiência, de modo a não
gerar consulta ao texto original para o leitor; não plagiar; respeitar a ordem das ideias e fatos tais como
apresentados; e, finalmente, utilizar um único parágrafo.
O resumo comporta possibilidades ou tipos, de acordo com seus objetivos: indicativo ou descritivo,
informativo ou analítico, tipos mistos e o tipo crítico, sendo que este último se assemelha à resenha.
A resenha ou análise bibliográfica é um texto com características próprias, que não se confunde
com o resumo da obra, embora o contenha. Seu papel é funcionar, para o leitor, como uma primeira
tomada de conhecimento sobre o conteúdo de certas obras, geralmente recém-publicadas, para avaliar
se vale a pena utilizá-las na bibliografia de um trabalho científico e/ou se é necessário proceder a sua
leitura total. Em função disso, a resenha também comporta: as credenciais do autor, a apresentação da
obra, a apreciação do conteúdo, da forma, do estilo e do mérito, geralmente finalizando com a indicação
do público para o qual a obra pode ser dirigida.
O texto da resenha não comporta subdivisões, a não ser entre a referência bibliográfica e o corpo
do texto.
Esperamos que os seus estudos nesta unidade venham a contribuir para que você compreenda os
objetivos e elabore corretamente seus trabalhos científicos.
UniversidadeAbertadoBrasil
54
UNIDADE 2
Não deixe de ler o artigo: Evitando o plágio: orientações metodológicas e dicas gerais, escrito pelo
Prof. Fernando Manuel Pacheco Botelho. Você poderá encontrá-lo em: http://www.doctumtec.com.br/
doctum/unidades/guarapari/artigos/document.2006-10-24.3703092288
1. Enumere, a seguir, características que permitem denominar um trabalho de monográfico:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
2. Leia o texto com atenção e faça o que se pede a seguir:
Como podemos prevenir o abuso de drogas na adolescência?
Implicações educacionais
Evely Boruchovitch
Doutora em Psicologia Educacional
UNICAMP
	
Trata-se de tarefa árdua, como aponta Bucher (1986), pois nos obriga a indagar e a refletir
sobre a questão de como prevenir o uso de drogas entre eles, tendo em vista que vivemos num contexto
social que favorece o consumo maciço das mesmas.
Todavia, alguns esforços vêm sendo empreendidos nesse sentido. A educação preventiva
contra as drogas tem se baseado no uso de três estratégias: 1) Persuasão moral, 2) Disseminação de
informação fatual e 3) Promoção e desenvolvimento da competência social nos adolescentes (White,
1989).
A persuasão moral não é uma técnica eficaz, pois consiste em evitar que eles se engajem
no uso de drogas através de mensagens exageradas que apelam para o medo, criando um hiato na
comunicação entre adultos e adolescentes. Na realidade, técnicas que têm como objetivo promover o
medo podem ter efeitos opostos, principalmente quando se trata de adolescentes que têm necessidade
de explorar e correr riscos (Baumrind, 1985) e que não se deixariam (de se?) desviar de seus interesses
pelo medo (Bucher, 1986).
O simples ensino das propriedades farmacológicas das drogas e de seus efeitos psicoativos
também não tem sido capaz de eliminar ou diminuir o seu uso. Além das evidências que existem sobre a
dificuldade em se transformar o conhecimento científico em comportamento saudável (Carvalho,1990),
é bem verdade que o ensino científico dos malefícios das drogas, quando ocorre, acontece tarde
demais, tendo muitos adolescentes já até se tornado usuários.
A estratégia mais promissora na prevenção do uso de drogas tem sido a promoção e o
desenvolvimento da competência social do adolescente. Essa técnica se baseia na aprendizagem por
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
55
UNIDADE 2
descoberta, na participação ativa da pessoa, no uso de discussões, dramatizações, troca de papéis,
palestras e outras diversas atividades psico-educacionais cujos objetivos são de ajudar o jovem a
aumentar a sua capacidade de tomada de decisões, de comunicação, de negociação, de lidar com
conflitos e de experimentar, explorar e se arriscar construtivamente. Tal estratégia atua também no
sentido de auxiliar o adolescente, tanto no desenvolvimento de um autoconceito satisfatório quanto na
promoção de uma consciência crítica crescente da sua responsabilidade pessoal por suas escolhas
(LeCoq e Capuzzi, 1984; Carvalho, 1990).
A escola precisa ser mais ativa e atuante na vida do adolescente. Necessita transcender
as preocupações estritamente voltadas para o cumprimento de um currículo escolar e devotar mais
esforços no sentido de se constituir num contexto fundamental para o desenvolvimento psicossocial
do adolescente, ajudando-o na resolução das tarefas essenciais dessa etapa de desenvolvimento, que
segundo Novaes (1970) são: o encontro consigo mesmo, a descoberta do eu adulto, a conquista da
autonomia pessoal, a definição do seu papel social, o ajustamento do seu papel sexual (a seleção de
um companheiro(a) de vida) e a escolha profissional.
Se um dos principais desafios da escola deve ser a prevenção de problemas típicos da
adolescência, como o uso de drogas, ela não pode se omitir nem adotar uma atitude repressiva e
antipedagógica nos momentos em que a prevenção já não é mais possível. Deve reconhecer o seu
papel em ajudar adolescentes já envolvidos seriamente com drogas, na manutenção dos vínculos
escolares, uma vez que o abandono da escola, em qualquer momento, pode contribuir para agravar
ainda mais o problema. A escola deve, também, orientar os pais desses alunos quanto à importância
da busca de tratamento adequado.
Faz-se necessário, também, como salienta Bucher (1986), que a prevenção das drogas não
se dissocie da educação como um todo. Há que se prevenir o uso/abuso das drogas ilegais e “legais”.
Propostas preventivas precisam não só serem integradas de forma natural à vida escolar do aluno,
mas também serem realizadas por pessoas diretamente relacionadas com o mesmo, como professores
e pais. A educação tem que assumir um caráter formativo, já que prevenir implica numa questão de
valores, de escolhas de vida. Ênfase deve ser dada na internalização de valores, porque estes se
constituem na melhor resposta possível às influências sociais.
Aos educadores cabe ajudar as crianças desde muito cedo a compreender a importância de
sempre se buscar soluções saudáveis para os eventos mais desprazerosos da vida. (Bucher,1986).
(Trecho extraído do artigo O uso e abuso de drogas na adolescência. In: SISTO, Fermino,
F.; OLIVEIRA, Gislene de C. e FINI, Lucila Diehl T. (Orgs.) Leituras de psicologia para formação
de professores. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco,
2000, p. 202-203).
2.1. Identifique no texto e depois escreva:
a) o assunto do texto: ____________________________________________________________
________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
b) o(s) objetivo(s):
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
c) a articulação das ideias:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
UniversidadeAbertadoBrasil
56
UNIDADE 2
d) as conclusões da autora
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
2.2. Atendendo às recomendações para a redação de um resumo e tendo em vista os quatro elementos
que não podem faltar nessa redação, resuma o texto de Boruchovitch (2000).
RESUMO
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_________________________________________________________________________________
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3. Leia com atenção a resenha da tradução de Henrique IV de Luigi Pirandello. A seguir, faça o que se
pede.
PIRANDELLO, Luigi. Henrique IV. Trad. de Aurora Fornomi Bernardini e Homero Freitas. São
Paulo: Edusp, 1991.
Luigi Pirandello é natural de Agrigento. Nasceu na Sicília, em 1867, e morreu em Roma,
em 1936. Romancista, contista, poeta, ensaísta, dramaturgo. Uma de suas obras mais famosas e
constantemente representadas é Seis personagens à procura de um autor, de 1921.
Esta tradução oferece ao leitor brasileiro a oportunidade de conhecer o texto de Luigi Pirandello,
que focaliza o homem que enlouquece, vítima de uma experiência desastrosa. Recupera sua saúde
mental, mas prefere continuar fingindo-se de louco, uma vez que se sente incapaz de enfrentar a
realidade. Assim, o autor rompe os limites da loucura e da sanidade, da ilusão e da realidade, e já não
pode saber o que é a verdade. Erige-se, portanto, o reino total da relatividade.
O leitor está diante de uma obra teatral do maior dramaturgo deste século. Um autor que é,
ao mesmo tempo, irônico, sagaz e, às vezes, até pessimista. O significado de sua obra não pode ser
apreendido imediatamente, numa leitura linear, ou como espectador burguês, freqüentador de teatro
para puro exibicionismo ou divertimento. É grande a profundidade das colocações de Pirandello e,
conseqüentemente, grande seu valor, bem como o prazer que se extrai do texto. Pirandello destaca-
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
57
UNIDADE 2
se particularmente pela análise que faz da realidade/ilusão, falso/verdadeiro, a verdade das relações
humanas e a máscara social.
Para a crítica, o autor de O falecido Matias Pascal é considerado um autor intelectual, muito
mais para ser lido e refletido que, propriamente, representado. Engano. Sua representação consegue
manter o espectador atento, tenso com o desenrolar da ação e é capaz de levá-lo ao entendimento das
idéias que subjazem ao texto. Em verdade, o autor criou um estilo próprio, inconfundível.
Em Henrique IV, a personagem principal inventa para si uma personagem e transforma sua vida
numa representação. Os espectadores e as próprias personagens que contracenam com Henrique IV
vêem-no como louco, que pensa ser o imperador alemão do século XI. Vive numa casa de campo há
20 anos. Seus parentes transformaram a propriedade em um palácio e contrataram empregados para
representar os mais diversos papéis, inclusive o de conde e de conselheiros.
Assim, todas as personagens representam para Henrique IV e alimentam sua loucura com
encenações e situações históricas vividas pelo imperador alemão, particularmente suas discórdias com
o papa Gregório VII.
No segundo ato, Henrique IV revela aos empregados que sua loucura tivera a duração de
12 anos e que há oito anos está totalmente lúcido, isto é, somente nos últimos anos é que vinha
representando, com tanta competência que ninguém percebera nada.
Por que Henrique IV prefere a máscara da loucura à lucidez? Para rebelar-se contra a idéia
de que o homem é o que a sociedade quer que seja. Retornando à vida normal, os outros é que lhe
imporiam uma máscara, roubando-lhe a liberdade de ação. Através da loucura, pode tomar a iniciativa e
submeter todos a seus caprichos e desejos. Prefere a loucura à sanidade para poder viver com prazer,
viver para “vingar-me da brutalidade de uma pedra que me machucara a cabeça!”
A desgraça de Henrique IV fora causada pela marquesa Matilde Spina e seu amante Belcredi.
Apaixonado, fantasiara-se de Henrique IV numa fatídica cavalgada que terminou com sua queda, após
seu cavalo ter sido ferido pelo rival. Ódio e vingança explodem então dentro de si.
Após a revelação da personagem principal a seus empregados, a peça ganha ritmo tenso,
alcançado pela ambigüidade que permanece até o fim.
Henrique IV apóia-se no enigma da lucidez/loucura, ser/parecer louco, que provoca tanto
espectadores como leitores. Até o segundo ato o espectador tem a certeza de que a personagem está
louca; daí em diante não poderá afirmar categoricamente sua lucidez. Henrique IV a todos confunde,
misturando fatos da vida real com os da vida da personagem criada para si.
Ao final, o protagonista fere Belcredi com uma espada, concretizando sua vingança. E, assim,
condena-se ao uso da máscara para sempre, uma única defesa contra a punição pelo assassínio de
Belcredi. Agora, a máscara será uma imposição, uma prisão. E a personagem acaba não tendo outro
nome que o de sua máscara.
(Texto extraído de: Medeiros, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos,
resumos, resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1997, p. 143-144.)
3.1. Marque na resenha a(s) parte(s) do texto que se refere(m) às credenciais do autor.
	
3.2. Marque na resenha a parte do texto que se refere ao resumo (digesto) da resenha.
	
3.3. Faça comentários sobre outros aspectos da estrutura da resenha. Esta resenha apresenta todos os
elementos necessários para a compreensão do leitor? Justifique.
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
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58
UNIDADE 2
ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ SEÇÃO 1: Aspectos Técnicos e operacionais da redação de trabalhos
científicos
■■ SEÇÃO 2: O uso de citações, sistemas de chamada e notas.
■■ SEÇÃO 3: A elaboração das referências
NORMALIZAÇÃO
TÉCNICA DE TRABALHOS
CIENTÍFICOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
UNIDADEIII
UniversidadeAbertadoBrasil
60
UNIDADE 3
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Atéaqui,vocêestudouotrabalhocientíficoemsuascaracterísticas,
estrutura, formas de raciocínio, tratamento do objeto de estudo e
modalidades, bem como conheceu os elementos que são necessários à
sua elaboração. Dentre tais elementos, e sem descartar o tratamento e
a abordagem do conteúdo específico, peculiar a cada disciplina ou área
científica, a normalização técnica bibliográfica é um dos indicadores
de qualidade na elaboração de trabalhos científicos.
Já explicamos anteriormente sobre a importância de você ter o
seu próprio manual de normas, a fim de consultá-lo sempre que for
redigir o seu trabalho acadêmico. Acreditamos que isso, além de criar
o saudável hábito da consulta, também o/a ajudará a fixar os aspectos
mais gerais da normalização técnica bibliográfica.
A necessidade de consultar um manual advém do fato de a
normalização incidir sobre uma variedade muito extensa de casos,
difíceis de serem previstos, numa explicação preliminar, ao estudante
iniciante. Sendo assim, indicamos para a sua aquisição o Manual de
Normalização Bibliográfica para Trabalhos Científicos da Universidade
Estadual de Ponta Grossa (UEPG, 2009).
A unidade que você passará a estudar comporta uma visão geral
da normalização, destacando o seu papel no universo acadêmico
científico, como também aborda alguns de seus aspectos mais
frequentes: as partes do trabalho acadêmico, os aspectos gráficos e
de apresentação, o uso de citações, os sistemas de chamada e notas, o
uso de expressões latinas e, finalmente, a elaboração das referências.
Visamos, nesta unidade, que você reconheça a importância da
normalização técnica e científica e passe, desde já, a utilizá-la em seus
trabalhos.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
61
UNIDADE 3
SEÇÃO 1
ASPECTOS TÉCNICOS E OPERACIONAIS DA REDAÇÃO DE
TRABALHOS CIENTÍFICOS
Segundo Oliveira (2006), os trabalhos
acadêmicos desenvolvidos pelos estudantes
constituem-se em uma oportunidade singular para
a iniciação ao trabalho científico. A autora constata
que há uma demanda cada vez maior para que os
trabalhos elaborados desde o início da vida acadêmica
atendam os critérios metodológicos. Para ela, muitos estudantes, ao
se depararem com tal demanda, acreditam que atendê-la requer uma
capacidade intelectual extraordinária, o que de fato não é verdadeiro.
Portanto, mesmo o acadêmico iniciante deve ser levado a trilhar os
caminhos da construção do conhecimento científico, atendendo, em
seus trabalhos, os procedimentos metodológicos devidos.
Muitas vezes, e até por desconhecer a finalidade da normalização
técnica bibliográfica, o estudante tenta recorrer a modelos ou receitas.
Acredita que, seguindo um modelo, sem uma prática consistente com
as normas, já tem o suficiente para elaborar os trabalhos exigidos na
academia, sejam estes artigos, resenhas, monografias, etc. Seguindo
modelos ou receitas, logo descobrirá que estes não servem para todas as
situações e que é preciso consultar um manual atualizado de normas,
uma vez que a ABNT periodicamente revisa e reformula características
e necessidades das informações e publicações científicas para atualizar
certos aspectos da normalização.
Por causa disso é muito importante que o estudante seja inserido
gradativamente no universo dessas exigências, vivenciando a
utilização da metodologia e da normalização científica no decorrer da
vida acadêmica.
A finalidade da normalização
Explicamos anteriormente que a vida social exige a normalização,
a qual está presente na construção de casas, prédios, pontes, estradas,
ABNT: Associação
Brasileira de Normas
Técnicas.
UniversidadeAbertadoBrasil
62
UNIDADE 3
e até na fabricação de produtos para a nossa alimentação, higiene
e vestuário. Isso ocorre porque é necessário padronizar registros e
informações em diferentes campos do conhecimento e da atividade
humana, a fim de favorecer a comunicação dentro de sistemas
específicos, e visando, em última instância, o seu aperfeiçoamento.
Assim, vemos que o campo científico também não prescinde
da padronização na divulgação do conhecimento, das novas ideias,
trajetórias e conclusões de pesquisas.
Em trabalhos acadêmicos científicos, a normalização técnica
visa padronizar o formato do trabalho e a apresentação das fontes e
referências utilizadas pelos seus autores. Trata-se, especialmente, de
favorecer a identificação da produção intelectual, uma vez que:
A normalização, como atividade reguladora, unifica formatos,
procedimentos, favorece e facilita o registro, a transferência das
informações para os meios impressos e/ou eletrônicos e permite a
recuperação mais efetiva de documentos em sistemas de informação,
além de garantir uma padronização que facilita o uso e a disseminação
de seu conteúdo. (ROTHER, 2007, p. 1).
A normalização é um critério exigido para que possamos registrar
e incluir trabalhos científicos em bases de dados, em periódicos, ou
para a comunicação em eventos científicos.
As partes principais do trabalho acadêmico
O trabalho acadêmico comporta partes. Observe a seguinte
sequência e, em seguida, a explicação de cada parte.
•	 	Capa
•	 	Página ou folha de rosto
•	 	Errata
•	 	Página de aprovação
•	 	Dedicatória
•	 	Agradecimentos
•	 	Epígrafe
•	 	Resumo
•	 	Abstract
•	 	Listas
•	 	Sumário
•	 	Corpo do trabalho
•	 	Referências
•	 	Glossário
•	 	Apêndice(s)
•	 	Anexo(s)
•	 	Índice(s)
•	 	Capa final ou contra capa
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
63
UNIDADE 3
A capa contém quatro elementos principais, todos escritos em letras maiúsculas. No alto
da página colocamos o nome da instituição, seguido da unidade de ensino (curso, programa,
se for o caso). No meio da página colocamos, centralizados, o título e subtítulo do trabalho.
Se o trabalho comportar mais de um volume, devemos fazer constar, em cada capa, a
sua especificação. O nome do autor deverá estar entre o da instituição e o título, também
centralizado. Bem abaixo, colocamos a cidade da instituição e o ano de entrega do trabalho.
A contra capa não comporta nenhum elemento.
A página ou folha de rosto apresenta os elementos essenciais à identificação do
trabalho. Deve conter, no alto, o nome completo do autor em letras maiúsculas. No meio, e
centralizado, coloca-se o título completo do trabalho (com subtítulo se houver), também em
letras maiúsculas. Mais abaixo, à direita, devemos esclarecer a natureza do trabalho e seu
objetivo acadêmico (se é trabalho de conclusão de curso ou de avaliação de uma disciplina,
por exemplo). Se for o caso, deve-se colocar o nome completo do orientador do trabalho ou
do professor solicitante. Abaixo, como na capa, devem constar a cidade e o ano.
No caso de trabalhos de pós-graduação (mestrado e doutorado), o verso da folha de
rosto é destinado à ficha catalográfica, a qual deverá ser elaborada por um bibliotecário,
segundo normas próprias.
A errata é uma folha que só deve ser utilizada se você detectar pequenas incorreções.
Deve trazer o número da página e da linha, com a correção nos seguintes termos: Onde se
lê..., leia-se...
A página de aprovação somente será utilizada quando o trabalho precisar ser submetido
a uma banca examinadora. Deve conter, centralizados, o nome do autor e o título do
trabalho em letras maiúsculas, seguidos das mesmas considerações sobre a natureza do
trabalho e dos objetivos que constam da folha de rosto. Deve conter, ainda, a cidade e a
data da aprovação e, na sequência, os nomes completos, titulação e siglas institucionais dos
membros da banca.
A dedicatória e os agradecimentos não são obrigatórios, devendo ser utilizados quando
o autor pretende homenagear alguém. Normalmente, nos agradecimentos manifestamos
brevemente o nosso reconhecimento às instituições e pessoas que colaboraram no trabalho,
especialmente o orientador.
A epígrafe é parte não obrigatória, que se caracteriza pela apresentação de um pequeno
trecho que expresse um pensamento relacionado com o conteúdo do trabalho.
O resumo é obrigatório em monografias, dissertações e teses. Tem caráter informativo e
é redigido em parágrafo único, com espaçamento simples entre as linhas. Após o parágrafo
do resumo se seguem de três a cinco palavras-chave.
O abstract é obrigatório apenas em dissertações e teses. É o resumo em inglês, também
seguido de key words. A língua inglesa é a mais usual, todavia, é possível fazer o resumo em
outra língua estrangeira, de acordo com as orientações da sua instituição.
As listas de ilustrações, tabelas e figuras devem seguir a ordem em que estas se
apresentam no texto, salvo as siglas e abreviaturas, que devem ser colocadas em ordem
alfabética. Recomendamos utilizar uma lista própria para cada tipo de situação.
UniversidadeAbertadoBrasil
64
UNIDADE 3
O sumário apresenta a esquematização das principais divisões do trabalho, as quais
podem ser partes, seções ou capítulos. Tais divisões devem ser apresentadas exatamente
na mesma ordem e grafia em que estão no corpo do trabalho, indicando-se a primeira página
em que cada uma aparece. O sumário não traz elementos pré-textuais, ou seja, inicia com a
introdução do trabalho.
O corpo do trabalho traz os elementos textuais na forma dissertativa. Isto supõe
que as várias divisões internas (partes, seções ou capítulos) que você vai utilizar devem
expressar as estruturas lógicas de uma dissertação: introdução, desenvolvimento e
conclusão. Frequentemente, mantém-se a nomenclatura para a introdução, mas no caso do
desenvolvimento e da conclusão admitem-se subtítulos relacionados ao conteúdo do seu
trabalho.
As referências trazem o conjunto de publicações (livros, artigos e outros documentos)
efetivamente citados pelo autor no corpo do trabalho, e devem ser elencadas em ordem
alfabética. Se o autor utilizou outras publicações apenas para consulta, não deve colocá-las
nas referências. Poderá, para isso, fazer seguir um tópico de fontes consultadas, utilizando
também o critério alfabético para listar tais publicações. Caso tenha sido utilizadas mais de
uma obra de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço e ordenam-se as
obras cronologicamente.
O glossário nem sempre é necessário. Deve ser utilizado para explicitar termos ou
nomenclaturas técnicas ou muito específicas de determinada área de conhecimento.
Também é elaborado em ordem alfabética.
Apêndice(s) e anexo(s) devem ser usados conforme a natureza do trabalho. Em ambos
os casos são documentos complementares, colocados ao final, para não prejudicar a unidade
do raciocínio feito no corpo do trabalho. Os apêndices caracterizam-se por serem documentos
redigidos pelo próprio autor, enquanto os anexos nem sempre o são. Identificamos os
apêndices e anexos com letras maiúsculas, um travessão e o título. Ex: ANEXO A – Relação
do patrimônio escolar.
O índice é utilizado para listar palavras e/ou frases seguindo um critério. Serve para
localizá-las no texto.
Aspectos gráficos e apresentação
A apresentação do trabalho acadêmico deve ser padronizada. Existem regras gerais quanto ao
espaçamento entre linhas, o uso da fonte (tipo de letra), tipo de papel, paginação, numeração das
divisões internas, entre outras. A seguir, trazemos algumas dessas regras. Observe:
- Tamanho do papel: A4 (21 x 29,7 cm)
- Fonte (tipo de letra): Recomendamos usar a fonte Times New Roman ou Arial. O tamanho é 12
para o texto e 10 para as citações longas, notas de rodapé, legendas e tabelas.
- Margens: (desenhar ao lado uma folha com as indicações de cada uma das medidas abaixo)
•	 Superior: 3 cm
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
65
UNIDADE 3
•	 Inferior: 2 cm
•	 Direita: 2 cm
•	 Esquerda: 3 cm
•	 Citação longa: 4 cm da margem esquerda
•	 Recuo do parágrafo: 1,5 ou 3 cm
- Paginação: As páginas são contadas a partir da folha de rosto, porém só serão numeradas a partir
da primeira folha textual. Páginas pré-textuais não são numeradas. A numeração é feita com algarismos
arábicos, no canto superior direito de cada página. Apêndices e anexos também são numerados.
- Espaçamento entre linhas:
•	 Texto: 1,5
•	 Citações longas: simples
•	 Referências: simples no interior de cada referência; duplo entre uma e outra.
•	 Resumo/abstract: simples
•	 Notas de rodapé: simples
•	 Legendas de tabelas e/ou ilustrações: simples
- Subdivisões e numeração progressiva
Cada vez que precisamos iniciar um novo capítulo, devemos fazê-lo em uma nova página, com
alinhamento à esquerda. O título do capítulo é sempre destacado, sendo que a(s) forma(s) do destaque
(maiúscula, negrito, etc) também deve(m) aparecer no sumário, ou seja, há necessidade da adoção de
um padrão. Para as seções do texto (subtítulos, subdivisões), também com alinhamento à esquerda,
adota-se a numeração progressiva: 2.1, 2.1.1, 2.1.1.1 e assim por diante. Recomendamos evitar a
formação de séries numéricas muito longas. Para subdivisões de assunto podemos utilizar alíneas
minúsculas, seguidas de parênteses e com recuo. Por exemplo:
......................;
......................;
.......................
SEÇÃO 2
USO DE CITAÇÕES, SISTEMAS DE CHAMADA E NOTAS
Ao redigir o trabalho acadêmico, muitas vezes você sentirá
a necessidade de enfatizar certos aspectos estudados na literatura
pertinente ao seu tema, ou ainda, ilustrar, sustentar, analisar, corroborar
ou até mesmo rejeitar pontos de vista de outros autores sobre o mesmo
tema. Esses casos evidenciam a necessidade de usar citações e indicar
no texto a(s) fonte(s) das informações recebidas.
UniversidadeAbertadoBrasil
66
UNIDADE 3
As citações
Citações são trechos, informações ou ideias extraídos de
uma fonte acerca de determinado assunto ou tema, servindo
também para indicar no texto a(s) fonte(s) que lhe(s) serve(m) de
base.
Existem três formas de proceder quando se faz citações: direta,
citação de citação e indireta. Vejamos cada uma dessas formas.
A citação direta é exata; caracteriza-se por ser uma transcrição
literal de um trecho de um texto, devendo respeitar rigorosamente todos
os seus elementos quanto à redação, ortografia e pontuação. Há duas
formas de fazer a citação direta: a curta e a longa.
A citação direta curta tem até 3 linhas e deve ser inserida no
próprio corpo do texto ou feita em um parágrafo próprio. Deve sempre ser
destacada apenas por aspas.
Exemplo de citação direta curta no corpo do texto. Veja o trecho
destacado por aspas.
A motivação, portanto, refere-se à expectativa de que, em situações
semelhantes às vividas anteriormente, sigam-se consequências também
semelhantes (reforçadoras ou punitivas). “Essa expectativa servirá
então como incentivo que motivará o aprendiz a tomar conhecimento da
tarefa de aprendizagem e a se deter nela”. (ROSS, 1979, p. 36). Mas,
se a consequência for aversiva, provavelmente motivará o aluno a se
distanciar dessa tarefa. Por isso, um estímulo que é reforçador para um
aluno, pode ser punitivo para outro.
	
Exemplo de citação direta curta em parágrafo próprio. Veja o
trecho destacado por aspas.
Nas palavras de Piaget (1983, p.226): “a afetividade é caracterizada
por suas composições energéticas, com cargas distribuídas sobre um
objeto ou outro (cathesis), segundo ligações positivas ou negativas.”
A citação direta longa é aquela com mais de 3 linhas. Deve ser
destacada com um recuo de texto de 4 cm da margem esquerda, com
espaçamento simples entre as linhas, letra tamanho 10 e sem aspas. Note
como a citação longa figura no texto que se segue.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
67
UNIDADE 3
Exemplo:
No estudo da linguagem escrita ou falada devemos considerar que
todo texto é um lugar de interação entre falante e ouvinte, autor e leitor,
e que os dois pólos dessa interação estão situados em determinados
contextos sociais, históricos, econômicos, políticos, culturais, que
participam do sentido que lhe é atribuído. Segundo Orlandi (1987, p.180):
O texto não é uma unidade completa, pois sua natureza
é intervalar. Sua unidade não se faz nem pela soma de
interlocutores nem pela soma de frases. O sentido do texto
não está em nenhum dos interlocutores especificamente, está
no espaço discursivo dos interlocutores; também não está em
um ou outro segmento isolado em que se pode dividir o texto,
mas sim na unidade a partir da qual eles se organizam. Daí
haver uma característica indefinível no texto que só pode ser
apreendida se levarmos em conta sua totalidade.
Considerado como totalidade que se relaciona com o contexto, o
texto, para ser desvelado requer a análise do discurso, na medida em que
esta é capaz de revelar as suas condições de produção.
A citação de citação é um caso a ser evitado; somente devemos
utilizá-la quando for impossível consultar a fonte original. Como é um
caso restrito, não devemos abusar do seu uso. Constatada, porém, a sua
necessidade, a fonte original deve ser mencionada seguida do termo latino
apud ou sua tradução citado por, finalizando com a fonte efetivamente
consultada. Nas referências, ao final do trabalho, menciona-se apenas a
fonte consultada. Veja os exemplos:
Em citação longa:
Imediatamente outras necessidades emergem, e estas, mais do
que necessidades fisiológicas, dominam o organismo. E quando estas,
por sua vez, são satisfeitas, novamente outras necessidades (ainda
mais superiores) emergem, e assim por diante. Isto é o que queremos
dizer quando afirmamos que as necessidades básicas do homem estão
organizadas numa hierarquia de prepotência relativa. (MASLOW, 1970,
p. 38 apud KLAUSMEIER, 1977, p. 261).
Em citação curta:
Na abordagem piagetiana, a relação entre conhecimento e
afetividade é de reciprocidade e indissociabilidade, uma vez que “as
UniversidadeAbertadoBrasil
68
UNIDADE 3
funções do conhecimento representam a estrutura e as da afetividade
a força ou energia da conduta psicológica.” (PIAGET, 1988, p. 32 apud
BRENELLI, 2000, p. 106.).
Em citação indireta:
Segundo Hart e Brassard (1991, p. 63) apud Marques (2000, p.
207), atitudes dos adultos influenciam as crianças, podendo ensiná-las,
inclusive, a temer, odiar e agir destrutivamente em relação aos outros.
A citação indireta é uma paráfrase de um trecho ou de um
texto completo. Refere-se à reprodução fiel do conteúdo das ideias ou
informações de outro(s) autor(es), mas não há uma transcrição literal
do trecho ou do texto. Ou seja, reproduzimos as ideias ou informações,
porém com palavras próprias. Nesse caso devemos sempre indicar a sua
fonte, sem fazer menção à(s) página(s). A indicação da fonte é necessária,
caso contrário caracteriza-se um plágio.
Veja os exemplos:
Estudos como os de Patto (1990) apontam que ...
	
Tal transformação articula os significados que atribuímos aos
fatos, fenômenos e objetos, as relações que estabelecemos com os outros
homens e nossas ações no mundo. (BLUMMER, 1982).
Outra variável situacional associada com as crenças de eficácia dos
professores são as séries escolares bem como a época de suas vidas em
que lecionam. Bandura (1993) relata resultados de pesquisas segundo as
quais as crenças de eficácia de professores de matemática e linguagem
variam conforme as séries escolares.
Os sistemas de chamada	
Existem duas formas pelas quais podemos indicar as fontes
de citações que fizemos em nosso texto: o sistema autor-data e
o sistema numérico. Você deve escolher uma dessas formas e
padronizá-la para todo o seu trabalho.
O sistema autor-data apresenta certas distinções. Observe-as:
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
69
UNIDADE 3
a) as citações diretas (curtas ou longas) são indicadas pelo
sobrenome do autor seguido de vírgula, do ano de publicação da
fonte e da página onde se encontra a citação. Exemplos: Figueira
(2001, p.16) ou (FIGUEIRA, 2001, p.16).
b) as citações indiretas são indicadas apenas pelo sobrenome e o ano
de publicação. Exemplos: Figueira (2001) ou (FIGUEIRA, 2001).
c) quando a menção do autor é feita no contexto de um parágrafo
ou frase, deve ficar fora dos parênteses e apresentar apenas a inicial
maiúscula. Exemplo: Segundo Figueira (2001, p.16), a noção de
inconsciente deve ser entendida como...
d) quando a menção do autor é feita no final de um parágrafo ou
sentença deve ficar dentro dos parênteses e apresentar todas as
letras maiúsculas. Ex: (FIGUEIRA, 2001, p.16).
e) quando houver coincidência de sobrenomes de autores,
acrescentamos as iniciais de seus prenomes seguindo a ordem
alfabética dos mesmos. Exemplos: (FIGUEIRA, A., 2001) e
(FIGUEIRA, D., 2001).
f) quando as iniciais dos prenomes forem coincidentes, apresentam-
se os prenomes por extenso. Exemplos: (FIGUEIRA, Anísio, 2001) e
(FIGUEIRA, Antônio, 2001).
g) quando são utilizadas diferentes fontes do mesmo autor, porém
publicadas no mesmo ano, para fazer a distinção utilizam-se, após o
ano, letras minúsculas em ordem alfabética. Exemplos: FIGUEIRA
(2001a) e FIGUEIRA (2001b).
h) quando a fonte tem dois autores há duas situações: se está
inserida na sentença utiliza-se a ligação “e”; se está finalizando o
parágrafo coloca-se ponto e vírgula entre os sobrenomes, dentro dos
parênteses.
Exemplos:
UniversidadeAbertadoBrasil
70
UNIDADE 3
Inserida na sentença: O conceito de interação social, conforme
enfatizam Saldanha e Gomes (2003), pode ser entendido como... ;
Finalizando parágrafo ou sentença: (SALDANHA; GOMES, 2003).
i) quando a fonte tem três autores, no contexto da sentença, ao
primeiro sobrenome segue-se ponto e vírgula, sendo os dois últimos
ligados por “e”. Finalizando o parágrafo ou sentença usamos apenas
ponto e vírgula entre os sobrenomes.
Exemplos:
Inserida na sentença: A mesma visão é apresentada por Mendonça;
Marques e Fonseca (2004) como conclusão de uma pesquisa
realizada em São Paulo com meninos de rua.
Finalizando parágrafo ou sentença: (MENDONÇA; MARQUES;
FONSECA, 2004).
j) quando a fonte tem mais de três autores, estes são mencionados
pelo sobrenome do primeiro, seguido da expressão latina et al, que
significa “e outros”, finalizando com o ano. Exemplos:
Inserida na sentença: Rosso et al (2003) dizem que... ;
Finalizando parágrafo ou sentença: (ROSSO et al, 2003).
l) quando há várias fontes de um mesmo autor, cada qual publicada
em ano diferente, menciona-se o sobrenome seguido dos anos
separados com ponto e vírgula. Devemos também observar a ordem
cronológica dos anos de publicação. Exemplos:
Inserida na sentença: Esta conclusão é corroborada nos estudos de
Fernandes (1999; 2000; 2004);
Finalizando parágrafo ou sentença: (FERNANDES, 1999; 2000;
2004).
m) quando há várias fontes de autores diferentes, mencionadas no
texto por partilharem a mesma ideia, conclusão ou informação:
Inserida na sentença: Amaral (1999); Paula (2001) e Ferreira (2004)
concordam que esta literatura é indicada para ...
Finalizando parágrafo ou sentença: (AMARAL, 1999; PAULA, 2001
e FERREIRA, 2004).
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71
UNIDADE 3
n) quando desejamos suprimir, acrescentar ou fazer destaques em
citações diretas, devemos:
- Usar colchetes com reticências dentro em caso de supressão.
Exemplo:
Os sentimentos de justiça, honestidade e reciprocidade
constituem um sistema racional de valores pessoais. [...] Na
primeira infância (período pré-operatório), a vida afetiva
parece ser intuitiva, impulsiva, cujas regulações energéticas
não são estáveis nem organizadas num sistema coerente e
reversível. (BRENELLI, 2000, p. 115).
- Usar colchetes com o comentário dentro, em caso de acréscimo.
Exemplo:
Na adolescência [conforme a Teoria de Jean Piaget],
paralelamente à elaboração das operações formais, a vida
afetiva do sujeito afirma-se através da conquista de sua
personalidade e integração na vida social dos adultos.
(BRENELLI, 2000, p. 115).
- Usar uma das formas de destaque disponíveis (negrito, itálico ou
sublinhado), acrescentando-se, após a fonte, vírgula e a expressão
grifo nosso. No caso da parte destacada já constar da fonte original
da citação, acrescentar, após esta, vírgula e a expressão grifo do
autor.
Exemplos:
Independentemente de as conseqüências de suas tarefas
serem positivas ou negativas as pessoas motivadas para a
realização apresentam duas tendências ou disposições opostas
de personalidade, denominadas expectativa de sucesso e
medo do fracasso. (LIMA, 2000, p.154, grifo da autora).
A grande diferença entre indivíduos com expectativas de
sucesso e medo do fracasso está nos fatores emocionais que
permeiam seus comportamentos, como é o caso da tolerância
à frustração, da agressividade ou da alegria, para citarmos
apenas alguns exemplos. (LIMA, 2000, p.154, grifo nosso).
o) quando a citação curta que desejamos fazer já contém aspas,
estas deverão ser substituídas por aspas simples. Exemplo:
“Há que se prevenir o uso/abuso das drogas ilegais e ‘legais’.”
(BORUCHOVITCH, 2000, p. 203, grifo da autora).
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72
UNIDADE 3
No sistema numérico, as fontes das citações recebem uma
numeraçãoúnicaeconsecutiva,colocadasemalgarismosarábicos,
em expoente, um pouco acima do texto, ou entre parênteses.
Exemplos:
O tratamento desdenhoso corresponde a “um tipo de castigo
ou correção verbal que é uma combinação de rejeição e degradação hostil,
incluindo aspectos como a imposição de culpa”. (1)
O tratamento desdenhoso corresponde a “um tipo de castigo ou
correção verbal que é uma combinação de rejeição e degradação hostil,
incluindo aspectos como a imposição de culpa”. 1
Essa numeração deve corresponder à das referências ao final do
trabalho ou ao final do capítulo, conforme o caso.
O uso de notas de rodapé	
No sistema numérico, podemos utilizar notas de rodapé com
finalidade de referência das fontes (notas de referências). Essa opção
não dispensa a lista de referências ao final do trabalho ou capítulo.
Na primeira vez que uma fonte aparece no texto, ela recebe um
número e no rodapé correspondente haverá necessidade de colocar a sua
referência completa. Se em uma mesma página há citações subsequentes
de uma mesma fonte, estas podem ser referenciadas, de forma abreviada,
utilizando-se expressões latinas.
Exemplo do uso do sistema numérico em nota de rodapé:
________________
(1) MARQUES, Maria Aparecida Barbosa. Abuso psicológico de
crianças e adolescentes. In: SISTO, Fermino; OLIVEIRA, Gislene de
Campos; FINI, Lucila Diehl Tolaine. (Orgs.). Leituras de psicologia para
formação de professores. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 205-232.
(2) Id. Ibid, p. 208.
O uso das expressões latinas nas notas de rodapé
As expressões latinas devem ser utilizadas apenas no rodapé. O
único caso que constitui exceção é o apud (citado por), que pode ser
usado no corpo do texto.
Veja, a seguir, o significado das expressões latinas e o seu uso.
•	 	Id (Idem) – refere-se ao mesmo autor;
EXPRESSÕES LATINAS:
Recomenda-se o uso das
expressões latinas apenas
no sistema de chamada
numérico, em nota de
rodapé.
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73
UNIDADE 3
•	 	Ibid. (Ibidem) – refere-se à mesma fonte, porém, a citação
encontra-se em página diferente;
•	 	Loc. Cit. – refere-se ao lugar citado, indicando que a citação foi
retirada da mesma página de uma fonte anteriormente citada
e que não houve intercalação de outras referências ou notas
explicativas.
•	 	Op. Cit. – refere-se à fonte ou obra citada, indicando que a
citação foi retirada de uma outra página de fonte anteriormente
citada e que houve intercalação de outras referências ou notas
explicativas.
•	 	Passim – significa “aqui e ali” – refere-se à impossibilidade de
mencionar todas as páginas de onde foram retiradas as ideias
do autor ou autores.
•	 	Sequentia ou et seq. – significa seguinte ou que se segue, para
indicar a partir de qual página o assunto ou ideia está presente.
•	 	Sic - significa assim mesmo ou estava assim no original.
A utilização de notas de rodapé também pode ter uma finalidade
explicativa –notas explicativas. Essas notas são usadas para esclarecer
ou complementar o texto, consistindo em exposições, comentários e/ou
indicações de referenciais que são levados ao rodapé para não prejudicar
a lógica textual.
As notas explicativas no sistema autor/data são numeradas em
algarismos arábicos e sua numeração, iniciada no primeiro capítulo, é
reiniciada a cada novo capítulo do trabalho. No sistema numérico, utiliza-se o
asterisco para remeter a explicação ao rodapé, a fim de não provocar confusão
com os números já existentes, do próprio sistema de chamada das fontes.
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74
UNIDADE 3
Chamamos de “referências” o conjunto de elementos que
permitem identificar as fontes utilizadas para a elaboração do trabalho.
Esse conjunto consiste, pois, numa listagem, em ordem alfabética,
geralmente situada na parte final do trabalho, cuja finalidade é identificar
individualmente os diversos tipos de fontes ou publicações mencionados
no corpo do trabalho, tais como livros, artigos de periódicos, CDs, DVDs,
páginas da Internet, etc.
Para elaborar uma referência, devemos distinguir entre elementos
essenciais e elementos complementares. Os primeiros são indispensáveis
em todas as referências: autor(es); título; edição; local de publicação
(cidade); editora; ano de publicação ou de produção. Os segundos
configuram uma melhor caracterização da fonte utilizada, incluindo
elementos como a indicação de responsabilidade (organização, tradução,
revisão), descrição física do documento (número de páginas, ilustrações,
tamanho), indicação de série ou de coleção, notas especiais, número de
registro do ISSN ou ISBN. (SEVERINO, 2002).
Como as referências são ordenadas alfabeticamente, no caso de
haver várias obras de um mesmo autor, após referenciá-lo pela primeira
vez, nas referências sucessivas devemos substituir o sobrenome do autor
por um traço equivalente a seis toques, seguido de ponto. ( ______.)
O formato para a apresentação da listagem de referências requer
o alinhamento à margem esquerda, espaçamento simples entre as linhas
dentro de cada referência e espaçamento duplo entre uma e outra, a fim
de que possamos identificar individualmente cada documento.
A(s) autoria(s) em referências
Veja, no Quadro 1, as formas de entrada para autorias e alguns
exemplos.
SEÇÃO 3
A ELABORAÇÃO DAS REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS:A
norma da ABNT que
trata especificamente
das referências é a NBR
6023/2002.
É importante relembrar
aqui que as referências
se referem ao conjunto
de fontes efetivamente
utilizadas pelo autor no
corpo do trabalho. Outras
publicações utilizadas
pelo autor, porém não
mencionadas no corpo do
trabalho, podem compor
o que chamamos “Fontes
Consultadas”.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
75
UNIDADE 3
Quadro 1 – Formas de entrada e exemplos de referências
ENTRADA EXEMPLOS
Um autor LAROCCA, Priscila.
LAROCCA, P.
Dois autores (na ordem
como aparecem na
publicação)
LAROCCA, Priscila; SALLES ROSA, Desirée.
LAROCCA, P.; SALLES ROSA, D.
Três autores (na ordem
como aparecem na
publicação, separados por
ponto e vírgula)
LAROCCA, Priscila; ROSSO, Ademir José;
SOUZA, Audrey Pietrobelli de.
LAROCCA, P.; ROSSO, A. J.; SOUZA, A. P. de.
Mais de três autores (o
primeiro, seguido de et al.
CARVALHO, José Sérgio et al.
CARVALHO, J. S. et al.
Coordenador,
Organizador, etc.
CODO, Wanderley. (Coord.).
CODO, W. (Coord.).
AZZI, Roberta Gurgel; SADALLA, Ana Maria
Falcão de Aragão. (Orgs.).
AZZI, R. G.; SADALLA, A. M. F. de A. (Orgs.).
Entidade UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS.
Faculdade de Educação. Programa de Pós-
Graduação em Educação.
PARANÁ. Secretaria da Educação.
BRASIL. Ministério da Educação.
CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO (PR).
As fontes referenciais consideradas no seu todo
Você já observou as formas de entrada para autoria que são
recomendadas. Para outros casos, mais específicos, você deve consultar
um manual de normas da ABNT. Todavia, para se fazer uma referência
completa, é preciso observar outros elementos, tais como o título, se a
obra é traduzida ou não, a edição da fonte consultada, e os chamados
“elementos de imprenta” que correspondem ao local (cidade) de
publicação, ao nome da editora e ao ano de publicação.
O título é referenciado tal como aparece na obra e é destacado com
um dos recursos: negrito, itálico ou sublinhado, e tal como a pontuação,
deve seguir uma padronização para todas as referências. O subtítulo não
é destacado.
No caso de haver tradução, esta segue o título. Referenciamos a
edição logo em seguida, colocando o seu número seguido de ponto e
a expressão ed seguida de ponto. Não indicamos a primeira edição e
no caso desta ser revista e atualizada utilizamos suas abreviaturas (rev.;
UniversidadeAbertadoBrasil
76
UNIDADE 3
atual.; ). Exemplos: 6.ed; 3. ed. rev. atual.
Os elementos de imprenta são seguidos de sinais de pontuação:
dois pontos após a cidade e vírgula entre a editora e o ano.
A menção à cidade (local) deve ser referenciada conforme aparece
na obra. Para dirimir dúvidas, em casos de cidades homônimas devemos
acrescentar a sigla do estado e/ou o nome do país. Se o local não aparece na
publicação, mas podemos identificá-lo de outros modos, devemos indicá-
lo entre colchetes. Se for impossível identificar o local da publicação,
devemos colocar entre colchetes a abreviatura de Sine loco, que significa
“sem local”. Exemplo: [S.l.].
Quantoàeditora,devemosreferenciá-laapenaspelonome,omitindo
a palavra Editora e outras denominações de caráter jurídico, como S/A,
Ltda, etc. Todavia, utilizaremos a abrevitura Ed. no caso de a editora ter
uma denominação que possa ser confundida com o local. Por exemplo: Ed.
Curitiba. Duas ou mais editoras são referenciadas separadas por ponto e
vírgula. Quando não identificamos a editora, colocamos entre colchetes a
abreviatura de Sine nomine, que significa “sem nome”. Exemplo: [S.n.].
No caso de o local e a editora não serem identificados na fonte, usamos
as abreviaturas correspondentes dentro dos mesmos colchetes. Exemplo:
[S.l.; s.n.].
Após referenciar a editora, coloca-se o ano de publicação. Para
casos em que não se identifica o ano de publicação, devemos consultar
um manual de normas que especifique cada situação.
Na referência de uma obra completa, não é obrigatória a indicação
do número de páginas. Mas se esta for feita, devemos padronizá-la
para todas as referências. No caso de capítulos ou partes de uma obra,
a indicação das páginas inicial e final é obrigatória e estas devem ser
separadas por um hífen.
	 A seguir, você terá uma série de casos e exemplos. Verifique.
1. Livro no todo:
SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Nota de tradução.*
Edição.** Local: Editora, ano de publicação. nº de pág. (opcional). (Série)
(opcional).
Exemplo:
ZABALZA, Miguel. O ensino universitário: seu cenário e seus
protagonistas. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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77
UNIDADE 3
2. Capítulo de livro:
a) Autoria diferente da autoria do livro no todo
SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título. In:
SOBRENOME, Prenome (autor da obra no todo). Título. Local: Editora,
ano. Pág. inicial e final.
Exemplo:
LAROCCA, Priscila. Problematizando os contínuos desafios da
Psicologia na formação docente. In: AZZI, Roberta Gurgel; SADALLA,
Ana Maria Falcão de Aragão. (Orgs.). Psicologia e formação docente:
desafios e conversas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. p. 31- 45.
b) Autoria igual à autoria da obra no todo	
SOBRENOME, Prenome. Título (do capítulo) In: ______. Título (do
livro no todo) Local: Editora, ano. Cap. nº (se houver), página inicial e
final.
Exemplo:
LEITE, Sérgio Antônio da Silva. Notas sobre o processo de
alfabetização escolar. In: ______. (Org.). Alfabetização e letramento:
Contribuições para as práticas pedagógicas. Campinas: Komedi; Arte
Escrita, 2001. p. 21- 45.
3. Periódico científico (revista)
a) No todo
TÍTULO DA PUBLICAÇÃO. Local: editor, ano do primeiro volume
e do último, se a publicação terminou. Periodicidade (opcional). Notas
especiais (títulos anteriores, ISSN etc.) (opcional).
Exemplo:
EDUCAÇÃO E PESQUISA. São Paulo: FEUSP/Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo, 1975 – Quadrimestal. 1517-
9702.
b) Artigo de periódico
SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do
periódico, local, volume, fascículo, página inicial e final, mês e ano.
Exemplo:
SADALLA, Ana Maria Falcão de Aragão; LAROCCA, P. Autoscopia:
um procedimento de pesquisa e de formação. Educação e Pesquisa, São
Paulo, v. 30, n. 3, p. 419 – 433, set./dez., 2004.
4. Dissertações e teses
SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Local: Instituição, ano.
nº de pág. ou vol. Indicação de Dissertação ou Tese, nome do curso ou
programa da faculdade e universidade, local e ano da defesa.
UniversidadeAbertadoBrasil
78
UNIDADE 3
Exemplo:
LAROCCA, Priscila. Conhecimento psicológico e séries iniciais:
diretrizes para a formação de professores. Campinas: Universidade
Estadual de Campinas, 1996. 263 p. Dissertação. Mestrado. Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 1996.
5. Evento (congresso, conferência, reunião, encontro, etc.)
a) no todo
NOME DO EVENTO, nº do evento, ano, local. Título. Local: Editor,
ano de publicação. nº de pág. se tiver anais impresso (opcional).
Exemplo:
CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, VII,
2007, Curitiba. Saberes docentes. Curitiba: PUC/PR, 2007. CD-ROM.
b) Trabalho apresentado em evento
SOBRENOME, Prenome (autor do trabalho). Título: subtítulo. In:
NOME DO CONGRESSO, nº. ano, local de realização. Título (da obra
no todo). Local de publicação: Editora, ano. Páginas inicial e final do
trabalho. (se tiver anais impresso).
Ou
SOBRENOME, Prenome (autor do trabalho). Título: subtítulo. Ano.
Trabalho apresentado ao nº do evento (se houver), nome, cidade e ano.
Exemplos:
NEVES, Isabel Cristina; VALENTINI, Maria Terezinha Pacco;
LAROCCA, Priscila. Avaliação da aprendizagem: concepções e
práticas de formadores de professores. In: CONGRESSO NACIONAL
DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, VII, 2007, Curitiba. Saberes docentes.
Curitiba: PUC/PR, 2007. CD-ROM.
Ou
NEVES, Isabel Cristina; VALENTINI, Maria Terezinha Pacco;
LAROCCA, Priscila. Avaliação da aprendizagem: concepções e práticas
de formadores de professores. 2007. Trabalho apresentado ao VII
CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, Curitiba,
2007.
6. Dicionários e enciclopédias
SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. (se houver)
Local: Editora, data. Nº de páginas ou vol. (opcional).
Exemplos:
FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo dicionário da língua
portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1838 p.
ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopaedia
Britannica do Brasil, 1995. 20 v.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
79
UNIDADE 3
7. Legislação
JURISDIÇÃO. Lei nº ....., data completa. Ementa. Nome da
publicação, local, volume, fascículo e data da publicação. Nome do
caderno, página inicial e final.
Exemplo:
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da República
Federativa do Brasil], Brasília, DF, v. 134, n. 248, 23 dez. 1996. Seção 1,
p. 27834-27841.
8. Documento eletrônico
SOBRENOME, Prenome. Título. Edição. Local: ano. Nº de pág. ou
vol. (Série) (se houver) Disponível em: http://... Acesso em: dia mês
(abreviado) ano.
Exemplo:
ROTHER, Edna T. O papel da normalização nas publicações
científicas. Revista brasileira de oftalmologia. Rio de Janeiro: 2007. Vol.
66 n. 4. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-
72802007000400001script=sci_arttext
Acesso em: 15 abr. 2009.
Nesta unidade, você estudou a normalização técnica para a elaboração de trabalhos acadêmicos.
Compreendeu que a normalização visa padronizar o formato e a apresentação do trabalho como um
todo e das citações e referências, uma vez que, ao padronizarmos registros e informações, favorecemos
a identificação individual da produção, bem como facilitamos a comunicação dentro de sistemas.
Você também estudou as principais partes do trabalho acadêmico e os aspectos gráficos para a
sua apresentação. Aprendeu, ainda, que as citações são trechos, informações ou ideias extraídas de
uma fonte acerca de determinado assunto ou tema, que servem também para indicar no texto as fontes
que os sustentam.
Três são as formas de fazer citações: as citações diretas, as citações de citações e as citações
indiretas. As citações diretas podem ser curtas, se tiverem até três linhas, ou longas, se mais do que
isso. As citações de citações devem ser evitadas e são referenciadas no texto mediante o uso do apud.
As citações indiretas são paráfrases, em que se mantém a ideia do autor, porém se redige de maneira
própria.
Há dois sistemas de chamada para indicar as fontes das citações que usamos: o sistema autor-data
e o sistema numérico, cada qual comportando uma série de normalizações específicas.
As notas de rodapé podem ser utilizadas com finalidade de referência, no caso da adoção do
sistema numérico, ou com finalidade explicativa.
A elaboração das referências também comporta normalização, tanto no que diz respeito aos dados
essenciais, quanto no que diz respeito aos dados complementares.
UniversidadeAbertadoBrasil
80
UNIDADE 3
1. Associe corretamente:
A – Sumário
B – Corpo do trabalho
C – Referências
D – Glossário
E – Resumo
( ) Utilizamos quando é necessário explicitar termos ou nomenclaturas técnicas ou muito
específicas de determinada área de conhecimento.
( ) Corresponde aos elementos textuais e tem forma dissertativa. Pode comportar subdivisões
ou capítulos.
( ) Deve ser redigido em parágrafo único, com espaçamento simples entre as linhas, e tem
caráter informativo sobre o conteúdo da obra. É acompanhado de três a cinco palavras-chave.
( ) Referem-se ao elenco alfabético de fontes efetivamente mencionadas pelo autor do corpo
do trabalho.
( ) Apresenta a esquematização das principais divisões do trabalho e indica a primeira página
em que cada uma aparece.
2. Complete a tabela com o que se pede, no que se refere aos aspectos gráficos e à apresentação de
trabalhos acadêmicos.
Aspectos gráficos e
apresentação
2.1. Margem de citação longa
2.2. Margens superior e esquerda
2.3. Margens inferior e direita
2.4. Tamanho da letra no texto
2.5. Espaço entre linhas no texto
2.6. Espaço entre linhas em citações longas
2.7. Tamanho da letra em citação longa
2.8. Espaço entre linhas no resumo
2.9. Espaço entre linhas em notas de rodapé
2.10. Espaço entre linhas entre uma referência
e outra
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
81
UNIDADE 3
3. Escolha, num livro, uma citação curta e uma longa e referencie suas fontes dentro de um texto, de
conformidade com a normalização técnica que você estudou. Escreva-as aqui:
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
4. Analise as indicações que se seguem:
No texto:
Segundo Masini, o mais importante no método fenomenológico “é a atitude de abertura do ser
humano para compreender o que se mostra (abertura no sentido de estar livre para perceber o
que se mostra e não preso a conceitos ou predefinições).” (1)
Na lista de referências:
1. MASINI, Elci F. S. Enfoque fenomenológico de pesquisa em educação. In: FAZENDA, Ivani.
(Org.) Metodologia da pesquisa educacional. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1991. Cap. 5. p. 59-
67.
Agora, indique qual é o tipo de sistema de chamada que foi utilizado:
a) sistema autor-data
b) sistema numérico sem o uso de notas e com a referência no final do trabalho
c) sistema numérico com o uso de notas e expressões latinas
d) nenhuma das alternativas
5. Referencie, no espaço em branco, um livro à sua escolha:
UniversidadeAbertadoBrasil
82
UNIDADE 3
ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ SEÇÃO 1: Os espaços de divulgação e publicação do trabalho
científico.
■■ SEÇÃO 2: Artigos científicos, ensaios e papers
■■ SEÇÃO 3: A comunicação científica
Divulgação e publicação
científica
■■ compreender a divulgação do trabalho científico como um
instrumento de sua correção e avanço, bem como de sua
socialização;
■■ compreender a importância das publicações científicas
para o avanço da ciência;
■■ reconhecer as principais formas de publicação científica e
suas características.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
UNIDADEIV
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Em seus estudos, nas unidades anteriores, você aprendeu a
diferenciar o conhecimento de senso comum do conhecimento científico.
Compreendeu que na produção do conhecimento científico não há lugar
para o espontaneísmo e para a informalidade, pois todo trabalho científico
é produzido com base em uma metodologia científica formal, reconhecida
e avalizada pela comunidade científica.
Assim, no campo da ciência, é comum e importante o fato de que
o produto da atividade científica, aqui denominado “trabalho científico”,
torne-se objeto de discussões entre os estudiosos da área (pesquisadores/
professores/ estudantes), tendo em vista o aprimoramento do processo
e do produto relativos àquele trabalho, bem como o progresso científico
geral.
Daí a relevância da temática “Divulgação e publicação científica”,
nesta unidade, pois trazemos até você subsídios para orientá-lo e auxiliá-
lo na divulgação de seus trabalhos em eventos científicos (congressos,
simpósios, encontros, jornadas, entre outros), e na sua publicação em
revistas científicas.
Sendo assim, esta unidade é dedicada aos espaços de divulgação
e publicação do trabalho científico e à elaboração de artigos científicos,
ensaios, papers e comunicações científicas.
Que você tenha um ótimo aproveitamento! Vamos lá!
SEÇÃO 1
OS ESPAÇOS DE DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO
DO TRABALHO CIENTÍFICO
Quando tratamos de trabalhos científicos, precisamos ter em mente
a necessidade de divulgá-los em eventos e revistas científicas, pois
será a partir da sua comunicação aos pares da comunidade científica
que a discussão sobre eles se estabelecerá. A comunicação permite
“compartilhar conhecimentos, opiniões, sentimentos e, talvez, convencer
os outros a pensarem como a gente”. (HARLOW  COMPTON, 1980, p.
11 apud MARCONI e LAKATOS, 2001, p.79).
UniversidadeAbertadoBrasil
84
UNIDADE 4
Comumente, é a partir do aprimoramento possibilitado pelas
discussões com os pares, que o autor do trabalho passa ao momento
de publicá-lo em revistas especializadas, registrando a sua produção
e proporcionando a utilização dos conhecimentos produzidos pela
comunidade científica. Campana (2000, p.1) diz sobre isso:
	 Em ciência, o produto da
atividaderelacionadaadeterminada
investigaçãoéusualmentediscutido
inúmeras vezes pelos seus autores,
antes de ser considerado pronto
para apresentação à comunidade
científica. Posteriormente, em
reuniões e congressos, é freqüente
que aspectos do trabalho aos quais
foi dada menor atenção sejam realçados ou que sejam evidenciados
problemas nucleares importantes de delineamento ou de interpretação
de resultados, que exigem novo tratamento. Essas correções de rumo
contribuem muitas vezes para que o trabalho venha a assumir suas
características finais, quando os autores passam a sentir-se mais seguros
a respeito daquilo que pretendiam dizer. É este o momento adequado
para a redação do trabalho para publicação, forma mais importante de
comunicação entre membros da comunidade científica.
A divulgação e a publicação do trabalho científico são, pois, momentos de socialização do
conhecimento científico, cuja função é a de comunicar e trazer reflexões sobre os resultados de estudos
e abordagens de pesquisa, bem como de sua trajetória metodológica.
O crescimento dos eventos de iniciação científica nas mais importantes universidades e instituições
de ensino superior de nosso país tem mostrado que, já para os cursos de graduação, o desenvolvimento
do espírito científico é significativo, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto do ponto de vista da
produção da ciência. Hoje, ninguém concebe mais ensino e pesquisa dissociados.
Componente indispensável deste espírito científico é a inserção do estudante universitário em
eventos, muitos dos quais acontecem em outros contextos institucionais, possibilitando-lhe vivências
culturais e científicas diferenciadas daquelas a que está acostumado em seu próprio meio acadêmico.
Tal inserção não deve acontecer somente para que o estudante seja um participante ouvinte,
mas também para que se torne um produtor e apresentador de trabalhos científicos, habituando-se a
divulgar seus trabalhos nesses eventos, bem como nas revistas científicas de sua área de formação.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
85
UNIDADE 4
UniversidadeAbertadoBrasil
86
UNIDADE 4
Seminário Como evento, é uma reunião restrita, semelhante
a um grupo de estudos, em que há a discussão de
um tema a partir da contribuição dos participantes.
Não confundir o evento “seminário” com a atividade
didático-pedagógica de mesmo nome utilizada no
processo ensino-aprendizagem.
Sessões
de
comunicação
Em geral, são utilizadas em encontros de grande porte.
As sessões de comunicações coordenadas se destinam
à apresentação de resultados de pesquisa, de estudos
e relatos de experiências, em torno de uma temática
predeterminada. Se os temas são variados trata-se de
sessão de comunicação oral. A exposição, em todos os
casos, é bem sucinta.
Mesa-
redonda
Trata-se da apresentação de pontos de vista diferentes
sobre uma mesma questão, a partir da exposição de um
dos participantes da mesa. Os demais participantes da
mesa, tendo tomado conhecimento prévio do texto do
expositor, apresentam comentários críticos sobre ele.
Após os comentários dos debatedores (geralmente dois),
a palavra retorna ao expositor inicial, e ainda pode ser
aberta aos assistentes para o levantamento de questões.
Painel É a apresentação de diferentes trabalhos sobre um
mesmo tema. A exposição é livre, pois não há referência
de um ao trabalho do outro. O painel pode abranger três
ou mais exposições, havendo um tempo limitado para
cada uma.
Apresentação
de pôsteres
Apresentação de trabalhos via cartazes com fotos,
figuras, quadros e textos concisos. Os pôsteres são
expostos ao público no evento e o autor ou autores
do trabalho devem estar disponíveis para proceder
a esclarecimentos solicitados pelos participantes.
As comissões organizadoras dos eventos informam
antecipadamente o formato dos trabalhos e dos resumos
que devem acompanhá-los.
Oficinas
e workshops
Restritos em termos do número de expositores e
de participantes, são reuniões que se destinam à
apresentação de trabalhos, experiências, pesquisas,
tendo um caráter de realização participada, isto é,
englobam vivências de experiências, projetos ou
programas.
As revistas ou periódicos científicos
Apesar de termos, no Brasil, um grande número de universidades
e instituições de ensino superior, a maioria das revistas científicas
encontra grande dificuldade para sobreviver e manter sua periodicidade
regular. Entre as causas dessas dificuldades está a falta de hábito dos
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
87
UNIDADE 4
Os eventos científicos
Os estudantes nem sempre reconhecem o significado específico de
cada tipo de evento científico. Para ajudá-los, adotamos a classificação
de Severino (2002), que identifica as características peculiares que
originaram a designação dos eventos. Com base nesse autor, elaboramos
o quadro com os diferentes tipos de eventos, para que você possa
identificá-los. Observe bem.
Quadro 2 - Tipologia de eventos científicos
Congresso Reunião ou encontro de especialistas para acompanhar,
disseminar e debater a evolução do conhecimento em
certas áreas. Caracteriza-se por ser promovido por uma
ou mais entidades de classe e/ou associações científicas
de especialistas em diversas áreas.
Conferência Como evento, aproxima-se da ideia de congresso, porém
com maior amplitude. Caracteriza-se como um encontro
periódico de todas as entidades de determinada área.
Às vezes o termo é também utilizado de modo mais
restrito, para tratar de uma exposição feita por alguém
de destaque na área. É uma situação mais solene, feita
por um único expositor e não supõe debates após a
exposição.
Palestra Exposição feita de modo menos solene que a conferência,
em um evento de menor porte. Pronunciada por um
único expositor, podendo ser acompanhada de debate
posterior.
Encontro Trata-se de um evento que se destina ao debate aberto
de temas anteriormente determinados, sob a forma de
sessões. É menor que o congresso e mais amplo que
uma reunião.
Reunião Na maioria das vezes, é tomado como encontro ou
congresso, todavia, deveria ser um evento bem mais
restrito.
Jornada Encontro que acontece num certo período de tempo,
geralmente alguns dias.
Simpósio Evento que versa sobre um único tema predeterminado,
o qual será debatido por especialistas convidados pelas
entidades promotoras, vindos de diferentes instituições.
A perspectiva do debate é a de troca de informações, de
ideias e de conclusões. Há um coordenador que preside
o debate.
UniversidadeAbertadoBrasil
88
UNIDADE 4
universitários (tanto docentes, como discentes) de assinar periódicos
científicos e entendê-los como instrumentos de trabalho fundamentais
para a vida intelectual e, por conseguinte, para a formação em certa área
de conhecimento.
Severino (2002) constata com perplexidade que a maior parte das
revistas científicas brasileiras tem uma tiragem muito pequena e é grande
o número delas que apresentam publicação interrompida. Segundo o
autor, essa questão é de mentalidade e não de ordem econômica, pois as
revistas possuem um baixo custo.
Para uma mudança de mentalidade, importante, então, é
compreender o papel das revistas científicas em relação ao conhecimento,
considerando que estas se destinam fundamentalmente à comunicação
dos resultados dos trabalhos científicos, fazendo-os circular pela
comunidade acadêmica.
Em virtude de terem uma circulação mais veloz que os livros, as
revistas científicas trazem o conhecimento de “ponta”, ou seja, trazem
o que é mais atual, mais recente nos meios acadêmicos, possibilitando
o trabalho com esse conhecimento. Vejamos o que diz Severino (2002,
p.198) sobre o papel das revistas científicas:
Cabe lembrar que o papel das revistas científicas é fundamental
na comunicação dos resultados dos trabalhos de pesquisa à comunidade
científica e à própria sociedade como um todo. Elas promovem normas
de qualidade na condução da ciência e na sua comunicação. Consolidam
critérios para a avaliação da qualidade da ciência e da produtividade dos
indivíduos e instituições. Consolidam áreas e subáreas de conhecimento.
Garantem a memória da ciência. Representam o mais importante meio de
disseminação do conhecimento em escala. São instrumentos de grande
importância na constituição e institucionalização de novas disciplinas e
disposições específicas.
Sendo assim, é importante que você pergunte aos seus professores
a respeito das revistas indicadas para a sua área de formação, tanto para
usá-las como instrumento de aprendizagem, quanto para divulgar seus
trabalhos.
Em se tratando da divulgação de trabalhos, você deve observar
que cada revista possui normas técnicas próprias em relação ao texto,
referências e formato do trabalho. Quem pretende submeter um trabalho
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
89
UNIDADE 4
à aprovação de uma revista, visando sua publicação, necessariamente
terá que levar em conta as normas próprias dessa revista.
Outro aspecto interessante a destacar é que hoje em dia muitas
revistas estão se tornando virtuais, e não apenas impressas.
Artigos, ensaios e papers são considerados trabalhos científicos de
pequena extensão que resultam de estudos e/ou pesquisas do seu autor.
A palavra paper, que significa na língua inglesa “papel ou
documento”, é utilizada por alguns professores em referência a uma
variedade de formatos de trabalhos acadêmicos: relatórios, dissertações,
ensaios, comunicações, razão pela qual não recomendamos o seu uso,
em virtude da grande possibilidade que se tem de que cada aluno
compreenda de maneira diferente o que é para fazer.
	 Os artigos e ensaios são formas bastante comuns em publicações
científicas, geralmente representam cerca de 70% das produções
publicadas. Em razão disso, devemos conceder uma maior atenção à
compreensão de seus objetivos e da estrutura de cada um desses tipos de
publicação.
SEÇÃO 2
ARTIGOS CIENTÍFICOS, ENSAIOS E PAPERS
Os ensaios teóricos
Os ensaios teóricos consistem em trabalhos expositivos, lógicos e reflexivos, que apresentam a
defesa de uma posição ou julgamento pessoal por meio de uma argumentação rigorosa, fundamentada
em alto nível de interpretação. (SEVERINO, 2002).
Para Medeiros (1997, p.181), o ensaio “é uma exposição metódica dos estudos realizados e das
conclusões originais a que se chegou após apurado exame de um assunto.”
A característica essencial dos ensaios é a liberdade que o autor tem em defender seus pontos de
vista, dispensando o apoio de dados empíricos e de referenciais bibliográficos.
O texto do ensaio é problematizador. Nele se destacam a criticidade e a originalidade de seu autor,
razão pela qual a redação de um ensaio teórico exige um repertório cultural bastante significativo e uma
grande maturidade de quem vai escrevê-lo.
ARTIGOS, ENSAIOS E
PAPERS: Não há uma
regra quanto à extensão
desses trabalhos. Leva-se
em conta o espaço para
publicação de que as
revistas científicas dispõem.
Algumas estabelecem o
número de páginas máximo
e mínimo.
UniversidadeAbertadoBrasil
90
UNIDADE 4
Os artigos científicos
	 Em geral, os artigos científicos são textos relativamente pequenos,
porém completos, que apresentam resultados de estudos e pesquisas.
São publicados em revistas ou periódicos especializados e nestes,
normalmente, a seção dos artigos é a principal.
	 A redação de um artigo científico pode ser provocada por diferentes
motivações. Marconi e Lakatos (2001, p. 88) trazem cinco exemplos de
situações que podem motivar a redação do artigo científico. Vejamos:
a) certos aspectos de um assunto não foram estudados ou o
foram superficialmente; ou ainda, se já tratados amplamente
por outros, novos estudos e pesquisas permitem encontrar
uma solução diferente;
b) uma questão antiga, conhecida, pode ser exposta de
maneira nova;
c) os resultados de uma pesquisa ainda não se constituem em
material suficiente para a elaboração de um livro;
d) ao se realizar um trabalho, surgem questões secundárias
que não serão aproveitadas na obra;
e) o surgimento de um erro ou de assuntos controvertidos
permite refutar, convenientemente, o erro ou resolver de modo
satisfatório a controvérsia.
	
Como vemos, em face dessas possibilidades de motivação para
escrever um artigo, seu conteúdo pode ser bastante variado. Um artigo
pode derivar de um estudo pessoal ou pode tratar de enfoques controversos
de uma mesma questão, trazendo uma nova abordagem para o tema ou
problema. Independentemente dos objetos de estudo e do tratamento
conferido ao seu conteúdo, o artigo se caracteriza pela atualidade,
ou seja, pelo fato de levar ao seu público ideias novas e discussões
recentemente estabelecidas em determinada área de conhecimento e/ou
atuação profissional.
	 Quanto à redação do artigo científico, tal como em outros tipos de
trabalho científico, a linguagem deve ser clara, objetiva, correta, precisa,
simples e resumida o suficiente para não prejudicar a compreensão do
texto pelo leitor. Sendo assim, devemos evitar o uso de adjetivos supérfluos
e repetições desnecessárias.
	 Para redigir o artigo, é necessário elaborar um plano que leve em
conta tanto sua estrutura formal (que a seguir explicamos), quanto os
conteúdos que serão desenvolvidos em cada parte de sua estrutura.
	 Outro aspecto da redação do artigo é concernente ao título. Assim,
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
91
UNIDADE 4
especial atenção deve ser dada à escolha do título do artigo, o qual deve
retratar com fidelidade o seu conteúdo. Muitas vezes, um autor escolhe
certo título pelo seu impacto ou beleza estética, mas acaba por causar uma
impressão errônea em quem o vai ler, porque o título não corresponde ao
que de fato está desenvolvido em seu conteúdo. Assim, recomendamos
os critérios da simplicidade e da correspondência para a escolha do título
quando você for escrever um artigo científico.
A estrutura do artigo científico
O artigo científico é basicamente composto dos seguintes elementos
ou partes fundamentais:
1ª. PARTE: CABEÇALHO
Título e subtítulo do trabalho
Autor(es)
Credenciais do(s) autor(es) (vínculos institucionais/ atividades/
local)
2ª. PARTE: SINOPSE
	 A sinopse é um resumo que traz uma apresentação do trabalho
tratado no texto do artigo. Muitas revistas chamam essa parte
simplesmente de resumo e estabelecem o número de palavras,
linhas ou caracteres permitido nessa parte do artigo. O resumo é
feito primeiramente em língua portuguesa e em seguida em uma
língua estrangeira. Na língua inglesa, corresponde ao “abstract”.
Segundo Marconi e Lakatos (2001, p.82), a sinopse deve:
•	 facilitar a consulta do periódico que a publicou e tornar o
trabalho do mesmo menos oneroso e mais rápido;
•	 conter, de forma sucinta, os fatos encontrados no trabalho e
suas conclusões, sem emitir juízo de valor;
•	 dar ao leitor uma visão global do conteúdo;
•	 indicar a maneira como o tema foi abordado;
•	 apontar os fatos novos e as conclusões tiradas;
•	 ser o mais concisa possível.
Para alcançar o máximo de concisão na escrita da sinopse ou
resumo do seu artigo científico, recomendamos que você faça um
texto inicial e submeta-o a várias revisões da sua forma, eliminando
UniversidadeAbertadoBrasil
92
UNIDADE 4
repetições, substituindo termos e expressões, para tornar a sua
linguagem mais objetiva. É importante, também, que você leve em
conta as orientações que lhe demos para a elaboração de resumos.
3ª. PARTE: CORPO DO ARTIGO
	 O corpo do artigo é um texto com as mesmas características da
dissertação, isto é, contém introdução, desenvolvimento e conclusão.
Observemos cada uma dessas partes:
a) Introdução: é uma unidade textual em que você apresenta
o assunto ou a pesquisa realizada. Apresente, nessa parte, os
objetivos do seu artigo. Apresente também a metodologia utilizada
na realização da pesquisa. Mostre a relevância do seu estudo e
encaminhe a sua proposição ou abordagem. Não há uma ordem
fixa para estes componentes da introdução, mas é importante que
todos eles estejam presentes no texto.
b) Desenvolvimento: consiste na exposição, explicação e
demonstração do material de estudo, com avaliação e discussão dos
resultados, com base em teoria ou em dados de outras pesquisas.
O desenvolvimento pode comportar subunidades, cada qual com
um subtítulo correspondente. No entanto, não devemos exagerar no
número de subtópicos no desenvolvimento a fim de não fragmentar
excessivamente o texto.
c) Conclusão: é a unidade textual final, em que apresentamos uma
rápida revisão ou retomada dos achados e destacamos as conclusões
lógicas e mais relevantes do estudo.
4ª. PARTE: REFERENCIAIS
Na parte dos referenciais, trazemos o elenco de obras/autores
que efetivamente são mencionados no interior do texto do artigo
(referências). Devemos também apresentar os anexos e apêndices,
quando isso se fizer necessário, e finalizar com a data em que o
artigo foi escrito.
Tipos de artigos científicos
Três tipos de artigos científicos são os mais reconhecidos: o artigo
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
93
UNIDADE 4
analítico, o artigo classificatório e o artigo argumentativo.
O artigo analítico, como o próprio nome diz, pressupõe a análise,
que é a forma constitutiva privilegiada, já que o autor, após a definição
do assunto, procura mostrar as relações existentes entre as partes. No
entender de Marconi e Lakatos (2001, p.87), o tipo analítico engloba
“descrição, classificação e definição do assunto, tendo em vista a estrutura,
a forma, o objetivo e a finalidade do tema. Entra em detalhes e apresenta
exemplos.” As autoras afirmam que dificilmente encontramos um artigo
totalmente analítico, pois em geral estes apresentam formas mistas.
O artigo classificatório tem em vista classificar os aspectos
existentes dentro de determinado assunto ou tema. Segundo Medeiros
(1997), no tipo classificatório, primeiramente há uma ordenação dos
componentes ou elementos do assunto em pauta e, após isso, faz-se
uma explicação detalhada sobre os mesmos. Para o autor, a estrutura
dos artigos classificatórios é simples: “definem o assunto, explicação da
divisão, tabulação dos tipos e definição de cada espécie.” (p.179).
No artigo argumentativo, a tônica é colocada sobre os argumentos
acerca de uma questão. Medeiros (1997) explica que enfocamos
primeiramente o argumento para, em seguida, trazermos os fatos que
o comprovam ou o refutam. Na medida em que há o encadeamento dos
argumentos, devemos tomar uma posição acerca do que se está discutindo.
Esse tipo é o que mais exige pesquisa e profundidade de conhecimento.
Em geral, é feito por especialistas.
Como trabalho acadêmico, é necessário lembrar a importância de o
estudante ser levado a redigir artigos e ensaios, para que vá se apropriando
paulatinamente de suas características e aprendendo a adequar seus
trabalhos aos moldes e convenções do mundo científico.
A denominação “Comunicação científica” é dada tanto ao texto
publicado nos anais de um evento, como ao próprio ato de o(s) autor(es)
verbalizar(em) o conteúdo desse texto perante uma platéia, geralmente de
estudantes e especialistas, que se encontra reunida em função do evento.
SEÇÃO 3
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA ANÁLISE: Lembre-se
de que a análise é um
processo de decomposição
do objeto em estudo em
suas partes constitutivas.
Na análise,tomamos o todo,
dividimos, discriminamos e
isolamos cada parte que o
compõe, de modo a torná-
lo mais simples
UniversidadeAbertadoBrasil
94
UNIDADE 4
	 Marconi e Lakatos (2001, p. 79) definem a comunicação científica
como: “a informação apresentada em congressos, simpósios, semanas,
reuniões, academias, sociedades científicas, etc., onde se expõem os
resultados de uma pesquisa original, inédita, criativa, a ser publicada
posteriormente em anais ou revistas.”
A característica essencial da comunicação científica é proceder ao
comunicado de informações científicas novas, ou a resultados parciais
ou totais de pesquisas recentes, sem que haja necessidade de detalhar os
meandros da trajetória metodológica e/ou proceder a muitas discussões.
“Um texto pertence a essa categoria quando traz informações científicas
novas, mas não permite, devido à sua redação, que os leitores possam
verificar informações: as notas simplesmente informam.” (SALVADOR,
1980, p. 23 apud MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 79). Daí porque as
autoras concluem que “a comunicação não necessita de abundância de
aspectos analíticos; basta que a experiência, as ideias ou a teoria sejam
bem fundamentadas.” (MARCONI e LAKATOS, 2001, p.79).
Em face desses aspectos, as comunicações científicas não permitem
ao leitor reproduzir a pesquisa e/ou experiência realizada ainda que a
atualidade do tema ou problema tratado seja dos mais importantes na
comunicação científica.
Além de apresentarem resultados de pesquisas, segundo Salvador
(1980, p. 23 apud Marconi e Lakatos, 2001), poderão também ser objeto
de comunicação científica, trabalhos como:
•	 Estudos breves;
•	 Sugestões para soluções de problemas;
•	 Textos de filósofos em torno de uma dada questão;
•	 Apreciação, interpretação ou correção de textos ou obras;
•	 Fixação de um determinado enfoque;
•	 Resenha de um livro;
•	 Crônicas inéditas de congressos.
Independentemente do tipo, toda comunicação científica supõe
dois estágios distintos ou duas fases, que devem ser consideradas
e devidamente pensadas e preparadas: primeiramente, o estágio da
escrita do texto; posteriormente, o estágio da sua comunicação verbal.
Esses dois estágios, na verdade, se referem ao mesmo conteúdo a ser
ANAIS: (annaes) nome
que dá à publicação
periódica de ciências,
letras ou artes, geralmente
em função de um evento
também periódico.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
95
UNIDADE 4
comunicado, no entanto diferem no tempo, formato, e funções. Vejamos.
A comunicação científica no estágio do texto escrito:
O estágio do texto escrito antecede a realização do evento. Seu
formato é semelhante ao do artigo científico, mas sua extensão e demais
características são definidas pelo próprio evento em que o trabalho será
apresentado. Há basicamente duas funções para o estágio escrito do
texto: uma é a função de seleção ou avaliação e a outra é a função de
publicação. Vejamos essa questão da função do texto escrito com maiores
detalhes.
As pessoas que pretendem enviar uma comunicação científica a um
evento deverão, primeiramente, escrever seu texto de conformidade com
as normas para apresentação ou submissão de trabalhos do próprio
evento.
Tais normas visam padronizar os textos
a serem publicados e se referem à extensão
do texto, ao tipo de letra, paragrafação,
componentes mínimos do texto, entre outros
aspectos, e devem ser seguidas à risca, pois sua
desconsideração geralmente implica na não
aprovação do texto para o evento.
O(s) autor(es) deve(m) ter em conta, também, que os textos das
comunicaçõescientíficasserãoavaliados,tantonoquesitoforma,quanto
no quesito conteúdo. Frequentemente, os avaliadores são especialistas
nas distintas áreas de conhecimento que o evento abarca. Esses
avaliadores, a partir da leitura que fazem dos textos das comunicações,
elaboram um parecer para cada comunicação, recomendando ou não a
sua aceitação para aquele evento científico. Dessa forma, os textos cujos
conteúdos são inadequados, ou não têm relevância científica, ou, ainda,
não estão de acordo com as normas divulgadas pelo evento tendem a ser
descartados pelos pareceristas.
A extensão do texto escrito é definida pelo evento: em alguns
casos, esses textos são apenas resumos ou sinopses; em outros, são textos
de extensão maior, cujo número de páginas ou de caracteres também será
definido pelas normas de submissão de trabalhos. Em ambos os casos será
muito útil que você faça um planejamento. O roteiro que apresentamos a
seguir refere-se à estrutura de uma comunicação científica e é aplicável
OS AVALIADORES: Em
geral, os avaliadores
integram o chamado
“Comitê Científico” do
evento e lhes cabe a
elaboração dos pareceres
científicos sobre as
comunicações enviadas,
através dos quais os
trabalhos são selecionados.
UniversidadeAbertadoBrasil
96
UNIDADE 4
tanto para textos na forma de resumo como para textos mais longos.
Observe:
A estrutura da comunicação científica (texto escrito)
1ª. Parte: Folha de rosto, contendo:
- nome, local e data do evento;
- patrocinador e/ou financiador do trabalho;
- título do trabalho;
- nome do(s) autor(es);
- credenciais do(s) autor(es).
2ª. Parte: Sinopse ou resumo
- Faz-se em língua portuguesa e em uma língua estrangeira de
difusão internacional.
- Tem os mesmos elementos do resumo ou sinopse feito para um
artigo científico.
3ª. Parte: Conteúdo
- Texto com introdução, desenvolvimento e conclusão. Tem as
mesmas características que o texto do artigo científico, todavia, em
geral, é um texto com um número mais limitado de páginas.
4ª. Parte: Referências
- Elenco de obras que efetivamente são utilizados no interior do
texto.
Algumas recomendações adicionais sobre o texto escrito da
comunicação científica são importantes:
- Quanto à linguagem utilizada
Não é demais lembrar que as formas de linguagem culta e técnica
são as indicadas para o texto de qualquer trabalho científico. Assim, você
deve aplicar rigor à revisão da linguagem em seu texto. Além disso, os
critérios de objetividade, clareza e concisão que cabem ao artigo científico,
também cabem ao texto escrito da comunicação científica.
	 No que se refere à linguagem, Marconi e Lakatos (2001)
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
97
UNIDADE 4
recomendam tomar o máximo cuidado com a ambiguidade das palavras,
de modo a fazer com que o significado de cada palavra do texto não deixe
margem para dúvidas. Como algumas palavras ou expressões podem
gerar divergências, em face de sua utilização no interior de determinados
referenciais teóricos ou áreas científicas, as autoras aconselham que se
faça a definição de termos, para esclarecer ao leitor o exato significado
em que a palavra ou expressão está sendo utilizada. Nesse sentido,
“procura-se, na ciência, fazer a comunicação na base dos significados
e dos referentes e não apenas da própria palavra.” (RÚDIO, 1978, p. 23
apud MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 81).
A comunicação científica no estágio de apresentação verbal
O estágio de apresentação verbal da comunicação científica
acontece durante a realização do evento, com data e horário marcados
e divulgados pela comissão organizadora. Sua função é proceder à
comunicação do trabalho científico inscrito no evento, após sua aprovação
pelo comitê científico.
O formato da comunicação verbal depende da plateia de
participantes do evento. Diante de uma grande plateia, a formalidade será
maior e o formato da apresentação se aproximará do de uma conferência
ou de uma mesa redonda. No caso das seções de comunicação e painéis,
em geral, as plateias são menores, restringindo-se aos participantes que
se interessaram por assistir à comunicação de determinado tema, assim,
o grau de formalidade tenderá a ser menor.
	 Independentemente da modalidade de comunicação verbal, é
importante atentar para o fato de que há um limite temporal que não
deve ser ultrapassado na apresentação verbal da comunicação científica.
Seções de comunicação, painéis e mesas redondas são compartilhadas
com outros estudiosos, sendo que um depende do cumprimento adequado
do tempo pelo outro para poder fazer a sua apresentação.
	 Em comunicações verbais, recomenda-se utilizar alguma
forma de recurso visual que terá uma função didática na efetivação da
comunicação.
	 Todavia, a utilização de recursos visuais, para ter efeito de
comunicação, deve ser feita com sabedoria. O texto a ser projetado
PALAVRAS OU
EXPRESSÕES PODEM
GERAR DIVERGÊNCIA::
Muitas palavras são
polissêmicas, ou seja,
possuem múltiplos
sentidos.
UniversidadeAbertadoBrasil
98
UNIDADE 4
em tela deve ser didático,
ou seja, ater-se única e
exclusivamente aos tópicos
significativos do trabalho,
evitando-se levar para a tela
trechos e frases longas, ou
ainda, que o apresentador
utilize a projeção na tela para fazer a leitura do texto. Isso geralmente
torna a apresentação monótona para os participantes, influindo sobre sua
disposição para permanecer ouvindo. É importante lembrar, também, o
cuidado que se deve ter com o tamanho das letras e com o uso das cores
nos materiais visuais. De nada adiantará levar um recurso visual escrito
com letras tão pequenas que ninguém da plateia o consiga ler. Mas, se o
trabalho contiver figuras, gráficos e/ou tabelas, por exemplo, estes podem
e devem ser levados à tela, atendo-se o apresentador a sua exposição e
explicação.
Embora recomendável, a utilização de recursos visuais não é
obrigatória. Muitas vezes, se o apresentador fizer uma leitura bem feita,
devidamente pausada, e com ênfase nas palavras-chave do seu texto,
permitirá aos ouvintes compreender e acompanhar devidamente a sua
exposição.
Na comunicação científica, o aspecto do conhecimento do
apresentador, a pesquisa realizada, sua experiência na área e seus
referenciais devem ser mais valorizados pelos participantes que o aparato
da comunicação propriamente dita. O apresentador deve dominar o
conhecimento em pauta e estar devidamente preparado para o momento
da arguição que se segue à apresentação.
A arguição é feita pelos participantes. Consiste no momento das
perguntas ao apresentador sobre o
seu trabalho. Em situações em que há
um menor número de participantes,
como nas seções de comunicação
e painéis, as perguntas são feitas
diretamente pelo interessado ao
apresentador, que em seguida as
responde. Em outras situações,
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
99
UNIDADE 4
em que a platéia é maior, a arguição pode ser mediada por pessoas da
organização do evento, previamente nomeadas.
O apresentador deve anotar as perguntas e passar a respondê-
las em seguida. Nos casos de mesas em que há um coordenador ou
presidente, este poderá estabelecer com antecedência um secretário e
um orador. O secretário ordenará o recebimento das questões, fazendo
uma filtragem, organizando e condensando seus conteúdos para o orador
fazer as perguntas. Dessa maneira, evitamos que perguntas com o mesmo
teor sejam feitas, e agrupamos os temas de interesse para proceder às
perguntas com maior objetividade e clareza.
LEITURA COMPLEMENTAR
O texto que indicamos abaixo é um bom exemplo que retrata a
estrutura do artigo científico conforme estudamos. Trata-se do artigo
CICLOS DE APRENDIZAGEM E REPROVAÇÃO ESCOLAR: reflexões
sobre representações sociais de professores, das autoras Rita de Cássia
Petrenas e Rita de Cássia Pereira Lima. Acesse: http://www.uepg.br/
praxiseducativa/ . Procure Volume 2, n. 2, (jul. dez. 2007) e depois procure
pelo nome do artigo.
Veja, também, dois exemplos de sinopses (ou resumos) de artigos
Para você ter uma ideia das normas de publicação de uma revista acesse http://www.uepg.br/
praxiseducativa/ e veja como a Revista Práxis Educativa orienta seus colaboradores.
Há vários casos de revistas científicas virtuais que você pode acessar sem sair de casa.
- Revista Episteme da UFGRS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
http://www.ilea.ufrgs.br/episteme/portal/index.php?option=com_contenttask=viewid=50Item
id=35
- Revista TE@D - Revista Digital de Tecnologia Educacional e Educação a Distância. PUCSP -
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
http://www.pucsp.br/tead/n1a/v1-index.htm
- Revista ETD - Educação Temática Digital – Faculdade de Educação da UNICAMP
http://www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd/login
UniversidadeAbertadoBrasil
100
UNIDADE 4
A FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA:
aprendizagem da Geometria e atuação docente
Eliane Portalone Crescenti
Resumo ou Sinopse
Este artigo tem como objetivo discutir a formação dos professores de
Matemática para ensinar Geometria. A investigação, da qual deriva este
artigo, teve origem a partir da experiência profissional da autora com o
ensino de Matemática e a literatura sobre Geometria e seu ensino. Tem
por objetivo investigar como o ensino de Geometria se desenvolvia nas
escolas de Ensino Fundamental e os saberes para ensiná-la, segundo a
visão de professores de Matemática iniciantes e experientes, utilizando a
entrevista e o estudo de caso. Com relação à formação desses professores,
os experientes aprenderam melhor Geometria e formas diferentes de
ensiná-la do que os iniciantes; todos atribuíram sua formação tanto
ao curso de Licenciatura quanto ao âmbito da prática, indicando
que o desenvolvimento profissional tem ocorrido com o tempo, com a
experiência de sala de aula e com outros recursos como cursos e trocas
com os pares.
Palavras-chave: Formação de professores. Saberes docentes. Professor
de Matemática. Ensino de Geometria.
Publicado em: Práxis Educativa, Ponta Grossa, PR, v. 3, n. 1, p. 81 - 94,
jan.-jun. 2008.
BERNSTEIN E A CLASSE MÉDIA*
Sally Power e Geoff Whitty
Resumo ou Sinopse
Este artigo explora as contribuições de Basil Bernstein para a discussão
sobre educação e classe social e, de forma particular, a relevância de seu
trabalho para a compreensão da classe média britânica. Bernstein é um
dos poucos sociólogos da educação a reconhecer e explorar as diferenças
e tensões no interior da classe média. Partimos da discussão, em linhas
gerais, de algumas das influências da teorização de Bernstein sobre classe
social e, em seguida, sublinhamos suas principais idéias acerca da relação
entre classe média e educação. Investigamos, então, a relevância do seu
trabalho para a pesquisa sobre educação e diferenciação no interior da
classe média, partindo dos dados obtidos no nosso projeto “Destinados
para o Sucesso”. Esse projeto traçou as biografias educacionais de 300
jovens, homens e mulheres, desde o início da sua promissora carreira
educacional na escola secundária até os 25 anos de idade. Sustentamos
que as distintas disposições e orientações da “nova” e da “velha” classe
média propostas por Bernstein são evidentes nas preferências paternas
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
101
UNIDADE 4
por tipos de escolas, processos de engajamento dos alunos e, por fim,
nas identidades diferenciadas da classe média.
Palavras-chave: Basil Bernstein. Classe média. Biografias
educacionais.
Publicado em: Práxis Educativa, Ponta Grossa, v.3, n.2, p.119-128, jul.-
dez. 2008.
LEITURAS COMPLEMENTARES:
TRÊS EXEMPLOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Exemplo (1) de comunicação científica apresentada no V Encontro
de Pesquisa da UEPG – 18 e 19 de maio de 2005. (Forma: resumo ou
sinopse)
CONDIÇÕES DO TRABALHO DOCENTE E BURNOUT
Forma de apresentação: Comunicação oral
Área (CNPq): 70709050 - Planejamento ambiental e
comportamento humano
Palavras-chave: profissão docente, Síndrome de Burnout,
trabalho docente
Autor (instituição) - tipo
PACHECO, Daniely Dias (UEPG). Apresentador
LAROCCA, Priscila (UEPG). Orientador
Esta pesquisa teve por objetivo analisar possíveis relações entre as
condições do trabalho docente na universidade e o desenvolvimento
da Síndrome de Burnout. A Síndrome de Burnout é uma reação
ao estresse crônico em profissionais cujas atividades exigem alto
grau de contato com pessoas. O portador sente-se exausto física e/
ou emocionalmente, perde o sentimento de realização no trabalho
e, no extremo, experimenta a despersonalização (TWANICKI e
SCHUWAB, 1981). A uma população de cinquenta e três professores,
de seis áreas de conhecimento, de uma instituição universitária
pública, foram distribuídos questionários com questões fechadas e
abertas, através dos quais, após tratamento estatístico das respostas,
foi possível constatar a presença de significativa insatisfação no
trabalho, sobretudo no que se refere às questões de infra-estrutura
UniversidadeAbertadoBrasil
102
UNIDADE 4
do trabalho docente na universidade, sobrecarga de atividades e
baixos salários. Diante dos resultados encontrados, cabe alertar para
a necessidade de concretizar ações que invistam efetivamente no
principal recurso humano do trabalho na universidade: o professor,
ampliando e aprofundando a discussão do tema, como medida
importante à prevenção do Burnout.
Exemplo (2) de comunicação científica apresentada no V Encontro
de Pesquisa da UEPG – 18 e 19 de maio de 2005. (Forma: resumo
ou sinopse)
TRAJETÓRIAS DE VIDA, CONSTITUIÇÃO PROFISSIONAL E
AUTONOMIA DE PROFESSORES
Forma de apresentação: Comunicação oral
Área (CNPq): 70800006 - Educação
Palavras-chave: autonomia docente, constituição profissional,
trajetórias de vida
Autor (instituição) - tipo
JUNGES, Kelen dos Santos (UEPG/FACE). Apresentador
LAROCCA, Priscila(UEPG). Orientador
Este trabalho tem como objetivos principais contribuir para
identificar, descrever e analisar o processo de constituição e
autonomia profissional docente de quatro professores da educação
básica. Parte-se da análise das funções da escola na sociedade,
compreendendo que as concepções de formação de professores
assumiram estas mesmas funções no decorrer da história da
educação brasileira. A abordagem histórico-cultural, fundamentada
em Vigotski, ajuda a explicar o processo de constituição e autonomia
profissional docente, numa perspectiva dinâmica e contínua de
internalização do social para o individual. Adota-se a história oral
de vida como recurso metodológico para se cumprir os objetivos
propostos, utilizando-se de um roteiro semi-estruturado, para
entrevistar quatro professores da educação básica dos municípios
de Porto União/SC e de União da Vitória/PR, selecionados a partir
de critérios previamente estabelecidos. As histórias orais de vida
dos Sujeitos são analisadas a partir de três grandes eixos: percurso
pessoal, formativo e profissional, dos quais emergiram elementos
da constituição e autonomia profissional docente. Como resultado
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
103
UNIDADE 4
final, considerou-se que o processo de constituição profissional do
professor e de sua autonomia é um conjunto de suas experiências
pessoais, formativas e profissionais e se dá durante toda a sua
trajetória de vida, a partir das relações sociais que estabelece e da
maneira como as internaliza. É um processo histórico-cultural.
Exemplo (3) de comunicação científica apresentada no V Encontro
de Pesquisa da UEPG – 26 e 27 de maio de 2004. (Forma: resumo
ou sinopse)
DIÁRIO DE BORDO : UMA ESTRATÉGIA REFLEXIVA NA
FORMAÇÃO DE PEDAGOGOS
Área (CNPq): 70804001 - Ensino-aprendizagem.
Forma de apresentação: Comunicação oral.
Palavras-chave: ensino-aprendizagem, metodologia do ensino
superior, psicologia da educação
Autor (instituição) - tipo
LAROCCA, Priscila (UEPG). Apresentador
CARRER, Daniele (UEPG). Iniciação científica
MENDES, Alceu Maurício (UEPG). Iniciação científica
OLIVEIRA, Vivian de (UEPG). Iniciação científica
Tendo em vista contribuir para a formação crítico-reflexiva de futuros
profissionais da educação, empreendeu-se, em 2002, em duas
turmas do Curso de Pedagogia, uma pesquisa-ação que formulou a
proposta de utilizar o Diário de Bordo como instrumento de registro
do processo ensino-aprendizagem na disciplina Psicologia da
Educação II. A expressão Diário de Bordo alude aos escritos dos
antigos navegadores sobre acontecimentos importantes de suas
viagens: condições climáticas, intempéries, comportamentos da
tripulação, descobertas de novas terras e modos de vida. Para a coleta
e análise dos dados formou-se um grupo de acadêmicos entre os
participantes. Estes atuaram no estudo do tema reflexão e buscaram
agrupar episódios significativos de escrita, por comparações que
procuravam apreender significados dos registros dos acadêmicos
sobre o ensino-aprendizagem na disciplina, apanhando o
grau de aproximação com a atividade reflexiva. As estratégias
categorizadas foram: Exercícios metacognitivos; Relação entre o
UniversidadeAbertadoBrasil
104
UNIDADE 4
novo conhecimento e o conhecimento prévio; Posicionamentos
sobre dificuldades de redigir no Diário de Bordo; Confrontos com
outros autores e áreas de conhecimento; Proposições para a Ação;
Descrições de atividades desenvolvidas; Reprodução de Conteúdos.
Compreender tais categorias é vital para que o professor elabore
formas de intervenção, propiciando o feedback necessário para
que o aluno alcance reflexão e autonomia. Uma abordagem de
ensino tradicional dificilmente permitiria ao professor acessar os
processos internos experienciados pelos seus alunos, sendo preciso
prestar atenção aos elementos afetivos que afloram nas escritas, no
sentido de fortalecer a relação professor-aluno, que se torna mais
compreensiva das dinâmicas pessoais e favorece a cooperação. No
confronto com a organização disciplinar e burocrática do trabalho no
ensino superior, sugerem-se mudanças estruturais na universidade,
que favoreçam inovações metodológicas.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
105
UNIDADE 4
Nesta unidade, você aprendeu que, em se tratando do campo científico, a divulgação do
conhecimento produzido, através de diferentes formas de divulgação e publicação científicas, é
extremamente importante para a correção, o avanço e a socialização desse conhecimento.
Espaços de divulgação e publicação, como revistas e eventos científicos, constituíram a temática de
nossa primeira seção. Esses espaços precisam ser valorizados desde cedo na formação do estudante
do ensino superior, uma vez que a sua inserção nesse contexto lhe possibilita uma diversidade de
vivências culturais e científicas.
É comum que os estudantes não entendam bem qual é o significado específico de cada tipo de
evento científico. Daí a importância da tipologia de Severino (2002), que categoriza os espaços de
divulgação dos trabalhos científicos em congresso, conferência, palestra, encontro, reunião, jornada,
simpósio, seminário, sessões de comunicação, mesa-redonda, painel, apresentação de pôsteres,
oficinas e workshops.
Você também estudou sobre a importância das revistas ou periódicos para a circulação e
comunicação do conhecimento científico recente, compreendendo-as como instrumentos promotores
de qualidade das produções e de memória da ciência. Viu, ainda, que cada revista científica possui
normas técnicas próprias em relação ao texto, formato e referências do trabalho, de modo que, ao
pretender publicar um trabalho científico, você deverá buscá-las.
Na seção 2, tratamos dos artigos científicos, dos ensaios e papers. Os artigos e ensaios são formas
textuais bastante frequentes na divulgação científica. O paper, em geral, faz referência a uma variedade
ampla de formatos, motivo pelo qual não recomendamos o uso desse termo, para evitar confusão entre
os estudantes. Os ensaios são trabalhos expositivos, lógicos e reflexivos, de caráter teórico, e que
presumem a defesa de um ou mais pontos de vista pelo seu autor. Os ensaios caracterizam-se pelo
aprofundamento das interpretações, com dispensa de dados empíricos. Já os artigos são textos que
apresentam resultados de estudos e pesquisas.
A redação de um artigo presume uma estrutura formada de quatro componentes: o cabeçalho; a
sinopse ou resumo; o corpo do artigo, com introdução, desenvolvimento e conclusão; e, finalmente,
as referências. Embora a maioria dos artigos apresente forma mista, podemos identificar três tipos:
analítico, classificatório e argumentativo.
Na seção 3, tratamos da comunicação científica, a qual se refere ao trabalho científico apresentado
em congressos, simpósios ou outras modalidades de eventos, nos quais expomos resultados de
pesquisa original, a ser publicada posteriormente nos anais do evento. Por essa razão, a expressão
“comunicação científica” se refere tanto ao texto que será publicado nos anais de um evento, quanto
ao próprio ato de apresentar, diante de um público, esse trabalho. Desse modo, devemos observar as
orientações para cada um de seus estágios: o estágio da produção do texto escrito e o estágio de sua
comunicação verbal.
UniversidadeAbertadoBrasil
106
UNIDADE 4
1. Faça um pequeno texto, tratando da importância dos eventos e das revistas científicas para o avanço
da ciência.
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_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
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_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
2. Qual é a caracterização essencial de um ensaio teórico?
______________________________________________________________________________
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_______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
3. Escreva, nos quadros, os componentes da estrutura de um artigo científico.
1. 3.
2. 4.
4. Escreva quais são os dois estágios de uma comunicação científica.
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
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107
UNIDADE 4
ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ SEÇÃO 1: A técnica do seminário
Seminários
■■ Reconhecer o seminário como estratégia formativa;
■■ Identificar o papel dos componentes do seminário;
■■ Utilizar o roteiro do seminário em situações práticas.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
UNIDADEV
UniversidadeAbertadoBrasil
110
UNIDADE 5
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Nesta unidade, trazemos até você a técnica do seminário,
considerando que a modalidade “seminário” é um método de estudo e,
ao mesmo tempo, uma atividade didática específica dos cursos superiores
(Severino, 2002).
Você estudará aqui que o principal objetivo do seminário é levar
os participantes a uma reflexão aprofundada acerca de um determinado
tema ou problema, sendo o seu funcionamento caracterizado pelo trabalho
conjunto ou em equipe.
O seminário tem um grande valor formativo, pois, além de incentivar
a pesquisa e o aprofundamento dos estudantes em determinado tema,
também desenvolve a autonomia, proporcionando-lhes vivências de
responsabilidade intelectual, pessoal e coletiva.
Assim, você estudará sobre a composição e o funcionamento
do seminário, a escolha dos temas e terá um roteiro para lhe servir de
fundamento sempre que necessário. Boa leitura e bom aproveitamento.
SEÇÃO 1
A TÉCNICA DO SEMINÁRIO
Chamamos de “seminário” a
técnica de estudo que compreende
pesquisa bibliográfica e/ou de
campo, seguida de discussões em
grupo e debate sobre um dado
tema. Comumente empregados
na graduação e pós-graduação,
os seminários cumprem objetivos de desenvolver nos acadêmicos a
capacidade e o hábito de pesquisa, o raciocínio e a reflexão sistemática,
bem como a comunicação e a argumentação. Assim, o seminário é uma
estratégia formativa de grande valor educativo.
Segundo Medeiros (1997, p. 26):
A finalidade do seminário é motivar para a pesquisa, é ensinar
a aprender sem dependência do professor, monitor e outros
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
111
UNIDADE 5
que tais. Outra finalidade sua é desenvolver a capacidade
de pesquisa, de análise textual, de análise dos fatos. Exige
habilidade dos participantes para o diálogo, o debate, a
reflexão. É técnica básica para a elaboração de trabalhos
científicos (monografias), ensaios.
Nos seminários, a partir da
orientação de um organizador (que
geralmente é o professor da classe),
há a busca de informações, pelos
alunos, em torno de determinado
tema ou problema, por meio de
pesquisa bibliográfica e/ou pesquisa
de campo (como, por exemplo, com especialistas sobre o tema em questão).
Após a busca, e de posse das informações coletadas, os participantes
do grupo se reúnem e passam a fazer discussões, confrontando pontos de
vista e formulando conclusões a respeito da temática em pauta. A última
etapa é a apresentação do seminário, entendida como um plenário na
classe, com data e horário marcados, na qual o grupo fará um resumo,
avaliará o seu trabalho, e colocará em debate determinados aspectos
da temática. Nesse momento final, após a exposição do grupo, todos os
alunos da classe participam, pois o seminário não visa apenas informar,
mas também levar os acadêmicos à reflexão e ao debate produtivo.
Veja, a seguir, as recomendações de Medeiros (1997, p. 29) para
que o seminário tenha êxito. Observe bem.
Após a pesquisa, o coordenador reúne o grupo, sempre
seguindo o cronograma estabelecido desde o primeiro
momento, para debate e organização do material recolhido.
Então, é hora de o relator (...) preparar-se para a apresentação
do seminário. A classe, ou grupo, não deve ser participante
espectadora; deverá propor perguntas, refutar informações se
for o caso, buscar esclarecimentos.
A composição do grupo para o seminário
Para compor cada grupo de seminário, recomenda-se o número de
05 (cinco) participantes. Deve-se evitar a composição de grupos muito
grandes.
A realização de um seminário implica a participação dos
componentes, cada qual com tarefas específicas a cumprir. Vejamos as
funções de cada componente:
UniversidadeAbertadoBrasil
112
UNIDADE 5
a) O organizador (denominado em alguns casos de diretor ou
coordenador):
Essa função é do professor da classe, pois cabe a ele fazer a
proposição dos temas, indicar a bibliografia a ser estudada pelo
grupo e estabelecer, junto com a classe, uma agenda de trabalho.
É o professor que abrirá e presidirá a sessão final (ou plenário)
de cada grupo, com toda a classe, procedendo a uma apreciação
crítica do seminário e complementando os aspectos que se fizerem
necessários.
b) O coordenador do grupo
Cada grupo tem um coordenador responsável pelo cumprimento
das tarefas e datas acertadas para os estudos. Cabe ao coordenador
manter a coesão do grupo e garantir que os estudos sejam feitos. É o
coordenador quem presidirá as sessões ou encontros do grupo para
a preparação do seminário.
c) O relator do grupo:
O relator é escolhido a partir do consenso do próprio grupo, podendo
haver, ou não, indicação do professor. Caberá ao relator a função de
expor os resultados obtidos nos estudos do grupo. Em alguns casos,
mediante consenso, poderá haver mais de um relator.
d) O secretário do grupo
O secretário é o membro do grupo que tem a função de fazer os
registros, especialmente aqueles que se referem às conclusões
parciais e finais, durante os estudos e durante o plenário.
e) O comentador
Essa função será indicada pelo professor. O comentador será um
aluno da classe que não pertence ao grupo temático do seminário,
mas que também fará estudos do tema, individualmente e com
antecedência, para que no dia do plenário faça as críticas e
observações à exposição do(s) relator(es). A participação do
comentador deve ser feita antes da abertura do debate ou discussão
para todos os participantes da classe. Poderá ser desejável que haja
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
113
UNIDADE 5
mais de um comentador na classe. Isso ficará na dependência da
extensão do estudo do tema em questão.
f) Participantes
A função de participante é atribuição de todos os alunos da classe.
Após a exposição e feitos os comentários, os participantes deverão
fazer perguntas, pedir esclarecimentos, colocar objeções, reforçar
argumentos ou contribuir com algum exemplo ou complementação
ao tema.
A escolha de temas ou conteúdos do seminário
A técnica do seminário é aplicável a diferentes áreas de
conhecimento. Para garantir a motivação dos participantes é sempre
importante que cada grupo fique responsável por temas ou conteúdos
que sejam do seu interesse. Assim, recomenda-se que o organizador dos
seminários, em uma reunião prévia, ofereça várias sugestões temáticas e
permita que os grupos se componham a partir das mesmas, mediante o
interesse de estudo.
Para a realização de seminários os temas poderão provir:
- do próprio programa da disciplina, para possibilitar um maior
aprofundamento ou para complementá-lo;
- de assuntos da disciplina recentemente abordados em revistas
científicas;
- de assuntos atuais, que retratem ideias novas e/ou polêmicas.
Roteiro do seminário
Marconi e Lakatos (2001) propõem um roteiro para o seminário.
Veja a proposta das autoras.
1. O diretor ou o coordenador propõe um determinado tema de
estudo, faz a indicação da bibliografia mínima, escolhe o comentador
e estabelece um cronograma de atividades.
2. Cada grupo escolhe, por sua vez, o relator e o secretário.
3. Formado o grupo, inicia-se o trabalho de pesquisa, de procura de
UniversidadeAbertadoBrasil
114
UNIDADE 5
informações através de bibliografias, documentos, entrevistas com
experts, observações, etc.
4. Depois, o grupo se reúne para discutir o material coletado,
confrontar pontos de vista, formular conclusões e organizar o
material, sempre assessorado pelo diretor.
Etapas:
- determinação do tema central que, como um ‘fio condutor’,
estabelece a ordenação do material;
- divisão do tema central em tópicos;
- análise do material coletado, procurando subsídios para os
diferentes tópicos, sem perder de vista os objetivos derivados do
tema central;
- síntese das ideias dos diferentes autores analisados, resumo das
contribuições, visando à exposição, que deve apresentar:
•	 introdução – breve exposição do tema central (proposição),
dos objetivos e da bibliografia utilizada;
•	 desenvolvimento dos tópicos numa sequência organizada
- explicação, discussão, demonstração;
•	 conclusão – síntese de toda a reflexão, com as contribuições
do grupo para o tema.
5. Concluídos os estudos, a classe se reúne, sob a orientação do
coordenador.
6. O relator, em plenário, apresenta os resultados dos estudos,
obedecendo a uma sequência lógica e ordenada.
7. O comentador, após a exposição, intervém com objeções ou
subsídios.
8. A classe, a seguir, participa das discussões e debates, solicitando
esclarecimentos, refutando afirmações ou reforçando argumentos.
9. Ao final, o diretor do seminário faz uma síntese do trabalho
apresentado. Se o achar incompleto, pode recomendar outros estudos.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
115
UNIDADE 5
Você viu, nesta unidade, que a técnica denominada seminário é bastante usual na educação
superior. Seus objetivos são desenvolver nos estudantes a capacidade de pesquisa, raciocínio e
reflexão sistemática, bem como a comunicação e a argumentação.
O seminário compreende pesquisa bibliográfica e/ou de campo, seguida de discussões em grupo
e debate sobre uma dada temática. A composição dos grupos para seminários não deve ser muito
grande, e abrange: o organizador, o coordenador do grupo, o relator, o secretário, o comentador e os
participantes.
Os temas para a realização do seminário podem originar-se no próprio programa da disciplina,
em assuntos da disciplina recentemente abordados em revistas científicas, e em assuntos atuais que
retratem novas ideias e/ou polêmicas.
O seminário possui um grande valor formativo.
1. - Associe corretamente os componentes do seminário ao papel ou tarefa que nele executam:
•	 O ORGANIZADOR
•	 O COORDENADOR DO GRUPO
•	 O RELATOR DO GRUPO
•	 O SECRETÁRIO DO GRUPO
•	 O COMENTADOR
•	 O PARTICIPANTE
a) É atribuição de todos os alunos da classe, que deverão fazer perguntas, pedir esclarecimentos,
colocar objeções, reforçar argumentos ou contribuir com algum exemplo ou enriquecimento ao tema_---
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
b) Função de um ou mais alunos da classe, que também farão estudos individuais sobre o tema
objeto do seminário, para tecer críticas e comentários após a exposição do(s) relator(es) do grupo
temático___________________________________________________________________________
c) Geralmente é papel do professor da classe. É ele que propõe os temas, indica as bibliografias e
estabelece, junto com o grupo, a agenda de trabalho. É também o presidente do plenário do seminário.
_________________________________________________________________________________
d) Sua função é fazer com que o grupo cumpra as tarefas acertadas para os estudos. Coordena os
encontros do grupo e mantém a sua coesão ______________________________________________
_____________________________
UniversidadeAbertadoBrasil
116
UNIDADE 5
e) Faz registros dos encontros do grupo, particularmente sobre as conclusões parciais e
finais_____________________________________________________________________________
f) Expõe os resultados obtidos nos estudos do grupo, tanto nos encontros como no
plenário.__________________________________________________________________________
2. Discorra sobre o valor formativo/educativo do seminário para o estudante da educação superior.
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
117
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
BARIANI, Isabel Cristina Dib, DIAS, Cristiane Guidetti, MIRANDA, Íris
de et al. Orientações para busca bibliográfica on-line. Psicologia escolar
educacional, dez. 2007, vol.11, n. 2, p. 427-429.
BOCH, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de
psicologia. São Paulo, SP: Saraiva, 2001.
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República Federativa do Brasil]. Brasília 19 de fev. 1998.
CAMPANA, Álvaro Oscar. (2000) Redação de trabalho científico. Jornal
de Pneumologia. Vol. 26, n.1, São Paulo. Jan/fev. Disponível em: http://
www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102862000000100007script=sci_
arttexttlng=pt#back1. Acesso em 19/05/2009.
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Manual de Normas do Centro Universitário Franciscano. Santa Maria:
2005. Disponível em: http://www.unifra.br/cursos/economia/downloads/
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Acesso em: 15/04/2009.
DEMO, Pedro. Novos paradigmas do conhecimento: a arte de argumentar.
In: _______. Universidade, aprendizagem e avaliação: horizontes
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de pesquisa em psicologia: uma introdução. 3ª ed. São Paulo: SP,
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do Sul. Porto Alegre: 2009. Disponível em http://www.pucrs.br/fateo/
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MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia
do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica,
projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo:
Atlas, 2001.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos,
resumos, resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
UniversidadeAbertadoBrasil
118
REFERÊNCIAS
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singular para iniciação ao trabalho científico. 2006. Disponível em http://
www.unilestemg.br/revistaonline/volumes/02/downloads/artigo_06.pdf
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ROTHER, Edna T. O papel da normalização nas publicações científicas.
Revista brasileira de oftalmologia. Rio de Janeiro: 2007. Vol. 66
n. 4. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-
72802007000400001script=sci_arttext Acesso em: 15/04/2009.
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conhecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: DP A Editora,1999.
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2000.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22.
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YOSHIDA, Winston Bonetti. A redação científica. Jornal vascular
brasileiro .v. 5. n. 4. Porto Alegre, dez., 2006.
REFERÊNCIAS
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
119
AUTO-AVALIAÇÃO
AUTO-AVALIAÇÃO
ATIVIDADES DA UNIDADE I
1.
Solicitações Senso comum Conhecimento
Científico
Como se apresenta
quanto à
comunicação?
É baseada em
preferências, opiniões,
muitas vezes de forma
persuasiva.
É comunicável.
Sua comunicação
é informativa e não
expressiva. Seu
propósito é comunicar
e não seduzir.
Quais as
características
do conhecimento
produzido?
É superficial –
conhece a realidade
somente em sua
aparência; baseia-se
em opiniões.
Suas noções são
baseadas em
especulação e
raramente submetidas
a qualquer espécie de
teste de exatidão.
É mais profundo.
Atem-se aos fatos
e também os
transcende, buscando
relações com outros
fatos.
Requer clareza
e exatidão: suas
definições são
operacionais e
procede à verificação
de possíveis erros.
Quem produz? Todo ser humano,
de qualquer nível
cultural.
Especialistas de áreas
diferentes da ciência.
Como é produzido? De forma ocasional,
assistemática e
ametódica.
De forma programada,
sitemática e metódica.
Como se apresenta
quanto ao erro?
É mais sujeito a erros. Tem menor
possibilidade de
conter erros.
UniversidadeAbertadoBrasil
120
AUTO-AVALIAÇÃO
2. A estrutura do trabalho; o raciocínio e o tratamento do objeto de
estudo; a demonstração e a argumentação; o vocabulário e as normas
técnicas para apresentação e redação científica.
3. A resposta é pessoal, mas deve ser fundamentada no conceito de
Severino (2002): o trabalho científico é um discurso que assume a forma
dissertativa e visa a demonstrar, mediante argumentos, uma tese, que é
uma solução proposta para um problema relativo a um tema.
4. Estude a seção 2 – A estrutura lógica do trabalho científico. A
seguir, coloque no quadro que se segue as características recomendadas
para cada um dos elementos do texto dissertativo.
INTRODUÇÃO
-deveprepararoleitorparaaproblematização
que se vai desenvolver no corpo do trabalho;
- serve para contextualizar o objeto em
estudo;
- pode trazer uma rápida revisão de literatura
sobre o problema em questão;
- manifesta as intenções do autor e os
objetivos do trabalho, enunciando seu tema,
problema, tese, procedimentos e raciocínios
que serão adotados;
- deve ser breve e fazer um panorama geral
do trabalho;
- deve utilizar-se de linguagem objetiva;
- deve despertar o interesse de quem vai ler;
- deve anunciar as partes do trabalho;
- geralmente escreve-se por último.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
121
AUTO-AVALIAÇÃO
DESENVOLVIMENTO
- traz o desenvolvimento das partes
anunciadas na introdução;
- fundamenta-se em argumentos teóricos e
empíricos;
- deve comportar argumentos lógicos,
coerentes e bem estruturados, não se
reduzindo a uma exposição de opiniões ou
ideias de quem escreve o trabalho;
- fundamenta-se em outros trabalhos
igualmente científicos;
- contém as ações de explicar, discutir e
demonstrar;
- deve ser planejada antes que se comece a
escrevê-la;
- pode comportar subdivisões ou tópicos com
títulos e subtítulos portadores de sentido.
CONCLUSÃO
- é o texto finalizador do trabalho, no qual
os resultados são destacados em função dos
objetivos traçados;
- deve confirmar, ou não, as hipóteses
levantadas na introdução e/ou retomar os
objetivos traçados e as problematizações
levantadas, procurando respondê-las ao
leitor;
- quem escreve pode manifestar seu ponto de
vista, porém nunca como mera opinião, mas
a partir das argumentações e demonstrações
efetuadas ao longo do trabalho;
- o texto é breve e recapitula os resultados
obtidos;
- tem sentido de síntese e apreciação;
- pode apontar perspectivas em aberto.
UniversidadeAbertadoBrasil
122
AUTO-AVALIAÇÃO
ATIVIDADES DA UNIDADE II
1.
o estudo de um tema ou problema bem delimitado;
o tratamento deste tema ou problema de modo profundo;
a adequação metodológica (sistemática e completa);
a estrutura dissertativa (que impõe a estrutura tripartida: introdução,
desenvolvimento e conclusão).
2.
2.1.
a) O assunto do texto: implicações educacionais da prevenção do
uso/ abuso de drogas na adolescência.
b) O(s) objetivo(s): refletir sobre como prevenir o uso de drogas
entre os adolescentes, tendo em vista um contexto social que favorece seu
consumo maciço.
c) A articulação das ideias: a autora apresenta a questão e em
seguida enumera as três estratégias mais utilizadas para a prevenção do
uso/abuso de drogas na adolescência. Em seguida, desenvolve e analisa
cada uma das estratégias, destacando a promoção e o desenvolvimento
da competência social do adolescente, finalizando o texto com o papel da
escola e dos educadores nesse desenvolvimento.
d) As conclusões da autora: partindo do reconhecimento do papel da
escola e entendendo a educação como um todo e o seu sentido formativo,
a autora conclui que a escola não pode omitir-se na questão, nem lhe
cabe a adoção de medidas repressivas e antipedagógicas. Entende como
necessárias propostas preventivas, integradas de forma natural à vida
escolar dos alunos e realizadas por pessoas diretamente relacionadas a
eles, como professores e pais. Enfatiza a internalização de valores como a
melhor resposta possível às influências sociais.
2.2. Redação pessoal
3.
3.1. Credenciais do autor
	 Luigi Pirandello é natural de Agrigento. Nasceu na Sicília,
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
123
AUTO-AVALIAÇÃO
em 1867, e morreu em Roma, em 1936. Romancista, contista, poeta,
ensaísta, dramaturgo, uma de suas obras mais famosas e constantemente
representadas é Seis personagens à procura de um autor, de 1921.
(...) O leitor está diante de uma obra teatral do maior dramaturgo
do século XX. Um autor que é, ao mesmo tempo, irônico, sagaz e, às
vezes, até pessimista. O significado de sua obra não pode ser apreendido
imediatamente, numa leitura linear, nem numa representação teatral, por
um espectador burguês, frequentador de teatro por puro exibicionismo ou
para divertimento. É grande a profundidade das colocações de Pirandello
e, consequentemente, é grande seu valor, bem como o prazer que se extrai
do texto. Pirandello destaca-se particularmente pela análise que faz da
realidade/ilusão, do falso/verdadeiro, da verdade das relações humanas e
da máscara social.
3.2. Resumo (digesto) da resenha
Em Henrique IV, a personagem principal inventa para si uma
personagem e transforma sua vida numa representação. Os espectadores
e as próprias personagens que contracenam com Henrique IV veem-no
como louco, que pensa ser o imperador alemão do século XI. Vive numa
casa de campo há 20 anos. Seus parentes transformaram a propriedade
em um palácio e contrataram empregados para representar os mais
diversos papéis, inclusive o de conde e de conselheiros.
Assim, todas as personagens representam para Henrique IV e
alimentam sua loucura com encenações e situações históricas vividas
pelo imperador alemão, particularmente suas discórdias com o papa
Gregório VII.
No segundo ato, Henrique IV revela aos empregados que sua
loucura tivera a duração de 12 anos e que há oito anos está totalmente
lúcido, isto é, somente nos últimos anos é que vinha representando, com
tanta competência que ninguém percebera nada.
Por que Henrique IV prefere a máscara da loucura à lucidez? Para
rebelar-se contra a ideia de que o homem é o que a sociedade quer
que seja. Retornando à vida normal, os outros é que lhe imporiam uma
máscara, roubando-lhe a liberdade de ação. Através da loucura, pode
tomar a iniciativa e submeter todos a seus caprichos e desejos. Prefere a
loucura à sanidade para poder viver com prazer, viver para “vingar-me da
UniversidadeAbertadoBrasil
124
AUTO-AVALIAÇÃO
brutalidade de uma pedra que me machucara a cabeça!”
	 A desgraça de Henrique IV fora causada pela marquesa Matilde
Spina e seu amante Belcredi. Apaixonado, fantasiara-se de Henrique IV
numa fatídica cavalgada que terminou com sua queda, após seu cavalo
ter sido ferido pelo rival. Ódio e vingança explodem então dentro dele.
	 Após a revelação da personagem principal a seus empregados, a
peça ganha ritmo tenso, alcançado pela ambigüidade, que permanece
até o fim.
3.3. Resposta pessoal.
ATIVIDADES DA UNIDADE III
1. D – B – E – C - A
2.
Aspectos gráficos e
apresentação
2.1. Margem de citação longa 4 cm da margem
esquerda
2.2. Margens superior e esquerda 3 cm
2.3. Margens inferior e direita 2 cm
2.4. Tamanho da letra no texto 12
2.5. Espaço entre linhas no texto 1,5
2.6. Espaço entre linhas em citações longas simples
2.7. Tamanho da letra em citação longa 10
2.8. Espaço entre linhas no resumo simples
2.9. Espaço entre linhas em notas de rodapé simples
2.10. Espaço entre linhas entre uma referência
e outra
duplo
3. Resposta Pessoal.
4. b
5. Resposta Pessoal.
MetodologiadoTrabalhoAcadêmico
125
AUTO-AVALIAÇÃO
ATIVIDADES DA UNIDADE IV
1. Reposta pessoal.
2. A característica essencial dos ensaios é a liberdade que o autor
tem em defender seus pontos de vista, dispensando o apoio de dados
empíricos e de referenciais bibliográficos.
3. Cabeçalho; Sinopse ou resumo; Corpo do artigo; Referências.
4. O estágio do texto escrito e o estágio da sua comunicação verbal.
ATIVIDADES UNIDADE V
1. a) Participante; b) Comentador; c) Organizador; d) Coordenador
do grupo; e) Secretário do grupo; f) Relator.
2. Resposta pessoal.
MetodologiadoTrabalhoAcdêmico
127
AUTOR
NOTAS SOBRE AS AUTORAS
Desirée Salles Rosa
Especialista em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica
do Paraná – PUCPR, é professora formadora no Curso de Pedagogia a
Distância da UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa. Formou-se
em Comunicação Social na UEPG e como Bacharel em Direito no Centro
de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCAGE. Atua como docente
no ensino superior desde 2006, especialmente na área de conhecimento
da Metodologia do Trabalho Acadêmico e Orientação de TCC em cursos
superiores.
Priscila Larocca
Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de
Campinas – UNICAMP, é autora de vários artigos científicos nas áreas
da Educação, da Psicologia da Educação e da Formação de Professores.
É docente da UEPG desde 1988 e atua especialmente no Curso de
Pedagogia e nas licenciaturas. Foi docente no Mestrado em Educação da
UEPG e desenvolve pesquisas em Psicologia da Educação e em Educação
Superior.

Metodologia sem cortes

  • 1.
    PONTA GROSSA -PARANÁ 2010 Priscila Larocca Desirée Salles Rosa EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA METODOLOGIA DO TRABALHO ACADÊMICO LICENCIATURA EM Pedagogia
  • 2.
    CRÉDITOS UNIVERSIDADE ESTADUAL DEPONTA GROSSA Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - NUTEAD Av. Gal. Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - Ponta Grossa - PR Tel.: (42) 3220 3163 www.nutead.org 2011 Todos os direitos reservados ao Ministério d Educação Sistema Universidade Aberta do Brasil Colaboradores em Informática Carlos Alberto Volpi Carmen Silvia Simão Carneiro Adilson de Oliveira Pimenta Júnior Projeto Gráfico Anselmo Rodrigues de Andrade júnior Colaboradores em EAD Dênia Falcão de Bittencourt Jucimara Roesler Colaboradores de Publicação Vera Marilha Domingues – Revisão Rosecler Pistum Pasqualini – Revisão Paulo Henrique de Ramos – Ilustração Eloíse Guenther – Diagramação Colaboradores Operacionais Carlos Alex Cavalcante Edson Luis Marchinski Thiago Barboza Taques João Carlos Gomes Reitor Carlos Luciano Sant’ana Vargas Vice-Reitor Ficha catalográfica elaborada pelo Setor Tratamento da Informação BICEN/UEPG. Pró-Reitoria de Assuntos Administrativos Ariangelo Hauer Dias – Pró-Reitor Pró-Reitoria de Graduação Graciete Tozetto Góes – Pró-Reitor Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância Leide Mara Schmidt – Coordenadora Geral Cleide Aparecida Faria Rodrigues – Coordenadora Pedagógica Sistema Universidade Aberta do Brasil Hermínia Regina Bugeste Marinho – Coordenadora Geral Cleide Aparecida Faria Rodrigues – Coordenadora Adjunta Elenice Parise Foltran – Coordenadora de Curso Clícia Bührer Martins – Coordenadora de Tutoria Colaborador Financeiro Luiz Antonio Martins Wosiack Colaboradora de Planejamento Silviane Buss Tupich Larocca, Priscila L326m Metodologia do Trabalho Acadêmico / Priscila Larocca e Desirée Salles Rosa. Ponta Grossa : UEPG/ NUTEAD,2011. 127p. il. Licenciatura em Pedagogia - Ensino à distância. 1. Trabalho Científico - modalidades. 2. Trabalhos Científicos – Normalização Técnica. 3. Divulgação e publicação científica. 4. Seminários. I. Rosa, Desirée Salles. II. T. CDD : 001.42
  • 3.
    APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL AUniversidade EstadualdePontaGrossaéumainstituiçãode ensino superior estadual, democrática, pública e gratuita, que tem por missão responder aos desafios contemporâneos, articulando o global com o local, a qualidade científica e tecnológica com a qualidade social e cumprindo, assim, o seu compromisso com a produção e difusão do conhecimento, com a educação dos cidadãos e com o progresso da coletividade. No contexto do ensino superior brasileiro, a UEPG se destaca tanto nas atividades de ensino, como na pesquisa e na extensão Seus cursos de graduação presenciais primam pela qualidade, como comprovam os resultados do ENADE, exame nacional que avalia o desempenho dos acadêmicos e a situa entre as melhores instituições do país. A trajetória de sucesso, iniciada há mais de 40 anos, permitiu que a UEPG se aventurasse também na educação a distância, modalidade implantada na instituição no ano de 2000 e que, crescendo rapidamente, vem conquistando uma posição de destaque no cenário nacional. Atualmente, a UEPG é parceira do MEC/CAPES/FNED na execução do programas Pró-Licenciatura e do Sistema Universidade Aberta do Brasil e atua em 38 polos de apoio presencial, ofertando, diversos cursos de graduação, extensão e pós-graduação a distância nos estados do Paraná, Santa Cantarina e São Paulo. Desse modo, a UEPG se coloca numa posição de vanguarda, assumindo uma proposta educacional democratizante e qualitativamente diferenciada e se afirmando definitivamente no domínio e disseminação das tecnologias da informação e da comunicação. Os nossos cursos e programas a distância apresentam a mesma carga horária e o mesmo currículo dos cursos presenciais, mas se utilizam de metodologias, mídias e materiais próprios da EaD que, além de serem mais flexíveis e facilitarem o aprendizado, permitem constante interação entre alunos, tutores, professores e coordenação. Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos para promover a sua aprendizagem e que tenha muito sucesso no curso que está realizando. A Coordenação
  • 5.
    SUMÁRIO ■■ PALAVRAS DASPROFESSORAS 7 ■■ OBJETIVOS E EMENTA 9 OTRABALHO CIENTÍFICO 11 ■■ SEÇÃO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CIÊNCIA E DO TRABALHO CIENTÍFICO 13 ■■ SEÇÃO 2 - A ESTRUTURA LÓGICA DO TRABALHO CIENTÍFICO 16 ■■ SEÇÃO 3 - FORMAS DE RACIOCÍNIO E TRATAMENTO DO OBJETO DE ESTUDO NO TRABALHO CIENTÍFICO 21 ■■ SEÇÃO 4 - A ELABORAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS: DEMONSTRAÇÃO, ARGUMENTAÇÃO, LINGUAGEM E NORMALIZAÇÃO TÉCNICA 24 MODALIDADES DE TRABALHOS CIENTÍFICOS 35 ■■ SEÇÃO 1 - MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES E TESES 37 ■■ SEÇÃO 2 - O RESUMO COMO TRABALHO ACADÊMICO 41 ■■ SEÇÃO 3 - A ELABORAÇÃO DE RESENHAS 48 NORMALIZAÇÃO TÉCNICA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS 59 ■■ SEÇÃO 1 - ASPECTOS TÉCNICOS E OPERACIONAIS DA REDAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS 61 ■■ SEÇÃO 2 - USO DE CITAÇÕES, SISTEMAS DE CHAMADA E NOTAS 65 ■■ SEÇÃO 3 - A ELABORAÇÃO DAS REFERÊNCIAS 74 DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA 83 ■■ SEÇÃO 1 - OS ESPAÇOS DE DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO 84 ■■ SEÇÃO 2 - ARTIGOS CIENTÍFICOS, ENSAIOS E PAPERS 89 ■■ SEÇÃO 3 - A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA 93 SEMINÁRIOS 109 ■■ SEÇÃO 1 - A TÉCNICA DO SEMINÁRIO 110 ■■ BIBLIOGRAFIA 117 ■■ AUTO-AVALIAÇÃO 119 ■■ NOTAS SOBRE OS AUTORES 127
  • 7.
    PALAVRAS DAS PROFESSORAS Quandoiniciamos uma graduação universitária, precisamos ter em conta que uma das principais exigências desse nível de formação, não importa sobre qual disciplina ou área de conhecimento estejamos nos debruçando, refere-se à necessidade de elaborar trabalhos científicos. Na escolaridade anterior é comum que trabalhos dos estudantes apresentem cópias literais de trechos e afirmativas de autores que foram retirados dos livros das bibliotecas, ou da Internet, sem que haja, por parte de quem faz o trabalho, qualquer preocupação em dar-lhes o devido crédito. Embora indevidas, práticas dessa natureza são relativamente frequentes entre os estudantes, sendo muitas vezes toleradas pelos professores, quando se trata de alunos crianças ou ainda muito jovens. Uma vez que os estudantes universitários são adultos e têm em vista a formação profissional, é preciso superar tais práticas, pois o trabalho científico não admite a cópia e deve alcançar cada vez mais autonomia e cientificidade, tanto no conteúdo, quanto na forma. Neste livro, preocupamo-nos em trazer até você subsídios de metodologia científica a fim de orientá-lo/a para a elaboração, divulgação e publicação de diferentes tipos de trabalhos que você será solicitado/a fazer na sua vida acadêmica. O livro contém conteúdos e atividades relativas ao trabalho científico, à sua elaboração, estrutura, raciocínio e modalidades que o caracterizam. Com ele você aprenderá a elaborar resumos e resenhas, compreenderá a importância da normalização técnica dos trabalhos científicos e será solicitado a exercitá-la. O livro traz, ainda, conhecimentos relativos a diferentes espaços de divulgação e publicação científica, à redação de artigos, ensaios e papers, tratando, finalmente, da comunicação científica e da realização de seminários. Estamos certas de que você terá um excelente aproveitamento e esperamos que este livro contribua efetivamente para que a sua formação acadêmica e profissional seja Profas. Priscila Larocca e Desirée Salles Rosa.
  • 9.
    OBJETIVOS E EMENTA Objetivos Aotérmino de seus estudos nesta disciplina, esperamos que você seja capaz de: ■■ Caracterizar ciência e trabalho científico. ■■ Distinguir entre conhecimento do senso comum e conhecimento científico. ■■ Reconhecer que o trabalho científico é produzido com base em uma metodologia científica. ■■ Analisar o processo lógico do trabalho científico. ■■ Refletir sobre a importância da demonstração e da argumentação no trabalho científico. ■■ Utilizar linguagem adequada na elaboração de trabalhos científicos. ■■ Buscar o significado de vocábulos desconhecidos nos dicionários e obras especializadas. ■■ Utilizar a normalização técnica para estruturar e redigir os textos de trabalhos acadêmicos. ■■ Reconhecer a importância da normalização técnica para a padronização do formato e da apresentação de citações e referenciais bibliográficos utilizados nos trabalhos acadêmicos. ■■ Identificar as características das diferentes modalidades de trabalho científico: monografia, dissertação, tese, resumo e resenha. ■■ Identificar os elementos que compõem o resumo. ■■ Analisar os tipos de resumo: descritivo, analítico, misto e crítico. ■■ Compreender o papel da resenha bibliográfica como trabalho acadêmico. ■■ Identificar os elementos necessários para a elaboração de resenhas. ■■ Compreender a divulgação do trabalho científico como instrumento de correção e avanço do trabalho científico, bem como de sua socialização. ■■ Identificar objetivos e formatos de diferentes tipos de eventos científicos. ■■ Compreender a importância das revistas científicas na divulgação do conhecimento. ■■ Compreender a importância das publicações científicas para o avanço da
  • 10.
    ciência. ■■ Reconhecer asprincipais formas de publicação científica e suas características. ■■ Observar as normas técnicas próprias de diferentes revistas científicas, no tocante à submissão de trabalhos. ■■ Identificar as principais características dos artigos e ensaios. ■■ Compreender a importância da comunicação científica, sua finalidade, estrutura e estágios. ■■ Reconhecer o seminário como estratégia formativa. ■■ Identificar o papel de cada componente na realização de seminários acadêmicos. ■■ Utilizar o roteiro do seminário em situações práticas. Ementa ■■ O trabalho científico. Modalidades de trabalhos científicos: monografias, resenhas, resumos, dissertações e teses. Elaboração de trabalhos científicos. Normalização técnica de trabalhos científicos. Publicações científicas (artigos, comunicações de pesquisa, ensaios, papers). Seminários.
  • 11.
    O TRABALHO CIENTÍFICO OBJETIVOSDE APRENDIZAGEM ■■ Caracterizar ciência e trabalho científico. ■■ Distinguir conhecimento do senso comum de conhecimento científico. ■■ Reconhecer que o trabalho científico é produzido com base em uma metodologia científica. ■■ Analisar o processo lógico do trabalho científico. ■■ Refletir sobre a argumentação. ROTEIRO DE ESTUDOS ■■ SEÇÃO 1: Caracterização da ciência e do trabalho científico ■■ SEÇÃO 2: A estrutura lógica do trabalho científico ■■ SEÇÃO 3: Formas de raciocínio e tratamento do objeto de estudo no trabalho científico ■■ SEÇÃO 4: A elaboração de trabalhos científicos: demonstração, argumentação, linguagem e normalização técnica UNIDADEI
  • 12.
    UniversidadeAbertadoBrasil 12 UNIDADE 1 PARA INÍCIODE CONVERSA Nesta unidade, caracterizamos o pensamento e o trabalho científico, pois na educação superior você será chamado constantemente a pensar de maneiracientífica,aproduzireaanalisartrabalhosquedevemsesituardentro dasprerrogativasdoconhecimentocientífico.Porisso,énecessárioquevocê compreendabemasexposiçõesquefaremosnestaunidadesobreoqueéecomo seapresentaumtrabalhocientífico,equepasseautilizar,aolongodasuavida acadêmica, as contribuições que trazemos aqui para você. Todos nós sabemos que o homem, como ser inteligente que é, produz conhecimentos nas mais diversas situações da vida diária. Contudo, é preciso compreender que os conhecimentos científicos diferem substancialmente daqueles que são produzidos e divulgados no cotidiano das relações sociais espontâneas, caracterizados habitualmente como conhecimentos de senso comum. A rigorosidade em sua produção, publicação e divulgação é provavelmenteacaracterísticamaisdistintivaemarcantedoconhecimento científico. Daí porque a questão metodológica se impõe como seu alicerce, permitindo-nos afirmar que todo conhecimento científico deve ser produzido a partir de uma metodologia científica. Isto significa que, cada vez que você tiver que produzir um trabalho científico em sua vida acadêmica, será essencial levar em conta que ele exigirá a redação e apresentação de um texto portador de características próprias. Tais características deverão ser atendidas ao lado de outras que se referem aos conteúdos específicos das áreas de conhecimento sobre os quais o seu trabalho também se fundamentará. Essas características se referem: • à estrutura dissertativa e articulada do texto do trabalho científico; • às formas de raciocínio e de tratamento que você deve utilizar em relação ao seu objeto de estudo; • aos modos de elaborar e fundamentar as demonstrações e argumentações que você pretende realizar; • ao uso adequado do vocabulário; e, finalmente, • à obediência à normalização técnica para a redação e apresentação do seu trabalho científico.
  • 13.
    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 13 Na vidacotidiana, o homem produz conhecimentos de acordo com suas necessidades de resolver problemas práticos. A esse tipo de conhecimento costumamos chamar senso-comum. Osenso-comuméumconhecimentoformadoporinúmerastentativas e erros; muitas vezes é atravessado pelas nossas intuições, por hábitos que adquirimos ou por tradições e crenças veiculados de maneira espontânea em nosso cotidiano social. O fato é que o conhecimento de senso comum é também passado de geração para geração, por meio do aprendizado que os mais novos vão acumulando através da orientação dos mais velhos e experientes. Todavia, esse tipo de conhecimento não é suficiente para atender às exigências de desenvolvimento da humanidade, pois, em sua espontaneidade, o senso comum não é um conhecimento sistematizado, organizado, além de ser atravessado por tradições, crenças e superstições que fogem ao domínio da razão. Embora originado nos problemas cotidianos, os homens desenvolveram outro tipo de conhecimento mais sistemático, formal e controlado,quediferesubstancialmentedosensocomum,poiséproduzido de maneira não espontânea. A esse conhecimento denominamos “conhecimento científico”, sendo sua produção denominada “trabalho científico”. O conhecimento de senso comum difere do conhecimento científico, construído sobre as bases da ciência. A ciência, segundo Bock (1989, p.19), “compõe-se de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade (objeto de estudo), expresso através de uma linguagem precisa e rigorosa.” SEÇÃO 1 CARACTERIZAÇÃO DA CIÊNCIA E DO TRABALHO CIENTÍFICO As quatro seções que compõem esta primeira unidade de estudo tratam, portanto, dessas características. Ao estudá-las, você observará que cada uma delas comporta desdobramentos, explicações e reflexões que você deve analisar e fixar, sem esquecer de realizar as atividades previstas para esta unidade, ao final das quatro seções. Bom proveito na leitura e vamos ao trabalho!
  • 14.
    UniversidadeAbertadoBrasil 14 UNIDADE 1 Para sercientífico, o conhecimento deve ser obtido de modo programado, sistemático e controlado, possibilitando que a experiência que o produziu possa ser reproduzida, checada em sua validade, e até mesmo refutada. É dessa forma que o saber científico poderá ser transmitido, verificado, negado, utilizado, e até mesmo reconstruído, pois uma das mais importantes características de um conhecimento científico está na possibilidade de sua continuidade. Segundo Bock (1989), “um novoconhecimento é produzido sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido. Nega-se, reafirma-se, descobrem-se novos aspectos e assim a ciência avança.” (p.19). Observe, no quadro que se segue, as características próprias do conhecimento científico e reflita sobre as diferenças entre essas características e as do conhecimento de senso comum. SENSO COMUM CONHECIMENTO CIENTÍFICO Todo ser humano, de qualquer nível cultural. Especialistas de áreas diferentes da ciência. Ocasional, assistemático, ametódico. Programado, sistemático e metódico. Noções são baseadas em especulação e são raramente submetidas a qualquer espécie de teste de exatidão. Requer clareza e exatidão: definições operacionais e verificações de possíveis erros. Suas explicações são superficiais e muitas vezes sem comprovação. É explicativo – (causas, consequências e relações com outros fenômenos). É superficial – conhece a realidade somente em sua aparência – baseia-se em opiniões. É mais profundo, atêm-se aos fatos e também os transcende (busca relações com outros fatos). Não tem intenção de formular um conjunto de conhecimento ordenado e comprovado. Busca e aplica leis. Leis válidas para os casos que ocorrerem nas mesmas condições. Não questiona, não analisa, aceita passivamente, sem análise. É crítico, rigoroso, objetivo, prova sua ideia, demonstra – é verificável. A comunicação é baseada em preferências, opiniões, muitas vezes de forma persuasiva. É comunicável – sua comunicação é informativa e não expressiva. Seu propósito é comunicar e não seduzir. Não dá para prever eventos futuros da mesma forma. Pode fazer predições, prognósticos. Sujeito a erro. Menor possibilidade de erro. Quadro comparativo extraído de Di Domenico e Cassetari (2002, p. 58).
  • 15.
    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 15 Podemos perceber,neste quadro, que uma das chaves para a construção do conhecimento científico situa-se na questão metodológica. Assim, não importa a área de conhecimentos de que estejamos tratando, todo conhecimento, para ser científico, deve ser produzido sobre as bases de uma metodologia científica. Veja o que diz Bock sobre o conhecimento científico: Objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicas, processo cumulativo do conhecimento, objetividade fazem da ciência uma forma de conhecimento que supera em muito o conhecimento espontâneo do senso comum. Esse conjunto de características é o que permite que denominemos de científico a um conjunto de conhecimentos. (BOCK, 1989, p.19, grifos da autora). Os aspectos metodológicos do trabalho científico se tornam gradativamente mais importantes, na medida em que os estudantes se familiarizam com as convenções e regras da comunidade científica e ganham experiência na produção do conhecimento. Veja, agora, como podemos conceituar o trabalho científico: Para Severino (2002), do ponto de vista lógico, o trabalho científico é um discurso que, em geral, assume a forma dissertativa e visa demonstrar, mediante argumentos, uma tese, que é uma solução proposta para um problema, relativo a determinado tema. O objetivo de demonstrar uma tese ou uma ideia é, portanto, a razão de ser do trabalho científico, e isso é feito por meio de argumentos, ou seja, pela “articulação de ideias e fatos, portadores de razões que comprovem aquilo que se quer demonstrar.” (SEVERINO, 2002, p.183). Notamos, portanto, que o trabalho científico se funda sobre o alicerce de um processo reflexivo lógico, o qual irá se materializar num texto que deve ser portador de um discurso completo, cuja forma mais usual é a dissertativa. Assim, você não deve esquecer que: “... o trabalho científico assume a forma dissertativa, pois seu objetivo é demonstrar, mediante argumentos, uma tese, que é uma solução
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    UniversidadeAbertadoBrasil 16 UNIDADE 1 proposta paraum problema, relativo a determinado tema.” (SEVERINO, 2002, p.183, grifos do autor). Vimos que o trabalho científico deve apresentar-se como um discurso completo e articulado. Isso impõe a necessidade de uma estrutura lógica para a sua apresentação. Como a dissertação é o formato mais comum do trabalho científico, vejamos o que diz Medeiros (1997, p. 199) a esse respeito: “Denomina-se dissertativo todo texto que apresenta um juízo valorativo sobre um fato, ou acontecimento, ou uma opinião sobre um objeto ou ação, ou uma visão subjetiva sobre um assunto.” Ao pretendermos produzir um trabalho científico, devemos prestar atenção em certos requisitos que devem ser atendidos no processo de produção do nosso texto. Vejam agora, quais são eles: REQUISITOS PARA A PRODUÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO - a estrutura do trabalho - o raciocínio e o tratamento do objeto - a demonstração e a argumentação - o vocabulário - as normas técnicas da redação científica Como você pode verificar, todos esses requisitos se referem unicamente ao aspecto metodológico da produção do trabalho científico. Devemos lembrar que há, ainda, o aspecto dos conteúdos que o trabalho abordará. Estes serão objeto dos seus estudos nas diferentes disciplinas do seu curso, mediante a orientação dos seus professores. Nas seções que se seguem, cada um desses requisitos será explicitado. No conceito de texto dissertativo fica evidente que o trabalho a ser produzido deve expressar a elaboração de um ou mais pontos de vista de quem o escreve acerca do objeto em estudo. Se não for assim, podemos entender que o trabalho não trará contribuições efetivas ao estudo do problema e da temática abordados, configurando-se, apenas, como um simples apanhado de informações ou conclusões Nas seções que se seguem, cada um desses requisitos será explicitado. SEÇÃO 2 A ESTRUTURA LÓGICA DO TRABALHO CIENTÍFICO
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 17 A estruturalógica de uma dissertação comporta três elementos articulados entre si: introdução, desenvolvimento e conclusão. Veremos, na sequência, cada um dos elementos do texto dissertativo. A introdução do trabalho científico A introdução tem a função de preparar o leitor para a problematização que se vai desenvolver ao longo do trabalho. Com a introdução, evitamos entrar no problema de maneira abrupta, pois contextualizamos o objeto em estudo para o leitor, levando em conta elementos como a temática, sua delimitação na forma de questões ou problematizações a serem estudadas, os objetivos do trabalho, sua relevância, possíveis hipóteses que temos sobre o problema, ideias, conceitos ou referenciais centrais da abordagem que faremos e a metodologia de pesquisa utilizada. A introdução poderá trazer uma rápida revisão da bibliografia existente sobre o problema em questão, mas há quem prefira proceder à revisão da literatura logo no início do desenvolvimento do trabalho. No final da introdução, devemos sempre anunciar quais são as partes ou subdivisões existentes no trabalho. INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO E CONCLUSÃO: esses elementos devem estar presentes tanto em trabalhos sob forma de ensaio, como em trabalhos de comunicação de pesquisas. A diferença é que os trabalhos científicos na forma de ensaios não comportam a descrição da metodologia de pesquisa. Leia com atenção o que diz Severino (2002, p. 82-83) sobre a introdução de um trabalho científico: A introdução, quando for o caso, levanta o estado da questão, mostrando o que já foi escrito a respeito do tema e assinalando a relevância e o interesse do trabalho. Em todos os casos, manifesta as intenções do autor e os objetivos do trabalho, enunciando seu tema, seu problema, sua tese e os procedimentos que serão adotados para o desenvolvimento do raciocínio. (...) Lendo a introdução, o leitor deve sentir-se esclarecido a respeito do teor da problematização do tema do trabalho, assim como a respeito da natureza do raciocínio a ser desenvolvido. Evitem-se intermináveis retrospectos históricos, a apresentação precipitada dos resultados, os discursos grandiloquentes. Deve ser sintética e versar única e exclusivamente sobre a temática intrínseca do trabalho. Note-se que é a última parte do trabalho a ser escrita. (grifos do autor).
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    UniversidadeAbertadoBrasil 18 UNIDADE 1 A introduçãopossui certas características que devemos atender. Uma delas é a brevidade, ou seja, na introdução não nos alongamos em discussões ou análises, mas fazemos um panorama geral do trabalho, utilizando uma linguagem objetiva e breve, pressupondo que haverá um desenvolvimento das ideias mais adiante, ao longo do trabalho. Sendo assim, a introdução exige capacidade de síntese, razão pela qual é preferível escrever a introdução depois da redação definitiva das outras partes do trabalho (desenvolvimento e conclusão). Outra característica importante que uma boa introdução deve apresentar é que ela deve ser motivadora, pois essa parte do trabalho, além de permitir uma breve visão do seu todo, deve ainda despertar o interesse de quem o vai ler. Vejamos os componentes da estrutura interna de uma introdução: • Introdução • Proposição da temática e apresentação da problematização em estudo; • Apresentação do(s) objetivo(s) do trabalho; • Apresentação da justificativa ou relevância do trabalho; • Breveposicionamentodashipóteses(sehouver)edasideiascentrais do trabalho; • Breveelucidaçãosobreametodologiautilizada(emcasodetrabalhos de pesquisa); • Revisão de literatura (bibliografia existente sobre o tema); • Anúncio das partes ou subdivisões que compõem o trabalho. A ordem desses componentes internos não é fixa, tal como propusemos aqui, mas é uma decisão de quem vai escrever o texto. O importante é que todos os elementos necessários à compreensão global do trabalho estejam presentes em sua introdução. O desenvolvimento do trabalho científico Comumente chamado de “corpo do trabalho”, nessa parte desenvolvemos a(s) ideia(s) que anunciamos na introdução, fundamentando-a(s) por meio de argumentos teóricos e empíricos. Para Medeiros (1997, p. 202):
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 19 O desenvolvimentoé um elemento da estrutura do texto que busca examinar fatos extrínsecos e intrínsecos. (...) ao desenvolver as idéias, parte-se da investigação de formas externas para o exame de idéias internas. A argumentação utilizada para ambos os exames inclui análises de prós e contras, para que o leitor saia convencido da leitura. As opiniões não bastam; é preciso examinar os fatos e interpretá- los, bem como não deixar nada subentendido. Se possível, apresente-se farta exemplificação. Isso significa que o desenvolvimento de um trabalho científico deve comportar argumentos lógicos, coerentes e bem estruturados, e não se reduz a simples exposição de opiniões pessoais ou a um apanhado de ideias acerca de determinado tema por parte de quem apresenta o trabalho. Mesmo as opiniões, no caso dos trabalhos científicos, precisam ser fundamentadaslogicamente,comargumentosconvincenteserespaldados por teorias e/ou fatos que possam ser comprovados. Disso deriva que o trabalho científico deve ser fundamentado em outros trabalhos igualmente científicos. Emerge daí a importância de o estudante ter realizado uma boa revisão de literatura, pois quando esta é bem feita, o desenvolvimento do tema é extremamente favorecido. Vejamos o que diz Severino (2002, p.83) sobre o desenvolvimento de um trabalho científico: A fase de fundamentação lógica do tema deve ser exposta e provada; a reconstrução racional tem por objetivo explicar, discutir e demonstrar. Explicar é tornar evidente o que estava implícito, obscuro ou complexo; é descrever, classificar e definir. Discutir é comparar as várias posições que se entrechocam dialeticamente. Demonstrar é aplicar a argumentação apropriada à natureza do trabalho. É partir de verdades garantidas para novas verdades. Então, não podemos esquecer as três ações importantes no desenvolvimento de um trabalho científico: EXPLICAR Descrever, classificar e definir. DISCUTIR Comparar as várias posições. DEMONSTRAR Aplicaraargumentaçãoapropriada. REVISÃO DE LITERATURA: Busca exaustiva de bibliografia referente ao tema em estudo. Em geral, faz-se a busca por meio das palavras-chave ou de descritores relativos ao tema.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 20 UNIDADE 1 A estruturado desenvolvimento deverá ser planejada antes que comecemos a escrevê-lo. Essa estrutura poderá comportar subdivisões em tópicos, itens, seções, capítulos, etc. É importante lembrar também que os títulos e subtítulos utilizados no trabalho precisam ser portadores de sentido, ou seja, retratem a ideia exata do conteúdo referente àquela unidade do trabalho. A conclusão do trabalho científico Como é a última parte do trabalho, cabe à conclusão confirmar ou não as hipóteses levantadas na introdução (quando essas existem), e/ou retomar os objetivos traçados e as problematizações levantadas, procurando respondê-los para o leitor. Assim, a conclusão é uma síntese das considerações ou resultados mais relevantes obtidos através da pesquisa realizada para o trabalho. Em geral, é nessa parte do trabalho que aquele que escreve manifesta seu ponto de vista, nunca, porém, como mera opinião, mas como inferências que derivam das argumentações e demonstrações efetuadas ao longo do trabalho. A conclusão deverá compor-se de um texto breve e trazer uma rápida recapitulação dos resultados obtidos na pesquisa. Para Severino (2002, p.83): Se o trabalho visar resolver uma tese-problema e se, para tal, o autor desenvolver uma ou várias hipóteses, através do raciocínio, a conclusão aparecerá como um balanço do empreendimento. O autor manifestará seu ponto de vista sobre os resultados obtidos, sobre o alcance dos mesmos. (...) Quando o trabalho é essencialmente analítico e comporta uma pesquisa positiva sobre o pensamento de outros autores, esta conclusão pode ser fundamentalmente crítica. Quando, porém a crítica é mais desenvolvida, entrará no corpo do trabalho como um capítulo. Atualmente, o termo “Conclusão” vem sendo substituído por outras expressões, como “Considerações finais”, “Aprendizados da caminhada”, “Últimas palavras”, etc. O que é importante considerar é que, sendo um texto finalizador do trabalho, os
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 21 resultados devemser destacados em função dos objetivos traçados, num sentido de síntese e de apreciação. A conclusão poderá, ainda, apontar perspectivas em aberto, em relação ao tema problematizado. SEÇÃO 3 FORMAS DE RACIOCÍNIO E TRATAMENTO DO OBJETO DE ESTUDO NO TRABALHO CIENTÍFICO Quando redigimos um trabalho científico, valemo-nos de certas formas de raciocínio e de determinados tratamentos ao objeto de estudo sobre o qual nos debruçamos. Esse processo implica a demonstração das ideias por meio de argumentos através dos quais buscaremos comprovar aquilo a que nos propusemos. Como diz Demo (2005, p. 103), “na prática, ciência é a arte de argumentar”. Para demonstrar bem as ideias, as argumentações precisam ser redigidas de modo simples, claro, preciso e conciso, pois o trabalho científico não é uma obra poética ou literária. A principal finalidade do trabalho científico é comunicar aos pares (professores e colegas da mesma área ou áreas correlatas) uma pesquisa realizada. Yoshida (2006) adverte que, na redação científica, “ao aplicar seu estilo pessoal ao texto, os autores precisam tomar cuidado para não contaminá-lo com excesso de verborragia, rebuscamento, erudição e gongorismo. Deve-se evitar inversões de frases, trocadilhos e metáforas.” Os raciocínios Severino (2002) explica que, quando argumentamos, nos baseamos nas conclusões dos nossos raciocínios. O processo de raciocinar, por sua vez, implica operações mentais específicas, pois, durante o raciocínio, ordenamos juízos e conceitos de modo a obter um novo conhecimento a partir de um antigo. Raciocinar implica, portanto, passar de um conhecimento para outro. Esse processo, segundo o autor, comporta duas fases: uma fase antecedente e uma fase consequente, devendo existir entre elas um nexo lógico. Notemos, então, que: CONCISO: resumido, exato, em poucas palavras. GONGORISMO: A expressão gongorismo se refere ao excesso de metáforas, antíteses, trocadilhos e alusões clássicas. A palavra provem da escola espanhola de poesia de Luís de Góngora y Argote.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 22 UNIDADE 1 O antecedentecompõe-se de uma ou várias premissas e o conseqüente constitui-se de uma conclusão. A afirmação da conclusãoéfeitaàmedidaquedecorreoudependedaspremissas. A relação lógica de conhecimentos prévios a conhecimentos até entãonãoafirmadoséumarelaçãodeconseqüência.SEVERINO, 2002, p.192). Vejamos, agora, as duas formas lógicas de raciocínio: o raciocínio dedutivo e o raciocínio indutivo. O raciocínio dedutivo parte de premissas, princípios ou fatos já aceitos (chamados universais) para chegar a uma conclusão particular. Procede do geral para o particular. Exemplo de dedução: Todos os homens são mortais. (premissa geral). Paulo é homem. Paulo é mortal. (conclusão particular). O raciocínio indutivo parte de fatos ou premissas particulares para chegar a uma conclusão mais universal, ou seja, procede de fatos particulares para chegar a uma generalização. Exemplo de indução: João morreu, Maria morreu, Pedro morreu. (fatos particulares) Os seres humanos são mortais. (conclusão geral). RACIOCÍNIO DEDUTIVO RACIOCÍNIO INDUTIVO GERAL PARTICULAR PARTICULAR GERAL Essas são as formas de raciocínio que você utilizará para a realização dos seus trabalhos científicos, as quais figurarão como elementos importantes do seu processo de argumentação. Então, não esqueça: “O raciocínio é um processo de pensamento pelo qual conhecimentos são logicamente encadeados de maneira a produzirem novos conhecimentos.” (SEVERINO, 2002, p.183).
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 23 As formasde tratar o objeto de estudo Uma vez compreendidas as formas de raciocínio que você utilizará nos trabalhos científicos, podemos abordar as formas de tratar o objeto de estudo. O objeto de estudo a que nos referimos pode ser uma ideia, um problema, um conceito ou um texto e as formas de tratá-lo são a análise e a síntese. A análise é um processo de decomposição do objeto em estudo em suas partes constitutivas. Ao procedermos a uma análise nós tomamos o todo, dividimos, discriminamos e isolamos cada parte que o compõe, de modo a torná-lo mais simples. Como explica Severino (2002, p.193): A análise é um pré-requisito para uma classificação. Esta se baseia em caracteres que definem critérios para a distribuição das partes em determinadas ordens. Não é outra coisa que se manifesta quando um texto é esquematizado, estruturado: as divisões seguem determinados critérios que não podem ser mudados arbitrariamente. Para se descobrir tais caracteres procede-se analiticamente. Isso significa que ao analisarmos um texto, por exemplo, nós buscamos conheceremseuconteúdooscritériosqueorientamassuaspossíveisdivisões. A síntese é um processo que recompõe o todo a partir de suas partes. Para Severino (2002, p.193), na síntese, “o objeto decomposto pela análise é recomposto, reconstituindo-se a sua totalidade”. Como uma totalidade, a síntese permite formar uma visão de conjunto, uma visão global das relações existentes entre as partes, conferindo a essas relações um sentido unificador. Tanto a análise como a síntese são processos lógicos da inteligência humana, que se seguem a uma visão indiferenciada ou sincrética das coisas. Veja abaixo o esquema explicativo: VISÃO SINCRÉTICA DO TODO DECOMPOSIÇÃO EM PARTES ANÁLISE RECOMPOSIÇÃO DO TODO SÍNTESE Agora que você já sabe o que são análise e síntese, preste atenção às solicitações que seus professores farão quanto aos trabalhos científicos: uma análise pressupõe decomposição em partes; uma síntese, recomposição do todo.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 24 UNIDADE 1 Já vimosque o trabalho acadêmico deverá assumir a forma dissertativa, procedendo à demonstração de uma tese ou ideia, mediante argumentos apropriados. Você já aprendeu que o conhecimento, para ser científico, deve identificar-se com um conjunto de procedimentos lógicos e formais, planejadosesistematizados,queseutilizadecritériosrigorososparaprocessar asinformações.Sendoassim,adimensãometodológicadotrabalhocientífico, seu formato e sua redação devem ser objetos de permanente interesse acadêmico. Conforme nos diz Medeiros (1997, p. 33): “Será chamada pesquisa científica se sua realização for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela ciência.” Isto é importante porque um dos principais pressupostos da pesquisa científica é a sua socialização, ou seja, sua divulgação primeiramente nos meios acadêmicos e posteriormente nos não acadêmicos. Por isso, se realizamos um trabalho que se pretende científico, devemos ter em mente a elaboração do texto que relatará esse trabalho, uma vez que outras pessoas terão acesso ao trabalho científico por meio do texto redigido pelo(s) seu(s) autor(es). Daí a necessidade de quem redige o trabalho científico empenhar-se para garantir que o leitor compreenda, a partir da mediação do texto escrito, todo o processo realizado no trabalho em discussão. SEÇÃO 4 A ELABORAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS: DEMONSTRAÇÃO, ARGUMENTAÇÃO, LINGUAGEM E NORMALIZAÇÃO TÉCNICA Entre os aspectos de significativa importância para que você realize um bom trabalho científico destacam-se: • a demonstração; • a argumentação; • a linguagem; • a normalização técnica exigida para a sua redação. Trataremos, a seguir, de cada um desses aspectos.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 25 1. Ademonstração e a argumentação A demonstração visa comprovar a tese ou a ideia problematizada em seu trabalho e só pode ser realizada por meio do uso de argumentos. A demonstração pressupõe etapas no tratamento do objeto de estudo. Segundo Severino (2002, p.184): “A demonstração da tese é realizada mediante uma sequência de argumentos, cada um provando uma etapa do discurso.” Geralmente, os modos mais usuais de demonstração utilizam-se de argumentações que seguem o raciocínio dedutivo. A demonstração consiste, pois, em um processo reflexivo e articulado, pois liga ideias e fatos, comprovando o que se quer demonstrar. (SEVERINO, 2002). Por causa da frequente confusão que as pessoas fazem em torno dos termos demonstração e argumentação, Severino (2002) procura distingui-los, esclarecendo que a demonstração é, na verdade, o conjunto sequenciado de operações lógicas que, de conclusão em conclusão, chega a uma conclusão final procurada; enquanto isso, a argumentação é a própria operação ou atividade executada durante a demonstração. Argumentar é, então, operar com argumentos. No trabalho científico as principais fontes de argumentação são duas: a evidência racional e a evidência dos fatos. A evidência racional funda-se na utilização da racionalidade lógica, implicando desdobramentos racionais/lógicos nos raciocínios que são trazidos no interior da argumentação. A evidência factual, por sua vez, corresponde à apresentação dos fatos propriamente ditos, que comprovam as ideias que estão em questão. No trabalho científico, a evidência dos fatos é imprescindível. Geralmente essa evidência é trazida com a denominação “dados empíricos” e se refere, por exemplo, ao uso de estatísticas e dados resultantes de levantamentos de campo, de laboratórios, etc. Vejamos, a seguir, o que Severino (2002, p.186) define e recomenda em relação à argumentação: Argumentar consiste, pois, em apresentar uma tese, caracterizá- la devidamente, apresentar provas ou razões que estão a seu favor e concluir, se for o caso, pela sua validade. Para evitar que fiquem abertas margens para dúvidas, devem ser examinadas eventualmente as razões contrárias, tentando-se refutar a tese e prevenindo-se de objeções. Mediante o exposto, você poderá concluir que o discurso dissertativo, RACIOCÍNIO DEDUTIVO: Lembre-se de que o raciocínio dedutivo parte de princípios ou fatos já aceitos para chegar a uma conclusão particular. Procede do geral para o particular.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 26 UNIDADE 1 característico dotrabalho científico, precisa ser redigido conforme o encadeamento das argumentações que compõem a demonstração. Esse encadeamento se refere à apresentação, defesa e/ou refutação de ideias ou fatos pertinentes ao tema, compondo um processo lógico, racional, que leva a conclusões válidas. 2. A linguagem e a normalização técnica na redação do trabalho científico A elaboração do trabalho científico está diretamente relacionada à observânciadecertosprocedimentos,entreosquaissãobastanteimportantes: o uso de um repertório linguístico adequado e a redação em obediência às chamadas “normas técnicas”. Segundo Oliveira (2006), cada vez mais se exige dos estudantes que produzam seus trabalhos de acordo com as normas e a metodologia do trabalho científico. Em virtude dessa exigência, muitos estudantes criam expectativasemtornodemodelosoureceitasaseguir,julgandoque,seguindo um modelo, obterão pleno sucesso na elaboração dos seus trabalhos. Infelizmente, nem sempre os estudantes percebem que alguns poucos modelos utilizados como exemplos não dão conta do universo de possibilidades e/ou dificuldades que podem se apresentar no campo dos trabalhos acadêmicos. Assim, será necessário que o estudante se disponha a estar constantemente adequando os seus trabalhos, procurando utilizar uma linguagem correta, um vocabulário mais rico e apropriado à área de conhecimento em questão, bem como fazendo uso da normalização técnica exigida para estruturar e redigir o texto. Nesse sentido, você precisa dispor-se a praticar a redação e a busca de vocábulos desconhecidos nos dicionários, nas obras indicadas por seus professores, como também a consultar, a cada trabalho, as normas técnicas nos manuais de normalização bibliográfica. A importância da linguagem Ao tratarmos da importância metodológica da linguagem, é útil lembrar ainda que as formas de linguagem culta e técnica são as requeridas para a
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 27 redação dotrabalho acadêmico, uma vez que este se caracteriza como um ato de comunicação formal. Por causa disso, não é apropriada a utilização da linguagem coloquial (linguagem tal como falada no cotidiano) nos trabalhos acadêmicos. Você já estudou que a linguagem culta é aquela que obedece padrões e convenções da língua, respeita as regras gramaticais e é frequentemente adquirida mediante as experiências de escolarização do sujeito e também por meio das suas práticas de leitura. Devemos considerar que a leitura é um fator dos mais relevantes para melhorar o nosso vocabulário e a correção da nossa linguagem em geral. Lembremos Medeiros (1997), que afirma que a ampliação do nosso vocabulário caminha paralelamente ao nosso desempenho da leitura: quem lê pouco, em geral, tem vocabulário reduzido. A linguagem culta difere da linguagem coloquial que é utilizada nas relações informais do dia a dia. A linguagem coloquial serve a propósitos comunicativos bem diferentes daqueles que um trabalho acadêmico exige, daí porque não se preocupa em seguir as normas da língua e admite, inclusive, o uso de gírias, expressões populares e incorreções gramaticais. (SARMENTO, 2000). A utilização de uma linguagem técnica pressupõe a especialização referente a cada área de conhecimento. Esta é a razão pela qual podemos encontrar muitos dicionários especializados, os quais devemos procurar para compreender o uso de uma ou mais palavras no contexto de determinada área de conhecimento ou formação. Como o vocabulário técnico corresponde à linguagem específica de cada área de conhecimento, muitas vezes encontramos um mesmo vocábulo com significados distintos, cada qual derivado de uma área de conhecimento diferente. É importante, por isso, que o estudante esteja atento e perceba essas variações de significado. NÃO ESQUEÇA! O desenvolvimento da capacidade do estudante de compreender e interpretar textos passa pela ampliação do seu vocabulário. LINGUAGEM CULTA: Não é demais lembrar que a norma culta da língua é também a mais valorizada do ponto de vista social.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 28 UNIDADE 1 Além disso,como apresentamos tendência a escrever de maneira coloquial, é importante proceder a uma ou mais revisões do texto antes de entregá-lo ao professor. Essas revisões devem se tornar um hábito do estudante, tendo em vista corrigir e melhorar a linguagem, procurando aproximar-se mais e mais da linguagem culta. Portanto, ao tratarmos da elaboração dos trabalhos acadêmicos, o bom repertório vocabular é um requisito indispensável. A importância da normalização técnica A questão da normalização técnica é outro requisito indispensável à elaboração dos trabalhos acadêmicos, pois, como diz Oliveira (2006, p. 11): O estudante acadêmico que tiver oportunidade de elaborar seus trabalhos escolares, mesmo que de pequeno porte, de acordo com os critérios metodológicos mínimos exigidos ao trabalho científico, terá a possibilidade de, paulatinamente, apropriar-se dessa prática. Nessa citação, vemos que a autora ressalta a importância de praticar os critérios metodológicos do trabalho científico, mesmo nos trabalhos acadêmicos de pequeno porte. Dentre tais critérios temos a utilização das normas técnicas, as quais o estudante deverá se acostumar a usar. Por isso, você deve ter, em sua biblioteca pessoal, um manual de normas para consultar sempre que tiver alguma dúvida. A procura de palavras desconhecidas no dicionário é, de fato, um hábito salutar e dos mais importantes para a ampliação do vocabulário. Contudo, nem sempre é suficiente, pois o sentido de uma palavra em um texto depende muito do contexto em que ela se insere. Assim, prestando atenção ao contexto, também podemos chegar ao sentido da palavra. Em alguns textos, palavras desconhecidas são esclarecidas pelo autor logo a seguir, por meio de outra palavra com o mesmo sentido. Outro aspecto importante a destacar na ampliação do vocabulário é a necessidade de o estudante possuir referências históricas, geográficas e sociais para poder compreender o significado de certas palavras, pois um bom “conhecimento de mundo” permite que interpretemos com maior facilidade os diferentes contextos e, assim, cheguemos à interpretação das palavras. Para este conhecimento de mundo é importante que o estudante desenvolva o hábito de consultar textos históricos, atlas, mapas, enciclopédias, etc. A leitura de obras literárias é também um meio valioso para o desenvolvimento do nosso vocabulário. MANUAL DE NORMAS: A UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa tem o seu manual. Você deverá conhecê-lo
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 29 Os manuaisde normas técnicas funcionam à semelhança dos dicionários, ou seja, você deverá consultá-los sistematicamente, sempre que alguma dúvida se apresentar. Com o uso frequente do manual de normas, certamente você passará a utilizá-las com naturalidade e autonomia na redação dos seus trabalhos. Nem todos percebem isso, mas a normalização técnica científica é muito necessária na vida em sociedade. Exemplos de sua necessidade estão na construção das casas e prédios, nos transportes que utilizamos, nas estradas e nas pontes pelas quais passamos, em nossa alimentação, dentre outras necessidades do cotidiano que requerem certos padrões a serem seguidos. Esse também é o caso dos trabalhos científicos que se destinam à divulgação de ideias e de achados de pesquisa. Desse modo, você deverá concluir que a normalização técnica dos trabalhos acadêmicos tem a sua razão de ser porque deriva da necessidade de padronizar o formato e a apresentação das referências utilizadas pelos autores de trabalhos científicos. Segundo Oliveira (2006, p.1): A uniformidade dos trabalhos acadêmicos permite uma fácil identificação, tanto desses trabalhos, enquanto característica da produção intelectual de uma instituição de ensino superior – IES, quanto dos elementos necessários à referenciação dessas obras como fonte bibliográfica para pesquisas futuras. Por referência entende-se: “... o conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite a sua identificação individual.” (ABNT/NBR 6023/2002 apud OLIVEIRA. 2006, p. 9). A normalização de trabalhos científicos é feita pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, que é o órgão nacional responsável pela normalização técnica e científica.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 30 UNIDADE 1 Nesta unidade,você estudou a respeito do trabalho científico. Observou que devemos distinguir entre o conhecimento produzido pelo senso comum e o conhecimento produzido pela ciência, reconhecendo este último como fruto do trabalho científico que é produzido a partir de uma metodologia científica. Do ponto de vista da forma, o trabalho científico assume a estrutura dissertativa, e tem o objetivo de demonstrar, mediante argumentos, uma tese ou uma ideia. Em função de sua forma dissertativa, o trabalho científico constitui-se como um texto articulado com introdução, desenvolvimento e conclusão. Fazem parte da estrutura lógica do trabalho científico as formas de raciocínio e de tratamento do objeto em estudo. O raciocínio é o processo de pensamento pelo qual encadeamos logicamente conhecimentos, de modo a produzir novos conhecimentos. As formas de raciocínio são duas: a dedutiva, que parte de premissas ou fatos já aceitos (gerais), chegando a uma conclusão particular; e a indutiva, que parte de premissas particulares para chegar a uma generalização. Como formas de abordar o objeto de estudo temos a análise e a síntese. Por meio da análise decompomos o objeto de estudo em suas partes constitutivas; por meio da síntese recompomos o todo do objeto em estudo a partir de suas partes constitutivas. O conhecimento científico deve fundamentar-se em um conjunto de procedimentos lógicos, formais, planejados e sistematizados. Sendo, assim, em sua elaboração ganham importância os seguintes aspectos, que todo estudante deve observar: a demonstração e a argumentação, o vocabulário e as normas técnicas de apresentação, e a redação do trabalho científico. A demonstração pressupõe um conjunto de operações lógicas seqüenciadas, que vão de conclusão em conclusão, para chegar a uma conclusão final. A argumentação se refere às operações executadas na demonstração. Toda argumentação deve se fundamentar em evidências lógicas ou em evidências empíricas. Ao elaborar um trabalho científico, você deverá observar, ainda, a utilização de uma linguagem adequada, sem rebuscamentos, porém correta, valendo-se da linguagem culta e técnica. Deverá, enfim, redigir e apresentar o seu trabalho obedecendo as normas técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas –, em virtude da necessidade de padronização do formato e da apresentação das referências utilizadas pelos autores. Uma vez que a revisão de literatura é um procedimento indispensável para que você escreva um bom desenvolvimento nos seus trabalhos científicos, você precisa saber como procurar bibliografias em web sites. A referência a seguir é de um pequeno texto, acessível pelo Scielo, que foi publicado na Revista Psicologia Escolar Educacional. Você deve fazer uma leitura atenta dele. BARIANI, Isabel Cristina Dib et al. Orientações para busca bibliográfica on-line. Psicologia escolar educacional, dez. 2007, vol.11, no. 2, p. 427-429. ISSN 1413-8557.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 31 Fundada em1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. É uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como único Foro Nacional de Normalização, através da Resolução n.º 07, do CONMETRO, de 24.08.1992. É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização). A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil das seguintes entidades internacionais: ISO (International Organization for Standardization), IEC (International Electrotechnical Comission); e das entidades de normalização regional COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e a AMN (Associação Mercosul de Normalização). FONTE: www.abnt.org.br Faça a leitura de um artigo escrito por uma bibliotecária sobre a normalização nas publicações científicas. O artigo aborda a importância das normas técnicas e da linguagem no trabalho científico. ROTHER, Edna T. O papel da normalização nas publicações científicas. Revista brasileira de oftalmologia. Rio de Janeiro: 2007. Vol. 66 n. 4. Disponível em http://www.scielo.br/scielo. php?pid=S0034-72802007000400001script=sci_arttext Acesso em: 15/04/2009. Procure também: CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO DE SANTA MARIA. Manual de Normas do Centro Universitário Franciscano. Santa Maria: 2005. Disponível em: http://www.unifra.br/cursos/ economia/downloads/Normas_UNIFRA_versao1.pdf Acesso em: 15/04/2009. HAMMES, Érico J. - Orientações e normas para trabalhos científicos. Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: 2009. Disponível em http://www. pucrs.br/fateo/normas.pdf Acesso em 13/04/2009. 1. Faça a distinção entre o conhecimento produzido pelo senso comum e o conhecimento produzido pela ciência, preenchendo o quadro que se segue, a partir das solicitações feitas na 1ª. coluna.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 32 UNIDADE 1 Solicitações Sensocomum Conhecimentocientífico Como se apresenta quantoàcomunicação? Quaisascaracterísticas do conhecimento produzido? Quem produz? Como é produzido? Como se apresenta quanto ao erro? 2. Quais os requisitos necessários à produção do trabalho científico? Escreva nas linhas: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 3. Explique, com as suas palavras, o conceito de trabalho científico. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico UNIDADE 1 33 4. Estudea seção 2 – A estrutura lógica do trabalho científico. A seguir, coloque no quadro que se segue as características recomendadas para cada um dos elementos do texto dissertativo. INTRODUÇÃO DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO 5. Escreva um pequeno texto sobre a importância da demonstração, da argumentação, do vocabulário e das normas técnicas na redação do trabalho científico. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 35 UNIDADE 2 OBJETIVOS DEAPRENDIZAGEM ROTEIRO DE ESTUDOS UNIDADEII MODALIDADES DE TRABALHOS CIENTÍFICOS ■■ identificar as características das diferentes modalidades de trabalho científico: monografia, dissertação, tese, resumo e resenha. repercussões na prática pedagógica. ■■ SEÇÃO 1: Monografias, dissertações e teses ■■ SEÇÃO 2: O resumo como trabalho acadêmico ■■ SEÇÃO 3: A elaboração de resenhas
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    UniversidadeAbertadoBrasil 36 UNIDADE 2 PARA INÍCIODE CONVERSA As orientações metodológicas que apresentamos a você nesta unidade possuem um caráter prático e diferenciam-se (umas das outras) em função do tipo de trabalho científico que temos em vista. Você já estudou, na unidade I, que o trabalho científico se caracteriza como um discurso materializado na forma de um texto dissertativo (com introdução, desenvolvimento e conclusão), que deve retratar um processo reflexivo lógico. O objetivo de todo trabalho científico é demonstrar uma tese, com o uso de argumentos, sendo que essa tese corresponde à solução para um problema, incluso em determinada temática. (SEVERINO, 2002). Todas essas afirmações sobre o trabalho científico continuam valendo aqui. Todavia, nesta unidade, você aprenderá as diferentes modalidades de trabalhos científicos. A seção 1 trata das monografias, dissertações e teses. Embora suas nomenclaturas sejam diferenciadas, essas três formas de trabalho científico são monográfico, porque fazem a abordagem de um único assunto ou tema problematizado. Sendo assim, o que as diferencia é apenas o nível acadêmico em que o autor do trabalho se encontra. A seção 2 aborda o resumo, tratando-o tanto do ponto de vista de um trabalho acadêmico solicitado sobre um texto, por exemplo, como do ponto de vista técnico-científico, quando se trata da redação de um resumo contido em trabalhos de comunicação científica, seja em artigos, seja em eventos científicos. A seção 3 desenvolve orientações sobre a elaboração de resenhas, distinguindo o tipo descritivo do tipo crítico e trazendo possibilidades de roteiros que você poderá seguir. Desejamos a você um ótimo aproveitamento desta unidade, e que encontre as orientações que necessita para elaborar seus trabalhos acadêmicos.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 37 UNIDADE 2 SEÇÃO 1 MONOGRAFIAS,DISSERTAÇÕES E TESES Os trabalhos acadêmicos científicos distinguem-se pelos objetivos que pretendemos atingir, pela natureza do objeto de estudo, e pelas especificidades das áreas do conhecimento humano que os presidem. Estudiosos de metodologia científica, como Medeiros (1997) e Severino (2002), apontam como principais tipos de trabalhos científicos: os resumos, as resenhas e as monografias, incluindo nessas últimas as dissertações e as teses. Apesar da grande utilização do termo “monografia” no meio acadêmico, percebemos facilmente que há uma grande confusão quanto ao seu uso correto. Muitos utilizam a palavra monografia para fazer referência ao chamado TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, que é solicitado ao final de grande parte dos cursos de graduação. Outros utilizam a expressã o monografia fazendo referência, exclusivamente, ao trabalho de iniciação à pesquisa exigido na finalização de um curso de pós-graduação lato sensu (especialização). Mas, quando se trata da pós-graduação stricto sensu, utilizam amplamente os termos “dissertação” para o trabalho de pesquisa, exigido para obtenção do título de mestre, e “tese” para o trabalho de pesquisa exigido para obter o título de doutor. Todavia, em todos os casos exemplificados temos trabalhos monográficos, o que significa que do TCC à tese de doutorado estamos tratando de monografias. Veja o que diz Medeiros (1997, p.183) sobre isso: ... não há razão para se falar em três níveis: monografia, dissertaçãoetese.Otrabalhodegraduaçãodevesermonográfico, assim como o apresentado para a obtenção dos títulos de mestre e doutor. Os três tipos de trabalhos são dissertativos, bem como pode aparecer em todos eles a defesa de uma tese. Vejamos essa questão de modo mais detalhado: O que define a característica monográfica do trabalho, na verdade, não é o nível acadêmico em que o sujeito autor do trabalho se encontra.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 38 UNIDADE 2 A definiçãodo caráter monográfico do trabalho científico está vinculada à abordagem de um único assunto, ou tema problematizado, o qual deve ter um tratamento apropriado. É isto que Severino caracteriza como “exigência da especificação”, típica dos trabalhos monográficos, pois, para ele: “Os trabalhos científicos serão monográficos na medida em que satisfizerem à exigência da especificação, ou seja, na razão direta de um tratamento estruturado de um único tema, devidamente especificado e delimitado.” (SEVERINO, 2002, p.129, grifos nossos). Assim, a delimitação temática, a profundidade do estudo sobre esse tema, o seu tratamento metodológico são questões que caracterizam o trabalho monográfico. Medeiros (1997, p.183) traz uma definição semelhante, dizendo que: “Monografia é uma dissertação que trata de um assunto particular, de forma sistemática e completa. Esta é a sua característica essencial.” Diante dessas considerações, podemos então afirmar que um trabalho será monográfico quando apresentar: • o estudo de um tema específico, com problemática bem delimitada; • o tratamento do tema/problema com profundidade; • a adequação metodológica; • a estrutura dissertativa (estrutura tripartida: introdução, desenvolvimento e conclusão). Como, mesmo nos diferentes casos, estamos tratando de monografias, Medeiros (1997) esclarece que muitos autores da área metodológica costumam fazer distinção entre duas tipologias básicas, a fim de evitar confusões quando tratamos dos tipos de monografias: as monografias escolares e as monografias científicas. Por monografia escolar, o autor entende o trabalho cuja função é apenas a de iniciação à pesquisa; enquanto o termo monografia científica seria restrito aos trabalhos que trazem resultados de estudo original de um tema delimitado e de conformidade com a metodologia da ciência. Em face dessa distinção, as monografias efetivadas durante o período
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 39 UNIDADE 2 Veja oque Severino (2002, p. 130) afirma a respeito desses trabalhos: Essestrabalhossãoexigíveiseexigidosduranteoscursosdegraduação, como parte do próprio processo didático, ao contrário das dissertações, teses e ensaios que, embora possam ser trabalhos acadêmicos, são resultados de uma pesquisa ampla, profunda, rigorosa, autônoma e pessoal. de graduação universitária teriam a prerrogativa de monografia escolar porque, para estas, não se exigem a profundidade e a originalidade que são exigidas na dissertação de mestrado e na tese de doutorado. Isto porque as monografias realizadas durante a graduação constituem parte do próprio processo pedagógico e formativo do curso e se integram às atividades acadêmicas das diferentes disciplinas. Para as monografias realizadas na graduação, Severino prefere utilizar o termo “trabalho didático”. Para o autor, esses trabalhos são inerentes à formação técnico-científica do estudante universitário, uma vez que conduzem o aluno à busca de elementos complementares à formação, em fontes adequadas e diversas, sem que seja exigido o critério da originalidade. Assim, esses trabalhos, em geral, possuem caráter recapitulativo, podendo o estudante, através do estudo, proceder a sínteses de conclusões de autores, encontrados em fontes já conhecidas. Para Severino (2002, p. 130): “O que qualifica este tipo de trabalho é o uso correto do material preexistente, a maneira adequada de tratá-lo para que traga alguma contribuição inteligente à aprendizagem.” (grifos nossos). As dissertações de mestrado e teses de doutorado, como tipos especiais de monografias (científicas) também possuem suas características próprias. Vamos conhecê-las. Segundo Severino (2002), a tese de doutorado é o tipo mais representativo de trabalho científico monográfico, uma vez que aborda um único tema, exige a pesquisa cientificamente concebida, com instrumentos metodológicos específicos e adequação à(s) área(s) de
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    UniversidadeAbertadoBrasil 40 UNIDADE 2 Veja oque diz Medeiros (1997, p. 184) sobre as características e a estrutura da monografia científica. São características da monografia, a sistematicidade e completude, a unidade temática, a investigação pormenorizada e exaustiva dos fatos, a profundidade, a metodologia, a originalidade e a contribuição da pesquisa para a ciência. Embora alguns autores considerem a extensão, sua característica essencial, seu princípio regulador básico é a delimitação do assunto e o nível da pesquisa. conhecimento em que o tema/problema se situa. Além disso, na tese de doutorado exige-se a colocação e a solução de problemas, havendo, em seu desenvolvimento, a demonstração de hipóteses e o convencimento do leitor por meio da fundamentação nas evidências dos fatos e da coerência do raciocínio. A pesquisa realizada para a tese de doutorado, sempre abordando um tema/problema bem delimitado, pode utilizar diferentes fontes e formas de tratamento. Por exemplo, pode ser documental ou de campo, experimental ou histórica. Independentemente disto, e em todos os casos, a tese de doutorado deverá trazer contribuições relevantes e significativas para a(s) área(s) de conhecimento em que seu tema se situa, ou seja, deverá gerar conhecimento novo a respeito daquele tema/problema, fazendo progredir a ciência. A dissertação de mestrado, por sua vez, cumprindo as mesmas exigências da monografia científica, e elaborada segundo as diretrizes metodológicas e técnicas do trabalho científico, diferencia-se da tese de doutorado pelo caráter de originalidade do trabalho. Veja o que diz Severino sobre a dissertação: Tratando-se de um trabalho ainda vinculado a uma fase de iniciação à ciência, de um exercício diretamente orientado, primeira manifestação de um trabalho pessoal de pesquisa, não se pode exigir da dissertação de mestrado o mesmo nível de originalidade e o mesmo alcance de contribuições ao progresso e desenvolvimento da ciência em questão. (SEVERINO, 2002, p.151). Portanto, a dissertação de mestrado não precisa, necessariamente, ser um trabalho original, mas deve constituir-se em trabalho científico rigoroso.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 41 UNIDADE 2 SEÇÃO 2 ORESUMO COMO TRABALHO ACADÊMICO A elaboração do resumo de um texto, como trabalho comumente solicitado no ensino superior, é de grande valia do ponto de vista do processo de aprendizagem dos estudantes, tanto no ensino, quanto na pesquisa científica. Ao elaborar o resumo, o estudante deverá extrair as ideias nele contidas, permanecendo fiel a essas ideias, porém apresentando-as de maneira própria, sintetizada, seletiva e articulada. Vejamos algumas conceituações de resumo: Resumo é, (...), uma apresentação concisa de elementos relevantes de um texto; um procedimento de reduzir um texto sem destruir-lhe o conteúdo. Constitui-se em forma prática de estudo que participa ativamente da aprendizagem, uma vez que favorece a retenção das informações básicas. (MEDEIROS, 1997, p. 120). O resumo do texto é, na realidade, uma síntese das idéias e não das palavras do texto. Não se trata de uma “miniaturização” do texto. Resumindo um texto com as próprias palavras, o estudante mantém- se fiel às idéias do autor sintetizado. (SEVERINO, 2002, p.131). O resumo é a apresentação concisa e frequentemente seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da obra. A finalidade do resumo consiste na difusão das informações contidas em livros, artigos, teses, etc, permitindo a quem o ler resolver sobre a conveniência ou não de consultar o texto completo. (MARCONI e LAKATOS, 2001, p.72). Neste último caso, o resultado depende dos objetivos previamente fixados. A estrutura da monografia compreende introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, o pesquisador formula claramente o objeto da investigação. Apresenta sinteticamente a questão a ser solucionada. Portanto, há necessidade de problematizar a realidade para se buscar uma solução. Se não há problemas para resolver, não há por que iniciar a pesquisa e a redação da monografia. Na introdução, ainda, apresentam-se a justificativa do trabalho e a metodologia utilizada na pesquisa (levantamento bibliográfico, pesquisa de campo, uso de questionários, pesquisa de laboratório) e faz-se referência à literatura relativa ao assunto, anteriormente publicada. Escrita a introdução, o pesquisador passa para nova etapa da monografia: o desenvolvimento, que compreende explicação, discussão e demonstração. Portanto, etapa de exposição dos fundamentos lógicos do trabalho realizado; etapa de explicitação, de esclarecimento, de análise, de supressão do ambíguo, de exame e demonstração do raciocínio, de apresentação de provas, de argumentação. Finalmente, a conclusão retoma as pré-conclusões anteriormente expostas em variadas partes do texto, e reforça a linha de pensamento que dá sustentação à monografia. Nesse momento, o pesquisador procura firmar a unidade temática, as ideias contidas na exposição. Trata-se de um resumo das conclusões espalhadas pela monografia, uma síntese das ideias defendidas na obra.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 42 UNIDADE 2 Uma vezque você já entendeu que o resumo é um texto novo, feito com as palavras próprias do estudante sobre outro texto (livro, capítulo, artigo, dissertação, tese ou outro), fiel, todavia, às ideias do autor, passemos, agora, a observar aspectos referentes à técnica de elaboração de resumos. a) Elementos que não podem faltar no resumo Quatro elementos devem estar presentes no resumo que você elaborar sobre o trabalho de um autor ou pesquisador (seja livro, capítulo, artigo, dissertação, tese ou outro). Esses elementos são os seguintes: O assunto. O assunto refere-se à temática ou problemática delimitada pelo autor do texto que você vai resumir. Para encontrá-lo, responda à seguinte pergunta: De que trata o texto? O(s) objetivo(s). O(s) objetivo(s) corresponde(m) às pretensões, intenções ou metas que o autor do texto pretende atingir com seu trabalho. Ao captar os objetivos do autor ou pesquisador, você apontará para a natureza do trabalho realizado por ele. Em geral, os objetivos estão relacionados com o tema ou problemática(s) delimitadas(s) pelo autor. Mas, nem sempre os objetivos aparecem redigidos de maneira clara e direta. Muitas vezes, você terá que inferir as intenções do autor do trabalho, a partir das problemáticas que ele anuncia, das justificativas que permeiam o trabalho ou, ainda, daquilo que o autor aponta como relevância do seu estudo. Ao apontarmos ou redigirmos um ou mais objetivos, devemos tomar cuidado na escolha do verbo mais adequado para caracterizar a ação pretendida. Essa recomendação tanto serve para ajudar você a observar e captar objetivos já redigidos no trabalho de alguém, como serve para ajudá-lo a traçar os objetivos dos trabalhos científicos que você vai redigir, como por exemplo, na redação de um artigo científico ou um ensaio. Santos (1999, p. 61- 62) traz uma significativa contribuição a esse ARTIGO CIENTÍFICO OU ENSAIO: Essas são modalidades de trabalhos científicos que são utilizados para proceder a publicações científicas.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 43 UNIDADE 2 respeito, poisele procede a uma classificação de verbos de conformidade com estágios cognitivos que expressam ações pretendidas. Verifique os estágios e os verbos que o autor indica: • Estágio de conhecimento – Se expressa em verbos como apontar, citar, classificar, conhecer, definir, descrever, identificar, reconhecer, relatar. • Estágio de compreensão – Em verbos como compreender, concluir, deduzir, demonstrar, determinar, diferenciar, discutir, interpretar, localizar, reafirmar. • Estágio de aplicação – Em verbos como aplicar, desenvolver, empregar, estruturar, operar, organizar, praticar, selecionar, traçar. • Estágio de análise – Em verbos como analisar, comparar, criticar, debater, diferenciar, discriminar, examinar, investigar, provar. • Estágio de síntese – Em verbos como compor, construir, documentar, especificar, esquematizar, formular, produzir, propor, reunir, sintetizar. • Estágio de avaliação – Em verbos como argumentar, avaliar, contrastar, decidir, escolher, estimar, julgar, medir, selecionar. A articulação das ideias A articulação das ideias é o elemento correspondente ao processo de desenvolvimento do texto ou obra em questão, e diz respeito aos seguintes aspectos que o leitor deverá captar no resumo: - Quais são as partes fundamentais do trabalho? O que é tratado em cada uma? - Como se dá a progressão das ideias do autor? - Qual é a correlação entre as partes do texto? As conclusões do autor da obra resumida A parte conclusiva deverá ser redigida na finalização do resumo e se refere exclusivamente às conclusões (ainda que provisórias) retiradas pelo autor do trabalho. Aqui é importante observar que não se trata de o leitor colocar suas próprias conclusões, nem de emitir juízos de valor sobre o texto do autor, mas, sim, de apresentar ao leitor as reflexões, as descobertas, e os juízos que o autor traz como resultado do desenvolvimento do seu trabalho. b) Recomendações para a redação do resumo No que diz respeito ao aspecto da forma de redação do resumo, você deverá prestar atenção às seguintes recomendações:
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    UniversidadeAbertadoBrasil 44 UNIDADE 2 Utilizar linguagemobjetiva, ou seja, evitar floreios, rebuscamentos, metáforas, analogias, etc, procurando sempre tratar do assunto de modo direto. Não fazer juízo crítico. O resumo não comporta juízo crítico ou interpretação subjetiva de quem o redige. Se esse caso for desejável, deve-se fazer uma resenha crítica e não um resumo. Por isso, é importante lembrar que a característica essencial do resumo, como trabalho acadêmico, é sintetizar as ideias de um autor ou um pesquisador para apresentá-lo numa comunicação posterior, ou, simplesmente para apreender suas ideias principais. O resumo deve ser autossuficiente, de modo que não seja necessária a consulta do texto original. Isso significa que entre as características do resumo estão a de que deve ser inteligível por si mesmo e, ainda, visar economia de tempo para quem o lê. Assim, o leitor do resumo somente buscará o trabalho original se tiver em vista algum interesse especial. É lendo o resumo que o leitor avalia se o texto ou obra em questão (um livro, um capítulo, um artigo, uma dissertação ou tese) serve ou não aos seus interesses acadêmicos ou merece ser lido na íntegra. Não plagiar. A repetição ou cópia de frases inteiras, tal qual aparecem no texto original, é chamada de plágio. O plágio é crime que está previsto em lei. (Lei nº. 9.610, de 19/02/1998). Para não incorrer no plágio, você deve dar atenção especial à redação dos resumos e das paráfrases, ou fazer citações. Contudo, sempre deverá referenciar o autor ou autores que lhe serviram de fundamento. Respeitar a ordem em que ideias e fatos são apresentados pelo autor. Ao elaborar o resumo, você deverá respeitar a subordinação das ideias e fatos tal como colocada pelo autor. Todavia, fará isso de forma condensada e com suas próprias palavras. É importante lembrar, ainda, que o resumo não é um amontoado de trechos retirados do texto original, como também não é um fragmento deste. Evitar o uso de parágrafos no interior do texto do resumo. PLÁGIO: Assinar ou tomar como seu, o trabalho literário ou científico de outrem. CITAÇÕES: As citações de autores e as referências são normalizadas pela ABNT. Veja as regras para fazê-las no Manual de Normalização da UEPG.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 45 UNIDADE 2 Medeiros (1997)aponta que esta orientação é dada pela ABNT e significa que o texto do resumo é escrito em um único parágrafo. c) Tipos de resumo Marconi e Lakatos (2001) reconhecem três tipos de resumos: indicativo ou descritivo; informativo ou analítico; e resumo crítico. Medeiros (1997) acrescenta a esses, um tipo misto de resumo, que denomina informativo-indicativo. Veja, em seguida, as características de cada tipo. 1. O resumo do tipo indicativo ou descritivo Esse tipo de resumo destina-se a apresentar ao leitor apenas as partes ou componentes mais importantes do texto (ou obra), como se fosse uma espécie de sumário narrativo. Em geral, a maioria das frases desse tipo de resumo é curta. Veja o exemplo que Medeiros (1997, p. 119) oferece desse tipo de resumo: ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981, 184 p. Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objeto de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, o “não-texto” e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os critérios para a análise, o candidato, o texto e farta exemplificação. Nesse exemplo, você pode notar que se trata de uma narração simples, que não apresenta dados quantitativos e qualitativos. Dá, apenas, uma visão bem geral do texto em questão. 2. O resumo do tipo informativo ou analítico O tipo informativo ou analítico se detém mais na exploração do conteúdo e dos componentes ou ideias principais da obra. É o tipo que dispensa a consulta à obra original. Em virtude da sua inteligibilidade, ou autossuficiência, podemos qualificá-lo como um “bom” resumo. Marconi
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    UniversidadeAbertadoBrasil 46 UNIDADE 2 Note oque dizem as autoras sobre esse tipo de resumo: Sendo uma apresentação condensada do texto, esse tipo de resumo não deve conter comentários pessoais ou julgamentos de valor, da mesma maneira que não deve formular críticas. Deve ser seletivo e não mera repetição de todas as idéias do autor. Utilizam-se, de preferência, as próprias palavras de quem fez o resumo; quando cita as do autor, apresenta-as entre aspas. Não sendo uma enumeração de tópicos, o resumo informativo ou analítico deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas. Ao final do resumo, indicam- se as palavras-chave do texto. (...) Deve-se dar preferência à forma impessoal. (MARCONI e LAKATOS, 2001, p.74, ênfases na fonte). e Lakatos (2001) salientam os seguintes elementos, que não podem faltar no resumo do tipo informativo ou analítico: • o assunto de que trata o texto e os seus objetivos; • métodos e técnicas utilizados no estudo; • resultados e conclusões. Na sequência, apresentamos a você o exemplo de Medeiros (1997, p. 119). Observe que o exemplo que se segue se refere à mesma obra analisada para o resumo do tipo indicativo. Compare as duas formas e observe bem as diferenças. ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo; Mestre Jou, 1981. 184 p. Examina 1500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e, através do estudo, estabelecer
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 47 UNIDADE 2 3. Oresumo do tipo informativo/indicativo Medeiros (1997) explica que esse é um tipo misto que contém características dos dois tipo de resumo já vistos. O autor salienta que esse tipo misto pode dispensar a leitura do texto original no que se refere às conclusões, mas não em relação aos demais aspectos. Isso significa que o tipo misto se detém mais em explicações sobre as conclusões do texto e é mais econômico nas demais partes. 4. O resumo do tipo crítico O resumo crítico é aquele que traz comentários a respeito do texto original. Também é chamado de resenha ou recensão. Normalmente é redigido por especialistas, podendo corresponder a diferentes tipos de interpretações e/ou análises: da forma, do conteúdo, da lógica, da argumentação, etc. O estudo da resenha será feito em uma seção a parte, que lhe é especialmente destinada em virtude da frequência das solicitações de resenha pelos professores no ensino superior. Desse modo, na seção 3 – A elaboração de resenhas – você terá a oportunidade de se aprofundar nesse tipo de trabalho acadêmico. relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e quantidade de informações, ausência de originalidade. Também foram objeto de análise condições externas como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que 34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos termos relacionais; 16,9% apresentam problemas de contradições lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69% dos textos. Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 48 UNIDADE 2 SEÇÃO 3 AELABORAÇÃO DE RESENHAS Comotrabalhoacadêmico,aelaboraçãodeumaresenhabibliográfica tem um grande valor pedagógico, pois, para fazê-la, o estudante deverá sintetizar e selecionar os conteúdos de um artigo científico ou de um livro recentemente publicado. Na vivência científica dos pesquisadores, a resenha tem o papel de funcionar como uma primeira tomada de conhecimento sobre o conteúdo de obras recém- colocadas no mercado, ou mesmo de artigos publicados nos últimos números das revistas científicas. É através da resenha que o leitor toma conhecimento prévio do conteúdo de um texto, podendo, por meio dela, avaliar se vale a pena utilizá-lo na bibliografia de um dado trabalho científico, ou, simplesmente, adquiri-lo para a sua leitura. Embora tratemos aqui especificamente da resenha cujos objetos podem ser livros e artigos – também denominada de análise bibliográfica ou resenha bibliográfica - é interessante que você saiba que também podem ser objetos de uma resenha um filme, uma peça de teatro, uma obra cultural, etc. (MEDEIROS, 1007, p.136). Todavia, tais casos fogem ao escopo do presente texto. a) Tipos de resenha Medeiros (1997) e Severino (2002) admitem dois tipos de resenha: a resenha descritiva ou informativa, caracterizada pela mera exposição do conteúdo da obra analisada; e a resenha crítica, caracterizada por uma apreciação do resenhista acerca da obra em questão, ou de certos aspectos dela. Marconi e Lakatos (2001) entendem a resenha como sendo sempre, e necessariamente, “crítica”. Estas autoras não mencionam outro tipo de resenha que não seja a crítica. Veja, a seguir, o que as autoras afirmam sobre o conceito e a finalidade da resenha, e note o aspecto crítico que as autoras ressaltam: Vejamos, a seguir, como você poderá estruturar a sua resenha crítica.RESENHISTA é quem escreve a resenha. Se é você que vai fazê-lo, você será o resenhista.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 49 UNIDADE 2 b) Aestrutura da resenha crítica A seguir você terá dois roteiros de diferentes autores de metodologia científica, que podem ser utilizados quando você precisar fazer uma resenha. Note, com bastante atenção, os itens que cada autor sugere como elementos que devem compô-la. Entretanto, quando você for escrever suas resenhas, você deve compreender ainda que o texto não deve ser repartido em tópicos e subdivisões, tais como os que nós trouxemos nos roteiros que servem de exemplos. Esses roteiros têm apenas uma finalidade didática, e servem para levá-lo a compreender quais são os elementos a serem abordados. Na verdade, a única separação visível das partes da resenha será entre a referência bibliográfica e o restante do texto. Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista. A resenha, em geral, é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um exercício de compreensão e crítica. A finalidade de uma resenha é informar ao leitor, de maneira objetiva e cortês, sobre o assunto tratado no livro, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese das idéias fundamentais da obra. O resenhista deve resumir o assunto e apontar as falhas e os erros de informação encontrados, sem entrar em muitos pormenores e, ao mesmo tempo, tecer elogios aos méritos da obra, desde que sinceros e ponderados. (MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 90). Ao analisarmos os dois casos (resenha descritiva e resenha crítica), logo percebemos que ambos comportam o resumo da obra, a apresentação dos objetivos do autor, o destaque à temática ou problemática delimitada, bem como o devido destaque às suas partes ou ideias principais, mas é apenas na resenha crítica que acrescentamos o item de apreciação ou comentário crítico que o resenhista faz do texto que leu. Arespeito do(s) comentário(s) crítico(s) que o resenhista fará sobre a obra, é importante lembrar que este(s) se refere(m) tanto aos aspectos positivos como aos negativos. Severino (2002) sugere que o comentário crítico seja a última parte do texto da resenha, após a exposição de todo o conteúdo. Todavia, dependendo da habilidade de escrita e da competência do resenhista, as críticas podem ser feitas de modo difuso; à medida que ele vai expondo, vai também tecendo os comentários críticos. Outro aspecto valioso que deve ser lembrado a respeito da crítica na elaboração de uma resenha é que esta deve se destinar única e exclusivamente às ideias e posições do autor, jamais à sua pessoa. Ou seja, as críticas são dirigidas às ideias, e não ao autor. Também é importante deixar claro que o resenhista deve assumir responsavelmente as críticas que fizer, trazendo ao seu texto argumentos e fundamentações consistentes, baseadas no seu estudo de outras teorias e/ou outros autores. Deve evitar, também, a crítica que expressa simplesmente um gosto pessoal, no estilo “gostei”, “não gostei”, “acho que...”.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 50 UNIDADE 2 1º. Exemplode roteiro de resenha, sugerido por Marconi e Lakatos (2001, p. 91-92): 1. Referência bibliográfica: Autor(es) Título (subtítulo) Imprensa (local de edição, editora, data) Número de páginas Ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc.) 2. Credenciais do autor: Informações gerais sobre o autor Autoridade no campo científico Quem fez o estudo? Quando? Por quê? Onde? 3. Conhecimento: Resumo detalhado das ideias principais De que trata a obra? O que diz? Possui alguma característica especial? Como foi abordado o assunto? Exige conhecimentos prévios para entendê-la? 4. Conclusão do autor: O autor traz conclusões? Onde foram colocadas? (final do livro ou dos capítulos?) Quais foram? 5. Quadro de referências do autor: Modelo teórico Que teoria serviu de embasamento? Qual o método utilizado? 6. Apreciação: a) Julgamento da obra: Como se situa o autor em relação: - às escolas ou correntes científicas, filosóficas, culturais? - às circunstâncias culturais, sociais, econômicas, históricas, etc.? b) Mérito da obra: Qual a contribuição dada? Ideias verdadeiras, originais, criativas?
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 51 UNIDADE 2 Conhecimentos novosamplos, abordagem diferente? c) Estilo: Conciso, objetivo, simples? Claro, preciso, coerente? Linguagem correta? Ou o contrário? d) Forma: Lógica, sistematizada? Há originalidade e equilíbrio na disposição das partes? e) Indicação da obra: A quem é dirigida: grande público, especialistas, estudantes? 2º. Exemplo de roteiro de resenha, sugerido por Medeiros (1997, p. 136- 137): Referência bibliográfica: - Autor - Título da obra - Elementos de imprenta (local da edição, editora, data) - Número de páginas. - Formato Exemplo: GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 1980. 522 p. 14 x 21 cm. 1. Credenciais do autor: - Informações sobre o autor, nacionalidade, formação universitária, títulos, livro ou artigo publicado. 2. Resumo da obra (digesto): - Resumo das ideias principais da obra. De que trata o texto? Qual é sua característica principal? Exige algum conhecimento prévio para entendê- la? Descrição do conteúdo dos capítulos ou partes da obra. 3. Conclusões da autoria: - Quais as conclusões a que o autor chegou? 4. Metodologia da autoria: - Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico? - Que técnicas utilizou? Entrevista? Questionários?
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    UniversidadeAbertadoBrasil 52 UNIDADE 2 5. Quadrode referência do autor: - Que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico utilizado? 6. Crítica do resenhista (apreciação): - Julgamento da obra. Qual a contribuição da obra? As ideias são originais? Como é o estilo do autor: conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista? 7. Indicações do resenhista: - A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a que disciplina? Pode ser adotada em algum curso? Qual? Você deve ter observado que os dois exemplos de roteiros que acabou de ler são muito semelhantes. Diferem apenas na forma de abordagem dos seus autores. Se você prestar atenção a cada item do roteiro, verá que um complementa o outro. Outro detalhe importante diz respeito à frequente confusão que muitos estudantes fazem entre resenha e resumo. Se você analisar todos os itens que compõem uma resenha, você notará que o resumo é apenas um elemento estrutural da resenha, ou seja, resumo e resenha não se confundem, pois o primeiro (resumo) está incluso no segundo (resenha). É bom lembrar também que o resumo não comporta juízo crítico ou valorativo, enquanto a resenha admite abordagens na forma de apreciação crítica que o resenhista fará sobre certos elementos da obra.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 53 UNIDADE 2 Como vocêjá viu, nesta unidade caracterizamos as modalidades de trabalhos acadêmicos científicos, considerando que estes se diferenciam em função dos objetivos a atingir, da natureza do objeto de estudo e das especificidades das áreas de conhecimento. Você estudou que, embora a nomenclatura “monografia” seja utilizada para trabalhos de final de graduação e pós-graduação lato sensu, também as dissertações e teses, que são trabalhos de pós- graduação stricto sensu, são monografias. Para Severino (2002), chamamos monografia o trabalho científico que recebe tratamento estruturado de um único tema problematizado e delimitado. Medeiros (1997) considera a monografia como uma dissertação que trata de um tema ou assunto particular, de forma sistemática e completa. Desse modo, podemos considerar que todo trabalho monográfico deve apresentar: • o estudo de um tema ou problema bem delimitado; • o tratamento desse tema ou problema de modo profundo; • a adequação metodológica (sistemática e completa); • a estrutura dissertativa (que impõe a estrutura tripartida: introdução, desenvolvimento e conclusão). As dissertações e teses são tipos especiais de monografias que exigem maior rigorosidade teórica e metodológica no estudo da problematização em pauta. Enquanto a dissertação de mestrado possui um caráter de primeira manifestação pessoal de pesquisa, a tese deve ser original, ou seja, deve gerar conhecimento novo a respeito do tema ou problema em foco, de modo a contribuir para o avanço da ciência. O resumo e a resenha são tipos de trabalhos acadêmicos científicos comumente solicitados no ensino superior. O resumo é um texto conciso, a ser escrito com palavras próprias, que contenha a síntese das ideias do seu autor. Ao escrever um resumo, você deverá extrair as ideias do texto lido, sendo-lhes fiel, porém apresentando-as de modo próprio, sintetizado, articulado e seletivo. Não podem faltar no resumo: o assunto, os objetivos do autor, a articulação das ideias, e as conclusões a que o autor chegou. Algumas recomendações são importantes para a elaboração do seu resumo: usar linguagem objetiva; não fazer juízo crítico, nem interpretação subjetiva; buscar a autossuficiência, de modo a não gerar consulta ao texto original para o leitor; não plagiar; respeitar a ordem das ideias e fatos tais como apresentados; e, finalmente, utilizar um único parágrafo. O resumo comporta possibilidades ou tipos, de acordo com seus objetivos: indicativo ou descritivo, informativo ou analítico, tipos mistos e o tipo crítico, sendo que este último se assemelha à resenha. A resenha ou análise bibliográfica é um texto com características próprias, que não se confunde com o resumo da obra, embora o contenha. Seu papel é funcionar, para o leitor, como uma primeira tomada de conhecimento sobre o conteúdo de certas obras, geralmente recém-publicadas, para avaliar se vale a pena utilizá-las na bibliografia de um trabalho científico e/ou se é necessário proceder a sua leitura total. Em função disso, a resenha também comporta: as credenciais do autor, a apresentação da obra, a apreciação do conteúdo, da forma, do estilo e do mérito, geralmente finalizando com a indicação do público para o qual a obra pode ser dirigida. O texto da resenha não comporta subdivisões, a não ser entre a referência bibliográfica e o corpo do texto. Esperamos que os seus estudos nesta unidade venham a contribuir para que você compreenda os objetivos e elabore corretamente seus trabalhos científicos.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 54 UNIDADE 2 Não deixede ler o artigo: Evitando o plágio: orientações metodológicas e dicas gerais, escrito pelo Prof. Fernando Manuel Pacheco Botelho. Você poderá encontrá-lo em: http://www.doctumtec.com.br/ doctum/unidades/guarapari/artigos/document.2006-10-24.3703092288 1. Enumere, a seguir, características que permitem denominar um trabalho de monográfico: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2. Leia o texto com atenção e faça o que se pede a seguir: Como podemos prevenir o abuso de drogas na adolescência? Implicações educacionais Evely Boruchovitch Doutora em Psicologia Educacional UNICAMP Trata-se de tarefa árdua, como aponta Bucher (1986), pois nos obriga a indagar e a refletir sobre a questão de como prevenir o uso de drogas entre eles, tendo em vista que vivemos num contexto social que favorece o consumo maciço das mesmas. Todavia, alguns esforços vêm sendo empreendidos nesse sentido. A educação preventiva contra as drogas tem se baseado no uso de três estratégias: 1) Persuasão moral, 2) Disseminação de informação fatual e 3) Promoção e desenvolvimento da competência social nos adolescentes (White, 1989). A persuasão moral não é uma técnica eficaz, pois consiste em evitar que eles se engajem no uso de drogas através de mensagens exageradas que apelam para o medo, criando um hiato na comunicação entre adultos e adolescentes. Na realidade, técnicas que têm como objetivo promover o medo podem ter efeitos opostos, principalmente quando se trata de adolescentes que têm necessidade de explorar e correr riscos (Baumrind, 1985) e que não se deixariam (de se?) desviar de seus interesses pelo medo (Bucher, 1986). O simples ensino das propriedades farmacológicas das drogas e de seus efeitos psicoativos também não tem sido capaz de eliminar ou diminuir o seu uso. Além das evidências que existem sobre a dificuldade em se transformar o conhecimento científico em comportamento saudável (Carvalho,1990), é bem verdade que o ensino científico dos malefícios das drogas, quando ocorre, acontece tarde demais, tendo muitos adolescentes já até se tornado usuários. A estratégia mais promissora na prevenção do uso de drogas tem sido a promoção e o desenvolvimento da competência social do adolescente. Essa técnica se baseia na aprendizagem por
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 55 UNIDADE 2 descoberta, naparticipação ativa da pessoa, no uso de discussões, dramatizações, troca de papéis, palestras e outras diversas atividades psico-educacionais cujos objetivos são de ajudar o jovem a aumentar a sua capacidade de tomada de decisões, de comunicação, de negociação, de lidar com conflitos e de experimentar, explorar e se arriscar construtivamente. Tal estratégia atua também no sentido de auxiliar o adolescente, tanto no desenvolvimento de um autoconceito satisfatório quanto na promoção de uma consciência crítica crescente da sua responsabilidade pessoal por suas escolhas (LeCoq e Capuzzi, 1984; Carvalho, 1990). A escola precisa ser mais ativa e atuante na vida do adolescente. Necessita transcender as preocupações estritamente voltadas para o cumprimento de um currículo escolar e devotar mais esforços no sentido de se constituir num contexto fundamental para o desenvolvimento psicossocial do adolescente, ajudando-o na resolução das tarefas essenciais dessa etapa de desenvolvimento, que segundo Novaes (1970) são: o encontro consigo mesmo, a descoberta do eu adulto, a conquista da autonomia pessoal, a definição do seu papel social, o ajustamento do seu papel sexual (a seleção de um companheiro(a) de vida) e a escolha profissional. Se um dos principais desafios da escola deve ser a prevenção de problemas típicos da adolescência, como o uso de drogas, ela não pode se omitir nem adotar uma atitude repressiva e antipedagógica nos momentos em que a prevenção já não é mais possível. Deve reconhecer o seu papel em ajudar adolescentes já envolvidos seriamente com drogas, na manutenção dos vínculos escolares, uma vez que o abandono da escola, em qualquer momento, pode contribuir para agravar ainda mais o problema. A escola deve, também, orientar os pais desses alunos quanto à importância da busca de tratamento adequado. Faz-se necessário, também, como salienta Bucher (1986), que a prevenção das drogas não se dissocie da educação como um todo. Há que se prevenir o uso/abuso das drogas ilegais e “legais”. Propostas preventivas precisam não só serem integradas de forma natural à vida escolar do aluno, mas também serem realizadas por pessoas diretamente relacionadas com o mesmo, como professores e pais. A educação tem que assumir um caráter formativo, já que prevenir implica numa questão de valores, de escolhas de vida. Ênfase deve ser dada na internalização de valores, porque estes se constituem na melhor resposta possível às influências sociais. Aos educadores cabe ajudar as crianças desde muito cedo a compreender a importância de sempre se buscar soluções saudáveis para os eventos mais desprazerosos da vida. (Bucher,1986). (Trecho extraído do artigo O uso e abuso de drogas na adolescência. In: SISTO, Fermino, F.; OLIVEIRA, Gislene de C. e FINI, Lucila Diehl T. (Orgs.) Leituras de psicologia para formação de professores. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2000, p. 202-203). 2.1. Identifique no texto e depois escreva: a) o assunto do texto: ____________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ b) o(s) objetivo(s): ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ c) a articulação das ideias: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________
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    UniversidadeAbertadoBrasil 56 UNIDADE 2 d) asconclusões da autora ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2.2. Atendendo às recomendações para a redação de um resumo e tendo em vista os quatro elementos que não podem faltar nessa redação, resuma o texto de Boruchovitch (2000). RESUMO _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 3. Leia com atenção a resenha da tradução de Henrique IV de Luigi Pirandello. A seguir, faça o que se pede. PIRANDELLO, Luigi. Henrique IV. Trad. de Aurora Fornomi Bernardini e Homero Freitas. São Paulo: Edusp, 1991. Luigi Pirandello é natural de Agrigento. Nasceu na Sicília, em 1867, e morreu em Roma, em 1936. Romancista, contista, poeta, ensaísta, dramaturgo. Uma de suas obras mais famosas e constantemente representadas é Seis personagens à procura de um autor, de 1921. Esta tradução oferece ao leitor brasileiro a oportunidade de conhecer o texto de Luigi Pirandello, que focaliza o homem que enlouquece, vítima de uma experiência desastrosa. Recupera sua saúde mental, mas prefere continuar fingindo-se de louco, uma vez que se sente incapaz de enfrentar a realidade. Assim, o autor rompe os limites da loucura e da sanidade, da ilusão e da realidade, e já não pode saber o que é a verdade. Erige-se, portanto, o reino total da relatividade. O leitor está diante de uma obra teatral do maior dramaturgo deste século. Um autor que é, ao mesmo tempo, irônico, sagaz e, às vezes, até pessimista. O significado de sua obra não pode ser apreendido imediatamente, numa leitura linear, ou como espectador burguês, freqüentador de teatro para puro exibicionismo ou divertimento. É grande a profundidade das colocações de Pirandello e, conseqüentemente, grande seu valor, bem como o prazer que se extrai do texto. Pirandello destaca-
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 57 UNIDADE 2 se particularmentepela análise que faz da realidade/ilusão, falso/verdadeiro, a verdade das relações humanas e a máscara social. Para a crítica, o autor de O falecido Matias Pascal é considerado um autor intelectual, muito mais para ser lido e refletido que, propriamente, representado. Engano. Sua representação consegue manter o espectador atento, tenso com o desenrolar da ação e é capaz de levá-lo ao entendimento das idéias que subjazem ao texto. Em verdade, o autor criou um estilo próprio, inconfundível. Em Henrique IV, a personagem principal inventa para si uma personagem e transforma sua vida numa representação. Os espectadores e as próprias personagens que contracenam com Henrique IV vêem-no como louco, que pensa ser o imperador alemão do século XI. Vive numa casa de campo há 20 anos. Seus parentes transformaram a propriedade em um palácio e contrataram empregados para representar os mais diversos papéis, inclusive o de conde e de conselheiros. Assim, todas as personagens representam para Henrique IV e alimentam sua loucura com encenações e situações históricas vividas pelo imperador alemão, particularmente suas discórdias com o papa Gregório VII. No segundo ato, Henrique IV revela aos empregados que sua loucura tivera a duração de 12 anos e que há oito anos está totalmente lúcido, isto é, somente nos últimos anos é que vinha representando, com tanta competência que ninguém percebera nada. Por que Henrique IV prefere a máscara da loucura à lucidez? Para rebelar-se contra a idéia de que o homem é o que a sociedade quer que seja. Retornando à vida normal, os outros é que lhe imporiam uma máscara, roubando-lhe a liberdade de ação. Através da loucura, pode tomar a iniciativa e submeter todos a seus caprichos e desejos. Prefere a loucura à sanidade para poder viver com prazer, viver para “vingar-me da brutalidade de uma pedra que me machucara a cabeça!” A desgraça de Henrique IV fora causada pela marquesa Matilde Spina e seu amante Belcredi. Apaixonado, fantasiara-se de Henrique IV numa fatídica cavalgada que terminou com sua queda, após seu cavalo ter sido ferido pelo rival. Ódio e vingança explodem então dentro de si. Após a revelação da personagem principal a seus empregados, a peça ganha ritmo tenso, alcançado pela ambigüidade que permanece até o fim. Henrique IV apóia-se no enigma da lucidez/loucura, ser/parecer louco, que provoca tanto espectadores como leitores. Até o segundo ato o espectador tem a certeza de que a personagem está louca; daí em diante não poderá afirmar categoricamente sua lucidez. Henrique IV a todos confunde, misturando fatos da vida real com os da vida da personagem criada para si. Ao final, o protagonista fere Belcredi com uma espada, concretizando sua vingança. E, assim, condena-se ao uso da máscara para sempre, uma única defesa contra a punição pelo assassínio de Belcredi. Agora, a máscara será uma imposição, uma prisão. E a personagem acaba não tendo outro nome que o de sua máscara. (Texto extraído de: Medeiros, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1997, p. 143-144.) 3.1. Marque na resenha a(s) parte(s) do texto que se refere(m) às credenciais do autor. 3.2. Marque na resenha a parte do texto que se refere ao resumo (digesto) da resenha. 3.3. Faça comentários sobre outros aspectos da estrutura da resenha. Esta resenha apresenta todos os elementos necessários para a compreensão do leitor? Justifique. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________
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    ROTEIRO DE ESTUDOS ■■SEÇÃO 1: Aspectos Técnicos e operacionais da redação de trabalhos científicos ■■ SEÇÃO 2: O uso de citações, sistemas de chamada e notas. ■■ SEÇÃO 3: A elaboração das referências NORMALIZAÇÃO TÉCNICA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM UNIDADEIII
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    UniversidadeAbertadoBrasil 60 UNIDADE 3 PARA INÍCIODE CONVERSA Atéaqui,vocêestudouotrabalhocientíficoemsuascaracterísticas, estrutura, formas de raciocínio, tratamento do objeto de estudo e modalidades, bem como conheceu os elementos que são necessários à sua elaboração. Dentre tais elementos, e sem descartar o tratamento e a abordagem do conteúdo específico, peculiar a cada disciplina ou área científica, a normalização técnica bibliográfica é um dos indicadores de qualidade na elaboração de trabalhos científicos. Já explicamos anteriormente sobre a importância de você ter o seu próprio manual de normas, a fim de consultá-lo sempre que for redigir o seu trabalho acadêmico. Acreditamos que isso, além de criar o saudável hábito da consulta, também o/a ajudará a fixar os aspectos mais gerais da normalização técnica bibliográfica. A necessidade de consultar um manual advém do fato de a normalização incidir sobre uma variedade muito extensa de casos, difíceis de serem previstos, numa explicação preliminar, ao estudante iniciante. Sendo assim, indicamos para a sua aquisição o Manual de Normalização Bibliográfica para Trabalhos Científicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG, 2009). A unidade que você passará a estudar comporta uma visão geral da normalização, destacando o seu papel no universo acadêmico científico, como também aborda alguns de seus aspectos mais frequentes: as partes do trabalho acadêmico, os aspectos gráficos e de apresentação, o uso de citações, os sistemas de chamada e notas, o uso de expressões latinas e, finalmente, a elaboração das referências. Visamos, nesta unidade, que você reconheça a importância da normalização técnica e científica e passe, desde já, a utilizá-la em seus trabalhos.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 61 UNIDADE 3 SEÇÃO 1 ASPECTOSTÉCNICOS E OPERACIONAIS DA REDAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS Segundo Oliveira (2006), os trabalhos acadêmicos desenvolvidos pelos estudantes constituem-se em uma oportunidade singular para a iniciação ao trabalho científico. A autora constata que há uma demanda cada vez maior para que os trabalhos elaborados desde o início da vida acadêmica atendam os critérios metodológicos. Para ela, muitos estudantes, ao se depararem com tal demanda, acreditam que atendê-la requer uma capacidade intelectual extraordinária, o que de fato não é verdadeiro. Portanto, mesmo o acadêmico iniciante deve ser levado a trilhar os caminhos da construção do conhecimento científico, atendendo, em seus trabalhos, os procedimentos metodológicos devidos. Muitas vezes, e até por desconhecer a finalidade da normalização técnica bibliográfica, o estudante tenta recorrer a modelos ou receitas. Acredita que, seguindo um modelo, sem uma prática consistente com as normas, já tem o suficiente para elaborar os trabalhos exigidos na academia, sejam estes artigos, resenhas, monografias, etc. Seguindo modelos ou receitas, logo descobrirá que estes não servem para todas as situações e que é preciso consultar um manual atualizado de normas, uma vez que a ABNT periodicamente revisa e reformula características e necessidades das informações e publicações científicas para atualizar certos aspectos da normalização. Por causa disso é muito importante que o estudante seja inserido gradativamente no universo dessas exigências, vivenciando a utilização da metodologia e da normalização científica no decorrer da vida acadêmica. A finalidade da normalização Explicamos anteriormente que a vida social exige a normalização, a qual está presente na construção de casas, prédios, pontes, estradas, ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 62 UNIDADE 3 e aténa fabricação de produtos para a nossa alimentação, higiene e vestuário. Isso ocorre porque é necessário padronizar registros e informações em diferentes campos do conhecimento e da atividade humana, a fim de favorecer a comunicação dentro de sistemas específicos, e visando, em última instância, o seu aperfeiçoamento. Assim, vemos que o campo científico também não prescinde da padronização na divulgação do conhecimento, das novas ideias, trajetórias e conclusões de pesquisas. Em trabalhos acadêmicos científicos, a normalização técnica visa padronizar o formato do trabalho e a apresentação das fontes e referências utilizadas pelos seus autores. Trata-se, especialmente, de favorecer a identificação da produção intelectual, uma vez que: A normalização, como atividade reguladora, unifica formatos, procedimentos, favorece e facilita o registro, a transferência das informações para os meios impressos e/ou eletrônicos e permite a recuperação mais efetiva de documentos em sistemas de informação, além de garantir uma padronização que facilita o uso e a disseminação de seu conteúdo. (ROTHER, 2007, p. 1). A normalização é um critério exigido para que possamos registrar e incluir trabalhos científicos em bases de dados, em periódicos, ou para a comunicação em eventos científicos. As partes principais do trabalho acadêmico O trabalho acadêmico comporta partes. Observe a seguinte sequência e, em seguida, a explicação de cada parte. • Capa • Página ou folha de rosto • Errata • Página de aprovação • Dedicatória • Agradecimentos • Epígrafe • Resumo • Abstract • Listas • Sumário • Corpo do trabalho • Referências • Glossário • Apêndice(s) • Anexo(s) • Índice(s) • Capa final ou contra capa
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 63 UNIDADE 3 A capacontém quatro elementos principais, todos escritos em letras maiúsculas. No alto da página colocamos o nome da instituição, seguido da unidade de ensino (curso, programa, se for o caso). No meio da página colocamos, centralizados, o título e subtítulo do trabalho. Se o trabalho comportar mais de um volume, devemos fazer constar, em cada capa, a sua especificação. O nome do autor deverá estar entre o da instituição e o título, também centralizado. Bem abaixo, colocamos a cidade da instituição e o ano de entrega do trabalho. A contra capa não comporta nenhum elemento. A página ou folha de rosto apresenta os elementos essenciais à identificação do trabalho. Deve conter, no alto, o nome completo do autor em letras maiúsculas. No meio, e centralizado, coloca-se o título completo do trabalho (com subtítulo se houver), também em letras maiúsculas. Mais abaixo, à direita, devemos esclarecer a natureza do trabalho e seu objetivo acadêmico (se é trabalho de conclusão de curso ou de avaliação de uma disciplina, por exemplo). Se for o caso, deve-se colocar o nome completo do orientador do trabalho ou do professor solicitante. Abaixo, como na capa, devem constar a cidade e o ano. No caso de trabalhos de pós-graduação (mestrado e doutorado), o verso da folha de rosto é destinado à ficha catalográfica, a qual deverá ser elaborada por um bibliotecário, segundo normas próprias. A errata é uma folha que só deve ser utilizada se você detectar pequenas incorreções. Deve trazer o número da página e da linha, com a correção nos seguintes termos: Onde se lê..., leia-se... A página de aprovação somente será utilizada quando o trabalho precisar ser submetido a uma banca examinadora. Deve conter, centralizados, o nome do autor e o título do trabalho em letras maiúsculas, seguidos das mesmas considerações sobre a natureza do trabalho e dos objetivos que constam da folha de rosto. Deve conter, ainda, a cidade e a data da aprovação e, na sequência, os nomes completos, titulação e siglas institucionais dos membros da banca. A dedicatória e os agradecimentos não são obrigatórios, devendo ser utilizados quando o autor pretende homenagear alguém. Normalmente, nos agradecimentos manifestamos brevemente o nosso reconhecimento às instituições e pessoas que colaboraram no trabalho, especialmente o orientador. A epígrafe é parte não obrigatória, que se caracteriza pela apresentação de um pequeno trecho que expresse um pensamento relacionado com o conteúdo do trabalho. O resumo é obrigatório em monografias, dissertações e teses. Tem caráter informativo e é redigido em parágrafo único, com espaçamento simples entre as linhas. Após o parágrafo do resumo se seguem de três a cinco palavras-chave. O abstract é obrigatório apenas em dissertações e teses. É o resumo em inglês, também seguido de key words. A língua inglesa é a mais usual, todavia, é possível fazer o resumo em outra língua estrangeira, de acordo com as orientações da sua instituição. As listas de ilustrações, tabelas e figuras devem seguir a ordem em que estas se apresentam no texto, salvo as siglas e abreviaturas, que devem ser colocadas em ordem alfabética. Recomendamos utilizar uma lista própria para cada tipo de situação.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 64 UNIDADE 3 O sumárioapresenta a esquematização das principais divisões do trabalho, as quais podem ser partes, seções ou capítulos. Tais divisões devem ser apresentadas exatamente na mesma ordem e grafia em que estão no corpo do trabalho, indicando-se a primeira página em que cada uma aparece. O sumário não traz elementos pré-textuais, ou seja, inicia com a introdução do trabalho. O corpo do trabalho traz os elementos textuais na forma dissertativa. Isto supõe que as várias divisões internas (partes, seções ou capítulos) que você vai utilizar devem expressar as estruturas lógicas de uma dissertação: introdução, desenvolvimento e conclusão. Frequentemente, mantém-se a nomenclatura para a introdução, mas no caso do desenvolvimento e da conclusão admitem-se subtítulos relacionados ao conteúdo do seu trabalho. As referências trazem o conjunto de publicações (livros, artigos e outros documentos) efetivamente citados pelo autor no corpo do trabalho, e devem ser elencadas em ordem alfabética. Se o autor utilizou outras publicações apenas para consulta, não deve colocá-las nas referências. Poderá, para isso, fazer seguir um tópico de fontes consultadas, utilizando também o critério alfabético para listar tais publicações. Caso tenha sido utilizadas mais de uma obra de um mesmo autor, substitui-se o nome do autor por um traço e ordenam-se as obras cronologicamente. O glossário nem sempre é necessário. Deve ser utilizado para explicitar termos ou nomenclaturas técnicas ou muito específicas de determinada área de conhecimento. Também é elaborado em ordem alfabética. Apêndice(s) e anexo(s) devem ser usados conforme a natureza do trabalho. Em ambos os casos são documentos complementares, colocados ao final, para não prejudicar a unidade do raciocínio feito no corpo do trabalho. Os apêndices caracterizam-se por serem documentos redigidos pelo próprio autor, enquanto os anexos nem sempre o são. Identificamos os apêndices e anexos com letras maiúsculas, um travessão e o título. Ex: ANEXO A – Relação do patrimônio escolar. O índice é utilizado para listar palavras e/ou frases seguindo um critério. Serve para localizá-las no texto. Aspectos gráficos e apresentação A apresentação do trabalho acadêmico deve ser padronizada. Existem regras gerais quanto ao espaçamento entre linhas, o uso da fonte (tipo de letra), tipo de papel, paginação, numeração das divisões internas, entre outras. A seguir, trazemos algumas dessas regras. Observe: - Tamanho do papel: A4 (21 x 29,7 cm) - Fonte (tipo de letra): Recomendamos usar a fonte Times New Roman ou Arial. O tamanho é 12 para o texto e 10 para as citações longas, notas de rodapé, legendas e tabelas. - Margens: (desenhar ao lado uma folha com as indicações de cada uma das medidas abaixo) • Superior: 3 cm
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 65 UNIDADE 3 • Inferior:2 cm • Direita: 2 cm • Esquerda: 3 cm • Citação longa: 4 cm da margem esquerda • Recuo do parágrafo: 1,5 ou 3 cm - Paginação: As páginas são contadas a partir da folha de rosto, porém só serão numeradas a partir da primeira folha textual. Páginas pré-textuais não são numeradas. A numeração é feita com algarismos arábicos, no canto superior direito de cada página. Apêndices e anexos também são numerados. - Espaçamento entre linhas: • Texto: 1,5 • Citações longas: simples • Referências: simples no interior de cada referência; duplo entre uma e outra. • Resumo/abstract: simples • Notas de rodapé: simples • Legendas de tabelas e/ou ilustrações: simples - Subdivisões e numeração progressiva Cada vez que precisamos iniciar um novo capítulo, devemos fazê-lo em uma nova página, com alinhamento à esquerda. O título do capítulo é sempre destacado, sendo que a(s) forma(s) do destaque (maiúscula, negrito, etc) também deve(m) aparecer no sumário, ou seja, há necessidade da adoção de um padrão. Para as seções do texto (subtítulos, subdivisões), também com alinhamento à esquerda, adota-se a numeração progressiva: 2.1, 2.1.1, 2.1.1.1 e assim por diante. Recomendamos evitar a formação de séries numéricas muito longas. Para subdivisões de assunto podemos utilizar alíneas minúsculas, seguidas de parênteses e com recuo. Por exemplo: ......................; ......................; ....................... SEÇÃO 2 USO DE CITAÇÕES, SISTEMAS DE CHAMADA E NOTAS Ao redigir o trabalho acadêmico, muitas vezes você sentirá a necessidade de enfatizar certos aspectos estudados na literatura pertinente ao seu tema, ou ainda, ilustrar, sustentar, analisar, corroborar ou até mesmo rejeitar pontos de vista de outros autores sobre o mesmo tema. Esses casos evidenciam a necessidade de usar citações e indicar no texto a(s) fonte(s) das informações recebidas.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 66 UNIDADE 3 As citações Citaçõessão trechos, informações ou ideias extraídos de uma fonte acerca de determinado assunto ou tema, servindo também para indicar no texto a(s) fonte(s) que lhe(s) serve(m) de base. Existem três formas de proceder quando se faz citações: direta, citação de citação e indireta. Vejamos cada uma dessas formas. A citação direta é exata; caracteriza-se por ser uma transcrição literal de um trecho de um texto, devendo respeitar rigorosamente todos os seus elementos quanto à redação, ortografia e pontuação. Há duas formas de fazer a citação direta: a curta e a longa. A citação direta curta tem até 3 linhas e deve ser inserida no próprio corpo do texto ou feita em um parágrafo próprio. Deve sempre ser destacada apenas por aspas. Exemplo de citação direta curta no corpo do texto. Veja o trecho destacado por aspas. A motivação, portanto, refere-se à expectativa de que, em situações semelhantes às vividas anteriormente, sigam-se consequências também semelhantes (reforçadoras ou punitivas). “Essa expectativa servirá então como incentivo que motivará o aprendiz a tomar conhecimento da tarefa de aprendizagem e a se deter nela”. (ROSS, 1979, p. 36). Mas, se a consequência for aversiva, provavelmente motivará o aluno a se distanciar dessa tarefa. Por isso, um estímulo que é reforçador para um aluno, pode ser punitivo para outro. Exemplo de citação direta curta em parágrafo próprio. Veja o trecho destacado por aspas. Nas palavras de Piaget (1983, p.226): “a afetividade é caracterizada por suas composições energéticas, com cargas distribuídas sobre um objeto ou outro (cathesis), segundo ligações positivas ou negativas.” A citação direta longa é aquela com mais de 3 linhas. Deve ser destacada com um recuo de texto de 4 cm da margem esquerda, com espaçamento simples entre as linhas, letra tamanho 10 e sem aspas. Note como a citação longa figura no texto que se segue.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 67 UNIDADE 3 Exemplo: No estudoda linguagem escrita ou falada devemos considerar que todo texto é um lugar de interação entre falante e ouvinte, autor e leitor, e que os dois pólos dessa interação estão situados em determinados contextos sociais, históricos, econômicos, políticos, culturais, que participam do sentido que lhe é atribuído. Segundo Orlandi (1987, p.180): O texto não é uma unidade completa, pois sua natureza é intervalar. Sua unidade não se faz nem pela soma de interlocutores nem pela soma de frases. O sentido do texto não está em nenhum dos interlocutores especificamente, está no espaço discursivo dos interlocutores; também não está em um ou outro segmento isolado em que se pode dividir o texto, mas sim na unidade a partir da qual eles se organizam. Daí haver uma característica indefinível no texto que só pode ser apreendida se levarmos em conta sua totalidade. Considerado como totalidade que se relaciona com o contexto, o texto, para ser desvelado requer a análise do discurso, na medida em que esta é capaz de revelar as suas condições de produção. A citação de citação é um caso a ser evitado; somente devemos utilizá-la quando for impossível consultar a fonte original. Como é um caso restrito, não devemos abusar do seu uso. Constatada, porém, a sua necessidade, a fonte original deve ser mencionada seguida do termo latino apud ou sua tradução citado por, finalizando com a fonte efetivamente consultada. Nas referências, ao final do trabalho, menciona-se apenas a fonte consultada. Veja os exemplos: Em citação longa: Imediatamente outras necessidades emergem, e estas, mais do que necessidades fisiológicas, dominam o organismo. E quando estas, por sua vez, são satisfeitas, novamente outras necessidades (ainda mais superiores) emergem, e assim por diante. Isto é o que queremos dizer quando afirmamos que as necessidades básicas do homem estão organizadas numa hierarquia de prepotência relativa. (MASLOW, 1970, p. 38 apud KLAUSMEIER, 1977, p. 261). Em citação curta: Na abordagem piagetiana, a relação entre conhecimento e afetividade é de reciprocidade e indissociabilidade, uma vez que “as
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    UniversidadeAbertadoBrasil 68 UNIDADE 3 funções doconhecimento representam a estrutura e as da afetividade a força ou energia da conduta psicológica.” (PIAGET, 1988, p. 32 apud BRENELLI, 2000, p. 106.). Em citação indireta: Segundo Hart e Brassard (1991, p. 63) apud Marques (2000, p. 207), atitudes dos adultos influenciam as crianças, podendo ensiná-las, inclusive, a temer, odiar e agir destrutivamente em relação aos outros. A citação indireta é uma paráfrase de um trecho ou de um texto completo. Refere-se à reprodução fiel do conteúdo das ideias ou informações de outro(s) autor(es), mas não há uma transcrição literal do trecho ou do texto. Ou seja, reproduzimos as ideias ou informações, porém com palavras próprias. Nesse caso devemos sempre indicar a sua fonte, sem fazer menção à(s) página(s). A indicação da fonte é necessária, caso contrário caracteriza-se um plágio. Veja os exemplos: Estudos como os de Patto (1990) apontam que ... Tal transformação articula os significados que atribuímos aos fatos, fenômenos e objetos, as relações que estabelecemos com os outros homens e nossas ações no mundo. (BLUMMER, 1982). Outra variável situacional associada com as crenças de eficácia dos professores são as séries escolares bem como a época de suas vidas em que lecionam. Bandura (1993) relata resultados de pesquisas segundo as quais as crenças de eficácia de professores de matemática e linguagem variam conforme as séries escolares. Os sistemas de chamada Existem duas formas pelas quais podemos indicar as fontes de citações que fizemos em nosso texto: o sistema autor-data e o sistema numérico. Você deve escolher uma dessas formas e padronizá-la para todo o seu trabalho. O sistema autor-data apresenta certas distinções. Observe-as:
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 69 UNIDADE 3 a) ascitações diretas (curtas ou longas) são indicadas pelo sobrenome do autor seguido de vírgula, do ano de publicação da fonte e da página onde se encontra a citação. Exemplos: Figueira (2001, p.16) ou (FIGUEIRA, 2001, p.16). b) as citações indiretas são indicadas apenas pelo sobrenome e o ano de publicação. Exemplos: Figueira (2001) ou (FIGUEIRA, 2001). c) quando a menção do autor é feita no contexto de um parágrafo ou frase, deve ficar fora dos parênteses e apresentar apenas a inicial maiúscula. Exemplo: Segundo Figueira (2001, p.16), a noção de inconsciente deve ser entendida como... d) quando a menção do autor é feita no final de um parágrafo ou sentença deve ficar dentro dos parênteses e apresentar todas as letras maiúsculas. Ex: (FIGUEIRA, 2001, p.16). e) quando houver coincidência de sobrenomes de autores, acrescentamos as iniciais de seus prenomes seguindo a ordem alfabética dos mesmos. Exemplos: (FIGUEIRA, A., 2001) e (FIGUEIRA, D., 2001). f) quando as iniciais dos prenomes forem coincidentes, apresentam- se os prenomes por extenso. Exemplos: (FIGUEIRA, Anísio, 2001) e (FIGUEIRA, Antônio, 2001). g) quando são utilizadas diferentes fontes do mesmo autor, porém publicadas no mesmo ano, para fazer a distinção utilizam-se, após o ano, letras minúsculas em ordem alfabética. Exemplos: FIGUEIRA (2001a) e FIGUEIRA (2001b). h) quando a fonte tem dois autores há duas situações: se está inserida na sentença utiliza-se a ligação “e”; se está finalizando o parágrafo coloca-se ponto e vírgula entre os sobrenomes, dentro dos parênteses. Exemplos:
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    UniversidadeAbertadoBrasil 70 UNIDADE 3 Inserida nasentença: O conceito de interação social, conforme enfatizam Saldanha e Gomes (2003), pode ser entendido como... ; Finalizando parágrafo ou sentença: (SALDANHA; GOMES, 2003). i) quando a fonte tem três autores, no contexto da sentença, ao primeiro sobrenome segue-se ponto e vírgula, sendo os dois últimos ligados por “e”. Finalizando o parágrafo ou sentença usamos apenas ponto e vírgula entre os sobrenomes. Exemplos: Inserida na sentença: A mesma visão é apresentada por Mendonça; Marques e Fonseca (2004) como conclusão de uma pesquisa realizada em São Paulo com meninos de rua. Finalizando parágrafo ou sentença: (MENDONÇA; MARQUES; FONSECA, 2004). j) quando a fonte tem mais de três autores, estes são mencionados pelo sobrenome do primeiro, seguido da expressão latina et al, que significa “e outros”, finalizando com o ano. Exemplos: Inserida na sentença: Rosso et al (2003) dizem que... ; Finalizando parágrafo ou sentença: (ROSSO et al, 2003). l) quando há várias fontes de um mesmo autor, cada qual publicada em ano diferente, menciona-se o sobrenome seguido dos anos separados com ponto e vírgula. Devemos também observar a ordem cronológica dos anos de publicação. Exemplos: Inserida na sentença: Esta conclusão é corroborada nos estudos de Fernandes (1999; 2000; 2004); Finalizando parágrafo ou sentença: (FERNANDES, 1999; 2000; 2004). m) quando há várias fontes de autores diferentes, mencionadas no texto por partilharem a mesma ideia, conclusão ou informação: Inserida na sentença: Amaral (1999); Paula (2001) e Ferreira (2004) concordam que esta literatura é indicada para ... Finalizando parágrafo ou sentença: (AMARAL, 1999; PAULA, 2001 e FERREIRA, 2004).
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 71 UNIDADE 3 n) quandodesejamos suprimir, acrescentar ou fazer destaques em citações diretas, devemos: - Usar colchetes com reticências dentro em caso de supressão. Exemplo: Os sentimentos de justiça, honestidade e reciprocidade constituem um sistema racional de valores pessoais. [...] Na primeira infância (período pré-operatório), a vida afetiva parece ser intuitiva, impulsiva, cujas regulações energéticas não são estáveis nem organizadas num sistema coerente e reversível. (BRENELLI, 2000, p. 115). - Usar colchetes com o comentário dentro, em caso de acréscimo. Exemplo: Na adolescência [conforme a Teoria de Jean Piaget], paralelamente à elaboração das operações formais, a vida afetiva do sujeito afirma-se através da conquista de sua personalidade e integração na vida social dos adultos. (BRENELLI, 2000, p. 115). - Usar uma das formas de destaque disponíveis (negrito, itálico ou sublinhado), acrescentando-se, após a fonte, vírgula e a expressão grifo nosso. No caso da parte destacada já constar da fonte original da citação, acrescentar, após esta, vírgula e a expressão grifo do autor. Exemplos: Independentemente de as conseqüências de suas tarefas serem positivas ou negativas as pessoas motivadas para a realização apresentam duas tendências ou disposições opostas de personalidade, denominadas expectativa de sucesso e medo do fracasso. (LIMA, 2000, p.154, grifo da autora). A grande diferença entre indivíduos com expectativas de sucesso e medo do fracasso está nos fatores emocionais que permeiam seus comportamentos, como é o caso da tolerância à frustração, da agressividade ou da alegria, para citarmos apenas alguns exemplos. (LIMA, 2000, p.154, grifo nosso). o) quando a citação curta que desejamos fazer já contém aspas, estas deverão ser substituídas por aspas simples. Exemplo: “Há que se prevenir o uso/abuso das drogas ilegais e ‘legais’.” (BORUCHOVITCH, 2000, p. 203, grifo da autora).
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    UniversidadeAbertadoBrasil 72 UNIDADE 3 No sistemanumérico, as fontes das citações recebem uma numeraçãoúnicaeconsecutiva,colocadasemalgarismosarábicos, em expoente, um pouco acima do texto, ou entre parênteses. Exemplos: O tratamento desdenhoso corresponde a “um tipo de castigo ou correção verbal que é uma combinação de rejeição e degradação hostil, incluindo aspectos como a imposição de culpa”. (1) O tratamento desdenhoso corresponde a “um tipo de castigo ou correção verbal que é uma combinação de rejeição e degradação hostil, incluindo aspectos como a imposição de culpa”. 1 Essa numeração deve corresponder à das referências ao final do trabalho ou ao final do capítulo, conforme o caso. O uso de notas de rodapé No sistema numérico, podemos utilizar notas de rodapé com finalidade de referência das fontes (notas de referências). Essa opção não dispensa a lista de referências ao final do trabalho ou capítulo. Na primeira vez que uma fonte aparece no texto, ela recebe um número e no rodapé correspondente haverá necessidade de colocar a sua referência completa. Se em uma mesma página há citações subsequentes de uma mesma fonte, estas podem ser referenciadas, de forma abreviada, utilizando-se expressões latinas. Exemplo do uso do sistema numérico em nota de rodapé: ________________ (1) MARQUES, Maria Aparecida Barbosa. Abuso psicológico de crianças e adolescentes. In: SISTO, Fermino; OLIVEIRA, Gislene de Campos; FINI, Lucila Diehl Tolaine. (Orgs.). Leituras de psicologia para formação de professores. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 205-232. (2) Id. Ibid, p. 208. O uso das expressões latinas nas notas de rodapé As expressões latinas devem ser utilizadas apenas no rodapé. O único caso que constitui exceção é o apud (citado por), que pode ser usado no corpo do texto. Veja, a seguir, o significado das expressões latinas e o seu uso. • Id (Idem) – refere-se ao mesmo autor; EXPRESSÕES LATINAS: Recomenda-se o uso das expressões latinas apenas no sistema de chamada numérico, em nota de rodapé.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 73 UNIDADE 3 • Ibid.(Ibidem) – refere-se à mesma fonte, porém, a citação encontra-se em página diferente; • Loc. Cit. – refere-se ao lugar citado, indicando que a citação foi retirada da mesma página de uma fonte anteriormente citada e que não houve intercalação de outras referências ou notas explicativas. • Op. Cit. – refere-se à fonte ou obra citada, indicando que a citação foi retirada de uma outra página de fonte anteriormente citada e que houve intercalação de outras referências ou notas explicativas. • Passim – significa “aqui e ali” – refere-se à impossibilidade de mencionar todas as páginas de onde foram retiradas as ideias do autor ou autores. • Sequentia ou et seq. – significa seguinte ou que se segue, para indicar a partir de qual página o assunto ou ideia está presente. • Sic - significa assim mesmo ou estava assim no original. A utilização de notas de rodapé também pode ter uma finalidade explicativa –notas explicativas. Essas notas são usadas para esclarecer ou complementar o texto, consistindo em exposições, comentários e/ou indicações de referenciais que são levados ao rodapé para não prejudicar a lógica textual. As notas explicativas no sistema autor/data são numeradas em algarismos arábicos e sua numeração, iniciada no primeiro capítulo, é reiniciada a cada novo capítulo do trabalho. No sistema numérico, utiliza-se o asterisco para remeter a explicação ao rodapé, a fim de não provocar confusão com os números já existentes, do próprio sistema de chamada das fontes.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 74 UNIDADE 3 Chamamos de“referências” o conjunto de elementos que permitem identificar as fontes utilizadas para a elaboração do trabalho. Esse conjunto consiste, pois, numa listagem, em ordem alfabética, geralmente situada na parte final do trabalho, cuja finalidade é identificar individualmente os diversos tipos de fontes ou publicações mencionados no corpo do trabalho, tais como livros, artigos de periódicos, CDs, DVDs, páginas da Internet, etc. Para elaborar uma referência, devemos distinguir entre elementos essenciais e elementos complementares. Os primeiros são indispensáveis em todas as referências: autor(es); título; edição; local de publicação (cidade); editora; ano de publicação ou de produção. Os segundos configuram uma melhor caracterização da fonte utilizada, incluindo elementos como a indicação de responsabilidade (organização, tradução, revisão), descrição física do documento (número de páginas, ilustrações, tamanho), indicação de série ou de coleção, notas especiais, número de registro do ISSN ou ISBN. (SEVERINO, 2002). Como as referências são ordenadas alfabeticamente, no caso de haver várias obras de um mesmo autor, após referenciá-lo pela primeira vez, nas referências sucessivas devemos substituir o sobrenome do autor por um traço equivalente a seis toques, seguido de ponto. ( ______.) O formato para a apresentação da listagem de referências requer o alinhamento à margem esquerda, espaçamento simples entre as linhas dentro de cada referência e espaçamento duplo entre uma e outra, a fim de que possamos identificar individualmente cada documento. A(s) autoria(s) em referências Veja, no Quadro 1, as formas de entrada para autorias e alguns exemplos. SEÇÃO 3 A ELABORAÇÃO DAS REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS:A norma da ABNT que trata especificamente das referências é a NBR 6023/2002. É importante relembrar aqui que as referências se referem ao conjunto de fontes efetivamente utilizadas pelo autor no corpo do trabalho. Outras publicações utilizadas pelo autor, porém não mencionadas no corpo do trabalho, podem compor o que chamamos “Fontes Consultadas”.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 75 UNIDADE 3 Quadro 1– Formas de entrada e exemplos de referências ENTRADA EXEMPLOS Um autor LAROCCA, Priscila. LAROCCA, P. Dois autores (na ordem como aparecem na publicação) LAROCCA, Priscila; SALLES ROSA, Desirée. LAROCCA, P.; SALLES ROSA, D. Três autores (na ordem como aparecem na publicação, separados por ponto e vírgula) LAROCCA, Priscila; ROSSO, Ademir José; SOUZA, Audrey Pietrobelli de. LAROCCA, P.; ROSSO, A. J.; SOUZA, A. P. de. Mais de três autores (o primeiro, seguido de et al. CARVALHO, José Sérgio et al. CARVALHO, J. S. et al. Coordenador, Organizador, etc. CODO, Wanderley. (Coord.). CODO, W. (Coord.). AZZI, Roberta Gurgel; SADALLA, Ana Maria Falcão de Aragão. (Orgs.). AZZI, R. G.; SADALLA, A. M. F. de A. (Orgs.). Entidade UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Faculdade de Educação. Programa de Pós- Graduação em Educação. PARANÁ. Secretaria da Educação. BRASIL. Ministério da Educação. CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO (PR). As fontes referenciais consideradas no seu todo Você já observou as formas de entrada para autoria que são recomendadas. Para outros casos, mais específicos, você deve consultar um manual de normas da ABNT. Todavia, para se fazer uma referência completa, é preciso observar outros elementos, tais como o título, se a obra é traduzida ou não, a edição da fonte consultada, e os chamados “elementos de imprenta” que correspondem ao local (cidade) de publicação, ao nome da editora e ao ano de publicação. O título é referenciado tal como aparece na obra e é destacado com um dos recursos: negrito, itálico ou sublinhado, e tal como a pontuação, deve seguir uma padronização para todas as referências. O subtítulo não é destacado. No caso de haver tradução, esta segue o título. Referenciamos a edição logo em seguida, colocando o seu número seguido de ponto e a expressão ed seguida de ponto. Não indicamos a primeira edição e no caso desta ser revista e atualizada utilizamos suas abreviaturas (rev.;
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    UniversidadeAbertadoBrasil 76 UNIDADE 3 atual.; ).Exemplos: 6.ed; 3. ed. rev. atual. Os elementos de imprenta são seguidos de sinais de pontuação: dois pontos após a cidade e vírgula entre a editora e o ano. A menção à cidade (local) deve ser referenciada conforme aparece na obra. Para dirimir dúvidas, em casos de cidades homônimas devemos acrescentar a sigla do estado e/ou o nome do país. Se o local não aparece na publicação, mas podemos identificá-lo de outros modos, devemos indicá- lo entre colchetes. Se for impossível identificar o local da publicação, devemos colocar entre colchetes a abreviatura de Sine loco, que significa “sem local”. Exemplo: [S.l.]. Quantoàeditora,devemosreferenciá-laapenaspelonome,omitindo a palavra Editora e outras denominações de caráter jurídico, como S/A, Ltda, etc. Todavia, utilizaremos a abrevitura Ed. no caso de a editora ter uma denominação que possa ser confundida com o local. Por exemplo: Ed. Curitiba. Duas ou mais editoras são referenciadas separadas por ponto e vírgula. Quando não identificamos a editora, colocamos entre colchetes a abreviatura de Sine nomine, que significa “sem nome”. Exemplo: [S.n.]. No caso de o local e a editora não serem identificados na fonte, usamos as abreviaturas correspondentes dentro dos mesmos colchetes. Exemplo: [S.l.; s.n.]. Após referenciar a editora, coloca-se o ano de publicação. Para casos em que não se identifica o ano de publicação, devemos consultar um manual de normas que especifique cada situação. Na referência de uma obra completa, não é obrigatória a indicação do número de páginas. Mas se esta for feita, devemos padronizá-la para todas as referências. No caso de capítulos ou partes de uma obra, a indicação das páginas inicial e final é obrigatória e estas devem ser separadas por um hífen. A seguir, você terá uma série de casos e exemplos. Verifique. 1. Livro no todo: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Nota de tradução.* Edição.** Local: Editora, ano de publicação. nº de pág. (opcional). (Série) (opcional). Exemplo: ZABALZA, Miguel. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 77 UNIDADE 3 2. Capítulode livro: a) Autoria diferente da autoria do livro no todo SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título. In: SOBRENOME, Prenome (autor da obra no todo). Título. Local: Editora, ano. Pág. inicial e final. Exemplo: LAROCCA, Priscila. Problematizando os contínuos desafios da Psicologia na formação docente. In: AZZI, Roberta Gurgel; SADALLA, Ana Maria Falcão de Aragão. (Orgs.). Psicologia e formação docente: desafios e conversas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. p. 31- 45. b) Autoria igual à autoria da obra no todo SOBRENOME, Prenome. Título (do capítulo) In: ______. Título (do livro no todo) Local: Editora, ano. Cap. nº (se houver), página inicial e final. Exemplo: LEITE, Sérgio Antônio da Silva. Notas sobre o processo de alfabetização escolar. In: ______. (Org.). Alfabetização e letramento: Contribuições para as práticas pedagógicas. Campinas: Komedi; Arte Escrita, 2001. p. 21- 45. 3. Periódico científico (revista) a) No todo TÍTULO DA PUBLICAÇÃO. Local: editor, ano do primeiro volume e do último, se a publicação terminou. Periodicidade (opcional). Notas especiais (títulos anteriores, ISSN etc.) (opcional). Exemplo: EDUCAÇÃO E PESQUISA. São Paulo: FEUSP/Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1975 – Quadrimestal. 1517- 9702. b) Artigo de periódico SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do periódico, local, volume, fascículo, página inicial e final, mês e ano. Exemplo: SADALLA, Ana Maria Falcão de Aragão; LAROCCA, P. Autoscopia: um procedimento de pesquisa e de formação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 3, p. 419 – 433, set./dez., 2004. 4. Dissertações e teses SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Local: Instituição, ano. nº de pág. ou vol. Indicação de Dissertação ou Tese, nome do curso ou programa da faculdade e universidade, local e ano da defesa.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 78 UNIDADE 3 Exemplo: LAROCCA, Priscila.Conhecimento psicológico e séries iniciais: diretrizes para a formação de professores. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1996. 263 p. Dissertação. Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1996. 5. Evento (congresso, conferência, reunião, encontro, etc.) a) no todo NOME DO EVENTO, nº do evento, ano, local. Título. Local: Editor, ano de publicação. nº de pág. se tiver anais impresso (opcional). Exemplo: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, VII, 2007, Curitiba. Saberes docentes. Curitiba: PUC/PR, 2007. CD-ROM. b) Trabalho apresentado em evento SOBRENOME, Prenome (autor do trabalho). Título: subtítulo. In: NOME DO CONGRESSO, nº. ano, local de realização. Título (da obra no todo). Local de publicação: Editora, ano. Páginas inicial e final do trabalho. (se tiver anais impresso). Ou SOBRENOME, Prenome (autor do trabalho). Título: subtítulo. Ano. Trabalho apresentado ao nº do evento (se houver), nome, cidade e ano. Exemplos: NEVES, Isabel Cristina; VALENTINI, Maria Terezinha Pacco; LAROCCA, Priscila. Avaliação da aprendizagem: concepções e práticas de formadores de professores. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, VII, 2007, Curitiba. Saberes docentes. Curitiba: PUC/PR, 2007. CD-ROM. Ou NEVES, Isabel Cristina; VALENTINI, Maria Terezinha Pacco; LAROCCA, Priscila. Avaliação da aprendizagem: concepções e práticas de formadores de professores. 2007. Trabalho apresentado ao VII CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, Curitiba, 2007. 6. Dicionários e enciclopédias SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. (se houver) Local: Editora, data. Nº de páginas ou vol. (opcional). Exemplos: FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1838 p. ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1995. 20 v.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 79 UNIDADE 3 7. Legislação JURISDIÇÃO.Lei nº ....., data completa. Ementa. Nome da publicação, local, volume, fascículo e data da publicação. Nome do caderno, página inicial e final. Exemplo: BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, v. 134, n. 248, 23 dez. 1996. Seção 1, p. 27834-27841. 8. Documento eletrônico SOBRENOME, Prenome. Título. Edição. Local: ano. Nº de pág. ou vol. (Série) (se houver) Disponível em: http://... Acesso em: dia mês (abreviado) ano. Exemplo: ROTHER, Edna T. O papel da normalização nas publicações científicas. Revista brasileira de oftalmologia. Rio de Janeiro: 2007. Vol. 66 n. 4. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 72802007000400001script=sci_arttext Acesso em: 15 abr. 2009. Nesta unidade, você estudou a normalização técnica para a elaboração de trabalhos acadêmicos. Compreendeu que a normalização visa padronizar o formato e a apresentação do trabalho como um todo e das citações e referências, uma vez que, ao padronizarmos registros e informações, favorecemos a identificação individual da produção, bem como facilitamos a comunicação dentro de sistemas. Você também estudou as principais partes do trabalho acadêmico e os aspectos gráficos para a sua apresentação. Aprendeu, ainda, que as citações são trechos, informações ou ideias extraídas de uma fonte acerca de determinado assunto ou tema, que servem também para indicar no texto as fontes que os sustentam. Três são as formas de fazer citações: as citações diretas, as citações de citações e as citações indiretas. As citações diretas podem ser curtas, se tiverem até três linhas, ou longas, se mais do que isso. As citações de citações devem ser evitadas e são referenciadas no texto mediante o uso do apud. As citações indiretas são paráfrases, em que se mantém a ideia do autor, porém se redige de maneira própria. Há dois sistemas de chamada para indicar as fontes das citações que usamos: o sistema autor-data e o sistema numérico, cada qual comportando uma série de normalizações específicas. As notas de rodapé podem ser utilizadas com finalidade de referência, no caso da adoção do sistema numérico, ou com finalidade explicativa. A elaboração das referências também comporta normalização, tanto no que diz respeito aos dados essenciais, quanto no que diz respeito aos dados complementares.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 80 UNIDADE 3 1. Associecorretamente: A – Sumário B – Corpo do trabalho C – Referências D – Glossário E – Resumo ( ) Utilizamos quando é necessário explicitar termos ou nomenclaturas técnicas ou muito específicas de determinada área de conhecimento. ( ) Corresponde aos elementos textuais e tem forma dissertativa. Pode comportar subdivisões ou capítulos. ( ) Deve ser redigido em parágrafo único, com espaçamento simples entre as linhas, e tem caráter informativo sobre o conteúdo da obra. É acompanhado de três a cinco palavras-chave. ( ) Referem-se ao elenco alfabético de fontes efetivamente mencionadas pelo autor do corpo do trabalho. ( ) Apresenta a esquematização das principais divisões do trabalho e indica a primeira página em que cada uma aparece. 2. Complete a tabela com o que se pede, no que se refere aos aspectos gráficos e à apresentação de trabalhos acadêmicos. Aspectos gráficos e apresentação 2.1. Margem de citação longa 2.2. Margens superior e esquerda 2.3. Margens inferior e direita 2.4. Tamanho da letra no texto 2.5. Espaço entre linhas no texto 2.6. Espaço entre linhas em citações longas 2.7. Tamanho da letra em citação longa 2.8. Espaço entre linhas no resumo 2.9. Espaço entre linhas em notas de rodapé 2.10. Espaço entre linhas entre uma referência e outra
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 81 UNIDADE 3 3. Escolha,num livro, uma citação curta e uma longa e referencie suas fontes dentro de um texto, de conformidade com a normalização técnica que você estudou. Escreva-as aqui: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 4. Analise as indicações que se seguem: No texto: Segundo Masini, o mais importante no método fenomenológico “é a atitude de abertura do ser humano para compreender o que se mostra (abertura no sentido de estar livre para perceber o que se mostra e não preso a conceitos ou predefinições).” (1) Na lista de referências: 1. MASINI, Elci F. S. Enfoque fenomenológico de pesquisa em educação. In: FAZENDA, Ivani. (Org.) Metodologia da pesquisa educacional. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1991. Cap. 5. p. 59- 67. Agora, indique qual é o tipo de sistema de chamada que foi utilizado: a) sistema autor-data b) sistema numérico sem o uso de notas e com a referência no final do trabalho c) sistema numérico com o uso de notas e expressões latinas d) nenhuma das alternativas 5. Referencie, no espaço em branco, um livro à sua escolha:
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    ROTEIRO DE ESTUDOS ■■SEÇÃO 1: Os espaços de divulgação e publicação do trabalho científico. ■■ SEÇÃO 2: Artigos científicos, ensaios e papers ■■ SEÇÃO 3: A comunicação científica Divulgação e publicação científica ■■ compreender a divulgação do trabalho científico como um instrumento de sua correção e avanço, bem como de sua socialização; ■■ compreender a importância das publicações científicas para o avanço da ciência; ■■ reconhecer as principais formas de publicação científica e suas características. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM UNIDADEIV
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    PARA INÍCIO DECONVERSA Em seus estudos, nas unidades anteriores, você aprendeu a diferenciar o conhecimento de senso comum do conhecimento científico. Compreendeu que na produção do conhecimento científico não há lugar para o espontaneísmo e para a informalidade, pois todo trabalho científico é produzido com base em uma metodologia científica formal, reconhecida e avalizada pela comunidade científica. Assim, no campo da ciência, é comum e importante o fato de que o produto da atividade científica, aqui denominado “trabalho científico”, torne-se objeto de discussões entre os estudiosos da área (pesquisadores/ professores/ estudantes), tendo em vista o aprimoramento do processo e do produto relativos àquele trabalho, bem como o progresso científico geral. Daí a relevância da temática “Divulgação e publicação científica”, nesta unidade, pois trazemos até você subsídios para orientá-lo e auxiliá- lo na divulgação de seus trabalhos em eventos científicos (congressos, simpósios, encontros, jornadas, entre outros), e na sua publicação em revistas científicas. Sendo assim, esta unidade é dedicada aos espaços de divulgação e publicação do trabalho científico e à elaboração de artigos científicos, ensaios, papers e comunicações científicas. Que você tenha um ótimo aproveitamento! Vamos lá! SEÇÃO 1 OS ESPAÇOS DE DIVULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO Quando tratamos de trabalhos científicos, precisamos ter em mente a necessidade de divulgá-los em eventos e revistas científicas, pois será a partir da sua comunicação aos pares da comunidade científica que a discussão sobre eles se estabelecerá. A comunicação permite “compartilhar conhecimentos, opiniões, sentimentos e, talvez, convencer os outros a pensarem como a gente”. (HARLOW COMPTON, 1980, p. 11 apud MARCONI e LAKATOS, 2001, p.79). UniversidadeAbertadoBrasil 84 UNIDADE 4
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    Comumente, é apartir do aprimoramento possibilitado pelas discussões com os pares, que o autor do trabalho passa ao momento de publicá-lo em revistas especializadas, registrando a sua produção e proporcionando a utilização dos conhecimentos produzidos pela comunidade científica. Campana (2000, p.1) diz sobre isso: Em ciência, o produto da atividaderelacionadaadeterminada investigaçãoéusualmentediscutido inúmeras vezes pelos seus autores, antes de ser considerado pronto para apresentação à comunidade científica. Posteriormente, em reuniões e congressos, é freqüente que aspectos do trabalho aos quais foi dada menor atenção sejam realçados ou que sejam evidenciados problemas nucleares importantes de delineamento ou de interpretação de resultados, que exigem novo tratamento. Essas correções de rumo contribuem muitas vezes para que o trabalho venha a assumir suas características finais, quando os autores passam a sentir-se mais seguros a respeito daquilo que pretendiam dizer. É este o momento adequado para a redação do trabalho para publicação, forma mais importante de comunicação entre membros da comunidade científica. A divulgação e a publicação do trabalho científico são, pois, momentos de socialização do conhecimento científico, cuja função é a de comunicar e trazer reflexões sobre os resultados de estudos e abordagens de pesquisa, bem como de sua trajetória metodológica. O crescimento dos eventos de iniciação científica nas mais importantes universidades e instituições de ensino superior de nosso país tem mostrado que, já para os cursos de graduação, o desenvolvimento do espírito científico é significativo, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto do ponto de vista da produção da ciência. Hoje, ninguém concebe mais ensino e pesquisa dissociados. Componente indispensável deste espírito científico é a inserção do estudante universitário em eventos, muitos dos quais acontecem em outros contextos institucionais, possibilitando-lhe vivências culturais e científicas diferenciadas daquelas a que está acostumado em seu próprio meio acadêmico. Tal inserção não deve acontecer somente para que o estudante seja um participante ouvinte, mas também para que se torne um produtor e apresentador de trabalhos científicos, habituando-se a divulgar seus trabalhos nesses eventos, bem como nas revistas científicas de sua área de formação. MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 85 UNIDADE 4
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    UniversidadeAbertadoBrasil 86 UNIDADE 4 Seminário Comoevento, é uma reunião restrita, semelhante a um grupo de estudos, em que há a discussão de um tema a partir da contribuição dos participantes. Não confundir o evento “seminário” com a atividade didático-pedagógica de mesmo nome utilizada no processo ensino-aprendizagem. Sessões de comunicação Em geral, são utilizadas em encontros de grande porte. As sessões de comunicações coordenadas se destinam à apresentação de resultados de pesquisa, de estudos e relatos de experiências, em torno de uma temática predeterminada. Se os temas são variados trata-se de sessão de comunicação oral. A exposição, em todos os casos, é bem sucinta. Mesa- redonda Trata-se da apresentação de pontos de vista diferentes sobre uma mesma questão, a partir da exposição de um dos participantes da mesa. Os demais participantes da mesa, tendo tomado conhecimento prévio do texto do expositor, apresentam comentários críticos sobre ele. Após os comentários dos debatedores (geralmente dois), a palavra retorna ao expositor inicial, e ainda pode ser aberta aos assistentes para o levantamento de questões. Painel É a apresentação de diferentes trabalhos sobre um mesmo tema. A exposição é livre, pois não há referência de um ao trabalho do outro. O painel pode abranger três ou mais exposições, havendo um tempo limitado para cada uma. Apresentação de pôsteres Apresentação de trabalhos via cartazes com fotos, figuras, quadros e textos concisos. Os pôsteres são expostos ao público no evento e o autor ou autores do trabalho devem estar disponíveis para proceder a esclarecimentos solicitados pelos participantes. As comissões organizadoras dos eventos informam antecipadamente o formato dos trabalhos e dos resumos que devem acompanhá-los. Oficinas e workshops Restritos em termos do número de expositores e de participantes, são reuniões que se destinam à apresentação de trabalhos, experiências, pesquisas, tendo um caráter de realização participada, isto é, englobam vivências de experiências, projetos ou programas. As revistas ou periódicos científicos Apesar de termos, no Brasil, um grande número de universidades e instituições de ensino superior, a maioria das revistas científicas encontra grande dificuldade para sobreviver e manter sua periodicidade regular. Entre as causas dessas dificuldades está a falta de hábito dos
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 87 UNIDADE 4 Os eventoscientíficos Os estudantes nem sempre reconhecem o significado específico de cada tipo de evento científico. Para ajudá-los, adotamos a classificação de Severino (2002), que identifica as características peculiares que originaram a designação dos eventos. Com base nesse autor, elaboramos o quadro com os diferentes tipos de eventos, para que você possa identificá-los. Observe bem. Quadro 2 - Tipologia de eventos científicos Congresso Reunião ou encontro de especialistas para acompanhar, disseminar e debater a evolução do conhecimento em certas áreas. Caracteriza-se por ser promovido por uma ou mais entidades de classe e/ou associações científicas de especialistas em diversas áreas. Conferência Como evento, aproxima-se da ideia de congresso, porém com maior amplitude. Caracteriza-se como um encontro periódico de todas as entidades de determinada área. Às vezes o termo é também utilizado de modo mais restrito, para tratar de uma exposição feita por alguém de destaque na área. É uma situação mais solene, feita por um único expositor e não supõe debates após a exposição. Palestra Exposição feita de modo menos solene que a conferência, em um evento de menor porte. Pronunciada por um único expositor, podendo ser acompanhada de debate posterior. Encontro Trata-se de um evento que se destina ao debate aberto de temas anteriormente determinados, sob a forma de sessões. É menor que o congresso e mais amplo que uma reunião. Reunião Na maioria das vezes, é tomado como encontro ou congresso, todavia, deveria ser um evento bem mais restrito. Jornada Encontro que acontece num certo período de tempo, geralmente alguns dias. Simpósio Evento que versa sobre um único tema predeterminado, o qual será debatido por especialistas convidados pelas entidades promotoras, vindos de diferentes instituições. A perspectiva do debate é a de troca de informações, de ideias e de conclusões. Há um coordenador que preside o debate.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 88 UNIDADE 4 universitários (tantodocentes, como discentes) de assinar periódicos científicos e entendê-los como instrumentos de trabalho fundamentais para a vida intelectual e, por conseguinte, para a formação em certa área de conhecimento. Severino (2002) constata com perplexidade que a maior parte das revistas científicas brasileiras tem uma tiragem muito pequena e é grande o número delas que apresentam publicação interrompida. Segundo o autor, essa questão é de mentalidade e não de ordem econômica, pois as revistas possuem um baixo custo. Para uma mudança de mentalidade, importante, então, é compreender o papel das revistas científicas em relação ao conhecimento, considerando que estas se destinam fundamentalmente à comunicação dos resultados dos trabalhos científicos, fazendo-os circular pela comunidade acadêmica. Em virtude de terem uma circulação mais veloz que os livros, as revistas científicas trazem o conhecimento de “ponta”, ou seja, trazem o que é mais atual, mais recente nos meios acadêmicos, possibilitando o trabalho com esse conhecimento. Vejamos o que diz Severino (2002, p.198) sobre o papel das revistas científicas: Cabe lembrar que o papel das revistas científicas é fundamental na comunicação dos resultados dos trabalhos de pesquisa à comunidade científica e à própria sociedade como um todo. Elas promovem normas de qualidade na condução da ciência e na sua comunicação. Consolidam critérios para a avaliação da qualidade da ciência e da produtividade dos indivíduos e instituições. Consolidam áreas e subáreas de conhecimento. Garantem a memória da ciência. Representam o mais importante meio de disseminação do conhecimento em escala. São instrumentos de grande importância na constituição e institucionalização de novas disciplinas e disposições específicas. Sendo assim, é importante que você pergunte aos seus professores a respeito das revistas indicadas para a sua área de formação, tanto para usá-las como instrumento de aprendizagem, quanto para divulgar seus trabalhos. Em se tratando da divulgação de trabalhos, você deve observar que cada revista possui normas técnicas próprias em relação ao texto, referências e formato do trabalho. Quem pretende submeter um trabalho
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 89 UNIDADE 4 à aprovaçãode uma revista, visando sua publicação, necessariamente terá que levar em conta as normas próprias dessa revista. Outro aspecto interessante a destacar é que hoje em dia muitas revistas estão se tornando virtuais, e não apenas impressas. Artigos, ensaios e papers são considerados trabalhos científicos de pequena extensão que resultam de estudos e/ou pesquisas do seu autor. A palavra paper, que significa na língua inglesa “papel ou documento”, é utilizada por alguns professores em referência a uma variedade de formatos de trabalhos acadêmicos: relatórios, dissertações, ensaios, comunicações, razão pela qual não recomendamos o seu uso, em virtude da grande possibilidade que se tem de que cada aluno compreenda de maneira diferente o que é para fazer. Os artigos e ensaios são formas bastante comuns em publicações científicas, geralmente representam cerca de 70% das produções publicadas. Em razão disso, devemos conceder uma maior atenção à compreensão de seus objetivos e da estrutura de cada um desses tipos de publicação. SEÇÃO 2 ARTIGOS CIENTÍFICOS, ENSAIOS E PAPERS Os ensaios teóricos Os ensaios teóricos consistem em trabalhos expositivos, lógicos e reflexivos, que apresentam a defesa de uma posição ou julgamento pessoal por meio de uma argumentação rigorosa, fundamentada em alto nível de interpretação. (SEVERINO, 2002). Para Medeiros (1997, p.181), o ensaio “é uma exposição metódica dos estudos realizados e das conclusões originais a que se chegou após apurado exame de um assunto.” A característica essencial dos ensaios é a liberdade que o autor tem em defender seus pontos de vista, dispensando o apoio de dados empíricos e de referenciais bibliográficos. O texto do ensaio é problematizador. Nele se destacam a criticidade e a originalidade de seu autor, razão pela qual a redação de um ensaio teórico exige um repertório cultural bastante significativo e uma grande maturidade de quem vai escrevê-lo. ARTIGOS, ENSAIOS E PAPERS: Não há uma regra quanto à extensão desses trabalhos. Leva-se em conta o espaço para publicação de que as revistas científicas dispõem. Algumas estabelecem o número de páginas máximo e mínimo.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 90 UNIDADE 4 Os artigoscientíficos Em geral, os artigos científicos são textos relativamente pequenos, porém completos, que apresentam resultados de estudos e pesquisas. São publicados em revistas ou periódicos especializados e nestes, normalmente, a seção dos artigos é a principal. A redação de um artigo científico pode ser provocada por diferentes motivações. Marconi e Lakatos (2001, p. 88) trazem cinco exemplos de situações que podem motivar a redação do artigo científico. Vejamos: a) certos aspectos de um assunto não foram estudados ou o foram superficialmente; ou ainda, se já tratados amplamente por outros, novos estudos e pesquisas permitem encontrar uma solução diferente; b) uma questão antiga, conhecida, pode ser exposta de maneira nova; c) os resultados de uma pesquisa ainda não se constituem em material suficiente para a elaboração de um livro; d) ao se realizar um trabalho, surgem questões secundárias que não serão aproveitadas na obra; e) o surgimento de um erro ou de assuntos controvertidos permite refutar, convenientemente, o erro ou resolver de modo satisfatório a controvérsia. Como vemos, em face dessas possibilidades de motivação para escrever um artigo, seu conteúdo pode ser bastante variado. Um artigo pode derivar de um estudo pessoal ou pode tratar de enfoques controversos de uma mesma questão, trazendo uma nova abordagem para o tema ou problema. Independentemente dos objetos de estudo e do tratamento conferido ao seu conteúdo, o artigo se caracteriza pela atualidade, ou seja, pelo fato de levar ao seu público ideias novas e discussões recentemente estabelecidas em determinada área de conhecimento e/ou atuação profissional. Quanto à redação do artigo científico, tal como em outros tipos de trabalho científico, a linguagem deve ser clara, objetiva, correta, precisa, simples e resumida o suficiente para não prejudicar a compreensão do texto pelo leitor. Sendo assim, devemos evitar o uso de adjetivos supérfluos e repetições desnecessárias. Para redigir o artigo, é necessário elaborar um plano que leve em conta tanto sua estrutura formal (que a seguir explicamos), quanto os conteúdos que serão desenvolvidos em cada parte de sua estrutura. Outro aspecto da redação do artigo é concernente ao título. Assim,
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 91 UNIDADE 4 especial atençãodeve ser dada à escolha do título do artigo, o qual deve retratar com fidelidade o seu conteúdo. Muitas vezes, um autor escolhe certo título pelo seu impacto ou beleza estética, mas acaba por causar uma impressão errônea em quem o vai ler, porque o título não corresponde ao que de fato está desenvolvido em seu conteúdo. Assim, recomendamos os critérios da simplicidade e da correspondência para a escolha do título quando você for escrever um artigo científico. A estrutura do artigo científico O artigo científico é basicamente composto dos seguintes elementos ou partes fundamentais: 1ª. PARTE: CABEÇALHO Título e subtítulo do trabalho Autor(es) Credenciais do(s) autor(es) (vínculos institucionais/ atividades/ local) 2ª. PARTE: SINOPSE A sinopse é um resumo que traz uma apresentação do trabalho tratado no texto do artigo. Muitas revistas chamam essa parte simplesmente de resumo e estabelecem o número de palavras, linhas ou caracteres permitido nessa parte do artigo. O resumo é feito primeiramente em língua portuguesa e em seguida em uma língua estrangeira. Na língua inglesa, corresponde ao “abstract”. Segundo Marconi e Lakatos (2001, p.82), a sinopse deve: • facilitar a consulta do periódico que a publicou e tornar o trabalho do mesmo menos oneroso e mais rápido; • conter, de forma sucinta, os fatos encontrados no trabalho e suas conclusões, sem emitir juízo de valor; • dar ao leitor uma visão global do conteúdo; • indicar a maneira como o tema foi abordado; • apontar os fatos novos e as conclusões tiradas; • ser o mais concisa possível. Para alcançar o máximo de concisão na escrita da sinopse ou resumo do seu artigo científico, recomendamos que você faça um texto inicial e submeta-o a várias revisões da sua forma, eliminando
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    UniversidadeAbertadoBrasil 92 UNIDADE 4 repetições, substituindotermos e expressões, para tornar a sua linguagem mais objetiva. É importante, também, que você leve em conta as orientações que lhe demos para a elaboração de resumos. 3ª. PARTE: CORPO DO ARTIGO O corpo do artigo é um texto com as mesmas características da dissertação, isto é, contém introdução, desenvolvimento e conclusão. Observemos cada uma dessas partes: a) Introdução: é uma unidade textual em que você apresenta o assunto ou a pesquisa realizada. Apresente, nessa parte, os objetivos do seu artigo. Apresente também a metodologia utilizada na realização da pesquisa. Mostre a relevância do seu estudo e encaminhe a sua proposição ou abordagem. Não há uma ordem fixa para estes componentes da introdução, mas é importante que todos eles estejam presentes no texto. b) Desenvolvimento: consiste na exposição, explicação e demonstração do material de estudo, com avaliação e discussão dos resultados, com base em teoria ou em dados de outras pesquisas. O desenvolvimento pode comportar subunidades, cada qual com um subtítulo correspondente. No entanto, não devemos exagerar no número de subtópicos no desenvolvimento a fim de não fragmentar excessivamente o texto. c) Conclusão: é a unidade textual final, em que apresentamos uma rápida revisão ou retomada dos achados e destacamos as conclusões lógicas e mais relevantes do estudo. 4ª. PARTE: REFERENCIAIS Na parte dos referenciais, trazemos o elenco de obras/autores que efetivamente são mencionados no interior do texto do artigo (referências). Devemos também apresentar os anexos e apêndices, quando isso se fizer necessário, e finalizar com a data em que o artigo foi escrito. Tipos de artigos científicos Três tipos de artigos científicos são os mais reconhecidos: o artigo
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 93 UNIDADE 4 analítico, oartigo classificatório e o artigo argumentativo. O artigo analítico, como o próprio nome diz, pressupõe a análise, que é a forma constitutiva privilegiada, já que o autor, após a definição do assunto, procura mostrar as relações existentes entre as partes. No entender de Marconi e Lakatos (2001, p.87), o tipo analítico engloba “descrição, classificação e definição do assunto, tendo em vista a estrutura, a forma, o objetivo e a finalidade do tema. Entra em detalhes e apresenta exemplos.” As autoras afirmam que dificilmente encontramos um artigo totalmente analítico, pois em geral estes apresentam formas mistas. O artigo classificatório tem em vista classificar os aspectos existentes dentro de determinado assunto ou tema. Segundo Medeiros (1997), no tipo classificatório, primeiramente há uma ordenação dos componentes ou elementos do assunto em pauta e, após isso, faz-se uma explicação detalhada sobre os mesmos. Para o autor, a estrutura dos artigos classificatórios é simples: “definem o assunto, explicação da divisão, tabulação dos tipos e definição de cada espécie.” (p.179). No artigo argumentativo, a tônica é colocada sobre os argumentos acerca de uma questão. Medeiros (1997) explica que enfocamos primeiramente o argumento para, em seguida, trazermos os fatos que o comprovam ou o refutam. Na medida em que há o encadeamento dos argumentos, devemos tomar uma posição acerca do que se está discutindo. Esse tipo é o que mais exige pesquisa e profundidade de conhecimento. Em geral, é feito por especialistas. Como trabalho acadêmico, é necessário lembrar a importância de o estudante ser levado a redigir artigos e ensaios, para que vá se apropriando paulatinamente de suas características e aprendendo a adequar seus trabalhos aos moldes e convenções do mundo científico. A denominação “Comunicação científica” é dada tanto ao texto publicado nos anais de um evento, como ao próprio ato de o(s) autor(es) verbalizar(em) o conteúdo desse texto perante uma platéia, geralmente de estudantes e especialistas, que se encontra reunida em função do evento. SEÇÃO 3 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA ANÁLISE: Lembre-se de que a análise é um processo de decomposição do objeto em estudo em suas partes constitutivas. Na análise,tomamos o todo, dividimos, discriminamos e isolamos cada parte que o compõe, de modo a torná- lo mais simples
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    UniversidadeAbertadoBrasil 94 UNIDADE 4 Marconie Lakatos (2001, p. 79) definem a comunicação científica como: “a informação apresentada em congressos, simpósios, semanas, reuniões, academias, sociedades científicas, etc., onde se expõem os resultados de uma pesquisa original, inédita, criativa, a ser publicada posteriormente em anais ou revistas.” A característica essencial da comunicação científica é proceder ao comunicado de informações científicas novas, ou a resultados parciais ou totais de pesquisas recentes, sem que haja necessidade de detalhar os meandros da trajetória metodológica e/ou proceder a muitas discussões. “Um texto pertence a essa categoria quando traz informações científicas novas, mas não permite, devido à sua redação, que os leitores possam verificar informações: as notas simplesmente informam.” (SALVADOR, 1980, p. 23 apud MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 79). Daí porque as autoras concluem que “a comunicação não necessita de abundância de aspectos analíticos; basta que a experiência, as ideias ou a teoria sejam bem fundamentadas.” (MARCONI e LAKATOS, 2001, p.79). Em face desses aspectos, as comunicações científicas não permitem ao leitor reproduzir a pesquisa e/ou experiência realizada ainda que a atualidade do tema ou problema tratado seja dos mais importantes na comunicação científica. Além de apresentarem resultados de pesquisas, segundo Salvador (1980, p. 23 apud Marconi e Lakatos, 2001), poderão também ser objeto de comunicação científica, trabalhos como: • Estudos breves; • Sugestões para soluções de problemas; • Textos de filósofos em torno de uma dada questão; • Apreciação, interpretação ou correção de textos ou obras; • Fixação de um determinado enfoque; • Resenha de um livro; • Crônicas inéditas de congressos. Independentemente do tipo, toda comunicação científica supõe dois estágios distintos ou duas fases, que devem ser consideradas e devidamente pensadas e preparadas: primeiramente, o estágio da escrita do texto; posteriormente, o estágio da sua comunicação verbal. Esses dois estágios, na verdade, se referem ao mesmo conteúdo a ser ANAIS: (annaes) nome que dá à publicação periódica de ciências, letras ou artes, geralmente em função de um evento também periódico.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 95 UNIDADE 4 comunicado, noentanto diferem no tempo, formato, e funções. Vejamos. A comunicação científica no estágio do texto escrito: O estágio do texto escrito antecede a realização do evento. Seu formato é semelhante ao do artigo científico, mas sua extensão e demais características são definidas pelo próprio evento em que o trabalho será apresentado. Há basicamente duas funções para o estágio escrito do texto: uma é a função de seleção ou avaliação e a outra é a função de publicação. Vejamos essa questão da função do texto escrito com maiores detalhes. As pessoas que pretendem enviar uma comunicação científica a um evento deverão, primeiramente, escrever seu texto de conformidade com as normas para apresentação ou submissão de trabalhos do próprio evento. Tais normas visam padronizar os textos a serem publicados e se referem à extensão do texto, ao tipo de letra, paragrafação, componentes mínimos do texto, entre outros aspectos, e devem ser seguidas à risca, pois sua desconsideração geralmente implica na não aprovação do texto para o evento. O(s) autor(es) deve(m) ter em conta, também, que os textos das comunicaçõescientíficasserãoavaliados,tantonoquesitoforma,quanto no quesito conteúdo. Frequentemente, os avaliadores são especialistas nas distintas áreas de conhecimento que o evento abarca. Esses avaliadores, a partir da leitura que fazem dos textos das comunicações, elaboram um parecer para cada comunicação, recomendando ou não a sua aceitação para aquele evento científico. Dessa forma, os textos cujos conteúdos são inadequados, ou não têm relevância científica, ou, ainda, não estão de acordo com as normas divulgadas pelo evento tendem a ser descartados pelos pareceristas. A extensão do texto escrito é definida pelo evento: em alguns casos, esses textos são apenas resumos ou sinopses; em outros, são textos de extensão maior, cujo número de páginas ou de caracteres também será definido pelas normas de submissão de trabalhos. Em ambos os casos será muito útil que você faça um planejamento. O roteiro que apresentamos a seguir refere-se à estrutura de uma comunicação científica e é aplicável OS AVALIADORES: Em geral, os avaliadores integram o chamado “Comitê Científico” do evento e lhes cabe a elaboração dos pareceres científicos sobre as comunicações enviadas, através dos quais os trabalhos são selecionados.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 96 UNIDADE 4 tanto paratextos na forma de resumo como para textos mais longos. Observe: A estrutura da comunicação científica (texto escrito) 1ª. Parte: Folha de rosto, contendo: - nome, local e data do evento; - patrocinador e/ou financiador do trabalho; - título do trabalho; - nome do(s) autor(es); - credenciais do(s) autor(es). 2ª. Parte: Sinopse ou resumo - Faz-se em língua portuguesa e em uma língua estrangeira de difusão internacional. - Tem os mesmos elementos do resumo ou sinopse feito para um artigo científico. 3ª. Parte: Conteúdo - Texto com introdução, desenvolvimento e conclusão. Tem as mesmas características que o texto do artigo científico, todavia, em geral, é um texto com um número mais limitado de páginas. 4ª. Parte: Referências - Elenco de obras que efetivamente são utilizados no interior do texto. Algumas recomendações adicionais sobre o texto escrito da comunicação científica são importantes: - Quanto à linguagem utilizada Não é demais lembrar que as formas de linguagem culta e técnica são as indicadas para o texto de qualquer trabalho científico. Assim, você deve aplicar rigor à revisão da linguagem em seu texto. Além disso, os critérios de objetividade, clareza e concisão que cabem ao artigo científico, também cabem ao texto escrito da comunicação científica. No que se refere à linguagem, Marconi e Lakatos (2001)
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 97 UNIDADE 4 recomendam tomaro máximo cuidado com a ambiguidade das palavras, de modo a fazer com que o significado de cada palavra do texto não deixe margem para dúvidas. Como algumas palavras ou expressões podem gerar divergências, em face de sua utilização no interior de determinados referenciais teóricos ou áreas científicas, as autoras aconselham que se faça a definição de termos, para esclarecer ao leitor o exato significado em que a palavra ou expressão está sendo utilizada. Nesse sentido, “procura-se, na ciência, fazer a comunicação na base dos significados e dos referentes e não apenas da própria palavra.” (RÚDIO, 1978, p. 23 apud MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 81). A comunicação científica no estágio de apresentação verbal O estágio de apresentação verbal da comunicação científica acontece durante a realização do evento, com data e horário marcados e divulgados pela comissão organizadora. Sua função é proceder à comunicação do trabalho científico inscrito no evento, após sua aprovação pelo comitê científico. O formato da comunicação verbal depende da plateia de participantes do evento. Diante de uma grande plateia, a formalidade será maior e o formato da apresentação se aproximará do de uma conferência ou de uma mesa redonda. No caso das seções de comunicação e painéis, em geral, as plateias são menores, restringindo-se aos participantes que se interessaram por assistir à comunicação de determinado tema, assim, o grau de formalidade tenderá a ser menor. Independentemente da modalidade de comunicação verbal, é importante atentar para o fato de que há um limite temporal que não deve ser ultrapassado na apresentação verbal da comunicação científica. Seções de comunicação, painéis e mesas redondas são compartilhadas com outros estudiosos, sendo que um depende do cumprimento adequado do tempo pelo outro para poder fazer a sua apresentação. Em comunicações verbais, recomenda-se utilizar alguma forma de recurso visual que terá uma função didática na efetivação da comunicação. Todavia, a utilização de recursos visuais, para ter efeito de comunicação, deve ser feita com sabedoria. O texto a ser projetado PALAVRAS OU EXPRESSÕES PODEM GERAR DIVERGÊNCIA:: Muitas palavras são polissêmicas, ou seja, possuem múltiplos sentidos.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 98 UNIDADE 4 em teladeve ser didático, ou seja, ater-se única e exclusivamente aos tópicos significativos do trabalho, evitando-se levar para a tela trechos e frases longas, ou ainda, que o apresentador utilize a projeção na tela para fazer a leitura do texto. Isso geralmente torna a apresentação monótona para os participantes, influindo sobre sua disposição para permanecer ouvindo. É importante lembrar, também, o cuidado que se deve ter com o tamanho das letras e com o uso das cores nos materiais visuais. De nada adiantará levar um recurso visual escrito com letras tão pequenas que ninguém da plateia o consiga ler. Mas, se o trabalho contiver figuras, gráficos e/ou tabelas, por exemplo, estes podem e devem ser levados à tela, atendo-se o apresentador a sua exposição e explicação. Embora recomendável, a utilização de recursos visuais não é obrigatória. Muitas vezes, se o apresentador fizer uma leitura bem feita, devidamente pausada, e com ênfase nas palavras-chave do seu texto, permitirá aos ouvintes compreender e acompanhar devidamente a sua exposição. Na comunicação científica, o aspecto do conhecimento do apresentador, a pesquisa realizada, sua experiência na área e seus referenciais devem ser mais valorizados pelos participantes que o aparato da comunicação propriamente dita. O apresentador deve dominar o conhecimento em pauta e estar devidamente preparado para o momento da arguição que se segue à apresentação. A arguição é feita pelos participantes. Consiste no momento das perguntas ao apresentador sobre o seu trabalho. Em situações em que há um menor número de participantes, como nas seções de comunicação e painéis, as perguntas são feitas diretamente pelo interessado ao apresentador, que em seguida as responde. Em outras situações,
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 99 UNIDADE 4 em quea platéia é maior, a arguição pode ser mediada por pessoas da organização do evento, previamente nomeadas. O apresentador deve anotar as perguntas e passar a respondê- las em seguida. Nos casos de mesas em que há um coordenador ou presidente, este poderá estabelecer com antecedência um secretário e um orador. O secretário ordenará o recebimento das questões, fazendo uma filtragem, organizando e condensando seus conteúdos para o orador fazer as perguntas. Dessa maneira, evitamos que perguntas com o mesmo teor sejam feitas, e agrupamos os temas de interesse para proceder às perguntas com maior objetividade e clareza. LEITURA COMPLEMENTAR O texto que indicamos abaixo é um bom exemplo que retrata a estrutura do artigo científico conforme estudamos. Trata-se do artigo CICLOS DE APRENDIZAGEM E REPROVAÇÃO ESCOLAR: reflexões sobre representações sociais de professores, das autoras Rita de Cássia Petrenas e Rita de Cássia Pereira Lima. Acesse: http://www.uepg.br/ praxiseducativa/ . Procure Volume 2, n. 2, (jul. dez. 2007) e depois procure pelo nome do artigo. Veja, também, dois exemplos de sinopses (ou resumos) de artigos Para você ter uma ideia das normas de publicação de uma revista acesse http://www.uepg.br/ praxiseducativa/ e veja como a Revista Práxis Educativa orienta seus colaboradores. Há vários casos de revistas científicas virtuais que você pode acessar sem sair de casa. - Revista Episteme da UFGRS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. http://www.ilea.ufrgs.br/episteme/portal/index.php?option=com_contenttask=viewid=50Item id=35 - Revista TE@D - Revista Digital de Tecnologia Educacional e Educação a Distância. PUCSP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. http://www.pucsp.br/tead/n1a/v1-index.htm - Revista ETD - Educação Temática Digital – Faculdade de Educação da UNICAMP http://www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd/login
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    UniversidadeAbertadoBrasil 100 UNIDADE 4 A FORMAÇÃOINICIAL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA: aprendizagem da Geometria e atuação docente Eliane Portalone Crescenti Resumo ou Sinopse Este artigo tem como objetivo discutir a formação dos professores de Matemática para ensinar Geometria. A investigação, da qual deriva este artigo, teve origem a partir da experiência profissional da autora com o ensino de Matemática e a literatura sobre Geometria e seu ensino. Tem por objetivo investigar como o ensino de Geometria se desenvolvia nas escolas de Ensino Fundamental e os saberes para ensiná-la, segundo a visão de professores de Matemática iniciantes e experientes, utilizando a entrevista e o estudo de caso. Com relação à formação desses professores, os experientes aprenderam melhor Geometria e formas diferentes de ensiná-la do que os iniciantes; todos atribuíram sua formação tanto ao curso de Licenciatura quanto ao âmbito da prática, indicando que o desenvolvimento profissional tem ocorrido com o tempo, com a experiência de sala de aula e com outros recursos como cursos e trocas com os pares. Palavras-chave: Formação de professores. Saberes docentes. Professor de Matemática. Ensino de Geometria. Publicado em: Práxis Educativa, Ponta Grossa, PR, v. 3, n. 1, p. 81 - 94, jan.-jun. 2008. BERNSTEIN E A CLASSE MÉDIA* Sally Power e Geoff Whitty Resumo ou Sinopse Este artigo explora as contribuições de Basil Bernstein para a discussão sobre educação e classe social e, de forma particular, a relevância de seu trabalho para a compreensão da classe média britânica. Bernstein é um dos poucos sociólogos da educação a reconhecer e explorar as diferenças e tensões no interior da classe média. Partimos da discussão, em linhas gerais, de algumas das influências da teorização de Bernstein sobre classe social e, em seguida, sublinhamos suas principais idéias acerca da relação entre classe média e educação. Investigamos, então, a relevância do seu trabalho para a pesquisa sobre educação e diferenciação no interior da classe média, partindo dos dados obtidos no nosso projeto “Destinados para o Sucesso”. Esse projeto traçou as biografias educacionais de 300 jovens, homens e mulheres, desde o início da sua promissora carreira educacional na escola secundária até os 25 anos de idade. Sustentamos que as distintas disposições e orientações da “nova” e da “velha” classe média propostas por Bernstein são evidentes nas preferências paternas
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 101 UNIDADE 4 por tiposde escolas, processos de engajamento dos alunos e, por fim, nas identidades diferenciadas da classe média. Palavras-chave: Basil Bernstein. Classe média. Biografias educacionais. Publicado em: Práxis Educativa, Ponta Grossa, v.3, n.2, p.119-128, jul.- dez. 2008. LEITURAS COMPLEMENTARES: TRÊS EXEMPLOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA Exemplo (1) de comunicação científica apresentada no V Encontro de Pesquisa da UEPG – 18 e 19 de maio de 2005. (Forma: resumo ou sinopse) CONDIÇÕES DO TRABALHO DOCENTE E BURNOUT Forma de apresentação: Comunicação oral Área (CNPq): 70709050 - Planejamento ambiental e comportamento humano Palavras-chave: profissão docente, Síndrome de Burnout, trabalho docente Autor (instituição) - tipo PACHECO, Daniely Dias (UEPG). Apresentador LAROCCA, Priscila (UEPG). Orientador Esta pesquisa teve por objetivo analisar possíveis relações entre as condições do trabalho docente na universidade e o desenvolvimento da Síndrome de Burnout. A Síndrome de Burnout é uma reação ao estresse crônico em profissionais cujas atividades exigem alto grau de contato com pessoas. O portador sente-se exausto física e/ ou emocionalmente, perde o sentimento de realização no trabalho e, no extremo, experimenta a despersonalização (TWANICKI e SCHUWAB, 1981). A uma população de cinquenta e três professores, de seis áreas de conhecimento, de uma instituição universitária pública, foram distribuídos questionários com questões fechadas e abertas, através dos quais, após tratamento estatístico das respostas, foi possível constatar a presença de significativa insatisfação no trabalho, sobretudo no que se refere às questões de infra-estrutura
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    UniversidadeAbertadoBrasil 102 UNIDADE 4 do trabalhodocente na universidade, sobrecarga de atividades e baixos salários. Diante dos resultados encontrados, cabe alertar para a necessidade de concretizar ações que invistam efetivamente no principal recurso humano do trabalho na universidade: o professor, ampliando e aprofundando a discussão do tema, como medida importante à prevenção do Burnout. Exemplo (2) de comunicação científica apresentada no V Encontro de Pesquisa da UEPG – 18 e 19 de maio de 2005. (Forma: resumo ou sinopse) TRAJETÓRIAS DE VIDA, CONSTITUIÇÃO PROFISSIONAL E AUTONOMIA DE PROFESSORES Forma de apresentação: Comunicação oral Área (CNPq): 70800006 - Educação Palavras-chave: autonomia docente, constituição profissional, trajetórias de vida Autor (instituição) - tipo JUNGES, Kelen dos Santos (UEPG/FACE). Apresentador LAROCCA, Priscila(UEPG). Orientador Este trabalho tem como objetivos principais contribuir para identificar, descrever e analisar o processo de constituição e autonomia profissional docente de quatro professores da educação básica. Parte-se da análise das funções da escola na sociedade, compreendendo que as concepções de formação de professores assumiram estas mesmas funções no decorrer da história da educação brasileira. A abordagem histórico-cultural, fundamentada em Vigotski, ajuda a explicar o processo de constituição e autonomia profissional docente, numa perspectiva dinâmica e contínua de internalização do social para o individual. Adota-se a história oral de vida como recurso metodológico para se cumprir os objetivos propostos, utilizando-se de um roteiro semi-estruturado, para entrevistar quatro professores da educação básica dos municípios de Porto União/SC e de União da Vitória/PR, selecionados a partir de critérios previamente estabelecidos. As histórias orais de vida dos Sujeitos são analisadas a partir de três grandes eixos: percurso pessoal, formativo e profissional, dos quais emergiram elementos da constituição e autonomia profissional docente. Como resultado
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 103 UNIDADE 4 final, considerou-seque o processo de constituição profissional do professor e de sua autonomia é um conjunto de suas experiências pessoais, formativas e profissionais e se dá durante toda a sua trajetória de vida, a partir das relações sociais que estabelece e da maneira como as internaliza. É um processo histórico-cultural. Exemplo (3) de comunicação científica apresentada no V Encontro de Pesquisa da UEPG – 26 e 27 de maio de 2004. (Forma: resumo ou sinopse) DIÁRIO DE BORDO : UMA ESTRATÉGIA REFLEXIVA NA FORMAÇÃO DE PEDAGOGOS Área (CNPq): 70804001 - Ensino-aprendizagem. Forma de apresentação: Comunicação oral. Palavras-chave: ensino-aprendizagem, metodologia do ensino superior, psicologia da educação Autor (instituição) - tipo LAROCCA, Priscila (UEPG). Apresentador CARRER, Daniele (UEPG). Iniciação científica MENDES, Alceu Maurício (UEPG). Iniciação científica OLIVEIRA, Vivian de (UEPG). Iniciação científica Tendo em vista contribuir para a formação crítico-reflexiva de futuros profissionais da educação, empreendeu-se, em 2002, em duas turmas do Curso de Pedagogia, uma pesquisa-ação que formulou a proposta de utilizar o Diário de Bordo como instrumento de registro do processo ensino-aprendizagem na disciplina Psicologia da Educação II. A expressão Diário de Bordo alude aos escritos dos antigos navegadores sobre acontecimentos importantes de suas viagens: condições climáticas, intempéries, comportamentos da tripulação, descobertas de novas terras e modos de vida. Para a coleta e análise dos dados formou-se um grupo de acadêmicos entre os participantes. Estes atuaram no estudo do tema reflexão e buscaram agrupar episódios significativos de escrita, por comparações que procuravam apreender significados dos registros dos acadêmicos sobre o ensino-aprendizagem na disciplina, apanhando o grau de aproximação com a atividade reflexiva. As estratégias categorizadas foram: Exercícios metacognitivos; Relação entre o
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    UniversidadeAbertadoBrasil 104 UNIDADE 4 novo conhecimentoe o conhecimento prévio; Posicionamentos sobre dificuldades de redigir no Diário de Bordo; Confrontos com outros autores e áreas de conhecimento; Proposições para a Ação; Descrições de atividades desenvolvidas; Reprodução de Conteúdos. Compreender tais categorias é vital para que o professor elabore formas de intervenção, propiciando o feedback necessário para que o aluno alcance reflexão e autonomia. Uma abordagem de ensino tradicional dificilmente permitiria ao professor acessar os processos internos experienciados pelos seus alunos, sendo preciso prestar atenção aos elementos afetivos que afloram nas escritas, no sentido de fortalecer a relação professor-aluno, que se torna mais compreensiva das dinâmicas pessoais e favorece a cooperação. No confronto com a organização disciplinar e burocrática do trabalho no ensino superior, sugerem-se mudanças estruturais na universidade, que favoreçam inovações metodológicas.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 105 UNIDADE 4 Nesta unidade,você aprendeu que, em se tratando do campo científico, a divulgação do conhecimento produzido, através de diferentes formas de divulgação e publicação científicas, é extremamente importante para a correção, o avanço e a socialização desse conhecimento. Espaços de divulgação e publicação, como revistas e eventos científicos, constituíram a temática de nossa primeira seção. Esses espaços precisam ser valorizados desde cedo na formação do estudante do ensino superior, uma vez que a sua inserção nesse contexto lhe possibilita uma diversidade de vivências culturais e científicas. É comum que os estudantes não entendam bem qual é o significado específico de cada tipo de evento científico. Daí a importância da tipologia de Severino (2002), que categoriza os espaços de divulgação dos trabalhos científicos em congresso, conferência, palestra, encontro, reunião, jornada, simpósio, seminário, sessões de comunicação, mesa-redonda, painel, apresentação de pôsteres, oficinas e workshops. Você também estudou sobre a importância das revistas ou periódicos para a circulação e comunicação do conhecimento científico recente, compreendendo-as como instrumentos promotores de qualidade das produções e de memória da ciência. Viu, ainda, que cada revista científica possui normas técnicas próprias em relação ao texto, formato e referências do trabalho, de modo que, ao pretender publicar um trabalho científico, você deverá buscá-las. Na seção 2, tratamos dos artigos científicos, dos ensaios e papers. Os artigos e ensaios são formas textuais bastante frequentes na divulgação científica. O paper, em geral, faz referência a uma variedade ampla de formatos, motivo pelo qual não recomendamos o uso desse termo, para evitar confusão entre os estudantes. Os ensaios são trabalhos expositivos, lógicos e reflexivos, de caráter teórico, e que presumem a defesa de um ou mais pontos de vista pelo seu autor. Os ensaios caracterizam-se pelo aprofundamento das interpretações, com dispensa de dados empíricos. Já os artigos são textos que apresentam resultados de estudos e pesquisas. A redação de um artigo presume uma estrutura formada de quatro componentes: o cabeçalho; a sinopse ou resumo; o corpo do artigo, com introdução, desenvolvimento e conclusão; e, finalmente, as referências. Embora a maioria dos artigos apresente forma mista, podemos identificar três tipos: analítico, classificatório e argumentativo. Na seção 3, tratamos da comunicação científica, a qual se refere ao trabalho científico apresentado em congressos, simpósios ou outras modalidades de eventos, nos quais expomos resultados de pesquisa original, a ser publicada posteriormente nos anais do evento. Por essa razão, a expressão “comunicação científica” se refere tanto ao texto que será publicado nos anais de um evento, quanto ao próprio ato de apresentar, diante de um público, esse trabalho. Desse modo, devemos observar as orientações para cada um de seus estágios: o estágio da produção do texto escrito e o estágio de sua comunicação verbal.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 106 UNIDADE 4 1. Façaum pequeno texto, tratando da importância dos eventos e das revistas científicas para o avanço da ciência. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2. Qual é a caracterização essencial de um ensaio teórico? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 3. Escreva, nos quadros, os componentes da estrutura de um artigo científico. 1. 3. 2. 4. 4. Escreva quais são os dois estágios de uma comunicação científica. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________
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    ROTEIRO DE ESTUDOS ■■SEÇÃO 1: A técnica do seminário Seminários ■■ Reconhecer o seminário como estratégia formativa; ■■ Identificar o papel dos componentes do seminário; ■■ Utilizar o roteiro do seminário em situações práticas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM UNIDADEV
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    UniversidadeAbertadoBrasil 110 UNIDADE 5 PARA INÍCIODE CONVERSA Nesta unidade, trazemos até você a técnica do seminário, considerando que a modalidade “seminário” é um método de estudo e, ao mesmo tempo, uma atividade didática específica dos cursos superiores (Severino, 2002). Você estudará aqui que o principal objetivo do seminário é levar os participantes a uma reflexão aprofundada acerca de um determinado tema ou problema, sendo o seu funcionamento caracterizado pelo trabalho conjunto ou em equipe. O seminário tem um grande valor formativo, pois, além de incentivar a pesquisa e o aprofundamento dos estudantes em determinado tema, também desenvolve a autonomia, proporcionando-lhes vivências de responsabilidade intelectual, pessoal e coletiva. Assim, você estudará sobre a composição e o funcionamento do seminário, a escolha dos temas e terá um roteiro para lhe servir de fundamento sempre que necessário. Boa leitura e bom aproveitamento. SEÇÃO 1 A TÉCNICA DO SEMINÁRIO Chamamos de “seminário” a técnica de estudo que compreende pesquisa bibliográfica e/ou de campo, seguida de discussões em grupo e debate sobre um dado tema. Comumente empregados na graduação e pós-graduação, os seminários cumprem objetivos de desenvolver nos acadêmicos a capacidade e o hábito de pesquisa, o raciocínio e a reflexão sistemática, bem como a comunicação e a argumentação. Assim, o seminário é uma estratégia formativa de grande valor educativo. Segundo Medeiros (1997, p. 26): A finalidade do seminário é motivar para a pesquisa, é ensinar a aprender sem dependência do professor, monitor e outros
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 111 UNIDADE 5 que tais.Outra finalidade sua é desenvolver a capacidade de pesquisa, de análise textual, de análise dos fatos. Exige habilidade dos participantes para o diálogo, o debate, a reflexão. É técnica básica para a elaboração de trabalhos científicos (monografias), ensaios. Nos seminários, a partir da orientação de um organizador (que geralmente é o professor da classe), há a busca de informações, pelos alunos, em torno de determinado tema ou problema, por meio de pesquisa bibliográfica e/ou pesquisa de campo (como, por exemplo, com especialistas sobre o tema em questão). Após a busca, e de posse das informações coletadas, os participantes do grupo se reúnem e passam a fazer discussões, confrontando pontos de vista e formulando conclusões a respeito da temática em pauta. A última etapa é a apresentação do seminário, entendida como um plenário na classe, com data e horário marcados, na qual o grupo fará um resumo, avaliará o seu trabalho, e colocará em debate determinados aspectos da temática. Nesse momento final, após a exposição do grupo, todos os alunos da classe participam, pois o seminário não visa apenas informar, mas também levar os acadêmicos à reflexão e ao debate produtivo. Veja, a seguir, as recomendações de Medeiros (1997, p. 29) para que o seminário tenha êxito. Observe bem. Após a pesquisa, o coordenador reúne o grupo, sempre seguindo o cronograma estabelecido desde o primeiro momento, para debate e organização do material recolhido. Então, é hora de o relator (...) preparar-se para a apresentação do seminário. A classe, ou grupo, não deve ser participante espectadora; deverá propor perguntas, refutar informações se for o caso, buscar esclarecimentos. A composição do grupo para o seminário Para compor cada grupo de seminário, recomenda-se o número de 05 (cinco) participantes. Deve-se evitar a composição de grupos muito grandes. A realização de um seminário implica a participação dos componentes, cada qual com tarefas específicas a cumprir. Vejamos as funções de cada componente:
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    UniversidadeAbertadoBrasil 112 UNIDADE 5 a) Oorganizador (denominado em alguns casos de diretor ou coordenador): Essa função é do professor da classe, pois cabe a ele fazer a proposição dos temas, indicar a bibliografia a ser estudada pelo grupo e estabelecer, junto com a classe, uma agenda de trabalho. É o professor que abrirá e presidirá a sessão final (ou plenário) de cada grupo, com toda a classe, procedendo a uma apreciação crítica do seminário e complementando os aspectos que se fizerem necessários. b) O coordenador do grupo Cada grupo tem um coordenador responsável pelo cumprimento das tarefas e datas acertadas para os estudos. Cabe ao coordenador manter a coesão do grupo e garantir que os estudos sejam feitos. É o coordenador quem presidirá as sessões ou encontros do grupo para a preparação do seminário. c) O relator do grupo: O relator é escolhido a partir do consenso do próprio grupo, podendo haver, ou não, indicação do professor. Caberá ao relator a função de expor os resultados obtidos nos estudos do grupo. Em alguns casos, mediante consenso, poderá haver mais de um relator. d) O secretário do grupo O secretário é o membro do grupo que tem a função de fazer os registros, especialmente aqueles que se referem às conclusões parciais e finais, durante os estudos e durante o plenário. e) O comentador Essa função será indicada pelo professor. O comentador será um aluno da classe que não pertence ao grupo temático do seminário, mas que também fará estudos do tema, individualmente e com antecedência, para que no dia do plenário faça as críticas e observações à exposição do(s) relator(es). A participação do comentador deve ser feita antes da abertura do debate ou discussão para todos os participantes da classe. Poderá ser desejável que haja
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 113 UNIDADE 5 mais deum comentador na classe. Isso ficará na dependência da extensão do estudo do tema em questão. f) Participantes A função de participante é atribuição de todos os alunos da classe. Após a exposição e feitos os comentários, os participantes deverão fazer perguntas, pedir esclarecimentos, colocar objeções, reforçar argumentos ou contribuir com algum exemplo ou complementação ao tema. A escolha de temas ou conteúdos do seminário A técnica do seminário é aplicável a diferentes áreas de conhecimento. Para garantir a motivação dos participantes é sempre importante que cada grupo fique responsável por temas ou conteúdos que sejam do seu interesse. Assim, recomenda-se que o organizador dos seminários, em uma reunião prévia, ofereça várias sugestões temáticas e permita que os grupos se componham a partir das mesmas, mediante o interesse de estudo. Para a realização de seminários os temas poderão provir: - do próprio programa da disciplina, para possibilitar um maior aprofundamento ou para complementá-lo; - de assuntos da disciplina recentemente abordados em revistas científicas; - de assuntos atuais, que retratem ideias novas e/ou polêmicas. Roteiro do seminário Marconi e Lakatos (2001) propõem um roteiro para o seminário. Veja a proposta das autoras. 1. O diretor ou o coordenador propõe um determinado tema de estudo, faz a indicação da bibliografia mínima, escolhe o comentador e estabelece um cronograma de atividades. 2. Cada grupo escolhe, por sua vez, o relator e o secretário. 3. Formado o grupo, inicia-se o trabalho de pesquisa, de procura de
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    UniversidadeAbertadoBrasil 114 UNIDADE 5 informações atravésde bibliografias, documentos, entrevistas com experts, observações, etc. 4. Depois, o grupo se reúne para discutir o material coletado, confrontar pontos de vista, formular conclusões e organizar o material, sempre assessorado pelo diretor. Etapas: - determinação do tema central que, como um ‘fio condutor’, estabelece a ordenação do material; - divisão do tema central em tópicos; - análise do material coletado, procurando subsídios para os diferentes tópicos, sem perder de vista os objetivos derivados do tema central; - síntese das ideias dos diferentes autores analisados, resumo das contribuições, visando à exposição, que deve apresentar: • introdução – breve exposição do tema central (proposição), dos objetivos e da bibliografia utilizada; • desenvolvimento dos tópicos numa sequência organizada - explicação, discussão, demonstração; • conclusão – síntese de toda a reflexão, com as contribuições do grupo para o tema. 5. Concluídos os estudos, a classe se reúne, sob a orientação do coordenador. 6. O relator, em plenário, apresenta os resultados dos estudos, obedecendo a uma sequência lógica e ordenada. 7. O comentador, após a exposição, intervém com objeções ou subsídios. 8. A classe, a seguir, participa das discussões e debates, solicitando esclarecimentos, refutando afirmações ou reforçando argumentos. 9. Ao final, o diretor do seminário faz uma síntese do trabalho apresentado. Se o achar incompleto, pode recomendar outros estudos.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 115 UNIDADE 5 Você viu,nesta unidade, que a técnica denominada seminário é bastante usual na educação superior. Seus objetivos são desenvolver nos estudantes a capacidade de pesquisa, raciocínio e reflexão sistemática, bem como a comunicação e a argumentação. O seminário compreende pesquisa bibliográfica e/ou de campo, seguida de discussões em grupo e debate sobre uma dada temática. A composição dos grupos para seminários não deve ser muito grande, e abrange: o organizador, o coordenador do grupo, o relator, o secretário, o comentador e os participantes. Os temas para a realização do seminário podem originar-se no próprio programa da disciplina, em assuntos da disciplina recentemente abordados em revistas científicas, e em assuntos atuais que retratem novas ideias e/ou polêmicas. O seminário possui um grande valor formativo. 1. - Associe corretamente os componentes do seminário ao papel ou tarefa que nele executam: • O ORGANIZADOR • O COORDENADOR DO GRUPO • O RELATOR DO GRUPO • O SECRETÁRIO DO GRUPO • O COMENTADOR • O PARTICIPANTE a) É atribuição de todos os alunos da classe, que deverão fazer perguntas, pedir esclarecimentos, colocar objeções, reforçar argumentos ou contribuir com algum exemplo ou enriquecimento ao tema_--- ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- b) Função de um ou mais alunos da classe, que também farão estudos individuais sobre o tema objeto do seminário, para tecer críticas e comentários após a exposição do(s) relator(es) do grupo temático___________________________________________________________________________ c) Geralmente é papel do professor da classe. É ele que propõe os temas, indica as bibliografias e estabelece, junto com o grupo, a agenda de trabalho. É também o presidente do plenário do seminário. _________________________________________________________________________________ d) Sua função é fazer com que o grupo cumpra as tarefas acertadas para os estudos. Coordena os encontros do grupo e mantém a sua coesão ______________________________________________ _____________________________
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    UniversidadeAbertadoBrasil 116 UNIDADE 5 e) Fazregistros dos encontros do grupo, particularmente sobre as conclusões parciais e finais_____________________________________________________________________________ f) Expõe os resultados obtidos nos estudos do grupo, tanto nos encontros como no plenário.__________________________________________________________________________ 2. Discorra sobre o valor formativo/educativo do seminário para o estudante da educação superior. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 117 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BARIANI, Isabel CristinaDib, DIAS, Cristiane Guidetti, MIRANDA, Íris de et al. Orientações para busca bibliográfica on-line. Psicologia escolar educacional, dez. 2007, vol.11, n. 2, p. 427-429. BOCH, Ana Maria Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo, SP: Saraiva, 2001. BRASIL, Lei nº. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil]. Brasília 19 de fev. 1998. CAMPANA, Álvaro Oscar. (2000) Redação de trabalho científico. Jornal de Pneumologia. Vol. 26, n.1, São Paulo. Jan/fev. Disponível em: http:// www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102862000000100007script=sci_ arttexttlng=pt#back1. Acesso em 19/05/2009. CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO DE SANTA MARIA. Manual de Normas do Centro Universitário Franciscano. Santa Maria: 2005. Disponível em: http://www.unifra.br/cursos/economia/downloads/ Normas_UNIFRA_versao1.pdf Acesso em: 15/04/2009. DEMO, Pedro. Novos paradigmas do conhecimento: a arte de argumentar. In: _______. Universidade, aprendizagem e avaliação: horizontes reconstrutivos. Porto Alegre: RS: Mediação. 2. ed. 2004. p. 101-108. DI DOMENICO, Viviane G. C. e CASSETARI, Leila. Métodos e técnicas de pesquisa em psicologia: uma introdução. 3ª ed. São Paulo: SP, EDICON, 2002. HAMMES, Érico J. - Orientações e normas para trabalhos científicos. Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: 2009. Disponível em http://www.pucrs.br/fateo/ normas.pdf Acesso em 13/04/2009. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 118 REFERÊNCIAS OLIVEIRA, Clara ReginaA. Trabalhos acadêmicos – oportunidade singular para iniciação ao trabalho científico. 2006. Disponível em http:// www.unilestemg.br/revistaonline/volumes/02/downloads/artigo_06.pdf Acesso em 13/04/2009. ROTHER, Edna T. O papel da normalização nas publicações científicas. Revista brasileira de oftalmologia. Rio de Janeiro: 2007. Vol. 66 n. 4. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 72802007000400001script=sci_arttext Acesso em: 15/04/2009. SANTOS, Antonio R. dos. Metodologia científica – a construção do conhecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: DP A Editora,1999. SARMENTO, Leila L. Gramática em textos. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2000. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2002. YOSHIDA, Winston Bonetti. A redação científica. Jornal vascular brasileiro .v. 5. n. 4. Porto Alegre, dez., 2006. REFERÊNCIAS
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 119 AUTO-AVALIAÇÃO AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADES DA UNIDADEI 1. Solicitações Senso comum Conhecimento Científico Como se apresenta quanto à comunicação? É baseada em preferências, opiniões, muitas vezes de forma persuasiva. É comunicável. Sua comunicação é informativa e não expressiva. Seu propósito é comunicar e não seduzir. Quais as características do conhecimento produzido? É superficial – conhece a realidade somente em sua aparência; baseia-se em opiniões. Suas noções são baseadas em especulação e raramente submetidas a qualquer espécie de teste de exatidão. É mais profundo. Atem-se aos fatos e também os transcende, buscando relações com outros fatos. Requer clareza e exatidão: suas definições são operacionais e procede à verificação de possíveis erros. Quem produz? Todo ser humano, de qualquer nível cultural. Especialistas de áreas diferentes da ciência. Como é produzido? De forma ocasional, assistemática e ametódica. De forma programada, sitemática e metódica. Como se apresenta quanto ao erro? É mais sujeito a erros. Tem menor possibilidade de conter erros.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 120 AUTO-AVALIAÇÃO 2. A estruturado trabalho; o raciocínio e o tratamento do objeto de estudo; a demonstração e a argumentação; o vocabulário e as normas técnicas para apresentação e redação científica. 3. A resposta é pessoal, mas deve ser fundamentada no conceito de Severino (2002): o trabalho científico é um discurso que assume a forma dissertativa e visa a demonstrar, mediante argumentos, uma tese, que é uma solução proposta para um problema relativo a um tema. 4. Estude a seção 2 – A estrutura lógica do trabalho científico. A seguir, coloque no quadro que se segue as características recomendadas para cada um dos elementos do texto dissertativo. INTRODUÇÃO -deveprepararoleitorparaaproblematização que se vai desenvolver no corpo do trabalho; - serve para contextualizar o objeto em estudo; - pode trazer uma rápida revisão de literatura sobre o problema em questão; - manifesta as intenções do autor e os objetivos do trabalho, enunciando seu tema, problema, tese, procedimentos e raciocínios que serão adotados; - deve ser breve e fazer um panorama geral do trabalho; - deve utilizar-se de linguagem objetiva; - deve despertar o interesse de quem vai ler; - deve anunciar as partes do trabalho; - geralmente escreve-se por último.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 121 AUTO-AVALIAÇÃO DESENVOLVIMENTO - traz odesenvolvimento das partes anunciadas na introdução; - fundamenta-se em argumentos teóricos e empíricos; - deve comportar argumentos lógicos, coerentes e bem estruturados, não se reduzindo a uma exposição de opiniões ou ideias de quem escreve o trabalho; - fundamenta-se em outros trabalhos igualmente científicos; - contém as ações de explicar, discutir e demonstrar; - deve ser planejada antes que se comece a escrevê-la; - pode comportar subdivisões ou tópicos com títulos e subtítulos portadores de sentido. CONCLUSÃO - é o texto finalizador do trabalho, no qual os resultados são destacados em função dos objetivos traçados; - deve confirmar, ou não, as hipóteses levantadas na introdução e/ou retomar os objetivos traçados e as problematizações levantadas, procurando respondê-las ao leitor; - quem escreve pode manifestar seu ponto de vista, porém nunca como mera opinião, mas a partir das argumentações e demonstrações efetuadas ao longo do trabalho; - o texto é breve e recapitula os resultados obtidos; - tem sentido de síntese e apreciação; - pode apontar perspectivas em aberto.
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    UniversidadeAbertadoBrasil 122 AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADES DA UNIDADEII 1. o estudo de um tema ou problema bem delimitado; o tratamento deste tema ou problema de modo profundo; a adequação metodológica (sistemática e completa); a estrutura dissertativa (que impõe a estrutura tripartida: introdução, desenvolvimento e conclusão). 2. 2.1. a) O assunto do texto: implicações educacionais da prevenção do uso/ abuso de drogas na adolescência. b) O(s) objetivo(s): refletir sobre como prevenir o uso de drogas entre os adolescentes, tendo em vista um contexto social que favorece seu consumo maciço. c) A articulação das ideias: a autora apresenta a questão e em seguida enumera as três estratégias mais utilizadas para a prevenção do uso/abuso de drogas na adolescência. Em seguida, desenvolve e analisa cada uma das estratégias, destacando a promoção e o desenvolvimento da competência social do adolescente, finalizando o texto com o papel da escola e dos educadores nesse desenvolvimento. d) As conclusões da autora: partindo do reconhecimento do papel da escola e entendendo a educação como um todo e o seu sentido formativo, a autora conclui que a escola não pode omitir-se na questão, nem lhe cabe a adoção de medidas repressivas e antipedagógicas. Entende como necessárias propostas preventivas, integradas de forma natural à vida escolar dos alunos e realizadas por pessoas diretamente relacionadas a eles, como professores e pais. Enfatiza a internalização de valores como a melhor resposta possível às influências sociais. 2.2. Redação pessoal 3. 3.1. Credenciais do autor Luigi Pirandello é natural de Agrigento. Nasceu na Sicília,
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 123 AUTO-AVALIAÇÃO em 1867, emorreu em Roma, em 1936. Romancista, contista, poeta, ensaísta, dramaturgo, uma de suas obras mais famosas e constantemente representadas é Seis personagens à procura de um autor, de 1921. (...) O leitor está diante de uma obra teatral do maior dramaturgo do século XX. Um autor que é, ao mesmo tempo, irônico, sagaz e, às vezes, até pessimista. O significado de sua obra não pode ser apreendido imediatamente, numa leitura linear, nem numa representação teatral, por um espectador burguês, frequentador de teatro por puro exibicionismo ou para divertimento. É grande a profundidade das colocações de Pirandello e, consequentemente, é grande seu valor, bem como o prazer que se extrai do texto. Pirandello destaca-se particularmente pela análise que faz da realidade/ilusão, do falso/verdadeiro, da verdade das relações humanas e da máscara social. 3.2. Resumo (digesto) da resenha Em Henrique IV, a personagem principal inventa para si uma personagem e transforma sua vida numa representação. Os espectadores e as próprias personagens que contracenam com Henrique IV veem-no como louco, que pensa ser o imperador alemão do século XI. Vive numa casa de campo há 20 anos. Seus parentes transformaram a propriedade em um palácio e contrataram empregados para representar os mais diversos papéis, inclusive o de conde e de conselheiros. Assim, todas as personagens representam para Henrique IV e alimentam sua loucura com encenações e situações históricas vividas pelo imperador alemão, particularmente suas discórdias com o papa Gregório VII. No segundo ato, Henrique IV revela aos empregados que sua loucura tivera a duração de 12 anos e que há oito anos está totalmente lúcido, isto é, somente nos últimos anos é que vinha representando, com tanta competência que ninguém percebera nada. Por que Henrique IV prefere a máscara da loucura à lucidez? Para rebelar-se contra a ideia de que o homem é o que a sociedade quer que seja. Retornando à vida normal, os outros é que lhe imporiam uma máscara, roubando-lhe a liberdade de ação. Através da loucura, pode tomar a iniciativa e submeter todos a seus caprichos e desejos. Prefere a loucura à sanidade para poder viver com prazer, viver para “vingar-me da
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    UniversidadeAbertadoBrasil 124 AUTO-AVALIAÇÃO brutalidade de umapedra que me machucara a cabeça!” A desgraça de Henrique IV fora causada pela marquesa Matilde Spina e seu amante Belcredi. Apaixonado, fantasiara-se de Henrique IV numa fatídica cavalgada que terminou com sua queda, após seu cavalo ter sido ferido pelo rival. Ódio e vingança explodem então dentro dele. Após a revelação da personagem principal a seus empregados, a peça ganha ritmo tenso, alcançado pela ambigüidade, que permanece até o fim. 3.3. Resposta pessoal. ATIVIDADES DA UNIDADE III 1. D – B – E – C - A 2. Aspectos gráficos e apresentação 2.1. Margem de citação longa 4 cm da margem esquerda 2.2. Margens superior e esquerda 3 cm 2.3. Margens inferior e direita 2 cm 2.4. Tamanho da letra no texto 12 2.5. Espaço entre linhas no texto 1,5 2.6. Espaço entre linhas em citações longas simples 2.7. Tamanho da letra em citação longa 10 2.8. Espaço entre linhas no resumo simples 2.9. Espaço entre linhas em notas de rodapé simples 2.10. Espaço entre linhas entre uma referência e outra duplo 3. Resposta Pessoal. 4. b 5. Resposta Pessoal.
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    MetodologiadoTrabalhoAcadêmico 125 AUTO-AVALIAÇÃO ATIVIDADES DA UNIDADEIV 1. Reposta pessoal. 2. A característica essencial dos ensaios é a liberdade que o autor tem em defender seus pontos de vista, dispensando o apoio de dados empíricos e de referenciais bibliográficos. 3. Cabeçalho; Sinopse ou resumo; Corpo do artigo; Referências. 4. O estágio do texto escrito e o estágio da sua comunicação verbal. ATIVIDADES UNIDADE V 1. a) Participante; b) Comentador; c) Organizador; d) Coordenador do grupo; e) Secretário do grupo; f) Relator. 2. Resposta pessoal.
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    MetodologiadoTrabalhoAcdêmico 127 AUTOR NOTAS SOBRE ASAUTORAS Desirée Salles Rosa Especialista em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, é professora formadora no Curso de Pedagogia a Distância da UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa. Formou-se em Comunicação Social na UEPG e como Bacharel em Direito no Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCAGE. Atua como docente no ensino superior desde 2006, especialmente na área de conhecimento da Metodologia do Trabalho Acadêmico e Orientação de TCC em cursos superiores. Priscila Larocca Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, é autora de vários artigos científicos nas áreas da Educação, da Psicologia da Educação e da Formação de Professores. É docente da UEPG desde 1988 e atua especialmente no Curso de Pedagogia e nas licenciaturas. Foi docente no Mestrado em Educação da UEPG e desenvolve pesquisas em Psicologia da Educação e em Educação Superior.