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A Baixa Idade Média: as origens da crise feudal
-Baixa= final
-Características:
*baixo nível técnico da produção agrícola, já que atuavam na economia de subsistência
(produção para consumo próprio), não possuindo incentivos para esse aprimoramento
*Ocupação de novas terras por causa do crescimento demográfico
*Relações feitas através do medo, como a suserania e a vassalagem
-Causas: como o período se encontrava sem guerras (as quais regulam o crescimento
demográfico), houve uma baixa taxa de mortalidade e, portanto, mais pessoas viviam,
provocando a escassez de recursos básicos (alimentos, água). A solução encontrada foi a
expulsão de algumas pessoas do feudo, como trabalhadores e suas famílias, os quais vão
para as cidades, causando a urbanização, trabalhando no artesanato e no comércio
-Os senhores feudais também foi afetada, já que não havia mais feudos para distribuir,
fazendo com que houvesse a criação do princípio da sucessão pelo primogênito. Com
isso surgia, além dos pobres buscando as cidades, uma massa de nobres sem posses, já
que a aliança com a Igreja não era suficiente para absorver essa massa
-Esse crescimento dos centros urbanos levou a uma necessidade de expansão dos
mercados, porém, o domínio árabe sobre o Mediterrâneo era um obstáculo para essa
expansão. Com isso, o norte da Europa era visto como uma possibilidade de saída via
Mar do Norte e Mar Báltico, fazendo com que toda essa região apresentasse grande
comércio em direção às ricas regiões do Oriente. A chamada Rota do Norte foi a
primeira via a permitir o contato mais intenso entre a Europa e o Oriente. Essa região,
denominada Flandres, foi, ao lado das cidades italianas, o primeiro polo de crescimento
do comércio europeu
As Cruzadas
-1096-1270 – Europeus realizaram uma série de expedições militares (Cruzadas) sobre
o Oriente. Tradicionalmente, as Cruzadas são vistas como expedições visando retomar a
cidade de Jerusalém (centro do Oriente)
-O Cisma do Oriente também contribuiu para essa expansão territorial, já que, com a
criação da Igreja Ortodoxa Grega, representando um poder contrário ao da Igreja, a
Instituição teve como solução a expansão para reunificar a cristandade sob controle de
Roma ao mesmo tempo em que se impunha sobre o Império Bizantino
-A expansão dos turcos trouxe alterações para as relações com os europeus, já que
assumiram uma postura mais radical, proibindo as peregrinações cristãs a Jerusalém.
Essa atitude deu início a uma série de Cruzadas:
*Cruzadas dos Mendigos
*Cruzadas dos Nobres: manifestava um interesse econômico e político
*Cruzadas das Crianças: organizada com o pensamento de que apenas almas puras
poderiam conquistar Jerusalém
*Cruzada Comercial: organizada pelos comerciantes de Veneza, voltou-se contra o
Império Bizantino. Veneza pôde, assim, assumir o controle comercial do Mediterrâneo
oriental
*Sexta Cruzada: organizada pelo imperador Frederico II que, sem combater, conseguiu
a cessão de Jerusalém por 10 anos, através de acordos diplomáticos
O Renascimento comercial e urbano
-A expressão “renascimento” é incorreta, já que o comércio não havia desaparecido
completamente
-Após as Cruzadas, o comércio é intensificado e se torna uma atividade necessária à
sobrevivência europeia
-Veneza redistribuiu, a toda a Europa, arroz, algodão e, principalmente, açúcar
-O Mediterrâneo foi a principal via de riqueza da Europa. Ao mesmo tempo, a atividade
comercial e artesanal crescia na região de Flandres e na costa do Mar Báltico, através de
uma rota terrestre que se centrava no condado francês da Champagne. Flandres passou a
sediar feiras permanentes, que reuniam anualmente comerciantes e mercadorias
-Rotas comerciais e feiras foram os grandes agentes impulsionadores do comércio
europeu, assim, o crescimento urbano acompanhou esse Renascimento Comercial
-As novas oportunidades abertas por essa nova economia urbana e de mercado
ampliaram as fugas de servos dos feudos, mesmo porque a fixação em uma cidade podia
significar a liberdade definitiva, já que, se uma pessoa residir em uma cidade durante
um ano e um dia, sem ser formalmente indiciado, tornava-se totalmente liberto de todas
suas obrigações e culpas passadas
-Essas fugas fizeram com que os senhores feudais, ameaçados de ficar sem mão-de-
obra, reduzissem a exploração sobre os servos, permitindo que os mesmos arrendassem
suas terras, produzissem nelas e vendessem sua produção, pagando uma quantia em
moeda pelo uso da terra. Esse processo de monetarização das obrigações servis fez
com que os servos, agora podendo acumular um excedente, tivessem o interesse em
ampliar a produtividade
-Para isso, teriam de promover uma revolução nas técnicas agrícolas: o uso do arado
pesado, as novas formas de atrelagem aos bois, a disseminação do processo de rotação
trienal (exemplo: 2 terras produzem e 1 descansa) do uso da terra ampliaram a
produção, gerando excedentes que contribuíram para o abastecimento dos centros
urbano e para o crescimento do comércio
-Houve a criação de cidades, enquanto as antigas cidades romanas renasceram. Muitas
surgiram em torno dos burgos (fortificações), sendo amuralhadas, servindo de abrigo
para as populações vizinhas em caso de invasões
-Os primeiros habitantes eram chamados de burgueses, denominação que passou a
abranger todos os moradores
-Antigamente, as cidades se organizavam em torno de um senhor, com seu
desenvolvimento, passaram a buscar sua autonomia no movimento comunal. Pagando
por sua liberdade, ou lutando para consegui-la, as cidades adquiriram uma carta de
franquia, documento que formalizava sua autonomia tributária, militar, administrativa
e jurídica. São chamadas de comunas na França
-Esse crescimento da economia e da importância das cidades levou à necessidade de
organização das novas ou renovadas atividades, como o comércio. As cidades marítimas
alemãs fundaram a Liga Hanseática, visando defender os interesses comuns das
cidades comerciais da costa do Mar do Norte e do Báltico
-Houve, além do comércio, a produção artesanal, a qual contava com as corporações de
ofício, as quais visavam preservar o monopólio da atividade econômica, banindo toda
concorrência e estabelecendo um equilíbrio entre a oferta e a procura, assim como as
guildas visavam em relação ao comércio
-Uma nova classe social surgia, denominada burguesia, composta por comerciantes,
artesão e banqueiros, ao lado de uma nobreza
Formação das monarquias nacionais
-A autonomia das cidades não sobreviveu a uma centralização que deu origem às
monarquias nacionais
-Fatores que levaram à centralização:
*enfraquecimento da nobreza (devido ao comércio, ao excedente para os servos, fuga de
servos, apenas o primogênito com as terras, deixando seus irmãos sem terra), ao mesmo
tempo que a mesma passava a conviver com a burguesia e com intensas revoltas
camponesas que não podia deter, estando enfraquecida e contando apenas com a defesa
local
-A sobrevivência da nobreza dependia de um poder forte (monarquia), capaz de conter
os camponeses, a ascensão política da burguesia e garantir-lhes a manutenção de suas
terras, de sua condição hegemônica e seu poder
-Para a burguesia, uma centralização acabaria com a diversidade de moedas e
padronizaria a tributação, o que permitiria um maior desenvolvimento comercial e
terminaria com os pedágios. Além disso, essa monarquia significava uma redução de
poder da Igreja, a qual começava o próprio meio de vida burguês, com a proibição à
usura (empréstimo de dinheiro a juros) e ao lucro excessivo (considerado pecado)
-A centralização foi efetuada através de três mecanismos: a força (exército), a
tributação (aumentar o lucro) e a justiça. Com um exército forte à sua disposição, o rei
pôde ampliar seus domínios, submeter o poder político da nobreza e, principalmente,
aumentar sua arrecadação através da imposição de novos impostos
-As leis feudais, baseadas nos usos e costumes, foram sendo substituídas por leis
escritas com jurisdição sobre toda nação. A transformação da corte real no mais alto
tribunal de justiça consolidou a centralização
Monarquia Francesa
-Foi sob os reis da dinastia capetíngia que se iniciou um processo de fortalecimento e
centralização
-O rei Filipe Augusto anexou a Flandres, até então pertencente aos ingleses. É
significativo que essa área não tenha sido cedida a nobres, permanecendo sob controle
direto do rei. Foi durante seu reinado que, através das cartas de comuna, concedidas
pela monarquia, surgiram as cidades que fariam a riqueza comercial da Flandres
-No reinado de Luís IX, surgiram iniciativas de centralização. O rei instituiu a moeda de
circulação nacional e criou o direito de apelo, pelo qual qualquer um de seus súditos
podia pelar para a corte real, fortalecendo-a em detrimento da justiça feudal (controle
total)
-No reinado de Felipe IV, o Belo, a luta pela centralização foi direcionada contra a
Igreja. Não penas ele dissolveu a Ordem dos Templários, apossando-se de seus bens,
como também taxou os bens do clero. A medida fez eclodir um conflito com o papa
Bonifácio VIII, resultando na invasão de Roma e na captura do Papa. Com a morte do
mesmo, Felipe, o Belo, impôs um novo papa, Clemente V, e transferiu a sede do papado
para a cidade de Avignon
-Isso deu origem ao Cisma do Oriente, no qual alguns estados europeus aderiram ao
novo papado, enquanto outros se mantiveram fiéis a Roma, o que contribuiu para o
declínio da Igreja
-A sucessão de Felipe, o Belo, foi conturbada e deu-se através de seus três filhos: Luís
X, Felipe V e Carlos IV, os três morrendo sem filhos herdeiros. A morte de Carlos IV
deu origem a um conflito sucessório com a Inglaterra, o que levou à Guerra dos Cem
Anos
Monarquia Inglesa
-Na batalha de Hastings, o normando Guilherme, o Conquistador, derrotou o último rei
saxão (Haroldo), fundando na Inglaterra a dinastia normanda
-Apesar de algumas medidas centralizadoras, a pressão da nobreza por autonomia foi
mais forte durante toda a dinastia
-Mesmo com a ascensão da dinastia Plantageneta, essa pressão não se alterou, já que os
reis Ricardo I, Coração de Leão e João Sem-Terra, tiveram que se submeter às pressões
dos nobres e da Igreja, as quais atingiram seu nível mais alto quando os barões feudais
se rebelaram contra o rei João Sem-Terra, impondo-lhe a Magna Carta, a qual limitava o
rei, que não poderia aumentar os impostos ou alterar as leis sem o consentimento do
Grande Conselho, formado pelo clero, condes, barões e, posteriormente, a burguesia,
passando a ser nomeado Parlamento
-Esse Parlamento se dividiu em Câmara dos Lordes (hereditário e vitalício), composto
pela nobreza e Câmara dos Comuns, formada por representantes do povo
-Apenas após a Guerra dos Cem Anos que a monarquia inglesa voltou a se fortalecer, já
que essa guerra fez com que eclodisse um sentimento nacionalista
O Sacro Império e a Igreja
-A centralização do poder na Alemanha foi fortemente dificultada pelo Sacro Império e
por seus vínculos com a Igreja Católica. Tal situação gerou constantes conflitos entre o
poder imperial e o Papado, comprometendo uma centralização
-A Igreja passou por um movimento reformista liderado pela Ordem de Cluny, que
visava aumentar a autoridade papal e combater a corrupção e o desregramento do clero,
principalmente o nicolaísmo (casamento dos padres) e a simonia (comércio de bens
eclesiásticos)
-A autoridade papal sobre o clero alemão era fraca, em razão da prática dos alemães de
investir em bispos e abades com poderes condais, tornando-os funcionários imperiais
(investidura laica). Quando Gregório VII, antigo monge de Cluny, tornou-se papa,
buscou afirmar a independência da Igreja em relação ao poder imperial, tornando
inevitável um confronto com o imperador Henrique IV
-Nesse conflito, denominado Querela das Investiduras, ambos os lados acabaram se
enfraquecendo. O conflito teve início com a negativa do imperador Henrique IV em
aceitar cardeais e bispos que haviam sido investidos pelo papa para ocupar terras da
Igreja dentro dos limites do Império. No transcorrer dos acontecimentos, que incluíram
a excomunhão do imperador, a prisão do papa, a eclosão de uma guerra civil na
Alemanha e a imposição, ambos os lados foram obrigados a fazer concessões
-A conciliação veio com a Concordata de Worms, que criou a dupla investidura, a
espiritual, feita pelo papa; e a temporal, pelo imperador
A Baixa Idade Média: as crises do século XVI e do século XV
-Houve uma crise que afetou todos os aspectos da vida europeia (econômica, política e
social), em decorrência da impossibilidade da economia feudal fazer frente às
transformações que se intensificavam desde as Cruzadas
-O desequilíbrio entre as técnicas rudimentares de cultivo e o crescimento demográfico,
agravado pela saída de camponeses da terra em busca da riqueza urbana, resultou na
incapacidade de alimentar a população. Isso levou à Grande Fome
-Com a eclosão da Guerra dos Cem Anos, essa situação se agravou
-A região de Flandres era feudatária dos reis da França desde sua conquista por Felipe
II. Assim, ante uma crise sucessória da Monarquia francesa, viram a possibilidade de se
apoderarem, não apenas de Flandres, mas do próprio trono francês
-A dinastia capetíngia na França encerrou-se com a morte do último filho de Felipe, o
Belo, Carlos IV. Um dos pretendentes ao trono francês era Eduardo III, filho do rei da
Inglaterra, Eduardo II e da filha de Felipe, o Belo, Isabel. Com a morte de Carlos IV,
Eduardo usou sua condição de neto de Felipe, o Belo para reinvindicar seus direitos ao
trono francês. Porém, a nobreza francesa invocou uma antiga lei denominada Lei Sálica,
onde nenhuma mulher poderia herdar e não poderia haver herança por linha feminina, o
que prejudicava Eduardo, por possuir linha materna
-Como rei da França, o primo de Carlos IV, Felipe IV, deu origem à nova dinastia
francesa
-Eduardo II acendeu ao trono inglês e passou a reivindicar seus direitor ao trono da
França. A recusa francesa deu origem à Guerra, estremeada por longas tréguas, a qual
terminou com Eduardo II renunciando à coroa francesa, recebendo em troca a suserania
sobre todas as áreas conquistadas
-No reinado de Carlos V, os franceses conseguem recuperar parte dos territórios
perdidos evitando grandes batalhas. Em 1896, é assinada uma trégua de 20 anos, reflexo
dos problemas internos dos dois reinos: a realeza inglesa vinha enfrentando uma séria
oposição baronial. Na França, o rei Carlos IV enlouqueceu, dividindo o reino em dois
partidos, os borguinhões, liderados pelo duque de Borgonha, e os armagnacs,
comandados pelo duque de Orléans
-A mortalidade causada pela Guerra foi ampliada pela Peste Negra, que penetrou na
Europa através dos navios que faziam contato comercial entre Europa e o Oriente
-As condições europeias, marcadas pela miséria, desnutrição, péssimas condições de
higiene e crescimento desordenado das cidades, foram decisivas para que a epidemia se
espalhasse de forma assustadora
-Embora a peste tivesse origem urbana, sua expansão para o campo significou uma
mortalidade em massa dos camponeses, causando uma queda na produção agrícola, a
alta generalização dos preços, a fome e o desabastecimento das cidades
-Houve, em decorrência dessa crise, o crescimento de revoltas camponesas. A França
sofreu com a Jacqueries e a Inglaterra, posteriormente, com a revolta promovida por
Wat Tyler e o padre John Ball, os quais lideraram uma violenta revolta pela abolição da
servidão
-As cidades enfrentaram problemas, com a rebelião dos jornaleiros e dos artesãos. A
alta dos preços dos alimentos fez com que grande parte da riqueza urbana fosse
deslocada para a compra de comida. Ao mesmo tempo, as péssimas condições de vida
da imensa maioria da população, confrontada com a riqueza eclesiástica, contribuiu para
o crescimento das contestações ao poder da Igreja. Manifestações contrárias à Igreja
(heresias) começaram a crescer
-Internamente, criaram-se as Ordens Mendicantes, especialmente a dos Dominicanos e
a dos Franciscanos, cujos membros viviam de caridade, em um flagrante contraste com
o luxo dos prelados. Era uma reação de dentro do clero contra o excessivo materialismo
da Igreja
As transformações culturais
-O monopólio cultural da Igreja foi quebrado pela vitalidade urbana. Nas cidades,
surgiram as universidades. O latim perde espaço para as línguas vulgares. Refletindo as
mudanças, a Igreja criou o purgatório
-Houve o crescimento do Humanismo, o qual foi a primera tentativa de superar o
teocentrismo medieval e encontrar para vários fenômenos uma explicação baseada no
homem
-A própria Teologia modificou-se. Tomás de Aquino procurou harmonizar as verdades
da fé com o método de raciocínio lógico, criado por Aristóteles
-Foi dentro da Igreja que surgiram as Universidades medievais, utilizando como método
de ensino a escolástica
A crise do século XV
-Superada a situação do século anterior, com o declínio da mortalidade e a retomada do
crescimento demográfico, a mão de obra rural foi restabelecida, o abastecimento das
cidades voltou a se normalizar e os preços dos alimentos caíram, possibilitando uma
retomada do crescimento do comércio
-Esse crescimento foi muito mais rápido que o do século anterior, já que todos os
elementos conquistados para que o comércio se desenvolvesse já estavam atuantes
(reabertura do Mediterrâneo, retomada dos contatos do Oriente, estabelecimento de
rotas comerciais, criação de cidades – Flandres-, organização da produção urbana,
criação de um sistema bancário)
-Porém houve uma escassez de mercados, riquezas e moedas disponíveis na Europa,
promovendo uma crise de crescimento. Para que o ritmo de crescimento da atividade
econômica fosse intensificado, era necessário ampliar os mercados e obter novas fontes
de metais preciosos. Impunha-se a descobertas não apenas de novas terras, mas também
de uma nova rota para as Índias, livre de árabes, italianos e bizantinos
-A saída viável para a superação dessa crise foi a Expansão Marítima, principal marco
para a construção do Mundo Moderno
-Houve, ainda, elementos políticos importantes para as monarquias europeias,
notadamente para Inglaterra e a França, diretamente ligados ao final da Guerra dos Cem
Anos, ocorrida em 1453. Nesse ano, os ingleses foram definitivamente expulsos, com a
monarquia francesa consolidando seu domínio sobre parte ocidental de Flandres
-Com a consolidação da monarquia francesa, o rei era, acima de tudo, o suserano
máximo, autoridade militar suprema. Em um processo de guerra, a tendência era a
nobreza se unir em torno e sob as ordens do rei. Em uma guerra longa, essa autoridade
tende a se cristalizar, com o rei detendo a submissão dos nobres e o controle do
Exército. O aumento de prestígio da monarquia com a vitória, além do sentimento
nacional francês e também da queda dos senhores feudais, foram decisivos para a
consolidação do Estado francês
-A Inglaterra sofreu com a perda do comércio e de seus territórios na França, além da
perda de prestígio da monarquia, abrindo espaço para reações da nobreza e lutas pelo
poder
-Houve uma violenta disputa pela sucessão real, envolvendo a família Lancaster
(nobres mais tradicionais – rosa vermelha) e a York (nobreza ligada a interesses
mercantis – rosa branca)
-A Guerra das Duas Rosas, por 30 anos, dizimou a nobreza inglesa. O conflito só
terminou com a coroação de Henrique VII, Tudor. Herdeiro natural dos Lancaster, ele
casou com Elisabeth York, celebrando uma aliança entre os dois principais ramos da
nobreza inglês. Os demais nobres que não pertenciam a essas família foram mortos.
Tinha início o processo definitivo de fortalecimento da monarquia inglesa
O Renascimento cultural
-O Renascimento significou a proposição de uma cultura terrena, laica, racional e
científica, em oposição ao teocentrismo medieval. Esse movimento representou uma
continuidade da cultura humanística que começava a se desenvolver em decorrência da
edificação do mundo urbano e burguês a partir do século XII
-A cultura greco-romana inspirou o Renascimento, com o ideal de beleza e perfeição. O
Renascimento tomou os valores clássicos, baseados na razão e na valorização do
homem
-Constituiu-se, portanto, de uma nova manifestação cultural urbana e burguesa, que
brotou do declínio do mundo feudal, do desenvolvimento do comércio e das cidades, e
da formação e ascensão da burguesia
-Houve outro aspecto importante para o desenvolvimento renascentista, a centralização
do poder político, gerando monarquias centralizadas
-Nesse período, houve a intensificação dos contatos com o Oriente, notadamente com o
mundo islâmico, o que contribuiu para a superação da cultura europeia medieval, já que
os árabes apresentavam um nível de conhecimento técnico e científico muito avançado
em relação à Europa feudal. E, através do contato com o mundo bizantino, os árabes
introduziram na Europa elementos do saber grego que haviam ficado à margem da
cultura medieval
Itália, o berço do Renascimento
-O Renascimento cultural é essencialmente italiano e as razões para isso são: a Itália era
o berço da civilização romana e também recebeu muitos intelectuais bizantinos, que
foram educados na cultura grega e que abandonaram o Império Bizantino decadente e
exposto à crescente pressão dos turcos otomanos. Além disso, houve também os
contatos marítimo-comerciais, através do Mediterrâneo, entre as cidades portuárias
italianas e o mundo árabe
-Foi o forte desenvolvimento comercial e a forte urbanização que impulsionaram o
Renascimento Italiano. A riquíssima burguesia que se formava nos centros urbanos do
norte da Itália necessitava de mecanismos para justificar sua ascensão social e mesmo
seu poder político. Uma das formas para isso foi através do patrocínio a artistas e
intelectuais (mecenato)
Características do Renascimento
-O Renascimento não se constituía em um movimento ateu, já que faziam esculturas de
profetas e santos, porém os colocavam no patamar humano e não divino
-Buscou romper com o teocentrismo medieval, centrando sua preocupação no homem e
na sua capacidade criadora
-O antropocentrismo (homem no centro do universo) e o individualismo (compreensão
do homem como um ser único, diferente de cada um dos demais) encontram sua
verdadeira origem no Humanismo greco-romano
-Isso abriu espaço para a valorização da razão e da ciência em detrimento da fé, onde
fenômenos naturais, por exemplo, são explicados pela ciência, fazendo com que a
unidade de fé, dogma em que a Igreja se sustenta, seja confrontado pela diversidade do
Renascimento
-Entretanto, mesmo sendo caracterizado por uma grande produção e pela tentativa de
disseminar o conhecimento (com a invenção da imprensa por Gutenberg, por exemplo),
o movimento nunca ultrapassou os limites da elite letrada, enquanto a religião era
usufruída tanto pela elite, quanto pelo povo
As fases do Renascimento italiano
-O Renascimento pode ser dividido em 3 fases: século XIV (Trecento), século XV
(Quatrocento) e século XVI (Cinquecento)
-Trecento: destacaram-se na pintura, Giotto, que humanizou a representação da figura
humana, na literatura, Petrarca, o pai do Humanismo, e Bocage, com erotismo e atitudes
anticlericais
-Quatrocento: destacaram-se os pintores Masaccio, que introduziu a técnica a óleo e
difusor da pintura em perspectiva, Botticelli, que retratou figuras quase imateriais,
buscando unir o Paganismo cao Cristianismo, Leonardo da Vinci, considerado o
“hoemme renascentista”, atuando na pintura, filosofia, botânica e arte bélica
-Cinquecento: destacam-se Nicolau Maquiavel, com a obra O Príncipe, a qual iniciou o
moderno pensamento político. A língua italiana tornou-se literária. Destacaram-se, na
pintura, Rafael e Michelangelo
Renascimento fora da Itália
-Na Alemanha surgiu a Reforma Luterana, onde Lutero reforma a Igreja. Ma Inglaterra
destacaram-se Thomas Morus, autor de Utopia, no qual é proposta uma sociedade
perfeita, baseada no uso da inteligência e da razão, e o teatrólogo William Shakespeare,
expondo a intensidade multifacetada da alma humana
-Na França, Rabelais, com suas comédias, satirizou a Igreja e a repressão, exalgtando a
liberdade e o individualismo
-Na Espanha, destacaram-se Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, em que o
personagem Dom Quixote representa os nobres que lutam contra inimigos imaginários
(moinhos de vento)
-Em Portugal, destacaram-se Gil Vicente, no teatro, e Luís Vaz de Camões, poeta de Os
Lusíadas, o maio épico (greco-latino) da língua portuguesa
Renascimento Científico
-O Renascimento induziu a estudos sobre a natureza física do homem e a um esforço
para uma melhor compreensão do mundo e de seus fenômenos
-Na Astronomia, destacaram-se Nicolau Copérnico, com a teoria heliocêntrica (Sol no
centro do universo), Galileu Galilei, inventor do telescópio e Johan Kepler, que abriu
caminho para a descoberta da lei da gravidade por Isaac Newton
-Na Medicina, Miguel Servet e William Harvey descobriram o mecanismo de circulação
sanguínea

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A Baixa Idade Média

  • 1. A Baixa Idade Média: as origens da crise feudal -Baixa= final -Características: *baixo nível técnico da produção agrícola, já que atuavam na economia de subsistência (produção para consumo próprio), não possuindo incentivos para esse aprimoramento *Ocupação de novas terras por causa do crescimento demográfico *Relações feitas através do medo, como a suserania e a vassalagem -Causas: como o período se encontrava sem guerras (as quais regulam o crescimento demográfico), houve uma baixa taxa de mortalidade e, portanto, mais pessoas viviam, provocando a escassez de recursos básicos (alimentos, água). A solução encontrada foi a expulsão de algumas pessoas do feudo, como trabalhadores e suas famílias, os quais vão para as cidades, causando a urbanização, trabalhando no artesanato e no comércio -Os senhores feudais também foi afetada, já que não havia mais feudos para distribuir, fazendo com que houvesse a criação do princípio da sucessão pelo primogênito. Com isso surgia, além dos pobres buscando as cidades, uma massa de nobres sem posses, já que a aliança com a Igreja não era suficiente para absorver essa massa -Esse crescimento dos centros urbanos levou a uma necessidade de expansão dos mercados, porém, o domínio árabe sobre o Mediterrâneo era um obstáculo para essa expansão. Com isso, o norte da Europa era visto como uma possibilidade de saída via Mar do Norte e Mar Báltico, fazendo com que toda essa região apresentasse grande comércio em direção às ricas regiões do Oriente. A chamada Rota do Norte foi a primeira via a permitir o contato mais intenso entre a Europa e o Oriente. Essa região, denominada Flandres, foi, ao lado das cidades italianas, o primeiro polo de crescimento do comércio europeu As Cruzadas -1096-1270 – Europeus realizaram uma série de expedições militares (Cruzadas) sobre o Oriente. Tradicionalmente, as Cruzadas são vistas como expedições visando retomar a cidade de Jerusalém (centro do Oriente) -O Cisma do Oriente também contribuiu para essa expansão territorial, já que, com a criação da Igreja Ortodoxa Grega, representando um poder contrário ao da Igreja, a Instituição teve como solução a expansão para reunificar a cristandade sob controle de Roma ao mesmo tempo em que se impunha sobre o Império Bizantino
  • 2. -A expansão dos turcos trouxe alterações para as relações com os europeus, já que assumiram uma postura mais radical, proibindo as peregrinações cristãs a Jerusalém. Essa atitude deu início a uma série de Cruzadas: *Cruzadas dos Mendigos *Cruzadas dos Nobres: manifestava um interesse econômico e político *Cruzadas das Crianças: organizada com o pensamento de que apenas almas puras poderiam conquistar Jerusalém *Cruzada Comercial: organizada pelos comerciantes de Veneza, voltou-se contra o Império Bizantino. Veneza pôde, assim, assumir o controle comercial do Mediterrâneo oriental *Sexta Cruzada: organizada pelo imperador Frederico II que, sem combater, conseguiu a cessão de Jerusalém por 10 anos, através de acordos diplomáticos O Renascimento comercial e urbano -A expressão “renascimento” é incorreta, já que o comércio não havia desaparecido completamente -Após as Cruzadas, o comércio é intensificado e se torna uma atividade necessária à sobrevivência europeia -Veneza redistribuiu, a toda a Europa, arroz, algodão e, principalmente, açúcar -O Mediterrâneo foi a principal via de riqueza da Europa. Ao mesmo tempo, a atividade comercial e artesanal crescia na região de Flandres e na costa do Mar Báltico, através de uma rota terrestre que se centrava no condado francês da Champagne. Flandres passou a sediar feiras permanentes, que reuniam anualmente comerciantes e mercadorias -Rotas comerciais e feiras foram os grandes agentes impulsionadores do comércio europeu, assim, o crescimento urbano acompanhou esse Renascimento Comercial -As novas oportunidades abertas por essa nova economia urbana e de mercado ampliaram as fugas de servos dos feudos, mesmo porque a fixação em uma cidade podia significar a liberdade definitiva, já que, se uma pessoa residir em uma cidade durante um ano e um dia, sem ser formalmente indiciado, tornava-se totalmente liberto de todas suas obrigações e culpas passadas
  • 3. -Essas fugas fizeram com que os senhores feudais, ameaçados de ficar sem mão-de- obra, reduzissem a exploração sobre os servos, permitindo que os mesmos arrendassem suas terras, produzissem nelas e vendessem sua produção, pagando uma quantia em moeda pelo uso da terra. Esse processo de monetarização das obrigações servis fez com que os servos, agora podendo acumular um excedente, tivessem o interesse em ampliar a produtividade -Para isso, teriam de promover uma revolução nas técnicas agrícolas: o uso do arado pesado, as novas formas de atrelagem aos bois, a disseminação do processo de rotação trienal (exemplo: 2 terras produzem e 1 descansa) do uso da terra ampliaram a produção, gerando excedentes que contribuíram para o abastecimento dos centros urbano e para o crescimento do comércio -Houve a criação de cidades, enquanto as antigas cidades romanas renasceram. Muitas surgiram em torno dos burgos (fortificações), sendo amuralhadas, servindo de abrigo para as populações vizinhas em caso de invasões -Os primeiros habitantes eram chamados de burgueses, denominação que passou a abranger todos os moradores -Antigamente, as cidades se organizavam em torno de um senhor, com seu desenvolvimento, passaram a buscar sua autonomia no movimento comunal. Pagando por sua liberdade, ou lutando para consegui-la, as cidades adquiriram uma carta de franquia, documento que formalizava sua autonomia tributária, militar, administrativa e jurídica. São chamadas de comunas na França -Esse crescimento da economia e da importância das cidades levou à necessidade de organização das novas ou renovadas atividades, como o comércio. As cidades marítimas alemãs fundaram a Liga Hanseática, visando defender os interesses comuns das cidades comerciais da costa do Mar do Norte e do Báltico -Houve, além do comércio, a produção artesanal, a qual contava com as corporações de ofício, as quais visavam preservar o monopólio da atividade econômica, banindo toda concorrência e estabelecendo um equilíbrio entre a oferta e a procura, assim como as guildas visavam em relação ao comércio -Uma nova classe social surgia, denominada burguesia, composta por comerciantes, artesão e banqueiros, ao lado de uma nobreza
  • 4. Formação das monarquias nacionais -A autonomia das cidades não sobreviveu a uma centralização que deu origem às monarquias nacionais -Fatores que levaram à centralização: *enfraquecimento da nobreza (devido ao comércio, ao excedente para os servos, fuga de servos, apenas o primogênito com as terras, deixando seus irmãos sem terra), ao mesmo tempo que a mesma passava a conviver com a burguesia e com intensas revoltas camponesas que não podia deter, estando enfraquecida e contando apenas com a defesa local -A sobrevivência da nobreza dependia de um poder forte (monarquia), capaz de conter os camponeses, a ascensão política da burguesia e garantir-lhes a manutenção de suas terras, de sua condição hegemônica e seu poder -Para a burguesia, uma centralização acabaria com a diversidade de moedas e padronizaria a tributação, o que permitiria um maior desenvolvimento comercial e terminaria com os pedágios. Além disso, essa monarquia significava uma redução de poder da Igreja, a qual começava o próprio meio de vida burguês, com a proibição à usura (empréstimo de dinheiro a juros) e ao lucro excessivo (considerado pecado) -A centralização foi efetuada através de três mecanismos: a força (exército), a tributação (aumentar o lucro) e a justiça. Com um exército forte à sua disposição, o rei pôde ampliar seus domínios, submeter o poder político da nobreza e, principalmente, aumentar sua arrecadação através da imposição de novos impostos -As leis feudais, baseadas nos usos e costumes, foram sendo substituídas por leis escritas com jurisdição sobre toda nação. A transformação da corte real no mais alto tribunal de justiça consolidou a centralização Monarquia Francesa -Foi sob os reis da dinastia capetíngia que se iniciou um processo de fortalecimento e centralização -O rei Filipe Augusto anexou a Flandres, até então pertencente aos ingleses. É significativo que essa área não tenha sido cedida a nobres, permanecendo sob controle direto do rei. Foi durante seu reinado que, através das cartas de comuna, concedidas pela monarquia, surgiram as cidades que fariam a riqueza comercial da Flandres
  • 5. -No reinado de Luís IX, surgiram iniciativas de centralização. O rei instituiu a moeda de circulação nacional e criou o direito de apelo, pelo qual qualquer um de seus súditos podia pelar para a corte real, fortalecendo-a em detrimento da justiça feudal (controle total) -No reinado de Felipe IV, o Belo, a luta pela centralização foi direcionada contra a Igreja. Não penas ele dissolveu a Ordem dos Templários, apossando-se de seus bens, como também taxou os bens do clero. A medida fez eclodir um conflito com o papa Bonifácio VIII, resultando na invasão de Roma e na captura do Papa. Com a morte do mesmo, Felipe, o Belo, impôs um novo papa, Clemente V, e transferiu a sede do papado para a cidade de Avignon -Isso deu origem ao Cisma do Oriente, no qual alguns estados europeus aderiram ao novo papado, enquanto outros se mantiveram fiéis a Roma, o que contribuiu para o declínio da Igreja -A sucessão de Felipe, o Belo, foi conturbada e deu-se através de seus três filhos: Luís X, Felipe V e Carlos IV, os três morrendo sem filhos herdeiros. A morte de Carlos IV deu origem a um conflito sucessório com a Inglaterra, o que levou à Guerra dos Cem Anos Monarquia Inglesa -Na batalha de Hastings, o normando Guilherme, o Conquistador, derrotou o último rei saxão (Haroldo), fundando na Inglaterra a dinastia normanda -Apesar de algumas medidas centralizadoras, a pressão da nobreza por autonomia foi mais forte durante toda a dinastia -Mesmo com a ascensão da dinastia Plantageneta, essa pressão não se alterou, já que os reis Ricardo I, Coração de Leão e João Sem-Terra, tiveram que se submeter às pressões dos nobres e da Igreja, as quais atingiram seu nível mais alto quando os barões feudais se rebelaram contra o rei João Sem-Terra, impondo-lhe a Magna Carta, a qual limitava o rei, que não poderia aumentar os impostos ou alterar as leis sem o consentimento do Grande Conselho, formado pelo clero, condes, barões e, posteriormente, a burguesia, passando a ser nomeado Parlamento -Esse Parlamento se dividiu em Câmara dos Lordes (hereditário e vitalício), composto pela nobreza e Câmara dos Comuns, formada por representantes do povo -Apenas após a Guerra dos Cem Anos que a monarquia inglesa voltou a se fortalecer, já que essa guerra fez com que eclodisse um sentimento nacionalista
  • 6. O Sacro Império e a Igreja -A centralização do poder na Alemanha foi fortemente dificultada pelo Sacro Império e por seus vínculos com a Igreja Católica. Tal situação gerou constantes conflitos entre o poder imperial e o Papado, comprometendo uma centralização -A Igreja passou por um movimento reformista liderado pela Ordem de Cluny, que visava aumentar a autoridade papal e combater a corrupção e o desregramento do clero, principalmente o nicolaísmo (casamento dos padres) e a simonia (comércio de bens eclesiásticos) -A autoridade papal sobre o clero alemão era fraca, em razão da prática dos alemães de investir em bispos e abades com poderes condais, tornando-os funcionários imperiais (investidura laica). Quando Gregório VII, antigo monge de Cluny, tornou-se papa, buscou afirmar a independência da Igreja em relação ao poder imperial, tornando inevitável um confronto com o imperador Henrique IV -Nesse conflito, denominado Querela das Investiduras, ambos os lados acabaram se enfraquecendo. O conflito teve início com a negativa do imperador Henrique IV em aceitar cardeais e bispos que haviam sido investidos pelo papa para ocupar terras da Igreja dentro dos limites do Império. No transcorrer dos acontecimentos, que incluíram a excomunhão do imperador, a prisão do papa, a eclosão de uma guerra civil na Alemanha e a imposição, ambos os lados foram obrigados a fazer concessões -A conciliação veio com a Concordata de Worms, que criou a dupla investidura, a espiritual, feita pelo papa; e a temporal, pelo imperador A Baixa Idade Média: as crises do século XVI e do século XV -Houve uma crise que afetou todos os aspectos da vida europeia (econômica, política e social), em decorrência da impossibilidade da economia feudal fazer frente às transformações que se intensificavam desde as Cruzadas -O desequilíbrio entre as técnicas rudimentares de cultivo e o crescimento demográfico, agravado pela saída de camponeses da terra em busca da riqueza urbana, resultou na incapacidade de alimentar a população. Isso levou à Grande Fome -Com a eclosão da Guerra dos Cem Anos, essa situação se agravou -A região de Flandres era feudatária dos reis da França desde sua conquista por Felipe II. Assim, ante uma crise sucessória da Monarquia francesa, viram a possibilidade de se apoderarem, não apenas de Flandres, mas do próprio trono francês
  • 7. -A dinastia capetíngia na França encerrou-se com a morte do último filho de Felipe, o Belo, Carlos IV. Um dos pretendentes ao trono francês era Eduardo III, filho do rei da Inglaterra, Eduardo II e da filha de Felipe, o Belo, Isabel. Com a morte de Carlos IV, Eduardo usou sua condição de neto de Felipe, o Belo para reinvindicar seus direitos ao trono francês. Porém, a nobreza francesa invocou uma antiga lei denominada Lei Sálica, onde nenhuma mulher poderia herdar e não poderia haver herança por linha feminina, o que prejudicava Eduardo, por possuir linha materna -Como rei da França, o primo de Carlos IV, Felipe IV, deu origem à nova dinastia francesa -Eduardo II acendeu ao trono inglês e passou a reivindicar seus direitor ao trono da França. A recusa francesa deu origem à Guerra, estremeada por longas tréguas, a qual terminou com Eduardo II renunciando à coroa francesa, recebendo em troca a suserania sobre todas as áreas conquistadas -No reinado de Carlos V, os franceses conseguem recuperar parte dos territórios perdidos evitando grandes batalhas. Em 1896, é assinada uma trégua de 20 anos, reflexo dos problemas internos dos dois reinos: a realeza inglesa vinha enfrentando uma séria oposição baronial. Na França, o rei Carlos IV enlouqueceu, dividindo o reino em dois partidos, os borguinhões, liderados pelo duque de Borgonha, e os armagnacs, comandados pelo duque de Orléans -A mortalidade causada pela Guerra foi ampliada pela Peste Negra, que penetrou na Europa através dos navios que faziam contato comercial entre Europa e o Oriente -As condições europeias, marcadas pela miséria, desnutrição, péssimas condições de higiene e crescimento desordenado das cidades, foram decisivas para que a epidemia se espalhasse de forma assustadora -Embora a peste tivesse origem urbana, sua expansão para o campo significou uma mortalidade em massa dos camponeses, causando uma queda na produção agrícola, a alta generalização dos preços, a fome e o desabastecimento das cidades -Houve, em decorrência dessa crise, o crescimento de revoltas camponesas. A França sofreu com a Jacqueries e a Inglaterra, posteriormente, com a revolta promovida por Wat Tyler e o padre John Ball, os quais lideraram uma violenta revolta pela abolição da servidão
  • 8. -As cidades enfrentaram problemas, com a rebelião dos jornaleiros e dos artesãos. A alta dos preços dos alimentos fez com que grande parte da riqueza urbana fosse deslocada para a compra de comida. Ao mesmo tempo, as péssimas condições de vida da imensa maioria da população, confrontada com a riqueza eclesiástica, contribuiu para o crescimento das contestações ao poder da Igreja. Manifestações contrárias à Igreja (heresias) começaram a crescer -Internamente, criaram-se as Ordens Mendicantes, especialmente a dos Dominicanos e a dos Franciscanos, cujos membros viviam de caridade, em um flagrante contraste com o luxo dos prelados. Era uma reação de dentro do clero contra o excessivo materialismo da Igreja As transformações culturais -O monopólio cultural da Igreja foi quebrado pela vitalidade urbana. Nas cidades, surgiram as universidades. O latim perde espaço para as línguas vulgares. Refletindo as mudanças, a Igreja criou o purgatório -Houve o crescimento do Humanismo, o qual foi a primera tentativa de superar o teocentrismo medieval e encontrar para vários fenômenos uma explicação baseada no homem -A própria Teologia modificou-se. Tomás de Aquino procurou harmonizar as verdades da fé com o método de raciocínio lógico, criado por Aristóteles -Foi dentro da Igreja que surgiram as Universidades medievais, utilizando como método de ensino a escolástica A crise do século XV -Superada a situação do século anterior, com o declínio da mortalidade e a retomada do crescimento demográfico, a mão de obra rural foi restabelecida, o abastecimento das cidades voltou a se normalizar e os preços dos alimentos caíram, possibilitando uma retomada do crescimento do comércio -Esse crescimento foi muito mais rápido que o do século anterior, já que todos os elementos conquistados para que o comércio se desenvolvesse já estavam atuantes (reabertura do Mediterrâneo, retomada dos contatos do Oriente, estabelecimento de rotas comerciais, criação de cidades – Flandres-, organização da produção urbana, criação de um sistema bancário)
  • 9. -Porém houve uma escassez de mercados, riquezas e moedas disponíveis na Europa, promovendo uma crise de crescimento. Para que o ritmo de crescimento da atividade econômica fosse intensificado, era necessário ampliar os mercados e obter novas fontes de metais preciosos. Impunha-se a descobertas não apenas de novas terras, mas também de uma nova rota para as Índias, livre de árabes, italianos e bizantinos -A saída viável para a superação dessa crise foi a Expansão Marítima, principal marco para a construção do Mundo Moderno -Houve, ainda, elementos políticos importantes para as monarquias europeias, notadamente para Inglaterra e a França, diretamente ligados ao final da Guerra dos Cem Anos, ocorrida em 1453. Nesse ano, os ingleses foram definitivamente expulsos, com a monarquia francesa consolidando seu domínio sobre parte ocidental de Flandres -Com a consolidação da monarquia francesa, o rei era, acima de tudo, o suserano máximo, autoridade militar suprema. Em um processo de guerra, a tendência era a nobreza se unir em torno e sob as ordens do rei. Em uma guerra longa, essa autoridade tende a se cristalizar, com o rei detendo a submissão dos nobres e o controle do Exército. O aumento de prestígio da monarquia com a vitória, além do sentimento nacional francês e também da queda dos senhores feudais, foram decisivos para a consolidação do Estado francês -A Inglaterra sofreu com a perda do comércio e de seus territórios na França, além da perda de prestígio da monarquia, abrindo espaço para reações da nobreza e lutas pelo poder -Houve uma violenta disputa pela sucessão real, envolvendo a família Lancaster (nobres mais tradicionais – rosa vermelha) e a York (nobreza ligada a interesses mercantis – rosa branca) -A Guerra das Duas Rosas, por 30 anos, dizimou a nobreza inglesa. O conflito só terminou com a coroação de Henrique VII, Tudor. Herdeiro natural dos Lancaster, ele casou com Elisabeth York, celebrando uma aliança entre os dois principais ramos da nobreza inglês. Os demais nobres que não pertenciam a essas família foram mortos. Tinha início o processo definitivo de fortalecimento da monarquia inglesa
  • 10. O Renascimento cultural -O Renascimento significou a proposição de uma cultura terrena, laica, racional e científica, em oposição ao teocentrismo medieval. Esse movimento representou uma continuidade da cultura humanística que começava a se desenvolver em decorrência da edificação do mundo urbano e burguês a partir do século XII -A cultura greco-romana inspirou o Renascimento, com o ideal de beleza e perfeição. O Renascimento tomou os valores clássicos, baseados na razão e na valorização do homem -Constituiu-se, portanto, de uma nova manifestação cultural urbana e burguesa, que brotou do declínio do mundo feudal, do desenvolvimento do comércio e das cidades, e da formação e ascensão da burguesia -Houve outro aspecto importante para o desenvolvimento renascentista, a centralização do poder político, gerando monarquias centralizadas -Nesse período, houve a intensificação dos contatos com o Oriente, notadamente com o mundo islâmico, o que contribuiu para a superação da cultura europeia medieval, já que os árabes apresentavam um nível de conhecimento técnico e científico muito avançado em relação à Europa feudal. E, através do contato com o mundo bizantino, os árabes introduziram na Europa elementos do saber grego que haviam ficado à margem da cultura medieval Itália, o berço do Renascimento -O Renascimento cultural é essencialmente italiano e as razões para isso são: a Itália era o berço da civilização romana e também recebeu muitos intelectuais bizantinos, que foram educados na cultura grega e que abandonaram o Império Bizantino decadente e exposto à crescente pressão dos turcos otomanos. Além disso, houve também os contatos marítimo-comerciais, através do Mediterrâneo, entre as cidades portuárias italianas e o mundo árabe -Foi o forte desenvolvimento comercial e a forte urbanização que impulsionaram o Renascimento Italiano. A riquíssima burguesia que se formava nos centros urbanos do norte da Itália necessitava de mecanismos para justificar sua ascensão social e mesmo seu poder político. Uma das formas para isso foi através do patrocínio a artistas e intelectuais (mecenato)
  • 11. Características do Renascimento -O Renascimento não se constituía em um movimento ateu, já que faziam esculturas de profetas e santos, porém os colocavam no patamar humano e não divino -Buscou romper com o teocentrismo medieval, centrando sua preocupação no homem e na sua capacidade criadora -O antropocentrismo (homem no centro do universo) e o individualismo (compreensão do homem como um ser único, diferente de cada um dos demais) encontram sua verdadeira origem no Humanismo greco-romano -Isso abriu espaço para a valorização da razão e da ciência em detrimento da fé, onde fenômenos naturais, por exemplo, são explicados pela ciência, fazendo com que a unidade de fé, dogma em que a Igreja se sustenta, seja confrontado pela diversidade do Renascimento -Entretanto, mesmo sendo caracterizado por uma grande produção e pela tentativa de disseminar o conhecimento (com a invenção da imprensa por Gutenberg, por exemplo), o movimento nunca ultrapassou os limites da elite letrada, enquanto a religião era usufruída tanto pela elite, quanto pelo povo As fases do Renascimento italiano -O Renascimento pode ser dividido em 3 fases: século XIV (Trecento), século XV (Quatrocento) e século XVI (Cinquecento) -Trecento: destacaram-se na pintura, Giotto, que humanizou a representação da figura humana, na literatura, Petrarca, o pai do Humanismo, e Bocage, com erotismo e atitudes anticlericais -Quatrocento: destacaram-se os pintores Masaccio, que introduziu a técnica a óleo e difusor da pintura em perspectiva, Botticelli, que retratou figuras quase imateriais, buscando unir o Paganismo cao Cristianismo, Leonardo da Vinci, considerado o “hoemme renascentista”, atuando na pintura, filosofia, botânica e arte bélica -Cinquecento: destacam-se Nicolau Maquiavel, com a obra O Príncipe, a qual iniciou o moderno pensamento político. A língua italiana tornou-se literária. Destacaram-se, na pintura, Rafael e Michelangelo
  • 12. Renascimento fora da Itália -Na Alemanha surgiu a Reforma Luterana, onde Lutero reforma a Igreja. Ma Inglaterra destacaram-se Thomas Morus, autor de Utopia, no qual é proposta uma sociedade perfeita, baseada no uso da inteligência e da razão, e o teatrólogo William Shakespeare, expondo a intensidade multifacetada da alma humana -Na França, Rabelais, com suas comédias, satirizou a Igreja e a repressão, exalgtando a liberdade e o individualismo -Na Espanha, destacaram-se Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, em que o personagem Dom Quixote representa os nobres que lutam contra inimigos imaginários (moinhos de vento) -Em Portugal, destacaram-se Gil Vicente, no teatro, e Luís Vaz de Camões, poeta de Os Lusíadas, o maio épico (greco-latino) da língua portuguesa Renascimento Científico -O Renascimento induziu a estudos sobre a natureza física do homem e a um esforço para uma melhor compreensão do mundo e de seus fenômenos -Na Astronomia, destacaram-se Nicolau Copérnico, com a teoria heliocêntrica (Sol no centro do universo), Galileu Galilei, inventor do telescópio e Johan Kepler, que abriu caminho para a descoberta da lei da gravidade por Isaac Newton -Na Medicina, Miguel Servet e William Harvey descobriram o mecanismo de circulação sanguínea