Guia de estudo n.º 2 O Modelo Romano

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Módulo 1 - Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia
Unidade 2 - O modelo romano

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Guia de estudo n.º 2 O Modelo Romano

  1. 1. 1 A herança da Antiguidade Clássica O modelo romano Por Raul Silva Como foi possível uma cidade dominar quase todo o mundo conhecido e mantê-lo unido durante séculos? Alicerçada em múltiplos fatores, a unidade do mundo romano contou, em primeiro lugar, com o prestígio do próprio imperador, figura emblemática e sagrada, símbolo da paz e da unidade. Contou, também, com a sabedoria dos juristas que, fazendo do Direito uma ciência, criaram um conjunto de leis notável que serviu de suporte à administração e à justiça. Nenhuma outra disciplina revela melhor o sentido de organização deste povo, a sua capacidade para adequar a teoria à prática e daí retirar benefícios. Mas, acima de tudo, a unidade do Império construiu-se com espírito de abertura e tolerância bem como a capacidade de estender, aos povos conquistados, o estatuto superior da cidadania. Determinados a manter a paz o que tinham conseguido pela guerra, os Romanos espalharam por todo o Império a sua cultura: os padrões urbanísticos, as construções arquitectónicas, as concepções artísticas, as grandes obras literárias, tornaram-se no património comum de todo o mundo romano e no legado cultural que mais marcou a nossa civilização. Este processo de aculturação fez-se sentir claramente na Península Ibérica. Aqui, os Romanos desenvolveram a vida urbana, fomentaram as atividades económicas, incutiram valores e hábitos, em suma, transformaram em romanos povos anteriormente hostis. Cidades, obras de arte, pontes e estradas lembram, no nosso território, a presença de Roma. Nenhum vestígio, porém, permanece mais vivo do que a língua em que se registam estas palavras. CADERNODIÁRIO EXTERNATO LUÍS DE CAMÕES N.º 2 https:// www.facebook.com/ historia.externato http:// externatohistoria.blog spot.pt/ externatohistoria@gm ail.com 23deOutubrode2015
  2. 2. 2 CADERNODIÁRIO23deOutubrode2015 Roma da cidade ao Império Na história de Roma, o termo império tanto pode significar a vasta extensão de terras e povos sob um mesmo governo, como o período de tempo em que o chefe desse território era um imperador. Porém, se a fase do império se estende entre 27 a.C. -, ascensão de Octávio, primeiro imperador romano - e 476 d. C. - queda do Império Romano do Ocidente -, a história de Roma remonta ao século VIII a. C., tendo por base civilizacional a monarquia etrusca que dotou a cidade de infraestruturas (muralhas, esgotos e uma trama urbana) e de uma organização social e política. Os Romanos conquistaram, progressivamente, as margens do mar Mediterrâneo (da Península Ibérica e Norte de África ao Próximo Oriente), até que, cercando-o, o consideraram como um lago romano - mare nostrum. Roma foi, portanto, uma cidade conquistadora, que se tornou capital de um vasto império. O Império Romano caraterizou-se pela grande extensão e durabilidade, acolhendo uma enorme diversidade de povos. Outra lição que podemos retirar é que a civilização romana é indissociável da ideia de cidade ou urbe. À medida que os generais romanos iam expandindo o território conquistado, iam também fundando ou reorganizando centros urbanos à imagem e semelhança de Roma. Roma impunha o seu domínio a essas cidades, garantindo-lhes uma certa autonomia administrativa ao mesmo tempo que lhes exigia impostos e riquezas. Ao contrário do que acontecia na Grécia Antiga, o Império Romano era um Estado único, ou seja, uma federação de cidades com os seus territórios circundantes, com um governo central em Roma, a grande urbe para onde tudo convergia. Responder: a) Reconheça o caráter urbano da civilização romana. Pesquisar: https://www.youtube.com/watch? v=UFZ_ihWq8CY As cidades romanas e o modelo cultural Pierre Grimal, A Civilização Romana “Se é verdade que, apesar de toda a fantasia e nostalgia, a civilização romana continua a ser, para nós, um fenomeno urbano, não nos surpreenderá verificar que, durante o Império, as cidades, tanto no Ocidente como no Oriente, conheceram uma prosperidade sem precedentes. De tal modo que, no pensamento dos Romanos, a realidade fundamental a vida política é a cidade e o Império, do ponto de vista jurídico, nao é mais do que uma federação de cidades. (...) No Oriente, onde o regime da cidade era antigo e, em muitos aspetos semelhante ao da organização da própria Roma, a vida municipal desenvolveu-se dentro dos quadros tradicionais. (...) No Ocidente, as condições, na origem, eram muito diferentes, contudo, o quadro das províncias não se afastaa muito do que apresentam as províncias orientais. As cidades recuperam muito rapidamente do seu atraso. Na Gália, por exemlo, bastaram um ou duas gerações para que a burguesia local conseguisse criar conjuntos urbanos capazes de albergar uma numerosa população.” “De todas os cantos da terra e dos mares afluem a Roma os produtos de todas as nações, e tudo o que pode produzir a indústria dos Gregos e dos Bárbaros (...). Tantos navios de transporte vêm abordar ao cais do Tibre, que Roma é como que o mercado universal do mundo. Os frutos da Índia e da Arábia (...), os tecidos da Babilónia, (...) chegam a Roma em grande quantidade e com muita facilidade.” Públio Aristides, Elogio de Roma Roma A cidade romana eram protegidas por um muro defensivo. Organizava-se em torno de dois eixos e ruas perpendiculares. O Fórum Romano era o centro político e religioso da cidade.
  3. 3. 3 CADERNODIÁRIO23deOutubrode2015 Roma um Império de cidades O sentido prático dos Romanos evidenciou-se na utilização de um conjunto de regras para a planificação e organização das cidades, cuja origem se pensa estar ligada a fundação de aquartelamentos militares. O racionalismo urbanístico obedecia a uma planta retangular, retilínea, na qual duas ruas ou eixos principais se cruzam, do que resulta a criação de uma praça central, centro da vida política, chamada fórum. Este modelo, presente em Roma, tornou-se um padrão urbanístico que se repetia nas restantes cidades do Império. A padronização e o pragmatismo estendiam-se, também, à arquitetura, podendo distinguir-se os elementos da cidade romana consoante a sua função. Sendo o Império Romano um mundo de cidades, estas cumpriam a função de agradar ao cidadão, que assim dispunha de: Termas: estabelecimento públicos onde se podia tomar banhos de água quente, tépida e fria, receber massagens, fazer depilação, praticar desporto, ler e conviver socialmente. Anfiteatros: locais de duelo entre gladiadores e de lutas entre feras e homens, podendo também ser inundados para simular batalhas navais. Circos: estádios utilizados para as corridas de cavalos e de carros puxados por cavalos. Teatros: locais para representação de tregédias, comédias e farsas, sendo também utilizados como locais de reunião política dos cidadãos. As construções comemorativas, caraterizadas pela imponência, tinham uma intenção propagandística, servindo de exaltação do poder imperial através de monumentos como: Arco do triunfo: monumento comemorativo de uma vitória militar. Coluna: celebrava também o sucesso de uma conquista. A arquitetura romana era idealizada em prol da cidade, pelo que a maioria dos edifícios tinha um cariz utilitário: Basílica: tribunal público e sala de reuniões, transformadas, mais tarde, em igrejas. Templos: a religião politeísta exigia que estivessem implantados por todo o Império, seguindo o modelo arquitetónico grego. Aquedutos: construções para o transporte e abastecimento de água dos rios às cidades. Estradas: as vias de comunicação pavimentadas facilitou a circulação de pessoas e bens pelo Império. Em todas estas construções arquitetónicas, os Romanos imprimiram robustez e monumentalidade. Responder: a) Descreva os elementos urbanísticos da cidade romana. Pesquisar: https://www.youtube.com/watch? v=IQrbyB3XH_Q&list=WL&index=14 A cidade e o ruído das termas Séneca, Cartas a Lucílio “Imagina todas as espécies de vozes. (...) Enquanto os desportistas treinam e se exercitam nos halteres, (...) ouço gemidos; de cada vez que retomam o fôlego, segue-se um silvo e uma respiração aguda. Quando se trata de um preguiçoso ou de alguém que se contenta com uma frição barata, ouço uma mão a bater nos ombros (...). Se, além disso, surgir um jogador que comece a contar as boladas, está tudo acabado! Acrescente-se ainda o quezilento, e o ladrão apanhado em flagrante, e o homem que se diverte a ouvir a sua própria voz enquanto toma banho. Juntem-se a tudo isto as pessoas que saltam para a piscina salpicando os outros de água. Mas todas estas pessoas têm, pelo menos, uma voz normal. Agora imagina a voz aguda e estridente dos depiladores (...) que de repente dão gritos, sem nunca se calarem, a não ser quando depilam as axilas aos outros, obrigando-os, então, a gritar por sua vez. Há ainda os gritos variados dos pasteleiros, vendedores de salsichas e de patés e de todos os moços de taberna que anunciam as suas mercadorias numa melopeia caraterística.” “A prudência romana empregou-se principalmente em coisas que pouco atenção receberam dos Gregos –  pavimentação das estradas, construção de aquedutos e esgotos. Os Romanos calcetam as estradas abertas através de montes e vales (...). Os esgotos, feitos de pesadas pedras (...). O fornecimento de água por meio de aquedutos é tão abundante, que pode dizer-se que os rios correm para as cidades.” Estrabão, Geografia Conimbriga Quando os Romanos chegaram, na segunda metade do séc. I a.C., Conimbriga era um povoado florescente. Graças à paz estabelecida na Lusitania operou-se uma rápida romanização.
  4. 4. 4 CADERNODIÁRIO23deOutubrode2015 O imperador como factor de unidade A enorme extensão do Império Romano exigia um poder forte, centralizado, capaz de irradiar a autoridade máxima de Roma e, simultaneamente, de assegurar a ordem e a segurança nas províncias. Nos primeiros cinco séculos (VI a I a.C.) essa tarefa coube ao regime republicano. Nesse período, o poder político foi exercido por um conjunto de instituições. O Senado era uma assembleia constituída por 300 notáveis da ordem senatorial, com poder de validar as leis votadas nos comícios, de administrar as províncias, controlar o tesouro, decidir da política externa (paz e guerra) e controlar a atuação dos magistrados (funções administrativas e legislativas). Os Comícios eram assembleias de caráter popular representativa do povo de Roma. Elegiam magistrados e votavam as leis propostas por estes. Os magistrados eram funcionários de importância variada que tinham a seu cargo o poder executivo, judicial e militar. Eram eleitos por um ano e seguiam uma carreira pública ascendente até ao cargo mais ambicionado, o de cônsul, que permitiria aceder ao Senado. O Império Romano crescera, e muitos problemas de âmbito militar, económico, social e político, já não eram de todo resolvidos pelas instituições republicanas. Eclodiram, então, várias guerras civis, a maior parte das vezes promovidas pela oligarquia senatorial romana que, ora dava o seu apoio a determinados governadores, ora alinhava ao lado de certos generais. O Senado foi fazendo cada vez mais concessões políticas, chegando a confiar a um reduzido número de homens um vasto poder, esvaziando de funções as instituições republicanas. Júlio César, general responsável pela conquista da Gália, foi nomeado ditador vitalício, em 45 a.C., controlando o Senado e o exército. Mas, acusado de pretender eliminar as instituições e liberdades da república romana, é assassinado no ano seguinte. O período imperial só se inicia com Octávio. Em tempo de guerra civil, soube conservar e servir-se das instituições tradicionais para eliminar os seus rivais e sedimentar o seu poder. Em 40 a.C., o Senado confia-lhe o imperium, autoridade suprema civil e militar. Foi nomeado Princeps Senatus, acumulando vários cargos e obtendo o direito de veto e a supremacia sobre o poder legislativo. É nomeado Princeps Civitatis, concentrando várias magistraturas (poder de comandar o exército, de convocar o Senado e administrar a justiça). É saudado como Imperator (título concedido a generais vitoriosos) e ganha o título de Augustus (divino). O culto do imperador será adotado por todo o Império e reforçou os laços entre os habitantes do Império, unidos pela mesma devoção. Responder: a) Explique a importância assumida pelo imperador como elemento de coesão política. O Imperador e os seus poderes Os Feitos do Divino Augusto “Alcancei duas vezes a ovação e três o triunfo, e vinte e uma vezes fui proclamado imperador. (...) Fui príncipe do Senado (...). Fui pontífice máximo (...) Um lei determinou que a minha pessoa seria, para sempre, inviolável e possuiria o poder dos tribunos da plebe (...). Depois de ter extinguido a guerra civil, e de ter assumido, por consenso universal, o poder supremo, passei a República do meu poder para o arbítrio do Senado e do Povo Romano. Por esse motivo, e para me honrar, recebi o título de Augustus por decisão do Senado. Depois dessa época, fiquei acima de todos os em autoridade (...). Estave eu no meu terceiro consulado quando o Senado, a ordem equestre e o Povo Romano inteiro me designaram Pai da Pátria (...).” “Augusto permitiu (...) que algumas cidades de província erguessem templos em sua honra, com a condição de associarem o culto de Roma ao do soberano, tolerou a superstição privada que dele fazia objeto; mas satisfez-se em ser reverenciado pelo Senado e pelo povo na sua natureza humana (...).” Edward Gibbon, Declínio e Queda do Império Romano Octávio César Augusto Sobrinho-neto de Júlio César. Foi o primeiro Imperador Romano. Acumulou nas suas mãos as várias magistraturas. Inaugurou um nova epoca da historia de Roma, marcada pelo poder pessoal de um imperador.
  5. 5. 5 CADERNODIÁRIO23deOutubrode2015 A Romanização na Península Iberica Com o objetivo de melhor administrarem o Império, os Romanos remodelaram ou fundaram cidades, muito embora atribuindo-lhes estatutos jurídicos diferentes. A maior parte da Península Ibérica era, até à chegada dos Romanos, uma região de pequenos povoados. Estas atraíam as populações indígenas, que aí se adaptavam ao modo de vida romano. Durante o reinado de Augusto (primeiro imperador romano) a instalação de grandes contingentes com a fundação de diversas colónias; a política de urbanização, não só das novas cidades, mas também de alguns povoados indígenas, como, por exemplo, Conímbriga, constitui outro importante contributo na afirmação de um novo modo de vida. O processo de aculturação desenvolvido na sequência da chegada das primeiras legiões romanas à Península Ibérica parece ter tido nos próprios soldados os principais agentes. A instalação na Península de antigos soldados que aqui tinham combatido, terão constituído, um primeiro e importante passo em todo o processo. No entanto, a participação de auxiliares hispânicos no exército romano terá contribuído de igual modo para a habitação dos naturais a esta nova existência. Outra componente de agentes de romanização era constituída pelos inúmeros comerciantes que se encontravam na Península Ibérica, nas proximidades dos acampamentos militares, durante todo o período da conquista. O processo de constituição de alianças promovido por diferentes governadores das províncias hispânicas terá constituído outra forma de, progressivamente, ambientar as populações locais ao modo de vida romano. A constituição de uma escola para os filhos dos chefes indígenas e a organização de um exército regular de forte componente indígena constituíram outros fatores de romanização. No período de guerras civis em Roma, a emigração de romanos para a Hispânia passou a ter um caráter diferente. Não se tratava já de emigrantes que tentavam a sorte num novo território, mas sim de emigrantes políticos, exilados da sua cidade. Tratava-se, pois, de uma emigração de elite. As estradas constituem uma das mais famosas e impressionantes realizações do poder imperial de Roma. Constituíram um dos elementos materiais mais poderosos da administração romana, para além das cidades, criando-se, pela primeira vez na História, um espaço económico livre de barreiras à escala europeia. Por fim, a concessão da plena cidadania romana a todos os homens livres do Império, em 212 d.C, permitiu a elevação das províncias e seus habitantes ao mesmo estatuto dos dominadores. Participando dos mesmos direitos e da mesma dignidade dos conquistadores, os habitantes do Império passaram a olhar-se como verdadeiros romanos. Os Lusitanos e o nível civilizacional Estrabão, Geografia “A norte do Tejo estende-se a Lusitânia, habitada pela mais poderosa das nações ibéricas e que entre todas por mais tempo deteve as armas romanas. (...) Os Lusitanos são excelentes para armar emboscadas e descobrir pistas, são ágeis e destros. O escudo de que se servem é pequeno (...). Armam-se com um punhal ou grande faca. (...) Os Lusitanos sacrificam frequentemente aos deuses, examinam as entranhas sem as arrancar do corpo das vítimas, observam também as veias do peito e tiram certas indicações do simples contacto. Consultam até em certos casos as entranhas humanas, servindo- se para isto dos prisioneiros de guerra, que revestem previamente duma veste para o sacrifício (...). Todos estes montanheses são sóbrios, bebem geralmente só água, deitam-se no chão (...). Nas três quartas partes do ano, o único alimento na montanha são as glandes de carvalho, que, secas, quebradas e pisadas, servem para fazer pão, que pode guardar-se por muito tempo. (...)” Responder: a) Enumere os fatores que mais contribuíram para o processo de romanização. “As colónias nao vêm do exterior para a nossa cidade e não têm raí´zes próprias mas são como produtos da cidade e possuem direitos e instituições do povo romano (...). Esta condição é considerado como melhor e preferível por causa da grandeza do povo romano, do qual essas colónias parecem imagens em miniatura, por assim dizer reproduções.” Aulo Gélio, Noites Áticas Romanização Processo de transmissão da cultura romana aos povos do Império. A romanização foi um processo lento, que embora desigual, atingiu todo o espaço político romano.
  6. 6. 6 CADERNODIÁRIO23deOutubrode2015 A Romanização a aculturação dos povos dominados No Império Romano, os povos conquistados renderam-se à superioridade civilizacional romana, adotando, ainda que de um modo lento, os seus valores, a sua cultura e o seu modo de vida, até alcançarem a cidadania romana. Este processo designou-se por romanização. A Península Ibérica (Hispânia) foi conquistada entre 218 a.C. e 19 d.C., o que corresponde a mais de dois séculos de lutas. Enquanto na zona sudeste da península os Romanos se estabeleceram com relativa facilidade, na zona central e norte da Hispânia, as tribos indígenas lutaram contra a dominação romana. A partir de então, Octávio César Augusto dividiu a península em três províncias: a Lusitanea, a Tarraconensis e a Baetica. Porém, a dominação romana não correspondeu exclusivamente a uma ocupação geográfica violenta: muito antes de o território da Península Ibérica estar completamente pacificado, já a cultura romana havia sido absorvida por vários povos indígenas. À medida que se reorganizava o território após as conquistas, um conjunto de elementos foram fixados, acabando por contribuir para a romanização. A Romanização implicou uma profunda transformação dos modos de vida – material e cultural – dos povos da região onde se situa o atual território português: • a alteração da propriedade fundiária (que de comunitária passou a individual); • a introdução de novas culturas, como a oliveira e a vinha; • a introdução de uma economia comercial e monetária (onde havia uma economia pobre, ligada à pastorícia e à troca direta, os Romanos criaram uma agricultura intensiva, orientada para a exportação); • o desenvolvimento de actividades ligadas à exploração mineira, à pesca e à indústria conserveira; • a introdução de um novo estilo de vida, copiado dos Romanos, mais pacífico e civilizado, testemunhado pela existência de teatros, anfiteatros, estádios, termas, balneários públicos e fóruns; • a integração da religião romana nos cultos indígenas; • a difusão da língua latina, falada e escrita, da qual derivou a língua portuguesa, constitui, porventura, o mais duradouro dos legados da Civilização Romana. Responder: a) Distinga as particularidades da romanização na Península Ibérica. Pesquisar: https://www.youtube.com/watch? v=HJdiEBhXoJo&index=10&list=WL A Romanização e a ação de um governador Tácito, Vida de Agrícola “A fim de que estes homens incultos, e por isso inclinados a guerrear, se acostumassem a uma vida agradável e pacífica (…), exortou-os (…) e ajudou- os a empreenderem a construção de templos, fóruns, habitações. Deste modo, uma rivalidade de prestígio substituía a violência. Entretanto, iniciava os filhos dos notáveis no estudo das letras, (...) de tal maneira que os mais inclinados outrora a rejeitar a língua de Roma ardiam agora de zelo em falá-la com eloquência. Depois, mesmo os nossos trajes tinham honra em usar e a toga multiplicou-se; progressivamente, acabaram por apreciar até aos nossos vícios, as delícias dos banhos e o refinamento dos banquetes; e estes noviços levaram a sua inexperiência ao ponto de chamar civilização ao que não era mais do que um aspeto da sua rejeição.” “O mundo inteiro parece estar em festa. Deixou já a sua armadura de ferro para se entregar com toda a liberdade à beleza e à alegria de viver. Todas as cidades renunciaram às antigas rivalidades; melhor dizendo, anima-as agora um mesmo espírito de emulação: tornar-se a mais bela, a mais encantadora. Em todo o lado se podem ver ginásios, fontes, edifícios públicos, templos, oficinas e escolas.” Públio Aristides, Elogio de Roma A rede viária A rede viária romana foi essencial para o deenvolvimento do comércio. A Península Ibérica formou um só espaço economico que, por sua vez, partilhava do dinamismo do Império

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