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Curso Profissional Técnico de Apoio Psicossocial–
Ciclo de Formação 2013/2017 – Ano Lectivo de 2013/2014

Prof.. António Moreira

CULTURA
Conceito sociológico de cultura
 Cultura
“... poderíamos definir cultura como sendo um
conjunto ligado de maneiras de pensar, sentir e
agir mais ou menos formalizadas que, sendo
apreendidas e partilhadas por uma pluralidade
de pessoas, servem, duma maneira
simultaneamente objetiva e simbólica, para
organizar essas pessoas numa coletividade
particular e distinta."
Guy Rocher, Sociologia Geral, Editorial Presença
Conceito sociológico de cultura
 A cultura é um fenómeno exclusivo do ser

humano. Quando o Homem nasce, é apenas um
ser biológico, culturalmente em branco. É à
medida que vai crescendo e interiorizando os
elementos socioculturais do seu meio que se
transforma num ser cultural.




Amala e Kamala
o menino selvagem.wmv

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



Conceito sociológico de cultura
 É evidente que certos atos, como comer,

beber e dormir são atos naturais. Contudo, a
forma como o fazemos é cultural. Não
comemos de qualquer forma nem comemos
qualquer coisa, dormimos a horas certas,
submetemos os atos naturais às regras
através das quais as sociedades humanas
organizam e padronizam o comportamento
dos seus membros.
Conceito sociológico de cultura
 A cultura é a forma que o Homem encontrou

de se relacionar com a natureza e, muitas
vezes, de ultrapassar os constrangimentos
que ela impõe. O Homem apropria-se
culturalmente da natureza e organiza-se com
o objetivo de dela tirar benefícios. A cultura é,
portanto, tudo aquilo que no meio se deve ao
Homem.
Conceito sociológico de cultura

 O conceito de cultura pode assumir vários

significados. Em Sociologia, assume um
significado muito importante e é analisado na
perspetiva da sua dimensão social.
Definição de Cultura (Guy Rocher)
 Tendo em conta a definição de Guy Rocher,

podemos concluir o seguinte:
 — O comportamento humano é apreendido,
tem muito pouco de instintivo. O Homem vai
apreendendo, através da interacção e da
comunicação, as informações necessárias à
sua sobrevivência e integração social;
 — A cultura está formalizada, através de

regras, leis, ritos, convenções, protocolos,
cerimónias, etc.;
 — Os elementos culturais são partilhados
pelos membros do grupo. A partilha das
mesmas formas de pensar, sentir e agir
reforça a identidade cultural e torna as
comunidades distintas entre si;
 — A cultura tem caráter cumulativo e é
transmissível. As formas de pensar, sentir e
agir são transmitidas de geração em geração,
através da socialização. Cada geração
transmite à geração seguinte, acrescentando
novos traços culturais. Daí o seu caráter
cumulativo;
 — A cultura serve para dar resposta às
necessidades dos grupos, para a sua
organização. O Homem apropria-se
socialmente da natureza, organizando-a,
para facilitar a sua sobrevivência e a
convivência com os outros.
 A forma como nos vestimos, os hábitos
alimentares, as regras de convivência e
cortesia, a língua, a música, os valores, a
religião, a arte, as crenças, constituem traços
culturais que nos identificam enquanto
cultura e que nos distinguem das outras
culturas.
Elementos materiais e espirituais da cultura

 O conceito de cultura que temos vindo a explicitar

compreende elementos de duas ordens distintas:
espirituais e materiais.
 Os elementos espirituais são aqueles que não são visíveis,
palpáveis, constituídos por matéria. São exemplo destes
elementos intangíveis da cultura a linguagem, os valores,
os rituais, as crenças, a música, os ideais, os usos e
costumes de um grupo.
 Os elementos materiais, pelo contrário, são aqueles que
são visíveis, palpáveis, constituídos por matéria. São
exemplo destes elementos tangíveis os documentos
históricos, os monumentos, os instrumentos e técnicas de
trabalho, as vias de comunicação, etc.
Elementos materiais e espirituais da cultura

 Naturalmente, os elementos materiais e

espirituais não têm existência separada.
Influenciam-se reciprocamente. Por exemplo,
existem culturas que rejeitam a carne de
porco, não a incluindo na sua dieta alimentar.
Por outro lado, inovações tecnológicas
alteraram hábitos das populações, como, por
exemplo, o uso do telemóvel.
Diversidade cultural e padrões de cultura
 Tendo em conta que a cultura é exclusiva e que
cada grupo assume traços culturais que o

distingue dos outros grupos, não podemos falar
em cultura mas sim em culturas.
 As regras de comportamento, os hábitos
alimentares, as formas de vestir, os rituais, as
crenças, os valores, diferem de sociedade para
sociedade. Esta diversidade cultural implica que
para a compreensão de determinado ato ou
comportamento, o tenhamos que enquadrar na
sociedade onde ocorre, evitando uma atitude
etnocêntrica.
Etnocentrismo
 O etnocentrismo é a sobrevalorização de uma cultura em

relação às outras.
 É a crença de alguém de que há uma cultura superior a
outras, que, geralmente, é a sua. Sempre que uma cultura
diferente é analisada à luz dos padrões culturais da pessoa
que a analisa, e não dos dessa própria cultura, está a
adoptar-se uma atitude etnocêntrica.
 Esta atitude deve ser recusada, pois além de incorrecta
pode ser altamente perigosa, porque está,
frequentemente, na base de preconceitos, do racismo, da
xenofobia, levando por vezes a atos de barbárie, como
aconteceu, por exemplo, com os Judeus.
Ler texto-Anthony Giddens
Padrões Culturais
 Cada sociedade tem os seus padrões culturais,
isto é, um conjunto de hábitos e

comportamentos comuns aos membros da
mesma cultura.
 Cada sociedade tem os seus hábitos alimentares,
horários estabelecidos para diferentes
atividades, formas de cumprimentar, ritos,
cerimónias , um conjunto de práticas
institucionalizadas que moldam os nossos
comportamentos, que tornam as nossas atitudes
em comportamentos padronizados.
 Um indivíduo que, em Portugal, cumprimente

outro roçando o seu nariz no dele, seria visto
com estranheza. Contudo, em algumas
culturas esse gesto constitui uma forma
habitual de cumprimento.
Exemplos de diversidade cultural

 O homem recebe do meio cultural, em

primeiro lugar, a definição do bom e do
mau, do confortável e do
desconfortável. Deste modo:
 os chineses preferem os ovos podres e os
Oceanenses o peixe em decomposição.
 Para dormir, os Pigmeus procuram a
incómoda forquilha de madeira e os
Japoneses deitam a cabeça em duro cepo.
 O homem recebe do seu meio cultural um
modo de ver e de pensar.
 No Japão considera-se delicado julgar os

homens mais velhos do que são e, mesmo
durante os testes e de boa-fé, os indivíduos
continuam a cometer erros por excesso.
 O homem também retira do meio cultural as

atitudes afetivas típicas:
 Entre os Maoris [Nova Zelândia], onde se chora à
vontade, as lágrimas correm só no regresso do
viajante e não à sua partida.
 Nos Esquimós, que praticam a hospitalidade
conjugal, o ciúme desapareceu (...). ... Nas ilhas Alor
[Indonésia], a mentira lúdica considera-se normal; as
falsas promessas às crianças constituem um dos
divertimentos dos adultos. O mesmo espírito
encontra-se na ilha de Normanby onde a mãe, por
brincadeira, tira o seio ao filho que está a mamar .
 O respeito pelos pais sofre igualmente
flutuações geográficas:
 O pai conserva o direito de vida e de morte entre
os Negritos das Filipinas e em certos lugares do
Togo, dos Camarões e do Daomé.
 Em compensação, a autoridade paterna era nula
ou quase nula nos Kamtchatka [da Sibéria] précomunistas ou nos aborígenes do Brasil.
 As crianças Taraumaras [do México] batem e

injuriam facilmente os pais.
 Entre os Esquimós o casamento faz-se por

compra.
 Nos Urabima da Austrália um homem pode
ter esposas secundárias que são as esposas
principais de outros homens.
 No Ceilão [atual Sri Lanka] reina a poliandria
fraternal: o irmão mais velho casa-se e os
mais novos mantêm relações com a cunhada.
(…)
 O amor e os cuidados da mãe pelos filhos

desaparecem nas ilhas do estreito de Torres
[Austrália] e nas ilhas Andaman [Índia], em
que o filho ou a filha são oferecidos de boa
vontade aos hóspedes da família como
presentes, ou aos vizinhos, como sinal de
amizade.
 A sensibilidade a que chamamos masculina
pode ser, de resto, uma característica
feminina, como nos Tchambuli [Nova Guiné],
por exemplo, em que na família é a mulher
quem domina e assume a direção.
 Os diferentes povos criaram e

desenvolveram um estilo de vida que cada
indivíduo aceita – não sem reagir, decerto –
como um protótipo.”
Diversidade cultural: alimentação

Uma das razões que leva a que na alimentação (tal como no vestuário) haja uma enorme
diversidade cultural é o facto de as várias sociedades viverem em meios bastante
diferentes em termos de clima, relevo, fauna e flora. A sua gastronomia reflecte o meio
físico em que vivem. Depois entra em cena a socialização, para assegurar que quase
todos os membros da sociedade acham deliciosos os alimentos disponíveis
Diversidade cultural: exemplos –
linguagem gestual
Na foto vemos uma mulher a comer com a mão esquerda.
Num país como Portugal isso não é digno de reparo, mas
o mesmo não sucede num país muçulmano. A higiene
corporal dos muçulmanos realiza-se com a mão
esquerda, pelo que utilizá-la para comer é considerado
nojento.
A imagem exibe um gesto que para diversos povos, como
por exemplo os portugueses e os norte-americanos,
exprime aprovação e deleite. Em França, contudo, é uma
forma simbólica de dizer a alguém que não vale nada, que
é um “zero à esquerda”. Para os alemães simboliza o
recto, pelo que a sua utilização em muitos contextos
pode ser considerada insultuosa.
Em muitos países, nomeadamente da Europa, o gesto
da imagem significa “alto aí”, “não, obrigado” ou uma
saudação. Contudo, na África Ocidental quem o fizer
estará a dizer “tens cinco pais”, ou seja, “és um
bastardo”.
Colocar o dedo indicador da mão direita na bochecha e
depois rodá-lo é habitual nalgumas regiões italianas.
Esse gesto exprime aprovação e não é usado em
nenhum outro lugar do mundo.
Na Índia e em países muçulmanos, como por exemplo a
Arábia Saudita e o Egipto, é habitual os homens
andarem de mão dada. Tal comportamento é
socialmente relacionado com amizade e
companheirismo e não com homossexualidade.
Diversidade cultural: exemplos musicais
Os Ainu são um povo que vive na ilha de Hokkaido, no Japão, e noutras ilhas próximas
do Japão (mas actualmente sob administração russa). Um dos dos seus costumes
tradicionais consistia em tatuar um bigode nas mulheres. Sem ele não eram
consideradas nem bonitas nem suficientemente maduras para casar.O Estado japonês
começou a reprimir esse costume no último quartel do século XIX. Apesar disso, em
pleno século XX algumas mulheres Ainu continuavam a tatuar um bigode.
Rituais de iniciação
Cultura e socialização

 A socialização é um processo de transmissão
de cultura. É através da socialização que os
indivíduos apreendem as regras e as práticas
sociais dos grupos a que pertencem.
 A criança ao nascer é um "livro em branco"

pronto a ser escrito pelos agentes
socializadores da sociedade onde está
inserida. À medida que vai crescendo, vai
assimilando os valores, as normas e os
comportamentos socialmente estabelecidos,
através da interacção e comunicação com os
outros elementos da comunidade.
 O
comportamento
humano
é
um
comportamento que se aprende e a
socialização é o processo utilizado pelas
sociedades para que aqueles que as
compõem tenham o comportamento
adequado.
 As sociedades pretendem que todos os seus

membros interiorizem modelos de
comportamento conformes às normas e aos
valores do grupo.
 Essa interiorização realiza-se através da
transmissão da cultura que é levada a cabo
pelos agentes socializadores.
 A socialização é, por isso mesmo, um

processo dinâmico e contínuo de transmissão
de cultura que, tendo em conta a evolução da
cultura e a diversidade cultural, terá
necessariamente, que variar no tempo e no
espaço.
Dinamismo da cultura
 Na base da cultura existem valores com os quais
as pessoas se identificam e que dão coesão ao
grupo. Esses valores são o substrato de normas
que vão orientar o nosso comportamento.
 Recebemos todo um legado cultural através da

nossa socialização e transmitimo-lo às gerações
vindouras. Contudo, a cultura não é estática.
Novos elementos do grupo e diversos fatores
vão contribuindo para a alteração da cultura.
 A cultura é dinâmica.
 A difusão cultural que advém do cada vez

maior contacto entre culturas provoca a
aculturação.
 As sociedades vão tornando seus e
assimilando traços culturais de outros grupos.
Aculturação
 A aculturação diz respeito às modificações

culturais resultantes dos contactos entre
pessoas de duas sociedades diferentes. Esses
contactos podem consistir em interações
diretas, provocadas por conquistas militares,
colonização, emigração, atividades
missionárias e até turismo. Mas podem
também ser contactos indiretos através dos
diversos meios de comunicação social
(televisão, internet, cinema, jornais, etc.).
 A aculturação é um fenómeno social
constante, tanto no presente como no
passado. As diversas sociedades não são
estanques e influenciam-se umas às outras de
diversos modos.
 A aculturação parece assumir duas formas

principais, havendo entre elas diversos graus
intermédios.
 A aculturação por destruição, quando uma
sociedade consegue impor a sua cultura a outra
sociedade e a cultura desta desaparece ou se torna
residual.
 A aculturação por assimilação, quando uma
sociedade é influenciada pela cultura de outra
sociedade mas não põe de lado a sua própria cultura.
Essa influência constitui um enriquecimento, um
alargamento do património cultural.
 As sociedades vão tornando seus e

assimilando traços culturais de outros grupos.
 Basta pensar nos estrangeirismos, em novos
hábitos alimentares.
 Por outro lado, as novas descobertas

científicas e tecnológicas alteraram
profundamente os comportamentos.
 Acresce a isto, a mudança de ideais. O
pensamento não é estático.
 Os valores em que as sociedades acreditam
como sendo os corretos também se vão
alterando.
 Vemos, nas sociedades actuais,
comportamentos socialmente aceitáveis que
noutras épocas eram considerados
comportamentos desviantes. Comportamentos
até regulados pelo Direito, como as uniões de

facto ou os casamentos homossexuais.
 A globalização económica, financeira, cultural e
política contribui para um grande dinamismo das
culturas e também para a sua aproximação e
conhecimento mútuo.
EM SÍNTESE
 A cultura é um conjunto de maneiras de

pensar, sentir e agir partilhadas por um
grupo.
 0 Homem apropria-se culturalmente da
natureza e organiza-a de maneira a
ultrapassar os constrangimentos que dele
decorrem.
 0 comportamento humano é apreendido
através da interacção e da comunicação.
 A cultura tem carácter cumulativo e é

transmissível.
 A cultura está formalizada.
 Os elementos espirituais da cultura são
aqueles que não são visíveis, que não são
constituídos por matéria, intangíveis.
 Os elementos materiais da cultura são os que
são visíveis, constituídos por matéria,
tangíveis.
 Sendo a cultura exclusiva de cada grupo não

podemos falar em cultura mas sim em
culturas. Daí a diversidade cultural.
 Os padrões culturais são um conjunto de
hábitos e comportamentos comuns aos
membros de uma mesma cultura.
 0 facto de os elementos de um grupo terem
sido socializados tendo em conta o mesmo
tipo de valores, normas e práticas, torna as
suas atitudes idênticas, padronizadas.
 Os comportamentos padronizados facilitam a

vida em sociedade.
 A interiorização de modelos de
comportamento conformes às normas e aos
valores do grupo é feita através da
socialização.
 A cultura não é estática, evolui tendo em
conta a evolução dos valores que são o
substrato das normas.
 Esse dinamismo cultural resulta, em grande
parte, do contacto entre culturas, da difusão
cultural.
 A difusão cultural provoca a aculturação, isto

é, as sociedades tornam seus os traços
culturais de outros grupos.
 A globalização a todos os níveis,
característica das sociedades atuais, dá
origem a um grande dinamismo cultural.
 As culturas devem ser analisadas à luz dos

seus próprios padrões culturais, evitando-se
assim atitudes etnocêntricas, que são
perigosas para a humanidade.

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Cultura

  • 1. Curso Profissional Técnico de Apoio Psicossocial– Ciclo de Formação 2013/2017 – Ano Lectivo de 2013/2014 Prof.. António Moreira CULTURA
  • 2. Conceito sociológico de cultura  Cultura “... poderíamos definir cultura como sendo um conjunto ligado de maneiras de pensar, sentir e agir mais ou menos formalizadas que, sendo apreendidas e partilhadas por uma pluralidade de pessoas, servem, duma maneira simultaneamente objetiva e simbólica, para organizar essas pessoas numa coletividade particular e distinta." Guy Rocher, Sociologia Geral, Editorial Presença
  • 3. Conceito sociológico de cultura  A cultura é um fenómeno exclusivo do ser humano. Quando o Homem nasce, é apenas um ser biológico, culturalmente em branco. É à medida que vai crescendo e interiorizando os elementos socioculturais do seu meio que se transforma num ser cultural.   Amala e Kamala o menino selvagem.wmv  Ver videos A Menina Selvagem - The Wild Child - Part 1 A Menina Selvagem - The Wild Child - Part 2 A Menina Selvagem - The Wild Child - Part 3 A Menina Selvagem - The Wild Child - Part 4    
  • 4. Conceito sociológico de cultura  É evidente que certos atos, como comer, beber e dormir são atos naturais. Contudo, a forma como o fazemos é cultural. Não comemos de qualquer forma nem comemos qualquer coisa, dormimos a horas certas, submetemos os atos naturais às regras através das quais as sociedades humanas organizam e padronizam o comportamento dos seus membros.
  • 5. Conceito sociológico de cultura  A cultura é a forma que o Homem encontrou de se relacionar com a natureza e, muitas vezes, de ultrapassar os constrangimentos que ela impõe. O Homem apropria-se culturalmente da natureza e organiza-se com o objetivo de dela tirar benefícios. A cultura é, portanto, tudo aquilo que no meio se deve ao Homem.
  • 6. Conceito sociológico de cultura  O conceito de cultura pode assumir vários significados. Em Sociologia, assume um significado muito importante e é analisado na perspetiva da sua dimensão social.
  • 7. Definição de Cultura (Guy Rocher)  Tendo em conta a definição de Guy Rocher, podemos concluir o seguinte:  — O comportamento humano é apreendido, tem muito pouco de instintivo. O Homem vai apreendendo, através da interacção e da comunicação, as informações necessárias à sua sobrevivência e integração social;
  • 8.  — A cultura está formalizada, através de regras, leis, ritos, convenções, protocolos, cerimónias, etc.;  — Os elementos culturais são partilhados pelos membros do grupo. A partilha das mesmas formas de pensar, sentir e agir reforça a identidade cultural e torna as comunidades distintas entre si;
  • 9.  — A cultura tem caráter cumulativo e é transmissível. As formas de pensar, sentir e agir são transmitidas de geração em geração, através da socialização. Cada geração transmite à geração seguinte, acrescentando novos traços culturais. Daí o seu caráter cumulativo;
  • 10.  — A cultura serve para dar resposta às necessidades dos grupos, para a sua organização. O Homem apropria-se socialmente da natureza, organizando-a, para facilitar a sua sobrevivência e a convivência com os outros.
  • 11.  A forma como nos vestimos, os hábitos alimentares, as regras de convivência e cortesia, a língua, a música, os valores, a religião, a arte, as crenças, constituem traços culturais que nos identificam enquanto cultura e que nos distinguem das outras culturas.
  • 12. Elementos materiais e espirituais da cultura  O conceito de cultura que temos vindo a explicitar compreende elementos de duas ordens distintas: espirituais e materiais.  Os elementos espirituais são aqueles que não são visíveis, palpáveis, constituídos por matéria. São exemplo destes elementos intangíveis da cultura a linguagem, os valores, os rituais, as crenças, a música, os ideais, os usos e costumes de um grupo.  Os elementos materiais, pelo contrário, são aqueles que são visíveis, palpáveis, constituídos por matéria. São exemplo destes elementos tangíveis os documentos históricos, os monumentos, os instrumentos e técnicas de trabalho, as vias de comunicação, etc.
  • 13. Elementos materiais e espirituais da cultura  Naturalmente, os elementos materiais e espirituais não têm existência separada. Influenciam-se reciprocamente. Por exemplo, existem culturas que rejeitam a carne de porco, não a incluindo na sua dieta alimentar. Por outro lado, inovações tecnológicas alteraram hábitos das populações, como, por exemplo, o uso do telemóvel.
  • 14. Diversidade cultural e padrões de cultura  Tendo em conta que a cultura é exclusiva e que cada grupo assume traços culturais que o distingue dos outros grupos, não podemos falar em cultura mas sim em culturas.  As regras de comportamento, os hábitos alimentares, as formas de vestir, os rituais, as crenças, os valores, diferem de sociedade para sociedade. Esta diversidade cultural implica que para a compreensão de determinado ato ou comportamento, o tenhamos que enquadrar na sociedade onde ocorre, evitando uma atitude etnocêntrica.
  • 15. Etnocentrismo  O etnocentrismo é a sobrevalorização de uma cultura em relação às outras.  É a crença de alguém de que há uma cultura superior a outras, que, geralmente, é a sua. Sempre que uma cultura diferente é analisada à luz dos padrões culturais da pessoa que a analisa, e não dos dessa própria cultura, está a adoptar-se uma atitude etnocêntrica.  Esta atitude deve ser recusada, pois além de incorrecta pode ser altamente perigosa, porque está, frequentemente, na base de preconceitos, do racismo, da xenofobia, levando por vezes a atos de barbárie, como aconteceu, por exemplo, com os Judeus. Ler texto-Anthony Giddens
  • 16.
  • 17. Padrões Culturais  Cada sociedade tem os seus padrões culturais, isto é, um conjunto de hábitos e comportamentos comuns aos membros da mesma cultura.  Cada sociedade tem os seus hábitos alimentares, horários estabelecidos para diferentes atividades, formas de cumprimentar, ritos, cerimónias , um conjunto de práticas institucionalizadas que moldam os nossos comportamentos, que tornam as nossas atitudes em comportamentos padronizados.
  • 18.  Um indivíduo que, em Portugal, cumprimente outro roçando o seu nariz no dele, seria visto com estranheza. Contudo, em algumas culturas esse gesto constitui uma forma habitual de cumprimento.
  • 19. Exemplos de diversidade cultural  O homem recebe do meio cultural, em primeiro lugar, a definição do bom e do mau, do confortável e do desconfortável. Deste modo:  os chineses preferem os ovos podres e os Oceanenses o peixe em decomposição.  Para dormir, os Pigmeus procuram a incómoda forquilha de madeira e os Japoneses deitam a cabeça em duro cepo.
  • 20.  O homem recebe do seu meio cultural um modo de ver e de pensar.  No Japão considera-se delicado julgar os homens mais velhos do que são e, mesmo durante os testes e de boa-fé, os indivíduos continuam a cometer erros por excesso.
  • 21.  O homem também retira do meio cultural as atitudes afetivas típicas:  Entre os Maoris [Nova Zelândia], onde se chora à vontade, as lágrimas correm só no regresso do viajante e não à sua partida.  Nos Esquimós, que praticam a hospitalidade conjugal, o ciúme desapareceu (...). ... Nas ilhas Alor [Indonésia], a mentira lúdica considera-se normal; as falsas promessas às crianças constituem um dos divertimentos dos adultos. O mesmo espírito encontra-se na ilha de Normanby onde a mãe, por brincadeira, tira o seio ao filho que está a mamar .
  • 22.  O respeito pelos pais sofre igualmente flutuações geográficas:  O pai conserva o direito de vida e de morte entre os Negritos das Filipinas e em certos lugares do Togo, dos Camarões e do Daomé.  Em compensação, a autoridade paterna era nula ou quase nula nos Kamtchatka [da Sibéria] précomunistas ou nos aborígenes do Brasil.  As crianças Taraumaras [do México] batem e injuriam facilmente os pais.
  • 23.  Entre os Esquimós o casamento faz-se por compra.  Nos Urabima da Austrália um homem pode ter esposas secundárias que são as esposas principais de outros homens.  No Ceilão [atual Sri Lanka] reina a poliandria fraternal: o irmão mais velho casa-se e os mais novos mantêm relações com a cunhada. (…)
  • 24.  O amor e os cuidados da mãe pelos filhos desaparecem nas ilhas do estreito de Torres [Austrália] e nas ilhas Andaman [Índia], em que o filho ou a filha são oferecidos de boa vontade aos hóspedes da família como presentes, ou aos vizinhos, como sinal de amizade.
  • 25.  A sensibilidade a que chamamos masculina pode ser, de resto, uma característica feminina, como nos Tchambuli [Nova Guiné], por exemplo, em que na família é a mulher quem domina e assume a direção.
  • 26.  Os diferentes povos criaram e desenvolveram um estilo de vida que cada indivíduo aceita – não sem reagir, decerto – como um protótipo.”
  • 27. Diversidade cultural: alimentação Uma das razões que leva a que na alimentação (tal como no vestuário) haja uma enorme diversidade cultural é o facto de as várias sociedades viverem em meios bastante diferentes em termos de clima, relevo, fauna e flora. A sua gastronomia reflecte o meio físico em que vivem. Depois entra em cena a socialização, para assegurar que quase todos os membros da sociedade acham deliciosos os alimentos disponíveis
  • 28. Diversidade cultural: exemplos – linguagem gestual
  • 29. Na foto vemos uma mulher a comer com a mão esquerda. Num país como Portugal isso não é digno de reparo, mas o mesmo não sucede num país muçulmano. A higiene corporal dos muçulmanos realiza-se com a mão esquerda, pelo que utilizá-la para comer é considerado nojento.
  • 30. A imagem exibe um gesto que para diversos povos, como por exemplo os portugueses e os norte-americanos, exprime aprovação e deleite. Em França, contudo, é uma forma simbólica de dizer a alguém que não vale nada, que é um “zero à esquerda”. Para os alemães simboliza o recto, pelo que a sua utilização em muitos contextos pode ser considerada insultuosa.
  • 31. Em muitos países, nomeadamente da Europa, o gesto da imagem significa “alto aí”, “não, obrigado” ou uma saudação. Contudo, na África Ocidental quem o fizer estará a dizer “tens cinco pais”, ou seja, “és um bastardo”.
  • 32. Colocar o dedo indicador da mão direita na bochecha e depois rodá-lo é habitual nalgumas regiões italianas. Esse gesto exprime aprovação e não é usado em nenhum outro lugar do mundo.
  • 33. Na Índia e em países muçulmanos, como por exemplo a Arábia Saudita e o Egipto, é habitual os homens andarem de mão dada. Tal comportamento é socialmente relacionado com amizade e companheirismo e não com homossexualidade.
  • 35.
  • 36.
  • 37.
  • 38. Os Ainu são um povo que vive na ilha de Hokkaido, no Japão, e noutras ilhas próximas do Japão (mas actualmente sob administração russa). Um dos dos seus costumes tradicionais consistia em tatuar um bigode nas mulheres. Sem ele não eram consideradas nem bonitas nem suficientemente maduras para casar.O Estado japonês começou a reprimir esse costume no último quartel do século XIX. Apesar disso, em pleno século XX algumas mulheres Ainu continuavam a tatuar um bigode.
  • 40.
  • 41. Cultura e socialização  A socialização é um processo de transmissão de cultura. É através da socialização que os indivíduos apreendem as regras e as práticas sociais dos grupos a que pertencem.
  • 42.  A criança ao nascer é um "livro em branco" pronto a ser escrito pelos agentes socializadores da sociedade onde está inserida. À medida que vai crescendo, vai assimilando os valores, as normas e os comportamentos socialmente estabelecidos, através da interacção e comunicação com os outros elementos da comunidade.
  • 43.  O comportamento humano é um comportamento que se aprende e a socialização é o processo utilizado pelas sociedades para que aqueles que as compõem tenham o comportamento adequado.
  • 44.  As sociedades pretendem que todos os seus membros interiorizem modelos de comportamento conformes às normas e aos valores do grupo.  Essa interiorização realiza-se através da transmissão da cultura que é levada a cabo pelos agentes socializadores.
  • 45.  A socialização é, por isso mesmo, um processo dinâmico e contínuo de transmissão de cultura que, tendo em conta a evolução da cultura e a diversidade cultural, terá necessariamente, que variar no tempo e no espaço.
  • 46. Dinamismo da cultura  Na base da cultura existem valores com os quais as pessoas se identificam e que dão coesão ao grupo. Esses valores são o substrato de normas que vão orientar o nosso comportamento.  Recebemos todo um legado cultural através da nossa socialização e transmitimo-lo às gerações vindouras. Contudo, a cultura não é estática. Novos elementos do grupo e diversos fatores vão contribuindo para a alteração da cultura.
  • 47.  A cultura é dinâmica.  A difusão cultural que advém do cada vez maior contacto entre culturas provoca a aculturação.  As sociedades vão tornando seus e assimilando traços culturais de outros grupos.
  • 48. Aculturação  A aculturação diz respeito às modificações culturais resultantes dos contactos entre pessoas de duas sociedades diferentes. Esses contactos podem consistir em interações diretas, provocadas por conquistas militares, colonização, emigração, atividades missionárias e até turismo. Mas podem também ser contactos indiretos através dos diversos meios de comunicação social (televisão, internet, cinema, jornais, etc.).
  • 49.  A aculturação é um fenómeno social constante, tanto no presente como no passado. As diversas sociedades não são estanques e influenciam-se umas às outras de diversos modos.
  • 50.  A aculturação parece assumir duas formas principais, havendo entre elas diversos graus intermédios.  A aculturação por destruição, quando uma sociedade consegue impor a sua cultura a outra sociedade e a cultura desta desaparece ou se torna residual.  A aculturação por assimilação, quando uma sociedade é influenciada pela cultura de outra sociedade mas não põe de lado a sua própria cultura. Essa influência constitui um enriquecimento, um alargamento do património cultural.
  • 51.  As sociedades vão tornando seus e assimilando traços culturais de outros grupos.  Basta pensar nos estrangeirismos, em novos hábitos alimentares.
  • 52.  Por outro lado, as novas descobertas científicas e tecnológicas alteraram profundamente os comportamentos.  Acresce a isto, a mudança de ideais. O pensamento não é estático.  Os valores em que as sociedades acreditam como sendo os corretos também se vão alterando.
  • 53.  Vemos, nas sociedades actuais, comportamentos socialmente aceitáveis que noutras épocas eram considerados comportamentos desviantes. Comportamentos até regulados pelo Direito, como as uniões de facto ou os casamentos homossexuais.  A globalização económica, financeira, cultural e política contribui para um grande dinamismo das culturas e também para a sua aproximação e conhecimento mútuo.
  • 54. EM SÍNTESE  A cultura é um conjunto de maneiras de pensar, sentir e agir partilhadas por um grupo.  0 Homem apropria-se culturalmente da natureza e organiza-a de maneira a ultrapassar os constrangimentos que dele decorrem.  0 comportamento humano é apreendido através da interacção e da comunicação.
  • 55.  A cultura tem carácter cumulativo e é transmissível.  A cultura está formalizada.  Os elementos espirituais da cultura são aqueles que não são visíveis, que não são constituídos por matéria, intangíveis.  Os elementos materiais da cultura são os que são visíveis, constituídos por matéria, tangíveis.
  • 56.  Sendo a cultura exclusiva de cada grupo não podemos falar em cultura mas sim em culturas. Daí a diversidade cultural.  Os padrões culturais são um conjunto de hábitos e comportamentos comuns aos membros de uma mesma cultura.  0 facto de os elementos de um grupo terem sido socializados tendo em conta o mesmo tipo de valores, normas e práticas, torna as suas atitudes idênticas, padronizadas.
  • 57.  Os comportamentos padronizados facilitam a vida em sociedade.  A interiorização de modelos de comportamento conformes às normas e aos valores do grupo é feita através da socialização.  A cultura não é estática, evolui tendo em conta a evolução dos valores que são o substrato das normas.
  • 58.  Esse dinamismo cultural resulta, em grande parte, do contacto entre culturas, da difusão cultural.  A difusão cultural provoca a aculturação, isto é, as sociedades tornam seus os traços culturais de outros grupos.
  • 59.  A globalização a todos os níveis, característica das sociedades atuais, dá origem a um grande dinamismo cultural.  As culturas devem ser analisadas à luz dos seus próprios padrões culturais, evitando-se assim atitudes etnocêntricas, que são perigosas para a humanidade.