FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO
DA EDUCAÇÃO FÍSICA
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO
DA EDUCAÇÃO FÍSICA
silvana Maria aqUino farias
silvana cardoso raMos cintra
são lUís
2011
Edição
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet
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Profª. Silvana Maria Aquino Farias
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ÍCONES
Orientação para estudo
ao longo deste fascículo, serão encontrados alguns ícones utilizados
para facilitar a comunicação com você.
Saiba o que cada um significa.
SAIBA MAIS
GLOSSÁRIO
REFERÊNCIAS
ATIVIDADES
PENSE
ATENÇÃO
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO
UNIDADE 1
SOBRE A HISTÓRIA ....................................................................	 17
A história das leis ..........................................................................	 20
	A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº
	 4024 ....................................................................................	 20
	 Promulgação da Lei 5692/71. Educação Física Prática Educa-
	 tiva ou Atividade? ................................................................	 21
	 O momento atual e a educação física ................................... 22
	A lei de diretrizes e bases da educação – nº 9394/96 ............	23
	 Os parâmetros curriculares ...................................................	24
UNIDADE 2
PERÍODOS E CONCEPÇÕES ......................................................	 29
As tendências pedagógicas ............................................................	31
	Algumas tendências pedagógicas da educação física escolar ....	 33
	 Quadro atual ........................................................................	38
UNIDADE 3
A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ................................................	41
Mídia e cultura corporal de movimento .........................................	43
Os objetivos da educação física no ensino fundamental ................	 44
UNIDADE 4
ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS .........................................	53
A relevância da educação física no processo de aprendizagem ......	54
Plano de ensino ............................................................................	 56
A criança, a educação e a educação física .....................................	57
	 Desenvolvimento motor .......................................................	 60
Como avaliar na educação física escolar? ......................................	69
UNIDADE 5
O LAZER ......................................................................................	 75
Colônia de férias .........................................................................	 77
Gincana ........................................................................................	80
Ruas de Lazer ...............................................................................	 82
REFERÊNCIAS ............................................................................. 85
Prezado (a) Estudante,
Organizamos este fascículo, reunindo os mais relevantes temas da
Educação Física no contexto escolar, desde suas transformações
históricas até o momento atual. Essa trajetória levará você ao
conhecimento do referencial teórico necessário ao entendimento das
práticas da cultura corporal.
O material e enfoque da Educação Física Escolar não tem um ponto
final neste documento, ele representa os primeiros passos, subsídios
que devem ser aprofundados ao longo de seu curso e futura atividade
profissional.
A disciplina de Fundamentos e Métodos do Ensino da Educação Física,
para o curso de Pedagogia, possui uma carga horária de 60 horas,
distribuídas em contextualização histórica e suas relações sociais; as Leis
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; os modelos de Educação
Física na escola; Metodologia do ensino, planejamento, conteúdos,
objetivos e avaliação da Educação Física Escolar.
Esperamos que você aprecie o novo conhecimento e bom estudo!
Profª. Silvana Maria Aquino Farias
Profª.  Silvana Cardoso Ramos Cintra
A prática sistemática de atividades físicas é vista hoje como o grande
remédio para os males da sociedade contemporânea, adquiridos ao
longo da vida através do sedentarismo e alimentação inadequada.
A Educação Física, no espaço escolar, vem se modificando de acordo
com as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB nº
9.394/96, alterada, posteriormente, através da Lei 10.793/2003, que
rege a obrigatoriedade dessa área de conhecimento.
A Educação Física na escola, por ser uma experiência prazerosa,
permanecerá em nossa vida como um conhecimento fundamental do
nosso desenvolvimento e personalidade.
Neste fascículo, apresentaremos elementos essenciais para a disciplina
de Fundamentos e Métodos de Ensino da Educação Física para os
alunos do curso de pedagogia, ampliando os conhecimentos específicos
e levando em consideração as práticas docentes dos futuros pedagogos
para um dos componentes curriculares que é a educação física escolar.
Antes de tudo, torna-se necessário abordarmos tópicos sobre a
história da educação física e suas tendências pedagógicas, a luz da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB 9.394/96, por considerar
conhecimento necessário para reflexão das práticas vividas e vistas nas
escolas atuais que ainda não superaram a educação física arcaica e
APRESENTAÇÃO
tradicional, onde não ter rendimento esportivo significava ser excluído
das aulas de educação física. Apresentaremos a herança histórica da
educação física na sociedade e suas tendências e como o corpo, para
o entendimento da disciplina de educação física escolar, foi concebido
e utilizado pelas leis da educação , apresentados na primeira unidade.
Na segunda unidade, continuaremos a apresentar como a história criou
tendências e concepções pedagógicas e como tudo isso está sendo
utilizado hoje em dia.
Em seguida, na terceira unidade, veremos os objetivos e conteúdos
da disciplina educação física, explorando os significados de conceitos
utilizados na área, facilitando o trabalho pedagógico na escola. Também
serão pontuados a influência da mídia e a visão do corpo para os alunos.
As abordagens sobre planejamento e metodologias utilizadas e os
tópicos da avaliação apresentamos na quarta unidade e, em seguida,
esclarecemos conteúdos diferentes como o lazer e práticas alternativas
para o tempo livre.
Toda nossa conversa será com o objetivo de desvendar a Educação
Física, componente curricular obrigatório da educação básica, e suas
possibilidades na aprendizagem escolar e desenvolvimento humano.
Nada melhor que lançar mão do Texto do Prof. João Batista Freire
para darmos introdução a esse fascículo de Fundamentos e Métodos
de Ensino da Educação Física. Ele é de uma riqueza incontestável,
para refletirmos sobre a Educação Física. Educação de Corpo Inteiro.
EDUCAÇÃO DE CORPO INTEIRO
Todos nós temos alguma ideia de como é uma criança: ela se
arrasta, engatinha corre pula, joga, fantasia, faz e fala coisas que nós,
adultos, nem sempre entendemos. De qualquer maneira, sua marca
característica é a intensidade da atividade motora e a fantasia.
Alguns dirão, como razão que, nessa questão do movimento, a atual
geração infantil de apartamento movimenta mais os dedos num
videojogo e num sintonizador de televisão do que o corpo como um
todo. Outras crianças como as de favela, não brincam, trabalham
para sobreviver. Mesmo essas, no entanto, no espaço que lhes sobra,
exercem o movimento e a fantasia típicos da infância.
Ás vezes falta visão ao sistema escolar, às vezes falta escrúpulos. É
difícil explicar a imobilidade a que são submetidas as crianças quando
INTRODUÇÃO
entram na escola. Mesmo se fosse possível provar (e não é) que uma
pessoa aprende melhor quando está imóvel e em silêncio, isso não
poderia ser imposto, desde o primeiro dia de aula, de forma súbita e
violenta.
Dá para imaginar o que representa para uma criança, que passou sete
anos se movimentando, ser subitamente “amarrada” e “amordaçada”
para, como se diz, “aprender” o que é, para ela, uma linguagem,
ás vezes, totalmente estranha? A linguagem da imobilidade e do
silêncio? Seria o mesmo que pegar um professor idoso, que há
muito deixou de praticar atividades físicas, a não ser as mais triviais,
e obrigá-lo a correr por alguns quilômetros em ritmo acelerado. A
violência seria idêntica. O interessante é que nós professores não
suportamos a mobilidade da criança, mas queremos que ela suporte
nossa imobilidade.
Não é à toa que os pequenos que entram na escola passam os
primeiros tempos, até adaptarem-se, cansados (dormem mais cedo)
e preocupados. Claro, está acontecendo algo de muito estranho
para eles.
Não haveria uma outra forma de ensinar que não fosse mantendo
os alunos presos às carteiras, silenciosos, imóveis? Aluno só aprende
sentado e sem fazer barulho?
É claro que existe um jeito muito mais simples que o atual. Quem
prova que uma criança livre não aprende melhor que uma prisioneira?
De minha parte, estou convicto de que só é possível aprender no
espaço da liberdade. É por isso que as crianças ainda aprendem: por
mais restritivo que seja o ambiente familiar ou escolar, sempre resta
um espaço de liberdade para pensar, para se mexer, para criticar, e
é aí que as pessoas aprendem. Imagine esse espaço ampliado! Daí
não ser descabido propor para crianças uma educação de corpo
inteiro.
A escola, entre outras instituições, cumpre o papel de formar crianças
para exercerem funções na sociedade. Uma sociedade que queira ser
livre não deveria conceber uma Educação que restrinja a liberdade
das pessoas. E nisso a escola tem o papel importante.
Mas esse problema da restrição ao movimento corporal não começa
no primeiro dia de aula, na escola de 1º grau. As crianças começam
a sofrer os efeitos dos equívocos educacionais desde cedo, já nas
escolas maternais e nas pré-escolas. Apesar de nessa fase escolar não
terem de ficar sentados todo um período do dia, ou se enquadrar
numa disciplina do tipo militar, esses pequenos têm seus passos
gradativamente reduzidos e orientados para umas poucas trilhas:
aquelas que os conduziram, em “segurança”, para a escola e para
a “vida”.
Existeumricoevastomundodeculturainfantilrepletodemovimentos,
de jogos, da fantasia, quase sempre ignorado pelas instituições de
ensino. Pelo menos até a 4º série do 1º grau, a escola conta com
alunos cuja a maior especialidade é brincar. É uma pena que esse
enorme conhecimento não seja aproveitado como conteúdo escolar.
Nem a educação física, enquanto disciplina do currículo, que deveria
ser especialista em atividade lúdicas e em cultura infantil, leva isso
em conta.
Durante o aprendizado, há momentos de imobilidade e momentos
de agitação. O fundamental é que todas as situações de ensino sejam
interessantes para a criança. Como fazer isso, no entanto, fora uma ou
outra experiência isolada existente, é ainda um mistério, tanto para
os pedagogos de sala de aula como para os pedagogos de educação
física. Uma coisa é certa: negar a cultura infantil é, no mínimo, mais
uma das cegueiras do sistema escolar.
Corpo e mente devem ser entendidos como componentes que
entregam o único organismo. Ambos devem ter assento na escola,
não um (a mente) para apreender e o outro (o corpo) para transportar,
mas ambos para se emancipar. Por causa dessa concepção de que a
escola só deve mobilizar a mente, o corpo fica reduzido a um estorvo
que, quanto mais quieto estiver, menos atrapalhará.
Fica difícil falar de educação concreta na escola quando o corpo
é considerado um intruso. A concretude do ensino depende, a
meu ver, de ações práticas que deem significado ao “dois mais
dois”, ou ao “Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil”. Sem viver
concretamente, corporalmente, as relações especiais e temporais de
que a cultura infantil é repleta, fica difícil falar em educação concreta,
em conhecimento significativo, em formação para autonomia, em
democracia e assim por diante.
Sugiro que, a cada início do ano letivo, por ocasião da matrículas,
também o corpo das crianças seja matriculado.
FREIRE, João Batista- Teoria e prática da educação Física, São
Paulo, 1994.
1
unidade
Objetivo dESTA unidade:
Conhecer o processo
histórico da Educação
Física e saber se
posicionar criticamente
quanto as influências
políticas sofridas pela
disciplina no interior da
escola.
Compreender as
mudanças que a Lei de
Diretrizes e Bases da
Educação Nacional nº
9394/96 proporcionou
para o momento atual da
Educação Física Escolar.
... cada pessoa que entra em contato com uma
criança é um professor que incessantemente lhe
descreve o mundo, até o momento em que a
criança é capaz de perceber o mundo tal como
foi descrito (Carlos Castañeda, Journey to Ixtlan,
New York, Simon and Schuster,1972,PP.8-9)
O
lhar para a história da Educação Física no Brasil leva-
nos a perceber a influência que sofreu a disciplina por
interesses políticos e sociais durante o seu trajeto, até ter
entrado na escola.
Tudo começou quando o homem primitivo sentiu a necessidade
de lutar, fugir ou caçar para sobreviver. Assim, à luz da ciência,
o homem executa os seus movimentos corporais mais básicos e
naturais desde que se colocou de pé: corre, salta, arremessa, trepa,
empurra, puxa etc.
A história nos retrata toda a evolução do homem pré-histórico que,
dadas as precárias condições de sobrevivência, possuía excelentes
qualidades físicas. Ele realizava longas caminhadas e desenvolvia
a velocidade nas corridas ao fugir de inimigos e perseguir a caça.
O tiro ao alvo contribuiu ao arremesso; os terrenos acidentados
favoreciam os saltos; as buscas de frutas em altas árvores levavam
SOBRE A HISTÓRIA
PEDAGOGIA22
aos movimentos de trepar; as lutas corpo a corpo incentivavam a
destreza; e os lagos e rios forçava-o ao uso de artifícios nas travessias
com pedaços de paus e até mesmo o mergulho e o nado.
Brasil colônia - Os primeiros habitantes do Brasil, os índios, deram como
contribuição os movimentos rústicos naturais tais como nadar, correr
atrás da caça, lançar, além do arco e flecha. Na suas tradições incluem-
se as danças, cada uma com significado diferente: homenageando o
sol, a lua, os deuses da guerra e da paz, os casamentos etc. Entre os
jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de troncos entre outras que
não foram absorvidas pelos colonizadores. Os índios não eram muito
fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo que os colonizadores os
obrigavam a executar.
Os negros vieram para o Brasil para o trabalho escravo, e as fugas para
os Quilombos os obrigavam a lutar, sem armas, contra os capitães-do-
mato, homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato
adentro para recapturar os escravos. Essa luta sem armas usando os
pés e saltos fez surgir a capoeira. Todos esses movimentos de índios
e negros juntos formaram as atividades e modalidades esportivas dos
conteúdos da educação física. Eles foram sistematizados e organizados
posteriormente com regras e regulamentos para prática da cultura
corporal do movimento da sociedade e dentro da escola.
Fonte:	escolacampossalles.blogspot.com
A	capoeira	é	uma	expressão	
cultural	brasileira	que	mistura	
luta,	dança,	cultura	popular,	
música	esporte,	arte	marciais	e	
talvez	até	brincadeira.	...
Arte	marcial	de	ataque	
e	defesa	introduzida	no	
Brasil	por	escravos	bantos,	
atualmente	praticada	como	
jogo	e	esporte	e	é	considerada	
o	único	esporte	genuinamente	
brasileiro.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 23
Rui	Barbosa	foi,	sem	dúvida,	
um	dos	mais	importantes	
personagens	da	História	
do	Brasil.	Rui	era	dotado	
não	apenas	de	inteligência	
privilegiada,	mas	também	
de	grande	capacidade	
de	trabalho.	Essas	duas	
características	permi¬tiram-
lhe	deixar	marcas	profundas	
em	várias	áreas	de	atividade	
profissional	nos	campos	do	
direito	-	seja	como	advogado,	
seja	como	jurista	-	do	
jornalismo,	da	diplomacia	e	da	
política.	
Ditadura	Militar	foi	o	período	
da	política	brasileira	em	que	
os	militares	governaram	
o	Brasil,	entre	os	anos	de	
1964	e	1985.	Essa	época	
caracterizou-se	pela	falta	
de	democracia,	supressão	
de	direitos	constitucionais,	
censura,	perseguição	política	
e	repressão	àqueles	que	eram	
opostos	ao	regime	militar.	
E o tempo segue... Chega a família imperial!
Tudo começou na época do Brasil Império - Em 1851 a lei de n.º 630
inclui a ginástica nos currículos escolares. Rui Barbosa preconizava a
obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias
praticadas quatro vezes por semana, durante 30 minutos.
Muitas discussões e sugestões sobre as ideias de Rui Barbosa sobre
educação proliferaram.
No Brasil República foi uma época onde começou a profissionalização
da Educação Física. Os anos 70 ficaram marcados pela ditadura
militar, a Educação Física era usada não para fins educativos mas para
propaganda do governo, sendo todos os ramos e níveis de ensino
voltado para os esportes de alto rendimento. Essa propaganda era
contemplada na Copa do Mundo de Futebol, no México, onde o Brasil
sagrou-se tricampeão e a euforia nacional pelo título desviava a atenção
da ditadura militar que vigorava no Brasil.
Na década de 70, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava o
Tricampeonato Mundial de Futebol, e o regime autoritário utilizou o
esporte como propaganda. O governo militar investiu na educação
física principalmente com o objetivo de formar um exército composto
por jovens sadios e fortes. Para isso, foi criado o chamado "modelo
piramidal", de que a educação física escolar seria a base. a escola seria
o "celeiro de novos talentos". a maior meta desse modelo era projetar
cada vez mais a imagem do país através do desempenho dos seus
atletas. Por isso, as aulas de educação física da época começaram a
contemplar o aluno mais habilidoso em detrimento dos demais. Como
o Brasil não se tornou uma potência olímpica conforme se pretendia,
esse modelo faliu.
Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à procura
de propósitos voltados à sociedade. No esporte de alto rendimento a
mudançanasestruturasdepodereosincentivosfiscaisderamorigemaos
patrocínios e empresas podendo contratar atletas funcionários, fazendo
surgir uma boa geração de campeões das equipes atlântica Boa Vista,
Bradesco, Pirelli entre outras. até hoje, verificamos os patrocínios das
empresas nos times e atletas de destaque, principalmente no futebol,
voleibol e atletas olímpicos com resultados expressivos.
PEDAGOGIA24
Nos anos 90 o esporte passa a ser visto como meio de promoção à
saúde acessível a todos, manifestada de três formas: esporte educação,
esporte participação e esporte performance. Os objetivos propostos
são modificados em função da sociedade e analisados observando o
ensino, no desenvolvimento da educação física no Brasil desde início
da República (1889) até os dias atuais.
A HISTÓRIA DAS LEIS
A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4024
Em 1961 promulgou-se a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional LBD. nº 4024. as diferentes estruturas de educação escolar
receberam a denominação de Primário (quatro anos), (o quinto ano) e
o Ginásio também com quatro anos. após este, havia o Curso Colegial
propedêutico e os Cursos Técnicos como Curso Normal ou Curso de
Formação de Professores: Curso de Contabilidade, de Secretariado,
dentre outros.
abrigada sob esta estrutura vertical, a aula de Educação Física era
ministrada pelos regentes de classe dada suas bases científicas,
e atualmente considerada como um aspecto de educação geral,
oferecendo valiosa contribuição ao educando (Programa da Escola
Primária de São Paulo, 1967/59).
Na escola primária a educação física teve como objetivo a recreação
(individual e coletiva) nos seus variados aspectos; era realizada por
meio das atividades naturais, jogos, atividades rítmicas, dramatizações,
atividades complementares (Programa da Escola Primária de São Paulo,
1967/59), visando abarcar a totalidade do desenvolvimento do aluno.
até hoje vemos a aula de educação física ser chamada de recreação e/ou
ser utilizada como recreio dirigido para substituir as aulas curriculares.
esporte	de	alto	nível		e	
rendimento
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 25
é	uma	palavra	que	tem	origem	
grega	e	significa	kallós	–	belo,	
cheio	de	vigor,	força,	buscar	
pela	exercitação	a	harmonia	
do	corpo.È	uma	atividade	
física	planejada,	realizada	
de	forma	repetida	para	
desenvolver	ou	manter	o	
condicionamento	físico.
a Educação Física, na década de 60, também se preocupou com a
atitude postural adequada, com a coordenação sensório motor, o
refinamento dos sentidos, e o aumento da sensibilidade rítmica,
favorecendo a co educação, e o conhecimento de nossos costumes.
as aulas de Educação Física para a juventude consistiam em ensinar
a ginástica formativa, fundamentos de jogo (modalidades esportivas
coletivas), valendo-se do Método “da Desportiva Generalizada”, e
não se previa processo de inclusão daqueles que não se adequassem
a normalidade. Então, você escolhia um esporte para praticar e se não
mostrasse as habilidades necessárias, era excluído e encaminhado para
as aulas de educação física, geralmente com exercícios de calistenia
(exercícios de caráter quase militar.).
Promulgação da Lei 5692/71. Educação Física Prática
Educativa ou Atividade?
Dez anos depois da LDB nº 4224/61, foi implementada a segunda Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5692. Nomeavam-se
Disciplina aquelas com orientação teórica, e por atividade, as de cunho
prático sem reprovação, exceto por faltas: Educação artística, Inglês e
Educação Física (PAR.CFE. 853/71).
as aulas de Educação Física apenas reprovavam por falta e eram
consideradas uma atividade. Esse argumento levou a educação física
escolar a ser considerada dispensável, sem importância. Qualquer
pessoa podia administrar as aulas (que eram consideradas brincadeiras).
O programa recomendado para as aulas de Educação Física
compreendia um conjunto de ginástica, jogos, desportos, danças e
recreação, capaz de promover o desenvolvimento harmonioso do
corpo e do espírito e, de modo especial, fortalecer a vontade, formar e
disciplinar hábitos sadios, adquirir habilidades, equilibrar e conservar a
saúde e incentivar o espírito de equipe de modo que seja alcançado o
máximo de resistência orgânica e de eficiência individual (SÃO PaULO,
SE/CENP, 1985).
Parecer	nº	853/71,	de	12	
de	novembro	de	1971,	do	
CFE.	Núcleo-comum	para	os	
currículos	do	ensino	de	1º	e	2º	
graus.	A	doutrina	do	currículo	
na	Lei	5.692/71.
PEDAGOGIA26
O 2º Grau, composto por três ou quatro séries, de cunho técnico
profissionalizante, foi oferecido a todos os estudantes. abriu-se à
população a real possibilidade de acesso ao ensino superior.
Doze anos depois, em São Paulo, a Coordenadoria de Estudos e
Normas Pedagógicas (CENP.) ofereceu aos professores da rede estadual
subsídios para a implementação da Proposta Curricular de Educação
Física para a pré-escola. acompanhada do Manual para o Professor,
apresentava exercícios, versando a construção da imagem e consciência
corporal, atividades temporo-espaciais, expressão corporal e recreação
(SÃO PaULO, SE/CEN,. 1983).
Esse processo de intensa discussão acerca dos conteúdos escolares
terminou em 1992 com a publicação do modelo final das Propostas
Curriculares para o 1º e 2º Graus para todas as Disciplinas e atividades
coordenadas pela CENP. as aulas de Metodologia da Educação Física
estavam previstas no documento, demonstrando que seu conteúdo
merecia ser estudado.
O momento atual e a educação física
O currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional, LBD nº 9.394/1996. O processo de
escolarização brasileiro apresenta-se agora completo. Iniciando pela
Educação Infantil, nosso Sistema Escolar termina formalmente na
Graduação, no Ensino Superior. Hoje, as propostas e os conteúdos têm
a preocupação em atender, incluir e integrar todos os estudantes em
torno do Projeto Escolar.
a aula de Educação Física, ao contrário das épocas passadas, e,
segundo o artigo 26, deve ser “integrada à proposta pedagógica da
escola, é componente curricular da educação básica, ajustando-se às
faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa
nos cursos noturnos” (SÃO PaULO, SE/CENP 1985/ 79).
a partir desta Lei vigente passou-se entender o currículo como um
todo. a escola, portanto, deve ser vista como um lugar de informação,
Implementar:dar	execução	a	
um	plano,	projeto.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 1 27
de produção de conhecimento, de socialização e de desenvolvimento
integral de todos os estudantes. Para consecução de tal tarefa, todos
os especialistas, os professores, as Disciplinas e os Componentes
Curriculares devem ter compromisso com o desenvolvimento dos
aspectos teóricos e práticos, além de articulá-los aos Temas ou Eixos
Transversais (saúde, meio ambiente, trabalho e consumo, orientação
sexual e ética). O plano de curso, de ensino e das aulas, inclusive os
de Educação Física, devem ser pensados segundo o Projeto Escolar e
orientados de acordo com as características dos estudantes.
A lei de diretrizes e bases da educação – nº 9394/96
A mais nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, datada
de 20 de dezembro de 1996, em seu artigo 26, fala dos currículos do
ensino fundamental e médio tendo uma base nacional comum.
Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma
base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de
ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida
pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da
economia e da clientela.
Em seguida, amparada por decreto anterior nº 69450 de 1971, re-
edita a prática facultativa a um grupo de alunos que mais uma vez
tem excluído o conhecimento específico da educação física, que
consideramos um retrocesso.
A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é
componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua
prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º
de dezembro de 2003):
I - que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas;
(Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003).
II - maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.
12.2003).
PEDAGOGIA28
III - que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação
similar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei
nº 10.793, de 1º. 12.2003)
IV - amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969;
(Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003), que trata de pessoas com
doenças.
V - (VETaDO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003)
VI - que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003).
analisando a Lei nº 10793/2003, consideramos que ter filhos, e ser
maior de 30 anos não pode apresentar problema para a prática da
educação física. Inclusive, as academias de ginástica comprovam e
cobram por essa prática extra escolar.
Os parâmetros curriculares
Os parâmetros curriculares nacionais são diretrizes elaboradas pelo
Governo Federal que orientam a educação no Brasil e são separados
por disciplina.
Pare um pouco, e pense a respeito:
Percebe-se, portanto, participação facultativa a uma
grande parcela da população que poderia utilizar a
educação física para uma qualidade de vida melhor,
evitando os problemas provocados pelo sedentarismo.
Percebemos, também que as escolas, principalmente as
particulares cobram taxas para os alunos praticarem os
esportes na escola quando esse serviço deve ser gratuito,
por ser considerado horário de aula de educação física,
componente curricular obrigatória na educação básica.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 29
Quanto à educação física fica bem definido o currículo, tendências
pedagógicas por série etc., mas devemos lembrar que é uma sugestão,
um norte a ser seguido. Devemos lembrar que com a construção
do Projeto Político Pedagógico de cada escola, construção coletiva,
evidencia-se o pensamento da comunidade escolar como meta.
O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e
das sociedades amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e
aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a
formação de cidadãos.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física trazem uma
proposta que procura democratizar, humanizar e diversificar a prática
pedagógica da área, buscando ampliar, de uma visão apenas biológica,
para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e
socioculturais dos alunos.
a segunda parte dos parâmetros aborda o trabalho com as quatro
séries finais do ensino fundamental, indicando objetivos, conteúdos
e critérios de avaliação. Os conteúdos são apresentados segundo sua
categoria conceitual, procedimental e atitudinal, organizados em blocos
inter-relacionados e são explicitados como possíveis enfoques da ação
do professor. Essa parte contempla, também, aspectos didáticos gerais
e específicos da prática pedagógica em Educação Física que podem
auxiliar o professor nas questões do cotidiano das salas de aula e
servem como ponto de partida para as discussões.
Para boa parte das pessoas que frequentaram a escola,
a lembrança das aulas de Educação Física é marcante:
para alguns, uma experiência prazerosa, de sucesso,
de muitas vitórias; para outros, uma memória amarga,
de sensações de incompetência, de falta de jeito, de
medo de errar... Você se lembra das suas aulas de
educação física?
Os	conteúdos	são	
apresentados	segundo	sua	
categoria	conceitual	(fatos,	
conceitos	e	princípios),	
procedimental	(ligados	ao	
fazer)	e	atitudinal	(normas,	
valores	e	atitudes).
PEDAGOGIA30
O trabalho de Educação Física nas séries finais do ensino fundamental
é muito importante na medida em que possibilita aos alunos uma
ampliação da visão sobre a cultura corporal de movimento, e, assim,
viabiliza a autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e
a capacidade para interferir na comunidade, seja na manutenção ou na
construção de espaços de participação em atividades culturais, como
jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com finalidades de lazer,
expressão de sentimentos, afetos e emoções.
Ressignificar esses elementos da cultura e construí-los coletivamente é
uma proposta de participação constante e responsável na sociedade.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados procurando,
de um lado, respeitar diversidades regionais, culturais e políticas
existentes no país e, de outro, considerar a necessidade de construir
referências nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões
brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas escolas, que
permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos
socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício
da cidadania.
princípio da inclUsão
a sistematização de objetivos, conteúdos, processos de ensino e
aprendizagem e avaliação tem como meta a inclusão do aluno na
cultura corporal de movimento, por meio da
participação e reflexão concretas e efetivas.
Busca-se reverter o quadro histórico da área de
seleção entre indivíduos aptos e inaptos para
as práticas corporais, resultante da valorização
exacerbada do desempenho e da eficiência.
"Oesportenãoéapenasummotivodecompetição,
mas também uma ferramenta incomparável de
inclusão social" (autor desconhecido).
A	cultura	corporal	contempla	
múltiplos	conhecimentos	
produzidos	e	usufruídos	
pela	sociedade	a	respeito	do	
corpo	e	do	movimento.	A	
Educação	Física	escolar	deve	
dar	oportunidades	a	todos	os	
alunos	para	que	desenvolvam	
suas	potencialidades,	de	forma	
democrática	e	não	seletiva.	
Cidadania	é	a	qualidade	ou	
estado	de	cidadão.A	pessoa	
torna-se	cidadão	quando	
intervém	na	realidade	em	
que	vive.
Fonte:	ana-educacaoconsciente.blogspot.com
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 31
princípio da diversidade
Oprincípiodadiversidadeaplica-senaconstrução
dos processos de ensino e aprendizagem e orienta
a escolha de objetivos e conteúdos, visando a
ampliar as relações entre os conhecimentos da
cultura corporal de movimento e os sujeitos da
aprendizagem.
Busca-se legitimar as diversas possibilidades
de aprendizagem que se estabelecem com a
consideração das dimensões afetivas, cognitivas,
motoras e socioculturais dos alunos.
O princípio da diversidade aplica-se na construção dos processos de
ensino e aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos,
visando a ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura
corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem.
Busca-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se
estabelecem com a consideração das dimensões afetivas, cognitivas,
motoras e socioculturais dos alunos.
categorias de conteúdos
Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual (fatos,
conceitos e princípios), procedimental (ligados ao fazer) e atitudinal
(normas, valores e atitudes). Os conteúdos conceituais e procedimentais
mantêmumagrandeproximidade,namedidaemqueoobjetocentralda
cultura corporal de movimento gira em torno do fazer, do compreender
e do sentir com o corpo. Incluem-se nessas categorias os próprios
processos de aprendizagem, organização e avaliação. Os conteúdos
atitudinais apresentam-se como objetos de ensino e aprendizagem, e
apontam para a necessidade de o aluno vivênciá-los de modo concreto
no cotidiano escolar, buscando minimizar a construção de valores e
atitudes por meio do currículo.
Fonte:	ana-educacaoconsciente.blogspot.com
PEDAGOGIA32
De acordo com o que foi visto até agora, faça as seguintes
atividades:
Forme duplas e relate suas experiências nas aulas de
educação física.
Entreviste pessoas mais idosas na comunidade sobre a
educação física na vida escolar.
ao final fazer um grande grupo de discussão para apresentar
os resultados.
BRaSIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº.
9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da
educação Nacional. Brasília, DF, 1996.
______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília,
DF: MECSEF, 1997.
CaSTELLaNI FILHO, Lino. Política educacional e educação
física. Campinas: autores associados, 1998.
______. Educação Física no Brasil: a história que não se conta.
Campinas, SP: Papirus, 1998.
unidade
ObjetivoS dESTA unidade:
Compreender as
concepções e tendências
pedagógicas da Educação
Física Escolar, podendo
estabelecer conexões
com o momento atual e o
passado vivido.
Perceber as várias
utilizações do corpo pela
sociedade em constante
transformação.
2
PERÍODOS E CONCEPÇÕES
A
educação física no Brasil passou por diversos períodos
que, por sua vez, possuíam diversas concepções
relacionadas à função da própria educação física,
da necessidade, da maneira de trabalhar e ver o corpo. As
tendências podem ser reconhecidas e divididas em:
Educação Física Higienista (1889-1930) – Propunha uma ênfase
na saúde, cabendo no papel da educação física a formação
de indivíduos fortes, saudáveis e propensos à aderência a
atividades boas em detrimento de maus hábitos. Tinha por
finalidade “[...] proporcionar aos alunos o desenvolvimento
harmonioso do corpo e do espírito, formando o homem física e
moralmente sadio alegre e resoluto” (MARINHO, 1953, p. 177).
Educação Física Militarista (1930-1945) – De forte influência
dos militares, foi decretado no país o “Regulamento n. 7”,
tornando de caráter oficial a utilização do “Método do Exército
Francês”. Tinha por objetivo o “desenvolvimento harmônico do
corpo. Desenvolvimento da personalidade. Aperfeiçoamento da
PEDAGOGIA34
destreza. Emprego da força e espírito de solidariedade”. (MaZZEI;
TEIXEIRa, 1967, v.IV, p. 143).
até a década de 50, a educação física foi influenciada pela área
médica (higienismo), pelos militares ou acompanhou mudanças no
próprio pensamento pedagógico. Nesse mesmo período histórico,
eram importados modelos de práticas corporais, como os sistemas
ginásticos alemão e sueco e o método francês. Os conteúdos de
educação física eram repetições mecânicas de gestos e movimentos.
Na década de 60, com a introdução do Método Desportivo
Generalizado, começou a haver uma certa confusão entre
educação física e esporte. Nessa mesma época, as concepções
teóricas e a prática real nas escolas se distanciaram. Ou seja, os
processos de ensino e aprendizagem nem sempre acompanharam
as mudanças do pensamento pedagógico.
Educação Física Pedagogicista (1945-1964) – Com uma visão que
pode ser traçada ao liberalismo, a vertente pedagogicista propunha
a educação física como um meio de formação do indivíduo.
“a educação física, acima das “querelas políticas”, é capaz de
cumprir o velho anseio da educação liberal: formar o cidadão.”
(GHIRaLDELLI JÚNIOR, 1989, p.29) .
Educação Física Competitivista (1964-1985) – Marcada pelo forte
apelo aos esportes de competição oficiais, por um “culto do atleta-
herói”, essa visão foi a predominante no regime militar. Foi o
período que houve o maior investimento na educação física como
um todo. O professor deveria preparar esses futuros atletas.
Quer-se dar ao professor de educação física a convicção de que
ele, por força da profissão é condutor de jovens, um líder e não
pode aceitar ser conduzido por minorias ativas que intimidam, que
ameaçam e, às vezes, conseguem, pelo constrangimento, conduzir
a maioria acomodada, pacífica e ordeira, (FERREIRa, 1969 apud
GHIRaLDELLI JÚNIOR, 1989, p.31).
Educação Física Popular (1985-) – Movimento de cunho ideológico
que pretende mudar o paradigma da educação física, saindo do
A	ginástica	sueca	preocupava-
se	com	a	execução	correta	dos	
exercícios,	emprestando-lhes	
um	espírito	corretivo.	Por	isso	
é	conhecida	como	ginástica	de	
posições.
Conteúdo	voltado	para	a	
iniciação	esportiva.	O	método	
utilizado	era	norteado	pelos	
estilos	comando	e	tarefas.	
A	compreensão	de	corpo	
era	a	mesma	difundida	pela	
aptidão	física	e	o	movimento	
norteado	pela	perspectiva	
de	rendimento	esportivo.	A	
ênfase	na	esportivização	dos	
conteúdos	da	Educação	Física	
restringia	o	movimento	e	o	
próprio	conhecimento	da	área	
aos	códigos	esportivos.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 2 35
competitivismo para uma visão em direção a “[...] ludicidade, a
solidariedade e a organização e mobilização dos trabalhadores na
tarefa de construção de uma sociedade efetivamente democrática”.
(GHIRaLDELLI JÚNIOR, 1989, p.34). Outro exemplo que mostra
o viés ideológico é o do Coletivo de autores que fala que:
[...] o aluno sistematiza o conhecimento sobre os saltos
e os conceitos que explicam o conteúdo e a estrutura
do objeto salto, desde as leis físicas e características
no nível cinésio/fisiológico, até as explicações
político-filosóficas da existência de modelos de salto.
(COLETIVO DE aUTORES, 1993, p.65).
AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
No século XX, a Educação Física escolar sofreu, no Brasil, influências
de correntes de pensamento filosófico, tendências políticas, científicas
e pedagógicas. assim, até a década de 50, a Educação Física sofreu
influências provenientes da filosofia positivista, da área médica (por
exemplo,ohigienismo),deinteressesmilitares(nacionalismo,instrução
pré-militar), e acompanhou as mudanças no próprio pensamento
pedagógico (por exemplo, a vertente escola-novista na década de 50).
Nesse mesmo período histórico ocorreu a importação de modelos
de práticas corporais, como os sistemas ginásticos alemão, sueco e o
método francês, entre as décadas de 10 e 20, e o método desportivo
generalizado, nas décadas de 50 e 60.
Contudo, observa-se na história da Educação Física uma distância
entre as concepções teóricas e a prática real nas escolas. Ou seja,
nem sempre os processos de ensino e aprendizagem acompanharam
as mudanças, às vezes bastante profundas, que ocorreram no
pensamento pedagógico desta área. Por exemplo, a co-educação
(meninos e meninas na mesma turma) era uma proposta dos escola-
novistas desde a década de 20, mas essa discussão só alcançou a
Educação Física escolar muito tempo depois.
A	cinesiologia	é	a	ciência	
que	tem	como	enfoque	a	
análise	dos	movimentos.	De	
forma	mais	específica,	estuda	
os	movimentos	do	corpo	
humano.	O	nome	Cinesiologia	
vem	do	grego	kínesis	=	
movimento	+	logos	=	tratado,	
estudo.
pt.wikipedia.org/wiki/
Cinesiologia
PEDAGOGIA36
Mais recentemente, na década de 70, a Educação Física sofreu, mais
uma vez, influências importantes no aspecto político. O governo
militar investiu nessa disciplina em função de diretrizes pautadas
no nacionalismo, na integração (entre os Estados) e na segurança
nacional, objetivando tanto a formação de um exército composto
por uma juventude forte e saudável como a desmobilização das
forças políticas oposicionistas. As atividades esportivas também
foram consideradas importantes na melhoria da força de trabalho
para o milagre econômico brasileiro. Nesse período, estreitaram-se
os vínculos entre esporte e nacionalismo. Um bom exemplo é o uso
que se fez da campanha da seleção brasileira de futebol, na Copa
do Mundo de 1970.
Em relação ao âmbito escolar, a partir do Decreto no 69.450, de
1971, a Educação Física passou a ser considerada como a atividade
que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolve e aprimora
forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando.
O decreto deu ênfase à aptidão física, tanto na organização das
atividades como no seu controle e avaliação, e a iniciação esportiva,
a partir da quinta série, se tornou um dos eixos fundamentais de
ensino; buscava-se a descoberta de novos talentos que pudessem
participar de competições internacionais, representando a pátria.
Nesse período, o chamado modelo piramidal norteou as diretrizes
políticas para a Educação Física: a Educação Física escolar e
o desporto estudantil seriam a base da pirâmide; a melhoria da
aptidão física da população urbana e o empreendimento da
iniciativa privada.
A organização desportiva para a comunidade comporia o desporto
de massa, o segundo nível da pirâmide. Este se desenvolveria,
tornando-se um desporto de elite, com a seleção de indivíduos
aptos para competir dentro e fora do país.
Na década de 80 os efeitos desse modelo começaram a ser sentidos
e contestados: o Brasil não se tornou uma nação olímpica e a
competição esportiva da elite não aumentou significativamente o
número de praticantes de atividades físicas. Iniciou-se então uma
profunda crise de identidade nos pressupostos e no próprio discurso
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 37
da Educação Física, que originou uma mudança expressiva nas
políticas educacionais: a Educação Física escolar, que estava
voltada principalmente para a escolaridade de quinta a oitava
séries do primeiro grau, passou a dar prioridade ao segmento de
primeira a quarta séries e também à pré-escola. O objetivo passou
a ser o desenvolvimento psicomotor do aluno, propondo-se retirar
da escola a função de promover os esportes de alto rendimento.
O campo de debates se fertilizou e as primeiras produções surgiram
apontando o rumo das novas tendências da Educação Física.
Às recém-criadas organizações da sociedade civil, bem como
entidades estudantis, sindicais e partidárias, somaram-se setores
do meio universitário identificados com as tendências progressistas.
Simultaneamente, a criação dos primeiros cursos de pós-graduação
em Educação Física, o retorno de professores doutorados que
estavam fora do Brasil, as publicações de um número maior de
livros e revistas, bem como o aumento do número de congressos e
outros eventos dessa natureza, foram fatores que contribuíram para
esse debate.
As relações entre Educação Física e sociedade passaram a ser
discutidas sob a influência das teorias críticas da educação: seu
papel e sua dimensão política foram questionados.
Algumas tendências pedagógicas da educação física escolar
Em oposição à vertente mais tecnicista, esportivista e biologicista
surgem novas abordagens na Educação Física escolar a partir do final
da década de 70, inspiradas no momento histórico social pelo qual
passou o país, nas novas tendências da educação de uma maneira
geral, além de questões específicas da própria Educação Física.
Atualmente coexistem na área várias concepções, todas elas tendo
em comum a tentativa de romper com o modelo anterior, fruto de
uma etapa recente da Educação Física.
PEDAGOGIA38
Essas abordagens resultam da articulação de diferentes teorias
psicológicas, sociológicas e concepções filosóficas. Todas essas
correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para a área, o
que a aproxima das ciências humanas. Embora contenham enfoques
diferenciados entre si, com pontos muitas vezes divergentes, têm em
comum a busca de uma Educação Física que articule as múltiplas
dimensões do ser humano.
as abordagens que tiveram maior impacto a partir de meados
da década de 70 são comumente denominadas de psicomotora,
construtivista e desenvolvimentista com enfoques da psicologia
crítica, com enfoque sociopolítico, embora outras transitem pelos
meios acadêmico e profissional, como, por exemplo, a sociológica-
sistêmica e a antropológica-cultural. Vejamos, então, algumas
abordagens...
abordageM psicoMotora
a psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que
aparece a partir da década de 70 em contraposição aos modelos
anteriores. Nele, o envolvimento da Educação Física é com o
desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os
processos cognitivos, afetivos e psicomotores, ou seja, buscando
garantir a formação integral do aluno.
Nessa tendência, a educação física está envolvida com o
desenvolvimento da criança, com os processos cognitivos, afetivos
e psicomotores, buscando garantir a formação integral do aluno.
O conteúdo predominantemente esportivo é substituído por um
conjunto de meios para a reabilitação, readaptação e integração
que valoriza a aquisição do esquema motor, da lateralidade e da
coordenação a principal vantagem dessa abordagem é a maior
integração com a proposta pedagógica da educação física. Porém,
abandona completamente os conteúdos específicos dessa disciplina,
como se o esporte, a dança, e a ginástica fossem inapropriados
para os alunos.
Coordenação	visomotora	é	
a	capacidade	de	coordenar	
o	campo	visual	com	a	
mobilidade	de	partes	
do	corpo.	Vai	permitir	
movimentos	naturais	bem	
coordenados.	Exempo:	a	
escrita.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 39
A Educação Física é, assim, apenas um meio para ensinar
Matemática, Língua Portuguesa, sociabilização... Para este modelo,
a Educação Física não tem um conteúdo próprio, mas é um conjunto
de meios para a reabilitação, readaptação e integração, substituindo
o conteúdo que até então era predominantemente esportivo, o qual
valorizava a aquisição do esquema motor, lateralidade, consciência
corporal e coordenação visomotora.
A principal vantagem dessa abordagem é que ela possibilitou
uma maior integração com a proposta pedagógica ampla e
integrada da Educação Física nos primeiros anos de educação
formal. Porém, representou o abandono do que era específico
da Educação Física, como se o conhecimento do esporte, da
dança, da ginástica e dos jogos fosse, em si, inadequado para
os alunos.
	Abordagem construtivista
Na perspectiva construtivista, a intenção é a construção do
conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo, e para
cada criança a construção desse conhecimento exige elaboração,
ação sobre o mundo.
A proposta teve o mérito de levantar a questão da importância de
se considerar o conhecimento que a criança já possui na Educação
Física escolar, incluindo os conhecimentos prévios dos alunos no
processo de ensino e aprendizagem. Essa perspectiva também
procurou alertar os professores sobre a importância da participação
ativa dos alunos na solução de problemas.
	 Abordagem desenvolvimentista
A abordagem desenvolvimentista é dirigida especificamente para
a faixa etária até 14 anos e busca nos processos de aprendizagem
e desenvolvimento uma fundamentação para a Educação Física
escolar. É uma tentativa de caracterizar a progressão normal do
crescimento físico, do desenvolvimento motor e da aprendizagem
motora em relação à faixa etária e, em função dessas características,
PEDAGOGIA40
sugerir aspectos ou elementos relevantes à estruturação de um
programa para a Educação Física na escola.
Em suma, uma aula de Educação Física deve privilegiar a
aprendizagem do movimento, conquanto possam estar ocorrendo
outras aprendizagens, de ordem afetivo-social e cognitiva, em
decorrência da prática das habilidades motoras.
Para a abordagem desenvolvimentista, a Educação Física deve
proporcionar ao aluno condições para que seu comportamento
motor seja desenvolvido pela interação entre o aumento da
diversificação e a complexidade dos movimentos. Assim, o principal
objetivo da Educação Física é oferecer experiências de movimento
adequadas ao seu nível de crescimento e desenvolvimento, a fim
de que a aprendizagem das habilidades motoras seja alcançada.
A criança deve aprender a se movimentar para adaptar-se às
demandas e às exigências do cotidiano, ou seja, corresponder aos
desafios motores.
	 Abordagens críticas
Com apoio nas discussões que vinham ocorrendo nas áreas
educacionais e na tentativa de romper com o modelo do esporte
praticado nas aulas de Educação Física, a partir da década
de 80 são elaborados os primeiros pressupostos teóricos num
referencial crítico, com fundamento no materialismo histórico e
dialético.
As abordagens críticas passaram a questionar o caráter alienante
da Educação Física na escola, propondo um modelo de superação
das contradições e injustiças sociais sugerindo que os conteúdos
selecionados para a aula devem propiciar uma melhor leitura
da realidade pelos alunos e possibilitar, assim, sua inserção
transformadora nessa realidade.
Assim,umaEducaçãoFísicacríticaestariaatreladaàstransformações
sociais, econômicas e políticas, tendo em vista a superação das
desigualdades sociais.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 41
Busca possibilitar a compreensão, por parte do aluno, de que a
produção cultural da humanidade expressa uma determinada
fase e que houve mudanças ao longo do tempo. Essa reflexão
pedagógica é compreendida como sendo um projeto político
pedagógico. Político, porque encaminha propostas de intervenção
em determinada direção, e pedagógico, porque propõe uma
reflexão sobre a ação dos homens na realidade, explicitando suas
determinações.
A Educação Física é entendida como uma área que trata de um tipo
de conhecimento, denominado cultura corporal de movimento, que
tem como temas o jogo, a ginástica, o esporte, a dança, a capoeira
e outras temáticas que apresentarem relações com os principais
problemas dessa cultura corporal de movimento e o contexto
histórico-social dos alunos.
Em resumo, a introdução das abordagens psicomotora,
construtivista, desenvolvimentista e crítica no espaço do debate
da Educação Física proporcionaram uma ampliação da visão da
área, tanto no que diz respeito à natureza de seus conteúdos quanto
no que refere aos seus pressupostos pedagógicos de ensino e
concebendo o aluno como ser humano integral. Além disso, foram
englobados aprendizagens. Reavaliaram-se e enfatizaram-se as
dimensões psicológicas, sociais, cognitivas, afetivas e políticas,
objetivos educacionais mais amplos, não apenas voltados para a
formação de físico que pudesse sustentar a atividade intelectual
e conteúdos mais diversificados, não só restritos a exercícios
ginásticos e esportes.
Essas quatro abordagens se desdobram em novas propostas
pedagógicas. Nesse contexto, surge uma nova ordem nas propostas
da atual Lei de Diretrizes e Bases, orientando para que a educação
física se integre na proposta pedagógica da escola. Essa nova ordem
dá autonomia para se construir uma nova proposta, passando para
a escola e para o professor a responsabilidade da adaptação da
ação educativa escolar.
PEDAGOGIA42
Quadro atual
Na atualidade, as quatro grandes tendências apontadas têm se
desdobrado em novas propostas pedagógicas, em função do avanço
da pesquisa e da reflexão teórica específicas da área e da educação
escolar de forma geral, e da sistematização decorrente da reflexão
sobre a prática pedagógica concreta de escolas e professores, que,
muitas vezes, dentro de situações desfavoráveis, seguem inovando.
Ao mesmo tempo, infelizmente, encontra-se ainda, em muitos
contextos, a prática de propostas de ensino pautadas em concepções
ultrapassadas, que não suprem as necessidades e as possibilidades
da educação contemporânea
O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é
uma história de cultura na medida em que tudo o que faz é parte
de um contexto em que se produzem e reproduzem conhecimentos.
O conceito de cultura é aqui entendido, simultaneamente,
como produto da sociedade e como processo dinâmico que vai
constituindo e transformando a coletividade à qual os indivíduos
pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os.
Com um caráter predominantemente utilitário ou lúdico, todas
visam, a seu modo, a combinar o aumento da eficiência dos
movimentos corporais com a busca da satisfação e do prazer na
sua execução. A rigor, o que define o caráter lúdico ou utilitário não
é a atividade em si, mas a intenção do praticante; por exemplo, um
esporte pode ser praticado com fins utilitários, no caso do esportista
profissional, e pode ser praticado numa perspectiva de prazer e
divertimento, pelo cidadão comum.
A nossa missão: um compromisso para a toda a vida!
Hoje, possuímos muitas linhas ou abordagens filosóficas;
cinesiológica, motricidade humana, cultura corporal do movimento,
aptidão física, tradicional, desenvolvimentista, sócioconstrutivista,
sócio- interacionista e a ligada ao meio ambiente.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 2 43
Se esta realidade nos conforta e nos alimenta também nos alerta
para a construção de um Brasil com oportunidades mais amplas
a todos e fazer praticar com excelência o jogo, a luta, o esporte,
a ginástica e a dança, sem nos esquecermos da sensibilidade que
deve guiar todos os nossos passos.
CONCLUSÃO
Nessa unidade verificamos as diversas tendências e abordagens da
educação física escolar, que apresenta um longo caminho trilhado.
Recebemos influências estrangeiras de modelos de ginásticas
atividades até chegarmos à educação física nacional como uma
cultura corporal. Isso também leva à conclusão que não temos
um modelo puro e único, e sim mesclado, de várias influências e
filosofias.
ao final dessa unidade propomos para o aluno:
Identificaraprincipalmarcadecadatendênciarelacionando-a
com as concepções abordadas.
Sugerir exemplos de atividades para cada concepção.
PEDAGOGIA44
COLETIVO DE aUTORES. Metodologia do ensino da
educação física. São Paulo: Cortez, 1992.
CORREIa, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos
cooperativos: em busca de novos paradigmas na educação física.
Campinas, SP: Papirus, 2006.
FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro: Teoria e
Prática da Educação Física, São Paulo: Scipione, 1989. 224 p.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo:
Cortez, 1992.
UNIDADE
OBJETIVO DESTA UNIDADE:
Verificar as possibilidades
que a Educação Física
Escolar proporciona
no processo de ensino
e aprendizagem com
suas múltiplas inserções
sociais.
Saber a forma mais
adequada de trabalhar
com a Educação Física
como componente
curricular.
3
A EDUCAÇÂO FÍSICA ESCOLAR
N
o universo de produções da cultura corporal de
movimento, algumas foram incorporadas pela
Educação Física como objetos de ação e reflexão: os
jogos e brincadeiras, os esportes, as danças, as ginásticas e as
lutas, que têm em comum a representação corporal de diversos
aspectos da cultura humana. São atividades que ressignificam
a cultura corporal humana e o fazem utilizando ora uma
intenção mais próxima do caráter lúdico, ora mais próxima do
pragmatismo e da objetividade.
a Educação Física tem uma história de pelo menos um
século e meio no mundo ocidental moderno. Possui uma
tradição e um saber-
fazer ligados ao jogo, ao
esporte, à luta, à dança
e à ginástica, e, a partir
deles, tem buscado a
formulação de um recorte
epistemológico próprio.
O	Pragmatismo	constitui	
uma	escola	de	filosofia,	com	
origens	nos	Estados	Unidos	
da	América,	caracterizada	
pela	descrença	no	fatalismo	
e	pela	certeza	de	que	só	a	
ação	humana,	movida	pela	
inteligência	e	pela	energia,	
pode	alterar	os	limites	da	
condição	humana.	...
pt.wikipedia.org/wiki/
Pragmatismo
Fonte:	criandocriancas.blogspot.com
46 PEDAGOGIA
O trabalho na área da Educação Física tem seus fundamentos nas
concepções socioculturais de corpo e movimento, e a natureza do
trabalho desenvolvido nessa área se relaciona intimamente com a
compreensão que se tem desses dois conceitos.
Portanto, entende-se a Educação Física como uma área de
conhecimento da cultura corporal de movimento e a Educação
Física Escolar como uma disciplina que introduz e integra o aluno
na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai
produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para
usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas
em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da
qualidade de vida.
a Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos
para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática
e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos.
Cabe assinalar que os alunos portadores de necessidades especiais
não podem ser privados das aulas de Educação Física.
Seja qual for o objeto de conhecimento em questão, os processos
de ensino e tarefa da Educação Física escolar devem garantir o
acesso dos alunos às práticas da cultura corporal, contribuir para a
construçãodeumestilopessoaldepraticá-las,eoferecerinstrumentos
Fonte:	kely.silva.zip.net
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 3 47
para que sejam capazes de apreciá-las criticamente. aponta para
uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que busca
o desenvolvimento da autonomia, a cooperação, a participação
social e a afirmação de valores e princípios democráticos.
MÍDIA E CULTURA CORPORAL DE MOVIMENTO
aadolescênciatemcomoumadesuascaracterísticasatuaisacapacidade
de produzir formas culturais próprias. Essa cultura dos jovens está
muito associada aos meios de comunicação, em especial a televisão, e
valoriza o uso de uma linguagem audiovisual (combinação de palavras,
imagens e música) que se manifesta na própria comunicação entre
os jovens (uso de gestos corporais, onomatopeias, gírias, palavras e
frases truncadas etc.) e na linguagem da mídia (videoclipes, imagens
produzidas por computação gráfica, desenhos e fotos associadas a
textos concisos nas revistas e jornais etc.).
amídiaestápresentenocotidianodosalunos,transmitindoinformações,
alimentando um imaginário e construindo um entendimento de
mundo.
Também no campo da cultura corporal
de movimento a atuação da mídia é
decrescente aprendizagem. Devem
considerar as caract-rísticas dos
alunos em todas as suas dimensões
(cognitiva, corporal, afetiva, ética,
estética, de relação interpessoal e
inserção social).
O aluno deve aprender para além das técnicas de execução (conteúdos
procedimentais) a discutir regras e estratégias, apreciá-los criticamente,
analisá-los esteticamente, avaliá-los eticamente, ressignificá-los e
recriá-los (conteúdos atitudinais e conceituais), processos decisivos na
Onomatopeia	é	uma	figura	
de	linguagem	na	qual	se	imita	
um	som	com	um	fonema	ou	
palavra.	Ruídos,	gritos,	canto	
de	animais,	sons	da	natureza,	
barulho	de	máquinas,	o	timbre	
da	voz	humana	fazem	parte	do	
universo	das	onomatopeias.	...
pt.wikipedia.org/wiki/
Onomatopeia
Fonte:	antoniozai.wordpress.com
48 PEDAGOGIA
construção de novos significados e modalidades de entretenimento e
consumo.
O esporte, as ginásticas, as danças e as lutas tornam-se, cada vez mais,
produtos de consumo (mesmo que apenas como imagens) e objetos
de conhecimento e informações amplamente divulgados ao grande
público. Jornais, revistas, videogames, rádio e televisão difundem ideias
sobre a cultura corporal de movimento, e muitas dessas produções são
dirigidas especificamente ao público adolescente e infantil. Os alunos
também tomam contato, (andar, correr, malhar, na academia etc.), à
superação de desafios (body-jumping, asa-delta) ou a atividades na
natureza (montanhismo, trilhas ecológicas).
Em primeiro lugar, os alunos possuem muitas informações sobre a
cultura corporal de movimento em geral e sobre esportes em particular,
exigindo do professor uma atualização constante.
O professor precisa estar permanentemente atento à mídia, a fim de não
perder um importante canal de diálogo e compartilhamento de interesses.
OS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO
FUNDAMENTAL
Sabemos que os estudantes são sujeitos sociais e de cultura e chegam
às escolas com saberes de sua comunidade local, muitas vezes,
influenciados pelas culturas das mídias e do contexto global. Cabe
à escola ampliá-los além de propiciar aos estudantes a reflexão dos
saberes escolares.
O passo seguinte é partir para as ações, com base em práticas
pedagógicas, metodologias de ensino, planejamentos das aulas e
avaliações do ensino-aprendizagem. Acreditamos que, dessa forma,
poderemos avançar em direção a um currículo que se aproxime das
aprendizagens reais de sala de aula.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 49
Acreditamos também que as práticas curriculares devem ser pensadas
à luz do processo de formação dos educadores.
Por fim, entendemos que um currículo não se cristaliza com o
documento. Mais que isso, currículo é constante movimento, vida e
cultura das escolas, acompanha o curso da história da sociedade, seus
anseios e dilemas.
Objetivos nos Ciclos
De acordo com o Referencial Curricular do Estado do Maranhão
(2009), os objetivos para o ensino fundamental são:
•	 Garantir a todos os alunos a aprendizagem dos saberes da cultura
corporal expressos nos jogos, lutas, ginásticas, danças, esportes e
outras práticas (mímicas, artes circenses etc.), de maneira crítico-re-
flexiva, com vistas a uma compreensão/transformação da realidade;
•	 Promover o entendimento e a valorização das práticas corporais
como produção histórica;
•	 Problematizar, inventar e reinventar as práticas corporais lúdicas e
competitivas da cultura corporal;
•	 Ampliar o conhecimento prévio do aluno acerca das práticas da
cultura corporal;
•	 Oportunizar a expressão da corporeidade, superando limites como
a violência, o preconceito e a discriminação;
•	 Favorecer o conhecimento, o respeito e a valorização da plurali-
dade de manifestações da cultura corporal do Brasil e do mundo,
percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pes-
soas e entre grupos sociais e étnicos.
Para entendimento, apresentamos alguns objetivos a serem
considerados no ensino fundamental por ciclos para vermos como a
disciplina coloca-se ao longo da escolaridade num espiral de constante
desenvolvimento e crescimento.
50 PEDAGOGIA
Ciclos na Educação Física
Nos 1º e 2º ciclos, espera-se que os alunos sejam capazes de participar
ativamente das aulas e atividades propostas, estabelecendo relações
equilibradas e construtivas, além de adotar atitudes de respeito mútuo,
dignidade e solidariedade, compreendendo que são fatores primordiais
a saúde, os hábitos de higiene, a alimentação e as atividades corporais.
Para atingir essas competências, é importante desenvolver as seguintes
habilidades:
Conteúdos, habilidades, atitudes e Procedimentos rela-
cionados por faixa etária
06 ANOS / 07 ANOS / 08 ANOS
1. 	 Participar de brincadeiras e jogos, respeitando regras e combi-
nados apresentados pelo grupo.
2. 	 Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os
colegas, por nenhum motivo ou razão.
3. 	 Identificar, conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar das diferen-
tes manifestações culturais a começar pelas de seu grupo fami-
liar e de seus colegas.
4. 	 Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci-
mentos.
5. 	 Compreender a importância do vestuário adequado para a prá-
tica de atividades físicas, fazendo uso do mesmo.
6. 	 Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am-
biente.
7. 	 Compreender as relações referentes à inclusão X exclusão, vitó-
ria X derrota, entre outras existentes nas práticas corporais.
08. 	Valorizar, apreciar e desfrutar das diferentes manifestações cul-
turais presentes em sua comunidade.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 51
09. 	Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo,
compreendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais
para desenvolver auto estima e cuidados consigo próprio.
10.	Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida-
des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde.
11.	Compreender e participar de diferentes atividades corporais
sem discriminar os colegas, por nenhum motivo ou razão.
12. 	Adotar atitudes de respeito e cooperação na solução de pro-
blemas utilizando o diálogo para favorecer a troca de conheci-
mentos.
13. 	Conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar das diferentes manifes-
tações culturais.
09 ANOS / 10 ANOS
1. 	 Conhecer os diferentes recursos materiais e físicos disponíveis
para a construção do conhecimento nas práticas corporais.
2. 	 Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os
colegas, por nenhum motivo ou razão.
3. 	 Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo,
compreendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais
para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio.
4. 	 Conhecer e comparar os diferentes recursos materiais e físicos
disponíveis para a construção do conhecimento nas práticas
corporais.
5. 	 Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os
colegas, por nenhum motivo ou razão.
6. 	 Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida-
des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde.
7. 	 Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci-
mentos.
8. 	 Compreender a importância do vestuário adequado para a prá-
tica de atividades físicas, fazendo uso do mesmo.
9. 	 Conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar das diferentes manifes-
tações culturais presentes na sociedade.
10. 	Compreender as relações referentes à inclusão X exclusão, vitó-
ria X derrota, dentre outras existentes nas práticas corporais.
52 PEDAGOGIA
11. 	Organizar informações importantes para a potencialização das
práticas corporais a partir dos eventos escolares.
12. 	Organizar jogos, brincadeiras e outras atividades corporais, re-
conhecendo-as como fonte de lazer.
13. 	Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am-
biente.
14. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se
como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele
oferecida.
15. Conscientizar e compreender a gama de transformações do cor-
po e situá-lo no contexto de suas práticas corporais, aperceben-
do-se do outro enquanto participador do mesmo espaço.
16. Utilizar as relações referentes à inclusão X exclusão, vitória X
derrota, entre outras existentes nas práticas corporais.
Nesta etapa do desenvolvimento os alunos são capazes de
realizar movimentos mais elaborados e complexos, entendendo as
possibilidadescorporaisafimdequesejamestabelecidasmetaspessoais
como recurso de melhoria da saúde, além de participar ativamente das
atividades propostas com respeito às regras e aos colegas.
11 ANOS / 12 ANOS
1. 	 Organizar, autonomamente, atividades esportivas, jogos, brin-
cadeiras e outras atividades corporais, valorizando-as e pautan-
do-se por princípios de respeito à diversidade e inclusão, dentre
outros princípios democráticos, principalmente, como meio de
educação para o lazer.
2. 	 Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os
colegas, por nenhum motivo ou razão.
3. 	 Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo,
compreendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais
para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio.
4. 	 Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida-
des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde.
5. 	 Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci-
mentos.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 53
6. 	 Participar de jogos e brincadeiras, respeitando e compreenden-
do as regras de cada atividade.
7. 	 Compreender, criticamente, as relações referentes à inclusão e
exclusão, vitória e derrota, dentre outras existentes nas práticas
corporais.
8. 	 Identificar e compreender a importância do vestuário adequado
para a prática de atividades físicas.
9. 	 Compreender a importância dos exercícios físicos na promoção
e manutenção da saúde.
10. 	Vivenciar e compreender a importância do intercâmbio em ou-
tros espaços para o crescimento pessoal e coletivo.
11. 	Situar-se como sujeito de suas ações, no sentido de aperceber-
se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a
ele oferecida.
12. 	Conscientizar e compreender a gama de transformações do cor-
po e situá-lo no contexto de suas práticas corporais, aperceben-
do-se do outro enquanto participador do mesmo espaço.
13. 	Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am-
biente.
14. 	Qualificar o próprio movimento para atuar de forma mais efi-
ciente dentro de suas possibilidades corporais.
15. 	Construir regras mediadoras de jogos, brincadeiras e esportes
de acordo com as necessidades do grupo, visando à participa-
ção efetiva de todos.
16. 	Vivenciar diversos papéis assumidos no contexto esportivo (ár-
bitro, técnico, torcedor, atleta etc.).
17. 	Vivenciar os aspectos técnicos e táticos do esporte no contexto
escolar.
18. 	Organizar as informações decorrentes de eventos escolares e
de conteúdos programáticos, utilizando os diferentes recursos e
meios adequados à proposta de trabalho.
19. 	Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se
como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele
oferecida.
Nessa etapa do desenvolvimento os alunos são capazes de realizar
movimentos mais elaborados e complexos, entendendo as
possibilidadescorporaisafimdequesejamestabelecidasmetaspessoais
como recurso de melhoria da saúde, além de participar ativamente das
atividades propostas com respeito às regras e aos colegas.
54 PEDAGOGIA
13 ANOS / 14 ANOS
1. 	 Qualificar o próprio movimento para atuar de forma mais eficiente
dentro de suas possibilidades corporais.
2. 	 Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os co-
legas, por nenhum motivo ou razão.
3. 	 Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo, com-
preendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais para
desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio.
4. 	 Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida-
des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde.
5. 	 Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci-
mentos.
6. 	Analisar as regras oficiais das práticas corporais e construir regras
mediadoras de jogos, brincadeiras e esportes de acordo com as
necessidades do grupo, visando à participação efetiva de todos.
7. 	 Compreender, criticamente, as relações referentes à inclusão e ex-
clusão, vitória e derrota, dentre outras existentes nas práticas cor-
porais.
8. 	 Compreender e vivenciar os aspectos técnicos e táticos do esporte
no contexto escolar, construindo com criticidade esse contexto fora
da escola.
9. 	 Identificar e compreender a importância do vestuário adequado
para a prática de atividades físicas.
10. 	Reconhecer a importância dos exercícios físicos na promoção e
manutenção da saúde e qualidade de vida.
11. 	Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am-
biente.
12. 	Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se
como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele
oferecida.
13. 	Conscientizar e compreender a gama de transformações do corpo
e situá-lo no contexto de suas práticas corporais, apercebendo-se
do outro enquanto participador do mesmo espaço.
14. 	Vivenciar e compreender a importância do intercâmbio em outros
espaços, para o crescimento pessoal e coletivo.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 3 55
15. Compreender a importância dos exercícios físicos na promoção e
manutenção da saúde.
16. Compreender os aspectos biológicos e fisiológicos relacionados às
práticas corporais.
17. Vivenciar diversos papéis assumidos no contexto esportivo (árbi-
tro, técnico, torcedor, atleta etc.).
CONCLUSÃO
Nesta unidade entramos na cultural corporal do movimento,
esclarecendo objetivos por faixa etária que podemos ver em uma ordem
crescente no desenvolvimento motor, a cada etapa do crescimento, e
como trabalhar, assim, a educação física escolar.
SECRETaRIa MUNICIPaL DE EDUCaÇÃO. Referencial Curricular
de Betim. Ensino Fundamental. Betim: Prefeitura Municipal de Betim,
2008.
unidade
Objetivo dESTA unidade:
Orientar
metodologicamente
como trabalhar com
conhecimento e
competência no trato
pedagógico com a
Educação Física dentro
da escola
Orientar o trabalho da
Educação Física junto
com o corpo docente,
favorecendo um ensino
transdiciplinar.
4
ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS
É
recomendável que o professor realize, antes de iniciar
as aulas, um mapeamento das práticas corporais
que já façam parte do repertório dos alunos. Isso
possibilitará uma seleção mais adequada das temáticas que
serão trabalhadas e influenciará de maneira decisiva a adesão
do grupo à proposta, facilitando o aprendizado.
Numa comunidade em que os alunos têm atividades motoras
bastante restritas, em áreas essencialmente urbanas, por
exemplo, o estudo e a vivência das ginásticas envolvendo
movimentos- como rolamento, roda, parada de mãos
etc. – precisam ser conduzidas pelo professor de maneira
extremamente cuidadosa. Em outra escola, onde as crianças
têm experiências extracurriculares com práticas corporais
mais variadas e frequentes, como jogos e brincadeiras, o grau
de complexidade das técnicas e dos gestos poderá ser mais
elevado.
No primeiro ano, queimada, pique-bandeira, rodas,
amarelinhas e esconde-esconde são exemplos de propostas
58 PEDAGOGIA
que podem ser adotadas inicialmente e transformam-se em
conteúdos ricos que podem levar a conhecimentos cada vez mais
complexos na medida em que os alunos seguem vivenciando nas
atividades. Nessa etapa de escolarização, também é desejável
que a Educação Física extrapole o universo cultural e corporal
próximo às crianças.
Independentemente do conhecimento prévio delas, cabe à
escola propor novas aprendizagens. Projetos que abarquem as
brincadeiras de países e povos diferentes, danças e cantigas de
outros tempos e lugares, além de atividades corporais que possam
ser pesquisadas em sites, livros, entrevistas, revistas e jornais,
se constituem em experiência relevantes para a ampliação dos
conhecimentos da criança (Revista Nova Escola-ago. 2010).
A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO PROCESSO DE
APRENDIZAGEM
Abordar a importância e a relevância da Educação Física no
processo de aprendizagem é passar necessariamente pelo
conhecimento do que é a educação física hoje e de que maneira
o profissional capacitado pode contribuir para esse processo.
Para alcançar esse propósito é necessário um planejamento
pedagógico que veja a criança como um todo, sem a separação
tradicional do corpo e da mente. Torna-se também importante
utilizar a interdisciplinaridade como método de ensino. Visto que
a Educação Física trabalha a motricidade para o desenvolvimento
da inteligência, dos sentimentos, das relações sociais entre outros
fatores.
A sistematização de conteúdos terá como base a Cultura Corporal
manifestada nas danças, jogos, lutas ginásticas, esportes e outras
práticas (mímicas, artes circenses etc.). Nesta orientação pedagógica
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 59
levam-se em conta temas da cultura corporal que fazem parte do
mundo do aluno.
Em relação às habilidades motoras, deve-se trabalhar os padrões
básicos de movimento, levando em consideração as características
de crescimento e desenvolvimento humano que possuem uma
evolução gradativa, ou seja, não podemos esperar que uma
criança de seis anos de idade jogue basquete com todas as regras
do esporte, mas podemos, aos poucos, levá-la a acertar pequenos
alvos, correr, agarrar a bola até que no futuro possa começar a
aprender as habilidades necessárias ao jogo.
As capacidades físicas de força, resistência, agilidade, velocidade,
flexibilidade e equilíbrio que levam ao conhecimento devem ser
trabalhadas, pois as habilidades motoras simples e/ou combinadas
vão levando a criança a incorporação de movimentos cada vez
mais complexos.
Utilizamos, ainda, dentro dos conteúdos as habilidades motoras
básicas do movimento humano como andar, correr, saltar, esquivar,
escorregar, deslizar, rolar, girar, bater, rebater, escalar, transportar,
pendurar-se, balançar-se, chutar, arremessar, receber, amortecer,
cabecear, etc.
A Percepção do corpo em repouso e em movimento, noções de
elementos orgânicos funcionais
(tonos, respiração, relaxamento
e contração); noções de espaço
e tempo com ritmo duração,
acentuação, velocidade, direção
e sentido tudo é utilizado nas
aulas de acordo com os objetivos
no planejamento do professor.
Esclarecemos que o conteúdo
segue uma sistematização do
simples para o complexo e do
geral para o específico. Como
segue o esquema:
Quadro 1
Fonte: Pangrazzi e Dauer, 1981
60 PEDAGOGIA
Dentro de uma sistematização da aula leva-se em conta três fases:
Primeira fase: PROBLEMATIZAÇÃO - o conteúdo e os objetivos
da aula são apresentados e são feitas as primeiras considerações
e questionamentos que levem à reflexão a partir do conhecimento
prévio do aluno sobre a temática.
Segunda fase: DESENVOLVIMENTO DO TEMA- etapa da aula
que toma a maior parte do tempo disponível. Nela os alunos são
convidados a desenvolver diversas atividades que os ajudarão a
ampliar seus conhecimentos sobre o objeto de estudo da aula.
Terceira Fase: AVALIAÇÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS- alunos
e professores fazem inter-relações sobre a temática da aula, a
problematização inicial e as atividades desenvolvidas, com o
objetivo de evidenciar a construção do conhecimento sobre as
práticas corporais estudadas. Nesse momento, o professor poderá
avaliar o nível de apreensão do conteúdo por parte dos alunos,
para planejar o seguimento do seu trabalho pedagógico.
Fonte: Referencial curricular de educação física do estado do
Maranhão.
Podemos perceber que os objetivos, à medida que o aluno passa
de um ciclo para outro, permanecem, mudam e aprofundam-se,
levando a um conhecimento e desenvolvimento mais complexo e
abrangente. Cabe ao professor verificar cada etapa para progredir
com segurança de uma etapa para outra.
PLANO DE ENSINO
O planejamento das aulas de educação física deve conter os
elementos dos eixos norteadores para abordar os conteúdos
específicos da cultura corporal através das danças, jogos, lutas,
ginásticas, esportes e outras práticas.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 61
O plano não é diferente das outras disciplinas: contém o tema,
objetivos (geral e específico), conteúdo, recursos, avaliação e
observações. Quanto às observações utiliza-se hoje uma ficha de
acompanhamento que pode ser individual (para cada aluno) ou
para cada aula, descrevendo como a aula procedeu, se os objetivos
foram alcançados e quais os acontecimentos relevantes.
Essas fichas ajudam o professor a avaliar seu trabalho tendo em
mente as seguintes questões que facilitam esse processo:
O que aconteceu na aula?
É isso que eu quero?
Quais mudanças devem ser feitas para ajudar os alunos a jogar com
mais eficácia?
Devo mudar as condições do jogo?
Um momento ideal para isso é após a primeira aula, embora
os questionamentos devam ser feitos durante a aula. Questões
adicionais podem ser desenvolvidas, pois a criatividade deve estar
presente no planejamento do professor. Logo, relatar os objetivos
do jogo; questionar os alunos sobre sugestões de outras formas
de fazer o movimento; questionar os alunos sobre a razão de uma
solução ser melhor que a outra; ser ouvinte e flexível e não forçar
escolhas (“esta é a melhor solução”). Estimular a criança a resolver
problemas por si só, sem a necessidade de impor posições, regras
ou situações é o papel do professor.
A CRIANÇA, A EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO FÍSICA
Na escola, se quisermos atender às necessidades da criança, o
melhor caminho é começar por entendê-la.
62 PEDAGOGIA
Para que a criança tenha um desenvolvimento harmônico é
fundamental que os domínios do comportamento sejam trabalhados
conjuntamente.
Os domínios do comportamento são compostos de três elementos
que são o domínio motor (movimentos), o cognitivo (pensamento) e
o afetivo (sentimentos), todos formando uma só unidade: a criança,
a respeito de si mesma e do mundo em que vive. a importância
do ambiente que favoreça a aprendizagem deve ser rico em
experiências significativas para seu conhecimento, que favorecerá o
conhecimento próprio que a criança levará para a escola.
Os movimentos são de grande importância para a vida do ser
humano. É através dele que o ser humano age sobre o meio
ambiente, para alcançar objetivos e desejos ou satisfazer suas
necessidades. a comunicação, a expressão da criatividade e dos
sentimentos, é feita de movimentos.
Vocêjáviuumacriançapequena,nãoémesmo?Viuseusmovimentos
desajeitados no começo, mas aos poucos foram ficando seguros e
organizados. as principais manifestações de uma criança de um
recém-nascido são motoras e é pelos movimentos que a criança
desenvolve conceitos como: pequeno, grande, duro, mole, quente,
gelado, pesado e leve. O movimento é a essência da criança.
Fonte:	colegioagape.org.br
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 63
As habilidades motoras desenvolvidas nos primeiros anos de vida
formam a base para a aprendizagem posterior de movimentos mais
complexos.
A maioria das crianças atendidas nos primeiros anos do ensino
fundamental está na fase de desenvolvimento das habilidades
básicas ou movimentos naturais. A Educação Física deve
proporcionar uma variedade de oportunidades para que a criança
desenvolva no máximo todas as potencialidades de movimentos,
desenvolvendo assim a capacidade de usar seu corpo efetivamente.
A educação Física deve, ainda, proporcionar às crianças ambientes
de aprendizagem que facilitem as atitudes de tentar, praticar, pensar,
tomar decisões, avaliar e persistir.
Veja ao lado os movimentos realizados de acordo com um
parâmetro de idades que não são fixas. Estes movimentos pode
variar de acordo com as experiências vividas pela criança.
Quadro 2
Fonte:Pangrazzi e Dauer, 1981
64 PEDAGOGIA
Perceba também que os movimentos aparecem do geral para o
específico, e do simples para o mais complexo.
a prática da atividade motora leva a mudanças no organismo da
criança. Há mudanças nos músculos, no coração, nos pulmões, no
sistema nervoso. Cada uma dessas mudanças ocorre devido aos
diferentes tipos de atividade física.
É necessário também verificar como os conteúdos acontecem de
acordo com o desenvolvimento motor da criança:
Desenvolvimento motor
O desenvolvimento motor representa um aspecto do processo
desenvolvimentista total e está intrinsecamente inter-relacionado
às áreas cognitivas e afetivas do comportamento humano, sendo
influenciado por muitos fatores. a importância do desenvolvimento
motor ideal não deve ser minimizada ou considerada como secundária
em relação a outras áreas do desenvolvimento. Portanto, o processo
do desenvolvimento motor revela-se basicamente por alterações no
comportamento motor, do bebê ao adulto, é um envolvido no processo
permanente de aprender a mover-se eficientemente, em reação ao que
enfrentamos diariamente em um mundo em constante modificação
(GaLLaHUE; OZMUN, 2002).
Fonte:	escolapedrita.com.br
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 65
Nos primeiros anos de vida a criança explora o mundo que a rodeia
com os olhos e as mãos, através das atividades motoras. Ela estará,
ao mesmo tempo, desenvolvendo as primeiras iniciativas intelectuais e
os primeiros contatos sociais com outras crianças. É em função do seu
desenvolvimento motor que a criança se transformará numa criatura
livre e independente (BATISTELLA, 2001).
Segundo Oliveira (2001), toda sequência básica do desenvolvimento
motor está apoiada na sequência de desenvolvimento do cérebro, visto
que a mudança progressiva na capacidade motora de um indivíduo,
desencadeada pela interação desse indivíduo com seu ambiente
e com a tarefa em que ele esteja engajado. Em outras palavras, as
características hereditárias de uma pessoa, combinada com condições
ambientais específicas (como por exemplo, oportunidade para prática,
encorajamento e instrução) e os próprios requerimentos da tarefa que
o indivíduo desempenha, determinam a quantidade e a extensão da
aquisição de destrezas motoras e a melhoria da aptidão (GALLAHUE;
OZMUN, 2002).
Elementos básicos do desenvolvimento motor
	 Motricidade fina
Motricidade Fina “é uma atividade de movimento espacialmente
pequena, que requer um emprego de força mínima, mas grande precisão
ou velocidade ou ambos, sendo executada principalmente pelas mãos e
dedos, às vezes também pelos pés” (MEINEL, 1984, p.154).
A coordenação fina diz respeito à habilidade e destreza manual ou
pedal constituindo-se como um aspecto particular na coordenação
global.
Habilidades motoras finas requerem a capacidade de controlar
os músculos pequenos do corpo, a fim de atingir a execução bem-
sucedida da habilidade (MAGILL, 1984). Conforme Canfield (1981),
a motricidade fina envolve a coordenação óculo-manual e requer um
alto grau de precisão no movimento para o desempenho da habilidade
66 PEDAGOGIA
específica, num grande nível de realização. Podemos citar exemplo da
necessidade desta habilidade que seria na realização de tarefas como
escrever, tocar piano, trabalhar em relógios etc.
A coordenação viso manual representa a atividade mais frequente
utilizada pelo homem, pois atua para inúmeras atividades como pegar
ou lançar objetos, escrever, desenhar, pintar etc (ROSA NETO, 1996).
Velasco (1996, p. 107) destaca que “a interação com pequenos objetos
exigem da criança os movimentos de preensão e pinça que representam
a base para o desenvolvimento da coordenação motora fina”.
	 Motricidade global
Segundo Batistella (2001), a motricidade global tem como objetivo
a realização e a automação dos movimentos globais complexos, que
se desenrolam num certo período de tempo e que exigem a atividade
conjunta de vários grupos musculares.
A motricidade global envolve movimentos que envolvem grandes
grupos musculares em ação simultânea, com vistas à execução de
movimentos voluntários mais ou menos complexos.
Dessa forma, as capacidades motoras globais são caracterizadas por
envolver a grande musculatura como base principal de movimento.
No desempenho de habilidades motoras globais, a precisão do
movimento não é tão importante para a execução da habilidade,
como nos casos das habilidades motoras finas. Embora a precisão não
seja um componente importante nesta tarefa, a coordenação perfeita
na realização deste movimento é imprescindível ao desenvolvimento
hábil desta tarefa (MAGILL, 1984).
A coordenação global e as experimentações feitas pela criança levam
a adquirir a dissociação do movimento, levando-a a ter condições de
realizar diversos movimentos simultaneamente, sendo que cada um
destes movimentos pode ser realizado com membros diferentes sem
perder a unidade do gesto (OLIVEIRA, 2001).
A conduta motora, de coordenação motora global é concretizada
através da maturação, motora e neurológica da criança. Para isto
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 67
ocorrer haverá um refinamento das sensações e percepções, visual,
auditiva, sinestésica, tátil e principalmente proprioceptiva, através da
solicitação motora que as atividades infantis requerem (VELASCO,
1996).
	Equilíbrio
O equilíbrio é a base primordial de toda ação diferenciada dos
membros superiores. Quanto mais defeituoso é o movimento mais
energia consome, tal gasto energético poderia ser canalizado para
outros trabalhos neuromusculares. Nesta luta constante, ainda que
inconsciente, contra o desequilíbrio resulta numa fatiga corporal,
mental e espiritual, aumentando o nível de stress, ansiedade, e angústia
do indivíduo.
A postura é a atividade reflexa do corpo com respeito ao espaço. O
equilíbrio considerado como o estado de um corpo, quando distintas
e encontradas forças que atuam sobre ele se compensam e se anulam
mutuamente. Desde o ponto de vista biológico, a possibilidade de
manter posturas, posições e atitudes indica a existência de equilíbrio.
O equilíbrio tônico postural do sujeito, seu gesto, seu modo de respirar,
sua atitude etc., são reflexo de seu comportamento, porém ao mesmo
tempo de suas dificuldades e de seus bloqueios. Para voltar a encontrar
seu estado de equilíbrio biopsicossocial, é necessário liberar os pontos
de maior tensão muscular (couraças musculares), isto é, o conjunto de
reações tônicas de defesa integradas a atitude corporal. No plano da
organização neuropsicológica, se pode dizer que o equilíbrio tônico
postural constitui o modelo de autorregulação do comportamento
(ROSA NETO, 1996).
Asher (1975), considera que as variações da postura estão associadas
a períodos de crescimento, aparecendo como uma resposta aos
problemas de equilíbrio que costumam ocorrer segundo as mudanças
nas proporções corporais e seus segmentos. Conforme Rosa Neto
(1996), a postura inadequada está associada a uma excessiva tensão
que favorece um maior trabalho neuromuscular, dificultando a
transmissão e informações dos impulsos nervosos.
68 PEDAGOGIA
	Esquema corporal
A imagem do corpo representa uma forma de equilíbrio. Em um
contexto de relações mútuas do organismo e do meio é onde se
organiza a imagem do corpo como núcleo central da personalidade
(ROSA NETO, 1996).
O esquema corporal é um elemento básico indispensável para a
formação da personalidade da criança. É a representação relativamente
global, científica e diferenciada que a criança tem de seu próprio corpo
(WALLON, 1975).
A criança percebe-se e percebe os seres e as coisas que a cercam,
em função de sua pessoa. Sua personalidade se desenvolverá a uma
progressiva tomada de consciência de seu corpo, de seu ser, de suas
possibilidades de agir e transformar o mundo à sua volta. Ela se sentirá
bem na medida em que seu corpo lhe obedece, em que o conhece
bem, em que o utiliza não só para movimentar-se, mas também para
agir (PEREIRA, 2002).
As atividades tônicas, que está relacionada à atitude, postura e a
atividade cinética, orientada para o mundo exterior. Essas duas
orientações da atividade motriz (tônica e cinética), com a incessante
reciprocidade das atitudes, da sensibilidade e da acomodação
perceptiva e mental, correspondem aos aspectos fundamentais da
função muscular, que deve assegurar a relação com o mundo exterior
graças aos deslocamentos e movimentos do corpo (mobilidade) e
assegurar a conservação do equilíbrio corporal, infraestrutura de toda
ação diferenciada (tono). A função tônica se apresenta em um plano
fisiológico, em dois aspectos: o tono de repouso o estado de tensão
permanente do músculo que se conserva inclusive durante o sono;
o tono de atitude, ordenado e harmonizado pelo jogo complexo dos
reflexos da atitude, sendo estes mesmos, resultado das sensações
proprioceptivas e da soma dos estímulos provenientes do mundo
exterior (ROSA NETO, 1996).
A imagem corporal como resultado complexo de toda a atividade
cinética, sendo a imagem do corpo a síntese de todas as mensagens,
de todos os estímulos e de todas as ações que permitam a criança se
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 4 69
diferenciar do mundo exterior, e de fazer do “EU” o sujeito de sua
própria existência. O esquema corporal pode ser definido no plano
educativo, como a chave de toda a organização da personalidade
(PEREIRa, 2002).
organiZação espacial
a noção do espaço é uma noção ambivalente, ao mesmo tempo
concreta e abstrata, finita e infinita. Na vida cotidiana utilizamos
constantemente os dados sensoriais e perceptivos relativos ao espaço
que nos rodeia. Estes dados sensoriais contêm as informações sobre
as relações entre os objetos que ocupam o espaço, porém, é nossa
atividade perceptiva baseada sobre a experiência do aprendizado
a que lhe dá um significado. a organização espacial depende
simultaneamente da estrutura de nosso próprio corpo (estrutura
anatômica, biomecânica, fisiológica etc.), da natureza do meio que
nos rodeia e de suas características (ROSa NETO, 1996).
Todas as modalidades sensoriais participam pouco ou muito na
percepção espacial: a visão; a audição; o tato; a propriocepção; e o
olfato. a orientação espacial designa nossa habilidade para avaliar com
precisão a relação física entre nosso corpo e o meio ambiente, e a tratar
as modificações no curso de nossos deslocamentos (OLIVEIRa, 2001).
as primeiras experiências espaciais estão estreitamente associadas
ao funcionamento dos diferentes receptores sensoriais sem os quais
a percepção subjetiva do espaço não poderia existir; a integração
contínua das informações recebidas conduz a sua estruturação, e
ação eficaz sobre o meio externo. Olho e ouvido; labirinto; receptores
articulares e tendinosos; fusos neuromusculares e pele; representam o
ponto de partida de nossa experiência espacial (ROSa NETO, 1996).
a percepção relativa à posição do corpo no espaço e de movimento tem
como origem estes diferentes receptores com seus limites funcionais,
enquanto que a orientação espacial dos objetos ou dos elementos do
meio, necessita mais da visão e audição. Está praticamente estabelecido
que da interação e da integração destas informações internas e externas
provem nossa organização espacial (OLIVEIRa, 2001).
Propriocepção	também	
denominado	de	Cinestesia,	é	
o	termo	utilizado	para	nomear	
a	capacidade	em	reconhecer	a	
localização	espacial	do	corpo,	
sua	posição	e	orientação,	a	
força	exercida	pelos	músculos	
e	a	posição	de	cada	parte	do	
corpo	em	relação	às	demais,	
sem	utilizar	a	visão.	...
pt.wikipedia.org/wiki/
Propriocepção
70 PEDAGOGIA
Segundo as características das nossas atividades, podemos utilizar
duas dimensões do espaço plano distância ou profundidade. a pele
apresenta receptores táteis onde a concentração modifica de uma
região a outra no corpo. a separação dos pontos de estimulação
permite fazer diferenças entre o contínuo e o distinto. Os índices táteis,
associados aos índices sinestésicos resultam da exploração de um
objeto que permite o reconhecimento das formas (esterognosia) em
ausência da visão (sentido háptico). Os deslocamentos de uma parte
do corpo sobre uma superfície plana podem ser apreciados pela
sinestesia tanto no caso dos movimentos lineares como angulares.
as sensações vestibulares abastecem índices sobre certos dados
espaciais (orientação, velocidade e aceleração). Chegam aos núcleos
vestibulares, ao cerebelo e ao lóbulo frontal, porém só contribuem
muito debilmente a percepção dos deslocamentos. Não obstante,
durante os deslocamentos passivos onde a visão e a sinestesia não
intervêm, a orientação espacial diminui, geralmente se existe lesão do
sistema vestibular (RIGaL, 1988).
organiZação teMporal
Percebemos o transcurso do tempo a partir das mudanças que se
produzem durante um período estabelecido e da sua sucessão que
transforma progressivamente o futuro em presente e depois em
passado. O tempo é antes de tudo memória, à medida que leio, o tempo
passa. assim aparecem os dois grandes componentes da organização
temporal, a ordem e a duração, que o ritmo reúne, o primeiro define
a sucessão que existe entre os acontecimentos que se produzem, uns
a continuação de outros, numa ordem física irreversível; a segunda
permite a variação do intervalo que separa os dois pontos, o princípio
e o fim de um acontecimento. Esta medida possui diferentes unidades
cronométricas como o dia e suas divisões, horas, minutos e segundos.
a ordem ou distribuição cronológica das mudanças ou acontecimentos
sucessivos representa o aspecto qualitativo do tempo e a duração seu
aspecto quantitativo (ROSa NETO, 1996).
a organização temporal inclui uma dimensão lógica (conhecimento da
ordem e duração, os acontecimentos se sucedem com intervalos), uma
dimensão convencional (sistema cultural de referências, horas, dias,
Cinestesia	–	conjunto	de	
sensações	pelas	quais	se	
percebem	os	movimentos	
musculares.
Sinestesia	–	relações	de	
planos	sensórias	diferentes	
(como	o	gosto)	o	termo	
é	usado	para	descrever	
uma	figura	de	linguagem	
e	uma	série	de	fenômenos	
provocados	por	uma	condição	
neurológica.
parte	da	física	que	trata	da	
medida	do	tempo.
Medição	do	tempo	pelo	
cronômetro.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 4 71
semanas, meses, e anos) e um aspecto de vivência, que aparece antes
dos outros dois (percepção e memória da sucessão e da duração dos
acontecimentos na ausência de elementos lógicos ou convencionais).
a consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas,
independente de ser sucessão ou duração, sua retenção depende da
memória e da codificação da informação contida nos acontecimentos.
Os aspectos relacionados à percepção do tempo, evolucionam e
amadurecem com a idade. No tempo psicológico organizamos a
ordem dos acontecimentos e estimamos sua duração, construindo
assim nosso próprio tempo. a percepção da ordem nos leva a distinguir
o simultâneo do sucessivo, variando o umbral segundo os receptores
utilizados. a percepção da duração começa pela discriminação do
instantâneo e do duradouro que se estabelece a partir de 10 ms a
50ms para a audição e 100ms a 120ms para a visão (RIGaL, 1988).
lateralidade
O corpo humano está caracterizado pela presença de partes
anatômicas pares e globalmente simétricas. Esta simetria anatômica
se redobra, não obstante, por uma assimetria funcional no sentido de
que certas atividades que só intervêm numa das partes. Por exemplo,
escrevemos com uma só mão; os centros de linguagem se situam
na maioria das pessoas no hemisfério esquerdo. a lateralidade é a
preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo: mão,
olho, ouvido, perna; a lateralização cortical é a especialidade de um
dos dois hemisférios enquanto ao tratamento da informação sensorial
ou enquanto ao controle de certas funções (OLIVEIRa, 2001).
a lateralidade está em função de um predomínio que outorga a um
dos dois hemisférios a iniciativa da organização do ato motor, que
desembocará na aprendizagem e a consolidação das praxias. Esta
atitude funcional, suporte da intencionalidade, se desenvolve de forma
fundamental no momento da atividade de investigação, ao largo
da qual a criança vai enfrentar-se com seu meio. a ação educativa
fundamental para colocar a criança nas melhores condições para
aceder a uma lateralidade definida, respeitando fatores genéticos e
ambientais, é permitir-lhe organizar suas atividades motoras (ROSa
NETO, 1996).
Movimento	intencional,	
organizado,	tendo	em	vista	a	
obtenção	de	um	fim	ou	de	um	
resultado	determinado.	...
www.animacorpus.net/
glossario/
72 PEDAGOGIA
Segundo Pereira (2002), a definição de uma das partes do corpo só
ocorre por volta dos sete anos de idade, antes disso, devem-se estimular
ambos os lados, para que a criança possa descobrir por si só, qual o
seu lado de preferência. “a preferência pelo uso de uma das mãos
geralmente se evidencia aos três anos”.
avaliação Motora
O padrão de crescimento e comportamento motor humano que se
modifica por meio da vida e do tempo; e a grande quantidade de
influência que os afetam, constituem basicamente por diferentes teorias
científicas e sustentam a evolução de estudos que se caracterizam pelas
técnicas de pesquisa e pelos meios utilizados na obtenção de dados,
que são elaborados e discutidos, como forma de elucidar os diferentes
vieses que perfazem a existência do homem e sua evolução física,
orgânica, cognitiva e psicológica. Os conceitos, ilustrações e teorias
adicionam ao contexto, a estrutura necessária para que tais estudos
possam legitimar-se e oferecer fundamentos fidedignos sobre as
hipóteses que pretendem estabelecer e discutir. É importante lembrar
que o caráter estatístico de nível normal de referência dos testes não
engloba o mesmo valor para todas as populações, tendo em conta os
aspectos afetivos e sociais (ROSa NETO, 1996).
Normalmente utilizam-se testes para conhecer as características e
necessidades individuais das pessoas, isto se torna indispensável se
pensar em cada vez mais atender o desenvolvimento das pessoas, em
especial as crianças, como o máximo de acertos possíveis para que seu
desenvolvimento ocorra dentro dos períodos desejáveis, contribuindo
assim, para com um desenvolvimento pleno.
a observação do comportamento humano feito através de testes já
se constitui prática antiga, através de estudos realizados por autores
clássicos, como Ozeretski, Guilmain, Grajon, Zazzo, Piaget, Stambak,
Picq e Vayer, entre outros que se dedicaram ao estudo da criança
(ROSa NETO, 1996).
acredita-se que para ensinar eficientemente é preciso acompanhar às
crianças e analisar suas necessidades e interesses.
que	merece	crédito
pt.wiktionary.org/wiki/
Fidedigno
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 73
Dessa forma, entender a relação entre a idade da criança com a fase e
característica motora pelas quais passam, constitui-se para um melhor
acompanhamento do desenvolvimento motor. Assim, destacamos a
importância do conhecimento dos profissionais de Educação Física,
no que tange a avaliação motora da criança, como forma de melhor
acompanhar seu desempenho e detectar possíveis problemas de ordem
motora, além de poder influenciar no processo de desenvolvimento
que ocorre desde a concepção.
COMO AVALIAR NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ?
A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais, em que é
possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos.
Na Educação Física, o conhecimento é construído pela assimilação de
experiências corporais e pela criação de movimentos, o que dificulta a
avaliação por parte do professor.
Embora seja discutido há muito tempo, a avaliação ainda é um
assunto polêmico no ambiente docente. Como avaliar? O que avaliar?
São questionamentos que vêm a cabeça quando o professor começa
a planejar as aulas. Mas o que é avaliar? De acordo com o Dicionário
Michaelis (2006), avaliar é “calcular ou determinar a valia, o valor, o
‘merecimento’ de”. Ou seja, quem avalia tem o poder de decidir a que
o avaliado é merecedor.
De acordo com Barbosa (1997), para fins didáticos, podemos classificar
a avaliação em três tipos: a diagnóstica, a formativa e a somativa.
A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início do ano letivo,
com o objetivo de dar ao professor uma noção sobre os níveis de
conhecimento e habilidades dos alunos, para que, a partir daí, o
professor possa planejar seu trabalho de acordo com as necessidades
dos alunos.
74 PEDAGOGIA
Já a avaliação formativa é realizada durante o ano letivo, onde
o professor pode detectar possíveis falhas no processo ensino-
aprendizagem, podendo, assim, modificar a maneira de ministrar suas
aulas de acordo com a evolução de seus alunos.
E, por fim, a avaliação somativa, que objetiva verificar o resultado do
processo ensino-aprendizagem ao final de um bimestre, semestre ou
ano letivo. Geralmente esta avaliação está associada a uma “nota” que
o reprovará ou aprovará para o ano seguinte.
O diagnóstico é fundamental, junto com o projeto político pedagógico
da escola, para que se possa delinear o plano de ensino e os objetivos
a se alcançar ao final do ano, e uma avaliação formativa para que o
professor venha a se corrigir ou apenas aprimorar suas aulas. Já a
avaliação somativa é mais complexa, é nela que está centrado este
ensaio.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam três focos principais de
avaliação na Educação Física:
Realização das práticas — É preciso observar primeiro se o estudante
respeita o companheiro, como lida com as próprias limitações (e as
dos colegas) e como participa dentro do grupo. Em segundo lugar vem
o saber fazer, o desempenho propriamente dito do aluno tanto nas
atividades quanto na organização das mesmas. O professor deve estar
atento para a realização correta de uma atividade e também como
um aluno e o grupo formam equipes, montam um projeto e agem
cooperativamente durante a aula.
Valorização da cultura corporal de movimento — É importante avaliar
não só se o educando valoriza e participa de jogos esportivos. Relevante
também é seu interesse e sua participação em danças, brincadeiras,
excursões e outras formas de atividade física que compõem a nossa
cultura dentro e fora da escola.
Relação da Educação Física com saúde e qualidade de vida — É
necessário verificar como crianças e jovens relacionam elementos da
cultura corporal aprendidos em atividades físicas com um conceito
mais amplo, de qualidade de vida.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 75
Giannichi(1984)esclareceque,paraprocedermosaumaavaliação,devem-
se ter claros alguns princípios: esclarecer o que será avaliado inicialmente,
selecionar as técnicas de avaliação em função dos objetivos, considerar
os pontos positivos e limitados das técnicas de avaliação empregadas,
levar em conta uma variedade de técnicas para assegurar uma avaliação
compreensiva e considerar a avaliação como meio e não fim.
Betti (1991) não especifica o modelo, ou metodologia de avaliação.
Apenas deixa claro que o processo de ensino-aprendizagem deve estar
de acordo com a proposta política pedagógica da escola.
A avaliação presencial, medidas biométricas e execução de gestos
técnicos referem-se a uma avaliação “formal”, já que ela também
possui um caráter “não formal”, ou seja, critérios estabelecidos pelos
professores a partir de condutas e comportamentos que ocorrem nas
aulas e influenciam a nota do aluno (segundo os autores da obra
em questão, isso fica claro quando o professor escolhe aqueles mais
habilidosos para dividir as equipes, organizar atividades etc.). Com
essas características, a avaliação em educação física vem sendo
realizada com ênfase na aptidão física e na busca de talentos esportivos,
e desse modo acaba por segregar aqueles classificados como menos
aptos (MAUAD, 2003, p. 35).
De acordo com Luckesi (1999), a avaliação que se pratica na escola
é a avaliação da culpa. Aponta, ainda, que as notas são usadas para
fundamentar necessidades de classificação de alunos, onde são
comparados desempenhos e não objetivos que se deseja atingir.
Concordamos com os autores quando defendem que a proposta de
avaliação do processo de ensino-aprendizagem em educação física
deve “[...] levar em conta a observação, análise e conceituação de
elementos que compõem a totalidade da conduta humana e que
se expressam no desenvolvimento de atividades” (COLETIVO DE
AUTORES, 1992, p.103).
Mauad (2003) fala que a educação física é uma disciplina que trata do
conhecimento denominado de cultura corporal; por isso seus adeptos
compreendem que os conteúdos devem ser: o esporte, as danças, os
jogos, a ginástica e as lutas, entendidos como linguagem corporal,
76 PEDAGOGIA
por meio da qual o aluno pode compreender melhor as relações
sociais do meio em que vive e confrontá-las com outras realidades
existentes à sua volta. Betti (1992) completa que é preciso levar o
aluno a compreender as razões que o levam a fazer uma atividade
física, favorecer o desenvolvimento de atitudes favoráveis e positivas
em relação à atividade física, desenvolver a compreensão de todas
as informações relacionadas às conquistas materiais e espirituais da
cultura física e aprender a apreciar o corpo em movimento.
Barbosa (1997) dividiu seus métodos avaliativos em: diagnóstico,
formativo e somativo.
O diagnóstico é realizado previamente em observações da turma, e
nas aulas iniciais onde é feito os primeiros contatos, a partir daí, e
de acordo com o projeto político-pedagógico da escola é traçado o
planejamento de ensino.
A avaliação formativa é realizada ao longo das aulas em observações
dos alunos e, também, através de uma avaliação dos alunos em relação
às aulas, assim como em conselhos do professor titular da classe que,
esporadicamente, observa o trabalho. Com estes feedback’s têm-se
uma forma de repensar a postura do professor em aula, métodos de
ensino e relacionamento com os alunos.
O processo de avaliação somativa está fundamentado nos objetivos
de promoção de saúde e qualidade de vida, assim como incentivar
o gosto por atividades físicas fora do ambiente escolar e para a vida
adulta, também leva-se em conta, mais uma vez, o projeto político
pedagógico da escola onde a avaliação deve ser dividida em prática
e teórica e, por fim, no comprometimento dos alunos com as aulas,
não se avalia de acordo com rendimento, habilidade e tão pouco em
relação à frequência, pois, ao aluno, é permitido a ausência em 25%
das aulas, e puni-lo por isso fere uma lei do MEC (LEI Nº. 9.394, DE
20 DE DEZEMBRO DE 1996).
Nãoexisteummodelo,oufórmulamágicadeavaliação.Acreditamosque
toda avaliação deve ser um reflexo do processo ensino-aprendizagem e
se levar em conta se os objetivos traçados foram alcançados e não usar
a avaliação como uma arma de defesa ou coação aos alunos.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 77
Na Educação Física a avaliação é a chance de verificar se o aluno
aprendeu a conhecer o próprio corpo e a valorizar a atividade física
como fator de qualidade de vida. Portanto, nada de considerar
apenas a frequência às aulas, o uniforme ou a participação em jogos
e competições - nem comparar os que têm "veia" de campeão com os
que não têm. Não há uma única fórmula pronta para avaliar, mas é
essencial detectar as dificuldades e os progressos dos estudantes.
Na Educação Física, como em todas as outras áreas, para avaliar bem
é preciso definir os objetivos, pois eles determinam o conteúdo a ser
trabalhado e os critérios para observar a evolução da aprendizagem.
Exemplos: descobrir o próprio corpo para utilizá-lo melhor em
atividades motoras básicas (correr, saltar) ou específicas (passes no
basquete ou handebol, chutes no futebol) e compreender e respeitar
as regras de um jogo e agir cooperativamente.
Asprimeirasaulasfuncionamcomoreferência,paraqueoprofessorfaça
a análise inicial da turma, observando e registrando as características
de cada estudante. Independentemente de o grupo conhecer ou não
a atividade, é preciso explicar, desde o início, os motivos pelos quais
ela faz parte do programa, quais os movimentos, as capacidades e
as habilidades que serão trabalhadas e que aspectos serão avaliados,
coletiva e individualmente. O estudante precisa conhecer quando e
como será julgado.
É comum o professor de Educação Física encher os olhos quando vê
alunos habilidosos nos esportes.
A criança com pouca vivência motora é a mais importante para o
trabalho docente, justamente porque representa um desafio. Com esse
tipo de estudante é preciso aplicar métodos adequados para trabalhar
suas dificuldades específicas.
A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais, em que é
possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos.
Na Educação Física, o conhecimento é construído pela assimilação de
experiências corporais e pela criação de movimentos, o que dificulta a
avaliação por parte do professor.
78 PEDAGOGIA
CONCLUSÃO
Nessaunidadeapresentamosoaperfeiçoamentogradualdomovimento
do aluno durante a sua vida escolar. Ou seja, o movimento vai sendo
assimilado com atividades do geral para o específico na motricidade
global do aluno, e sempre os movimentos sendo trabalhados na
sequência do simples para o complexo. É através da experiência que o
aluno aprendi e adquire as habilidades para sua vida.
Falamos também, do planejamento e avaliação para nortear a ação do
professor, mostrando as diferenças da disciplina de educação física na escola.
Osalunosdeverãofazerumresumodotextoabaixoconstruindo
objetivos para cada fase do desenvolvimento motor .
Escrever uma resenha sobre como você trataria a disiplina
educação física como pedagoga de uma escola.
MINISTÉRIO Da EDUCaÇÃO E CULTURa. Subsídios para
professores de educação física de 1ª a 4ª série. Módulos 3 e 4 /
MEC/SEED. Brasília, DF, 1987;
SECRETaRIa DE ESTaDO Da EDUCaÇÃO. Referencial Curricular de
Educação Física de São Luís. Ensino Fundamental; SEDUC, 2009.
SaDI, Renato Sampaio Re. Pedagogia do Esporte: descobrindo
novos caminhos. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2010.
SOUZaJUNIOR,Marcílio.O saber e do fazer pedagógicos:aeducação
física como componente curricular? isso é história! Recife: EDUPE, 1999.
REVISTa NOVa ESCOLa. São Pulo: abril, n. 236, out. 2010.
UNIDADE
OBJETIVO DESTA UNIDADE:
Conhecer noções básicas
sobre recreação e lazer.
Capacitar o professor
a desenvolver junto à
comunidade atividades
de lazer, favorecendo
a integração dos
participantes.
5
O LAZER
O
lazer e a disponibilidade de espaços públicos para
as práticas da cultura corporal de movimento são
necessidades essenciais ao homem contemporâ-
neo e, por isso, direitos do cidadão. Os alunos podem com-
preender que os esportes e as demais atividades corporais
não devem ser privilégio apenas dos esportistas profissio-
nais ou das pessoas em condições de pagar por academias
e clubes. Dar valor
a essas ativida-
des e reivindicar
o acesso a centros
esportivos e de la-
zer, e a programas
de práticas corpo-
rais dirigidos à po-
pulação em geral,
é um posiciona-
mento que pode ser adotado a partir dos conhecimentos
adquiridos nas aulas de Educação Física.
Fonte:	estudiohispanico.com
80 PEDAGOGIA80
A atuação dos meios de comunicação e da indústria do lazer em
produzir, transmitir e impor esses valores, ao adotar o esporte-
espetáculo como produto de consumo, torna imprescindível a
atuaçãodaEducaçãoFísicaescolar.Estadevefornecerinformações
políticas, históricas e sociais que possibilitem a análise crítica da
violência, dos interesses políticos e econômicos, do doping, dos
sorteios e loterias, entre outros aspectos.
Educação Física e a formação para o lazer
Quando nos lembramos da dimensão cultural e econômica da
vida, cresce cada dia mais a necessidade da sociedade pelo tempo
de lazer. Começamos a entender a importância de se aprender,
discutir, criticar e modificar este que é um espaço de grande
importância na vida das pessoas.
Na escola, a prática pela prática, por não questionar os valores
implícitos, acaba reforçando a utilização do lazer como um processo
de controle social, ideológico, compensatório, ou utilitarista, com
o reforço dos mitos e preconceitos impregnados na sociedade
capitalista (a competição predatória e a vitória a qualquer custo, o
individualismo, o sexismo, o consumismo, a criticidade).
Todo cidadão tem hoje grande envolvimento com elementos
da cultura e do lazer, sejam na prática como espectadores e/ou
consumidores na escola, na rua, nos parques, nos clubes, nos
estágios, nas academias e escolas de esporte através da mídia.
É papel da escola de instrumentalizar e agregar competências para
que se possa usufruir autônoma, consciente e criticamente desse
tempo livre.
A palavra lazer nos remete a um universo complexo de significações,
onde se mesclam interpretações da moral, da religião, da filosofia e do
senso comum. Mas, apesar disso, o termo é banhado em um sistema de
pensamentos que fez do lazer a condição da felicidade e da “liberdade”.
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 5 81
As atividades de lazer são atividades realizadas no tempo livre
de cada um de nós e que possui em sua essência o livre-arbítrio.
Esta denominação é utilizada principalmente pelo fato de que tais
atividades não trazem em si qualquer sentido de obrigatoriedade ou
uma relativa restrição.
Tempo livre é a parcela de tempo linear marcado pelo relógio e que
cada um de nós possui para si, após o cumprimento das atividades
profissionais e sociofamiliares.
O espaço de lazer é um aspecto que vem sendo estudado atualmente,
devido à sua importância para as sociedades contemporâneas.
TABELA 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS LAZERES
Lazeres Passivos
(O indivíduo é receptor, mas
participa psicologicamente)
Atividades culturais
Lazeres Ativos
(Indivíduo participa física e
psicologicamente)
Jogos Infantis de pouca
organização e regras.
Jogos individuais ou de duplas.
Esportes em grupos
Atividades musicais
Artes e hobbies
Atividades de viagem.
BACAL,Sarah. Lazer- teoria e pequisa. São Paulo, Loyola. 1988.
COLÔNIA DE FÉRIAS
As Férias estão aí e não existe época melhor para desenvolvimento
de atividades recreativas em clubes, condomínios, parques,
escolas e academias. Para a alegria de crianças, adolescentes e até
mesmodos adultos.
82 PEDAGOGIA82
Colônia de Férias é uma programação
voltada para crianças, adolescentes
e jovens que já se desvincularam do
colégio nos períodos de férias, são
organizadasporequipesdeprofissionais
ou não que buscam incentivar a livre
iniciativa com brincadeiras lúdicas,
leitura e o contato com a natureza.
Normalmente as colônias de férias
ocorrem em clubes, condomínios,
parques,escolas,academiaseespaços
apropriados onde o planejamento da
programação possa contemplar os objetivos propostos.
Seguem, abaixo, boas ideias que possam ser aplicadas em Colônia
de Férias e Festas Recreativas que vocês podem realizar:
caça ao tesoUro (atividade sUrpresa)
Esta é uma boa atividade para o final de uma colônia, quando
queremos distribuir algum brinde ou pontos para uma gincana.
Elaboramos um tesouro, uma caixa contendo o que desejarmos.
Pode ser qualquer coisa ou até uma dica para uma surpresa
final. Essa caixa vai ficar escondida e para que todos cheguem a
ela, os participantes terão que seguir pistas deixadas por todo o
espaço da atividade. Uma pista vai levar a outra e a última pista
vai levar ao tesouro final. as pistas podem ser diretas como: - o
tesouro está debaixo da maior mesa do clube! - ou vir em forma de
provérbio, charada ou adivinhações. ao final da atividade todos os
participantes tentam encontrar o tesouro e quem encontrar pode
ficar com o tesouro pra si ou para a equipe, de acordo com as
regras estabelecidas pelos recreadores.
passeios ecolÓgicos e edUcação aMbiental eM parqUe
oU clUbe
Esta atividade é feita com a ajuda de todos os participantes. Os
recreadores planejam um passeio ecológico com os participantes
Fonte:	http://jacidade.com.br/index
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 5 83
por toda a área escolhida e aproveitam o passeio para fazer
competições do tipo: caça lixo (cada um tem um saquinho e a
equipe que conseguir pegar mais lixo vence os pontos), a equipe
que encontrar mais pássaros ou espécies de bichos diferente ganha
os pontos, a equipe que contar melhores piadas, músicas pelo
caminho etc.
palestras instrUtivas (priMeiros socorros, boMbeiros,
sobre saúde do corpo, higiene, aids etc.
Em Colônias de Férias, nem sempre só a brincadeira atrai. Crianças
e adolescentes adoram palestras instrutivas sobre a saúde e natureza.
assim, é uma boa oportunidade para a conscientização de todos
com relação a bons hábitos e cidadania. Geralmente, encontramos
profissionais que fazem palestras sem qualquer fim lucrativo,
principalmente os Bombeiros. É importante que as crianças já
saibam desde cedo sobre a ressuscitação cardíaca e primeiros
socorros, por exemplo.
Macro ginástico na ágUa (hidroginástica coM todos)
oU gincana aqUática
Em dias quentes de verão,
não há nada mais gostoso que
unir boa parte ou todos os
participantes de uma colônia
ou academia para uma
ginástica aquática. É muito
animado e cria um ambiente
agradável de socialização.
além da hidroginástica,
podem ser feitas atividades
aquáticas competitivas e
recreacionais no formato de
uma gincana, ou seja, equipe
x equipe. Fonte:	jcholambra.com.br
84 PEDAGOGIA84
	 Mural sobre temas importantes e educativos (de
desenhos, e frases)
Geralmente, escolhemos essa atividade com a finalidade de passar
e divulgar alguma ideia importante. Que poderá ser seguida de uma
palestra já ministrada por um profissional especializado no assunto.
Nesse mural, as crianças vão, por turma, fazer poesias, desenhos,
colagens, pinturas dentro daquele tema escolhido. E quando todos
os murais estiverem prontos serão expostos em uma parede visível
a todos como uma exposição de arte.
•	 Outras Sugestões:
•	 Passeios ecológicos;
•	 Karaokê;
•	 Artes marciais;
•	 Torneios;
•	 Apresentação com mágicas, músicas, mímicas e outros;
•	 Gincanas aquáticas;
•	 Gincanas culturais e recreativas
Existe Colônia de Férias que além de se preocupar com os aspectos
já citados buscam ainda a proximidade familiar entre pais e filhos.
GINCANA
É um tipo de competição recreativa que tem o objetivo de pôr à
prova as habilidades físicas e intelectuais.
As gincanas são divididas em equipes, compostas de várias tarefas
recreativas e culturais.
Alguns exemplos de tarefas recreativas e tradicionais:
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 5 85
Corrida de Saco: os competidores devem
percorrer o mais rapidamente possível uma
distância dentro e um saco que vai em média
até suas cinturas. Veja vídeo em anexos.
Ovo na Colher: os competidores devem
percorrer o mais rapidamente possível uma
distância equilibrando um ovo numa colher
sem deixá-la cair.
Cabo de Guerra: um número variável de
competidores de duas equipes puxa em
sentido contrário uma corda. Vence quem
conseguir que toda a equipe adversária
atravesse uma linha marcada no chão.
Caça ao Tesouro: a organização da gincana
elabore pistas para que as equipes possam
encontrar um tesouro. Ganha a equipe que
alcançar o objetivo em menor tempo.
atenção! as pistas podem ser elaboradas em
forma de charadas.
a Praça de Lazer tem atividades como tênis de mesa, perna de pau,
bambolê, amarelinha, pular cordas e outras brincadeiras da cultura
popular.
O objetivo é resgatar e incentivar as brincadeiras entre as crianças
e também adultos que permitem voltar a serem crianças, pois a
principal forma de lazer está sendo usurpada nas grandes cidades.
“O brincar ao ar livre” na praça de lazer as crianças podem brincar
livremente e vivenciar o aspecto lúdico, com dinâmica, muita
diversão e aprendendo a socializar-se, utilizando o brincar como
meio de educação.
Fonte:	 http://espacomaat.
blogspot.com
Fonte:	 http://blogdeemrc.
blogspot.com
Fonte:	http://nossoamiguinhojunior.
blogspot.com/2010/07/corrida-
com-ovo-na-colher.html
Fonte:	http://jogostradicionais8a.
blogspot.com/
86 PEDAGOGIA86
RUAS DE LAZER
Resgatar as brincadeiras de ruas é de suma importância, pois
hoje em dia já que as crianças ficam somente no computador,
não se exercitam como antigamente. E a violência favorece esse
comportamento.
O objetivo do evento é promover a inclusão de crianças e jovens
através da rua do lazer, proporcionando um momento de lazer para
todas as crianças se divertirem com várias estações de brinquedos,
pula-pula, piscina de bolinhas, baiana, danças coreografadas, jogos
pré-desportivos, pinturas de rosto, colagem, brincadeiras populares
e outras.
A Rua para quem quiser
Seja para praticar esporte, seja para morada, seja para passagem,
seja para passear ou brincar, a rua assume a dimensão de
possibilidades. Lugar onde se “pode” fazer tudo. Porque ela é via,
é pública, é onde passamos grande parte do tempo. Trabalhar e
manifestar, comer e se divertir. Partimos daqui: o lazer na rua. A
rua como lugar de lazer é usada desde os tempos mais antigos,
pois nem sempre existiram teatros fechados, cinemas, shoppings e
clubes. Aliás, alguns desses lugares nasceram na rua, justamente por
ser aberta e pública. Peças de teatro, por exemplo, eram encenadas
na rua. Antes da lona as calçadas eram palcos das peripécias dos
palhaços. Mas não podemos reduzir a utilização da rua simplesmente
como lugar restrito à passagem. Ao contrário, as pessoas vão à rua
para assistir a uma peça, ver um filme, fazer caminhada, encontrar
com amigos, brincar.
A rua demonstra que pode ser usada coletivamente.
Umas das características mais marcantes do lazer são as brincadeiras
de crianças, que ficam mais interessantes quando brincadas na
rua. Em algumas periferias, notamos crianças brincando de ‘pega-
FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 5 87
pega’, patins, rouba-bandeira e futebol. Sim! Crianças e jovens
ainda fazem dos chinelos traves para marcarem o gol. Embora
isso esteja cada vez mais raro, por alguns motivos como o trânsito,
a criminalidade e o medo, muitas crianças e jovens só têm a rua
como lugar de lazer. Grupos inventam o lazer, apropriando-se da
rua para o entretenimento e a sociabilidade, imprimindo marcas e
disputando o espaço. Com suas diferentes artes de fazer o urbano,
criam um espaço onde se identificam e reivindicam a participação
no centro, Maria Elisa Macedo.
ApropostadoProjetoRuadeLazeréofereceraosparticipantes,além
de uma grande variedade de atividades esportivas, recreativas, de
lazer e culturais, atividades que busquem a valorização do respeito,
companheirismo e que estimulem a participação das famílias.
Além disso, os participantes recebem pipoca, refrigerante, picolé e
algodão doce, geralmente doado por empresas, comunidade etc..
Um dia diferente de entretenimento dentro das comunidades que
vivenciam o pouco acesso ao lazer. É o que se propõe com as
Ruas de Lazer, evento que visa proporcionar atividades recreativas,
culturais e esportivas para toda família.
Ferramenta de democratização e universalização do acesso ao
esporte, recreação, cultura, arte e lutas como vivências de lazer,
com melhoria da qualidade de vida da população sobralense, em
todas as faixas etárias.
Diversas atividades são ofertadas de forma acessível à comunidade
como ginástica, capoeira, karatê, dança, teatro, música, artes
manuais, esportes em geral e cinema, respeitando a cultura local e
suas manifestações.
Inclui ainda atividades e programas como Cinema na Praça, Rodas
de Conversa com a comunidade e Cinema Itinerante, que viabilizam
a atividade na casa do morador do bairro. A ideia promove novo
significado de lazer e descentraliza o acesso ao entretenimento
nos espaços públicos, valorizando novos espaços como quadras,
campos, a própria rua, e fortalece ainda a integração com outros
programas sociais já existentes no Município.
88 PEDAGOGIA88
Ruas de lazer garantem diversão e segurança aos moradores.
Em grandes cidades as vias são fechadas aos domingos e feriados
para o lazer da população. Na cidade de São Paulo tem cerca de
900 ruas do tipo. a maioria em áreas carentes. No Rio de Janeiro
ruas da avenida atlântica são interditadas todos os dias num
horário determinado para a prática de atividades físicas, ao lado do
calçadão da praia.
CONCLUSÃO
O lazer é um dos direitos do ser humano, onde ele dá uma pausa
do trabalho e da rotina. É também um tempo livre para socialização
através de contato maior e prazeroso com a família e amigos. a
educação física abrange essas atividades de forma recreativa,
envolvendo todas as idades, devendo, portanto, ser estimuladas na
comunidade.
Formem duplas ou trios para programar e executar uma das
atividades de lazer apresentadas na unidade.
BRaCHT, Valter. Educação física e aprendizagem social. Porto
alegre: Magister, 1992.
BaCaL, Sarah. Lazer-teoria e pesquisa. São Paulo: Loyola,
1988.
SECRETaRIa MUNICIPaL DE EDUCaÇÃO. Referencial
Curricular de Belém. Ensino Fundamental. Betim: Prefeitura
Municipal de Betim, 2008.
REFERÊNCIAS
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ESCOLAR | REFERÊNCIAS 89
BRACHT, Valter. Educação física e aprendizagem social. Porto
Alegre: Magister, 1992.
BACAL, Sarah. Lazer - teoria e pesquisa. São Paulo: Loyola, 1988.
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Referencial
Curricular de Betim. Ensino Fundamental. Betim: Prefeitura
Municipal de Betim, 2008.
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9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases
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______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física.
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CASTELLANI FILHO, Lino. Política educacional e educação
física. Campinas: Autores Associados, 1998.
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CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos
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Campinas, SP: Papirus, 2006.
FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro: Teoria e
Prática da Educação Física, São Paulo, Scipione, 1989. 224p.
90 PEDAGOGIA
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo:
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Subsídios para
professores de educação física de 1ª a 4ª série. Módulos 3 e
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SADI, Renato Sampaio Re. Pedagogia do Esporte: descobrindo
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SOUZA JUNIOR, Marcílio. O saber e do fazer pedagógicos:
a educação física como componente curricular? isso é história!.
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VAGO, Tarcísio Mauro. Rumos da EF escolar: o que foi, o que é,
o que poderia ser. UFMG, 1997.
REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril, n. 236, out. 2010.
UemaNet - Núcleo de Tecnologias para Educação
Informações para estudo
Central de Atendimento
0800-280-2731
Sites
www.uema.br
www.uemanet.uema.br
http://ava.uemanet.uema.br

Fasciculo -fundamentos_e_metodos_da_educacao_fisica

  • 1.
    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA
  • 3.
    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA silvana Maria aqUino farias silvana cardoso raMos cintra são lUís 2011
  • 4.
    Edição Universidade Estadual doMaranhão - UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet Coordenador do UemaNet Prof. Antonio Roberto Coelho Serra Coordenadora de Design Instrucional Profª. Maria de Fátima Serra Rios Coordenadora do Curso Pedagogia, a distância Heloísa Cardoso Varão Santos Responsável pela Produção de Material Didático UemaNet Cristiane Costa Peixoto Professora Conteudista Profª. Silvana Maria Aquino Farias Profª. Silvana Cardoso Ramos Cintra Revisão Liliane Moreira Lima Lucirene Ferreira Lopes Diagramação Josimar de Jesus Costa Almeida Luis Macartney Serejo dos Santos Tonho Lemos Martins Capa Luciana Vasconcelos Governadora do Estado do Maranhão Roseana Sarney Murad Reitor da uema Prof. José Augusto Silva Oliveira Vice-reitor da Uema Prof. Gustavo Pereira da Costa Pró-reitor de Administração Prof. Walter Canales Sant’ana Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis Profª. Vânia Lourdes Martins Ferreira Pró-reitora de Graduação Profª. Maria Auxiliadora Gonçalves de Mesquita Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação Prof. Porfírio Candanedo Guerra Pró-reitor de Planejamento Prof. Antonio Pereira e Silva Assessor Chefe da Reitoria Prof. Raimundo de Oliveira Rocha Filho Diretora do Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais - CECEN Profª. Andréa de Araújo Universidade Estadual do Maranhão Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet Campus Universitário Paulo VI - São Luís - MA Fone-fax: (98) 3257-1195 http://www.uemanet.uema.br e-mail: comunicacao@uemanet.uema.br Proibida a reprodução desta publicação, no todo ou em parte, sem a prévia autorização desta instituição.
  • 5.
    ÍCONES Orientação para estudo aolongo deste fascículo, serão encontrados alguns ícones utilizados para facilitar a comunicação com você. Saiba o que cada um significa. SAIBA MAIS GLOSSÁRIO REFERÊNCIAS ATIVIDADES PENSE ATENÇÃO
  • 7.
    SUMÁRIO APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO UNIDADE 1 SOBRE AHISTÓRIA .................................................................... 17 A história das leis .......................................................................... 20 A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4024 .................................................................................... 20 Promulgação da Lei 5692/71. Educação Física Prática Educa- tiva ou Atividade? ................................................................ 21 O momento atual e a educação física ................................... 22 A lei de diretrizes e bases da educação – nº 9394/96 ............ 23 Os parâmetros curriculares ................................................... 24 UNIDADE 2 PERÍODOS E CONCEPÇÕES ...................................................... 29 As tendências pedagógicas ............................................................ 31 Algumas tendências pedagógicas da educação física escolar .... 33 Quadro atual ........................................................................ 38
  • 8.
    UNIDADE 3 A EDUCAÇÃOFÍSICA ESCOLAR ................................................ 41 Mídia e cultura corporal de movimento ......................................... 43 Os objetivos da educação física no ensino fundamental ................ 44 UNIDADE 4 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS ......................................... 53 A relevância da educação física no processo de aprendizagem ...... 54 Plano de ensino ............................................................................ 56 A criança, a educação e a educação física ..................................... 57 Desenvolvimento motor ....................................................... 60 Como avaliar na educação física escolar? ...................................... 69 UNIDADE 5 O LAZER ...................................................................................... 75 Colônia de férias ......................................................................... 77 Gincana ........................................................................................ 80 Ruas de Lazer ............................................................................... 82 REFERÊNCIAS ............................................................................. 85
  • 9.
    Prezado (a) Estudante, Organizamoseste fascículo, reunindo os mais relevantes temas da Educação Física no contexto escolar, desde suas transformações históricas até o momento atual. Essa trajetória levará você ao conhecimento do referencial teórico necessário ao entendimento das práticas da cultura corporal. O material e enfoque da Educação Física Escolar não tem um ponto final neste documento, ele representa os primeiros passos, subsídios que devem ser aprofundados ao longo de seu curso e futura atividade profissional. A disciplina de Fundamentos e Métodos do Ensino da Educação Física, para o curso de Pedagogia, possui uma carga horária de 60 horas, distribuídas em contextualização histórica e suas relações sociais; as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; os modelos de Educação Física na escola; Metodologia do ensino, planejamento, conteúdos, objetivos e avaliação da Educação Física Escolar. Esperamos que você aprecie o novo conhecimento e bom estudo! Profª. Silvana Maria Aquino Farias Profª. Silvana Cardoso Ramos Cintra
  • 11.
    A prática sistemáticade atividades físicas é vista hoje como o grande remédio para os males da sociedade contemporânea, adquiridos ao longo da vida através do sedentarismo e alimentação inadequada. A Educação Física, no espaço escolar, vem se modificando de acordo com as normas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB nº 9.394/96, alterada, posteriormente, através da Lei 10.793/2003, que rege a obrigatoriedade dessa área de conhecimento. A Educação Física na escola, por ser uma experiência prazerosa, permanecerá em nossa vida como um conhecimento fundamental do nosso desenvolvimento e personalidade. Neste fascículo, apresentaremos elementos essenciais para a disciplina de Fundamentos e Métodos de Ensino da Educação Física para os alunos do curso de pedagogia, ampliando os conhecimentos específicos e levando em consideração as práticas docentes dos futuros pedagogos para um dos componentes curriculares que é a educação física escolar. Antes de tudo, torna-se necessário abordarmos tópicos sobre a história da educação física e suas tendências pedagógicas, a luz da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB 9.394/96, por considerar conhecimento necessário para reflexão das práticas vividas e vistas nas escolas atuais que ainda não superaram a educação física arcaica e APRESENTAÇÃO
  • 12.
    tradicional, onde nãoter rendimento esportivo significava ser excluído das aulas de educação física. Apresentaremos a herança histórica da educação física na sociedade e suas tendências e como o corpo, para o entendimento da disciplina de educação física escolar, foi concebido e utilizado pelas leis da educação , apresentados na primeira unidade. Na segunda unidade, continuaremos a apresentar como a história criou tendências e concepções pedagógicas e como tudo isso está sendo utilizado hoje em dia. Em seguida, na terceira unidade, veremos os objetivos e conteúdos da disciplina educação física, explorando os significados de conceitos utilizados na área, facilitando o trabalho pedagógico na escola. Também serão pontuados a influência da mídia e a visão do corpo para os alunos. As abordagens sobre planejamento e metodologias utilizadas e os tópicos da avaliação apresentamos na quarta unidade e, em seguida, esclarecemos conteúdos diferentes como o lazer e práticas alternativas para o tempo livre. Toda nossa conversa será com o objetivo de desvendar a Educação Física, componente curricular obrigatório da educação básica, e suas possibilidades na aprendizagem escolar e desenvolvimento humano.
  • 13.
    Nada melhor quelançar mão do Texto do Prof. João Batista Freire para darmos introdução a esse fascículo de Fundamentos e Métodos de Ensino da Educação Física. Ele é de uma riqueza incontestável, para refletirmos sobre a Educação Física. Educação de Corpo Inteiro. EDUCAÇÃO DE CORPO INTEIRO Todos nós temos alguma ideia de como é uma criança: ela se arrasta, engatinha corre pula, joga, fantasia, faz e fala coisas que nós, adultos, nem sempre entendemos. De qualquer maneira, sua marca característica é a intensidade da atividade motora e a fantasia. Alguns dirão, como razão que, nessa questão do movimento, a atual geração infantil de apartamento movimenta mais os dedos num videojogo e num sintonizador de televisão do que o corpo como um todo. Outras crianças como as de favela, não brincam, trabalham para sobreviver. Mesmo essas, no entanto, no espaço que lhes sobra, exercem o movimento e a fantasia típicos da infância. Ás vezes falta visão ao sistema escolar, às vezes falta escrúpulos. É difícil explicar a imobilidade a que são submetidas as crianças quando INTRODUÇÃO
  • 14.
    entram na escola.Mesmo se fosse possível provar (e não é) que uma pessoa aprende melhor quando está imóvel e em silêncio, isso não poderia ser imposto, desde o primeiro dia de aula, de forma súbita e violenta. Dá para imaginar o que representa para uma criança, que passou sete anos se movimentando, ser subitamente “amarrada” e “amordaçada” para, como se diz, “aprender” o que é, para ela, uma linguagem, ás vezes, totalmente estranha? A linguagem da imobilidade e do silêncio? Seria o mesmo que pegar um professor idoso, que há muito deixou de praticar atividades físicas, a não ser as mais triviais, e obrigá-lo a correr por alguns quilômetros em ritmo acelerado. A violência seria idêntica. O interessante é que nós professores não suportamos a mobilidade da criança, mas queremos que ela suporte nossa imobilidade. Não é à toa que os pequenos que entram na escola passam os primeiros tempos, até adaptarem-se, cansados (dormem mais cedo) e preocupados. Claro, está acontecendo algo de muito estranho para eles. Não haveria uma outra forma de ensinar que não fosse mantendo os alunos presos às carteiras, silenciosos, imóveis? Aluno só aprende sentado e sem fazer barulho? É claro que existe um jeito muito mais simples que o atual. Quem prova que uma criança livre não aprende melhor que uma prisioneira? De minha parte, estou convicto de que só é possível aprender no espaço da liberdade. É por isso que as crianças ainda aprendem: por mais restritivo que seja o ambiente familiar ou escolar, sempre resta um espaço de liberdade para pensar, para se mexer, para criticar, e é aí que as pessoas aprendem. Imagine esse espaço ampliado! Daí não ser descabido propor para crianças uma educação de corpo inteiro. A escola, entre outras instituições, cumpre o papel de formar crianças para exercerem funções na sociedade. Uma sociedade que queira ser livre não deveria conceber uma Educação que restrinja a liberdade das pessoas. E nisso a escola tem o papel importante.
  • 15.
    Mas esse problemada restrição ao movimento corporal não começa no primeiro dia de aula, na escola de 1º grau. As crianças começam a sofrer os efeitos dos equívocos educacionais desde cedo, já nas escolas maternais e nas pré-escolas. Apesar de nessa fase escolar não terem de ficar sentados todo um período do dia, ou se enquadrar numa disciplina do tipo militar, esses pequenos têm seus passos gradativamente reduzidos e orientados para umas poucas trilhas: aquelas que os conduziram, em “segurança”, para a escola e para a “vida”. Existeumricoevastomundodeculturainfantilrepletodemovimentos, de jogos, da fantasia, quase sempre ignorado pelas instituições de ensino. Pelo menos até a 4º série do 1º grau, a escola conta com alunos cuja a maior especialidade é brincar. É uma pena que esse enorme conhecimento não seja aproveitado como conteúdo escolar. Nem a educação física, enquanto disciplina do currículo, que deveria ser especialista em atividade lúdicas e em cultura infantil, leva isso em conta. Durante o aprendizado, há momentos de imobilidade e momentos de agitação. O fundamental é que todas as situações de ensino sejam interessantes para a criança. Como fazer isso, no entanto, fora uma ou outra experiência isolada existente, é ainda um mistério, tanto para os pedagogos de sala de aula como para os pedagogos de educação física. Uma coisa é certa: negar a cultura infantil é, no mínimo, mais uma das cegueiras do sistema escolar. Corpo e mente devem ser entendidos como componentes que entregam o único organismo. Ambos devem ter assento na escola, não um (a mente) para apreender e o outro (o corpo) para transportar, mas ambos para se emancipar. Por causa dessa concepção de que a escola só deve mobilizar a mente, o corpo fica reduzido a um estorvo que, quanto mais quieto estiver, menos atrapalhará. Fica difícil falar de educação concreta na escola quando o corpo é considerado um intruso. A concretude do ensino depende, a meu ver, de ações práticas que deem significado ao “dois mais dois”, ou ao “Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil”. Sem viver concretamente, corporalmente, as relações especiais e temporais de
  • 16.
    que a culturainfantil é repleta, fica difícil falar em educação concreta, em conhecimento significativo, em formação para autonomia, em democracia e assim por diante. Sugiro que, a cada início do ano letivo, por ocasião da matrículas, também o corpo das crianças seja matriculado. FREIRE, João Batista- Teoria e prática da educação Física, São Paulo, 1994.
  • 17.
    1 unidade Objetivo dESTA unidade: Conhecero processo histórico da Educação Física e saber se posicionar criticamente quanto as influências políticas sofridas pela disciplina no interior da escola. Compreender as mudanças que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 proporcionou para o momento atual da Educação Física Escolar. ... cada pessoa que entra em contato com uma criança é um professor que incessantemente lhe descreve o mundo, até o momento em que a criança é capaz de perceber o mundo tal como foi descrito (Carlos Castañeda, Journey to Ixtlan, New York, Simon and Schuster,1972,PP.8-9) O lhar para a história da Educação Física no Brasil leva- nos a perceber a influência que sofreu a disciplina por interesses políticos e sociais durante o seu trajeto, até ter entrado na escola. Tudo começou quando o homem primitivo sentiu a necessidade de lutar, fugir ou caçar para sobreviver. Assim, à luz da ciência, o homem executa os seus movimentos corporais mais básicos e naturais desde que se colocou de pé: corre, salta, arremessa, trepa, empurra, puxa etc. A história nos retrata toda a evolução do homem pré-histórico que, dadas as precárias condições de sobrevivência, possuía excelentes qualidades físicas. Ele realizava longas caminhadas e desenvolvia a velocidade nas corridas ao fugir de inimigos e perseguir a caça. O tiro ao alvo contribuiu ao arremesso; os terrenos acidentados favoreciam os saltos; as buscas de frutas em altas árvores levavam SOBRE A HISTÓRIA
  • 18.
    PEDAGOGIA22 aos movimentos detrepar; as lutas corpo a corpo incentivavam a destreza; e os lagos e rios forçava-o ao uso de artifícios nas travessias com pedaços de paus e até mesmo o mergulho e o nado. Brasil colônia - Os primeiros habitantes do Brasil, os índios, deram como contribuição os movimentos rústicos naturais tais como nadar, correr atrás da caça, lançar, além do arco e flecha. Na suas tradições incluem- se as danças, cada uma com significado diferente: homenageando o sol, a lua, os deuses da guerra e da paz, os casamentos etc. Entre os jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de troncos entre outras que não foram absorvidas pelos colonizadores. Os índios não eram muito fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo que os colonizadores os obrigavam a executar. Os negros vieram para o Brasil para o trabalho escravo, e as fugas para os Quilombos os obrigavam a lutar, sem armas, contra os capitães-do- mato, homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato adentro para recapturar os escravos. Essa luta sem armas usando os pés e saltos fez surgir a capoeira. Todos esses movimentos de índios e negros juntos formaram as atividades e modalidades esportivas dos conteúdos da educação física. Eles foram sistematizados e organizados posteriormente com regras e regulamentos para prática da cultura corporal do movimento da sociedade e dentro da escola. Fonte: escolacampossalles.blogspot.com A capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura luta, dança, cultura popular, música esporte, arte marciais e talvez até brincadeira. ... Arte marcial de ataque e defesa introduzida no Brasil por escravos bantos, atualmente praticada como jogo e esporte e é considerada o único esporte genuinamente brasileiro.
  • 19.
    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 23 Rui Barbosa foi, sem dúvida, um dos mais importantes personagens da História do Brasil. Rui era dotado não apenas de inteligência privilegiada, mas também de grande capacidade de trabalho. Essas duas características permi¬tiram- lhe deixar marcas profundas em várias áreas de atividade profissional nos campos do direito - seja como advogado, seja como jurista - do jornalismo, da diplomacia e da política. Ditadura Militar foi o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil, entre os anos de 1964 e 1985. Essa época caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão àqueles que eram opostos ao regime militar. E o tempo segue... Chega a família imperial! Tudo começou na época do Brasil Império - Em 1851 a lei de n.º 630 inclui a ginástica nos currículos escolares. Rui Barbosa preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias praticadas quatro vezes por semana, durante 30 minutos. Muitas discussões e sugestões sobre as ideias de Rui Barbosa sobre educação proliferaram. No Brasil República foi uma época onde começou a profissionalização da Educação Física. Os anos 70 ficaram marcados pela ditadura militar, a Educação Física era usada não para fins educativos mas para propaganda do governo, sendo todos os ramos e níveis de ensino voltado para os esportes de alto rendimento. Essa propaganda era contemplada na Copa do Mundo de Futebol, no México, onde o Brasil sagrou-se tricampeão e a euforia nacional pelo título desviava a atenção da ditadura militar que vigorava no Brasil. Na década de 70, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava o Tricampeonato Mundial de Futebol, e o regime autoritário utilizou o esporte como propaganda. O governo militar investiu na educação física principalmente com o objetivo de formar um exército composto por jovens sadios e fortes. Para isso, foi criado o chamado "modelo piramidal", de que a educação física escolar seria a base. a escola seria o "celeiro de novos talentos". a maior meta desse modelo era projetar cada vez mais a imagem do país através do desempenho dos seus atletas. Por isso, as aulas de educação física da época começaram a contemplar o aluno mais habilidoso em detrimento dos demais. Como o Brasil não se tornou uma potência olímpica conforme se pretendia, esse modelo faliu. Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à procura de propósitos voltados à sociedade. No esporte de alto rendimento a mudançanasestruturasdepodereosincentivosfiscaisderamorigemaos patrocínios e empresas podendo contratar atletas funcionários, fazendo surgir uma boa geração de campeões das equipes atlântica Boa Vista, Bradesco, Pirelli entre outras. até hoje, verificamos os patrocínios das empresas nos times e atletas de destaque, principalmente no futebol, voleibol e atletas olímpicos com resultados expressivos.
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    PEDAGOGIA24 Nos anos 90o esporte passa a ser visto como meio de promoção à saúde acessível a todos, manifestada de três formas: esporte educação, esporte participação e esporte performance. Os objetivos propostos são modificados em função da sociedade e analisados observando o ensino, no desenvolvimento da educação física no Brasil desde início da República (1889) até os dias atuais. A HISTÓRIA DAS LEIS A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4024 Em 1961 promulgou-se a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LBD. nº 4024. as diferentes estruturas de educação escolar receberam a denominação de Primário (quatro anos), (o quinto ano) e o Ginásio também com quatro anos. após este, havia o Curso Colegial propedêutico e os Cursos Técnicos como Curso Normal ou Curso de Formação de Professores: Curso de Contabilidade, de Secretariado, dentre outros. abrigada sob esta estrutura vertical, a aula de Educação Física era ministrada pelos regentes de classe dada suas bases científicas, e atualmente considerada como um aspecto de educação geral, oferecendo valiosa contribuição ao educando (Programa da Escola Primária de São Paulo, 1967/59). Na escola primária a educação física teve como objetivo a recreação (individual e coletiva) nos seus variados aspectos; era realizada por meio das atividades naturais, jogos, atividades rítmicas, dramatizações, atividades complementares (Programa da Escola Primária de São Paulo, 1967/59), visando abarcar a totalidade do desenvolvimento do aluno. até hoje vemos a aula de educação física ser chamada de recreação e/ou ser utilizada como recreio dirigido para substituir as aulas curriculares. esporte de alto nível e rendimento
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 25 é uma palavra que tem origem grega e significa kallós – belo, cheio de vigor, força, buscar pela exercitação a harmonia do corpo.È uma atividade física planejada, realizada de forma repetida para desenvolver ou manter o condicionamento físico. a Educação Física, na década de 60, também se preocupou com a atitude postural adequada, com a coordenação sensório motor, o refinamento dos sentidos, e o aumento da sensibilidade rítmica, favorecendo a co educação, e o conhecimento de nossos costumes. as aulas de Educação Física para a juventude consistiam em ensinar a ginástica formativa, fundamentos de jogo (modalidades esportivas coletivas), valendo-se do Método “da Desportiva Generalizada”, e não se previa processo de inclusão daqueles que não se adequassem a normalidade. Então, você escolhia um esporte para praticar e se não mostrasse as habilidades necessárias, era excluído e encaminhado para as aulas de educação física, geralmente com exercícios de calistenia (exercícios de caráter quase militar.). Promulgação da Lei 5692/71. Educação Física Prática Educativa ou Atividade? Dez anos depois da LDB nº 4224/61, foi implementada a segunda Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5692. Nomeavam-se Disciplina aquelas com orientação teórica, e por atividade, as de cunho prático sem reprovação, exceto por faltas: Educação artística, Inglês e Educação Física (PAR.CFE. 853/71). as aulas de Educação Física apenas reprovavam por falta e eram consideradas uma atividade. Esse argumento levou a educação física escolar a ser considerada dispensável, sem importância. Qualquer pessoa podia administrar as aulas (que eram consideradas brincadeiras). O programa recomendado para as aulas de Educação Física compreendia um conjunto de ginástica, jogos, desportos, danças e recreação, capaz de promover o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito e, de modo especial, fortalecer a vontade, formar e disciplinar hábitos sadios, adquirir habilidades, equilibrar e conservar a saúde e incentivar o espírito de equipe de modo que seja alcançado o máximo de resistência orgânica e de eficiência individual (SÃO PaULO, SE/CENP, 1985). Parecer nº 853/71, de 12 de novembro de 1971, do CFE. Núcleo-comum para os currículos do ensino de 1º e 2º graus. A doutrina do currículo na Lei 5.692/71.
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    PEDAGOGIA26 O 2º Grau,composto por três ou quatro séries, de cunho técnico profissionalizante, foi oferecido a todos os estudantes. abriu-se à população a real possibilidade de acesso ao ensino superior. Doze anos depois, em São Paulo, a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP.) ofereceu aos professores da rede estadual subsídios para a implementação da Proposta Curricular de Educação Física para a pré-escola. acompanhada do Manual para o Professor, apresentava exercícios, versando a construção da imagem e consciência corporal, atividades temporo-espaciais, expressão corporal e recreação (SÃO PaULO, SE/CEN,. 1983). Esse processo de intensa discussão acerca dos conteúdos escolares terminou em 1992 com a publicação do modelo final das Propostas Curriculares para o 1º e 2º Graus para todas as Disciplinas e atividades coordenadas pela CENP. as aulas de Metodologia da Educação Física estavam previstas no documento, demonstrando que seu conteúdo merecia ser estudado. O momento atual e a educação física O currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LBD nº 9.394/1996. O processo de escolarização brasileiro apresenta-se agora completo. Iniciando pela Educação Infantil, nosso Sistema Escolar termina formalmente na Graduação, no Ensino Superior. Hoje, as propostas e os conteúdos têm a preocupação em atender, incluir e integrar todos os estudantes em torno do Projeto Escolar. a aula de Educação Física, ao contrário das épocas passadas, e, segundo o artigo 26, deve ser “integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da educação básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos” (SÃO PaULO, SE/CENP 1985/ 79). a partir desta Lei vigente passou-se entender o currículo como um todo. a escola, portanto, deve ser vista como um lugar de informação, Implementar:dar execução a um plano, projeto.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 1 27 de produção de conhecimento, de socialização e de desenvolvimento integral de todos os estudantes. Para consecução de tal tarefa, todos os especialistas, os professores, as Disciplinas e os Componentes Curriculares devem ter compromisso com o desenvolvimento dos aspectos teóricos e práticos, além de articulá-los aos Temas ou Eixos Transversais (saúde, meio ambiente, trabalho e consumo, orientação sexual e ética). O plano de curso, de ensino e das aulas, inclusive os de Educação Física, devem ser pensados segundo o Projeto Escolar e orientados de acordo com as características dos estudantes. A lei de diretrizes e bases da educação – nº 9394/96 A mais nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, datada de 20 de dezembro de 1996, em seu artigo 26, fala dos currículos do ensino fundamental e médio tendo uma base nacional comum. Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Em seguida, amparada por decreto anterior nº 69450 de 1971, re- edita a prática facultativa a um grupo de alunos que mais uma vez tem excluído o conhecimento específico da educação física, que consideramos um retrocesso. A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º de dezembro de 2003): I - que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003). II - maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003).
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    PEDAGOGIA28 III - queestiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003) IV - amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003), que trata de pessoas com doenças. V - (VETaDO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003) VI - que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º. 12.2003). analisando a Lei nº 10793/2003, consideramos que ter filhos, e ser maior de 30 anos não pode apresentar problema para a prática da educação física. Inclusive, as academias de ginástica comprovam e cobram por essa prática extra escolar. Os parâmetros curriculares Os parâmetros curriculares nacionais são diretrizes elaboradas pelo Governo Federal que orientam a educação no Brasil e são separados por disciplina. Pare um pouco, e pense a respeito: Percebe-se, portanto, participação facultativa a uma grande parcela da população que poderia utilizar a educação física para uma qualidade de vida melhor, evitando os problemas provocados pelo sedentarismo. Percebemos, também que as escolas, principalmente as particulares cobram taxas para os alunos praticarem os esportes na escola quando esse serviço deve ser gratuito, por ser considerado horário de aula de educação física, componente curricular obrigatória na educação básica.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 29 Quanto à educação física fica bem definido o currículo, tendências pedagógicas por série etc., mas devemos lembrar que é uma sugestão, um norte a ser seguido. Devemos lembrar que com a construção do Projeto Político Pedagógico de cada escola, construção coletiva, evidencia-se o pensamento da comunidade escolar como meta. O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e das sociedades amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física trazem uma proposta que procura democratizar, humanizar e diversificar a prática pedagógica da área, buscando ampliar, de uma visão apenas biológica, para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais dos alunos. a segunda parte dos parâmetros aborda o trabalho com as quatro séries finais do ensino fundamental, indicando objetivos, conteúdos e critérios de avaliação. Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual, procedimental e atitudinal, organizados em blocos inter-relacionados e são explicitados como possíveis enfoques da ação do professor. Essa parte contempla, também, aspectos didáticos gerais e específicos da prática pedagógica em Educação Física que podem auxiliar o professor nas questões do cotidiano das salas de aula e servem como ponto de partida para as discussões. Para boa parte das pessoas que frequentaram a escola, a lembrança das aulas de Educação Física é marcante: para alguns, uma experiência prazerosa, de sucesso, de muitas vitórias; para outros, uma memória amarga, de sensações de incompetência, de falta de jeito, de medo de errar... Você se lembra das suas aulas de educação física? Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual (fatos, conceitos e princípios), procedimental (ligados ao fazer) e atitudinal (normas, valores e atitudes).
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    PEDAGOGIA30 O trabalho deEducação Física nas séries finais do ensino fundamental é muito importante na medida em que possibilita aos alunos uma ampliação da visão sobre a cultura corporal de movimento, e, assim, viabiliza a autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e a capacidade para interferir na comunidade, seja na manutenção ou na construção de espaços de participação em atividades culturais, como jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções. Ressignificar esses elementos da cultura e construí-los coletivamente é uma proposta de participação constante e responsável na sociedade. Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados procurando, de um lado, respeitar diversidades regionais, culturais e políticas existentes no país e, de outro, considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas escolas, que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania. princípio da inclUsão a sistematização de objetivos, conteúdos, processos de ensino e aprendizagem e avaliação tem como meta a inclusão do aluno na cultura corporal de movimento, por meio da participação e reflexão concretas e efetivas. Busca-se reverter o quadro histórico da área de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para as práticas corporais, resultante da valorização exacerbada do desempenho e da eficiência. "Oesportenãoéapenasummotivodecompetição, mas também uma ferramenta incomparável de inclusão social" (autor desconhecido). A cultura corporal contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. A Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva. Cidadania é a qualidade ou estado de cidadão.A pessoa torna-se cidadão quando intervém na realidade em que vive. Fonte: ana-educacaoconsciente.blogspot.com
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 1 31 princípio da diversidade Oprincípiodadiversidadeaplica-senaconstrução dos processos de ensino e aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos, visando a ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem. Busca-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos. O princípio da diversidade aplica-se na construção dos processos de ensino e aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos, visando a ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem. Busca-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos. categorias de conteúdos Os conteúdos são apresentados segundo sua categoria conceitual (fatos, conceitos e princípios), procedimental (ligados ao fazer) e atitudinal (normas, valores e atitudes). Os conteúdos conceituais e procedimentais mantêmumagrandeproximidade,namedidaemqueoobjetocentralda cultura corporal de movimento gira em torno do fazer, do compreender e do sentir com o corpo. Incluem-se nessas categorias os próprios processos de aprendizagem, organização e avaliação. Os conteúdos atitudinais apresentam-se como objetos de ensino e aprendizagem, e apontam para a necessidade de o aluno vivênciá-los de modo concreto no cotidiano escolar, buscando minimizar a construção de valores e atitudes por meio do currículo. Fonte: ana-educacaoconsciente.blogspot.com
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    PEDAGOGIA32 De acordo como que foi visto até agora, faça as seguintes atividades: Forme duplas e relate suas experiências nas aulas de educação física. Entreviste pessoas mais idosas na comunidade sobre a educação física na vida escolar. ao final fazer um grande grupo de discussão para apresentar os resultados. BRaSIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº. 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da educação Nacional. Brasília, DF, 1996. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília, DF: MECSEF, 1997. CaSTELLaNI FILHO, Lino. Política educacional e educação física. Campinas: autores associados, 1998. ______. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas, SP: Papirus, 1998.
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    unidade ObjetivoS dESTA unidade: Compreenderas concepções e tendências pedagógicas da Educação Física Escolar, podendo estabelecer conexões com o momento atual e o passado vivido. Perceber as várias utilizações do corpo pela sociedade em constante transformação. 2 PERÍODOS E CONCEPÇÕES A educação física no Brasil passou por diversos períodos que, por sua vez, possuíam diversas concepções relacionadas à função da própria educação física, da necessidade, da maneira de trabalhar e ver o corpo. As tendências podem ser reconhecidas e divididas em: Educação Física Higienista (1889-1930) – Propunha uma ênfase na saúde, cabendo no papel da educação física a formação de indivíduos fortes, saudáveis e propensos à aderência a atividades boas em detrimento de maus hábitos. Tinha por finalidade “[...] proporcionar aos alunos o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito, formando o homem física e moralmente sadio alegre e resoluto” (MARINHO, 1953, p. 177). Educação Física Militarista (1930-1945) – De forte influência dos militares, foi decretado no país o “Regulamento n. 7”, tornando de caráter oficial a utilização do “Método do Exército Francês”. Tinha por objetivo o “desenvolvimento harmônico do corpo. Desenvolvimento da personalidade. Aperfeiçoamento da
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    PEDAGOGIA34 destreza. Emprego daforça e espírito de solidariedade”. (MaZZEI; TEIXEIRa, 1967, v.IV, p. 143). até a década de 50, a educação física foi influenciada pela área médica (higienismo), pelos militares ou acompanhou mudanças no próprio pensamento pedagógico. Nesse mesmo período histórico, eram importados modelos de práticas corporais, como os sistemas ginásticos alemão e sueco e o método francês. Os conteúdos de educação física eram repetições mecânicas de gestos e movimentos. Na década de 60, com a introdução do Método Desportivo Generalizado, começou a haver uma certa confusão entre educação física e esporte. Nessa mesma época, as concepções teóricas e a prática real nas escolas se distanciaram. Ou seja, os processos de ensino e aprendizagem nem sempre acompanharam as mudanças do pensamento pedagógico. Educação Física Pedagogicista (1945-1964) – Com uma visão que pode ser traçada ao liberalismo, a vertente pedagogicista propunha a educação física como um meio de formação do indivíduo. “a educação física, acima das “querelas políticas”, é capaz de cumprir o velho anseio da educação liberal: formar o cidadão.” (GHIRaLDELLI JÚNIOR, 1989, p.29) . Educação Física Competitivista (1964-1985) – Marcada pelo forte apelo aos esportes de competição oficiais, por um “culto do atleta- herói”, essa visão foi a predominante no regime militar. Foi o período que houve o maior investimento na educação física como um todo. O professor deveria preparar esses futuros atletas. Quer-se dar ao professor de educação física a convicção de que ele, por força da profissão é condutor de jovens, um líder e não pode aceitar ser conduzido por minorias ativas que intimidam, que ameaçam e, às vezes, conseguem, pelo constrangimento, conduzir a maioria acomodada, pacífica e ordeira, (FERREIRa, 1969 apud GHIRaLDELLI JÚNIOR, 1989, p.31). Educação Física Popular (1985-) – Movimento de cunho ideológico que pretende mudar o paradigma da educação física, saindo do A ginástica sueca preocupava- se com a execução correta dos exercícios, emprestando-lhes um espírito corretivo. Por isso é conhecida como ginástica de posições. Conteúdo voltado para a iniciação esportiva. O método utilizado era norteado pelos estilos comando e tarefas. A compreensão de corpo era a mesma difundida pela aptidão física e o movimento norteado pela perspectiva de rendimento esportivo. A ênfase na esportivização dos conteúdos da Educação Física restringia o movimento e o próprio conhecimento da área aos códigos esportivos.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 2 35 competitivismo para uma visão em direção a “[...] ludicidade, a solidariedade e a organização e mobilização dos trabalhadores na tarefa de construção de uma sociedade efetivamente democrática”. (GHIRaLDELLI JÚNIOR, 1989, p.34). Outro exemplo que mostra o viés ideológico é o do Coletivo de autores que fala que: [...] o aluno sistematiza o conhecimento sobre os saltos e os conceitos que explicam o conteúdo e a estrutura do objeto salto, desde as leis físicas e características no nível cinésio/fisiológico, até as explicações político-filosóficas da existência de modelos de salto. (COLETIVO DE aUTORES, 1993, p.65). AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS No século XX, a Educação Física escolar sofreu, no Brasil, influências de correntes de pensamento filosófico, tendências políticas, científicas e pedagógicas. assim, até a década de 50, a Educação Física sofreu influências provenientes da filosofia positivista, da área médica (por exemplo,ohigienismo),deinteressesmilitares(nacionalismo,instrução pré-militar), e acompanhou as mudanças no próprio pensamento pedagógico (por exemplo, a vertente escola-novista na década de 50). Nesse mesmo período histórico ocorreu a importação de modelos de práticas corporais, como os sistemas ginásticos alemão, sueco e o método francês, entre as décadas de 10 e 20, e o método desportivo generalizado, nas décadas de 50 e 60. Contudo, observa-se na história da Educação Física uma distância entre as concepções teóricas e a prática real nas escolas. Ou seja, nem sempre os processos de ensino e aprendizagem acompanharam as mudanças, às vezes bastante profundas, que ocorreram no pensamento pedagógico desta área. Por exemplo, a co-educação (meninos e meninas na mesma turma) era uma proposta dos escola- novistas desde a década de 20, mas essa discussão só alcançou a Educação Física escolar muito tempo depois. A cinesiologia é a ciência que tem como enfoque a análise dos movimentos. De forma mais específica, estuda os movimentos do corpo humano. O nome Cinesiologia vem do grego kínesis = movimento + logos = tratado, estudo. pt.wikipedia.org/wiki/ Cinesiologia
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    PEDAGOGIA36 Mais recentemente, nadécada de 70, a Educação Física sofreu, mais uma vez, influências importantes no aspecto político. O governo militar investiu nessa disciplina em função de diretrizes pautadas no nacionalismo, na integração (entre os Estados) e na segurança nacional, objetivando tanto a formação de um exército composto por uma juventude forte e saudável como a desmobilização das forças políticas oposicionistas. As atividades esportivas também foram consideradas importantes na melhoria da força de trabalho para o milagre econômico brasileiro. Nesse período, estreitaram-se os vínculos entre esporte e nacionalismo. Um bom exemplo é o uso que se fez da campanha da seleção brasileira de futebol, na Copa do Mundo de 1970. Em relação ao âmbito escolar, a partir do Decreto no 69.450, de 1971, a Educação Física passou a ser considerada como a atividade que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando. O decreto deu ênfase à aptidão física, tanto na organização das atividades como no seu controle e avaliação, e a iniciação esportiva, a partir da quinta série, se tornou um dos eixos fundamentais de ensino; buscava-se a descoberta de novos talentos que pudessem participar de competições internacionais, representando a pátria. Nesse período, o chamado modelo piramidal norteou as diretrizes políticas para a Educação Física: a Educação Física escolar e o desporto estudantil seriam a base da pirâmide; a melhoria da aptidão física da população urbana e o empreendimento da iniciativa privada. A organização desportiva para a comunidade comporia o desporto de massa, o segundo nível da pirâmide. Este se desenvolveria, tornando-se um desporto de elite, com a seleção de indivíduos aptos para competir dentro e fora do país. Na década de 80 os efeitos desse modelo começaram a ser sentidos e contestados: o Brasil não se tornou uma nação olímpica e a competição esportiva da elite não aumentou significativamente o número de praticantes de atividades físicas. Iniciou-se então uma profunda crise de identidade nos pressupostos e no próprio discurso
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 37 da Educação Física, que originou uma mudança expressiva nas políticas educacionais: a Educação Física escolar, que estava voltada principalmente para a escolaridade de quinta a oitava séries do primeiro grau, passou a dar prioridade ao segmento de primeira a quarta séries e também à pré-escola. O objetivo passou a ser o desenvolvimento psicomotor do aluno, propondo-se retirar da escola a função de promover os esportes de alto rendimento. O campo de debates se fertilizou e as primeiras produções surgiram apontando o rumo das novas tendências da Educação Física. Às recém-criadas organizações da sociedade civil, bem como entidades estudantis, sindicais e partidárias, somaram-se setores do meio universitário identificados com as tendências progressistas. Simultaneamente, a criação dos primeiros cursos de pós-graduação em Educação Física, o retorno de professores doutorados que estavam fora do Brasil, as publicações de um número maior de livros e revistas, bem como o aumento do número de congressos e outros eventos dessa natureza, foram fatores que contribuíram para esse debate. As relações entre Educação Física e sociedade passaram a ser discutidas sob a influência das teorias críticas da educação: seu papel e sua dimensão política foram questionados. Algumas tendências pedagógicas da educação física escolar Em oposição à vertente mais tecnicista, esportivista e biologicista surgem novas abordagens na Educação Física escolar a partir do final da década de 70, inspiradas no momento histórico social pelo qual passou o país, nas novas tendências da educação de uma maneira geral, além de questões específicas da própria Educação Física. Atualmente coexistem na área várias concepções, todas elas tendo em comum a tentativa de romper com o modelo anterior, fruto de uma etapa recente da Educação Física.
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    PEDAGOGIA38 Essas abordagens resultamda articulação de diferentes teorias psicológicas, sociológicas e concepções filosóficas. Todas essas correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para a área, o que a aproxima das ciências humanas. Embora contenham enfoques diferenciados entre si, com pontos muitas vezes divergentes, têm em comum a busca de uma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do ser humano. as abordagens que tiveram maior impacto a partir de meados da década de 70 são comumente denominadas de psicomotora, construtivista e desenvolvimentista com enfoques da psicologia crítica, com enfoque sociopolítico, embora outras transitem pelos meios acadêmico e profissional, como, por exemplo, a sociológica- sistêmica e a antropológica-cultural. Vejamos, então, algumas abordagens... abordageM psicoMotora a psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que aparece a partir da década de 70 em contraposição aos modelos anteriores. Nele, o envolvimento da Educação Física é com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores, ou seja, buscando garantir a formação integral do aluno. Nessa tendência, a educação física está envolvida com o desenvolvimento da criança, com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores, buscando garantir a formação integral do aluno. O conteúdo predominantemente esportivo é substituído por um conjunto de meios para a reabilitação, readaptação e integração que valoriza a aquisição do esquema motor, da lateralidade e da coordenação a principal vantagem dessa abordagem é a maior integração com a proposta pedagógica da educação física. Porém, abandona completamente os conteúdos específicos dessa disciplina, como se o esporte, a dança, e a ginástica fossem inapropriados para os alunos. Coordenação visomotora é a capacidade de coordenar o campo visual com a mobilidade de partes do corpo. Vai permitir movimentos naturais bem coordenados. Exempo: a escrita.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 39 A Educação Física é, assim, apenas um meio para ensinar Matemática, Língua Portuguesa, sociabilização... Para este modelo, a Educação Física não tem um conteúdo próprio, mas é um conjunto de meios para a reabilitação, readaptação e integração, substituindo o conteúdo que até então era predominantemente esportivo, o qual valorizava a aquisição do esquema motor, lateralidade, consciência corporal e coordenação visomotora. A principal vantagem dessa abordagem é que ela possibilitou uma maior integração com a proposta pedagógica ampla e integrada da Educação Física nos primeiros anos de educação formal. Porém, representou o abandono do que era específico da Educação Física, como se o conhecimento do esporte, da dança, da ginástica e dos jogos fosse, em si, inadequado para os alunos. Abordagem construtivista Na perspectiva construtivista, a intenção é a construção do conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo, e para cada criança a construção desse conhecimento exige elaboração, ação sobre o mundo. A proposta teve o mérito de levantar a questão da importância de se considerar o conhecimento que a criança já possui na Educação Física escolar, incluindo os conhecimentos prévios dos alunos no processo de ensino e aprendizagem. Essa perspectiva também procurou alertar os professores sobre a importância da participação ativa dos alunos na solução de problemas. Abordagem desenvolvimentista A abordagem desenvolvimentista é dirigida especificamente para a faixa etária até 14 anos e busca nos processos de aprendizagem e desenvolvimento uma fundamentação para a Educação Física escolar. É uma tentativa de caracterizar a progressão normal do crescimento físico, do desenvolvimento motor e da aprendizagem motora em relação à faixa etária e, em função dessas características,
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    PEDAGOGIA40 sugerir aspectos ouelementos relevantes à estruturação de um programa para a Educação Física na escola. Em suma, uma aula de Educação Física deve privilegiar a aprendizagem do movimento, conquanto possam estar ocorrendo outras aprendizagens, de ordem afetivo-social e cognitiva, em decorrência da prática das habilidades motoras. Para a abordagem desenvolvimentista, a Educação Física deve proporcionar ao aluno condições para que seu comportamento motor seja desenvolvido pela interação entre o aumento da diversificação e a complexidade dos movimentos. Assim, o principal objetivo da Educação Física é oferecer experiências de movimento adequadas ao seu nível de crescimento e desenvolvimento, a fim de que a aprendizagem das habilidades motoras seja alcançada. A criança deve aprender a se movimentar para adaptar-se às demandas e às exigências do cotidiano, ou seja, corresponder aos desafios motores. Abordagens críticas Com apoio nas discussões que vinham ocorrendo nas áreas educacionais e na tentativa de romper com o modelo do esporte praticado nas aulas de Educação Física, a partir da década de 80 são elaborados os primeiros pressupostos teóricos num referencial crítico, com fundamento no materialismo histórico e dialético. As abordagens críticas passaram a questionar o caráter alienante da Educação Física na escola, propondo um modelo de superação das contradições e injustiças sociais sugerindo que os conteúdos selecionados para a aula devem propiciar uma melhor leitura da realidade pelos alunos e possibilitar, assim, sua inserção transformadora nessa realidade. Assim,umaEducaçãoFísicacríticaestariaatreladaàstransformações sociais, econômicas e políticas, tendo em vista a superação das desigualdades sociais.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 2 41 Busca possibilitar a compreensão, por parte do aluno, de que a produção cultural da humanidade expressa uma determinada fase e que houve mudanças ao longo do tempo. Essa reflexão pedagógica é compreendida como sendo um projeto político pedagógico. Político, porque encaminha propostas de intervenção em determinada direção, e pedagógico, porque propõe uma reflexão sobre a ação dos homens na realidade, explicitando suas determinações. A Educação Física é entendida como uma área que trata de um tipo de conhecimento, denominado cultura corporal de movimento, que tem como temas o jogo, a ginástica, o esporte, a dança, a capoeira e outras temáticas que apresentarem relações com os principais problemas dessa cultura corporal de movimento e o contexto histórico-social dos alunos. Em resumo, a introdução das abordagens psicomotora, construtivista, desenvolvimentista e crítica no espaço do debate da Educação Física proporcionaram uma ampliação da visão da área, tanto no que diz respeito à natureza de seus conteúdos quanto no que refere aos seus pressupostos pedagógicos de ensino e concebendo o aluno como ser humano integral. Além disso, foram englobados aprendizagens. Reavaliaram-se e enfatizaram-se as dimensões psicológicas, sociais, cognitivas, afetivas e políticas, objetivos educacionais mais amplos, não apenas voltados para a formação de físico que pudesse sustentar a atividade intelectual e conteúdos mais diversificados, não só restritos a exercícios ginásticos e esportes. Essas quatro abordagens se desdobram em novas propostas pedagógicas. Nesse contexto, surge uma nova ordem nas propostas da atual Lei de Diretrizes e Bases, orientando para que a educação física se integre na proposta pedagógica da escola. Essa nova ordem dá autonomia para se construir uma nova proposta, passando para a escola e para o professor a responsabilidade da adaptação da ação educativa escolar.
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    PEDAGOGIA42 Quadro atual Na atualidade,as quatro grandes tendências apontadas têm se desdobrado em novas propostas pedagógicas, em função do avanço da pesquisa e da reflexão teórica específicas da área e da educação escolar de forma geral, e da sistematização decorrente da reflexão sobre a prática pedagógica concreta de escolas e professores, que, muitas vezes, dentro de situações desfavoráveis, seguem inovando. Ao mesmo tempo, infelizmente, encontra-se ainda, em muitos contextos, a prática de propostas de ensino pautadas em concepções ultrapassadas, que não suprem as necessidades e as possibilidades da educação contemporânea O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é uma história de cultura na medida em que tudo o que faz é parte de um contexto em que se produzem e reproduzem conhecimentos. O conceito de cultura é aqui entendido, simultaneamente, como produto da sociedade e como processo dinâmico que vai constituindo e transformando a coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os. Com um caráter predominantemente utilitário ou lúdico, todas visam, a seu modo, a combinar o aumento da eficiência dos movimentos corporais com a busca da satisfação e do prazer na sua execução. A rigor, o que define o caráter lúdico ou utilitário não é a atividade em si, mas a intenção do praticante; por exemplo, um esporte pode ser praticado com fins utilitários, no caso do esportista profissional, e pode ser praticado numa perspectiva de prazer e divertimento, pelo cidadão comum. A nossa missão: um compromisso para a toda a vida! Hoje, possuímos muitas linhas ou abordagens filosóficas; cinesiológica, motricidade humana, cultura corporal do movimento, aptidão física, tradicional, desenvolvimentista, sócioconstrutivista, sócio- interacionista e a ligada ao meio ambiente.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 2 43 Se esta realidade nos conforta e nos alimenta também nos alerta para a construção de um Brasil com oportunidades mais amplas a todos e fazer praticar com excelência o jogo, a luta, o esporte, a ginástica e a dança, sem nos esquecermos da sensibilidade que deve guiar todos os nossos passos. CONCLUSÃO Nessa unidade verificamos as diversas tendências e abordagens da educação física escolar, que apresenta um longo caminho trilhado. Recebemos influências estrangeiras de modelos de ginásticas atividades até chegarmos à educação física nacional como uma cultura corporal. Isso também leva à conclusão que não temos um modelo puro e único, e sim mesclado, de várias influências e filosofias. ao final dessa unidade propomos para o aluno: Identificaraprincipalmarcadecadatendênciarelacionando-a com as concepções abordadas. Sugerir exemplos de atividades para cada concepção.
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    PEDAGOGIA44 COLETIVO DE aUTORES.Metodologia do ensino da educação física. São Paulo: Cortez, 1992. CORREIa, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos paradigmas na educação física. Campinas, SP: Papirus, 2006. FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física, São Paulo: Scipione, 1989. 224 p. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 1992.
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    UNIDADE OBJETIVO DESTA UNIDADE: Verificaras possibilidades que a Educação Física Escolar proporciona no processo de ensino e aprendizagem com suas múltiplas inserções sociais. Saber a forma mais adequada de trabalhar com a Educação Física como componente curricular. 3 A EDUCAÇÂO FÍSICA ESCOLAR N o universo de produções da cultura corporal de movimento, algumas foram incorporadas pela Educação Física como objetos de ação e reflexão: os jogos e brincadeiras, os esportes, as danças, as ginásticas e as lutas, que têm em comum a representação corporal de diversos aspectos da cultura humana. São atividades que ressignificam a cultura corporal humana e o fazem utilizando ora uma intenção mais próxima do caráter lúdico, ora mais próxima do pragmatismo e da objetividade. a Educação Física tem uma história de pelo menos um século e meio no mundo ocidental moderno. Possui uma tradição e um saber- fazer ligados ao jogo, ao esporte, à luta, à dança e à ginástica, e, a partir deles, tem buscado a formulação de um recorte epistemológico próprio. O Pragmatismo constitui uma escola de filosofia, com origens nos Estados Unidos da América, caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza de que só a ação humana, movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana. ... pt.wikipedia.org/wiki/ Pragmatismo Fonte: criandocriancas.blogspot.com
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    46 PEDAGOGIA O trabalhona área da Educação Física tem seus fundamentos nas concepções socioculturais de corpo e movimento, e a natureza do trabalho desenvolvido nessa área se relaciona intimamente com a compreensão que se tem desses dois conceitos. Portanto, entende-se a Educação Física como uma área de conhecimento da cultura corporal de movimento e a Educação Física Escolar como uma disciplina que introduz e integra o aluno na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. a Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos. Cabe assinalar que os alunos portadores de necessidades especiais não podem ser privados das aulas de Educação Física. Seja qual for o objeto de conhecimento em questão, os processos de ensino e tarefa da Educação Física escolar devem garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal, contribuir para a construçãodeumestilopessoaldepraticá-las,eoferecerinstrumentos Fonte: kely.silva.zip.net
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 3 47 para que sejam capazes de apreciá-las criticamente. aponta para uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que busca o desenvolvimento da autonomia, a cooperação, a participação social e a afirmação de valores e princípios democráticos. MÍDIA E CULTURA CORPORAL DE MOVIMENTO aadolescênciatemcomoumadesuascaracterísticasatuaisacapacidade de produzir formas culturais próprias. Essa cultura dos jovens está muito associada aos meios de comunicação, em especial a televisão, e valoriza o uso de uma linguagem audiovisual (combinação de palavras, imagens e música) que se manifesta na própria comunicação entre os jovens (uso de gestos corporais, onomatopeias, gírias, palavras e frases truncadas etc.) e na linguagem da mídia (videoclipes, imagens produzidas por computação gráfica, desenhos e fotos associadas a textos concisos nas revistas e jornais etc.). amídiaestápresentenocotidianodosalunos,transmitindoinformações, alimentando um imaginário e construindo um entendimento de mundo. Também no campo da cultura corporal de movimento a atuação da mídia é decrescente aprendizagem. Devem considerar as caract-rísticas dos alunos em todas as suas dimensões (cognitiva, corporal, afetiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social). O aluno deve aprender para além das técnicas de execução (conteúdos procedimentais) a discutir regras e estratégias, apreciá-los criticamente, analisá-los esteticamente, avaliá-los eticamente, ressignificá-los e recriá-los (conteúdos atitudinais e conceituais), processos decisivos na Onomatopeia é uma figura de linguagem na qual se imita um som com um fonema ou palavra. Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas, o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias. ... pt.wikipedia.org/wiki/ Onomatopeia Fonte: antoniozai.wordpress.com
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    48 PEDAGOGIA construção denovos significados e modalidades de entretenimento e consumo. O esporte, as ginásticas, as danças e as lutas tornam-se, cada vez mais, produtos de consumo (mesmo que apenas como imagens) e objetos de conhecimento e informações amplamente divulgados ao grande público. Jornais, revistas, videogames, rádio e televisão difundem ideias sobre a cultura corporal de movimento, e muitas dessas produções são dirigidas especificamente ao público adolescente e infantil. Os alunos também tomam contato, (andar, correr, malhar, na academia etc.), à superação de desafios (body-jumping, asa-delta) ou a atividades na natureza (montanhismo, trilhas ecológicas). Em primeiro lugar, os alunos possuem muitas informações sobre a cultura corporal de movimento em geral e sobre esportes em particular, exigindo do professor uma atualização constante. O professor precisa estar permanentemente atento à mídia, a fim de não perder um importante canal de diálogo e compartilhamento de interesses. OS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL Sabemos que os estudantes são sujeitos sociais e de cultura e chegam às escolas com saberes de sua comunidade local, muitas vezes, influenciados pelas culturas das mídias e do contexto global. Cabe à escola ampliá-los além de propiciar aos estudantes a reflexão dos saberes escolares. O passo seguinte é partir para as ações, com base em práticas pedagógicas, metodologias de ensino, planejamentos das aulas e avaliações do ensino-aprendizagem. Acreditamos que, dessa forma, poderemos avançar em direção a um currículo que se aproxime das aprendizagens reais de sala de aula.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 49 Acreditamos também que as práticas curriculares devem ser pensadas à luz do processo de formação dos educadores. Por fim, entendemos que um currículo não se cristaliza com o documento. Mais que isso, currículo é constante movimento, vida e cultura das escolas, acompanha o curso da história da sociedade, seus anseios e dilemas. Objetivos nos Ciclos De acordo com o Referencial Curricular do Estado do Maranhão (2009), os objetivos para o ensino fundamental são: • Garantir a todos os alunos a aprendizagem dos saberes da cultura corporal expressos nos jogos, lutas, ginásticas, danças, esportes e outras práticas (mímicas, artes circenses etc.), de maneira crítico-re- flexiva, com vistas a uma compreensão/transformação da realidade; • Promover o entendimento e a valorização das práticas corporais como produção histórica; • Problematizar, inventar e reinventar as práticas corporais lúdicas e competitivas da cultura corporal; • Ampliar o conhecimento prévio do aluno acerca das práticas da cultura corporal; • Oportunizar a expressão da corporeidade, superando limites como a violência, o preconceito e a discriminação; • Favorecer o conhecimento, o respeito e a valorização da plurali- dade de manifestações da cultura corporal do Brasil e do mundo, percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pes- soas e entre grupos sociais e étnicos. Para entendimento, apresentamos alguns objetivos a serem considerados no ensino fundamental por ciclos para vermos como a disciplina coloca-se ao longo da escolaridade num espiral de constante desenvolvimento e crescimento.
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    50 PEDAGOGIA Ciclos naEducação Física Nos 1º e 2º ciclos, espera-se que os alunos sejam capazes de participar ativamente das aulas e atividades propostas, estabelecendo relações equilibradas e construtivas, além de adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade, compreendendo que são fatores primordiais a saúde, os hábitos de higiene, a alimentação e as atividades corporais. Para atingir essas competências, é importante desenvolver as seguintes habilidades: Conteúdos, habilidades, atitudes e Procedimentos rela- cionados por faixa etária 06 ANOS / 07 ANOS / 08 ANOS 1. Participar de brincadeiras e jogos, respeitando regras e combi- nados apresentados pelo grupo. 2. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas, por nenhum motivo ou razão. 3. Identificar, conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar das diferen- tes manifestações culturais a começar pelas de seu grupo fami- liar e de seus colegas. 4. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci- mentos. 5. Compreender a importância do vestuário adequado para a prá- tica de atividades físicas, fazendo uso do mesmo. 6. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am- biente. 7. Compreender as relações referentes à inclusão X exclusão, vitó- ria X derrota, entre outras existentes nas práticas corporais. 08. Valorizar, apreciar e desfrutar das diferentes manifestações cul- turais presentes em sua comunidade.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 51 09. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo, compreendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais para desenvolver auto estima e cuidados consigo próprio. 10. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida- des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. 11. Compreender e participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas, por nenhum motivo ou razão. 12. Adotar atitudes de respeito e cooperação na solução de pro- blemas utilizando o diálogo para favorecer a troca de conheci- mentos. 13. Conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar das diferentes manifes- tações culturais. 09 ANOS / 10 ANOS 1. Conhecer os diferentes recursos materiais e físicos disponíveis para a construção do conhecimento nas práticas corporais. 2. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas, por nenhum motivo ou razão. 3. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo, compreendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio. 4. Conhecer e comparar os diferentes recursos materiais e físicos disponíveis para a construção do conhecimento nas práticas corporais. 5. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas, por nenhum motivo ou razão. 6. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida- des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. 7. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci- mentos. 8. Compreender a importância do vestuário adequado para a prá- tica de atividades físicas, fazendo uso do mesmo. 9. Conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar das diferentes manifes- tações culturais presentes na sociedade. 10. Compreender as relações referentes à inclusão X exclusão, vitó- ria X derrota, dentre outras existentes nas práticas corporais.
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    52 PEDAGOGIA 11. Organizarinformações importantes para a potencialização das práticas corporais a partir dos eventos escolares. 12. Organizar jogos, brincadeiras e outras atividades corporais, re- conhecendo-as como fonte de lazer. 13. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am- biente. 14. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. 15. Conscientizar e compreender a gama de transformações do cor- po e situá-lo no contexto de suas práticas corporais, aperceben- do-se do outro enquanto participador do mesmo espaço. 16. Utilizar as relações referentes à inclusão X exclusão, vitória X derrota, entre outras existentes nas práticas corporais. Nesta etapa do desenvolvimento os alunos são capazes de realizar movimentos mais elaborados e complexos, entendendo as possibilidadescorporaisafimdequesejamestabelecidasmetaspessoais como recurso de melhoria da saúde, além de participar ativamente das atividades propostas com respeito às regras e aos colegas. 11 ANOS / 12 ANOS 1. Organizar, autonomamente, atividades esportivas, jogos, brin- cadeiras e outras atividades corporais, valorizando-as e pautan- do-se por princípios de respeito à diversidade e inclusão, dentre outros princípios democráticos, principalmente, como meio de educação para o lazer. 2. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os colegas, por nenhum motivo ou razão. 3. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo, compreendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio. 4. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida- des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. 5. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci- mentos.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 3 53 6. Participar de jogos e brincadeiras, respeitando e compreenden- do as regras de cada atividade. 7. Compreender, criticamente, as relações referentes à inclusão e exclusão, vitória e derrota, dentre outras existentes nas práticas corporais. 8. Identificar e compreender a importância do vestuário adequado para a prática de atividades físicas. 9. Compreender a importância dos exercícios físicos na promoção e manutenção da saúde. 10. Vivenciar e compreender a importância do intercâmbio em ou- tros espaços para o crescimento pessoal e coletivo. 11. Situar-se como sujeito de suas ações, no sentido de aperceber- se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. 12. Conscientizar e compreender a gama de transformações do cor- po e situá-lo no contexto de suas práticas corporais, aperceben- do-se do outro enquanto participador do mesmo espaço. 13. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am- biente. 14. Qualificar o próprio movimento para atuar de forma mais efi- ciente dentro de suas possibilidades corporais. 15. Construir regras mediadoras de jogos, brincadeiras e esportes de acordo com as necessidades do grupo, visando à participa- ção efetiva de todos. 16. Vivenciar diversos papéis assumidos no contexto esportivo (ár- bitro, técnico, torcedor, atleta etc.). 17. Vivenciar os aspectos técnicos e táticos do esporte no contexto escolar. 18. Organizar as informações decorrentes de eventos escolares e de conteúdos programáticos, utilizando os diferentes recursos e meios adequados à proposta de trabalho. 19. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. Nessa etapa do desenvolvimento os alunos são capazes de realizar movimentos mais elaborados e complexos, entendendo as possibilidadescorporaisafimdequesejamestabelecidasmetaspessoais como recurso de melhoria da saúde, além de participar ativamente das atividades propostas com respeito às regras e aos colegas.
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    54 PEDAGOGIA 13 ANOS/ 14 ANOS 1. Qualificar o próprio movimento para atuar de forma mais eficiente dentro de suas possibilidades corporais. 2. Participar de diferentes atividades corporais sem discriminar os co- legas, por nenhum motivo ou razão. 3. Identificar os limites e potencialidades de seu próprio corpo, com- preendendo-o como semelhante, mas não igual aos demais para desenvolver autoestima e cuidados consigo próprio. 4. Compreender como os hábitos alimentares saudáveis e as ativida- des físicas contribuem para a melhoria e manutenção da saúde. 5. Utilizar e valorizar o diálogo para favorecer a troca de conheci- mentos. 6. Analisar as regras oficiais das práticas corporais e construir regras mediadoras de jogos, brincadeiras e esportes de acordo com as necessidades do grupo, visando à participação efetiva de todos. 7. Compreender, criticamente, as relações referentes à inclusão e ex- clusão, vitória e derrota, dentre outras existentes nas práticas cor- porais. 8. Compreender e vivenciar os aspectos técnicos e táticos do esporte no contexto escolar, construindo com criticidade esse contexto fora da escola. 9. Identificar e compreender a importância do vestuário adequado para a prática de atividades físicas. 10. Reconhecer a importância dos exercícios físicos na promoção e manutenção da saúde e qualidade de vida. 11. Perceber e compreender a relação entre o corpo e o meio am- biente. 12. Situar-se como sujeito de suas ações no sentido de aperceber-se como agente e viabilizador da proposta de conhecimento a ele oferecida. 13. Conscientizar e compreender a gama de transformações do corpo e situá-lo no contexto de suas práticas corporais, apercebendo-se do outro enquanto participador do mesmo espaço. 14. Vivenciar e compreender a importância do intercâmbio em outros espaços, para o crescimento pessoal e coletivo.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 3 55 15. Compreender a importância dos exercícios físicos na promoção e manutenção da saúde. 16. Compreender os aspectos biológicos e fisiológicos relacionados às práticas corporais. 17. Vivenciar diversos papéis assumidos no contexto esportivo (árbi- tro, técnico, torcedor, atleta etc.). CONCLUSÃO Nesta unidade entramos na cultural corporal do movimento, esclarecendo objetivos por faixa etária que podemos ver em uma ordem crescente no desenvolvimento motor, a cada etapa do crescimento, e como trabalhar, assim, a educação física escolar. SECRETaRIa MUNICIPaL DE EDUCaÇÃO. Referencial Curricular de Betim. Ensino Fundamental. Betim: Prefeitura Municipal de Betim, 2008.
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    unidade Objetivo dESTA unidade: Orientar metodologicamente comotrabalhar com conhecimento e competência no trato pedagógico com a Educação Física dentro da escola Orientar o trabalho da Educação Física junto com o corpo docente, favorecendo um ensino transdiciplinar. 4 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS É recomendável que o professor realize, antes de iniciar as aulas, um mapeamento das práticas corporais que já façam parte do repertório dos alunos. Isso possibilitará uma seleção mais adequada das temáticas que serão trabalhadas e influenciará de maneira decisiva a adesão do grupo à proposta, facilitando o aprendizado. Numa comunidade em que os alunos têm atividades motoras bastante restritas, em áreas essencialmente urbanas, por exemplo, o estudo e a vivência das ginásticas envolvendo movimentos- como rolamento, roda, parada de mãos etc. – precisam ser conduzidas pelo professor de maneira extremamente cuidadosa. Em outra escola, onde as crianças têm experiências extracurriculares com práticas corporais mais variadas e frequentes, como jogos e brincadeiras, o grau de complexidade das técnicas e dos gestos poderá ser mais elevado. No primeiro ano, queimada, pique-bandeira, rodas, amarelinhas e esconde-esconde são exemplos de propostas
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    58 PEDAGOGIA que podemser adotadas inicialmente e transformam-se em conteúdos ricos que podem levar a conhecimentos cada vez mais complexos na medida em que os alunos seguem vivenciando nas atividades. Nessa etapa de escolarização, também é desejável que a Educação Física extrapole o universo cultural e corporal próximo às crianças. Independentemente do conhecimento prévio delas, cabe à escola propor novas aprendizagens. Projetos que abarquem as brincadeiras de países e povos diferentes, danças e cantigas de outros tempos e lugares, além de atividades corporais que possam ser pesquisadas em sites, livros, entrevistas, revistas e jornais, se constituem em experiência relevantes para a ampliação dos conhecimentos da criança (Revista Nova Escola-ago. 2010). A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM Abordar a importância e a relevância da Educação Física no processo de aprendizagem é passar necessariamente pelo conhecimento do que é a educação física hoje e de que maneira o profissional capacitado pode contribuir para esse processo. Para alcançar esse propósito é necessário um planejamento pedagógico que veja a criança como um todo, sem a separação tradicional do corpo e da mente. Torna-se também importante utilizar a interdisciplinaridade como método de ensino. Visto que a Educação Física trabalha a motricidade para o desenvolvimento da inteligência, dos sentimentos, das relações sociais entre outros fatores. A sistematização de conteúdos terá como base a Cultura Corporal manifestada nas danças, jogos, lutas ginásticas, esportes e outras práticas (mímicas, artes circenses etc.). Nesta orientação pedagógica
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 59 levam-se em conta temas da cultura corporal que fazem parte do mundo do aluno. Em relação às habilidades motoras, deve-se trabalhar os padrões básicos de movimento, levando em consideração as características de crescimento e desenvolvimento humano que possuem uma evolução gradativa, ou seja, não podemos esperar que uma criança de seis anos de idade jogue basquete com todas as regras do esporte, mas podemos, aos poucos, levá-la a acertar pequenos alvos, correr, agarrar a bola até que no futuro possa começar a aprender as habilidades necessárias ao jogo. As capacidades físicas de força, resistência, agilidade, velocidade, flexibilidade e equilíbrio que levam ao conhecimento devem ser trabalhadas, pois as habilidades motoras simples e/ou combinadas vão levando a criança a incorporação de movimentos cada vez mais complexos. Utilizamos, ainda, dentro dos conteúdos as habilidades motoras básicas do movimento humano como andar, correr, saltar, esquivar, escorregar, deslizar, rolar, girar, bater, rebater, escalar, transportar, pendurar-se, balançar-se, chutar, arremessar, receber, amortecer, cabecear, etc. A Percepção do corpo em repouso e em movimento, noções de elementos orgânicos funcionais (tonos, respiração, relaxamento e contração); noções de espaço e tempo com ritmo duração, acentuação, velocidade, direção e sentido tudo é utilizado nas aulas de acordo com os objetivos no planejamento do professor. Esclarecemos que o conteúdo segue uma sistematização do simples para o complexo e do geral para o específico. Como segue o esquema: Quadro 1 Fonte: Pangrazzi e Dauer, 1981
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    60 PEDAGOGIA Dentro deuma sistematização da aula leva-se em conta três fases: Primeira fase: PROBLEMATIZAÇÃO - o conteúdo e os objetivos da aula são apresentados e são feitas as primeiras considerações e questionamentos que levem à reflexão a partir do conhecimento prévio do aluno sobre a temática. Segunda fase: DESENVOLVIMENTO DO TEMA- etapa da aula que toma a maior parte do tempo disponível. Nela os alunos são convidados a desenvolver diversas atividades que os ajudarão a ampliar seus conhecimentos sobre o objeto de estudo da aula. Terceira Fase: AVALIAÇÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS- alunos e professores fazem inter-relações sobre a temática da aula, a problematização inicial e as atividades desenvolvidas, com o objetivo de evidenciar a construção do conhecimento sobre as práticas corporais estudadas. Nesse momento, o professor poderá avaliar o nível de apreensão do conteúdo por parte dos alunos, para planejar o seguimento do seu trabalho pedagógico. Fonte: Referencial curricular de educação física do estado do Maranhão. Podemos perceber que os objetivos, à medida que o aluno passa de um ciclo para outro, permanecem, mudam e aprofundam-se, levando a um conhecimento e desenvolvimento mais complexo e abrangente. Cabe ao professor verificar cada etapa para progredir com segurança de uma etapa para outra. PLANO DE ENSINO O planejamento das aulas de educação física deve conter os elementos dos eixos norteadores para abordar os conteúdos específicos da cultura corporal através das danças, jogos, lutas, ginásticas, esportes e outras práticas.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 61 O plano não é diferente das outras disciplinas: contém o tema, objetivos (geral e específico), conteúdo, recursos, avaliação e observações. Quanto às observações utiliza-se hoje uma ficha de acompanhamento que pode ser individual (para cada aluno) ou para cada aula, descrevendo como a aula procedeu, se os objetivos foram alcançados e quais os acontecimentos relevantes. Essas fichas ajudam o professor a avaliar seu trabalho tendo em mente as seguintes questões que facilitam esse processo: O que aconteceu na aula? É isso que eu quero? Quais mudanças devem ser feitas para ajudar os alunos a jogar com mais eficácia? Devo mudar as condições do jogo? Um momento ideal para isso é após a primeira aula, embora os questionamentos devam ser feitos durante a aula. Questões adicionais podem ser desenvolvidas, pois a criatividade deve estar presente no planejamento do professor. Logo, relatar os objetivos do jogo; questionar os alunos sobre sugestões de outras formas de fazer o movimento; questionar os alunos sobre a razão de uma solução ser melhor que a outra; ser ouvinte e flexível e não forçar escolhas (“esta é a melhor solução”). Estimular a criança a resolver problemas por si só, sem a necessidade de impor posições, regras ou situações é o papel do professor. A CRIANÇA, A EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO FÍSICA Na escola, se quisermos atender às necessidades da criança, o melhor caminho é começar por entendê-la.
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    62 PEDAGOGIA Para quea criança tenha um desenvolvimento harmônico é fundamental que os domínios do comportamento sejam trabalhados conjuntamente. Os domínios do comportamento são compostos de três elementos que são o domínio motor (movimentos), o cognitivo (pensamento) e o afetivo (sentimentos), todos formando uma só unidade: a criança, a respeito de si mesma e do mundo em que vive. a importância do ambiente que favoreça a aprendizagem deve ser rico em experiências significativas para seu conhecimento, que favorecerá o conhecimento próprio que a criança levará para a escola. Os movimentos são de grande importância para a vida do ser humano. É através dele que o ser humano age sobre o meio ambiente, para alcançar objetivos e desejos ou satisfazer suas necessidades. a comunicação, a expressão da criatividade e dos sentimentos, é feita de movimentos. Vocêjáviuumacriançapequena,nãoémesmo?Viuseusmovimentos desajeitados no começo, mas aos poucos foram ficando seguros e organizados. as principais manifestações de uma criança de um recém-nascido são motoras e é pelos movimentos que a criança desenvolve conceitos como: pequeno, grande, duro, mole, quente, gelado, pesado e leve. O movimento é a essência da criança. Fonte: colegioagape.org.br
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 63 As habilidades motoras desenvolvidas nos primeiros anos de vida formam a base para a aprendizagem posterior de movimentos mais complexos. A maioria das crianças atendidas nos primeiros anos do ensino fundamental está na fase de desenvolvimento das habilidades básicas ou movimentos naturais. A Educação Física deve proporcionar uma variedade de oportunidades para que a criança desenvolva no máximo todas as potencialidades de movimentos, desenvolvendo assim a capacidade de usar seu corpo efetivamente. A educação Física deve, ainda, proporcionar às crianças ambientes de aprendizagem que facilitem as atitudes de tentar, praticar, pensar, tomar decisões, avaliar e persistir. Veja ao lado os movimentos realizados de acordo com um parâmetro de idades que não são fixas. Estes movimentos pode variar de acordo com as experiências vividas pela criança. Quadro 2 Fonte:Pangrazzi e Dauer, 1981
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    64 PEDAGOGIA Perceba tambémque os movimentos aparecem do geral para o específico, e do simples para o mais complexo. a prática da atividade motora leva a mudanças no organismo da criança. Há mudanças nos músculos, no coração, nos pulmões, no sistema nervoso. Cada uma dessas mudanças ocorre devido aos diferentes tipos de atividade física. É necessário também verificar como os conteúdos acontecem de acordo com o desenvolvimento motor da criança: Desenvolvimento motor O desenvolvimento motor representa um aspecto do processo desenvolvimentista total e está intrinsecamente inter-relacionado às áreas cognitivas e afetivas do comportamento humano, sendo influenciado por muitos fatores. a importância do desenvolvimento motor ideal não deve ser minimizada ou considerada como secundária em relação a outras áreas do desenvolvimento. Portanto, o processo do desenvolvimento motor revela-se basicamente por alterações no comportamento motor, do bebê ao adulto, é um envolvido no processo permanente de aprender a mover-se eficientemente, em reação ao que enfrentamos diariamente em um mundo em constante modificação (GaLLaHUE; OZMUN, 2002). Fonte: escolapedrita.com.br
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 65 Nos primeiros anos de vida a criança explora o mundo que a rodeia com os olhos e as mãos, através das atividades motoras. Ela estará, ao mesmo tempo, desenvolvendo as primeiras iniciativas intelectuais e os primeiros contatos sociais com outras crianças. É em função do seu desenvolvimento motor que a criança se transformará numa criatura livre e independente (BATISTELLA, 2001). Segundo Oliveira (2001), toda sequência básica do desenvolvimento motor está apoiada na sequência de desenvolvimento do cérebro, visto que a mudança progressiva na capacidade motora de um indivíduo, desencadeada pela interação desse indivíduo com seu ambiente e com a tarefa em que ele esteja engajado. Em outras palavras, as características hereditárias de uma pessoa, combinada com condições ambientais específicas (como por exemplo, oportunidade para prática, encorajamento e instrução) e os próprios requerimentos da tarefa que o indivíduo desempenha, determinam a quantidade e a extensão da aquisição de destrezas motoras e a melhoria da aptidão (GALLAHUE; OZMUN, 2002). Elementos básicos do desenvolvimento motor Motricidade fina Motricidade Fina “é uma atividade de movimento espacialmente pequena, que requer um emprego de força mínima, mas grande precisão ou velocidade ou ambos, sendo executada principalmente pelas mãos e dedos, às vezes também pelos pés” (MEINEL, 1984, p.154). A coordenação fina diz respeito à habilidade e destreza manual ou pedal constituindo-se como um aspecto particular na coordenação global. Habilidades motoras finas requerem a capacidade de controlar os músculos pequenos do corpo, a fim de atingir a execução bem- sucedida da habilidade (MAGILL, 1984). Conforme Canfield (1981), a motricidade fina envolve a coordenação óculo-manual e requer um alto grau de precisão no movimento para o desempenho da habilidade
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    66 PEDAGOGIA específica, numgrande nível de realização. Podemos citar exemplo da necessidade desta habilidade que seria na realização de tarefas como escrever, tocar piano, trabalhar em relógios etc. A coordenação viso manual representa a atividade mais frequente utilizada pelo homem, pois atua para inúmeras atividades como pegar ou lançar objetos, escrever, desenhar, pintar etc (ROSA NETO, 1996). Velasco (1996, p. 107) destaca que “a interação com pequenos objetos exigem da criança os movimentos de preensão e pinça que representam a base para o desenvolvimento da coordenação motora fina”. Motricidade global Segundo Batistella (2001), a motricidade global tem como objetivo a realização e a automação dos movimentos globais complexos, que se desenrolam num certo período de tempo e que exigem a atividade conjunta de vários grupos musculares. A motricidade global envolve movimentos que envolvem grandes grupos musculares em ação simultânea, com vistas à execução de movimentos voluntários mais ou menos complexos. Dessa forma, as capacidades motoras globais são caracterizadas por envolver a grande musculatura como base principal de movimento. No desempenho de habilidades motoras globais, a precisão do movimento não é tão importante para a execução da habilidade, como nos casos das habilidades motoras finas. Embora a precisão não seja um componente importante nesta tarefa, a coordenação perfeita na realização deste movimento é imprescindível ao desenvolvimento hábil desta tarefa (MAGILL, 1984). A coordenação global e as experimentações feitas pela criança levam a adquirir a dissociação do movimento, levando-a a ter condições de realizar diversos movimentos simultaneamente, sendo que cada um destes movimentos pode ser realizado com membros diferentes sem perder a unidade do gesto (OLIVEIRA, 2001). A conduta motora, de coordenação motora global é concretizada através da maturação, motora e neurológica da criança. Para isto
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 67 ocorrer haverá um refinamento das sensações e percepções, visual, auditiva, sinestésica, tátil e principalmente proprioceptiva, através da solicitação motora que as atividades infantis requerem (VELASCO, 1996). Equilíbrio O equilíbrio é a base primordial de toda ação diferenciada dos membros superiores. Quanto mais defeituoso é o movimento mais energia consome, tal gasto energético poderia ser canalizado para outros trabalhos neuromusculares. Nesta luta constante, ainda que inconsciente, contra o desequilíbrio resulta numa fatiga corporal, mental e espiritual, aumentando o nível de stress, ansiedade, e angústia do indivíduo. A postura é a atividade reflexa do corpo com respeito ao espaço. O equilíbrio considerado como o estado de um corpo, quando distintas e encontradas forças que atuam sobre ele se compensam e se anulam mutuamente. Desde o ponto de vista biológico, a possibilidade de manter posturas, posições e atitudes indica a existência de equilíbrio. O equilíbrio tônico postural do sujeito, seu gesto, seu modo de respirar, sua atitude etc., são reflexo de seu comportamento, porém ao mesmo tempo de suas dificuldades e de seus bloqueios. Para voltar a encontrar seu estado de equilíbrio biopsicossocial, é necessário liberar os pontos de maior tensão muscular (couraças musculares), isto é, o conjunto de reações tônicas de defesa integradas a atitude corporal. No plano da organização neuropsicológica, se pode dizer que o equilíbrio tônico postural constitui o modelo de autorregulação do comportamento (ROSA NETO, 1996). Asher (1975), considera que as variações da postura estão associadas a períodos de crescimento, aparecendo como uma resposta aos problemas de equilíbrio que costumam ocorrer segundo as mudanças nas proporções corporais e seus segmentos. Conforme Rosa Neto (1996), a postura inadequada está associada a uma excessiva tensão que favorece um maior trabalho neuromuscular, dificultando a transmissão e informações dos impulsos nervosos.
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    68 PEDAGOGIA Esquema corporal Aimagem do corpo representa uma forma de equilíbrio. Em um contexto de relações mútuas do organismo e do meio é onde se organiza a imagem do corpo como núcleo central da personalidade (ROSA NETO, 1996). O esquema corporal é um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança. É a representação relativamente global, científica e diferenciada que a criança tem de seu próprio corpo (WALLON, 1975). A criança percebe-se e percebe os seres e as coisas que a cercam, em função de sua pessoa. Sua personalidade se desenvolverá a uma progressiva tomada de consciência de seu corpo, de seu ser, de suas possibilidades de agir e transformar o mundo à sua volta. Ela se sentirá bem na medida em que seu corpo lhe obedece, em que o conhece bem, em que o utiliza não só para movimentar-se, mas também para agir (PEREIRA, 2002). As atividades tônicas, que está relacionada à atitude, postura e a atividade cinética, orientada para o mundo exterior. Essas duas orientações da atividade motriz (tônica e cinética), com a incessante reciprocidade das atitudes, da sensibilidade e da acomodação perceptiva e mental, correspondem aos aspectos fundamentais da função muscular, que deve assegurar a relação com o mundo exterior graças aos deslocamentos e movimentos do corpo (mobilidade) e assegurar a conservação do equilíbrio corporal, infraestrutura de toda ação diferenciada (tono). A função tônica se apresenta em um plano fisiológico, em dois aspectos: o tono de repouso o estado de tensão permanente do músculo que se conserva inclusive durante o sono; o tono de atitude, ordenado e harmonizado pelo jogo complexo dos reflexos da atitude, sendo estes mesmos, resultado das sensações proprioceptivas e da soma dos estímulos provenientes do mundo exterior (ROSA NETO, 1996). A imagem corporal como resultado complexo de toda a atividade cinética, sendo a imagem do corpo a síntese de todas as mensagens, de todos os estímulos e de todas as ações que permitam a criança se
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 4 69 diferenciar do mundo exterior, e de fazer do “EU” o sujeito de sua própria existência. O esquema corporal pode ser definido no plano educativo, como a chave de toda a organização da personalidade (PEREIRa, 2002). organiZação espacial a noção do espaço é uma noção ambivalente, ao mesmo tempo concreta e abstrata, finita e infinita. Na vida cotidiana utilizamos constantemente os dados sensoriais e perceptivos relativos ao espaço que nos rodeia. Estes dados sensoriais contêm as informações sobre as relações entre os objetos que ocupam o espaço, porém, é nossa atividade perceptiva baseada sobre a experiência do aprendizado a que lhe dá um significado. a organização espacial depende simultaneamente da estrutura de nosso próprio corpo (estrutura anatômica, biomecânica, fisiológica etc.), da natureza do meio que nos rodeia e de suas características (ROSa NETO, 1996). Todas as modalidades sensoriais participam pouco ou muito na percepção espacial: a visão; a audição; o tato; a propriocepção; e o olfato. a orientação espacial designa nossa habilidade para avaliar com precisão a relação física entre nosso corpo e o meio ambiente, e a tratar as modificações no curso de nossos deslocamentos (OLIVEIRa, 2001). as primeiras experiências espaciais estão estreitamente associadas ao funcionamento dos diferentes receptores sensoriais sem os quais a percepção subjetiva do espaço não poderia existir; a integração contínua das informações recebidas conduz a sua estruturação, e ação eficaz sobre o meio externo. Olho e ouvido; labirinto; receptores articulares e tendinosos; fusos neuromusculares e pele; representam o ponto de partida de nossa experiência espacial (ROSa NETO, 1996). a percepção relativa à posição do corpo no espaço e de movimento tem como origem estes diferentes receptores com seus limites funcionais, enquanto que a orientação espacial dos objetos ou dos elementos do meio, necessita mais da visão e audição. Está praticamente estabelecido que da interação e da integração destas informações internas e externas provem nossa organização espacial (OLIVEIRa, 2001). Propriocepção também denominado de Cinestesia, é o termo utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. ... pt.wikipedia.org/wiki/ Propriocepção
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    70 PEDAGOGIA Segundo ascaracterísticas das nossas atividades, podemos utilizar duas dimensões do espaço plano distância ou profundidade. a pele apresenta receptores táteis onde a concentração modifica de uma região a outra no corpo. a separação dos pontos de estimulação permite fazer diferenças entre o contínuo e o distinto. Os índices táteis, associados aos índices sinestésicos resultam da exploração de um objeto que permite o reconhecimento das formas (esterognosia) em ausência da visão (sentido háptico). Os deslocamentos de uma parte do corpo sobre uma superfície plana podem ser apreciados pela sinestesia tanto no caso dos movimentos lineares como angulares. as sensações vestibulares abastecem índices sobre certos dados espaciais (orientação, velocidade e aceleração). Chegam aos núcleos vestibulares, ao cerebelo e ao lóbulo frontal, porém só contribuem muito debilmente a percepção dos deslocamentos. Não obstante, durante os deslocamentos passivos onde a visão e a sinestesia não intervêm, a orientação espacial diminui, geralmente se existe lesão do sistema vestibular (RIGaL, 1988). organiZação teMporal Percebemos o transcurso do tempo a partir das mudanças que se produzem durante um período estabelecido e da sua sucessão que transforma progressivamente o futuro em presente e depois em passado. O tempo é antes de tudo memória, à medida que leio, o tempo passa. assim aparecem os dois grandes componentes da organização temporal, a ordem e a duração, que o ritmo reúne, o primeiro define a sucessão que existe entre os acontecimentos que se produzem, uns a continuação de outros, numa ordem física irreversível; a segunda permite a variação do intervalo que separa os dois pontos, o princípio e o fim de um acontecimento. Esta medida possui diferentes unidades cronométricas como o dia e suas divisões, horas, minutos e segundos. a ordem ou distribuição cronológica das mudanças ou acontecimentos sucessivos representa o aspecto qualitativo do tempo e a duração seu aspecto quantitativo (ROSa NETO, 1996). a organização temporal inclui uma dimensão lógica (conhecimento da ordem e duração, os acontecimentos se sucedem com intervalos), uma dimensão convencional (sistema cultural de referências, horas, dias, Cinestesia – conjunto de sensações pelas quais se percebem os movimentos musculares. Sinestesia – relações de planos sensórias diferentes (como o gosto) o termo é usado para descrever uma figura de linguagem e uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica. parte da física que trata da medida do tempo. Medição do tempo pelo cronômetro.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 4 71 semanas, meses, e anos) e um aspecto de vivência, que aparece antes dos outros dois (percepção e memória da sucessão e da duração dos acontecimentos na ausência de elementos lógicos ou convencionais). a consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas, independente de ser sucessão ou duração, sua retenção depende da memória e da codificação da informação contida nos acontecimentos. Os aspectos relacionados à percepção do tempo, evolucionam e amadurecem com a idade. No tempo psicológico organizamos a ordem dos acontecimentos e estimamos sua duração, construindo assim nosso próprio tempo. a percepção da ordem nos leva a distinguir o simultâneo do sucessivo, variando o umbral segundo os receptores utilizados. a percepção da duração começa pela discriminação do instantâneo e do duradouro que se estabelece a partir de 10 ms a 50ms para a audição e 100ms a 120ms para a visão (RIGaL, 1988). lateralidade O corpo humano está caracterizado pela presença de partes anatômicas pares e globalmente simétricas. Esta simetria anatômica se redobra, não obstante, por uma assimetria funcional no sentido de que certas atividades que só intervêm numa das partes. Por exemplo, escrevemos com uma só mão; os centros de linguagem se situam na maioria das pessoas no hemisfério esquerdo. a lateralidade é a preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo: mão, olho, ouvido, perna; a lateralização cortical é a especialidade de um dos dois hemisférios enquanto ao tratamento da informação sensorial ou enquanto ao controle de certas funções (OLIVEIRa, 2001). a lateralidade está em função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a iniciativa da organização do ato motor, que desembocará na aprendizagem e a consolidação das praxias. Esta atitude funcional, suporte da intencionalidade, se desenvolve de forma fundamental no momento da atividade de investigação, ao largo da qual a criança vai enfrentar-se com seu meio. a ação educativa fundamental para colocar a criança nas melhores condições para aceder a uma lateralidade definida, respeitando fatores genéticos e ambientais, é permitir-lhe organizar suas atividades motoras (ROSa NETO, 1996). Movimento intencional, organizado, tendo em vista a obtenção de um fim ou de um resultado determinado. ... www.animacorpus.net/ glossario/
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    72 PEDAGOGIA Segundo Pereira(2002), a definição de uma das partes do corpo só ocorre por volta dos sete anos de idade, antes disso, devem-se estimular ambos os lados, para que a criança possa descobrir por si só, qual o seu lado de preferência. “a preferência pelo uso de uma das mãos geralmente se evidencia aos três anos”. avaliação Motora O padrão de crescimento e comportamento motor humano que se modifica por meio da vida e do tempo; e a grande quantidade de influência que os afetam, constituem basicamente por diferentes teorias científicas e sustentam a evolução de estudos que se caracterizam pelas técnicas de pesquisa e pelos meios utilizados na obtenção de dados, que são elaborados e discutidos, como forma de elucidar os diferentes vieses que perfazem a existência do homem e sua evolução física, orgânica, cognitiva e psicológica. Os conceitos, ilustrações e teorias adicionam ao contexto, a estrutura necessária para que tais estudos possam legitimar-se e oferecer fundamentos fidedignos sobre as hipóteses que pretendem estabelecer e discutir. É importante lembrar que o caráter estatístico de nível normal de referência dos testes não engloba o mesmo valor para todas as populações, tendo em conta os aspectos afetivos e sociais (ROSa NETO, 1996). Normalmente utilizam-se testes para conhecer as características e necessidades individuais das pessoas, isto se torna indispensável se pensar em cada vez mais atender o desenvolvimento das pessoas, em especial as crianças, como o máximo de acertos possíveis para que seu desenvolvimento ocorra dentro dos períodos desejáveis, contribuindo assim, para com um desenvolvimento pleno. a observação do comportamento humano feito através de testes já se constitui prática antiga, através de estudos realizados por autores clássicos, como Ozeretski, Guilmain, Grajon, Zazzo, Piaget, Stambak, Picq e Vayer, entre outros que se dedicaram ao estudo da criança (ROSa NETO, 1996). acredita-se que para ensinar eficientemente é preciso acompanhar às crianças e analisar suas necessidades e interesses. que merece crédito pt.wiktionary.org/wiki/ Fidedigno
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 73 Dessa forma, entender a relação entre a idade da criança com a fase e característica motora pelas quais passam, constitui-se para um melhor acompanhamento do desenvolvimento motor. Assim, destacamos a importância do conhecimento dos profissionais de Educação Física, no que tange a avaliação motora da criança, como forma de melhor acompanhar seu desempenho e detectar possíveis problemas de ordem motora, além de poder influenciar no processo de desenvolvimento que ocorre desde a concepção. COMO AVALIAR NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ? A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais, em que é possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos. Na Educação Física, o conhecimento é construído pela assimilação de experiências corporais e pela criação de movimentos, o que dificulta a avaliação por parte do professor. Embora seja discutido há muito tempo, a avaliação ainda é um assunto polêmico no ambiente docente. Como avaliar? O que avaliar? São questionamentos que vêm a cabeça quando o professor começa a planejar as aulas. Mas o que é avaliar? De acordo com o Dicionário Michaelis (2006), avaliar é “calcular ou determinar a valia, o valor, o ‘merecimento’ de”. Ou seja, quem avalia tem o poder de decidir a que o avaliado é merecedor. De acordo com Barbosa (1997), para fins didáticos, podemos classificar a avaliação em três tipos: a diagnóstica, a formativa e a somativa. A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início do ano letivo, com o objetivo de dar ao professor uma noção sobre os níveis de conhecimento e habilidades dos alunos, para que, a partir daí, o professor possa planejar seu trabalho de acordo com as necessidades dos alunos.
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    74 PEDAGOGIA Já aavaliação formativa é realizada durante o ano letivo, onde o professor pode detectar possíveis falhas no processo ensino- aprendizagem, podendo, assim, modificar a maneira de ministrar suas aulas de acordo com a evolução de seus alunos. E, por fim, a avaliação somativa, que objetiva verificar o resultado do processo ensino-aprendizagem ao final de um bimestre, semestre ou ano letivo. Geralmente esta avaliação está associada a uma “nota” que o reprovará ou aprovará para o ano seguinte. O diagnóstico é fundamental, junto com o projeto político pedagógico da escola, para que se possa delinear o plano de ensino e os objetivos a se alcançar ao final do ano, e uma avaliação formativa para que o professor venha a se corrigir ou apenas aprimorar suas aulas. Já a avaliação somativa é mais complexa, é nela que está centrado este ensaio. Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam três focos principais de avaliação na Educação Física: Realização das práticas — É preciso observar primeiro se o estudante respeita o companheiro, como lida com as próprias limitações (e as dos colegas) e como participa dentro do grupo. Em segundo lugar vem o saber fazer, o desempenho propriamente dito do aluno tanto nas atividades quanto na organização das mesmas. O professor deve estar atento para a realização correta de uma atividade e também como um aluno e o grupo formam equipes, montam um projeto e agem cooperativamente durante a aula. Valorização da cultura corporal de movimento — É importante avaliar não só se o educando valoriza e participa de jogos esportivos. Relevante também é seu interesse e sua participação em danças, brincadeiras, excursões e outras formas de atividade física que compõem a nossa cultura dentro e fora da escola. Relação da Educação Física com saúde e qualidade de vida — É necessário verificar como crianças e jovens relacionam elementos da cultura corporal aprendidos em atividades físicas com um conceito mais amplo, de qualidade de vida.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 75 Giannichi(1984)esclareceque,paraprocedermosaumaavaliação,devem- se ter claros alguns princípios: esclarecer o que será avaliado inicialmente, selecionar as técnicas de avaliação em função dos objetivos, considerar os pontos positivos e limitados das técnicas de avaliação empregadas, levar em conta uma variedade de técnicas para assegurar uma avaliação compreensiva e considerar a avaliação como meio e não fim. Betti (1991) não especifica o modelo, ou metodologia de avaliação. Apenas deixa claro que o processo de ensino-aprendizagem deve estar de acordo com a proposta política pedagógica da escola. A avaliação presencial, medidas biométricas e execução de gestos técnicos referem-se a uma avaliação “formal”, já que ela também possui um caráter “não formal”, ou seja, critérios estabelecidos pelos professores a partir de condutas e comportamentos que ocorrem nas aulas e influenciam a nota do aluno (segundo os autores da obra em questão, isso fica claro quando o professor escolhe aqueles mais habilidosos para dividir as equipes, organizar atividades etc.). Com essas características, a avaliação em educação física vem sendo realizada com ênfase na aptidão física e na busca de talentos esportivos, e desse modo acaba por segregar aqueles classificados como menos aptos (MAUAD, 2003, p. 35). De acordo com Luckesi (1999), a avaliação que se pratica na escola é a avaliação da culpa. Aponta, ainda, que as notas são usadas para fundamentar necessidades de classificação de alunos, onde são comparados desempenhos e não objetivos que se deseja atingir. Concordamos com os autores quando defendem que a proposta de avaliação do processo de ensino-aprendizagem em educação física deve “[...] levar em conta a observação, análise e conceituação de elementos que compõem a totalidade da conduta humana e que se expressam no desenvolvimento de atividades” (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p.103). Mauad (2003) fala que a educação física é uma disciplina que trata do conhecimento denominado de cultura corporal; por isso seus adeptos compreendem que os conteúdos devem ser: o esporte, as danças, os jogos, a ginástica e as lutas, entendidos como linguagem corporal,
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    76 PEDAGOGIA por meioda qual o aluno pode compreender melhor as relações sociais do meio em que vive e confrontá-las com outras realidades existentes à sua volta. Betti (1992) completa que é preciso levar o aluno a compreender as razões que o levam a fazer uma atividade física, favorecer o desenvolvimento de atitudes favoráveis e positivas em relação à atividade física, desenvolver a compreensão de todas as informações relacionadas às conquistas materiais e espirituais da cultura física e aprender a apreciar o corpo em movimento. Barbosa (1997) dividiu seus métodos avaliativos em: diagnóstico, formativo e somativo. O diagnóstico é realizado previamente em observações da turma, e nas aulas iniciais onde é feito os primeiros contatos, a partir daí, e de acordo com o projeto político-pedagógico da escola é traçado o planejamento de ensino. A avaliação formativa é realizada ao longo das aulas em observações dos alunos e, também, através de uma avaliação dos alunos em relação às aulas, assim como em conselhos do professor titular da classe que, esporadicamente, observa o trabalho. Com estes feedback’s têm-se uma forma de repensar a postura do professor em aula, métodos de ensino e relacionamento com os alunos. O processo de avaliação somativa está fundamentado nos objetivos de promoção de saúde e qualidade de vida, assim como incentivar o gosto por atividades físicas fora do ambiente escolar e para a vida adulta, também leva-se em conta, mais uma vez, o projeto político pedagógico da escola onde a avaliação deve ser dividida em prática e teórica e, por fim, no comprometimento dos alunos com as aulas, não se avalia de acordo com rendimento, habilidade e tão pouco em relação à frequência, pois, ao aluno, é permitido a ausência em 25% das aulas, e puni-lo por isso fere uma lei do MEC (LEI Nº. 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996). Nãoexisteummodelo,oufórmulamágicadeavaliação.Acreditamosque toda avaliação deve ser um reflexo do processo ensino-aprendizagem e se levar em conta se os objetivos traçados foram alcançados e não usar a avaliação como uma arma de defesa ou coação aos alunos.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 4 77 Na Educação Física a avaliação é a chance de verificar se o aluno aprendeu a conhecer o próprio corpo e a valorizar a atividade física como fator de qualidade de vida. Portanto, nada de considerar apenas a frequência às aulas, o uniforme ou a participação em jogos e competições - nem comparar os que têm "veia" de campeão com os que não têm. Não há uma única fórmula pronta para avaliar, mas é essencial detectar as dificuldades e os progressos dos estudantes. Na Educação Física, como em todas as outras áreas, para avaliar bem é preciso definir os objetivos, pois eles determinam o conteúdo a ser trabalhado e os critérios para observar a evolução da aprendizagem. Exemplos: descobrir o próprio corpo para utilizá-lo melhor em atividades motoras básicas (correr, saltar) ou específicas (passes no basquete ou handebol, chutes no futebol) e compreender e respeitar as regras de um jogo e agir cooperativamente. Asprimeirasaulasfuncionamcomoreferência,paraqueoprofessorfaça a análise inicial da turma, observando e registrando as características de cada estudante. Independentemente de o grupo conhecer ou não a atividade, é preciso explicar, desde o início, os motivos pelos quais ela faz parte do programa, quais os movimentos, as capacidades e as habilidades que serão trabalhadas e que aspectos serão avaliados, coletiva e individualmente. O estudante precisa conhecer quando e como será julgado. É comum o professor de Educação Física encher os olhos quando vê alunos habilidosos nos esportes. A criança com pouca vivência motora é a mais importante para o trabalho docente, justamente porque representa um desafio. Com esse tipo de estudante é preciso aplicar métodos adequados para trabalhar suas dificuldades específicas. A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais, em que é possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos. Na Educação Física, o conhecimento é construído pela assimilação de experiências corporais e pela criação de movimentos, o que dificulta a avaliação por parte do professor.
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    78 PEDAGOGIA CONCLUSÃO Nessaunidadeapresentamosoaperfeiçoamentogradualdomovimento do alunodurante a sua vida escolar. Ou seja, o movimento vai sendo assimilado com atividades do geral para o específico na motricidade global do aluno, e sempre os movimentos sendo trabalhados na sequência do simples para o complexo. É através da experiência que o aluno aprendi e adquire as habilidades para sua vida. Falamos também, do planejamento e avaliação para nortear a ação do professor, mostrando as diferenças da disciplina de educação física na escola. Osalunosdeverãofazerumresumodotextoabaixoconstruindo objetivos para cada fase do desenvolvimento motor . Escrever uma resenha sobre como você trataria a disiplina educação física como pedagoga de uma escola. MINISTÉRIO Da EDUCaÇÃO E CULTURa. Subsídios para professores de educação física de 1ª a 4ª série. Módulos 3 e 4 / MEC/SEED. Brasília, DF, 1987; SECRETaRIa DE ESTaDO Da EDUCaÇÃO. Referencial Curricular de Educação Física de São Luís. Ensino Fundamental; SEDUC, 2009. SaDI, Renato Sampaio Re. Pedagogia do Esporte: descobrindo novos caminhos. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2010. SOUZaJUNIOR,Marcílio.O saber e do fazer pedagógicos:aeducação física como componente curricular? isso é história! Recife: EDUPE, 1999. REVISTa NOVa ESCOLa. São Pulo: abril, n. 236, out. 2010.
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    UNIDADE OBJETIVO DESTA UNIDADE: Conhecernoções básicas sobre recreação e lazer. Capacitar o professor a desenvolver junto à comunidade atividades de lazer, favorecendo a integração dos participantes. 5 O LAZER O lazer e a disponibilidade de espaços públicos para as práticas da cultura corporal de movimento são necessidades essenciais ao homem contemporâ- neo e, por isso, direitos do cidadão. Os alunos podem com- preender que os esportes e as demais atividades corporais não devem ser privilégio apenas dos esportistas profissio- nais ou das pessoas em condições de pagar por academias e clubes. Dar valor a essas ativida- des e reivindicar o acesso a centros esportivos e de la- zer, e a programas de práticas corpo- rais dirigidos à po- pulação em geral, é um posiciona- mento que pode ser adotado a partir dos conhecimentos adquiridos nas aulas de Educação Física. Fonte: estudiohispanico.com
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    80 PEDAGOGIA80 A atuaçãodos meios de comunicação e da indústria do lazer em produzir, transmitir e impor esses valores, ao adotar o esporte- espetáculo como produto de consumo, torna imprescindível a atuaçãodaEducaçãoFísicaescolar.Estadevefornecerinformações políticas, históricas e sociais que possibilitem a análise crítica da violência, dos interesses políticos e econômicos, do doping, dos sorteios e loterias, entre outros aspectos. Educação Física e a formação para o lazer Quando nos lembramos da dimensão cultural e econômica da vida, cresce cada dia mais a necessidade da sociedade pelo tempo de lazer. Começamos a entender a importância de se aprender, discutir, criticar e modificar este que é um espaço de grande importância na vida das pessoas. Na escola, a prática pela prática, por não questionar os valores implícitos, acaba reforçando a utilização do lazer como um processo de controle social, ideológico, compensatório, ou utilitarista, com o reforço dos mitos e preconceitos impregnados na sociedade capitalista (a competição predatória e a vitória a qualquer custo, o individualismo, o sexismo, o consumismo, a criticidade). Todo cidadão tem hoje grande envolvimento com elementos da cultura e do lazer, sejam na prática como espectadores e/ou consumidores na escola, na rua, nos parques, nos clubes, nos estágios, nas academias e escolas de esporte através da mídia. É papel da escola de instrumentalizar e agregar competências para que se possa usufruir autônoma, consciente e criticamente desse tempo livre. A palavra lazer nos remete a um universo complexo de significações, onde se mesclam interpretações da moral, da religião, da filosofia e do senso comum. Mas, apesar disso, o termo é banhado em um sistema de pensamentos que fez do lazer a condição da felicidade e da “liberdade”.
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 5 81 As atividades de lazer são atividades realizadas no tempo livre de cada um de nós e que possui em sua essência o livre-arbítrio. Esta denominação é utilizada principalmente pelo fato de que tais atividades não trazem em si qualquer sentido de obrigatoriedade ou uma relativa restrição. Tempo livre é a parcela de tempo linear marcado pelo relógio e que cada um de nós possui para si, após o cumprimento das atividades profissionais e sociofamiliares. O espaço de lazer é um aspecto que vem sendo estudado atualmente, devido à sua importância para as sociedades contemporâneas. TABELA 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS LAZERES Lazeres Passivos (O indivíduo é receptor, mas participa psicologicamente) Atividades culturais Lazeres Ativos (Indivíduo participa física e psicologicamente) Jogos Infantis de pouca organização e regras. Jogos individuais ou de duplas. Esportes em grupos Atividades musicais Artes e hobbies Atividades de viagem. BACAL,Sarah. Lazer- teoria e pequisa. São Paulo, Loyola. 1988. COLÔNIA DE FÉRIAS As Férias estão aí e não existe época melhor para desenvolvimento de atividades recreativas em clubes, condomínios, parques, escolas e academias. Para a alegria de crianças, adolescentes e até mesmodos adultos.
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    82 PEDAGOGIA82 Colônia deFérias é uma programação voltada para crianças, adolescentes e jovens que já se desvincularam do colégio nos períodos de férias, são organizadasporequipesdeprofissionais ou não que buscam incentivar a livre iniciativa com brincadeiras lúdicas, leitura e o contato com a natureza. Normalmente as colônias de férias ocorrem em clubes, condomínios, parques,escolas,academiaseespaços apropriados onde o planejamento da programação possa contemplar os objetivos propostos. Seguem, abaixo, boas ideias que possam ser aplicadas em Colônia de Férias e Festas Recreativas que vocês podem realizar: caça ao tesoUro (atividade sUrpresa) Esta é uma boa atividade para o final de uma colônia, quando queremos distribuir algum brinde ou pontos para uma gincana. Elaboramos um tesouro, uma caixa contendo o que desejarmos. Pode ser qualquer coisa ou até uma dica para uma surpresa final. Essa caixa vai ficar escondida e para que todos cheguem a ela, os participantes terão que seguir pistas deixadas por todo o espaço da atividade. Uma pista vai levar a outra e a última pista vai levar ao tesouro final. as pistas podem ser diretas como: - o tesouro está debaixo da maior mesa do clube! - ou vir em forma de provérbio, charada ou adivinhações. ao final da atividade todos os participantes tentam encontrar o tesouro e quem encontrar pode ficar com o tesouro pra si ou para a equipe, de acordo com as regras estabelecidas pelos recreadores. passeios ecolÓgicos e edUcação aMbiental eM parqUe oU clUbe Esta atividade é feita com a ajuda de todos os participantes. Os recreadores planejam um passeio ecológico com os participantes Fonte: http://jacidade.com.br/index
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 5 83 por toda a área escolhida e aproveitam o passeio para fazer competições do tipo: caça lixo (cada um tem um saquinho e a equipe que conseguir pegar mais lixo vence os pontos), a equipe que encontrar mais pássaros ou espécies de bichos diferente ganha os pontos, a equipe que contar melhores piadas, músicas pelo caminho etc. palestras instrUtivas (priMeiros socorros, boMbeiros, sobre saúde do corpo, higiene, aids etc. Em Colônias de Férias, nem sempre só a brincadeira atrai. Crianças e adolescentes adoram palestras instrutivas sobre a saúde e natureza. assim, é uma boa oportunidade para a conscientização de todos com relação a bons hábitos e cidadania. Geralmente, encontramos profissionais que fazem palestras sem qualquer fim lucrativo, principalmente os Bombeiros. É importante que as crianças já saibam desde cedo sobre a ressuscitação cardíaca e primeiros socorros, por exemplo. Macro ginástico na ágUa (hidroginástica coM todos) oU gincana aqUática Em dias quentes de verão, não há nada mais gostoso que unir boa parte ou todos os participantes de uma colônia ou academia para uma ginástica aquática. É muito animado e cria um ambiente agradável de socialização. além da hidroginástica, podem ser feitas atividades aquáticas competitivas e recreacionais no formato de uma gincana, ou seja, equipe x equipe. Fonte: jcholambra.com.br
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    84 PEDAGOGIA84 Muralsobre temas importantes e educativos (de desenhos, e frases) Geralmente, escolhemos essa atividade com a finalidade de passar e divulgar alguma ideia importante. Que poderá ser seguida de uma palestra já ministrada por um profissional especializado no assunto. Nesse mural, as crianças vão, por turma, fazer poesias, desenhos, colagens, pinturas dentro daquele tema escolhido. E quando todos os murais estiverem prontos serão expostos em uma parede visível a todos como uma exposição de arte. • Outras Sugestões: • Passeios ecológicos; • Karaokê; • Artes marciais; • Torneios; • Apresentação com mágicas, músicas, mímicas e outros; • Gincanas aquáticas; • Gincanas culturais e recreativas Existe Colônia de Férias que além de se preocupar com os aspectos já citados buscam ainda a proximidade familiar entre pais e filhos. GINCANA É um tipo de competição recreativa que tem o objetivo de pôr à prova as habilidades físicas e intelectuais. As gincanas são divididas em equipes, compostas de várias tarefas recreativas e culturais. Alguns exemplos de tarefas recreativas e tradicionais:
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | UNIDADE 5 85 Corrida de Saco: os competidores devem percorrer o mais rapidamente possível uma distância dentro e um saco que vai em média até suas cinturas. Veja vídeo em anexos. Ovo na Colher: os competidores devem percorrer o mais rapidamente possível uma distância equilibrando um ovo numa colher sem deixá-la cair. Cabo de Guerra: um número variável de competidores de duas equipes puxa em sentido contrário uma corda. Vence quem conseguir que toda a equipe adversária atravesse uma linha marcada no chão. Caça ao Tesouro: a organização da gincana elabore pistas para que as equipes possam encontrar um tesouro. Ganha a equipe que alcançar o objetivo em menor tempo. atenção! as pistas podem ser elaboradas em forma de charadas. a Praça de Lazer tem atividades como tênis de mesa, perna de pau, bambolê, amarelinha, pular cordas e outras brincadeiras da cultura popular. O objetivo é resgatar e incentivar as brincadeiras entre as crianças e também adultos que permitem voltar a serem crianças, pois a principal forma de lazer está sendo usurpada nas grandes cidades. “O brincar ao ar livre” na praça de lazer as crianças podem brincar livremente e vivenciar o aspecto lúdico, com dinâmica, muita diversão e aprendendo a socializar-se, utilizando o brincar como meio de educação. Fonte: http://espacomaat. blogspot.com Fonte: http://blogdeemrc. blogspot.com Fonte: http://nossoamiguinhojunior. blogspot.com/2010/07/corrida- com-ovo-na-colher.html Fonte: http://jogostradicionais8a. blogspot.com/
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    86 PEDAGOGIA86 RUAS DELAZER Resgatar as brincadeiras de ruas é de suma importância, pois hoje em dia já que as crianças ficam somente no computador, não se exercitam como antigamente. E a violência favorece esse comportamento. O objetivo do evento é promover a inclusão de crianças e jovens através da rua do lazer, proporcionando um momento de lazer para todas as crianças se divertirem com várias estações de brinquedos, pula-pula, piscina de bolinhas, baiana, danças coreografadas, jogos pré-desportivos, pinturas de rosto, colagem, brincadeiras populares e outras. A Rua para quem quiser Seja para praticar esporte, seja para morada, seja para passagem, seja para passear ou brincar, a rua assume a dimensão de possibilidades. Lugar onde se “pode” fazer tudo. Porque ela é via, é pública, é onde passamos grande parte do tempo. Trabalhar e manifestar, comer e se divertir. Partimos daqui: o lazer na rua. A rua como lugar de lazer é usada desde os tempos mais antigos, pois nem sempre existiram teatros fechados, cinemas, shoppings e clubes. Aliás, alguns desses lugares nasceram na rua, justamente por ser aberta e pública. Peças de teatro, por exemplo, eram encenadas na rua. Antes da lona as calçadas eram palcos das peripécias dos palhaços. Mas não podemos reduzir a utilização da rua simplesmente como lugar restrito à passagem. Ao contrário, as pessoas vão à rua para assistir a uma peça, ver um filme, fazer caminhada, encontrar com amigos, brincar. A rua demonstra que pode ser usada coletivamente. Umas das características mais marcantes do lazer são as brincadeiras de crianças, que ficam mais interessantes quando brincadas na rua. Em algumas periferias, notamos crianças brincando de ‘pega-
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    FUNDAMENTOS E MÉTODOSDE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA | unidade 5 87 pega’, patins, rouba-bandeira e futebol. Sim! Crianças e jovens ainda fazem dos chinelos traves para marcarem o gol. Embora isso esteja cada vez mais raro, por alguns motivos como o trânsito, a criminalidade e o medo, muitas crianças e jovens só têm a rua como lugar de lazer. Grupos inventam o lazer, apropriando-se da rua para o entretenimento e a sociabilidade, imprimindo marcas e disputando o espaço. Com suas diferentes artes de fazer o urbano, criam um espaço onde se identificam e reivindicam a participação no centro, Maria Elisa Macedo. ApropostadoProjetoRuadeLazeréofereceraosparticipantes,além de uma grande variedade de atividades esportivas, recreativas, de lazer e culturais, atividades que busquem a valorização do respeito, companheirismo e que estimulem a participação das famílias. Além disso, os participantes recebem pipoca, refrigerante, picolé e algodão doce, geralmente doado por empresas, comunidade etc.. Um dia diferente de entretenimento dentro das comunidades que vivenciam o pouco acesso ao lazer. É o que se propõe com as Ruas de Lazer, evento que visa proporcionar atividades recreativas, culturais e esportivas para toda família. Ferramenta de democratização e universalização do acesso ao esporte, recreação, cultura, arte e lutas como vivências de lazer, com melhoria da qualidade de vida da população sobralense, em todas as faixas etárias. Diversas atividades são ofertadas de forma acessível à comunidade como ginástica, capoeira, karatê, dança, teatro, música, artes manuais, esportes em geral e cinema, respeitando a cultura local e suas manifestações. Inclui ainda atividades e programas como Cinema na Praça, Rodas de Conversa com a comunidade e Cinema Itinerante, que viabilizam a atividade na casa do morador do bairro. A ideia promove novo significado de lazer e descentraliza o acesso ao entretenimento nos espaços públicos, valorizando novos espaços como quadras, campos, a própria rua, e fortalece ainda a integração com outros programas sociais já existentes no Município.
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    88 PEDAGOGIA88 Ruas delazer garantem diversão e segurança aos moradores. Em grandes cidades as vias são fechadas aos domingos e feriados para o lazer da população. Na cidade de São Paulo tem cerca de 900 ruas do tipo. a maioria em áreas carentes. No Rio de Janeiro ruas da avenida atlântica são interditadas todos os dias num horário determinado para a prática de atividades físicas, ao lado do calçadão da praia. CONCLUSÃO O lazer é um dos direitos do ser humano, onde ele dá uma pausa do trabalho e da rotina. É também um tempo livre para socialização através de contato maior e prazeroso com a família e amigos. a educação física abrange essas atividades de forma recreativa, envolvendo todas as idades, devendo, portanto, ser estimuladas na comunidade. Formem duplas ou trios para programar e executar uma das atividades de lazer apresentadas na unidade. BRaCHT, Valter. Educação física e aprendizagem social. Porto alegre: Magister, 1992. BaCaL, Sarah. Lazer-teoria e pesquisa. São Paulo: Loyola, 1988. SECRETaRIa MUNICIPaL DE EDUCaÇÃO. Referencial Curricular de Belém. Ensino Fundamental. Betim: Prefeitura Municipal de Betim, 2008.
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    REFERÊNCIAS ORGANIZAÇÃO DO TRABALHOESCOLAR | REFERÊNCIAS 89 BRACHT, Valter. Educação física e aprendizagem social. Porto Alegre: Magister, 1992. BACAL, Sarah. Lazer - teoria e pesquisa. São Paulo: Loyola, 1988. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Referencial Curricular de Betim. Ensino Fundamental. Betim: Prefeitura Municipal de Betim, 2008. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº. 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da educação Nacional. Brasília, DF, 1996. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasilia. DF: MECSEF, 1997. CASTELLANI FILHO, Lino. Política educacional e educação física. Campinas: Autores Associados, 1998. ______. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas, SP: Papirus, 1998. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino da educação física. São Paulo: Cortez, 1992. CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos paradigmas na educação física. Campinas, SP: Papirus, 2006. FREIRE, João Batista. Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física, São Paulo, Scipione, 1989. 224p.
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    90 PEDAGOGIA LUCKESI, CiprianoCarlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 1992. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Subsídios para professores de educação física de 1ª a 4ª série. Módulos 3 e 4 / MEC / SEED. Brasília, DF, 1987. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÂO. Referencial Curricular de Educação Física de São Luís. Ensino Fundamental: SEDUC, 2009. SADI, Renato Sampaio Re. Pedagogia do Esporte: descobrindo novos caminhos/1. ed. São Paulo: Ícone, 2010. SOUZA JUNIOR, Marcílio. O saber e do fazer pedagógicos: a educação física como componente curricular? isso é história!. Recife: EDUPE, 1999. VAGO, Tarcísio Mauro. Rumos da EF escolar: o que foi, o que é, o que poderia ser. UFMG, 1997. REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril, n. 236, out. 2010.
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