Caderno diário as opções totalitárias n.º 19 1415

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Caderno diário as opções totalitárias n.º 19 1415

  1. 1. 1 O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30 As opções totalitárias Por Raul Silva Perturbada e decadente, a Europa questionou o liberalismo político e a democracia parlamentar. As massas populares, afetadas pelo desemprego e seduzidas pelo exemplo da Rússia bolchevista, agitaram-se ao ponto de intimidar as classes dirigentes. As classes médias, alicerce do liberalismo e grandes vítimas da queda do poder de compra, sentiram-se atraiçoadas e perderam toda a confiança no Estado burguês. Pela Europa fora, o totalitarismo fascista foi moda e teve, na Itália e na Alemanha, os seus grandes paradigmas. Antiparlamentar, antiliberal e antimarxista, o fascismo distinguiu-se por subordinar o indivíduo aos interesses de um Estado forte e dirigista, que controlava a sociedade, a economia, a educação e a cultura; por impor o culto do Chefe a quem todos deviam uma obediência estrita. Um feroz aparelho repressivo e uma gigantesca máquina de propaganda serviram os seus desígnios. Em Portugal, o fascismo concretizou-se na experiência do Estado Novo, corporizado na figura de Oliveira Salazar. Chamado em 1928 pela ditadura militar para restaurar as finanças, quatro anos depois era Presidente do Conselho, cargo em que se manteve até 1968. O regime do Estado Novo definiu-se a si próprio como autoritário, nacionalista, corporativo, imperialista e antimarxista. CADERNODIÁRIO EXTERNATO LUÍS DE CAMÕES N.º 19 https:// www.facebook.com/ historia.externato http:// externatohistoria.blog spot.pt externatohistoria@gm ail.com 5deMaiode2015
  2. 2. 2 CADERNODIÁRIO5deMaiode2015 A Europa e a radicalização Os anos do pós-guerra foram de grandes dificuldades sociais e políticas para toda a Europa, pois as economias dos países, tanto vencidos como vencedores, estavam desorganizadas: campos e fábricas destruídas ou paradas, finanças num caos, inflação, falta de alimentos, etc. Esta situação provocará o descontentamento generalizado que se traduz em greves. O espírito revolucionário estende-se, então, por toda a Europa, estimulado pela experiência bolchevique na Rússia. Por toda a Europa, o desespero das populações perante a crise e a aparente incapacidade dos governos democráticos de a contornar, leva à procura de novas soluções políticas, que vão radicalizar a vida social e política. De esquerda (proletários e camponeses): uma vaga de greves e manifestações pró-comunistas, inspiradas no bolchevismo soviético e lideradas pelos partidos comunistas. De extrema direita (burguesia proprietária e financeira e classe média): crescem os movimentos autoritários, conservadores e antidemocráticos, sobretudo entre a classe média, que se torna ultra-nacionalista e opositora ao individualismo liberal e ao socialismo. Nos estados onde o regime parlamentar já existia antes da guerra, ele é criticado, por uns e por outros, por estar ultrapassado e ser incapaz de encontrar as soluções desejáveis para a crise e garantir a subsistência dos trabalhadores e os interesses das classes médias frente à proletarização da sociedade. De 1918 a 1923, a Europa assiste impávida à radicalização da vida social e política. No seio da sociedade europeia, fruto dos problema deixados pela guerra e agravados pela Grande Depressão - inflação, desemprego e bolchevismo - emergem ideologias totalitárias que subordinam o indivíduo ao estado, como é o caso da Itália fascista, da Alemanha nazi e da Rússia soviética. Dizem não pretender retroceder, apagando o demoliberalismo, mas criar uma sociedade nova, nem igualitária (socialista) nem democrática, onde cada indivíduo saiba o seu lugar e as suas funções atribuídas pelo estado, no contexto coletivo. No entanto, e apesar de terem semelhanças, apresentam soluções diferentes. Responder: a) Explique a radicalização da vida política nos países ocidentais. Pesquisar: https://www.youtube.com/watch? v=P47KdilNHsQ https://www.youtube.com/watch? v=VHbzRYjjKto O autoritarismo e a sua ascensão por Conde Sforza “Após a guerra mundial, após as desilusões (...), após os excessos de esperança que a paz tinha despertado nos corações, aumentou na Europa, sobretudo nas classes médias, o número daqueles que começaram a pensar que a política liberal era responsável pela bancarrota; daí uma simpatia instintiva pelo Mussolini que tinha conseguido suprimir as lutas dos partidos nos seus países havia pouco. O exemplo e o medo do bolchevismo fizeram o resto; pensava-se que governos que se diziam e pareciam fortes poderiam combater mais eficazmente o perigo russo. Os sofrimentos de quatro anos de guerra fizeram escorregar as grandes nações europeias no precipício lamacento das ditaduras.” “Crês que a fome é necessária? Talvez já tenhas sido atingido por ela? Vinte milhões de alemães têm fome como tu. (...) Adolfo Hitler fará qualquer coisa! Ele não ficará lá, mudo, à espera que o estrangeiro tenha desejo de nos sugar ainda mais dinheiro. (...) O que Adolfo Hitler fará já está preparado. Ele espera o dia em que tu decidirás que ele te poderá ajudar. Participa na obra de construção!” NSDAP, 24 de abril de 1932 Alemanha nos anos 30 A inflação do pós-guerra, a Grande Depressão e o diktat de Versalhes foram o contexto favorável ao triunfo do nazismo. Hitler acusou a República de Weimar, os comunistas e os judeus de serem os responsáveis pela crise.
  3. 3. 3 CADERNODIÁRIO5deMaiode2015 O Fascismo teoria e práticas O Fascismo defende que o interesse nacional está acima do indivíduo, e isto corresponde à supremacia do Estado, visto como um corpo único que integra todos. Daí decorre a desvalorização da democracia parlamentar e pluripartidária (eleições e deputados), apesar de simularem a realização de atos eleitorais, e rejeição da teoria da divisão dos poderes e reforço do poder executico; a recusa absoluta da luta de classes que divide e enfraquece a Nação, concebendo o Corporativismo que promove a colaboração entre as classes e evita, deste modo, os problemas laborais e as greves que só ocasionam prejuízos económicos; a defesa de um nacionalismo agressivo, incompatível com o internacionalismo da luta socialista. Não acreditando na igualdade entre os homens nem na representatividade do sistema eleitoral demoliberal, o fascismo defende que a desigualdade não só existe como é útil, pois permite que sejam os melhores a ter acesso à governação. Devem exitir chefes carismáticos e incontestados , quase heróis, que personifiquem e encarnem a Nação, de quem são guia. São alvo de um verdadeiro culto. Este chefe, tal como as forças militares e as elites políticas, integra uma raça dominante. Avesso a qualquer manifestação individual defende a obediência cega das massas ao regime. Para isso, o fascismo usa várias estratégias: • inculcação, nas crianças e nos jovens, dos valores e ideias fascistas através de organismos paramilitares, como a Juventude Fascista. Através destas organizações fazia-se o culto do chefe e do estado, o gosto pela Nação e o desprezo pelo saber inteletual; • arregimentação dos adultos através de organizações que se identificam com o regime, como por exemplo: o Partido único, cuja filiação era indispensável para ocupar cargos políticos, militares ou políticos; as Corporações que substituíram os sindicatos, entretanto proibidos, de modo a anular a luta de classes; • a Propaganda, que vai usar das mais modernas técnicas audiovisuais para promover o culto ao chefe e aos valores do regime fascista. Assiste-se a grandes manifestações e paradas militares, onde há um enorme cuidado com a encenação teatral da postura, dos gestos e dos discursos, dirigidos a uma multidão que se pretende dominar. Criaram-se os ministérios da Imprensa e da Propaganda, para controlar os jornais, a rádio, usada para os discursos dos chefes, e o cinema, utilizado para exaltar o regime e os heróis. São perseguidos os inteletuais e obrigam-se os artistas e escritores a jurarem fidelidade ao regime. A oposição política é considerada um entrave à governação, por isso, é aniquilada pela repressão policial. A sobrevivência do totalitarismo e o controlo da sociedade são, deste modo, garantidos pela violência que, aliás, está na essência do fascismo e do nazismo: o culto da força. São por isso, antipacifistas, pois consideram a paz inibidora dos instintos naturais da espécie humana. O fascismo e as suas manifestações por Benito Mussolini, 1931 “Para o fascismo, o Estado é absoluto: perante ele os indivíduos e os grupos não são mais que o relativo. Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado. (...) O indivíduo só existe enquanto está no Estado: está subordinado às necessidades do Estado e, à medida que a civilização toma formas cada vez mais complexas, a liberdade do indivíduo restringe-se sempre mais. (...) Neste sentido, o fascismo é totalitário (...). Nem partidos, associações, sindicatos nem indivíduos fora do Estado. (...) Nós representamos um princípio novo no Mundo, representamos a antítese nítida, categórica, definitiva da democracia (...).” Responder: a) Identifique os princípios sobre os quais assentam os regimes fascistas. Refletir: http://externatohistoria.blogspot.pt/ 2014/03/o-fascismo.html “É com a juventude que começarei a minha grande obra. Nós, os velhos, estamos gastos. (...) Nós faremos crescer uma juventude diante a qual o Mundo tremerá. Uma juventude violenta, imperiosa, intrépida, cruel. Saberá suportar a dor. Nela não quero fraqueza nem ternura. Quero que ela tenha a beleza e a força das jovens feras.” Rauschnnig, Hitler m´a dit, 1939 A obediência cega das massas Uma gigantesca máquina de propaganda promoveu o culto do chefe. Grandiosas manifestações, onde avultavam as paradas e os uniformes, foram alvo de uma encenação teatral que galvanizava as multidões.
  4. 4. 4 CADERNODIÁRIO5deMaiode2015 O fascismo e a autarcia As atividades económicas foram, igualmente, alvo de uma regulamentação, tanto mais que as crises económicas serviram de motivo para a ascensão política dos partidos fascistas. Implementaram uma política económica de intervenção do estado, que usou o espírito nacionalista para incentivar o trabalhador com vista à autossuficiência nacional (autarcia) e acabar com o desemprego (1,3 milhões de italianos e 6 milhões de alemães). Na Itália, as corporações facilitaram a planificação estatal da economia quanto à produção, preços, salários e importações. Estas medidas eram integradas em ações propagandísticas como a “Batalha do Trigo”, que fez diminuir a importação de cereais. No comércio, controlaram as importações e exportações. As pequenas empresas foram financiadas pelo estado, de modo a poderem enfrentar a concorrência. Criou-se a mística do trabalho. Os trabalhadores tinham ainda ao seu dispor atividades de tempos livres, oderecidas pelo estado. Todo este crescimento económico desencadearia a aventura colonial de conquista da Etiópia. Na Alemanha, logo em 1933, Hitler promove uma série de trabalhos públicos com vista a diminuir o desemprego, nomeadamente construção de autoestradas, centrais hidroelétricas, linhas-férreas, pontes e arroteamento de terras. Por outro lado, fixa os preços dos produtos essenciais e desenvolve a indústria, através de um extenso processo de rearmamento, financiado pelos capitalistas alemães, à revelia do tratado de Versalhes. Estas medidas estatais recolhem o apoio das massas populares pelo facto de combaterem o desemprego. Simultaneamente, a Alemanha torna-se uma poderosa “máquina de guerra”, pronta a conquistar o seu espaço vital. Portanto, tendo como base social de apoio as classes médias, sobretudo baixa, onde havia muitos desempregados, os estados totalitários dominaram em todos os setores: político, económico, social e cultural. Responder: a) Analise a aplicação do conceito de autarcia no fascismo. b) Caracterize a política económica nazi. Refletir: http://externatohistoria.blogspot.pt/ 2014/03/a-autarcia-como-modelo- economico.html O nazismo e a adesão do grande capital por Kurt Schoder, 1946 “Um interesse comum do grande capital residia no medo ao bolchevismo e na esperança de que os nacionais-socialistas, uma vez no poder, criariam na Alemanha os fundamentos de uma política e de uma economia estáveis. (...) Esperava-se uma nova conjuntura económica resultante de maiores encomendas do Estado: não esqueçamos que Hitler previa o crescimento do exército alemão de 100000 para 300000 homens, a construção de auto-estradas no Reich, o melhoramento dos meios de transporte, especialmente dos caminhos de ferro, um desenvolvimento industrial nos ramos automóvel, da aviação e indústrias afins.” “O cinema italiano cuja produção atingia uma cadência industrial; os estímulos fornecidos ao desporto; sem contar em certas manifestações que acabaram por se tornar irritantes, pelos abusos de uma retórica decalcada nos faustos da Roma antiga e pela pompa de inaugurações demasiado numerosas.” Zamgrandi Volkswagen, o carro do povo Visando a promoção social das massas e o crescimento industrial, a propaganda nazi insistiu na facilidade de compra do Volkswagen.
  5. 5. 5 CADERNODIÁRIO5deMaiode2015 O nazismo e o racismo Aplicando incorretamente a teoria evolucionista de Darwin, centrada na “seleção natural”, e usando o mito do super-homem de Nietzche, Hitler colocou a raça ariana (alemães e austríacos) como superior às restantes. Desenvolveu esta tese, sem qualquer fundamentação científica, na sua obra Mein Kampf que escreveu na prisão, onde foi parar pelo facto de ter participado numa tentativa de golpe de estado em Munique, 1923. Esta teoria, anexa ao nacionalismo exacerbado, humilhado com o tratado de Versalhes, levou os alemães ao maior desrespeito pelos direitos humanos. Obcecado pelo aperfeiçoamento físico e mental da “raça ariana”, promoveu uma desenfreada seleção de arianos que estariam ao dispor do fomento da natalidade para atingir a raça pura. Para que tal acontecesse deveriam ser eliminados os “imperfeitos” - deficientes, velhos, doentes incuráveis - que, além do mais pesavam nas despesas do estado sem nada dar em troca. Desta “purga” interna chegaram rapidamente ao ideal germânico de dominar o mundo, como o objetivo de ocupar o seu espaço vital, tendo para isso de submeter ou destruir os povos inferiores. Com o lema “Um só povo, um só império e um só chefe”, o III Reich anexa a Aústria e a Polónia, ignorando completamente a divisão de fronteiras ou os tratados internacionais. Os judeus tornaram-se o alvo preferido da perseguição nazi (antissemitismo), de modo a permitir unir todos os povos alemães, isto é, que falem a mesma língua e tenham a mesma cultura. Eram considerados parasitas, mas sobretudo culpados da derrota alemã na Primeira Guerra e dos problemas económicos sentidos nos anos 20 e 30. Em 1933, a 1.ª vaga de perseguições dá-se com a sua interdição ao funcionalismo público e às profissões liberais, filtrando a sua entrada nas universidades e boicotando as lojas judaicas. Em 1935, são publicadas as Leis de Nuremberga que retiraram a nacionalidade alemã aos judeus, proibiram o casamento e relações sexuais entre arianos e judeus, sendo o seu desrespeito punido severamente. Em 1938, foram encerradas as empresas judaicas e confiscados os seus bens, assim como destruídas as sinagogas na “Noite de Cristal” (9 de novembro), onde muitos judeus acabaram por morrer em resultado das perseguições. Os judeus passaram a não poder ter nenhuma profissão nem frequentar lugares públicos, pelo que foram obrigados a usar uma estrela amarela e cingirem-se aos guetos. Os judeus, mas também ciganos, comunistas e homossexuais foram perseguidos, presos, marginalizados e acabaram deportados em campos de concentração, onde morriam pela fome, pelos maus-tratos, pelos trabalhos forçados e pela tortura. O nazismo e a violência racista por Adolf Hitler, 1915 “A nossa concepção racista não acredita de forma nenhuma na igualdade. Pelo contrário, reconhece que há diversidade nas raças e que o seu valor é mais ou menos elevado. Sente assim a obrigação de favorecer a vitória do melhor e do mais forte, de exigir a subordinação dos piores e dos mais fracos. (...) A concepção racista corresponde à vontade mais profunda da natureza ao restabelecer o progresso pela selecção. (...) O Judeu não tem mínima capacidade para criar uma civilização (...). A sua inteligência nunca servirá para construir, mas sim para destruir. (...)” Responder: a) Explique o caráter racista do totalitarismo alemão Pesquisar: https://www.youtube.com/watch? v=zMAZ_dhxlds “A solução final do problema judeu deverá ser aplicada a 11 milhões de pessoas. (...) Os judeus devem ser transferidos, sob escolta, para leste para o serviço de trabalho. (...) Uma grande parte deles ficará naturalmente eliminada pelo seu estado de decadência física. (...) Os que restarem deverão ter o consequente tratamento.” Heydrich O genocídio A maior parte dos guetos e dos campos de extermínio, para onde foram conduzidos os judeus, situavam-se na Europa Oriental. Os dirigentes nazis pretendiam praticar o genocídio o mais secretamente possível.

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