Evento realizado no dia 29/09/2015, às 9h, no CAIS Centro, em Florianópolis, SC.
Organização facilitadora:
ICom – Instituto Comunitário Grande Florianópolis
Facilitadores:
Aline Zeli Venturi, coordenadora administrativa financeira do ICom.
Mariane Maier Nunes, coordenadora do CAIS
Assessora de comunicação:
Carine Bergmann
Responsável por este relatório:
Aline Venturi
4º Mesas Quadradas: Igualdade Racial
O Mesas Quadradas é um evento de debates sobre
direitos humanos e desafios sociais onde o objetivo
é o de discutir questões sociais, conhecer pessoas
interessadas nas causas e cocriar soluções. Nessa
edição, o tema foi proposto foi discutir a causa da
Igualdade Racial na Grande Florianópolis e conhecer
um pouco os movimentos e organizações que já
atuam na defesa de direitos. O evento incluiu
debate e cocriação, em forma de debate interativo
explorando o contexto e desafios atuais, seguido de
cocriação de potenciais soluções.
Resumo
O grupo foi dividido em três, de acordo com os temas propostos: juventude, mulheres e
políticas afirmativas de defesa da igualdade, levantando o contexto no formato World Café.
Foram feitas perguntas norteadoras para orientar o debate.
Levantamento de contexto
Por que essas ações/ iniciativas
funcionam?
1) 2)O que já funciona em Florianópolis/Brasil
para minimizar a desigualdade racial?
O que já funciona Por quê?
1º GRUPO - JUVENTUDE
Cotas na Universidade e no serviço público federal Garante a inclusão dos negros nos espaços públicos de poder
Coletivo de Estudantes UFSC 4P - Poder Pra o Povo
Preto
Impulsionam a criação de Políticas Públicas pelo Poder Público
MNU-Movimento Negro Unificado
NEAB/ UDESC
UNEGRO
Conselhos de Igualdade Racial Coppir e CEPA
Marcha das Mulheres Negras
Liberdade de Expressão- Redes Sociais para combate à
descriminalização
Engajamento e Visibilidade. Dissemina informações mais
rapidamente e em maior escala.
Bolsa Família. Distribuída às Mulheres
Diminuição da vulnerabilidade social, que afeta em maior
número a população negra.
Demarcação Terras Quilombolas ( + Floripa Rio
Vermelho)
Resgate da Cultura. Defesa dos Direitos
Micro Crédito Aumenta possibilidade de renda e crescimento profissional
Coppir
Garantia de Políticas Públicas para a população negra do
município
Ação JÁ Visibilidade de Ação Local
O que já funciona Por quê?
2º GRUPO - MULHERES
Criminalização do Racismo Disciplina as relações sociais
Cotas Estudantis Insere os povos tradicionais nas Universidades
(Ministério) Secretaria da Igualdade Racial Abre espaço para a discussão racial
Coletivo 4 P - Poder Para o Povo Preto Permite articulação dos estudantes negros
Lei 10.639 Coloca o estudo da história afro brasileira na escola
Políticas de Saúde para a População Negra
Tem olhar mais específico para doenças que afetam esta
população
Projeto incentivo a pesquisas na temática Estimula a produção acadêmica
Movimentos: MNU, KURIMA, NEGGA, Os 4, NEAB, SOS
RASCISMO
Articulação, tensionamento discussão da temática
Fórum das religiões de Matriz Africana Fortalecimento da liberdade religiosa, Desmitificação
O que já funciona Por quê?
3º GRUPO - POLÍTICAS AFIRMATIVAS DE DEFESA DA IGUALDADE
Lei 10.639 Discussão sobre a temática afrobrasileira nas escolas
Coletivos Apoio aos negros
Cotas Mais negros na faculdade
Marcha das Mulheres Negras Maior visibilidade
Encontro para debates Maior visibilidade
Movimento Negro Fortalecimento da Cultura Negra
Nessa etapa do encontro levantou-se
os principais problemas de forma
colaborativa, trabalhando-se em
grupos de cinco pessoas.
Primeiramente, os participantes
tiveram o desafio de pensar e escrever
vários problemas que a causa enfrenta
em apenas cinco minutos. A instrução
é a de escrever um problema para
cada post it.
Depois montou-se a árvore de
problemas.
Levantamento dos
problemas
PROBLEMAS RELACIONADOS À :
JUVENTUDE POLÍTICAS AFIRMATIVAS MULHERES
Redução da Maioridade Penal Cotas no Poder Público Subestimadas intelectualmente
Falta de sanções ao preconceito Dificuldade de Permanência Feminismo negro
Falta de Lideranças Negras no Esporte
Falta de Comissão de Verificação
dos Cotistas
Falta de apoio dos homens negros
Falta de exemplos referências Falta de apoio Pós-Ingresso
Criminalizadas pelos filhos/
maridos
Poucas Políticas Públicas de Lazer Dificuldade de Identificação
Alinhamento das mulheres negras
com a Ubanda, Candoblé
Ausência de contato de temáticas afros brasileiras
na juventude como estratégia de apagamento
identidário
Reformulação das regras de
aplicação das ações afirmativas
como estratégia para dificultar o
acesso às instituições
Violência Obstétrica
Expressão da cultura Falta de Protagonismo
Exposição à violência, crime e drogas
Juventude negra em contato com aspirações
limitadoras( reducionismo) de possibilidades por
enquadramento fenotípico.
Acesso aos meios eruditos de cultura/
entretenimento e informação:
Árvore de
Problemas
Causas
Sucateamento do ensino público
Resistência da população não afetada
Falta de conhecimento sobre o que acontece com a
população negra
Não reconhecimento da política como um direito
Falta de reconhecimento da etnia
Falta de preparo dos professores ( Lei 10.639)
Falta e incentivos do protagonismo juvenil
Falta de estruturação institucional
Intolerância e endomonização religiosa
Problemas
Inexistência do estado nas comunidades com população de
predominância negra
Estigmatização social, pobreza, periferia, crime, situação de
rua, etc..
Racismo Institucional
Efeitos
Falta de Liderança feminina negra no mundo corporativo
Visibilidade carnavalesca. Rainha/ Princesa só no carnaval
Homossexualidade- Duplo Preconceito
Falta de acesso e equiparação salarial no mercado de trabalho
Falta de oportunidade em níveis hierárquicos mais altos
Manutenção da família sozinha
Juventicídio
Falta de preparo dos professores para lidar com a estética
negra
Falta de representação na mídia- Identificação
Naturalização do racismo/ machismo através do vocabulário
e dos atos como reforço das relações de opressão
Repressão policial com a juventude negra
Falta de auto-estima
Apropriação de identidade ( turbante)
Efeitos
saúde mulher negra
preconceito com cabelo afro
hiperssexualização
solidão da mulher negra
violência doméstica
vistas como objeto sexual
discriminação no mercado de trabalho
invisibilidade
padrão de beleza barbie branca
Dificuldade para considerar a intersecção de raça e gênero,
com o argumento do vitimismo
Especificação das demandas sobre a mulher negra no
movimento feminista e negro
Desistência faculdade- evasão negra
saúde mulher negra
Levantados o contexto e os principais problemas que a causa traz, a apresentação dos sonhos
foi a última etapa realizada onde todos deixaram suas contribuições. O primeiro exercício foi
ao mesmo tempo individual e coletivo.
Após a vivência do histórico discurso de Martin Luther King em 1963, “I have a dream” . Os
participantes, reunidos em um só grupo, responderam seus sonhos em relação à igualdade
racial:
Cocriação do paredão de sonhos
Eu tenho um sonho de olhar para os meus irmãos e irmãs, e
parabeniza-los por chegarem a paz, e perceberem que
daqui nada se leva.
Que nenhuma criança
sofra racismo na escola.
Que não existam mais
qualquer tipo de
preconceito;
Valorização e respeito da cultura negra, religião afrodescendente,
sem estigmatização. Fortalecimento de políticas públicas para a
população negra, na busca pela garantia de direitos.
O dia que os povos tradicionais não
serão tratados como minoria e que a
branquitude não seja a normativa.
Assegurando a todos os direitos que
compõe a constituição brasileira;
Empoderamento da
população negra.
Eu tenho um sonho que me motiva a viver e que este sonho
se torne cada vez maior e real. Um sonho onde as pessoas
se reconheçam como seres humanos com potencialidades e
fragilidades. Seres que independente da raça se
identifiquem e se reconheçam trabalhando para viver uma
vida simples, de valores que permeiam o respeito às
diferenças a liberdade de ser e estar juntos. Que todos os
seres sejam felizes e que haja a paz;
Eu sonho que todas as mulheres, pretas e brancas, se juntem, se
expressem, eduquem seus filhos para combater o racismo,
preconceitos para mais igualdade e criar um mundo melhor.
Eu tenho um sonho de que um dia toda pessoa tenha acesso e
garantia de seus direitos como cidadão sendo respeitadas a sua
singularidade e diferenças;
Eu tenho um sonho de
que um dia toda pessoa
tenha acesso e garantia
de seus direitos como
cidadão sendo
respeitadas a sua
singularidade e
diferenças.
Meu filho nunca discrimine
alguém pela sua cor. Viva
em um lugar como um
igual.
Mundo sem preconceito onde o
amor prevalece acima de tudo;
Todos tenham acesso a direitos.
Fortalecimento,
Reconhecimento, Respeito,
Valorização de toda a
população negra.
Eu sonho com o dia que as pessoas brancas
parem de negar o racismo;
Obrigado a todos!Obrigado!

Relatório Mesas Quadradas Igualdade Racial

  • 2.
    Evento realizado nodia 29/09/2015, às 9h, no CAIS Centro, em Florianópolis, SC. Organização facilitadora: ICom – Instituto Comunitário Grande Florianópolis Facilitadores: Aline Zeli Venturi, coordenadora administrativa financeira do ICom. Mariane Maier Nunes, coordenadora do CAIS Assessora de comunicação: Carine Bergmann Responsável por este relatório: Aline Venturi 4º Mesas Quadradas: Igualdade Racial
  • 3.
    O Mesas Quadradasé um evento de debates sobre direitos humanos e desafios sociais onde o objetivo é o de discutir questões sociais, conhecer pessoas interessadas nas causas e cocriar soluções. Nessa edição, o tema foi proposto foi discutir a causa da Igualdade Racial na Grande Florianópolis e conhecer um pouco os movimentos e organizações que já atuam na defesa de direitos. O evento incluiu debate e cocriação, em forma de debate interativo explorando o contexto e desafios atuais, seguido de cocriação de potenciais soluções. Resumo
  • 4.
    O grupo foidividido em três, de acordo com os temas propostos: juventude, mulheres e políticas afirmativas de defesa da igualdade, levantando o contexto no formato World Café. Foram feitas perguntas norteadoras para orientar o debate. Levantamento de contexto Por que essas ações/ iniciativas funcionam? 1) 2)O que já funciona em Florianópolis/Brasil para minimizar a desigualdade racial?
  • 6.
    O que jáfunciona Por quê? 1º GRUPO - JUVENTUDE Cotas na Universidade e no serviço público federal Garante a inclusão dos negros nos espaços públicos de poder Coletivo de Estudantes UFSC 4P - Poder Pra o Povo Preto Impulsionam a criação de Políticas Públicas pelo Poder Público MNU-Movimento Negro Unificado NEAB/ UDESC UNEGRO Conselhos de Igualdade Racial Coppir e CEPA Marcha das Mulheres Negras Liberdade de Expressão- Redes Sociais para combate à descriminalização Engajamento e Visibilidade. Dissemina informações mais rapidamente e em maior escala. Bolsa Família. Distribuída às Mulheres Diminuição da vulnerabilidade social, que afeta em maior número a população negra. Demarcação Terras Quilombolas ( + Floripa Rio Vermelho) Resgate da Cultura. Defesa dos Direitos Micro Crédito Aumenta possibilidade de renda e crescimento profissional Coppir Garantia de Políticas Públicas para a população negra do município Ação JÁ Visibilidade de Ação Local
  • 7.
    O que jáfunciona Por quê? 2º GRUPO - MULHERES Criminalização do Racismo Disciplina as relações sociais Cotas Estudantis Insere os povos tradicionais nas Universidades (Ministério) Secretaria da Igualdade Racial Abre espaço para a discussão racial Coletivo 4 P - Poder Para o Povo Preto Permite articulação dos estudantes negros Lei 10.639 Coloca o estudo da história afro brasileira na escola Políticas de Saúde para a População Negra Tem olhar mais específico para doenças que afetam esta população Projeto incentivo a pesquisas na temática Estimula a produção acadêmica Movimentos: MNU, KURIMA, NEGGA, Os 4, NEAB, SOS RASCISMO Articulação, tensionamento discussão da temática Fórum das religiões de Matriz Africana Fortalecimento da liberdade religiosa, Desmitificação
  • 8.
    O que jáfunciona Por quê? 3º GRUPO - POLÍTICAS AFIRMATIVAS DE DEFESA DA IGUALDADE Lei 10.639 Discussão sobre a temática afrobrasileira nas escolas Coletivos Apoio aos negros Cotas Mais negros na faculdade Marcha das Mulheres Negras Maior visibilidade Encontro para debates Maior visibilidade Movimento Negro Fortalecimento da Cultura Negra
  • 9.
    Nessa etapa doencontro levantou-se os principais problemas de forma colaborativa, trabalhando-se em grupos de cinco pessoas. Primeiramente, os participantes tiveram o desafio de pensar e escrever vários problemas que a causa enfrenta em apenas cinco minutos. A instrução é a de escrever um problema para cada post it. Depois montou-se a árvore de problemas. Levantamento dos problemas
  • 10.
    PROBLEMAS RELACIONADOS À: JUVENTUDE POLÍTICAS AFIRMATIVAS MULHERES Redução da Maioridade Penal Cotas no Poder Público Subestimadas intelectualmente Falta de sanções ao preconceito Dificuldade de Permanência Feminismo negro Falta de Lideranças Negras no Esporte Falta de Comissão de Verificação dos Cotistas Falta de apoio dos homens negros Falta de exemplos referências Falta de apoio Pós-Ingresso Criminalizadas pelos filhos/ maridos Poucas Políticas Públicas de Lazer Dificuldade de Identificação Alinhamento das mulheres negras com a Ubanda, Candoblé Ausência de contato de temáticas afros brasileiras na juventude como estratégia de apagamento identidário Reformulação das regras de aplicação das ações afirmativas como estratégia para dificultar o acesso às instituições Violência Obstétrica Expressão da cultura Falta de Protagonismo Exposição à violência, crime e drogas Juventude negra em contato com aspirações limitadoras( reducionismo) de possibilidades por enquadramento fenotípico. Acesso aos meios eruditos de cultura/ entretenimento e informação:
  • 11.
  • 12.
    Causas Sucateamento do ensinopúblico Resistência da população não afetada Falta de conhecimento sobre o que acontece com a população negra Não reconhecimento da política como um direito Falta de reconhecimento da etnia Falta de preparo dos professores ( Lei 10.639) Falta e incentivos do protagonismo juvenil Falta de estruturação institucional Intolerância e endomonização religiosa
  • 13.
    Problemas Inexistência do estadonas comunidades com população de predominância negra Estigmatização social, pobreza, periferia, crime, situação de rua, etc.. Racismo Institucional
  • 14.
    Efeitos Falta de Liderançafeminina negra no mundo corporativo Visibilidade carnavalesca. Rainha/ Princesa só no carnaval Homossexualidade- Duplo Preconceito Falta de acesso e equiparação salarial no mercado de trabalho Falta de oportunidade em níveis hierárquicos mais altos Manutenção da família sozinha Juventicídio Falta de preparo dos professores para lidar com a estética negra Falta de representação na mídia- Identificação Naturalização do racismo/ machismo através do vocabulário e dos atos como reforço das relações de opressão Repressão policial com a juventude negra Falta de auto-estima Apropriação de identidade ( turbante)
  • 15.
    Efeitos saúde mulher negra preconceitocom cabelo afro hiperssexualização solidão da mulher negra violência doméstica vistas como objeto sexual discriminação no mercado de trabalho invisibilidade padrão de beleza barbie branca Dificuldade para considerar a intersecção de raça e gênero, com o argumento do vitimismo Especificação das demandas sobre a mulher negra no movimento feminista e negro Desistência faculdade- evasão negra saúde mulher negra
  • 16.
    Levantados o contextoe os principais problemas que a causa traz, a apresentação dos sonhos foi a última etapa realizada onde todos deixaram suas contribuições. O primeiro exercício foi ao mesmo tempo individual e coletivo. Após a vivência do histórico discurso de Martin Luther King em 1963, “I have a dream” . Os participantes, reunidos em um só grupo, responderam seus sonhos em relação à igualdade racial: Cocriação do paredão de sonhos
  • 17.
    Eu tenho umsonho de olhar para os meus irmãos e irmãs, e parabeniza-los por chegarem a paz, e perceberem que daqui nada se leva. Que nenhuma criança sofra racismo na escola. Que não existam mais qualquer tipo de preconceito; Valorização e respeito da cultura negra, religião afrodescendente, sem estigmatização. Fortalecimento de políticas públicas para a população negra, na busca pela garantia de direitos. O dia que os povos tradicionais não serão tratados como minoria e que a branquitude não seja a normativa. Assegurando a todos os direitos que compõe a constituição brasileira; Empoderamento da população negra. Eu tenho um sonho que me motiva a viver e que este sonho se torne cada vez maior e real. Um sonho onde as pessoas se reconheçam como seres humanos com potencialidades e fragilidades. Seres que independente da raça se identifiquem e se reconheçam trabalhando para viver uma vida simples, de valores que permeiam o respeito às diferenças a liberdade de ser e estar juntos. Que todos os seres sejam felizes e que haja a paz;
  • 18.
    Eu sonho quetodas as mulheres, pretas e brancas, se juntem, se expressem, eduquem seus filhos para combater o racismo, preconceitos para mais igualdade e criar um mundo melhor. Eu tenho um sonho de que um dia toda pessoa tenha acesso e garantia de seus direitos como cidadão sendo respeitadas a sua singularidade e diferenças; Eu tenho um sonho de que um dia toda pessoa tenha acesso e garantia de seus direitos como cidadão sendo respeitadas a sua singularidade e diferenças. Meu filho nunca discrimine alguém pela sua cor. Viva em um lugar como um igual. Mundo sem preconceito onde o amor prevalece acima de tudo; Todos tenham acesso a direitos. Fortalecimento, Reconhecimento, Respeito, Valorização de toda a população negra. Eu sonho com o dia que as pessoas brancas parem de negar o racismo;
  • 19.