Escavando interfaces: conceitos
de arqueologia da mídia como
contribuições metodológicas
para a pesquisa de mídias online
Prof. Dr. Gustavo Daudt Fischer
UNISINOS – Brasil
Madrid – Fevereiro/2014
como inspiração permanente
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar

Antonio Machado (1875-1939)
Poema XXIX de Provérbios y Cantares
• As trajetórias e
características do YouTube
e Globo Media Center/
Globo Vídeos: Um olhar
comunicacional sobre as
lógicas operativas de
websites de vídeos para
compreender a constituição
do caráter midiático da web
(Fischer, 2008)
BANCO DE DADOS: conjunto de informações, que podem ser
arquivados, indexados e resgatados por determinados procedimentos técnicos.
MÍDIA: presença de imagens, vídeos, músicas e outras linguagens
hipermidiáticas linkados ao banco de dados.
AMBIENTE DE RELACIONAMENTO: lugar onde ocorre a interatividade com a
interface. Web 2.0 – websites interativos e colaborativos.

Internet
Banco de Dados

Web

Mídia

Web 2.0
Ambiente de
Relacionamento
Avançando...
• "As características da mídia tensionando o design de interfaces para
web e software que operam pela internet: uma análise retrospectiva
e progressiva em busca de tendências" (Fischer, 2010-2012).
Objetivo:
Observar as características das mídias em relação ao design de
interfaces buscando identificar aspectos que refletem as
modificações que as interfaces web ou de softwares que operam
através da internet sofreram nos últimos 15 anos.
•O material empírico vem sendo obtido através de uma análise

retroativa (procurando interfaces de determinados websites
e softwares em versões anteriores ou desativados) e

progressiva (acompanhando websites e softwares que
estão online no período da pesquisa) de caráter exploratório.
•Contribuições teóricas dos estudos de Lev Manovich sobre

interfaces culturais e audiovisual.
•Além disso, Jay Bolter e Richard Grusin nas discussões sobre o
conceito de remediação, entre outros conceitos ligados ao design de
interfaces como arquitetura de informação e usabilidade.
“A linguagem das interfaces gráficas está
ligada a outras formas culturais advindas do
impresso, do cinema e das Interfaces
Humano-Computador. Nessas formas
culturais, há modalidades específicas de
organização, estruturando a experiência
humana.”(MANOVICH, 2001)
Genealogia da tela

Clássica

Real Time

Dinâmica
Interativa
Interativa
"A REMEDIAÇÃO é um processo que atravessaria
todas as mídias, a partir de uma apropriação de
técnicas, formas e significado social umas das outras e

com

isso

repropondo-se,

remodelando-se

(do

inglês refashion) na busca por construir novas formas
de representação.”

(BOLTER; GRUSIN, 1999)
1994
2010
1996

2010
1998

2010
2001

2010
2004

2010
2004

2010
1999

2001

2003

2005

2006
Esquema de cores diferentes
Tipografia em negrito
Grandes espaços em branco
Fonte: webdesignledger.com
Imagens explorando a perspectiva

Fonte: webdesignledger.com
Logos e cabeçalhos aumentaram
seu tamanho exageradamente

Fonte: webdesignledger.com
Layout com profundidade
Dar mais importância à
Informação que vem na frente

Fonte: webdesignledger.com
Grandes imagens de plano de fundo

Fonte: webdesignledger.com
Design de miniatura: seu
Site precisa estar pronto
para ser fotografado
Remixabilidade profunda (Manovich)
• “o que é remixado hoje não é apenas o conteúdo de diferentes
mídias mas também suas técnicas fundamentais, métodos de
trabalho, e formas de representação e expressão. Unidas através de
um meio-ambiente comum do software (commom software
enviroment) a cinematografia, animação, animação
computacional, efeitos especiais, design gráfico e tipografia vieram a
criar um novo metameio. Podemos pensar nesse novo metameio
como uma vasta biblioteca de técnicas conhecidas de mídias
anteriores.
Em outras palavras, as
modificações que a
interface vai ganhando e
nos possibilitam produzircircular-consumir
fenômenos como os
websites (no nosso caso
de interesse) podem ser
compreendidos nesta
ambiência que inclui
meios e estratatégias de
trabalho com, através
deles e
que, historicamente, vão
se
acumulando/transformand

PROGRESSIV
O
RETROATIVO
As mídias online, através de suas
interfaces, se esvaem...
O procedimento de resgate das
interfaces foi se construindo para
oportunizar um olhar que
buscasse, perceber movimentos
que a efemeridade da web parece
não nos deixar ver.
Menos reload, mais pausa.
Pausa para dissecar (Suzana Kilpp)
• A metáfora da dissecação do cadáver, inspirada
em Leonardo da Vinci, implica dizer que para
adentrar a telinha e ultrapassar os teores
conteudísticos da TV - que nos cegam e
ensurdecem em relação aos procedimentos
técnicos e estéticos que são o modo sui generis
da mídia produzir sentido - é preciso matar o
fluxo, desnaturalizar a espectação, intervir
cirurgicamente nos materiais plásticos e
narrativos, cartografar as molduras sobrepostas
em cada panorama e verificar quais são e como
elas estão agindo umas sobre as
outras, reforçando-se ou produzindo tensões
(Kilpp, 2006, p. 2)
Molduras como instrumento de
análise
• Zonear territórios da interface pelo significado que propõem
• Organizar a experiência “total”
• Molduras que se repetem, somem, se transformam vão indicando a
trajetória das lógicas de um site.
MO

MAA
MPP

MGP

MO

MFT[MC]

MI
MAC

MGP
Como
instrumentalizar esse
olhar progressivoretroativo? O que eu
estava fazendo com
a dissecação que não
sabia nominar?
Arqueologia
• Arqueologia (do grego, « arqué », antigo, e « logos », discurso depois
estudo, ciência) é a disciplina científica que estuda asculturas e os modos
de vida do passado a partir da análise de vestígios materiais. É uma ciência
social que estuda associedades já extintas, através de seus restos
materiais, sejam estes móveis (como por exemplo um objeto de arte) ou
objetos imóveis (como é o caso das estruturas arquitectónicas). Incluem-se
também no seu campo de estudos as intervenções feitas pelo homem no
meio ambiente.
E se começassemos a ler as tecnologias midiáticas da mesma forma que
Foucault expos as práticas culturais e discursos para uma análise de como
eles nasceram e foram possíveis em determinadas configurações? (Parikka)
Arqueologia da mídia (Huhtamo e
Parikka)
• Segundo Huhtamo e Parikka (2011),
os arqueologistas da mídia, baseados em suas descobertas, começaram
a construir histórias alternativas das mídias suprimidas, negligenciadas
e esquecidas
“vasculha arquivos textuais, visuais, sonoros; assim como coleções de
artefatos, enfatizando tanto as manifestações discursivas como
materiais da cultura.” (op. cit).
Arqueologia da mídia (Huhtamo)
• Erikki Huhatmo (1997)
Dois objetivos:
1) estudo dos cíclicos e recorrentes elementos e motivos que subjazem
e guiam o desenvolvimento da cultura da mídia.
2) “escavação” de formas nas quais essas formulações e tradições
discursivas foram marcadas em máquinas de mídia específicas, em
diferentes contextos históricos. Esse tipo de aproximação, segundo
Huhtamo, daria ênfase a um desenvolvimento cíclico e não cronológico
e também reforçaria a ideia de recorrência ao invés de “inovação
única”.
Arqueologia da mídia (Wendy Chun)
• Chun observa o maquínico agindo na experiência sobre o tempo/repetição
e critica a ideia para ela “escorregadia” de “novo” e pensa mais sobre a
“degradação” presente nas chamadas novas mídias, esta última
relacionada a uma não equiparação entre a ideia de memória e
armazenamento, especialmente na Internet.
•
• [A] memória, com sua constante degradação, não equivale a
armazenamento, embora a memória artificial tenha historicamente
combinado o transitório com o permanente (...), as mídias digitais
complicam essa relação ao fazer o permanente ser um efêmero
durante, criando relações degenerativas nunca vistas entre humanos e
máquinas” (p. 184)
•
Arqueologia da mídia (Wendy Chun)
• Mídias digitais nem sempre estão
lá, nos esperando com o
conteúdo. Sofremos frustrações
diárias com nossas fontes digitais
que simplesmente desaparecem.
Mídias digitais são
degenerativas, esquecíveis, apag
áveis. (...) O dispositivo e seu
conteúdo são assíncronos, não se
esvaem juntos. (p. 192-193).
Arqueologia da mídia – Wayback
Machine
As páginas arquivadas no WBM não
estão nem vivas, nem mortas. O
esqueleto de página proposto pelo
WBM atesta visualmente não
apenas o que nossas estratégias de
resgate afetam no que é
regenerado, mas também como
essas lacunas abrem a web como
um arquivo de um futuro que não
seria uma simples atualização da
memória do passado. (p. 199).
Código-fonte Youtube – abril 2005:
• <PARAM NAME="movie"
VALUE="youtube.swf?video_id=LTnHMRwRLrA&video_title=Dr.+J+Rei
ncarnated&video_length=12&user_id=0&my_gender=m&gender=a&
age_min=18&age_max=45&counter=1908316035&author_id=4&aut
hor_username=Kaizenamazen&author_profile=I+like+videos.++When
+I%27m+not+watching+videos%2C+I%27m+working%2C+running%2
C+eating+out%2C+and+scheming+to+take+over+the+world.++Please
+share+your+videos+with+me%21&author_description=Hi%2C+I%27
m+Kaizenamazen%21+I%27m+a+26+year+old+straight+male+from+C
alifornia+&author_lastlogin=13+hours+ago"
codebase="http://download.macromedia.com/" WIDTH="690"
HEIGHT="475" id="player">
Também pensar a pesquisa como laboratório
conceitual (Jussi Parikka) – como produzir as
arqueologias das mídias online?
Outras iniciativas de dissecação e
arqueologia
- One Terabyte for the kilobyte age
- The Deleted City
The deleted city (Richard Vijgen)
The deleted city
The deleted city
One Terabyte of the Kilobyte Age
(Olia Lialina and Dragan Espenschied)
• Geocities (1995 – 26/10/2009)
• O “Archive Team” salvou quase 1 TB de páginas do Geocities antes de
seu “falecimento”.
• Lialina e Espenschied resolveram fazer download deste material e
criaram um blog e depois um tumblr para reunir os achados de sua
escavação (outras exibições se seguiram).
• http://contemporary-home-computing.org/1tb/
• http://oneterabyteofkilobyteage.tumblr.com/
Ideia de Tecnocultura
McLuhan (2006),
“O futuro do trabalho consiste em ganhar a vida na era da automação. Esta
é uma situação familiar na tecnologia elétrica em geral. Chegam ao fim as
velhas dicotomias entre cultura e tecnologia, entre arte e comércio, entre
trabalho e lazer. (p. 388).
O reconhecimento da historicidade e especificidade das mídias como parte
da visada tecnocultural tem potência para fazer mais, na medida em que a
tecnocultura não “é” sinônimo de cultura digital, mas sim uma visada que se
estabelece na relação de pensar culturalmente as tecnologias e entender as
propriedades tecnológicas em ação na cultura.
Considerações finais
• Agir arqueologicamente em busca de camadas “geológicas” em websites e
webpages fragmentados, pseudo-ressucitados, armazenados, fossilizados.
Camadas são estratificáveis e arqueologizáveis (dissecáveis, rastreáveis
, autenticáveis)para ver q tempos – profundos e mais à tona coalescem, que elementos são memoriais, enfim, o que nelas dura de
midiático, audiovisual, tecnológico, gráfico.
• Precisamos pensar e produzir mais modos de pesquisa com uma visada
tecnocultura e arqueológica sobre as interfaces online.
BOLTER, Jay David; GRUSIN, Richard. Remediation. Understanding new media. Cambridge, Massachussets e
Londres, Inglaterra: Mit Press, 1999

•

REFERÊNC
IAS

•

CHUN, Wendy Hui Kyong. The Enduring Ephemeral, or the Future Is a Memory. In: Huhtamo, E. & Parikka, J. (orgs).
Media Archeology: Approaches, Applications, and Implications. Berkeley, California: University of California Press.
2011.

•

MANOVICH, Lev. “Understanding hybrid media”. 2007. In: Lev Manovich Homepage. Disponível para download em:
http://www.manovich.net/DOCS/ae_with_artists.doc. Acesso outubro 2011.

•

________________. The Language of New Media. Londres: the MIT Press, 2001.

•

FISCHER, Gustavo Daudt. As trajetórias e características do YouTube e Globo Media Center/ Globo Vídeos: Um
olhar comunicacional sobre as lógicas operativas de websites de vídeos para compreender a constituição do
caráter midiático da web. 2008. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Programa de Pós Graduação em
Ciências da Comunicação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, 2008.

•

_____________________. Interfaces culturais e remixabilidade nas lógicas operativas dos websites. In: Sonia
Montaño; Gustavo Fischer; Suzana Kilpp. (Org.). Impacto das novas mídias no estatuto da imagem. 1 ed. Porto
Alegre: Sulina, 2012, v. 1. p 131-148.

•

HUHTAMO, E.. From Kaleidoscomaniac to Cybernerd: Notes Toward an Archaeology of the Media. Leonardo, vol.
30, 3/1997. Disponível em
http://www.stanford.edu/class/history34q/readings/MediaArchaeology/HuhtamoArchaeologyOfMedia.html
(acesso em junho 2012).

•

HUHTAMO, E., JUSSI, Parikka. Media Archeology: Approaches, Applications, and Implications. Berkeley, California:
University of California Press. 2011.

•

KILPP, Suzana. Panoramas televisivos. UNIrevista (UNISINOS. Online), v. 1, p. 1-11, 2006.

• McLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensão do homem. São Paulo, Cultrix. 2006.
Obrigado,
Muchas Gracias!

/gusfischer
www.gustavofischer.com.br
gfischer@unisinos.br

Cts apresentacao

  • 1.
    Escavando interfaces: conceitos dearqueologia da mídia como contribuições metodológicas para a pesquisa de mídias online Prof. Dr. Gustavo Daudt Fischer UNISINOS – Brasil Madrid – Fevereiro/2014
  • 5.
    como inspiração permanente Caminante,son tus huellas el camino y nada más; Caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace el camino, y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante no hay camino sino estelas en la mar Antonio Machado (1875-1939) Poema XXIX de Provérbios y Cantares
  • 9.
    • As trajetóriase características do YouTube e Globo Media Center/ Globo Vídeos: Um olhar comunicacional sobre as lógicas operativas de websites de vídeos para compreender a constituição do caráter midiático da web (Fischer, 2008)
  • 12.
    BANCO DE DADOS:conjunto de informações, que podem ser arquivados, indexados e resgatados por determinados procedimentos técnicos. MÍDIA: presença de imagens, vídeos, músicas e outras linguagens hipermidiáticas linkados ao banco de dados. AMBIENTE DE RELACIONAMENTO: lugar onde ocorre a interatividade com a interface. Web 2.0 – websites interativos e colaborativos. Internet Banco de Dados Web Mídia Web 2.0 Ambiente de Relacionamento
  • 14.
    Avançando... • "As característicasda mídia tensionando o design de interfaces para web e software que operam pela internet: uma análise retrospectiva e progressiva em busca de tendências" (Fischer, 2010-2012).
  • 15.
    Objetivo: Observar as característicasdas mídias em relação ao design de interfaces buscando identificar aspectos que refletem as modificações que as interfaces web ou de softwares que operam através da internet sofreram nos últimos 15 anos. •O material empírico vem sendo obtido através de uma análise retroativa (procurando interfaces de determinados websites e softwares em versões anteriores ou desativados) e progressiva (acompanhando websites e softwares que estão online no período da pesquisa) de caráter exploratório. •Contribuições teóricas dos estudos de Lev Manovich sobre interfaces culturais e audiovisual. •Além disso, Jay Bolter e Richard Grusin nas discussões sobre o conceito de remediação, entre outros conceitos ligados ao design de interfaces como arquitetura de informação e usabilidade.
  • 16.
    “A linguagem dasinterfaces gráficas está ligada a outras formas culturais advindas do impresso, do cinema e das Interfaces Humano-Computador. Nessas formas culturais, há modalidades específicas de organização, estruturando a experiência humana.”(MANOVICH, 2001)
  • 17.
    Genealogia da tela Clássica RealTime Dinâmica Interativa Interativa
  • 18.
    "A REMEDIAÇÃO éum processo que atravessaria todas as mídias, a partir de uma apropriação de técnicas, formas e significado social umas das outras e com isso repropondo-se, remodelando-se (do inglês refashion) na busca por construir novas formas de representação.” (BOLTER; GRUSIN, 1999)
  • 21.
  • 22.
  • 23.
  • 24.
  • 25.
  • 26.
  • 27.
  • 28.
    Esquema de coresdiferentes Tipografia em negrito Grandes espaços em branco Fonte: webdesignledger.com
  • 29.
    Imagens explorando aperspectiva Fonte: webdesignledger.com
  • 30.
    Logos e cabeçalhosaumentaram seu tamanho exageradamente Fonte: webdesignledger.com
  • 31.
    Layout com profundidade Darmais importância à Informação que vem na frente Fonte: webdesignledger.com
  • 32.
    Grandes imagens deplano de fundo Fonte: webdesignledger.com
  • 33.
    Design de miniatura:seu Site precisa estar pronto para ser fotografado
  • 34.
    Remixabilidade profunda (Manovich) •“o que é remixado hoje não é apenas o conteúdo de diferentes mídias mas também suas técnicas fundamentais, métodos de trabalho, e formas de representação e expressão. Unidas através de um meio-ambiente comum do software (commom software enviroment) a cinematografia, animação, animação computacional, efeitos especiais, design gráfico e tipografia vieram a criar um novo metameio. Podemos pensar nesse novo metameio como uma vasta biblioteca de técnicas conhecidas de mídias anteriores.
  • 35.
    Em outras palavras,as modificações que a interface vai ganhando e nos possibilitam produzircircular-consumir fenômenos como os websites (no nosso caso de interesse) podem ser compreendidos nesta ambiência que inclui meios e estratatégias de trabalho com, através deles e que, historicamente, vão se acumulando/transformand PROGRESSIV O RETROATIVO
  • 36.
    As mídias online,através de suas interfaces, se esvaem...
  • 37.
    O procedimento deresgate das interfaces foi se construindo para oportunizar um olhar que buscasse, perceber movimentos que a efemeridade da web parece não nos deixar ver. Menos reload, mais pausa.
  • 38.
    Pausa para dissecar(Suzana Kilpp) • A metáfora da dissecação do cadáver, inspirada em Leonardo da Vinci, implica dizer que para adentrar a telinha e ultrapassar os teores conteudísticos da TV - que nos cegam e ensurdecem em relação aos procedimentos técnicos e estéticos que são o modo sui generis da mídia produzir sentido - é preciso matar o fluxo, desnaturalizar a espectação, intervir cirurgicamente nos materiais plásticos e narrativos, cartografar as molduras sobrepostas em cada panorama e verificar quais são e como elas estão agindo umas sobre as outras, reforçando-se ou produzindo tensões (Kilpp, 2006, p. 2)
  • 39.
    Molduras como instrumentode análise • Zonear territórios da interface pelo significado que propõem • Organizar a experiência “total” • Molduras que se repetem, somem, se transformam vão indicando a trajetória das lógicas de um site.
  • 40.
  • 41.
    Como instrumentalizar esse olhar progressivoretroativo?O que eu estava fazendo com a dissecação que não sabia nominar?
  • 42.
    Arqueologia • Arqueologia (dogrego, « arqué », antigo, e « logos », discurso depois estudo, ciência) é a disciplina científica que estuda asculturas e os modos de vida do passado a partir da análise de vestígios materiais. É uma ciência social que estuda associedades já extintas, através de seus restos materiais, sejam estes móveis (como por exemplo um objeto de arte) ou objetos imóveis (como é o caso das estruturas arquitectónicas). Incluem-se também no seu campo de estudos as intervenções feitas pelo homem no meio ambiente. E se começassemos a ler as tecnologias midiáticas da mesma forma que Foucault expos as práticas culturais e discursos para uma análise de como eles nasceram e foram possíveis em determinadas configurações? (Parikka)
  • 43.
    Arqueologia da mídia(Huhtamo e Parikka) • Segundo Huhtamo e Parikka (2011), os arqueologistas da mídia, baseados em suas descobertas, começaram a construir histórias alternativas das mídias suprimidas, negligenciadas e esquecidas “vasculha arquivos textuais, visuais, sonoros; assim como coleções de artefatos, enfatizando tanto as manifestações discursivas como materiais da cultura.” (op. cit).
  • 44.
    Arqueologia da mídia(Huhtamo) • Erikki Huhatmo (1997) Dois objetivos: 1) estudo dos cíclicos e recorrentes elementos e motivos que subjazem e guiam o desenvolvimento da cultura da mídia. 2) “escavação” de formas nas quais essas formulações e tradições discursivas foram marcadas em máquinas de mídia específicas, em diferentes contextos históricos. Esse tipo de aproximação, segundo Huhtamo, daria ênfase a um desenvolvimento cíclico e não cronológico e também reforçaria a ideia de recorrência ao invés de “inovação única”.
  • 45.
    Arqueologia da mídia(Wendy Chun) • Chun observa o maquínico agindo na experiência sobre o tempo/repetição e critica a ideia para ela “escorregadia” de “novo” e pensa mais sobre a “degradação” presente nas chamadas novas mídias, esta última relacionada a uma não equiparação entre a ideia de memória e armazenamento, especialmente na Internet. • • [A] memória, com sua constante degradação, não equivale a armazenamento, embora a memória artificial tenha historicamente combinado o transitório com o permanente (...), as mídias digitais complicam essa relação ao fazer o permanente ser um efêmero durante, criando relações degenerativas nunca vistas entre humanos e máquinas” (p. 184) •
  • 46.
    Arqueologia da mídia(Wendy Chun) • Mídias digitais nem sempre estão lá, nos esperando com o conteúdo. Sofremos frustrações diárias com nossas fontes digitais que simplesmente desaparecem. Mídias digitais são degenerativas, esquecíveis, apag áveis. (...) O dispositivo e seu conteúdo são assíncronos, não se esvaem juntos. (p. 192-193).
  • 47.
    Arqueologia da mídia– Wayback Machine As páginas arquivadas no WBM não estão nem vivas, nem mortas. O esqueleto de página proposto pelo WBM atesta visualmente não apenas o que nossas estratégias de resgate afetam no que é regenerado, mas também como essas lacunas abrem a web como um arquivo de um futuro que não seria uma simples atualização da memória do passado. (p. 199).
  • 48.
    Código-fonte Youtube –abril 2005: • <PARAM NAME="movie" VALUE="youtube.swf?video_id=LTnHMRwRLrA&video_title=Dr.+J+Rei ncarnated&video_length=12&user_id=0&my_gender=m&gender=a& age_min=18&age_max=45&counter=1908316035&author_id=4&aut hor_username=Kaizenamazen&author_profile=I+like+videos.++When +I%27m+not+watching+videos%2C+I%27m+working%2C+running%2 C+eating+out%2C+and+scheming+to+take+over+the+world.++Please +share+your+videos+with+me%21&author_description=Hi%2C+I%27 m+Kaizenamazen%21+I%27m+a+26+year+old+straight+male+from+C alifornia+&author_lastlogin=13+hours+ago" codebase="http://download.macromedia.com/" WIDTH="690" HEIGHT="475" id="player">
  • 50.
    Também pensar apesquisa como laboratório conceitual (Jussi Parikka) – como produzir as arqueologias das mídias online?
  • 51.
    Outras iniciativas dedissecação e arqueologia - One Terabyte for the kilobyte age - The Deleted City
  • 52.
    The deleted city(Richard Vijgen)
  • 53.
  • 54.
  • 55.
    One Terabyte ofthe Kilobyte Age (Olia Lialina and Dragan Espenschied) • Geocities (1995 – 26/10/2009) • O “Archive Team” salvou quase 1 TB de páginas do Geocities antes de seu “falecimento”. • Lialina e Espenschied resolveram fazer download deste material e criaram um blog e depois um tumblr para reunir os achados de sua escavação (outras exibições se seguiram). • http://contemporary-home-computing.org/1tb/ • http://oneterabyteofkilobyteage.tumblr.com/
  • 57.
    Ideia de Tecnocultura McLuhan(2006), “O futuro do trabalho consiste em ganhar a vida na era da automação. Esta é uma situação familiar na tecnologia elétrica em geral. Chegam ao fim as velhas dicotomias entre cultura e tecnologia, entre arte e comércio, entre trabalho e lazer. (p. 388). O reconhecimento da historicidade e especificidade das mídias como parte da visada tecnocultural tem potência para fazer mais, na medida em que a tecnocultura não “é” sinônimo de cultura digital, mas sim uma visada que se estabelece na relação de pensar culturalmente as tecnologias e entender as propriedades tecnológicas em ação na cultura.
  • 58.
    Considerações finais • Agirarqueologicamente em busca de camadas “geológicas” em websites e webpages fragmentados, pseudo-ressucitados, armazenados, fossilizados. Camadas são estratificáveis e arqueologizáveis (dissecáveis, rastreáveis , autenticáveis)para ver q tempos – profundos e mais à tona coalescem, que elementos são memoriais, enfim, o que nelas dura de midiático, audiovisual, tecnológico, gráfico. • Precisamos pensar e produzir mais modos de pesquisa com uma visada tecnocultura e arqueológica sobre as interfaces online.
  • 59.
    BOLTER, Jay David;GRUSIN, Richard. Remediation. Understanding new media. Cambridge, Massachussets e Londres, Inglaterra: Mit Press, 1999 • REFERÊNC IAS • CHUN, Wendy Hui Kyong. The Enduring Ephemeral, or the Future Is a Memory. In: Huhtamo, E. & Parikka, J. (orgs). Media Archeology: Approaches, Applications, and Implications. Berkeley, California: University of California Press. 2011. • MANOVICH, Lev. “Understanding hybrid media”. 2007. In: Lev Manovich Homepage. Disponível para download em: http://www.manovich.net/DOCS/ae_with_artists.doc. Acesso outubro 2011. • ________________. The Language of New Media. Londres: the MIT Press, 2001. • FISCHER, Gustavo Daudt. As trajetórias e características do YouTube e Globo Media Center/ Globo Vídeos: Um olhar comunicacional sobre as lógicas operativas de websites de vídeos para compreender a constituição do caráter midiático da web. 2008. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Programa de Pós Graduação em Ciências da Comunicação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, 2008. • _____________________. Interfaces culturais e remixabilidade nas lógicas operativas dos websites. In: Sonia Montaño; Gustavo Fischer; Suzana Kilpp. (Org.). Impacto das novas mídias no estatuto da imagem. 1 ed. Porto Alegre: Sulina, 2012, v. 1. p 131-148. • HUHTAMO, E.. From Kaleidoscomaniac to Cybernerd: Notes Toward an Archaeology of the Media. Leonardo, vol. 30, 3/1997. Disponível em http://www.stanford.edu/class/history34q/readings/MediaArchaeology/HuhtamoArchaeologyOfMedia.html (acesso em junho 2012). • HUHTAMO, E., JUSSI, Parikka. Media Archeology: Approaches, Applications, and Implications. Berkeley, California: University of California Press. 2011. • KILPP, Suzana. Panoramas televisivos. UNIrevista (UNISINOS. Online), v. 1, p. 1-11, 2006. • McLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensão do homem. São Paulo, Cultrix. 2006.
  • 60.