Bacterioses

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Bacterioses

  1. 1. BACTERIOSES Emília Spanghero
  2. 2. Bacterioses• As bactérias são organismos que podem ter uma enorme importância em piscicultura pelas doenças que provocam, as quais frequentemente tem um impacto econômico apreciável nas populações de peixes.
  3. 3. Bacterioses• Taxas de mortalidades: são por vezes muito elevadas.• Por outro lado, algumas bacterioses são de tratamento bastante difícil e pouco eficaz.• No estudo das bactérias de peixes é necessário considerar vários fatores que intervêm de modo mais ou menos determinante no estabelecimento das infecções.
  4. 4. Bacterioses• Em primeiro lugar é importante frisar que a maior parte das bactérias são organismos que fazem parte da comunidade bacteriana normal da água, sendo encontradas à superfície dos peixes e nas respectivas brânquias.
  5. 5. Bacterioses• Apesar disso, apenas em determinadas condições, normalmente verificadas em piscicultura e que resultam no estresse a que os animais estão submetidos, é que estas bactérias apresentam uma capacidade patogênica importante manifestada por sintomatologia variada.
  6. 6. Organismos PatogênicosOrganismos patogênicos secundários: Aeromonas hydrophila Flexibacter psychrophilus Pseudomonas fluorescens Flavobacterium branchiophilaDesignadas genericamente como organismos patogênicos secundários ou invasores secundários, apenas manifestam sua capacidade patogênica quando condicionadas por um estado de debilidade dos hospedeiros.
  7. 7. Organismos Patogênicos• Por outro lado, existem bactérias que possuem características diferentes, sendo chamadas de agentes patogênicos primários ou invasores primários como por exemplo Aeromonas salmonicida que tem a capacidade de iniciar uma infecção por si própria em hospedeiro sujeito a estresse pouco intenso.
  8. 8. Fenômenos patogênicos• As bactérias podem apresentar associadas a diversos fenômenos patogênicos, que costumam ser divididos em três principais aspectos: Resposta septicêmica Necrose do tegumento e músculo Resposta crônica proliferativa
  9. 9. Septicemia• Os estados septicêmicos são relativamente frequentes e causados particularmente pelas mais agressivas bactérias Gram-negativas.• A principal característica é a presença de bactérias em todos os órgãos.• As lesões provocam hiperemia dos capilares, exsudato inflamatório, hemorragias focais e exoftalmia associada a edema periorbital.
  10. 10. Glossário• A hiperemia é um aumento da quantidade de sangue circulante num determinado local.• Exsudato : é matéria resultante de processo inflamatório — usualmente conexa com ou decorrente de processo infeccioso concomitante ou pregresso — e que, saindo de vasos sanguíneos, vem depositar-se em tecidos ou superfícies teciduais, sendo constituída de líquido, células, fragmentos celulares, e caracterizada, além do que já se mencionou, por alto conteúdo proteico. Muitos processos infecciosos (bacteremias, septicemias etc.) dão causa à formação dessas matérias que se extraem dos tecidos originários e se depositam noutros tecidos, em cavidades orgânicas ou, ainda, vem ao exterior do organismo afetado.
  11. 11. Necrose do tegumento e músculo• Pode ocorrer simultaneamente com um estado septicêmico mas, geralmente manifesta-se em infecções menos graves nas quais as bactérias se alojam no tegumento e músculo.• Através da produção de toxinas necrosantes induzem focos necróticos, por vezes intensos, nos tecidos em que se multiplicam.• É um fenômeno típico da furunculose, por exemplo.
  12. 12. Lesões crônicas proliferativas• São particularmente comuns no tecido hematopoiético.• Caracterizam-se por necrose, que vai se desenvolvendo, ao mesmo tempo em que se verifica proliferação dos tecidos e reparação das lesões.• A zona central das lesões, contendo as bactérias iniciais, é gradualmente rodeada por células fagocitárias e por um envoltório de fibroblastos e colágeno.
  13. 13. Classificação Gram• Muito usada para identificar bactérias, é feita com base em uma técnica de coloração desenvolvida pelo microbiologista dinamarquês Hans Christian Gram, a técnica de Gram; dividindo as bactérias em dois grupos :• Gram-positivas: bactérias que possuem parede celular com uma única e espessa camada de peptidoglicanos. Pelo emprego da coloração de Gram, tingem-se na cor púrpura ou azul quando fixadas com cristal violeta, porque retêm esse corante mesmo sendo expostas a álcool.
  14. 14. Classificação Gram• Gram-negativas: bactérias que possuem uma parede celular mais delgada e uma segunda membrana lipídica - distinta quimicamente da membrana plasmática - no exterior desta parede celular. No processo de coloração o lipídio dessa membrana mais externa é dissolvido pelo álcool e libera o primeiro corante: cristal violeta. Ao término da coloração, essa células são visualizadas com a tonalidade rosa-avermelhada do segundo corante, safranina que lhes confere apenas a coloração vermelha.
  15. 15. Estrutura da parede celular
  16. 16. Coloração
  17. 17. • Estas bactérias de diferentes colorações tem também graus diferentes de virulência. As Gram-negativas, por exemplo, são constituídas por uma endotoxina denominada LPS (lipopolissacarídeo), que é causadora da patogenicidade. Já as Gram-positivas possuem a exotoxina rica em ácido lipoprotéico que confere aderência à bactéria.
  18. 18. FURUNCULOSE• É uma das bacterioses conhecidas há mais tempo.• Agente etiológico, Aeromonas salmonicida, uma bactéria Gram-negativa.• Extensa distribuição geográfica.
  19. 19. Aeromonas salmonicida colonies on TSA exhibiting diffusable brown pigment on the left half; on the right half isthe nonpigmented Enterobacter aerogenes.Plate provided by J. Cox, A. Beuler, G. Cervenka and K. Grospe and image taken by M. Glogowski
  20. 20. FURUNCULOSE• Sendo frequente em salmonídeos cultivados em água-doce, esta doença pode causar mortalidade em peixes de outras famílias, como a carpa, e também tem sido descrita em pisciculturas marinhas de salmonídeos.• Apesar da existência de processos terapêuticos é, em alguns países, considerada uma doença de declaração obrigatória.
  21. 21. SintomatologiaA doença provocada pela forma típica, que é a mais frequente, pode manifestar-se de formas diferentes, como se vê a seguir: Hiperaguda, que ocorre geralmente em alevinos, os quais apresentam um pronunciado escurecimento e altas taxas de mortalidade de forma rápida e os mesmos sintomas internos que os verificados na fase aguda.
  22. 22. Sintomatologia Aguda, na qual os sinais clínicos aparecem alguns dias antes de se iniciar a mortalidade e que se manifesta por uma típica septicemia hemorrágica, atingindo principalmente os jovens e adultos. Os animais nestas condições ficam letárgicos, não de alimentam e tem hipertrofia do baço e vísceras hemorrágicas.
  23. 23. Sintomatologia Subaguda e crônica, que são mais frequentes em peixes adultos, havendo mortalidade baixa e que progride lentamente. Nestes casos os animais apresentam lesões hemorrágicas no tegumento, que se aprofundam para o músculo, por vezes de dimensões consideráveis, com aspecto de furúnculo, de onde deriva o nome furunculose.
  24. 24. Patogenia A observação histopatológica de exemplares na fase aguda da doença revela frequentemente focos de bactérias no coração, rim e baço, bem como necrose focal em vários órgãos, como no fígado e tecido hematopoiético. Nos exemplares com infecção crônica o coração e baço são os órgãos mais afetados, observando-se a presença de grande quantidade de bactérias.
  25. 25. Patogenia• Os furúnculos, ocorrendo na musculatura por aprofundamento das lesões tegumentares, consistem em tecido necrótico, exsudato e macrófagos pouco abundantes.• Diferem dos verdadeiros furúnculos dos animais homeotérmicos, que caracteristicamente contém numerosos leucócitos polimorfonucleados, além de restos necróticos e fluido.
  26. 26. Patogenia• Se não houver o tratamento apropriado a mortalidade pode ser considerável, especialmente nas fases hiperaguda e aguda da doença.
  27. 27. Diagnóstico• O isolamento primário pode efetuar-se a partir do rim em meio de TSA (Trypticase Soy Agar) ou BHIA (Brain Heart Infusion Agar) incubados entre 20 e 25°C durante 48 a 72 horas.• As colônias da forma típica formam um pigmento intensamente castanho que se difunde rapidamente em meio sólido, o que faz com que as placas de cultura fiquem rapidamente com essa cor característica.
  28. 28. Diagnóstico• A confirmação requer testes bioquímicos.• Uma identificação rápida pode ser feita por testes sorológicos ou de aglutinação.
  29. 29. Transmissão• Aeromonas salmonicida transmite-se horizontalmente através da água ou contato direto peixe a peixe.• Esta bactéria tem a possibilidade de resistir durante algum tempo (pouco) na água fora do hospedeiro.
  30. 30. Profilaxia• O principal método profilático consiste em evitar a introdução de peixes infectados na piscicultura.• A superpopulação e fatores causadores de estresse devem ser minimizados, e o aporte de água deve ser aumentado.
  31. 31. Profilaxia• Atualmente já existe alguma possibilidade de vacinação que, no entanto, está ainda em fase de desenvolvimento.• Esta vacinação requer injeção intraperitonial dos exemplares, o que obviamente impede a sua administração em larga escala.
  32. 32. Tratamento• O método de tratamento mais eficaz atualmente parece ser a aplicação das quinolonas fluoradas – ácido oxolínico e flumequina – em concentração de: 10mg/kg de peixe/dia, durante cerca de 10 dias em piscicultura de água doce Cerca de 30mg/kg de peixe/dia pra água salgada
  33. 33. Tratamento• A oxitetraciclina também pode ser empregada 50mg/kg de peixe/dia durante 10 dias.• Tem-se verificado, em vários casos, a existência a determinados antibióticos em epizootias de furunculose.• O problema de resistência a antibióticos por parte de A. salmonicida é encarado com grande preocupação, uma vez que se verifica ser cada vez mais intensa e extensiva a um maior número de antibióticos.
  34. 34. DOENÇA BRANQUIAL BACTERIANA• Como o nome indica, ataca as brânquias.• É provocada por bactérias filamentosas, Gram- negativas.• Principais gêneros causadores da doença são Flavobacterium, Flexibacter, Myxococcus, Chryseobacterium.• A espécie Flavobacterium branchiophilum é provavelmente, a mais importante.
  35. 35. DOENÇA BRANQUIAL BACTERIANA• Esta doença foi descrita, com vasta distribuição geográfica, para numerosas espécies de peixes de cultivo e sob a influência de temperaturas bastante diferentes, variando desde os 5°C até mais de 20°C.• A transmissão das bactérias parece dar-se pela água e através dos exemplares infectados.
  36. 36. Sintomatologia• Letargia• Perda de apetite• Animais tem tendência a permanecer próximos da superfície da água ou entrada de água nos tanques, apresentando um comportamento que revela dificuldade respiratória.• Pode haver elevada produção de muco nas brânquias, observando-se por vezes cordões mucosos pendentes das mesmas
  37. 37. Patogenia• Os estágios iniciais da doença caracterizam-se por hiperemia, hipertrofia da lamelas secundárias das brânquias e aumento da produção de muco.• Com a evolução da infecção verifica-se uma extensa fusão das lamelas branquiais, provocada principalmente por proliferação celular, que preenche completamente o espaço entre cada duas lamelas.
  38. 38. Patogenia• Geralmente a extremidade das lamelas primárias dilata-se, ficando com forma de clava.• Alguns autores referem fenômenos necróticos• Níveis de mortalidade com importância econômica – até cerca de 50% do plantel – tem sido atribuídos a esta bacteriose.
  39. 39. Diagnóstico• O primeiro diagnóstico faz-se por observação da sintomatologia e das brânquias para verificar se nelas existem os sinais característicos.• Dado que outros fatores podem provocar também fusão lamelar, é necessário verificar a presença de bactérias filamentosas, o que se faz facilmente por observação microscópica de esfregaços ou fragmentos de brânquias.
  40. 40. Diagnóstico• No entanto, a dilatação em clava dos filamentos branquiais é uma característica que permite um diagnóstico com alto grau de confiabilidade.• O diagnóstico definitivo é efetuado através do isolamento das bactérias, sendo o ágar citofaga o meio comumente utilizado, com incubação a temperaturas compreendidas entre 5°C e 30°C.
  41. 41. Profilaxia• Uma vez que as bactérias podem propagar-se rapidamente pela água e não existem evidências de resistência por parte dos peixes, os cuidados higiênicos de rotina serão essenciais como medida profilática.• Evitar: superpopulação, falta de oxigênio na água, sólidos suspensos e níveis elevados de amônia.
  42. 42. Profilaxia• A existência de uma elevada concentração de oxigênio na água será importante uma vez que se assume que a morte dos hospedeiros se dá por asfixia.
  43. 43. Tratamento• Vários produtos tem sido experimentados, com maior ou menor sucesso, como meio terapêutico.• O mais indicado é o cloreto de sódio (NaCl) a 1- 5%, durante 1-2 minutos que remove as bactérias com alto grau de eficácia.• Os animais infectados recuperam-se facilmente depois do tratamento no caso de não ter havido lesões irreversíveis nas brânquias.

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