Resumo desenvolvido por:
Prof. Michel Goulart
http://historiadigital.org
http://twitter.com/profmichel
Copyright © Todos os direitos reservados.
CRISE DO FEUDALISMO
Algumas considerações
 As informações aqui contidas estão adaptadas, especialmente, para
alunos do ensino fundamental, médio e pré-vestibulares.
 O resumo está vinculado ao História Digital, um blog que oferece
conteúdo de história para todos os níveis de ensino, explorando
diferentes linguagens e promovendo a acessibilidade.
 Os termos em negrito são conceitos importantes que você deve
aprender. Ao final desta aula, acesse o quiz e teste os seus
conhecimentos.
 Você também pode aprender mais assistindo aos vídeos. Visite o
blog para conhecer jogos, infográficos, visitas virtuais e muito mais
sobre este resumo.
 Se houver erros históricos ou problemas nos links, favor relatar no
e-mail: contato@historiadigital.org
Antecedentes
 Feudalismo foi um tipo de organização política, social e econômica
que caracterizou a Europa em boa parte da Idade Média.
 O feudo era a unidade de produção do feudalismo e estava sob o
domínio de um senhor feudal.
 Os camponeses, chamados de servos, estavam ligados à terra.
Para viver no feudo, ofereciam sua força de trabalho aos senhores.
 Entre os séculos X e XV, ocorreram uma série de transformações
na Europa que contribuíram para a crise do feudalismo. Este
período também é chamado de Baixa Idade Média.
 Dentre estas transformações, podemos destacar o renascimento
comercial e urbano, a formação das monarquias nacionais, a guerra
dos cem anos, a peste negra e as revoltas camponesas.
ATENÇÃO: Para compreender melhor este conteúdo, leia também o resumo sobre o Feudalismo e Absolutismo.
Renascimento Comercial
 Na Idade Média, a partir do século IV, mais de 90% da população da Europa
passou a viver no campo. As cidades esvaziaram e a produção agrícola
predominava nos feudos. O comércio era quase inexistente.
 A partir do século X, esta situação começou a mudar. O comércio passou a se
intensificar, motivado, especialmente, pelas Cruzadas.
 As Cruzadas contribuíram para o restabelecimento das relações entre o Oriente
e o Ocidente e para a abertura do Mar Mediterrâneo aos mercadores.
 Além disso, com as Cruzadas, a Europa passou a conhecer uma grande
quantidade de produtos trazidos do Oriente, como especiarias, sedas e tapetes.
 O modo de vida dos mercadores, responsáveis pelo renascimento do
comércio, não se baseava na agricultura e na terra, mas no comércio e no
dinheiro. Viajavam por rotas comerciais e vendiam produtos em grandes feiras.
Renascimento Urbano
 À medida que o comércio se expandia, iam surgindo cidades exatamente nos
locais onde as feiras eram realizadas. Isto ficou conhecido como
Renascimento Urbano.
 Por razões de segurança, os mercadores procuravam realizar as feiras em
lugares fortificados ou cercados de muralhas.
 Estes locais, chamados de burgos, pertenciam à Igreja ou senhores feudais e
garantiam a defesa das feiras. Com o tempo, os mercadores passaram a se
estabelecer ali.
 Nos burgos, se instalaram oficinas de artesãos: sapateiros, ferreiros,
carpinteiros, entre outros. Assim, em volta da primeira fortificação surgia um
novo núcleo, também cercado de muralhas.
 Os moradores desta segunda zona fortificada chamavam-se burgueses e,
posteriormente, passaram a constituir a burguesia. Os burgueses eram
homens livres, desvinculados do sistema feudal.
As corporações de ofício
 A expansão do comércio e o crescimento das cidades trouxeram conflitos. As
terras da cidade pertenciam a senhores feudais ou bispos que desejavam
cobrar altos impostos.
 Para se proteger destas exigências, os burgueses se uniam em ligas ou
corporações, a fim de conquistar para as suas cidades a liberdade necessária.
 As corporações passaram a ser as principais organizações das cidades
medievais. Inicialmente, havia apenas uma associação que reunia todos os
mercadores da cidade.
 Mais tarde, porém, foram criadas corporações de ofício, ou guildas, formadas
pelos mestres de cada ofício da mesma cidade. Assim, havia corporações de
ourives, de peixeiros, carpinteiros, entre outros.
 As corporações estabeleciam regras sobre o modo e a duração do trabalho,
fixavam os preços dos produtos e os salários. Em muitas cidades, eram tão
poderosas que chegaram a construir edifícios para se reunirem.
A vida nas cidades
 Se por um lado as cidades ofereciam uma alternativa à vida dura e
fechada nos feudos, por outro havia uma série de problemas de
infraestrutura e planejamento urbano.
 As cidades medievais não ofereciam condições de conforto e higiene,
em virtude de seu crescimento desordenado. Este crescimento era
limitado somente pelas muralhas.
 Como não era possível destruir os muros, e a população aumentava,
as casas cresciam para cima, chegando a ter até três andares. A maior
parte era de madeira, o que favorecia os incêndios.
 Nas cidades não existia calçadas ou sistemas de esgoto. À noite,
quase não havia iluminação. As pessoas circulavam pela cidade no
meio de animais.
As monarquias nacionais
 Durante quase toda a Idade Média não existiam países, como conhecemos
hoje. O processo de formação das nações começou no final do século XII e se
consolidou entre os séculos XIV e XV. Só então foram criadas línguas e leis
nacionais.
 A formação das nações ocorreu porque os burgueses, que constituíam a nova
classe social da época, sentiam-se prejudicados com o sistema feudal.
 O senhor feudal cobrava impostos e taxas por qualquer atividade comercial. A
variedade de leis, línguas e moedas atrapalhava o comércio. Além disso, os
exércitos feudais saqueavam cidades, pilhavam, destruíam e roubavam.
 Para resolver estes problemas, fazia-se necessário um poder centralizado,
capaz de pôr fim à desordem, padronizar os impostos, pesos, medidas e
moedas. Foi então que os burgueses resolveram se aliar aos reis.
 Os burgueses entraram com dinheiro, utilizado pelos reis para organizar
exércitos profissionais capazes de impor sua autoridade. Esta aliança deu
origem às primeiras nações, chamadas de monarquias nacionais.
A guerra dos cem anos
 Tanto na França, quanto na Inglaterra, formaram-se monarquias nacionais que
passaram a governar estes países.
 No início do século XIV, o rei Eduardo III, da Inglaterra, manifestou a intenção
de ocupar o trono francês, pois julgava que era herdeiro deste trono.
 Esta ambição acabou levando a um conflito entre os dois países, chamado
Guerra dos Cem Anos. Tem esse nome porque, com pequenas interrupções,
prolongou-se entre 1337 e 1453, ou seja, mais de um século.
 No início, os ingleses conseguiram uma série de vitórias, conquistando a maior
parte do território francês. Em 1420, os franceses foram obrigados a assinar o
Tratado de Troyes, pelo qual o rei Henrique V passava a ser herdeiro do trono
francês.
 O rumo da guerra só passou a mudar com o aparecimento da jovem
camponesa Joana d’Arc, cuja coragem reanimou o exército francês. Assim, os
franceses conquistaram muitas vitórias e, em 1453, expulsaram os ingleses.
A peste negra
 O sistema agrícola feudal era incapaz de fornecer alimento para toda a
população europeia. Além disso, fatores climáticos, queimadas e
guerras provocaram uma grande crise no campo.
 O rápido crescimento das cidades medievais, como vimos, trouxe uma
série de problemas sociais e urbanos, devido à falta de higiene e
ausência de sistema de esgoto.
 Entre 1340 e 1350, estes problemas se agravaram no momento em
que a Peste Negra se tornou uma das mais graves epidemias a atingir
a população da Europa.
 Transmitida por ratos, a Peste Negra – ou Peste Bubônica – foi trazida
por um navio italiano de Veneza que vinha do Oriente. Mais de um
terço da população europeia foi contaminada e morreu.
As revoltas camponesas
 As guerras, fome, doenças e epidemias fez com que houvesse uma diminuição
da população europeia. Consequente, diminuiu o número de servos
trabalhando nos feudos.
 A falta de mão-de-obra reforçou a rigidez nas relações entre senhores e servos.
Os senhores feudais criavam novas obrigações que reforçassem o vínculo dos
camponeses com a terra.
 Os camponeses responderam ao aumento de suas obrigações de várias
maneiras. Uns simplesmente fugiram dos feudos. Outros, fizeram uma onda de
violentos protestos acontecidos ao longo do século XIV.
 Na França, estes protestos geraram revoltas conhecidas como jacqueries. O
nome vem do fato que os nobre chamavam os camponeses de Jacques
Bonhomme, algo como “Zé Ninguém”, em português.
 As revoltas se espalharam pela Europa. Entre 1323 e 1328, os camponeses da
região de Flandres organizaram uma grande revolta; no ano de 1358 uma nova
revolta explodiu na França; e, em 1381, na Inglaterra.

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    Resumo desenvolvido por: Prof.Michel Goulart http://historiadigital.org http://twitter.com/profmichel Copyright © Todos os direitos reservados. CRISE DO FEUDALISMO
  • 2.
    Algumas considerações  Asinformações aqui contidas estão adaptadas, especialmente, para alunos do ensino fundamental, médio e pré-vestibulares.  O resumo está vinculado ao História Digital, um blog que oferece conteúdo de história para todos os níveis de ensino, explorando diferentes linguagens e promovendo a acessibilidade.  Os termos em negrito são conceitos importantes que você deve aprender. Ao final desta aula, acesse o quiz e teste os seus conhecimentos.  Você também pode aprender mais assistindo aos vídeos. Visite o blog para conhecer jogos, infográficos, visitas virtuais e muito mais sobre este resumo.  Se houver erros históricos ou problemas nos links, favor relatar no e-mail: contato@historiadigital.org
  • 3.
    Antecedentes  Feudalismo foium tipo de organização política, social e econômica que caracterizou a Europa em boa parte da Idade Média.  O feudo era a unidade de produção do feudalismo e estava sob o domínio de um senhor feudal.  Os camponeses, chamados de servos, estavam ligados à terra. Para viver no feudo, ofereciam sua força de trabalho aos senhores.  Entre os séculos X e XV, ocorreram uma série de transformações na Europa que contribuíram para a crise do feudalismo. Este período também é chamado de Baixa Idade Média.  Dentre estas transformações, podemos destacar o renascimento comercial e urbano, a formação das monarquias nacionais, a guerra dos cem anos, a peste negra e as revoltas camponesas. ATENÇÃO: Para compreender melhor este conteúdo, leia também o resumo sobre o Feudalismo e Absolutismo.
  • 4.
    Renascimento Comercial  NaIdade Média, a partir do século IV, mais de 90% da população da Europa passou a viver no campo. As cidades esvaziaram e a produção agrícola predominava nos feudos. O comércio era quase inexistente.  A partir do século X, esta situação começou a mudar. O comércio passou a se intensificar, motivado, especialmente, pelas Cruzadas.  As Cruzadas contribuíram para o restabelecimento das relações entre o Oriente e o Ocidente e para a abertura do Mar Mediterrâneo aos mercadores.  Além disso, com as Cruzadas, a Europa passou a conhecer uma grande quantidade de produtos trazidos do Oriente, como especiarias, sedas e tapetes.  O modo de vida dos mercadores, responsáveis pelo renascimento do comércio, não se baseava na agricultura e na terra, mas no comércio e no dinheiro. Viajavam por rotas comerciais e vendiam produtos em grandes feiras.
  • 5.
    Renascimento Urbano  Àmedida que o comércio se expandia, iam surgindo cidades exatamente nos locais onde as feiras eram realizadas. Isto ficou conhecido como Renascimento Urbano.  Por razões de segurança, os mercadores procuravam realizar as feiras em lugares fortificados ou cercados de muralhas.  Estes locais, chamados de burgos, pertenciam à Igreja ou senhores feudais e garantiam a defesa das feiras. Com o tempo, os mercadores passaram a se estabelecer ali.  Nos burgos, se instalaram oficinas de artesãos: sapateiros, ferreiros, carpinteiros, entre outros. Assim, em volta da primeira fortificação surgia um novo núcleo, também cercado de muralhas.  Os moradores desta segunda zona fortificada chamavam-se burgueses e, posteriormente, passaram a constituir a burguesia. Os burgueses eram homens livres, desvinculados do sistema feudal.
  • 6.
    As corporações deofício  A expansão do comércio e o crescimento das cidades trouxeram conflitos. As terras da cidade pertenciam a senhores feudais ou bispos que desejavam cobrar altos impostos.  Para se proteger destas exigências, os burgueses se uniam em ligas ou corporações, a fim de conquistar para as suas cidades a liberdade necessária.  As corporações passaram a ser as principais organizações das cidades medievais. Inicialmente, havia apenas uma associação que reunia todos os mercadores da cidade.  Mais tarde, porém, foram criadas corporações de ofício, ou guildas, formadas pelos mestres de cada ofício da mesma cidade. Assim, havia corporações de ourives, de peixeiros, carpinteiros, entre outros.  As corporações estabeleciam regras sobre o modo e a duração do trabalho, fixavam os preços dos produtos e os salários. Em muitas cidades, eram tão poderosas que chegaram a construir edifícios para se reunirem.
  • 7.
    A vida nascidades  Se por um lado as cidades ofereciam uma alternativa à vida dura e fechada nos feudos, por outro havia uma série de problemas de infraestrutura e planejamento urbano.  As cidades medievais não ofereciam condições de conforto e higiene, em virtude de seu crescimento desordenado. Este crescimento era limitado somente pelas muralhas.  Como não era possível destruir os muros, e a população aumentava, as casas cresciam para cima, chegando a ter até três andares. A maior parte era de madeira, o que favorecia os incêndios.  Nas cidades não existia calçadas ou sistemas de esgoto. À noite, quase não havia iluminação. As pessoas circulavam pela cidade no meio de animais.
  • 8.
    As monarquias nacionais Durante quase toda a Idade Média não existiam países, como conhecemos hoje. O processo de formação das nações começou no final do século XII e se consolidou entre os séculos XIV e XV. Só então foram criadas línguas e leis nacionais.  A formação das nações ocorreu porque os burgueses, que constituíam a nova classe social da época, sentiam-se prejudicados com o sistema feudal.  O senhor feudal cobrava impostos e taxas por qualquer atividade comercial. A variedade de leis, línguas e moedas atrapalhava o comércio. Além disso, os exércitos feudais saqueavam cidades, pilhavam, destruíam e roubavam.  Para resolver estes problemas, fazia-se necessário um poder centralizado, capaz de pôr fim à desordem, padronizar os impostos, pesos, medidas e moedas. Foi então que os burgueses resolveram se aliar aos reis.  Os burgueses entraram com dinheiro, utilizado pelos reis para organizar exércitos profissionais capazes de impor sua autoridade. Esta aliança deu origem às primeiras nações, chamadas de monarquias nacionais.
  • 9.
    A guerra doscem anos  Tanto na França, quanto na Inglaterra, formaram-se monarquias nacionais que passaram a governar estes países.  No início do século XIV, o rei Eduardo III, da Inglaterra, manifestou a intenção de ocupar o trono francês, pois julgava que era herdeiro deste trono.  Esta ambição acabou levando a um conflito entre os dois países, chamado Guerra dos Cem Anos. Tem esse nome porque, com pequenas interrupções, prolongou-se entre 1337 e 1453, ou seja, mais de um século.  No início, os ingleses conseguiram uma série de vitórias, conquistando a maior parte do território francês. Em 1420, os franceses foram obrigados a assinar o Tratado de Troyes, pelo qual o rei Henrique V passava a ser herdeiro do trono francês.  O rumo da guerra só passou a mudar com o aparecimento da jovem camponesa Joana d’Arc, cuja coragem reanimou o exército francês. Assim, os franceses conquistaram muitas vitórias e, em 1453, expulsaram os ingleses.
  • 10.
    A peste negra O sistema agrícola feudal era incapaz de fornecer alimento para toda a população europeia. Além disso, fatores climáticos, queimadas e guerras provocaram uma grande crise no campo.  O rápido crescimento das cidades medievais, como vimos, trouxe uma série de problemas sociais e urbanos, devido à falta de higiene e ausência de sistema de esgoto.  Entre 1340 e 1350, estes problemas se agravaram no momento em que a Peste Negra se tornou uma das mais graves epidemias a atingir a população da Europa.  Transmitida por ratos, a Peste Negra – ou Peste Bubônica – foi trazida por um navio italiano de Veneza que vinha do Oriente. Mais de um terço da população europeia foi contaminada e morreu.
  • 11.
    As revoltas camponesas As guerras, fome, doenças e epidemias fez com que houvesse uma diminuição da população europeia. Consequente, diminuiu o número de servos trabalhando nos feudos.  A falta de mão-de-obra reforçou a rigidez nas relações entre senhores e servos. Os senhores feudais criavam novas obrigações que reforçassem o vínculo dos camponeses com a terra.  Os camponeses responderam ao aumento de suas obrigações de várias maneiras. Uns simplesmente fugiram dos feudos. Outros, fizeram uma onda de violentos protestos acontecidos ao longo do século XIV.  Na França, estes protestos geraram revoltas conhecidas como jacqueries. O nome vem do fato que os nobre chamavam os camponeses de Jacques Bonhomme, algo como “Zé Ninguém”, em português.  As revoltas se espalharam pela Europa. Entre 1323 e 1328, os camponeses da região de Flandres organizaram uma grande revolta; no ano de 1358 uma nova revolta explodiu na França; e, em 1381, na Inglaterra.