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 A Renascença foi de grande
importância para o
desenvolvimento dos
princípios sadios da
Hermenêutica. Nos séculos
XIV e XV, a ignorância densa
prevaleceu quanto ao conteúdo
da Bíblia. Houve doutores de
divindade que nunca a haviam
lido inteira. E a tradução de
Jerônimo era a única forma pela
qual a Bíblia era conhecida.
A Renascença chamou a atenção para a necessidade de se
voltar ao original. Reuchlin e Erasmo – chamados os dois
olhos da Europa – seduzidos pela ideia, insistiram em
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Escrituras nas línguas em que haviam sido escritas. Além
disso, facilitaram grandemente esse estudo: o primeiro
pela publicação de uma Gramática Hebraica e um Lexico
Hebraico; e o último, publicando a primeira edição
crítica do Novo Testamento Grego.
 O sentido quádruplo da Escritura foi sendo
gradualmente abandonado e foi estabelecido o
princípio de que a Bíblia tinha apenas um
sentido.
 Os Reformadores criam na Bíblia como sendo a
Palavra inspirada de Deus. Mas, por mais estrita
que fosse sua concepção de inspiração,
concebiam-na como orgânica ao invés de
mecânica. Em certos particulares, revelaram até
mesmo uma liberdade notável ao lidar com as
Escrituras. Ao mesmo tempo, consideravam a
Bíblia como a
 Autoridade suprema e como corte final de
apelo em disputas teológicas. Em oposição à
infalibilidade da Igreja, colocaram a
infalibilidade da Palavra. Sua posição é
perfeitamente evidenciada na declaração de
que a Igreja não determina o que as Escrituras
ensinam, mas as Escrituras determinam o que a
Igreja deve ensinar.
 O caráter essencial da sua exegese era o
resultado de dois princípios fundamentais: (1)
Scriptura Scripturae interprepres, isto é, a
Escritura é a intérprete da Escritura; e (2) omnis
intellectus ac expositio Scripturae sit analogia fidei,
isto é, todo o entendimento e exposição da
Escritura deve estar em conformidade com a
analogia da fé. E, para eles, a analogia fidei é
igual à analogia Scripturae, isto é, o ensino
uniforme da Escritura.
Ele prestou à nação alemã um grande
serviço ao traduzir a Bíblia para o alemão
vernáculo. Também se engajou no trabalho de
exposição, embora somente em uma extensão
limitada. Suas regras hermenêuticas eram muito
melhores do que a sua exegese.
Embora não desejasse reconhecer nada além do
sentido literal e falasse desdenhosamente da
interpretação alegórica não se afastou
inteiramente do método desprezado.
Defendeu o direito do julgamento particular;
enfatizou a necessidade de se levar em
consideração o contexto e as circunstâncias
históricas; requeria fé e discernimento espiritual
ao intérprete; e desejava encontrar Cristo em toda
parte da Escritura.
 Foi a mão direita de Lutero e seu
superior em ciência. Seu grande talento e
conhecimento extensivo, também em grego e
hebraico, forma adaptados para transformá-lo em
um intérprete admirável. Em sua obra exegética,
avançou os princípios sadios de que (a) As
Escrituras devem ser entendidas gramaticalmente
antes de serem entendidas teologicamente; e (b)
As Escrituras têm apenas um sentido claro e
simples.
 Foi, por consenso, o maior exegeta da
Reforma. Suas exposições cobrem quase todos os
livros da Bíblia, e seu valor ainda é reconhecido.
Os princípios fundamentais de Lutero e
Melanchthon também foram os seus, e ele os
superou ao ajustar sua prática com sua teoria.
Viu, no método alegórico, um artifício de Satanás
para obscurecer o sentido da Escritura.
Acreditava firmemente no significado simbólico
de muito do que se encontrava no Antigo
Testamento,
 Mas não compartilhava da mesma opinião de
Lutero de que Cristo deveria ser encontrado
em toda parte da Escritura. Além disso,
reduziu o número de Salmos que poderiam ser
reconhecidos como messiânicos. Insistiu no
fato de que os profetas deveriam ser
interpretados à luz das circunstâncias
históricas. Como ele via, a excelência primeira
de um expositor consistia de uma brevidade
lúcida. Além disso, considerava que “a
primeira função da um intérprete é deixar o
autor dizer o que ele diz, ao invés de atribuir a
ele o que pensamos que ele deveria dizer”.
 Não fizeram nenhum avanço exegético durante
o período da Reforma. Não admitiam o direito
do julgamento particular e defendiam, em
oposição aos protestantes, a posição de que a
Bíblia deve ser interpretada em harmonia com
a tradição.
 O Concílio de Trento enfatizou
 (a) que a autoridade da tradição eclesiástica
devia ser mantida,
 (b) que a autoridade suprema tinha de ser
atribuída à Vulgata, e
 (c) que era necessário confirmar a interpretação
de alguém à autoridade da Igreja e do consenso
unânime dos Pais da Igreja.
 Onde esses princípios prevalecem, o
desenvolvimento exegético chega,
inevitavelmente, a uma parada repentina.
 A Reforma Protestante trouxe esperança aos
cristãos e ao mundo inteiro. Como frutos desse
movimento Escolas e Universidades foram
fundadas para estudar a Bíblia e demais
questões. Seus princípios permanecem entre os
protestantes ainda hoje.
 Precisamos olhar agora para os séculos XIX e
XX, especialmente para o método denominado
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Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

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A Renascença e o desenvolvimento dos princípios da Hermenêutica

  • 2.  A Renascença foi de grande importância para o desenvolvimento dos princípios sadios da Hermenêutica. Nos séculos XIV e XV, a ignorância densa prevaleceu quanto ao conteúdo da Bíblia. Houve doutores de divindade que nunca a haviam lido inteira. E a tradução de Jerônimo era a única forma pela qual a Bíblia era conhecida.
  • 3. A Renascença chamou a atenção para a necessidade de se voltar ao original. Reuchlin e Erasmo – chamados os dois olhos da Europa – seduzidos pela ideia, insistiram em que os intérpretes da Bíblia tinham O dever de estudar as Escrituras nas línguas em que haviam sido escritas. Além disso, facilitaram grandemente esse estudo: o primeiro pela publicação de uma Gramática Hebraica e um Lexico Hebraico; e o último, publicando a primeira edição crítica do Novo Testamento Grego.
  • 4.  O sentido quádruplo da Escritura foi sendo gradualmente abandonado e foi estabelecido o princípio de que a Bíblia tinha apenas um sentido.  Os Reformadores criam na Bíblia como sendo a Palavra inspirada de Deus. Mas, por mais estrita que fosse sua concepção de inspiração, concebiam-na como orgânica ao invés de mecânica. Em certos particulares, revelaram até mesmo uma liberdade notável ao lidar com as Escrituras. Ao mesmo tempo, consideravam a Bíblia como a
  • 5.  Autoridade suprema e como corte final de apelo em disputas teológicas. Em oposição à infalibilidade da Igreja, colocaram a infalibilidade da Palavra. Sua posição é perfeitamente evidenciada na declaração de que a Igreja não determina o que as Escrituras ensinam, mas as Escrituras determinam o que a Igreja deve ensinar.
  • 6.  O caráter essencial da sua exegese era o resultado de dois princípios fundamentais: (1) Scriptura Scripturae interprepres, isto é, a Escritura é a intérprete da Escritura; e (2) omnis intellectus ac expositio Scripturae sit analogia fidei, isto é, todo o entendimento e exposição da Escritura deve estar em conformidade com a analogia da fé. E, para eles, a analogia fidei é igual à analogia Scripturae, isto é, o ensino uniforme da Escritura.
  • 7. Ele prestou à nação alemã um grande serviço ao traduzir a Bíblia para o alemão vernáculo. Também se engajou no trabalho de exposição, embora somente em uma extensão limitada. Suas regras hermenêuticas eram muito melhores do que a sua exegese.
  • 8. Embora não desejasse reconhecer nada além do sentido literal e falasse desdenhosamente da interpretação alegórica não se afastou inteiramente do método desprezado. Defendeu o direito do julgamento particular; enfatizou a necessidade de se levar em consideração o contexto e as circunstâncias históricas; requeria fé e discernimento espiritual ao intérprete; e desejava encontrar Cristo em toda parte da Escritura.
  • 9.  Foi a mão direita de Lutero e seu superior em ciência. Seu grande talento e conhecimento extensivo, também em grego e hebraico, forma adaptados para transformá-lo em um intérprete admirável. Em sua obra exegética, avançou os princípios sadios de que (a) As Escrituras devem ser entendidas gramaticalmente antes de serem entendidas teologicamente; e (b) As Escrituras têm apenas um sentido claro e simples.
  • 10.  Foi, por consenso, o maior exegeta da Reforma. Suas exposições cobrem quase todos os livros da Bíblia, e seu valor ainda é reconhecido. Os princípios fundamentais de Lutero e Melanchthon também foram os seus, e ele os superou ao ajustar sua prática com sua teoria. Viu, no método alegórico, um artifício de Satanás para obscurecer o sentido da Escritura. Acreditava firmemente no significado simbólico de muito do que se encontrava no Antigo Testamento,
  • 11.  Mas não compartilhava da mesma opinião de Lutero de que Cristo deveria ser encontrado em toda parte da Escritura. Além disso, reduziu o número de Salmos que poderiam ser reconhecidos como messiânicos. Insistiu no fato de que os profetas deveriam ser interpretados à luz das circunstâncias históricas. Como ele via, a excelência primeira de um expositor consistia de uma brevidade lúcida. Além disso, considerava que “a primeira função da um intérprete é deixar o autor dizer o que ele diz, ao invés de atribuir a ele o que pensamos que ele deveria dizer”.
  • 12.
  • 13.  Não fizeram nenhum avanço exegético durante o período da Reforma. Não admitiam o direito do julgamento particular e defendiam, em oposição aos protestantes, a posição de que a Bíblia deve ser interpretada em harmonia com a tradição.
  • 14.  O Concílio de Trento enfatizou  (a) que a autoridade da tradição eclesiástica devia ser mantida,  (b) que a autoridade suprema tinha de ser atribuída à Vulgata, e  (c) que era necessário confirmar a interpretação de alguém à autoridade da Igreja e do consenso unânime dos Pais da Igreja.  Onde esses princípios prevalecem, o desenvolvimento exegético chega, inevitavelmente, a uma parada repentina.
  • 15.  A Reforma Protestante trouxe esperança aos cristãos e ao mundo inteiro. Como frutos desse movimento Escolas e Universidades foram fundadas para estudar a Bíblia e demais questões. Seus princípios permanecem entre os protestantes ainda hoje.  Precisamos olhar agora para os séculos XIX e XX, especialmente para o método denominado de “Histórico-Crítico”.
  • 16.  Praticamente todo o conteúdo desses slides são da excelente obra:  BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.