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Livro 2 - Didática do Ensino Superior
Site: UTFPR - Servidor de Cursos UAB
Curso: Especialização em Informática Instrumental Aplicada a Educação - 2014
Livro: Livro 2 - Didática do Ensino Superior
Impresso por: Jair De Oliveira Junior
Data: sexta, 10 abril 2015, 16:04
Sumário
1. Elementos para a compreensão do cotidiano e o processo didático
1.1. O conceito de educaçãocomo fundamento da ação educativa
1.2. Objetivos da educação brasileira
1.3. Funções sociais da educação
1.4. Perspectivas atuais
1.5. Crises e alternativas
1.6. Texto Complementar
2. Prática educativa, pedagogia e didática
2.1. Prática educativa na sociedade
2.2. O papel da pedagogia na sociedade
2.3. O que é pedagogia?
2.4. E, o que é didática?
2.5. Didática e metodologia
2.6. Tendências pedagógicas da prática escolar
2.7. Concluindo
2.8. Texto Complementar
1. Elementos para a compreensão do cotidiano
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e o processo didático
Neste milênio, o debate sobre as questões educacionais, em que a escola é chamada a ser mais do
que um locus de apropriação do conhecimento socialmente relevante, o científico, um espaço de
diálogo entre diferentes saberes científico, social... e linguagens, muitas são as formas de acesso ao
conhecimento, não se podendo atribuir à escola a quase exclusividade desta função.
A instituição social educativa assim concebida “é um espaço de busca, construção, diálogo e
confronto, prazer, desafio, conquista de espaço, descoberta de diferentes possibilidades de
expressão e linguagens, aventura, organização cidadã, afirmação da dimensão ética e política de
todo o processo de educativo”. (CANDAU, 2002, p. 18).
O impacto dos meios de comunicação de massa e, principalmente, da informática, está
revolucionando as formas de construir conhecimentos. Estas formas estão sendo chamadas a se
multiplicar nos próximos anos. Por outro lado, a cultura escolar se relaciona com a articulação
entre igualdade e diferença, do aqui “são todos iguais”. Assim, as instituições educativas estão
cada vez mais desafiadas a enfrentar os problemas decorrentes das diferenças e da pluralidade
cultural, étnica, social... dos seus sujeitos e atores.
Hoje, os movimentos sociais são situados cada vez mais na perspectiva da promoção de uma
educação verdadeira intercultural e da construção de uma nova cidadania, como princípio
configurador de um sistema educacional como um todo e não somente orientada a determinadas
situações e grupos sociais.
Nessa nova escola para novos tempos e espaços, a questão da cidadania é fundamental; a partir de
uma abordagem que conceba a cidadania como prática social cotidiana, que perpassa os diferentes
âmbitos da vida, articula o cotidiano, o conjuntural e estrutural, assim como o local e regional,
numa progressiva ampliação do horizonte, sempre na perspectiva de um projeto diferente de
sociedade e humanidade.
Assim, a educação é um típico “que fazer” humano, ou seja, um tipo de atividade que se
caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade a ser atingida. A educação
dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em si mesma, mas como um instrumento
de manutenção ou transformação social. Assim, ela necessita de pressupostos, de conceitos que
fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade, dentro da qual a educação está, deve
possuir alguns valores norteadores de sua prática educativa.
A profissão docente é uma prática educativa, ou seja, como tantas outras, é uma forma de intervir
na realidade social, no caso, mediante a educação.
1.1. O conceito de educaçãocomo fundamento
da ação educativa
O problema fundamental com que se depara o professor ao planejar e implementar a ação
educativa consiste na necessidade que tem de conceituar educação, visto que a ação educativa é
função direta do conceito de educação. Antes de analisar os aspectos didáticos, é muito importante
refletir um pouco sobre o sentido da atividade docente. Para ter consciência do sentido de sua
atividade profissional, o professor precisa se perguntar:
– Para que ensino?
– Para que serve o que estou fazendo?
Isso não quer dizer que os aspectos didáticos não sejam importantes. Isto significa dizer que eles
devem estar subordinados à definição de propósitos educativos válidos para orientar o trabalho
docente.
E como, num sentido amplo, a educação considera a interação de todos os aspectos da pessoa
humana com a sociedade na qual está inserida, são múltiplos os posicionamentos tomados pelos
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professores e, em decorrência, muitos são os conceitos estabelecidos sobre a educação.
Necessariamente, um conceito de educação considera o homem e a sociedade. Daí, decorrem os
questionamentos:
– Que tipo de homem desejamos obter com o produto do nosso trabalho?
– Que tipo de sociedade interage com esse homem que pretendemos formar?
Quanto ao tipo de homem que pretendemos formar, a educação é um processo que se desenvolve
no tempo, considerando:
o homem desenvolvido em todos os aspectos, que tem consciência de suas possibilidades e
limitações, munido de uma cultura que lhe permita conhecer, compreender e refletir sobre o
mundo;
o homem independente, mas não isolado, que, conhecendo suas capacidades físicas,
intelectuais e emocionais e dotado de uma visão crítica da realidade, seja capaz de atuar de
forma eficaz e eficiente nessa realidade.
Em relação à sociedade, a educação deve considerar o seu importante papel de transformação
social, tomando como pontos referenciais:
uma sociedade que supere os modelos econômicos e políticos de hoje, em busca de uma
solidariedade entre as pessoas e os povos;
uma sociedade que, apesar de integrar os indivíduos e os povos, respeite profundamente as
características individuais, favorecendo o desenvolvimento das sociedades.
O professor necessita ter em mente a educação como um processo que se desenvolve num tempo
dinâmico e num espaço que sofre transformações constantes. Essas transformações por que passam
o mundo ocorrem em decorrência, sobretudo, dos avanços tecnológicos, da reestruturação do
sistema de produção e desenvolvimento, da compreensão do papel do Estado e das mudanças no
sistema educacional, na organização do trabalho e nos hábitos de consumo. Paralelamente, a
instituição social educativa é questionada acerca do seu papel ante as transformações econômicas,
sociais, políticas e culturais do mundo contemporâneo.
Embora a didática se preocupe primordialmente com o “como ensinar”, ou seja, com os métodos e
técnicas de ensino, julgamos importante, antes de estudá-los, refletir sobre o seu fundamento, sobre
as raízes do seu emprego e sobre os fatores que intervêm em sua aplicação. Caso contrário,
corremos o risco de nos converter em escravos dos instrumentos (métodos e técnicas). Para evitar
isso, é de fundamental importância refletirmos sobre a educação.
O que é educação?
Num mundo globalizado como o de hoje, faz-se necessário rever com urgência os conceitos sobre
a educação. Não se trata simplesmente de inventar novas metodologias para melhorar o que existe.
Faz-se necessário repensar, desde as raízes, todo o sistema de educação. De nada adianta a
reformulação dos métodos e dos meios, se a educação oferecida não corresponde ao homem
moderno.
O professor deve estar atento a este aspecto, a fim de planejar uma ação educativa capaz de
conduzir o aluno a um discernimento quanto aos valores e concepções de vida, de homem e de
sociedade.
Sintetizando, é necessário que o professor considere fundamentalmente a educação um processo de
ação da sociedade sobre o aluno, visando integrá-lo, seguindo seus padrões sociais, econômicos,
políticos e seus interesses. Portanto, a educação tem como características:
um fato histórico, pois se realiza no tempo;
ser um processo que se preocupa com a formação do homem em sua plenitude;
buscar a integração dos membros de uma sociedade ao modelo social vigente;
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simultaneamente, buscar a transformação da sociedade em benefício de seus membros;
ser um fenômeno cultural, pois permite a cultura de um contexto de forma global;
direcionar o aluno para a autoconsciência;
ser ao mesmo tempo, conservadora e inovadora.
Dessa forma, a educação é fundamental na manutenção da vida de um grupo ou mesmo da
sociedade. À medida que vai aumentando a complexidade da vida de um grupo, a educação vai se
tornando cada vez mais relevante, a tal ponto que, na sociedade contemporânea, a educação está
sempre presente em lugar de destaque.
O objetivo da educação é a socialização do indivíduo, ou seja, por meio da educação, o indivíduo
adquire as condições pessoais necessárias para engajar-se adequadamente ao grupo a que pertence
e no qual desempenhará suas funções.
Logo, não há uma forma única de educação nem um modelo de educação. Em cada sociedade ou
país, existe uma maneira diferente de educar. A educação é inerente à sociedade humana.
Conclui-se que a educação é um processo que se baseia na reflexão sobre a realidade e, ao mesmo
tempo, assimila suas necessidades e a crítica em suas inconsistências, agindo no sentido de
atendê-la em muitos aspectos. Portanto, está embasada na Filosofia, na Sociologia, na Psicologia,
na Antropologia e no contexto histórico.
1.2. Objetivos da educação brasileira
Segundo Dermeval Saviani, em face da realidade concreta do homem brasileiro, temos os objetivos
gerais da educação brasileira, conforme abaixo.
Educação para a subsistência
O homem brasileiro não sabe tirar proveito das possibilidades da situação e, por não sabê-lo,
freqüentemente, acaba por destruí-la. Isto nos revela a necessidade de uma educação para a
subsistência. É preciso que o homem aprenda a tirar da situação adversa os meios para sobreviver.
Educação para a libertação
Como pode o homem utilizar os elementos da situação se ele não é capaz de intervir nela, decidir,
engajar-se e assumir pessoalmente a responsabilidade de suas escolhas? As condições de liberdade
do homem brasileiro são tão precárias, marcadas por uma tradição de inexperiência democrática,
marginalização econômica, política e cultural. Daí, decorre a necessidade de uma educação para a
libertação: é preciso saber escolher e ampliar as possibilidades de ação.
Educação para a comunicação
Como intervir na situação sem uma consciência das suas possibilidades e dos seus limites? Esta
consciência só se adquire por meio da comunicação. Daí, o terceiro objetivo – educação para a
comunicação. É preciso que se adquiram os instrumentos aptos para a comunicação intersubjetiva.
Educação para a transformação
Tais objetivos só serão atingidos com uma mudança sensível do panorama nacional atual, quer
geral, quer educacional. Daí, o quarto objetivo – a educação para a transformação.
1.3. Funções sociais da educação
As ações humanas estão sempre impregnadas de crenças e valores que as orientam para
determinadas finalidades. Consciente ou inconscientemente, explícita ou implicitamente, quem
vive possui uma filosofia de vida, uma concepção de homem, de sociedade e de mundo.
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Pela busca do senso crítico da educação, os professores podem entendê-la, segundo Luckesi (1994,
p. 39-51), de três maneiras diferentes, ou seja, cumprindo as funções sociais de redentora da
sociedade, reprodutora da sociedade e transformadora da sociedade.
Redentora da sociedade
A função redentora concebe a sociedade como um conjunto de seres humanos que vivem e
sobrevivem num todo orgânico e harmonioso, com desvios de grupos e indivíduos que ficam à
margem desse todo. Ou seja, a sociedade está naturalmente composta com todos os seus elementos,
o que importa é integrar em sua estrutura tanto os novos elementos (novas gerações), quanto os
que, por qualquer motivo, encontram-se à sua margem. A educação como instância social que está
voltada à formação da personalidade dos indivíduos para o desenvolvimento de suas habilidades e
para a veiculação dos valores éticos necessários à convivência social, que nada mais tem que fazer
do que se estabelecer como redentora da sociedade, integrando harmonicamente os indivíduos no
todo social já existente.
Reprodutora da sociedade
A função reprodutora afirma que a educação faz, integralmente, parte da sociedade e a reproduz.
Aborda a educação como uma instância dentro da sociedade e exclusivamente ao seu serviço. A
educação atua sobre a sociedade como uma instância corretora dos seus desvios, tornando-a melhor
e mais próxima do modelo de perfeição social harmônico idealizado.
Transformadora da sociedade
A função transformadora compreende a educação como mediação de um projeto social. Ou seja,
ela nem redime nem reproduz a sociedade, mas serve de meio, ao lado de outros meios, para
realizar um projeto de sociedade, que pode ser conservador ou transformador. Não coloca a
educação a serviço da conservação. Pretende demonstrar que é possível compreender a educação
dentro da sociedade, com seus determinantes e condicionantes, mas com a possibilidade de
trabalhar pela sua democratização.
Além disso, Dermeval Saviani (1983, p. 36) nos alerta para a dificuldade, dizendo-nos o seguinte:
O caminho é repleto de armadilhas, já que os mecanismos de adaptação acionados periodicamente a partir
dos interesses dominantes podem ser confundidos com anseios da classe dominada. Para evitar esse risco, é
necessário avançar no sentido de captar a natureza específica da educação, o que nos levará à compreensão
das complexas mediações pelas quais se dá sua inserção contraditória na sociedade capitalista.
Concluindo, o autor indica a necessidade de cuidar daquilo que é específico da escola, para que
esta venha a cumprir um papel de mediação, num projeto democrático de sociedade.
1.4. Perspectivas atuais
Estamos no Terceiro Milênio sob o signo da perplexidade, da crise de concepções e paradigmas em
todos os campos das ciências, da cultura e da sociedade. É um momento novo e rico de
possibilidades.
Entretanto, para não sermos omissos, vamos apresentar algumas tendências atuais, apoiados
naqueles educadores e filósofos que tentaram apontar caminhos em meio a essa perplexidade.
1.5. Crises e alternativas
A educação tradicional e a educação nova têm um traço comum que é o de conceber a educação
como um processo de desenvolvimento pessoal e individual.
O traço mais original deste século, na educação, é o deslocamento da formação puramente
individual do homem para o social, o político, o ideológico. A educação deste fim de século
tornou-se permanente e social.
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Há tendências universais, entre elas, a de considerar como conquista deste século a idéia de que
não existe idade para a educação, de que ela se estende pela vida e que não é neutra.
Caminhamos para uma mudança da própria função social da escola. Entre nós, chamamos essa
nova educação de educação popular, não porque ela seja destinada apenas às camadas populares,
mas pelo caráter popular, socialista e democrático que essa concepção traz.
Parece-nos que o melhor caminho de superação da crise educacional é vivê-la intensamente,
evidenciando suas contradições e disfunções. Contudo, como a crise da educação e da sociedade
são inseparáveis, o desenvolvimento das contradições escolares e a sua transformação também são
inseparáveis do desenvolvimento e da superação das contradições sociais.
Falar em futuro da educação é, à luz da história da educação, antever os próximos passos
associando teoria pedagógica e prática educacional a uma análise sócio-histórica.
Observando o desenvolvimento educacional do século XX, podemos afirmar que a educação
tornou-se instrumento de luta e de emancipação, associando a luta social à luta pedagógica.
Não se trata mais de reforçar apenas a “escola para todos”, burocrática, uniformizadora, que é a
essência da teoria educacional burguesa. Uma educação para todos não pode ser conseqüência de
uma concepção elitista: os privilégios não são estendidos, mas eliminados, se se quer atingir a
democracia.
A democracia na educação, quantitativa e qualitativamente, não pode ser um ato de pura
“recomendação”, como pretendem os teóricos da educação da década de 70. A educação,
instrumento da paz, é o resultado da luta, do movimento popular.
1.6. Texto Complementar
O compromisso social e ético dos professores
(LIBÂNEO, 1998, p. 47-48) O trabalho docente constitui o exercício profissional do professor e este é o
seu primeiro compromisso com a sociedade. Sua responsabilidade é preparar os alunos para se
tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho, nas associações de classe, na vida
cultural e política. É uma atividade fundamentalmente social, porque contribui para a formação
cultural e científica do povo, tarefa indispensável para outras conquistas democráticas.A
característica mais importante de atividade profissional do professor é a mediação entre o aluno e a
sociedade, entre as condições de origem do aluno e sua destinação social na sociedade, papel que
cumpre provendo as condições e os meios (conhecimentos, métodos, organização do ensino) que
assegurem o encontro do aluno com as matérias de estudo. Para isso, planeja, desenvolve suas
aulas e avalia o processo de ensino.
O sinal mais indicativo da responsabilidade profissional do professor é seu permanente empenho
na instrução e educação dos seus alunos, dirigindo o ensino e as atividades de estudo de modo que
estes dominem os conhecimentos básicos e as habilidades, e desenvolvam suas forças, capacidades
físicas e intelectuais, tendo em vista equipá-los para enfrentar os desafios da vida prática no
trabalho e nas lutas sociais pela democratização da sociedade.
O compromisso social, expresso primordialmente na competência profissional, é exercido no
âmbito da vida social e política. Como toda profissão, o magistério é um ato político porque se
realiza no contexto das relações sociais onde se manifestam os interesses das classes sociais. O
compromisso ético-político é uma tomada de posição frente aos interesses sociais em jogo na
sociedade. Quando o professor se posiciona, consciente e explicitamente, do lado dos interesses da
população majoritária da sociedade, ele insere sua atividade profissional – ou seja, sua
competência técnica – na luta ativa por esses interesses: a luta por melhores condições de vida e de
trabalho e ação conjunta pela transformação das condições gerais (econômicas, políticas, culturais)
da sociedade.
Estas considerações justificam a necessidade de uma sólida preparação profissional face às
exigências colocadas pelo trabalho docente. Esta é a tarefa básica do curso de habilitação ao
magistério e, particularmente, da didática.
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2. Prática educativa, pedagogia e didática
2.1. Prática educativa na sociedade
O trabalho docente é parte integrante do processo educativo mais global pelo qual os membros da
sociedade são preparados para a participação na vida social. A educação, ou seja, a prática
educativa, é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana neces
sária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades.
Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no desenvolvimento de suas
capacidades, prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida
social.
Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem
sociedade
A prática educativa não é apenas exigência da vida em sociedade, mas também o processo de
prover os indivíduos de conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar no
meio social e transformá-lo em função de suas necessidades econômicas, sociais e políticas.
Pela ação educativa, o meio exerce influências sobre os indivíduos e estes, ao assimilarem e
recriarem essas influências, tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora
em relação ao meio social.
Tais influências se manifestam por meio de conhecimentos, experiências, valores, crenças, modos
de agir, técnicas e costumes acumulados por muitas gerações de indivíduos e grupos, transmitidos,
assimilados e recriados pelas novas gerações. Assim, educação é um fenômeno social complexo.
Significa que a prática educativa – especialmente os objetivos, os conteúdos de ensino e o trabalho
docente – está determinada por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. Ela é determinada
por valores, pelas normas e pela estrutura social.
A prática educativa é parte integrante da dinâmica das relações sociais e das formas da organização
social. Então, a prática educativa, a vida cotidiana, as relações professor-aluno, os objetivos da
educação e o trabalho docente, estão carregados de significados sociais que se constituem na
dinâmica das relações sociais.
Nesse sentido, a educação é inerente à sociedade humana, conforme Brandão (1981) afirma:
A educação está presente em casa, na rua, na igreja, na mídia em geral e todos nos envolvemos com ela, seja
para aprender, para ensinar e para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos
os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias [...] Não há uma forma única nem um
único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece; o ensino escolar não é a única
prática, e o professor o profissional não é seu único praticante.
Assim, a educação é um processo natural que ocorre na sociedade humana pela ação de seus
agentes sociais como um todo, configurando uma sociedade pedagógica (BEILLEROT, 1985).
Desenvolvendo essa idéia, podemos citar vários exemplos com inúmeras situações da presença do
pedagógico na sociedade. Nas mídias, dentre outros exemplos, há intervenção pedagógica na
televisão, no rádio, nas revistas, nos jornais e em todo material informativo, pois a mídia atua na
modificação dos estados mental e afetivo das pessoas e nos modos de pensar, disseminando saberes
e modos de agir e de sentir. No entanto, segundo Libâneo (1998, p. 21), é “surpreendente que
instituições e profissionais cuja atividade está permeada de ações pedagógicas desconheçam a
teoria pedagógica”.
2.2. O papel da pedagogia na sociedade
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Para tornar efetivo o processo educativo, é preciso dar-lhe uma orientação sobre as finalidades e os
meios da sua realização, conforme as opções que se façam quanto ao tipo de indivíduo que se
deseja formar e ao tipo de sociedade a que se aspira.
Esta tarefa pertence à pedagogia como teoria e prática do processo educativo.
2.3. O que é pedagogia?
A palavra pedagogia vem do grego pais, paidós que significa criança; agein que é conduzir e logos
que quer dizer trabalho, ciência.
Na Grécia antiga, eram chamados de pedagogos os escravos que acompanhavam crianças que iam
para a escola. Como escravo, ele era submisso à criança, mas tinha que fazer valer sua autoridade
quando necessária. Por esse motivo, estes escravos desenvolveram grande habilidade no trato com
as crianças.
Hoje, pedagogo é o especialista em assuntos educacionais, e pedagogia é o conjunto de
conhecimentos sistemáticos relativos ao fenômeno educativo. Então, pedagogia é o campo de
conhecimento que investiga a natureza das finalidades da educação numa determinada sociedade,
bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para
as tarefas da vida social.
Uma vez que a prática educativa é o processo pelo qual são assimilados conhecimentos e
experiências pela prática social da humanidade, cabe à pedagogia assegurá-lo, orientando-o para
finalidades sociais e políticas, e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas
para viabilizá-lo. Então, a pedagogia, sendo a ciência da e para a educação, estuda a educação, a
instrução e o ensino.
Conforme Libâneo (1998, p. 24), “a pedagogia é um campo de conhecimentos sobre a
problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz
orientadora da ação educativa”.
A pedagogia, enquanto campo teórico da prática educacional, não se restringe à didática da sala de
aula nos espaços escolares, mas está presente nas ações educativas da sociedade em geral.
Para tanto, a pedagogia compõe-se de ramos próprios como a Teoria da Educação, a didática, a
Organização Escolar e a História da Educação e da pedagogia. Ao mesmo tempo, busca, em outras
ciências, os conhecimentos teóricos e práticos que concorrem para o esclarecimento do seu objeto,
o fenômeno educativo. São elas: a Filosofia da Educação, a Sociologia da Educação, a Psicologia
da Educação, a Política Educacional, a Biologia da Educação, a Economia da Educação, a
Antropologia e outras.
Assim compreendida,
A pedagogia [...] possibilita que as instituições e os profissionais cuja atividade está permeada de ações
pedagógicas se apropriem criticamente da cultura pedagógica para compreender e alargar a sua visão das
situações concretas nas quais realizam seu trabalho, para nelas imprimir a direção de sentido, a orientação
sociopolítica que valorizam, a fim de transformar a realidade. Incluindo também a atividade de ensinar, que
tem na didática sua sistematização teórica. (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 66).
Concluindo, a pedagogia é a reflexão sistemática sobre o ideal de educação e da formação humana,
podendo se ressignificar à medida que tomar a ação como a referência da qual parte e para a qual
se volta.
Entretanto, enquanto as Ciências da Educação abordam o fenômeno educativo na perspectiva dos
conceitos e métodos que lhes são próprios, a pedagogia postula o educativo propriamente dito. Seu
campo compreende as ações educativas e seus agentes contextualizados, tais como:
o aluno como sujeito do processo de socialização e de aprendizagem;
os agentes de formação (entre eles as mídias, a família, os agentes de saúde, as escolas e os
professores);
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as situações concretas em que se dão os processos formativos (entre eles o ensino);
o saber (como objeto de produção e constituição do humano);
o contexto socioinstitucional das instituições (entre elas os sistemas de ensino, as políticas
governamentais, inclusive as escolas e as salas de aula).
Em síntese, conforme Libâneo (1988, p. 30), o objetivo pedagógico se configura na relação entre
os elementos da prática educativa e:
o sujeito que se educa;
o educador;
o saber;
os contextos em que ocorrem.
2.4. E, o que é didática?
Agora que já vimos o que estuda a pedagogia e que situamos a didática dentro da pedagogia,
vejamos o que é didática.
A didática é o principal ramo de estudo da pedagogia que investiga os fundamentos, as condições e
os modos de realizar a educação mediante o ensino. Sendo o ensino uma ação historicamente
situada, a didática vai constituir-se como teoria do ensino.
À didática cabe:
converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino;
selecionar conteúdos e métodos em função dos objetivos de ensino;
estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das
capacidades dos alunos.
A didática se divide em:
didática geral – estuda os princípios, as normas e as técnicas que devem regular qualquer
tipo de ensino, para qualquer tipo de aluno. Ela nos dá uma visão geral da atividade docente.
didática especial – estuda os aspectos científicos de uma determinada disciplina ou faixa de
escolaridade. Analisa os problemas e as dificuldades que o ensino de cada disciplina
apresenta e organiza os meios e as sugestões para resolvê-los. Assim, temos as didáticas
especiais das línguas (inglês, espanhol etc.), as didáticas especiais das ciências (física,
química etc).
2.5. Didática e metodologia
A didática e a Metodologia estudam os métodos de ensino. No entanto, há diferença quanto ao
ponto de vista de cada uma. A metodologia estuda os métodos de ensino, classificando-os e
descrevendo-os sem fazer juízo de valor.
A didática, por sua vez, faz um julgamento ou uma crítica do valor dos métodos de ensino.
Podemos dizer que a Metodologia nos dá juízos de realidade e a didática, juízos de valor.
Juízos de realidade são juízos descritivos e constativos, como por exemplo: três mais três são
seis;acham-se presentes na sala 45 alunos.
Juízos de valor são juízos que estabelecem valores ou normas, como por exemplo: os idosos
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merecem nosso respeito;a democracia é a melhor forma de governo.
Assim, é possível concluir que podemos ser metodológicos sem ser didáticos, mas não podemos
ser didáticos sem ser metodológicos, pois não podemos julgar sem conhecer. Por isso, o estudo da
Metodologia é importante, porque, para escolher o método mais adequado de ensino, precisamos
conhecer os métodos que existem.
Os princípios, as normas e as técnicas de ensino são postos em prática por meio das atividades de
planejamento, orientação e controle do processo ensino-aprendizagem.
Planejamento – previsão e programação dos trabalhos escolares para todo o ano letivo e/ou
semestre letivo.
Orientação – o professor executa o que planejou.Controle – supervisão constante do processo de
aprendizagem.
2.6. Tendências pedagógicas da prática
escolar
Agora que compreendemos as diferentes tendências da educação, cabe ao professor, criticamente,
descobrir qual a tendência que orientará o seu trabalho docente.
O que não podemos é ficar sem nenhuma delas, pois, como dissemos, quando não pensamos,
somos dirigidos por outros.
Vamos abordar as diferentes tendências teóricas que pretenderam dar conta da compreensão e da
orientação da prática educacional em diferentes momentos e circunstâncias da história humana.
Pedagogia liberal
O termo liberal não tem o sentido de avançado, democrático, como costuma ser usado.
A doutrina liberal defende a predominância da liberdade e dos interesses individuais da sociedade e
estabelece uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de
produção, também denominada sociedade de classes.
A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o
desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais, por isso os indivíduos
precisam aprender a se adaptar aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes por meio
do desenvolvimento cultura individual.
Pedagogia liberal tradicional
Na tendência tradicional, a pedagogia liberal se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de
cultura geral, no qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio esforço, sua plena realização
como pessoa.
Em suas várias correntes, caracteriza as concepções de educação em que predomina a ação de
agentes externos na formação do aluno, a prioridade do objeto de conhecimento, a transmissão do
saber constituído na tradição e nas grandes verdades acumuladas pela humanidade e uma
concepção de ensino como impressão de imagens propiciadas ora pela palavra do professor ora
pela observação sensorial.
Pedagogia liberal renovada progressista
Acentua, igualmente, o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. Mas a
educação é um processo interno, ela parte das necessidades e interesses individuais necessários
para a adaptação ao meio. A escola renovada propõe um ensino que valorize a auto-educação (o
aluno como sujeito do conhecimento), a experiência direta sobre o meio pela atividade, um ensino
centrado no aluno e no grupo. Esta tendência apresenta-se, também, como renovada progressista ou
pragmatismo, principalmente na forma difundida pelos pioneiros da educação nova, entre eles se
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destaca Anísio Teixeira, Montessori, Decroly e Piaget.
Pedagogia liberal renovada não diretiva
Orientada por objetivos de auto-realização (desenvolvimento pessoal) e para as relações
interpessoais, na formulação de Carl Rogers.
A pedagogia liberal renovada não diretiva propõe uma educação centrada no aluno, visando formar
sua personalidade por meio da vivência de experiências significativas que lhe permitam
desenvolver características inerentes à sua natureza. O professor é um especialista em
relacionamento pessoal e autêntico.
Pedagogia liberal tecnicista
A pedagogia liberal tecnicista subordina a educação à sociedade, tendo como função a preparação
de recursos humanos. À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de
habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que os indivíduos se
integrem na máquina do sistema social global. Seu interesse imediato é o de produzir indivíduos
competentes para o mercado de trabalho, transmitindo, eficientemente, informações precisas,
objetivas e rápidas.
Pedagogia progressista
O termo progressista, emprestado por Snyders, é usado para designar as tendências que, partindo
de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam as finalidades sociopolíticas da educação,
implicitamente. Há de ser um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas
sociais.
As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os
interesses da maioria da população foram adquirindo a importância a partir dos anos 80. São
também denominadas teorias críticas da educação.
Tendência progressista libertadora
Conhecida como pedagogia de Paulo Freire, não tem uma proposta explícita de didática. A
atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos, poderia-se falar de ensino
centrado na realidade social. O trabalho escolar não se assenta nos conteúdos de ensino, mas no
processo de participação ativa nas discussões e nas ações políticas sobre questões da realidade
social imediata.
Pedagogia progressista libertária
A pedagogia progressista libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade
dos alunos no sentido libertário e de autogestão. A ideia básica é introduzir modificações
institucionais, com base na participação grupal, mecanismos de mudança (assembleias, conselhos,
eleições, reuniões, associações etc.). Outra forma é criar grupos de pessoas com princípios
educativos auto-gestionários (grupos informais, associações etc.).
Há, portanto, um sentido político, à medida que se afirma o indivíduo como produto do social e
que o desenvolvimento individual somente se realiza no coletivo.
Pedagogia progressista crítico-social dos conteúdos
A pedagogia progressista crítico-social dos conteúdos propõe uma síntese superadora das
pedagogias tradicional e renovada, valorizando a ação pedagógica enquanto inserida na prática
social concreta. Entende a escola como mediação entre o individual e o social, exercendo aí a
articulação entre a transmissão dos conteúdos e a assimilação ativa por parte do aluno concreto, ou
seja, inserido num contexto de relações sociais, resultando dessa articulação o saber crítico. Assim,
a difusão dos conteúdos é a tarefa primordial, mas conteúdos vivos, concretos e indissociáveis das
realidades sociais. A valorização da escola como instrumento de apropriação do saber, já que a
escola pode contribuir para eliminar a seletividade social e torná-la democrática.
Nesse sentido, a educação é entendida como uma atividade meiadora no seio da prática social
global. Dentro dessas linhas, podemos citar: Makarenko, B. Charlot, Manacorda, G. Snyders,
name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761
11 de 13 10/04/2015 16:04
Dermeval Saviani. Atribuem grande importância à didática, cujo objeto de estudo é o processo de
ensino nas suas relações e ligações com a aprendizagem. Toma o partido dos interesses
majoritários da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar aos alunos o
domínio dos conteúdos científicos, os métodos de estudo e habilidades, e hábitos de raciocínio
científico, de modo a formarem a consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a
assumir no conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transformação da
sociedade e de si próprios.
2.7. Concluindo
Para melhor compreender o significado da prática docente como prática educativa, Sacristán
(1999) estabelece diferença entre prática e ação. A prática é institucionalizada, são as formas de
educar que ocorrem em diferentes contextos institucionalizados, configurando a cultura e a
tradição das instituições. Essa tradição seria o conteúdo e o método da educação. A ação refere-se
aos sujeitos, seus modos de agir e pensar, seus valores, seus compromissos, suas opções, seus
desejos, seu conhecimento, seus esquemas teóricos de leitura do mundo.
Essa imbricação de sujeitos com instituições, de ação com prática, que é preciso compreender, se
se pretende alterar as instituições de Ensino Superior com a contribuição das teorias.
A didática ocupa-se da busca do conhecimento necessário para a compreensão da prática
pedagógica e da elaboração de formas adequadas de intervenção, de modo que o processo ensino-
aprendizagem se realize de maneira que de fato viabilize a aprendizagem dos educandos. Não para
criar regras e métodos válidos para qualquer tempo e lugar, mas para ampliar nossa compreensão
das demandas que a atividade de ensinar produz com base nos saberes acumulados.
E quem sabe com eles aprender, encontrar respostas, criar novos caminhos de como proceder à
educação nos espaços escolares, campo mais freqüente do trabalho profissional dos professores.
Dessa forma, a didática oferece uma contribuição indispensável à formação de professores,
sintetizando, no seu conteúdo, a contribuição de conhecimentos de outras disciplinas que
convergem para o esclarecimento dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino,
intimamente vinculado com a educação e, ao mesmo tempo, provendo os conhecimentos
específicos necessários para o exercício das tarefas docentes.
2.8. Texto Complementar
Conceituação de didática
(LIMA, 1984) A princípio concebida como arte, foi pouco a pouco evoluindo e adquiriu matizes de
ciência, sobretudo quando se enriqueceu dos subsídios da Psicologia, da Sociologia e da Biologia,
sem jamais perder seu caráter técnico. Por outro lado, mesmo quando devidamente alicerçada em
princípios científicos, exige do professor a arte ou habilidade especial da aplicação ao ensino das
descobertas advindas das Ciências Humanas. Esse savoir-faire, a um tempo artístico e científico, é
muito raro e a sua ausência tem sido responsável por alguns piagetismos ou rogerianismos,
indevidamente maquiados.
O professor Luiz Alves de Mattos, pioneiro da didática na América do Sul, define-a como:
o conjunto sistemático de princípios, normas e procedimentos específicos que todo o professor deve
conhecer e saber aplicar para orientar com segurança seus alunos na aprendizagem das matérias
programadas, tendo em vista seus objetivos educativos.
Sua discípula, a Professora Irene Mello de Carvalho, prefere considerar a didática como “arte e
técnica de orientar a aprendizagem.”
De modo geral, os conceitos mais defendidos da didática Moderna apelam para uma espécie de arte
e ciência de ensinar a aprender e se referem a princípios, métodos, técnicas e recursos que visam a
facilitar o processo ensino-aprendizagem.
name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761
12 de 13 10/04/2015 16:04
Neste estudo, preferiu-se ampliar os conceitos vigentes de didática, anexando-lhes, como
decorrência da pretendida melhoria da aprendizagem, a própria visão do mundo e da vida. À
didática caberia, pois, a dinamização do processo ensino-aprendizagem, mobilizando-se
simultaneamente contribuições tecnológicas, científicas e, sobretudo, pessoais. Uma ampla
didática transcenderia de sua rotina diária de planejar, executar e avaliar, para abrir também
espaços de relacionamento, de bem-estar mútuos: o professor e os alunos despiriam as suas
funções habituais e estereotipadas para investir-se como pessoas que trocam entre si novas idéias, a
partir das velhas, que comungam principalmente o que são, pois se colocam sempre no que fazem.
A Ampla didática foge à pobreza do “pedagogez” e tenha que enriquecê-lo com outras linguagens,
que o redimensionam sem deturpá-lo.
Criatividade
O termo criatividade ainda não rendeu tudo quanto poderia e já está desgastado. A expressão como
que se esvaziou, utilizada aqui e ali, a propósito de tudo ou de nada. Em nome da criatividade se
fazem tolices e alguns atos criativos são tidos como perigosos e subversivos, pois “o criativo é
tomado como louco pelas pessoas padronizadas e acomodadas. Sua coragem de ser diferente
provoca a ira dos que não ousam Ser e Criar, conformando-se com o Ter e Imitar.”
A inserção da criatividade em seu contexto maior – o Imaginário – talvez pudesse restituir-lhe seu
sentido primeiro: a valorização do irreal, do que ainda não existe. Afinal, que seria da realidade se
não fosse o sonho?
Em geral, a Criatividade, retornando Guilford, aparece ligada ao novo, ao original, ao divergente,
ao flexível. Para Arthur W. Foshap, “ser criativo significa dar forma ao que é informe”. É
realmente um processo cujo produto pode ser a beleza ou um significado novo que venha integrar o
que se conhece dentro do que se acaba de descobrir. Processo e produto, o ciclo da Criatividade se
completa na produção de algo novo pelo menos para quem produz.
Criatividade exige investimento pessoal, envolvimento do eu, corte em amarras impeditivas de um
desabrochar, como os hábitos arraigados, os estereótipos, o vício de olhar o mundo sempre com o
mesmo olhar. A pessoa criativa é capaz de ver os fenômenos de sempre com os olhos de nunca, de
aventurar-se rumo ao desconhecido, com garra, porque, mesmo na incerteza, se sente segura. Não
se arrisca pelo simples arriscar-se, mas animada pelo algo mais que encontrará do outro lado e que
pode completá-la de suas imitações.
Como quem cria, não cria do nada (só Deus o teria feito), a Criatividade exige um lastro anterior,
pré-requisitos que justificam um insight, ou a coragem de romper com padrões conformistas;
exercida sobre estes a reflexão, verifica-se que muitos não têm razão de ser e merecem, pois, uma
ultrapassagem. A mera adesão ao status quo pode obstruir o futuro; além disso, “a ênfase na lei e
ordem pode, por si mesma, contribuir para a violência e se constituir num dos fatores que tornam
uma revolução mais sangrenta”.
O Criativo é aquele que critica o hoje e o ontem e equipado com o que sobrou da sua crítica,
vislumbra e enfrenta o amanhã.
Neste estudo, opta-se por considerar a Criatividade como a atitude ou capacidade de assumir com
ousada alegria até mesmo a possibilidade de errar...
Como a didática, a Criatividade é vista aqui como elemento mediador para atingir-se a fins
maiores. A Associação da didática à Criatividade seria o alicerce primeiro da construção de uma
Ampla didática, que se supõe possa [sic] aumentar também as suas possibilidades mediadoras. Ou
seja, a Ampla didática se faz criativa quando se coloca além do usual, quando admite riscos,
quando rompe o equilíbrio em busca de melhores resultados, porque também para ela “romper o
equilíbrio é um ato pedagógico: significa impulsionar os homens para a frente.”
name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761
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  • 1. Livro 2 - Didática do Ensino Superior Site: UTFPR - Servidor de Cursos UAB Curso: Especialização em Informática Instrumental Aplicada a Educação - 2014 Livro: Livro 2 - Didática do Ensino Superior Impresso por: Jair De Oliveira Junior Data: sexta, 10 abril 2015, 16:04 Sumário 1. Elementos para a compreensão do cotidiano e o processo didático 1.1. O conceito de educaçãocomo fundamento da ação educativa 1.2. Objetivos da educação brasileira 1.3. Funções sociais da educação 1.4. Perspectivas atuais 1.5. Crises e alternativas 1.6. Texto Complementar 2. Prática educativa, pedagogia e didática 2.1. Prática educativa na sociedade 2.2. O papel da pedagogia na sociedade 2.3. O que é pedagogia? 2.4. E, o que é didática? 2.5. Didática e metodologia 2.6. Tendências pedagógicas da prática escolar 2.7. Concluindo 2.8. Texto Complementar 1. Elementos para a compreensão do cotidiano name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 1 de 13 10/04/2015 16:04
  • 2. e o processo didático Neste milênio, o debate sobre as questões educacionais, em que a escola é chamada a ser mais do que um locus de apropriação do conhecimento socialmente relevante, o científico, um espaço de diálogo entre diferentes saberes científico, social... e linguagens, muitas são as formas de acesso ao conhecimento, não se podendo atribuir à escola a quase exclusividade desta função. A instituição social educativa assim concebida “é um espaço de busca, construção, diálogo e confronto, prazer, desafio, conquista de espaço, descoberta de diferentes possibilidades de expressão e linguagens, aventura, organização cidadã, afirmação da dimensão ética e política de todo o processo de educativo”. (CANDAU, 2002, p. 18). O impacto dos meios de comunicação de massa e, principalmente, da informática, está revolucionando as formas de construir conhecimentos. Estas formas estão sendo chamadas a se multiplicar nos próximos anos. Por outro lado, a cultura escolar se relaciona com a articulação entre igualdade e diferença, do aqui “são todos iguais”. Assim, as instituições educativas estão cada vez mais desafiadas a enfrentar os problemas decorrentes das diferenças e da pluralidade cultural, étnica, social... dos seus sujeitos e atores. Hoje, os movimentos sociais são situados cada vez mais na perspectiva da promoção de uma educação verdadeira intercultural e da construção de uma nova cidadania, como princípio configurador de um sistema educacional como um todo e não somente orientada a determinadas situações e grupos sociais. Nessa nova escola para novos tempos e espaços, a questão da cidadania é fundamental; a partir de uma abordagem que conceba a cidadania como prática social cotidiana, que perpassa os diferentes âmbitos da vida, articula o cotidiano, o conjuntural e estrutural, assim como o local e regional, numa progressiva ampliação do horizonte, sempre na perspectiva de um projeto diferente de sociedade e humanidade. Assim, a educação é um típico “que fazer” humano, ou seja, um tipo de atividade que se caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade a ser atingida. A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em si mesma, mas como um instrumento de manutenção ou transformação social. Assim, ela necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade, dentro da qual a educação está, deve possuir alguns valores norteadores de sua prática educativa. A profissão docente é uma prática educativa, ou seja, como tantas outras, é uma forma de intervir na realidade social, no caso, mediante a educação. 1.1. O conceito de educaçãocomo fundamento da ação educativa O problema fundamental com que se depara o professor ao planejar e implementar a ação educativa consiste na necessidade que tem de conceituar educação, visto que a ação educativa é função direta do conceito de educação. Antes de analisar os aspectos didáticos, é muito importante refletir um pouco sobre o sentido da atividade docente. Para ter consciência do sentido de sua atividade profissional, o professor precisa se perguntar: – Para que ensino? – Para que serve o que estou fazendo? Isso não quer dizer que os aspectos didáticos não sejam importantes. Isto significa dizer que eles devem estar subordinados à definição de propósitos educativos válidos para orientar o trabalho docente. E como, num sentido amplo, a educação considera a interação de todos os aspectos da pessoa humana com a sociedade na qual está inserida, são múltiplos os posicionamentos tomados pelos name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 2 de 13 10/04/2015 16:04
  • 3. professores e, em decorrência, muitos são os conceitos estabelecidos sobre a educação. Necessariamente, um conceito de educação considera o homem e a sociedade. Daí, decorrem os questionamentos: – Que tipo de homem desejamos obter com o produto do nosso trabalho? – Que tipo de sociedade interage com esse homem que pretendemos formar? Quanto ao tipo de homem que pretendemos formar, a educação é um processo que se desenvolve no tempo, considerando: o homem desenvolvido em todos os aspectos, que tem consciência de suas possibilidades e limitações, munido de uma cultura que lhe permita conhecer, compreender e refletir sobre o mundo; o homem independente, mas não isolado, que, conhecendo suas capacidades físicas, intelectuais e emocionais e dotado de uma visão crítica da realidade, seja capaz de atuar de forma eficaz e eficiente nessa realidade. Em relação à sociedade, a educação deve considerar o seu importante papel de transformação social, tomando como pontos referenciais: uma sociedade que supere os modelos econômicos e políticos de hoje, em busca de uma solidariedade entre as pessoas e os povos; uma sociedade que, apesar de integrar os indivíduos e os povos, respeite profundamente as características individuais, favorecendo o desenvolvimento das sociedades. O professor necessita ter em mente a educação como um processo que se desenvolve num tempo dinâmico e num espaço que sofre transformações constantes. Essas transformações por que passam o mundo ocorrem em decorrência, sobretudo, dos avanços tecnológicos, da reestruturação do sistema de produção e desenvolvimento, da compreensão do papel do Estado e das mudanças no sistema educacional, na organização do trabalho e nos hábitos de consumo. Paralelamente, a instituição social educativa é questionada acerca do seu papel ante as transformações econômicas, sociais, políticas e culturais do mundo contemporâneo. Embora a didática se preocupe primordialmente com o “como ensinar”, ou seja, com os métodos e técnicas de ensino, julgamos importante, antes de estudá-los, refletir sobre o seu fundamento, sobre as raízes do seu emprego e sobre os fatores que intervêm em sua aplicação. Caso contrário, corremos o risco de nos converter em escravos dos instrumentos (métodos e técnicas). Para evitar isso, é de fundamental importância refletirmos sobre a educação. O que é educação? Num mundo globalizado como o de hoje, faz-se necessário rever com urgência os conceitos sobre a educação. Não se trata simplesmente de inventar novas metodologias para melhorar o que existe. Faz-se necessário repensar, desde as raízes, todo o sistema de educação. De nada adianta a reformulação dos métodos e dos meios, se a educação oferecida não corresponde ao homem moderno. O professor deve estar atento a este aspecto, a fim de planejar uma ação educativa capaz de conduzir o aluno a um discernimento quanto aos valores e concepções de vida, de homem e de sociedade. Sintetizando, é necessário que o professor considere fundamentalmente a educação um processo de ação da sociedade sobre o aluno, visando integrá-lo, seguindo seus padrões sociais, econômicos, políticos e seus interesses. Portanto, a educação tem como características: um fato histórico, pois se realiza no tempo; ser um processo que se preocupa com a formação do homem em sua plenitude; buscar a integração dos membros de uma sociedade ao modelo social vigente; name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 3 de 13 10/04/2015 16:04
  • 4. simultaneamente, buscar a transformação da sociedade em benefício de seus membros; ser um fenômeno cultural, pois permite a cultura de um contexto de forma global; direcionar o aluno para a autoconsciência; ser ao mesmo tempo, conservadora e inovadora. Dessa forma, a educação é fundamental na manutenção da vida de um grupo ou mesmo da sociedade. À medida que vai aumentando a complexidade da vida de um grupo, a educação vai se tornando cada vez mais relevante, a tal ponto que, na sociedade contemporânea, a educação está sempre presente em lugar de destaque. O objetivo da educação é a socialização do indivíduo, ou seja, por meio da educação, o indivíduo adquire as condições pessoais necessárias para engajar-se adequadamente ao grupo a que pertence e no qual desempenhará suas funções. Logo, não há uma forma única de educação nem um modelo de educação. Em cada sociedade ou país, existe uma maneira diferente de educar. A educação é inerente à sociedade humana. Conclui-se que a educação é um processo que se baseia na reflexão sobre a realidade e, ao mesmo tempo, assimila suas necessidades e a crítica em suas inconsistências, agindo no sentido de atendê-la em muitos aspectos. Portanto, está embasada na Filosofia, na Sociologia, na Psicologia, na Antropologia e no contexto histórico. 1.2. Objetivos da educação brasileira Segundo Dermeval Saviani, em face da realidade concreta do homem brasileiro, temos os objetivos gerais da educação brasileira, conforme abaixo. Educação para a subsistência O homem brasileiro não sabe tirar proveito das possibilidades da situação e, por não sabê-lo, freqüentemente, acaba por destruí-la. Isto nos revela a necessidade de uma educação para a subsistência. É preciso que o homem aprenda a tirar da situação adversa os meios para sobreviver. Educação para a libertação Como pode o homem utilizar os elementos da situação se ele não é capaz de intervir nela, decidir, engajar-se e assumir pessoalmente a responsabilidade de suas escolhas? As condições de liberdade do homem brasileiro são tão precárias, marcadas por uma tradição de inexperiência democrática, marginalização econômica, política e cultural. Daí, decorre a necessidade de uma educação para a libertação: é preciso saber escolher e ampliar as possibilidades de ação. Educação para a comunicação Como intervir na situação sem uma consciência das suas possibilidades e dos seus limites? Esta consciência só se adquire por meio da comunicação. Daí, o terceiro objetivo – educação para a comunicação. É preciso que se adquiram os instrumentos aptos para a comunicação intersubjetiva. Educação para a transformação Tais objetivos só serão atingidos com uma mudança sensível do panorama nacional atual, quer geral, quer educacional. Daí, o quarto objetivo – a educação para a transformação. 1.3. Funções sociais da educação As ações humanas estão sempre impregnadas de crenças e valores que as orientam para determinadas finalidades. Consciente ou inconscientemente, explícita ou implicitamente, quem vive possui uma filosofia de vida, uma concepção de homem, de sociedade e de mundo. name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 4 de 13 10/04/2015 16:04
  • 5. Pela busca do senso crítico da educação, os professores podem entendê-la, segundo Luckesi (1994, p. 39-51), de três maneiras diferentes, ou seja, cumprindo as funções sociais de redentora da sociedade, reprodutora da sociedade e transformadora da sociedade. Redentora da sociedade A função redentora concebe a sociedade como um conjunto de seres humanos que vivem e sobrevivem num todo orgânico e harmonioso, com desvios de grupos e indivíduos que ficam à margem desse todo. Ou seja, a sociedade está naturalmente composta com todos os seus elementos, o que importa é integrar em sua estrutura tanto os novos elementos (novas gerações), quanto os que, por qualquer motivo, encontram-se à sua margem. A educação como instância social que está voltada à formação da personalidade dos indivíduos para o desenvolvimento de suas habilidades e para a veiculação dos valores éticos necessários à convivência social, que nada mais tem que fazer do que se estabelecer como redentora da sociedade, integrando harmonicamente os indivíduos no todo social já existente. Reprodutora da sociedade A função reprodutora afirma que a educação faz, integralmente, parte da sociedade e a reproduz. Aborda a educação como uma instância dentro da sociedade e exclusivamente ao seu serviço. A educação atua sobre a sociedade como uma instância corretora dos seus desvios, tornando-a melhor e mais próxima do modelo de perfeição social harmônico idealizado. Transformadora da sociedade A função transformadora compreende a educação como mediação de um projeto social. Ou seja, ela nem redime nem reproduz a sociedade, mas serve de meio, ao lado de outros meios, para realizar um projeto de sociedade, que pode ser conservador ou transformador. Não coloca a educação a serviço da conservação. Pretende demonstrar que é possível compreender a educação dentro da sociedade, com seus determinantes e condicionantes, mas com a possibilidade de trabalhar pela sua democratização. Além disso, Dermeval Saviani (1983, p. 36) nos alerta para a dificuldade, dizendo-nos o seguinte: O caminho é repleto de armadilhas, já que os mecanismos de adaptação acionados periodicamente a partir dos interesses dominantes podem ser confundidos com anseios da classe dominada. Para evitar esse risco, é necessário avançar no sentido de captar a natureza específica da educação, o que nos levará à compreensão das complexas mediações pelas quais se dá sua inserção contraditória na sociedade capitalista. Concluindo, o autor indica a necessidade de cuidar daquilo que é específico da escola, para que esta venha a cumprir um papel de mediação, num projeto democrático de sociedade. 1.4. Perspectivas atuais Estamos no Terceiro Milênio sob o signo da perplexidade, da crise de concepções e paradigmas em todos os campos das ciências, da cultura e da sociedade. É um momento novo e rico de possibilidades. Entretanto, para não sermos omissos, vamos apresentar algumas tendências atuais, apoiados naqueles educadores e filósofos que tentaram apontar caminhos em meio a essa perplexidade. 1.5. Crises e alternativas A educação tradicional e a educação nova têm um traço comum que é o de conceber a educação como um processo de desenvolvimento pessoal e individual. O traço mais original deste século, na educação, é o deslocamento da formação puramente individual do homem para o social, o político, o ideológico. A educação deste fim de século tornou-se permanente e social. name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 5 de 13 10/04/2015 16:04
  • 6. Há tendências universais, entre elas, a de considerar como conquista deste século a idéia de que não existe idade para a educação, de que ela se estende pela vida e que não é neutra. Caminhamos para uma mudança da própria função social da escola. Entre nós, chamamos essa nova educação de educação popular, não porque ela seja destinada apenas às camadas populares, mas pelo caráter popular, socialista e democrático que essa concepção traz. Parece-nos que o melhor caminho de superação da crise educacional é vivê-la intensamente, evidenciando suas contradições e disfunções. Contudo, como a crise da educação e da sociedade são inseparáveis, o desenvolvimento das contradições escolares e a sua transformação também são inseparáveis do desenvolvimento e da superação das contradições sociais. Falar em futuro da educação é, à luz da história da educação, antever os próximos passos associando teoria pedagógica e prática educacional a uma análise sócio-histórica. Observando o desenvolvimento educacional do século XX, podemos afirmar que a educação tornou-se instrumento de luta e de emancipação, associando a luta social à luta pedagógica. Não se trata mais de reforçar apenas a “escola para todos”, burocrática, uniformizadora, que é a essência da teoria educacional burguesa. Uma educação para todos não pode ser conseqüência de uma concepção elitista: os privilégios não são estendidos, mas eliminados, se se quer atingir a democracia. A democracia na educação, quantitativa e qualitativamente, não pode ser um ato de pura “recomendação”, como pretendem os teóricos da educação da década de 70. A educação, instrumento da paz, é o resultado da luta, do movimento popular. 1.6. Texto Complementar O compromisso social e ético dos professores (LIBÂNEO, 1998, p. 47-48) O trabalho docente constitui o exercício profissional do professor e este é o seu primeiro compromisso com a sociedade. Sua responsabilidade é preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho, nas associações de classe, na vida cultural e política. É uma atividade fundamentalmente social, porque contribui para a formação cultural e científica do povo, tarefa indispensável para outras conquistas democráticas.A característica mais importante de atividade profissional do professor é a mediação entre o aluno e a sociedade, entre as condições de origem do aluno e sua destinação social na sociedade, papel que cumpre provendo as condições e os meios (conhecimentos, métodos, organização do ensino) que assegurem o encontro do aluno com as matérias de estudo. Para isso, planeja, desenvolve suas aulas e avalia o processo de ensino. O sinal mais indicativo da responsabilidade profissional do professor é seu permanente empenho na instrução e educação dos seus alunos, dirigindo o ensino e as atividades de estudo de modo que estes dominem os conhecimentos básicos e as habilidades, e desenvolvam suas forças, capacidades físicas e intelectuais, tendo em vista equipá-los para enfrentar os desafios da vida prática no trabalho e nas lutas sociais pela democratização da sociedade. O compromisso social, expresso primordialmente na competência profissional, é exercido no âmbito da vida social e política. Como toda profissão, o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais onde se manifestam os interesses das classes sociais. O compromisso ético-político é uma tomada de posição frente aos interesses sociais em jogo na sociedade. Quando o professor se posiciona, consciente e explicitamente, do lado dos interesses da população majoritária da sociedade, ele insere sua atividade profissional – ou seja, sua competência técnica – na luta ativa por esses interesses: a luta por melhores condições de vida e de trabalho e ação conjunta pela transformação das condições gerais (econômicas, políticas, culturais) da sociedade. Estas considerações justificam a necessidade de uma sólida preparação profissional face às exigências colocadas pelo trabalho docente. Esta é a tarefa básica do curso de habilitação ao magistério e, particularmente, da didática. name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 6 de 13 10/04/2015 16:04
  • 7. 2. Prática educativa, pedagogia e didática 2.1. Prática educativa na sociedade O trabalho docente é parte integrante do processo educativo mais global pelo qual os membros da sociedade são preparados para a participação na vida social. A educação, ou seja, a prática educativa, é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana neces sária à existência e ao funcionamento de todas as sociedades. Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades, prepará-los para a participação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida social. Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade A prática educativa não é apenas exigência da vida em sociedade, mas também o processo de prover os indivíduos de conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e transformá-lo em função de suas necessidades econômicas, sociais e políticas. Pela ação educativa, o meio exerce influências sobre os indivíduos e estes, ao assimilarem e recriarem essas influências, tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. Tais influências se manifestam por meio de conhecimentos, experiências, valores, crenças, modos de agir, técnicas e costumes acumulados por muitas gerações de indivíduos e grupos, transmitidos, assimilados e recriados pelas novas gerações. Assim, educação é um fenômeno social complexo. Significa que a prática educativa – especialmente os objetivos, os conteúdos de ensino e o trabalho docente – está determinada por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. Ela é determinada por valores, pelas normas e pela estrutura social. A prática educativa é parte integrante da dinâmica das relações sociais e das formas da organização social. Então, a prática educativa, a vida cotidiana, as relações professor-aluno, os objetivos da educação e o trabalho docente, estão carregados de significados sociais que se constituem na dinâmica das relações sociais. Nesse sentido, a educação é inerente à sociedade humana, conforme Brandão (1981) afirma: A educação está presente em casa, na rua, na igreja, na mídia em geral e todos nos envolvemos com ela, seja para aprender, para ensinar e para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias [...] Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece; o ensino escolar não é a única prática, e o professor o profissional não é seu único praticante. Assim, a educação é um processo natural que ocorre na sociedade humana pela ação de seus agentes sociais como um todo, configurando uma sociedade pedagógica (BEILLEROT, 1985). Desenvolvendo essa idéia, podemos citar vários exemplos com inúmeras situações da presença do pedagógico na sociedade. Nas mídias, dentre outros exemplos, há intervenção pedagógica na televisão, no rádio, nas revistas, nos jornais e em todo material informativo, pois a mídia atua na modificação dos estados mental e afetivo das pessoas e nos modos de pensar, disseminando saberes e modos de agir e de sentir. No entanto, segundo Libâneo (1998, p. 21), é “surpreendente que instituições e profissionais cuja atividade está permeada de ações pedagógicas desconheçam a teoria pedagógica”. 2.2. O papel da pedagogia na sociedade name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 7 de 13 10/04/2015 16:04
  • 8. Para tornar efetivo o processo educativo, é preciso dar-lhe uma orientação sobre as finalidades e os meios da sua realização, conforme as opções que se façam quanto ao tipo de indivíduo que se deseja formar e ao tipo de sociedade a que se aspira. Esta tarefa pertence à pedagogia como teoria e prática do processo educativo. 2.3. O que é pedagogia? A palavra pedagogia vem do grego pais, paidós que significa criança; agein que é conduzir e logos que quer dizer trabalho, ciência. Na Grécia antiga, eram chamados de pedagogos os escravos que acompanhavam crianças que iam para a escola. Como escravo, ele era submisso à criança, mas tinha que fazer valer sua autoridade quando necessária. Por esse motivo, estes escravos desenvolveram grande habilidade no trato com as crianças. Hoje, pedagogo é o especialista em assuntos educacionais, e pedagogia é o conjunto de conhecimentos sistemáticos relativos ao fenômeno educativo. Então, pedagogia é o campo de conhecimento que investiga a natureza das finalidades da educação numa determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social. Uma vez que a prática educativa é o processo pelo qual são assimilados conhecimentos e experiências pela prática social da humanidade, cabe à pedagogia assegurá-lo, orientando-o para finalidades sociais e políticas, e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo. Então, a pedagogia, sendo a ciência da e para a educação, estuda a educação, a instrução e o ensino. Conforme Libâneo (1998, p. 24), “a pedagogia é um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa”. A pedagogia, enquanto campo teórico da prática educacional, não se restringe à didática da sala de aula nos espaços escolares, mas está presente nas ações educativas da sociedade em geral. Para tanto, a pedagogia compõe-se de ramos próprios como a Teoria da Educação, a didática, a Organização Escolar e a História da Educação e da pedagogia. Ao mesmo tempo, busca, em outras ciências, os conhecimentos teóricos e práticos que concorrem para o esclarecimento do seu objeto, o fenômeno educativo. São elas: a Filosofia da Educação, a Sociologia da Educação, a Psicologia da Educação, a Política Educacional, a Biologia da Educação, a Economia da Educação, a Antropologia e outras. Assim compreendida, A pedagogia [...] possibilita que as instituições e os profissionais cuja atividade está permeada de ações pedagógicas se apropriem criticamente da cultura pedagógica para compreender e alargar a sua visão das situações concretas nas quais realizam seu trabalho, para nelas imprimir a direção de sentido, a orientação sociopolítica que valorizam, a fim de transformar a realidade. Incluindo também a atividade de ensinar, que tem na didática sua sistematização teórica. (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 66). Concluindo, a pedagogia é a reflexão sistemática sobre o ideal de educação e da formação humana, podendo se ressignificar à medida que tomar a ação como a referência da qual parte e para a qual se volta. Entretanto, enquanto as Ciências da Educação abordam o fenômeno educativo na perspectiva dos conceitos e métodos que lhes são próprios, a pedagogia postula o educativo propriamente dito. Seu campo compreende as ações educativas e seus agentes contextualizados, tais como: o aluno como sujeito do processo de socialização e de aprendizagem; os agentes de formação (entre eles as mídias, a família, os agentes de saúde, as escolas e os professores); name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 8 de 13 10/04/2015 16:04
  • 9. as situações concretas em que se dão os processos formativos (entre eles o ensino); o saber (como objeto de produção e constituição do humano); o contexto socioinstitucional das instituições (entre elas os sistemas de ensino, as políticas governamentais, inclusive as escolas e as salas de aula). Em síntese, conforme Libâneo (1988, p. 30), o objetivo pedagógico se configura na relação entre os elementos da prática educativa e: o sujeito que se educa; o educador; o saber; os contextos em que ocorrem. 2.4. E, o que é didática? Agora que já vimos o que estuda a pedagogia e que situamos a didática dentro da pedagogia, vejamos o que é didática. A didática é o principal ramo de estudo da pedagogia que investiga os fundamentos, as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino. Sendo o ensino uma ação historicamente situada, a didática vai constituir-se como teoria do ensino. À didática cabe: converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino; selecionar conteúdos e métodos em função dos objetivos de ensino; estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades dos alunos. A didática se divide em: didática geral – estuda os princípios, as normas e as técnicas que devem regular qualquer tipo de ensino, para qualquer tipo de aluno. Ela nos dá uma visão geral da atividade docente. didática especial – estuda os aspectos científicos de uma determinada disciplina ou faixa de escolaridade. Analisa os problemas e as dificuldades que o ensino de cada disciplina apresenta e organiza os meios e as sugestões para resolvê-los. Assim, temos as didáticas especiais das línguas (inglês, espanhol etc.), as didáticas especiais das ciências (física, química etc). 2.5. Didática e metodologia A didática e a Metodologia estudam os métodos de ensino. No entanto, há diferença quanto ao ponto de vista de cada uma. A metodologia estuda os métodos de ensino, classificando-os e descrevendo-os sem fazer juízo de valor. A didática, por sua vez, faz um julgamento ou uma crítica do valor dos métodos de ensino. Podemos dizer que a Metodologia nos dá juízos de realidade e a didática, juízos de valor. Juízos de realidade são juízos descritivos e constativos, como por exemplo: três mais três são seis;acham-se presentes na sala 45 alunos. Juízos de valor são juízos que estabelecem valores ou normas, como por exemplo: os idosos name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 9 de 13 10/04/2015 16:04
  • 10. merecem nosso respeito;a democracia é a melhor forma de governo. Assim, é possível concluir que podemos ser metodológicos sem ser didáticos, mas não podemos ser didáticos sem ser metodológicos, pois não podemos julgar sem conhecer. Por isso, o estudo da Metodologia é importante, porque, para escolher o método mais adequado de ensino, precisamos conhecer os métodos que existem. Os princípios, as normas e as técnicas de ensino são postos em prática por meio das atividades de planejamento, orientação e controle do processo ensino-aprendizagem. Planejamento – previsão e programação dos trabalhos escolares para todo o ano letivo e/ou semestre letivo. Orientação – o professor executa o que planejou.Controle – supervisão constante do processo de aprendizagem. 2.6. Tendências pedagógicas da prática escolar Agora que compreendemos as diferentes tendências da educação, cabe ao professor, criticamente, descobrir qual a tendência que orientará o seu trabalho docente. O que não podemos é ficar sem nenhuma delas, pois, como dissemos, quando não pensamos, somos dirigidos por outros. Vamos abordar as diferentes tendências teóricas que pretenderam dar conta da compreensão e da orientação da prática educacional em diferentes momentos e circunstâncias da história humana. Pedagogia liberal O termo liberal não tem o sentido de avançado, democrático, como costuma ser usado. A doutrina liberal defende a predominância da liberdade e dos interesses individuais da sociedade e estabelece uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais, por isso os indivíduos precisam aprender a se adaptar aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes por meio do desenvolvimento cultura individual. Pedagogia liberal tradicional Na tendência tradicional, a pedagogia liberal se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura geral, no qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio esforço, sua plena realização como pessoa. Em suas várias correntes, caracteriza as concepções de educação em que predomina a ação de agentes externos na formação do aluno, a prioridade do objeto de conhecimento, a transmissão do saber constituído na tradição e nas grandes verdades acumuladas pela humanidade e uma concepção de ensino como impressão de imagens propiciadas ora pela palavra do professor ora pela observação sensorial. Pedagogia liberal renovada progressista Acentua, igualmente, o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. Mas a educação é um processo interno, ela parte das necessidades e interesses individuais necessários para a adaptação ao meio. A escola renovada propõe um ensino que valorize a auto-educação (o aluno como sujeito do conhecimento), a experiência direta sobre o meio pela atividade, um ensino centrado no aluno e no grupo. Esta tendência apresenta-se, também, como renovada progressista ou pragmatismo, principalmente na forma difundida pelos pioneiros da educação nova, entre eles se name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 10 de 13 10/04/2015 16:04
  • 11. destaca Anísio Teixeira, Montessori, Decroly e Piaget. Pedagogia liberal renovada não diretiva Orientada por objetivos de auto-realização (desenvolvimento pessoal) e para as relações interpessoais, na formulação de Carl Rogers. A pedagogia liberal renovada não diretiva propõe uma educação centrada no aluno, visando formar sua personalidade por meio da vivência de experiências significativas que lhe permitam desenvolver características inerentes à sua natureza. O professor é um especialista em relacionamento pessoal e autêntico. Pedagogia liberal tecnicista A pedagogia liberal tecnicista subordina a educação à sociedade, tendo como função a preparação de recursos humanos. À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema social global. Seu interesse imediato é o de produzir indivíduos competentes para o mercado de trabalho, transmitindo, eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas. Pedagogia progressista O termo progressista, emprestado por Snyders, é usado para designar as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam as finalidades sociopolíticas da educação, implicitamente. Há de ser um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais. As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adquirindo a importância a partir dos anos 80. São também denominadas teorias críticas da educação. Tendência progressista libertadora Conhecida como pedagogia de Paulo Freire, não tem uma proposta explícita de didática. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos, poderia-se falar de ensino centrado na realidade social. O trabalho escolar não se assenta nos conteúdos de ensino, mas no processo de participação ativa nas discussões e nas ações políticas sobre questões da realidade social imediata. Pedagogia progressista libertária A pedagogia progressista libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos no sentido libertário e de autogestão. A ideia básica é introduzir modificações institucionais, com base na participação grupal, mecanismos de mudança (assembleias, conselhos, eleições, reuniões, associações etc.). Outra forma é criar grupos de pessoas com princípios educativos auto-gestionários (grupos informais, associações etc.). Há, portanto, um sentido político, à medida que se afirma o indivíduo como produto do social e que o desenvolvimento individual somente se realiza no coletivo. Pedagogia progressista crítico-social dos conteúdos A pedagogia progressista crítico-social dos conteúdos propõe uma síntese superadora das pedagogias tradicional e renovada, valorizando a ação pedagógica enquanto inserida na prática social concreta. Entende a escola como mediação entre o individual e o social, exercendo aí a articulação entre a transmissão dos conteúdos e a assimilação ativa por parte do aluno concreto, ou seja, inserido num contexto de relações sociais, resultando dessa articulação o saber crítico. Assim, a difusão dos conteúdos é a tarefa primordial, mas conteúdos vivos, concretos e indissociáveis das realidades sociais. A valorização da escola como instrumento de apropriação do saber, já que a escola pode contribuir para eliminar a seletividade social e torná-la democrática. Nesse sentido, a educação é entendida como uma atividade meiadora no seio da prática social global. Dentro dessas linhas, podemos citar: Makarenko, B. Charlot, Manacorda, G. Snyders, name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 11 de 13 10/04/2015 16:04
  • 12. Dermeval Saviani. Atribuem grande importância à didática, cujo objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações e ligações com a aprendizagem. Toma o partido dos interesses majoritários da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar aos alunos o domínio dos conteúdos científicos, os métodos de estudo e habilidades, e hábitos de raciocínio científico, de modo a formarem a consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios. 2.7. Concluindo Para melhor compreender o significado da prática docente como prática educativa, Sacristán (1999) estabelece diferença entre prática e ação. A prática é institucionalizada, são as formas de educar que ocorrem em diferentes contextos institucionalizados, configurando a cultura e a tradição das instituições. Essa tradição seria o conteúdo e o método da educação. A ação refere-se aos sujeitos, seus modos de agir e pensar, seus valores, seus compromissos, suas opções, seus desejos, seu conhecimento, seus esquemas teóricos de leitura do mundo. Essa imbricação de sujeitos com instituições, de ação com prática, que é preciso compreender, se se pretende alterar as instituições de Ensino Superior com a contribuição das teorias. A didática ocupa-se da busca do conhecimento necessário para a compreensão da prática pedagógica e da elaboração de formas adequadas de intervenção, de modo que o processo ensino- aprendizagem se realize de maneira que de fato viabilize a aprendizagem dos educandos. Não para criar regras e métodos válidos para qualquer tempo e lugar, mas para ampliar nossa compreensão das demandas que a atividade de ensinar produz com base nos saberes acumulados. E quem sabe com eles aprender, encontrar respostas, criar novos caminhos de como proceder à educação nos espaços escolares, campo mais freqüente do trabalho profissional dos professores. Dessa forma, a didática oferece uma contribuição indispensável à formação de professores, sintetizando, no seu conteúdo, a contribuição de conhecimentos de outras disciplinas que convergem para o esclarecimento dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino, intimamente vinculado com a educação e, ao mesmo tempo, provendo os conhecimentos específicos necessários para o exercício das tarefas docentes. 2.8. Texto Complementar Conceituação de didática (LIMA, 1984) A princípio concebida como arte, foi pouco a pouco evoluindo e adquiriu matizes de ciência, sobretudo quando se enriqueceu dos subsídios da Psicologia, da Sociologia e da Biologia, sem jamais perder seu caráter técnico. Por outro lado, mesmo quando devidamente alicerçada em princípios científicos, exige do professor a arte ou habilidade especial da aplicação ao ensino das descobertas advindas das Ciências Humanas. Esse savoir-faire, a um tempo artístico e científico, é muito raro e a sua ausência tem sido responsável por alguns piagetismos ou rogerianismos, indevidamente maquiados. O professor Luiz Alves de Mattos, pioneiro da didática na América do Sul, define-a como: o conjunto sistemático de princípios, normas e procedimentos específicos que todo o professor deve conhecer e saber aplicar para orientar com segurança seus alunos na aprendizagem das matérias programadas, tendo em vista seus objetivos educativos. Sua discípula, a Professora Irene Mello de Carvalho, prefere considerar a didática como “arte e técnica de orientar a aprendizagem.” De modo geral, os conceitos mais defendidos da didática Moderna apelam para uma espécie de arte e ciência de ensinar a aprender e se referem a princípios, métodos, técnicas e recursos que visam a facilitar o processo ensino-aprendizagem. name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 12 de 13 10/04/2015 16:04
  • 13. Neste estudo, preferiu-se ampliar os conceitos vigentes de didática, anexando-lhes, como decorrência da pretendida melhoria da aprendizagem, a própria visão do mundo e da vida. À didática caberia, pois, a dinamização do processo ensino-aprendizagem, mobilizando-se simultaneamente contribuições tecnológicas, científicas e, sobretudo, pessoais. Uma ampla didática transcenderia de sua rotina diária de planejar, executar e avaliar, para abrir também espaços de relacionamento, de bem-estar mútuos: o professor e os alunos despiriam as suas funções habituais e estereotipadas para investir-se como pessoas que trocam entre si novas idéias, a partir das velhas, que comungam principalmente o que são, pois se colocam sempre no que fazem. A Ampla didática foge à pobreza do “pedagogez” e tenha que enriquecê-lo com outras linguagens, que o redimensionam sem deturpá-lo. Criatividade O termo criatividade ainda não rendeu tudo quanto poderia e já está desgastado. A expressão como que se esvaziou, utilizada aqui e ali, a propósito de tudo ou de nada. Em nome da criatividade se fazem tolices e alguns atos criativos são tidos como perigosos e subversivos, pois “o criativo é tomado como louco pelas pessoas padronizadas e acomodadas. Sua coragem de ser diferente provoca a ira dos que não ousam Ser e Criar, conformando-se com o Ter e Imitar.” A inserção da criatividade em seu contexto maior – o Imaginário – talvez pudesse restituir-lhe seu sentido primeiro: a valorização do irreal, do que ainda não existe. Afinal, que seria da realidade se não fosse o sonho? Em geral, a Criatividade, retornando Guilford, aparece ligada ao novo, ao original, ao divergente, ao flexível. Para Arthur W. Foshap, “ser criativo significa dar forma ao que é informe”. É realmente um processo cujo produto pode ser a beleza ou um significado novo que venha integrar o que se conhece dentro do que se acaba de descobrir. Processo e produto, o ciclo da Criatividade se completa na produção de algo novo pelo menos para quem produz. Criatividade exige investimento pessoal, envolvimento do eu, corte em amarras impeditivas de um desabrochar, como os hábitos arraigados, os estereótipos, o vício de olhar o mundo sempre com o mesmo olhar. A pessoa criativa é capaz de ver os fenômenos de sempre com os olhos de nunca, de aventurar-se rumo ao desconhecido, com garra, porque, mesmo na incerteza, se sente segura. Não se arrisca pelo simples arriscar-se, mas animada pelo algo mais que encontrará do outro lado e que pode completá-la de suas imitações. Como quem cria, não cria do nada (só Deus o teria feito), a Criatividade exige um lastro anterior, pré-requisitos que justificam um insight, ou a coragem de romper com padrões conformistas; exercida sobre estes a reflexão, verifica-se que muitos não têm razão de ser e merecem, pois, uma ultrapassagem. A mera adesão ao status quo pode obstruir o futuro; além disso, “a ênfase na lei e ordem pode, por si mesma, contribuir para a violência e se constituir num dos fatores que tornam uma revolução mais sangrenta”. O Criativo é aquele que critica o hoje e o ontem e equipado com o que sobrou da sua crítica, vislumbra e enfrenta o amanhã. Neste estudo, opta-se por considerar a Criatividade como a atitude ou capacidade de assumir com ousada alegria até mesmo a possibilidade de errar... Como a didática, a Criatividade é vista aqui como elemento mediador para atingir-se a fins maiores. A Associação da didática à Criatividade seria o alicerce primeiro da construção de uma Ampla didática, que se supõe possa [sic] aumentar também as suas possibilidades mediadoras. Ou seja, a Ampla didática se faz criativa quando se coloca além do usual, quando admite riscos, quando rompe o equilíbrio em busca de melhores resultados, porque também para ela “romper o equilíbrio é um ato pedagógico: significa impulsionar os homens para a frente.” name http://ead.utfpr.edu.br/moodle/mod/book/print.php?id=58761 13 de 13 10/04/2015 16:04