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UNIDADE 1 – INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA




Capítulo 1. O que é a filosofia. Exemplos de problemas filosóficos.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS




1. Os problemas da filosofia não podem ser respondidos através
de métodos empíricos.


2. A filosofia estuda problemas para os quais não há uma
resposta científica
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



              Exemplos de problemas filosóficos:

                  1. O que é uma sociedade justa?
                      2. Será que somos livres?
        3. Justifica – se a crença na existência de Deus ?
4. O que distingue uma acção moralmente correcta de uma acção
                         moralmente errada?
                   5. A guerra é moral ou imoral?
           6. O que faz de uma coisa uma obra de arte?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



              Exemplos de problemas empíricos:

            1. A que se deve o triunfo do cristianismo?
                2. De que são compostos os átomos?
                      3. Fumar faz mal à saúde?
 4. As lesões cerebrais provocam alterações de personalidade?
                      5. Há vida extraterrestre?
6. Quais serão os efeitos de um acentuado aquecimento global do
                               planeta?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



             Características dos problemas filosóficos:
1. Põem em questão as nossas crenças mais fundamentais (ou mais
básicas). A filosofia analisa e discute as nossas crenças mais
básicas e, por isso, analisa e discute as ideias (ou conceitos) que as
nossas crenças reflectem.
2. São problemas muito gerais.
3.Todos os problemas filosóficos são questões abertas. As
respostas a tais questões não satisfazem todos os entendidos.
4. São problemas que resultam da reflexão sobre conceitos
fundamentais em que se baseiam a ciência, a arte, a religião e a
moral.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



        De que estamos a falar quando falamos de crenças:

1. Em filosofia, a palavra «crença» não é sinónimo de fé ou de crença
religiosa.

2. Uma crença é uma afirmação (ou teoria) que tem a propriedade de
ser verdadeira ou falsa.

3. As crenças filosóficas são as respostas para os problemas de que
tratam os filósofos.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



                        Crenças básicas:

1. São crenças cuja verdade ou falsidade determina a verdade ou a
falsidade das outras crenças que delas dependem.

2. A crença de que agir moralmente é obedecer aos mandamentos de
Deus depende da crença de que Deus existe.

3. Se não for verdade que Deus existe, também não pode ser verdade
que agir moralmente consiste em obedecer aos mandamentos de
Deus.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



                         Crenças básicas:

1. Ao examinar criticamente as nossas crenças mais básicas, a
filosofia faz-nos reflectir sobre a totalidade da concepção do mundo
que delas depende.

2. Por exemplo, colocar o problema da existência de Deus tem como
consequência questionar o que é agir moralmente, a hipótese de
haver outra vida após a morte física ou se há algum propósito na
nossa presença na Terra.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



                            Crenças básicas:

Se, entre as nossas crenças básicas, estiver a ideia de que o bem e o mal
dependem unicamente do ponto de vista de cada sociedade, não poderemos
condenar:

1. O desrespeito pelos direitos humanos que se observa em alguns países
do mundo;

2. Práticas como a excisão, o racismo ou o infanticídio (quando aprovadas
por outras sociedades).
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



                            Crenças básicas:

Se, entre as nossas crenças básicas, estiver a ideia de que o bem e o mal
dependem unicamente do ponto de vista de cada sociedade, não poderemos
dizer:

1. Há sociedades moralmente mais evoluídas do que outras, com melhores
tradições e valores;

2. Sujeitar alguém à tortura, seja qual for o motivo, é uma violação de um
direito que todas as pessoas têm.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS



                    A abordagem da filosofia:

  Para tentar resolver os problemas filosóficos não é possível
  recorrer:
   1. À experiência ou observação empírica;
  2. À experimentação científica;
  3. Ao cálculo matemático.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS




                         A filosofia e o mundo.
1. O facto de a filosofia não ser uma disciplina empírica não implica que
ignore a experiência e a prática. A filosofia não se faz de costas viradas
para o mundo.

2. A filosofia usa informação empírica obtida pelas ciências e pela
observação. A natureza abstracta da filosofia não significa ausência de
informação.
UNIDADE 1 – INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA




 O que é a filosofia. Explicações suplementares.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




É próprio da filosofia um certo distanciamento em relação à realidade tal como ela
se apresenta no quotidiano.

Esta tomada de consciência à distância, como um pintor que se afasta do quadro
para melhor o analisar, está na origem de teorias abstractas cuja ligação com a
vida de todos os dias nem sempre é completamente transparente. Contudo, é este
distanciamento que permite ao filósofo considerar a realidade com outros olhos,
diferentes do habitual, e ver o que, com o olhar de todos os dias, nos escapa ou não
compreendemos.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES..




A atitude que o filósofo adopta para observar o mundo de que faz parte permite-lhe
reflectir sobre as suas próprias crenças – e as dos outros – com distanciamento e
sentido crítico.

O que é a realidade? Deus existe? E, se existe, qual é a sua relação com o mundo e
com os seres humanos? Como distinguir o bem do mal, o justo do injusto? É nosso
dever ajudar os outros? O que é o Estado e porque devemos submeter-nos às suas
leis?

Não colocamos estas questões quotidianamente. No entanto, o modo como vivemos
reflecte quase sempre as respostas que, sem total consciência, as nossas práticas
já adoptaram.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




Estas questões, apesar da sua formulação abstracta, são muito concretas porque o
modo como lhes respondemos afecta as nossas acções quotidianas. Que eu seja
optimista ou pessimista está ligado não só ao meu carácter, mas à concepção que
tenho da realidade.

Das minhas crenças morais depende que seja solidário ou egoísta na relação com
os outros.

Ser politicamente de esquerda ou de direita tem muito a ver com o modo como
entendo o Estado e a sua função.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




A concepção que tenho do conhecimento científico influencia a minha escolha de
acreditar ou não na astrologia, de ir ao médico em vez de ir a um curandeiro. Das
minhas convicções religiosas depende em parte que vá ou não à missa. E assim por
diante.

Para responder às perguntas da filosofia analisam-se conceitos básicos e muito
gerais, elaboram-se teorias abstractas. Na verdade, estes conceitos e teorias são
estudadas pelos filósofos não só por si mesmas, pelo seu valor intrínseco, mas
como instrumentos que nos guiam na vida concreta, para sabermos melhor onde
pôr os pés.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




Dispormo-nos a examinar as nossas crenças mais básicas não é tarefa fácil porque
podemos chegar a conclusões que a maioria dos membros da sociedade desaprova
e porque exige uma atitude crítica que lança a dúvida sobre o que nos habituámos a
considerar verdadeiro.

Por exemplo, a filosofia examina as crenças básicas nas quais se apoia a religião
quando pergunta «Deus existe?» Que razões temos para acreditar nisso? «Há uma
vida para além da morte?»
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




A filosofia também questiona as ideias básicas que constituem os pressupostos das
nossas relações sociais.

O que é uma sociedade justa? Teremos a obrigação moral de obedecer sempre a
quem nos governa? É o Estado uma instituição necessária?

Estas questões podem ser consideradas desafios às ideias estabelecidas. Basta
pensar nos problemas que enfrentam os que defendem, por exemplo, os direitos
dos animais.

No entanto, tal como nós, as sociedades evoluem. E as crenças mudam.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES..




À semelhança do vírus da gripe, as crenças estabelecidas parecem fazer parte
do nosso ambiente e respiramo-las quase sem dar por isso. Assim, as crenças
que eram da nossa cultura tornam-se as nossas crenças. Até podem ser
verdadeiras e excelentes, mas como havemos de o saber se as interiorizámos
de forma acrítica, sem pensar?

Ao examinarmos as ideias básicas, nossas e dos outros, que se transformaram
em hábitos mentais, devemos como filósofos perguntar: o que justifica essas
crenças? Que razões temos para supor que são verdadeiras? Podemos definir a
filosofia como a actividade que examina criticamente as razões subjacentes às
nossas crenças fundamentais.
UNIDADE 1 – INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA




 O que é a filosofia. Várias disciplinas filosóficas.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




Os problemas da filosofia surgem da nossa curiosidade natural acerca das várias
actividades a que os seres humanos se dedicam. A arte, a religião, a moral, a
política e o direito são algumas das actividades cujas crenças básicas a filosofia
questiona.

Cada área corresponde a uma disciplina filosófica: a arte e a beleza são estudadas
na estética, o problema da existência de Deus na filosofia da religião, as questões
morais (como o aborto, a eutanásia, etc.) na ética, o modo de organização social na
filosofia política.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




 A ética é a disciplina que procura responder ao problema de saber como
 devemos viver. Esta questão é habitualmente dividida noutras duas questões
 menos gerais:

 1) Como distinguir uma acção moralmente correcta de uma acção
 moralmente incorrecta?

 2) O que devemos fazer da nossa vida para a tornar boa ou valiosa?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




Enquanto o antropólogo, por exemplo, estuda e compara as diversas crenças
morais de diferentes sociedades, o filósofo coloca questões mais gerais e mais
fundamentais, a saber:

 A moral é relativa ou haverá verdades morais independentes das preferências
                        individuais e das várias culturas?
                    Como decidir o que é correcto e errado?
                      Haverá verdades morais objectivas?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




                       Outras questões éticas:

                Será que a moralidade depende de Deus?
                Por que razão devemos agir moralmente?
           O que é uma guerra justa? Haverá guerras justas?
                 Será o aborto moralmente permissível?
          Ajudar as pessoas pobres é nossa obrigação moral?
               A pena de morte é moralmente justificável?
              A clonagem humana é moralmente aceitável?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES..




A filosofia política é a disciplina que, em estreita ligação com a ética, reflecte
sobre a natureza, funções e legitimidade da autoridade do Estado na sua
relação com os cidadãos.

Enquanto os cientistas políticos analisam, por exemplo, as diversas formas de
governo, o filósofo pergunta:

                  O que torna um governo legítimo e justo?
                Quais são os limites da autoridade do Estado?
               Temos o dever de obedecer sempre ao governo?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




                      Outras questões de filosofia política:

                       O Estado é um bem ou um mal menor?
                É o Estado necessário ou poderíamos dispensá-lo?
     Até que ponto é legítima a intervenção do Estado na vida dos indivíduos?
    Qual é o valor político fundamental: a liberdade, a igualdade, a justiça ou a
                            segurança e coesão sociais?
Se a liberdade é o valor político fundamental, até que ponto devemos obedecer às
                                   leis do Estado?
  Se a igualdade é valor político fundamental, como deve o Estado promovê-la?
    Será legítimo um Estado intervir nos assuntos internos de outro Estado?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




A estética é a disciplina que tem como objecto de estudo conceitos e afirmações
sobre a beleza, a arte e o gosto.

                        Exemplos de questões estéticas:

                                 O que é a arte?
 Como é que um objecto se torna artístico: por uma propriedade desse objecto ou
                   pela sensibilidade de quem o contempla?
                             Qual o valor da arte?
                      O que é uma experiência estética?
                Como justificamos afirmações do tipo A é belo?
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




A filosofia da religião é a disciplina que analisa os conceitos fundamentais e as
crenças religiosas básicas interrogando-se sobre a sua verdade e como podem
ser justificadas.

Enquanto a ciência meteorológica pergunta, por exemplo, pela causa dos
furacões, dos tremores de terra e dos maremotos, e a ciência médica pela causa
de muitas doenças como o cancro e a leucemia infantis, o filósofo da religião
pergunta se estes factos são compatíveis com a crença num Deus criador, bom e
omnipotente.
CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.




                 Outras questões de filosofia da religião:


                                Deus existe?
      O mal que há no mundo é compatível com a existência de Deus?
         São os milagres provas credíveis da existência de Deus?
                        Será a fé religiosa racional?
                 Existirá uma vida depois da morte física?

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O que é a filosofia os problemas filosóficos.

  • 1. UNIDADE 1 – INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA Capítulo 1. O que é a filosofia. Exemplos de problemas filosóficos.
  • 2. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS 1. Os problemas da filosofia não podem ser respondidos através de métodos empíricos. 2. A filosofia estuda problemas para os quais não há uma resposta científica
  • 3. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Exemplos de problemas filosóficos: 1. O que é uma sociedade justa? 2. Será que somos livres? 3. Justifica – se a crença na existência de Deus ? 4. O que distingue uma acção moralmente correcta de uma acção moralmente errada? 5. A guerra é moral ou imoral? 6. O que faz de uma coisa uma obra de arte?
  • 4. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Exemplos de problemas empíricos: 1. A que se deve o triunfo do cristianismo? 2. De que são compostos os átomos? 3. Fumar faz mal à saúde? 4. As lesões cerebrais provocam alterações de personalidade? 5. Há vida extraterrestre? 6. Quais serão os efeitos de um acentuado aquecimento global do planeta?
  • 5. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Características dos problemas filosóficos: 1. Põem em questão as nossas crenças mais fundamentais (ou mais básicas). A filosofia analisa e discute as nossas crenças mais básicas e, por isso, analisa e discute as ideias (ou conceitos) que as nossas crenças reflectem. 2. São problemas muito gerais. 3.Todos os problemas filosóficos são questões abertas. As respostas a tais questões não satisfazem todos os entendidos. 4. São problemas que resultam da reflexão sobre conceitos fundamentais em que se baseiam a ciência, a arte, a religião e a moral.
  • 6. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS De que estamos a falar quando falamos de crenças: 1. Em filosofia, a palavra «crença» não é sinónimo de fé ou de crença religiosa. 2. Uma crença é uma afirmação (ou teoria) que tem a propriedade de ser verdadeira ou falsa. 3. As crenças filosóficas são as respostas para os problemas de que tratam os filósofos.
  • 7. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Crenças básicas: 1. São crenças cuja verdade ou falsidade determina a verdade ou a falsidade das outras crenças que delas dependem. 2. A crença de que agir moralmente é obedecer aos mandamentos de Deus depende da crença de que Deus existe. 3. Se não for verdade que Deus existe, também não pode ser verdade que agir moralmente consiste em obedecer aos mandamentos de Deus.
  • 8. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Crenças básicas: 1. Ao examinar criticamente as nossas crenças mais básicas, a filosofia faz-nos reflectir sobre a totalidade da concepção do mundo que delas depende. 2. Por exemplo, colocar o problema da existência de Deus tem como consequência questionar o que é agir moralmente, a hipótese de haver outra vida após a morte física ou se há algum propósito na nossa presença na Terra.
  • 9. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Crenças básicas: Se, entre as nossas crenças básicas, estiver a ideia de que o bem e o mal dependem unicamente do ponto de vista de cada sociedade, não poderemos condenar: 1. O desrespeito pelos direitos humanos que se observa em alguns países do mundo; 2. Práticas como a excisão, o racismo ou o infanticídio (quando aprovadas por outras sociedades).
  • 10. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS Crenças básicas: Se, entre as nossas crenças básicas, estiver a ideia de que o bem e o mal dependem unicamente do ponto de vista de cada sociedade, não poderemos dizer: 1. Há sociedades moralmente mais evoluídas do que outras, com melhores tradições e valores; 2. Sujeitar alguém à tortura, seja qual for o motivo, é uma violação de um direito que todas as pessoas têm.
  • 11. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS A abordagem da filosofia: Para tentar resolver os problemas filosóficos não é possível recorrer: 1. À experiência ou observação empírica; 2. À experimentação científica; 3. Ao cálculo matemático.
  • 12. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA: OS PROBLEMAS FILOSÓFICOS A filosofia e o mundo. 1. O facto de a filosofia não ser uma disciplina empírica não implica que ignore a experiência e a prática. A filosofia não se faz de costas viradas para o mundo. 2. A filosofia usa informação empírica obtida pelas ciências e pela observação. A natureza abstracta da filosofia não significa ausência de informação.
  • 13. UNIDADE 1 – INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA O que é a filosofia. Explicações suplementares.
  • 14. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. É próprio da filosofia um certo distanciamento em relação à realidade tal como ela se apresenta no quotidiano. Esta tomada de consciência à distância, como um pintor que se afasta do quadro para melhor o analisar, está na origem de teorias abstractas cuja ligação com a vida de todos os dias nem sempre é completamente transparente. Contudo, é este distanciamento que permite ao filósofo considerar a realidade com outros olhos, diferentes do habitual, e ver o que, com o olhar de todos os dias, nos escapa ou não compreendemos.
  • 15. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.. A atitude que o filósofo adopta para observar o mundo de que faz parte permite-lhe reflectir sobre as suas próprias crenças – e as dos outros – com distanciamento e sentido crítico. O que é a realidade? Deus existe? E, se existe, qual é a sua relação com o mundo e com os seres humanos? Como distinguir o bem do mal, o justo do injusto? É nosso dever ajudar os outros? O que é o Estado e porque devemos submeter-nos às suas leis? Não colocamos estas questões quotidianamente. No entanto, o modo como vivemos reflecte quase sempre as respostas que, sem total consciência, as nossas práticas já adoptaram.
  • 16. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Estas questões, apesar da sua formulação abstracta, são muito concretas porque o modo como lhes respondemos afecta as nossas acções quotidianas. Que eu seja optimista ou pessimista está ligado não só ao meu carácter, mas à concepção que tenho da realidade. Das minhas crenças morais depende que seja solidário ou egoísta na relação com os outros. Ser politicamente de esquerda ou de direita tem muito a ver com o modo como entendo o Estado e a sua função.
  • 17. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. A concepção que tenho do conhecimento científico influencia a minha escolha de acreditar ou não na astrologia, de ir ao médico em vez de ir a um curandeiro. Das minhas convicções religiosas depende em parte que vá ou não à missa. E assim por diante. Para responder às perguntas da filosofia analisam-se conceitos básicos e muito gerais, elaboram-se teorias abstractas. Na verdade, estes conceitos e teorias são estudadas pelos filósofos não só por si mesmas, pelo seu valor intrínseco, mas como instrumentos que nos guiam na vida concreta, para sabermos melhor onde pôr os pés.
  • 18. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Dispormo-nos a examinar as nossas crenças mais básicas não é tarefa fácil porque podemos chegar a conclusões que a maioria dos membros da sociedade desaprova e porque exige uma atitude crítica que lança a dúvida sobre o que nos habituámos a considerar verdadeiro. Por exemplo, a filosofia examina as crenças básicas nas quais se apoia a religião quando pergunta «Deus existe?» Que razões temos para acreditar nisso? «Há uma vida para além da morte?»
  • 19. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. A filosofia também questiona as ideias básicas que constituem os pressupostos das nossas relações sociais. O que é uma sociedade justa? Teremos a obrigação moral de obedecer sempre a quem nos governa? É o Estado uma instituição necessária? Estas questões podem ser consideradas desafios às ideias estabelecidas. Basta pensar nos problemas que enfrentam os que defendem, por exemplo, os direitos dos animais. No entanto, tal como nós, as sociedades evoluem. E as crenças mudam.
  • 20. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.. À semelhança do vírus da gripe, as crenças estabelecidas parecem fazer parte do nosso ambiente e respiramo-las quase sem dar por isso. Assim, as crenças que eram da nossa cultura tornam-se as nossas crenças. Até podem ser verdadeiras e excelentes, mas como havemos de o saber se as interiorizámos de forma acrítica, sem pensar? Ao examinarmos as ideias básicas, nossas e dos outros, que se transformaram em hábitos mentais, devemos como filósofos perguntar: o que justifica essas crenças? Que razões temos para supor que são verdadeiras? Podemos definir a filosofia como a actividade que examina criticamente as razões subjacentes às nossas crenças fundamentais.
  • 21. UNIDADE 1 – INICIAÇÃO À ACTIVIDADE FILOSÓFICA O que é a filosofia. Várias disciplinas filosóficas.
  • 22. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Os problemas da filosofia surgem da nossa curiosidade natural acerca das várias actividades a que os seres humanos se dedicam. A arte, a religião, a moral, a política e o direito são algumas das actividades cujas crenças básicas a filosofia questiona. Cada área corresponde a uma disciplina filosófica: a arte e a beleza são estudadas na estética, o problema da existência de Deus na filosofia da religião, as questões morais (como o aborto, a eutanásia, etc.) na ética, o modo de organização social na filosofia política.
  • 23. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. A ética é a disciplina que procura responder ao problema de saber como devemos viver. Esta questão é habitualmente dividida noutras duas questões menos gerais: 1) Como distinguir uma acção moralmente correcta de uma acção moralmente incorrecta? 2) O que devemos fazer da nossa vida para a tornar boa ou valiosa?
  • 24. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Enquanto o antropólogo, por exemplo, estuda e compara as diversas crenças morais de diferentes sociedades, o filósofo coloca questões mais gerais e mais fundamentais, a saber: A moral é relativa ou haverá verdades morais independentes das preferências individuais e das várias culturas? Como decidir o que é correcto e errado? Haverá verdades morais objectivas?
  • 25. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Outras questões éticas: Será que a moralidade depende de Deus? Por que razão devemos agir moralmente? O que é uma guerra justa? Haverá guerras justas? Será o aborto moralmente permissível? Ajudar as pessoas pobres é nossa obrigação moral? A pena de morte é moralmente justificável? A clonagem humana é moralmente aceitável?
  • 26. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES.. A filosofia política é a disciplina que, em estreita ligação com a ética, reflecte sobre a natureza, funções e legitimidade da autoridade do Estado na sua relação com os cidadãos. Enquanto os cientistas políticos analisam, por exemplo, as diversas formas de governo, o filósofo pergunta: O que torna um governo legítimo e justo? Quais são os limites da autoridade do Estado? Temos o dever de obedecer sempre ao governo?
  • 27. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Outras questões de filosofia política: O Estado é um bem ou um mal menor? É o Estado necessário ou poderíamos dispensá-lo? Até que ponto é legítima a intervenção do Estado na vida dos indivíduos? Qual é o valor político fundamental: a liberdade, a igualdade, a justiça ou a segurança e coesão sociais? Se a liberdade é o valor político fundamental, até que ponto devemos obedecer às leis do Estado? Se a igualdade é valor político fundamental, como deve o Estado promovê-la? Será legítimo um Estado intervir nos assuntos internos de outro Estado?
  • 28. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. A estética é a disciplina que tem como objecto de estudo conceitos e afirmações sobre a beleza, a arte e o gosto. Exemplos de questões estéticas: O que é a arte? Como é que um objecto se torna artístico: por uma propriedade desse objecto ou pela sensibilidade de quem o contempla? Qual o valor da arte? O que é uma experiência estética? Como justificamos afirmações do tipo A é belo?
  • 29. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. A filosofia da religião é a disciplina que analisa os conceitos fundamentais e as crenças religiosas básicas interrogando-se sobre a sua verdade e como podem ser justificadas. Enquanto a ciência meteorológica pergunta, por exemplo, pela causa dos furacões, dos tremores de terra e dos maremotos, e a ciência médica pela causa de muitas doenças como o cancro e a leucemia infantis, o filósofo da religião pergunta se estes factos são compatíveis com a crença num Deus criador, bom e omnipotente.
  • 30. CAPÍTULO 1 – O QUE É A FILOSOFIA.EXPLICAÇÕES SUPLEMENTARES. Outras questões de filosofia da religião: Deus existe? O mal que há no mundo é compatível com a existência de Deus? São os milagres provas credíveis da existência de Deus? Será a fé religiosa racional? Existirá uma vida depois da morte física?