Agressão e defesa: Anti-inflamatórios
Disciplina de Farmacologia
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Processo inflamatório
• Resposta do organismo, direcionada para eliminar a
causa inicial da lesão, bem como as células e
tecidos necróticos que resultam do insulto original;
• Sem o processo de inflamação as infecções
prosseguiriam sem controle e as feridas jamais se
cicatrizariam;
• Contudo, as reações desencadeadas pelo processo
inflamatório no organismo pode trazer
consequências e danos consideráveis.
Sinais cardinais de inflamação
Processo inflamatório
Fonte: Robbins. Patologia básica, 2013.
Mediadores químicos da inflamação
Fármacos anti-inflamatórios
• Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s) ou anti-inflamatórios
hormonais;
Fármacos anti-inflamatórios
• Anti-inflamatórios não-
esteroidais (AINE’s) ou anti-
inflamatórios-não hormonais;
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Aspectos fisiológicos e farmacológicos
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Aspectos fisiológicos e farmacológicos
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Mecanismo de ação
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Artrite
reumatóide
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
• Reposição de cortisol em pacientes com
insuficiência adrenal;
• Agente anti-inflamatório/ imunossupressor;
• Fármaco adjuvante no tratamento de
doenças mielo proliferativas e outras
condições tais como COVID-19;
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Uso terapêutico (clínica e terapia intensiva)
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Efeito terapêutico ideal
• Máxima atividade anti-inflamatória,
antialérgica e imunossupressora;
• Mínima atividade retentora de sódio e
fluídos.
• Fármacos de curta duração:
• Média duração:
• Longa duração:
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Classificação de acordo com o tempo de duração
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Farmacocinética
• Absorção rápida e eficiente pelo TGI (VO);
• Absorção imediata pelos espaços sinoviais
(articulações), porém mais lento no tecido
epitelial;
• Administração tópica apenas para ação
local.
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Farmacocinética
• A maior parte do cortisol circulante está
ligado à proteínas plasmáticas.
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Farmacocinética
• Principais sítios de inativação: fígado e rins;
• Vias que levam à inativação:
Redução da dupla
ligação na posição
4/5
Redução do grupo
cetona na posição 3
Hidroxilação na
posição 6
glicocorticóide
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Efeitos na fisiologia e metabolismo
• Aumenta glicose sérica e o glicogênio hepático;
• Provoca resistência à insulina;
• Reduz a síntese proteica e aumenta o catabolismo
muscular;
• Desregula a função tireoidiana -> aumento na secreção
de PTH (paratormônio-tireoide);
• Reduz a síntese de hormônios sexuais (eixo HTP);
• Interfere na absorção de cálcio, antagonizando a ação
da vita D; Aumento na excreção renal e redução da
absorção (instestino) de Ca++;
• Suprime a resposta imune e a inflamação aguda;
• Acentua comportamento de euforia;
• Modula a permeabilidade da BHE.
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Efeitos adversos
• Risco aumentado de osteoporose.
• Concentrações farmacológicas excessivas de
glicocorticoides interferem na formação óssea (inibindo a
diferenciação e a atividade de osteoblastos) e podem
estimular a ação dos osteoclastos;
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Osteoporose
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Efeitos no metabolismo
• Metabolismo de lipídeos: Redistribuição da gordura
corporal (aumento de ácidos graxos no plasma); aumento
da gordura na parte posterior do pescoço (giba de búfalo),
área supra clavicular e face (face de lua-cheia).
• Síndrome de Cushing (próxima pág).
Anti-inflamatórios esteroidais
(AIE’s)
Síndrome de Cushing – principais características
• Metabolismo de lipídeos: Redistribuição da gordura
corporal (aumento de ácidos graxos no plasma); aumento
da gordura na parte posterior do pescoço (giba de búfalo),
área supra clavicular e face (face de lua-cheia).
• Síndrome de Cushing.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
 Fármacos utilizados para tratar os sintomas
da inflamação;
 São ácidos orgânicos fracos de estrutura
química diversa;
 Apresentam várias finalidades terapêuticas
(ações anti-inflamatória, analgésica e
antipirética).
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Estímulo
Membrana fosfolipídica
Ácido araquidônico
Fosfolipase A2
Ciclooxigenases
COX 1 e COX2
Lipoxigenase
LOX
Leucotrienos
Prostaglandinas
Prostaciclinas
Tromboxano A2
COX 1
• Enzima constitutiva;
• Presente na maior parte das células e
tecidos do organismo;
• Promove a produção de prostaglandinas
(PG’s) importantes para a manutenção de
funções fisiológicas.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Ciclooxigenases
COX 2
• Formação induzida frente à processo
inflamatório e interleucinas IL1, IL2 e TNFα;
• Produz PG’s que medeiam inflamação, dor e
febre.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Ciclooxigenases
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Mecanismo de ação analgésico
Lesão tecidual, processo
inflamatório
Liberação de citocinas
inflamatórias (IL-1, IL-8)
Aumento da síntese de
prostaglandias (PGE2)
Sensibilização de receptores
nociceptivos
DOR
AINE’s
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Mecanismo de ação antipirético
Febre
Liberação de citocinas
inflamatórias (IL-1, IL-8)
Aumento da síntese de
prostaglandias (PGE2) no
hipotálamo
Estímulo no hipotálamo para
aumento de T° corporal
FEBRE
AINE’s
• Distúrbios gastrintestinais;
• Dispepsia, diarreia (podendo causar também
constipação), náuseas, vômitos e em alguns
casos, sangramento gástrico e ulceração.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Efeitos indesejáveis
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Mecanismo secreção gástrica
COX 1
Redução de PG’s
citoprotetoras
(PGE2 e PGI2)
• Reações cutâneas (erupções, urticária,
fotossensibilidade);
• Nefrotoxicidade (nefropatia por analgésicos);
• Distúrbios da medula óssea;
• Distúrbios hepáticos.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Outros efeitos indesejáveis
• Idade avançada;
• Histórico de doenças no TGI;
• Hipertensão;
• Insuficiência cardíaca congestiva (ICC);
• Insuficiência renal;
• Insuficiência hepática;
• Desidratação;
• Uso concomitante de diuréticos inibidores da
enzima conversora da angiotensina (ECA).
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Considerações importantes na clínica
• Aspirina®;
• Melhoral®;
• Buffering®;
• AAS®.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
SALICILATOS
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
SALICILATOS
Modifica covalentemente a COX1 e COX2
Inibe
irreversivelmente a
atividade da
ciclooxigenase
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
SALICILATOS
• Indicações clínicas:
 Analgesia (dores leves a moderadas);
 Antitérmico;
 Antiagregante plaquetário (doença arterial
coronariana).
Pode desencadear a síndrome de Reye
Agravamento do quadro em pacientes
com dengue
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
SALICILATOS
• Efeitos adversos:
 Agressão ao TGI (irritação da mucosa gástrica,
náuseas, vômitos, dispepsia e ulcerações;
 Agressão de células epiteliais (pele e mucosa);
 Prolonga o tempo de sangramento (inibição de
tromboxano A2);
 Efeitos respiratórios (hiperventilação).
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
DIPIRONA
 Anador®;
 Novalgina®;
 Neosaldina®.
Efeito farmacológico similar ao efeitos dos salicilatos (+cafeína);
Alívio de dor leve a moderada e controle da febre.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
• Efeitos adversos:
 Choque anafilático;
 Hipotensão;
 Agranulocitose ( granulócitos no sangue);
 Desconforto no TGI (náuseas, vômitos).
DIPIRONA
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
PARACETAMOL
 Anador®;
 Novalgina®;
 Neosaldina®.
Leve atividade anti-inflamatória;
Fármaco de eleição nas dores leves e moderadas na infância.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
PARACETAMOL
• Baixa incidência de efeitos adversos no TGI;
• Baixa ou nenhuma incidência de efeitos
cardiovascular e antiagregante plaquetário
(doses terapêuticas)
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
PARACETAMOL
Farmacocinética:
• Rápida absorção no TGI;
• Níveis plasmáticos em média 30 mins-1hora (meia vida de
2hs);
• Metabolização hepática por enzimas microssomais (sulfato
e glicorunídeo de acetominofeno);
• Excretado pela urina;
• Não deve ser ingerido junto de alimentos.
Fármaco de preferência para uso em pacientes com úlceras
gástricas, histórico de broncoespasmo, crianças e
adolescentes com infecções virais e hemofílicos.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
PARACETAMOL
• Efeitos adversos:
 Efeitos hepatotóxicos (metabólito altamente ativo
e tóxico);
 Intoxicação aguda: 24 hs – náuseas, vômitos; 48
hs – hepatotoxicidade (doses acima de 10-15 grs).
Não deve ser utilizado por mais de 5 dias seguidos
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
DICLOFENACO
• Potentes inibidores da COX;
• Potencial de inibição da COX2 maior do que
outros AINE’s;
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
DICLOFENACO
• Efeitos adversos:
 Ulcerações no TGI, com perfuração de tecido;
 Nefrotóxico (inibição PG’s e redução da perfusão
renal).
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
INIBIDORES ALTAMENTE SELETIVOS DA
COX2 - COXIBES
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
INIBIDORES ALTAMENTE SELETIVOS DA
COX2 - COXIBES
• Efeitos adversos:
 Ulcerações no TGI, com perfuração de tecido;
 Resultado: estes anti-inflamatórios, apesar de
inibirem especificamente a COX2, ainda mostram
os mesmos efeitos colaterais dos AINE’s
inibidores COX1. Então:
Anti-inflamatórios não esteroidais
(AINE’s)
Tipo COX1 COX
2
Potencial anti-
inflamatório
Efeitos
adversos
Salicilatos
Ibuprofeno
Diclofenaco
Fonte: Baseado em estudo populacional randomizado. Golan, 2014.
TABELA COMPARATIVA AINE’s
FIM

AIES-AINES aula PDF.pdf