SlideShare uma empresa Scribd logo
Prof. Bruno Cesar
www.bruno-
cesar.com
• Durante a Idade Média, muitos, até mesmo do clero, viviam
em profunda ignorância quanto à Bíblia. E o que conheciam
era devido apenas à tradução da Vulgata e aos escritos dos
Pais da Igreja. A Bíblia era, geralmente, considerada como
um livro cheio de mistérios, os quais só poderiam ser
entendidos de uma forma mística. Nesse período, o sentido
quádruplo da Escritura (literal, moral, alegórico e
escatológico) era geralmente aceito, e o princípio de que a
interpretação da Bíblia tinha de se adaptar à tradição e à
doutrina da Igreja tornou-se estabelecido. Reproduzir os
ensinos dos Pais da Igreja e descobrir os ensinos da Igreja
na Bíblia eram considerados o ápice da sabedoria.
• A regra de São Benedito foi sabiamente aplicada nos
monastérios, e decretado que as Escrituras deveriam ser
lidas e, com elas, como explicação final, a exposição dos
Pais da Igreja.
• Hugo de São Vítor chegou a dizer: “Aprenda primeiro as
coisas em que você deve crer e, então vá à Bíblia para
encontrá-las lá”. Nos casos em que as interpretações
dos Pais da Igreja diferiam, como frequentemente
acontecia, o intérprete tinha o dever de escolher. Nem
um único princípio hermenêutico foi desenvolvido nessa
época, e a exegese estava de mãos e pés atados pela
tradição oral e pela autoridade da Igreja.
• Enquanto o sentido quádruplo da Escritura era
geralmente aceito nessa época (literal, moral, alegórico e
escatológico), pelo menos alguns começaram a ver a
incongruência de tal visão. Até mesmo Tomás de Aquino
parece tê-la sentido vagamente. É verdade que ele
constantemente alegorizava mas, também, pelo menos
em teoria, considerava o sentido literal como uma base
necessária para toda a exposição da Escritura. Foi,
porém, Nicolau de Lyra quem quebrou os grilhões dessa
era. Não abandonou de modo ostensivo a opinião
vigente, mesmo na aceitação do sentido quádruplo mas,
na realidade, admitiu só dois sentidos, o literal e o
místico, e até mesmo apoiava o último exclusivamente
no primeiro.
• Argumentou quanto à necessidade de se referir ao
original, lamentou sobre o fato de se permitir que “o
sentido místico sufocasse o literal”, e requereu que o
último só fosse usado na doutrina experimental. Sua
obra influenciou profundamente Lutero e,
consequentemente a Reforma.
• Acredita-se que o método de interpretação denominado
de “quadriga” tenha sido desenvolvido por João
Cassiano (séc. V). Cria-se que a Escritura tinha quatro
sentidos:
• Histórico ou literal – o sentido evidente e óbvio do texto.
• Alegórico ou cristológico – o sentido mais profundo,
geralmente apontando para Cristo.
• Tropológico ou moral - o sentido que determinava as
obrigações do cristão e a sua conduta.
• Anagógico ou escatológico – o sentido que apontava
para as coisas vindouras que o cristão deveria esperar.
• A perspectiva de que as Escrituras têm três ou quatro
níveis de sentidos, conforme expressa a quadriga,
dominou a interpretação bíblica no período da Idade
Média. Alguns, como Bonaventura, teólogo católico
franciscano do século 13, chegaram até a defender que
havia sete níveis de sentido em cada passagem.
• A falta de leitura da Bíblia produz todo tipo de misticismo
e erro. Esse foi o principal motivo pelo qual a
interpretação bíblica “sofreu” muito nessa era. Isto é, o
povo não tinha a Bíblia em mãos e consequentemente
não sabia interpretá-la. Até mesmo os estudiosos não
sabia como ler a Palavra de Deus, e consequentemente
não sabiam aplicá-la.
• As circunstâncias clamavam por um movimento que
pusesse a Bíblia nas mãos do povo e o ajudasse a
interpretá-la e vivê-la. E foi isso o que a Reforma
Protestante fez.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Uma introdução ao estudo da Teologia: sua importância e aplicação para a vida
Uma introdução ao estudo da Teologia:  sua importância e aplicação para a vidaUma introdução ao estudo da Teologia:  sua importância e aplicação para a vida
Uma introdução ao estudo da Teologia: sua importância e aplicação para a vida
Robson Tavares Fernandes
 
A formação da bíblia
A formação da bíbliaA formação da bíblia
A formação da bíblia
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Historia da igreja aula 2
Historia da igreja aula 2Historia da igreja aula 2
Historia da igreja aula 2
Lisanro Cronje
 
Bibliologia - Cânon biblico
Bibliologia - Cânon biblicoBibliologia - Cânon biblico
Bibliologia - Cânon biblico
RODRIGO FERREIRA
 
Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...
Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...
Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...
Igreja Evangélica Assembleia de Deus Celebrando o Rei
 
Como interpretar a Bíblia 1
Como interpretar a Bíblia 1Como interpretar a Bíblia 1
Como interpretar a Bíblia 1
Viva a Igreja
 
estudo do evangelho de Mateus
estudo do evangelho de Mateusestudo do evangelho de Mateus
estudo do evangelho de Mateus
RODRIGO FERREIRA
 
Lição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptx
Lição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptxLição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptx
Lição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptx
Celso Napoleon
 
Seitas e heresias
Seitas e heresiasSeitas e heresias
Seitas e heresias
Daladier Lima
 
Catecismo maior-de-westminster
Catecismo maior-de-westminsterCatecismo maior-de-westminster
Catecismo maior-de-westminster
Eli Vieira
 
3 aula bibliologia teologia sistemática
3 aula bibliologia teologia sistemática3 aula bibliologia teologia sistemática
3 aula bibliologia teologia sistemática
RODRIGO FERREIRA
 
Homilética arte de pregar
Homilética   arte de pregar Homilética   arte de pregar
Homilética arte de pregar
Paulo Ferreira
 
A hermenêutica entre os judeus 6
A hermenêutica entre os judeus 6A hermenêutica entre os judeus 6
A hermenêutica entre os judeus 6
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Interpretação bíblica método oica
Interpretação bíblica   método oicaInterpretação bíblica   método oica
Interpretação bíblica método oica
Pastor Juscelino Freitas
 
Lição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na Verdade
Lição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na VerdadeLição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na Verdade
Lição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na Verdade
Éder Tomé
 
A história dos avivamentos da igreja
A história dos avivamentos da igrejaA história dos avivamentos da igreja
A história dos avivamentos da igreja
Giovani Luiz Zimmermann Jr.
 
História da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais Apostólicos
História da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais ApostólicosHistória da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais Apostólicos
História da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais Apostólicos
Andre Nascimento
 
HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)
HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)
HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)
Pr Davi Passos - Estudos Bíblicos
 
Homilética I Itaporanga
Homilética I ItaporangaHomilética I Itaporanga
Homilética I Itaporanga
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Escatologia_Parte1_IBADEP
Escatologia_Parte1_IBADEPEscatologia_Parte1_IBADEP
Escatologia_Parte1_IBADEP
Natalino das Neves Neves
 

Mais procurados (20)

Uma introdução ao estudo da Teologia: sua importância e aplicação para a vida
Uma introdução ao estudo da Teologia:  sua importância e aplicação para a vidaUma introdução ao estudo da Teologia:  sua importância e aplicação para a vida
Uma introdução ao estudo da Teologia: sua importância e aplicação para a vida
 
A formação da bíblia
A formação da bíbliaA formação da bíblia
A formação da bíblia
 
Historia da igreja aula 2
Historia da igreja aula 2Historia da igreja aula 2
Historia da igreja aula 2
 
Bibliologia - Cânon biblico
Bibliologia - Cânon biblicoBibliologia - Cânon biblico
Bibliologia - Cânon biblico
 
Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...
Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...
Slides Licao 11, CPAD, A Visao do Templo e o Milenio, 4Tr22, Pr Henrique, EBD...
 
Como interpretar a Bíblia 1
Como interpretar a Bíblia 1Como interpretar a Bíblia 1
Como interpretar a Bíblia 1
 
estudo do evangelho de Mateus
estudo do evangelho de Mateusestudo do evangelho de Mateus
estudo do evangelho de Mateus
 
Lição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptx
Lição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptxLição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptx
Lição 11 – Cultivando a Convicção Cristã.pptx
 
Seitas e heresias
Seitas e heresiasSeitas e heresias
Seitas e heresias
 
Catecismo maior-de-westminster
Catecismo maior-de-westminsterCatecismo maior-de-westminster
Catecismo maior-de-westminster
 
3 aula bibliologia teologia sistemática
3 aula bibliologia teologia sistemática3 aula bibliologia teologia sistemática
3 aula bibliologia teologia sistemática
 
Homilética arte de pregar
Homilética   arte de pregar Homilética   arte de pregar
Homilética arte de pregar
 
A hermenêutica entre os judeus 6
A hermenêutica entre os judeus 6A hermenêutica entre os judeus 6
A hermenêutica entre os judeus 6
 
Interpretação bíblica método oica
Interpretação bíblica   método oicaInterpretação bíblica   método oica
Interpretação bíblica método oica
 
Lição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na Verdade
Lição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na VerdadeLição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na Verdade
Lição 1 - As Cartas de Pedro: Vivendo em Esperança e Firmados na Verdade
 
A história dos avivamentos da igreja
A história dos avivamentos da igrejaA história dos avivamentos da igreja
A história dos avivamentos da igreja
 
História da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais Apostólicos
História da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais ApostólicosHistória da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais Apostólicos
História da Igreja I: Aula 3 - Paulo e os Pais Apostólicos
 
HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)
HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)
HERESIOLOGIA (AULA 05 - BÁSICO - IBADEP)
 
Homilética I Itaporanga
Homilética I ItaporangaHomilética I Itaporanga
Homilética I Itaporanga
 
Escatologia_Parte1_IBADEP
Escatologia_Parte1_IBADEPEscatologia_Parte1_IBADEP
Escatologia_Parte1_IBADEP
 

Destaque

Hermenêutica na igreja primitiva 7
Hermenêutica na igreja primitiva 7Hermenêutica na igreja primitiva 7
Hermenêutica na igreja primitiva 7
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
A necessidade do estudo da hermenêutica 2
A necessidade do estudo da hermenêutica 2A necessidade do estudo da hermenêutica 2
A necessidade do estudo da hermenêutica 2
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
A hermenêutica nos séculos xix e xx
A hermenêutica nos séculos xix e xx A hermenêutica nos séculos xix e xx
A hermenêutica nos séculos xix e xx
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Hermenêutica ensinai
Hermenêutica  ensinaiHermenêutica  ensinai
Hermenêutica ensinai
Nivaldo R. Santos
 
O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4
O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4
O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Interpretação e tradução 2013-2 - Teoria Geral do Direito
Interpretação e tradução   2013-2 - Teoria Geral do DireitoInterpretação e tradução   2013-2 - Teoria Geral do Direito
Interpretação e tradução 2013-2 - Teoria Geral do Direito
Fabiana Del Padre Tomé
 
Pr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblica
Pr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblicaPr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblica
Pr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblica
Pastor W. Costa
 
Hermenêutica Parte 2
Hermenêutica Parte 2Hermenêutica Parte 2
Hermenêutica Parte 2
Jovens Do Caminho
 
Aula do dia 30 04 - professora daniele souto
Aula do dia 30 04 - professora daniele soutoAula do dia 30 04 - professora daniele souto
Aula do dia 30 04 - professora daniele souto
Fernanda Moreira
 
História da interpretação bíblica (1)
História da interpretação bíblica (1)História da interpretação bíblica (1)
História da interpretação bíblica (1)
Aniel Wagner Cruz
 
Hermenêutica - Introdutória
Hermenêutica - IntrodutóriaHermenêutica - Introdutória
Hermenêutica - Introdutória
ibpcursos
 
Introdução a hermeneutica bíblica walter c. kaiser jr. e moisés silva
Introdução a hermeneutica bíblica   walter c. kaiser jr. e moisés silvaIntrodução a hermeneutica bíblica   walter c. kaiser jr. e moisés silva
Introdução a hermeneutica bíblica walter c. kaiser jr. e moisés silva
ETENAC - Escola Teológica Nova Aliança em Cristo
 
Historia de la hermenéutica
Historia de la hermenéuticaHistoria de la hermenéutica
Historia de la hermenéutica
amfyce
 
Introdução ao estudo da hermenêutica 1
Introdução ao estudo da hermenêutica 1Introdução ao estudo da hermenêutica 1
Introdução ao estudo da hermenêutica 1
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
03 exege bíblica
03 exege bíblica03 exege bíblica
03 exege bíblica
CursosTeologicos
 
Missões e as redes sociais
Missões e as redes sociaisMissões e as redes sociais
Missões e as redes sociais
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade
2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade
2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade
André Aloísio Oliveira da Silva
 
3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade
3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade
3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade
André Aloísio Oliveira da Silva
 
1ª palestra a comunhão na trindade
1ª palestra  a comunhão na trindade1ª palestra  a comunhão na trindade
1ª palestra a comunhão na trindade
André Aloísio Oliveira da Silva
 
Bibliografia
BibliografiaBibliografia

Destaque (20)

Hermenêutica na igreja primitiva 7
Hermenêutica na igreja primitiva 7Hermenêutica na igreja primitiva 7
Hermenêutica na igreja primitiva 7
 
A necessidade do estudo da hermenêutica 2
A necessidade do estudo da hermenêutica 2A necessidade do estudo da hermenêutica 2
A necessidade do estudo da hermenêutica 2
 
A hermenêutica nos séculos xix e xx
A hermenêutica nos séculos xix e xx A hermenêutica nos séculos xix e xx
A hermenêutica nos séculos xix e xx
 
Hermenêutica ensinai
Hermenêutica  ensinaiHermenêutica  ensinai
Hermenêutica ensinai
 
O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4
O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4
O papel do espírito santo na interpretação bíblica 4
 
Interpretação e tradução 2013-2 - Teoria Geral do Direito
Interpretação e tradução   2013-2 - Teoria Geral do DireitoInterpretação e tradução   2013-2 - Teoria Geral do Direito
Interpretação e tradução 2013-2 - Teoria Geral do Direito
 
Pr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblica
Pr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblicaPr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblica
Pr. Weverton Costa - Hermenêutica bíblica
 
Hermenêutica Parte 2
Hermenêutica Parte 2Hermenêutica Parte 2
Hermenêutica Parte 2
 
Aula do dia 30 04 - professora daniele souto
Aula do dia 30 04 - professora daniele soutoAula do dia 30 04 - professora daniele souto
Aula do dia 30 04 - professora daniele souto
 
História da interpretação bíblica (1)
História da interpretação bíblica (1)História da interpretação bíblica (1)
História da interpretação bíblica (1)
 
Hermenêutica - Introdutória
Hermenêutica - IntrodutóriaHermenêutica - Introdutória
Hermenêutica - Introdutória
 
Introdução a hermeneutica bíblica walter c. kaiser jr. e moisés silva
Introdução a hermeneutica bíblica   walter c. kaiser jr. e moisés silvaIntrodução a hermeneutica bíblica   walter c. kaiser jr. e moisés silva
Introdução a hermeneutica bíblica walter c. kaiser jr. e moisés silva
 
Historia de la hermenéutica
Historia de la hermenéuticaHistoria de la hermenéutica
Historia de la hermenéutica
 
Introdução ao estudo da hermenêutica 1
Introdução ao estudo da hermenêutica 1Introdução ao estudo da hermenêutica 1
Introdução ao estudo da hermenêutica 1
 
03 exege bíblica
03 exege bíblica03 exege bíblica
03 exege bíblica
 
Missões e as redes sociais
Missões e as redes sociaisMissões e as redes sociais
Missões e as redes sociais
 
2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade
2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade
2ª palestra: Nossa comunhão com a Trindade
 
3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade
3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade
3ª palestra: Nossa comunhão mútua à luz da Trindade
 
1ª palestra a comunhão na trindade
1ª palestra  a comunhão na trindade1ª palestra  a comunhão na trindade
1ª palestra a comunhão na trindade
 
Bibliografia
BibliografiaBibliografia
Bibliografia
 

Semelhante a A hermenêutica na idade média 8

A biblia e_a_reforma_protestante
A biblia e_a_reforma_protestanteA biblia e_a_reforma_protestante
A biblia e_a_reforma_protestante
CantoraRaquel Guimarães
 
Estrutura da Bíblia.ppt
Estrutura da Bíblia.pptEstrutura da Bíblia.ppt
Estrutura da Bíblia.ppt
Jose Sanches
 
# Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]
#   Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]#   Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]
# Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]
Instituto de Psicobiofísica Rama Schain
 
Hermenêutica bíblica i
Hermenêutica bíblica iHermenêutica bíblica i
Hermenêutica bíblica i
denilsonlemes
 
Introdução Bíblica
Introdução BíblicaIntrodução Bíblica
Introdução Bíblica
Pastoral da Juventude
 
A ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdf
A ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdfA ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdf
A ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdf
RafaelSerafim14
 
Qual biblia devo_comprar
Qual biblia devo_comprarQual biblia devo_comprar
Qual biblia devo_comprar
Rodrigo Soares
 
ESCATOLOGIA AULA 4.ppt
ESCATOLOGIA AULA 4.pptESCATOLOGIA AULA 4.ppt
ESCATOLOGIA AULA 4.ppt
Reniery Almeida Chagas
 
AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdf
AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdfAGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdf
AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdf
VIEIRA RESENDE
 
Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdf
Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdfSanto Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdf
Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdf
TarcioFonsecaFurtado
 
ESCATOLOGIA AULA 2.ppt
ESCATOLOGIA  AULA 2.pptESCATOLOGIA  AULA 2.ppt
ESCATOLOGIA AULA 2.ppt
Reniery Almeida Chagas
 
Patrística - Padres Apostólicos (1).pdf
Patrística - Padres Apostólicos (1).pdfPatrística - Padres Apostólicos (1).pdf
Patrística - Padres Apostólicos (1).pdf
LuizEduardo136978
 
05 A Bíblia
05  A Bíblia05  A Bíblia
05 A Bíblia
Léo Mendonça
 
Catolicismo romano brain schwertley
Catolicismo romano   brain schwertleyCatolicismo romano   brain schwertley
Catolicismo romano brain schwertley
REFORMADOR PROTESTANTE
 
Catolicismo romano brain schwertley
Catolicismo romano   brain schwertleyCatolicismo romano   brain schwertley
Catolicismo romano brain schwertley
REFORMADOR PROTESTANTE
 
Biblia 05-o-canone
Biblia 05-o-canoneBiblia 05-o-canone
Biblia 05-o-canone
Ricardo Neves
 
Interpretando a bíblia nicodemos
Interpretando a bíblia nicodemosInterpretando a bíblia nicodemos
Interpretando a bíblia nicodemos
israelfaifa
 
Providentissimus Deus
Providentissimus DeusProvidentissimus Deus
Providentissimus Deus
Silas Bruno Mps
 
3 nota
3 nota3 nota
3 nota
Jecione Melo
 
Panorama do Antigo Testamento
Panorama do Antigo TestamentoPanorama do Antigo Testamento
Panorama do Antigo Testamento
Alberto Simonton
 

Semelhante a A hermenêutica na idade média 8 (20)

A biblia e_a_reforma_protestante
A biblia e_a_reforma_protestanteA biblia e_a_reforma_protestante
A biblia e_a_reforma_protestante
 
Estrutura da Bíblia.ppt
Estrutura da Bíblia.pptEstrutura da Bíblia.ppt
Estrutura da Bíblia.ppt
 
# Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]
#   Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]#   Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]
# Ivan r franzolim - dicas para estudar o evangelho - [ espiritismo]
 
Hermenêutica bíblica i
Hermenêutica bíblica iHermenêutica bíblica i
Hermenêutica bíblica i
 
Introdução Bíblica
Introdução BíblicaIntrodução Bíblica
Introdução Bíblica
 
A ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdf
A ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdfA ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdf
A ORIGEM DA Biblia. Um guia para os perplexos.pdf
 
Qual biblia devo_comprar
Qual biblia devo_comprarQual biblia devo_comprar
Qual biblia devo_comprar
 
ESCATOLOGIA AULA 4.ppt
ESCATOLOGIA AULA 4.pptESCATOLOGIA AULA 4.ppt
ESCATOLOGIA AULA 4.ppt
 
AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdf
AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdfAGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdf
AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (1).pdf
 
Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdf
Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdfSanto Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdf
Santo Agostinho - O Livre-Arbítrio -Paulus (1995).pdf
 
ESCATOLOGIA AULA 2.ppt
ESCATOLOGIA  AULA 2.pptESCATOLOGIA  AULA 2.ppt
ESCATOLOGIA AULA 2.ppt
 
Patrística - Padres Apostólicos (1).pdf
Patrística - Padres Apostólicos (1).pdfPatrística - Padres Apostólicos (1).pdf
Patrística - Padres Apostólicos (1).pdf
 
05 A Bíblia
05  A Bíblia05  A Bíblia
05 A Bíblia
 
Catolicismo romano brain schwertley
Catolicismo romano   brain schwertleyCatolicismo romano   brain schwertley
Catolicismo romano brain schwertley
 
Catolicismo romano brain schwertley
Catolicismo romano   brain schwertleyCatolicismo romano   brain schwertley
Catolicismo romano brain schwertley
 
Biblia 05-o-canone
Biblia 05-o-canoneBiblia 05-o-canone
Biblia 05-o-canone
 
Interpretando a bíblia nicodemos
Interpretando a bíblia nicodemosInterpretando a bíblia nicodemos
Interpretando a bíblia nicodemos
 
Providentissimus Deus
Providentissimus DeusProvidentissimus Deus
Providentissimus Deus
 
3 nota
3 nota3 nota
3 nota
 
Panorama do Antigo Testamento
Panorama do Antigo TestamentoPanorama do Antigo Testamento
Panorama do Antigo Testamento
 

Mais de Bruno Cesar Santos de Sousa

Como estudar a bíblia
Como estudar a bíbliaComo estudar a bíblia
Como estudar a bíblia
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
O que pode acontecer a um cristão que despreza o estudo bíblico
O que pode acontecer a um cristão que  despreza o estudo bíblicoO que pode acontecer a um cristão que  despreza o estudo bíblico
O que pode acontecer a um cristão que despreza o estudo bíblico
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
A importância do estudo bíblico para a igreja
A importância do estudo bíblico para a igrejaA importância do estudo bíblico para a igreja
A importância do estudo bíblico para a igreja
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Panorama do novo testamento
Panorama do novo testamentoPanorama do novo testamento
Panorama do novo testamento
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Hinduísmo
HinduísmoHinduísmo
Hare krishna
Hare krishnaHare krishna
Espiritismo
EspiritismoEspiritismo
Novo testamento 2 2016.1 tarde e noite
Novo testamento 2   2016.1 tarde e noiteNovo testamento 2   2016.1 tarde e noite
Novo testamento 2 2016.1 tarde e noite
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Novo testamento 1 noite 2016.1
Novo testamento 1   noite 2016.1Novo testamento 1   noite 2016.1
Novo testamento 1 noite 2016.1
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Budismo
BudismoBudismo
O cânon do novo testamento
O cânon do novo testamentoO cânon do novo testamento
O cânon do novo testamento
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Principais Tipos de Sermão
Principais Tipos de SermãoPrincipais Tipos de Sermão
Principais Tipos de Sermão
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Teologia da prosperidade
Teologia da prosperidadeTeologia da prosperidade
Teologia da prosperidade
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
A corrida da vida cristã
A corrida da vida cristãA corrida da vida cristã
A corrida da vida cristã
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
O papel do espírito santo no livro de Atos
O papel do espírito santo no livro de AtosO papel do espírito santo no livro de Atos
O papel do espírito santo no livro de Atos
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
As traduções bíblicas e o significado do texto 5
As traduções bíblicas e o significado do texto 5As traduções bíblicas e o significado do texto 5
As traduções bíblicas e o significado do texto 5
Bruno Cesar Santos de Sousa
 
Inspiração e interpretação bíblica 3
Inspiração e interpretação bíblica 3Inspiração e interpretação bíblica 3
Inspiração e interpretação bíblica 3
Bruno Cesar Santos de Sousa
 

Mais de Bruno Cesar Santos de Sousa (17)

Como estudar a bíblia
Como estudar a bíbliaComo estudar a bíblia
Como estudar a bíblia
 
O que pode acontecer a um cristão que despreza o estudo bíblico
O que pode acontecer a um cristão que  despreza o estudo bíblicoO que pode acontecer a um cristão que  despreza o estudo bíblico
O que pode acontecer a um cristão que despreza o estudo bíblico
 
A importância do estudo bíblico para a igreja
A importância do estudo bíblico para a igrejaA importância do estudo bíblico para a igreja
A importância do estudo bíblico para a igreja
 
Panorama do novo testamento
Panorama do novo testamentoPanorama do novo testamento
Panorama do novo testamento
 
Hinduísmo
HinduísmoHinduísmo
Hinduísmo
 
Hare krishna
Hare krishnaHare krishna
Hare krishna
 
Espiritismo
EspiritismoEspiritismo
Espiritismo
 
Novo testamento 2 2016.1 tarde e noite
Novo testamento 2   2016.1 tarde e noiteNovo testamento 2   2016.1 tarde e noite
Novo testamento 2 2016.1 tarde e noite
 
Novo testamento 1 noite 2016.1
Novo testamento 1   noite 2016.1Novo testamento 1   noite 2016.1
Novo testamento 1 noite 2016.1
 
Budismo
BudismoBudismo
Budismo
 
O cânon do novo testamento
O cânon do novo testamentoO cânon do novo testamento
O cânon do novo testamento
 
Principais Tipos de Sermão
Principais Tipos de SermãoPrincipais Tipos de Sermão
Principais Tipos de Sermão
 
Teologia da prosperidade
Teologia da prosperidadeTeologia da prosperidade
Teologia da prosperidade
 
A corrida da vida cristã
A corrida da vida cristãA corrida da vida cristã
A corrida da vida cristã
 
O papel do espírito santo no livro de Atos
O papel do espírito santo no livro de AtosO papel do espírito santo no livro de Atos
O papel do espírito santo no livro de Atos
 
As traduções bíblicas e o significado do texto 5
As traduções bíblicas e o significado do texto 5As traduções bíblicas e o significado do texto 5
As traduções bíblicas e o significado do texto 5
 
Inspiração e interpretação bíblica 3
Inspiração e interpretação bíblica 3Inspiração e interpretação bíblica 3
Inspiração e interpretação bíblica 3
 

A hermenêutica na idade média 8

  • 2.
  • 3. • Durante a Idade Média, muitos, até mesmo do clero, viviam em profunda ignorância quanto à Bíblia. E o que conheciam era devido apenas à tradução da Vulgata e aos escritos dos Pais da Igreja. A Bíblia era, geralmente, considerada como um livro cheio de mistérios, os quais só poderiam ser entendidos de uma forma mística. Nesse período, o sentido quádruplo da Escritura (literal, moral, alegórico e escatológico) era geralmente aceito, e o princípio de que a interpretação da Bíblia tinha de se adaptar à tradição e à doutrina da Igreja tornou-se estabelecido. Reproduzir os ensinos dos Pais da Igreja e descobrir os ensinos da Igreja na Bíblia eram considerados o ápice da sabedoria.
  • 4. • A regra de São Benedito foi sabiamente aplicada nos monastérios, e decretado que as Escrituras deveriam ser lidas e, com elas, como explicação final, a exposição dos Pais da Igreja. • Hugo de São Vítor chegou a dizer: “Aprenda primeiro as coisas em que você deve crer e, então vá à Bíblia para encontrá-las lá”. Nos casos em que as interpretações dos Pais da Igreja diferiam, como frequentemente acontecia, o intérprete tinha o dever de escolher. Nem um único princípio hermenêutico foi desenvolvido nessa época, e a exegese estava de mãos e pés atados pela tradição oral e pela autoridade da Igreja.
  • 5. • Enquanto o sentido quádruplo da Escritura era geralmente aceito nessa época (literal, moral, alegórico e escatológico), pelo menos alguns começaram a ver a incongruência de tal visão. Até mesmo Tomás de Aquino parece tê-la sentido vagamente. É verdade que ele constantemente alegorizava mas, também, pelo menos em teoria, considerava o sentido literal como uma base necessária para toda a exposição da Escritura. Foi, porém, Nicolau de Lyra quem quebrou os grilhões dessa era. Não abandonou de modo ostensivo a opinião vigente, mesmo na aceitação do sentido quádruplo mas, na realidade, admitiu só dois sentidos, o literal e o místico, e até mesmo apoiava o último exclusivamente no primeiro.
  • 6. • Argumentou quanto à necessidade de se referir ao original, lamentou sobre o fato de se permitir que “o sentido místico sufocasse o literal”, e requereu que o último só fosse usado na doutrina experimental. Sua obra influenciou profundamente Lutero e, consequentemente a Reforma.
  • 7. • Acredita-se que o método de interpretação denominado de “quadriga” tenha sido desenvolvido por João Cassiano (séc. V). Cria-se que a Escritura tinha quatro sentidos:
  • 8. • Histórico ou literal – o sentido evidente e óbvio do texto. • Alegórico ou cristológico – o sentido mais profundo, geralmente apontando para Cristo. • Tropológico ou moral - o sentido que determinava as obrigações do cristão e a sua conduta. • Anagógico ou escatológico – o sentido que apontava para as coisas vindouras que o cristão deveria esperar. • A perspectiva de que as Escrituras têm três ou quatro níveis de sentidos, conforme expressa a quadriga, dominou a interpretação bíblica no período da Idade Média. Alguns, como Bonaventura, teólogo católico franciscano do século 13, chegaram até a defender que havia sete níveis de sentido em cada passagem.
  • 9. • A falta de leitura da Bíblia produz todo tipo de misticismo e erro. Esse foi o principal motivo pelo qual a interpretação bíblica “sofreu” muito nessa era. Isto é, o povo não tinha a Bíblia em mãos e consequentemente não sabia interpretá-la. Até mesmo os estudiosos não sabia como ler a Palavra de Deus, e consequentemente não sabiam aplicá-la. • As circunstâncias clamavam por um movimento que pusesse a Bíblia nas mãos do povo e o ajudasse a interpretá-la e vivê-la. E foi isso o que a Reforma Protestante fez.