O Programa Etnomatemática como Humanizador do Ensino de Matemática Autores:Thiago Brañas de Melo – CEFET/RJ – thiago.branas@ifrj.edu.brMaria Cecília de Castello Branco Fantinato – UFF – mcfantinato@gmail.comAndréa Thees – UFF – profandreathees@gmail.comAlexis Silveira – UFF – prof.alexissilveira@gmail.comGisele Américo Soares – UFF – giseleamerico@hotmail.com
Algumas percepções iniciaisUma educação só é verdadeiramente humanista se, ao  invés de reforçar os mitos com os quais se pretende manter o homem desumanizado, esforça-se no sentido da desocultação da realidade. Desocultação na qual o homem existencialize sua real vocação: a de transformar a realidade. (Freire, 1987)De que forma o programa etnomatemática poderia contribuir para um ensino de matemática mais humanizador?
O Programa Etnomatemática: uma breve introduçãoSeu objetivo maior é dar sentido a modos de saber e de fazer das várias culturas e reconhecer como e por que grupos de indivíduos, organizados como famílias, comunidades, profissões, tribos, nações e povos, executam suas práticas de natureza Matemática, tais como contar, medir, comparar, classificar. (D´Ambrosio, 2009b)Para Vergani (2007), “a ‘matemática’ aponta para a tendência unificante do mundo escolarizado, enquanto o ‘etno’ visa a singularidade conjuntural do(s) mundo(s) a escolarizar”.
O Programa Etnomatemática: uma breve introduçãoFazer da Matemática uma disciplina que preserve a diversidade e elimine a desigualdade discriminatória é a proposta maior de uma Matemática Humanística. O Programa Etnomatemática tem esse objetivo maior.” (D’Ambrosio, 2002)O reconhecimento, tardio, de outras formas de pensar, inclusive matemático, encoraja reflexões mais amplas sobre a natureza do pensamento matemático, do ponto de vista cognitivo, histórico, social, pedagógico. Este é o  objetivo do Programa Etnomatemática. (D´Ambrosio, 2009)
Diálogo com as Ciências SociaisChimamanda Adichie e o perigo de uma história única.A Etnomatemática propõe desmistificar a “história única” de que a matemática é difícil e complicada.
Valoriza a diversidade cultural e desenvolve a criatividade. Diálogo com as Ciências SociaisPara Paulo Freire, “uma correta prática educativa desmistifica a ciência já na pré-escola” permitindo acesso à uma parte do conhecimento científico importante para a compreensão do mundo em que vivemos.Diálogo com as Ciências SociaisNa procura de reais possibilidades de acesso para o subordinado, para o marginalizado e para o excluído, pretende-se “formar cidadãos conscientes das diferenças e capazes de trabalhar conjuntamente no desenvolvimento do país e na construção de uma sociedade justa, equitativa, igualitária e plural”. 						Catherine Walsh
Diálogo com as Ciências SociaisWalter Mignolo(2008) e o desafio de aprender a desaprender.
D’Ambrosio (2009):	“O grande desafio é ampliar as possibilidades de voar/criar para entender e explicar o mundo que nos cerca, com toda a sua complexidade.”
Diálogo com as Ciências SociaisCeceña (2004) e “o desafio de criar um mundo onde caibam todos os mundos”.Pressupõem uma mudança total de mentalidades.Diálogo com as Ciências SociaisReconhece essa utopia ou projeto político de construir um universo harmonioso, diverso coletivamente e coerente.
“Cada um no seu espaço, à sua própria maneira, fazendo parte do todo”.Diálogo com as Ciências SociaisD´Ambrosio (2009) vê “a etnomatemática como um caminho para uma educação renovada, capaz de preparar gerações futuras para construir uma civilização mais feliz”.Ceceña (2004), “a utopia consiste em construir no cotidiano o sonho do futuro”.Mas, pensando bem, como ser educador sem acreditar numa utopia?
Prática docente para uma humanização do ensino de matemática Etnomatemática está ligada à história.
Com a história, a matemática passa a ser vista como uma produção humana.
A Etnomatemática auxilia no diálogo.
Respeita as diferenças e a diversidade.
Possibilita um cenário para investigação .Saberes discentes e práticas docentes em via de mão-dupla. (Fantinato etal, 2010; Fantinato e Santos, 2007; Gils, 2010).
Prática docente para uma humanização do ensino de matemática Matemática do Movimento dos Sem-Terras (Knijnik, 1995)Colônia rural alemã (Wanderer, 2007)Educação de Jovens e Adultos em escolas públicas (Gils, 2010)Comunidades e favelas (Fantinato, 2003)Grupos indígenas (Domite, 2009) Culturas africanas (Gerdes, 2004)
Considerações finais    O programa etnomatemática indica que não se deve reprimir as produções culturais, mas sim acolher e abraçar em favor de um mundo unido pela diferença, “um mundo onde caibam todos os outros mundos”. Ceceña (2004)
Considerações finais    Os professores de matemática com formação etnomatemática desenvolvem práticas docentes que respeitam e valorizam os saberes discentes, numa perspectiva humanizadora do ensino de matemática.
Considerações finais    “Tecer pontes viáveis de comunicação implica que o mundo da matemática se reconheça ‘etno’ (local), e que os mundos ‘etnos’ se reconheçam no domínio da matemática (universal). O vetor da comunicação tem dois sentidos e a linguagem da etnomatemática é uma linguagem de tradução, isto é, de reciprocidade.” Vergani (2007)

Apresentação programa etnomatematica humanizador

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    O Programa Etnomatemáticacomo Humanizador do Ensino de Matemática Autores:Thiago Brañas de Melo – CEFET/RJ – thiago.branas@ifrj.edu.brMaria Cecília de Castello Branco Fantinato – UFF – mcfantinato@gmail.comAndréa Thees – UFF – profandreathees@gmail.comAlexis Silveira – UFF – prof.alexissilveira@gmail.comGisele Américo Soares – UFF – giseleamerico@hotmail.com
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    Algumas percepções iniciaisUmaeducação só é verdadeiramente humanista se, ao invés de reforçar os mitos com os quais se pretende manter o homem desumanizado, esforça-se no sentido da desocultação da realidade. Desocultação na qual o homem existencialize sua real vocação: a de transformar a realidade. (Freire, 1987)De que forma o programa etnomatemática poderia contribuir para um ensino de matemática mais humanizador?
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    O Programa Etnomatemática:uma breve introduçãoSeu objetivo maior é dar sentido a modos de saber e de fazer das várias culturas e reconhecer como e por que grupos de indivíduos, organizados como famílias, comunidades, profissões, tribos, nações e povos, executam suas práticas de natureza Matemática, tais como contar, medir, comparar, classificar. (D´Ambrosio, 2009b)Para Vergani (2007), “a ‘matemática’ aponta para a tendência unificante do mundo escolarizado, enquanto o ‘etno’ visa a singularidade conjuntural do(s) mundo(s) a escolarizar”.
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    O Programa Etnomatemática:uma breve introduçãoFazer da Matemática uma disciplina que preserve a diversidade e elimine a desigualdade discriminatória é a proposta maior de uma Matemática Humanística. O Programa Etnomatemática tem esse objetivo maior.” (D’Ambrosio, 2002)O reconhecimento, tardio, de outras formas de pensar, inclusive matemático, encoraja reflexões mais amplas sobre a natureza do pensamento matemático, do ponto de vista cognitivo, histórico, social, pedagógico. Este é o objetivo do Programa Etnomatemática. (D´Ambrosio, 2009)
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    Diálogo com asCiências SociaisChimamanda Adichie e o perigo de uma história única.A Etnomatemática propõe desmistificar a “história única” de que a matemática é difícil e complicada.
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    Valoriza a diversidadecultural e desenvolve a criatividade. Diálogo com as Ciências SociaisPara Paulo Freire, “uma correta prática educativa desmistifica a ciência já na pré-escola” permitindo acesso à uma parte do conhecimento científico importante para a compreensão do mundo em que vivemos.Diálogo com as Ciências SociaisNa procura de reais possibilidades de acesso para o subordinado, para o marginalizado e para o excluído, pretende-se “formar cidadãos conscientes das diferenças e capazes de trabalhar conjuntamente no desenvolvimento do país e na construção de uma sociedade justa, equitativa, igualitária e plural”. Catherine Walsh
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    Diálogo com asCiências SociaisWalter Mignolo(2008) e o desafio de aprender a desaprender.
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    D’Ambrosio (2009): “O grandedesafio é ampliar as possibilidades de voar/criar para entender e explicar o mundo que nos cerca, com toda a sua complexidade.”
  • 9.
    Diálogo com asCiências SociaisCeceña (2004) e “o desafio de criar um mundo onde caibam todos os mundos”.Pressupõem uma mudança total de mentalidades.Diálogo com as Ciências SociaisReconhece essa utopia ou projeto político de construir um universo harmonioso, diverso coletivamente e coerente.
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    “Cada um noseu espaço, à sua própria maneira, fazendo parte do todo”.Diálogo com as Ciências SociaisD´Ambrosio (2009) vê “a etnomatemática como um caminho para uma educação renovada, capaz de preparar gerações futuras para construir uma civilização mais feliz”.Ceceña (2004), “a utopia consiste em construir no cotidiano o sonho do futuro”.Mas, pensando bem, como ser educador sem acreditar numa utopia?
  • 11.
    Prática docente parauma humanização do ensino de matemática Etnomatemática está ligada à história.
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    Com a história,a matemática passa a ser vista como uma produção humana.
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    Respeita as diferençase a diversidade.
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    Possibilita um cenáriopara investigação .Saberes discentes e práticas docentes em via de mão-dupla. (Fantinato etal, 2010; Fantinato e Santos, 2007; Gils, 2010).
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    Prática docente parauma humanização do ensino de matemática Matemática do Movimento dos Sem-Terras (Knijnik, 1995)Colônia rural alemã (Wanderer, 2007)Educação de Jovens e Adultos em escolas públicas (Gils, 2010)Comunidades e favelas (Fantinato, 2003)Grupos indígenas (Domite, 2009) Culturas africanas (Gerdes, 2004)
  • 17.
    Considerações finais O programa etnomatemática indica que não se deve reprimir as produções culturais, mas sim acolher e abraçar em favor de um mundo unido pela diferença, “um mundo onde caibam todos os outros mundos”. Ceceña (2004)
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    Considerações finais Os professores de matemática com formação etnomatemática desenvolvem práticas docentes que respeitam e valorizam os saberes discentes, numa perspectiva humanizadora do ensino de matemática.
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    Considerações finais “Tecer pontes viáveis de comunicação implica que o mundo da matemática se reconheça ‘etno’ (local), e que os mundos ‘etnos’ se reconheçam no domínio da matemática (universal). O vetor da comunicação tem dois sentidos e a linguagem da etnomatemática é uma linguagem de tradução, isto é, de reciprocidade.” Vergani (2007)