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                      vigilância esclarecida,
           benévola e ativa é a dos doidos.
                                 Sigaud, 1835




História da Psiquiatria



             Profª. Esp. Shirley Kellen
                      Ferreira
Um pouco de história...
• Casos de perturbações mentais estão registrados por toda a
   História e são, desde as épocas mais remotas, citados por
   historiadores, poetas, pintores, escultores e médicos.
• Algumas figuras históricas conhecidas:
- Os Imperadores Romanos Calígula e Nero, os reis franceses
   Clóvis II e Carlos VI, este último chamado de Carlos, o
   Louco, o qual acreditava ser feito de vidro e que inseria
   pequenas hastes de ferro em suas roupas a fim de prevenir
   que se partisse em pedaços. Eduard Einsten, filho do
   renomado físico Albert Einstein,  o lendário bailarino
   ucraniano Vaslav Nijinsky, e o prêmio Nobel de Economia
   Jonh Forbes Nash Jr.,  sofriam de Esquizofrenia.
Um pouco de história...
- O famoso pintor Vincent Van Gogh (1853-1890),
sofria de crises de instabilidade de seu humor.
Diversos historiadores afirmam que Van Gogh sofria
"ataques epilépticos" o que para alguns seria o resultado
do uso frequente de bebidas contendo absinto (Artemisia absinthium),
   substância que era utilizada para modificar a atividade cerebral e assim
   "estimular" atividades artísticas.

- Houve diversas tentativas de estabelecer um diagnóstico para a doença
   de Van Gogh. Atualmente, o mais aceito é o Transtorno do Humor
   Bipolar, levando-se em consideração os estados depressivos, alternados
   de episódios eufóricos (ou maníacos) que lhe faziam mergulhar em um
   estado de humor de grande energia e paixão. Van Gogh cometeu suicídio
   aos 37 anos de idade.
Diversas Denominações...
- Possuídos por espíritos.
- Mania ou furor insano. (Século V. AC- Euclides, Sófocles)
- Sofrimento da alma. Perda das Faculdades Mentais.
- Louco, lunático, lelé, maniático, tança, vesano, demente.
- Alienado, insano (Pinel, Esquirol. Atendimento asilar).
- No Brasil colonial e durante parte do Império, a ordem
jurídica era determinada pelas Ordenações do Reino e nelas a
loucura possuía várias denominações: "desassisados",
"sandeus", "mentecaptos" ou "furiosos"; eram ali contemplados
ainda os "desmemoriados" e os "pródigos"
O que é loucura?

• Designa-se por louco aquele
  indivíduo cuja maneira de ser é
  “diferente” em comparação com uma
  outra maneira de ser considerada
  pela sociedade como “normal”.
• Porém com as diferenças: culturais,
  sociais, éticas, filosóficas, religiosas
  existentes, como se poderia definir o
  que é um indivíduo normal?
• Nem sempre a loucura foi vista como uma
 doença ou um problema de integração social.
• Assim como a conceituação de loucura, os
 cuidados dedicados as pessoas com
 transtorno de comportamento variaram no
 decorrer dos tempos, sempre influenciados
 por crenças, costumes, religião.
A doença mental na Pré-
História
• O homem primitivo atribuía todas as
  doenças à ação de forças externas, forças
  sobrenaturais, maus espíritos, bruxos,
  demônios, deuses.
• Acredita-se que nessa época as pessoas
  com distúrbios de comportamento eram
  atendidas em rituais tribais, para corrigir
  tal distúrbio. E em casos de insucesso, o
  indivíduo era abandonado à própria sorte.
Antiguidade
• Na Grécia e Roma antigas não existiam
    procedimentos ou espaços sociais destinados
    aos “loucos”.
•   Os ricos permaneciam em suas residências e os
    pobres circulavam pelas ruas, onde recebiam
    caridade pública ou realizavam pequenos
    serviços.
•   A sociedade atribuía as crises de agitação a
    forças sobrenaturais, decorrentes de
    possessões demoníacas.
•   O indivíduo louco era visto como um problema
    familiar e não social.
Antiguidade (cont.)
• Na Grécia de 860 a.C. os sacerdotes
    recomendavam que os loucos fossem tratados
    com bondade e que lhes fossem proporcionadas
    atividade físicas.
•   Nessa mesma época, médicos, estudiosos
    tinham grande consideração pelos doentes,
    estes podiam desfrutar de ar fresco, água pura,
    luz solar. Mestres, alunos e doentes faziam
    caminhadas, encenações teatrais para melhorar
    o “humor”.
•   No entanto os paciente que não reagiam ao
    tratamento eram submetidos à inanição e a
    flagelação.
Idade Média
• Nessa época a loucura era vista com grande
    tolerância. Acreditava-se que o mundo era todo
    organizado de acordo com os desígnios de
    Deus.
•   Os loucos e os miseráveis eram considerados
    parte da sociedade e alvo de caridade.
•   Os doente mentais eram chamados de lunáticos
    (do latim luna=lua), pois acreditava-se que a
    mente das pessoas era influenciada pelas fase
    da lua. Eram também considerados pecadores.
Idade Média (cont.)

• Desfrutavam de relativa liberdade de ir e
  vir.
• Doente mentais mais graves ou
  agressivos eram acorrentados,
  escorraçados, submetidos a jejuns
  prolongados sob a alegação de estarem
  possuídos pelo “demônio”.
Idade Média (cont.)

• Muitas vezes eram submetidos a rituais
 religiosos de exorcismo.
Idade Moderna

• Retomada de princípios racionalistas na
  observação e descrição das doenças
  mentais, em oposição ao misticismo
  religioso.
• Nessa fase com o início do mercantilismo,
  formação de cidades e concentração da
  população, começaram a surgir os
  problemas sociais e sanitários, ocorrendo
  aumento do número de mendigos.
Idade Moderna (cont.)
• Pobres e loucos eram vistos como
    desocupados, como não trabalhavam, não
    produziam riquezas, eram considerados
    marginais , improdutivos.
•   Os mendigos eram expulso das cidades, os
    doente mentais e mendigos sem família eram
    condenados ao isolamento.
•   Nessa época surgem os Hospitais Gerais
    (instalados nos antigos leprosários), onde eram
    internados não só os loucos, mas toda
    população marginalizada na época.
Idade Contemporânea
• Final do século XVIII, denúncias contra as
    internações de doentes mentais junto aos
    marginais e contra as torturas a que eram
    submetidos.
•   Abordagem mais humanística ao doente mental.
•   Construção de asilos, porém permaneciam sob
    formas de violência, com ameaças e privações.
•   A loucura passa a ser considerada uma doença,
    que exigia condições e tratamentos específicos.
Idade Contemporânea (cont.)
• Em 1793, o médico francês Philippe Pinel
    quebrou as correntes que prendiam os
    alienados ou insanos.
•   Nessa época avança a descrição das doenças
    mentais.
•   Século XX, postura mais humanista no
    tratamento dos doente s mentais, os asilos onde
    os doentes eram aprisionados foram
    substituídos pelos Hospitais Psiquiátricos.
Idade Contemporânea (cont.)
• Século XX: Freud revela a concepção
    do homem como um todo mente-
    corpo e o papel da história pessoal no
    desenvolvimento dos transtornos
    emocionais.
-   Compreender a loucura não
-   como defeito biológico.
1952: sintetizada em laboratório o primeiro
 neuroléptico do mundo, a clorpromazina.

Progressos:
- Atitude positiva em relação à doença mental
- Doentes crônicos melhoram
- O tratamento em casa tornou-se possível
- Expandem-se tratamentos psicoterápicos
- Hildegard Peplau – teoria do relacionamento
  terapêutico enfermeiro-paciente.
- Enfoque da assistência física (higiene, limpeza)
  para centrar-se nas relações interpessoais
  (ambiente terapêutico).
A Psiquiatria no Brasil
• No Brasil, o primeiro manicômio foi
 fundado por D. Pedro II em 1852, no Rio
 de Janeiro.
Primeiros hospícios públicos para
               alienados no Brasil
Província/Estado  Ano    Estabelecimento (município)
Rio de Janeiro    1852   Hospício de Pedro II (Rio de Janeiro)
                  1878   Enfermaria de Alienados anexa ao Hospital São João Batista (Niterói)
                  1890   Colônias de São Bento e Conde de Mesquita (Ilha do Governador)
São Paulo         1852   Hospício Provisório de Alienados de São Paulo (Rua São João)
                  1864   Hospício de Alienados de São Paulo (Chácara da Tabatingüera)
                  1895   Hospício-colônia provisório de Sorocaba
                  1898   Hospício-colônia de Juqueri (atual Franco da Rocha)
Pernambuco        1864   Hospício de Alienados de Recife-Olinda (da Visitação de Santa Isabel)
                  1883   Hospício da Tamarineira (Recife)
Pará              1873   Hospício Provisório de Alienados (Belém, próximo ao Hospício dos Lázaros).
                  1892   Hospício do Marco da Légua (Belém)
Bahia             1874   Asilo de Alienados São João de Deus (Salvador)
Rio Grande do Sul 1884   Hospício de Alienados São Pedro (Porto Alegre)
Ceará             1886   Asilo de Alienados São Vicente de Paula (Fortaleza)
Alagoas           1891   Asilo de Santa Leopoldina (Maceió)
Paraíba           1890   Asilo de Alienados do Hospital Santa Ana (João Pessoa)
Amazonas          1894   Hospício Eduardo Ribeiro (Manaus)
Minas Gerais      1903   Hospício de Barbacena
Paraná            1903   Hospício Nossa Senhora da Luz (Curitiba)
Maranhão          1905   Hospício de Alienados (São Luis do Maranhão)
A Psiquiatria no Brasil
• Local de confinamento da população
 crescente de desocupados e loucos que
 vagavam pelas velhas e grandes
 fazendas e recentes cidades.

• À partir desse momento vários outros
 hospícios foram sendo fundados
 ( grandes centros).
A Psiquiatria no Brasil

• -Nas cidades interioranas, os manicômios
  só surgiram quando o desenvolvimento e
  a urbanização lá chegaram.
• - Manicômios eram construídos em locais
  afastados.
• - Características dos manicômios
  brasileiros – freqüentados em sua maioria
  pela população mais pobre.
A Psiquiatria no Brasil

• No Brasil, o atendimento aos loucos era
 tarefa da Irmandade da Misericórdia e
 esteve nas mãos da Santa Casa até a
 proclamação da República em 1889.
 A partir de 1890, o Hospício Pedro II
 passa a ser chamado de Hospício
 Nacional dos Alienados
Diversas Denominações...
A partir de 1890, o Hospício Pedro II passa a ser chamado de Hospício
Nacional dos Alienados. No século XX, surgem novos nomes:
Hospício passa a ser chamado de Hospital.
Alienado agora é doente mental, depois será psicopata.
O asilado passa a ser interno.
Nos ambulatórios ele é egresso, quando oriundo da hospitalização. Torna-
se paciente do ambulatório.
No consultório ele é paciente, cliente, analisando ou está em terapia.
Na perícia é o caso ou o periciando.
No serviço público ele é usuário. O mesmo vale para os planos de saúde.
Para alguns, ele passa a ser visto como consumidor.
Assim, a loucura recebe os nomes de alienação mental, insanidade, depois
doença mental, transtorno mental e ultimamente, sofrimento psíquico.
A Psiquiatria no Brasil
• ERA DO TEMOR
                  1950-1970:

                  - Falta de leitos nos hospícios
                  - Expansão de leitos privados
                  - Estado patrocinando a loucura
A Psiquiatria no Brasil
• - Os hospitais de luxo “cinco estrelas”, são
    em sua essência iguais aos hospitais para
    pobres, porque têm a função de excluir ou
    invalidar os doentes, afastando-os da
    sociedade.
•   - Infra-estrutura – péssimas
•   - Higiene – banhos coletivos
•   - Medicação – distribuída sem critério
•   - ECT - castigo
A Psiquiatria no Brasil

• Tudo é organizado pensando não no
  doente, mas na manutenção da ordem
  interna e na obtenção de lucro (hospitais
  privados).
• Internações – superior ao número de
  leitos.
• Ociosidade dos internos.
A Psiquiatria no Brasil

• À partir de 1964, o governo começou a
  contratar incisivamente os hospitais
  psiquiátricos particulares para atender aos
  hospitais públicos.
• Como o governo pagava pouco pelas
  diárias, os hospitais reduziram seus
  custos e pioraram definitivamente as
  condições de hospedagem e cuidados.
A História da Psiquiatria
1960: Franco Basaglia (Itália) questiona a
 existência dos hospitais psiquiátricos.

1978: Aprovado lei proibindo a criação de
 novos hospícios e sua substituição por pensões
 protegidas, lares abrigados, hospital-dia, leitos
 psiquiátricos em hospital geral.

1987: Primeiro CAPS no Brasil em SP e NAPS
 em Santos (24 hs).
A Psiquiatria no Brasil
1990: Reforma Psiquiátrica Brasileira
- Movimentos dos profissionais e famílias
- Impasses, tensões, conflitos e desafios
- Lei proibindo a criação de novos hospitais
 psiquiátricos e enfatizando o tratamento
 ambulatorial e a reinserção social do doente junto
 da família e comunidade e sua reabilitação social,
 profissional e cívica.


          DESINTITUCIONALIZAÇÃO
A Psiquiatria no Brasil
1992: Movimentos sociais aprovam em vários estados
    brasileiros as primeiras leis que determinam a
    substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma
    rede integrada de atenção à saúde mental.

2001: Lei 10.216 que redireciona a assistência em
    saúde mental, privilegiando o oferecimento de
    tratamento em serviços de base comunitária.
-   Proteção e direitos dos doentes mentais
-   Rede de atenção diária (CAPS)
-   Financiamento do MS para serviços abertos e
    substitutivos dos hospícios.
DESINSTITUCIONALIZAÇÃO
Deslocar o centro da atenção da instituição para a
 comunidade, distrito e território.

Desinstitucionalização = Desosopitalização

Oferecer espaço para que os doente sejam atendidos
 fora do hospital
Incentivo à desinstitucionalização
Ampliação de serviços ambulatoriais
Incorporação da saúde mental na ESF
Redução de leitos psiquiátricos
CAPS
Residências Terapêuticas
DOENÇA MENTAL
  • É o estado que surge quando as
  pessoas não conseguem desenvolver
     ou manter-se em funcionamento
   harmônico para viver com seu grupo
      cultural ou em sociedade, não
      conseguindo transformar suas
       possibilidades em realidade.
SAÚDE MENTAL

    • É o estado de funcionamento
       harmônico que as pessoas
 desenvolvem e mantêm, para viver em
 sociedade, em constante interação com
   seus semelhantes e meio ambiente.
Critérios definidores de saúde
mental
• Atitudes positivas em relação a si
    próprio
•   Crescimento, desenvolvimento e auto-
    realização
•   Integração e resposta emocional
•   Autonomia e autodeterminação
•   Percepção da realidade
•   Domínio ambiental e competência
    social
COMO ANDA A SUA SAÚDE
      MENTAL???
Porta do Hospício




“Nem todos que estão são e nem
     todos que são estão”.
Balada do Louco



Dizem que sou louco por pensar
assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão        Se eles têm três carros, eu posso voar
                                         Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz                  Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz               E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor                     Eu juro que é melhor
Não ser o normal                         Não ser o normal
                                         Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eu posso pensar que Deus sou eu
                                         Sim sou muito louco, não vou me curar
                                         Já não sou o único que encontrou a paz
                                         Mas louco é quem me diz
                                         E não é feliz, eu sou feliz
"De perto
  ninguém é
   normal“.

Caetano Veloso
Referência Bibliográfica

• FOUCAULT, M. História da Loucura. São
    Paulo: Perspectiva, 1978.
•   FUREGATO, A.R.F. Relações interpessoais
    terapêuticas na enfermagem. Ribeirão
    Preto, Scala, 1999.
•   KUPSTAS, M. (org.) Saúde em Debate.
    (Coleção Debate na Escola) 1ª ed. São Paulo:
    Moderno, 1997.
•   http://www.polbr.med.br/ano06/wal0306.php

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História da psiquiatria aula 1

  • 1. Se existe classe que mereça uma vigilância esclarecida, benévola e ativa é a dos doidos. Sigaud, 1835 História da Psiquiatria Profª. Esp. Shirley Kellen Ferreira
  • 2. Um pouco de história... • Casos de perturbações mentais estão registrados por toda a História e são, desde as épocas mais remotas, citados por historiadores, poetas, pintores, escultores e médicos. • Algumas figuras históricas conhecidas: - Os Imperadores Romanos Calígula e Nero, os reis franceses Clóvis II e Carlos VI, este último chamado de Carlos, o Louco, o qual acreditava ser feito de vidro e que inseria pequenas hastes de ferro em suas roupas a fim de prevenir que se partisse em pedaços. Eduard Einsten, filho do renomado físico Albert Einstein,  o lendário bailarino ucraniano Vaslav Nijinsky, e o prêmio Nobel de Economia Jonh Forbes Nash Jr.,  sofriam de Esquizofrenia.
  • 3. Um pouco de história... - O famoso pintor Vincent Van Gogh (1853-1890), sofria de crises de instabilidade de seu humor. Diversos historiadores afirmam que Van Gogh sofria "ataques epilépticos" o que para alguns seria o resultado do uso frequente de bebidas contendo absinto (Artemisia absinthium), substância que era utilizada para modificar a atividade cerebral e assim "estimular" atividades artísticas. - Houve diversas tentativas de estabelecer um diagnóstico para a doença de Van Gogh. Atualmente, o mais aceito é o Transtorno do Humor Bipolar, levando-se em consideração os estados depressivos, alternados de episódios eufóricos (ou maníacos) que lhe faziam mergulhar em um estado de humor de grande energia e paixão. Van Gogh cometeu suicídio aos 37 anos de idade.
  • 4. Diversas Denominações... - Possuídos por espíritos. - Mania ou furor insano. (Século V. AC- Euclides, Sófocles) - Sofrimento da alma. Perda das Faculdades Mentais. - Louco, lunático, lelé, maniático, tança, vesano, demente. - Alienado, insano (Pinel, Esquirol. Atendimento asilar). - No Brasil colonial e durante parte do Império, a ordem jurídica era determinada pelas Ordenações do Reino e nelas a loucura possuía várias denominações: "desassisados", "sandeus", "mentecaptos" ou "furiosos"; eram ali contemplados ainda os "desmemoriados" e os "pródigos"
  • 5. O que é loucura? • Designa-se por louco aquele indivíduo cuja maneira de ser é “diferente” em comparação com uma outra maneira de ser considerada pela sociedade como “normal”. • Porém com as diferenças: culturais, sociais, éticas, filosóficas, religiosas existentes, como se poderia definir o que é um indivíduo normal?
  • 6. • Nem sempre a loucura foi vista como uma doença ou um problema de integração social. • Assim como a conceituação de loucura, os cuidados dedicados as pessoas com transtorno de comportamento variaram no decorrer dos tempos, sempre influenciados por crenças, costumes, religião.
  • 7. A doença mental na Pré- História • O homem primitivo atribuía todas as doenças à ação de forças externas, forças sobrenaturais, maus espíritos, bruxos, demônios, deuses. • Acredita-se que nessa época as pessoas com distúrbios de comportamento eram atendidas em rituais tribais, para corrigir tal distúrbio. E em casos de insucesso, o indivíduo era abandonado à própria sorte.
  • 8. Antiguidade • Na Grécia e Roma antigas não existiam procedimentos ou espaços sociais destinados aos “loucos”. • Os ricos permaneciam em suas residências e os pobres circulavam pelas ruas, onde recebiam caridade pública ou realizavam pequenos serviços. • A sociedade atribuía as crises de agitação a forças sobrenaturais, decorrentes de possessões demoníacas. • O indivíduo louco era visto como um problema familiar e não social.
  • 9. Antiguidade (cont.) • Na Grécia de 860 a.C. os sacerdotes recomendavam que os loucos fossem tratados com bondade e que lhes fossem proporcionadas atividade físicas. • Nessa mesma época, médicos, estudiosos tinham grande consideração pelos doentes, estes podiam desfrutar de ar fresco, água pura, luz solar. Mestres, alunos e doentes faziam caminhadas, encenações teatrais para melhorar o “humor”. • No entanto os paciente que não reagiam ao tratamento eram submetidos à inanição e a flagelação.
  • 10. Idade Média • Nessa época a loucura era vista com grande tolerância. Acreditava-se que o mundo era todo organizado de acordo com os desígnios de Deus. • Os loucos e os miseráveis eram considerados parte da sociedade e alvo de caridade. • Os doente mentais eram chamados de lunáticos (do latim luna=lua), pois acreditava-se que a mente das pessoas era influenciada pelas fase da lua. Eram também considerados pecadores.
  • 11. Idade Média (cont.) • Desfrutavam de relativa liberdade de ir e vir. • Doente mentais mais graves ou agressivos eram acorrentados, escorraçados, submetidos a jejuns prolongados sob a alegação de estarem possuídos pelo “demônio”.
  • 12. Idade Média (cont.) • Muitas vezes eram submetidos a rituais religiosos de exorcismo.
  • 13. Idade Moderna • Retomada de princípios racionalistas na observação e descrição das doenças mentais, em oposição ao misticismo religioso. • Nessa fase com o início do mercantilismo, formação de cidades e concentração da população, começaram a surgir os problemas sociais e sanitários, ocorrendo aumento do número de mendigos.
  • 14. Idade Moderna (cont.) • Pobres e loucos eram vistos como desocupados, como não trabalhavam, não produziam riquezas, eram considerados marginais , improdutivos. • Os mendigos eram expulso das cidades, os doente mentais e mendigos sem família eram condenados ao isolamento. • Nessa época surgem os Hospitais Gerais (instalados nos antigos leprosários), onde eram internados não só os loucos, mas toda população marginalizada na época.
  • 15. Idade Contemporânea • Final do século XVIII, denúncias contra as internações de doentes mentais junto aos marginais e contra as torturas a que eram submetidos. • Abordagem mais humanística ao doente mental. • Construção de asilos, porém permaneciam sob formas de violência, com ameaças e privações. • A loucura passa a ser considerada uma doença, que exigia condições e tratamentos específicos.
  • 16. Idade Contemporânea (cont.) • Em 1793, o médico francês Philippe Pinel quebrou as correntes que prendiam os alienados ou insanos. • Nessa época avança a descrição das doenças mentais. • Século XX, postura mais humanista no tratamento dos doente s mentais, os asilos onde os doentes eram aprisionados foram substituídos pelos Hospitais Psiquiátricos.
  • 17. Idade Contemporânea (cont.) • Século XX: Freud revela a concepção do homem como um todo mente- corpo e o papel da história pessoal no desenvolvimento dos transtornos emocionais. - Compreender a loucura não - como defeito biológico.
  • 18. 1952: sintetizada em laboratório o primeiro neuroléptico do mundo, a clorpromazina. Progressos: - Atitude positiva em relação à doença mental - Doentes crônicos melhoram - O tratamento em casa tornou-se possível - Expandem-se tratamentos psicoterápicos - Hildegard Peplau – teoria do relacionamento terapêutico enfermeiro-paciente. - Enfoque da assistência física (higiene, limpeza) para centrar-se nas relações interpessoais (ambiente terapêutico).
  • 19. A Psiquiatria no Brasil • No Brasil, o primeiro manicômio foi fundado por D. Pedro II em 1852, no Rio de Janeiro.
  • 20. Primeiros hospícios públicos para alienados no Brasil Província/Estado Ano Estabelecimento (município) Rio de Janeiro 1852 Hospício de Pedro II (Rio de Janeiro) 1878 Enfermaria de Alienados anexa ao Hospital São João Batista (Niterói) 1890 Colônias de São Bento e Conde de Mesquita (Ilha do Governador) São Paulo 1852 Hospício Provisório de Alienados de São Paulo (Rua São João) 1864 Hospício de Alienados de São Paulo (Chácara da Tabatingüera) 1895 Hospício-colônia provisório de Sorocaba 1898 Hospício-colônia de Juqueri (atual Franco da Rocha) Pernambuco 1864 Hospício de Alienados de Recife-Olinda (da Visitação de Santa Isabel) 1883 Hospício da Tamarineira (Recife) Pará 1873 Hospício Provisório de Alienados (Belém, próximo ao Hospício dos Lázaros). 1892 Hospício do Marco da Légua (Belém) Bahia 1874 Asilo de Alienados São João de Deus (Salvador) Rio Grande do Sul 1884 Hospício de Alienados São Pedro (Porto Alegre) Ceará 1886 Asilo de Alienados São Vicente de Paula (Fortaleza) Alagoas 1891 Asilo de Santa Leopoldina (Maceió) Paraíba 1890 Asilo de Alienados do Hospital Santa Ana (João Pessoa) Amazonas 1894 Hospício Eduardo Ribeiro (Manaus) Minas Gerais 1903 Hospício de Barbacena Paraná 1903 Hospício Nossa Senhora da Luz (Curitiba) Maranhão 1905 Hospício de Alienados (São Luis do Maranhão)
  • 21. A Psiquiatria no Brasil • Local de confinamento da população crescente de desocupados e loucos que vagavam pelas velhas e grandes fazendas e recentes cidades. • À partir desse momento vários outros hospícios foram sendo fundados ( grandes centros).
  • 22. A Psiquiatria no Brasil • -Nas cidades interioranas, os manicômios só surgiram quando o desenvolvimento e a urbanização lá chegaram. • - Manicômios eram construídos em locais afastados. • - Características dos manicômios brasileiros – freqüentados em sua maioria pela população mais pobre.
  • 23. A Psiquiatria no Brasil • No Brasil, o atendimento aos loucos era tarefa da Irmandade da Misericórdia e esteve nas mãos da Santa Casa até a proclamação da República em 1889. A partir de 1890, o Hospício Pedro II passa a ser chamado de Hospício Nacional dos Alienados
  • 24. Diversas Denominações... A partir de 1890, o Hospício Pedro II passa a ser chamado de Hospício Nacional dos Alienados. No século XX, surgem novos nomes: Hospício passa a ser chamado de Hospital. Alienado agora é doente mental, depois será psicopata. O asilado passa a ser interno. Nos ambulatórios ele é egresso, quando oriundo da hospitalização. Torna- se paciente do ambulatório. No consultório ele é paciente, cliente, analisando ou está em terapia. Na perícia é o caso ou o periciando. No serviço público ele é usuário. O mesmo vale para os planos de saúde. Para alguns, ele passa a ser visto como consumidor. Assim, a loucura recebe os nomes de alienação mental, insanidade, depois doença mental, transtorno mental e ultimamente, sofrimento psíquico.
  • 25. A Psiquiatria no Brasil • ERA DO TEMOR 1950-1970: - Falta de leitos nos hospícios - Expansão de leitos privados - Estado patrocinando a loucura
  • 26. A Psiquiatria no Brasil • - Os hospitais de luxo “cinco estrelas”, são em sua essência iguais aos hospitais para pobres, porque têm a função de excluir ou invalidar os doentes, afastando-os da sociedade. • - Infra-estrutura – péssimas • - Higiene – banhos coletivos • - Medicação – distribuída sem critério • - ECT - castigo
  • 27. A Psiquiatria no Brasil • Tudo é organizado pensando não no doente, mas na manutenção da ordem interna e na obtenção de lucro (hospitais privados). • Internações – superior ao número de leitos. • Ociosidade dos internos.
  • 28. A Psiquiatria no Brasil • À partir de 1964, o governo começou a contratar incisivamente os hospitais psiquiátricos particulares para atender aos hospitais públicos. • Como o governo pagava pouco pelas diárias, os hospitais reduziram seus custos e pioraram definitivamente as condições de hospedagem e cuidados.
  • 29. A História da Psiquiatria 1960: Franco Basaglia (Itália) questiona a existência dos hospitais psiquiátricos. 1978: Aprovado lei proibindo a criação de novos hospícios e sua substituição por pensões protegidas, lares abrigados, hospital-dia, leitos psiquiátricos em hospital geral. 1987: Primeiro CAPS no Brasil em SP e NAPS em Santos (24 hs).
  • 30. A Psiquiatria no Brasil 1990: Reforma Psiquiátrica Brasileira - Movimentos dos profissionais e famílias - Impasses, tensões, conflitos e desafios - Lei proibindo a criação de novos hospitais psiquiátricos e enfatizando o tratamento ambulatorial e a reinserção social do doente junto da família e comunidade e sua reabilitação social, profissional e cívica. DESINTITUCIONALIZAÇÃO
  • 31. A Psiquiatria no Brasil 1992: Movimentos sociais aprovam em vários estados brasileiros as primeiras leis que determinam a substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. 2001: Lei 10.216 que redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária. - Proteção e direitos dos doentes mentais - Rede de atenção diária (CAPS) - Financiamento do MS para serviços abertos e substitutivos dos hospícios.
  • 32. DESINSTITUCIONALIZAÇÃO Deslocar o centro da atenção da instituição para a comunidade, distrito e território. Desinstitucionalização = Desosopitalização Oferecer espaço para que os doente sejam atendidos fora do hospital Incentivo à desinstitucionalização Ampliação de serviços ambulatoriais Incorporação da saúde mental na ESF Redução de leitos psiquiátricos CAPS Residências Terapêuticas
  • 33. DOENÇA MENTAL • É o estado que surge quando as pessoas não conseguem desenvolver ou manter-se em funcionamento harmônico para viver com seu grupo cultural ou em sociedade, não conseguindo transformar suas possibilidades em realidade.
  • 34. SAÚDE MENTAL • É o estado de funcionamento harmônico que as pessoas desenvolvem e mantêm, para viver em sociedade, em constante interação com seus semelhantes e meio ambiente.
  • 35. Critérios definidores de saúde mental • Atitudes positivas em relação a si próprio • Crescimento, desenvolvimento e auto- realização • Integração e resposta emocional • Autonomia e autodeterminação • Percepção da realidade • Domínio ambiental e competência social
  • 36. COMO ANDA A SUA SAÚDE MENTAL???
  • 37. Porta do Hospício “Nem todos que estão são e nem todos que são estão”.
  • 38. Balada do Louco Dizem que sou louco por pensar assim Se eu sou muito louco por eu ser feliz Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz Se eles são bonitos, sou Alain Delon Se eles são famosos, sou Napoleão Se eles têm três carros, eu posso voar Se eles rezam muito, eu já estou no céu Mas louco é quem me diz Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz E não é feliz, não é feliz Eu juro que é melhor Eu juro que é melhor Não ser o normal Não ser o normal Se eu posso pensar que Deus sou eu Se eu posso pensar que Deus sou eu Sim sou muito louco, não vou me curar Já não sou o único que encontrou a paz Mas louco é quem me diz E não é feliz, eu sou feliz
  • 39. "De perto ninguém é normal“. Caetano Veloso
  • 40. Referência Bibliográfica • FOUCAULT, M. História da Loucura. São Paulo: Perspectiva, 1978. • FUREGATO, A.R.F. Relações interpessoais terapêuticas na enfermagem. Ribeirão Preto, Scala, 1999. • KUPSTAS, M. (org.) Saúde em Debate. (Coleção Debate na Escola) 1ª ed. São Paulo: Moderno, 1997. • http://www.polbr.med.br/ano06/wal0306.php