Monografia Ana Lúcia Pedagogia 2011

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Pedagogia 2011

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Monografia Ana Lúcia Pedagogia 2011

  1. 1. 12 1. NTRODUÇÃO O presente trabalho de pesquisa visa atender as exigências de conclusão doCurso de Pedagogia: Docência e Gestão de Processos Educativos, nestaperspectiva foi realizado um estudo, na Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo,que atende a uma clientela de alunos do Ensino Fundamental l e II na cidade deSenhor do Bonfim- Bahia. A referida pesquisa tem como objeto de a diversidade cultural como um rolde diferenças que influenciam na construção do comportamento humano e suasconsequências no espaço escolar, a exemplo da homofobia que caracteriza umaantiga e reincidente discriminação no âmbito sexual. Para desenvolver o estudoprocuramos conhecer como é que os professores lidam com situações homofóbicasem seu cotidiano escolar. Vale frisar que, a diversidade sexual na opinião de alguns profissionais eestudiosos da educação é uma das mais difíceis situações de ser trabalhada, poisquando se trata da orientação sexual de alguns alunos na escola, percebe-se que háuma grande resistência fomentada talvez, pela falta de preparação de educadores,orientadores e família em lidar com o tema. E o mais agravante é que diante do nãosaber como agir se calam frente a atos discriminatórios e preconceituosos e, emalguns casos, movidos por uma visão da homossexualidade como deformação moralou doença, colaboram ativamente na propagação deste tipo de violência. Como esta pesquisa nos direcionou ao estudo sobre esta realidade,ressaltamos que o nosso interesse adveio das experiências como estagiaria nocumprimento das exigências do Curso de Pedagogia; onde tivemos a oportunidadede observar a relação professor-aluno, práticas e atitudes significativas ao processode ensino e aprendizagem como contributos para a formação do aluno e assim,infiltrados no cotidiano escolar não é tão difícil identificar o cenário de preconceitos ediscriminações desenvolvidos em seu interior. Porquanto, buscamos efetivar através desta proposta de TCC, umainvestigação que tem como finalidade conhecer como e por que se dá a reprodução,
  2. 2. 13a manutenção ou a desconstrução desse cenário preconceituoso da homofobia nointerior de uma escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental l na cidade deSenhor do Bonfim- Bahia. Por se tratar de um assunto que tem as suas reservas,optamos por não divulgar o nome da referida escola e seus personagens, quedoravante receberão nomes fictícios.Palavras-Chave: Diversidade cultural. Escola. Homofobia
  3. 3. 14 CAPITULO I1.1 Diversidade cultural: diferenças que influenciam no comportamentohumano e suas consequências no espaço escolar. Vivemos numa sociedade contemporânea, marcada pela transformação dosparadigmas do comportamento humano; tanto na esfera social quanto sexual,emocional e profissional. Vivemos momentos de transição cultural movida peloencontro e desencontro de diferentes grupos. Desse compartilhamento de modo de vida, costumes, hábitos, crenças etradições entre indivíduos de determinados grupos é que se forma a cultura, pois emconformidade com Carrara (2009), “cada grupo de seres humanos, em diferentesépocas e lugares, atribui significados diferentes a coisas e passagens da vidaaparentemente semelhantes” (p.22). Infere-se, assim, a cultura como a capacidadeque os seres humanos têm de dar significados as suas ações e ao mundo que oscerca. Ainda na opinião do autor não precisamos retroceder tanto no tempo paraencontrarmos diferentes formas de organização social e manifestações culturaiscom uma diversidade que se estende não só no tempo, mas também no espaço. Obviamente, nos referimos à diversidade cultural, este fenômeno quesempre existiu ao longo dos tempos, na trajetória da humanidade, no passado e nopresente e nas mais diversas partes do mundo, levando homens e mulheres a seorganizar em sociedade e a questionar sobre cada um de si e sobre o mundo que osrodeia. Portanto, não há homogeneidade cultural porque as pessoas que formamuma determinada sociedade vivem, pensam e agem diferente de outra sociedademesmo quando se encontram e se agregam continuam sendo e fazendo comosempre estavam acostumados a ser e fazer; configurando-se, assim, osdesencontros; que por sua vez, criam intolerância para com o outro em forma deopiniões e atitudes preconceituosas em relação a cor da pele, gênero, origem
  4. 4. 15socioeconômica, orientação sexual, nacionalidade, etnia, língua, modo de falar,deficiências, religião dentre outras. De acordo com o que explana a Declaração Universal sobre a DiversidadeCultural (2001): As formas de discriminação e preconceito entre manifestações culturais são muitas, mas todas têm uma característica comum: o não reconhecimento do outro como igualmente humano e com o direito de ser diferente. Com isso, as vitimas de preconceito ou discriminação sofrem limites severos para manifestar sua cultura, seu modo de pensar, seus sentimentos, desejos, projetos ou valores (p.2). Em tempos atuais, a luta contra toda espécie de discriminação e a favor dorespeito às diferenças tem sido constantemente travada visando um convíviopacífico entre as culturas e grupos humanos. Em defesa dessa proposta, emnovembro de 2001, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação,a Ciência e a Cultura), vinculada à Declaração Universal sobre a Diversidadecultural, em seu artigo 4º, estipulou que: A defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à dignidade humana. Ela implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e as dos povos autóctones. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance (s/p). Nesse sentido, é bom lembrar que existem muitas formas de discriminação epreconceito entre manifestações culturais, mas todas apresentam uma característicacomum: o não - reconhecimento do outro como igualmente humano e com o direitode ser diferente; por isso, são comuns as manifestações preconceituosas, comobem ressalta a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, salientando que“as vitimas de preconceito ou discriminação sofrem limites severos para manifestarsua cultura, seu modo de pensar, seus sentimentos, desejos, projetos ou valores”(p.2). No intuito de reforçar esse pensamento, Beleli (2009), se posiciona contra àavaliação ou pré julgamento que uma determinada sociedade ou grupo social faz
  5. 5. 16de outra ou de outro tomando como referencia os seus próprios valores: se nesseato não se constatar reciprocidade de práticas sociais consideradas normais dentrodo padrão estabelecido pela sociedade avaliadora, as diferenças ou divergênciasencontradas reduzirão a avaliada à condição de inferioridade a ponto de justificar asua extinção por meio da discriminação social. O autor ainda explica: Cada sociedade possui seu próprio sistema cultural e cada cultura planeja seu desenvolvimento e vive sua própria experiência. Assim, características de raça, costumes, religiosidade e sexualidade têm sido objeto de confronto e todas as práticas que se desconheça, que se lhes pareça estranha ou entre em contradição com aquilo que se identifica como verdadeiro, é objeto de negação, exclusão, quando não de perseguição (p.29). Nesse contexto, Riscal (2009), corrobora afirmando que grupos sociais eculturais eram selecionados como superiores e inferiores de acordo, principalmente,com a cor da pele, condição financeira e social e complementa: Essa é a fonte do preconceito. A certeza da própria superioridade e a incapacidade de lidar com toda e qualquer manifestação cultural que lhe pareça diferente da sua. Uma das formas dessa cultura lidar com o estranho, com o diferente, é recusar-se a lhe atribuir dignidade e, por meio do rebaixamento, infantilizar e descrever o outro como inapto para a vida civilizada (p.20). Indubitavelmente, ainda em tempos contemporâneos, cor da pele, modos defalar, de vestir, diversidade sexual, diversidade religiosa, entre outras, são marcasde identidade que definem, não só a identidade do individuo, mas também suaposição na sociedade. Nessa linha de raciocínio, Menezes (2008), contesta que: É mais fácil discriminar, segregar, marginalizar e excluir, que compreender aceitar e incluir. O gordo é discriminado por ser gordo, o negro por ser negro, o pobre por ser pobre, o surdo por ser surdo e assim por diante. Logo, ser diferente em nossa sociedade é ser defeituoso, é ser excluso, é não ter direito a ter direitos (p.03). Reconhecendo a necessidade de uma educação multicultural, criou-se, noâmbito dos PCNs, como tema transversal a permear as diferentes disciplinascurriculares, o estudo da Pluralidade Cultural, pois de acordo com o documento doMEC (1997): A temática da Pluralidade Cultural diz respeito ao conhecimento e à valorização das características étnicas e culturais dos diferentes
  6. 6. 17 grupos sociais que convivem no território nacional, às desigualdades socioeconômicas e à critica às relações sociais discriminatórias e excludentes que permeiam a sociedade brasileira, oferecendo ao aluno a possibilidade de conhecer o Brasil como um país complexo, multifacetado e algumas vezes paradoxal. Mais recentemente, leis foram criadas em função da alta diversidade queoriginou a população brasileira, a exemplo da Lei 10.639/03 de 9 de janeiro de 2003,que alterou a Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996,instituindo a obrigatoriedade doensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e a Lei 11.645/08 com aobrigatoriedade da temática História e Cultura Indígena, pautadas nos conceitos devalorização da diversidade cultural brasileira e conhecimento de suas origens, entreoutras. A partir desta Lei, tornou-se obrigatório no Currículo Escolar da EducaçãoBásica o “estudo da Historia da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, acultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando acontribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes aHistoria do Brasil (art.26-A,§1º). Na opinião de Gomes (2008), “Há uma nova sensibilidade nas escolaspúblicas, sobretudo, para a diversidade e suas múltiplas dimensões na vida dossujeitos (p.27).” Segundo a autora, esta sensibilidade vem se traduzindo em açõespedagógicas de transformação do sistema educacional em um sistema inclusivo,democrático e aberto à diversidade. Todavia, pesquisas já realizadas pela Fundação Carlos Chagas (1987), têmdemonstrado o quanto nossa escola ainda não aprendeu a conviver com adiversidade cultural e a lidar com crianças e adolescentes dos setores subalternosda sociedade. Apesar de todas as medidas acima citadas e das inúmeras mudançassociais que vem ocorrendo na cultura contemporânea, a intolerância às diferençasainda é bem visível e preocupante por resultar, muitas vezes, em formas violentas eexcludentes de se lidar com o outro, prevalecendo ranços que remotam da
  7. 7. 18Antiguidade e Idade Média até a Contemporaneidade e que, segundo Schmitt(1999), em seus estudos antropológico/históricos só vieram à tona, ou seja, à ciênciada população, após a Segunda Guerra Mundial com a denominação “Marginal” queconceitua a classe popular excluída, posta às margens da civilização. Na visão do citado historiador, considera-se na marginalidade aqueleindividuo que padece ante uma questão social, mas que pode ser transitória adepender da integração ou reintegração no seio da sociedade; e ao contrario, podeassinalar uma ruptura em relação ao corpo social; o que denominamos exclusão(p.355). Em tempos contemporâneos a problemática da discriminação, embora tenhaganhado novas roupagens, subsiste à evolução dos tempos porque conformeenunciado de Confúcio (VX séc. AC) “A natureza dos homens é a mesma, são osseus hábitos que os mantém separados”. Se não aprendermos a conviver com asdiferenças mais tempos, mais gerações virão e passarão, enquanto que,preconceitos e discriminações ficarão em detrimento da humanidade. Por conseguinte, os desafios a vencer são imensos e entre eles, a escolapor representar ainda um dos espaços onde as discriminações em suas múltiplasfacetas são produzidas e reproduzidas. Conforme consenso entre vários estudiosos, a escola que deveria ser umdos mais importantes espaços de erradicação e superação de preconceitos epráticas discriminatórias não o é em decorrência de um sistema convencional deensino que privilegia uma cultura escolar padronizada para brancos e normais. Esta realidade nos remete a refletir sobre o que Sales (2008), adverte: É preciso desmontar este sistema de reprodução (...). A educação e os meios de comunicação são espaços privilegiados de constituição de cultura, de desconstrução de preconceitos e estereótipos, de construção de novas formas de convivência. As instituições educativas precisam se abrir a este debate, questionando os princípios e valores que têm pautado a educação no país como um todo e em cada instituição especificamente, na busca da reinvenção, de novas escolhas, de outros princípios e valores que pautem este processo (p.16).
  8. 8. 19 Para tanto, faz-se necessário uma prática pedagógica que avance nopropósito de educar de forma heterogênea, uma vez que a escola é um localformado por uma população com diversos grupos étnicos, com seus costumes, suascrenças, suas preferências; é um espaço de encontro das diferenças. Para Carrara (2009): (...) A escola, por seus propósitos, pela obrigatoriedade legal e por abrigar distintas diversidades (de origem, de gênero, sexual, étnico- racial, cultural, etc,) torna-se responsável-juntamente com estudantes, familiares, comunidade, organizações governamentais e não-governamentais - por construir caminhos para a eliminação de preconceitos e de práticas discriminatórias. É no ambiente escolar que crianças e jovens podem se dar conta de que somos todos diferentes e que é a diferença, e não o temor à diferença, que deve atiçar a nossa curiosidade. E mais: é na escola que crianças e jovens podem ser, juntamente com os professores e as professoras, promotores e promotoras da transformação do Brasil em um país respeitoso, orgulhos e disseminador da sua diversidade (p.31-34). Considerando o ‘mosaico de culturas’ presente no espaço escolar é possívelconstatar o quanto as diferenças influenciam no comportamento humano,percebidas ou não, trabalhadas ou não, suscitam opiniões e ações que podem serbenéficas ou maléficas à formação da identidade do sujeito a depender da conduçãodo processo de educação escolar: da forma como o professor trabalha com essasdiferenças em sala de aula no sentido de evitar manifestações discriminatórias tãoprejudiciais ao desenvolvimento integral do educando.1.2 Escola e diversidade um lugar de construção, manutenção edesconstrução de costumes. As discussões acima acirraram nossa curiosidade sobre a diversidade e aescola: como se dá esta relação? Como já mencionamos, a escola é o espaço ondese encontra a maior diversidade cultural e paradoxalmente, o local maisdiscriminador. Ao mesmo tempo em que busca construir um novo padrão decomportamento conserva e reproduz o excludente conhecimento cultural da classedominante.
  9. 9. 20 É do conhecimento de toda a fixação da classe dominante no patamar dasuperioridade: ela dita regras e determina o que deve ser transmitido no espaçoescolar. Segundo Silva (2002), “o conhecimento, a cultura e o currículo sãoproduzidos no contexto das relações sociais e de poder (p.23).” Para queentendamos estas palavras, o autor aclara que: As narrativas contidas no currículo, explícita ou implicitamente, corporificam noções particulares sobre conhecimento, sobre formas de organização da sociedade, sobre os diferentes grupos sociais. Elas dizem qual conhecimento é legitimo e qual é ilegítimo, quais formas de conhecer são válidas e quais não o são, o que é certo e o que é errado, o que é moral e o que é imoral, o que é bom e o que é mau, o que é belo e o que é feio, quais vozes são autorizadas e quais não o são (p.195). Assim sendo, compreende-se que, segundo reflexões do autor, no currículoestão embutidas representações de diferentes grupos sociais de forma diferente:enquanto que a cultura e forma de vida de uns são valorizadas; as de outros sãodesvalorizadas ou até mesmo totalmente excluídas de qualquer representação porconta dessa noção hegemônica que ainda impera na escola e que, somente poderáser revertido através da construção de práticas pedagógicas que reconheçam ovalor da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. Retomando Silva (2002): É através da reprodução cultural dominante que a reprodução mais ampla da sociedade fica garantida. A cultura que tem prestigio e valor social é justamente a cultura das classes dominantes: seus valores, seus gostos, seus costumes, seus hábitos, seus modos de comportar e agir(p.34). Sendo assim, podemos encontrar na escola um espaço de construção emanutenção de costumes a partir de um currículo escolar uniformizador que aindanão mudou como deveria, apesar das reivindicações da sociedade civil através deseus movimentos sociais. Se bem que para mudar necessita de leis educacionais ediretrizes curriculares mais eficientes e que não estacionem nas gavetas, comotambém, de projetos pedagógicos que priorizem de fato a diversidade. Gomes(2008) enfatiza essa necessidade salientando que:
  10. 10. 21 A inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas, econômicas e sociais de fenômenos com etnocentrismo, racismo, sexismo, homofobia e xenofobia. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionar-se contra processos de colonização e dominação. É perceber como, nesses contextos, algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo, portanto, tratadas de forma desigual e discriminatória. È entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola (p.25). Subtende-se que, essa inserção da diversidade só acontecerá integralmentecom a incorporação no currículo, nos livros didáticos, nos planos de aula, nosprojetos pedagógicos das escolas, de saberes produzidos pelas diversas áreas doconhecimento aliados aos saberes culturais dos grupos sociais que compõem umacomunidade. Decerto que, se assim for a diversidade não será tratada de maneiradesigual e naturalizada. A diversidade, na visão de Gomes (2008), “é um componente dodesenvolvimento biológico e cultural da humanidade. Ela se faz presente naprodução de práticas, saberes, valores, linguagens (...) (p.18).” E referindo-se àdiversidade na escola, a autora é enfática: Mais do que múltiplas, as culturas diferem entre si. E é possível que, em uma mesma escola, localizada em uma região especifica, que atenda uma determinada comunidade, encontremos no interior da sala de aula alunos que portem diferentes culturas locais, as quais se articulam com as do bairro e região. Eles apresentam diferentes formas de ver e conceber o mundo possuem valores diferenciados, pertencem a diferentes grupos étnico-raciais, diferem-se em gênero, idade e experiência de vida (p.28). Por mais que a diversidade faça parte da vida humana em todos os aspectosconstitutivos do processo de humanização, as diferenças que dela se emanam sãocausadoras de estranhezas que culminam sempre em medo e rejeição relativa aodiferente. Por isso, Gomes (2008), questiona: “Como a educação escolar pode semanter distante da discussão da diversidade se a mesma se faz presente nocotidiano escolar(universo escolar) por meio da presença de professores/as ealunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais, idades eculturas?”(p.17). No entanto, a escola continua ainda, apesar das novas propostaspedagógicas de transformação do espaço escolar em um ambiente acolhedor e
  11. 11. 22inclusivo, representando um espaço de reprodução e manutenção de relaçõesexcludentes. Acreditamos na reversão desse quadro por meio da desconstrução decostumes e crenças, de falsos valores e ideologias desumanizadas provenientes dacultura dominante; através do exercício da convivência com a diferença (e com osdiferentes) e da construção de práticas interativas de relacionamento que se pautemno respeito, na igualdade social, na igualdade de oportunidades. Sob a perspectiva de currículos e práticas escolares que trabalhempedagogicamente com a diversidade Gomes (2008), deduz que: Os currículos e práticas escolares que incorporem essa visão de educação tendem a ficar mais próximos do trato positivo da diversidade humana, cultural e social, pois a experiência da diversidade faz parte dos processos de socialização, de humanização e desumanização (p.18). Levando em conta que a escola é território de pluralidades, é de suacompetência a nobre missão de desmistificar idéias e atitudes estigmatizadas epreconceituosas que transformam a prática educativa num processo excludente,onde as diferenças não têm acesso livre à aprendizagem e pessoas sãomarginalizadas dentro do espaço onde mais deveriam ser reconhecidas evalorizadas. Assim entendido, abre-se um parêntesis para falarmos mais detalhadamentesobre esse recinto de diversidades (o espaço escolar) que, nesses últimos tempos,têm suscitado volumosos e atraentes discursos; todavia, o discurso que temprevalecido de fato é o mesmo de antes, o elitista com seu caráter discriminatório. A respeito, Foucault (1998), se posiciona: Alguns de nós somos reconhecidos em nossos discursos e práticas, outros não. Alguns de nós somos percebidos como “normais”, outros não. Alguns de nós temos acesso à educação, à cultura, à socialização, à reprodução, ao trabalho, outros não. Somos todos participantes desse jogo, pois as formas de exclusão são próprias da civilização (p.22). Na concepção de renomados pesquisadores, espaço escolar engloba vastossignificados que não se limitam apenas à idéia de lugar, porque a escola, segundo
  12. 12. 23Fernandes (1997), significa local onde se estuda, onde se adquire experiência eaprendizagem e possui um amplo espaço que além de abranger aspectos físicos efuncionais, representa um lugar de construção individual e coletivo de socialização. Como não poderia deixar de ser, a escola abriga em seu espaço interiortodas as distintas formas de diversidades, o que leva Collares e Moisés (1996), àafirmação de que “o cotidiano escolar é permeado de preconceitos e juízos prévios”.Lá se encontram o negro, o branco, o rico e o pobre, o gordo e o magro, oheterossexual e o homossexual e assim por diante. Essas diferenças reforçam acriação de estigmas e práticas discriminatórias dentro do espaço escolar. Reforçando as explanações acima, cabe dizer que a diversidade cultural nocotidiano escolar provoca cotidianas situações de preconceito e discriminação e oproblema pode estar no fato de que ainda não temos um currículo multicultural quedefenda e preserve os valores básicos de nossa sociedade através do respeito àidentidade de cada aluno, reconhecendo a alteridade e o direito à diferença dascamadas populares que se sentem excluídas do processo social tal como os negros,índios, homossexuais, mulheres, deficientes físicos, pobres, obesos e por aí vai. Para Silva (2002), o currículo não pode ser visto simplesmente como umespaço de transmissão de conhecimentos por que: “O currículo está centralmenteenvolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos, naquilo que nostornaremos. O currículo produz, o currículo nos produz (...). E assim, o currículo nosconstitui como sujeitos moldando a nossa subjetividade” (p.20). Retomando a discussão, há mais fatores que podem ser responsáveis peloproblema da discriminação como a não preparação da equipe docente paratrabalhar igualmente essas diferenças por não possuir uma formação adequada paralidar com as questões da diversidade e com os preconceitos na sala de aula e noespaço escolar como também, a influência de uma formação docente advinda deuma escola centrada na dominação cultural da elite européia, reprodutora doconhecimento da classe dominante norteada por uma metodologia de ensino depura e mera transmissão de conteúdos que, dessa forma, e de uma formainconsciente colabora com a produção e reprodução de uma educaçãopreconceituosa.
  13. 13. 24 Pelo exposto, compreensão e respeito pelo diferente deveriam fazer parte docurrículo escolar como ensinamento porque tem tudo a ver com isso a escola que seisenta pela neutralidade fugindo da incumbência de eliminar toda e qualquer formade discriminação numa atitude silenciosamente omissa transformando-se numpoderoso lócus de reprodução de idéias estigmatizadas e ações discriminatórias. Noutra vertente, há a escola que visando desconstruir visões eurocêntricashistoricamente veladas, se ergue em defesa de um ideal humanitário pautado numalógica de igualdade e de direitos sociais considerando o pluralismo étnico-cultural,social e racial da sociedade brasileira em prol do direito de cada um ser diferente emsuas preferências pessoais e sexuais. Nesse contexto, o documento Homofobia nas Escolas (2004) atesta que: A escola é um espaço muito sagrado para a vida de todos nós. Na verdade, ela é nossa segunda casa. Ela tem de estar preparada para não deixar que dentro dela, de repente, floresça preconceitos, discriminação, ódio. Pelo contrario, ela tem de estar cada vez mais preparada para acolher os ensinamentos, para colher o debate acerca dos valores referentes à generosidade, à tolerância, ao respeito, ao amor, ao compromisso. É para isso que a escola existe (p.22-23). Para O MEC (Ministério Educação e Cultura) a escola aparece comopoderosa ferramenta de reprodução das lógicas preconceituosas comprometendo ainclusão educacional e a qualidade de ensino a partir do preconceito e violênciacontra aqueles que se apresentam diferentes em suas condutas e orientação sexual. Apesar de toda essa argumentação que coloca a escola no banco dos réus,paradoxalmente, a escola se redime ao apresentar-se como um dos maisimportantes meios de enfrentamento a toda espécie de discriminação; poisproblematizando a discriminação, revela-se indispensável para a melhoria daeducação através de uma ação pedagógica em defesa da diversidade e dacidadania.
  14. 14. 251.3 Homofobia: uma atitude ou um preconceito construído. A partir do tema: ”Diversidade Cultural e Homofobia: o quê a escola tem aver com isso?” alimentamos a pretensão de problematizar o espaço escolar comolócus de manutenção e reprodução de idéias e ações discriminatórias que tantosdanos físicos e morais têm causado à formação das pessoas diferentes, sobretudo,as de orientação sexual fora do padrão tido como normal, como todos sabem, oheterossexual. Nesse intuito, tecemos primeiramente abordagens sobre a diversidadecultural que forma a nação brasileira, com uma visibilidade maior dentro dos murosda escola, onde é possível detectar diferenças que podem ser racial, sexual, social,física, ideológica, intelectual, política, religiosa, esportiva e outras mais. A sociedade brasileira é uma sociedade plural formada não só por diferentesetnias, como também por imigrantes de diferentes países o que implica numadiversidade de crenças, hábitos e costumes, ideologias religiosas e políticas;diversas tradições culturais e sociais que integram a identidade de um povo. Dentro dessa realidade, nossa pesquisa optou pela trilha da sexualidadeenglobando diferenças de orientação sexual na vida dos indivíduos, bem como, opapel da escola nesse contexto. Hoje em dia, é essencial que haja nas escolas uma orientação sexual. Oideal seria tratar desse assunto inicialmente na família, mas nem sempre é possívelpor tratar-se de um assunto extremamente delicado tanto que os pais não se sentemà vontade para tratá-lo com seus filhos. Por isso, esta questão é sempre trazidapelos alunos para dentro da escola. Como argumenta Foucault (1998), apesar de não se falar em sexualidade ede muitas vezes se tentar negá-la, ela nunca deixa de ser pensada, de ser vivida oude existir. No entanto, este assunto está sempre em pauta, na sala de aula, noscorredores, nos banheiros, no pátio, nos corpos e nas mentes e, além de tudo, está
  15. 15. 26sempre sendo ensinado através de olhares, sussurros, comentários, estímulos oupenalizações (p.168). Conforme escrito nos PCNs Pluralidade Cultural e Orientação Sexual: “Nãoé apenas em portas de banheiros, muros e paredes que se inscreve a sexualidadeno espaço escolar; ela “invade” a escola por meio das atitudes dos alunos em salade aula e da convivência social entre eles” (p.113). Á despeito disso, o Ministério da Educação por meio dos ParâmetrosCurriculares Nacionais – PCNs (1997) oferece às escolas a possibilidade detrabalhar orientação sexual com seus alunos, incluindo conceitos básicos einformações sobre homossexualidade aos estudantes de todas as faixas de idade,pois segundo Steve (2009) diversos são os professores que sentem resistência emtrabalhar a diversidade sexual em sala de aula. Na visão de Steve (2009): Homossexualidade é um tema onde professores, diretores, educadores em geral, fazem questão de não trabalhar, é muito mais fácil se silenciar do que trabalhar em sala de aula um tema tão complicado. Os educadores de um modo geral procuram ignorar crianças e adolescentes com tendências ao homossexualismo. Não existem comentários na escola sobre este assunto, ou simplesmente é tratado como uma fase que o jovem está passando onde em sua vida adulta se tornará um heterossexual mudando sua sexualidade (p.5). Ainda na fala do autor “Quando falamos em homossexualidade e educação,devemos almejar que é um trabalho que deve ser desenvolvido urgentemente nasescolas brasileiras” (p.1) principalmente, porque a educação é a mais eficiente formade combate ao preconceito e a discriminação. Falando em preconceito e discriminação, vale comentar que discriminação éfruto do preconceito; logo a homofobia, nascida do preconceito contra pessoas comorientação sexual diferente; é uma ação discriminatória social e culturalmente criada;o preconceito por sua vez, é uma idéia preconcebida, sem razão objetiva ourefletida. Diante do preconceito, destacamos a Homofobia, palavra grega fobia (medo)com o prefixo homo (igual) que caracteriza o medo e aversão que alguns homens
  16. 16. 27constroem contra os homossexuais. No campo de temas que envolvem asexualidade, a homofobia afirma-se como um subproduto do preconceito sexual. A homofobia incita o ódio, a violência, a difamação, a injúria, a perseguição ea exclusão. Além de prejudicar a imagem das pessoas, sejam alunos, professoresou outras; interfere no aprendizado e incentiva a evasão escolar. Além disso, preconceito por parte dos alunos/professores e a falta depráticas pedagógicas adequadas e capacitação profissional para lidar com adiversidade sexual fazem com que a homofobia seja um problema recorrente nasescolas. Cabe salientar que apesar dos PCNs serem considerados um avanço porsugerir temas relacionados à orientação sexual para ser trabalhada na Escola sob apretensão de desconstruir modelos enraizados ao longo do tempo, a escola aindaapresenta e institui sujeitos, indivíduos, a partir de um “modelo”. Segundo Carrara(2009), “Este modelo é masculino, branco e heterossexual, e todas as pessoas quenão se encaixam nele são o Outro, que é reiteradamente tratado como inferior,estranho, diferente” (p.106). Faz-se necessário, de acordo com Duarte (2010), lembrar que, em suaproposta, os PCNs com os temas da sexualidade, ainda não conseguiram introduzirno cotidiano escolar debates acerca do pleno exercício da cidadania, nem ao menosum debate pedagógico das diversidades nas ações educativas desenvolvidas pelasescolas (p.2). Retomando a discussão em torno da sexualidade, lembramos que a mesmaainda é compreendida apenas como as relações sociais estabelecidas entre homense mulheres, numa perspectiva patriarcal e machista e em função dessa mentalidade,mais e mais a homofobia se fortalece e se avulta como um grave problema socialporque diversidade sexual e orientação sexual são temáticas que até pouco tempoestavam esquecidas nos currículos escolares. No entanto, como bem pondera Duarte (2010),
  17. 17. 28 As escolas enquanto instituições formadoras possuem importante papel na construção de uma sociedade menos preconceituosa, educando meninos e meninas para conviverem com as diversidades da sociedade, respeitando o ser humano, neste contexto o combate a homofobia se concretiza. Crianças educadas desde cedo a perceber o próximo, seja ele quem for como ser humano, não desenvolve atitudes preconceituosas (p.3). È sabido que o tema da homossexualidade na escola é ainda um tabu, o queexplica a homofobia que tem se revelado como um sistema de humilhação, exclusãoe violência e que dependendo da cultura onde se desenvolve, pode chegar àrequintes de perversidade e crueldade; por isso Daniel Borillo é taxativo ao afirmarque: “A homofobia se alimenta da mesma lógica que as outras formas de violência einferiorização: ”desumanizar o outro e torná-lo inexoravelmente diferente”(p.9)Condenando o diferente à exclusão social. Foucault (1993) tem outra explicação para as características violentas dahomofobia; segundo ele: A historia da sexualidade é feita a partir de uma historia de discursos e assim, o discurso que veicula e produz poder instituiu a homossexualidade como pecado, classificando-a como patológica, mas também possibilitou-a de falar por si, de reivindicar espaços e discursos próprios(p.221). No bojo do debate sobre a homofobia são muitos os estudiosos que sedebruçam em reflexões a respeito desse tema que, embora obsoleto, tem seapresentado nos dias atuais rejuvenescido e forte como pivô de sofrimento einjustiça social. Homofobia, de acordo com Borillo (2001), é a atitude hostil que tem comofoco homossexuais, homens ou mulheres, e consiste em designar o outro comoinferior, contrario ou anormal, de modo que sua diferença o coloca fora do universocomum dos humanos (p.13). A homofobia pode começar pelo bullying, passando por injúrias verbais,gestos que agridem humilhação e difamação e toda e qualquer manifestação de ódioao homossexualismo e esta situação, por incrível que pareça, está na ordemcrescente a cada dia que passa.
  18. 18. 29Segundo Dinis (2008): No contexto educacional, o termo bullying tem sido utilizado para nomear a violência sofrida pelos alunos (as) no ambiente escolar e o termo bullying homofóbico tem sido utilizado para nomear especificamente a violência sofrida por alunos (as) gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (p.4). Vale ressaltar que, na escola o bullying seja homofóbico ou não temcausado expressiva evasão escolar e em se tratando de estudantes com identidadessexuais e de gênero diferentes da norma heterossexual, já ocorreram muitasincidências de tentativas de suicídio, devido aos preconceitos e a discriminaçãosofrida no espaço escolar. A discriminação em função da orientação sexual continua sendo umaconstante, especialmente nas escolas brasileiras e Junqueira (2007), aponta essasituação afirmando que “a escola é um lugar em que jovens GLBT (gays, lésbicas,bissexuais e transgeneros) enfrentam, sistematicamente, discriminações por partede colegas, professores, dirigentes e servidores escolares (p.61). A escola, durante muito tempo, foi concebida como um local sexualmenteneutro; até mesmo os livros didáticos nada ou quase nada mencionavam sobre sexoe as poucas referências ficavam por conta da disciplina Ciências. Na opinião de Beleli (2009): A instituição escolar tende a invisibilizar a sexualidade em um jogo de pressupostos, inferências não apresentadas e silêncios. Pressupõe-se, por exemplo, que a sexualidade é assunto privado ou, ao menos, restrito ao lado de fora da escola. Na verdade, a sexualidade está no espaço escolar porque faz parte dos sujeitos o tempo todo. Ninguém se despe da sexualidade ou a deixa em casa como um acessório do qual se pode despojar (p.121). Ainda na reflexão de Beleli (2009), “há a forma mais sutil e talvez mais cruelde invisibilizar a sexualidade: trata-se da forma como educadores adotam o silenciodiante da emergência de uma sexualidade diferente e, assim, tornam-se cúmplicesde atitudes homofóbicas por parte de alguns estudantes “(p.115).
  19. 19. 30 Para o autor, o silencio e a tentativa de ignorar o diferente são ações quedenotam cumplicidade com valores e padrões de comportamentos hegemônicos(p.115). Sob este ponto de vista, torna-se questionável a posição dos profissionais daeducação perante manifestações discriminatórias, inclusive as homofóbicas, poiseducadores possuem papel decisivo na problematização destas questões, só quemuitas vezes, acabam por naturalizar e reproduzir estas práticas, intensificando odesrespeito à diversidade e à construção da identidade do outro. Guacira Louro (2000) nos lembra que: A escola é, sem dúvida, um dos espaços mais difíceis para que alguém “assuma sua condição de homossexual ou bissexual. Com a suposição de que só pode haver um tipo de desejo sexual e que esse tipo – inato a todos- deve ter como alvo um individuo do sexo oposto, a escola nega e ignora a homossexualidade(provavelmente nega porque ignora) e, desta forma, oferece poucas oportunidades para que adolescentes ou adultos assumam, sem culpa ou vergonha, seus desejos. O lugar do conhecimento mantém-se com relação à sexualidade, o lugar do desconhecimento e da ignorância (p.30). Com essa falácia, Louro (2000), é mais um dos estudiosos que nos leva aperceber o cenário de exclusão do tema diversidade cultural e sexual no currículoescolar e na formação continuada da classe docente, reinando no comodismo aomissão e o silenciamento que pactuam com o preconceito homofóbico, quandocontrario a tudo isso, a escola deveria combater todas as formas de preconceitos ediscriminação que permeiam o espaço escolar. A bem da verdade, a homofobia érealmente uma questão latente nas escolas seja ela uma atitude ou um preconceitoconstruído.
  20. 20. 31 CAPITULO II PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente trabalho tem como objetivo investigar através da oralidade e defontes documentais, como é que os professores lidam com as manifestaçõesdiscriminatórias no contexto escolar da Escola Municipal Nossa Senhora do Carmoem Senhor do Bonfim, Bahia, e qual a visão dos professores e alunos a respeito dotema diversidade cultural, em especial a sexual e a homofobia.2.1 A PESQUISA O ponto de partida para o desenvolvimento do nosso estudo foi a busca deinformações através da história oral. Na visão de Alberti (2008) quando as escolhasrecaem sobre a história oral [...] depende intrinsecamente do tipo de questão colocada ao objeto de estudo. Por outro lado, ela também depende de haver condições de se desenvolver a pesquisa: não é apenas necessário que estejam vivos aqueles que podem falar sobre o tema, mas que estejam disponíveis e em condições (físicas e mentais) de empreender a tarefa que lhes será solicitada. (p.30-31).2.1.1 História Oral A História Oral, segundo Alberti (2008): “é um método de pesquisa (histórica, antropológica, sociológica etc.) que privilegia a realização de entrevistas com pessoas que participaram de, ou testemunharam, acontecimentos, conjunturas, visões de mundo, como forma de se aproximar do objeto de estudo” (p.18). Assim, representa um grande auxilio na busca de informações e pode ser útilna história do cotidiano, história política, de instituições e história da memória.
  21. 21. 32 Atualmente, essa metodologia tem se apresentado de forma mais segura,uma vez que graças aos recursos tecnológicos tem sido possível gravardepoimentos com o uso do gravador, sem o risco de perdê-los; o que antes nãoacontecia, pois como bem nos relata Alberti (2008) havia muita dificuldade emregistrar e guardar relatos e depoimentos, antes do advento do gravador, na formade documento escrito.2.2 OS INSTRUMENTOS DA PESQUISA: Os instrumentos escolhidos para a coleta de informações destinadas a estetrabalho foram a observação e a entrevista.2.2.1 A Observação Com o objetivo de desenvolvermos nossos estudos a respeito do nossoobjeto de pesquisa, realizamos uma série de visitas para que pudéssemos observarcomo se processavam as relações professor-aluno e aluno-aluno na sala de aula notocante às diferenças que em maior ou menor proporção encontramos no espaçoescolar.2.2.2 A Entrevista A entrevista foi um dos caminhos que escolhemos para a realização destetrabalho, foi direcionada por um guia, dividido em dois blocos, contendo no primeiroa identificação das fontes orais e que por questão de preservação da identidadedessas pessoas, optamos pela utilização de letras do alfabeto em vez dos nomespróprios ou nomes fictícios.2.3 O GUIA DE ENTREVISTAS Para a realização das entrevistas usamos um roteiro contendo as questõesorganizadas em dois blocos:
  22. 22. 332.3.1. Bloco I Identificação dos depoentes: Na primeira etapa da pesquisa elaboramos uma ficha de identificação com oobjetivo de traçar o perfil dos entrevistados, para conhecermos um pouco arealidade dos mesmos, como profissão, tempo de serviço no magistério ou outro,idade, gênero etc. Cabe ressalvar que quase todos entrevistados se negaram afornecer dados pessoais, a exemplo de documentos e informações sobreremuneração salarial e no segundo bloco, constam as questões que estão voltadaspara o objeto de estudo deste trabalho.2.3.2 Bloco II As questões de estudo: Nesse segundo bloco, encontram-se as questões relevantes para nossapesquisa, a serem respondidas pelos (as) entrevistados (as), sendo direcionadas a01(um) diretor e 3(três) professores e 01(um) funcionário e 02(dois) alunos daEscola Municipal Nossa Senhora do Carmo. Não podemos deixar de mencionar, adificuldade em executar essas entrevistas, que só foram cedidas após a garantia deminha parte que não haveria identificação dos depoentes. . Para realizar a entrevista utilizamos um gravador digital Voice RecorderPowerpack DVR- 860BK.
  23. 23. 34 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.1PESQUISADORA: Ana Lucia FreireORIENTADORA: Profª Drª. Maria Glória da PazCaro Diretor (a) esta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, docurso de Pedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente agenerosa participação.Nome da escola:_________________________________________________ENTREVISTA COM O/A DIRETOR DA ESCOLA.1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de ...................... horário: …..........horasLocal: ….................................................................................................................Nome: …................................................................................................................Cor.........................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: …...............................................Posição no grupo familiar:.....................................................................................Filiação: …......................................... e …............................................................Local de nascimento:.............................................................................................Estado Civil:...........................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) ….............................Religião: …............................................................................................................Escolaridade:.........................................................................................................Ocupação: ….........................................................................................................Tempo de docência na Educação ........................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( ) mais dedois salários mínimos ( )
  24. 24. 35BLOCO II1. A ESCOLA, SUA ORGANIZAÇÃO E SEU ESPAÇO FÍSICO1- A escola funciona em quantos turnos? Quais os horários dos turnos_______________________________________________________________2- Quantos funcionários possui a escola?_______________________________________________________________3- Quantos professores?_______________________________________________________________4- Quantos alunos a escola possui?_______________________________________________________________7- Qual a média de crianças por sala?_______________________________________________________________8- Quanto as dependências da escola?Salas de aula /quantos (…......) banheiros / quantos (….........) pátio(….............) diretoria (….....) secretaria (…...........) sala de professores (…......)biblioteca (….........) outros...................................................9- Há quanto tempo dirige esta escola?_______________________________________________________________
  25. 25. 363º BLOCO: diversidade cultural e homofobia1. Qual a sua opinião em relação à diversidade cultural?2. O que é para você uma manifestação discriminatória?3. Em sua opinião, quais são os tipos de manifestação discriminatória?4. O que você pensa sobre a homossexualidade?5. Como é que a escola lida com as questões da homossexualidade?6. Os professores e os funcionários da escola estão preparados para trabalhar comas diferenças? e os preconceitos?7. Como é que você vê a homofobia?8. Na escola já aconteceu alguma atitude discriminatória com algum aluno ouprofessor que tenha uma orientação sexual diferenciada?9. Se aconteceu qual foi a atitude tomada pela escola?10. Quais são as medidas preventivas que a escola desenvolve para combater adiscriminação com os diferentes sexualmente?11. Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre este assunto?
  26. 26. 37 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.PESQUISADORA: Ana Lucia FreireORIENTADORA: Profª Drª Maria Glória da PazEsta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do curso dePedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosaparticipação.ENTREVISTA DIRIGIDA AOS PROFESSORES1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de ..................... horário: …...........horasLocal: ….................................................................................................................Nome: …................................................................................................................Cor.........................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: …...............................................Posição no grupo familiar:.....................................................................................Filiação: …......................................... e …............................................................Local de nascimento:.............................................................................................Estado Civil:...........................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) ….............................Religião: …............................................................................................................Escolaridade:.........................................................................................................Ocupação: ….........................................................................................................Tempo de docência na Educação ........................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( ) mais dedois salários mínimos ( )
  27. 27. 382º BLOCO: diversidade cultural e homofobia1. Qual a sua opinião em relação à diversidade cultural?2. O que é para você uma manifestação discriminatória?3. Em sua opinião, quais são os tipos de manifestação discriminatória?4. O que você pensa sobre a homossexualidade?5. Como é que a escola lida com as questões da homossexualidade?6. Os professores e os funcionários da escola estão preparados para trabalhar comas diferenças? e os preconceitos?7. Como é que você vê a homofobia?8. Em sua sala já aconteceu alguma atitude discriminatória com algum aluno quetenha uma orientação sexual diferenciada?9. Se aconteceu qual foi a atitude tomada por você professora, e pela escola?10. Quais são as medidas preventivas que a você professora, e a escoladesenvolvem para combater a discriminação com os diferentes sexualmente?11. Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre esse assunto?
  28. 28. 39 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA 2007.1PESQUISADORA: Ana Lucia FreireORIENTADORA: Profª Drª Maria Glória da PazCaro aluno (a) esta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do cursode Pedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosaparticipação. Obrigada.ENTREVISTA DIRIGIDA AOS ALUNOS1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de ..................... horário: …...........horasLocal: ….................................................................................................................Nome: …................................................................................................................Cor.........................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: …...............................................Posição no grupo familiar:.....................................................................................Filiação: (fictício)......................................... e …...................................................Local de nascimento:.............................................................................................Estado Civil:...........................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) ….............................Religião: …............................................................................................................Série.......................................................................................................................Ocupação extra:….................................................................................................Tempo na Escola...................................................................................................Renda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( ) mais dedois salários mínimos ( )
  29. 29. 402º BLOCO: diversidade cultural e homofobia1. Qual a sua opinião em relação à diversidade cultural?2. O que é para você uma manifestação discriminatória?3. Em sua opinião, quais são os tipos de manifestação discriminatória?4. O que você pensa sobre a homossexualidade?5. Como é que a escola lida com as questões da homossexualidade?6. Os professores e os funcionários da escola estão preparados para trabalhar comas diferenças? e os preconceitos?7. Como é que você vê a homofobia?8. Em sua sala já aconteceu alguma atitude discriminatória com algum aluno quetenha uma orientação sexual diferenciada?9. Se aconteceu qual foi a atitude tomada pelos professores, e pela escola?10. Quais são as medidas preventivas que os professores, e a escola desenvolvempara combater a discriminação com os diferentes sexualmente?11. Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre esse assunto?
  30. 30. 41 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.1PESQUISADORA: Ana Lucia FreireORIENTADORA: Profª. Drª. Maria Glória da PazEsta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do curso dePedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosaparticipação. Obrigada.ENTREVISTA DIRIGIDA À COORDENADORA1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de ...................... horário: …..........horasLocal: ….................................................................................................................Nome: …................................................................................................................Cor.........................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: …...............................................Posição no grupo familiar:.....................................................................................Filiação: …......................................... e …............................................................Local de nascimento:.............................................................................................Estado Civil:...........................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) ….............................Religião: …............................................................................................................Escolaridade:.........................................................................................................Ocupação: ….........................................................................................................Tempo de docência na Educação .........................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( ) mais dedois salários mínimos ( )
  31. 31. 422º BLOCO: diversidade cultural e homofobia1. Qual a sua opinião em relação à diversidade cultural?2. O que é para você uma manifestação discriminatória?3. Em sua opinião, quais são os tipos de manifestação discriminatória?4. O que você pensa sobre a homossexualidade?5. Como é que a escola lida com as questões da homossexualidade?6. Os professores e os funcionários da escola estão preparados para trabalhar comas diferenças? e os preconceitos?7. Como é que você vê a homofobia?8. Em sua sala já aconteceu alguma atitude discriminatória com algum aluno quetenha uma orientação sexual diferenciada?9. Se aconteceu qual foi a atitude tomada pelos professores, e pela escola?10. Quais são as medidas preventivas que os professores, e a escola desenvolvempara combater a discriminação com os diferentes sexualmente?11. Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre esse assunto?
  32. 32. 43 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.1PESQUISADORA: Ana Lucia FreireORIENTADORA: Profª. Drª. Maria Glória da PazEsta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do curso dePedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosaparticipação. Obrigada.ENTREVISTA COM UM (A) FUNCIONÁRIO (A) DA ESCOLA.1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de ...................... horário: …..........horasLocal: ….................................................................................................................Nome: …................................................................................................................Cor.........................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: …...............................................Posição no grupo familiar:.....................................................................................Filiação: …......................................... e …............................................................Local de nascimento:.............................................................................................Estado Civil:...........................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) ….............................Religião: …............................................................................................................Escolaridade:.........................................................................................................Ocupação: ….........................................................................................................Tempo de trabalho na Escola...............................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( ) mais dedois salários mínimos ( )
  33. 33. 442º BLOCO: diversidade cultural e homofobia1. Você já ouviu falar em diversidade cultural? Qual a sua opinião em relação àdiversidade cultural?2. O que é para você uma manifestação discriminatória?3. Em sua opinião, quais são os tipos de manifestação discriminatória?4. O que você pensa sobre a homossexualidade?5. Como é que esta escola lida com as questões da homossexualidade?6. Você acha que os professores e os funcionários da escola estão preparados paratrabalhar com as diferenças? e com os preconceitos?7. Você sabe o que é homofobia? Como é que você vê a homofobia?8. Nesta escola já aconteceu alguma atitude discriminatória com algum aluno quetenha uma orientação sexual diferenciada?9. Se aconteceu qual foi a atitude tomada pelos funcionários, e pela escola?10. Quais são as medidas preventivas que os funcionários e a escola desenvolvempara combater a discriminação com os diferentes sexualmente?11. Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre esse assunto?
  34. 34. 452.4 Carta de cessão Este documento permite que o material produzido na entrevista possa serusado ou exposto pela Instituição, desde que esteja devidamente assinada pelosdepoentes.CESSÃO DE DIREITOS SOBRE DEPOIMENTO ORAL PARA A UNEB1 – Pelo presente documento...........................brasileira, estadocivil)......................(profissão)..........carteira de identidade nº......., emitidapor.................... CPF nº................, residente e domiciliadaem..................................................., Município de Senhor do Bonfim, Bahia..cede etransfere nesse ato, gratuitamente, em caráter universal e definitivo ao Campus VIIda Universidade Estadual da Bahia (UNEB) a totalidade dos seus direitospatrimoniais de autor sobre o depoimento prestado no dia ....de ...................... de2010, perante o pesquisador..........................................................................................2 – Na forma preconizada pela legislação nacional e pelas convençõesinternacionais de que o Brasil é signatário, o DEPOENTE, proprietário originário dodepoimento de que trata este termo, terá, indefinidamente, o direito ao exercíciopleno dos seus direitos morais sobre o referido depoimento, de sorte que sempreterá seu nome citado por ocasião de qualquer utilização.3 – Fica, pois o Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)plenamente autorizado a utilizar o referido depoimento, no todo ou em parte, editadoou integral, inclusive cedendo seus direitos a terceiros, no Brasil e/ou no exterior.Sendo esta forma legitima e eficaz que representa legalmente os nosso interesses,assinam o presente documento em 02 (duas) vias de igual teor e para um só efeito.[assinatura da entrevistada]............TESTEMUNHAS:_____________________________________1ª testemunha_____________________________________2ª testemunha
  35. 35. 462.5 AS FONTES2.5.1 Fontes Orais As fontes orais são elementos que permitem trabalhar com fontes orais queenvolve obedecer a uma série de regras metodológicas, é preciso respeito aoscolaboradores e aos seus depoimentos, daí a necessidade de se estabelecercritérios de escolha. Segundo Alberti (2008, p. 172), “Para selecioná-los énecessário um conhecimento prévio do universo estudado; é preciso conhecer opapel dos que participaram e participam do tema investigado...” As fontes orais da pesquisa aqui retratadas foram sete pessoaspertencentes a comunidade da Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo, assimcategorizados: 04 (quatro) professores e 02(dois) alunos e um 01 (um) funcionario.2.5.1.1. Os alunos O Colaborador 6, se auto denominou de cor parda, tem 17 anos, nascido nacidade de Senhor do Bonfim. Bahia. O Colaborador 7, tem a cor parda, 15 anos de idade, nascido em dezembrode 96 na cidade de senhor do Bonfim, Bahia.2.5.1.2.Os professores O Colaborador 1, tem 45 anos, é de cor parda, sexo masculino, casado,tem dois filhos, curso superior completo, 11 anos de docência, 40 horas semanais eganha mais que dois salários mínimos. O Colaborador 2, se auto denominou de cor morena, solteiro, nascido emuma cidade vizinha, tem 24 anos, é de religião evangélica, tem nível superiorincompleto, trabalha uma carga horária de 20 horas nesta escola, tem 2 anos dedocência e ganha até dois salários mínimos.
  36. 36. 47 O Colaborador 3, é de cor branca,tem mais ou menos 40 anos, é solteiro,religião católica, nível superior completo, atua na docência com 40 horas semanais eganha até dois salários mínimos. O Colaborador 4, cor parda, com idade de mais ou menos 50 anos, é dosexo feminino, casada e tem dois filhos. Nasceu na cidade de Senhor do Bonfim,religião católica, tem nível superior completo, possui vinte anos de atuação nadocência, com 40 horas.2.5.1.3. Os funcionários O Colaborador 5, é de cor parda, tem 20 anos,nasceu em Senhor doBonfim, estado civil solteira, é funcionária da escola onde se dá a pesquisa, e ganhaaté um salário mínimo.2.5.2 Fontes escritas As fontes escritas foram fundamentais na construção do nossa pesquisa,pois através da mesma construímos algumas discussões sobre a temática escolhida.Buscamos aprofundamento em livros, teses de doutorados, artigos e documentosoficiais. Os autores que colaboraram com o nosso estudo foram: 3. Alberti(2008) em sua obra “Manuel de História Oral” nos orienta a trabalhar com a metodologia da historia oral no campo das ciências humanas. 4. Beleli (2004) em sua obra “...”, chama atenção para as questões que envolvem diversidade cultural e sobre a escola como palco onde a pluralidade cultural coloca em cena seus personagens em suas diversas facetas e diferentes linguagens. 5. Borrillo (2001) traz em sua obra “Homofobia”um estudo sobre a homofobia e os mais hostis comportamentos por ela ocasionados.
  37. 37. 486. Carrara(2009) discute em sua obra “Diferença, Diversidade e Desigualdade.Gênero e Diversidade na Escola-Formação de Professores em gênero, sexualidade, orientação sexual e relações étnico-raciais”a importancia da escola na eliminação do preconceito e de práticas discriminatorias.7. Foucault (1997), em sua obra: “A historia da sexualidade” propõe uma leitura reflexiva sobre a relação poder/sexualidade.8. Gomes (2008) em sua obra “Indagações sobre Curriculo, Diversidade e Curriculo”enfoca a necessidade de incorporação da diversidade no curriculo escolar.9. Louro (2000) aborda aspectos inerentes a gênero, sexualidade e educação.10. Junqueira (2007) no Livro “Diversidade Sexual na Educação: a problematizações sobre a homofobia nas escolas” denuncia a escola como um lugar de discriminação e preconceitos.11. Schmitt (2009) em sua obra “A Historia dos Marginais” aborda estudos antropológico-históricos que explicam a aplicação do termo marginal a uma parcela da sociedade sujeita à exclusão.
  38. 38. 492.6. LOCAL DA PESQUISA: O município1 de Senhor do Bonfim O município de Senhor do Bonfim – hoje sede da 28ª região administrativada Bahia – segundo historiadores regionais, teve a sua origem ligada às margens deuma lagoa, atual Praça Simões Filho, local de paragem/passagem de tropeiros eaventureiros que se dirigiam às minas da Jacobina, e aos que, em direção contrária,iam ao encontro das localidades banhadas pelas águas do Rio São Francisco. Seupovoamento origina-se na localidade de Missão do Sahy (1697), localidadepertencente ao Município de Senhor do Bonfim. Comunidade essa formada porremanescentes indígenas e que, inevitavelmente, sofreram a influência religiosa dosFranciscanos. Com efeito, no final do século XVII, fundaram os franciscanos o Arraial deMissão de Nossa Senhora das Neves do Sahy, centro regional de catequização, istoé, de divulgação, transposição de idéias, da mentalidade cristã para a indígenaARAÚJO (2001). Senhor do Bonfim, de acordo com o IBGE¹ conta atualmente com um índicepopulacional de aproximadamente 74.431, distribuídos em seus 827.48 Km².1 1. http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel.painel.php?codmun=293010# acesso em2011-09-21
  39. 39. 50 2.6.1 Mapa de localização2.2 PAZ, Maria Gloria da. História e educação de mulheres remanescentes indígenas de Missão do Sahy.Tese de doutorado. UFRN: Natal, 2009
  40. 40. 51 CAPÍTULO IIIDIALOGANDO COM AS FONTES: A reprodução, a manutenção ou adesconstrução do cenário preconceituoso da homofobia na escola Neste capítulo apresentamos o resultado da investigação, que teve comoponto de partida a questão: Como é por que se dá a reprodução, a manutenção ou adesconstrução do cenário preconceituoso da homofobia na Escola Municipal NossaSenhora do Carmo, situada na cidade de Senhor do Bonfim, Bahia.3.1. O que pensam os entrevistados sobre diversidade cultural Iniciamos o nosso estudo perguntando aos entrevistados o que elespensavam sobre a diversidade cultural. Ao observarmos as respostas, vimos que amaioria dos colaboradores vêem a diversidade cultural como um elemento queenriquece as práticas sociais das pessoas nas suas relações com os outros e emsua atuação profissional. Colaborador 1: [...] Entendo diversidade cultural... Como posso dizer? Ah, como provedora de diferenças quer seja de gênero, sexo, raça ou cor, etnia e outras... Na escola é que essas diferenças se cruzam e muitas vezes causam problemas dificultando a prática docente. Na opinião do Colaborador 2 [...] “Minha opinião?! É... acho que a diversidade cultural é muito importante por que... bom, ela dá direito a cada um de nós viver a sua cultura como achar melhor, eu penso assim”. Colaborador 3: [...] “A diversidade cultural em minha opinião é ampla, né! A gente vê a questão cultural... a questão da regionalidade... a questão da historia... a questão do movimento social e cultural das pessoas... do ambiente em que a pessoa vive... a historia da realidade da pessoa... é uma coisa, né... grande que abrange um texto bem grande em relação a cultura local e social.” Colaborador 4: [...] “Diversidade cultural... eu acho que em relação a escola a gente só tem a ganhar... porque são acréscimos e enriquece o nosso ambiente.. o nosso aprender né! E a gente compartilha também.” Colaborador 5: […] “Mostra a riqueza de uma população com seus variados estilos próprios... devendo-se respeitar cada um, não é?”
  41. 41. 52 Colaborador 6: [...] “Minha opinião é que é muito importante a diversidade cultural de um povo...” Colaborador 7: [...] “è importante... por que sem ela não há diferenças de raça nem de nada... rs.” Todos os elementos apresentados pelos colaboradores reafirmam osignificado sobre diversidade cultural, pois de acordo com Gomes (2008), “Do pontode vista cultural, a diversidade pode ser entendida como a construção histórica,cultural e social das diferenças” (p.17). Reforçando esse pensamento, Carrara(2009) afirma que “Quando o encontro de duas sociedades parece gerar umresultado homogêneo, em seu interior surgem diferenças significativas, que marcamas fronteiras entre os grupos sociais” (p.23).3.2. Manifestação discriminatória: um desrespeito para com os diferentes A opinião dos entrevistados é de unanimidade quanto as manifestaçõesdiscriminatórias. Para eles, a discriminação é uma falta de respeito para com o outro,é um tipo de atitude que atinge a várias pessoas e em lugares diversos. Colaborador 1: […] “É um desrespeito para com aqueles ou aquelas que possuem um modo de viver e de ser diferente dos demais... eu considero assim...”. Colaborador 2: [...] “Prá mim... manifestação discriminatória é o mesmo que preconceito... por exemplo, ter preconceito contra homossexuais... pessoas de cor... muitas vezes acontece de passar uma mulher morena e alguém diz:” Olha é uma negrinha” Prá mim isto é uma discriminação...” Colaborador 3: [...] “Eu acho que é uma coisa absurda... não se pode discriminar o homossexual, o negro, o pobre, o deficiente... todo mundo tem o direito de viver da maneira que quiser e puder.” Colaborador 4: [...] “É quando você não respeita... não tolera o que você chama de desigual ou diferente... é isso!”. Colaborador 5: [...] “Atos que desrespeitam o pensamento, opinião, estilo de vida, condição pessoal... enfim, a não aceitação do outro e por isso tem intenção de reprimi-lo”. Colaborador 6: [...] “É ter preconceito contra pessoas diferentes... rs”. Colaborador 7: [...] “Quando pessoas diferentes são de alguma forma excluídas... rs”.
  42. 42. 53 As falas dos entrevistados estão ratificadas em Carrara (2009), quandoressalta que: Em diferentes épocas, sociedades particulares reagiram de formasespecificas, diante do contato com uma cultura diversa à sua originando assimpreconceito e discriminação que são idéias e comportamentos que negamhumanidade àqueles e àquelas que são suas vitimas. É a atitude de discriminar, de negar oportunidades, de inferiorizar o outrodiferente seja por questão de gênero, religião, raça/etnia ou orientação sexual, quegera conflitos entre as pessoas alimentando sentimentos e atitudes negativas comoo desrespeito tão frisado pelos entrevistados. A sociedade brasileira, por sua vez, na fala de Abramovay (2004), tem sidovitimada por uma onda de violência que, a cada dia, aumenta mais nas escolas:violência esta que se materializa através de agressões verbais, físicas e simbólicasaos sujeitos da comunidade escolar. Silva (2010) em seu livro Bullying: mentes perigosas nas Escolas alude aesta violência no meio escolar, argumentando que as instituições escolares se veemobrigadas a lidar com fenômenos como o bullying, que, embora sempre existiu nasescolas de todo o mundo, hoje ganha dimensões muito graves(p.64).3.3. Discriminação contra Negros... Homossexuais... Analfabetos... Nessa questão abordamos nossos entrevistados com a seguinte pergunta:Em sua opinião, quais são os tipos de manifestação discriminatória? As respostaspara esta questão se materializam em vários tipos: atitudes contra homossexuais,contra os deficientes físicos, os analfabetos, só pobres, os obesos dentre outroscomo vemos nos depoimentos abaixo: Colaborador 1: [...] “Tipos de discriminação? Bom... existe discriminação contra o negro... contra o homossexual... contra o deficiente físico... e tantos outros que não dá nem para especificar... em tão pouco tempo... né!” Colaborador 2: [...] “O que mais vejo é discriminação contra negros... homossexuais... analfabetos...”
  43. 43. 54 Colaborador 3: [...] “Bom... a mídia tem mostrado discriminação contra homossexuais... parece que tá na moda...” Colaborador 4: [...] “Quando você discrimina... você não respeita o estilo de vida... a opinião do outro... você vê no outro alguém diferente... diferente na forma de se comportar ou de se vestir ou outra forma... você não tolera isso... prá mim isso é discriminação...” Colaborador 5: [...] “Verbal... física... escrita e gestual...” Colaborador 6: [...] “Contra negros... veados... pobres... gordos...” Colaborador 7: [...] “A que mais conheço é a que faz piadinhas com os boiolas...” Os depoentes foram categóricos ao fazer seus depoimentos, deixando claroque existem vários tipos de preconceitos, os quais estão enraizados na sociedade.Com isso, se faz necessário levar em consideração que cada pessoa com suaestrutura biológica e social pertence a um determinado grupo étnico que por suavez, tem seus próprios costumes e crenças. Segundo Morin (2001) este individuofaz parte de uma cultura que é: Constituída pelo conjunto dos saberes, fazeres, regras, normas, proibições, estratégias, idéias, valores, mitos, que se transmite de geração a geração, se reproduz em cada individuo, controla a existência da sociedade e mantém a complexidade psicológica e social. Não sociedade humana, arcaica ou moderna, desprovida de cultura, mas cada cultura é singular. Assim, sempre existe a cultura nas culturas, mas a cultura existe apenas por meio das culturas (p.56). Diante de uma cultura diferente uma da outra surgem desafios, que osprofessores precisam enfrentar com estratégias diferentes, ou seja, práticaspedagógicas diversificadas. Nessa perspectiva Candau (2003) aponta que: ”Aescola está sendo chamada a lidar com a pluralidade de culturas, reconhecer osdiferentes sujeitos socioculturais presente em seu contexto, abrir espaços para amanifestação e valorização das diferenças” (p.161). Reflexões como estas é que nos levam a compreensão de que a escola porabrigar distintas diversidades tem a obrigação de prover meios para eliminação depreconceitos e práticas discriminatórias educando para a diversidade e respeito àsdiferenças.
  44. 44. 553.4 O que pensam sobre a homossexualidade? Na quarta questão observamos nas respostas dos depoentes que eles falamem homossexualidade como algo natural, como um direito que as pessoas tem deassumir a sua preferencia sexual; há os que veem como uma escolha, além de serum assunto que suscita polêmicas. Colaborador 1: [...] “No meu modo de pensar é um direito de cada um assumir a sua preferência sexual, por isso acho natural como acho que ninguém tem o direito de se manifestar contra, ora!”. Colaborador 2: [...]. “É um direito... uma escolha de cada um... a gente não deve interferir... nem falar nem comentar... se é escolha devemos respeitar... “ Colaborador 3: [...] “É um tema muito complexo... principalmente para ser tratado na escola... é polêmico...” Colaborador 4: [...] “Acho que cada um tem o direito de fazer a escolha que melhor lhe agrada... que lhe satisfaz... que melhor responde as suas necessidades, aos seus anseios, sonhos e fantasias... Por isso é que eu digo que o livre arbítrio deve ser exercido.” Colaborador 5: [...] “Opção sexual” Colaborador 6: [...] “Ser homossexual... sei lá! É uma opção...” Colaborador 7: [...] “Acho normal...” Constatou-se nas falas dos depoentes que homossexualidade parece nãocausar mais espanto. No entanto, alguns teóricos afirmam que, embora serhomossexual não cause mais estranheza; nas entrelinhas, ainda é visto como o“outro”, o que se materializa na expressão deste depoente: “Ser homossexual... seilá! É uma opção...” Para Carrara (2009): A escola apresenta e institui sujeitos, indivíduos, a partir de um “modelo”. Este modelo é masculino, branco e heterossexual, e todas as pessoas que não se encaixam nele são o Outro, que é reiteradamente tratado como inferior, estranho, diferente (p.106). Nessa lógica é que somos remetidos a repensar o papel da escola frente àsdiferenças sexuais embasados no raciocínio de Tomaz Tadeu da Silva (2000) que
  45. 45. 56em seus “Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo” apontacomo uma das deficiências no ensino escolar a ausência da “sexualidade” nocurrículo, embora ela esteja fortemente presente na escola. O mencionado autor ainda reitera que “quando a sexualidade é incluída nocurrículo, ela é tratada simplesmente como uma questão de informação certa ouerrada, em geral ligada a aspectos biológicos e reprodutivos” (p.108). Todos nós somos diferentes: na aparência física, no modo de pensar, deagir, de falar, de interpretar e diferentes por que não em nossas preferênciassexuais. Faz parte do contexto existencial cada um viver da forma como pode ouacha melhor de acordo com os seus gostos e aspirações.3.5. Homofobia: aversão por uma pessoa que não é igual a gente A quinta pergunta que apresentamos foi: Como é que a escola lida com asquestões da homossexualidade? Na fala dos professores a homossexualidade évista como algo natural, embora deixe subjacente nas entrelinhas que ainda háalgum resquício do não saber lidar com essa temática. Colaborador 1: [...] “Por isso a escola lida com as questões da homossexualidade com naturalidade...” Colaborador 2: [...] “Se não apóia pelo menos não seja contra...” Colaborador 3: [...] “Não sabemos como e vendo esta questão agora achei interessante... eu já coordenei uma campanha contra o vírus HIV e aprendi muito com as palestras a olhar para as diferenças sexuais de outra forma mais aberta... mais solidaria...” Colaborador 4: [...] “Aqui na escola ainda não notei alunos com orientação sexual diferente dos demais...” Colaborador 5: [...] “Com naturalidade...” Colaborador 6: [...] “Não sei como...” Colaborador 7: [...] “Não sei se a escola liga prá isso... acho que não...”
  46. 46. 57 Verifica-se nas falas dos entrevistados que a escola aparece como divisorade águas entre as práticas preconceituosas e discriminatórias e a manutençãodessas práticas. É do conhecimento de todos que a escola é palco de manifestação depreconceitos e discriminações de diversas formas e os entrevistados foramunânimes em suas respostas ao definir manifestação discriminatória comodesrespeito à integridade física mental e emocional do outro. Segundo Candau(2003) e Moreira (2003) “A problemática da discriminação é certamente complexa eprecisa ser trabalhada com base em uma dimensão multidimensional (p.164). Etrabalhar sob essa base é cultivar uma cultura de abertura ao diferente onde aexclusão não atinja seres humanos, mas sim atitudes humanas racistas,homofóbicas, desrespeitosas e desumanas.3.6. Homossexualidade e a escola: como lidar com isso? Os professores e os funcionários da escola estão preparados para trabalharcom as diferenças? E os preconceitos? Os entrevistados afirmam que não estão preparados para trabalhar com asdiferenças e assim, há de se reconhecer que é responsabilidade da escolapreencher esta lacuna através de cursos de capacitação. Na opinião de Carrara(2009) “a escola é influenciada pelos modos de pensar e de se relacionar da/nasociedade, ao mesmo tempo em que os influencia, contribuindo para suastransformações (p.31) Colaborador 1: [...] “Não temos com freqüência situações discriminatória... apenas algumas briguinhas por causa dos apelidos e brincadeiras de mau gosto... não temos preocupação com a questão da preparação para trabalhar com os preconceitos e as diferenças...” Colaborador 2: [...] “Acho que não... ainda falta muito prá essa preparação... com certeza!” Colaborador 3: [...] “Sinceramente... acho que não... porque é preciso preparar através de um curso de formação... acho que não estão ainda preparados psicologicamente... apesar de que eu não tenho nenhuma discriminação...”
  47. 47. 58 Colaborador 4: [...] “Alguns professores estão preparados... outros não... creio que é preciso um curso de formação... uma capacitação para atender essa demanda social de respeito para com os diferentes...” Colaborador 5: [...] “Na grande maioria sim... principalmente os professores...” Colaborador 6: [...] “Na minha opinião os professores nem se importam...” Colaborador 7: [...] “Acho que não... se eles próprios são preconceituosos né!” Para os entrevistados, há professores preparados bem como professoresdespreparados para lidar com as diferenças e os preconceitos na ocorrência deatitudes discriminatórias tanto com os alunos quanto com os professores quetenham uma orientação sexual diferenciada, Segundo Candau (2003): Os desafios do mundo atual denunciam a fragilidade e a insuficiência dos ideais “modernos” e passam a exigir e suscitar novas interrogações e buscas. A escola, nesse contexto, mais que a transmissora da cultura, da “verdadeira cultura” passa a ser concebida como um espaço de cruzamento, conflitos e diálogo entre diferentes culturas (p.160). De acordo com os entrevistados, o professorado ainda carece dehabilidades especificas para trabalhar a diversidade cultural, como podemoscomprovar na fala do Colaborador 4.3.7 .Homofobia: o que a escola tem a ver com isso na opinião da comunidade escolar: professores, alunos e funcionários. Perguntamos aos nossos entrevistados: Como vêem a Homofobia? Eis afala dos depoentes: Colaborador 1: [...] “Penso que é uma discriminação que atinge indivíduos que tem uma orientação sexual diferente...” Colaborador 2: “[...] É o preconceito voltado para o homossexualismo... do meu ponto de vista é isso...”

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