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A Primeira Guerra Mundial
o confronto e o pós-guerra
Por Raul Silva
Na segunda metade do século XIX as grandes potências coloniais europeias desenvolveram
uma política de alargamento das áreas de influência, organizando-se, para isso, a Conferência
de Berlim, que resultou na partilha de África. As rivalidades económicas acabaram por
acentuar as tensões internacionais, facto que criou condições favoráveis à eclosão da Primeira
Guerra Mundial. Tratou-se, pela primeira vez, de um conflito à escala mundial.
A I.ª Guerra Mundial marcou o fim da supremacia europeia. Por sua vez, os EUA
conheceram uma era de prosperidade, tornando-se na primeira potência mundial.
Em 1918, quando termina a Primeira Guerra Mundial, o mundo não será mais o mesmo.
Uma nova ordem internacional nasce, assente no direito dos povos a disporem de si próprios.
É a ordem política dos estados-nação.
CADERNODIÁRIO
EXTERNATO LUÍS DE
CAMÕES
N.º 15
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externatohistoria@gm
ail.com
14deAbrilde2015
2
CADERNODIÁRIO14deAbrilde2015
A Europa
imperialismo e
colonialismo
Há várias causas prováveis para a
primeira guerra mundial. O evento
principal que marcou o início da
guerra, foi o assassinato de Francisco
Ferdinando, herdeiro do trono Austro-
Húngaro.
Na década de 20, a explicação mais
usada para a guerra foi a de que a
Alemanha começou atacando e
invadindo a Bélgica no dia 3 de agosto
de 1914, e os Austro-Húngaros
invadiram a Sérvia dia 29 de Julho do
mesmo ano. Por terem sido os
primeiros a atacar, os alemães e austro
húngaros foram considerados os
culpados pela guerra, tendo de pagar
uma quantia enorme de dinheiro para
reparar danos da Tríplice Entente. O
valor era o correspondente á
aproximadamente 20 bilhões de dólares
hoje. Em 1931 essa dívida foi extinta.
A rivalidade entre Alemanha e
Inglaterra também é uma das causas.
Iniciou-se uma corrida armamentista,
desenvolvimento de navios de guerra,
etc. A tensão aumentou quando a
Inglaterra construiu o revolucionário
encouraçado HMS Dreadnought.
Já os americanos, culpam a aristocracia
da Alemanha, Rússia e do Império
Austro-Húngaro, que mandava nesses
países. Eram militaristas, deixando de
lado a democracia.
O nacionalismo, que se expandia
rapidamente pela Europa na época,
alimentado pelas guerras perdidas,
rivalidades, e a mídia, contribuiu
bastante para a Guerra. Os cidadãos da
Sérvia e do Império Austro-Hungaro
clamavam por uma guerra, para
defender a sua honra.
Os alemães dominavam uma região
chamada Alsácia e Lorena, que,
inicialmente era mesmo do povo
alemão, mas foi tomado por Luís XIV
da França, em 1648. Os franceses
devolveram o território aos alemães,
devido ao Tratado de Frankfurt (guerra
franco-prussiana). Com isso, surgiu um
sentimento de revanchismo nos
franceses.
Responder:
a) Refira os fatores que estiveram
na origem da disputa pela
supremacia europeia nas
vésperas da Primeira Guerra
Mundial.
A partilha do mundo
e os nacionalismos
in Revista Dois dos Mundos, 1896
“Grandes ou pequenos, antigos ou
recentes, são cinco ou seis países que
detêm a maior parte da riqueza do
mundo. (...) O seu grande negócio
consiste em investir vultuosos capitais
noutros países, retirando daí enormes
benefícios. Eles são os senhores de
terras longínquas, donde lhes vêm
lucros sem precisarem de lá pôr os pés;
(...) fazem cultivar em seu proveito
territórios imensos, por legiões de
negros, de chineses e até mesmo de
brancos (...), possuem minas e fábricas
de que recebem os dividendos sem
jamais as terem visto com os seus
próprios olhos; numa palavra:
enriquecem com o trabalho dos
outros.”
“Há na Europa duas
forças opostas e
irreconciliáveis, duas
grandes nações que
procuram estender o seu
campo de ação ao
Mundo inteiro e querem
impor-lhe o seu domínio
comercial. (...) Se há uma
mina para explorar, um
caminho de ferro para
construir (...) o Alemão e
o Inglês esforçam-se por
chegar em primeiro lugar.
Um milhão de minúsculas
disputas estão à beira de
transformar-se na maior
causa de guerra.”
Jornal Saturday Review, 1897
As colónias portuguesas e a Guerra
No final de 1914, Portugal estava em guerra
não declarada com a Alemanha no Sul de
Angola e no Norte de Moçambique.
3
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O Tratado de Versalhes
uma paz precária
Por J. M. Keynes
“Os vencedores quiseram descarregar o
peso dos seus insuportáveis encargos
financeiros sobre os ombros dos
vencidos. (...) O tratado não
compreende qualquer disposição que
vise a restauração económica da
Europa, nada decide para colocar os
impérios centrais vencidos no meio de
bons vizinhos, nada para organizar os
novos estados europeus ou para salvar a
Rússia. Não cria um contrato de
solidariedade económica entre os
próprios aliados. Nenhuma disposição é
tomada para restabelecer as finanças
desreguladas da França e da Itália (...).
O Conselho dos Quatro não prestou
atenção a estas questões. (...) É
fantástico como o problema de uma
Europa que morre de fome e se
desagrega aos nossos olhos não tenha
interessado aos Quatro. As reparações
foram a sua principal preocupação no
domínio económico e eles
regulamentaram esta questão como um
problema de teologia, de política e de
táctica eleitoral."
Responder:
a) Indique as transformações
verificadas na Europa, após a
Primeira Guerra Mundial.
A Primeira
Guerra Mundial
as transformações
do pós-guerra
Em 11 de novembro de 1918, a
Alemanha assina o acordo de paz na
presença dos aliados. Em janeiro de
1919, em Paris, realiza-se a
Conferência de Paz, liderada pelos
primeiros ministros da França, da
Inglaterra e dos Estados Unidos,
reunidos com mais 23 países
vencedores. Os 14 pontos do
presidente Wilson que servirão de base
às negociações, defendiam a
necessidade de uma diplomacia
transparente na resolução das questões
internacionais, a liberalização das
trocas e da navegação, a redução dos
armamentos, o respeito pelos direitos
soberanos dos povos e a criação de uma
liga das nações.
Da assinatura dos vários tratados de paz
(1919 e 1920) com os estados vencidos
na guerra resultou uma nova fisionomia
política para a Europa. Após a
transformação do império russo num
estado soviético (revolução de 1917) é a
vez dos restantes impérios (Alemão,
Austro-Hungria e Otomano) se
desmoronarem e darem origem a novos
estados-nação. Na Europa surgiram a
Estónia, Letónica, Lituânia, Polónia,
Checoslováquia, Hungria e Jugoslávia.
Na Ásia formou-se a Arábia, Curdistão,
Iraque, Síria, Líbano e Palestina. Por
outro lado, as fronteiras sofrem
alterações. Os países vencedores
alcançam muitas vantagens, assimilando
vários territórios. Pelo contrário, os
países vencidos, para alem das perdas
humanas sofrem sanções geográficas. A
Alemanha foi quem mais perdeu, mas
sobretudo sentiu-se alvo de uma enorme
humilhação, materializada nas cláusulas
do Tratado de Versalhes. A Alemanha
foi cortada ao meio; perdeu território e
população; ficou sem as suas colónias,
parte da frota mercante e da frota de
guerra; foi obrigada a pagar grandes
indemnizações aos povos atacados e
vencedores e foi desmilitarizada.
Com o desaparecimento dos impérios, os
novos estados optam pela democracia
liberal sob a forma de regimes
republicanos, mesmo no caso dos países
vencidos (na Alemanha a República de
Weimar).
A esperança de que não voltasse a haver
um outro conflito mundial fez surgir, em
abril de 1919, uma organização mundial
e não só europeia, sob projeto do
presidente Wilson, dos Estados Unidos
da América, a Sociedade das Nações.
Esta tinha como membros todos os 34
estados aliados e 13 neutrais e como
objetivos: a promoção do
desarmamento; a resolução dos conflitos
pela via pacífica e fomento da
cooperação financeira e económica entre
os estados-membros.
No entanto, esta organização estava
condenada ao fracasso, desde do início,
devido às condições humilhantes que
foram impostas aos vencidos, sobretudo
à Alemanha, por exigir a unanimidade
nas decisões e não ter permitido a
entrada dos estados vencidos no seu seio,
e a ausência dos Estados Unidos da
América e da União Soviética dava um
cariz europeu à organização.
“Permaneço encostado à
parede da trincheira. As
balas caem à nossa volta.
Perdemos a noção do
tempo. (...) Subitamente,
assobios estridentes
precipitam-nos contra a
terra. A rajada de vento
rebenta por cima de nós.
Os homens, de joelhos
retorcidos e o saco sobre
a cabeça, colam-se uns
aos outros. Ofegantes,
nervosos, todos batem
os dentes. Esta espera da
morte é terrível.”
G. Boissière, A Flor na Espingarda
Tratado de Versalhes
A Alemanha foi cortada ao meio; perdeu
território e população; ficou sem as suas
colónias, parte da frota mercante e da frota de
guerra; foi obrigada a pagar grandes
indemnizações aos povos vencedores.
4
No final da guerra de 1914-18, a Europa estava
arruinada, tanto material como humanamente e
os estados beligerantes enfrentam inúmeras
dificuldades, nomeadamente a falta de mão-de-
obra masculina; a reconversão das suas indústrias
que durante a guerra foram vocacionadas para
produzir só material bélico; as colheitas e fábricas
destruídas pelos bombardeamento e a
desorganização dos circuitos comerciais e
financeiros.
Os governos recorrem, então, a várias estratégias.
Internamente, emitem notas massivamente de
modo a multiplicar os meios de pagamento, mas
essas moedas não tinham as correspondentes
reservas de ouro no banco emissor, nem a
produção crescera o suficiente para responder às
solicitações do mercado. Surge, assim, a inflação,
devido à desvalorização da moeda. Esta situação
ainda era mais grave nos países vencidos,
sobrecarregados com o pagamento das
indemnizações. Em 1922, a Áustria declara
falência e fica sob a tutela da Sociedade das
Nações. Externamente, recorrem ao mercado de
bens e serviços e empréstimos americanos,
colocando toda a economia europeia na sua
dependência, pois tornam-se os seus principais
credores.
Os Estados Unidos iniciaram, então, um período
de franca prosperidade, sobretudo entre 1924 e
1929, os designados “Loucos Anos 20” devido ao
clima de euforia, optimismo e confiança no futuro.
Surge o mito do “American Way of Life” e, em
cada 5 americanos 1 tem automóvel. Os Estados
Unidos realizaram diversos empréstimos à
Europa, nomeadamente para a Alemanha,
permitindo-lhe pagar as reparações devidas à
França e à Inglaterra. Ficaram estes países, em
consequência, em condições de reembolsar os
Estados Unidos das dívidas de guerra e dos
empréstimos entretanto efetuados. Em
consequência, os países europeus ficam
mergulhados em dívidas ao estado americano que
afirmou a sua supremacia no mundo ocidental,
posição que até aqui era ocupada pela Europa - a
“fábrica” e o “banco” do mundo. Os Estados
Unidos assumem-se como 1.ª potência mundial,
possuindo metade do stock de ouro existente no
globo, em 1919, e Nova Iorque substituiu Londres
como a banqueira do mundo.
“”
Eça de Queirós, 1888
Responder:
a) Explique como a dependência da Europa
contribuiu para a prosperidade dos Estados
Unidos da América.
A necessidade de capitais
e a dependência europeia
CADERNODIÁRIO14deAbrilde2015
A dependência da
Europa e a
prosperidade dos
Estados Unidos
Os Estados Unidos
realizaram diversos
empréstimos à
Europa,
nomeadamente para
a Alemanha,
permitindo-lhe pagar
as reparações devidas
à França e à
Inglaterra. Ficaram
estes países, em
consequência, em
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Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n.º15 1415

  • 1. 1 A Primeira Guerra Mundial o confronto e o pós-guerra Por Raul Silva Na segunda metade do século XIX as grandes potências coloniais europeias desenvolveram uma política de alargamento das áreas de influência, organizando-se, para isso, a Conferência de Berlim, que resultou na partilha de África. As rivalidades económicas acabaram por acentuar as tensões internacionais, facto que criou condições favoráveis à eclosão da Primeira Guerra Mundial. Tratou-se, pela primeira vez, de um conflito à escala mundial. A I.ª Guerra Mundial marcou o fim da supremacia europeia. Por sua vez, os EUA conheceram uma era de prosperidade, tornando-se na primeira potência mundial. Em 1918, quando termina a Primeira Guerra Mundial, o mundo não será mais o mesmo. Uma nova ordem internacional nasce, assente no direito dos povos a disporem de si próprios. É a ordem política dos estados-nação. CADERNODIÁRIO EXTERNATO LUÍS DE CAMÕES N.º 15 https:// www.facebook.com/ historia.externato http:// externatohistoria.blog spot.pt externatohistoria@gm ail.com 14deAbrilde2015
  • 2. 2 CADERNODIÁRIO14deAbrilde2015 A Europa imperialismo e colonialismo Há várias causas prováveis para a primeira guerra mundial. O evento principal que marcou o início da guerra, foi o assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro- Húngaro. Na década de 20, a explicação mais usada para a guerra foi a de que a Alemanha começou atacando e invadindo a Bélgica no dia 3 de agosto de 1914, e os Austro-Húngaros invadiram a Sérvia dia 29 de Julho do mesmo ano. Por terem sido os primeiros a atacar, os alemães e austro húngaros foram considerados os culpados pela guerra, tendo de pagar uma quantia enorme de dinheiro para reparar danos da Tríplice Entente. O valor era o correspondente á aproximadamente 20 bilhões de dólares hoje. Em 1931 essa dívida foi extinta. A rivalidade entre Alemanha e Inglaterra também é uma das causas. Iniciou-se uma corrida armamentista, desenvolvimento de navios de guerra, etc. A tensão aumentou quando a Inglaterra construiu o revolucionário encouraçado HMS Dreadnought. Já os americanos, culpam a aristocracia da Alemanha, Rússia e do Império Austro-Húngaro, que mandava nesses países. Eram militaristas, deixando de lado a democracia. O nacionalismo, que se expandia rapidamente pela Europa na época, alimentado pelas guerras perdidas, rivalidades, e a mídia, contribuiu bastante para a Guerra. Os cidadãos da Sérvia e do Império Austro-Hungaro clamavam por uma guerra, para defender a sua honra. Os alemães dominavam uma região chamada Alsácia e Lorena, que, inicialmente era mesmo do povo alemão, mas foi tomado por Luís XIV da França, em 1648. Os franceses devolveram o território aos alemães, devido ao Tratado de Frankfurt (guerra franco-prussiana). Com isso, surgiu um sentimento de revanchismo nos franceses. Responder: a) Refira os fatores que estiveram na origem da disputa pela supremacia europeia nas vésperas da Primeira Guerra Mundial. A partilha do mundo e os nacionalismos in Revista Dois dos Mundos, 1896 “Grandes ou pequenos, antigos ou recentes, são cinco ou seis países que detêm a maior parte da riqueza do mundo. (...) O seu grande negócio consiste em investir vultuosos capitais noutros países, retirando daí enormes benefícios. Eles são os senhores de terras longínquas, donde lhes vêm lucros sem precisarem de lá pôr os pés; (...) fazem cultivar em seu proveito territórios imensos, por legiões de negros, de chineses e até mesmo de brancos (...), possuem minas e fábricas de que recebem os dividendos sem jamais as terem visto com os seus próprios olhos; numa palavra: enriquecem com o trabalho dos outros.” “Há na Europa duas forças opostas e irreconciliáveis, duas grandes nações que procuram estender o seu campo de ação ao Mundo inteiro e querem impor-lhe o seu domínio comercial. (...) Se há uma mina para explorar, um caminho de ferro para construir (...) o Alemão e o Inglês esforçam-se por chegar em primeiro lugar. Um milhão de minúsculas disputas estão à beira de transformar-se na maior causa de guerra.” Jornal Saturday Review, 1897 As colónias portuguesas e a Guerra No final de 1914, Portugal estava em guerra não declarada com a Alemanha no Sul de Angola e no Norte de Moçambique.
  • 3. 3 CADERNODIÁRIO14deAbrilde2015 O Tratado de Versalhes uma paz precária Por J. M. Keynes “Os vencedores quiseram descarregar o peso dos seus insuportáveis encargos financeiros sobre os ombros dos vencidos. (...) O tratado não compreende qualquer disposição que vise a restauração económica da Europa, nada decide para colocar os impérios centrais vencidos no meio de bons vizinhos, nada para organizar os novos estados europeus ou para salvar a Rússia. Não cria um contrato de solidariedade económica entre os próprios aliados. Nenhuma disposição é tomada para restabelecer as finanças desreguladas da França e da Itália (...). O Conselho dos Quatro não prestou atenção a estas questões. (...) É fantástico como o problema de uma Europa que morre de fome e se desagrega aos nossos olhos não tenha interessado aos Quatro. As reparações foram a sua principal preocupação no domínio económico e eles regulamentaram esta questão como um problema de teologia, de política e de táctica eleitoral." Responder: a) Indique as transformações verificadas na Europa, após a Primeira Guerra Mundial. A Primeira Guerra Mundial as transformações do pós-guerra Em 11 de novembro de 1918, a Alemanha assina o acordo de paz na presença dos aliados. Em janeiro de 1919, em Paris, realiza-se a Conferência de Paz, liderada pelos primeiros ministros da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos, reunidos com mais 23 países vencedores. Os 14 pontos do presidente Wilson que servirão de base às negociações, defendiam a necessidade de uma diplomacia transparente na resolução das questões internacionais, a liberalização das trocas e da navegação, a redução dos armamentos, o respeito pelos direitos soberanos dos povos e a criação de uma liga das nações. Da assinatura dos vários tratados de paz (1919 e 1920) com os estados vencidos na guerra resultou uma nova fisionomia política para a Europa. Após a transformação do império russo num estado soviético (revolução de 1917) é a vez dos restantes impérios (Alemão, Austro-Hungria e Otomano) se desmoronarem e darem origem a novos estados-nação. Na Europa surgiram a Estónia, Letónica, Lituânia, Polónia, Checoslováquia, Hungria e Jugoslávia. Na Ásia formou-se a Arábia, Curdistão, Iraque, Síria, Líbano e Palestina. Por outro lado, as fronteiras sofrem alterações. Os países vencedores alcançam muitas vantagens, assimilando vários territórios. Pelo contrário, os países vencidos, para alem das perdas humanas sofrem sanções geográficas. A Alemanha foi quem mais perdeu, mas sobretudo sentiu-se alvo de uma enorme humilhação, materializada nas cláusulas do Tratado de Versalhes. A Alemanha foi cortada ao meio; perdeu território e população; ficou sem as suas colónias, parte da frota mercante e da frota de guerra; foi obrigada a pagar grandes indemnizações aos povos atacados e vencedores e foi desmilitarizada. Com o desaparecimento dos impérios, os novos estados optam pela democracia liberal sob a forma de regimes republicanos, mesmo no caso dos países vencidos (na Alemanha a República de Weimar). A esperança de que não voltasse a haver um outro conflito mundial fez surgir, em abril de 1919, uma organização mundial e não só europeia, sob projeto do presidente Wilson, dos Estados Unidos da América, a Sociedade das Nações. Esta tinha como membros todos os 34 estados aliados e 13 neutrais e como objetivos: a promoção do desarmamento; a resolução dos conflitos pela via pacífica e fomento da cooperação financeira e económica entre os estados-membros. No entanto, esta organização estava condenada ao fracasso, desde do início, devido às condições humilhantes que foram impostas aos vencidos, sobretudo à Alemanha, por exigir a unanimidade nas decisões e não ter permitido a entrada dos estados vencidos no seu seio, e a ausência dos Estados Unidos da América e da União Soviética dava um cariz europeu à organização. “Permaneço encostado à parede da trincheira. As balas caem à nossa volta. Perdemos a noção do tempo. (...) Subitamente, assobios estridentes precipitam-nos contra a terra. A rajada de vento rebenta por cima de nós. Os homens, de joelhos retorcidos e o saco sobre a cabeça, colam-se uns aos outros. Ofegantes, nervosos, todos batem os dentes. Esta espera da morte é terrível.” G. Boissière, A Flor na Espingarda Tratado de Versalhes A Alemanha foi cortada ao meio; perdeu território e população; ficou sem as suas colónias, parte da frota mercante e da frota de guerra; foi obrigada a pagar grandes indemnizações aos povos vencedores.
  • 4. 4 No final da guerra de 1914-18, a Europa estava arruinada, tanto material como humanamente e os estados beligerantes enfrentam inúmeras dificuldades, nomeadamente a falta de mão-de- obra masculina; a reconversão das suas indústrias que durante a guerra foram vocacionadas para produzir só material bélico; as colheitas e fábricas destruídas pelos bombardeamento e a desorganização dos circuitos comerciais e financeiros. Os governos recorrem, então, a várias estratégias. Internamente, emitem notas massivamente de modo a multiplicar os meios de pagamento, mas essas moedas não tinham as correspondentes reservas de ouro no banco emissor, nem a produção crescera o suficiente para responder às solicitações do mercado. Surge, assim, a inflação, devido à desvalorização da moeda. Esta situação ainda era mais grave nos países vencidos, sobrecarregados com o pagamento das indemnizações. Em 1922, a Áustria declara falência e fica sob a tutela da Sociedade das Nações. Externamente, recorrem ao mercado de bens e serviços e empréstimos americanos, colocando toda a economia europeia na sua dependência, pois tornam-se os seus principais credores. Os Estados Unidos iniciaram, então, um período de franca prosperidade, sobretudo entre 1924 e 1929, os designados “Loucos Anos 20” devido ao clima de euforia, optimismo e confiança no futuro. Surge o mito do “American Way of Life” e, em cada 5 americanos 1 tem automóvel. Os Estados Unidos realizaram diversos empréstimos à Europa, nomeadamente para a Alemanha, permitindo-lhe pagar as reparações devidas à França e à Inglaterra. Ficaram estes países, em consequência, em condições de reembolsar os Estados Unidos das dívidas de guerra e dos empréstimos entretanto efetuados. Em consequência, os países europeus ficam mergulhados em dívidas ao estado americano que afirmou a sua supremacia no mundo ocidental, posição que até aqui era ocupada pela Europa - a “fábrica” e o “banco” do mundo. Os Estados Unidos assumem-se como 1.ª potência mundial, possuindo metade do stock de ouro existente no globo, em 1919, e Nova Iorque substituiu Londres como a banqueira do mundo. “” Eça de Queirós, 1888 Responder: a) Explique como a dependência da Europa contribuiu para a prosperidade dos Estados Unidos da América. A necessidade de capitais e a dependência europeia CADERNODIÁRIO14deAbrilde2015 A dependência da Europa e a prosperidade dos Estados Unidos Os Estados Unidos realizaram diversos empréstimos à Europa, nomeadamente para a Alemanha, permitindo-lhe pagar as reparações devidas à França e à Inglaterra. Ficaram estes países, em consequência, em condições de reembolsar os Estados Unidos das dívidas de guerra e dos empréstimos entretanto efetuados.