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Argumentação
  Situa-se entre a retórica e a lógica.

  pelo seu carácter dialéctico, dela retirando algumas noções como,
  por exemplo, a de auditório.

  retirando dela a estrutura que sustenta o discurso.

  A argumentação
  - pode ocorrer no encontro interpessoal, isto é, numa situação de
  diálogo em que as pessoas se dirigem directamente umas às outras;

  - ou de forma mais indirecta através dos meios de comunicação
  social.
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Ao nível das relações interpessoais, o discurso argumentativo
       exerce-se num contexto em que há um determinado emissor ou
           orador e um destinatário ou auditório que, de uma ou outra
       forma, estabelecem um contacto dialógico próximo e directo: a
                      palestra, a conferência, o debate, a exposição...


        Ao nível dos meios de comunicação social, agente formador e
    informador da opinião pública, o discurso argumentativo dirige-se
      a um auditório indiferenciado, como acontece com um artigo de
      fundo, com um editorial, com as notícias, com os comentários e
                                                  com a publicidade.

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Discurso argumentativo



  Acto comunicativo que apresenta provas ou razões para defesa de
uma opinião, as quais visam persuadir o receptor e interferir nas suas
                                        atitudes e comportamentos.


     Para deliberar, justificar, discutir, explicar, provar ou fundamentar,
                                  recorremos ao discurso argumentativo .




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Características do discurso
                argumentativo
Exerce-se numa situação comunicativa, pressupõe o uso da palavra,
excluindo a violência ou a força física para atingir o seu objectivo:
conquistar a adesão do auditório.
Serve-se da linguagem natural e não de símbolos abstractos, a
linguagem deve ser compreendida pelo auditório.
Possui carácter dialógico. Relação interactiva entre orador e
auditório, podendo ambos, em cada momento, dar assentimento ou
rejeitar aquilo que o outro diz.
As mensagens transmitidas não são neutras, visam alterar as
convicções e as atitudes das outras pessoas. Pela palavra, o orador
pretende agir sobre os outros, interferindo nas suas opiniões.
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»
O objectivo é granjear adesão, esforçando-se por conquistar o
auditório.
Integra um conjunto de estratégias. Para melhor convencer o
receptor, uma boa selecção e organização de argumentos pode
conduzir mais eficazmente ao que se pretende.
É uma forma problematizadora de encarar os temas – os que
conduzem à dúvida e suscitam diferentes pontos de vista. Uma
questão é objecto de argumentação se a sua verdade não for
evidente nem objectiva.


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Tipos de argumentos




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Tipos de argumentos




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Argumento dedutivo
 São susceptíveis de validade formal – constituem objecto de estudo da
lógica;
Característico das ciências formais, como a lógica e a matemática;
Processo de inferência pelo qual de uma ou mais proposições conhecidas
(premissas) se conclui necessariamente uma proposição (conclusão), nelas, de
algum modo, incluída e implicada;
A conclusão de um argumento dedutivo é uma consequência necessária ou
lógica das premissas;
Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão é necessariamente
verdadeira;
Não é ampliativo ou demonstrativo.
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Argumento indutivo

Num argumento indutivo, a verdade da conclusão não é garantida pela
verdade das premissas, a conclusão é apenas provavelmente verdadeira;
Está presente nas ciências experimentais como a física e a biologia
(investigação com base nos dados recolhidos pela observação na natureza);
Processo de inferência que vai do particular para o geral;
São ampliativos ou não-demonstrativos ( a conclusão “ultrapassa” as
premissas, é uma extrapolação – no sentido em que, a verdade conjunta das
premissas não garante a verdade da conclusão);
Um argumento indutivo é forte quando a força das premissas torna
altamente improvável (embora não impossível logicamente) que a conclusão
seja falsa.
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Argumento indutivo




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Argumento por analogia




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Argumento por analogia
Baseia-se numa comparação entre objectos diferentes e inferem de certas
semelhanças outras semelhanças (partem da ideia de que se diferentes coisas
são semelhantes em determinados aspectos, também o serão noutros);
 a verdade da conclusão não é garantida pela verdade das premissas (há que
ter em conta aquilo que as premissas e a conclusão afirmam e os dados da
experiência);
A forma não permite concluir se é bom ou mau – a qualidade deste
argumento não depende da sua forma lógica;
Podem ser fortes ou fracos:
- a comparação tem de se basear num número razoável de semelhanças;
- as semelhanças apontadas devem ser relevantes para a conclusão que se
quer inferir;
- não deve haver diferenças fundamentais relativamente aos aspectos que
estão a ser comparados.
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Outros argumentos: Entimema (argumento dedutivo)
É um silogismo em que uma das premissas é omitida por ser óbvia e
poder ser facilmente subentendida. É um silogismo a que falta uma
premissa, geralmente a primeira.
Ex. O aborto deve ser proibido, porque é o assassínio de inocentes.
A primeira premissa está suprimida.

                               Forma canónica
           Todo o assassínio de inocentes deve ser proibido.
           O aborto é um assassínio de inocentes.
           Logo, o aborto deve ser proibido.

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Ex. Os golfinhos não são peixes porque não respiram por guelras.
Falta a primeira premissa.
                                  Forma canónica
           Os peixes respiram por guelras.
           Os golfinhos não respiram por guelras.
           Logo, os golfinhos não são peixes.
Ex. Todo o texto é subversivo. Logo, o poema é subversivo.
 Falta a segunda premissa.
                                  Forma canónica
           Todo o texto é subversivo.
           O poema é um texto.
           Logo, o poema é subversivo.
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Argumentos com base em exemplos

Argumento de natureza indutiva que consiste em citar com
oportunidade um exemplo ou caso particular


    visa produzir no auditório a convicção de que ilustra um
    princípio geral


   Efectuam generalizações e previsões a partir de casos ou
   exemplos particulares (mesmo quando os exemplos são
   verdadeiros, a generalização comporta certa possibilidade de
   erro)

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Argumentos de autoridade
Argumento baseado na opinião de um especialista (pessoa ou
instituição com conhecimentos seguros sobre dada matéria).
O argumento estrutura-se da seguinte forma:
X (alguém com conhecimentos seguros) faz a afirmação Y.                            A diz que P.
Logo: A afirmação Y é verdadeira.
                                                                           ou      Logo, P.

Ex. Hegel diz que todo o real é racional e todo o racional é real; logo,
todo o real é racional e todo o racional é real.
É um mau argumento de autoridade, não porque Hegel não seja um
especialista na matéria, mas porque muitos outros especialistas na matéria
discordam dele, quanto ao que está em causa.
Nota: em filosofia, os argumentos de autoridade são quase sempre maus; isto porque os filósofos discordam
entre si acerca de quase tudo o que é interessante.
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Regras a ter em conta para que o argumento de autoridade seja um bom argumento:



O especialista invocado deve ser muito bom no assunto em causa


Não haver discordâncias significativas entre os especialistas relativamente ao
assunto em questão


Não haver outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da tese
contrária

Os especialistas não terem interesses pessoais na afirmação em causa (imparciais)



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Falácias informais
São erros de raciocínio, que pode ter várias origens, mas que decorre sempre do
conteúdo do argumento, da sua matéria (da linguagem natural comum) e não
propriamente da sua forma – as premissas não sustentam a conclusão.




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Falácias da irrelevância

Falácias ad baculum ou recurso à força Uso de ameaças ou intimidações com
                                       o objectivo de fazer aceitar uma
                                       afirmação.

                                            Estes argumentos “de mão dura” não
                                            deixam as pessoas decidir de forma livre.

                                              Ex. “O dinheiro ou a vida”

 Falácias ad hominem ou contra a pessoa Atacar ou lançar em descrédito
Estes ataques poderão centrar-se: na alguém para mostrar a falsidade das
classe social, na etnia, na família, religião, suas afirmações. Ataca-se a pessoa
partido político …                             em vez de atacar ou refutar a sua
 Ex. A tua tese não tem qualquer               tese.
 valor, porque és comunista e ateu.
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» Falácias da irrelevância

 Falácias ad ignorantiam ou da ignorância Quando alguém apela à ignorância
Estes argumentos são usados muitas vezes        defendendo que uma afirmação
no âmbito de fenómenos psíquicos raros e deve ser verdadeira só porque não
excepcionais, para os quais é difícil encontrar se provou a sua falsidade ou falsa
provas (telepatia, espiritismo, fantasmas …).   só porque não se provou que é
   Ex. Não há destino. Jamais se provou verdadeira.
  o contrário.
 Falácias ad misericordiam ou da misericórdia
                        Argumentos que, em vez de
Recorre-se à pressão apresentar razões justificativas da
por via emocional.      conclusão, apelam à piedade ou
                        compaixão do auditório.
    Ex. Os sacrifícios que tenho feito por ti (chantagem
    afectiva).
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» Falácias da irrelevância

 Falácias ad populum ou falácia populista Fazer aderir a uma tese ou
                                          produto, servindo-se do facto de a
 Nestas falácias tenta-se conquistar a
 concordância popular, despertando a      sua origem ou apresentação se
 admiração e entusiasmo.                  deverem a pessoa credora de
                                          popularidade.
  Ex. Campanhas eleitorais.
 Falácias ad verecundiam ou da autoridade Tentativa de sustentar uma tese,
Surge quando :                                        apelando a uma personalidade de
- Se pretende apoiar uma afirmação, apelando a reconhecido mérito (cujo saber
alguém que é prestigiado numa área diferente.         ou competência é irrelevante
- Se insiste na autoridade de um especialista e tenta
furtar-se às objecções críticas dos interlocutores.   para o tema em discussão).
- O próprio orador se erige em autoridade.
 Ex. É falacioso defender a boa qualidade de uma TV, afirmando que o
 futebolista X ou a top-model Y compraram um igual.      Ficha de trabalho
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As situações seguintes têm subjacentes falácias da irrelevância. Identifique-as.




      Ad verecundiam       Ad populum                Ad hominem        Ad baculum




            Ad baculum   Ad mesiricordiam            Ad populum     Ad ignorantiam




           Ad hominem       Ad hominem               Ad hominem      Ad mesiricordiam




            Ad baculum   Ad verecundiam              Ad populum       Ad populum
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Falácias da insuficiência de dados

      Falácia da generalização precipitada                                              Enunciar uma lei ou uma regra geral
 Esquema da generalização precipitada:
                                                                                        a partir de dados insuficientes ou
 O fenómeno X ocorre em A1, A2, …                                                       não representativos.
 _____________________________________________________________________________

 Logo, o fenómeno X ocorre em todos os AA

         Falácia da falsa causa
         Non causa pro causa (“não causa pela
                         causa”)
                           Atribuição da causa de um fenómeno a outro fenómeno,
                           não existindo entre eles qualquer relação causal.
 Post hoc, ergo propter hoc(“depois de, logo por causa de”)
Esquema:                                    Consiste em supor que a causa de
O fenómeno B ocorre a seguir ao fenómeno A. um fenómeno reside noutro que o
______________________________________

Logo, A é causa de B.                       precede no tempo.
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» Falácias da insuficiência de dados

                                                Falácia da falsa analogia       Tirar conclusões de um objecto ou de uma
                                                                                situação para outra semelhante, sem
Esquema da falsa analogia:                                                      atender às diferenças significativas.
O fenómeno X apresenta a característica A
O fenómeno Y apresenta a característica A
_____________________________________________________________________________




Logo: X é igual a Y
                      Falácia da petição de princípio                           Adopção da conclusão que se quer
                                                                                demonstrar para premissa do raciocínio
           Confunde-se a repetição de uma                                       (usa as mesmas palavras ou palavras com
           afirmação com a sua prova. Trata-                                    o mesmo significado para designar o que
           se de “andar às voltas” sem nada                                     quer explicar e as explicações).
           clarificar.

                 Ex. Uma pessoa odeia as pessoas de outra raça porque é racista.
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As situações seguintes têm subjacentes falácias da insuficiência de dados. Identifique-as.




             Generalização                    Falsa analogia                   Falsa causa
               precipitada




                   Petição de                   Falsa analogia             Generalização
                    princípio                                                precipitada



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28-11-12   Filosofia   32
Falácias da ambiguidade

                                             Falácia da equivocidade                                                                                                                                                                                           Introdução de um termo com duplo
 Argumento:                                                                                                                                                                                                                                                    sentido num argumento.
 Os pés têm dedos e unhas                                                                                                                                                                                                                                      O termo “pés”, neste caso, é uma palavra
 As mesas têm pés                                                                                                                                                                                                                                              equívoca, refere-se a conceitos distintos.
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 Logo: As mesas têm dedos e unhas

                                                 Falácia do falso dilema
                                       Consiste em reduzir as opções possíveis a
                                       apenas duas, ignorando-se as restantes
É como se existissem só dois caminhos. alternativas.

                  Ex. Ou concordas comigo ou não! (pode concordar-se parcialmente) .
                  Ex. Ou és meu amigo, ou és meu inimigo.
                  Não és meu amigo.
                  Logo, és meu inimigo.
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» Falácias da ambiguidade

           Falácia do espantalho   Consiste em atribuir a outrem uma
                                   opinião fictícia ou em deturpar as suas
                                   afirmações de modo a terem outro
                                   significado.


                                     É frequente em contendas ou polémicas.




                                          Ocorre uma caricatura do argumento
                                                    apresentado.

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As situações seguintes têm subjacentes falácias da ambiguidade. Identifique-as.




             Equivocidade                  Espantalho                 Equivocidade




              Falso dilema                     Falso dilema           Falso dilema




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Bibliografia
Maria Antónia Abrunhosa e Miguel Leitão, Manual Escolar “Um Olhar sobre o Mundo”,
Ensino Secundário, 11º Ano, Vol.1, Edições ASA, 2008

Fátima Alves, José Arêdes e José Carvalho, Manual Escolar “Pensar Azul Filosofia - 11º
Ano”, Texto Editores, 2008
Fátima Alves, José Arêdes e José Carvalho, Manual Escolar “705 Azul Introdução à
Filosofia - 11º Ano”, Texto Editores, 2004
Marta Paiva, Orlanda Tavares e José Ferreira Borges, Manual Escolar “Contextos, Filosofia
- 11º Ano”, Porto Editora, 2008
Artur Polónio, Faustino Vaz e Teresa Cristóvão, Manual Escolar “CriticaMente Filosofia - 11º
Ano”, Porto Editora, 2008
Adília Maia Gaspar e António Manzarra, Manual Escolar “Em Diálogo Filosofia 11º Ano /
Ensino Secundário”, Lisboa Editora, 2008
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Argumentos e falácias informais

  • 1.
    28-11-12 Filosofia 1
  • 2.
    28-11-12 Filosofia 2
  • 3.
    Argumentação Situa-seentre a retórica e a lógica. pelo seu carácter dialéctico, dela retirando algumas noções como, por exemplo, a de auditório. retirando dela a estrutura que sustenta o discurso. A argumentação - pode ocorrer no encontro interpessoal, isto é, numa situação de diálogo em que as pessoas se dirigem directamente umas às outras; - ou de forma mais indirecta através dos meios de comunicação social. 28-11-12 Filosofia 3
  • 4.
    Ao nível dasrelações interpessoais, o discurso argumentativo exerce-se num contexto em que há um determinado emissor ou orador e um destinatário ou auditório que, de uma ou outra forma, estabelecem um contacto dialógico próximo e directo: a palestra, a conferência, o debate, a exposição... Ao nível dos meios de comunicação social, agente formador e informador da opinião pública, o discurso argumentativo dirige-se a um auditório indiferenciado, como acontece com um artigo de fundo, com um editorial, com as notícias, com os comentários e com a publicidade. 28-11-12 Filosofia » 4
  • 5.
    28-11-12 Filosofia 5
  • 6.
    Discurso argumentativo Acto comunicativo que apresenta provas ou razões para defesa de uma opinião, as quais visam persuadir o receptor e interferir nas suas atitudes e comportamentos. Para deliberar, justificar, discutir, explicar, provar ou fundamentar, recorremos ao discurso argumentativo . 28-11-12 Filosofia » 6
  • 7.
    Características do discurso argumentativo Exerce-se numa situação comunicativa, pressupõe o uso da palavra, excluindo a violência ou a força física para atingir o seu objectivo: conquistar a adesão do auditório. Serve-se da linguagem natural e não de símbolos abstractos, a linguagem deve ser compreendida pelo auditório. Possui carácter dialógico. Relação interactiva entre orador e auditório, podendo ambos, em cada momento, dar assentimento ou rejeitar aquilo que o outro diz. As mensagens transmitidas não são neutras, visam alterar as convicções e as atitudes das outras pessoas. Pela palavra, o orador pretende agir sobre os outros, interferindo nas suas opiniões. 28-11-12 Filosofia » 7
  • 8.
    » O objectivo égranjear adesão, esforçando-se por conquistar o auditório. Integra um conjunto de estratégias. Para melhor convencer o receptor, uma boa selecção e organização de argumentos pode conduzir mais eficazmente ao que se pretende. É uma forma problematizadora de encarar os temas – os que conduzem à dúvida e suscitam diferentes pontos de vista. Uma questão é objecto de argumentação se a sua verdade não for evidente nem objectiva. 28-11-12 Filosofia » 8
  • 9.
  • 10.
  • 11.
    Argumento dedutivo  Sãosusceptíveis de validade formal – constituem objecto de estudo da lógica; Característico das ciências formais, como a lógica e a matemática; Processo de inferência pelo qual de uma ou mais proposições conhecidas (premissas) se conclui necessariamente uma proposição (conclusão), nelas, de algum modo, incluída e implicada; A conclusão de um argumento dedutivo é uma consequência necessária ou lógica das premissas; Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão é necessariamente verdadeira; Não é ampliativo ou demonstrativo. 28-11-12 Filosofia 11
  • 12.
    Argumento indutivo Num argumentoindutivo, a verdade da conclusão não é garantida pela verdade das premissas, a conclusão é apenas provavelmente verdadeira; Está presente nas ciências experimentais como a física e a biologia (investigação com base nos dados recolhidos pela observação na natureza); Processo de inferência que vai do particular para o geral; São ampliativos ou não-demonstrativos ( a conclusão “ultrapassa” as premissas, é uma extrapolação – no sentido em que, a verdade conjunta das premissas não garante a verdade da conclusão); Um argumento indutivo é forte quando a força das premissas torna altamente improvável (embora não impossível logicamente) que a conclusão seja falsa. 28-11-12 Filosofia 12
  • 13.
  • 14.
  • 15.
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  • 16.
    Argumento por analogia Baseia-senuma comparação entre objectos diferentes e inferem de certas semelhanças outras semelhanças (partem da ideia de que se diferentes coisas são semelhantes em determinados aspectos, também o serão noutros);  a verdade da conclusão não é garantida pela verdade das premissas (há que ter em conta aquilo que as premissas e a conclusão afirmam e os dados da experiência); A forma não permite concluir se é bom ou mau – a qualidade deste argumento não depende da sua forma lógica; Podem ser fortes ou fracos: - a comparação tem de se basear num número razoável de semelhanças; - as semelhanças apontadas devem ser relevantes para a conclusão que se quer inferir; - não deve haver diferenças fundamentais relativamente aos aspectos que estão a ser comparados. 28-11-12 Filosofia 16
  • 17.
    Outros argumentos: Entimema(argumento dedutivo) É um silogismo em que uma das premissas é omitida por ser óbvia e poder ser facilmente subentendida. É um silogismo a que falta uma premissa, geralmente a primeira. Ex. O aborto deve ser proibido, porque é o assassínio de inocentes. A primeira premissa está suprimida. Forma canónica Todo o assassínio de inocentes deve ser proibido. O aborto é um assassínio de inocentes. Logo, o aborto deve ser proibido. 28-11-12 Filosofia 17
  • 18.
    Ex. Os golfinhosnão são peixes porque não respiram por guelras. Falta a primeira premissa. Forma canónica Os peixes respiram por guelras. Os golfinhos não respiram por guelras. Logo, os golfinhos não são peixes. Ex. Todo o texto é subversivo. Logo, o poema é subversivo. Falta a segunda premissa. Forma canónica Todo o texto é subversivo. O poema é um texto. Logo, o poema é subversivo. 28-11-12 Filosofia 18
  • 19.
    Argumentos com baseem exemplos Argumento de natureza indutiva que consiste em citar com oportunidade um exemplo ou caso particular visa produzir no auditório a convicção de que ilustra um princípio geral Efectuam generalizações e previsões a partir de casos ou exemplos particulares (mesmo quando os exemplos são verdadeiros, a generalização comporta certa possibilidade de erro) 28-11-12 Filosofia 19
  • 20.
    Argumentos de autoridade Argumentobaseado na opinião de um especialista (pessoa ou instituição com conhecimentos seguros sobre dada matéria). O argumento estrutura-se da seguinte forma: X (alguém com conhecimentos seguros) faz a afirmação Y. A diz que P. Logo: A afirmação Y é verdadeira. ou Logo, P. Ex. Hegel diz que todo o real é racional e todo o racional é real; logo, todo o real é racional e todo o racional é real. É um mau argumento de autoridade, não porque Hegel não seja um especialista na matéria, mas porque muitos outros especialistas na matéria discordam dele, quanto ao que está em causa. Nota: em filosofia, os argumentos de autoridade são quase sempre maus; isto porque os filósofos discordam entre si acerca de quase tudo o que é interessante. 28-11-12 Filosofia 20
  • 21.
    Regras a terem conta para que o argumento de autoridade seja um bom argumento: O especialista invocado deve ser muito bom no assunto em causa Não haver discordâncias significativas entre os especialistas relativamente ao assunto em questão Não haver outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da tese contrária Os especialistas não terem interesses pessoais na afirmação em causa (imparciais) 28-11-12 Filosofia 21
  • 22.
    Falácias informais São errosde raciocínio, que pode ter várias origens, mas que decorre sempre do conteúdo do argumento, da sua matéria (da linguagem natural comum) e não propriamente da sua forma – as premissas não sustentam a conclusão. 28-11-12 Filosofia 22
  • 23.
    28-11-12 Filosofia 23
  • 24.
    Falácias da irrelevância Faláciasad baculum ou recurso à força Uso de ameaças ou intimidações com o objectivo de fazer aceitar uma afirmação. Estes argumentos “de mão dura” não deixam as pessoas decidir de forma livre. Ex. “O dinheiro ou a vida” Falácias ad hominem ou contra a pessoa Atacar ou lançar em descrédito Estes ataques poderão centrar-se: na alguém para mostrar a falsidade das classe social, na etnia, na família, religião, suas afirmações. Ataca-se a pessoa partido político … em vez de atacar ou refutar a sua Ex. A tua tese não tem qualquer tese. valor, porque és comunista e ateu. 28-11-12 Filosofia 24
  • 25.
    » Falácias dairrelevância Falácias ad ignorantiam ou da ignorância Quando alguém apela à ignorância Estes argumentos são usados muitas vezes defendendo que uma afirmação no âmbito de fenómenos psíquicos raros e deve ser verdadeira só porque não excepcionais, para os quais é difícil encontrar se provou a sua falsidade ou falsa provas (telepatia, espiritismo, fantasmas …). só porque não se provou que é Ex. Não há destino. Jamais se provou verdadeira. o contrário. Falácias ad misericordiam ou da misericórdia Argumentos que, em vez de Recorre-se à pressão apresentar razões justificativas da por via emocional. conclusão, apelam à piedade ou compaixão do auditório. Ex. Os sacrifícios que tenho feito por ti (chantagem afectiva). 28-11-12 Filosofia 25
  • 26.
    » Falácias dairrelevância Falácias ad populum ou falácia populista Fazer aderir a uma tese ou produto, servindo-se do facto de a Nestas falácias tenta-se conquistar a concordância popular, despertando a sua origem ou apresentação se admiração e entusiasmo. deverem a pessoa credora de popularidade. Ex. Campanhas eleitorais. Falácias ad verecundiam ou da autoridade Tentativa de sustentar uma tese, Surge quando : apelando a uma personalidade de - Se pretende apoiar uma afirmação, apelando a reconhecido mérito (cujo saber alguém que é prestigiado numa área diferente. ou competência é irrelevante - Se insiste na autoridade de um especialista e tenta furtar-se às objecções críticas dos interlocutores. para o tema em discussão). - O próprio orador se erige em autoridade. Ex. É falacioso defender a boa qualidade de uma TV, afirmando que o futebolista X ou a top-model Y compraram um igual. Ficha de trabalho 28-11-12 Filosofia 26
  • 27.
    As situações seguintestêm subjacentes falácias da irrelevância. Identifique-as. Ad verecundiam Ad populum Ad hominem Ad baculum Ad baculum Ad mesiricordiam Ad populum Ad ignorantiam Ad hominem Ad hominem Ad hominem Ad mesiricordiam Ad baculum Ad verecundiam Ad populum Ad populum 28-11-12 Filosofia 27
  • 28.
    28-11-12 Filosofia 28
  • 29.
    Falácias da insuficiênciade dados Falácia da generalização precipitada Enunciar uma lei ou uma regra geral Esquema da generalização precipitada: a partir de dados insuficientes ou O fenómeno X ocorre em A1, A2, … não representativos. _____________________________________________________________________________ Logo, o fenómeno X ocorre em todos os AA Falácia da falsa causa Non causa pro causa (“não causa pela causa”) Atribuição da causa de um fenómeno a outro fenómeno, não existindo entre eles qualquer relação causal. Post hoc, ergo propter hoc(“depois de, logo por causa de”) Esquema: Consiste em supor que a causa de O fenómeno B ocorre a seguir ao fenómeno A. um fenómeno reside noutro que o ______________________________________ Logo, A é causa de B. precede no tempo. 28-11-12 Filosofia 29
  • 30.
    » Falácias dainsuficiência de dados Falácia da falsa analogia Tirar conclusões de um objecto ou de uma situação para outra semelhante, sem Esquema da falsa analogia: atender às diferenças significativas. O fenómeno X apresenta a característica A O fenómeno Y apresenta a característica A _____________________________________________________________________________ Logo: X é igual a Y Falácia da petição de princípio Adopção da conclusão que se quer demonstrar para premissa do raciocínio Confunde-se a repetição de uma (usa as mesmas palavras ou palavras com afirmação com a sua prova. Trata- o mesmo significado para designar o que se de “andar às voltas” sem nada quer explicar e as explicações). clarificar. Ex. Uma pessoa odeia as pessoas de outra raça porque é racista. 28-11-12 Filosofia 30
  • 31.
    As situações seguintestêm subjacentes falácias da insuficiência de dados. Identifique-as. Generalização Falsa analogia Falsa causa precipitada Petição de Falsa analogia Generalização princípio precipitada 28-11-12 Filosofia 31
  • 32.
    28-11-12 Filosofia 32
  • 33.
    Falácias da ambiguidade Falácia da equivocidade Introdução de um termo com duplo Argumento: sentido num argumento. Os pés têm dedos e unhas O termo “pés”, neste caso, é uma palavra As mesas têm pés equívoca, refere-se a conceitos distintos. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Logo: As mesas têm dedos e unhas Falácia do falso dilema Consiste em reduzir as opções possíveis a apenas duas, ignorando-se as restantes É como se existissem só dois caminhos. alternativas. Ex. Ou concordas comigo ou não! (pode concordar-se parcialmente) . Ex. Ou és meu amigo, ou és meu inimigo. Não és meu amigo. Logo, és meu inimigo. 28-11-12 Filosofia 33
  • 34.
    » Falácias daambiguidade Falácia do espantalho Consiste em atribuir a outrem uma opinião fictícia ou em deturpar as suas afirmações de modo a terem outro significado. É frequente em contendas ou polémicas. Ocorre uma caricatura do argumento apresentado. 28-11-12 Filosofia 34
  • 35.
    As situações seguintestêm subjacentes falácias da ambiguidade. Identifique-as. Equivocidade Espantalho Equivocidade Falso dilema Falso dilema Falso dilema 28-11-12 Filosofia 35
  • 36.
    Bibliografia Maria Antónia Abrunhosae Miguel Leitão, Manual Escolar “Um Olhar sobre o Mundo”, Ensino Secundário, 11º Ano, Vol.1, Edições ASA, 2008 Fátima Alves, José Arêdes e José Carvalho, Manual Escolar “Pensar Azul Filosofia - 11º Ano”, Texto Editores, 2008 Fátima Alves, José Arêdes e José Carvalho, Manual Escolar “705 Azul Introdução à Filosofia - 11º Ano”, Texto Editores, 2004 Marta Paiva, Orlanda Tavares e José Ferreira Borges, Manual Escolar “Contextos, Filosofia - 11º Ano”, Porto Editora, 2008 Artur Polónio, Faustino Vaz e Teresa Cristóvão, Manual Escolar “CriticaMente Filosofia - 11º Ano”, Porto Editora, 2008 Adília Maia Gaspar e António Manzarra, Manual Escolar “Em Diálogo Filosofia 11º Ano / Ensino Secundário”, Lisboa Editora, 2008 28-11-12 Filosofia 36