Traz sempre o manual, por favor, mesmo
para as aulas pequenas.
Passa a trazer também a folha com as
grelhas dos resultados da Liga dos
Campeões (que distribuirei hoje).
Em Gaveta de Nuvens estão paráfrases
de todas as estâncias do programa (por
cantos).
19-20 — [Os marinheiros portugueses] já
navegavam no Oceano largo [Índico],
apartando as ondas inquietas; os ventos
respiravam brandamente, inchando as
velas côncavas das naus; os mares
mostravam-se cobertos da escuma
branca [no sítio] onde as proas vão
cortando as águas marítimas
consagradas, que são cortadas do gado
de Próteo [pelos peixes],
quando, no luminoso Olimpo, onde está o
governo da gente humana, os Deuses se
ajuntam em glorioso consílio sobre as
cousas futuras do Oriente. Convocados
pelo neto gentil do velho Atlante [por
Mercúrio], da parte de Tonante [Júpiter],
vêm juntamente pela Via Láctea, pisando o
céu cristalino [e] fermoso.
19-20 — [Os marinheiros portugueses] já no
Oceano largo [Índico] navegavam, apartando as
ondas irrequietas; os ventos respiravam
brandamente, inchando as velas côncavas das
naus; os mares mostravam-se cobertos da
escuma branca [no sítio] onde as proas vão
cortando as águas marítimas consagradas, que
são cortadas pelo gado de Próteo [pelos peixes],
quando, no luminoso Olimpo, onde está o
governo da gente humana, os Deuses se
ajuntam em glorioso consílio sobre as cousas
futuras do Oriente. Convocados pelo neto gentil
do velho Atlante [por Mercúrio], da parte de
Tonante [Júpiter], vêm juntamente pela Via
Láctea, pisando o céu cristalino [e] fermoso.
[21-41 = Consílio]
42 — Enquanto se passava isto na
fermosa casa etérea do omnipotente
Olimpo, a gente belicosa [os portugueses]
cortava(m) o mar já lá da banda do Austro
e do Oriente [do sudeste africano], entre a
costa etiópica [de África] e a famosa ilha
de São Lourenço; e, então, o Sol ardente
queimava os Deuses que Tifeu c’o temor
grande converteu em peixes [transpunha
o signo de Pisces].
3.1. O narrador é heterodiegético, quanto
à presença na ação, correspondendo ao
próprio poeta. (A focalização é
omnisciente.)
4 = c; d.
A viagem dos portugueses já ia adiantada
quando ocorreu o Consílio dos Deuses.
A viagem dos portugueses prosseguia em
simultâneo com o Consílio dos Deuses.
d. 1 // Júpiter convoca os deuses que,
vindos dos sete Céus, se reúnem para
decidir o futuro dos portugueses.
g. 2 // É ainda Júpiter, que preside à
assembleia, que dá início à reunião; no
seu dis­curso, enfatiza a ação dos
portugueses, valorizando o seu esforço,
defendendo que os nautas lusos já
merecem ser protegidos na costa
africana, devendo ser "agasalhados", de
modo que se sintam revigorados para
prosseguirem o seu caminho em direção
à terra desejada.
a. 3 // Baco, porém, discorda de Júpiter
em relação à sua vontade de favorecer
os portugueses, por recear que estes
anulem a fama que conquistara no
Oriente, manifestando­se contra a
possibilidade de os nautas chegarem à
Índia.
e. 4 // Vénus intercede pelo povo luso,
afirmando que este é muito parecido com
o povo romano que tanto ama ­ revela
igual coragem e valentia (no Norte de
África: "terra Tingitana") e fala uma língua
que se aproxima do latim. [...]
b. 5 // A deusa do amor é coadjuvada por
Marte, o deus da guerra, que nutria por
Vénus "amor antigo", reconhecendo, por
outro lado, o valor dos nautas
portugueses que, aliás, já tinha sido
mencionado pelo próprio Júpiter. Marte
sustenta, pois, que o pai dos deuses, um
"juiz direito", deveria manter a sua
posição favorável em relação aos
portugueses e não deveria deixar­se
influenciar pelos argumentos de Baco,
que se revelam "suspeito[s]".
f. 6 // Finalmente, Marte incita Júpiter a
não desistir da sua posição inicial, pois
isso seria interpretado como um sinal de
fraqueza.
c. 7 // Após ter ouvido a argumentação
dos vários intervenientes no consílio,
Júpiter aceita as razões de Marte, decide
que os portu­gueses serão ajudados e
encerra a reunião.
a = 3;
b = 5;
c = 7;
d = 1;
e = 4;
f = 6;
g = 2.
Resolve o ponto 1 da p. 163 (resumo de «O
significado da mitologia n’Os Lusíadas»
em 80­100 palavras).
Na intriga mitológica, Vénus pretende que os
Portugueses concluam a viagem, ao contrário de
Baco, que mobiliza contra eles indígenas e
divindades marítimas. Vénus consegue auxílio de
Júpiter, convoca as ninfas do mar e prepara uma
ilha que premiará os Portugueses.
Ajuda os «novos romanos», como já protege­
ra Eneias. Baco quer evitar que cheguem ao Orien­
te, que considera seu. Os portugueses, porém,
suplantam os deuses adversos e ganham o estatu­
to de heróis, como se reconhece no episódio da
ilha dos Amores.
É típica da Renascença esta glorificação de
quem foi capaz de se ultrapassar.
[94 palavras]
20
fermoso = formoso
Vem pela via = Vêm pela via
42
pexes = peixes
103
Ua = Uma
104
ledo = l[ê]do
105
avorrecida = avorrecida ou aborrecida
Frei Luís de Sousa
A «narração» (parte do poema épico)
outras questões de género
As estâncias que hoje vimos correspondem ao
início da narração (I, 19). Sucedem à proposição
(I, 1-3) — em que o poeta enuncia o que se
propõe «cantar» (os navegadores que dilataram
o império; os reis que contribuíram para a
expansão da fé; todos os homens que por feitos
grandiosos se imortalizaram), à invocação (I, 4-5)
— em que pede inspiração às Tágides (não por
acaso, entidades míticas portuguesas) — e à
dedicatória (I, 6-18) — a D. Sebastião, a quem o
poeta louva (pelo que representa para a
independência de Portugal e para o aumento da
mundo cristão; pela ilustre ascendência; pelo
império de que é senhor), a quem apela para que
o leia (vinca que a obra não versará heróis e
factos fantasiosos, como as epopeias anteriores,
mas matéria histórica) e a quem incita a continuar
os feitos gloriosos dos portugueses
(nomeadamente, combatendo Joana Moura).
Já dissemos que a dedicatória não ocorria nos
poemas épicos greco-latinos (por exemplo, não
acontece na Eneida, a epopeia latina que é o mais
próximo modelo do poema épico de Camões).
Na peça não há, naturalmente, o equivalente das
primeiras dezoito estâncias dos Lusíadas
(proposição; invocação; dedicatória). Entra-se
logo num correspondente da narração (se,
tratando-se do modo dramático, assim lhe
pudéssemos chamar). Também não há
estâncias, porque aliás não há versos — trata-se
de teatro em prosa — e, num longo texto
expositivo acerca da obra (a «Memória ao
Conservatório Real»), o autor explicou que esse
era um dos motivos por que não caberia à peça,
que Garrett reconhece ser «uma verdadeira
tragédia», essa precisa designação. É que o
género teatral ‘tragédia’ exigia o verso, a
poesia, e repugnava a Garrett pôr «na
boca de Frei Luís de Sousa outro ritmo
que não fosse o da elegante prosa
portuguesa» (convém recordarmo-nos de
que Manuel de Sousa Coutinho, tornado
depois Frei Luís de Sousa, foi um grande
escritor de prosa). Por isso, o autor
classifica a sua obra como drama, embora
imediatamente a dissocie dos dramalhões
românticos em voga (que logo caricatura).
O começo da ação
No começo da narração (canto I, est. 19), os
portugueses já estão no «largo Oceano» (ou
seja, no Índico). Trata-se, portanto, de um
começo in media res, com a ação já a meio da
viagem, como era de regra nos poemas épicos.
Viremos a ter notícia da parte inicial da viagem
(e aliás dos acontecimentos da História de
Portugal anteriores) através de uma extensa
analepse, uma segunda narrativa encaixada
cujo narrador será Vasco da Gama. Esse longo
relato, dirigido ao Rei de Melinde, acontecerá
nos cantos III, IV e V.
O começo da peça (ato I, cena 1) mostra-
nos Madalena angustiada e percebemos
que os dados estão há muito lançados.
Mesmo antes da entrada em cena de Telmo
— que, como sempre, não a deixará menos
ansiosa —, já se manifesta com «contínuos
terrores, que ainda [a] não deixaram gozar
um só momento de toda a felicidade que
[lhe] dava o amor [de Manuel]». A leitura
dos Lusíadas (no passo dos amores de
Inês e Pedro) suscita-lhe a comparação:
pelo menos, Inês tivera um momento de
ilusão/felicidade.
Deuses, destino e Jorge Jesus
A intervenção dos deuses no destino dos
homens está amplamente documentada nas
epopeias da Antiguidade, o que também sucede
nos Lusíadas. A narração começa com o plano
central, o da viagem, mas só durante uma
estrofe (I, 19), passando-se logo ao plano
mitológico, com o Consílio no Olimpo (I, 20-41).
Júpiter pretende dar conhecimento da sua
determinação de ajudar os navegantes
portugueses e elogia as proezas históricas do
povo português e a sua coragem. Esta decisão
gera controvérsia: Baco teme que seja destruído
o prestígio que tem no Oriente; no entanto,
Vénus e Marte defendem os portugueses.
Em Frei Luís de Sousa não se contempla a ação
dos deuses da mitologia. No entanto, sentimos que
há uma força que está para lá das personagens,
que as ultrapassa, que intervém tão decisivamente
como os deuses na epopeia de Camões, o destino.
A perceção de que a ação das personagens está
condicionada por uma pré-determinação funesta
está sempre presente. É fomentada pela inseguran-
ça de Madalena, pelos agoiros de Telmo, pelo «se-
bastianismo» com que este contagia Maria, pela
perspicácia doentia desta, pelo simbolismo das
datas. Deus — mas não os da mitologia —, isto é, a
fé, estipula a decisão das personagens (a certa al-
tura, Madalena atreve-se a hesitar na opção a to-
mar, sendo de imediato trazida à razão, religiosa,
por Manuel).
TPC — Prepara leitura em voz alta
das estâncias nas pp. 166 e 167 (para os
clubes dos grupos A e B) e 168-169 (para
os dos grupos C e D).

Apresentação para décimo segundo ano de 2016 7, aula 109-110

  • 3.
    Traz sempre omanual, por favor, mesmo para as aulas pequenas. Passa a trazer também a folha com as grelhas dos resultados da Liga dos Campeões (que distribuirei hoje). Em Gaveta de Nuvens estão paráfrases de todas as estâncias do programa (por cantos).
  • 8.
    19-20 — [Osmarinheiros portugueses] já navegavam no Oceano largo [Índico], apartando as ondas inquietas; os ventos respiravam brandamente, inchando as velas côncavas das naus; os mares mostravam-se cobertos da escuma branca [no sítio] onde as proas vão cortando as águas marítimas consagradas, que são cortadas do gado de Próteo [pelos peixes],
  • 9.
    quando, no luminosoOlimpo, onde está o governo da gente humana, os Deuses se ajuntam em glorioso consílio sobre as cousas futuras do Oriente. Convocados pelo neto gentil do velho Atlante [por Mercúrio], da parte de Tonante [Júpiter], vêm juntamente pela Via Láctea, pisando o céu cristalino [e] fermoso.
  • 10.
    19-20 — [Osmarinheiros portugueses] já no Oceano largo [Índico] navegavam, apartando as ondas irrequietas; os ventos respiravam brandamente, inchando as velas côncavas das naus; os mares mostravam-se cobertos da escuma branca [no sítio] onde as proas vão cortando as águas marítimas consagradas, que são cortadas pelo gado de Próteo [pelos peixes], quando, no luminoso Olimpo, onde está o governo da gente humana, os Deuses se ajuntam em glorioso consílio sobre as cousas futuras do Oriente. Convocados pelo neto gentil do velho Atlante [por Mercúrio], da parte de Tonante [Júpiter], vêm juntamente pela Via Láctea, pisando o céu cristalino [e] fermoso.
  • 11.
    [21-41 = Consílio] 42— Enquanto se passava isto na fermosa casa etérea do omnipotente Olimpo, a gente belicosa [os portugueses] cortava(m) o mar já lá da banda do Austro e do Oriente [do sudeste africano], entre a costa etiópica [de África] e a famosa ilha de São Lourenço; e, então, o Sol ardente queimava os Deuses que Tifeu c’o temor grande converteu em peixes [transpunha o signo de Pisces].
  • 13.
    3.1. O narradoré heterodiegético, quanto à presença na ação, correspondendo ao próprio poeta. (A focalização é omnisciente.)
  • 14.
    4 = c;d. A viagem dos portugueses já ia adiantada quando ocorreu o Consílio dos Deuses. A viagem dos portugueses prosseguia em simultâneo com o Consílio dos Deuses.
  • 35.
    d. 1 //Júpiter convoca os deuses que, vindos dos sete Céus, se reúnem para decidir o futuro dos portugueses.
  • 36.
    g. 2 //É ainda Júpiter, que preside à assembleia, que dá início à reunião; no seu dis­curso, enfatiza a ação dos portugueses, valorizando o seu esforço, defendendo que os nautas lusos já merecem ser protegidos na costa africana, devendo ser "agasalhados", de modo que se sintam revigorados para prosseguirem o seu caminho em direção à terra desejada.
  • 37.
    a. 3 //Baco, porém, discorda de Júpiter em relação à sua vontade de favorecer os portugueses, por recear que estes anulem a fama que conquistara no Oriente, manifestando­se contra a possibilidade de os nautas chegarem à Índia.
  • 38.
    e. 4 //Vénus intercede pelo povo luso, afirmando que este é muito parecido com o povo romano que tanto ama ­ revela igual coragem e valentia (no Norte de África: "terra Tingitana") e fala uma língua que se aproxima do latim. [...]
  • 39.
    b. 5 //A deusa do amor é coadjuvada por Marte, o deus da guerra, que nutria por Vénus "amor antigo", reconhecendo, por outro lado, o valor dos nautas portugueses que, aliás, já tinha sido mencionado pelo próprio Júpiter. Marte sustenta, pois, que o pai dos deuses, um "juiz direito", deveria manter a sua posição favorável em relação aos portugueses e não deveria deixar­se influenciar pelos argumentos de Baco, que se revelam "suspeito[s]".
  • 40.
    f. 6 //Finalmente, Marte incita Júpiter a não desistir da sua posição inicial, pois isso seria interpretado como um sinal de fraqueza.
  • 41.
    c. 7 //Após ter ouvido a argumentação dos vários intervenientes no consílio, Júpiter aceita as razões de Marte, decide que os portu­gueses serão ajudados e encerra a reunião.
  • 42.
    a = 3; b= 5; c = 7; d = 1; e = 4; f = 6; g = 2.
  • 44.
    Resolve o ponto1 da p. 163 (resumo de «O significado da mitologia n’Os Lusíadas» em 80­100 palavras).
  • 46.
    Na intriga mitológica,Vénus pretende que os Portugueses concluam a viagem, ao contrário de Baco, que mobiliza contra eles indígenas e divindades marítimas. Vénus consegue auxílio de Júpiter, convoca as ninfas do mar e prepara uma ilha que premiará os Portugueses. Ajuda os «novos romanos», como já protege­ ra Eneias. Baco quer evitar que cheguem ao Orien­ te, que considera seu. Os portugueses, porém, suplantam os deuses adversos e ganham o estatu­ to de heróis, como se reconhece no episódio da ilha dos Amores. É típica da Renascença esta glorificação de quem foi capaz de se ultrapassar. [94 palavras]
  • 48.
    20 fermoso = formoso Vempela via = Vêm pela via 42 pexes = peixes 103 Ua = Uma 104 ledo = l[ê]do 105 avorrecida = avorrecida ou aborrecida
  • 50.
  • 53.
    A «narração» (partedo poema épico) outras questões de género
  • 54.
    As estâncias quehoje vimos correspondem ao início da narração (I, 19). Sucedem à proposição (I, 1-3) — em que o poeta enuncia o que se propõe «cantar» (os navegadores que dilataram o império; os reis que contribuíram para a expansão da fé; todos os homens que por feitos grandiosos se imortalizaram), à invocação (I, 4-5) — em que pede inspiração às Tágides (não por acaso, entidades míticas portuguesas) — e à dedicatória (I, 6-18) — a D. Sebastião, a quem o poeta louva (pelo que representa para a independência de Portugal e para o aumento da mundo cristão; pela ilustre ascendência; pelo império de que é senhor), a quem apela para que
  • 55.
    o leia (vincaque a obra não versará heróis e factos fantasiosos, como as epopeias anteriores, mas matéria histórica) e a quem incita a continuar os feitos gloriosos dos portugueses (nomeadamente, combatendo Joana Moura). Já dissemos que a dedicatória não ocorria nos poemas épicos greco-latinos (por exemplo, não acontece na Eneida, a epopeia latina que é o mais próximo modelo do poema épico de Camões).
  • 56.
    Na peça nãohá, naturalmente, o equivalente das primeiras dezoito estâncias dos Lusíadas (proposição; invocação; dedicatória). Entra-se logo num correspondente da narração (se, tratando-se do modo dramático, assim lhe pudéssemos chamar). Também não há estâncias, porque aliás não há versos — trata-se de teatro em prosa — e, num longo texto expositivo acerca da obra (a «Memória ao Conservatório Real»), o autor explicou que esse era um dos motivos por que não caberia à peça, que Garrett reconhece ser «uma verdadeira tragédia», essa precisa designação. É que o
  • 57.
    género teatral ‘tragédia’exigia o verso, a poesia, e repugnava a Garrett pôr «na boca de Frei Luís de Sousa outro ritmo que não fosse o da elegante prosa portuguesa» (convém recordarmo-nos de que Manuel de Sousa Coutinho, tornado depois Frei Luís de Sousa, foi um grande escritor de prosa). Por isso, o autor classifica a sua obra como drama, embora imediatamente a dissocie dos dramalhões românticos em voga (que logo caricatura).
  • 58.
  • 59.
    No começo danarração (canto I, est. 19), os portugueses já estão no «largo Oceano» (ou seja, no Índico). Trata-se, portanto, de um começo in media res, com a ação já a meio da viagem, como era de regra nos poemas épicos. Viremos a ter notícia da parte inicial da viagem (e aliás dos acontecimentos da História de Portugal anteriores) através de uma extensa analepse, uma segunda narrativa encaixada cujo narrador será Vasco da Gama. Esse longo relato, dirigido ao Rei de Melinde, acontecerá nos cantos III, IV e V.
  • 60.
    O começo dapeça (ato I, cena 1) mostra- nos Madalena angustiada e percebemos que os dados estão há muito lançados. Mesmo antes da entrada em cena de Telmo — que, como sempre, não a deixará menos ansiosa —, já se manifesta com «contínuos terrores, que ainda [a] não deixaram gozar um só momento de toda a felicidade que [lhe] dava o amor [de Manuel]». A leitura dos Lusíadas (no passo dos amores de Inês e Pedro) suscita-lhe a comparação: pelo menos, Inês tivera um momento de ilusão/felicidade.
  • 61.
    Deuses, destino eJorge Jesus
  • 62.
    A intervenção dosdeuses no destino dos homens está amplamente documentada nas epopeias da Antiguidade, o que também sucede nos Lusíadas. A narração começa com o plano central, o da viagem, mas só durante uma estrofe (I, 19), passando-se logo ao plano mitológico, com o Consílio no Olimpo (I, 20-41). Júpiter pretende dar conhecimento da sua determinação de ajudar os navegantes portugueses e elogia as proezas históricas do povo português e a sua coragem. Esta decisão gera controvérsia: Baco teme que seja destruído o prestígio que tem no Oriente; no entanto, Vénus e Marte defendem os portugueses.
  • 63.
    Em Frei Luísde Sousa não se contempla a ação dos deuses da mitologia. No entanto, sentimos que há uma força que está para lá das personagens, que as ultrapassa, que intervém tão decisivamente como os deuses na epopeia de Camões, o destino. A perceção de que a ação das personagens está condicionada por uma pré-determinação funesta está sempre presente. É fomentada pela inseguran- ça de Madalena, pelos agoiros de Telmo, pelo «se- bastianismo» com que este contagia Maria, pela perspicácia doentia desta, pelo simbolismo das datas. Deus — mas não os da mitologia —, isto é, a fé, estipula a decisão das personagens (a certa al- tura, Madalena atreve-se a hesitar na opção a to- mar, sendo de imediato trazida à razão, religiosa, por Manuel).
  • 64.
    TPC — Preparaleitura em voz alta das estâncias nas pp. 166 e 167 (para os clubes dos grupos A e B) e 168-169 (para os dos grupos C e D).