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1ª  A  - 2009
Os Lusíadas Camões Canto V O Gigante Adamastor
Resumo da Obra
Análise da Obra: A estrutura narrativa: ,[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object],[object Object]
Tão temerosa vinha e carregada, Que pôs nos corações um grande medo. Bramindo o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo. Ó Potestade, disse, sublimada Que ameaço divino ou que segredo  Este clima e este mar nos apresenta Que mor cousa parece que tormenta
2. Presença do Gigante Adamastor  (estrofes 39-59): A) Descrição do gigante (estrofe 39) Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura, O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida, Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.
B) Falas do gigante (dois sentidos) 1. (estrofe 44) Aqui espero tomar, se não me engano, De quem me descobriu suma vingança; E não se acabara só nisto o dano De vossa pertinace confiança: Antes em vossas naus vereis cada ano, Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda a sorte, Que o menor mal de todos seja a morte.
2. (estrofe 52) Amores da alta esposa de Peleu Me fizeram tomar tamanha empresa Todas as Deusas desprezei do Céu Só por amar das águas a princesa; Um dia a vi, coas filhas de Nereu, Sair nua na praia e logo presa A vontade senti de tal maneira, Que ainda não sinto cousa que mais queira.
C) A interferencia de Vasco da Gama entre a fala do gigante (estrofe 49) Mas ia por diante o monstro horrendo Dizendo nossos fados, quando, alçado, Lhe disse eu : - Quem és tu? Que esse estupendo Corpo certo me tem maravilhado! A boca e os olhos negros retorcendo E dando um espantoso e grande brado, Me respondeu, com voz pesada e amara, Como quem da pergunta lhe passara:
3. Desfecho: desaparecimento do  gigante e surgimento do promontório (estrofes 60-61) Assim contava; e, cum medondo choro Súbito d’ante os olhos se apartou Desfez-se a nuvem negra e cum sonoro Bramido muito longe o mar soou Eu, levantando a mão ao santo coro Dos Anjos, que tão longe nos guiou, A Deus pedi que removesse os duros Casos que Adamastor contou futuros
Já Flegon e Piróis vinham tirando, Cos outros dois, o carro radiante, Quando a terra alta se nos foi mostrando Em que foi convertido o grão Gigante. Ao longo desta costa, começando Já de cortar as ondas do Levante, Por ela abaixo um pouco navegamos, Onde segunda vez terra tomamos
A essência narrativa do Gigante Adamastor (estrofe 37) A Baía de Santa Helena Porém já cinco  sóis eram passados Que dali nos partiríamos, cortando Os mares nunca de outrem navegados, Prosperamente os ventos assoprando, Quando uma noite, estando descuidados Na cortadora proa vigiando, Uma nuvem, que os ares escurece, Sobre nossas cabeças aparece
A tempestade no Cabo da Boa Esperança (estrofe 38) Tão temerosa vinha carregada, Que pôs nos corações um grande medo. Bramindo o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo. -Ó Potestade, disse, sublimada, Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta, Que mor cousa parece que tormenta?
Colosso de Rodes (estrofe 40) Tão grande era de membros, que bem posso Certificar-te que este era o segundo De Rodes estranhíssimo Colosso, Que um dos sete milagres foi do mundo. Cum tom de voz nos fala horrendo e grosso, Que pareceu sair do mar profundo. Arrepiam-se as carnes e o cabelo A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.
1. Bartolomeu Dias (estrofe 44) Aqui espero tomar, senão me engano, De quem me descobriu suma vingança; E não se acabará só nisto o dano De vossa pertinace confiança: Antes em vossas naus vereis cada ano, Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda a sorte, Que o menor mal de todos seja a morte. As previsões do gigante acontecem
2. D. Francisco de Almeida (estrofe 45) E do primeiro ilustre, que a ventura Com fama alta fizer tocar os céus, Serei eterna e nova sepultura, Por juízos incógnitos de Deus; Aqui porá da turca armada dura Os soberbos e prósperos troféus; Comigo de seus danos o ameaça A destruída Quíloa Mombaça
3. Manuel de Sousa de Sepúlveda (estrofes 46 – 47) Outro também virá, de honrada fama, Liberal, cavaleiro, enamorado, E consigo trará a fermosa dama Que Amor por grão mercê lhe terá dado; Triste ventura e negro fado os chama Neste terreno meu, que duro e irado, Os deixará dum cru naufrágio vivos, Pera verem trabalhos excessivos.
Verão morrer com fome os filhos caros, Em tanto amor gerados e nascidos; Verão os Cafres, ásperos e avaros, Tirar è linda dama seus vestidos; Os cristalinos membros e preclaros À calma, ao frio, ao ar verão despidos, Depois de ter pisada longamente Cos delicados pés a areia ardente;
O sentido alegórico do gigante Os perigos do mar Períodos heróicos da expansão européia Significação erótica
Consagração de coragem do povo  português Incomodar o gigante  Camões e o amor do gigante O simbolismo amoroso
A fusão dos Gêneros Celebração heróica e decepções amorosa Curiosidades Porque o nome era Cabo das Tormentas?
Até hoje os navios naufragam no Cabo da  Boa Esperança? Porque hoje o nome mudou para cabo da Boa Esperança?
Resumo Escrito
Cinco dias depois de terem deixado a ilha de Santa Helena os lusos viajavam por mares virgens, com o vento de feição, mas certa noite, uma nuvem escura surgiu sobre a armada e eles encheram-se de medo. De repente, uma figura medonha apareceu: era um ser disforme, um gigante, tinha um ar carrancudo, a barba suja e maltrata, os cabelos ásperos/crespos e cheios de terra, a boca escura e os dentes amarelos. Camões ( através do narrador que é agora Vasco da Gama) compara-o a uma das sete maravilhas do mundo: o Colosso de Rodes (ver Sete maravilhas do Mundo). O Gigante dirige-se aos marinheiros num tom de voz “grave e horrendo”, provocando-lhes grande temor: “Ó povo audacioso que não descansa, como ousas navegar estes mares, que nunca foram cortados por qualquer outro navio? Viestes descobrir os segredos marítimos? Pois desde já vos digo que os que tentaram antes de vós pagaram com a vida. E vós, pela ousadia, também sereis castigados. Naufragarão, os vossos barcos e enfrentareis males de toda a espécie, o sofrimento será tal, que será preferível a morte. O primeiro ilustre que passar aqui ficará sepultado. Outros hão-de ver os filhos morrer de fome e eles próprios morrerão também.”
Então, Vasco da Gama, corajosamente, interpela o Gigante perguntando-lhe: Quem és tu? E ele começa a relatar a sua história: “Eu sou o que vós chamais Cabo das Tormentas. Ptolomeu, Plínio, Pompónio, e Estrabo não me conheceram, mas jamais ousariam desafiar-me. Fui outrora um dos gigantes que guerrearam contra Júpiter, chamava-me Adamastor. Apaixonei-me pela “Princesa das Águas” - Tétis; um amor impossível, devido ao meu aspecto assustador. Amedrontei Dóris, mãe dela, que me deu esperanças e combinou um encontro. Cego de amor abandonei a guerra e uma noite, Tétis, vem, toda nua, ao meu encontro. Corri, abracei-a e cobri-a de beijos, mas era apenas uma ilusão, um engano, e de repente dei por mim abraçado a um monte, e eu próprio transformado em monte e rocha, e, sendo eu tão grande, formou-se este Cabo. E também os deuses me castigaram, pois estou rodeado de água, o que significa que Tétis anda sempre à minha volta.” Terminado o discurso Adamastor afastou-se, chorando . Vasco da Gama agradece a Deus por terem chegado até ali e roga-lhe que não permita que se concretizem as profecias do gigante.

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Os Lusíadas - Canto V - O Gigante Adamastor

  • 1. 1ª A - 2009
  • 2. Os Lusíadas Camões Canto V O Gigante Adamastor
  • 4.
  • 5. Tão temerosa vinha e carregada, Que pôs nos corações um grande medo. Bramindo o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo. Ó Potestade, disse, sublimada Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta Que mor cousa parece que tormenta
  • 6. 2. Presença do Gigante Adamastor (estrofes 39-59): A) Descrição do gigante (estrofe 39) Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura, O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida, Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.
  • 7. B) Falas do gigante (dois sentidos) 1. (estrofe 44) Aqui espero tomar, se não me engano, De quem me descobriu suma vingança; E não se acabara só nisto o dano De vossa pertinace confiança: Antes em vossas naus vereis cada ano, Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda a sorte, Que o menor mal de todos seja a morte.
  • 8. 2. (estrofe 52) Amores da alta esposa de Peleu Me fizeram tomar tamanha empresa Todas as Deusas desprezei do Céu Só por amar das águas a princesa; Um dia a vi, coas filhas de Nereu, Sair nua na praia e logo presa A vontade senti de tal maneira, Que ainda não sinto cousa que mais queira.
  • 9. C) A interferencia de Vasco da Gama entre a fala do gigante (estrofe 49) Mas ia por diante o monstro horrendo Dizendo nossos fados, quando, alçado, Lhe disse eu : - Quem és tu? Que esse estupendo Corpo certo me tem maravilhado! A boca e os olhos negros retorcendo E dando um espantoso e grande brado, Me respondeu, com voz pesada e amara, Como quem da pergunta lhe passara:
  • 10. 3. Desfecho: desaparecimento do gigante e surgimento do promontório (estrofes 60-61) Assim contava; e, cum medondo choro Súbito d’ante os olhos se apartou Desfez-se a nuvem negra e cum sonoro Bramido muito longe o mar soou Eu, levantando a mão ao santo coro Dos Anjos, que tão longe nos guiou, A Deus pedi que removesse os duros Casos que Adamastor contou futuros
  • 11. Já Flegon e Piróis vinham tirando, Cos outros dois, o carro radiante, Quando a terra alta se nos foi mostrando Em que foi convertido o grão Gigante. Ao longo desta costa, começando Já de cortar as ondas do Levante, Por ela abaixo um pouco navegamos, Onde segunda vez terra tomamos
  • 12. A essência narrativa do Gigante Adamastor (estrofe 37) A Baía de Santa Helena Porém já cinco sóis eram passados Que dali nos partiríamos, cortando Os mares nunca de outrem navegados, Prosperamente os ventos assoprando, Quando uma noite, estando descuidados Na cortadora proa vigiando, Uma nuvem, que os ares escurece, Sobre nossas cabeças aparece
  • 13. A tempestade no Cabo da Boa Esperança (estrofe 38) Tão temerosa vinha carregada, Que pôs nos corações um grande medo. Bramindo o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo. -Ó Potestade, disse, sublimada, Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta, Que mor cousa parece que tormenta?
  • 14. Colosso de Rodes (estrofe 40) Tão grande era de membros, que bem posso Certificar-te que este era o segundo De Rodes estranhíssimo Colosso, Que um dos sete milagres foi do mundo. Cum tom de voz nos fala horrendo e grosso, Que pareceu sair do mar profundo. Arrepiam-se as carnes e o cabelo A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.
  • 15. 1. Bartolomeu Dias (estrofe 44) Aqui espero tomar, senão me engano, De quem me descobriu suma vingança; E não se acabará só nisto o dano De vossa pertinace confiança: Antes em vossas naus vereis cada ano, Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda a sorte, Que o menor mal de todos seja a morte. As previsões do gigante acontecem
  • 16. 2. D. Francisco de Almeida (estrofe 45) E do primeiro ilustre, que a ventura Com fama alta fizer tocar os céus, Serei eterna e nova sepultura, Por juízos incógnitos de Deus; Aqui porá da turca armada dura Os soberbos e prósperos troféus; Comigo de seus danos o ameaça A destruída Quíloa Mombaça
  • 17. 3. Manuel de Sousa de Sepúlveda (estrofes 46 – 47) Outro também virá, de honrada fama, Liberal, cavaleiro, enamorado, E consigo trará a fermosa dama Que Amor por grão mercê lhe terá dado; Triste ventura e negro fado os chama Neste terreno meu, que duro e irado, Os deixará dum cru naufrágio vivos, Pera verem trabalhos excessivos.
  • 18. Verão morrer com fome os filhos caros, Em tanto amor gerados e nascidos; Verão os Cafres, ásperos e avaros, Tirar è linda dama seus vestidos; Os cristalinos membros e preclaros À calma, ao frio, ao ar verão despidos, Depois de ter pisada longamente Cos delicados pés a areia ardente;
  • 19. O sentido alegórico do gigante Os perigos do mar Períodos heróicos da expansão européia Significação erótica
  • 20. Consagração de coragem do povo português Incomodar o gigante Camões e o amor do gigante O simbolismo amoroso
  • 21. A fusão dos Gêneros Celebração heróica e decepções amorosa Curiosidades Porque o nome era Cabo das Tormentas?
  • 22. Até hoje os navios naufragam no Cabo da Boa Esperança? Porque hoje o nome mudou para cabo da Boa Esperança?
  • 24. Cinco dias depois de terem deixado a ilha de Santa Helena os lusos viajavam por mares virgens, com o vento de feição, mas certa noite, uma nuvem escura surgiu sobre a armada e eles encheram-se de medo. De repente, uma figura medonha apareceu: era um ser disforme, um gigante, tinha um ar carrancudo, a barba suja e maltrata, os cabelos ásperos/crespos e cheios de terra, a boca escura e os dentes amarelos. Camões ( através do narrador que é agora Vasco da Gama) compara-o a uma das sete maravilhas do mundo: o Colosso de Rodes (ver Sete maravilhas do Mundo). O Gigante dirige-se aos marinheiros num tom de voz “grave e horrendo”, provocando-lhes grande temor: “Ó povo audacioso que não descansa, como ousas navegar estes mares, que nunca foram cortados por qualquer outro navio? Viestes descobrir os segredos marítimos? Pois desde já vos digo que os que tentaram antes de vós pagaram com a vida. E vós, pela ousadia, também sereis castigados. Naufragarão, os vossos barcos e enfrentareis males de toda a espécie, o sofrimento será tal, que será preferível a morte. O primeiro ilustre que passar aqui ficará sepultado. Outros hão-de ver os filhos morrer de fome e eles próprios morrerão também.”
  • 25. Então, Vasco da Gama, corajosamente, interpela o Gigante perguntando-lhe: Quem és tu? E ele começa a relatar a sua história: “Eu sou o que vós chamais Cabo das Tormentas. Ptolomeu, Plínio, Pompónio, e Estrabo não me conheceram, mas jamais ousariam desafiar-me. Fui outrora um dos gigantes que guerrearam contra Júpiter, chamava-me Adamastor. Apaixonei-me pela “Princesa das Águas” - Tétis; um amor impossível, devido ao meu aspecto assustador. Amedrontei Dóris, mãe dela, que me deu esperanças e combinou um encontro. Cego de amor abandonei a guerra e uma noite, Tétis, vem, toda nua, ao meu encontro. Corri, abracei-a e cobri-a de beijos, mas era apenas uma ilusão, um engano, e de repente dei por mim abraçado a um monte, e eu próprio transformado em monte e rocha, e, sendo eu tão grande, formou-se este Cabo. E também os deuses me castigaram, pois estou rodeado de água, o que significa que Tétis anda sempre à minha volta.” Terminado o discurso Adamastor afastou-se, chorando . Vasco da Gama agradece a Deus por terem chegado até ali e roga-lhe que não permita que se concretizem as profecias do gigante.