A importância da Teoria da Mente no desenvolvimento da inteligência em primatas
Porquê o estudo da cognição em primatas não Humanos ? O ser humano é filogeneticamente um primata  O chimpanzé é o primata não Humano mais próximo dos Humanos É por isso um dos primatas mais estudados no âmbito da cognição com a finalidade de percebermos as tendências evolutivas que conduziram ao desenvolvimento da inteligência na nossa espécie.
Definir inteligência Os primatas são de uma forma geral animais relativamente mais inteligentes do que a maioria dos mamíferos  (Cartright,2000) Definir inteligência: Howard Gardener  : não existe uma inteligencia única mas inteligencias multiplas Goleman  : Teoria da inteligencia emocional. Piaget  : capacidade de adaptação do organismo a uma situação nova.
Custos de um cérebro grande Existe uma clara associação entre inteligência e tamanho cerebral relativo. A tendência para o aumento do volume cerebral está presente em toda a ordem dos primatas  (Dunbar,2006). O ser Humano tem um cérebro 3 vezes superior ao que seria de esperar para um mamífero do seu porte. Este aumento de volume deve-se sobretudo ao desenvolvimento do neocórtex  (Dunbar,2006). Para os seres Humanos o aumento do volume cerebral tem enormes custos: Maior consumo calórico Complicações no parto Nascimentos precoces que aumentam a dependência do recém nascido face aos progenitores Pela lei da selecção natural os benefícios de um órgão tão caro terão de ter compensado os custos para os seus portadores  (Goleman,2007).
Compreender a Inteligência Humana Não obstante as capacidades cognitivas dos outros animais, o ser humano possui capacidades mentais que o distinguem : O raciocínio abstracto, filosófico e cientifico Pensamento religioso A expressão artística;  música, literatura, cinema,  humor , artes gráficas  etc. A engenharia complexa Entre outros Qual a origem / pressão selectiva, que terá potenciado o desenvolvimento destas extraordinárias capacidades mentais ?
Origem do desenvolvimento cerebral
Hipótese Ecológica Defende que a inteligência se terá desenvolvido para superar desafios ecológicos maximizadores da sobrevivência tais como : Elaboração de mapas mentais Fabrico de ferramentas Conhecimento de tipos alimentares mais adequados (inclusivamente medicinais) Possibilitar melhores estratégias de prevenção ou fuga face a predadores Alguns autores consideram que estes desafios não são suficientes para justificar um tão grande e genérico desenvolvimento cerebral (Casanova, 2006) .
Hipótese Social Defende que a inteligência se terá desenvolvido para dar resposta às exigências sociais de grupos socialmente complexos  (Buller, 2005; Foley,1995). A sociabilidade dos primatas supera a concepção da gregaridade simples implicando: Mais do que o contrário de se ser um animal solitário O inter-conhecimento individual entre os indivíduos do grupo O reconhecimento de papeis sociais, hierarquias,  direitos e deveres de cada um A construção de alianças e coligações para  contornar / alterar  as hierarquias que  não são lineares  (Casanova, 2006).
Cognição social e Modularidade Muitos psicólogos defendem que o cérebro humano não é uma máquina de processamento genérico mas sim constituída por  módulos especializados  para o desempenho de tarefas específicas (Módulos mentais). Os primatas superiores, especialmente os Humanos, baseiam-se  nas suas capacidades para  inferir o que os outros possam estar a pensar , para determinarem as suas acções  (Adolph, 2003). Quem detém esta capacidade detém também um maior poder para  manipular a informação social  e os outros indivíduos (Pensamento maquiavélico). Evidências indicam que a Teoria da mente (TOM)  pode constituir um  módulo mental
O que é a Teoria da Mente ? A teoria da mente é a “ferramenta” que permite realizar inferências sobre o estado mental do outro, definindo-se essencialmente como: Capacidade para raciocinar sobre estados mentais  (Povinelli e Vonk, 2004)  Capacidade para deter duas ideias contraditórias  e continuar a processar  (Fitzgerald  in  Cheney e Seyfarth,1990) Capacidade para distinguir entre o seu próprio  conhecimento e emoções e o conhecimento e  emoções do outro  (Casanova, 2006; Premack e Woodruff (1978) in  Cheney  e Seyfarth 1990; cohen,2001; Hues,1998).
Aferir a detenção da teoria da mente O ser humano adquire a teoria da mente entre os 3 e os 4 anos  (Tomasello e Call 1997  in  Casanova, 2006;) Indivíduos autistas não adquirem a teoria da mente Utiliza-se o teste da “falsa crença” para aferir se um individuo tem a teoria da mente (Ex: Teste dos  smarties , Sally-Anne, etc.). Não é possível aplicar linearmente os testes desenvolvidos para os Humanos em primatas não Humanos.  Em primatas não humanos a aferição faz-se com base na observação comportamental e com auxilio de testes específicos.
Beneficios da teoria da mente A detenção da teoria da mente confere aos seus possuidores: Capacidade de manipular os outros socialmente em seu beneficio Capacidade de antecipar as acções dos outros tanto em actividades cooperactivas como em interacções competitivas  (Sterelney in Heyes e Huber, 2000). Capacidade de imaginar e representar cenários/acções não existentes  (Dunbar,2006) Capacidade de detectar comportamentos oportunistas e não cooperativos por parte dos outros individuos
Evidências da teoria da mente em primatas não Humanos Os grandes símios são os únicos primatas não Humanos capazes de ultrapassar testes de falsa crença Estes demonstram também a capacidade para imaginar e fingir. Foram observados em chimpanzés os seguintes comportamentos:  (Byrne,1995) Inventar monstros imaginários para assustar conspecificos Ingerir de comida imaginária Aproximar-se de outros individuos com postura amigavel para posteriormente os agredir Ser mordidos nos dedos por bonecas de plástico Esconder objectos imaginários e recupera-los mais tarde Alguns destes comportamentos foram também reportados em gorilas mas não em macacos
Desvio evolutivo As capacidades evidenciadas pelas várias espécies permite-nos inferir que terá havido um desvio dentro da linhagem dos primatas que separa cercopitecineos de pongídeos ao nível cognitivo  (Sterelny  in  Heyes e Huber, 2000) A diferença essencial parece ser a forma como estes percepcionam o mundo  : Resultado Percepção do mundo Constante percepção de um mundo novo = menor dominio desse mundo Abstracção e categorizaão permitem a percepção de mundos conhecidos, facilitando um maior dominio sobre os mesmos.
Evidências funcionais da Teoria da Mente A teoria da mente ter-se-á desenvolvido para facilitar e optimizar as relações sociais, favorecendo beneficios sociais a longo termo como a  coesão , o  altruismo  ou a  punição  social mais do que benefícios individuais  (Adolph, 2003). Uma das evidencias da função social da teoria da mente é a existencia de emoções complexas: Ex: Desenv.
Emoções complexas em primatas não humanos? Não sabemos ao certo se os primatas não humanos detêm emoções complexas. De qualquer forma evidenciam comportamentos que requerem algum grau de percepção sobre o lugar do outro, o seu estatuto, e noção do que é esperado de sí socialmente : EX: Existencia de reconciliações – necessidade de estabelecer boas relações com possiveis futuros aliados  (Franz de Wall 1989b in Byrne,1995). Estratégia política?  pensamento a longo prazo?  1 chimpanzé treinado para utilizar linguagem simbólica,  mente  acerca de uma acção que praticou, confessando após insistencias do tratador  (Fouts  in  Byrne, 1995) Medo? Vergonha? Capacidade de  mentir/omitir?
Níveis de Intencionalidade A teoria da mente pode aferir-se através dos níveis de intencionalidade: Nivel 0 – não tem consciência da sua existência (REAGE) Nivel 1 – Tem consciência da sua existência  (AGE) Nivel 2 – Concebe outro estado mental para além do seu (PODE FAZER AGIR) Apenas os primatas superiores : Conhecem-se ao espelho (Têm consciência de sí) Mostram evidencias consistentes de compreenderem as crenças de outros  Podem aplicar o engano táctico não de uma forma sensorial simples ( eu sei que X provoca Y ) mas sim por saberem que determinado individuo acredita em algo que não é verdade  (Byrne,1995).
Evidências de um motor social para o desenvolvimento da inteligência É possivel deter-se uma vida social complexa sem a pré-existencia de inteligencia ecológica /técnica evoluida (Lémures de cauda anelada)  (Alison Jolly ,1996  in Byrne ,1995) As  exigencias do contexto ecológico  não parecem ser suficientes para o desenvolvimento de um aparelho mental tão poderoso  (Casanova,2006). Os primatas apresentam um  interesse inato pelo mundo social , conhecem-se individualmente, detêm estatutos, direitos, espectativas de deveres dentro dos grupos onde vivem.
4.  Os primatas superiores detectam a intencionalidade dos outros indivíduos sugerindo que a teoria da mente poderá ter surgido como forma de detectar indivíduos oportunistas e não cooperativos. 5.  Os primatas superiores  praticam o engano táctico  com recurso á intencionalidade de segundo grau. 6.  E xiste uma relação entre o tamanho  do neo-córtex  e o tamanho dos grupos sugerindo que este se possa ter desenvolvido para dar resposta ás crescentes exigências dos mesmos  (Dunbar,2008). 7.  Ent re os primatas, o “ jogo” social  pode ser mais determinante do que o porte corporal para o sucesso de um individuo (Casanova)
O exponenciar da inteligência social em Humanos Um teste realizado com orangutangos, chimpanzés e humanos (com 2,5 anos de idade) evidenciaram: Resultados semelhantes para cognição fisica, espacial, quantitativa e causal Resultados distintos entre Humanos e restantes primatas não Humanos para a cognição social (Humanaos superam 74% das tarefas, contra 33% das restantes espécies) Chimpanzés jovens desempenhando melhor do que humanos adultos em tarefas que exijam memória fotográfica  (Inoue e Matzuzawa, 2007)  Estes resultados sugerem um desenvolvimento mental diferente no que respeita ás capacidades sociais entre humanos e restantes símios superiores.
Conclusões Existem algumas evidências da existência de uma teoria da mente em primatas superiores,  especialmente chimpanzés embora nem todos os investigadores estejam de acordo. Embora o seu desenvolvimento seja inferior à teoria da mente em Humanos, esta parece já estar presente em primatas não Humanos, espelhando uma tendência evolutiva. São ainda necessárias mais investigações para desambiguar duvidas relacionadas com as formas de aprendizagem (visual/mental) nos grandes símios. A hipótese da cognição social apresenta-se como uma hipótese sustentada para o desenvolver da inteligência em primatas Humanos e não Humanos, embora não seja ainda possível afirmar com certeza que tenha sido este o único motor incial. A hipótese da cognição social reforça a ideia da existência de  módulos mentais  uma vez que crianças autistas ou primatas não humanos embora partilhem muitas outras características e competências não apresentam consistentemente a teoria da mente.
Referências  bibliográficas Baron-Cohen, S. 2001. Theory of mind in normal development and autism.  Prisme , 34, 174-183.  Byrne, Richard. 1995.  The Thinking Ape : Evolutionary origins of Intelligence Oxford University Press, USA  Heyes, C. & Ludwit, H. 2000.  The evolution of cognition . MIT Press. Springer Berlin / Heidelberg Heyes, C. M. (1998). Theory of mind in nonhuman primates.  Behavioral and Brain Sciences  21 (1): 101-134. unedited preprint Higher Social Skills Are Distinctly Human, Toddler And Ape Study Reveal.  ScienceDaily  (Sep. 7, 2007) Online http://www.sciencedaily.com/releases/2007/09/070906144113.html Casanova, C. 1996.  Primatologia : sobre o Comportamento e a organização social de um grupo de chimpanzés (pan troglodytes) em cativeiro . Lisboa, ISCSP. Casanova, C.  2002.  Status and friendship in captive female chimpanzees .  Cambridge Dunbar, R. 2006,  A   história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade,  Lisboa, Quetzal Editores Foley, Robert, (1995)  Humans Before Humanity . Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, Inc. Inoue, Sana & Matsuzawa Tetsuro (2007) Working Memory of numerals in chimpanzees.  Current Biology  Vol. 17 No 23 R1004 Kim sterny : 143 primate worlds in Heyes Cecília & ludwit huber (2000) the evolution of cotnigiton. Sana, Inoue e Tetsuro Matsuzawa. 2007 . Working memory of numerals in chimpanzees  Current Biology  Vol 17 No 23  Tomasello, Michael; Call, Josep e Hare Brian 2003. Chimpanzees understand psychological states – the question is which ones and to what extent. TRENDS in Cognitive Sciences  Vol.7 No.4 April 153 . Elsevier Povinelli, D. e Vonk, J.2004.  We don't need a microscope to explore the chimpanzee's mind .  In Mind & Language, n1, February 2004 , pp. 1-28(28) Casanova, Catarina (2006)  Introdução á Antropologia Biológica : Principios Evolutivs, Genética e Primatologia . Lisboa, ISCSP-UTL Foley, Robert, (1995) Humans Before Humanity. Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, Inc. Dunbar, Robin, 2006, A  história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade , Lisboa, Quetzal Editores Baron-Cohen, Simon. 2001. Theory of mind in normal development and autism , in Prisme, 34, 174-183.  Baker, L. J.; Welkowitz, L. A. 2005 .  Asperger's Syndrome : Intervening in schools, clinics, and communities . Keene state college. New Jersey, London. Lawrence Erlbaum associates, publishers,  Adolphs, R. 2003. Cognitive Neuroscience of human social behaviour.  Nature Reviews in Neuroscience.  volume 4 , Março.  Goleman, Daniel 2007.  Social Inteligence: The New Science of Human Relationships . New York. Arrow Bookd. Buller, David J. 2005.  Adapting Minds: Evolutionary Psychology and the presistent Quest for Human Nature  .  Bradford MIT Press, Cambridge, Massachusetts, London. Sousa, C. 1999.  The Use of Tokens by Chimpanzees: A New Approach to Tool - Use And Intelligence . Dissertação de mestrado em Evolução Humana. Departamento de Antropologia - Universidade de Coimbra.
Fim

Cognição social em primatas

  • 1.
    A importância daTeoria da Mente no desenvolvimento da inteligência em primatas
  • 2.
    Porquê o estudoda cognição em primatas não Humanos ? O ser humano é filogeneticamente um primata O chimpanzé é o primata não Humano mais próximo dos Humanos É por isso um dos primatas mais estudados no âmbito da cognição com a finalidade de percebermos as tendências evolutivas que conduziram ao desenvolvimento da inteligência na nossa espécie.
  • 3.
    Definir inteligência Osprimatas são de uma forma geral animais relativamente mais inteligentes do que a maioria dos mamíferos (Cartright,2000) Definir inteligência: Howard Gardener : não existe uma inteligencia única mas inteligencias multiplas Goleman : Teoria da inteligencia emocional. Piaget : capacidade de adaptação do organismo a uma situação nova.
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    Custos de umcérebro grande Existe uma clara associação entre inteligência e tamanho cerebral relativo. A tendência para o aumento do volume cerebral está presente em toda a ordem dos primatas (Dunbar,2006). O ser Humano tem um cérebro 3 vezes superior ao que seria de esperar para um mamífero do seu porte. Este aumento de volume deve-se sobretudo ao desenvolvimento do neocórtex (Dunbar,2006). Para os seres Humanos o aumento do volume cerebral tem enormes custos: Maior consumo calórico Complicações no parto Nascimentos precoces que aumentam a dependência do recém nascido face aos progenitores Pela lei da selecção natural os benefícios de um órgão tão caro terão de ter compensado os custos para os seus portadores (Goleman,2007).
  • 5.
    Compreender a InteligênciaHumana Não obstante as capacidades cognitivas dos outros animais, o ser humano possui capacidades mentais que o distinguem : O raciocínio abstracto, filosófico e cientifico Pensamento religioso A expressão artística; música, literatura, cinema, humor , artes gráficas etc. A engenharia complexa Entre outros Qual a origem / pressão selectiva, que terá potenciado o desenvolvimento destas extraordinárias capacidades mentais ?
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  • 7.
    Hipótese Ecológica Defendeque a inteligência se terá desenvolvido para superar desafios ecológicos maximizadores da sobrevivência tais como : Elaboração de mapas mentais Fabrico de ferramentas Conhecimento de tipos alimentares mais adequados (inclusivamente medicinais) Possibilitar melhores estratégias de prevenção ou fuga face a predadores Alguns autores consideram que estes desafios não são suficientes para justificar um tão grande e genérico desenvolvimento cerebral (Casanova, 2006) .
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    Hipótese Social Defendeque a inteligência se terá desenvolvido para dar resposta às exigências sociais de grupos socialmente complexos (Buller, 2005; Foley,1995). A sociabilidade dos primatas supera a concepção da gregaridade simples implicando: Mais do que o contrário de se ser um animal solitário O inter-conhecimento individual entre os indivíduos do grupo O reconhecimento de papeis sociais, hierarquias, direitos e deveres de cada um A construção de alianças e coligações para contornar / alterar as hierarquias que não são lineares (Casanova, 2006).
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    Cognição social eModularidade Muitos psicólogos defendem que o cérebro humano não é uma máquina de processamento genérico mas sim constituída por módulos especializados para o desempenho de tarefas específicas (Módulos mentais). Os primatas superiores, especialmente os Humanos, baseiam-se nas suas capacidades para inferir o que os outros possam estar a pensar , para determinarem as suas acções (Adolph, 2003). Quem detém esta capacidade detém também um maior poder para manipular a informação social e os outros indivíduos (Pensamento maquiavélico). Evidências indicam que a Teoria da mente (TOM) pode constituir um módulo mental
  • 10.
    O que éa Teoria da Mente ? A teoria da mente é a “ferramenta” que permite realizar inferências sobre o estado mental do outro, definindo-se essencialmente como: Capacidade para raciocinar sobre estados mentais (Povinelli e Vonk, 2004) Capacidade para deter duas ideias contraditórias e continuar a processar (Fitzgerald in Cheney e Seyfarth,1990) Capacidade para distinguir entre o seu próprio conhecimento e emoções e o conhecimento e emoções do outro (Casanova, 2006; Premack e Woodruff (1978) in Cheney e Seyfarth 1990; cohen,2001; Hues,1998).
  • 11.
    Aferir a detençãoda teoria da mente O ser humano adquire a teoria da mente entre os 3 e os 4 anos (Tomasello e Call 1997 in Casanova, 2006;) Indivíduos autistas não adquirem a teoria da mente Utiliza-se o teste da “falsa crença” para aferir se um individuo tem a teoria da mente (Ex: Teste dos smarties , Sally-Anne, etc.). Não é possível aplicar linearmente os testes desenvolvidos para os Humanos em primatas não Humanos. Em primatas não humanos a aferição faz-se com base na observação comportamental e com auxilio de testes específicos.
  • 12.
    Beneficios da teoriada mente A detenção da teoria da mente confere aos seus possuidores: Capacidade de manipular os outros socialmente em seu beneficio Capacidade de antecipar as acções dos outros tanto em actividades cooperactivas como em interacções competitivas (Sterelney in Heyes e Huber, 2000). Capacidade de imaginar e representar cenários/acções não existentes (Dunbar,2006) Capacidade de detectar comportamentos oportunistas e não cooperativos por parte dos outros individuos
  • 13.
    Evidências da teoriada mente em primatas não Humanos Os grandes símios são os únicos primatas não Humanos capazes de ultrapassar testes de falsa crença Estes demonstram também a capacidade para imaginar e fingir. Foram observados em chimpanzés os seguintes comportamentos: (Byrne,1995) Inventar monstros imaginários para assustar conspecificos Ingerir de comida imaginária Aproximar-se de outros individuos com postura amigavel para posteriormente os agredir Ser mordidos nos dedos por bonecas de plástico Esconder objectos imaginários e recupera-los mais tarde Alguns destes comportamentos foram também reportados em gorilas mas não em macacos
  • 14.
    Desvio evolutivo Ascapacidades evidenciadas pelas várias espécies permite-nos inferir que terá havido um desvio dentro da linhagem dos primatas que separa cercopitecineos de pongídeos ao nível cognitivo (Sterelny in Heyes e Huber, 2000) A diferença essencial parece ser a forma como estes percepcionam o mundo : Resultado Percepção do mundo Constante percepção de um mundo novo = menor dominio desse mundo Abstracção e categorizaão permitem a percepção de mundos conhecidos, facilitando um maior dominio sobre os mesmos.
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    Evidências funcionais daTeoria da Mente A teoria da mente ter-se-á desenvolvido para facilitar e optimizar as relações sociais, favorecendo beneficios sociais a longo termo como a coesão , o altruismo ou a punição social mais do que benefícios individuais (Adolph, 2003). Uma das evidencias da função social da teoria da mente é a existencia de emoções complexas: Ex: Desenv.
  • 16.
    Emoções complexas emprimatas não humanos? Não sabemos ao certo se os primatas não humanos detêm emoções complexas. De qualquer forma evidenciam comportamentos que requerem algum grau de percepção sobre o lugar do outro, o seu estatuto, e noção do que é esperado de sí socialmente : EX: Existencia de reconciliações – necessidade de estabelecer boas relações com possiveis futuros aliados (Franz de Wall 1989b in Byrne,1995). Estratégia política? pensamento a longo prazo? 1 chimpanzé treinado para utilizar linguagem simbólica, mente acerca de uma acção que praticou, confessando após insistencias do tratador (Fouts in Byrne, 1995) Medo? Vergonha? Capacidade de mentir/omitir?
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    Níveis de IntencionalidadeA teoria da mente pode aferir-se através dos níveis de intencionalidade: Nivel 0 – não tem consciência da sua existência (REAGE) Nivel 1 – Tem consciência da sua existência (AGE) Nivel 2 – Concebe outro estado mental para além do seu (PODE FAZER AGIR) Apenas os primatas superiores : Conhecem-se ao espelho (Têm consciência de sí) Mostram evidencias consistentes de compreenderem as crenças de outros Podem aplicar o engano táctico não de uma forma sensorial simples ( eu sei que X provoca Y ) mas sim por saberem que determinado individuo acredita em algo que não é verdade (Byrne,1995).
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    Evidências de ummotor social para o desenvolvimento da inteligência É possivel deter-se uma vida social complexa sem a pré-existencia de inteligencia ecológica /técnica evoluida (Lémures de cauda anelada) (Alison Jolly ,1996 in Byrne ,1995) As exigencias do contexto ecológico não parecem ser suficientes para o desenvolvimento de um aparelho mental tão poderoso (Casanova,2006). Os primatas apresentam um interesse inato pelo mundo social , conhecem-se individualmente, detêm estatutos, direitos, espectativas de deveres dentro dos grupos onde vivem.
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    4. Osprimatas superiores detectam a intencionalidade dos outros indivíduos sugerindo que a teoria da mente poderá ter surgido como forma de detectar indivíduos oportunistas e não cooperativos. 5. Os primatas superiores praticam o engano táctico com recurso á intencionalidade de segundo grau. 6. E xiste uma relação entre o tamanho do neo-córtex e o tamanho dos grupos sugerindo que este se possa ter desenvolvido para dar resposta ás crescentes exigências dos mesmos (Dunbar,2008). 7. Ent re os primatas, o “ jogo” social pode ser mais determinante do que o porte corporal para o sucesso de um individuo (Casanova)
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    O exponenciar dainteligência social em Humanos Um teste realizado com orangutangos, chimpanzés e humanos (com 2,5 anos de idade) evidenciaram: Resultados semelhantes para cognição fisica, espacial, quantitativa e causal Resultados distintos entre Humanos e restantes primatas não Humanos para a cognição social (Humanaos superam 74% das tarefas, contra 33% das restantes espécies) Chimpanzés jovens desempenhando melhor do que humanos adultos em tarefas que exijam memória fotográfica (Inoue e Matzuzawa, 2007) Estes resultados sugerem um desenvolvimento mental diferente no que respeita ás capacidades sociais entre humanos e restantes símios superiores.
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    Conclusões Existem algumasevidências da existência de uma teoria da mente em primatas superiores, especialmente chimpanzés embora nem todos os investigadores estejam de acordo. Embora o seu desenvolvimento seja inferior à teoria da mente em Humanos, esta parece já estar presente em primatas não Humanos, espelhando uma tendência evolutiva. São ainda necessárias mais investigações para desambiguar duvidas relacionadas com as formas de aprendizagem (visual/mental) nos grandes símios. A hipótese da cognição social apresenta-se como uma hipótese sustentada para o desenvolver da inteligência em primatas Humanos e não Humanos, embora não seja ainda possível afirmar com certeza que tenha sido este o único motor incial. A hipótese da cognição social reforça a ideia da existência de módulos mentais uma vez que crianças autistas ou primatas não humanos embora partilhem muitas outras características e competências não apresentam consistentemente a teoria da mente.
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    Referências bibliográficasBaron-Cohen, S. 2001. Theory of mind in normal development and autism. Prisme , 34, 174-183. Byrne, Richard. 1995. The Thinking Ape : Evolutionary origins of Intelligence Oxford University Press, USA Heyes, C. & Ludwit, H. 2000. The evolution of cognition . MIT Press. Springer Berlin / Heidelberg Heyes, C. M. (1998). Theory of mind in nonhuman primates. Behavioral and Brain Sciences 21 (1): 101-134. unedited preprint Higher Social Skills Are Distinctly Human, Toddler And Ape Study Reveal. ScienceDaily (Sep. 7, 2007) Online http://www.sciencedaily.com/releases/2007/09/070906144113.html Casanova, C. 1996. Primatologia : sobre o Comportamento e a organização social de um grupo de chimpanzés (pan troglodytes) em cativeiro . Lisboa, ISCSP. Casanova, C. 2002. Status and friendship in captive female chimpanzees . Cambridge Dunbar, R. 2006, A história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade, Lisboa, Quetzal Editores Foley, Robert, (1995) Humans Before Humanity . Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, Inc. Inoue, Sana & Matsuzawa Tetsuro (2007) Working Memory of numerals in chimpanzees. Current Biology Vol. 17 No 23 R1004 Kim sterny : 143 primate worlds in Heyes Cecília & ludwit huber (2000) the evolution of cotnigiton. Sana, Inoue e Tetsuro Matsuzawa. 2007 . Working memory of numerals in chimpanzees Current Biology Vol 17 No 23 Tomasello, Michael; Call, Josep e Hare Brian 2003. Chimpanzees understand psychological states – the question is which ones and to what extent. TRENDS in Cognitive Sciences Vol.7 No.4 April 153 . Elsevier Povinelli, D. e Vonk, J.2004. We don't need a microscope to explore the chimpanzee's mind . In Mind & Language, n1, February 2004 , pp. 1-28(28) Casanova, Catarina (2006) Introdução á Antropologia Biológica : Principios Evolutivs, Genética e Primatologia . Lisboa, ISCSP-UTL Foley, Robert, (1995) Humans Before Humanity. Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers, Inc. Dunbar, Robin, 2006, A história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade , Lisboa, Quetzal Editores Baron-Cohen, Simon. 2001. Theory of mind in normal development and autism , in Prisme, 34, 174-183. Baker, L. J.; Welkowitz, L. A. 2005 . Asperger's Syndrome : Intervening in schools, clinics, and communities . Keene state college. New Jersey, London. Lawrence Erlbaum associates, publishers, Adolphs, R. 2003. Cognitive Neuroscience of human social behaviour. Nature Reviews in Neuroscience. volume 4 , Março. Goleman, Daniel 2007. Social Inteligence: The New Science of Human Relationships . New York. Arrow Bookd. Buller, David J. 2005. Adapting Minds: Evolutionary Psychology and the presistent Quest for Human Nature . Bradford MIT Press, Cambridge, Massachusetts, London. Sousa, C. 1999. The Use of Tokens by Chimpanzees: A New Approach to Tool - Use And Intelligence . Dissertação de mestrado em Evolução Humana. Departamento de Antropologia - Universidade de Coimbra.
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