Reginaldo Francisco - TradutorBacharel Letras Hab. Tradutor (UNESP)Mestre Estudos da Tradução (UFSC)*Estrangeirização edom...
*Dicotomias* verbum pro verbo x sensum exprimere de sensu* literal x livre* correspondência formal x dinâmica* domesticaçã...
*LawrenceVenuti* The Translators Invisibility: A History of Translation* The Scandals of Translation: Towards an Ethics of...
*Antoine Berman* A tradução e a letra ou o albergue do longínquo(1985/1999/2007)* a prática da tradução tradicional: ato c...
*Friedrich Schleiermacher (Fred)* Dos diferentes métodos de traduzir(1985/1999/2011)“Mas e quanto ao verdadeiro tradutor, ...
*Semelhanças e diferenças*Defesa de uma tradução que não apague aestranheza do estrangeiro, estrangeirizante / daletra / q...
*Resultado*Muitos estudos partem das reflexões dessesautores, para pensar a tradução comodividida nessas duas possibilidad...
“Ignorar o leitor, esse ator importante da tríade formada como autor e o tradutor, é o que não confessa quem defendeentusi...
*Problemas de dicotomias radicais* impossível ser apenas estrangeirizante ou apenasdomesticador:* complexidade de cada sit...
*O diário de Gian Burrasca* Il giornalino di Gian Burrasca, Vamba (Luigi Bertelli)* Tradução do italiano para o português*...
*Provérbios e expressões idiomáticasMi accorsi una volta di più che il mio babbo aveva ragione adir corna del servizio fer...
*Provérbios e expressões idiomáticasEccomi a casa mia, nella mia cameretta, che ho rivisto tantovolentieri!... È proprio v...
*Palavras e expressões no idioma original— Dio mio! Se eu pudesse saber quem foi, comoqueria me vingar! (p. 29)[...] e o M...
*Palavras e expressões no idioma original— Canaglia, eu tinha te proibido de vir aqui! (p. 128)— Tome as duas liras… [...]...
*Nomes própriosOra non diranno più che son la rovina della casa! Nonmi chiameranno più Gian Burrasca di soprannome, chemi ...
*Nomes próprios[...] questo ragazzo che è Mario Betti, ma noi sichiama il Milordo perché va vestito tutto perlappunto e al...
*Nomes própriosChe tipo buffo è il signor Clodoveo!Prima di tutto vuol far sempre il forestiero, e sècambiato gli i del su...
*Nomes própriosQue tipo gozado é o senhor Clodoveo!Em primeiro lugar, quer bancar sempre oestrangeiro, e trocou os is do p...
*Então...* Nenhuma teoria da tradução é* receita* lei* dogma* A tradução não pode ser representadade forma binária
*ReferênciasBENEDETTI, Ivone C. A estranheza do mito. Disponível em:http://ivonecbenedetti.wordpress.com/2010/09/07/a-estr...
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Estrangeirização e domesticação sem radicalismos

  1. 1. Reginaldo Francisco - TradutorBacharel Letras Hab. Tradutor (UNESP)Mestre Estudos da Tradução (UFSC)*Estrangeirização edomesticação semradicalismos
  2. 2. *Dicotomias* verbum pro verbo x sensum exprimere de sensu* literal x livre* correspondência formal x dinâmica* domesticação x estrangeirização* ...* Bem x Mal* Deus x Diabo* mocinho x vilão* polícia x bandido* Mumm-Ra x ThunderCatsO mundo parece mais simples quando dividido em duascategorias opostas e excludentes.
  3. 3. *LawrenceVenuti* The Translators Invisibility: A History of Translation* The Scandals of Translation: Towards an Ethics ofDifference* domestication: práticas tradutórias que ocultamas diferenças culturais, adaptando tudo à cultura dechegadaX* foreignization: práticas tradutórias que mantêm aestranheza do texto original e da cultura de partida
  4. 4. *Antoine Berman* A tradução e a letra ou o albergue do longínquo(1985/1999/2007)* a prática da tradução tradicional: ato culturalmenteetnocêntrico, “que traz tudo à sua própria cultura, às suasnormas e valores, e considera o que se encontra fora dela —o Estrangeiro — como negativo ou, no máximo, bom para seranexado, adaptado, para aumentar a riqueza desta cultura”(p. 28).X* Proposta de uma prática de tradução “ética”, cujo objetivoestaria em “reconhecer e em receber o Outro enquantoOutro” (p. 68), em lugar de esconder o elemento estrangeiroda obra traduzida.* Fidelidade à “letra” do original — “essência última edefinitiva da tradução”
  5. 5. *Friedrich Schleiermacher (Fred)* Dos diferentes métodos de traduzir(1985/1999/2011)“Mas e quanto ao verdadeiro tradutor, que querrealmente aproximar estas duas pessoascompletamente separadas que são o seu autor e o seuleitor, [...] que caminhos pode ele trilhar? Ao meuver, há somente dois. Ou o tradutor deixa o autor omais possível em paz e leva o leitor ao seu encontro,ou deixa o leitor o mais possível em paz e leva oautor ao seu encontro.” (p. 22)
  6. 6. *Semelhanças e diferenças*Defesa de uma tradução que não apague aestranheza do estrangeiro, estrangeirizante / daletra / que leve o leitor até o autorX*Contextos linguísticos / culturais / tradutóriosdiferentes entre si (e também do nosso)* Alemanha, século XIX: nacionalismo, unificação* França: tradição das belles infidèles* EUA: cultura hegemônica com poucas traduções deoutros idiomas para o inglês
  7. 7. *Resultado*Muitos estudos partem das reflexões dessesautores, para pensar a tradução comodividida nessas duas possibilidades* estrangeirização como a maneira correta, ideal eperfeita de traduzirX* estrangeirização como impossível, prejudicial à línguade chegada e obscura para os leitores finais datradução
  8. 8. “Ignorar o leitor, esse ator importante da tríade formada como autor e o tradutor, é o que não confessa quem defendeentusiasticamente a fidelidade à letra.”(Ivone C. Benedetti)“Ser estrangeirizador, no caso brasileiro (desculpem) não énada original, para não dizer revolucionário. Está longe datemeridade que representa derrubar os ícones de sua própriacultura ou desafiar os de uma cultura hegemônica. Significa,justamente, ir-maria-com-as-outras, em vez de enfrentar amaré. Afirmar conscientemente as características da próprialíngua, buscá-las no que há de mais genuíno, conhecer suasestruturas mais fluidas e elegantes, optar por umaterminologia mais apropriada e criativa são atitudes maiscorajosas e originais, mais dignas de uma nação que se preze.”(Ivone C. Benedetti)
  9. 9. *Problemas de dicotomias radicais* impossível ser apenas estrangeirizante ou apenasdomesticador:* complexidade de cada situação tradutória* infinidade de decisões que o tradutor precisa tomar* Categorias não são estanques:* combinações de ambas na tradução de um mesmo texto* estratégias híbridas* soluções que não representam nem uma nem outra“Enfim, estrangeirização ou domesticação? Nenhumdos dois. Jogo de cintura é a resposta.”(Ivone C. Benedetti)
  10. 10. *O diário de Gian Burrasca* Il giornalino di Gian Burrasca, Vamba (Luigi Bertelli)* Tradução do italiano para o português* Infantojuvenil do início do século XXProjeto de tradução expresso no prefácio:“[...] quis dar ao leitor a oportunidade de se divertir observandoas diferenças e as semelhanças de que falei acima. Por isso,procurei não adaptar demais o livro: não quis criar um Gianninomoderno, não trouxe a história para o Rio de Janeiro ou SãoPaulo, não transformei o Gian Burrasca em João Borrasca ouJoãozinho Vendaval. Considerei como minha tarefa nãotransformar o texto italiano num texto brasileiro, mas tornar otexto italiano acessível para os leitores brasileiros como você.”* OK, mas sem assustar as crianças, por favor...
  11. 11. *Provérbios e expressões idiomáticasMi accorsi una volta di più che il mio babbo aveva ragione adir corna del servizio ferroviario [...] (p. 27)Percebi mais uma vez que meu pai tinha razão em falar odiabo do serviço ferroviário [...] (p. 35)— Ehi, dico! Rispondete; e ditemi dove siete stato e cheavete fatto in quellora! —Io a questo punto fissai lo sguardo sulla carta dellAmericaappesa alla parete a destra della scrivania e... seguitai afar lindiano. (p. 186-187)— Ei, estou falando! Responda! E diga onde esteve e o quefez naquela uma hora!Eu nessa altura fixei o olhar no mapa da América penduradona parede à direita da escrivaninha e… continuei mefazendo de índio. (p. 215)
  12. 12. *Provérbios e expressões idiomáticasEccomi a casa mia, nella mia cameretta, che ho rivisto tantovolentieri!... È proprio vero quel che dice il proverbio:Casa mia, casa mia,Per piccina che tu sia,Tu mi sembri una badia. (p. 40)Aqui estou, na minha casa, no meu quartinho, que fiquei tão felizde rever! É mesmo verdade o que diz o provérbio italiano:Casa minha, casa minha,mesmo tão pequenininha,para mim é uma abadia. (p. 48)Quando mi sono destato ho visto nel divano difaccia il signorClodoveo che dormiva, russando come um contrabbasso. (p. 99)Quando despertei, vi no assento em frente o senhor Clodoveodormindo, roncando mais que a locomotiva. (p. 113)
  13. 13. *Palavras e expressões no idioma original— Dio mio! Se eu pudesse saber quem foi, comoqueria me vingar! (p. 29)[...] e o Maralli, branco como uma folha de papel,sacudia a barbona e saltava pela sala repetindo:— Mamma mia, um terremoto! Mamma mia, umterremoto! (p. 100)— [...] Enquanto o motorista estiver lá dentro, vocêsobe no automóvel e eu te levo pra dar uma volta aoredor da praça, pra você ver se eu consigo ou não. Vabene?— Benissimo! (p. 108)
  14. 14. *Palavras e expressões no idioma original— Canaglia, eu tinha te proibido de vir aqui! (p. 128)— Tome as duas liras… [...] Você é um bravo ragazzo efaz bem em sempre falar a verdade! (p. 145)O senhor Venanzio é enfadonho, concordo, mas tem lásuas qualidades. Comigo, por exemplo, é cheio degentilezas e diz sempre que sou “un ragazzo originale”e que se diverte um monte me ouvindo falar. (p. 148)
  15. 15. *Nomes própriosOra non diranno più che son la rovina della casa! Nonmi chiameranno più Gian Burrasca di soprannome, chemi fa tanta rabbia! (p. 13)Agora não vão mais dizer que sou a ruína da casa! Nãovão mais me chamar de Gian Burrasca!” Burrasca querdizer “tempestade”, e esse apelido me irrita muito!(p. 15)Porém, Mascherino > MascaradoGiannino StoppaniAdaLuisaVirginiaCollaltoCapitaniMaurizioVenanzioGeltrudeStanislao
  16. 16. *Nomes próprios[...] questo ragazzo che è Mario Betti, ma noi sichiama il Milordo perché va vestito tutto perlappunto e allinglese, mentre invece ha sempre ilcollo e gli orecchi così sudici, che pare proprio unospazzaturaio travestito da signore. (p. 66)O nome dele é Mario Betti, mas a gente chama elede Nojentleman, porque anda todo bem vestido, àinglesa, mas está sempre com o pescoço e as orelhastão sujos que parece até um varredor de rua vestidode aristocrata. (p. 75)
  17. 17. *Nomes própriosChe tipo buffo è il signor Clodoveo!Prima di tutto vuol far sempre il forestiero, e sècambiato gli i del suo cognome, che sarebbeTirinnanzi, in tanti ipsilonni facendone unTyrynnanzy, perché dice che nel suo commercio,rappresentando le principali fabbriche dinchiostridellInghilterra, gli giova presentarsi ai clienti contre ipsilonni... (p. 98)Estrangeirizar? Tyrynanzy?Domesticar? Sylva? Olyveyra? Pereyra da Sylva?
  18. 18. *Nomes própriosQue tipo gozado é o senhor Clodoveo!Em primeiro lugar, quer bancar sempre oestrangeiro, e trocou os is do própriosobrenome, que seria Vicentini, por um montede ípsilon, pra ficar Vycentyny, porque diz queno trabalho dele, como representante dasprincipais fábricas de tinta da Inglaterra, évantajoso se apresentar aos clientes com trêsípsilons… (p. 112)
  19. 19. *Então...* Nenhuma teoria da tradução é* receita* lei* dogma* A tradução não pode ser representadade forma binária
  20. 20. *ReferênciasBENEDETTI, Ivone C. A estranheza do mito. Disponível em:http://ivonecbenedetti.wordpress.com/2010/09/07/a-estranheza-do-mito/. Acesso: em25 mai 2013.______________. O mito da estranheza. Disponível em:http://ivonecbenedetti.wordpress.com/2010/08/07/o-mito-da-estranheza/. Acesso: em25 mai 2013.BERMAN, Antoine. A tradução e a letra ou o albergue do longínquo. Trad.Marie-Hélène Catherine Torres, Mauri Furlan e Andréia Guerini. Rio deJaneiro: 7Letras/PGET-UFSC, 2007.FRANCISCO, Reginaldo (tradução). BERTELLI, Luigi. O diário de GianBurrasca. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.SCHLEIERMACHER, Friedrich. Dos diferentes métodos de traduzir.Trad. Mauri Furlan. Scientia Traductionis. Florianópolis, n. 9, p. 3-70, 2011.Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/scientia/article/view/1980-4237.2011n9p3/18329>. Acesso em: 25 mai 2013.VENUTI, Lawrence. The translator’s invisibility: a history of translation.London/New York: Routledge, 1995.______________. Escândalos da tradução: por uma ética da diferença.Tradução Laureano Pelegrini, et. al. Bauru, SP: EDUSC, 2002.

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