Trabalho antipsicóticos

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Trabalho antipsicóticos

  1. 1. FAMINAS BH ENFERMAGEM – 4º PERÍODO MACANISMOS DE AÇÃO DOS FÁRMACOS ANTIPSICÓTICOS OU NEUROPLÉTICOS OUTUBRO/2014
  2. 2. 2 FAMINAS BH ENFERMAGEM – 4º PERÍODO FARMACOLOGIA – PROF. TIAGO CAMILA CRISTINA, CAROLINA, FÁBIO, JÉSSICA FERRAZ, MARCELO SOUZA, MÁRCIA TAINÁ, PALOMA COUTO E THAÍS DA SILVA MACANISMOS DE AÇÃO DOS FÁRMACOS ANTIPSICÓTICOS OU NEUROPLÉTICOS Trabalho realizado para a disciplina de Farmacologia acerca dos fármacos antipsicóticos feito pelo grupo composto pelos alunos de Enfermagem do 4º Período Camila Cristina, Carolina, Fábio, Jéssica Ferraz, Marcelo de Souza, Márcia Tainá, Paloma Couto e Thaís da Silva, sob orientação do professor da disciplina, Tiago. OUTUBRO/2014
  3. 3. 3 SUMÁRIO
  4. 4. 4 INTRODUÇÃO: Ainda que a descoberta tenha sido, em parte, ao acaso pelo cirurgião francês Laborit em 1950, o desenvolvimento dos antipsicóticos, conhecidos também como neuropléticos, antiesquizofrênicos ou tranquilizantes maiores, pode ser considerado como um dos mais importantes avanços na história da psicofarmacologia e psiquiatria (Oliveira, XXXX). Segundo o autor, as projeções feitas nos EUA indicam que se não fossem pelos antipsicóticos os hospitais de doenças mentais estariam ocupados atualmente por um número dez vezes maior de pacientes naquele país. No entanto, é preciso lembrar que os antipsicóticos fazem apenas aliviar a intensidades dos sintomas dos pacientes, mas sem cura para os mesmos. UM BREVE RELATO SOBRE OS ANTIPSICÓTICOS A descoberta da ação antipsicótica da clorpromazina foi feita em 1950 pelo cirurgião francês Labrit, enquanto este preparava um coquetel de várias medicações na esperança de proteger os pacientes dos riscos da anestesia (OLIVEIRA, XXXX. p. 304). A clorpromazina foi inicialmente testada como um anti-histamínico, mas o efeito sedativo provocado nos pacientes fez com que Labrit indicasse a mesma aos colegas psiquiatras para uso em pacientes agitados. O inicio dos trabalhos com a clorpromazina iniciou-se em 1951, com os psiquiatras franceses Delay, Deniker e Harl, que fizeram uso da substância em doses crescentes em pacientes agitados, ansiosos, maníacos hiperativos e esquizofrênicos. Os testes com a clorpromazina, tal como outros antipsicóticos descobertos à época, indicou que sua ação não estava limitada apenas como efeito de calmante, mas que também agia diretamente nos distúrbios do pensamento dos esquizofrênicos. Relatou-se ainda, inicialmente, uma ação complementar de “ativação” dos pacientes esquizofrênicos isolados. O efeito meramente sedativo tenderia a deteriorá-los ainda mais (OLIVEIRA, XXXX. p. 304). Já o haloperidol, antipsicótico mais empregado na atualidade, foi sintetizado por Jannsen em 1958 e testado na Bélgica por Bobon, Divry e Collard. Apesar de ser o mais utilizado, estudos se concentram na busca de antipsicóticos com efeitos extrapiramidais menores e que sejam eficazes no tratamento dos sintomas da esquizofrenia, denominados antipsicóticos ou neurolépticos atípicos.
  5. 5. 5 A ESQUIZOFRENIA E OUTRAS PSICOSES O termo psicose descreve distúrbios psiquiátricos graves, geralmente de origem desconhecida ou idiopática, portanto, “funcionais”, nos quais são encontrados, além dos distúrbios do comportamento a incapacidade de pensar coerentemente e compreender a realidade (Oliveira, p. 305). Dentre as psicoses funcionais mais importantes encontra-se a esquizofrenia. A Esquizofrenia é uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização ampla dos processos mentais. É um quadro complexo apresentando sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções, causando marcados prejuízos ocupacionais, na vida de relações interpessoais e familiares (ABC DA SAÚDE, 2001). A doença tem seu início no final da adolescência ou no início da idade adulta, antes dos 40 anos, e o curso é sempre crônico com marcada tendência à deterioração da personalidade do indivíduo. Além das psicoses funcionais (esquizofrenia, paranoia ou transtorno delirante) existem aquelas que são de origem orgânica, associadas a distúrbios metabólicos, morfológicos, tóxicos ou endócrinos. ANTIPSICÓTICOS: DEFINIÇÃO E USO Os antipsicóticos ou neuropléticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, as quais podem encontrar-se aumentadas em estados, por exemplo, de excitação e de agitação. Juntamente, os antipsicóticos também atenuam os sintomas neuropsíquicos considerados psicóticos, tais como os delírios e as alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente nas células nervosas que regulam os processos psíquicos no ser humano e a conduta em animais e são escolhidos para o tratamento da esquizofrenia, tanto na fase aguda como na fase de manutenção. Os antipsicóticos são drogas lipossolúveis, sendo de fácil absorção e penetração no Sistema Nervoso Central (SNC). Tais fármacos têm sua primeira passagem pelo fígado, sofrendo, portanto, metabolização hepática. A meia vida é longa para a grande maioria dos antipsicóticos, em torno de 20 a 40 horas, e o conhecimento dessa propriedade do fármaco é importante já que a sua prescrição é de apenas uma dose diária. Outro fator relacionado à meia vida dos neurolépticos diz o tempo de demora à instalação do mesmo no organismo,
  6. 6. algo em torno de cinco dias. Essa demora promove um acúmulo progressivo no organismo, que se estabiliza após alguns dias. Com relação à classificação dos antipsicóticos, existem algumas classificações aplicadas aos mesmos. Segundo Oliveira (XXXX), autores anglo-saxões classificam de acordo com a potência relativa às doses utilizadas, sendo de baixa e de alta potência. Já para autores franceses a classificação é feita com base nos efeitos terapêuticos dos antipsicóticos. Segundo DENIKER & GINESTET (1988) apud Oliveira (XXXX), a classificação dos neurolépticos é feita da seguinte maneira: 6 Classificação Principais Representantes Efeitos Secundários Pólo desinibidor Neurolépticos sedativos clorpromazina levomepromazina tioridazina propericiazina sultoprida ciamepromazina Efeitos neurológicos dominantes Hipotensão ortostática Neurolépticos polivalentes haloperidol flufenazina tioproperazina pipotiazina trifluperazina Síndromes acineto-hipertônicas Neurolépticos desinibidores Pólo sedativo trifluperidol sulpirida pimozida carpipramina Síndros hipercinéticas Efeitos vegetativos dominantes De acordo com Ballone (2008), os antipsicóticos podem ainda ser divididos em três grupos específicos: os antipsicóticos sedativos, os incisivos e os atípicos e de última geração. Os antipsicóticos sedativos são aqueles cujo principal efeito é a sedação, ao contrário dos antipsicóticos incisivos (como o Haloperidol, p. ex.) cujo efeito principal e a remoção dos chamados sintomas produtivos (delírios e alucinações), sendo usados para o tratamento dos distúrbios psicóticos, sendo eficazes na esquizofrenia e na fase maníaca do transtorno afetivo bipolar. São mais indicados nos casos em que há agitação psicomotora, sendo assim, nem sempre os mesmos são indicados exclusivamente para os casos de esquizofrenia, mas também para quadros de inquietude, agitação, ansiedade, etc. Podem também serem usados para o tratamento do controle de náuseas e vômitos graves em pacientes selecionados. No quadro abaixo temos os principais antipsicóticos utilizados no Brasil.
  7. 7. 7 Principais Antipsicóticos Típicos Sedativos no Brasil Nome químico Nome comercial Clorpromazina Amplictil, Clorpromazina, Thorazine Levomepromazina Levozine, Neozine Tioridazina Melleril Trifluoperazina Stelazine Amisulprida Sociam Os antipsicóticos sedativos (neuropléticos) são indicados como antipsicótico, antiemético e ansiolítico. Como antipsicótico, atua bloqueando os receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro. A maioria também produz um bloqueio alfa-adrenérgico e deprimem a liberação de hormônios hipotalâmicos e hipofisários. Como antiemético, eles inibem a zona medular disparadora do vômito e como ansiolítico por pode promover a redução indireta dos estímulos sobre o Sistema Reticular do talo encefálico. As contraindicações ao uso se dão pelo fato de os antipsicóticos sedativos poderem promover depressão grave do SNC, estados comatosos, doença cardiovascular grave. Deve-se ater à relação risco/benefício em situações como alcoolismo, angina, glaucoma. Por ter ação antiemética, os antipsicótico sedativos podem mascarar os vômitos como sinais da superdosagem. Da família das butirofenonas temos os antipsicóticos incisivos. Sua ação antipsicótica deve-se ao bloqueio dos receptores pós-sinápticos dopaminérgicos D2 nos neurônios do SNC (sistema límbico e corpo estriado). Para produzir sua ação, essa classe produz um bloqueio seletivo sobre o SNC, que se dá por competitividade dos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos, aumentando a troca de dopaminas no nível cerebral. Além desses receptores, outros são também afetados, gerando efeitos adicionais diversos, que podem ser terapêuticos ou adversos. Abaixo uma relação dos antipsicóticos incisivos mais vendidos no Brasil. Principais Antipsicóticos Incisivos no Brasil Nome químico Nome comercial Flufenazina Anatensol, Flufenan Haloperidol Haldol, Haloperidol Penfluridol Semap Pimozida Orap Pipotiazina Piportil, Piportil L4 Zuclopentixol Clopixol São indicados para o tratamento de distúrbios psicóticos agudos e crônicos, incluindo esquizofrenia, fase maníaca do transtorno afetivo bipolar, psicose induzida por substâncias,
  8. 8. transtorno delirante persistente, nas fases piores e mais desadaptadas dos transtornos esquizoides, paranoides e obsessivo-compulsivos da personalidade, problemas severos de comportamento em crianças como hiperatividade grave, síndrome de gilles de la tourette, autismo infantil, alívio da psicopatologia da demência senil, dor neurogênica crônica e tratamento coadjuvante do tétano. São contraindicados por promoverem depressão do SNC - grave ou tóxica (induzida por fármacos) e mal de Parkinson. Os antipsicóticos atípicos e de última geração surgem em 1990 e trouxeram novas perspectivas para o tratamento da esquizofrenia. Segundo Ballone (2008), nas primeiras décadas do século passado, praticamente não havia terapêutica para a esquizofrenia e poucos os pacientes apresentavam algum tipo de melhora (a eletroconvulsoterapia surge em 1930 e é o primeiro tratamento biológico para essa psicose; por meio dela foi possível alcançar uma maior resposta terapêutica). Mas foi somente nas décadas de 50 e 60 que chegam os primeiros antipsicóticos, chamados então de primeira geração, hoje conhecidos como "convencionais". A clozapina, considerada o primeiro antipsicótico de segunda geração (ou atípico) foi descoberta em 1970, mas devido ao problema da agranulocitose1, aparece no mercado somente em 1988, sendo aprovada para uso nos Estados Unidos em 1990 e no Brasil em 1992. De maneira mais abrangente, os antipsicóticos atípicos são uma nova classe de antipsicóticos que causam menos efeitos colaterais extrapiramidais, ao menos em doses terapêuticas. São os mais recente introduzidos no mercado, não sendo classificados nem como sedativos e nem como incisivos. Esses medicamentos têm sido de valioso recurso terapêutico nas psicoses refratárias aos antipsicóticos tradicionais, nos casos de intolerância aos efeitos colaterais extrapiramidais, bem como nas psicoses predominantemente com sintomas negativos, onde os antipsicóticos tradicionais podem ser ineficazes. São também considerados diferentes dos neurolépticos clássicos. Dentre os antipsicóticos atípicos, os mais utilizados na atualidade são a Clozapina, o Haloperidol, a Olanzapina e a Risperidona. Dente estes antipsicóticos tradicionais, a Clorpromazina e o Haloperidol, este o mais indicado, são eficazes em mais de 80% dos pacientes com esquizofrenia, atuando predominantemente nos sintomas chamados 1 A agranulocitose, também conhecida como agranulocitopenia, é uma doença aguda do sangue, caracterizada pela redução (abaixo de 500 células por milímetro cúbico de sangue) ou ausência de leucócitos granulosos (neutrófilos, basófilos e eosinófilos). 8
  9. 9. produtivos ou positivos (alucinações e delírios) e em grau muito menor nos chamados sintomas negativo (apatia, embotamento e desinteresse)e por isso optamos por abordá-los já que há muitos artigos relacionados aos mesmos. A Clorpromazepina atua bloqueando os receptores pós-sinápticos dopaminérgicos, tanto D1 como D2, mesolímbicos no cérebro (ausência de fenômenos extrapiramidais). As fenotiazinas também produzem um bloqueio alfa-adrenérgico e deprimem a liberação de hormônios hipotalâmicos e hipofisários. Ainda assim, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos aumenta a liberação de prolactina na hipófise. Como antiemético, inibe a zona disparadora quimiorreceptora medular, e sua ação ansiolítica pode ocorrer por redução indireta dos estímulos sobre o sistema reticular do talo encefálico. Além disso, os efeitos de bloqueio alfa-adrenérgico podem ocasionar sedação. Possui rápida ação antipsicótica e antiesquizofrênica, associada a um leve efeito sobre os níveis de prolactina, diminuindo efeitos adversos tais como ginecomastia, amenorréia, galactorréia e impotência são menores. Seu metabolismo é hepático e elimina-se por via renal e biliar. O Haloperidol, Haldol, é um derivado da butirofenona com efeitos similares aos das fenotiazinas derivados da piperazina. Atua em casos de delírios e alucinações na esquizofrenia aguda e crônica. Na paranoia, na confusão mental aguda e no alcoolismo (Síndrome de Korsakoff). Produz um bloqueio seletivo sobre o SNC por bloqueio competitivo dos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos, no sistema dopaminérgico mesolímbico, e um aumento do intercâmbio de dopaminas no nível cerebral para produzir a ação antipsicótica. O decanoato, que é a forma de ação prolongada, atua como pró-fármaco, liberando de forma lenta e estável haloperidol do veículo. O bloqueio dos receptores de dopamina provoca reações motoras extrapiramidais, diminui a liberação do hormônio de crescimento e aumenta a liberação de prolactina pela hipófise. Também existe certo bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos do sistema autônomo. Absorve-se por via oral em 70%; seu metabolismo, que é extenso, realiza-se no fígado; une-se às proteínas em 90% ou mais. Aproximadamente 40% de 1 dose oral única excretam-se pela urina em 5 dias, dos quais 1% é fármaco inalterado. Os 15% da dose oral excretam-se nas fezes por eliminação biliar. Recomenda-se atenção em caso de pacientes com intervalo QT prolongado. Embora tenhamos abordado a Clorpromazepina e o Haloperidol, a risperidona e a Olanzapina são também de grande importância no tratamento da esquizofrenia. Conforme apresentado por 9
  10. 10. Oliveira (XXXX, p. 316), a risperidona pode ser tão ou mais eficaz e possuir menos efeitos extrapiramidais do que o haloperidol, mas quando administrada em doses inferiores a 8 mg/dia. Ainda de acordo com o autor, “essa vantagem é perdida em doses superiores” (p. 316). Assim como a risperidona, a olanzapina também mostrou vantagens sobre o haloperidol, porém em pacientes tratados com doses entre 7,5 a 20 mg/dia. Em doses menores que 7,5 o haloperidol se mostrou mais eficaz. Quantos aos efeitos adversos, a olanzapina produz menos efeitos extrapiramidais que o haloperidol em doses maiores, mas pacientes alegam maior sedação e ganho de peso. 10 CONCLUSÃO: Viu-se que os antipsicóticos atípicos contribuem significativamente com a melhor qualidade de vida dos pacientes, mas ainda não são a primeira escolha já que o custo do tratamento é maior do que se tratado com os antipsicóticos convencionais. Embora ainda não forneçam a cura para os sintomas das psicoses, os antipsicóticos foram grandes descobertas feitas pela medicina moderna para que portadores dessas síndromes possam ter a oportunidade de tratamento, contribuindo com a sociabilidade dos mesmos e com isso qualidade de vida.
  11. 11. 11 REFERÊNCIAS: Ballone GJ, Ortolani IV - Antipsicóticos Atípicos, in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008. Site ABC da Saúde. Disponível em http://www.abcdasaude.com.br/psiquiatria/esquizofrenia-e- outros-transtornos-psicoticos (último acesso: 01/11/2014). Site Portal da Educação. Antipsicóticos. Disponível em http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/artigos/68/haloperidol#ixzz3IHrjmDBD

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