Exame psíquico
O exame psíquico ou exame do estado mental é uma
fotografia de como o paciente se apresenta naquele
momento ao profissional, com a descrição das funções
psíquicas.
Para uma realização eficiente, depende-se da capacidade de
observação (habilidade que deve ser treinada), de uma
postura em prática e do respeito do examinador durante a
entrevista. E, posteriormente, de uma descrição objetiva,
precisa e sem pré-julgamentos.
• Todos os enfermeiros, não
importando o contexto de
sua prática, devem ser
proficientes na realização
do exame do estado mental
e capazes de incorporar os
dados encontrados no
plano de assistência de
enfermagem.
• O exame psíquico pode
servir de base para futuras
comparações, no
acompanhamento do
progresso do paciente
(Stuart, 2010).
Exame psíquico
• Imprescindível para se traçar o
diagnóstico da enfermagem e
elaborar um plano de
assistência de enfermagem
individualizada.
• Transmitir tranquilidade em
todo o processo, utilizar as
técnicas de comunicação
terapêutica e oferecimento de
apoio e ambiente terapêutico).
• Para facilitar o trabalho do
examinador, de modo didático,
o exame psíquico pode ser
apresentado como um roteiro.
Descrição geral (aparência comportamento e atitude do
examinador.
Afeto,
Atenção
Psicomotricidade Memória
Nível de consciência Inteligência
Orientação Julgamento
Fala Insight
Pensamento (curso, forma e conteúdo) Vontade
Percepção Consciência do eu
Humor impulsividade
O enfermeiro deve registrar o exame do estado mental em um
impresso específico (por exemplo, um check/ist) ou em sua
evolução de enfermagem, sendo possível a impressão deste pelo
departamento de enfermagem da instituição.
Para melhor ilustrar, no quadro a seguir há uma lista de todas as
funções psíquicas e, logo depois, as funções psíquicas com suas
definições e respectivas alterações.
Exame psíquico
Descrição geral
• É compreendida por aparência, comportamento e
atitude perante o examinador.
• Aparência é a impressão geral transmitida ao
examinador e engloba estado geral de saúde e
nutrição, idade aparente, postura, marcha, modos,
olhar, dilatação ou constrições pupilas, expressão
facial, vestuário (inclusos acessórios e maquiagem),
higiene, corte de cabelo e barba, presença de piercings
e/ ou tatuagens. Todos esses fatores podem refletir
aspectos culturais e da personalidade dos pacientes,
bem como seus estados de animo (Kaplan, Sadock e
Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008;
Varcarolis, 2010).
Exame psíquico
Descrição geral
• O comportamento é percebido
quantitativa e qualitativamente:
adequação ou inadequação ao
ambiente, atitudes para com o
examinador, como, por exemplo,
movimentos corporais excessivos
ou reduzidos (Kaplan, Sadock e
Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e
Del Sant, 2008; Varcarolis, 2010).
• É importante ter clareza em não
“julgar” os clientes por meio de
parâmetros pessoais de atitudes
e valores, tampouco se esquecer
de contextualizar, isto é, um
indivíduo pode ter escolhido tais
vestes ou estar utilizando roupas
que lhe foram doadas.
Exame psíquico
Descrição geral
• Alguns usuários adotarão
postura ativa e colaborativa,
respondendo às perguntas
adequadamente.
• Outros, por sua vez, poderão
ignorar intencionalmente as
questões e solicitações do
examinador (negativismo
ativo), ou o farão por se
encontrarem alheios ao que
lhes é pedido ou perguntado
(negativismo passivo).
• O contato com o examinador é
sempre uma impressão
subjetiva (Sanches et al.,
2005).
Psicomotricidade
• É um dos aspectos da psique que incluem
os impulsos, as motivações, os desejos, as
vontades, os instintos expressados pelo
comportamento ou atividade motora de
uma pessoa. Objetivamente, reflete
comorbidades neurológicas e efeitos
colaterais de psicotrópicos (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti
e Del Sant, 2008).
• Ao avaliarmos a psicomotricidade,
devemos estar muito atentos para
diferenciarmos um efeito colateral
extrapiramidal de uma alteração
neurológica, como a acatisia, por
exemplo, de uma ataxia de alteração da
psicomotricidade.
• Identificação psicomotora: retardamento
dos movimentos e pensamento;
• Agitação psicomotora: excessiva
hiperatividade, geralmente improdutiva e
em resposta à tensão interna.
As principais perturbações referentes a
Psicomotricidade são:
• Ecopraxia: imitação patológica dos movimentos de
uma pessoa por outra.
• Catatonia: anomalias motoras em distúrbios não
orgânicos.
• Catalesia: posição imóvel e constantemente mantida
• Excitação catatônica: atividade motora agitada, sem
finalidade, não influenciada por estímulos externos
(Kaplan, Sadock e Grebb, 1997);
• Estupor catatônico: atividade motora acentuadamente
identificada, frequentemente a um ponto de
imobilidade e aparente falta de consciência em relação
ao ambiente.
As principais perturbações referentes a
Psicomotricidade são:
• Flexibilidade cérea ou cerácea: pessoa que pode ser “moldada” em
uma posição que passa a ser mantida (Kaplan, Sadock e Grebb,
1997.
• Negativismo: resistência imotivada a todas as tentativas de
movimentação ou a todas as instruções dadas.
• Catapiexia: perda temporária do tonos muscular e fraqueza,
precipitada por uma variedade de estados emocionais.
• Estereotipia: repetições automáticas e uniformes de determinado
ato motor complexo de ação física ou fala.
• Maneirismos: movimentos involuntários estereotipados,
caracterizados por movimentos bizarros e repetitivos, normalmente
complexos.
• Automatismo: desempenho automático de atos representativos de
atividade simbólica inconsciente
Consciência
Trata-se de um estado de lucidez (ou alerta) que promove a
integração da pessoa ao meio ambiente (Kaplan, Sadock e
Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Bates,
1990). Quando ela está preservada, dizemos que o
indivíduo está lúcido, vígil ou consciente.
Pode sofrer alterações quantitativas, que variam de acordo
com o estado de vigilha e serão apresentadas em primeiro
lugar, além de qualitativas. Um modo seguro e adequado
para avaliar o nível de consciência utiliza a Escala de Goma
de Glasgow.
Consciência
• O termo confusão mental
corresponde genericamente a
qualquer grau de rebaixamento do
nível de consciência, excetuando-se
o coma (Sanches et al., 2005).
• A terminologia utilizada para definir
as alterações do nível de
consciência, principalmente os
estados intermediários, causa
grande confusão pela sua
indefinição operacional.
• É importante que, ao optar por
determinados termos, o enfermeiro
também descreva como o paciente
reagiu aos estímulos verbais, táteis
ou dolorosos (Koizumi, Diccini e
Prado, 2006).
Consciência
• Sonolência ou letargia: indivíduo que se encontra dormindo, mas
desperta com a estimulação, estando orientado no tempo, espaço e
pessoa
• Obnubilação: estado de redução da clareza da atividade psíquica,
necessita ser intensamente estimulado, com impulsos auditivos e
táteis, podendo responder a comandos simples e,
apropriadamente, ao estímulo
• Estupor ou torpor: pessoa que não desperta senão com estímulos
dolorosos intensos e que, cessada a estimulação, volta ao estado de
inconsciência, apresentando resposta com sons incompreensíveis
e/ou com abertura ocular.
• Coma: grau profundo de inconsciência, no qual a pessoa não
demonstra conhecimento de si e do meio externo, não
respondendo aos estímulos do ambiente, permanecendo com os
olhos fechados como em um sono profundo, apresentando apenas
respostas de reatividade (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997);
Orientação
• Capacidade de uma pessoa se situar adequadamente ao
tempo (hora, dia, mês, ano), ao lugar e a si própria, cujos
prejuízos, habitualmente, surgem na seguinte ordem:
desorientação espacial: incapacidade da pessoa para
reconhecer o ambiente em que se encontra (Fukuda,
Stefanelli e Ramos, 2008);
• Desorientação auto psíquica: incapacidade para fornecer
dados sobre si (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008;
• Desorientação temporal: incapacidade para localizar-se
cronologicamente (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008).
• Apenas Stuart (2001) e Cheniaux Jr. (2005) não relatam a
orientação como função psíquica.
Fala
As ideias, pensamentos e sentimentos são
expressos por meio ,da linguagem, um sistema
complexo de expressar, receber e compreender
as palavras. E o principal instrumento de
comunicação dos seres humanos, sendo
avaliada na quantidade, velocidade, volume e
qualidade (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Bates,
1990; Dalgalarrondo, 2008).
As alterações da fala são:
• Pobreza da fala: restrição na
qualidade, respostas
monossilábicas;
• Logorreia: aumento da
velocidade da fala
• Pressão da fala: fala rápida,
aumentada em quantidade e
dificilmente interrompida
• Bradilalia: diminuição da
velocidade da fala
• Tom excessivamente alto ou
baixo: perda da modulação do
volume normal da fala;
• Mutismo: falta de produção da
fala sem anormalidades
estruturais (Alvarenga, Zanetti e
Del Sant, 2008;
Pensamento
Pensamento e um fluxo de ideias, símbolos e
associações, com um objetivo.
É composto de curso, forma ou processo e conteúdo.
Dalgalarrondo (2008) distingue o pensamento nos
elementos constitutivos (conceito, juízo e raciocínio)
das dimensões do processo de pensar (curso, forma e
conteúdo).
Pensamento
Curso
• É o fluxo do pensamento,
que se apresenta normal,
Identificado ou acelerado.
• Sua alteração é:
• fuga de ideias: verbalização
rápida e contínua, ou jogo
de palavras que produzem
constante mudança de uma
ideia para outra, as quais
tendem a estar conectadas
(Fukuda, Stefanelli e Ramos,
2008;
Pensamento
Forma ou processo
• É a estrutura básica com que as
ideias se apresentam, de modo
lógico e organizado, no pensamento.
• São suas principais perturbações:
• "salada de palavras”: mistura
incoerente de palavras e frases,
extremo da desorganização do
pensamento.
• Circunstancialidade: fala indireta
que demora a atingir o ponto
desejado, mas vai desde o ponto de
origem até o objetivo final,
caracterizada pela inclusão de
detalhes e observações, muitas
vezes excessivos e desnecessários
(Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
Pensamento
Forma ou processo
• Bloqueio: interrupção abrupta no curso, antes que um
pensamento ou ideia sejam concluídos, não havendo
recordação do que estava sendo ou do que seria dito, após
curta pausa
• Prolixidade: descrição repetitiva de ideias, com introdução
de palavras ou frases.
• Neologismo: criação de novas palavras, frequentemente
por combinação de sílabas de outras palavras.
• Na essência, são idênticas as descrições de pensamento:
incoerência, desagregação, dissociação, confusão,
descarrilamento e disparate, escapamento e afrouxamento
de enlaces associativos (Cheniaux Jr., 2005).
Percepção
Processo de reação a um estímulo físico nos órgãos
dos sentidos, também chamado senso percepção.
É a função psíquica que permite à pessoa tomar
conhecimento do ambiente e de seu próprio corpo
(Kantorski, Schrank e Willrich, 2005).
Relacionam-se as seguintes alterações
quantitativas:
• Hiperestesia: condição na qual as percepções se encontram
anormalmente aumentadas em sua intensidade ou
duração.
• Hipoestesia: diminuição da sensibilidade aos estímulos. São
alterações qualitativas.
• Ilusão: percepção deformada de um objeto real e presente,
mais comumente visual
• Pseudoalucinação: nítida impressão de ouvir-se ou ver-se
algo, sem a convicção de estar perante o objeto.
• Alucinose: alucinações dotadas de grande nitidez sensorial,
que a pessoa reconhece como fenômeno patológico.
• A alucinação é uma percepção sensorial falsa, não
associada com estímulos reais externos, cujos tipos são
diversos, dos quais apresentaremos os mais frequentes na
sequência.
Humor
Emoção abrangente e constante que colore a
percepção que a pessoa tem do mundo, sendo difusa
e prolongada, subjetivamente experimentada e
relatada pelo individuo, referindo-se às suas emoções
predominantes. Avalia-se se o paciente fala
voluntariamente sobre seus sentimentos ou se é
necessário indagar-se a respeito, verificando-se a
profundidade, a intensidade, a duração e suas
flutuações (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Baldaçara,
2007).
Como perturbações do humor temos:
• Eutímico: faixa normal
• Disfórico: estado de
ânimo desagradável
• Irritável: facilmente
provocado até a raiva,
com qualquer estimulo
sentido como
perturbador (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997;
Dalgalarrondo, 2008);
Afeto
Trata-se da expressão externa da resposta emocional
do paciente e que deve ser observada pelo
examinador por meio da expressão facial, da voz e/ou
do comportamento, que varia com o tempo, com os
estados mutáveis. São três os componentes afetivos:
tônus, modulação e ressonância, respectivamente, a
quantidade (carga do afeto dirigido), a variação e a
capacidade de reverberação e empatia com diferentes
estímulos. O afeto está para o humor, assim como o
tempo está para o clima.
Afeto
• Podendo ser congruente ou incongruente com o humor, suas alterações são:
• Adequado: condição normal em que o tom emocional está em harmonia com a
ideia e o pensamento que o acompanha, com uma complexa gama de emoções
apropriadamente expressa;
• Inadequado: desarmonia entre o tom emocional e a ideia que o acompanha
(Dalgalarrondo, 2008);
• Lábil: mudanças bruscas e rápidas no tom emocional, sem relação com estimulos
externos, caracterizadas por hipermodulação
• Constrito ou restrito, ou limitado: redução na intensidade do sentimento,
claramente reduzida;
• Embotado: perturbação manifestada por severa redução no sentimento
externado, com diminuição do tônus e da modulação, pouco ressonante (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008);
• Plano: ausência ou quase ausência de quaisquer sinais de expressão afetiva, com
voz monótona e face imóvel;
• Ambivalência afetiva: vivência simultânea de sentimentos antagônicos ao mesmo
objeto (amor e ódio, por exemplo).
Atenção
Quantidade de esforço exercido para realizar certas
porções de uma experiência, a capacidade para
manter o foco em uma atividade, que pode ser uma
sensação, uma percepção, uma representação ou um
desejo. Pode ser dividida em sua
natureza espontânea ou voluntária e nas
propriedades: seletividade, vigilância, sondagem,
alternância e tenacidade (Kaplan, Sadock e Grebb,
1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Fukuda,
Stefanelli e Ramos, 2008).
Os níveis de atenção são:
• Atenção voluntária: a capacidade de dirigir a atenção (sondagem),
selecionar o foco (seletividade), mantê-lo (tenacidade) e alterna-lo
(alternância) (Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008);
• Atenção espontânea: a que ocorre naturalmente, diante de determinados
estímulos externos ou internos, atraindo a pessoa, independentemente de
sua vontade e podendo estar aumentada ou diminuída (Fukuda, Stefanelli
e Ramos, 2008);
• Vigilância: capacidade de desviar a atenção de um objeto para outro, a
qualquer momento, termo também utilizado com outro significado,
correspondente à definição de consciência.
• Para esse item, as alterações são:
• Distraibilidade: incapacidade de concentrar a atenção, desviada para
estímulos sem importância ou irrelevantes (Kaplan, Sadock e Grebb,
1997);
• Hipervigilância: atenção excessiva e preocupação com estímulos internos
e externos, secundária ao posicionamento paranoide (Kaplan, Sadock e
Grebb, 1997).
Memória
• Função psíquica extremamente complexa que registra, armazena e,
posteriormente, recupera uma informação.
• Seus elementos são:
• A imediata: reprodução ou recordação de material, percebido dentro de
segundos a minutos (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997);
• A recente: recordação de eventos em dias muito recentes
• A remota: recordação de eventos em um passado distante
• De evocação: capacidade de recuperar e atualizar os dados fixados.
• De fixação: que capta os novos fatos (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008).
• As perturbações quantitativas são:
• Amnésia: incapacidade total ou parcial de recordar experiências passadas
(Kaplan, Sadock e Grebb, 1997);
• Hipermnésia: grau exagerado de retenção e recordação (Kaplan, Sadock e
Grebb, 1997).
As perturbações qualitativas são:
• Confabulação: invenção inconsciente de respostas falsas, nas quais
se crê, mesmo sem qualquer base, preenchendo vazios de
memória, sem intenção de enganar alguém.
• Déjà-vu: ilusão de reconhecimento visual na qual uma nova
situação é incorretamente considerada uma repetição de
lembranças anteriores.
• Jamais vu: falso sentimento de estranheza em uma situação já
experimentada (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
• Falso reconhecimento: identificação de uma pessoa por outra,
incluindo troca de nomes (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008);
• Amnésia Iacunar ou blecaute: impossibilidade de recordar fatos
sucedidos em um intervalo de tempo limitado (Kantorski, Schrank e
Willrich, 2005).
• Todos os autores consultados para a elaboração deste capitulo
consideraram a memória uma função psíquica.
Inteligência
Capacidade para entender, recordar, mobilizar e
integrar construtivamente o aprendizado anterior ao
confrontar-se com novas situações, estando
relacionada com o vocabulário e o fundo geral de
conhecimentos.
O nível educacional do paciente, o regionalismo e a
situação socioeconômica devem ser considerados.
É uma função psíquica complexa que determina a
resolução de problemas (Kaplan, Sadock e Grebb,
1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008).
Considera-se alteração da inteligência:
• Retardo mental: falta de inteligência em um grau que
interfere no desempenho social e ocupacional, podendo
ser adquirido precocemente ou congênito.
• Os diferentes graus de retardo mental são estimados
segundo a faixa de quociente de inteligência (QI), no
quadro a seguir (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997;
Dalgalarrondo, 2008).
GRAU FAIXA DE QI
Leve QI DE 50 A 69
Moderado QI DE 35 A 59
Grave QI DE 20 A 34
Profundo QI ABAIXO DE 20
• O portador de retardo mental
leve tem a idade mental
correspondente à de uma criança
de 9 a 12 anos, mas para o de
retardo mental moderado, a
idade mental corresponde à de
um escolar de 6 a 9 anos.
Enquanto um indivíduo com
retardo mental grave tem
correspondência com a idade
mental de uma criança na faixa
etária de 8 a 6 anos, o portador
de retardo mental profundo
possui uma idade mental
correspondente à de uma criança
menor de 8 anos (Dalgalarrondo,
2008).
Julgamento
Capacidade para avaliar uma situação
corretamente e agir apropriadamente, dentro
desta, conforme o contexto envolvido e
correspondente à idade do indivíduo. Definição
de valores ou atributos que são dados aos
objetos expressos pelo pensamento (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997; Fukuda, Stefanelli e
Ramos, 2008; Stuart, 2010).
Podemos subdividi-lo em:
• Crítico: capacidade para
discernir e escolher entre
diferentes opções em
determinada situação (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997);
• Automático: desempenho
reflexo de uma ação (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997);
• Prejudicado: redução na
capacidade para compreender
corretamente uma situação e
agir adequadamente (Kaplan,
Sadock e Grebb, 1997).
Insight
• Grau de conscientização e compreensão de que se está, sendo
importante determinar-se, inicialmente, se o individuo aceita ou
nega a existência da doença (Stuart, 2010).
• Ligeira conscientização acerca da doença e da necessidade de
auxílio, com constante negação.
• Consciência de estar doente, culpando outras pessoas, fatores
externos ou orgânicos.
• Consciência de que a doença é devida a algo desconhecido pelo
indivíduo.
• Insight intelectual: reconhecimento da doença pelo paciente e de
que os sintomas ou fracassos na adaptação social são devidos a
sentimentos irracionais ou perturbações dele próprio, sem a
aplicação desse conhecimento a futuras.
Vontade
• Determina a passagem de uma intenção a uma ação,
processo que, habitualmte, envolve as etapas da
intenção, deliberação, pragmatismo e execução
(Alvanga, Zanetti e Del Sant, 2008).
• O pragmatismo é a capacidade de o individuo
transformar suas ideias e vontaem comportamentos e
ações práticas, determinando a execução ou a
interrupsão da tarefa pela pessoa (Alvarenga, Zanetti e
Del Sant, 2008; Fukuda, Stefanelli Ramos, 2008).
• O apragmatismo é a incapacidade de realizar condutas
volitivas elementares mo os cuidados de higiene
pessoal e de atividades de vida diária (Dalgalarrondo,
2008; Kantorski, Schrank e Willrich, 2005) ou uma
alteração da psicomotricidade, a Dalgalarrondo (2008).
São alterações quantitativas:
• Abulia: falta de vontade, inatividade, abolição
da energia, do vigor, da motivação e da
iniciativa.
• Hipobulia: diminuição na quantidade da
energia, do vigor, da motivação e da iniciativa.
• Hiperbulia: aumento na quantidade da
energia, do vigor, da motivação e da iniciativa
(Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008;
Kantorski, Schrank e Willrich, 2005; Humerez e
Cavalcante, 2001

Exame psiquico

  • 1.
    Exame psíquico O examepsíquico ou exame do estado mental é uma fotografia de como o paciente se apresenta naquele momento ao profissional, com a descrição das funções psíquicas. Para uma realização eficiente, depende-se da capacidade de observação (habilidade que deve ser treinada), de uma postura em prática e do respeito do examinador durante a entrevista. E, posteriormente, de uma descrição objetiva, precisa e sem pré-julgamentos.
  • 2.
    • Todos osenfermeiros, não importando o contexto de sua prática, devem ser proficientes na realização do exame do estado mental e capazes de incorporar os dados encontrados no plano de assistência de enfermagem. • O exame psíquico pode servir de base para futuras comparações, no acompanhamento do progresso do paciente (Stuart, 2010).
  • 3.
    Exame psíquico • Imprescindívelpara se traçar o diagnóstico da enfermagem e elaborar um plano de assistência de enfermagem individualizada. • Transmitir tranquilidade em todo o processo, utilizar as técnicas de comunicação terapêutica e oferecimento de apoio e ambiente terapêutico). • Para facilitar o trabalho do examinador, de modo didático, o exame psíquico pode ser apresentado como um roteiro.
  • 4.
    Descrição geral (aparênciacomportamento e atitude do examinador. Afeto, Atenção Psicomotricidade Memória Nível de consciência Inteligência Orientação Julgamento Fala Insight Pensamento (curso, forma e conteúdo) Vontade Percepção Consciência do eu Humor impulsividade O enfermeiro deve registrar o exame do estado mental em um impresso específico (por exemplo, um check/ist) ou em sua evolução de enfermagem, sendo possível a impressão deste pelo departamento de enfermagem da instituição. Para melhor ilustrar, no quadro a seguir há uma lista de todas as funções psíquicas e, logo depois, as funções psíquicas com suas definições e respectivas alterações.
  • 5.
    Exame psíquico Descrição geral •É compreendida por aparência, comportamento e atitude perante o examinador. • Aparência é a impressão geral transmitida ao examinador e engloba estado geral de saúde e nutrição, idade aparente, postura, marcha, modos, olhar, dilatação ou constrições pupilas, expressão facial, vestuário (inclusos acessórios e maquiagem), higiene, corte de cabelo e barba, presença de piercings e/ ou tatuagens. Todos esses fatores podem refletir aspectos culturais e da personalidade dos pacientes, bem como seus estados de animo (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Varcarolis, 2010).
  • 6.
    Exame psíquico Descrição geral •O comportamento é percebido quantitativa e qualitativamente: adequação ou inadequação ao ambiente, atitudes para com o examinador, como, por exemplo, movimentos corporais excessivos ou reduzidos (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Varcarolis, 2010). • É importante ter clareza em não “julgar” os clientes por meio de parâmetros pessoais de atitudes e valores, tampouco se esquecer de contextualizar, isto é, um indivíduo pode ter escolhido tais vestes ou estar utilizando roupas que lhe foram doadas.
  • 7.
    Exame psíquico Descrição geral •Alguns usuários adotarão postura ativa e colaborativa, respondendo às perguntas adequadamente. • Outros, por sua vez, poderão ignorar intencionalmente as questões e solicitações do examinador (negativismo ativo), ou o farão por se encontrarem alheios ao que lhes é pedido ou perguntado (negativismo passivo). • O contato com o examinador é sempre uma impressão subjetiva (Sanches et al., 2005).
  • 8.
    Psicomotricidade • É umdos aspectos da psique que incluem os impulsos, as motivações, os desejos, as vontades, os instintos expressados pelo comportamento ou atividade motora de uma pessoa. Objetivamente, reflete comorbidades neurológicas e efeitos colaterais de psicotrópicos (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008). • Ao avaliarmos a psicomotricidade, devemos estar muito atentos para diferenciarmos um efeito colateral extrapiramidal de uma alteração neurológica, como a acatisia, por exemplo, de uma ataxia de alteração da psicomotricidade. • Identificação psicomotora: retardamento dos movimentos e pensamento; • Agitação psicomotora: excessiva hiperatividade, geralmente improdutiva e em resposta à tensão interna.
  • 9.
    As principais perturbaçõesreferentes a Psicomotricidade são: • Ecopraxia: imitação patológica dos movimentos de uma pessoa por outra. • Catatonia: anomalias motoras em distúrbios não orgânicos. • Catalesia: posição imóvel e constantemente mantida • Excitação catatônica: atividade motora agitada, sem finalidade, não influenciada por estímulos externos (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997); • Estupor catatônico: atividade motora acentuadamente identificada, frequentemente a um ponto de imobilidade e aparente falta de consciência em relação ao ambiente.
  • 10.
    As principais perturbaçõesreferentes a Psicomotricidade são: • Flexibilidade cérea ou cerácea: pessoa que pode ser “moldada” em uma posição que passa a ser mantida (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997. • Negativismo: resistência imotivada a todas as tentativas de movimentação ou a todas as instruções dadas. • Catapiexia: perda temporária do tonos muscular e fraqueza, precipitada por uma variedade de estados emocionais. • Estereotipia: repetições automáticas e uniformes de determinado ato motor complexo de ação física ou fala. • Maneirismos: movimentos involuntários estereotipados, caracterizados por movimentos bizarros e repetitivos, normalmente complexos. • Automatismo: desempenho automático de atos representativos de atividade simbólica inconsciente
  • 11.
    Consciência Trata-se de umestado de lucidez (ou alerta) que promove a integração da pessoa ao meio ambiente (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Bates, 1990). Quando ela está preservada, dizemos que o indivíduo está lúcido, vígil ou consciente. Pode sofrer alterações quantitativas, que variam de acordo com o estado de vigilha e serão apresentadas em primeiro lugar, além de qualitativas. Um modo seguro e adequado para avaliar o nível de consciência utiliza a Escala de Goma de Glasgow.
  • 12.
    Consciência • O termoconfusão mental corresponde genericamente a qualquer grau de rebaixamento do nível de consciência, excetuando-se o coma (Sanches et al., 2005). • A terminologia utilizada para definir as alterações do nível de consciência, principalmente os estados intermediários, causa grande confusão pela sua indefinição operacional. • É importante que, ao optar por determinados termos, o enfermeiro também descreva como o paciente reagiu aos estímulos verbais, táteis ou dolorosos (Koizumi, Diccini e Prado, 2006).
  • 13.
    Consciência • Sonolência ouletargia: indivíduo que se encontra dormindo, mas desperta com a estimulação, estando orientado no tempo, espaço e pessoa • Obnubilação: estado de redução da clareza da atividade psíquica, necessita ser intensamente estimulado, com impulsos auditivos e táteis, podendo responder a comandos simples e, apropriadamente, ao estímulo • Estupor ou torpor: pessoa que não desperta senão com estímulos dolorosos intensos e que, cessada a estimulação, volta ao estado de inconsciência, apresentando resposta com sons incompreensíveis e/ou com abertura ocular. • Coma: grau profundo de inconsciência, no qual a pessoa não demonstra conhecimento de si e do meio externo, não respondendo aos estímulos do ambiente, permanecendo com os olhos fechados como em um sono profundo, apresentando apenas respostas de reatividade (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997);
  • 14.
    Orientação • Capacidade deuma pessoa se situar adequadamente ao tempo (hora, dia, mês, ano), ao lugar e a si própria, cujos prejuízos, habitualmente, surgem na seguinte ordem: desorientação espacial: incapacidade da pessoa para reconhecer o ambiente em que se encontra (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008); • Desorientação auto psíquica: incapacidade para fornecer dados sobre si (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008; • Desorientação temporal: incapacidade para localizar-se cronologicamente (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008). • Apenas Stuart (2001) e Cheniaux Jr. (2005) não relatam a orientação como função psíquica.
  • 15.
    Fala As ideias, pensamentose sentimentos são expressos por meio ,da linguagem, um sistema complexo de expressar, receber e compreender as palavras. E o principal instrumento de comunicação dos seres humanos, sendo avaliada na quantidade, velocidade, volume e qualidade (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Bates, 1990; Dalgalarrondo, 2008).
  • 16.
    As alterações dafala são: • Pobreza da fala: restrição na qualidade, respostas monossilábicas; • Logorreia: aumento da velocidade da fala • Pressão da fala: fala rápida, aumentada em quantidade e dificilmente interrompida • Bradilalia: diminuição da velocidade da fala • Tom excessivamente alto ou baixo: perda da modulação do volume normal da fala; • Mutismo: falta de produção da fala sem anormalidades estruturais (Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008;
  • 17.
    Pensamento Pensamento e umfluxo de ideias, símbolos e associações, com um objetivo. É composto de curso, forma ou processo e conteúdo. Dalgalarrondo (2008) distingue o pensamento nos elementos constitutivos (conceito, juízo e raciocínio) das dimensões do processo de pensar (curso, forma e conteúdo).
  • 18.
    Pensamento Curso • É ofluxo do pensamento, que se apresenta normal, Identificado ou acelerado. • Sua alteração é: • fuga de ideias: verbalização rápida e contínua, ou jogo de palavras que produzem constante mudança de uma ideia para outra, as quais tendem a estar conectadas (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008;
  • 19.
    Pensamento Forma ou processo •É a estrutura básica com que as ideias se apresentam, de modo lógico e organizado, no pensamento. • São suas principais perturbações: • "salada de palavras”: mistura incoerente de palavras e frases, extremo da desorganização do pensamento. • Circunstancialidade: fala indireta que demora a atingir o ponto desejado, mas vai desde o ponto de origem até o objetivo final, caracterizada pela inclusão de detalhes e observações, muitas vezes excessivos e desnecessários (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
  • 20.
    Pensamento Forma ou processo •Bloqueio: interrupção abrupta no curso, antes que um pensamento ou ideia sejam concluídos, não havendo recordação do que estava sendo ou do que seria dito, após curta pausa • Prolixidade: descrição repetitiva de ideias, com introdução de palavras ou frases. • Neologismo: criação de novas palavras, frequentemente por combinação de sílabas de outras palavras. • Na essência, são idênticas as descrições de pensamento: incoerência, desagregação, dissociação, confusão, descarrilamento e disparate, escapamento e afrouxamento de enlaces associativos (Cheniaux Jr., 2005).
  • 21.
    Percepção Processo de reaçãoa um estímulo físico nos órgãos dos sentidos, também chamado senso percepção. É a função psíquica que permite à pessoa tomar conhecimento do ambiente e de seu próprio corpo (Kantorski, Schrank e Willrich, 2005).
  • 22.
    Relacionam-se as seguintesalterações quantitativas: • Hiperestesia: condição na qual as percepções se encontram anormalmente aumentadas em sua intensidade ou duração. • Hipoestesia: diminuição da sensibilidade aos estímulos. São alterações qualitativas. • Ilusão: percepção deformada de um objeto real e presente, mais comumente visual • Pseudoalucinação: nítida impressão de ouvir-se ou ver-se algo, sem a convicção de estar perante o objeto. • Alucinose: alucinações dotadas de grande nitidez sensorial, que a pessoa reconhece como fenômeno patológico. • A alucinação é uma percepção sensorial falsa, não associada com estímulos reais externos, cujos tipos são diversos, dos quais apresentaremos os mais frequentes na sequência.
  • 23.
    Humor Emoção abrangente econstante que colore a percepção que a pessoa tem do mundo, sendo difusa e prolongada, subjetivamente experimentada e relatada pelo individuo, referindo-se às suas emoções predominantes. Avalia-se se o paciente fala voluntariamente sobre seus sentimentos ou se é necessário indagar-se a respeito, verificando-se a profundidade, a intensidade, a duração e suas flutuações (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Baldaçara, 2007).
  • 24.
    Como perturbações dohumor temos: • Eutímico: faixa normal • Disfórico: estado de ânimo desagradável • Irritável: facilmente provocado até a raiva, com qualquer estimulo sentido como perturbador (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Dalgalarrondo, 2008);
  • 25.
    Afeto Trata-se da expressãoexterna da resposta emocional do paciente e que deve ser observada pelo examinador por meio da expressão facial, da voz e/ou do comportamento, que varia com o tempo, com os estados mutáveis. São três os componentes afetivos: tônus, modulação e ressonância, respectivamente, a quantidade (carga do afeto dirigido), a variação e a capacidade de reverberação e empatia com diferentes estímulos. O afeto está para o humor, assim como o tempo está para o clima.
  • 26.
    Afeto • Podendo sercongruente ou incongruente com o humor, suas alterações são: • Adequado: condição normal em que o tom emocional está em harmonia com a ideia e o pensamento que o acompanha, com uma complexa gama de emoções apropriadamente expressa; • Inadequado: desarmonia entre o tom emocional e a ideia que o acompanha (Dalgalarrondo, 2008); • Lábil: mudanças bruscas e rápidas no tom emocional, sem relação com estimulos externos, caracterizadas por hipermodulação • Constrito ou restrito, ou limitado: redução na intensidade do sentimento, claramente reduzida; • Embotado: perturbação manifestada por severa redução no sentimento externado, com diminuição do tônus e da modulação, pouco ressonante (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008); • Plano: ausência ou quase ausência de quaisquer sinais de expressão afetiva, com voz monótona e face imóvel; • Ambivalência afetiva: vivência simultânea de sentimentos antagônicos ao mesmo objeto (amor e ódio, por exemplo).
  • 27.
    Atenção Quantidade de esforçoexercido para realizar certas porções de uma experiência, a capacidade para manter o foco em uma atividade, que pode ser uma sensação, uma percepção, uma representação ou um desejo. Pode ser dividida em sua natureza espontânea ou voluntária e nas propriedades: seletividade, vigilância, sondagem, alternância e tenacidade (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008).
  • 28.
    Os níveis deatenção são: • Atenção voluntária: a capacidade de dirigir a atenção (sondagem), selecionar o foco (seletividade), mantê-lo (tenacidade) e alterna-lo (alternância) (Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008); • Atenção espontânea: a que ocorre naturalmente, diante de determinados estímulos externos ou internos, atraindo a pessoa, independentemente de sua vontade e podendo estar aumentada ou diminuída (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008); • Vigilância: capacidade de desviar a atenção de um objeto para outro, a qualquer momento, termo também utilizado com outro significado, correspondente à definição de consciência. • Para esse item, as alterações são: • Distraibilidade: incapacidade de concentrar a atenção, desviada para estímulos sem importância ou irrelevantes (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997); • Hipervigilância: atenção excessiva e preocupação com estímulos internos e externos, secundária ao posicionamento paranoide (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
  • 29.
    Memória • Função psíquicaextremamente complexa que registra, armazena e, posteriormente, recupera uma informação. • Seus elementos são: • A imediata: reprodução ou recordação de material, percebido dentro de segundos a minutos (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997); • A recente: recordação de eventos em dias muito recentes • A remota: recordação de eventos em um passado distante • De evocação: capacidade de recuperar e atualizar os dados fixados. • De fixação: que capta os novos fatos (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008). • As perturbações quantitativas são: • Amnésia: incapacidade total ou parcial de recordar experiências passadas (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997); • Hipermnésia: grau exagerado de retenção e recordação (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
  • 30.
    As perturbações qualitativassão: • Confabulação: invenção inconsciente de respostas falsas, nas quais se crê, mesmo sem qualquer base, preenchendo vazios de memória, sem intenção de enganar alguém. • Déjà-vu: ilusão de reconhecimento visual na qual uma nova situação é incorretamente considerada uma repetição de lembranças anteriores. • Jamais vu: falso sentimento de estranheza em uma situação já experimentada (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997). • Falso reconhecimento: identificação de uma pessoa por outra, incluindo troca de nomes (Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008); • Amnésia Iacunar ou blecaute: impossibilidade de recordar fatos sucedidos em um intervalo de tempo limitado (Kantorski, Schrank e Willrich, 2005). • Todos os autores consultados para a elaboração deste capitulo consideraram a memória uma função psíquica.
  • 31.
    Inteligência Capacidade para entender,recordar, mobilizar e integrar construtivamente o aprendizado anterior ao confrontar-se com novas situações, estando relacionada com o vocabulário e o fundo geral de conhecimentos. O nível educacional do paciente, o regionalismo e a situação socioeconômica devem ser considerados. É uma função psíquica complexa que determina a resolução de problemas (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008).
  • 32.
    Considera-se alteração dainteligência: • Retardo mental: falta de inteligência em um grau que interfere no desempenho social e ocupacional, podendo ser adquirido precocemente ou congênito. • Os diferentes graus de retardo mental são estimados segundo a faixa de quociente de inteligência (QI), no quadro a seguir (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Dalgalarrondo, 2008). GRAU FAIXA DE QI Leve QI DE 50 A 69 Moderado QI DE 35 A 59 Grave QI DE 20 A 34 Profundo QI ABAIXO DE 20
  • 33.
    • O portadorde retardo mental leve tem a idade mental correspondente à de uma criança de 9 a 12 anos, mas para o de retardo mental moderado, a idade mental corresponde à de um escolar de 6 a 9 anos. Enquanto um indivíduo com retardo mental grave tem correspondência com a idade mental de uma criança na faixa etária de 8 a 6 anos, o portador de retardo mental profundo possui uma idade mental correspondente à de uma criança menor de 8 anos (Dalgalarrondo, 2008).
  • 34.
    Julgamento Capacidade para avaliaruma situação corretamente e agir apropriadamente, dentro desta, conforme o contexto envolvido e correspondente à idade do indivíduo. Definição de valores ou atributos que são dados aos objetos expressos pelo pensamento (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Fukuda, Stefanelli e Ramos, 2008; Stuart, 2010).
  • 35.
    Podemos subdividi-lo em: •Crítico: capacidade para discernir e escolher entre diferentes opções em determinada situação (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997); • Automático: desempenho reflexo de uma ação (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997); • Prejudicado: redução na capacidade para compreender corretamente uma situação e agir adequadamente (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
  • 36.
    Insight • Grau deconscientização e compreensão de que se está, sendo importante determinar-se, inicialmente, se o individuo aceita ou nega a existência da doença (Stuart, 2010). • Ligeira conscientização acerca da doença e da necessidade de auxílio, com constante negação. • Consciência de estar doente, culpando outras pessoas, fatores externos ou orgânicos. • Consciência de que a doença é devida a algo desconhecido pelo indivíduo. • Insight intelectual: reconhecimento da doença pelo paciente e de que os sintomas ou fracassos na adaptação social são devidos a sentimentos irracionais ou perturbações dele próprio, sem a aplicação desse conhecimento a futuras.
  • 37.
    Vontade • Determina apassagem de uma intenção a uma ação, processo que, habitualmte, envolve as etapas da intenção, deliberação, pragmatismo e execução (Alvanga, Zanetti e Del Sant, 2008). • O pragmatismo é a capacidade de o individuo transformar suas ideias e vontaem comportamentos e ações práticas, determinando a execução ou a interrupsão da tarefa pela pessoa (Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Fukuda, Stefanelli Ramos, 2008). • O apragmatismo é a incapacidade de realizar condutas volitivas elementares mo os cuidados de higiene pessoal e de atividades de vida diária (Dalgalarrondo, 2008; Kantorski, Schrank e Willrich, 2005) ou uma alteração da psicomotricidade, a Dalgalarrondo (2008).
  • 38.
    São alterações quantitativas: •Abulia: falta de vontade, inatividade, abolição da energia, do vigor, da motivação e da iniciativa. • Hipobulia: diminuição na quantidade da energia, do vigor, da motivação e da iniciativa. • Hiperbulia: aumento na quantidade da energia, do vigor, da motivação e da iniciativa (Alvarenga, Zanetti e Del Sant, 2008; Kantorski, Schrank e Willrich, 2005; Humerez e Cavalcante, 2001