Humanização  do cuidado Maria José Sinhoroto Assistente Social
Sem o cuidado, ele deixa de ser humano. Se não receber cuidado, desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre. Se, ao largo da vida, não fizer com cuidado tudo que empreender, acabará por prejudicar a si mesmo e por destruir o que estiver a sua volta. Por isso o cuidado deve ser entendido na linha da essência humana (que responde à pergunta: o que é o ser humano?). Leonardo Boff
Quando cheguei em casa,  depois de dar uma saidinha,  encontrei minha mãe toda suja de fezes.  Não só evacuou, mas também se lambuzou. Eu a agarrei e a sacudi.  Mulher de 60 e poucos, cuidadora, há 17 anos, da mãe de 94, que sofre de Alzheimer.
O Foco desta apresentação é A formação do cuidador. Como compreender a violência na relação de cuidado: é preciso  prevenir. Atenção à “burnout” do cuidador e os meios  para enfrentá-la. A necessidade de valorização e apoio ao cuidador.
“ O “cuidador” é uma pessoa envolvida no processo de “cuidar do outro” – o idoso,  com quem vivencia uma experiência contínua de aprendizagem e que resulta na descoberta de potencialidades mútuas. É nesta relação íntima e humana que se revelam potenciais muitas vezes encobertos do idoso e do cuidador. (...).”
“ O cuidador é um ser humano de qualidades  especiais, expressas pelo forte traço de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. (...) Seus préstimos têm sempre um cunho de ajuda e apoio humanos, com relações afetivas e compromissos positivos.” Idosos: problemas e cuidados básicos
Síndrome de “burnout” (combustão total) É o termo psicológico que descreve o estado de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho a que estão sujeitos todos os profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas
“ Burnout” Geralmente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo com intervalo muito pequeno para recuperação.
Possíveis Sinais de Alerta Problemas de sono (despertar de madrugada, dificuldades para conciliar o sono. Estar sempre com sono, etc.); Perda de energia, fadiga crônica,  sensação de cansaço contínuo, etc; Isolamento; Consumo excessivo de bebidas com cafeína, álcool ou cigarro.  Consumo excessivo de pílulas para dormir ou outros medicamentos. Problemas físicos:  palpitações, tremor das mãos, moléstias  digestivas.
Possíveis Sinais de Alerta  (Continuação) Problemas de memória e dificuldades para  concentrar-se. Menor interesse por atividades e pessoas que  anteriormente eram objetos de interesse. Aumento ou diminuição  de apetite. Atos rotineiros repetitivos, como por exemplo, fazer limpeza continuamente. Dar demasiada  importância a pequenos detalhes.
Mudanças freqüentes de humor ou de estado de ânimo. Tendência a acidentar-se. Dificuldade para superar  sentimentos de depressão ou nervosismo. Não admitir a existência de sintomas físicos ou  psicológicos ou justificá-los alegando outras causas, alheias ao cuidado. Passar a tratar as outras  pessoas da família com menos consideração. Maria Izal Fernández de Trocóniz,  Ignacio Montorio Cerrato, Pura Díaz Veiga.  Possíveis Sinais de Alerta  (Continuação)
O que fazer para prevenir a “burnout”  de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais): O direito de ter tempo para mim mesmo e dedicar-me atividades em meu próprio benefício, sem sentimentos de culpa. O direito de ter sentimentos negativos por ver um ente querido enfermo ou por ver que vou perdê-lo. O direito de resolver por mim mesmo aquilo que tenho capacidade de resolver e o direito de pedir informações sobre aquilo que não compreendo.
O direito de buscar soluções razoavelmente adequadas para as minhas necessidades e para os meus entes queridos. O direito de ser tratado com respeito pelas pessoas a quem solicito conselho e ajuda. O direito de cometer erros e de ser desculpado.  O que fazer para prevenir a “burnout”  de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais):
O direito de ser reconhecido como membro importante e indispensável da minha família, inclusive quando meus pontos de vista não coincidem com os dos outros. O direito de querer bem a mim mesmo e admitir que faço o que é humanamente possível. O direito de aprender e de ter tempo necessário para prender. O que fazer para prevenir a “burnout”  de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais):
O direito de admitir e de expressar sentimentos, tanto positivos, como negativos. O direito de dizer  não  quando as exigências são excessivas, inapropriadas ou pouco realistas. O direito de ter a minha própria vida. Maria Izal Fernández de Trocóniz,  Ignacio Montorio Cerrato, Pura Díaz Veiga O que fazer para prevenir a “burnout”  de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais):
Cuidar do cuidador em ILPI  e outros serviços comunitários ao idoso Proporcione informação  adequada, educação, treinamento e acesso a recursos.  A falta de conhecimentos contribui para a tensão do staff e qualidade inferior de cuidados. Proporcione informações  sobre exaustão e estratégias  para enfrentamento. Proporcione grupos de apoio para o staff. Planeje reuniões  regulares de pessoal para  trabalhar as questões  emocionais
Cuidar do cuidador em ILPI  e outros serviços comunitários ao idoso Estimule comunicações entre o pessoal. Proporcione oportunidades para que os funcionários  possam desabafar.  Humor ajuda a reduzir o estresse; Ria com eles.
Estimule os funcionários  para que  pratiquem  exercícios de relaxamento  e alongamento. Beverly Ann Beisgen
Sugestões para Auto-proteção do Cuidador Organize-se para ter pequenas pausas. Descanse, faça um pequeno passeio ou pratique exercícios de relaxamento. Descubra o que você pode fazer para relaxar. Encontre meios de tornar o seu trabalho mais  agradável.
Peça para alguém cuidar das suas tarefas, enquanto você faz algum trabalho menos estressante.  Valorize o positivo; Preste atenção, diariamente, em alguma coisa boa que acontece no seu trabalho;  Identifique os aspectos positivos do seu trabalho. Beverly Ann Beisgen Sugestões para Auto-proteção do Cuidador
“ Eu encontrei um porto seguro.” Mulher com mais de 70 anos, cuidadora de marido altamente dependente, depois que passou a receber uma visita semanal de duas voluntárias que ficavam a tarde cuidando do marido, para que ela tivesse o seu  respiro.
Quem cuida de mim, do cuidador(a)?

Humanizar o Cuidado

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    Humanização docuidado Maria José Sinhoroto Assistente Social
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    Sem o cuidado,ele deixa de ser humano. Se não receber cuidado, desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre. Se, ao largo da vida, não fizer com cuidado tudo que empreender, acabará por prejudicar a si mesmo e por destruir o que estiver a sua volta. Por isso o cuidado deve ser entendido na linha da essência humana (que responde à pergunta: o que é o ser humano?). Leonardo Boff
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    Quando cheguei emcasa, depois de dar uma saidinha, encontrei minha mãe toda suja de fezes. Não só evacuou, mas também se lambuzou. Eu a agarrei e a sacudi. Mulher de 60 e poucos, cuidadora, há 17 anos, da mãe de 94, que sofre de Alzheimer.
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    O Foco destaapresentação é A formação do cuidador. Como compreender a violência na relação de cuidado: é preciso prevenir. Atenção à “burnout” do cuidador e os meios para enfrentá-la. A necessidade de valorização e apoio ao cuidador.
  • 5.
    “ O “cuidador”é uma pessoa envolvida no processo de “cuidar do outro” – o idoso, com quem vivencia uma experiência contínua de aprendizagem e que resulta na descoberta de potencialidades mútuas. É nesta relação íntima e humana que se revelam potenciais muitas vezes encobertos do idoso e do cuidador. (...).”
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    “ O cuidadoré um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. (...) Seus préstimos têm sempre um cunho de ajuda e apoio humanos, com relações afetivas e compromissos positivos.” Idosos: problemas e cuidados básicos
  • 7.
    Síndrome de “burnout”(combustão total) É o termo psicológico que descreve o estado de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho a que estão sujeitos todos os profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas
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    “ Burnout” Geralmentedesenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo com intervalo muito pequeno para recuperação.
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    Possíveis Sinais deAlerta Problemas de sono (despertar de madrugada, dificuldades para conciliar o sono. Estar sempre com sono, etc.); Perda de energia, fadiga crônica, sensação de cansaço contínuo, etc; Isolamento; Consumo excessivo de bebidas com cafeína, álcool ou cigarro. Consumo excessivo de pílulas para dormir ou outros medicamentos. Problemas físicos: palpitações, tremor das mãos, moléstias digestivas.
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    Possíveis Sinais deAlerta (Continuação) Problemas de memória e dificuldades para concentrar-se. Menor interesse por atividades e pessoas que anteriormente eram objetos de interesse. Aumento ou diminuição de apetite. Atos rotineiros repetitivos, como por exemplo, fazer limpeza continuamente. Dar demasiada importância a pequenos detalhes.
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    Mudanças freqüentes dehumor ou de estado de ânimo. Tendência a acidentar-se. Dificuldade para superar sentimentos de depressão ou nervosismo. Não admitir a existência de sintomas físicos ou psicológicos ou justificá-los alegando outras causas, alheias ao cuidado. Passar a tratar as outras pessoas da família com menos consideração. Maria Izal Fernández de Trocóniz, Ignacio Montorio Cerrato, Pura Díaz Veiga. Possíveis Sinais de Alerta (Continuação)
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    O que fazerpara prevenir a “burnout” de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais): O direito de ter tempo para mim mesmo e dedicar-me atividades em meu próprio benefício, sem sentimentos de culpa. O direito de ter sentimentos negativos por ver um ente querido enfermo ou por ver que vou perdê-lo. O direito de resolver por mim mesmo aquilo que tenho capacidade de resolver e o direito de pedir informações sobre aquilo que não compreendo.
  • 13.
    O direito debuscar soluções razoavelmente adequadas para as minhas necessidades e para os meus entes queridos. O direito de ser tratado com respeito pelas pessoas a quem solicito conselho e ajuda. O direito de cometer erros e de ser desculpado. O que fazer para prevenir a “burnout” de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais):
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    O direito deser reconhecido como membro importante e indispensável da minha família, inclusive quando meus pontos de vista não coincidem com os dos outros. O direito de querer bem a mim mesmo e admitir que faço o que é humanamente possível. O direito de aprender e de ter tempo necessário para prender. O que fazer para prevenir a “burnout” de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais):
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    O direito deadmitir e de expressar sentimentos, tanto positivos, como negativos. O direito de dizer não quando as exigências são excessivas, inapropriadas ou pouco realistas. O direito de ter a minha própria vida. Maria Izal Fernández de Trocóniz, Ignacio Montorio Cerrato, Pura Díaz Veiga O que fazer para prevenir a “burnout” de quem trabalha com idosos ? Os direitos dos cuidadores (informais):
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    Cuidar do cuidadorem ILPI e outros serviços comunitários ao idoso Proporcione informação adequada, educação, treinamento e acesso a recursos. A falta de conhecimentos contribui para a tensão do staff e qualidade inferior de cuidados. Proporcione informações sobre exaustão e estratégias para enfrentamento. Proporcione grupos de apoio para o staff. Planeje reuniões regulares de pessoal para trabalhar as questões emocionais
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    Cuidar do cuidadorem ILPI e outros serviços comunitários ao idoso Estimule comunicações entre o pessoal. Proporcione oportunidades para que os funcionários possam desabafar. Humor ajuda a reduzir o estresse; Ria com eles.
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    Estimule os funcionários para que pratiquem exercícios de relaxamento e alongamento. Beverly Ann Beisgen
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    Sugestões para Auto-proteçãodo Cuidador Organize-se para ter pequenas pausas. Descanse, faça um pequeno passeio ou pratique exercícios de relaxamento. Descubra o que você pode fazer para relaxar. Encontre meios de tornar o seu trabalho mais agradável.
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    Peça para alguémcuidar das suas tarefas, enquanto você faz algum trabalho menos estressante. Valorize o positivo; Preste atenção, diariamente, em alguma coisa boa que acontece no seu trabalho; Identifique os aspectos positivos do seu trabalho. Beverly Ann Beisgen Sugestões para Auto-proteção do Cuidador
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    “ Eu encontreium porto seguro.” Mulher com mais de 70 anos, cuidadora de marido altamente dependente, depois que passou a receber uma visita semanal de duas voluntárias que ficavam a tarde cuidando do marido, para que ela tivesse o seu respiro.
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    Quem cuida demim, do cuidador(a)?